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edição

HiS:tória, histórias

Sª edição HiS:tória, histórias
- CULTURAEEDUCAÇAO N A S A LA G O A S: História, histórias

-

CULTURAEEDUCAÇAO

N A S

A LA G O A S:

História,

histórias

- CULTURAEEDUCAÇAO N A S A LA G O A S: História, histórias

1

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Elcio de Gusmão Verçosa

, ,

CULTURA E EDUCAÇAO

N A S

A L A G O A S:

História,

histórias

i kdicilch1 ao 200º Aniversário da Emancipação Política das Alagoas

5ª edição

/Edufal

histórias i kdicilch1 ao 200º Aniversário da Emancipação Política das Alagoas 5ª edição /Edufal Maceió, 2015

Maceió, 2015

w llNJVERS)J)AJ>E FEDERAL DJ:: Al,A(;OAS Reitor Eurico de Barros Lôbo Filho Vfoe-reitora Rachel Rocha de

w

llNJVERS)J)AJ>E FEDERAL DJ:: Al,A(;OAS Reitor

Eurico de Barros Lôbo Filho

Vfoe-reitora

Rachel Rocha de Alme1d3 Barros

Diretor.a da Eduíal

Maaa Stela T(l!T~ Barros Lameiros

Conselbo Editorial Eduíal

Mana Stela Torres Barros Lameiras (Presidente) Fernanda Lins de Lima (Se<-retruiu) Andcrson de Alcnca1 Mcnczc' Brnno César Cavalcanti Cícero Peric les de OJh·eira Ç~nall111

Ewico Eduanlo Pinto de Lemos

Fernando Antônio Gome~de Andrade Fernando Sílvio Cavalc:mte Pimentel Geraldo Maiela Gaudêncio Faria Janaina xisto de Barros Lima José Jvamilsoo da Silva Barbalho

Coordenaç>io Lditorial:

Fernanda L1ns

Re>1sJo.

lvanilda VtTÇosa

Capa:

Edmil\on Va•concclos

Diagramação:

Sim<'ne Cavalcante

Supenisíio gráfica:

Márci,1 Roberto \"1eirJ de \-leio

Caralogaçào na fonte

Universidade Federal de Alagoas Departamento de Tratamemo T~cnicoda E.ditc1ra da Ufal Bibliotecária responsável: Fernanda Lms de Lima

V482c

Vcrços:i, Elc10 de Gusmão.

Culrura e educação nas Alagoas : história. hlSlórias / Elcio

de Gu.çmào

186 p

. j].

Verçol'a. - Maceió : E.DL:FAL. 2015.

lSBN: 978-85-71i7-996-9.

1. Cducaç!ío -Al;~oas. 2. Cultura -A lagoas. 1. Título.

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As.sc:x:IAç:AO lftASIUJIU
OE EDffORAS UHIYERSnAIUAS

Para os educadores e educadoras que, apesar dos pesares, continuam a dar o melhor da sua juventude e do seu entusiasmo para a promoção humana e social da infância e da juventude das .:'\lagoas.

'' l o lll d eito, o presente no gual somos convidados a nos encerrar

'' l o lll d eito, o presente no gual somos convidados a nos encerrar não é nada por si; é apenas o p rolongamento do passado, do qual não pode ser separado sem perder grande parte de todo seu significado. O presente é formado por inúmeráveis elementos, tão estreitamente entrelaçados uns aos o utros que é dificil percerbcr onde começa um, ende termina outro, o que cada um é e quais suas relações; a observação imediata, pois, nos fornece uma impressão vaga e confusa. A única maneira de distinguí-los, de d111sociá-los, de introduzir, portanto, uma certa clareza nessa confusão, é procurar na h lstc'iria como eles vieram acrescentar-se gradativamente uns aos outros, combinar-se e organizar-se."

Émile DURKHEIM

  SUMÁRIO Aptct'rntação   13 C) liv10 e o homem 17 l,:1r.1 começo de conversa
 

SUMÁRIO

Aptct'rntação

 

13

C) liv10 e o homem

17

l,:1r.1 começo de conversa

21

A

hases para a ocupação do território ao SuJ de

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P rnnmln1co

 

J'.) • como se constitui a vida social em terras

37

nlagoanas

 

Alagoas ad Austrum

53

A consolidação do Projeto Colonial

55

 

mphn111

e 05 espaços na luta pelo poder

63

C11111 .1 l{cpi.'1hlk:l chegará alguma modernidade

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llnalmcntc às Alagoas?

Será finalmente agora o fim das Oligarquias?

131

Chegará o desenvolvimentismo também à Terra

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dos Marechais?

