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§ 11º — Crime de participação em rixa

I. — Participação em rixa: divergências jurisprudenciais
Caso nº 1

Crime de participação em rixa — artigo 151. Em Abril, numa discoteca, A envolveu-se em
desordem com Y e Z, gerente e porteiro da mesma. Num dia de Novembro seguinte, A,
acompanhado de um grupo de amigos, entrou em outra discoteca, que era então gerida pelos
mesmos Y e Z. Estava já ali alguém, que comunicou a entrada de A a Z. Habilmente, A foi
então atraído ao bar. No bar, Z perguntou a A se se lembrava da cena anterior na primeira
discoteca, altura em que X, que estava escondido, agarrou A e com a ajuda de Z arrastou-o para
a porta de emergência, empurrando-o para o exterior. Então, Q, empregado do bar, trancou a
porta e impediu que os amigos de A a abrissem, por serem essas as ordens que havia. Também
por isso, o mesmo Q ordenou a P, seu subordinado, que impedisse qualquer ligação telefónica
para o exterior e este assim fez, quando os amigos de A quiseram servir-se do telefone. No
exterior da discoteca, X, Y e Z procuravam sovar o A, desferindo-lhe murros e pontapés em
várias partes do corpo, e picando-o várias vezes com uma navalha. A, que fora campeão de
kickboxing, defendia-se com denodo. V, que entretanto chegara à discoteca, passou também a
agredir A, em conjugação de esforços e de intenções, mas não conseguindo os quatro agressores
dar conta de A, V puxou dum revólver e com ele empunhado procurou intimidar o A, enquanto
os restantes continuavam a agredi-lo, mas mesmo assim A não se intimidou e continuou a lutar.
Foi então que Z, já exausto, tirou o revólver das mãos de V e contra a vontade deste e dos
restantes agressores, com ele disparou um tiro na pessoa de A, atingindo-o de raspão na
barriga. Voltou a disparar novo tiro, apesar dos esforços dos outros por impedi-lo. Deste modo,
atingiu A no dorso, onde lhe provocou lesões determinantes de doença por 200 dias. A, que ao
volante do seu automóvel conseguiu fugir em busca de socorro, só não morreu por
circunstâncias alheias à vontade de Z. Q, logo que tudo terminou, queimou uma camisola
ensanguentada, com o intuito de iludir a actividade probatória das autoridades tendente à
recolha de indícios da responsabilidade dos agressores de A. Z, ao efectuar os disparos, admitiu
a possibilidade de, com algum deles, causar a morte de A, e conformou-se com esse resultado.
V, X e Y agiram com o propósito de maltratar e molestar fisicamente A.

Z foi condenado por homicídio voluntário na forma tentada (artigos 22º, 23º, 74º, nº 1, e
131º).
V, X e Y por co-autoria de um crime de ofensas corporais do artigo 144º.
Q pela prática de um crime de favorecimento pessoal (artigo 367º).
Sustentou-se em recurso que se verificara (também) a comissão do crime de participação
em rixa e que devia haver condenação de Q e P por cumplicidade no crime de ofensas
corporais.

1. A posição maioritária: no caso, não houve rixa; houve simples
comparticipação, na forma de co-autoria
O Supremo (acórdão do STJ de 3 de Novembro de 1994, CJ, 1994) entendeu, por maioria,
que não houve rixa. O que houve foi um acordo inicial e conjugação de esforços de X, Y e
Z para agredirem A, o que fizeram, sendo a sua acção complementada pela adesão de V
àqueles acordo e conjugação de esforços. Aqui existe simples comparticipação criminosa:
trata-se do vulgar caso de co-autoria material de quatro agressores, perfeitamente
identificados, de um crime contra as pessoas, em que o ofendido se limitou a defender-se da
agressão.

M. Miguez Garcia. Direito penal.— Parte especial, § 11º (participação em rixa), Porto, 2007

por ordem dos gerentes da discoteca. o que é o sinal característico da rixa. responderá por estes crimes. em acumulação real. no essencial. também o crime do artigo 151º. mas o pretender-se conseguir a punição autónoma da actuação de quem. entramos no campo da comparticipação nos crimes de ofensas corporais ou de homicídio. há pancadaria generalizada entre todos os intervenientes. nem foram motivadas pelo propósito específico de permitir a agressão da parte dos outros. Ao fechar a porta e ao impedir as comunicações telefónicas. CJ 1993. Tais atitudes. desta forma. X e Y cometeram igualmente o crime do artigo 151º. coadjuvante. É uma posição que coincide. autónomos dos atrás indicados. cometeu determinadas ofensas corporais ou homicídio. pois se demonstrou que constituíam atitudes “normais” daqueles. pois que. Porto. independentemente de produzir ou não ofensas corporais ou de praticar um homicídio no decurso da mencionada refrega. isto é. o legislador introduziu o artigo 151º. através dessa sua intervenção. Se houver esse acordo. no calor de uma luta. quer cometa quer não crimes. tomo 1.2 Não existindo rixa. Provando-se a responsabilidade de algum deles em crime de homicídio ou de ofensas corporais. Direito penal. nela tome parte activa. O comportamento de Q e P foi o normal nas indicadas circunstâncias. 187: os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. são perfeitamente enquadráveis no conceito de cumplicidade que nos é dado pelo artigo 27. § 11º (participação em rixa). já que o conceito de “intervenção” a que o artigo se refere se contenta e fica perfeito logo que o agente “intervém" na desordem. Deixa de haver aí o acontecimento mútuo e confuso entre diversas pessoas que são simultaneamente ofensoras e ofendidas. com a acolhida no acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993. dar-se-ia como assente que V. e para que não ficasse totalmente impune a participação em rixa de que resultou a morte ou a ofensa corporal grave de alguém. é também necessário que o auxílio seja doloso. no cumprimento de instruções genéricas da gerência. As condutas voluntárias de Q de trancar a porta de emergência e impedir o acesso da mesma a clientes e de P de negar o estabelecimento de relações telefónicas com o exterior. nela intervém. Desta forma. por não ser possível apurar o autor da acção de que proveio esse resultado. p. 2007 . toma uma atitude potenciadora. nos casos em que se tornava necessário expulsar clientes briguentos do estabelecimento. Precisamente por isso. não podem Q e P ser condenados pelo crime do artigo 151º. e exacerbadora da prática de tais ilícitos. elemento essencial da cumplicidade: não basta a prestação de auxílio à prática por outrem de um facto ilícito doloso. nem pode falar-se de cumplicidade neste crime. mas não foram indispensáveis para a realização dos actos por estes praticados. sem que se possa determinar com precisão quem agride quem. Miguez Garcia. foram de manifesto querido auxílio aos agressores e permitiram que estes mais facilmente pudessem desenvolver e prosseguir na luta com A. A rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. Na verdadeira rixa não se sabe bem quem ataca e quem defende. já que a punição pela participação em rixa fica consumida pela punição deles.º do M. não foram motivados pelo propósito de permitir a agressão. A posição minoritária: nada impede o concurso entre o homicídio e a rixa O objecto da incriminação não é o pretender-se punir apenas a conduta de um agente nos casos em que se não consiga determinar quem.— Parte especial. Daí que se entenda que a individualização (no sentido de se determinar a autoria dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta) da autoria desses crimes não impede que cada um dos intervenientes na briga cometa. 2. E também não há cumplicidade no crime de ofensas corporais por não poder excogitar-se aqui o dolo.

