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§ 11º — Crime de participação em rixa

I. — Participação em rixa: divergências jurisprudenciais
Caso nº 1

Crime de participação em rixa — artigo 151. Em Abril, numa discoteca, A envolveu-se em
desordem com Y e Z, gerente e porteiro da mesma. Num dia de Novembro seguinte, A,
acompanhado de um grupo de amigos, entrou em outra discoteca, que era então gerida pelos
mesmos Y e Z. Estava já ali alguém, que comunicou a entrada de A a Z. Habilmente, A foi
então atraído ao bar. No bar, Z perguntou a A se se lembrava da cena anterior na primeira
discoteca, altura em que X, que estava escondido, agarrou A e com a ajuda de Z arrastou-o para
a porta de emergência, empurrando-o para o exterior. Então, Q, empregado do bar, trancou a
porta e impediu que os amigos de A a abrissem, por serem essas as ordens que havia. Também
por isso, o mesmo Q ordenou a P, seu subordinado, que impedisse qualquer ligação telefónica
para o exterior e este assim fez, quando os amigos de A quiseram servir-se do telefone. No
exterior da discoteca, X, Y e Z procuravam sovar o A, desferindo-lhe murros e pontapés em
várias partes do corpo, e picando-o várias vezes com uma navalha. A, que fora campeão de
kickboxing, defendia-se com denodo. V, que entretanto chegara à discoteca, passou também a
agredir A, em conjugação de esforços e de intenções, mas não conseguindo os quatro agressores
dar conta de A, V puxou dum revólver e com ele empunhado procurou intimidar o A, enquanto
os restantes continuavam a agredi-lo, mas mesmo assim A não se intimidou e continuou a lutar.
Foi então que Z, já exausto, tirou o revólver das mãos de V e contra a vontade deste e dos
restantes agressores, com ele disparou um tiro na pessoa de A, atingindo-o de raspão na
barriga. Voltou a disparar novo tiro, apesar dos esforços dos outros por impedi-lo. Deste modo,
atingiu A no dorso, onde lhe provocou lesões determinantes de doença por 200 dias. A, que ao
volante do seu automóvel conseguiu fugir em busca de socorro, só não morreu por
circunstâncias alheias à vontade de Z. Q, logo que tudo terminou, queimou uma camisola
ensanguentada, com o intuito de iludir a actividade probatória das autoridades tendente à
recolha de indícios da responsabilidade dos agressores de A. Z, ao efectuar os disparos, admitiu
a possibilidade de, com algum deles, causar a morte de A, e conformou-se com esse resultado.
V, X e Y agiram com o propósito de maltratar e molestar fisicamente A.

Z foi condenado por homicídio voluntário na forma tentada (artigos 22º, 23º, 74º, nº 1, e
131º).
V, X e Y por co-autoria de um crime de ofensas corporais do artigo 144º.
Q pela prática de um crime de favorecimento pessoal (artigo 367º).
Sustentou-se em recurso que se verificara (também) a comissão do crime de participação
em rixa e que devia haver condenação de Q e P por cumplicidade no crime de ofensas
corporais.

1. A posição maioritária: no caso, não houve rixa; houve simples
comparticipação, na forma de co-autoria
O Supremo (acórdão do STJ de 3 de Novembro de 1994, CJ, 1994) entendeu, por maioria,
que não houve rixa. O que houve foi um acordo inicial e conjugação de esforços de X, Y e
Z para agredirem A, o que fizeram, sendo a sua acção complementada pela adesão de V
àqueles acordo e conjugação de esforços. Aqui existe simples comparticipação criminosa:
trata-se do vulgar caso de co-autoria material de quatro agressores, perfeitamente
identificados, de um crime contra as pessoas, em que o ofendido se limitou a defender-se da
agressão.

