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curso de extensão em desenvolvimento da gestão estratégica Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira
curso de extensão
em desenvolvimento
da gestão estratégica
Planejamento,
Gestão Orçamentária
e Financeira
 
 

Módulo 5

  Módulo 5
em desenvolvimento da gestão estratégica Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira   Módulo 5
em desenvolvimento da gestão estratégica Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira   Módulo 5
em desenvolvimento da gestão estratégica Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira   Módulo 5

universidade de BrasÍlia

Reitor Ivan Marques de Toledo Camargo

Vice-reitora Sônia Nair Báo

mte – ministério do traBalHo e emPrego

Coordenador Geral de Recursos Humanos Luiz Eduardo Lemos da Conceição

Coordenadora de Capacitação, Avaliação, Cargos e Carreiras Maria Aparecida Fernandes de Araújo

Chefe da Divisão de Capacitação Bianca Pereira Barbosa

Administrador Ione Fonseca de Queiroz Andrade Robson Fernandes Mota

centro de educaÇão a distÂncia – unB

Diretora Profa. Dra. Wilsa Maria Ramos

Coordenadora da Unidade de Pedagogia Simone Bordallo de Oliveira Escalante

Coordenador do Curso Edgar Reyes Junior

Gestora Pedagógica Lívia Veleda de Sousa e Melo

Gerente do Núcleo de Produção de Materiais Didáticos e Comunicação Jitone Leônidas Soares

Gerente do Núcleo de Tecnologia Wesley Gongora

Apoio a Gestão de Ambiente Virtual de Aprendizagem Marcia Veiga de Leite Ribeiro Melo

Revisora de texto Consuelo Martins César Cordeiro

Design Instrucional Sandra Dutra Simone Bordallo de Oliveira Escalante

Ilustrador Philippe Alves Lepletier

Projeto gráfico e diagramação Carla Clen

Web designer Diogo Saúde de Araújo Ottoni Gabriel Cavalcanti

Desenvolvedor de personagem animado Cristiano Alves de Oliveira

Conteudistas do material didático Francisco Antonio Coelho Junior Luciana de Oliveira Miranda Gomes Marina Figueiredo Moreira Patrícia Guarnieri Trajano Augustus Tavares Quinhoes Ricardo Corrêa Gomes Ricardo Miorin Gomes Welles Matias de Abreu

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica PLANEJAMENTO, GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA Módulo

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica

PLANEJAMENTO, GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA

Módulo 5

Autor Responsável: Ricardo Corrêa Gomes Autor Colaborador: Welles Matias de Abreu

Brasília - DF

Agosto/2015

súmario

1. Noções de Planejamento Estratégico

1.2 Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento (SIGPlan)

8

15

2. Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal

21

3. Tipos de Orçamento

24

4. Funções do Orçamento

28

5. Princípios Orçamentários

30

5.1. Clássicos

31

5.2. Princípios Orçamentários Modernos

34

6. Aspectos Legais relacionados ao Orçamento

35

6.1. O Plano Plurianual (PPA)

36

6.2. Lei De Diretrizes Orçamentárias (LDO)

37

6.3. Lei Orçamentária Anual (LOA)

37

7. Classificação da Despesa Orçamentária

38

7.1. Programação Qualitativa

38

7.2. Programação Quantitativa

41

8. Alterações Orçamentárias

46

8.1. Créditos Adicionais

47

8.2. Origens de Recursos para Créditos Suplementares e Especiais

48

9. Integração Orçamentária e Financeira

51

9.1. Estágios da Despesa

51

9.2. Restos a Pagar

52

10. Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento - SIOP

54

Referências:

57

Lista de Figura

Figura 1: Formulação de Estratégia (Planejadores, Planos e Planejamento)

9

Módulo

5

uma palavrinha inicial
uma palavrinha inicial

Seja bem-vindo à primeira unidade deste módulo de Planejamento e Gestão Orçamentária. Nesta parte, você conhecerá temas sobre planejamento estratégico aplicado ao setor público. Este módulo é formado por duas seções: Planejamento governamental

e Orçamento público. Nossa unidade explora a funcionalidade do Planejamento como

ferramenta para as organizações públicas, demonstrando o histórico de utilização no Brasil ao longo das últimas décadas.

Posteriormente, você conhecerá temas ligados à gestão orçamentária e financeira. Esta unidade é formada por seis seções. A primeira seção de nossa unidade, Introdução ao Estudo do Orçamento Público, será iniciada com uma definição de orçamento. Na sequência, serão apresentados os princípios e as classificações orçamentárias, além do processo orçamentário no Brasil. Você conhecerá, ainda, o orçamento-programa e o orçamento base-zero.

Na segunda seção de nossa unidade, O Orçamento na Constituição Federal de 1988,

você conhecerá a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual. Na terceira seção, O Ciclo Orçamentário, você conhecerá as etapas que compõem a elaboração das leis orçamentárias brasileiras: elaboração, tramitação, discussão, votação, aprovação, sanção e veto. Por fim, você conhecerá o Sistema Integrado de Dados Orçamentários (SIDOR). Na quarta seção, você conhecerá em detalhes a Lei de Responsabilidade Fiscal

e a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Na quinta seção da unidade, Execução Orçamentária e Financeira, você conhecerá as atividades diárias das Secretarias de Planejamento, Orçamento e Administração. Você compreenderá a programação financeira e sua elaboração, assim como a programação orçamentária e sua execução.

Na sexta e última seção da unidade, Necessidade de Financiamento do Setor Público e Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, você conhecerá os critérios de apuração do deficit público, além do histórico, implantação e amplitude do SIAFI.

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

Ao

final desta unidade, você deverá ser capaz de:

ƒ

identificarafunçãodoPlanejamentoestratégicoemorganizaçõesgovernamentais;

ƒ

reconhecer diferentes momentos históricos do Planejamento no Brasil;

ƒ

identificar os princípios e classificações orçamentárias;

ƒ

compreender o processo orçamentário brasileiro;

ƒ

identificar as funções e os principais conteúdos da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual;

ƒ

reconhecer as etapas do Ciclo Orçamentário brasileiro;

ƒ

identificar as funções e os principais conteúdos da Lei de Responsabilidade Fiscal;

ƒ

reconhecer a programação e a execução financeira e orçamentária;

ƒ

identificar os critérios de apuração do deficit público brasileiro;

ƒ

reconhecer a função e amplitude do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal.

O

curso de gestão orçamentária (30h) é estruturado em dez tópicos (itens)

consecutivos e concatenados em função da perspectiva complementar e integrada dos conteúdos. Nesse sentido, apresenta-se a seguir o sumário:

7

Módulo

5

1. noções de Planejamento estratégico
1. noções de Planejamento estratégico

Para Mintzberg (2004; 2008), estratégia pode ser definida como plano, padrão, posição e perspectiva, e a formulação de estratégia, como um processo de planejamento, idealizado ou apoiado por planejadores, a fim de produzir planos, ou seja, pode-se planejar (considerar seu futuro) sem se engajar em planejamento (procedimento formal) mesmo sem produzir planos (intenções explícitas).

Os planejadores podem fazer tudo isso ou apenas parte, às vezes nada disso, mas – mesmo assim – ainda seriam úteis. Já planejamento é pensar no futuro, controlar o futuro, tomada de decisão, tomada de decisão integrada e procedimento formal para produzir um resultado articulado, na forma de um sistema integrado de decisões. Enquanto que planejar é coordenar suas atividades, assegurar que o futuro seja levado em consideração, ser racional e controlar (ABREU e GOMES, 2010).

para cada vantagem associada à

estratégia, há uma desvantagem associada”. As vantagens e desvantagens do processo de formulação de estratégias são apresentadas na tabela 1, nos remetendo aos cuidados necessários durante a formulação de uma estratégia.

Segundo Mintzberg (2000, p. 22), “[

]

tabela 1 - vantagens e desvantagem para cada estratégia Formulada

aÇão

estratégica

Fixa a direção

Focaliza o

esforço

Define a

organização

Provê

consistência

vantagem

Mapear o curso de uma organização para que ela navegue coesa através do seu ambiente.

Promover a coordenação das atividades.

Promover a coordenação das atividades.

Entender sua organização e distingui-la das outras.

Entender sua organização e distingui-la das outras.

Reduzir a desigualdade e prover a ordem.

Reduzir a desigualdade e prover a ordem.

desvantagem

Pode constituir um conjunto de antolhos para ocultar perigos em potencial, ou seja, às vezes é melhor se movimentar devagar, com algum cuidado, para se adaptar às novas realidades que surgem a qualquer momento.

O excesso de foco pode ofuscar a visão periférica e, consequentemente,criar dificuldades para abrir novas possibilidades.

O excesso de foco pode ofuscar a visão periférica e, consequentemente,criar dificuldades para abrir novas possibilidades.

Pode ter excesso em simplificações, surgindo estereóti- pos, perdendo assim a rica complexidade do sistema.

Pode ter excesso em simplificações, surgindo estereóti- pos, perdendo assim a rica complexidade do sistema.

Perda de criatividade, uma vez que estratégias e teorias são apenas representações (abstrações) da realidade; nesse sentido, cada estratégia pode ter um efeito e informação falsa ou distorção.

(abstrações) da realidade; nesse sentido, cada estratégia pode ter um efeito e informação falsa ou distorção.

Fonte: Mintzberg (2000, p. 22).

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

Agora, pense no seguinte:

o que é necessário à operacionalização do Planejamento estratégico?

Além do compromisso social de realizar programas de interesse da população, as organizações governamentais devem estar sempre prontas para se adaptar a um sistema econômico e social em contínua mudança. Para tanto, um planejamento estratégico em nível federal deverá envolver o desenvolvimento de novos sistemas de políticas públicas e de gestão orçamentária, além de investimentos em capital humano e tecnológico, elementos imprescindíveis ao processo de modernização do aparelho do Estado.

método do Planejamento estratégico

Podemos dizer que o Planejamento estratégico, em nível federal no Brasil, envolve:

ƒ o estabelecimento de objetivos a serem alcançados;

ƒ a identificação dos meios (recursos humanos, materiais, financeiros);

ƒ a identificação do ambiente (político, econômico, social);

ƒ a definição das dificuldades a serem enfrentadas;

ƒ o monitoramento e a avaliação dos programas e das atividades a serem desen- volvidas.

O Brasil, como qualquer outro país, precisa de um projeto de futuro para que se possa sonhar e, também, poder estabelecer vínculos entre as ações presentes e as do futuro que se deseja rumo ao desenvolvimento pleno (SICSÚ, 2008). Para isso, os planejadores, os planos e o planejamento são peças vitais para a formulação do mencionado projeto e estão no contexto da formulação de estratégia, que é apresentada na Figura 1.

Figura 1: Formulação de estratégia (Planejadores, Planos e Planejamento)

Insumos ao Processo (Planejadores e Planos)

Formulação de Estratégia
Formulação de
Estratégia

Suporte ao Processo (Planejadores)

Resultados do Processo (Planejamento, Planos e Planejadores)

Fonte: Mintzberg (2004, p. 263).

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Módulo

5

Módulo 5 vocÊ saBia? O planejamento governamental brasileiro é elaborado com base em orientações contidas em

vocÊ saBia?

O planejamento governamental brasileiro é elaborado com base em orientações contidas em um documento denominado “Di- mensão Estratégica”.

Você pode acessar o referido documento em:

curiosidade

Sobre os planejadores, destaca-se o estudo das interações entre as teorias do regime, da ação comunicativa e do planejamento emancipatório como maneira de explicar as relações entre os planejadores e a governança (ver tabela 2), utilizando as perspectivas do poder da criação de redes de relacionamentos, o conhecimento emancipatório, o empoderamento subjetivo e o espaço de solidariedade existente (IRAZÁBAL, 2009).

tabela 2 - Poder, conhecimento, subjetividade e espaços

 

aÇão comunicativa

 

PlaneJamento

teoria do regime

emanciPatÓrio

Poder

Poder de rede de relacionamentos, capital social.

Poder preventivo, sistemático de ação recíproca.

Poder de rede de relacionamentos.

conhecimento

Aprendizado social.

Defesa de conhecimento situacional.

Conhecimento

emancipatório.

subjetividade

Ensaiada, em evolução.

