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Intensivo Modular Diurno Processo Penal André Estefam 12/09/2014 Aula 05 RESUMO SUMÁRIO TRIBUNAL DO JÚRI 7.

Intensivo Modular Diurno Processo Penal André Estefam

12/09/2014

Aula 05

RESUMO

SUMÁRIO

TRIBUNAL DO JÚRI

  • 7. Juízo da causa

  • 7. Juízo da causa

Sessão de julgamento

Como ela se desenvolve? Ela pode ser decomposta em 5 etapas:

  • a) instalação da sessão: são feitas as verificações iniciais;

  • b) formação do Conselho de Sentença: é a escolha dos 7 jurados (dos 25 convocados);

  • c) instrução: colheita da prova;

  • d) debates orais;

  • e) julgamento: na sala especial.

    • Instalação da sessão

  • a) cabe ao juiz decidir sobre pedidos de adiamento e de dispensa de jurados;

  • b) realiza-se a conferência das cédulas: que cédulas são essas? Cada um dos 15 jurados terá seu nome

registrado na cédula. O juiz então abre a urna e retira as cédulas. Observe que a conferência das cédulas é

pública. Portanto, ao mesmo tempo em que confere, o juiz realiza a chamada dos jurados;

  • c) chamada dos jurados: visa a constatar o quórum mínimo de instalação da sessão. Quantos jurados devem

estar presentes para a sessão ser instalada? O quórum mínimo é de 15 jurados. Para o CPP, o não

comparecimento mínimo gera NULIDADE ABSOLUTA;

Os jurados suspeitos ou impedidos devem ser considerados (computados) no quórum? Sim, no quórum incluem-se os jurados suspeitos ou impedidos. Mas eles jamais poderão compor o conselho de sentença (7).

  • d) o juiz efetua um breve anúncio do julgamento;

  • e) encerra-se a fase com o pregão: o serventuário apregoa a parte e as testemunhas.

Diz o art. 571, CPP que o pregão é o momento FATAL para arguição de nulidades relativas posteriores à pronúncia. Mas e se por ventura ocorrer uma nulidade relativa após o pregão? Qual o momento oportuno? Vigora o princípio da imediatidade (a arguição deve ser imediata).

Intensivo Modular Diurno

Anotador(a): Vinícius Ferreira Damásio Educacional

CPP, art. 571. As nulidades deverão ser argüidas: V - as ocorridas posteriormente à pronúncia, logo

CPP, art. 571. As nulidades deverão ser argüidas:

V - as ocorridas posteriormente à pronúncia, logo depois de anunciado o julgamento e apregoadas as partes (art. 447);

O pregão

é

o

momento em

que se constata a presença ou ausência do

réu, advogado, membro do

MP,

testemunhas.

 

Qual a consequência da ausência das pessoas convocadas à sessão de julgamento?

Ausência e suas consequências

  • 1. Réu

Se o réu não comparecer à sessão julgamento, o julgamento pode ocorrer? Depende. Se a ausência for justificada, não haverá júri, adiando-se para a primeira reunião desimpedida (primeira reunião da pauta). Porém, se a ausência for injustificada, o réu será julgado à revelia (ocorre o julgamento à revelia). Perceba que o réu foi intimado para a sessão de julgamento e, apesar de intimado, injustificadamente não compareceu.

Obs.: o juiz decreta a preventiva? Não, porque o juiz irá esperar o fim do julgamento. Assim, se o réu for condenado, nesse caso caberá a preventiva.

Atenção: quando o réu é intimado e não comparece justificadamente ao Júri, ele está abdicando da sua autodefesa, que é renunciável. Tanto a autodefesa é renunciável, que o CPP permite que o réu, juntamente com o advogado, requeira a dispensa de sua presença no plenário do Júri.

  • 2. Defensor

De plano, a solução é o adiamento. Mas deve o juiz verificar se a ausência foi justificada ou não. Isso porque,

em sendo injustificável, o CPP determina a expedição de oficio à OAB e uma providência ad cautelam consistente na nomeação de defensor dativo, a fim de garantir o próximo julgamento. O CPP exige que esse advogado dativo deve ser nomeado com, no mínimo, 10 dias de antecedência.

  • 3. MP

O Júri será adiado. Se a ausência for injustificada, o CPP determina a expedição de ofício ao PGJ (PGR), sob

pena de responsabilidade funcional.

Obs.: pode ser que o juiz, ao expedir esse ofício, formule ao PGJ uma representação para que outro membro do MP seja designado.

  • 4. Querelante

De acordo com a lei, se a ausência for justiçada, adia-se o julgamento.

Se o querelante não comparece de forma injustificada, qual a consequência? Depende. Precisamos verificar se a ação é privativa do ofendido ou se é ação subsidiária da pública.

Se for exclusivamente privada, a ausência do querelante resulta em perempção. Já se a ação for privada subsidiária da pública, o MP reassume a ação penal e o Júri não será adiado.