M. Miguez Garcia. Direito penal.— Parte especial, § 11º (participação em rixa), Porto, 2007

Tais atitudes. já que o conceito de “intervenção” a que o artigo se refere se contenta e fica perfeito logo que o agente “intervém" na desordem. autónomos dos atrás indicados. CJ 1993. não foram motivados pelo propósito de permitir a agressão. há pancadaria generalizada entre todos os intervenientes. A rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. Provando-se a responsabilidade de algum deles em crime de homicídio ou de ofensas corporais. e para que não ficasse totalmente impune a participação em rixa de que resultou a morte ou a ofensa corporal grave de alguém. através dessa sua intervenção.º do M. no essencial. tomo 1. com a acolhida no acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993. são perfeitamente enquadráveis no conceito de cumplicidade que nos é dado pelo artigo 27. independentemente de produzir ou não ofensas corporais ou de praticar um homicídio no decurso da mencionada refrega. por não ser possível apurar o autor da acção de que proveio esse resultado. Daí que se entenda que a individualização (no sentido de se determinar a autoria dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta) da autoria desses crimes não impede que cada um dos intervenientes na briga cometa. pois que.2 Não existindo rixa. é também necessário que o auxílio seja doloso.— Parte especial. já que a punição pela participação em rixa fica consumida pela punição deles. cometeu determinadas ofensas corporais ou homicídio. no calor de uma luta. 2. p. nela tome parte activa. As condutas voluntárias de Q de trancar a porta de emergência e impedir o acesso da mesma a clientes e de P de negar o estabelecimento de relações telefónicas com o exterior. Desta forma. coadjuvante. mas o pretender-se conseguir a punição autónoma da actuação de quem. Ao fechar a porta e ao impedir as comunicações telefónicas. responderá por estes crimes. Porto. em acumulação real. Deixa de haver aí o acontecimento mútuo e confuso entre diversas pessoas que são simultaneamente ofensoras e ofendidas. nem foram motivadas pelo propósito específico de permitir a agressão da parte dos outros. pois se demonstrou que constituíam atitudes “normais” daqueles. Se houver esse acordo. O comportamento de Q e P foi o normal nas indicadas circunstâncias. também o crime do artigo 151º. 187: os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. § 11º (participação em rixa). e exacerbadora da prática de tais ilícitos. sem que se possa determinar com precisão quem agride quem. foram de manifesto querido auxílio aos agressores e permitiram que estes mais facilmente pudessem desenvolver e prosseguir na luta com A. mas não foram indispensáveis para a realização dos actos por estes praticados. o legislador introduziu o artigo 151º. Na verdadeira rixa não se sabe bem quem ataca e quem defende. entramos no campo da comparticipação nos crimes de ofensas corporais ou de homicídio. o que é o sinal característico da rixa. no cumprimento de instruções genéricas da gerência. por ordem dos gerentes da discoteca. E também não há cumplicidade no crime de ofensas corporais por não poder excogitar-se aqui o dolo. X e Y cometeram igualmente o crime do artigo 151º. quer cometa quer não crimes. elemento essencial da cumplicidade: não basta a prestação de auxílio à prática por outrem de um facto ilícito doloso. Precisamente por isso. dar-se-ia como assente que V. 2007 . Direito penal. É uma posição que coincide. Miguez Garcia. isto é. não podem Q e P ser condenados pelo crime do artigo 151º. nem pode falar-se de cumplicidade neste crime. toma uma atitude potenciadora. nos casos em que se tornava necessário expulsar clientes briguentos do estabelecimento. desta forma. nela intervém. A posição minoritária: nada impede o concurso entre o homicídio e a rixa O objecto da incriminação não é o pretender-se punir apenas a conduta de um agente nos casos em que se não consiga determinar quem.

