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§ 11º — Crime de participação em rixa

I. — Participação em rixa: divergências jurisprudenciais
Caso nº 1

Crime de participação em rixa — artigo 151. Em Abril, numa discoteca, A envolveu-se em
desordem com Y e Z, gerente e porteiro da mesma. Num dia de Novembro seguinte, A,
acompanhado de um grupo de amigos, entrou em outra discoteca, que era então gerida pelos
mesmos Y e Z. Estava já ali alguém, que comunicou a entrada de A a Z. Habilmente, A foi
então atraído ao bar. No bar, Z perguntou a A se se lembrava da cena anterior na primeira
discoteca, altura em que X, que estava escondido, agarrou A e com a ajuda de Z arrastou-o para
a porta de emergência, empurrando-o para o exterior. Então, Q, empregado do bar, trancou a
porta e impediu que os amigos de A a abrissem, por serem essas as ordens que havia. Também
por isso, o mesmo Q ordenou a P, seu subordinado, que impedisse qualquer ligação telefónica
para o exterior e este assim fez, quando os amigos de A quiseram servir-se do telefone. No
exterior da discoteca, X, Y e Z procuravam sovar o A, desferindo-lhe murros e pontapés em
várias partes do corpo, e picando-o várias vezes com uma navalha. A, que fora campeão de
kickboxing, defendia-se com denodo. V, que entretanto chegara à discoteca, passou também a
agredir A, em conjugação de esforços e de intenções, mas não conseguindo os quatro agressores
dar conta de A, V puxou dum revólver e com ele empunhado procurou intimidar o A, enquanto
os restantes continuavam a agredi-lo, mas mesmo assim A não se intimidou e continuou a lutar.
Foi então que Z, já exausto, tirou o revólver das mãos de V e contra a vontade deste e dos
restantes agressores, com ele disparou um tiro na pessoa de A, atingindo-o de raspão na
barriga. Voltou a disparar novo tiro, apesar dos esforços dos outros por impedi-lo. Deste modo,
atingiu A no dorso, onde lhe provocou lesões determinantes de doença por 200 dias. A, que ao
volante do seu automóvel conseguiu fugir em busca de socorro, só não morreu por
circunstâncias alheias à vontade de Z. Q, logo que tudo terminou, queimou uma camisola
ensanguentada, com o intuito de iludir a actividade probatória das autoridades tendente à
recolha de indícios da responsabilidade dos agressores de A. Z, ao efectuar os disparos, admitiu
a possibilidade de, com algum deles, causar a morte de A, e conformou-se com esse resultado.
V, X e Y agiram com o propósito de maltratar e molestar fisicamente A.

Z foi condenado por homicídio voluntário na forma tentada (artigos 22º, 23º, 74º, nº 1, e
131º).
V, X e Y por co-autoria de um crime de ofensas corporais do artigo 144º.
Q pela prática de um crime de favorecimento pessoal (artigo 367º).
Sustentou-se em recurso que se verificara (também) a comissão do crime de participação
em rixa e que devia haver condenação de Q e P por cumplicidade no crime de ofensas
corporais.

1. A posição maioritária: no caso, não houve rixa; houve simples
comparticipação, na forma de co-autoria
O Supremo (acórdão do STJ de 3 de Novembro de 1994, CJ, 1994) entendeu, por maioria,
que não houve rixa. O que houve foi um acordo inicial e conjugação de esforços de X, Y e
Z para agredirem A, o que fizeram, sendo a sua acção complementada pela adesão de V
àqueles acordo e conjugação de esforços. Aqui existe simples comparticipação criminosa:
trata-se do vulgar caso de co-autoria material de quatro agressores, perfeitamente
identificados, de um crime contra as pessoas, em que o ofendido se limitou a defender-se da
agressão.

M. Miguez Garcia. Direito penal.— Parte especial, § 11º (participação em rixa), Porto, 2007

toma uma atitude potenciadora. coadjuvante. desta forma. foram de manifesto querido auxílio aos agressores e permitiram que estes mais facilmente pudessem desenvolver e prosseguir na luta com A. e para que não ficasse totalmente impune a participação em rixa de que resultou a morte ou a ofensa corporal grave de alguém. já que o conceito de “intervenção” a que o artigo se refere se contenta e fica perfeito logo que o agente “intervém" na desordem. já que a punição pela participação em rixa fica consumida pela punição deles. As condutas voluntárias de Q de trancar a porta de emergência e impedir o acesso da mesma a clientes e de P de negar o estabelecimento de relações telefónicas com o exterior. no essencial. através dessa sua intervenção. não podem Q e P ser condenados pelo crime do artigo 151º. 2007 . o legislador introduziu o artigo 151º.º do M. nos casos em que se tornava necessário expulsar clientes briguentos do estabelecimento. por não ser possível apurar o autor da acção de que proveio esse resultado. Deixa de haver aí o acontecimento mútuo e confuso entre diversas pessoas que são simultaneamente ofensoras e ofendidas. É uma posição que coincide. em acumulação real. por ordem dos gerentes da discoteca. sem que se possa determinar com precisão quem agride quem. pois se demonstrou que constituíam atitudes “normais” daqueles. quer cometa quer não crimes. pois que. entramos no campo da comparticipação nos crimes de ofensas corporais ou de homicídio. E também não há cumplicidade no crime de ofensas corporais por não poder excogitar-se aqui o dolo. Miguez Garcia. também o crime do artigo 151º. mas o pretender-se conseguir a punição autónoma da actuação de quem. Precisamente por isso. Tais atitudes. elemento essencial da cumplicidade: não basta a prestação de auxílio à prática por outrem de um facto ilícito doloso. responderá por estes crimes. CJ 1993. Daí que se entenda que a individualização (no sentido de se determinar a autoria dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta) da autoria desses crimes não impede que cada um dos intervenientes na briga cometa. Direito penal. autónomos dos atrás indicados. 187: os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. O comportamento de Q e P foi o normal nas indicadas circunstâncias. A rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. X e Y cometeram igualmente o crime do artigo 151º. no cumprimento de instruções genéricas da gerência. no calor de uma luta. tomo 1.— Parte especial. e exacerbadora da prática de tais ilícitos. independentemente de produzir ou não ofensas corporais ou de praticar um homicídio no decurso da mencionada refrega. A posição minoritária: nada impede o concurso entre o homicídio e a rixa O objecto da incriminação não é o pretender-se punir apenas a conduta de um agente nos casos em que se não consiga determinar quem. p. nem pode falar-se de cumplicidade neste crime. o que é o sinal característico da rixa. com a acolhida no acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993. cometeu determinadas ofensas corporais ou homicídio. são perfeitamente enquadráveis no conceito de cumplicidade que nos é dado pelo artigo 27. Provando-se a responsabilidade de algum deles em crime de homicídio ou de ofensas corporais. isto é. dar-se-ia como assente que V. Desta forma. nela tome parte activa. não foram motivados pelo propósito de permitir a agressão. nem foram motivadas pelo propósito específico de permitir a agressão da parte dos outros. Porto. Na verdadeira rixa não se sabe bem quem ataca e quem defende. é também necessário que o auxílio seja doloso. Se houver esse acordo. nela intervém. há pancadaria generalizada entre todos os intervenientes. § 11º (participação em rixa). 2. Ao fechar a porta e ao impedir as comunicações telefónicas.2 Não existindo rixa. mas não foram indispensáveis para a realização dos actos por estes praticados.