 

Como se fora um epílogo - a propósiro de dois fatos marcantes da atualidade

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Hdcrências bibliográficas

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APRESENTAÇÃO Reeditar o texto do Prof. Elcio de Gusmão Verçosa, Cultura e Educação nas Alagoas:

APRESENTAÇÃO

Reeditar o texto do Prof. Elcio de Gusmão

Verçosa, Cultura e Educação nas Alagoas: História,

Histórias, constitui uma iniciativa feliz da Edufal, que não poderia ser mais oportuna. Ele é parte de um estudo de maior enYergadura, sua tese de

doutoramento, B11rorracia e Oligarquia: um est1tdo de caso sobre o poder 11nil'ersitário, realizada na Faculdade

de Educação da Universidade de São Paulo, sob a orientação do Prof. Dr. Celso de Rui Beisiegel, que foi aprovada com a nota máxima por uma banca examinadora da qual tive a honra de fazer parte. Ao recorrer à História, pondo o foco de seu estudo sobre a cultura, esse trabalho do Prof. Verçosa evidencía, ao mesmo tempo, a originalidade de um tratamento teórico e metodológico capaz de lançar uma nova luz sobre a problemática educacional, não só de Alagoas como também, pela via da comparação, de todo o Brasil. O cliálogo entre culrura e História não é, em si mesmo, uma novidade. Ele corresponde a wn processo c.lt aproximação entre dois campos do saber na área das Ciências Humanas, a Antropologia e a Hístória, que, embora recente em seus resultados mais visíveis, notadamenre no campo da chamada História das mentalidades, tem, no entanto, suas raízes ainda na primeira metade do século, mais especificamente na produção dos historiadores franceses ligados à escola dos Annales, contrapartida da produção amropológ]ca e sociológica veiculada pelo L: -4nnéeSociologiq11e, publicação destinada à Yeiculação dos trabalhos do círculo de pesquisadores gue se reuniam em tomo de l~mile

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

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Durkheim, no momento mesmo em que, na França, a Sociologia se consolidava como campo autónomo

Durkheim, no momento mesmo em que, na França, a Sociologia se consolidava como campo autónomo do saber. :No campo da historiografia, os trabalhos pioneiros de Marc Bloch, Lucien Febvre

e Fernand Braudel tiveram o mérito de, ao se posicionarem contra o entendimento

da História como narrativa de acontecimentos ou dos feitos de grandes homens, que chamariam de Histoire événementie!le, desentranhar dos fatos as estruturas que os sustentam

e lhes dão inteligibilidade, sejam elas as estruturas socioeconômicas - numa aproximação evidente com a problemática marxista - sejam elas as estruturas mentais - aproximando-se portanto, também da problemática antropológica de Durkheim e !\farcel j\fauss -que, no plano da cultura, informam, como sua condição de possibilidade, não só o pensamento dos t,l'!andes homens, mas também o da massa anônima da gente comum, graças a cuja humilde ação quotidiana efetivamente se faz a História. O resultado desses esforços foi

a descoberta de gue, sob a aparente uniformidade do seu transcurso, a História não é

una, mas plural, estilhando-se o tempo homogêneo na diferença da duração, gue permite

distinguir sua escansâo diversa em diferentes domínios da vida social, bem como ritmos distintos de transformação, segundo se trate de estruturas de curta ou de longa duração. Eis, portanto, a origem dos trabalhos recentes e de tanto sucesso dessa nova História 1 , gue busca em fenômenos C\'Ídentemente menores - as elucubrações religiosas de um humilde moleiro do Friuli no final do século À''\lI2, um massacre de gatos por aprendizes de uma oficina gráfica em Paris do século XVlll3, ou a invenção da praia, território do vazio 4 - os sinais precursores de uma mudança de sensibilidade

e mentalidade que torna, enfim, compreensíveis, nos próprios termos em guc foram vividos por seus protagonistas, os grandes acontecimentos da História, sejam eles os processos da Inguisiçào, a ReYolução Francesa ou as transformações que, no século XIX europeu, dariam origem à nossa modernidade. Esta é uma História de características nitidamente antropológicas, que tem como contrapartida as incursões cada vez mais

que tem como contrapartida as incursões cada vez mais Jacques Le Goff e Pierre Nora. T-li.<Mria.

Jacques Le Goff e Pierre Nora. T-li.<Mria. ,"-:o;•11J Prohim1a.r. Nwa.r Abürdagem. No!'OJ Ob;No.r (3 vol.). Rio de .Janeiro:

Francisco Alves, 1988.

C:irlo Ginsburg. O Qr1eij6 e liJ 'I /m11es. São Paulo. Companhia das Lerrns, 1987.

Robert Darnron. O Grande 1Wasst1,Tf d~ G:itüs e outros e/>isrídios da

Graal, 1986. J\Jain Corbin. Território do I 'azjo. São Paulo: Companhia das] .erras, 1989.