Escolha racional, estratégia de interesse pessoal.

Empoderamento, aplicar subjetivamente, respeito às diferenças.

espaço

Sem restrição específica de espaço.

Manipulação do espaço pela comodidade.

Espaços de solidariedade, promoção do espaço de justiça.

Fonte: Irazábal (2009, p. 129).

Segundo Abreu e Gomes (2010), especificamente quanto ao planejamento emancipatório, destacam-se as características políticas, de espécies, de processo, os objetivos e os conflitos dos planejadores para cada tipo: tradicional, democrático, equitativo e incremental, que são apresentadas na tabela 3.

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

tabela 3 - características dos Planejadores por tipo

caracterÍsticas

 

tiPos de PlaneJadores

 

tradicional

democrÁtico

eQuitativa

incremental

teoria Política

Tecnocracia.

Democracia.

Socialista.

Liberal.

espécies de

Planejadores

A

sociedade.

Planejadores e

Formadores de políticas (vantagens marginais no curto prazo).

Planejadores

especialistas.

 

comunidade das

minorias.

tipo de Processo

De cima para baixo.

Participativo.

De baixo para cima ou representativo.

Decisões

marginais.

objetivos

Racional e

O

processo é mais

Os resultados são mais importantes que o processo.

Pouco planejamento ou incremento por mudança de políticas.

Planejamento

importante que os resultados.

Científico.

conflitos

Os planejadores buscam resultados de interesse geral respaldados pelas classes altas.

Dificuldade de ter uma democracia genuína sem a representação dos interesses dos grupos de minoria.

O planejamento equitativo nem sempre é democrático.

Os fins e os meios não são formulados, então os tomadores de decisão podem não trabalhar os meios para atingir as metas sociais desejáveis. Estratégias para suportar, mas não para resolver os problemas.

Fonte: Irazábal (2009, p. 131).

Partindo do pressuposto de que o processo orçamentário corresponde com a própria formulação de estratégia para o desenvolvimento, apresenta-se, a seguir, o Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal que dá o suporte a esse processo.

Breve histórico do planejamento no Brasil

O planejamento público no Brasil remonta à década de 1940, o que, de alguma forma, demonstra a tradição do nosso país nessa área. Em termos históricos, destacaremos os acontecimentos mais importantes na evolução do planejamento.

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Módulo

5

f 1947 - Plano salte (saúde, alimentação, transporte e energia)

Primeiro ensaio de planejamento econômico no Brasil que ocorreu durante o governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1950). Dava prioridade às áreas de saúde, alimentação, transporte e energia, com financiamento por meio de recursos fiscais (receitas federais)

e empréstimos externos.

Em matéria de planejamento estratégico, o Plano Salte encontra sua importância mais no pioneirismo e na tentativa de desenvolver um planejamento governamental do que em função de seus resultados práticos.

A lei que instituiu o Plano Salte determinou a inclusão no orçamento da União, nos exercícios de 1950 e 1951, de dotações suficientes para sua execução. Porém, a partir de 1951, o Plano foi abandonado e deixou incompleto o projeto de desenvolvimento previsto, sendo o seu legado mais conhecido a construção da Via Dutra.

f 1951 – comissão mista Brasil-estados unidos

Criada durante o segundo governo Getúlio Vargas (1951-1954), vinculada ao plano americano de ajuda técnica para defesa, educação, saúde, agricultura e planejamento econômico aos países subdesenvolvidos, mostrou-se importante para a tomada de consciência em relação aos problemas econômicos nacionais. Motivou a criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), com o objetivo de fomentar o desenvolvimento de setores básicos da economia brasileira, nos setores público e privado.

f 1956 – Plano de metas

Foi elaborado durante o governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), a partir de estudos do grupo CEPAL-BNDE, representando a primeira tentativa de submeter o desenvolvimento global do país a uma supervisão sistemática do Poder Público.

Teve como alvo os setores de energia e transporte, a indústria intermediária (siderurgia, cimento, papel), as indústrias produtoras de equipamentos (automobilística, naval e bens de capital) e culminou na construção de Brasília.

f 1967 – decreto-lei nº 200

Organizou a orçamentação pública e instituiu a delegação de autoridade, a coorde-

nação e o controle na Administração Pública. Promoveu a descentralização administrativa

e a expansão da administração indireta (sociedades de economia mista, empresas públi-

cas, fundações públicas e autarquias), favorecendo o desenvolvimento de uma burocracia

estatal qualificada, coexistente com o núcleo tradicional da administração direta.

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f 1972-1974 – i Plano nacional de desenvolvimento (Pnd)

Os programas nacionais de desenvolvimento tiveram início no governo Emílio Médici (1969-1974), marcando a fase conhecida como “milagre brasileiro”, que se caracterizou pelo crescimento econômico acelerado, grande afluxo de capitais externos e pela substituição de importações. A marca registrada do I PND é a realização de grandes projetos de integração nacional e expansão das fronteiras de desenvolvimento.

f 1975-1979 – ii Plano nacional de desenvolvimento (Pnd)

Ocorrido durante o governo Ernesto Geisel (1974-1979), o II PND enfatizou o investimento em indústrias de base e a busca da autonomia em insumos básicos.

Buscou solução para o problema energético nacional por meio do estímulo à pesquisa de petróleo, do programa nuclear, do programa do álcool e da construção de grandes usinas hidroelétricas, por exemplo, a usina de Itaipu.

f 1988 – reforma constitucional

A Constituição Federal de 1988 criou o Plano Plurianual (PPA) como principal instrumento de planejamento de médio e longo prazo no setor público brasileiro

(incluindo União, Estados e Municípios). O primeiro PPA, para o período 1991- 1995, foi elaborado com o objetivo de cumprir a exigência constitucional, mas foram necessários 10 anos para que o PPA se tornasse um plano estratégico no que se refere às políticas públicas. Ressaltamos que a Constituição de 1988 criou também a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

f decreto nº 2.829 de 1998

Este instrumento constituiu a base legal para a reestruturação de todas as ações finalísticas do Governo Federal. A partir da edição do Decreto nº 2.829/1998, o programa passou a ser a forma básica de integração entre planos e orçamentos, sendo criada, ainda, a figura do gerente de programa, além da avaliação anual do PPA.

f Plano Plurianual 1996-1999

Com o Plano Real editado, em 1994, o Brasil passou a um processo de estabilidade econômica, o que facilitou a retomada do planejamento governamental.

Elaborado no primeiro mandato do governo de Fernando Henrique Cardoso, o PPA introduziu novos conceitos no planejamento federal: os eixos de integração e desenvolvi- mento como referência espacial do desenvolvimento, e os projetos estruturantes, espe- ciais para as transformações desejadas nos ambientes econômico e social.

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Módulo

5

Já o Programa Brasil em Ação agregou ao PPA o gerenciamento de empreendimentos estratégicos.

f lei de responsabilidade Fiscal (lrF 2000)

A LRF, de maio de 2000, modificou a sistemática de elaboração da LDO e da LOA,

sendo que as mudanças previstas no PPA sofreram veto presidencial. No entanto, a LRF criou mecanismos que tornaram obrigatória a elaboração do PPA em todos os entes públicos, a partir da exigência da inclusão no PPA das chamadas “despesas obrigatórias de caráter continuado”.

Além disso, a LRF passou a exigir dos entes públicos a elaboração de metas fiscais que devem ser apresentadas em audiências públicas nas três casas legislativas – Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores.

f

Plano Plurianual 2000-2003

O

PPA 2000-2003, chamado Avança Brasil, trouxe mudanças de impacto no sistema

de orçamento e planejamento federal, introduzindo na administração pública a gestão por resultados. Essas mudanças ocorreram a partir da evolução do programa Brasil em Ação que, entre outras medidas, empregou um sistema de informações gerenciais na gestão pública, o controle do fluxo financeiro e a gestão de restrições.

f

Plano de aceleração do crescimento (Pac 2007)

O

Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo Governo Federal em

janeiro de 2007, prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões, até 2010, em infraestrutura:

estradas, portos, aeroportos, energia, habitação e saneamento. O objetivo é destravar

a economia e garantir uma meta de crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano.

Durante sua execução, o PAC deverá ser acompanhado por um Comitê Gestor formado pelos ministros da Casa Civil, do Planejamento e da Fazenda.

Todas as ações e medidas incluídas no PAC foram definidas de modo a compatibilizar

a aplicação dos recursos com a manutenção da responsabilidade fiscal e a continuidade da redução gradual da relação dívida do setor público/PIB nos próximos anos.

As ações do Governo Federal estão resumidas em medidas provisórias, projetos de lei complementares, projetos de lei e decretos, que necessitarão de aprovação da Câmara e do Senado.

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

1.2 sistema de informações gerenciais e de Planejamento (sigPlan)

O SIGPlan é o instrumento que organiza e integra a rede de gerenciamento do

Plano Plurianual (PPA). Ele foi concebido para apoiar a execução dos programas, refletindo

as características do modelo de gerenciamento, que são as seguintes:

ƒ

a orientação por resultados;

ƒ

a desburocratização;

ƒ

o uso compartilhado de informações;

ƒ

o enfoque prospectivo;

ƒ

a transparência.

O

endereço do SIGPlan na Internet é: <http://www.sigplan.gov.br>. Para ter aces-

so ao conteúdo do SIGPlan, é preciso primeiro fazer o download da ficha de cadastro, preenchê-la de forma completa, indicando o nível de acesso desejado e encaminhá-la por e-mail. Após o processamento da solicitação, o interessado receberá um login e uma senha por e-mail para acessar o sistema.

O SIGPlan trabalha com perfis de acesso para seus usuários, por meio dos quais

é feito o controle de quais módulos e funcionalidades podem ser acessados para visuali- zação e alteração de dados, seguindo a lógica do Modelo de Gestão do PPA.

O SIGPlan é composto por módulos e funcionalidades para apoiar a gestão do Pla-

no Plurianual. Tais módulos e funcionalidades estão organizados em três menus:

menu informações gerenciais – Agrega os módulos e as funcionalidades de mo- nitoramento e avaliação do PPA.

menu Planejamento – Agrega os módulos e as funcionalidades de elaboração e revisão do PPA.

menu serviços – Agrega os módulos e as funcionalidades de apoio ao gerencia- mento e administração do Sistema, bem como do cadastro de usuários.

O SIGPlan constitui, portanto, uma importante ferramenta de apoio à gestão dos

programas do PPA, sendo o elo fundamental entre o programa, o gerente e os demais agentes envolvidos na execução das ações de Governo.

Como meio de comunicação e integração, fornece aos gerentes, executivos e coor- denadores de ação os meios necessários para articular, acompanhar e controlar a exe- cução dos programas, propiciando uma visão global da execução do PPA por meio de informações atualizadas sobre a evolução física e financeira dos programas.

15

Módulo

5

características do sigPlan

Entre as características mais importantes desse sistema de informações geren- ciais, destacam-se:

o acompanhamento da execução Física em “tempo real” – por meio do SIGPlan,

a administração pública federal pode realizar um efetivo gerenciamento das ações gover- namentais, em particular no que diz respeito ao desempenho físico.

a gestão de restrição – possibilita ao gerente a antecipação e sistematização

das restrições, o que facilita a mobilização e a busca de soluções por parte do governo e

seus parceiros, permitindo o compartilhamento na solução das restrições.

Entende-se por restrição todo problema que possa impedir ou prejudicar a execu- ção de uma ou mais ações do programa.

a integração de informações – a base de dados do SIGPlan contém informações

sobre a execução das ações, seu gerenciamento e monitoramento, e informações orça- mentárias e financeiras sobre cada programa, sendo composta de dados provenientes de diversas fontes, das quais destacam-se:

ƒ dados de programas e ações da base de dados do Plano Plurianual (PPA);

ƒ dados gerenciais fornecidos pelos gerentes de programas;

ƒ dados físicos, situação atual e restrições e providências, fornecidos pelos coor- denadores de ação;

ƒ dados do Sistema Integrado de Dados Orçamentários (SIDOR);

ƒ dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI);

ƒ dados do Sistema de Informação das Estatais (SIEST).

O Módulo de Monitoramento do SIGPlan é carregado anualmente com os progra- mas e as ações que serão objeto de gerenciamento e acompanhamento pelos diversos atores envolvidos na Gestão do Plano Plurianual.