I-318) que a rixa «pressupõe um acordo expresso ou tácito (p. entre ambos. e — o de corresponder a uma desordem. A e C decidiram aguardar naquele local para ali virem a assaltar uma qualquer mulher que ali passasse para se apropriarem de objectos e valores alheios e. proc. Disse o Supremo na fundamentação: "também a rixa entre duas pessoas constitui um crime de perigo. Enquanto aguardavam a oportunidade. depois. com armas. «continuou envolvido em luta» com ele. O que pressupõe. o A espetou-lhe a faca no peito. após discussão. C pegou numa faca. o que pode parecer insustentável perante o claro princípio da presunção de inocência constante do nº 2 do artigo 32º da Constituição. I-319/320) . ex.contendo o artigo 151º. e continuando envolvido em luta com C. Miguez Garcia. durante o qual aquela sofreu dois golpes e perdeu a posse da faca para o A que. entre pessoas determinadas. Comentário. um prévio ou contemporâneo «espontâneo envolvimento físico» e. destinada a ficcionar e a presumir um culpado nos casos em que a investigação não conseguiu apurar a autoria das ofensas graves produzidas. em defesa da companheira. que. «de uma azeda troca de palavras» entre ambos). Em resumo: Verifica-se. sempre envolvido em luta com a vítima. a vítima munida de uma faca. No decurso da luta. com quem vivia maritalmente. o A também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa. ou o espontâneo envolvimento físico de duas ou mais pessoas na sequência de uma azeda troca de palavras ou de injúrias) nas ofensas corporais recíprocas». «um tipo legal de crime concreto para a vida ou integridade física» e apesar de «só uma rixa grave poder constituir perigo concreto de morte ou ofensa corporal» e de «também só a participação nesta rixa preencher o tipo legal objectivo respectivo» (Comentário. nº 01P3433. e. dela munido. 3. O acórdão do STJ de 3 de Dezembro de 2001. A crítica que se faz à posição maioritária é a de se traduzir numa imputação objectiva. É certo (Taipa de Carvalho. como se vê. solidária. Tendo-se o A intrometido na discussão. para o vencido foi possível desenhar a conduta de cada uma delas: do arguido e da vítima. além do homicídio. pelo que não há participação em rixa. deve entender-se que. Todavia. A faca atingiu o coração da vítima. que se encontrava no interior do veículo. Direito penal. C sofreu um golpe no polegar da mão direita e um outro na coxa da perna direita. matando-a. que a invectivou por querer abandonar o local. sem se conseguir determinar adequadamente quem terá sido o respectivo causador. se bem que tenha sido C que («munido de uma faca») «se envolveu em confronto físico com o arguido» («na sequência». E se «a única causa de justificação pensável em relação à participação em rixa é a legítima defesa. Donde que . da qual resultam consequências graves. envolveu-se em confronto físico com o A. se envolveu em confronto físico com o A. As lesões traumáticas torácicas foram causa directa e necessária da morte de C. atingindo-o a nível do tórax. gerou-se discussão entre a companheira do A e C. a existência de dois sentidos antagónicos para o termo rixa — o de corresponder a uma luta grave. acabou por espetar-lha no peito. de algum modo. De posse dessa faca. mesmo depois de se apoderar da faca do adversário. Mas no caso. a verdade é que este. 2007 . cumplicidade esta que se verifica em relação ao crime de participação em rixa. assim. aliás. Porto. e C.— Parte especial.não se possa negar o designativo jurídico-penal típico de «participação em rixa» ao «confronto físico» e à «luta» em que arguido e vítima estiveram envolvidos. Caso nº 2 A encontrava-se num parque de estacionamento juntamente com B. entendeu que "se.. § 11º (participação em rixa). própria ou M. pois que uma tal rixa não deixa de constituir uma tal situação de perigo para os bens jurídicos (vida e integridade física substancial). obterem dinheiro para adquirirem estupefacientes. todos consumiriam. altura em que o A logrou apoderar-se da faca. a aceitação tácita de uma «dinâmica de escalada de ofensas corporais recíprocas».3 Código Penal (prestação de auxílio material à prática por outrem de um facto ilícito doloso). a aceitação fáctica do desafio. nº 2.