histríri11 ru!turalfranct.w. Rio c.le .Janeiro: Editora

l IJ 1 fl q111 /a frct111Lntes da Antropologia pelo campo da História. se1a para

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frct111Lntes da Antropologia pelo campo da História. se1a para resgatá-la como terreno li git1mo de investigação antropológica, seja, sobretudo, para importar para o interior da disi 1plina questões teóricas e metodológicas que, testadas pelos historiadores, começam 1 11111tbr o borizonte das matrizes di~ciplinares,anunciando em certos casos a decisiva \ l1nd.1 da Antropologia em direção a novos parâmetros compatíveis com o que vem r.ndo chamado de pós-modernidade.-' O grande mérit0 do trabalho do Prof. Verçosa reside, pois, na sua capacidade de, h:tl\cando-se nessa rica problemática consolidada no campo de diálogo entre essas boas "izinhas<', a Antropologia e a História, aplicá-la com rigor à análise da História alagoana, 11•"·' 1<:contextualizar, através dela, o significado da questão educacional, numa sociedade 111 111 ada pela permanência de estruturas de longa duração que, em meio às transformações 11111 que passa essa sociedade, e apesar delas, constantemente reiteram, no plano da culrura, 1, rtho.r tradicional e oligárquico que parece ser sua característica essencial. Nesse sentido, o trabalho retoma, em chave etnográfica, o diálogo com uma rica 11.1dição historiográfica que, de Sérgio Buarque de Holanda a Raymundo Faoro., - e à qual dcn.:m agregar, mais recentemente, os trabalhos de Roberto da Matta, no campo da nu (•f'I<1l11v1a 8 - tenta compreender, através do resgate das raízes do Brasil, o mistério da I' 1111 11 ntl:i 1 l.ts oligarquias dos donos do poder e, ao mesmo tempo, rastrear, por entre lt p 1111 11 f\ 1 •· 1 transformações, os termos em que se coloca o dilema brasileiro frente n •'li" 1 11. d1 • l 1111 11, B1 ::isil. De fato, dividida entre uma ética arcaica da reciprocidade - em IJllt' l nli lt 1.1111 l' h íl ld.1dt•<; sociais e políticas entre desiguais, o jeitinho brasileiro e o antigo 1•• 1.;c1111 cl!l lh'p(1bhl 1 \'dha segundo o qual se deve dar aos amigos tudo, aos mimigos 11 h i - e. de ou trn Lldo, rn. \ alores do individualismo possessivo, a impessoalidade das 111irm•l'> e a prcdonllflanc1:t <le uma ética do interesse, a sociedade brasileira parece oscilar r.111 mnrnemos distintos, entre dois siscemas valorati\'os opostos, centrados na figura da

Cook.

.\fetefom. a11tropolo,~1t1 r IJ11tnri11.

1 1, p111 l'lu:mplo, ~farsh:ill S:ihlins. Lcla.s de Hist01ias La mPertt' dtl rapíta11

JIJ11 c-lf111,1 C.ctfüa Ed., 1988. Cf. também Teresa Caldeira./\ Pús-Moclernidade em Amropologm. NoroJ Est11dos (/ 1111 I/~número 2 l, São Pauln, 1992.

l( 1 1ht 1 t Dnrmon. O Brij<1 dr L11JJ(;11rctte ·Mídia, C11/t11M e &vo/11çii(/. Sfio Paulo: Compnnhia das Letras, l 990.

u ;;111 Buarque dt: Holanda. Raízrs db Bra11Z Rio de ,landro: Jos~ Olympio, 199 l. Raymundo F3oro . Os D1,i101 do

/' drt -fa111111(à~dfl pntro11at~politiro /mui/,.;,.(/. São Paulo/Porto Alc)!rc: EDUSP/ Globo, 1975. n11.l 1lll da ~llltT3.Camainis, 111ain11ffro1 eber&ÍJ- por uma J«ib//J.g10 do d1l•llJ.1 branlnm. Rio de J:meiro: Ecl. Guan3hara,

o bnuil, BraJ1f( Rio de Janeiro: Rocco, 1986; A ç.isa r a r11a. RJO de Janeiro: Ed. Guanab:ir:i. 1991.

Cultura e Educação nas Alagoas - História. histórias

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pessoa e do indivíduo, nos quais já se tentou idenaficar, respectivamente, as origens do atraso

pessoa e do indivíduo, nos quais já se tentou idenaficar, respectivamente, as origens do atraso e da modernidade no Brasil. Ora, a extrema novidadt que o trabalho do Prof. Verçosa apresenta consiste precisamente em escapar à facilidade dessa dicot0mia consagrada, para mostrar, a propósito da instituição moderna em que se constitui a universidade, que a permanência dessas esuururas ditas arcaicas não é algo que se opõe à modernidade, como uma sobrevivência indesejável e inesperada, mas, ao contrário, algo que, como re\·da de forma exemplar o caso das ,'\lagoas, se entrelaça inexcrica,·elmente aos processos de modernização. Na verdade, cais processos apenas reatualizam e ressignificam e~sas estruturas, de modo a permitir-lhes continuar a cumprir a função a que se destinam, enquanto instrumentos de luta por pre stígio e poder, valores característicos de uma sociedade que mantém com extraordinária estabilidade suas características oligárquicas, que vão de par com o erhos arist0cratizante dominante em sua cultura. É nesse contexto que se revela toda a riqueza da análise do Prof. Verçosa em

