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PROCESSO Nº TST-AIRR-227500-21.2000.5.02.0020

A C Ó R D Ã O 4ª Turma JOD/kfg/gms

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. FASE DE EXECUÇÃO. BEM DE FAMÍLIA. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA Nº 126 DO TST 1. Recurso de natureza extraordinária, submetido também a pressupostos intrínsecos ou específicos de admissibilidade, o recurso de revista não se compadece com o reexame de fatos e provas, aspecto em torno do qual os Tribunais Regionais do Trabalho são soberanos. 2. Inadmissível, assim, recurso de revista em que o reconhecimento de violação de dispositivo constitucional supõe necessariamente o revolvimento de fatos e provas, no caso para analisar se o imóvel efetivamente consubstancia-se bem de família. Incidência da diretriz sufragada pela Súmula nº 126 do TST. 3. Agravo de instrumento da Exequente de que se conhece e a que se nega provimento.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de

Agravo de Instrumento em Recurso de Revista n°

TST-AIRR-227500-21.2000.5.02.0020, em que é Agravante MARIA

DO CARMO GUALBERTO DE BRITO e são Agravados SEIKI KOCHI E OUTRA

e SUPERMERCADO KOTI LTDA.

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Irresigna-se a parte agravante com a r. decisão

interlocutória proferida pela Vice-Presidência do Eg. Tribunal Regional do Trabalho de origem que denegou seguimento a recurso de revista. Aduz, em síntese, que o recurso de revista merece seguimento, porquanto reúne os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 896, § 2º, da CLT. Apresentadas contraminuta e contrarrazões. Não houve remessa dos autos à d. Procuradoria-Geral do Trabalho (art. 83 do RITST). É o relatório.

1. CONHECIMENTO

Atendidos os pressupostos extrínsecos de admissibilidade, conheço do agravo de instrumento.

2. MÉRITO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO

2.1. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. FASE DE EXECUÇÃO. BEM DE FAMÍLIA. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA Nº 126 DO TST

O Eg. TRT de origem negou provimento ao agravo de petição da Exequente, ora Agravante, para manter a r. sentença que determinou o levantamento da penhora realizada sobre o imóvel do Executado, por entender que o imóvel consubstancia-se bem de família. Eis os fundamentos adotados pelo v. acórdão

regional:

Mérito

Sustenta a agravante que não há provas suficientes de que o

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imóvel penhorado seja utilizado como residência do agravado e de sua família, e tampouco, que seja seu único imóvel. Argumenta que, embora se tenha penhorado o imóvel localizado na Rua do Orfanato, 466, os documentos juntados pelo agravado para provar que se trata de bem de família, ora trazem o número 466, ora 460 casa 02, ora 450 casa 01.

Sem razão.

O senhor Oficial de Justiça, ao efetuar a penhora e avaliação

do imóvel em questão, na Rua do Orfanato, 466, certificou que o bem era ocupado pelo agravado Seiki Kochi e esposa (fls. 271), tendo intimado a esposa Thereza Kochi e nomeado

o agravado como fiel depositário naquele mesmo local (fls.

271/verso).

Não bastasse isso, as declarações de imposto de renda

juntadas pelo agravado, referentes aos exercícios de 2012 e

2013 confirmam a pesquisa realizada através da ARISP, pois,

todas indicam a existência de um único imóvel de propriedade do agravado (fls. 228/238 e 161/173).

Os documentos de fls. 42 (contrato social, datado de 04/2000),

144 (mandado de intimação da falência da executada

Supermercado Koti Ltda, de 23/03/2005) e 148 (extrato bancário, de 28/03/2011) também confirmam que o agravado reside na Rua do Orfanato, 466, ou seja, no imóvel objeto da penhora.

Ademais, como bem esclareceu o agravado em contrarrazões (fls. 300/303), a confusão com os números 460 e 466 consta, inclusive, na matrícula do imóvel (fls. 170/173). Isso porque, na verdade, a matrícula inicial (20.622) contempla um prédio de dois pavimentos, composto de loja, mezanino e residência, que recebeu os números 460 e 466, e que se situa ao lado do prédio de número 440 e 450 (fls. 170). O referido prédio de dois pavimentos era de propriedade de SEICHU KOCHI, SEIKO KOTI e SEIKI KOCHI. Na averbação R. 01/M 20.622, de 07/03/1978, referente à instituição do condomínio, constou que a loja e mezanino correspondem ao nº 460, e a residência (unidade autônoma) corresponde ao nº 466. Em 04/1978 houve o desmembramento, de modo que a unidade autônoma (residência) passou a ter a

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matrícula 21.550 (fls. 171). Em 04/1978, após o referido desmembramento, Seichu Kochi e sua esposa, bem como Seiko Koti e sua esposa transmitiram as respectivas partes no imóvel de matrícula 21.550 (residência, Rua do Orfanato, 466) a SEIKI KOCHI (agravado).

Ainda na matrícula, consta que o imóvel (prédio com 2 pavimentos, matrícula 20.622) é lançado pelo contribuinte nº 100.042.0002-1, em área maior (AV. 04/M 20.622).