Essa base de informações do Módulo de Monitoramento do SIGPlan contém:

ƒ a Lei Orçamentária Anual completa, com todos os seus programas, ações e localizadores de gasto;

ƒ as ações não orçamentárias previstas no Plano Plurianual (PPA);

ƒ os Restos a Pagar de Exercícios Anteriores;

ƒ os Créditos Orçamentários abertos ou reabertos no exercício atual.

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

Planos gerenciais

Os Planos Gerenciais dos programas que integram o Plano Plurianual 2004-2007 estão regulamentados pela Lei nº 10.933, de 11 de agosto de 2004, e estabelecidos pelo Decreto nº 5.233, de 06 de outubro de 2004.

O Plano Gerencial auxilia os processos decisórios do Gerente de Programa e dos

Coordenadores de Ação, orientando a implementação e o monitoramento dos Programas, definindo compromissos entre os diversos atores que interagem para o alcance de seus objetivos, além de auxiliar nos processos de Avaliação e Revisão anual do Plano Plurianual.

O Plano Gerencial cumprirá seu papel se contribuir para a melhoria da qualidade

do gasto e subsidiar a tomada de decisões nos níveis estratégico, tático e operacional, por parte do Gerente de Programa, Gerente Executivo, Coordenadores de Ação e colegia- dos que compõem os arranjos de gestão.

Dessa forma, deverá especificar o que será realizado no período de um ano

orçamentário (produtos), detalhando as principais “fases” ou “eventos” (proces- sos) e a previsão dos recursos necessários (financeiros, pessoas, parcerias, equipamen- tos, logística etc.).

Programa

O Plano Gerencial deve oferecer um conjunto de informações relevantes que in-

teressam não apenas à equipe responsável pelo Programa, mas também a uma grande variedade de atores externos que podem contribuir com o sucesso do Programa, como, por exemplo, o Comitê de Coordenação de Programas do

Ministério, a Assessoria do Ministro, a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Administração (SPOA), os Assessores da presidência da República, a Secretaria de Orça- mento Federal e a Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos, entre outros.

descrição da implementação do Programa

A descrição da implementação ou execução do Programa durante o período orça-

mentário vigente, quando formulada de maneira clara e concisa, pode contribuir para a otimização da gestão do Programa e dos recursos disponíveis.

Nesse sentido, ela desempenha a função de instrumento de comunicação e pacto interno entre o Gerente de Programa, o eventual Gerente Executivo, os

Coordenadores de Ação e demais integrantes da equipe, sobre qual caminho de- verá ser trilhado ao longo do ano (processos) e quais resultados devem ser atingidos (produtos) até o dia 31 de dezembro do ano corrente.

17

Módulo

5

O texto que detalha a implementação ou execução do Programa deve ser elabora-

do segundo uma abordagem descritiva, podendo contemplar diversos aspectos relevan-

tes, tais como:

ƒ a maneira como serão conduzidos os eventos ou fases da implementação/ execução do Programa (procedimentos administrativos importantes, ações

orçamentárias, ações não orçamentárias, articulação política, articulação com

a sociedade etc.);

ƒ quais serão os recursos (financeiros, pessoas, parcerias, equipamentos, logística etc.) necessários à implementação do Programa;

ƒ qual será a parcela do público-alvo a ser prioritariamente atendida, quando necessária tal especificação;

ƒ quais são os pontos fortes e fracos do Programa (variáveis internas) e as respectivas medidas a serem adotadas em decorrência de sua existência;

ƒ quais as potenciais oportunidades e ameaças ao Programa (variáveis externas)

e as respectivas medidas a serem adotadas em razão de sua identificação ou

ocorrência;

ƒ qual será a estratégia de comunicação (divulgação) interna e externa de forma

a mobilizar apoio e recursos (financeiros, pessoas, parcerias, equipamentos,

logística etc.) dos diversos atores que podem influenciar o alcance dos resultados do Programa.

monitoramento, avaliação e revisão

O monitoramento busca assegurar a consecução bem sucedida dos eventos ou

fases listados no item anterior, dentro dos prazos estipulados.

O primeiro aspecto a ser contemplado deverá ser a breve descrição dos procedi-

mentos e mecanismos de monitoramento a serem utilizados com essa finalidade, assim como sua frequência de apuração.

De maneira geral, podemos dizer que a avaliação tem como objetivo final melhorar a concepção e a gestão dos programas integrantes do Plano Plurianual e dos Orçamentos da União, visando à obtenção dos resultados estabelecidos.

No âmbito do Plano Gerencial, a avaliação deve ter como objetivos principais:

ƒ dentificar e analisar as causas dos possíveis desvios observados durante o processo de implementação ou execução do Programa em relação aos resultados esperados para cada evento ou fase relacionados no “quadro resumo dos principais eventos ou fases”; e

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

ƒ propor recomendações para subsidiar a tomada de decisão acerca das medidas corretivas a serem adotadas, a fim de garantir a obtenção dos resultados esperados para cada evento ou fase relevante.

O segundo aspecto a ser contemplado deverá ser uma breve descrição dos mecanismos de avaliação a serem utilizados e a definição da frequência com que serão utilizados.

A revisão trata dos mecanismos de incorporação ao Plano Gerencial das decisões tomadas no sentido de promover os ajustes e as correções de curso, a partir dos resultados aferidos por meio do processo de monitoramento e analisados por meio da avaliação.

de monitoramento e analisados por meio da avaliação. Fonte: www.adminconcursos.com.br ação Entre as ações

ação

Entre as ações que compõem um Programa, frequentemente há aquelas que possuem especial relevância, seja pelo volume de recursos mobilizados em sua execução, seja por sua importância para a consecução do Programa.

Ações com essas características devem merecer maior atenção no planejamento de sua execução, de maneira bastante semelhante àquela utilizada para a gestão do próprio Programa.

19

Módulo

5

estratégias do sigPlan

ƒ integração do Planejamento, Orçamento e Finanças;

ƒ acompanhamento de Programas e Ações;

ƒ gerenciamento dos Gastos Setoriais;

ƒ agilização da Tomada de Decisão;

ƒ geração de Informações Gerenciais;

ƒ modernização de Procedimentos;

ƒ uniformidade e Transparência de Gestão.

aspectos mais importantes do sigPlan

conceito e operacionalização

Programa: instrumento de organização da atuação governamental. Articula um conjunto de ações que concorrem para um objetivo comum preestabelecido, mensurado por indicadores de resultados estabelecidos no Plano Plurianual, visando à solução de um problema, ao atendimento de uma necessidade ou à demanda da sociedade.

tipos de Programa

Programa Finalístico – programa do qual resultam bens ou serviços ofertados diretamente à sociedade.

Programa de serviços ao estado – programa do qual resultam bens ou serviços ofertados diretamente ao Estado, por instituições criadas para este fim específico.

Programa de gestão de Políticas Públicas – programa destinado ao planejamento e à formulação de políticas setoriais, à coordenação, à avaliação e ao controle dos demais programas sob a responsabilidade de determinado órgão.

Programa de apoio administrativo – programa que contempla as despesas de natureza tipicamente administrativa, as quais, embora contribuam para a consecução dos objetivos dos outros programas, neles não foram passíveis de apropriação.

Financiamento dos Programas

Fiscal/seguridade – recursos dos orçamentos Fiscal e da Seguridade Social.

Financiamento externo contratado – parcela dos recursos do orçamento Fiscal/ Seguridade oriundos de financiamentos externos.

investimento das estatais – recursos do orçamento de investimento das estatais.

20

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

agências oficiais de crédito – são recursos, excetuados os dos fundos, utilizados pelos estabelecimentos oficiais de crédito – BNDES, CEF, BB, BNB, BASA e FINEP – em linhas de crédito que concorrem para o alcance de objetivos de programas do Governo.

Parcerias – os recursos próprios aplicados por parceiros – Estados, Municípios e setor privado – em ações que integram programas do Governo.

alguns conceitos

ação é o instrumento orçamentário de viabilização dos programas.

atividade é o conjunto de operações que se realizam de modo contínuo e permanente, das quais resulta um produto necessário à manutenção da ação de governo.

Projeto é o conjunto de operações que se realizam em um período limitado de tempo, dos quais resulta um produto que concorre para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação de governo.

operações especiais são ações que contribuem para a manutenção das ações de governo, das quais não resultam produto e não geram contraprestação direta sob a forma de bens ou serviços. Representam, basicamente, o detalhamento da função “encargos especiais”.

Fonte identifica a origem dos recursos, demonstrando se compõem ou não contrapartida de contrato de empréstimo externo ou de doação.

natureza do gasto agrupa as despesas de conformidade com a sua natureza e identifica os insumos necessários para a consecução da ação.

item de Programação é a especificação da programação da despesa até o nível de subelemento.

2. sistema de Planejamento e de orçamento Federal

Em 2001, com a publicação da Lei 10.180, ficaram instituídos os Sistemas de Planejamento e de Orçamento Federal, de Administração Financeira Federal, de Contabili- dade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal. Sobre, especificamente, o Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal – SPOF, a lei estabelece as seguintes finalidades:

y

formular o planejamento estratégico nacional;

y

formular planos nacionais, setoriais e regionais de desenvolvimento econômico e social;

y

formular o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais;

21

Módulo

5

y

gerenciar o processo de planejamento e orçamento federal; e

y

promover a articulação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, visando à compatibilização de normas e tarefas afins aos diversos sistemas, nos planos federal, estadual, distrital e municipal.

O SPOF compreende as atividades de elaboração, acompanhamento e avaliação de planos, programas e orçamentos, e de realização de estudos e pesquisas socioeconômicas. Integram o sistema os órgãos:

y

central – o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, como órgão central;

y

setoriais – unidades de planejamento e orçamento dos Ministérios, da Advocacia- Geral da União, da Vice-Presidência e da Casa Civil da Presidência da República (o órgão setorial da Casa Civil da Presidência da República tem como área de atuação todos os órgãos integrantes da Presidência da República, ressalvados outros determinados em legislação específica); e

y

específicos – entidades vinculadas ou subordinadas ao órgão central do sistema, cuja missão está voltada para as atividades de planejamento e orçamento.

voltada para as atividades de planejamento e orçamento. vocÊ saBia? Embora o Órgão Central do SPOF

vocÊ saBia?

Embora o Órgão Central do SPOF seja o Ministério do Planejamen- to, Orçamento e Gestão, existem, respectivamente, unidades or- ganizacionais específicas vinculadas que executam as atividades orçamentárias: Secretarias de Orçamento Federal, e de Planeja- mento e Investimentos Estratégicos, bem como o Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais.

Acesse o sítio eletrônico a seguir e confira as estruturas, atribui- ções e legislações relacionadas com o referido ministério:

curiosidade

Sobre os outros Poderes, as unidades responsáveis pelos seus orçamentos ficam sujeitas à orientação normativa do órgão central do SPOF e realizarão o acompanhamento e a avaliação dos planos e programas respectivos.

