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§ 11º — Crime de participação em rixa

I. — Participação em rixa: divergências jurisprudenciais
Caso nº 1

Crime de participação em rixa — artigo 151. Em Abril, numa discoteca, A envolveu-se em
desordem com Y e Z, gerente e porteiro da mesma. Num dia de Novembro seguinte, A,
acompanhado de um grupo de amigos, entrou em outra discoteca, que era então gerida pelos
mesmos Y e Z. Estava já ali alguém, que comunicou a entrada de A a Z. Habilmente, A foi
então atraído ao bar. No bar, Z perguntou a A se se lembrava da cena anterior na primeira
discoteca, altura em que X, que estava escondido, agarrou A e com a ajuda de Z arrastou-o para
a porta de emergência, empurrando-o para o exterior. Então, Q, empregado do bar, trancou a
porta e impediu que os amigos de A a abrissem, por serem essas as ordens que havia. Também
por isso, o mesmo Q ordenou a P, seu subordinado, que impedisse qualquer ligação telefónica
para o exterior e este assim fez, quando os amigos de A quiseram servir-se do telefone. No
exterior da discoteca, X, Y e Z procuravam sovar o A, desferindo-lhe murros e pontapés em
várias partes do corpo, e picando-o várias vezes com uma navalha. A, que fora campeão de
kickboxing, defendia-se com denodo. V, que entretanto chegara à discoteca, passou também a
agredir A, em conjugação de esforços e de intenções, mas não conseguindo os quatro agressores
dar conta de A, V puxou dum revólver e com ele empunhado procurou intimidar o A, enquanto
os restantes continuavam a agredi-lo, mas mesmo assim A não se intimidou e continuou a lutar.
Foi então que Z, já exausto, tirou o revólver das mãos de V e contra a vontade deste e dos
restantes agressores, com ele disparou um tiro na pessoa de A, atingindo-o de raspão na
barriga. Voltou a disparar novo tiro, apesar dos esforços dos outros por impedi-lo. Deste modo,
atingiu A no dorso, onde lhe provocou lesões determinantes de doença por 200 dias. A, que ao
volante do seu automóvel conseguiu fugir em busca de socorro, só não morreu por
circunstâncias alheias à vontade de Z. Q, logo que tudo terminou, queimou uma camisola
ensanguentada, com o intuito de iludir a actividade probatória das autoridades tendente à
recolha de indícios da responsabilidade dos agressores de A. Z, ao efectuar os disparos, admitiu
a possibilidade de, com algum deles, causar a morte de A, e conformou-se com esse resultado.
V, X e Y agiram com o propósito de maltratar e molestar fisicamente A.

Z foi condenado por homicídio voluntário na forma tentada (artigos 22º, 23º, 74º, nº 1, e
131º).
V, X e Y por co-autoria de um crime de ofensas corporais do artigo 144º.
Q pela prática de um crime de favorecimento pessoal (artigo 367º).
Sustentou-se em recurso que se verificara (também) a comissão do crime de participação
em rixa e que devia haver condenação de Q e P por cumplicidade no crime de ofensas
corporais.

1. A posição maioritária: no caso, não houve rixa; houve simples
comparticipação, na forma de co-autoria
O Supremo (acórdão do STJ de 3 de Novembro de 1994, CJ, 1994) entendeu, por maioria,
que não houve rixa. O que houve foi um acordo inicial e conjugação de esforços de X, Y e
Z para agredirem A, o que fizeram, sendo a sua acção complementada pela adesão de V
àqueles acordo e conjugação de esforços. Aqui existe simples comparticipação criminosa:
trata-se do vulgar caso de co-autoria material de quatro agressores, perfeitamente
identificados, de um crime contra as pessoas, em que o ofendido se limitou a defender-se da
agressão.