  • 5. Assistente de acusação

De acordo com o CPP, o julgamento é realizado, mesmo sem sua presença.

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Obs.: se a testemunha não comparece, o julgamento será adiado? Depende, se ela for imprescindível, o

Obs.: se a testemunha não comparece, o julgamento será adiado? Depende, se ela for imprescindível, o julgamento é adiado.

  • Formação do conselho de sentença

  • a) advertência do juiz aos jurados:

(i) incompatibilidades (art. 252, 254, 447 e 448): são motivos que impedem a atuação do jurado (suspeição,

impedimento, parentesco, participação em julgamento anterior do mesmo processo).

(ii) incomunicabilidade (art. 466): os jurados são incomunicáveis.

  • b) sorteio: a lei autoriza às partes que formulem recusas. Quem primeiro se manifesta é a defesa e, após, o

MP.

Quantas recursas as partes podem formular? Depende da modalidade de recusa. As recusas se dividem em:

  • - peremptórias (imotivadas): são limitadas ao número de 3 é direito subjetivo da parte.

  • - justificadas (motivadas): sempre acompanha fundamentação, tem natureza contraditória (deve ser ouvida a

parte contrária), deve ser comprovada e a decisão final é a cargo do juiz, deferindo ou não.

Que tipo de justificativa poderia ser validamente apresentada? São aquelas previstas nos dispositivos quanto às incompatibilidades (são os motivos que impedem a atuação do jurado no julgamento impedimento, suspeição, parentesco etc).

Tudo fica registrado na ata de julgamento do Tribunal do Júri.

Suponha que tenham comparecido 15 jurados. Imagine que o MP e a defesa apresentem 3 recusas peremptórias, cada um. Mais 3 recusas motivadas pelo advogado e MP. Sobram 6 jurados. Qual o nome desse fenômeno? Como não há jurados suficientes para compor o conselho de sentença, esta situação é denominada de ESTOURO DE URNA - o elevado número de recusas impede a formação do conselho de sentença.

Recusas: quando há mais de um réu representado por advogados diferentes. Nesse caso, a lei permite que um advogado se manifeste por todos ou que cada advogado se manifeste individualmente. Em sendo as recusas individuais, aumenta a possibilidade de estouro de urna. Se isso ocorrer, o juiz deverá desmembrar (cindir) o julgamento, observando os critérios dos art. 469 e 429, CPP.

CPP, art. 469. Se forem 2 (dois) ou mais os acusados, as recusas poderão ser feitas por um só defensor.

§1º A separação dos julgamentos somente ocorrerá se, em razão das recusas, não for obtido o número mínimo de 7 (sete) jurados para compor o Conselho de Sentença.

§2º Determinada a separação dos julgamentos, será julgado em primeiro lugar o acusado a quem foi atribuída a autoria do fato ou, em caso de co-autoria, aplicar-se-á o critério de preferência disposto no art. 429 deste Código.

  • c) compromisso legal (art. 472, CPP): os jurados receberão cópias da pronúncia e decisões confirmatórias e

relatório.

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 Instrução a) declarações da vítima; b) testemunhas de acusação; c) testemunhas de defesa; d) LEITURA
  • Instrução

  • a) declarações da vítima;

  • b) testemunhas de acusação;

  • c) testemunhas de defesa;

d)

LEITURA

DE

antecipadas).

PEÇAS:

provas

colhidas

por

precatória,

provas

urgentes

e

não-repetíveis

(que

foram

  • e) interrogatório do réu: as perguntas são diretas ao réu.

Obs.: os jurados podem realizar perguntas sempre dirigidas ao juiz presidente.

Obs.: podem ser realizadas acareações, reconhecimento de pessoas e coisas e esclarecimentos dos peritos, se houver requerimento prévio.

  • Debates orais

Os jurados formarão a convicção.

 

1

réu

2 ou + réus

Acusação

 

1h 30’

2h 30

Defesa

 

1h 30’

2h 30

Réplica

 

1h

2h

Tréplica

 

1h

2h

Questões relacionadas à fala:

(i) é possível que o juiz autorize prorrogação do tempo? É possível, desde que a causa seja complexa e houver justificativa para a concessão de tempo maior, sem prejuízo do critério a ser observado: paridade de armas (isonomia processual).

Obs.: Há autores que afirmam que a prorrogação só pode ocorrer para a defesa, em sintonia com o princípio da plenitude de defesa (Nucci).

(ii) apartes (art. 497, XII, CPP): é aquela situação em que o adversário interrompe a fala do orador. A lei diz que o aparte deverá ser regulado pelo juiz e, ao concedê-lo, exige-se que a cada aparte acrescente 3 minutos na fala do orador.

 

CPP, art. 497. São atribuições do juiz presidente do Tribunal do Júri, além de outras expressamente referidas neste Código:

XII regulamentar, durante os debates, a intervenção de uma das partes, quando a outra estiver com a palavra, podendo conceder até 3 (três) minutos para cada aparte requerido, que serão acrescidos ao tempo desta última.

