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PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO DA 8ª REGIÃO


2ª VARA DO TRABALHO DE TUCURUÍ-PA
Rua Raimundo Veridiano Cardoso,03 -Bela Vista, 68456-760, Tucuruí/PA - Fone: (94) 3787-2600

TERMO DE AUDIÊNCIA
Juiz do Trabalho: Dr. RICARDO ANDRÉ MARANHÃO SANTIAGO
Secretário de audiência: Wilton Pantoja Quaresma
PROCESSO Nº: 00145-2007-127-08-00-9
RECLAMANTE: (em atenção ao OFÍCIO.CIC.TST.GP n.158/2002, foi suprimido o
nome do reclamante)
CPF/CNPJ: 784.792.822-15
RECLAMADO: COMPAR - COMPANHIA PARAENSE DE REFRIGERANTES
CPF/CNPJ: 04.928.297/0010-00
AÇÃO: ORDINÁRIA
DATA DESIGNADA 17/05/2007 às 09:00 horas

Em 17 de maio de 2007, às 08:50 horas, o Juízo apreciou os presentes autos, que têm caráter de
audiência inaugural, antecipada a pedido das partes. Aberta a audiência, apregoadas as partes,
verificou-se a presença do(a) reclamante, pessoalmente, acompanhado do Dr(a). Idercival Nogueira,
OAB/PA 10254, habilitado nos autos. Presente a reclamada, por sua preposta, sra. Danyelly Cristine
Bogea Mesquita , que junta carta de preposto e contrato social, acompanhado do Dr. Ronaldo Giusti
Abreu, OAB/PA 3628, que junta poderes. RECUSADA A PRIMEIRA PROPOSTA DE
CONCILIAÇÃO. A reclamada apresenta contestação escrita em 05 laudas, cuja leitura é dispensada
em face do fornecimento de cópia à parte contrária. Com a defesa juntou os seguintes documentos:
TRCT, ficha de registro de empregado, contrato de experiência e aditivo, aviso e recibo de férias,
atestado de saúde ocupacional e demonstrativos de pagamentos. Os documentos são exibidos à
parte contrária com prazo para manifestação até o final da instrução. ALÇADA FIXADA EM r$
25.277,42 CONFORME A INICIAL. DEPOIMENTO DO(A) RECLAMANTE (A PREPOSTA
AGUARDA FORA DA SALA DE AUDIÊNCIAS): que entregou a certidão de nascimento do
segundo filho ao sr. Moraes, gerente, mas não pegou recibo; que ninguém presenciou a entrega da
certidão; que o gerente atual, sr. Santos, confirmou com o sr. Moraes a entrega. que recebeu as
verbas constantes do TRCT juntados com a defesa; que trabalhava como ajudante de entrega; que
trabalhava com uma equipe de entrega; que havia quatro equipes no réu com quatro caminhões; que
cada equipe conta com três membros: um motorista e dois ajudantes; que o líder da equipe é o
motorista; que o motorista lidera a equipe mas de comum acordo com ela; que o horário do almoço
era definido pela própria equipe; que, de comum acordo, tinha liberdade para fazer as paradas
necessárias; que havia um acordo com o motorista para que parassem durante o trabalho para tratar
de assuntos particulares tais como uma ida na farmácia ou uma parada para lanche; que não batia
cartão de ponto; que nunca viu nenhuma fiscalização de horário por parte da empresa; que trabalhou
maior parte do tempo das 06:00 às 22:00 horas de segunda a sábado, com uma hora de intervalo
para almoço; que trabalhava no domingo mas recebia na diária por fora; que sacou o FGTS e pelo
valor acha que não falta nada; que sacou aproximadamente R$ 1.400,00 de FGTS; que fazia um
lanche de 15 minutos já próximo das 22:00 horas; que fazia entregas nas cidades de Goianésia, Breu
Branco, Novo Repartimento e distrito de Maracajá; que recebeu o 13º salário de 2005. Não houve
mais perguntas. PARA O(A) ADVOGADO(A) DO(A) RECLAMADO(A) RESPONDEU: que
acontecia de chegar antes das 22:00 horas; que de duas ou três vezes na semana chegava antes das
22:00 horas; que nestas ocasiões chegava por volta das 19:00/20:00 horas; que todo mês a equipe
mudava, só não o motorista. O Juízo constata na CTPS do autor registro constantes de fls. 43
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fazendo menção a situação prevista no art. 62, inciso I da CLT. Não houve mais perguntas.