isto é. Ao contrário. minimamente. Na rixa. pôs-se termo ao conflito e ao mesmo tempo apurou-se que E. qualquer dos contendores pode às tantas ficar “cansado” e retirar-se. dos factos provados . A qualificação destes elementos como condições objectivas de punibilidade (impróprias) constitui uma cedência à responsabilidade objectiva e é de evitar. o artigo 151º pretende punir exactamente as denominadas vias de facto. Band 1. II. as Actas. p. — Indicações de leitura Artigo 302º do Código Penal: crime de participação em motim. Não se conseguiu apurar quem apunhalou esse indivíduo. já.. grupos de rapazes de aldeias vizinhas envolvem-se em acesa pancadaria. A sustentou que tinha deixado o local antes de E ter sido ferido.que o A. Quando A. É uma visão das coisas que acompanha a necessidade de estabelecer uma protecção antecipada. um dos participantes. Direito penal. I-324). 2007 . p. a rixa» (Comentário. A presunção de perigo é deduzida de uma condição objectiva de punibilidade (morte ou ofensa corporal grave de alguém). Volker Krey. Durante o inquérito. simultaneamente. manifestamente. «em relação à legítima defesa própria. agressor e agredido. Mas se ficam só dois.— Parte especial. pois as pessoas não devem participar em rixas. uma vez que cada um dos participantes é. 1988/89. Porto. ao «espetar a faca de que estava munido no peito da vítima». 499 e 502: III. A razão está na sua contribuição para a perigosidade da rixa que em regra se estende para além do momento da desistência. Também pode acontecer que um novo interveniente se entusiasme e adira à pancadaria. nunca poderá um participante na rixa exercer qualquer direito de legítima defesa. afastou-se. então já não haverá rixa.nem resulta. Segundo uma opinião.4 alheia». 1993. Cf. à existência de ofensas corporais graves ou a morte. 9ª ed. Acta nº 45. Strafrecht. já não será punido quem entrar depois de ocorrer a condição de punibilidade. Miguez Garcia. isto é. Note-se que no caso não consta . defendeu-se dizendo que interviera na contenda já quando E se encontrava ferido e caído no chão. R. 151. a participação em rixa é crime de perigo abstracto. Não se conseguiu apurar se isso correspondia à verdade. para a qual não contribuiu. Com a chegada da polícia. Rui Carlos Pereira. O dolo de perigo. — Participação em rixa Caso nº 3 Durante uma festa ao ar livre. o tivesse feito no pressuposto (mesmo que errado) de que o adversário estava decidido e se preparava para o matar. uma das pessoas que por ali estavam e que se chegara para apartar alguns dos contendores. M. BT. Figueiredo Dias. A doutrina alemã ocupa-se de casos como estes acentuando que é punível como participante aquele que desiste antes de se dar a morte ou a ofensa à integridade física grave de algum dos contendores. p. embora se compreendam as dificuldades processuais de prova que a determinam. desistindo de continuar. incriminando a participação em rixa para além dos casos em que se verifique lesão corporal grave ou a morte. Note-se porém o argumento da posição contrária: ao que se atende na punição é a gravidade do resultado. Punibilidade de A e de R. Direito Processual Penal. Um outro indivíduo. tinha sido apunhalado. Cf. § 11º (participação em rixa). enquanto não abandonar. 124. No Código Penal. verificou que já havia facas desembainhadas.

Tamarit Sumalla. Da rixa há-de resultar: a) Morte ou ofensa à integridade física dos contendores. nº 69435. Na participação em rixa em que cada um dos participantes é. banzé. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Janeiro de 1997. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Dezembro de 1995. 52: Motim é o tumulto ou desorganização ocasional da paz pública que leva colectivamente a cometimento de violência contra as pessoas ou propriedades. Comete um crime de ofensas corporais e não um crime de participação em rixa quem. CJ 1997.). p. Aranzadi. crime colectivo. com perturbação da ordem e tranquilidade públicas.” Comentário: configura-se a "riña" como um crime de perigo concreto e simplifica-se a situação típica. Acórdão da Relação de Coimbra de 31 de Outubro de 1996. tomo V. CJ 1995. 72: motim é uma aglomeração de pessoas com o fim de. sem saber exactamente de quem. tomo III. b) Risco de ofensa à integridade física ou perigo para terceiros. A rixa no CP espanhol (art. que de algum modo mantinha vivo o intolerável espírito pragmático dos antigos delitos de homicídio ou lesões em "riña" tumultuária. mesmo que dele receba em troca outros tantos e ambos caiam ao chão agarrados um ao outro. Valle Muñiz. Todos agridem todos e recebem pancadas. § 11º (participação em rixa).. que surge quase sempre de inopino. fuzuê. M. Comentarios a la Parte Especial del Derecho Penal. sendo a sua acção complementada pela adesão de outros dois. 1996.5 Rixa à brasileira: rixa é o conflito desordenado e generalizado. Porto. p. Acórdão da Relação de Lisboa de 13 de Janeiro de 1999. Miguez Garcia. proc. 381 e CJ 1996. entrevero. rolo. ser cometida violência contra pessoas ou contra a propriedade de terceiros. Devendo definir-se rixa como a situação de conflito ou de desordem em que intervêm obrigatoriamente mais de duas pessoas. BMJ 460. onde é difícil estabelecer a certeza das autorias dos ferimentos. tomo IV. Direito penal. Acórdão de 16 de Outubro de 1996. seu pai. Acórdão do STJ de 11 de Abril de 2002. Crime de participação em rixa na deslocação para ou de espectáculo desportivo: artigo 23º da Lei nº 16/2004. prescindindo da nota da "confusão". Paulo José da Costa Jr. in G. p. O dolo dos participantes consiste em tomar parte no "ajuntamento" em que vão ser praticadas as violências. É sururu. simultaneamente. sarilho. Acórdão da Relação de Lisboa de 4 de Julho de 2000. c) Alarme ou inquietação entre a população. Acórdão de 3 de Novembro de 1994 BMJ 441. CJ 2002. nº 0070293. 102 e ss. de 11 de Maio. quebra-pau.— Parte especial. sabendo ou prevendo que elas vão ocorrer. após uma primeira agressão de que seja vítima. 2007 . é a luta tumultuária e confusa. 154): “Quienes riñeren entre sí. crime de homicídio. CJ 1996. Quintero Olivares e J. p. tomo II. proc. 74: Motim armado. 18: acordo inicial e conjugação de esforços de A e B para agredirem C. desfira vários murros na cara do opositor. acometiéndose tumultuariamente. e que é caracterizada pela oposição dos M. p. M. com desprezo da autoridade pública. o que fizeram. 166: crime de participação em rixa. y utilizando medios o instrumentos que pongan en peligro la vida o integridad de las personas. 240. p. p. tomo I. 166: a punição de um interveniente numa rixa por autoria do crime de homicídio então por ele cometido não obsta à punição dos restantes pela prática do crime de participação em rixa. p. que tinham como pressuposto típico a impossibilidade de conhecer o autor do facto (J. serán castigados por su participación en la riña con la pena de prisión de seis meses a un año o multa superior a dos y hasta doce meses. agressor e agredido. dificilmente se poderá pensar em legitima defesa enquanto o participante (defendente?) não abandonar manifestamente a rixa. p.