Obs.: Havendo mais de um orador, cabe a eles dividirem o tempo entre si. E o juiz, antes de dar a palavra, deve anotar a divisão. Se não houver divisão, cabe ao juiz fazê-la de forma equânime.

 

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O art. 478, CPP impõe limitações argumentativas: CPP, art. 478. Durante os debates as partes não

O art. 478, CPP impõe limitações argumentativas:

CPP, art. 478. Durante os debates as partes não poderão, sob pena de nulidade, fazer referências:

I à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado;

II ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento, em seu prejuízo.

A inobservância do art. 478, CPP gera NULIDADE RELATIVA.

Obs.: A RÉPLICA é uma faculdade do MP. Isso significa que só haverá réplica se o MP desejar. Assim, se o MP não pretender fazer uso da réplica, não pode comentar ou criticar a fala da defesa.

Obs.: imagine que o MP foi a réplica e o advogado na tréplica apresenta uma nova tese. Pode a defesa inovar substancialmente sua tese na tréplica (ex.: nas fases anteriores a tese de defesa foi legítima defesa. Porém, na tréplica sustenta o homicídio privilegiado)? Há duas correntes:

1ª corrente: entende possível, em homenagem ao princípio da plenitude de defesa (NUCCI).

2ª corrente: viola o princípio do contraditório, pois ficaria prejudicado, na medida em que não haveria oportunidade argumentativa (Damásio).

Qual deveria ser o pedido do MP no caso do advogado apresentar tese substancialmente inovadora? O requerimento deve ser ao juiz, para que ele não formule o quesito (o pedido é para não formular quesito).

ATENÇÃO: o STJ entende que não é possível acatar a tese da possibilidade de se inovar substancialmente na tréplica, sob pena de violação ao contraditório.

JURISPRUDÊNCIA

RHC 40444 / SC Relator (a) Ministra REGINA HELENA COSTA Órgão Julgador - T5 - QUINTA TURMA

Data do Julgamento - 21/08/2014

Ementa RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. ART. 121, § 2º, I e IV, DO CÓDIGO PENAL. PORTE DE ARMA DE FOGO. ART. 14, DA LEI N. 10.826/2003. DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE. AUSÊNCIA DO DECRETO PREVENTIVO. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA PRESENÇA DOS REQUISITOS DO ART. 312, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. GARANTIA DE APLICAÇÃO DA LEI PENAL. SUCESSIVOS ADIAMENTOS DA SESSÃO DE JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DE JURI. ABUSO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. RÉU PRESO DURANTE A INSTRUÇÃO PROCESSUAL. SENTENÇA CONDENATÓRIA QUE RECONHECE A AUTORIA E MATERIALIDADE DO CRIME. PERSISTÊNCIA DOS MOTIVOS ENSEJADORES DA CONSTRIÇÃO CAUTELAR. NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA PRISÃO PROCESSUAL.

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I - A prisão cautelar, a teor do art. 5º, inciso LVII, da Constituição da República,

I - A prisão cautelar, a teor do art. 5º, inciso LVII, da Constituição da República, é medida excepcional de privação de liberdade, cuja adoção somente é possível quando as circunstâncias do caso concreto, devidamente fundamentadas no art. 312, do Código de Processo Penal, demonstrarem sua imprescindibilidade. II - Ausência de juntada da cópia da decisão que decretou a prisão preventiva, documento imprescindível à plena demonstração dos fatos apontados, uma vez que a sentença condenatória e o acórdão recorrido reportaram-se expressamente aos fundamentos do decreto preventivo para negar o direito de recorrer em liberdade, mas possibilitada a análise de sua fundamentação pelo documento de fls. 56/61 (e-STJ). III - A custódia cautelar está satisfatoriamente fundamentada na garantia de aplicação da lei penal, porquanto o Recorrente teria adotado expedientes procrastinatórios com o objetivo de furtar-se do julgamento pelo Tribunal do Juri. Precedentes. IV - O direito do Réu apelar em liberdade sofre mitigações, em especial, nos casos em que permaneceu preso durante a instrução criminal, pois reconhecida pela sentença penal condenatória a autoria do crime, bem como a materialidade do delito, destacando a persistência dos fundamentos da prisão preventiva . IV - Recurso ordinário em habeas corpus improvido.

QUESTÃO

UFG - 2014 - DPE-GO - Defensor Público

No plenário do júri, o tempo destinado à acusação e à defesa, na hipótese de haver mais de um acusado, será de:

  • a) uma hora para cada, meia hora para a réplica e meia hora para a tréplica.

  • b) uma hora e meia para cada, uma hora para a réplica e uma hora para a tréplica.

  • c) duas horas para cada, uma hora e meia para a réplica e uma hora e meia para a tréplica

  • d) duas horas e meia para cada, duas horas para a réplica e duas horas para a tréplica.

  • e) três horas para cada, duas horas e meia para a réplica e duas horas e meia para a tréplica.

Resposta: alternativa “d”

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