Cultura eEducação nasAlagoas: História, Histórias. Ao retraçar, desde os tempos coloniais,

o processo de formação socioeconômica das Alagoas e de consolidação de uma mentalidade oligárquica como estruturas de longa duração, ele arma assim um quadro conceituai e empírico, a partir do qual se torna enfim possível compreender o significado

que assume nesse contexto a problemática da educação, rastreada a partir da análise da constituição das instituições de ensino na Capitania, na Província e depois no Estado, que desaguaria, nos anos 60, na criação da UFAL. Kcssa trajetória, o pesquisador redescobre e nos transmite o sentido profundo das admiráveis pá6>inas em que, em Rttlzes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda evidencia o caráter ornamental da educação e da cultura que os caixeiros alagoanos eram ainda capazes de enunciar abertamente no inicio do século, mas que marcará em profundidade também o ensino livresco e a cultura retórica própria do mundo dos bacharéis, os filhos de elites oligárquicas que ainda hoje dominam

o cenário econômico, político e intelectual das Alagoas. Esta é uma contribuição de inestimável ,-alor para se repensarem os desafios

que a educação hoje enfrenta em Alagoas, configurando uma espécie de siruaçâo-limfre

cm

que se refletem, como num espelho capaz de ampliar a imagem que capta, algumas

das

faces ainda mal conhecidas do problema da educação no Brasil.

Profa. Dra. Afaria Ltíria Montes

Programa de Pós-Graduação cm Antropologia da Faculdade de Filosofia, U:tras e Ciéncias Humanas da USP

O 1 IVRO E O llOMEM Este é um livro que atingiu a marca de

O 1IVRO E

O llOMEM

Este é um livro que atingiu a marca de quatro edições esgotadas e vem circulando nas mãos de p.rofessores do ensino médio, nos gabinetes de planejadores da área educacional e, principalmente, nos cursos de graduação e pós-graduação do ensino superior. O caráter amplo, informativo e comprometido com a plena democratização do ensino, coloca-o na lista das leituras imprescindíveis sobre a realidade alagoana. Amplo, descreve os passos da formação do sistema de ensino; informativo, nos traz dados que permitem fazer um balanço sobre a evolução da educação em Alagoas; e, comprometido, envolve-se com as mudanças e o futuro do segmento educacional. É a primeira obra que aborda a educàção de Alagoas numa perspectiva histórico-crÍtica. E contextualiza os aspectos socioeconôm.icos e culturais, permitindo a compreensão do fenômeno da baixa escolaridade e do analfabetismo como problemas intrínsecos da própria formação social alagoana. Para muitos, esta pesquisa é uma importante referencia sobre o ensino no Estado. O Professor Elcio é um intelectual com uma linha bem definida de atuação: pesquisa e milita na área educacional. Esse modo de atuar condiz com sua formação universitária, marcada pelos anos do movimento estudantil antiditatorial (1967-1970), quando socialistas e católicos combinavam a luta pela democracia com debates sobre as mudanças necessárias para o país. Toda a obra de Elcio deve ser compreendida a partir de sua vida acadêmica, dessa militância pela

educação, guc foi combinada às suas atividades de professor da Universidade Federal de Alagoas (LfAL).

educação, guc foi combinada às suas atividades de professor da Universidade Federal de Alagoas (LfAL). A ati,·idade universitária numa região periférica tornou-se um fone esúmulo

para que tratasse na sua dissertação de mestrado, do rema Idu1logia eprática pfda,gógir.a escolar, em que discute a questão da disputa pela hegemonia política nos fundamentos

da educação. A tese de doutorado

Bttrocracia e oligarquia: um estudo de caso sohre o poder

rmiNrsitário, defendida na Universidade de Sno Paulo, caminha na mesma direção, trazendo uma análise profunda sobre as relações sociais e políticas, tendo corno foco a

hegemonia na construção do poder universitário na Ufal. Homem coerente com sua escritura, Elcio compreendeu que era necessário criar espaços para a intervenção inovadora. Por conta disso, vai participar da fundação do Centro de Educação (CEDU) que, a partir de sua estrutura de formação e pesquisa, incluindo a Pós-Graduação, passaria a exercer uma influência decisiva em toda a área educacional do Estado. Coerente com sua militância disputou, em 1980, a Presidência da Apal (amiga Associação dos Professores de Alagoas, fundada em 1965) hoje,

Sindicato dos Trabalhadores na Educação de Alagoas - S~NTEAL. Posteriormente, em 1985, foi eleito Presidente da .Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (ADUFAL). Para lançar suas ideias extramuros do espaço acadêmico e sindical, procurou ampliar o diáJogo com a sociedade, pondo em circulação, a partir do ano de 1996, os livros: Cultura e Ed11raçà(J nas Alagoas: bistó1ia, hi.rlórias e Hutó1i11 do E.nsí110 S1rpnior tm Alagoas: Vf'rso f m 1 erso. Com o esforço de analisar o passado do sistema educacional no Estado, esses trabalhos reforçaram a visão moderna para o presente e o futuro do ensino em Alagoas. No passo a passo dessa militância intelectual, Elcio se tornou

o mais qualificado analista do processo educacional de ,AJagoas, e, como conselheiro

representante do Sinteal foi eleito para o posto de Presidente do Conselho Estadual

de Educação. ;\ marca de sua passagem no Conselho, onde lutou intensamente para

encontrar novos caminhos que garantissem uma educação de: qualidade para todos, foi

o trabalho de redemocratização e transparência do órgão.