Ainda a respeito do SPOF, as atividades do planejamento federal são:

y elaborar e supervisionar a execução de planos e programas nacionais e setoriais de desenvolvimento econômico e social;

22

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

y

coordenar a elaboração dos projetos de lei do plano plurianual e o item, metas e prioridades da administração pública federal, integrantes do projeto de lei de diretrizes orçamentárias, bem como de suas alterações, compatibilizando as propostas de todos os Poderes, órgãos e entidades integrantes da administra- ção pública federal com os objetivos governamentais e os recursos disponíveis;

y

acompanhar física e financeiramente os planos e programas, bem como ava- liá-los quanto à eficácia e efetividade, com vistas a subsidiar o processo de alocação de recursos públicos, a política de gastos e a coordenação das ações do Governo;

y

assegurar que as unidades administrativas responsáveis pela execução dos programas, projetos e atividades da administração pública federal mantenham rotinas de acompanhamento e avaliação da sua programação;

y

manter sistema de informações relacionadas a indicadores econômicos e so- ciais, assim como mecanismos para desenvolver previsões e informações estra- tégicas sobre tendências e mudanças no âmbito nacional e internacional;

y

identificar, analisar e avaliar os investimentos estratégicos do Governo, suas fontes de financiamento e sua articulação com os investimentos privados, bem como prestar o apoio gerencial e institucional à sua implementação;

y

realizar estudos e pesquisas socioeconômicas e análises de políticas públicas; e

y

estabelecer políticas e diretrizes gerais para a atuação das empresas estatais.

y

Já as atividades do orçamento federal, no âmbito do SPOF, são:

y

coordenar, consolidar e supervisionar a elaboração dos projetos da lei de dire- trizes orçamentárias e da lei orçamentária da União, compreendendo os orça- mentos fiscal, da seguridade social e de investimento das empresas estatais;

y

estabelecer normas e procedimentos necessários à elaboração e à implementa- ção dos orçamentos federais, harmonizando-os com o plano plurianual;

y

realizar estudos e pesquisas concernentes ao desenvolvimento e ao aperfeiçoa- mento do processo orçamentário federal;

y

acompanhar e avaliar a execução orçamentária e financeira, sem prejuízo da competência atribuída a outros órgãos;

y

estabelecer classificações orçamentárias, tendo em vista as necessidades de sua harmonização com o planejamento e o controle; e

y

propor medidas que objetivem a consolidação das informações orçamentárias das diversas esferas de governo.

23

Módulo

5

3. tipos de orçamento

O surgimento do orçamento público está intimamente ligado à ideia de controle. Prova disso é que o orçamento se originou pela necessidade de regular a discricionariedade dos governantes na destinação dos recursos públicos. Um dos vestígios mais interessantes dessa ideia está na Magna Carta inglesa, outorgada no ano de 1215, pelo Rei João Sem Terra. Porém, deve-se considerar que este é apenas um esboço daquilo que hoje se considera como orçamento público moderno. De lá para cá, foram desenvolvidas muitas técnicas orçamentárias, fazendo frente às exigências e necessidades dos novos arranjos entre o Estado e a sociedade.

Muito embora se possa reconhecer uma trajetória de avanços em matéria de orçamento público, não é comum verificarmos uma ruptura completa entre o modelo tradicional e o atual, no processo de elaboração dos orçamentos. De forma oposta, a evolução mais comum é a modificação paulatina de uma determinada técnica por outra. Assim, pode haver alguns casos do convívio de mais de um modelo na elaboração do orçamento, seja em momentos de transição política, ou mesmo pelas características legais que envolvem sua concepção.

Para efeitos didáticos, é possível relacionar algumas dessas técnicas ou práticas que são marcantes na evolução orçamentária (GIACOMONI, 2007). A seguir, serão apresentados os principais modelos de orçamentação:

f orçamento clássico ou tradicional

No Brasil, a prática orçamentária federal antecedente à Lei nº 4.320, de 1964, baseava-se na técnica tradicional de orçamentação. Essa técnica clássica produz um orçamento que se restringe à previsão da receita e à autorização de despesas.

Não se verifica uma preocupação primária com o atendimento das necessidades bem formuladas da coletividade ou da própria administração pública. Nem mesmo ficam claros os objetivos econômicos e sociais que motivaram a elaboração da peça orçamentária. Por outro lado, nesse modelo de orçamento há uma preocupação exagerada com o controle contábil do gasto, refletida no obsessivo detalhamento da despesa. Outra característica dessa técnica é a elaboração orçamentária com viés inercial (ou incremental), que procura introduzir pequenos ajustes nas receitas e despesas.

Ao tomar essa direção, a distribuição dos recursos para unidades orçamentárias se dá com base na proporção dos recursos gastos em exercícios anteriores e não em função do programa de trabalho que pretendem realizar. Nesse caso, as distorções são inevitáveis, promovendo um ciclo vicioso baseado no incentivo ao gasto indiscriminado, apenas para garantir maior “fatia” nos orçamentos seguintes.

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

f orçamento de desempenho ou de realizações

A evolução do orçamento clássico trouxe um novo enfoque na elaboração da peça

orçamentária. Evidenciar as “coisas que o governo compra” passa a ser menos importante em relação às “coisas que o governo faz”.

Assim, saber o que a administração pública compra tornou-se menos relevante do que saber para que se destina a referida aquisição. O orçamento de desempenho, embora já ligado aos objetivos, não pode, ainda, ser considerado um orçamento-programa, visto que lhe falta uma característica essencial, que é a vinculação ao sistema de planejamento.

f orçamento-Programa

Esta técnica orçamentária foi introduzida na esfera federal pelo Decreto-Lei nº 200, de 23 de fevereiro de 1967, que menciona o orçamento-programa como plano de ação do Governo Federal, quando, em seu art. 16, determina:

“Em cada ano, será elaborado um orçamento-programa que pormenorizará a etapa do programa plurianual a ser realizado no exercício seguinte e que servirá de roteiro à execução coordenada do programa anual”.

Contudo, o marco legal que cristalizou a adoção do orçamento-programa no Brasil foi a Portaria da Secretaria de Planejamento e Coordenação da Presidência da República

nº 9, de 28 de janeiro de 1974, que instituiu a classificação funcional-programática. Essa portaria vigorou - com alterações no decorrer dos anos, porém sem mudanças estruturais

– até 1999.

A partir do exercício de 2000, houve sua revogação, pela Portaria nº 42, de 14 de

abril de 1999, do então Ministério do Orçamento e Gestão, que instituiu uma classifica- ção funcional e remeteu a estrutura programática aos planos plurianuais de cada governo

e esfera da Federação.

A concepção do orçamento-programa está ligada à ideia de planejamento. De acor-

do com ela, o orçamento deve considerar os objetivos que o Governo pretende alcançar, durante um período determinado de tempo.

Com base nessa característica, o orçamento-programa ultrapassa a fronteira do orçamento como simples documento financeiro, aumentando sua dimensão. Sendo assim, pode-se dizer que o orçamento passa a ser um instrumento de operacionalização das ações do Governo, em consonância com os planos e diretrizes formuladas no planejamento.

Alguns autores têm destacado vantagens do orçamento-programa em relação a métodos de elaboração orçamentária tradicionais, como por exemplo:

y melhor planejamento de trabalho;

25

Módulo

5

y

maior precisão na elaboração dos orçamentos;

y

maior determinação das responsabilidades;

y

maior oportunidade para a relação dos custos;

y

maior compreensão do conteúdo orçamentário por parte do Executivo, do Legislativo e da população em geral;

y

facilidade para identificação de duplicação de funções;

y

melhor controle da execução do programa;

y

identificação dos gastos e realizações por programa e sua comparação em termos absolutos e relativos;

y

apresentação dos objetivos e dos resultados da instituição e do inter- relacionamento entre custos e programas; e

y

ênfase no que a instituição realiza e não no que ela gasta.

Em sua elaboração, o orçamento-programa tem uma lógica que o distingue de outros modelos. Essa lógica pode ser traduzida em fases que, ao serem cumpridas, dão a esse modelo toda a sua peculiaridade. São elas:

y

determinação da situação: identificação dos problemas existentes;

y

diagnóstico da situação: identificação das causas que concorrem para o surgimento dos problemas;

y

apresentação das soluções: identificação das alternativas viáveis para solucionar os problemas;

y

estabelecimento das prioridades: ordenamento das soluções encontradas;

y

definição dos objetivos: estabelecimento do que se pretende fazer e o que se conseguirá com isso;

y

determinação das tarefas: identificação das ações necessárias para atingir os objetivos;

y

determinação dos recursos: arrolamento dos meios, sejam recursos humanos, materiais, técnicos, institucionais ou serviços de terceiros necessários; e

y

determinação dos meios financeiros: expressão monetária dos recursos alocados.

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

– Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira vocÊ saBia? O Plano Plurianual para o período

vocÊ saBia?

O Plano Plurianual para o período 2012-2015 tem 26 programas temáticos. Consequentemente, o orçamento público brasileiro deve ser elaborado considerando esta orientação programática.

Vide lista atualizada dos programas em:

curiosidade

f orçamento Participativo

Os orçamentos públicos nas democracias representativas são elaborados pelos Poderes Executivo e Legislativo. Aliás, segundo os juristas especializados, a principal ra- zão da existência do Legislativo, na sua função precípua de representação popular, está na coparticipação com o Executivo na alocação dos recursos públicos por intermédio da elaboração dos orçamentos.

O orçamento participativo incorpora a população ao processo decisório da elabo-

ração orçamentária, seja por meio de lideranças da sociedade civil, audiências públicas ou por outras formas de consulta direta à sociedade. Trata-se de ouvir de forma direta as comunidades para a definição das ações do Governo, para resolução dos problemas por elas considerados prioritários.

O orçamento participativo é exercitado no Brasil em alguns estados da Federação

e em algumas prefeituras. Na União, verificam-se algumas iniciativas, embora ainda bem

subliminares, durante a tramitação legislativa. Há, esporadicamente, audiências públicas ou até mesmo, como aconteceu no processo de tramitação do orçamento para 2012, a abertura para apresentação de emendas de iniciativa popular, direcionadas para ações de implementação de políticas públicas prioritárias de apoio aos pequenos municípios.

No Brasil, dada a quantidade de despesas obrigatórias e a pouca flexibilidade para

o redirecionamento das ações governamentais, os processos que contemplam a partici-

pação popular na definição dos orçamentos se atêm a uma parcela restrita da alocação dos recursos.

27

Módulo

5

Módulo 5 O município brasileiro de Porto Alegre (RS) é reconhecido interna- cionalmente por ser um

O município brasileiro de Porto Alegre (RS) é reconhecido interna- cionalmente por ser um dos principais pioneiros na adoção insti- tucionalizada desta técnica orçamentária.

Fonte: Shah (2007).

Fique de olho

f orçamento Base Zero

O orçamento base zero constitui uma técnica para elaboração do orçamento, desenvolvida nos Estados Unidos (EUA), pela Texas Instruments Inc., durante o ano de 1969, e adotada pelo Estado da Georgia no governo Jimmy Carter, e tem como principais características:

ƒ análise, revisão e avaliação de todas as despesas propostas e não apenas das solicitações que ultrapassam o nível de gasto já existente; e

ƒ apresentação de justificativas para todos os programas cada vez que se inicia um novo ciclo orçamentário.

4. Funções do orçamento

Nos dias de hoje, podemos reconhecer o orçamento público como um instrumento que apresenta múltiplas funções, sendo que a mais clássica delas, a função controle político, teve início nos primórdios dos Estados Nacionais (BRASIL, 2013). Além dela, o orçamento apresenta outras funções mais contemporâneas, do ponto de vista adminis- trativo, gerencial, contábil e financeiro.

No Brasil, a função incorporada mais recentemente foi a de planejamento, que está ligada à técnica de orçamento por programas. De acordo com essa ideia, o orça- mento deve espelhar as políticas públicas propiciando sua análise pela finalidade dos gastos. Do ponto de vista macroeconômico, os orçamentos podem ser entendidos como uma expressão da situação fiscal dos governos. Aliás, esse aspecto fiscal associado às finanças públicas tem sido a função mais destacada dos orçamentos contemporâneos. Como consequência, as demais funções do orçamento são menos difundidas e explora- das (ABREU, 2013).

Sabe-se que os governos costumam participar de muitas formas na economia dos países. A condução da política monetária, a administração das empresas estatais, a regulamentação dos mercados privados e, sobretudo, a sua atividade orçamentária,

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

funcionam como meios dessa participação e influenciam o curso das atividades econô- micas. Em relação ao orçamento público, didaticamente, podemos dividir as funções que o Estado precisa exercer em três: a função alocativa, a função distributiva e a função estabilizadora.

f Função alocativa

O Governo dirige a utilização dos recursos totais da economia, incluindo a oferta de bens públicos. Dessa forma, podem ser criados incentivos para desenvolver certos setores econômicos em relação a outros.

Como exemplo, imagine que o Governo tem interesse em desenvolver o setor de energia numa determinada região. Conforme análise prévia, constatou-se que, para essa região, a forma mais racional de energia é a gerada por hidroelétricas. Sendo assim, poderiam ser alocados recursos intensivos na geração e transmissão dessa energia. Como consequência, seria de se esperar que o orçamento governamental apresentasse cifras substanciais alocadas em projetos de construção de linhas de transmissão ou, até mesmo, registrasse despesas com incentivos concedidos às empresas construtoras dos complexos hidroelétricos.

No entanto, lembre-se que, num cenário real, em que os recursos financeiros são inferiores às possibilidades de gasto, ao optar pelo desenvolvimento de um setor, o go- verno acaba abrindo mão de outras escolhas possíveis. Ou seja, é justamente nessa diversidade de escolhas que o governo materializa a sua função alocativa.

f Função distributiva ou redistributiva

Essa função tem importância fundamental para o crescimento equilibrado do País. Por intermédio dela, o Governo deve combater os desequilíbrios regionais e sociais, pro- movendo o desenvolvimento das regiões e classes menos favorecidas.

Como exemplo, imagine que o Governo deseje combater as desigualdades verifica- das numa dada região, onde parte considerável da população é analfabeta. Seria de se esperar que o orçamento governamental contemplasse para aquela região ações vincula- das a algum programa de redução do analfabetismo, cujo financiamento poderia se dar por meio de recursos captados de classes econômico-sociais ou de regiões mais abastadas.

Tal situação pode ser concretizada pela cobrança de impostos de características progressivas, de forma que os recursos arrecadados possam ser usados no desenvolvi- mento de determinada política pública. Como se pode concluir, o orçamento governamen- tal é também uma expressão da função distributiva, exercida pelo Governo.

29

Módulo

5

f Função estabilizadora

A função estabilizadora está relacionada às escolhas orçamentárias na busca do pleno emprego dos recursos econômicos; da estabilidade de preços; do equilíbrio da balança de pagamentos e das taxas de câmbio, com vistas ao crescimento econômico em bases sustentáveis.

Nesse aspecto o orçamento desempenha um importante papel, tendo em vista o impacto que as compras e contratações realizadas pelo Governo exercem sobre a economia. Da mesma forma, a arrecadação das receitas públicas pode contribuir positivamente na reação do Governo em atingir determinadas metas fiscais ou, ainda, na alteração de alíquotas de determinados tributos, que possam ter reflexo nos recursos disponíveis ao setor privado.

ter reflexo nos recursos disponíveis ao setor privado. vocÊ saBia? A meta de superavit primário do

vocÊ saBia?

A meta de superavit primário do governo brasileiro está discriminada em anexo específico da Lei de Diretrizes Anuais. Veja em:

Você também pode acessar as séries históricas dos resultados primários do Brasil em:

curiosidade

5. Princípios orçamentários

Segundo Giacomoni (2007), de um modo objetivo, podemos afirmar que os princí- pios orçamentários são aquelas regras fundamentais que funcionam como norteadoras da prática orçamentária. É um conjunto de premissas que devem ser observadas durante cada etapa da elaboração orçamentária. Os princípios orçamentários visam estabelecer regras básicas, a fim de conferir racionalidade, eficiência e transparência aos processos de elaboração, execução, avaliação e controle do orçamento público. Válidos para os Po- deres Executivo, Legislativo e Judiciário de todos os entes federativos – União, Estados, Distrito Federal e Municípios –, são estabelecidos e disciplinados tanto por normas cons- titucionais e infraconstitucionais quanto pela doutrina.

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

Acesse o áudio a seguir para obter mais informações sobre o que são os princípios
Acesse o áudio a seguir para obter mais informações sobre o que
são os princípios orçamentários:
Fique de olho
http://www.orcamentofederal.gov.br/radio-mp/2011/arquivo
-mp3/voce-sabe-o-que-sao-principios-orcamentarios
Fonte: Brasil (2015).

Ao analisar os princípios orçamentários, podemos dividi-los, para fins deste estu- do, em duas categorias distintas: os princípios orçamentários clássicos (ou tradicionais) e os princípios orçamentários modernos (ou complementares). Os princípios orçamentários clássicos são aqueles cuja consolidação deu-se ao longo do desenvolvimento do orça- mento (desde a Idade Média, até meados do século XX), e surgiram numa época em que os orçamentos tinham forte conotação jurídica. Já os princípios orçamentários modernos começaram a ser delineados na era moderna do orçamento, quando sua função extrapo- lou as fronteiras político-legalistas, invadindo o universo do planejamento (programação)

e da gestão (gerência). (BRASIL, 2013).

5.1. clássicos

f Princípio da anualidade

De acordo com o princípio da anualidade, o orçamento deve ter vigência limitada

a um exercício financeiro. Conforme a legislação brasileira, o exercício financeiro precisa coincidir com o ano civil (art. 34 da Lei no 4.320/64). A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) vem reforçar esse princípio ao estabelecer que as obrigações assumidas no exercício sejam compatíveis com os recursos financeiros obtidos no mesmo exercício.

f Princípio da clareza

Pelo princípio da clareza, o orçamento deve ser claro e de fácil compreensão a qualquer indivíduo.

f Princípio do equilíbrio

No respeito ao princípio do equilíbrio fica evidente que os valores autorizados para

a realização das despesas no exercício deverão ser compatíveis com os valores previstos

para a arrecadação das receitas. O princípio do equilíbrio passa a ser parâmetro para o acompanhamento da execução orçamentária. A execução das despesas sem a correspon- dente arrecadação no mesmo período acarretará, invariavelmente, resultados negativos,

31

Módulo

5

comprometedores para o cumprimento das metas fiscais, que serão vistas mais adiante. A Constituição de 1988 tratou de uma espécie de equilíbrio ao mencionar a “Regra de Ouro”, em seu artigo 167, inciso III. Tal dispositivo preconiza que a realização das opera- ções de crédito não deve ser superior ao montante das despesas de capital.

f Princípio da exclusividade

No princípio da exclusividade, verifica-se que a lei orçamentária não poderá conter matéria estranha à fixação das despesas e à previsão das receitas. Esse princípio está previsto no art. 165, § 8º, da Constituição, incluindo, ainda, sua exceção, haja vista que a LOA poderá conter autorizações para abertura de créditos suplementares e a contratação de operações de crédito, inclusive por antecipação de receita orçamentária.

f Princípio da legalidade

O princípio da legalidade estabelece que a elaboração do orçamento deve ob- servar as limitações legais em relação aos gastos e às receitas e, em especial, ao que se segue quanto às vedações impostas pela Constituição Federal à União, Estados, Distrito Federal e Municípios:

ƒ exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

ƒ cobrar tributos no mesmo exercício financeiro da lei que o instituiu ou elevou ou em relação a fatos ocorridos anteriores à vigência da lei, ressalvadas condições expressas na Constituição Federal;

ƒ instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou funções por eles exercidas;

ƒ utilizar tributo com efeito de confisco;

ƒ estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo poder público; e

ƒ instituir impostos sobre:

3

patrimônio, renda ou serviços, entre os poderes públicos;

3

templos de qualquer culto;

3

patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; e

3

livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.

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f Princípio da não-afetação (não-vinculação) das receitas

Segundo este princípio, nenhuma parcela da receita poderá ser reservada ou comprometida para atender a certos ou determinados gastos. Trata-se de dotar o admi- nistrador público de margem de manobra para alocar os recursos de acordo com suas prioridades. Em termos legais, a Constituição Federal, em seu art. 167, inciso IV, veda a vinculação de receita de impostos a uma determinada despesa. As exceções previstas referem-se à repartição de receitas em razão dos Fundos de Participação dos Estados e Municípios, bem como daqueles direcionados às ações e serviços públicos de saúde, manutenção e desenvolvimento do ensino, realização de atividades da administração tri- butária e prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita. De forma geral, no Brasil, esse princípio não vem sendo observado.

Nos últimos anos, paulatinamente têm sido criadas outras receitas (que não tribu- tos) com automática vinculação a áreas de despesas específicas. Recentemente, vários fundos foram criados vinculando a receita a áreas como telecomunicações, energia e ciên- cia e tecnologia, entre outros. A vinculação, se, por um lado, garante a regularidade no apor- te de recursos para determinadas áreas, por outro, diminui significativamente a margem de manobra do governante para implementar políticas de acordo com suas prioridades.

O resultado é que, em algumas áreas, há excesso de recursos que não podem

ser carreados para outras que estão com escassez. O excesso de vinculação faz com que haja, em boa medida, uma repartição definida legalmente entre as áreas de gover- no, diminuindo significativamente as alternativas de opções alocativas dos administra- dores públicos.

f

Princípio da Publicidade

O

princípio da publicidade diz respeito à garantia da transparência e pleno acesso

de qualquer interessado às informações necessárias ao exercício da fiscalização sobre a utilização dos recursos arrecadados dos contribuintes.

f

Princípio da unidade orçamentária

O

princípio da unidade orçamentária diz que o orçamento é uno, ou seja, todas as

receitas e despesas devem estar contidas numa só lei orçamentária.

f Princípio da uniformidade

Para a obediência do princípio da uniformidade, os dados apresentados devem ser homogêneos nos exercícios, no que se refere à classificação e demais aspectos envolvidos na metodologia de elaboração do orçamento, permitindo comparações ao longo do tempo.

33

Módulo

5

f Princípio da universalidade

Pelo princípio da universalidade, todas as receitas e todas as despesas devem constar da lei orçamentária, não podendo haver omissão. Por conta da interpretação desse princípio, os orçamentos da União incorporam receitas e despesas meramente contábeis, como, por exemplo, a rolagem dos títulos da dívida pública. Daí os valores globais dos orçamentos ficarem superestimados, não refletindo o verdadeiro impacto dos gastos públicos na economia. Tal ideia se reflete no art. 3º da Lei nº 4.320, de 1964, transcrito a seguir:

“Art. 3º A Lei de Orçamentos compreenderá todas as receitas, inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei”.

f Princípio do orçamento Bruto

Determina que todas as receitas e despesas devam constar na peça orçamentária com seus valores brutos e não líquidos. Esse princípio também está previsto na Lei nº 4.320, de 1964, em seu art. 6º, que veda qualquer dedução dos valores de receitas e despesas que constem dos orçamentos.

5.2. Princípios orçamentários modernos

f Princípio da simplificação

Pelo princípio da simplificação, o planejamento e o orçamento devem basear-se em elementos de fácil compreensão. Conforme o manual técnico que orientou a proposta orçamentária da União para o exercício de 2000, essa simplificação está bem refletida na adoção do problema como origem para criação de programas e ações.

f Princípio da descentralização

Segundo o princípio da descentralização, é preferível que a execução das ações ocorra no nível mais próximo de seus beneficiários. Com essa prática, a cobrança dos resultados tende a ser favorecida, dada a proximidade entre o cidadão, beneficiário da ação, e a unidade administrativa que a executa.

f Princípio da responsabilização

Conforme o princípio da responsabilização, os gerentes/administradores públicos devem assumir de forma personalizada a responsabilidade pelo desenvolvimento de uma determinada ação de governo, buscando a solução ou o encaminhamento de um problema.

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6. aspectos legais relacionados ao orçamento

A Constituição Federal de 1988 delineou o modelo atual de ciclo orçamentário, instituindo três leis cuja iniciativa para proposição é exclusiva do Poder Executivo:

ƒ o plano plurianual (PPA);

ƒ a lei de diretrizes orçamentárias (LDO);

ƒ a lei orçamentária anual (LOA).

orçamentárias (LDO); ƒ a lei orçamentária anual (LOA). As Leis do PPA, da LDO e da

As Leis do PPA, da LDO e da LOA devem ser elaboradas sobre a perspectiva estratégica governamental.

Fique de olho

a perspectiva estratégica governamental. Fique de olho Fonte: Paulo (2010, p. 174). Os projetos de lei

Fonte: Paulo (2010, p. 174).

Os projetos de lei referentes a cada um desses três instrumentos são submetidos à apreciação das duas Casas do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), mais especificamente pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, formada por Deputados e Senadores.

35

Módulo

5

A tramitação no Congresso Nacional envolve, via de regra, as seguintes etapas:

ƒ recebimento da proposta do Poder Executivo;

ƒ leitura do projeto do Executivo;

ƒ distribuição dos projetos aos parlamentares;

ƒ designação do relator do projeto;

ƒ realizações de audiências públicas;

ƒ apresentação, discussão e votação dos pareceres preliminares (estabelecem as regras gerais para o processo);

ƒ abertura do prazo de emendas ao projeto;

ƒ recebimento e parecer sobre as emendas (realizado pelo relator);

ƒ apreciação e votação do relatório final na CMO (com a aceitação ou rejeição das emendas propostas);

ƒ votação do relatório geral no Plenário do Congresso; e

ƒ encaminhamento ao Presidente da República para sanção.

Ao receber o projeto de lei apreciado pelo Congresso Nacional, o qual se designa “Autógrafo”, o Presidente tem três opções: aprovar, vetar parcialmente ou vetar integralmente. As razões do veto devem ser comunicadas ao Presidente do Senado, sendo que sua apreciação deverá ocorrer em sessão conjunta da Câmara e do Senado, que podem acatar o veto ou rejeitá-lo. Nessa última opção, o projeto em questão será remetido ao Presidente da República para promulgação.

6.1. o Plano Plurianual (PPa)

É um instrumento de planejamento governamental que deve estabelecer, de forma

regionalizada, diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as des- pesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada, conforme disposto no Parágrafo 1º, do art.165, da Constituição Federal - CF.

O PPA declara as escolhas pactuadas com a sociedade e contribui para viabilizar os objetivos fundamentais da República. Além disso, organiza a ação de governo na busca de um melhor desempenho da administração pública. Para isso, orienta-se pelos seguin- tes princípios:

ƒ convergência territorial: equilibrar os investimentos propostos;

ƒ integração de políticas e programas: otimizar os resultados da aplicação do gas- to público;

36

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

ƒ monitoramento e avaliação: criar condições para a melhoria contínua e mensu- rável da qualidade e produtividade dos bens e serviços;

ƒ transparência: demonstrar a aplicação dos recursos públicos; e

ƒ participação social: criar interação entre o Estado e o cidadão para aperfeiçoa- mento das políticas públicas.

Com duração de quatro anos, o PPA é elaborado no primeiro ano do mandato do governante eleito, com vigência a partir do segundo ano de mandato. O projeto de Lei do PPA deverá ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso até quatro meses antes do final do primeiro exercício financeiro do mandato do novo Presidente (limite – 31 de agosto), e devolvido para a sanção até o encerramento da sessão legislativa (22 de dezembro).

6.2. lei de diretrizes orçamentárias (ldo)

De acordo com o conteúdo constitucional, a LDO orientará a elaboração orçamen- tária, compreendendo as prioridades e metas em consonância com o PPA, porém, referin- do-se apenas ao exercício financeiro subsequente.

Também deverá dispor sobre as alterações na legislação tributária, além de esta- belecer a política das agências financeiras oficiais de fomento. O projeto de lei da LDO deve ser encaminhado pelo Poder Executivo até oito meses e meio antes do final do exercício financeiro (15 de abril) e devolvido para sanção até final do primeiro período da sessão legislativa (17 de julho).

Com a instituição da Lei de Responsabilidade Fiscal, a LDO incorporou novas atri- buições associadas ao equilíbrio entre receitas e despesas que norteia todo ciclo de alocação dos recursos públicos, como será visto mais adiante.

6.3. lei orçamentária anual (loa)

É um documento que apresenta os recursos que deverão ser mobilizados, no ano

específico de sua vigência, para a execução das políticas públicas e do programa de tra- balho do Governo.

A LOA compreende o orçamento fiscal, o orçamento da seguridade social e o or-

çamento de investimento das estatais. O projeto de lei da LOA deverá ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso até quatro meses antes do final do exercício financeiro (li- mite – 31 de agosto), e devolvido para a sanção até o encerramento da sessão legislativa (22 de dezembro).

37

Módulo

5

7. classificação da despesa orçamentária

A partir de agora serão abordadas as estruturas de classificações qualitativas e quantitativas.

7.1. Programação Qualitativa

Na estrutura atual do orçamento público, as programações orçamentárias estão organizadas em programas de trabalho, que contêm informações qualitativas e quantita- tivas, sejam físicas ou financeiras (BRASIL, 2013). O programa de trabalho, que define qualitativamente a programação orçamentária, deve responder, de maneira clara e obje- tiva, às perguntas clássicas que caracterizam o ato de orçar, sendo, do ponto de vista operacional, composto dos seguintes blocos de informação: classificação por esfera, classificação institucional, classificação funcional e estrutura programática, conforme detalhado a seguir:

tabela 4 - Programação Qualitativa

Blocos da estrutura

item da estrutura

 

Pergunta resPondida

Classificação por esfera

Esfera orçamentária.

Em qual orçamento?

Classificação Institucional

Órgão unidade orçamentária.

Quem faz?

Classificação Funcional

Função/Subfunção.

Em que área da despesa a ação governamental será realizada?

Estrutura Programática

Programa.

O

que fazer?

Informações Principais

Objetivo.

Para que é feito?

do programa

Problema a resolver.

Por que é feito?

Público-alvo.

Para quem é feito?

Indicadores.

Quais as medidas?

Informações Principais

Ação.

Como fazer?

da Ação

Descrição.

O

que é feito?

Finalidade.

Para que é feito?

Forma de implementação.

Como é feito?

Etapas.

Quais as fases?

Produtos.

Qual o resultado?

Subtítulo.

Onde é feito?

Fonte: Brasil (2013).

38

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

f esfera orçamentária

A esfera orçamentária tem por finalidade identificar cada tipo de orçamento, con-

forme o art. 165 da Constituição, que é composto de dois dígitos e será associado à ação orçamentária, da seguinte maneira:

ƒ 10 - Orçamento Fiscal;

ƒ 20 - Orçamento da Seguridade Social; e

ƒ 30 - Orçamento de Investimento.

A forma de saber se uma determinada programação figura num ou em outro orça-

mento é simples. Inicialmente, devemos observar o art. 194 da Constituição, que carac-

teriza a seguridade social como “[

Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à

previdência e à assistência social”.

Já a esfera de investimento agrega apenas as programações de empresas estatais

independentes. Tal definição consta de forma inversa na Lei de Responsabilidade Fiscal,

empresa controlada que

receba do ente controlador recursos financeiros para pagamento de despesas com pes- soal ou de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último caso, aqueles provenientes de aumento de participação acionária”.

que conceitua a empresa estatal dependente como sendo “[

um conjunto integrado de ações de iniciativa dos

]

]

f classificação institucional

A classificação institucional permite identificar o programa de trabalho do Governo

segundo os Poderes, órgãos e unidades orçamentárias (UO). A ideia principal do classifi- cador é identificar a responsabilidade institucional pelo gasto.

A classificação institucional está presente nos documentos orçamentários e nos

atos relativos à execução da despesa. Expresso por um código numérico de cinco dígitos, esse classificador pode ser facilmente interpretado.

2º 3º

Órgão orçamentário

unidade orçamentária

f

classificação Funcional

O

modelo atual de classificação funcional foi também introduzido pela reforma ge-

rencial do orçamento, no ano de 2000. Seu escopo principal é a identificação das áreas

39

Módulo

5

em que as despesas ocorrem. Em sua lógica, há uma matricialidade, ou seja, as subfun- ções poderão ser combinadas com funções diferentes daquelas a que estejam vinculadas.

A classificação funcional (por funções e subfunções) serve como um agregador

dos gastos do Governo, evidenciando a programação a partir de grandes áreas de atua- ção governamental. Por ser de uso comum e obrigatório para todas as esferas de governo, esse classificador permite a consolidação nacional dos gastos do setor público. Nesse mesmo sentido, podem-se formular estatísticas que evidenciem as linhas gerais na des- tinação dos recursos públicos.

A partir dessas informações, pode-se ficar sabendo qual o nível de gastos com a

função cultura ou segurança, por exemplo, ou o nível de gastos com a subfunção meteoro-

logia ou habitação rural. Também é possível levantar essas informações associadas a um determinado espaço administrativo (Região, Estado ou Município), de modo a obterem-se conclusões relevantes, como o nível de gastos com a subfunção Educação de Jovens e Adultos na Região Norte.

A classificação funcional está representada em cinco dígitos. Os dois primeiros

dizem respeito à função, que pode ser traduzida como o maior nível de agregação dos diversos espaços de atuação do setor público. A função guarda relação com a missão institucional do órgão ou instituição. Já os três dígitos seguintes referem-se à subfunção. Esta pode ser entendida como uma partição da função, não se restringindo à área de atuação do órgão ou instituição, ficando associada à própria característica da ação, isto é, ao seu espaço de contribuição.

f estrutura de classificação Programática

A partir do orçamento para o ano de 2000, algumas modificações foram estabelecidas na classificação da despesa até então vigente. A chamada Reforma Gerencial do Orçamento trouxe algumas práticas simplificadoras e descentralizadoras que foram adotadas com a finalidade de privilegiar o aspecto gerencial dos orçamentos.

A reforma em questão prevê que cada nível de governo passará a ter a sua

estrutura programática própria, adequada à solução dos seus problemas, e originária do seu plano plurianual. Assim, não há mais sentido em falar em classificação programática,

mas sim em estruturas programáticas diferenciadas de acordo com as peculiaridades locais. A reforma considerou que os programas servem de elo entre o planejamento e o orçamento, evidenciando, por intermédio das ações que os constituem, os bens e serviços que deles resultam. Entretanto, com o Plano Plurianual de 2012-2015, esse papel de elo entre o plano e o orçamento passou a ser exercido pelas iniciativas que representam um desdobramento do programa.

40

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

7.2. Programação Quantitativa

A programação física define quanto se pretende desenvolver do produto:

tabela 5 - Programação Quantitativa

item da estrutura

Pergunta resPondida

Natureza da despesa

Quais insumos se pretende utilizar ou adquirir?

Categoria Econômica da Despesa

Qual o efeito da realização de despesa?

Grupo de Natureza de Despesa

Em qual classe de gasto será realizada a despesa?

Modalidade de Aplicação

Qual a estratégia para a realização da despesa?

Elemento de Despesa

Quais insumos se pretende utilizar ou adquirir?

Identificador de Uso

Os recursos utilizados são contrapartida?

Fonte de Recursos

De onde virão os recursos para realizar as despesas?

Identificador de operação de crédito

Com que operação de crédito ou doação dos recursos se relacionam?

Identificador de resultado Primário

Como se classifica essa despesa em relação ao efeito sobre o resultado da união?

Dotação

Quanto custa?

Justificativa

Qual é a memória de cálculo utilizada?

Fonte: Brasil (2013).

f classificação por natureza da despesa

A classificação por natureza da despesa tem por finalidade possibilitar a obtenção

de informações macroeconômicas sobre os efeitos dos gastos do setor público na econo- mia. Além disso, facilita o controle contábil do gasto.

Pode indicar, também, a parcela relativa da formação de capital de uma nação, propiciada através do setor governamental. Ela pode indicar, por meio da comparação de períodos fiscais, se o governo está contribuindo para criar pressões inflacionárias, em virtude de suas atividades estimularem a demanda, ou se suas ações têm caráter defla- cionário. Esse tipo de classificação pode ainda informar qual o impacto das atividades governamentais: se por meio de transferências ou pelo uso direto de recursos.

41

Módulo

5

A Portaria 163, em seu artigo 6º, dispõe:

ƒ “Na lei orçamentária, a discriminação da despesa, quanto à sua natureza, far- se-á, no mínimo, por categoria econômica, grupo de natureza da despesa e modalidade de aplicação.”

Note que o elemento da despesa e demais desdobramentos não constam neces- sariamente da LOA, podendo sofrer alteração durante a execução dos orçamentos sem a necessidade de processo legislativo.

No entanto, a natureza da despesa será complementada pela informação geren- cial denominada “modalidade de aplicação”, a qual tem por finalidade indicar se os re- cursos são aplicados diretamente por órgãos ou entidades no âmbito da mesma esfera de governo ou por outro ente da Federação e suas respectivas entidades, e objetiva, precipuamente, possibilitar a eliminação da dupla contagem dos recursos transferidos ou descentralizados.

f categoria econômica

Tem por finalidade identificar os objetos de gastos, tais como vencimentos e van- tagens fixas, juros, diárias, material de consumo, serviços de terceiros prestados sob qualquer forma, subvenções sociais, obras e instalações, equipamentos e material per- manente, auxílios, amortização e outros que a administração pública utiliza para a conse- cução de seus fins.