na coxa direita . como consequência dos seus actos. caso em que M. proc. Acórdão do STJ de 22 de Junho de 1989: Não ficou provado que tenha sido o arguido a disparar os tiros por acto voluntário seu. só intervieram duas pessoas e foi possível desenhar a conduta de cada uma delas. a rixa é constituída pelo mínimo de três pessoas formando duas facções que reciprocamente se agridem fisicamente. outro. Perante esta factualidade. havendo sempre que indagar em vista de saber se não existirá qualquer desses crimes. 268: na comparticipação criminosa. o arguido também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa. aquele crime consuma-se independentemente da ocorrência de algum dos referidos eventos. § 11º (participação em rixa). já se estaria em comparticipação nos crimes de homicídio ou ofensas corporais — o que significa que a individualização do ou dos autores dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta impede que cada um dos intervenientes na rixa cometa em acumulação real o crime do artigo 151º. pelo que fica afastado o dolo quanto ao crime de homicídio. O que sucedeu é que a pistola disparou duas vezes seguidas com os movimentos de todos eles (isto é. além de outros resultados.— Parte especial. além do homicídio. como aquele que interveio nela depois de iniciada e ainda não terminada. não resulta que o arguido tenha previsto a morte de X. A expressão “quem intervier ou tomar parte em rixa” constante do artigo 151 significa que é punido tanto aquele que voluntária e conscientemente deu início à briga. A participação em rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. O artigo 151º contém disposições residuais em relação aos crimes de ofensas corporais e de homicídio. Cada participante é autor paralelo de um crime de participação em rixa. em locais e momentos diferentes. A novidade trazida pelo artigo 151º foi poder acudir àqueles casos de desordens em que. sob a forma de co-autoria. ofenderam corporalmente vários indivíduos sem que estes tivessem respondido às agressões. do arguido e da vítima. mas. ou de concurso necessário. Deste modo. deve entender-se que. após discussão. e muito menos que se tenha conformado com a realização desse resultado. 2007 . tendo ido atingir o X. não cometeram o crime de artigo 151º os arguidos que. caso em que o da participação em rixa fica consumido. já que. sempre envolvido em luta com a vítima. Se. Acórdão do STJ de 13 de Dezembro de 2001.6 contendores sem que seja possível individualizar ou distinguir a actividade de cada um — não pode restringir-se a duas pessoas. Porto. Na definição legal. O autor da morte ou das ofensas corporais graves não é punido como participante em rixa. no polegar direito e. agindo em comunhão de esforços. Quanto ao crime de participação em rixa. porquanto nesse caso haverá apenas um conflito recíproco e não rixa. p. como consequência a morte de uma pessoa — artigo 151º do Código Penal. daí que não acompanhe o recurso à figura de participação em rixa. acabou por espetar-lha no peito. não se conseguia apurar qual o autor desses crimes. 48: No crime de participação em rixa a morte e a ofensa corporal grave são meras condições objectivas de punibilidade. A participação em rixa exige. Assim. Direito penal. BMJ 413. tendo. O termo participação do artigo 151º evidencia a acção individual de cada agente. resultando morte ou ofensas corporais. a vítima munida de uma faca. nem tão-pouco que ele tenha querido provocar a morte do Pimenta. dos envolvidos na desordem). Miguez Garcia. que se encontrava sentado num muro. para além do interventor. Acórdão do STJ de 29 de Janeiro de 1992. nº 01P3433.e perdeu a posse da faca para o arguido que. é essencial uma decisão conjunta e uma execução igualmente conjunta. não existindo ela quando só um grupo ataca e o outro se defende. Acórdão do STJ de 12 de Novembro de 1997 BMJ 471. como crime colectivo que é. ficou provado que o arguido tomou parte numa violenta desordem com outras pessoas. dada a regra da consunção. se envolveu em confronto físico com o arguido. pelo menos mais 2 pessoas. Nota: segundo o voto de vencido. o crime não é punível. durante o qual aquela sofreu dois golpes . não é co-autor do mesmo crime comum. matando-a. a existir esse acordo. não se verificando algum deles. p.um.

