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Políticas públicas para promoção da igualdade racial

(*) Adeildo Vila Nova

A pré-conferência de políticas de promoção da igualdade racial, preparativa para a II


Conferência Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Santos foi um
momento muito importante de discussão sobre as questões sociais que envolvem a
Comunidade Negra na cidade de Santos acerca da assistência social. Presidido pelo Sr. José
Ricardo dos Santos, coordenador de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica, da
Prefeitura de Santos que fez uma explanação sobre as ações e objetivos do órgão que
representa, a COPIRE, bem como nos situou sobre o que está acontecendo nos níveis
municipal, estadual e federal. Suas considerações foram muito pertinentes, pois nos deu a
noção de como se dá o processo de discriminação e preconceito racial e como estas atitudes
contribuem para a manutenção das desigualdades entre negros e brancos.

É claro que não podemos generalizar e muito menos achar que todo mundo é racista,
mas é preciso considerar que, entre os pobres, os negros são a maioria e se encontram na base
da pirâmide social e que no topo desta mesma pirâmide, entre os ricos, os negros são a ínfima
minoria. Por que será? Será que os negros não querem progredir, ascender social e
economicamente? Ou será que seus antepassados foram vítimas de um processo de exclusão
e de escravidão institucional?

Quando discutimos políticas de promoção da igualdade racial, falamos


especificamente sobre políticas de ações afirmativas. Estas políticas são essenciais para a
reparação dos danos causados pelo processo histórico e cultural aos quais os negros, que não
vieram para o Brasil a passeio e muito menos com incentivos, como aconteceu com os
imigrantes italianos entre outros, foram expostos. As ações afirmativas é uma forma paliativa e
necessária para diminuir as desigualdades sócio-raciais do nosso país. As cotas raciais e as
demais políticas não são suficientes para resolver todo o problema, mas é o começo de uma
ação que podem desencadear muitas outras e fazer com que as autoridades parem para
pensar e refletir sobre a necessidade de mecanismos que não discriminem as pessoas pela cor
da sua pele, além de trazer o debate e a reflexão para os diversos segmentos da sociedade.

Entendemos que a pobreza neste país não escolhe quem é branco ou quem é negro,
mas também entendemos que se para o branco a dificuldade é grande, para os negros é maior
ainda. E quando fazemos o recorte de gênero, a situação da mulher negra é pior ainda. Estas
situações podem pode ser constatadas nas diversas pesquisas dos diversos órgãos oficiais
como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas – IPEA e de outros organismos não governamentais.

Assim, as políticas públicas de ações afirmativas tornam-se um mecanismo e uma


estratégia de forçar as autoridades a repensar as políticas públicas de maneira que contemple
todos os cidadãos tendo como base o princípio da eqüidade, diminuindo e, quiçá, eliminando
as diferenças sociais e raciais. Pois somos iguais em direitos, mas diferente social e
culturalmente e estas diferenças é que nos tornam únicos e especiais e estas devem ser
consideradas na hora da formulação das políticas sociais, tratando diferente os desiguais para
poder igualá-los.

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(*)Adeildo Vila Nova é diretor da Associação Cultural dos Afro-Descendentes da Baixada Santista –
AFROSAN e aluno do curso de Serviço Social do Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE