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§ 11º — Crime de participação em rixa

I. — Participação em rixa: divergências jurisprudenciais
Caso nº 1

Crime de participação em rixa — artigo 151. Em Abril, numa discoteca, A envolveu-se em
desordem com Y e Z, gerente e porteiro da mesma. Num dia de Novembro seguinte, A,
acompanhado de um grupo de amigos, entrou em outra discoteca, que era então gerida pelos
mesmos Y e Z. Estava já ali alguém, que comunicou a entrada de A a Z. Habilmente, A foi
então atraído ao bar. No bar, Z perguntou a A se se lembrava da cena anterior na primeira
discoteca, altura em que X, que estava escondido, agarrou A e com a ajuda de Z arrastou-o para
a porta de emergência, empurrando-o para o exterior. Então, Q, empregado do bar, trancou a
porta e impediu que os amigos de A a abrissem, por serem essas as ordens que havia. Também
por isso, o mesmo Q ordenou a P, seu subordinado, que impedisse qualquer ligação telefónica
para o exterior e este assim fez, quando os amigos de A quiseram servir-se do telefone. No
exterior da discoteca, X, Y e Z procuravam sovar o A, desferindo-lhe murros e pontapés em
várias partes do corpo, e picando-o várias vezes com uma navalha. A, que fora campeão de
kickboxing, defendia-se com denodo. V, que entretanto chegara à discoteca, passou também a
agredir A, em conjugação de esforços e de intenções, mas não conseguindo os quatro agressores
dar conta de A, V puxou dum revólver e com ele empunhado procurou intimidar o A, enquanto
os restantes continuavam a agredi-lo, mas mesmo assim A não se intimidou e continuou a lutar.
Foi então que Z, já exausto, tirou o revólver das mãos de V e contra a vontade deste e dos
restantes agressores, com ele disparou um tiro na pessoa de A, atingindo-o de raspão na
barriga. Voltou a disparar novo tiro, apesar dos esforços dos outros por impedi-lo. Deste modo,
atingiu A no dorso, onde lhe provocou lesões determinantes de doença por 200 dias. A, que ao
volante do seu automóvel conseguiu fugir em busca de socorro, só não morreu por
circunstâncias alheias à vontade de Z. Q, logo que tudo terminou, queimou uma camisola
ensanguentada, com o intuito de iludir a actividade probatória das autoridades tendente à
recolha de indícios da responsabilidade dos agressores de A. Z, ao efectuar os disparos, admitiu
a possibilidade de, com algum deles, causar a morte de A, e conformou-se com esse resultado.
V, X e Y agiram com o propósito de maltratar e molestar fisicamente A.

Z foi condenado por homicídio voluntário na forma tentada (artigos 22º, 23º, 74º, nº 1, e
131º).
V, X e Y por co-autoria de um crime de ofensas corporais do artigo 144º.
Q pela prática de um crime de favorecimento pessoal (artigo 367º).
Sustentou-se em recurso que se verificara (também) a comissão do crime de participação
em rixa e que devia haver condenação de Q e P por cumplicidade no crime de ofensas
corporais.

1. A posição maioritária: no caso, não houve rixa; houve simples
comparticipação, na forma de co-autoria
O Supremo (acórdão do STJ de 3 de Novembro de 1994, CJ, 1994) entendeu, por maioria,
que não houve rixa. O que houve foi um acordo inicial e conjugação de esforços de X, Y e
Z para agredirem A, o que fizeram, sendo a sua acção complementada pela adesão de V
àqueles acordo e conjugação de esforços. Aqui existe simples comparticipação criminosa:
trata-se do vulgar caso de co-autoria material de quatro agressores, perfeitamente
identificados, de um crime contra as pessoas, em que o ofendido se limitou a defender-se da
agressão.

M. Miguez Garcia. Direito penal.— Parte especial, § 11º (participação em rixa), Porto, 2007

Se houver esse acordo. Porto.— Parte especial. Tais atitudes. mas o pretender-se conseguir a punição autónoma da actuação de quem. sem que se possa determinar com precisão quem agride quem. Provando-se a responsabilidade de algum deles em crime de homicídio ou de ofensas corporais. autónomos dos atrás indicados. o que é o sinal característico da rixa. toma uma atitude potenciadora. 2007 . quer cometa quer não crimes. no essencial. já que a punição pela participação em rixa fica consumida pela punição deles. pois se demonstrou que constituíam atitudes “normais” daqueles. não podem Q e P ser condenados pelo crime do artigo 151º. 187: os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. por ordem dos gerentes da discoteca. X e Y cometeram igualmente o crime do artigo 151º. desta forma. no cumprimento de instruções genéricas da gerência. O comportamento de Q e P foi o normal nas indicadas circunstâncias. nos casos em que se tornava necessário expulsar clientes briguentos do estabelecimento. não foram motivados pelo propósito de permitir a agressão. coadjuvante. nem pode falar-se de cumplicidade neste crime. com a acolhida no acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993. responderá por estes crimes. independentemente de produzir ou não ofensas corporais ou de praticar um homicídio no decurso da mencionada refrega. o legislador introduziu o artigo 151º. § 11º (participação em rixa). há pancadaria generalizada entre todos os intervenientes. Desta forma. Direito penal. isto é. em acumulação real. são perfeitamente enquadráveis no conceito de cumplicidade que nos é dado pelo artigo 27. no calor de uma luta. pois que. Precisamente por isso. p.2 Não existindo rixa. A posição minoritária: nada impede o concurso entre o homicídio e a rixa O objecto da incriminação não é o pretender-se punir apenas a conduta de um agente nos casos em que se não consiga determinar quem. e exacerbadora da prática de tais ilícitos. As condutas voluntárias de Q de trancar a porta de emergência e impedir o acesso da mesma a clientes e de P de negar o estabelecimento de relações telefónicas com o exterior. entramos no campo da comparticipação nos crimes de ofensas corporais ou de homicídio. dar-se-ia como assente que V.º do M. já que o conceito de “intervenção” a que o artigo se refere se contenta e fica perfeito logo que o agente “intervém" na desordem. Na verdadeira rixa não se sabe bem quem ataca e quem defende. Deixa de haver aí o acontecimento mútuo e confuso entre diversas pessoas que são simultaneamente ofensoras e ofendidas. tomo 1. através dessa sua intervenção. nem foram motivadas pelo propósito específico de permitir a agressão da parte dos outros. nela tome parte activa. CJ 1993. nela intervém. e para que não ficasse totalmente impune a participação em rixa de que resultou a morte ou a ofensa corporal grave de alguém. também o crime do artigo 151º. por não ser possível apurar o autor da acção de que proveio esse resultado. É uma posição que coincide. Ao fechar a porta e ao impedir as comunicações telefónicas. mas não foram indispensáveis para a realização dos actos por estes praticados. E também não há cumplicidade no crime de ofensas corporais por não poder excogitar-se aqui o dolo. A rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. cometeu determinadas ofensas corporais ou homicídio. é também necessário que o auxílio seja doloso. elemento essencial da cumplicidade: não basta a prestação de auxílio à prática por outrem de um facto ilícito doloso. Miguez Garcia. foram de manifesto querido auxílio aos agressores e permitiram que estes mais facilmente pudessem desenvolver e prosseguir na luta com A. Daí que se entenda que a individualização (no sentido de se determinar a autoria dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta) da autoria desses crimes não impede que cada um dos intervenientes na briga cometa. 2.

a vítima munida de uma faca. E se «a única causa de justificação pensável em relação à participação em rixa é a legítima defesa. assim. própria ou M. se bem que tenha sido C que («munido de uma faca») «se envolveu em confronto físico com o arguido» («na sequência». 3.. entendeu que "se. o que pode parecer insustentável perante o claro princípio da presunção de inocência constante do nº 2 do artigo 32º da Constituição. depois. a verdade é que este. Donde que . durante o qual aquela sofreu dois golpes e perdeu a posse da faca para o A que. O que pressupõe. todos consumiriam. com quem vivia maritalmente. acabou por espetar-lha no peito. cumplicidade esta que se verifica em relação ao crime de participação em rixa. I-319/320) . a aceitação tácita de uma «dinâmica de escalada de ofensas corporais recíprocas». ou o espontâneo envolvimento físico de duas ou mais pessoas na sequência de uma azeda troca de palavras ou de injúrias) nas ofensas corporais recíprocas». deve entender-se que. aliás. Disse o Supremo na fundamentação: "também a rixa entre duas pessoas constitui um crime de perigo. da qual resultam consequências graves. com armas. para o vencido foi possível desenhar a conduta de cada uma delas: do arguido e da vítima. Enquanto aguardavam a oportunidade.3 Código Penal (prestação de auxílio material à prática por outrem de um facto ilícito doloso). É certo (Taipa de Carvalho. como se vê. No decurso da luta. O acórdão do STJ de 3 de Dezembro de 2001. A crítica que se faz à posição maioritária é a de se traduzir numa imputação objectiva. sempre envolvido em luta com a vítima. solidária. A e C decidiram aguardar naquele local para ali virem a assaltar uma qualquer mulher que ali passasse para se apropriarem de objectos e valores alheios e. «continuou envolvido em luta» com ele. mesmo depois de se apoderar da faca do adversário. destinada a ficcionar e a presumir um culpado nos casos em que a investigação não conseguiu apurar a autoria das ofensas graves produzidas. De posse dessa faca. matando-a. Porto. Direito penal. Todavia. entre pessoas determinadas. «de uma azeda troca de palavras» entre ambos). entre ambos. o A espetou-lhe a faca no peito. gerou-se discussão entre a companheira do A e C. nº 2. e. pois que uma tal rixa não deixa de constituir uma tal situação de perigo para os bens jurídicos (vida e integridade física substancial).— Parte especial. Mas no caso. de algum modo. que a invectivou por querer abandonar o local. Tendo-se o A intrometido na discussão. atingindo-o a nível do tórax. e continuando envolvido em luta com C. sem se conseguir determinar adequadamente quem terá sido o respectivo causador. As lesões traumáticas torácicas foram causa directa e necessária da morte de C. C sofreu um golpe no polegar da mão direita e um outro na coxa da perna direita. «um tipo legal de crime concreto para a vida ou integridade física» e apesar de «só uma rixa grave poder constituir perigo concreto de morte ou ofensa corporal» e de «também só a participação nesta rixa preencher o tipo legal objectivo respectivo» (Comentário. § 11º (participação em rixa). proc. após discussão. a aceitação fáctica do desafio. envolveu-se em confronto físico com o A. que se encontrava no interior do veículo. que. obterem dinheiro para adquirirem estupefacientes. se envolveu em confronto físico com o A.contendo o artigo 151º. Em resumo: Verifica-se. um prévio ou contemporâneo «espontâneo envolvimento físico» e. Miguez Garcia. Caso nº 2 A encontrava-se num parque de estacionamento juntamente com B. A faca atingiu o coração da vítima. e — o de corresponder a uma desordem. em defesa da companheira.não se possa negar o designativo jurídico-penal típico de «participação em rixa» ao «confronto físico» e à «luta» em que arguido e vítima estiveram envolvidos. e C. I-318) que a rixa «pressupõe um acordo expresso ou tácito (p. além do homicídio. altura em que o A logrou apoderar-se da faca. Comentário. C pegou numa faca. a existência de dois sentidos antagónicos para o termo rixa — o de corresponder a uma luta grave. dela munido. nº 01P3433. pelo que não há participação em rixa. ex. 2007 . o A também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa.

Miguez Garcia. Direito penal. 499 e 502: III. Também pode acontecer que um novo interveniente se entusiasme e adira à pancadaria. Acta nº 45. Cf. Um outro indivíduo. I-324).. isto é. No Código Penal. Note-se que no caso não consta . enquanto não abandonar. simultaneamente. 1988/89. a participação em rixa é crime de perigo abstracto. «em relação à legítima defesa própria. p. uma das pessoas que por ali estavam e que se chegara para apartar alguns dos contendores. 124. pois as pessoas não devem participar em rixas. Durante o inquérito. tinha sido apunhalado. as Actas. nunca poderá um participante na rixa exercer qualquer direito de legítima defesa. agressor e agredido. Não se conseguiu apurar quem apunhalou esse indivíduo. BT. então já não haverá rixa. É uma visão das coisas que acompanha a necessidade de estabelecer uma protecção antecipada. A razão está na sua contribuição para a perigosidade da rixa que em regra se estende para além do momento da desistência. Note-se porém o argumento da posição contrária: ao que se atende na punição é a gravidade do resultado. R. Punibilidade de A e de R. embora se compreendam as dificuldades processuais de prova que a determinam. afastou-se. Cf. II. Com a chegada da polícia. A doutrina alemã ocupa-se de casos como estes acentuando que é punível como participante aquele que desiste antes de se dar a morte ou a ofensa à integridade física grave de algum dos contendores. A qualificação destes elementos como condições objectivas de punibilidade (impróprias) constitui uma cedência à responsabilidade objectiva e é de evitar. a rixa» (Comentário. Porto. O dolo de perigo. uma vez que cada um dos participantes é. Strafrecht. qualquer dos contendores pode às tantas ficar “cansado” e retirar-se. um dos participantes. Segundo uma opinião. verificou que já havia facas desembainhadas. 2007 . Não se conseguiu apurar se isso correspondia à verdade. Na rixa. Volker Krey.que o A. A presunção de perigo é deduzida de uma condição objectiva de punibilidade (morte ou ofensa corporal grave de alguém). Direito Processual Penal. Ao contrário. pôs-se termo ao conflito e ao mesmo tempo apurou-se que E. já. p. 9ª ed. — Indicações de leitura Artigo 302º do Código Penal: crime de participação em motim. Band 1. 1993. desistindo de continuar. manifestamente. Mas se ficam só dois. A sustentou que tinha deixado o local antes de E ter sido ferido. — Participação em rixa Caso nº 3 Durante uma festa ao ar livre. à existência de ofensas corporais graves ou a morte.4 alheia». minimamente. defendeu-se dizendo que interviera na contenda já quando E se encontrava ferido e caído no chão. isto é. Rui Carlos Pereira. p. ao «espetar a faca de que estava munido no peito da vítima». 151. Figueiredo Dias. Quando A. o tivesse feito no pressuposto (mesmo que errado) de que o adversário estava decidido e se preparava para o matar. § 11º (participação em rixa). M. para a qual não contribuiu.nem resulta. grupos de rapazes de aldeias vizinhas envolvem-se em acesa pancadaria. já não será punido quem entrar depois de ocorrer a condição de punibilidade. dos factos provados . incriminando a participação em rixa para além dos casos em que se verifique lesão corporal grave ou a morte. o artigo 151º pretende punir exactamente as denominadas vias de facto.— Parte especial.

entrevero. após uma primeira agressão de que seja vítima. § 11º (participação em rixa). 72: motim é uma aglomeração de pessoas com o fim de.). acometiéndose tumultuariamente. Comentarios a la Parte Especial del Derecho Penal. sem saber exactamente de quem. nº 0070293. Na participação em rixa em que cada um dos participantes é. que de algum modo mantinha vivo o intolerável espírito pragmático dos antigos delitos de homicídio ou lesões em "riña" tumultuária. 166: a punição de um interveniente numa rixa por autoria do crime de homicídio então por ele cometido não obsta à punição dos restantes pela prática do crime de participação em rixa. 154): “Quienes riñeren entre sí. com perturbação da ordem e tranquilidade públicas. É sururu. Acórdão de 3 de Novembro de 1994 BMJ 441. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Janeiro de 1997. Tamarit Sumalla. proc. CJ 1995. 1996. Aranzadi. prescindindo da nota da "confusão". A rixa no CP espanhol (art. Da rixa há-de resultar: a) Morte ou ofensa à integridade física dos contendores. Miguez Garcia. p. p. y utilizando medios o instrumentos que pongan en peligro la vida o integridad de las personas. BMJ 460. Acórdão de 16 de Outubro de 1996. dificilmente se poderá pensar em legitima defesa enquanto o participante (defendente?) não abandonar manifestamente a rixa.— Parte especial. in G. mesmo que dele receba em troca outros tantos e ambos caiam ao chão agarrados um ao outro. que surge quase sempre de inopino. banzé. p. tomo II. 102 e ss. M. Quintero Olivares e J. é a luta tumultuária e confusa. Todos agridem todos e recebem pancadas. M. sarilho. Acórdão da Relação de Coimbra de 31 de Outubro de 1996. tomo I. Devendo definir-se rixa como a situação de conflito ou de desordem em que intervêm obrigatoriamente mais de duas pessoas. p.5 Rixa à brasileira: rixa é o conflito desordenado e generalizado. tomo III. serán castigados por su participación en la riña con la pena de prisión de seis meses a un año o multa superior a dos y hasta doce meses. Acórdão da Relação de Lisboa de 4 de Julho de 2000. com desprezo da autoridade pública. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Dezembro de 1995. crime colectivo. de 11 de Maio. p. desfira vários murros na cara do opositor. Valle Muñiz. 240. 74: Motim armado. seu pai. 166: crime de participação em rixa. Paulo José da Costa Jr. p. agressor e agredido. 2007 . onde é difícil estabelecer a certeza das autorias dos ferimentos. 18: acordo inicial e conjugação de esforços de A e B para agredirem C. Crime de participação em rixa na deslocação para ou de espectáculo desportivo: artigo 23º da Lei nº 16/2004. sabendo ou prevendo que elas vão ocorrer. Direito penal. O dolo dos participantes consiste em tomar parte no "ajuntamento" em que vão ser praticadas as violências.. o que fizeram. CJ 1996. CJ 1997. Porto. sendo a sua acção complementada pela adesão de outros dois. p. nº 69435. ser cometida violência contra pessoas ou contra a propriedade de terceiros. 381 e CJ 1996. simultaneamente. Acórdão do STJ de 11 de Abril de 2002. que tinham como pressuposto típico a impossibilidade de conhecer o autor do facto (J. CJ 2002. 52: Motim é o tumulto ou desorganização ocasional da paz pública que leva colectivamente a cometimento de violência contra as pessoas ou propriedades. tomo IV. tomo V. fuzuê. e que é caracterizada pela oposição dos M. c) Alarme ou inquietação entre a população. rolo. p. proc.” Comentário: configura-se a "riña" como um crime de perigo concreto e simplifica-se a situação típica. p. quebra-pau. Comete um crime de ofensas corporais e não um crime de participação em rixa quem. b) Risco de ofensa à integridade física ou perigo para terceiros. crime de homicídio. Acórdão da Relação de Lisboa de 13 de Janeiro de 1999.