M. Miguez Garcia. Direito penal.— Parte especial, § 11º (participação em rixa), Porto, 2007

§ 11º (participação em rixa).º do M. A rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. toma uma atitude potenciadora. autónomos dos atrás indicados. 2007 . 2. não foram motivados pelo propósito de permitir a agressão. no cumprimento de instruções genéricas da gerência. por ordem dos gerentes da discoteca. o legislador introduziu o artigo 151º. Desta forma. Precisamente por isso. nem foram motivadas pelo propósito específico de permitir a agressão da parte dos outros. mas o pretender-se conseguir a punição autónoma da actuação de quem. são perfeitamente enquadráveis no conceito de cumplicidade que nos é dado pelo artigo 27. já que o conceito de “intervenção” a que o artigo se refere se contenta e fica perfeito logo que o agente “intervém" na desordem. Tais atitudes. no calor de uma luta. entramos no campo da comparticipação nos crimes de ofensas corporais ou de homicídio. e exacerbadora da prática de tais ilícitos. o que é o sinal característico da rixa. mas não foram indispensáveis para a realização dos actos por estes praticados. Na verdadeira rixa não se sabe bem quem ataca e quem defende. Provando-se a responsabilidade de algum deles em crime de homicídio ou de ofensas corporais. As condutas voluntárias de Q de trancar a porta de emergência e impedir o acesso da mesma a clientes e de P de negar o estabelecimento de relações telefónicas com o exterior. Ao fechar a porta e ao impedir as comunicações telefónicas. há pancadaria generalizada entre todos os intervenientes. também o crime do artigo 151º. responderá por estes crimes. nos casos em que se tornava necessário expulsar clientes briguentos do estabelecimento. no essencial. Daí que se entenda que a individualização (no sentido de se determinar a autoria dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta) da autoria desses crimes não impede que cada um dos intervenientes na briga cometa.2 Não existindo rixa. em acumulação real. X e Y cometeram igualmente o crime do artigo 151º. pois se demonstrou que constituíam atitudes “normais” daqueles. nela tome parte activa. coadjuvante. desta forma. elemento essencial da cumplicidade: não basta a prestação de auxílio à prática por outrem de um facto ilícito doloso. 187: os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem.— Parte especial. É uma posição que coincide. não podem Q e P ser condenados pelo crime do artigo 151º. Deixa de haver aí o acontecimento mútuo e confuso entre diversas pessoas que são simultaneamente ofensoras e ofendidas. pois que. dar-se-ia como assente que V. O comportamento de Q e P foi o normal nas indicadas circunstâncias. nem pode falar-se de cumplicidade neste crime. quer cometa quer não crimes. Porto. é também necessário que o auxílio seja doloso. já que a punição pela participação em rixa fica consumida pela punição deles. isto é. tomo 1. cometeu determinadas ofensas corporais ou homicídio. Direito penal. foram de manifesto querido auxílio aos agressores e permitiram que estes mais facilmente pudessem desenvolver e prosseguir na luta com A. Miguez Garcia. sem que se possa determinar com precisão quem agride quem. p. e para que não ficasse totalmente impune a participação em rixa de que resultou a morte ou a ofensa corporal grave de alguém. nela intervém. independentemente de produzir ou não ofensas corporais ou de praticar um homicídio no decurso da mencionada refrega. com a acolhida no acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993. CJ 1993. Se houver esse acordo. A posição minoritária: nada impede o concurso entre o homicídio e a rixa O objecto da incriminação não é o pretender-se punir apenas a conduta de um agente nos casos em que se não consiga determinar quem. por não ser possível apurar o autor da acção de que proveio esse resultado. E também não há cumplicidade no crime de ofensas corporais por não poder excogitar-se aqui o dolo. através dessa sua intervenção.

