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Estabelecimento Empresarial

Conceito
Estabelecimento empresarial é o conjunto/complexo de bens utilizados
(dedicados; afetados) pelo empresário na atividade empresarial.

Natureza Jurídica
Alguns países acreditam que a sua natureza seja de um patrimônio
separado possibilitando a figura do empresário individual com
responsabilidade limitada (não aplicável no Brasil onde o empresário
individual responde com todo seu patrimônio).

Outras teorias acreditam que o estabelecimento é uma pessoa jurídica


(inaplicável no Brasil), embora não seja uma idéia completamente absurda,
pois se assemelha à Fundação.

Muito se pensou sobre a natureza fundo de empresa (preço que se agrega


ao bem da empresa em virtude da sua produção. Ex: uma mesa e uma
mesa sendo utilizada por um aluno na universidade gerando riqueza), mas
essa idéia não vinga.

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A natureza jurídica do estabelecimento empresarial é a de


“universalidade de fato” (conjunto de bens reunidos pela vontade
do empresário para usar em sua atividade econômica). Difere das
“universalidades de direito” que surgem em virtude da lei como,
v.g, o espólio e a massa falida.

Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma
pessoa, tenham destinação unitária.

Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas
próprias.

O estabelecimento empresarial é um bem móvel (mesmo que um


bem imóvel componha parte do estabelecimento. O imóvel integra
o complexo de bens e este é móvel). Rubens Requião é o único
comercialista que não aceita que bens imóveis possam compor o
estabelecimento empresarial.

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Comentários (Sérgio Campinho)

A primeira teoria, chamada de “Rechtssub- jektivität”, criada por


Endermann, propõe gozar o estabelecimento de uma espécie de
personalidade jurídica. Para essa vertente de pensamento o
estabelecimento, uma vez criado por seu titular, viria a adquirir vida
autônoma, sendo sujeito de direito. Teoria que não é aceita pelo
ordenamento jurídico pátrio. E não poderia ser diversa a orientação. O
estabelecimento empresarial não tem personalidade jurídica. Não é ele
capaz de direito e obrigações e sim o titular dos bens, sendo este o sujeito
de direito e aquele mero objeto de direito.

A segunda teoria, também de origem germânica, é a do patrimônio


separado. Traduz-se na certeza de que o estabelecimento constitui-se um
patrimônio separado, autônomo em relação ao do empresário, respondendo
este pelas obrigações contraídas no exercício da atividade empresarial,
restando salvo o patrimônio pessoal do empresário. É a figura conhecida no
direito francês como “patrimoines d’ affectation” que, embora sem
personalidade jurídica própria, é detentora de autonomia subjetiva.

É, portanto, a figura do empresário individual de responsabilidade


limitada, que também não prospera no direito pátrio que prevê a
responsabilização total do patrimônio do empresário individual (salvo nos
casos previstos como, v.g, interdição do empresário)

A terceira corrente propõe ser o estabelecimento empresarial uma


universalidade de direito (universitas juris) o que também não é aceito
no Brasil, porquanto não tem sua existência derivada por força da lei
(como o espólio e a massa falida), mas em razão da vontade do
empresário.

Por tal motivo é que doutrina tem convergido na opinião de que o


estabelecimento empresarial constitui-se em uma universalidade
de fato (universitas facti)

Elementos
Tudo os bens de que se vale o empresário para a sua atividade

O Passivo Compõe o Estabelecimento Empresarial?


Discussão meramente acadêmica, pois as conseqüências práticas jurídicas
serão as mesmas, uma vez que, esgotado o patrimônio do devedor, o
credor poderá satisfazer seus créditos contra o adquirente do
estabelecimento comercial (sucessão empresarial) .

Proteção do Ponto Comercial


Não se confunde estabelecimento empresarial com o ponto comercial, este
é mero elemento integrante daquele.

A confusão acontece, pois a primeira proteção criada pelo direito para a


proteção do estabelecimento empresarial versou sobre o ponto comercial, a
saber: renovação compulsória do ponto comercial visando coibir o
proprietário de terreno que, vendo que o negócio do locador teve sucesso,
resolve aumentar o valor do aluguel e o ameaçava com uma ação de
despejo

O direito criou a figura da renovação compulsória que forçava a renovação


sem prejuízo ao locador

Lei 8245 – Locações


Residencial

Locação

Não Residencial

As locações podem ser de prazo determinado ou indeterminado (as


melhores para o empresário são as de prazo determinado, pois garante a
segurança de o quantum a ser investido)

Terminado o prazo determinado da locação a lei determina que a locação


passe a ter prazo indeterminado

Decreto 24.150/34 – revogado pelo art. 51 e ss da Lei


8245/91
O decreto instituiu no Brasil a lei de luvas (possibilidade de dar proteção ao
ponto comercial).

O decreto deu a possibilidade de evitar a luva.

Luvas

É uma prestação extraordinária (fora do contrato)

Ação Renovatória
Caráter notificatório

O objetivo da ação renovatória é o direito de inerência

O prazo para promover a ação renovatória é um ano até seis meses antes
do término do contrato.

Não há óbice legal para que se promova uma nova ação renovatória em
cima de outra. Há um discussão sobre essa matéria
Requisitos
Formal

O contrato deve ser escrito. Não se pode querer renovar contrato de locação
verbal.

Temporal

O prazo do contrato tenha prazo determinado de, no mínimo, cinco anos.

Obs.: Antigamente só se aceitava a renovação se o contrato estipula-se um


prazo de cinco anos ou mais. Agora se podem somar contratos com prazo
determinado. Ex: locar imóvel por três anos e depois renovar por dois anos

Material

Nos últimos três anos de contrato deve haver o mesmo ramo de atividade
(para identificação do ponto comercial)

Direito de Inerência
Direito de, preenchidos os requisitos, permanecer no local, por mais cinco
anos, pagando o preço do mercado

Retomada - Indenização
O proprietário pode sempre retomar ao imóvel, pois é de sua propriedade.