ofenderam corporalmente vários indivíduos sem que estes tivessem respondido às agressões. não cometeram o crime de artigo 151º os arguidos que. além de outros resultados. como consequência dos seus actos. na coxa direita . outro. aquele crime consuma-se independentemente da ocorrência de algum dos referidos eventos. Quanto ao crime de participação em rixa. no polegar direito e. que se encontrava sentado num muro. o crime não é punível. pelo menos mais 2 pessoas. A participação em rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. § 11º (participação em rixa). daí que não acompanhe o recurso à figura de participação em rixa. acabou por espetar-lha no peito. pelo que fica afastado o dolo quanto ao crime de homicídio. Acórdão do STJ de 29 de Janeiro de 1992. Cada participante é autor paralelo de um crime de participação em rixa. a existir esse acordo. mas. tendo. havendo sempre que indagar em vista de saber se não existirá qualquer desses crimes. como aquele que interveio nela depois de iniciada e ainda não terminada. além do homicídio. 2007 . resultando morte ou ofensas corporais. dada a regra da consunção. Se. não se conseguia apurar qual o autor desses crimes. O que sucedeu é que a pistola disparou duas vezes seguidas com os movimentos de todos eles (isto é. Miguez Garcia. já que. Na definição legal. matando-a. caso em que o da participação em rixa fica consumido. Acórdão do STJ de 22 de Junho de 1989: Não ficou provado que tenha sido o arguido a disparar os tiros por acto voluntário seu. durante o qual aquela sofreu dois golpes . a rixa é constituída pelo mínimo de três pessoas formando duas facções que reciprocamente se agridem fisicamente. ou de concurso necessário. 268: na comparticipação criminosa. p. O autor da morte ou das ofensas corporais graves não é punido como participante em rixa. Deste modo. Perante esta factualidade. em locais e momentos diferentes. não é co-autor do mesmo crime comum. sob a forma de co-autoria. o arguido também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa. dos envolvidos na desordem). ficou provado que o arguido tomou parte numa violenta desordem com outras pessoas. já se estaria em comparticipação nos crimes de homicídio ou ofensas corporais — o que significa que a individualização do ou dos autores dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta impede que cada um dos intervenientes na rixa cometa em acumulação real o crime do artigo 151º. Direito penal. 48: No crime de participação em rixa a morte e a ofensa corporal grave são meras condições objectivas de punibilidade. O termo participação do artigo 151º evidencia a acção individual de cada agente. proc. não existindo ela quando só um grupo ataca e o outro se defende. Acórdão do STJ de 13 de Dezembro de 2001. tendo ido atingir o X. Assim. a vítima munida de uma faca. do arguido e da vítima. sempre envolvido em luta com a vítima. como crime colectivo que é.6 contendores sem que seja possível individualizar ou distinguir a actividade de cada um — não pode restringir-se a duas pessoas. Nota: segundo o voto de vencido. Porto. BMJ 413. p. nem tão-pouco que ele tenha querido provocar a morte do Pimenta. A participação em rixa exige. agindo em comunhão de esforços. após discussão.um.— Parte especial. O artigo 151º contém disposições residuais em relação aos crimes de ofensas corporais e de homicídio. se envolveu em confronto físico com o arguido. como consequência a morte de uma pessoa — artigo 151º do Código Penal. não se verificando algum deles. porquanto nesse caso haverá apenas um conflito recíproco e não rixa. e muito menos que se tenha conformado com a realização desse resultado. para além do interventor. Acórdão do STJ de 12 de Novembro de 1997 BMJ 471. é essencial uma decisão conjunta e uma execução igualmente conjunta.e perdeu a posse da faca para o arguido que. não resulta que o arguido tenha previsto a morte de X. só intervieram duas pessoas e foi possível desenhar a conduta de cada uma delas. caso em que M. A expressão “quem intervier ou tomar parte em rixa” constante do artigo 151 significa que é punido tanto aquele que voluntária e conscientemente deu início à briga. nº 01P3433. deve entender-se que. A novidade trazida pelo artigo 151º foi poder acudir àqueles casos de desordens em que.