Donde que . A faca atingiu o coração da vítima. Caso nº 2 A encontrava-se num parque de estacionamento juntamente com B. O acórdão do STJ de 3 de Dezembro de 2001. O que pressupõe. da qual resultam consequências graves. que. No decurso da luta. A e C decidiram aguardar naquele local para ali virem a assaltar uma qualquer mulher que ali passasse para se apropriarem de objectos e valores alheios e. altura em que o A logrou apoderar-se da faca.— Parte especial. após discussão.3 Código Penal (prestação de auxílio material à prática por outrem de um facto ilícito doloso). destinada a ficcionar e a presumir um culpado nos casos em que a investigação não conseguiu apurar a autoria das ofensas graves produzidas. § 11º (participação em rixa). e — o de corresponder a uma desordem. Mas no caso. É certo (Taipa de Carvalho. gerou-se discussão entre a companheira do A e C. entendeu que "se. aliás.não se possa negar o designativo jurídico-penal típico de «participação em rixa» ao «confronto físico» e à «luta» em que arguido e vítima estiveram envolvidos. sempre envolvido em luta com a vítima. E se «a única causa de justificação pensável em relação à participação em rixa é a legítima defesa. «continuou envolvido em luta» com ele. entre ambos. nº 2.. a aceitação fáctica do desafio. e C. acabou por espetar-lha no peito. como se vê. a aceitação tácita de uma «dinâmica de escalada de ofensas corporais recíprocas». com armas. e continuando envolvido em luta com C. proc. cumplicidade esta que se verifica em relação ao crime de participação em rixa. solidária. a vítima munida de uma faca. I-318) que a rixa «pressupõe um acordo expresso ou tácito (p. «um tipo legal de crime concreto para a vida ou integridade física» e apesar de «só uma rixa grave poder constituir perigo concreto de morte ou ofensa corporal» e de «também só a participação nesta rixa preencher o tipo legal objectivo respectivo» (Comentário. a existência de dois sentidos antagónicos para o termo rixa — o de corresponder a uma luta grave. própria ou M. em defesa da companheira. mesmo depois de se apoderar da faca do adversário. com quem vivia maritalmente. matando-a. que se encontrava no interior do veículo. C sofreu um golpe no polegar da mão direita e um outro na coxa da perna direita. durante o qual aquela sofreu dois golpes e perdeu a posse da faca para o A que. além do homicídio. todos consumiriam. Todavia. Comentário. 2007 . assim. C pegou numa faca. se bem que tenha sido C que («munido de uma faca») «se envolveu em confronto físico com o arguido» («na sequência». Enquanto aguardavam a oportunidade. A crítica que se faz à posição maioritária é a de se traduzir numa imputação objectiva. um prévio ou contemporâneo «espontâneo envolvimento físico» e. que a invectivou por querer abandonar o local. nº 01P3433. Miguez Garcia. o A espetou-lhe a faca no peito. Tendo-se o A intrometido na discussão. obterem dinheiro para adquirirem estupefacientes. ex. pois que uma tal rixa não deixa de constituir uma tal situação de perigo para os bens jurídicos (vida e integridade física substancial). entre pessoas determinadas. se envolveu em confronto físico com o A. dela munido. pelo que não há participação em rixa. o que pode parecer insustentável perante o claro princípio da presunção de inocência constante do nº 2 do artigo 32º da Constituição. atingindo-o a nível do tórax. Direito penal. 3. As lesões traumáticas torácicas foram causa directa e necessária da morte de C. Porto. envolveu-se em confronto físico com o A. e. a verdade é que este. Disse o Supremo na fundamentação: "também a rixa entre duas pessoas constitui um crime de perigo. «de uma azeda troca de palavras» entre ambos). ou o espontâneo envolvimento físico de duas ou mais pessoas na sequência de uma azeda troca de palavras ou de injúrias) nas ofensas corporais recíprocas». deve entender-se que. o A também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa.contendo o artigo 151º. para o vencido foi possível desenhar a conduta de cada uma delas: do arguido e da vítima. I-319/320) . De posse dessa faca. de algum modo. Em resumo: Verifica-se. sem se conseguir determinar adequadamente quem terá sido o respectivo causador. depois.