DEPOIMENTO DA PREPOSTA DA RECLAMADA: que trabalha como assistente de RH desde
09/03/2007; que o pessoal de entrega não tem controle de horário; que a chegada do empregado
ocorre entre 06:30 e 07:00 horas por causa da rota que tem a cumprir; que existe uma quantidade de
clientes a serem atendidos por dia e quando termina eles podem ir embora mas antes retornam à
empresa; que acontece do ajudante ficar até as 19:00 horas, mas dificilmente passa disso; que tal
horário é de segunda a sexta-feira e no sábado até o meio-dia pois a rota é menor; que não tinham
conhecimento da existência de um segundo filho do autor. Não houve mais perguntas. PARA O(A)
ADVOGADO(A) DO(A) RECLAMANTE RESPONDEU: que quando o pessoal da entrega vai
para cidades próximas a Tucuruí ocorre de retornar após as 19:00, chegando até as 20:00 horas; que
o rítimo de trabalho nas entregas é ditado pela equipe. Não houve mais perguntas. OITIVA DA
PRIMEIRA TESTEMUNHA DO(A) RECLAMANTE: SR(A). Marcondes de Jesus Sousa,
brasileiro, casado, 30 anos, maranhense, auxiliar administrativo, residente e domiciliado na TV
Central, nº 27, Santa Mônica, Tucuruí-PA. TESTEMUNHA ADVERTIDA E COMPROMISSADA
NA FORMA DA LEI. AOS COSTUMES NADA DISSE, PERGUNTADA RESPONDEU: que
trabalhou de março de 2005 até setembro de 2006 na função de auxiliar administrativo; que tem
conhecimento da rotina de trabalho das equipes de entrega; que trabalhava das 16:00 às 00:20 de
segunda à sábado; que todas as equipes prestavam contas com o depoente; que havia três equipes na
época, cada uma com três membros: um motorista e dois ajudantes; que não havia controle de
horário para o pessoal da entrega; que acontecia de uma semana sim e outra não o autor sair junto
com o depoente às 00:20 horas, em outras ocasiões sair às 22:00/22:30 horas; que a parte da
documentação dos empregados não passava na sua mão. Não houve mais perguntas. PARA O(A)
ADVOGADO(A) DO(A) RECLAMANTE RESPONDEU: Não houve perguntas. PARA O(A)
ADVOGADO(A) DO(A) RECLAMADA RESPONDEU: que o horário mais cedo que o autor saia
era às 22:00 horas. Não houve mais perguntas. OITIVA DA SEGUNDA TESTEMUNHA DO(A)
RECLAMANTE: SR(A). Renato Oliveira Schneider, brasileiro, capixaba, 20 anos, solteiro, TV. W
04, Qd. 21, nº 111, Cohab, Tucuruí-PA. TESTEMUNHA ADVERTIDA E COMPROMISSADA NA
FORMA DA LEI. AOS COSTUMES NADA DISSE, PERGUNTADA RESPONDEU: que
trabalhou na empresa de junho de 2005 até fevereiro de 2007 na função de ajudante de entrega; que
trabalhou na mesma equipe que o autor; que havia quatro equipes na empresa cada uma com três
membros: um motorista e dois ajudantes; que trabalhava das 06:00 às 22:00 de segunda à sábado,
com uma hora para almoço; que nunca saia antes da 22:00 horas; que o autor também nunca saia
antes das 22:00 horas. Não houve mais perguntas. PARA O(A) ADVOGADO(A) DO(A)
RECLAMANTE RESPONDEU: Não houve perguntas. PARA O(A) ADVOGADO(A) DO(A)
RECLAMADA RESPONDEU: Não houve perguntas. A reclamada não arrola testemunhas. Com
relação aos documentos juntados com a defesa o autor nada tem a opor. Não havendo mais provas a
serem produzidas o juízo declara encerrada a instrução processual. Recusada a segunda proposta de
conciliação. Em razões finais a parte autora se manifesta pela procedência da ação e a parte
contrária pela improcedência. É O RELATÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. 1 - DAS HORAS
EXTRAS. Com base na jornada narrada na inicial o autor requer horas extras e reflexos, com o que
não concordou o réu argumentando pela incidência, ao caso, da hipótese do art. 62, inciso I da CLT,
com o que o autor não estaria sujeito à regulamentação da duração do trabalho. Por se tratar de fato
impeditivo do direito alegado, incumbia ao réu o ônus de provar a situação excepcional mencionada
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na forma do art. 333, II do CPC c/c art. 818 da CLT. A confissão do autor foi no sentido de
demonstrar que realmente não estava sujeito a qualquer controle na sua jornada de trabalho, tendo
inclusive liberdade para tratar de assuntos particulares durante a jornada diária de labor, conforme
acerto feito com os demais integrantes da sua equipe. Também restou confessado que o autor era
quem fazia o seu próprio horário de almoço e que não havia fiscalização da empresa. Além da
confissão o contrato de trabalho e a CTPS registram a situação do autor desempenhar funções de
serviços externos, incompatíveis com a fixação de horário de trabalho, pelo que está com razão a
defesa quando alega que o art. 62, I da CLT incide no caso em foco. Assim sendo, não faz jus o
autor às horas extras pretendidas que são julgadas improcedentes juntamente com os reflexos que,
por serem acessórios, seguem o principal. 2 - DO SALÁRIO FAMÍLIA. Incumbia ao autor o ônus
de provar a efetiva entrega da documentação comprobatória do nascimento do seu segundo filho por
se tratar de fato constitutivo do direito alegado e considerando que já recebia uma cota de salário
família referente a outro filho, o que serve para demonstrar a conduta acertada do réu. De tal ônus o
autor não se desincumbiu, atraindo a improcedência do pedido. 3 - DAS VERBAS RESCISÓRIAS.