A. sua contribuição na área institucion al pode ser medida pela particip ação

como avaliador do INEP/i\fEC, de cursos e instituições de I:nsino Superior; pelos com·ites gue recebe para participar de bancas de Pós-Graduação e prestar assessoria

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Cultura e Educação nas Alagoas · História, histórias

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1 1 i1 1 110! \(l( .1mplos, corno o Plano Estadual de Educação e o Plano Municipal 1 llH 11~ ', 1 I• ~l.1ceió, as duas principais linhas da educação pública local. Mas, sua

t1ial vai mais além. Em 1998, participou da organização do livro Educação

Em 1998, participou da organização do livro Educação l11\~1111111 ln l '11/!/1rr1s P1íblicas: a

l11\~1111111ln

l '11/!/1rr1s P1íblicas: a implantação da nova LDB em dr.bate. No ano seguinte, lançou •11llD t/01 /r'.\"/(}.r didáticos naprática escolar: uma abordagem sociopolítica da ação docente. Em

l fnr111arlio dos prefessores em Alagoas: ttm olhar retrospectivo sobre suas origens,

11111 1 1111l 1li1 11t1

1 1plH1lu 1111 l11íd11 1111 li vro do qual é organizador: Caminhos da Ed11caçào em Al~goas: da

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reconhecer sua contribuição ao tema regional, colocou

n •I itl'I l 1dlcx1111 'obre a formação cultural do Estado, publicando, em 2002, o ensaio

vários outros trabalhos, todos voltados, direta ou

t/1 ~t fll11t111.

E para

111111 11iln1111 ,J/,~~oana? além de

ln11!1 111111 1111, para a realidade educacional alagoana. J >c·pois de três décadas ininterruptas trabalhando como docente da UE-\L, ele

p 1111 .l dedicar seu tempo à Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), da qual

1111 111oíc:ssor e pesquisador visitante, exercendo, atualmente, a função de professor e 11111dtnador acadêmico da SECNE. Sua prática docente é compartilhada 1th 1cl.11ks na policicfl educacional. / 11 flfts.ror Emérito da UE-\L, rítulo que recebeu por indicação de seus pares e 1 llllt 1 11 , 111 do Conselho Uni versitário, autor lido e comentado, mestre de princípios fu 111L 1 1 li 1111 llm exemplo de intelectual coerente com o tempo em que vive, por sua p1oil11~111 ,•,1hosa e seu engajamento.

com as

Cícero Pfrides de. Carvalho.

Cultura e Educação nas Alagoas - História. histórias

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PARA COMEÇO D E CONVE RSA

\o elaborar este trabalho pensei estar dando os passos iniciais na construção de

l!lllíl pnme1ra história da educação em terras alagoanas, \'isto que a produção existente 1111 ilmc::nte sobre o tema se constimi, em geral, de compilações esparsas de dados no l1111u de. trabalhos sobre a história mais geral das Alagoas ou então de estudos sobre 1111c t11u; específicas ou sobre personalidades ligadas à nossa ,-ida educacional. A.o dar a largada para o p.reenchimento de tal lacuna, procurei, porém, ultrapassar

historiografia alagoana produzida até nossos dias. Tentando

1} r: 11I11l1ue predominante na

111111.u n postura crítica assumida pelos historiadores da l-iistória No1 1 a (LE GOFF; NORA, IV~ \, 1988B e 1989) frente ao tipo de história que chamam de év/ne111entielle, também traduzida cm português por açontecimenta/ (REIS, 1994), que é a tônica da historiografia alagoana

I''e1cluz1da até hoje. e que, sumariamente, pode ser entendida como uma História-ro11to, 1 olc .1th em fatos e personagens, penso estar dando uma contribuição em relação à nossa

hl '''''·'como um mdo. ÂMi1rn, propondo, em oposição ao que existe, uma História-problema, que procura

'I '' 11 1,.1sacteres gerais das instirnições sociais e das tJ1entalidades (vOVELLE. 1982: LE 1( 11 1, 1•i•P), como uma das condições de se entender a História presente, inclusive nas 11rpl111 .is e permanências que evidencia em relação a esse passado, a ser radicalmente 1'1mprcendido como outro em relação ao presente, espero estar possibilitando, através eln:; notas que seguem, um passo adiante na nossa historiografia sobre a temática mais t !iptt.1nca da educação.

tipo de História que me propus a esboçar aqui surge, na verdade, de um

Escola

•t111l11JJ,tCa Francesa (BURKE. JCJYO), proc u rando captar fenômenos de longa duração

cultura. Este

p:uccc.: ser o único enfoque capaz de fornecer parâmetros teóricos e metodológicos ndcqu.ulos para fazer frente à historia que tradicionalmente tem sido praticada pelos

ltAlrwo com as Ciências Sociais e em par ticular com os pais fundadores da

1111 11 11 , 1 1 157; BRAllDRL, 1966) entranhados nas estruturas da vida social e da

\ 1 rn tt·ntando reconstituir o passado alagoano e, como parte dele, também, à história

d 1 1oli111 .1i; e práticas educacionais entre nós.