Volker Krey. minimamente. isto é. 1993. «em relação à legítima defesa própria. já não será punido quem entrar depois de ocorrer a condição de punibilidade. Quando A. Não se conseguiu apurar quem apunhalou esse indivíduo. p. Porto.. Na rixa. Miguez Garcia. pois as pessoas não devem participar em rixas. uma das pessoas que por ali estavam e que se chegara para apartar alguns dos contendores. uma vez que cada um dos participantes é. Segundo uma opinião. pôs-se termo ao conflito e ao mesmo tempo apurou-se que E. Figueiredo Dias. o tivesse feito no pressuposto (mesmo que errado) de que o adversário estava decidido e se preparava para o matar. A qualificação destes elementos como condições objectivas de punibilidade (impróprias) constitui uma cedência à responsabilidade objectiva e é de evitar. 499 e 502: III. p. No Código Penal. Também pode acontecer que um novo interveniente se entusiasme e adira à pancadaria. dos factos provados . qualquer dos contendores pode às tantas ficar “cansado” e retirar-se. 124. manifestamente. — Participação em rixa Caso nº 3 Durante uma festa ao ar livre.4 alheia». A razão está na sua contribuição para a perigosidade da rixa que em regra se estende para além do momento da desistência. um dos participantes. então já não haverá rixa. BT. desistindo de continuar. 2007 . nunca poderá um participante na rixa exercer qualquer direito de legítima defesa. Note-se porém o argumento da posição contrária: ao que se atende na punição é a gravidade do resultado. defendeu-se dizendo que interviera na contenda já quando E se encontrava ferido e caído no chão. 9ª ed. agressor e agredido. já. 151. Strafrecht. R. I-324). A presunção de perigo é deduzida de uma condição objectiva de punibilidade (morte ou ofensa corporal grave de alguém). a rixa» (Comentário. ao «espetar a faca de que estava munido no peito da vítima». O dolo de perigo. Durante o inquérito. A doutrina alemã ocupa-se de casos como estes acentuando que é punível como participante aquele que desiste antes de se dar a morte ou a ofensa à integridade física grave de algum dos contendores. simultaneamente. embora se compreendam as dificuldades processuais de prova que a determinam. Cf. à existência de ofensas corporais graves ou a morte. Com a chegada da polícia. II. Cf. Não se conseguiu apurar se isso correspondia à verdade. isto é. incriminando a participação em rixa para além dos casos em que se verifique lesão corporal grave ou a morte. — Indicações de leitura Artigo 302º do Código Penal: crime de participação em motim.nem resulta. Um outro indivíduo. Mas se ficam só dois. verificou que já havia facas desembainhadas. Punibilidade de A e de R. A sustentou que tinha deixado o local antes de E ter sido ferido. 1988/89. a participação em rixa é crime de perigo abstracto.que o A. tinha sido apunhalado. § 11º (participação em rixa). Direito penal. enquanto não abandonar. grupos de rapazes de aldeias vizinhas envolvem-se em acesa pancadaria. para a qual não contribuiu. p. Direito Processual Penal. M. as Actas. Note-se que no caso não consta . o artigo 151º pretende punir exactamente as denominadas vias de facto. Acta nº 45.— Parte especial. Rui Carlos Pereira. afastou-se. Band 1. É uma visão das coisas que acompanha a necessidade de estabelecer uma protecção antecipada. Ao contrário.

o que fizeram. sem saber exactamente de quem. Na participação em rixa em que cada um dos participantes é. que tinham como pressuposto típico a impossibilidade de conhecer o autor do facto (J. serán castigados por su participación en la riña con la pena de prisión de seis meses a un año o multa superior a dos y hasta doce meses. desfira vários murros na cara do opositor. proc. Acórdão de 3 de Novembro de 1994 BMJ 441. é a luta tumultuária e confusa. com desprezo da autoridade pública. Valle Muñiz. seu pai. A rixa no CP espanhol (art. p. Acórdão da Relação de Lisboa de 13 de Janeiro de 1999. entrevero. p. y utilizando medios o instrumentos que pongan en peligro la vida o integridad de las personas. p.— Parte especial. tomo III. Da rixa há-de resultar: a) Morte ou ofensa à integridade física dos contendores. Comentarios a la Parte Especial del Derecho Penal. p. p. 154): “Quienes riñeren entre sí. M. quebra-pau. 18: acordo inicial e conjugação de esforços de A e B para agredirem C. 74: Motim armado. Acórdão do STJ de 11 de Abril de 2002. p. agressor e agredido. Todos agridem todos e recebem pancadas. CJ 2002. sendo a sua acção complementada pela adesão de outros dois. mesmo que dele receba em troca outros tantos e ambos caiam ao chão agarrados um ao outro.). Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Dezembro de 1995. Devendo definir-se rixa como a situação de conflito ou de desordem em que intervêm obrigatoriamente mais de duas pessoas. Comete um crime de ofensas corporais e não um crime de participação em rixa quem. Tamarit Sumalla. crime de homicídio. CJ 1995. simultaneamente. 102 e ss. Paulo José da Costa Jr. acometiéndose tumultuariamente. crime colectivo. prescindindo da nota da "confusão". banzé. de 11 de Maio. p. 2007 . Porto. 240. 52: Motim é o tumulto ou desorganização ocasional da paz pública que leva colectivamente a cometimento de violência contra as pessoas ou propriedades. Direito penal. p. CJ 1996.5 Rixa à brasileira: rixa é o conflito desordenado e generalizado. fuzuê. tomo V. tomo I.. após uma primeira agressão de que seja vítima. com perturbação da ordem e tranquilidade públicas. in G. CJ 1997. nº 69435. Acórdão de 16 de Outubro de 1996. 72: motim é uma aglomeração de pessoas com o fim de. 166: a punição de um interveniente numa rixa por autoria do crime de homicídio então por ele cometido não obsta à punição dos restantes pela prática do crime de participação em rixa. 166: crime de participação em rixa. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Janeiro de 1997. dificilmente se poderá pensar em legitima defesa enquanto o participante (defendente?) não abandonar manifestamente a rixa. sabendo ou prevendo que elas vão ocorrer. onde é difícil estabelecer a certeza das autorias dos ferimentos. 381 e CJ 1996. Miguez Garcia. É sururu. tomo IV. c) Alarme ou inquietação entre a população. O dolo dos participantes consiste em tomar parte no "ajuntamento" em que vão ser praticadas as violências. BMJ 460. que surge quase sempre de inopino. rolo.” Comentário: configura-se a "riña" como um crime de perigo concreto e simplifica-se a situação típica. que de algum modo mantinha vivo o intolerável espírito pragmático dos antigos delitos de homicídio ou lesões em "riña" tumultuária. ser cometida violência contra pessoas ou contra a propriedade de terceiros. Acórdão da Relação de Lisboa de 4 de Julho de 2000. e que é caracterizada pela oposição dos M. proc. § 11º (participação em rixa). M. Quintero Olivares e J. 1996. p. b) Risco de ofensa à integridade física ou perigo para terceiros. Crime de participação em rixa na deslocação para ou de espectáculo desportivo: artigo 23º da Lei nº 16/2004. sarilho. tomo II. Aranzadi. Acórdão da Relação de Coimbra de 31 de Outubro de 1996. nº 0070293.