360: A razão da previsão do crime de participação em rixa do artigo 151º do CP é a de assim poder acudir àqueles casos de desordem em que. tomo II. 1993. 1987. 2005. respondem por ele e não por participação em rixa. nº 1. 1985. Todos aqueles que intervierem ou subsequentemente tomarem parte de uma rixa de que resultou a morte de um ou vários contendores cometem o crime de participação em rixa. 248: não existe uma situação de participação em rixa que possa ser enquadrada no artigo 151º.. 1996. § 11º (participação em rixa). tais como a morte. 454. 3ª ed. 2004. Frederico Isasca. p.7 todos os intervenientes ficavam impunes. BT 1. tomo XL. Acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993 BMJ 424. Set. p. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. p. Miguez Garcia. José de Faria Costa. pretendendo atentar contra as integridades físicas dos seus contendores. Santiago Mir Puig. El delito de homicidio y lesiones en riña tumultuaria. Da participação em rixa. I. 466 e ss. provando-se qualquer destes. Direito penal. tomo XLIII. II. quando seja possível determinar quem matou ou quem ofendeu a integridade física de modo grave./Dez. Augusto Silva Dias. El nuevo delito de participación con medios peligrosos en una riña confusa y tumultuaria. que então fica consumida. J. resultando a morte ou ofensas corporais. fasc. bem sabendo da ilicitude das suas condutas. AAFDL. Küpper. Os crimes contra a integridade física na revisão do Código Penal. p. utilizando e verificando que eram utilizados objectos aptos a produzir lesões dos quais podiam resultar sérias consequências.. Strafrecht. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. bem sabendo que se envolviam em confrontações físicas. Direito Penal Especial. Strafrecht. 17ª ed. Jornadas sobre a revisão do Código Penal..— Parte especial. Susana Huerta Tocildo. PG. 1998./Abril. A Legítima Defesa. O artigo 151º apenas pune os intervenientes em rixa se não se provar a sua responsabilidade em crime de homicídio ou de ofensas corporais. 71 e ss. 114. fasc. Os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. Américo Taipa de Carvalho. Angela Salas Holgado. p. Madrid. Coimbra. FDUL. p. Porto. BT-1. não se conseguia apurar o autor desses crimes. M. Madrid. Jan. Código Penal.. 1990. Wessels. Derecho Penal. Actas e Projectos da Comissão de Revisão (acta nº 24). 1990. Crimes contra a vida e a integridade física. Acórdão do STJ de 5 de Julho de 2001. se actuaram livre e conscientemente. 2007 . CJ 2001. Rui Carlos Pereira.

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