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

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Dessa forma, procedendo a uma reconstrução histórica de mais longa duração, procurei, antes de mais

Dessa forma, procedendo a uma reconstrução histórica de mais longa duração, procurei, antes de mais nada, por intermédio de um mapeamento mais amplo, capaz de explicitar padrões de sociabilidade e formas de ação simbólica presentes no processo de organização e desenvolvimento da sociedade alagoana, extrair as regras e os valores que conformaram o modo de pensar, de conceber e de organizar a vida social. Ao agir desse modo, creio ter conseguido apreender, ainda que esguematicamente, no jeito de ser e de agir desta sociedade, o ethos que operou e continua ainda a operar no modo de conformar suas instituições, dentre as quais, evidentemente, encontram-se também as de natureza educacional. i\feu intuito foi, como se pode notar, proceder a uma reconscimição histórica que enfocasse a realidade social a partir de uma postura marcadamente antropológica, retomando os elementos constitutivos da situação sociopolí6ca e econômica da época de criação das Yárias instituições sociais alagoanas - e dentre elas as especificamente educacionais - com o objetivo de já agora começar a construir uma explicitação das teias de poder que perpassaram e continuam ainda hoje a perpassar, simultaneamente, as relações sociais mais amplas na vida alagoana e aquelas que se estabelecem no interior de cada uma de suas instituições em particular. E, uma vez que est.'l História nos revela o predomínio e a permanência das elites oligárquicas alagoanas, foi inevitável que o seu etho.r viesse a exigir minha especial atenção, até porque a História parece nos mostrar que, pelo menos em Alagoas, ele se constituiu sempre como modelo a ser admirado por todas as demais camadas e, em alguma medida, seguido em todas as instâncias da vida social. Essa problemática põe em foco a velha discussão sobre o arcaico e o moderno na evolução da sociedade brasileira, retornando à questão clássica do sentido da co /on izafâ O. Como em Alagoas, talvez mais do que em qualquer outra parte do Brasil, ela parece ter urna relevância incontestável, vi-me obrigado a voltar bem atrás na História, para apreender, desde o momento inaugural da constituição da sociedade alagoana, aquelas estruturas que a marcaram em profundidade e, assim, configuraram o ethos que a caracteriza em sua singularidade. Para isrn, tomei a análise exemplar de Faoro (1975) so bre o patrimonialismo t afomJrifliOdo patronato brasileiro como ponto de partida e guia de leitura da história alagoana, sobretudo porque me permite fazer a ponte entre essa

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Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

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111 t 1n 1 d• longa duracão e análises recentes da sociedade nacional, que colocam em llltl t 1\1 n que Da Matta (1979) denomina de dilema brasileiro. O estudo da sociedade lftp• 11111 dni;a forma encaminhado poderá, quem sabe, contribuir para que seja lançada u1111 1111\'.l luz também sobre essa questão. 1,, 1dentememe que se fazer a história dos tempos mais recentes em Alagoas 1 ri 11' tarefa das mais fáceis, reconstruir também suas primeiras experiências exigiu uni l 1hor ainda mais árduo, seja porque delas pouco se disse até hoje, seja devido à n1.1111 1r.1 particular como as coisas foram ditas. Não obstante essa peculiaridade, tais 111.:r tnl! representam, contudo, a meu Yer, uma base a partir da qual pareceu-me ser 111•8!11\t1 a construção de uma explicação preliminar para a natureza e características d111 d11cnçâo em território alagoano e para os desdobramentos que vieram a ter na vida r11111 das Alagoas.9 Assim, essa história dos arontecimmtos, tal como a designam de uma perspccti,·a i.;tÍtica os teóricos da NoYa História, hoje existente sobre as Alagoas, foi minha fonte húsica. Procurei lançar mão 1 ainda, de algumas fontes primárias disponíveis que, junto 1,; 1m outros documentos penosamente rastreados, e com o que consegui consultar na lm,1r111teca do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, me deram possibilidade 1 111111 rcleitura, a meu ver, nova em relação às existentes. Algumas entrevisras que 1111111cw11 fazer contribuíram também, em muito, para a execução da tarefa que me u11pwi, rm relação aos tempos mais recentes.

\ 111111011:111cia desse material é: tanm maior quanto mais se leva cm conta que, em terras alagoanas, os tloc11111l 111ns hmóricos tém sido objero de profundo descaso pela maior parte daqueles gue os deveri:1m ter cm

h11a, ''11cm~t1cae cuidadosa guarda. Ressalvando se o Jnsriruto Hisrúrico e Geográfico de .-\lagoas que, a duras , tem conseguido m:mrer em dia seu modesto mas bem cuidado acervo, buscar informação hiM• •rica cm pnll!JM~, na ma maioria sob a guarda do poder público em Alagoas, í tarefa quase impos~ín;I. tal a

b lc lfoc:i e a desordem reinante em seu arquivo público ou na única biblioteca estadual ali exisrenre.