A certidão de dados cadastrais do imóvel IPTU, obtida pela agravante para penhora do imóvel em questão (fls. 194), consta como contribuinte o nº 100.042.0002-1, em nome de Silvana Mitiko Koti, na Rua do Orfanato, 450/460, o que corrobora a tese do agravado de que a “confusão de numeração” ainda não foi resolvida porque o imóvel abaixo do seu (Rua do Orfanato 450/460) pertence à sua sobrinha, ou seja, as correspondências, independentemente do acerto da numeração, chegam ao destinatário correto.

Portanto, o imóvel penhorado (matrícula 21.550, 6º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo) é o único imóvel do agravado SEIKI KOCHI, no qual ele reside com sua família, consistindo bem de família. Assim, o referido imóvel é impenhorável, em conformidade com a Lei 8.009/90 e o art. 648 do CPC.

Desnecessário o registro do imóvel como bem de família, pois a Lei 8.009/90 não estabelece essa exigência.

O fato da execução se arrastar desde 2009 (fls. 156), sem êxito, não autoriza a penhora do bem de família do agravado.

O valor do imóvel (R$ 450.000,00), tendo em vista que se

localiza na cidade de São Paulo e conhecendo-se os valores de

mercado nela praticados, não denota nenhuma exorbitância, nenhuma incoerência no que tange à necessidade de também

se preservar o direito do devedor à moradia digna, em que pese a natureza alimentar do crédito exequendo.

Observa-se, ainda, que o agravado, no caso, é uma pessoa de 81 anos (fls. 225 e 227). Sua esposa Thereza Kochi tem 72 anos (fls. 226). E o filho do casal Sr. Carlos Alberto Kochi -, que

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completará 50 anos em 01/05/2015 (fls. 254), tornou-se tetraplégico, após cirurgia na coluna cervical (fls. 258/264).

Portanto, mantenho a decisão agravada.(fls. 417/419 da numeração eletrônica; grifos nossos)

Inconformada, a Exequente, ora Agravante,

sustenta que o imóvel penhorado não pode ser considerado bem

de família, pois o Executado não reside nele.

Aponta violação do art. 5º, caput, XXXV e LIV,

da Constituição Federal, bem como indica divergência

jurisprudencial.

Não lhe assiste razão.

Inicialmente, anoto que o recurso de revista

atende ao requisito previsto no art. 896, § 1º-A, I, da CLT,

concernente à exigência de demonstração do prequestionamento.

A Exequente, nas razões do recurso de revista, transcreveu,

às fls. 445/447 da numeração eletrônica, o trecho do acórdão

recorrido no qual o Eg. TRT de origem analisou a matéria

impugnada no recurso.

Trata-se, no caso em apreço, de agravo de

instrumento em recurso de revista interposto contra acórdão

regional proferido em fase de execução.

Tal situação suscita o exame, exclusivamente,

de ofensa direta e literal a norma da Constituição Federal,

nos termos do § 2º do art. 896 da CLT e da Súmula nº 266 do

TST.

Inviável, portanto, apreciar a suscitada

divergência jurisprudencial.

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Por outro lado, considero que a Exequente demonstrou de forma explícita e fundamentada a alegada violação do art. 5º, caput, XXXV e LIV, da Constituição Federal, a teor do que exige o art. 896, § 1º-A, II e III, da CLT (fls. 448/452 da numeração eletrônica). De acordo com o preceituado nos arts. 1º e 5º da Lei nº 8.009/90, para que o imóvel seja considerado bem de família, necessário que preencha os seguintes requisitos: a) nele deve residir o casal ou entidade familiar; e b) deve ser o único utilizado pelo casal ou entidade familiar para moradia permanente.

O Eg. TRT de origem, a seu turno, consignou que “o senhor Oficial de Justiça, ao efetuar a penhora e avaliação do imóvel em questão, na Rua do Orfanato, 466, certificou que o bem era ocupado pelo agravado Seiki Kochi e esposa (fls. 271),

Não bastasse isso, as declarações de imposto de renda

juntadas pelo agravado, referentes aos exercícios de 2012 e 2013 confirmam a pesquisa realizada através da ARISP, pois, todas indicam a existência de um único imóvel de propriedade do agravado(fl. 417 da numeração eletrônica; grifos nossos). Dessa forma, concluiu que o imóvel penhorado (matrícula 21.550, 6º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo) é o único imóvel do agravado SEIKI KOCHI, no qual ele reside com sua família, consistindo bem de família. Assim, o referido imóvel é impenhorável, em conformidade com a Lei 8.009/90 e o art. 648 do CPC” (fl. 418 da numeração eletrônica; grifo nosso).

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Nesse contexto, para se chegar a conclusão diversa, far-se-ia necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório, a fim de aferir se o imóvel objeto do litígio efetivamente consubstancia-se bem de família, nos termos da Lei nº 8.009/90, o que é inviável nesta instância recursal, conforme entendimento consolidado na Súmula nº 126 do TST.

Emerge, assim, em óbice à admissibilidade do recurso de revista que se visa a destrancar, a diretriz perfilhada na Súmula nº 126 do TST. Em decorrência da conotação fática delineada no v. acórdão recorrido, resulta prejudicado o exame da violação dos dispositivos constitucionais apontados. Ante o exposto, nego provimento ao agravo de

instrumento.

ISTO POSTO ACORDAM os Ministros

do

Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, negar provimento ao agravo de instrumento da Exequente.

da Quarta Turma

Brasília, 06 de abril de 2016.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)

JOÃO ORESTE DALAZEN

Ministro Relator

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