um prévio ou contemporâneo «espontâneo envolvimento físico» e. própria ou M. entre pessoas determinadas. solidária. Enquanto aguardavam a oportunidade. nº 2. nº 01P3433. se envolveu em confronto físico com o A.contendo o artigo 151º. como se vê. a aceitação fáctica do desafio. 2007 . em defesa da companheira. A crítica que se faz à posição maioritária é a de se traduzir numa imputação objectiva. atingindo-o a nível do tórax. que se encontrava no interior do veículo. para o vencido foi possível desenhar a conduta de cada uma delas: do arguido e da vítima. altura em que o A logrou apoderar-se da faca. e — o de corresponder a uma desordem. acabou por espetar-lha no peito. entendeu que "se. todos consumiriam. «continuou envolvido em luta» com ele. O que pressupõe. Em resumo: Verifica-se. Comentário. e continuando envolvido em luta com C. matando-a. Miguez Garcia. com quem vivia maritalmente. assim. 3. I-318) que a rixa «pressupõe um acordo expresso ou tácito (p. com armas.não se possa negar o designativo jurídico-penal típico de «participação em rixa» ao «confronto físico» e à «luta» em que arguido e vítima estiveram envolvidos. aliás. C sofreu um golpe no polegar da mão direita e um outro na coxa da perna direita. Tendo-se o A intrometido na discussão. Mas no caso. dela munido. a aceitação tácita de uma «dinâmica de escalada de ofensas corporais recíprocas». gerou-se discussão entre a companheira do A e C. deve entender-se que. Donde que . I-319/320) . § 11º (participação em rixa). mesmo depois de se apoderar da faca do adversário.. destinada a ficcionar e a presumir um culpado nos casos em que a investigação não conseguiu apurar a autoria das ofensas graves produzidas. O acórdão do STJ de 3 de Dezembro de 2001. ou o espontâneo envolvimento físico de duas ou mais pessoas na sequência de uma azeda troca de palavras ou de injúrias) nas ofensas corporais recíprocas». o A também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa. ex. que. depois. sem se conseguir determinar adequadamente quem terá sido o respectivo causador. após discussão. Direito penal. envolveu-se em confronto físico com o A. se bem que tenha sido C que («munido de uma faca») «se envolveu em confronto físico com o arguido» («na sequência». de algum modo. É certo (Taipa de Carvalho. da qual resultam consequências graves. e. Caso nº 2 A encontrava-se num parque de estacionamento juntamente com B. sempre envolvido em luta com a vítima. que a invectivou por querer abandonar o local. proc. o que pode parecer insustentável perante o claro princípio da presunção de inocência constante do nº 2 do artigo 32º da Constituição. pois que uma tal rixa não deixa de constituir uma tal situação de perigo para os bens jurídicos (vida e integridade física substancial). cumplicidade esta que se verifica em relação ao crime de participação em rixa. o A espetou-lhe a faca no peito.— Parte especial. Porto. a verdade é que este. De posse dessa faca. a existência de dois sentidos antagónicos para o termo rixa — o de corresponder a uma luta grave. obterem dinheiro para adquirirem estupefacientes. «de uma azeda troca de palavras» entre ambos). A faca atingiu o coração da vítima. a vítima munida de uma faca. durante o qual aquela sofreu dois golpes e perdeu a posse da faca para o A que. No decurso da luta. além do homicídio. A e C decidiram aguardar naquele local para ali virem a assaltar uma qualquer mulher que ali passasse para se apropriarem de objectos e valores alheios e. pelo que não há participação em rixa. As lesões traumáticas torácicas foram causa directa e necessária da morte de C. e C. «um tipo legal de crime concreto para a vida ou integridade física» e apesar de «só uma rixa grave poder constituir perigo concreto de morte ou ofensa corporal» e de «também só a participação nesta rixa preencher o tipo legal objectivo respectivo» (Comentário.3 Código Penal (prestação de auxílio material à prática por outrem de um facto ilícito doloso). E se «a única causa de justificação pensável em relação à participação em rixa é a legítima defesa. Todavia. entre ambos. Disse o Supremo na fundamentação: "também a rixa entre duas pessoas constitui um crime de perigo. C pegou numa faca.