Cultura e Educação nas Alagoas· Históna. lustórias

23

AS BASES PARA A OCUPAÇÃO DO ·rJ~RRITÓRIO AO SUL DE PERNAMBUCO

Alagoas, como espaço político-administrativo autônomo, no contexto da (111111,1c;.ao sociaJ do Brasil, data de uma época relativamente recente, tendo ficado, 111 o ,ino de 1817, ligado formalmente a Pernambuco. Contudo, o território hoje 11r1 r · 11nndente ao Estado tem sua ocupação e seu desenvolvimento econômico e social

p l1111 1.1dos nos primórdios da colonização. Por isso mesmo, as raízes de sua vida social

r. 1111htica têm de ser rastreada s ma.is além, desd e o sécu lo ) Hi

Em todos os autores que se dedicaram ao estudo das origens e do lc ~·m·olvimento da sociedade brasileira e alagoana, uma afirmação é constante:

o longo de nossa história colonial, o atual Estado de Alagoas, como de resto boa >:tcni-âo das terras que foram produto elos descobrimentos, até meados do século \ 1, 1nritório livre para a cobiça de navegadores, não veio a ser efetivamente ocupado 1 li 11' 1,1 1 a partir de então. I· •t abandono a que foi relegado o território aJagoano deveu-se, paradoxalmente, 111 p1n1c111 dt. t:xploraçâo do pau-brasil pensado pela Coroa portuguesa para os novos 1c111t1'nio~ descobertos. Havendo em grande profusão na nova terra este "símile das

'YI.

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11

• •

l 11 • •

111rm1rlo1ia.r rmmtais: opau-brasil' (PAORO, 1975, p. 105) que, na ausência de metais e pedras 111t•t insas, permitiria a sua Jnserção no projeto mercantil portugut:s, cuidou a Coroa de ncl11t;\l o sistema dejêítoria.r, largamente utili:i:ado na Índia e na África com bastante 11(·1 • v>. Através desse sistema seria tocado o comércio sem a quebra da \·elha pra :e 1111111111111pólio real sobre todas as aci,·idades comerciais que se desenvolviam no Reino.

llh? 111d 11 o sistema de concessões, tão ao gosto da Coroa lusitana, esse monopólio

o rei co m o controle de

n i • cx<.!rcido diretamente, permanecendo, co ntudo,

Oblttl\ os clcsrc trabalh•). trata.remos, aqui, apcna5 da ocupação do rerrirono conduzida pelos europeus, fi 11 p~na 11 cena o element o :iutócrone apenas n a medida em que este se antepõe :io projero colonizador.

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Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

Mediante carta de privilégio, na forma dos antigos usos portugueses para com os comerciantes c~trangeiros

Mediante carta de privilégio, na forma dos antigos usos portugueses para com

os comerciantes c~trangeiros que agiam em ~cus territórios e para a exploração de domínios além-mar, o sistema armava-se em três vertentes: o rei, que dava a concessão

e garantia a integridade do comércio, com armas e forças civis de controle do território;

o rontratador, que tocava a empresa, armando as naus e Yinculando-se aos financiadores internacionais interessados na redistribuição da mercadoria na Europa e, finalmente, a feitoriri, de Yelha, útil e bem usada tradjção. Essa instituição, porém, que em terras de outros continentes foi embrião de povoações prósperas e garantia da presença da metrópole, aqui deu lugar a "opma.r

abrigos para

28). Por isso, e pela imensidão do território, esse modelo não edtava a presença dos comrabanclistas de pau-brasil, sobretudo os franceses '~freqüentesdesde 1504, nem a cobiçc1 espanholo, perdidos todos, corsários e capitãf!s, na imensa costa hrasileim, capaz de alimentar um comércio lucrativo" (P:\ORO, 19-:;, p. 106) 11 , pondo em risco o monopólio e até a posse das

novas terras. Além disso, a feitoria apresentou, desde logo, um ponto sumamente frágil,

incontrolável mesm o: a dificuldade de comerciar com os habitantes da terra, refratários

a alianças duradouras e insubmissos 12 , o que golpeava no seu cerne o modelo de

exploração - afinal, como conseguir exclusiY:idade das mercadorias sem estar preseme

a cuidar delas? 1sso deu à Coroa portuguesa a certeza de que o Brasil seria de quem o colonizasse e nele estabelecesse núcleos populacionais estáveis e leais.

re1mir'iü e proteção de df/êrentes mercndonas à espera de transporte" (FR 19-1, p.