atingindo-o a nível do tórax. e. todos consumiriam. Todavia. que a invectivou por querer abandonar o local.contendo o artigo 151º. 3. «continuou envolvido em luta» com ele. e C. a verdade é que este. com quem vivia maritalmente. 2007 . a vítima munida de uma faca. A e C decidiram aguardar naquele local para ali virem a assaltar uma qualquer mulher que ali passasse para se apropriarem de objectos e valores alheios e. solidária. Miguez Garcia. E se «a única causa de justificação pensável em relação à participação em rixa é a legítima defesa. em defesa da companheira. gerou-se discussão entre a companheira do A e C. que se encontrava no interior do veículo. Caso nº 2 A encontrava-se num parque de estacionamento juntamente com B. destinada a ficcionar e a presumir um culpado nos casos em que a investigação não conseguiu apurar a autoria das ofensas graves produzidas. No decurso da luta. entendeu que "se. De posse dessa faca. da qual resultam consequências graves. acabou por espetar-lha no peito. Disse o Supremo na fundamentação: "também a rixa entre duas pessoas constitui um crime de perigo. Em resumo: Verifica-se. e — o de corresponder a uma desordem.não se possa negar o designativo jurídico-penal típico de «participação em rixa» ao «confronto físico» e à «luta» em que arguido e vítima estiveram envolvidos. após discussão. o A também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa. dela munido. cumplicidade esta que se verifica em relação ao crime de participação em rixa. além do homicídio. As lesões traumáticas torácicas foram causa directa e necessária da morte de C. Mas no caso. como se vê. ou o espontâneo envolvimento físico de duas ou mais pessoas na sequência de uma azeda troca de palavras ou de injúrias) nas ofensas corporais recíprocas». deve entender-se que. O que pressupõe. «de uma azeda troca de palavras» entre ambos). nº 01P3433. obterem dinheiro para adquirirem estupefacientes. A faca atingiu o coração da vítima. de algum modo. É certo (Taipa de Carvalho. entre pessoas determinadas. para o vencido foi possível desenhar a conduta de cada uma delas: do arguido e da vítima.. envolveu-se em confronto físico com o A. com armas. A crítica que se faz à posição maioritária é a de se traduzir numa imputação objectiva. matando-a.— Parte especial.3 Código Penal (prestação de auxílio material à prática por outrem de um facto ilícito doloso). Comentário. pois que uma tal rixa não deixa de constituir uma tal situação de perigo para os bens jurídicos (vida e integridade física substancial). sem se conseguir determinar adequadamente quem terá sido o respectivo causador. o A espetou-lhe a faca no peito. Direito penal. § 11º (participação em rixa). altura em que o A logrou apoderar-se da faca. Enquanto aguardavam a oportunidade. o que pode parecer insustentável perante o claro princípio da presunção de inocência constante do nº 2 do artigo 32º da Constituição. C sofreu um golpe no polegar da mão direita e um outro na coxa da perna direita. proc. Porto. entre ambos. aliás. um prévio ou contemporâneo «espontâneo envolvimento físico» e. ex. própria ou M. I-318) que a rixa «pressupõe um acordo expresso ou tácito (p. que. «um tipo legal de crime concreto para a vida ou integridade física» e apesar de «só uma rixa grave poder constituir perigo concreto de morte ou ofensa corporal» e de «também só a participação nesta rixa preencher o tipo legal objectivo respectivo» (Comentário. Tendo-se o A intrometido na discussão. sempre envolvido em luta com a vítima. assim. durante o qual aquela sofreu dois golpes e perdeu a posse da faca para o A que. depois. C pegou numa faca. O acórdão do STJ de 3 de Dezembro de 2001. a existência de dois sentidos antagónicos para o termo rixa — o de corresponder a uma luta grave. a aceitação tácita de uma «dinâmica de escalada de ofensas corporais recíprocas». a aceitação fáctica do desafio. pelo que não há participação em rixa. mesmo depois de se apoderar da faca do adversário. nº 2. I-319/320) . se bem que tenha sido C que («munido de uma faca») «se envolveu em confronto físico com o arguido» («na sequência». Donde que . se envolveu em confronto físico com o A. e continuando envolvido em luta com C.