A qualificação destes elementos como condições objectivas de punibilidade (impróprias) constitui uma cedência à responsabilidade objectiva e é de evitar.nem resulta. nunca poderá um participante na rixa exercer qualquer direito de legítima defesa. então já não haverá rixa. a rixa» (Comentário. No Código Penal. simultaneamente. já. «em relação à legítima defesa própria. A doutrina alemã ocupa-se de casos como estes acentuando que é punível como participante aquele que desiste antes de se dar a morte ou a ofensa à integridade física grave de algum dos contendores. A sustentou que tinha deixado o local antes de E ter sido ferido. BT. É uma visão das coisas que acompanha a necessidade de estabelecer uma protecção antecipada. p. Não se conseguiu apurar se isso correspondia à verdade. Um outro indivíduo. 499 e 502: III. pôs-se termo ao conflito e ao mesmo tempo apurou-se que E. Band 1. o tivesse feito no pressuposto (mesmo que errado) de que o adversário estava decidido e se preparava para o matar. I-324). enquanto não abandonar. Note-se porém o argumento da posição contrária: ao que se atende na punição é a gravidade do resultado. p. Com a chegada da polícia. Cf. um dos participantes. verificou que já havia facas desembainhadas. o artigo 151º pretende punir exactamente as denominadas vias de facto. Punibilidade de A e de R. afastou-se.que o A. Na rixa. Ao contrário. isto é. p. minimamente. II. já não será punido quem entrar depois de ocorrer a condição de punibilidade. O dolo de perigo. Segundo uma opinião. manifestamente. ao «espetar a faca de que estava munido no peito da vítima». embora se compreendam as dificuldades processuais de prova que a determinam. § 11º (participação em rixa). pois as pessoas não devem participar em rixas. uma das pessoas que por ali estavam e que se chegara para apartar alguns dos contendores. 1993. Porto. Direito Processual Penal. A presunção de perigo é deduzida de uma condição objectiva de punibilidade (morte ou ofensa corporal grave de alguém).. R. Strafrecht. Note-se que no caso não consta . agressor e agredido. M. incriminando a participação em rixa para além dos casos em que se verifique lesão corporal grave ou a morte. Acta nº 45.— Parte especial. Cf. Mas se ficam só dois. dos factos provados . 1988/89. Não se conseguiu apurar quem apunhalou esse indivíduo. Miguez Garcia. — Participação em rixa Caso nº 3 Durante uma festa ao ar livre. defendeu-se dizendo que interviera na contenda já quando E se encontrava ferido e caído no chão.4 alheia». — Indicações de leitura Artigo 302º do Código Penal: crime de participação em motim. isto é. 124. 151. qualquer dos contendores pode às tantas ficar “cansado” e retirar-se. Volker Krey. tinha sido apunhalado. Durante o inquérito. grupos de rapazes de aldeias vizinhas envolvem-se em acesa pancadaria. à existência de ofensas corporais graves ou a morte. A razão está na sua contribuição para a perigosidade da rixa que em regra se estende para além do momento da desistência. uma vez que cada um dos participantes é. Direito penal. 9ª ed. para a qual não contribuiu. Também pode acontecer que um novo interveniente se entusiasme e adira à pancadaria. Figueiredo Dias. as Actas. Rui Carlos Pereira. a participação em rixa é crime de perigo abstracto. 2007 . desistindo de continuar. Quando A.

CJ 1997. Miguez Garcia. CJ 1995. M. banzé. Valle Muñiz. M. Quintero Olivares e J. proc. é a luta tumultuária e confusa. in G.” Comentário: configura-se a "riña" como um crime de perigo concreto e simplifica-se a situação típica. Da rixa há-de resultar: a) Morte ou ofensa à integridade física dos contendores. O dolo dos participantes consiste em tomar parte no "ajuntamento" em que vão ser praticadas as violências.— Parte especial. CJ 2002. tomo I. 52: Motim é o tumulto ou desorganização ocasional da paz pública que leva colectivamente a cometimento de violência contra as pessoas ou propriedades. Acórdão da Relação de Coimbra de 31 de Outubro de 1996. desfira vários murros na cara do opositor. sem saber exactamente de quem. proc. que de algum modo mantinha vivo o intolerável espírito pragmático dos antigos delitos de homicídio ou lesões em "riña" tumultuária. Aranzadi. sarilho. que surge quase sempre de inopino. Acórdão do STJ de 11 de Abril de 2002. crime de homicídio. onde é difícil estabelecer a certeza das autorias dos ferimentos. seu pai. tomo V. com desprezo da autoridade pública. sabendo ou prevendo que elas vão ocorrer. nº 0070293. § 11º (participação em rixa). prescindindo da nota da "confusão". 381 e CJ 1996. Porto. b) Risco de ofensa à integridade física ou perigo para terceiros. p. 72: motim é uma aglomeração de pessoas com o fim de.. nº 69435. Tamarit Sumalla. A rixa no CP espanhol (art. p. e que é caracterizada pela oposição dos M. tomo IV. p. Direito penal. rolo. 18: acordo inicial e conjugação de esforços de A e B para agredirem C. Acórdão da Relação de Lisboa de 13 de Janeiro de 1999. simultaneamente. tomo III. 102 e ss. Crime de participação em rixa na deslocação para ou de espectáculo desportivo: artigo 23º da Lei nº 16/2004. p. p. 1996. Devendo definir-se rixa como a situação de conflito ou de desordem em que intervêm obrigatoriamente mais de duas pessoas. p. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Janeiro de 1997. É sururu. ser cometida violência contra pessoas ou contra a propriedade de terceiros. Acórdão de 3 de Novembro de 1994 BMJ 441. 240. dificilmente se poderá pensar em legitima defesa enquanto o participante (defendente?) não abandonar manifestamente a rixa. Comete um crime de ofensas corporais e não um crime de participação em rixa quem. fuzuê. quebra-pau. y utilizando medios o instrumentos que pongan en peligro la vida o integridad de las personas.5 Rixa à brasileira: rixa é o conflito desordenado e generalizado. Comentarios a la Parte Especial del Derecho Penal. Na participação em rixa em que cada um dos participantes é. 166: a punição de um interveniente numa rixa por autoria do crime de homicídio então por ele cometido não obsta à punição dos restantes pela prática do crime de participação em rixa. entrevero. BMJ 460. Paulo José da Costa Jr. 154): “Quienes riñeren entre sí. CJ 1996. sendo a sua acção complementada pela adesão de outros dois. tomo II. crime colectivo. p. mesmo que dele receba em troca outros tantos e ambos caiam ao chão agarrados um ao outro.). c) Alarme ou inquietação entre a população. o que fizeram. Acórdão de 16 de Outubro de 1996. p. p. agressor e agredido. com perturbação da ordem e tranquilidade públicas. após uma primeira agressão de que seja vítima. 74: Motim armado. 166: crime de participação em rixa. Acórdão da Relação de Lisboa de 4 de Julho de 2000. de 11 de Maio. Acórdão da Relação de Coimbra de 8 de Dezembro de 1995. acometiéndose tumultuariamente. que tinham como pressuposto típico a impossibilidade de conhecer o autor do facto (J. 2007 . serán castigados por su participación en la riña con la pena de prisión de seis meses a un año o multa superior a dos y hasta doce meses. Todos agridem todos e recebem pancadas.

