Você está na página 1de 6

Exemplo de conjunto plano uniforme

J. R. Souza – UERJ

Consideremos a parte central de um conjunto plano uniforme, como ilustrado na Figura 1.

z I 4 d x I 2 I 1 d y
z
I 4
d x
I 2
I 1
d y

x

I 3

y

Figura 1: Parte central de um conjunto plano uniforme.

As correntes guardam defasagens progressivas x e y nas direções x e y, respectivamente; ou seja,

(1.1) e (1.3) permitem que escrevamos:

(1.1)

(1.2)

(1.3)

(1.4)

(2.1)

(2.2)

Para calcular o campo distante total radiado pelas quatro fontes pontuais, consideremos que o campo distante radiado por uma fonte pontual isolada, excitada por uma corrente 1 I f = â z I f e posicionada na origem do sistema de coordenadas é dado por:

(3)

onde k é o número de onda, â é o vetor unitário na direção e r, a distância entre o observador e a origem do sistema de coordenadas.

Sem perda de generalidade e para simplificar os cálculos, assumamos d x = d y = 2d.

Consideremos, inicialmente, as fontes 1 e 2, como indicado na Figura 2. Na região de campo distante, as distâncias entre o observador e as fontes 1 (r 1 ) e 2 (r 2 ) podem ser aproximadas como:

(3.1)

(3.2)

1 Neste texto, grandezas vetoriais são representadas por letras em negrito; o vetor unitário na direção p é representado como â p .

onde y é o ângulo entre as direções â r e â y , e r’ é a distância entre o observador e o ponto médio entre as fontes 1 e 2, como indicado na Figura 2.

z r r 2 r’ r 1 y d I 2  y I 1
z
r
r
2
r’
r 1
y
d
I 2
 y
I 1
2d

x

Figura 2: Geometria para cálculo dos campos radiados pelas fontes 1 e 2.

Seja E a o campo total radiado pelas fontes 1 e 2. Usando (3), observamos que este campo também terá a direção :

com

onde (2.1) foi usada para reescrever I 2 .

(4.1)

(4.2)

Com a substituição de (3.1) e (3.2) em (4.2), E a fica escrito como:

ou

de (3.1) e (3.2) em (4.2), E a fica escrito como: ou ( 5 . 1

(5.1)

(5.2)

Sejam h = 2d e y = 2kdcosy + y = khcosy + y . Com isto, (5.2) é reescrita como:

 
 

2 /2

(6)

Consideremos, agora, os campos radiados pelas fontes 3 e 4; para calculá-los, faremos uso da geometria ilustrada na Figura 3.

Na região de campo distante, as distâncias entre o observador e as fontes 3 (r 3 ) e 4 (r 4 ) podem ser aproximadas como:

"

(7.1)

"

(7.2)

r” r r 4 z r 3 2d I 4 I 3 d  y
r”
r
r
4
z
r 3
2d
I 4
I 3
d
 y
y

x

Figura 3: Geometria para cálculo dos campos radiados pelas fontes 3 e 4.

Com o uso de (3), observamos o campo total radiado pelas fontes 3 e 4, E b , também terá a direção :

com

onde (1.2) foi usada para escrever .

Usando (7.1), (7.2) em (8.2), E b fica escrito como:

ou

" " " " "
" "
"
"
"

(8.1)

(8.2)

(9.1)

(9.2)

Usando h = 2d e y = khcosy + y , (9.2) é reescrita como:

  " "
 
"
"

"

"

2 /2

(10)

O campo distante total radiado pelas quatro fontes pontuais é dado pela soma dos campos E a , dado por (6), e E b , dado por (10):

com

ou

"

2 /2

"

2 /2

2

/2

"

"

(11.1)

(11.2)

(11.3)

(2.2) permite escrever I 3 em função de I 1 ; fazendo isto, (11.3) passa a:

ou

2

"

"

2 /2

"

"

 

(12.1)

(12.2)

Agora, é conveniente escrever as distâncias r’ e r” em função de r, o que pode ser feito sem dificuldade com a ajuda da Figura 4:

onde x é o ângulo entre â r e â x .

" r z r” r’ y  x d d x
"
r
z r”
r’
y
 x
d
d x

(13.1)

(13.2)

Figura 4: Geometria para escrever r’ e r” em função de r.

Substituindo (13.1) e (13.2) em (12.2), o campo total é escrito como:

ou

2 /2

/2

(14.1)

(14.2)

Usando h = 2d e definindo x = khcosx + x , (14.2) fica escrita como:

Finalmente,

/2

(15.1)

2 /2 2 /2

(15.2)

Os termos multiplicativos entre colchetes são facilmente identificados como os fatores de conjunto de conjuntos colineares ao longo dos eixos y (AF y ) e x (AF x ), respectivamente:

2 /2 / ,

/

2 /2 / ,

/

(16.1)

(16.2)

Vale lembrar que y é o ângulo entre â r e â y , e x é o ângulo entre â r e â x . Portanto,

·

·

(17.1)

(17.2)

O fator de conjunto do conjunto plano é dado pelo produto de (16.1) e (16.2):

AF = AF y AF x = 4 /2 /2

(18.1)

Com isto, o campo total, dado por (15.2), pode ser escrito como:

ou

(19.1)

(19.2)

Em (19.1) e (19.2), as distâncias são medidas em relação à origem; portanto a referência de fase de AF

é a origem. E 0 é interpretado como o campo distante radiado por uma fonte isolada, posicionada na referência de fase (origem) e excitada pela corrente de referência. (19.1) revela que a corrente de referência é:

(20)

I 0 está relacionada às correntes de referências associadas aos conjuntos colineares ao longo dos eixos y e x. Para determinar esta relação, consideremos, primeiro, o conjunto ao longo do eixo x, ilustrado na Figura 5.

z y d d x I 3 I 1 = I 3
z
y
d
d
x
I 3
I 1 = I 3

Figura 5: Conjunto colinear uniforme ao longo do eixo x.

Tomando a origem (ponto médio) como referência de fase, a corrente de referência para este conjunto deve ser:

/

(21.1)

Como , I 0x pode ser reescrita como:

/

(21.2)

Consideremos, agora, o conjunto ao longo do eixo y, ilustrado na Figura 6.

z d d y I 2 I 1 = I 2
z
d
d
y
I 2
I 1 = I 2

x

Figura 6: Conjunto colinear uniforme ao longo do eixo y.

Tomando a origem (ponto médio) como referência de fase, a corrente de referência para este conjunto deve ser:

/

(22.1)

Como , I 0y pode ser reescrita como:

/

(22.2)

Portanto, a corrente de referência para o conjunto plano, dada por (20), pode ser reescrita como:

(23)

Vale lembrar que I 1 foi a corrente usada para expressar I 0x e I 0y . A corrente I 0 também pode ser interpretada como a corrente I 1 acrescida das fases de I 0x e I 0y em relação à própria I 1 .