Conforme TRCT juntado com a defesa, e confissão do autor, o aviso prévio, as férias e 13º salário
proporcionais foram quitados na rescisão, pelo que improcedem. O 13º salário proporcional de 2005
foi recebido pelo autor. As férias de 2005/2006 foram devidamente gozadas com abono pecuniário
conforme documentação juntada com a defesa, incluindo o 1/3, pelo que também improcedem. Pelo
lapso temporal do contrato de trabalho e pelo valor sacado pelo autor a título de FGTS (R$
1.400,00), inexiste diferença favorável ao autor, impondo a improcedência do pedido e dos 40%. 4 -
DA MULTA DO ART. 477 DA CLT. O aviso prévio foi indenizado e a extinção do contrato em
07/12/2006. A homologação da rescisão ocorreu apenas em 19/12/2006, um dia após o prazo do art.
477, § 6º, b da CLT. Razão pela qual procede a multa no valor atualizado de R$ 635,94, conforme
planilha ora juntada. 5 - MULTA DO ART. 467 DA CLT. Improcede em face da controvérsia
instalada sobre as parcelas e da improcedência delas. 6 - DA LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ.
Requerimento do réu que não pode ser acolhido, pois o autor não violou o conteúdo ético do
processo, mas apenas exerceu sem êxito seu direito de ação. Da mesma forma são incabíveis as
reparações pleiteadas pelo réu como honorário advocatício e despesas de deslocamento por falta de
amparo legal, considerando a gratuidade no processo do trabalho. 7 - JUROS E CORREÇÃO
MONETÁRIA. Incidem sobre a parcela deferida, conforme planilha juntada. CONCLUSÃO.
CONCLUSÃO. ANTE O EXPOSTO DECIDE O JUÍZO DA 2ª VARA DO TRABALHO DE
TUCURUÍ JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTES OS PEDIDOS CONSTANTES DA
RECLAMATÓRIA AJUIZADA POR DEIBY DA PAIXÃO SILVA CONTRA COMPAR -
COMPANHIA PARAENSE DE REFRIGERANTES PARA CONDENAR O RECLAMADO A
PAGAR AO AUTOR A MULTA DO ART. 477 DA CLT NO VALOR ATUALIZADO DE R$
635,94, NOS TERMOS DA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDIRÁ NO CASO A MULTA DO ART.
475-J DO CPC, APLICADO SUBSIDIARIMENTE, CONSIDERANDO QUE O CREDOR
TRABALHISTA É PRIVILEGIADO EM RELAÇÃO AO CIVIL. IMPROCEDENTES OS
DEMAIS PEDIDOS POR FALTA DE AMPARO LEGAL. NÃO HÁ RECOLHIMENTO DE INSS
E IMPOSTO DE RENDA EM FACE DA NATUREZA INDENIZATÓRIA DA PARCELA.
CUSTAS PELO RECLAMADO EM R$ 12,72 SOBRE A CONDENAÇÃO. Cientes as partes.
Nada mais.\\\\\\\\\\WPQ Término: 10:02:26 horas
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RICARDO ANDRÉ MARANHÃO SANTIAGO


Juiz Federal do Trabalho