como consequência a morte de uma pessoa — artigo 151º do Código Penal. matando-a. e muito menos que se tenha conformado com a realização desse resultado. em locais e momentos diferentes. A participação em rixa pressupõe que não há acordo ou pacto prévio entre os intervenientes. Porto. não resulta que o arguido tenha previsto a morte de X. já que. ofenderam corporalmente vários indivíduos sem que estes tivessem respondido às agressões. Acórdão do STJ de 13 de Dezembro de 2001. havendo sempre que indagar em vista de saber se não existirá qualquer desses crimes. Direito penal. O que sucedeu é que a pistola disparou duas vezes seguidas com os movimentos de todos eles (isto é. não existindo ela quando só um grupo ataca e o outro se defende. como crime colectivo que é. O autor da morte ou das ofensas corporais graves não é punido como participante em rixa. Nota: segundo o voto de vencido. 268: na comparticipação criminosa. porquanto nesse caso haverá apenas um conflito recíproco e não rixa. Na definição legal.6 contendores sem que seja possível individualizar ou distinguir a actividade de cada um — não pode restringir-se a duas pessoas. O artigo 151º contém disposições residuais em relação aos crimes de ofensas corporais e de homicídio. ficou provado que o arguido tomou parte numa violenta desordem com outras pessoas. ou de concurso necessário. durante o qual aquela sofreu dois golpes . para além do interventor. o crime não é punível. já se estaria em comparticipação nos crimes de homicídio ou ofensas corporais — o que significa que a individualização do ou dos autores dos crimes de ofensas corporais ou de homicídio que sejam cometidos durante a luta impede que cada um dos intervenientes na rixa cometa em acumulação real o crime do artigo 151º. acabou por espetar-lha no peito. não se conseguia apurar qual o autor desses crimes. p. sempre envolvido em luta com a vítima. se envolveu em confronto físico com o arguido. como aquele que interveio nela depois de iniciada e ainda não terminada. resultando morte ou ofensas corporais. só intervieram duas pessoas e foi possível desenhar a conduta de cada uma delas. é essencial uma decisão conjunta e uma execução igualmente conjunta. daí que não acompanhe o recurso à figura de participação em rixa. deve entender-se que. Assim.um. p. Acórdão do STJ de 22 de Junho de 1989: Não ficou provado que tenha sido o arguido a disparar os tiros por acto voluntário seu. no polegar direito e. sob a forma de co-autoria. tendo. na coxa direita . Quanto ao crime de participação em rixa. aquele crime consuma-se independentemente da ocorrência de algum dos referidos eventos. Acórdão do STJ de 29 de Janeiro de 1992. pelo que fica afastado o dolo quanto ao crime de homicídio. A expressão “quem intervier ou tomar parte em rixa” constante do artigo 151 significa que é punido tanto aquele que voluntária e conscientemente deu início à briga. que se encontrava sentado num muro. agindo em comunhão de esforços. 2007 . além de outros resultados. Deste modo. O termo participação do artigo 151º evidencia a acção individual de cada agente. proc. como consequência dos seus actos. A novidade trazida pelo artigo 151º foi poder acudir àqueles casos de desordens em que. 48: No crime de participação em rixa a morte e a ofensa corporal grave são meras condições objectivas de punibilidade. A participação em rixa exige. nem tão-pouco que ele tenha querido provocar a morte do Pimenta. Miguez Garcia. Cada participante é autor paralelo de um crime de participação em rixa. além do homicídio. outro. Acórdão do STJ de 12 de Novembro de 1997 BMJ 471. mas. o arguido também cometeu (embora em concurso aparente) um crime de participação em rixa. não é co-autor do mesmo crime comum.e perdeu a posse da faca para o arguido que. caso em que o da participação em rixa fica consumido. pelo menos mais 2 pessoas. não cometeram o crime de artigo 151º os arguidos que. após discussão. tendo ido atingir o X. nº 01P3433. a vítima munida de uma faca.— Parte especial. caso em que M. não se verificando algum deles. a rixa é constituída pelo mínimo de três pessoas formando duas facções que reciprocamente se agridem fisicamente. § 11º (participação em rixa). dos envolvidos na desordem). BMJ 413. Perante esta factualidade. do arguido e da vítima. a existir esse acordo. Se. dada a regra da consunção.