Cabe Exceção de Retomada contra Ação de Renovação

Retomando o imóvel para uso próprio não cabe indenização, entretanto se


na retomada o proprietário for explorar o mesmo ramo de atividade do
antigo locatário (ou ceder a terceiro que explore) ele deverá indenizá-lo no
valor do rendimento dos últimos cinco anos.

Cabe, também, quando o proprietário, de má fé, muda o ramo da atividade


por breve período para mais tarde retomar o ramo original.

Questão Interessante
Renovação X Retomada do Estabelecimento pelo proprietário
(cabe indenização?)

“Acerca da hipótese c, de exploração do mesmo ramo de atividade do


locatário, importa ressaltar a situação da locação-gerência, aquela que
abrange não só o imóvel, mas também um estabelecimento
empresarial nele abrigado. Se, por exemplo, um empresário,
estabelecido em prédio de sua propriedade, resolve afastar-se
temporariamente do negócio, ele pode se utilizar do mecanismo da locação-
gerência, isto é, ele pode alugar o seu imóvel a outro empresário, junto com
o estabelecimento empresarial (cf. Ripert-Roblot, 1946: 473/484). Nesse
caso, o responsável pela criação, no local, de um ponto de
referência dos consumidores não é o locatário-gerente, mas o
locador, que, antes, ali explorava a atividade. Na locação-gerência, é
cabível a ação renovatória e, entre as exceções de retomada, pode o
locador invocar sua pretensão de retomar o exercício da empresa, no
imóvel objeto de contrato. Embora o ramo de negócio seja o mesmo
que o do locatário, a indenização pela perda do ponto não é cabível,
por faltar o fundamento do enriquecimento indevido”

Fábio Ulhoa Coelho in “Curso de Direito Comercial Direito de Empresa” (v. 1,


edição 14, página 113)

Contrato de Trespasse
É o contrato de venda do estabelecimento comercial

Distinção entre trespasse e cessão de quotas


No trespasse ocorre a transferência de titularidade o que não ocorre. Na
cessão de quotas há mudança da composição social, ou seja, mera
mudança de sócio (transferência de quotas), mas o estabelecimento
continua na titularidade da pessoa jurídica, logo não há de se falar em
sucessão empresarial.

Sucessão empresarial
Trabalhista

Sucessão empresarial Tributarista

Privado

Trabalhista

O empregado pode buscar seus créditos de ambos.

Consolidação das Leis Trabalhistas

Art. 448 - A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos
respectivos empregados.

Tributarista

133 Código Tributário Nacional


Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou
estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão
social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido,
devidos até à data do ato:

I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade;

II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar
da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.

§ 1o O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial: (Parágrafo incluído pela Lcp
nº 118, de 2005)

I – em processo de falência; (Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial.(Inciso incluído pela Lcp nº 118, de
2005)

§ 2o Não se aplica o disposto no § 1o deste artigo quando o adquirente for: (Parágrafo incluído pela Lcp nº 118, de
2005)

I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou sociedade controlada pelo devedor falido ou em
recuperação judicial;(Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consangüíneo ou afim, do devedor falido ou em
recuperação judicial ou de qualquer de seus sócios; ou (Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

III – identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação judicial com o objetivo de fraudar a
sucessão tributária.(Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

§ 3o Em processo da falência, o produto da alienação judicial de empresa, filial ou unidade produtiva isolada
permanecerá em conta de depósito à disposição do juízo de falência pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data de
alienação, somente podendo ser utilizado para o pagamento de créditos extraconcursais ou de créditos que preferem
ao tributário. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

Privados

Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do
estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou
tácito, em trinta dias a partir de sua notificação.

O sucessor será responsável solidariamente quando o devedor (antecessor)


se torna inativo

Lei de Falência
Quando se compra o estabelecimento de uma sociedade em processo
falimentar não ocorre a sucessão empresarial.

Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais, promovida sob qualquer
das modalidades de que trata este artigo

II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do
devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de
trabalho.

Cláusulas de Não-Restabelecimento
Antes de 2002 se não constasse no contrato de trespasse a cláusula de
“não-restabelecimento” era de pleno direito do alienante se restabelecer. A
partir de 2002 ficou regrado que, no silêncio do contrato, o alienante não
pode se restabelecer por cinco anos.

Aviamento
Aviamento é o potencial de lucratividade da empresa

Não é, segundo Ulhoa Coelho, um dos integrantes do estabelecimento


comercial, em suas próprias palavras:

“Há autores que consideram, entre os elementos incorpóreos do


estabelecimento, o aviamento, que é o potencial de lucratividade da
empresa (por exemplo Waldemar Ferreira, 1962, 6:209). Mas não é correta
essa afirmação. Conforme destaca a doutrina, o aviamento é atributo da
empresa, e não um bem de propriedade do empresário (cf. Correia,
1973: 119 ; Ferrara, 1952: 167; Barreto Filho, 1969: 169). “

Fábio Ulhoa Coelho in “Curso de Direito Comercial Direito de Empresa” (v. 1,


edição 14, página 103)

Clientela
“Conjunto de pessoas que habitualmente consomem os produtos ou
serviços fornecidos por um empresário”

Como o aviamento também não integra o estabelecimento comercial.

O que se tem é um direito a clientela, mas não a propriedade sobre esta,


uma vez que, a clientela, nada mais é que um conjunto de pessoas, e estas
são insuscetíveis de apropriação.