A despesa, assim como a receita, é classificada em duas categorias econômicas

com os seguintes códigos.

y

1 - Despesas Correntes - classificam-se nessa categoria todas as despesas que não contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital.

y

2 - Despesas de Capital - classificam-se nessa categoria aquelas despesas que contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital.

f grupos de natureza da despesa (gnd)

y

1 - Pessoal e Encargos Sociais;

y

2 - Juros e Encargos da Dívida;

y

3 - Outras Despesas Correntes;

y

4 - Investimentos;

y

5 - Inversões Financeiras;

y

6 - Amortização da Dívida.

42

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

f modalidade de aplicação

Indica se os recursos serão aplicados diretamente pela unidade detentora do cré- dito orçamentário, ou transferidos, ainda que na forma de descentralização, a outras es- feras de governo, órgãos ou entidades.

f elemento de despesa

Tem por finalidade identificar os objetos de gasto, tais como vencimentos e van- tagens fixas, juros, diárias, material de consumo, serviços de terceiros prestados sob qualquer forma, subvenções sociais, obras e instalações, equipamentos e material per- manente, auxílios, amortização e outros que a administração pública utiliza para a conse- cução de seus fins. Os códigos dos elementos de despesa estão definidos no Anexo II da Portaria Interministerial nº 163, de 2001.

É vedada a utilização em projetos e atividades dos elementos de despesa 41- Con- tribuições, 42- Auxílios e 43- Subvenções Sociais, o que pode ocorrer apenas em opera- ções especiais. É vedada a utilização de elementos de despesa que representem gastos efetivos (ex.: 30, 35, 36, 39, 51, 52 etc.) em operações especiais.

Exemplos:

y

01 - Aposentadorias e Reformas;

y

13 - Obrigações Patronais;

y

19 - Auxílio Fardamento;

y

39 – Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica.

f

identificador de uso

Este código vem completar a informação concernente à aplicação dos recursos - especialmente para destacar a contrapartida nacional de empréstimos ou doações, quais sejam:

y

0 - recursos não destinados à contrapartida;

y

1 - contrapartida de empréstimos do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD;

y

2 - Contrapartida de empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID;

y

3 - contrapartida de empréstimos por desempenho ou com enfoque setorial amplo;

y

4 - contrapartida de outros empréstimos;

y

5 - contrapartida de doações; e

y

7 – emendas de iniciativa popular.

43

Módulo

5

f classificação por fontes de recursos

Esta classificação é usada nos demonstrativos da despesa para indicar a espécie de recursos que a está financiando. A fonte é indicada por um código de três dígitos, for- mada pela combinação do grupo de fonte e da especificação da fonte.

O primeiro dígito determina o grupo de fonte de recursos e os dois dígitos seguin-

tes, sua especificação. Os grupos de fontes de recursos são:

y

1 - Recursos do Tesouro - Exercício Corrente;

y

2 - Recursos de Outras Fontes - Exercício Corrente;

y

3 - Recursos do Tesouro - Exercícios Anteriores;

y

6 - Recursos de Outras Fontes - Exercícios Anteriores;

y

9 - Recursos Condicionados.

Existem diversas especificações para as fontes de recursos. A seguir, a título de exemplo, são listadas algumas especificações de fonte.

y

00 - Recursos Ordinários;

y

01 - Transferências do Imposto sobre a Renda e sobre Produtos Industrializados;

y

02 - Transferência do Imposto Territorial Rural;

y

11 - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Combustíveis;

y

60 - Recursos das Operações Oficiais de Crédito;

y

71 - Recursos das Operações Oficiais de Crédito - Retorno de Operações de Crédito - BEA/BIB;

y

80 - Recursos Financeiros Diretamente Arrecadados;

y

93 - Produto da Aplicação dos Recursos à Conta do Salário-Educação.

f identificador de doação e de operação de crédito (idoc)

O Idoc identifica as doações de entidades internacionais ou operações de crédito

contratuais alocadas nas ações orçamentárias, com ou sem contrapartida de recursos da União. Os gastos referentes à contrapartida de empréstimos serão programados com

o identificador de uso (Iduso) igual a 1, 2, 3 ou 4 e o Idoc com o número da respectiva

operação de crédito, enquanto que, para as contrapartidas de doações, serão utilizados

o Iduso 5 e o respectivo Idoc.

O número do Idoc também pode ser usado nas ações de pagamento de amortização,

juros e encargos para identificar a operação de crédito a que se referem os pagamentos.

44

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

Quando os recursos não se destinarem à contrapartida nem se referirem a doa- ções internacionais ou operações de crédito, o Idoc será 9999. Nesse sentido, para as doações de pessoas, de entidades privadas nacionais e as destinadas ao combate à fome, deverá ser utilizado o Idoc 9999.

f classificação da despesa por identificador de resultado Primário (rP)

O identificador de resultado primário, de caráter indicativo, tem como finalidade auxiliar a apuração do resultado primário previsto na LDO, devendo constar no PLOA e na respectiva lei. O RP estará discriminado em todos os grupos de natureza da despesa, e acordo com a metodologia de cálculo das necessidades de financiamento, cujo detalhamento constará em anexo à LOA. Conforme estabelecido no § 5º do art. 7º da LDO 2011, nenhuma ação poderá conter, simultaneamente, dotações destinadas às despesas financeiras e primárias, ressalvadas despesas com a reserva de contingência.

tabela 6 - Programação Quantitativa

cÓdigo

descriÇão

0

Financeira.

1

Primária obrigatória, ou seja, aquelas que constituem obrigações constitucionais ou legais da União e constem da Seção I do Anexo IV da LDO - 2011.

2

Primária discricionária, assim consideradas aquelas não incluídas no anexo específico citado no item anterior.

3

Despesas relativas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

4

Despesas constantes do orçamento de investimento das empresas estatais que não impactam o resultado primário.

Fonte: Brasil (2013).

f Plano orçamentário (Po)

Conforme mencionado no Manual Técnico Orçamentário de 2013, no contexto da revisão das ações, foi criado o Plano Orçamentário (PO), que se constitui em uma identifi- cação orçamentária parcial ou total de uma ação, de caráter gerencial (ou seja, não cons- tante na LOA), vinculada à ação orçamentária, que tem por finalidade permitir que tanto a elaboração do orçamento quanto o acompanhamento físico e financeiro da execução ocorram num nível mais detalhado do que o do subtítulo (localizador de gasto) da ação.

45

Módulo

5

Os POs serão utilizados para três finalidades específicas:

y

1ª acompanhar as despesas que constavam em ações específicas em 2012 e foram aglutinadas em outras ações no PLOA 2013;

y

2ª acompanhar as etapas de projetos (para cada etapa de projeto, poderá ser criado um PO); e

y

3ª acompanhar intensivamente um segmento específico da ação orçamentária.

Observa-se que, embora não seja obrigatório, as ações aglutinadas poderão constituir-se em POs dentro das ações aglutinadoras, tanto nos casos em que representem produtos intermediários que contribuem para o produto final da respectiva ação quanto nos casos de incorporação de ações pela 2000 - Administração da Unidade.

Fique de olho Exemplo de detalhamento orçamentário encontra-se disponível no anexo. Exercite, e busque fazer
Fique de olho
Exemplo de detalhamento orçamentário encontra-se disponível
no anexo. Exercite, e busque fazer a leitura do orçamento. Tabe-
las consolidadas das classificações estão disponíveis no Manual
Técnico de Orçamento (MTO). Acesse-o em:
http://www.orcamentofederal.gov.br/informacoes-orcamentarias/
manual-tecnico/mto_2016_1aedicao-200515.pdf

8. alterações orçamentárias

Publicada a lei orçamentária anual (LOA), pode-se verificar a necessidade de ajustar a programação originalmente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República. Tais ajustes visam atender:

a. programações insuficientemente dotadas, para realização de ações contidas na LOA;

b. necessidade de realização de despesa não autorizada inicialmente na LOA; e

c. ajustes nos classificadores de receita ou de despesa, não implicando aumento nas dotações originalmente aprovadas.

Todos esses ajustes, caso sejam feitos, alteram de alguma forma a posição inicial da LOA e se dividem em créditos adicionais e outras alterações orçamentárias. Os crédi- tos adicionais estão relacionados aos itens “a” e “b”, citados anteriormente, e as outras alterações orçamentárias, relacionadas ao item “c”.

46

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8.1. créditos adicionais

De acordo com o art. 41, da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, os créditos adicionais se dividem em suplementares, especiais e extraordinários.

f créditos suplementares

Destinam-se ao reforço de dotação orçamentária. Para tanto, há necessidade de que a programação (em termos de subtítulo/localizador) exista na lei orçamentária origi- nal. Outro dispositivo legal que guia esse tipo de crédito se encontra no art. 165, §8º, da Constituição Federal. Esse artigo disciplina o conteúdo exclusivo da LOA, pois não existirá dispositivo diverso à previsão de receita e à fixação da despesa. Uma das exceções é a autorização para abertura de créditos suplementares pelo Poder Executivo, ou seja, por meio de decreto presidencial. Os créditos suplementares terão vigência limitada ao exer- cício em que forem abertos.

f créditos especiais

Destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica (em termos de subtítulo/localizador), devendo ser autorizados exclusivamente por lei. Dessa forma, um crédito especial sempre será necessário caso o subtítulo não exista. Os créditos especiais não poderão ter vigência além do exercício em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que poderão ser reabertos, nos limites dos seus saldos, por decreto do Poder Executivo.

f créditos extraordinários

Destinados a despesas urgentes e imprevistas, como em caso de guerra, cala- midade pública ou comoção interna, conforme preconiza o §3º, art. 167 da Constituição Federal. Tais créditos serão abertos por medida provisória, sendo submetidos de imediato ao Congresso Nacional. As medidas provisórias deverão ser convertidas em lei num prazo de 60 dias a contar da data de sua publicação, podendo ser prorrogado por igual período, momento em que deverá ser editado um decreto legislativo que trate do assunto.

Os créditos extraordinários também não poderão ter vigência além do exercício em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização (medida provisória) for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que poderão ser reabertos, nos limites dos seus saldos, por decreto do Poder Executivo.

47

Módulo

5

Módulo 5 curiosidade Que as mencionadas reaberturas de Créditos Especiais e Extraor- dinários são exceções ao

curiosidade

Que as mencionadas reaberturas de Créditos Especiais e Extraor- dinários são exceções ao princípio orçamentário da anualidade?

8.2. origens de recursos para créditos suplementares e especiais

Para possibilitar a abertura dos créditos suplementares e especiais, deverão ser indicadas as origens dos recursos para viabilizar tais alterações, além de ser necessária a exposição de justificativa prévia à abertura do ato. De acordo com o §1º, art. 43, da Lei nº 4.320, de 1964, são consideradas as origens de recursos mencionadas a seguir.

f

superavit Financeiro apurado em Balanço Patrimonial do exercício anterior

O

superavit financeiro é apurado no balanço patrimonial do exercício anterior pela

diferença entre o ativo financeiro e o passivo financeiro. Devem-se levar em conta nessa apuração os saldos dos créditos adicionais transferidos do ano anterior (especiais e

extraordinários), bem como as operações de crédito a eles vinculadas.

f excesso de arrecadação

O excesso de arrecadação é obtido pela diferença positiva entre os valores arrecadados e os valores estimados, acumulados mês a mês, devendo-se considerar ainda a tendência do exercício. Para os créditos que se utilizarem dessa origem de recurso, deve-se apresentar demonstrativo que atualize as estimativas de receitas até o final do exercício corrente, comparando-as com a posição originalmente aprovada na LOA, detalhada por fonte e natureza de receita.

f anulação Parcial ou total de dotações orçamentárias

A anulação parcial ou total de dotações orçamentárias é a modalidade mais utilizada

para a abertura dos créditos adicionais. Além das dotações alocadas às diversas ações

que compõem o orçamento, a anulação referida também poderá ser feita da reserva de contingência, inclusive aquelas à conta de receitas próprias e vinculadas.

f Produto de operações de crédito autorizadas

Por fim, o produto das operações de crédito necessita de autorização prévia para sua execução, ou seja, não basta apenas a autorização do crédito, a operação deve con- tar com autorização específica. Nesse aspecto, de acordo com o art. 52, incisos V a IX, da

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Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

Constituição Federal, compete ao Senado Federal estabelecer limites e outras condições para a realização de operações de crédito de interesse da União, Estados, Distrito Federal

e Municípios.