Strafrecht. 1988/89.4 alheia». dos factos provados . 124. Com a chegada da polícia. I-324). isto é. 9ª ed. p. Não se conseguiu apurar se isso correspondia à verdade. uma das pessoas que por ali estavam e que se chegara para apartar alguns dos contendores. A presunção de perigo é deduzida de uma condição objectiva de punibilidade (morte ou ofensa corporal grave de alguém). A qualificação destes elementos como condições objectivas de punibilidade (impróprias) constitui uma cedência à responsabilidade objectiva e é de evitar. enquanto não abandonar. Volker Krey. pôs-se termo ao conflito e ao mesmo tempo apurou-se que E. Um outro indivíduo. tinha sido apunhalado. Quando A. o artigo 151º pretende punir exactamente as denominadas vias de facto. Durante o inquérito. já. Note-se porém o argumento da posição contrária: ao que se atende na punição é a gravidade do resultado. BT. pois as pessoas não devem participar em rixas. 499 e 502: III. defendeu-se dizendo que interviera na contenda já quando E se encontrava ferido e caído no chão. Não se conseguiu apurar quem apunhalou esse indivíduo. embora se compreendam as dificuldades processuais de prova que a determinam.que o A. isto é. É uma visão das coisas que acompanha a necessidade de estabelecer uma protecção antecipada. R. p. § 11º (participação em rixa). simultaneamente. grupos de rapazes de aldeias vizinhas envolvem-se em acesa pancadaria. A doutrina alemã ocupa-se de casos como estes acentuando que é punível como participante aquele que desiste antes de se dar a morte ou a ofensa à integridade física grave de algum dos contendores. as Actas. incriminando a participação em rixa para além dos casos em que se verifique lesão corporal grave ou a morte. 2007 . II. a rixa» (Comentário. Band 1. Direito Processual Penal.. M.nem resulta. — Indicações de leitura Artigo 302º do Código Penal: crime de participação em motim. Porto. No Código Penal. Na rixa. desistindo de continuar. ao «espetar a faca de que estava munido no peito da vítima». Note-se que no caso não consta . afastou-se. «em relação à legítima defesa própria. Acta nº 45. — Participação em rixa Caso nº 3 Durante uma festa ao ar livre. Cf. então já não haverá rixa. Também pode acontecer que um novo interveniente se entusiasme e adira à pancadaria. Figueiredo Dias. verificou que já havia facas desembainhadas. Rui Carlos Pereira. o tivesse feito no pressuposto (mesmo que errado) de que o adversário estava decidido e se preparava para o matar. minimamente. uma vez que cada um dos participantes é. 1993. 151.— Parte especial. A razão está na sua contribuição para a perigosidade da rixa que em regra se estende para além do momento da desistência. Miguez Garcia. à existência de ofensas corporais graves ou a morte. manifestamente. Ao contrário. Punibilidade de A e de R. Cf. agressor e agredido. A sustentou que tinha deixado o local antes de E ter sido ferido. p. qualquer dos contendores pode às tantas ficar “cansado” e retirar-se. um dos participantes. Direito penal. Mas se ficam só dois. Segundo uma opinião. já não será punido quem entrar depois de ocorrer a condição de punibilidade. a participação em rixa é crime de perigo abstracto. O dolo de perigo. nunca poderá um participante na rixa exercer qualquer direito de legítima defesa. para a qual não contribuiu.

e que é caracterizada pela oposição dos M. Miguez Garcia. agressor e agredido. mesmo que dele receba em troca outros tantos e ambos caiam ao chão agarrados um ao outro. p. que de algum modo mantinha vivo o intolerável espírito pragmático dos antigos delitos de homicídio ou lesões em "riña" tumultuária. Paulo José da Costa Jr. O dolo dos participantes consiste em tomar parte no "ajuntamento" em que vão ser praticadas as violências.— Parte especial. entrevero. 18: acordo inicial e conjugação de esforços de A e B para agredirem C. tomo I. b) Risco de ofensa à integridade física ou perigo para terceiros. Comentarios a la Parte Especial del Derecho Penal. sabendo ou prevendo que elas vão ocorrer. que tinham como pressuposto típico a impossibilidade de conhecer o autor do facto (J. p. p. 166: crime de participação em rixa. BMJ 460. 154): “Quienes riñeren entre sí. in G. dificilmente se poderá pensar em legitima defesa enquanto o participante (defendente?) não abandonar manifestamente a rixa. nº 69435. seu pai. M. Direito penal. crime de homicídio. crime colectivo. ser cometida violência contra pessoas ou contra a propriedade de terceiros. y utilizando medios o instrumentos que pongan en peligro la vida o integridad de las personas. 72: motim é uma aglomeração de pessoas com o fim de.5 Rixa à brasileira: rixa é o conflito desordenado e generalizado. p.” Comentário: configura-se a "riña" como um crime de perigo concreto e simplifica-se a situação típica. sem saber exactamente de quem.). p. de 11 de Maio. Todos agridem todos e recebem pancadas. Aranzadi. desfira vários murros na cara do opositor. é a luta tumultuária e confusa. que surge quase sempre de inopino. rolo. Acórdão de 3 de Novembro de 1994 BMJ 441. c) Alarme ou inquietação entre a população. sendo a sua acção complementada pela adesão de outros dois. Quintero Olivares e J. proc.. proc. p. § 11º (participação em rixa). quebra-pau. fuzuê. o que fizeram. sarilho. prescindindo da nota da "confusão". após uma primeira agressão de que seja vítima. 74: Motim armado. tomo IV. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Dezembro de 1995. 240. Na participação em rixa em que cada um dos participantes é. É sururu. tomo III. Porto. 52: Motim é o tumulto ou desorganização ocasional da paz pública que leva colectivamente a cometimento de violência contra as pessoas ou propriedades. serán castigados por su participación en la riña con la pena de prisión de seis meses a un año o multa superior a dos y hasta doce meses. com perturbação da ordem e tranquilidade públicas. Acórdão da Relação de Coimbra de 31 de Outubro de 1996. banzé. CJ 2002. tomo V. 381 e CJ 1996. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Janeiro de 1997. nº 0070293. CJ 1995. CJ 1997. 166: a punição de um interveniente numa rixa por autoria do crime de homicídio então por ele cometido não obsta à punição dos restantes pela prática do crime de participação em rixa. Acórdão da Relação de Lisboa de 13 de Janeiro de 1999. p. acometiéndose tumultuariamente. Comete um crime de ofensas corporais e não um crime de participação em rixa quem. 102 e ss. Acórdão do STJ de 11 de Abril de 2002. Crime de participação em rixa na deslocação para ou de espectáculo desportivo: artigo 23º da Lei nº 16/2004. Da rixa há-de resultar: a) Morte ou ofensa à integridade física dos contendores. Acórdão de 16 de Outubro de 1996. tomo II. 2007 . Tamarit Sumalla. CJ 1996. p. M. Valle Muñiz. Devendo definir-se rixa como a situação de conflito ou de desordem em que intervêm obrigatoriamente mais de duas pessoas. p. onde é difícil estabelecer a certeza das autorias dos ferimentos. 1996. com desprezo da autoridade pública. Acórdão da Relação de Lisboa de 4 de Julho de 2000. simultaneamente. A rixa no CP espanhol (art.