proc. daí que não acompanhe o recurso à figura de participação em rixa. A participação em rixa exige. tendo. Na definição legal. como aquele que interveio nela depois de iniciada e ainda não terminada. não se verificando algum deles. após discussão. agindo em comunhão de esforços. 48: No crime de participação em rixa a morte e a ofensa corporal grave são meras condições objectivas de punibilidade. além do homicídio. BMJ 413. Acórdão do STJ de 29 de Janeiro de 1992. A novidade trazida pelo artigo 151º foi poder acudir àqueles casos de desordens em que. O artigo 151º contém disposições residuais em relação aos crimes de ofensas corporais e de homicídio. ou de concurso necessário. porquanto nesse caso haverá apenas um conflito recíproco e não rixa. deve entender-se que. Acórdão do STJ de 22 de Junho de 1989: Não ficou provado que tenha sido o arguido a disparar os tiros por acto voluntário seu. sob a forma de co-autoria.e perdeu a posse da faca para o arguido que.um. Direito penal. não existindo ela quando só um grupo ataca e o outro se defende. 2007 . Quanto ao crime de participação em rixa. não é co-autor do mesmo crime comum. havendo sempre que indagar em vista de saber se não existirá qualquer desses crimes. já que. como consequência a morte de uma pessoa — artigo 151º do Código Penal. não se conseguia apurar qual o autor desses crimes. Perante esta factualidade. nem tão-pouco que ele tenha querido provocar a morte do Pimenta. na coxa direita . Acórdão do STJ de 13 de Dezembro de 2001. o arguido também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa. sempre envolvido em luta com a vítima. já se estaria em comparticipação nos crimes de homicídio ou ofensas corporais — o que significa que a individualização do ou dos autores dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta impede que cada um dos intervenientes na rixa cometa em acumulação real o crime do artigo 151º. p. caso em que o da participação em rixa fica consumido. § 11º (participação em rixa). o crime não é punível. tendo ido atingir o X. não resulta que o arguido tenha previsto a morte de X. caso em que M. como consequência dos seus actos. Nota: segundo o voto de vencido. nº 01P3433. O que sucedeu é que a pistola disparou duas vezes seguidas com os movimentos de todos eles (isto é. do arguido e da vítima.— Parte especial. é essencial uma decisão conjunta e uma execução igualmente conjunta. só intervieram duas pessoas e foi possível desenhar a conduta de cada uma delas. Assim. no polegar direito e. Miguez Garcia. dada a regra da consunção. não cometeram o crime de artigo 151º os arguidos que. A expressão “quem intervier ou tomar parte em rixa” constante do artigo 151 significa que é punido tanto aquele que voluntária e conscientemente deu início à briga. O autor da morte ou das ofensas corporais graves não é punido como participante em rixa. A participação em rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. se envolveu em confronto físico com o arguido. como crime colectivo que é. resultando morte ou ofensas corporais. acabou por espetar-lha no peito.6 contendores sem que seja possível individualizar ou distinguir a actividade de cada um — não pode restringir-se a duas pessoas. a rixa é constituída pelo mínimo de três pessoas formando duas facções que reciprocamente se agridem fisicamente. dos envolvidos na desordem). além de outros resultados. a existir esse acordo. pelo menos mais 2 pessoas. p. e muito menos que se tenha conformado com a realização desse resultado. Cada participante é autor paralelo de um crime de participação em rixa. pelo que fica afastado o dolo quanto ao crime de homicídio. Acórdão do STJ de 12 de Novembro de 1997 BMJ 471. Deste modo. aquele crime consuma-se independentemente da ocorrência de algum dos referidos eventos. durante o qual aquela sofreu dois golpes . que se encontrava sentado num muro. matando-a. mas. em locais e momentos diferentes. a vítima munida de uma faca. Porto. O termo participação do artigo 151º evidencia a acção individual de cada agente. ofenderam corporalmente vários indivíduos sem que estes tivessem respondido às agressões. ficou provado que o arguido tomou parte numa violenta desordem com outras pessoas. para além do interventor. 268: na comparticipação criminosa. outro. Se.