Para os créditos extraordinários, a existência ou não das origens dos recursos, previstas para os créditos suplementares ou especiais, não se aplica, tendo em vista o

caráter de urgência, relevância e imprevisibilidade que reveste sua abertura. Ou seja, para

a viabilização desse tipo de crédito, não há necessidade de se verificar a existência de

superavit financeiro, excesso de arrecadação, anulação de dotações ou o produto de ope- rações de crédito. Essas origens de recursos poderão até ser utilizadas na sua abertura, porém, não restringem a edição da medida provisória.

8.3. outras alterações orçamentárias

Existem outras alterações que podem ser feitas à LOA aprovada, ou ainda em relação aos seus créditos adicionais abertos. Tais alterações visam modificar os classifi- cadores de receita ou despesa, de forma a viabilizar ou corrigir a execução de uma progra- mação. Entretanto, essas outras alterações orçamentárias não modificam, em nenhuma hipótese, o valor total alocado para cada subtítulo, seja considerando a LOA ou os seus créditos adicionais. Essas modificações versam sobre alguns classificadores, que cons- tam ou não da LOA, abrangendo as seguintes situações.

f troca de Fontes de recursos

As fontes originalmente aprovadas na lei orçamentária, ou em seus créditos adicio- nais, poderão ser modificadas por portaria do Secretário de Orçamento Federal, para os orçamentos fiscal e da seguridade social da União, e por Portaria do Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, para o orçamento de investimento das empresas estatais. As alterações de fontes de recursos são viabilizadas por três diferentes formas:

ƒ remanejamento;

ƒ excesso de arrecadação; e

ƒ superavit financeiro.

f modalidade de aplicação

As modalidades de aplicação poderão ser alteradas sempre que se verifique a necessidade de sua adequação frente à forma de execução de alguma programação. As alterações desse classificador podem ser feitas diretamente no Siafi, pela unidade orçamentária (UO), sem necessidade de publicação de ato formal, ou pela publicação de portaria do dirigente máximo do órgão ao qual estiver vinculada a UO, em razão das regras existentes na LDO.

49

Módulo

5

f detalhamento do crédito orçamentário

3 identificador de uso

Estes identificadores poderão ser modificados, em razão da necessidade de ade- quar a execução de alguma programação. Tais modificações necessitam de publicação de portaria da Secretaria de Orçamento Federal para sua efetivação.

As modificações desses Identificadores poderão ser feitas livremente quando envolvam:

ƒ redução do Iduso “0” para acréscimo em qualquer outro; e

ƒ redução de qualquer Iduso diferente de “0” para acréscimo em qualquer outro.

A única restrição imposta pela LDO diz respeito à destinação diversa dos recursos alocados para contrapartida nacional, salvo se por intermédio de crédito adicional com autorização específica. Ou seja, qualquer alteração que envolva a redução de identificador relacionado com a contrapartida nacional de operação de crédito ou doação para recurso livre (Iduso igual a zero) irá necessitar de autorização específica (lei).

3 identificador de resultado Primário

Da mesma forma que o Iduso, os identificadores de resultado primário poderão ser alterados por intermédio de portaria da Secretaria de Orçamento Federal. Apesar de não haver nenhuma restrição formal para sua alteração, essas modificações devem estar de acordo com a metodologia de cálculo das necessidades de financiamento, constante de anexo específico à lei orçamentária anual.

3 identificador de doação e operação de crédito

Os identificadores de doação e operação de crédito não figuram da LOA, portanto, suas alterações não requerem a publicação de nenhum ato formal.

Suas modificações são feitas por intermédio de procedimentos entre o Sistema Integrado de Orçamento e Planejamento (Siop) e o Siafi.

f de/Para

Em função da adequação das estruturas administrativas dos órgãos federais, ten- do em vista a extinção, transformação, transferência, incorporação ou desmembramento de órgãos e entidades, bem como alterações de suas competências ou atribuições, pode haver necessidade de alterar a responsabilidade pela execução da programação. Tal modificação deve estar autorizada na LDO ou na LOA, e será viabilizada por decreto presidencial.

50

Curso de Extensão em Desenvolvimento da Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira

No DE/PARA, apenas a classificação institucional (órgão e unidade orçamentária) é modificada, devendo todos os demais classificadores e valores se manterem inalterados em relação à LOA ou aos seus créditos adicionais. A única exceção diz respeito à classi- ficação funcional, que poderá ser alterada excepcionalmente.

9. integração orçamentária e Financeira

Com o propósito de estabelecer, de forma objetiva, o inter-relacionamento entre

a execução orçamentária e a execução financeira, demonstram-se a seguir os pontos comuns entre as etapas que compõem os fluxos e processos pertinentes.

as etapas que compõem os fluxos e processos pertinentes. 9.1. estágios da despesa Após o recebimento

9.1. estágios da despesa

Após o recebimento do crédito orçamentário, as UG estão em condições de efetuar

a realização da despesa, que obedece aos seguintes estágios:

f empenho

É o primeiro estágio da despesa e precede sua realização, estando restrito ao limite do crédito orçamentário. A formalização do empenho dá-se com a emissão da nota de empenho (NE), comprometendo dessa forma os créditos orçamentários e tornando- os indisponíveis para nova utilização. O Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) dispõe, ainda, da figura do pré-empenho que permite reservar parte do crédito orçamentário a ser utilizado após a conclusão do processo licitatório, quando for o caso.

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Módulo

5

f liquidação

A liquidação é o segundo estágio da despesa, e consiste em verificar se há condição

de

cumprir com o direito do credor, registrado no empenho. Tal verificação é feita a partir

da

comprovação documental do respectivo crédito.

Antes da introdução do Cadastro de Contas a Pagar e a Receber (CPR), a liquidação era feita por meio de emissão de um documento denominado nota de lançamento (NL). O CPR é um subsistema do Siafi que assegura o registro dos compromissos de pagamento e de recebimento, considerando o registro de documento que dá origem a esses compromissos (notas fiscais, autorizações administrativas etc.).

A partir de então, a liquidação é feita por meio do cadastramento do documento

hábil, a partir de uma transação específica do CPR denominada “Atualiza Documento Há- bil” ou “ATUCPR”.

f

Pagamento

O

pagamento consiste na entrega do numerário ao credor extinguindo a obrigação.

O pagamento da despesa só poderá ser efetuado após sua regular liquidação. A

formalização do pagamento é feita pela emissão da ordem bancária (OB).

9.2. restos a Pagar

Consideram-se restos a pagar, ou resíduos passivos, as despesas empenhadas, mas não pagas dentro do exercício financeiro, ou seja, até 31 de dezembro (arts. 36 da Lei nº 4.320/64 e 67 do Decreto nº 93.872/86), distinguindo-se as processadas das não processadas.

O regime de competência exige que as despesas sejam contabilizadas conforme o exercício a que pertençam, ou seja, aquele em que foram geradas. Se uma despesa foi empenhada em um exercício e somente foi paga no seguinte, ela deve ser contabilizada como pertencente ao exercício do empenho.

Diante do exposto no parágrafo acima, os restos a pagar serão contabilizados como uma despesa extraorçamentária, tendo em vista que seu pagamento se dará no exercício seguinte ao da emissão da nota de empenho, ou seja, o empenho foi efetuado dentro do empenho do exercício anterior.

f classificação

Conforme a sua natureza, as despesas inscritas em restos a pagar podem ser classificadas em:

ƒ processadas: são as despesas em que o credor já cumpriu as suas obrigações, isto é, entregou o material, prestou os serviços ou executou a etapa da obra,

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dentro do exercício, tendo, portanto, direito líquido e certo, faltando apenas o pagamento; e

ƒ não processadas: são aquelas que dependem da prestação do serviço ou do fornecimento do material, ou seja, aquelas em que o direito do credor não foi apurado. Representam, portanto, despesas ainda não liquidadas.

f inscrição

O decreto nº 93.872, de 23 de dezembro de 1986, em seu art. 35, determina que

o empenho da despesa não liquidada será considerado anulado em 31 de dezembro, para

todos os fins, salvo quando:

ƒ vigente o prazo assumido para cumprimento da obrigação assumida pelo credor;

ƒ vencido o prazo para cumprimento da obrigação, enquanto esteja em curso a li- quidação da despesa, ou seja, quando seja de interesse da administração exigir

o cumprimento da obrigação assumida pelo credor;

ƒ destina-se a atender transferências a instituições públicas ou privadas; e

ƒ corresponder a compromisso assumido no exterior.

Os empenhos não anulados, bem como os referentes a despesas já liquidadas e não pagas, serão automaticamente inscritos em restos a pagar, no encerramento do exercício, pelo valor devido, ou, caso seja este desconhecido, pelo valor estimado para a valorização do compromisso.

É vedada a reinscrição de empenhos em restos a pagar. O reconhecimento de

eventual direito do credor se dará por meio de emissão de nova nota de empenho, no exercício de recognição, à conta de despesas de exercícios anteriores, respeitada a categoria econômica própria.

Os restos a pagar com prescrição interrompida, assim considerada a despesa cuja inscrição em restos a pagar tenha sido cancelada, mas ainda vigente o direito do credor, poderão ser pagos à conta de despesas de exercícios anteriores, respeitada a categoria econômica própria.

Caso a inscrição de restos a pagar tenha sido processada pelo valor estimado para a liquidação do compromisso contratado, quando de seu pagamento poderão ocorrer uma das duas situações seguintes.

ƒ O valor real a ser pago é superior ao valor inscrito. Nesse caso, a diferença deverá ser empenhada à conta de despesas de exercícios anteriores, respeitada

a

categoria econômica própria.

ƒ valor real a ser pago é inferior ao valor inscrito, devendo-se, portanto, proceder

O

ao cancelamento do saldo remanescente.

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Módulo

5

Módulo 5 curiosidade Os restos a pagar inscritos (processados ou não) são classifica- dos como: a

curiosidade

Os restos a pagar inscritos (processados ou não) são classifica- dos como: a pagar, pagos e cancelados.

10. sistema integrado de Planejamento e orçamento - sioP

O SIOP é um sistema estruturante composto por módulos, desenvolvido e implan-

tado pela Secretaria de Orçamento Federal – SOF/MP, em parceria com a Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos – SPI/MP, e o Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais – DEST/MP. (BRASIL, 2013).

O SIOP começou a ser desenvolvido em 2009 por iniciativa da SOF (Secretaria de

Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) em substituição ao antigo sistema usado para o Orçamento Federal, SIDOR. O SIOP está estruturado para atender principalmente às seguintes atividades:

ƒ Elaboração e revisão do Projeto de Lei do Plano Plurianual – PLPPA;

ƒ Elaboração do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias – PLDO;

ƒ Elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual – PLOA;

ƒ Acompanhamento das Estatais;

ƒ Acompanhamento Orçamentário;

ƒ Monitoramento e Acompanhamento do PPA.

Acesse o SIOP: https://www.siop.planejamento.gov.br/siop/ Fique de olho
Acesse o SIOP: https://www.siop.planejamento.gov.br/siop/
Fique de olho

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a. exemplo de detalhamento orçamentário

Gestão Estratégica – Planejamento, Gestão Orçamentária e Financeira a. exemplo de detalhamento orçamentário 55

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Módulo

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referências:

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BRASIL. Manual técnico de orçamento, MTO 2014 . Brasília, DF: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Orçamento Federal, 2013.

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. 2015. Disponível em: http:// www.planejamento.gov.br/ Acesso em: 30 jul. 2015.

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FORTIS, M. F. D. A. Orçamento orientado a resultados: instrumento de fortalecimento democrático na América Latina? Revista do Serviço Público, v. 60, n. 2, p. 125-140, abr./-jun. 2014. ISSN 2357-8017.

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MINTZBERG, H. Safari de Estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2000.

Ascensão e Queda do Planejamento Estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2004.

Criando Organizações Eficazes (Estruturas em Cinco Configurações). 2. São Paulo:

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https://www.tesouro.fazenda.gov.br/

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm (CF/88)

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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12465.htm (LDO/2012)

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