como consequência a morte de uma pessoa — artigo 151º do Código Penal. ou de concurso necessário. como crime colectivo que é. pelo menos mais 2 pessoas. como aquele que interveio nela depois de iniciada e ainda não terminada. Acórdão do STJ de 29 de Janeiro de 1992. não se conseguia apurar qual o autor desses crimes. § 11º (participação em rixa). porquanto nesse caso haverá apenas um conflito recíproco e não rixa. deve entender-se que. resultando morte ou ofensas corporais. além do homicídio. havendo sempre que indagar em vista de saber se não existirá qualquer desses crimes. 48: No crime de participação em rixa a morte e a ofensa corporal grave são meras condições objectivas de punibilidade. o arguido também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa. ficou provado que o arguido tomou parte numa violenta desordem com outras pessoas. ofenderam corporalmente vários indivíduos sem que estes tivessem respondido às agressões. pelo que fica afastado o dolo quanto ao crime de homicídio. Quanto ao crime de participação em rixa. p. não existindo ela quando só um grupo ataca e o outro se defende.um. como consequência dos seus actos. acabou por espetar-lha no peito. A expressão “quem intervier ou tomar parte em rixa” constante do artigo 151 significa que é punido tanto aquele que voluntária e conscientemente deu início à briga. dada a regra da consunção.— Parte especial. caso em que o da participação em rixa fica consumido. O artigo 151º contém disposições residuais em relação aos crimes de ofensas corporais e de homicídio. durante o qual aquela sofreu dois golpes . tendo. Nota: segundo o voto de vencido. já se estaria em comparticipação nos crimes de homicídio ou ofensas corporais — o que significa que a individualização do ou dos autores dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta impede que cada um dos intervenientes na rixa cometa em acumulação real o crime do artigo 151º. BMJ 413. o crime não é punível. O autor da morte ou das ofensas corporais graves não é punido como participante em rixa. A novidade trazida pelo artigo 151º foi poder acudir àqueles casos de desordens em que. em locais e momentos diferentes. p. Se. se envolveu em confronto físico com o arguido. sempre envolvido em luta com a vítima. é essencial uma decisão conjunta e uma execução igualmente conjunta. a existir esse acordo. após discussão. O que sucedeu é que a pistola disparou duas vezes seguidas com os movimentos de todos eles (isto é. não se verificando algum deles. matando-a. Acórdão do STJ de 22 de Junho de 1989: Não ficou provado que tenha sido o arguido a disparar os tiros por acto voluntário seu. outro. Assim. Perante esta factualidade. que se encontrava sentado num muro. aquele crime consuma-se independentemente da ocorrência de algum dos referidos eventos. Porto. Deste modo. só intervieram duas pessoas e foi possível desenhar a conduta de cada uma delas. caso em que M. Acórdão do STJ de 13 de Dezembro de 2001. dos envolvidos na desordem). 2007 . daí que não acompanhe o recurso à figura de participação em rixa. nem tão-pouco que ele tenha querido provocar a morte do Pimenta. não resulta que o arguido tenha previsto a morte de X. A participação em rixa exige. não é co-autor do mesmo crime comum. O termo participação do artigo 151º evidencia a acção individual de cada agente. não cometeram o crime de artigo 151º os arguidos que. Na definição legal. a rixa é constituída pelo mínimo de três pessoas formando duas facções que reciprocamente se agridem fisicamente. Cada participante é autor paralelo de um crime de participação em rixa. além de outros resultados. Acórdão do STJ de 12 de Novembro de 1997 BMJ 471. agindo em comunhão de esforços. tendo ido atingir o X. proc. A participação em rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. nº 01P3433. do arguido e da vítima. sob a forma de co-autoria. Miguez Garcia.e perdeu a posse da faca para o arguido que. na coxa direita . no polegar direito e. a vítima munida de uma faca. para além do interventor.6 contendores sem que seja possível individualizar ou distinguir a actividade de cada um — não pode restringir-se a duas pessoas. já que. 268: na comparticipação criminosa. e muito menos que se tenha conformado com a realização desse resultado. Direito penal. mas.