pretendendo atentar contra as integridades físicas dos seus contendores. José de Faria Costa. II. fasc. I. bem sabendo da ilicitude das suas condutas. resultando a morte ou ofensas corporais. 1985. Porto. 3ª ed. respondem por ele e não por participação em rixa. 466 e ss. Santiago Mir Puig. 454. Madrid. quando seja possível determinar quem matou ou quem ofendeu a integridade física de modo grave. que então fica consumida. Direito Penal Especial. J. Da participação em rixa. Direito penal. Susana Huerta Tocildo. 1998. 1990. fasc. El nuevo delito de participación con medios peligrosos en una riña confusa y tumultuaria. p. 1990. AAFDL. 360: A razão da previsão do crime de participação em rixa do artigo 151º do CP é a de assim poder acudir àqueles casos de desordem em que. tomo XLIII. 2004. M. CJ 2001. Os intervenientes numa rixa são punidos pelo simples facto de nela intervirem. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. 71 e ss. § 11º (participação em rixa)./Abril. tais como a morte... 114. Wessels. Coimbra. p.. 248: não existe uma situação de participação em rixa que possa ser enquadrada no artigo 151º. 1993. Augusto Silva Dias. não se conseguia apurar o autor desses crimes. Crimes contra a vida e a integridade física. El delito de homicidio y lesiones en riña tumultuaria. 2007 . 2005. Derecho Penal. Miguez Garcia. O artigo 151º apenas pune os intervenientes em rixa se não se provar a sua responsabilidade em crime de homicídio ou de ofensas corporais. 1996. FDUL. Código Penal. PG.7 todos os intervenientes ficavam impunes. Angela Salas Holgado. BT-1. Rui Carlos Pereira. p. Anuário de Derecho Penal y Ciencias Penales. BT 1. Jan. Küpper. p. p. Strafrecht. Frederico Isasca. A Legítima Defesa..— Parte especial. Jornadas sobre a revisão do Código Penal. Set. 17ª ed. utilizando e verificando que eram utilizados objectos aptos a produzir lesões dos quais podiam resultar sérias consequências. bem sabendo que se envolviam em confrontações físicas. provando-se qualquer destes. Todos aqueles que intervierem ou subsequentemente tomarem parte de uma rixa de que resultou a morte de um ou vários contendores cometem o crime de participação em rixa. Acórdão do STJ de 5 de Julho de 2001. 1987. Strafrecht. Actas e Projectos da Comissão de Revisão (acta nº 24). nº 1. Os crimes contra a integridade física na revisão do Código Penal. Acórdão do STJ de 4 de Fevereiro de 1993 BMJ 424. tomo XL. tomo II. Américo Taipa de Carvalho. Madrid./Dez. se actuaram livre e conscientemente. p.

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