Crimes contra a vida e a integridade física. Da participação em rixa. 114. Acórdão do STJ de 5 de Julho de 2001. M. Augusto Silva Dias. p. 466 e ss. tomo XL. resultando a morte ou ofensas corporais. 1996. pretendendo atentar contra as integridades físicas dos seus contendores.. bem sabendo da ilicitude das suas condutas. 2005. Todos aqueles que intervierem ou subsequentemente tomarem parte de uma rixa de que resultou a morte de um ou vários contendores cometem o crime de participação em rixa. que então fica consumida. Jan. respondem por ele e não por participação em rixa. I. FDUL. El delito de homicidio y lesiones en riña tumultuaria. El nuevo delito de participación con medios peligrosos en una riña confusa y tumultuaria. O artigo 151º apenas pune os intervenientes em rixa se não se provar a sua responsabilidade em crime de homicídio ou de ofensas corporais. tomo II. Direito Penal Especial.— Parte especial.. Porto. Santiago Mir Puig. 17ª ed. 71 e ss. 3ª ed. II. 1998. Wessels. provando-se qualquer destes. Set. 248: não existe uma situação de participação em rixa que possa ser enquadrada no artigo 151º. Strafrecht. 1990. Américo Taipa de Carvalho. Direito penal. Angela Salas Holgado. 454. PG. 1990. 1993. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. utilizando e verificando que eram utilizados objectos aptos a produzir lesões dos quais podiam resultar sérias consequências. Os crimes contra a integridade física na revisão do Código Penal. AAFDL. A Legítima Defesa. Strafrecht. Madrid. Código Penal. bem sabendo que se envolviam em confrontações físicas. J. Jornadas sobre a revisão do Código Penal. Miguez Garcia. BT-1. Küpper. tais como a morte. 2007 . p. Os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. quando seja possível determinar quem matou ou quem ofendeu a integridade física de modo grave. Madrid. Derecho Penal. p. Frederico Isasca. fasc. 360: A razão da previsão do crime de participação em rixa do artigo 151º do CP é a de assim poder acudir àqueles casos de desordem em que. p. não se conseguia apurar o autor desses crimes.. Acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993 BMJ 424. BT 1. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. José de Faria Costa./Abril. 2004. se actuaram livre e conscientemente. Coimbra. Rui Carlos Pereira. § 11º (participação em rixa). Susana Huerta Tocildo. p.. 1987.7 todos os intervenientes ficavam impunes. Actas e Projectos da Comissão de Revisão (acta nº 24). 1985. p. fasc. tomo XLIII. nº 1. CJ 2001./Dez.

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