p. El delito de homicidio y lesiones en riña tumultuaria. Coimbra. tais como a morte. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. 1993. bem sabendo que se envolviam em confrontações físicas. § 11º (participação em rixa). Küpper. 3ª ed.— Parte especial. 1985. Frederico Isasca. p./Dez.. que então fica consumida. 1998./Abril. tomo XL. fasc. J. II. 466 e ss. 248: não existe uma situação de participação em rixa que possa ser enquadrada no artigo 151º. 114. Derecho Penal. O artigo 151º apenas pune os intervenientes em rixa se não se provar a sua responsabilidade em crime de homicídio ou de ofensas corporais.. 1990. 2004. provando-se qualquer destes.. Os crimes contra a integridade física na revisão do Código Penal. resultando a morte ou ofensas corporais. 71 e ss. p.7 todos os intervenientes ficavam impunes. M. Rui Carlos Pereira. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. Acórdão do STJ de 5 de Julho de 2001. BT 1. p. p. pretendendo atentar contra as integridades físicas dos seus contendores. quando seja possível determinar quem matou ou quem ofendeu a integridade física de modo grave. Madrid. Madrid. Miguez Garcia. A Legítima Defesa. Augusto Silva Dias. não se conseguia apurar o autor desses crimes. 17ª ed. p. Os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. PG. Santiago Mir Puig. fasc. CJ 2001. AAFDL. Strafrecht. Jornadas sobre a revisão do Código Penal. tomo XLIII. 1996. I. El nuevo delito de participación con medios peligrosos en una riña confusa y tumultuaria. Acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993 BMJ 424. Jan. respondem por ele e não por participação em rixa. BT-1. 1987. Actas e Projectos da Comissão de Revisão (acta nº 24). Angela Salas Holgado. FDUL. utilizando e verificando que eram utilizados objectos aptos a produzir lesões dos quais podiam resultar sérias consequências. tomo II. se actuaram livre e conscientemente. Todos aqueles que intervierem ou subsequentemente tomarem parte de uma rixa de que resultou a morte de um ou vários contendores cometem o crime de participação em rixa. Américo Taipa de Carvalho. 360: A razão da previsão do crime de participação em rixa do artigo 151º do CP é a de assim poder acudir àqueles casos de desordem em que. 2007 . Direito penal. 1990. Set. Código Penal. nº 1.. Strafrecht. 2005. Crimes contra a vida e a integridade física. bem sabendo da ilicitude das suas condutas. Da participação em rixa. Direito Penal Especial. 454. Wessels. Susana Huerta Tocildo. José de Faria Costa. Porto.