CJ 2001. § 11º (participação em rixa). 454. I. 17ª ed. resultando a morte ou ofensas corporais. BT 1. não se conseguia apurar o autor desses crimes. Miguez Garcia. pretendendo atentar contra as integridades físicas dos seus contendores.— Parte especial. Porto. 2005. p. fasc. 1985. tais como a morte. Madrid.. 360: A razão da previsão do crime de participação em rixa do artigo 151º do CP é a de assim poder acudir àqueles casos de desordem em que.. Wessels./Abril. M. Augusto Silva Dias. 71 e ss. O artigo 151º apenas pune os intervenientes em rixa se não se provar a sua responsabilidade em crime de homicídio ou de ofensas corporais. 248: não existe uma situação de participação em rixa que possa ser enquadrada no artigo 151º. Américo Taipa de Carvalho. Código Penal. utilizando e verificando que eram utilizados objectos aptos a produzir lesões dos quais podiam resultar sérias consequências. Acórdão do STJ de 5 de Julho de 2001. Strafrecht. 1998. 1990. que então fica consumida. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. 1987. p. Da participação em rixa. 114. 466 e ss. Direito penal. Todos aqueles que intervierem ou subsequentemente tomarem parte de uma rixa de que resultou a morte de um ou vários contendores cometem o crime de participação em rixa. FDUL. 1990. 2004. José de Faria Costa. A Legítima Defesa. 2007 . p. El nuevo delito de participación con medios peligrosos en una riña confusa y tumultuaria. quando seja possível determinar quem matou ou quem ofendeu a integridade física de modo grave. provando-se qualquer destes. Strafrecht. J. Santiago Mir Puig. p. Set. II. Crimes contra a vida e a integridade física. Angela Salas Holgado. Jan. Jornadas sobre a revisão do Código Penal. Os crimes contra a integridade física na revisão do Código Penal.. 1996. Os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. Madrid.. bem sabendo que se envolviam em confrontações físicas. bem sabendo da ilicitude das suas condutas. tomo XLIII. tomo XL. El delito de homicidio y lesiones en riña tumultuaria./Dez. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. Actas e Projectos da Comissão de Revisão (acta nº 24). fasc.7 todos os intervenientes ficavam impunes. Derecho Penal. AAFDL. tomo II. Susana Huerta Tocildo. Frederico Isasca. nº 1. 3ª ed. Direito Penal Especial. 1993. Coimbra. BT-1. PG. Küpper. p. respondem por ele e não por participação em rixa. Rui Carlos Pereira. Acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993 BMJ 424. se actuaram livre e conscientemente. p.