\'.:\CO,

li Em território alagoano, abundante em pau-br.1sil, hou,·e. durante os pnme1ro~ anos após r, oescobrimenro. p-ande presença de franceses que ali apomn·am em busca daquela mercack•na . Pro\'l disso e- o rc-gistro existentt'. no chamad<> mapa de Barleus, que repre~cma a parte mendional da Capirania de Pernambuco, datado de 1643. de um Jlflrf(/ dos rra11c1'.re.r nas imediaçôcs da lagoa :'lfondaú. Este, porém, é apenas \lm dos o·és ponos com ral denominação na~ costas alagoanas. Gabrid SCJares de Souza. t:m seu Tratado dmritir(I d() Bi·asi/, consigna em 1587 tré~ porro~ em Alago:t.~com tal t!enom.inação: OPorto T eUi() dos 1ranmes (quatro léguas antes do no São .Miguel),

hoit a Praia do Fr:mcés. delioa do~ rurmas; o Po1to _'\:oro

dos Fra11<tm (duas iégua~ adiante da f07 daquele rio, na barra do rio Jequ1á) e. rinalmeme, o Í'1J110 tkJs frflll<rM

que yem a ser aquele mesm•) do mapa dL B:rrleus -

t.>mtegido pelos Baixios de D. Rod rigo, próximo à en~eada formada pelo óo Coruript';. hs~a abuodãncia de

pau-brasil em rerritúriv alagoano foz. in<:lusi,·c, com que seu contrabnnt!o se prolongasse aré, pelo menos. 184(1. dara cm que foi apree ndida em Coruripe uma embarcação françcsa, que se acha\'a em parte carre~ada

in

com aguei:< madeira. t{'ndo outro barco que também ali ~e encomraYa consegmdu fugir. Cf. S.-\.1\:T'A

'I-\.

\1

.T,\VIL\ (1988: :?3-24, nota 1).

12 Os grupos indígenas locais não estavam trabalhados como os da Índi;1 pelo contato com mouros e curopc:u>. aceitando assim entrar no jop.o comercial português e trocar por mercadorias ouro e outros produt0s <la cerra .

26

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

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A 1r.ntariva de viabilizar esse projeto através de expedições colonizadoras, que 1 f11 • 1 11 1h,1Jho da armada guarda-costas e exploradora com a expedição colonizadora, nl• • 1 • jlll fez Martim Afonso de Souza, não atingiu o objetivo, permitindo tornar

 

f

ti 1 1 1lt·scoberta pela posse que fecbasse o comércio do Brasil aos estrangeiros. 11,>111 .1~ povoações esparsas existentes, obra de colonos degredados, desertores,

li

11l1.11111s, sem a vigilância da burocracia real, eram inócuas do ponto de vista do controle

t

, l 1 e'pioração das

riquezas da nova terra.

 

<) pau-brasil, pela sua importância no contexto comercia] europeu, exigia mudanças Ih! h111n.1 el e.: oc upar o território. Afinal, além de seu valor comercial, seria através de um fl µ111 1• 1 \ 1sível e palpável como o comércio dessa madeira que"a esperança - quase apromessa

1

, 11/,11,/i1 prlo êxito espanhol nas suas colônias americanas- a esperanpa de ouro epratapoderia se tornar

/

1•li~I" (rAOR0,1975, p. 107). Era indispensável, pois, ocupar o território. Vale assinalar, porém, que, a despeito do malogro do modelo feitorial, com ele 1111.1111 lançados os elementos fundamentais - o político, o comercial e o territorial- para

 

1 1 l\ p,111 sào comercial portuguesa que} segundo faoro,

   
 

vão perdurar />or três séculos, com alterarões apenas atfjetivas: os comercirmtf.r, em ceito momento, nâo podiaJJJ ser estrangeiros; 11sJêito1ias se ak1rgaram em estabelecimentos /irodutivo.~comrmrcadoria.r adequadas à demanda unjversal. No centro,pemmnente seria r1 domínio da realeza - o estamento - 1•inmladri ao capitalismo europeu (fAOR0,1975,

 

1'

106) .

 

A11ti 1111, 11pos .1 expedição de 1vlartim

 

l\fonso

de Souza (1530-1532), última tentativa

 

1111111111,n Jn(.;ta1s preciosos no novo continente, muda-se o modelo para que fiquem

~111111tidos os propósitos: Dom João m institui as capitanias hereditdrias 1 surgindo, pelo

1111 1 d1 'I ele outubro de 1534, a de Pernamlmco, também chamada de Nova Lusitânia, l 11111 n cx11· 11!l:m de 60 léguas de terras situadas entre o Rio São Francisco e o de Santa

1

1ü de l 1.1111:11.td, incluindo assim nos seus domínios o território correspondente ao

 

111111

h;1.1cl11 d t· Alagoas.

 

' 1'1 ndo como intento o aperfeiçoamento do sistema de feitorias, quanto ao 1\ 11A1111 11111 llllc deverá se seguir, como condição fundaniental para a viabilidade do

)''

11

111

d1 1 1 ,1111 Prad o:

 

Cuhurn! E<luca~âo nas

Alagoas

História, histórias

27

Para os .fins mercantis que Sl' tinha em vista, a ompaçào não se podia fazer

Para os .fins mercantis que Sl' tinha em vista, a ompaçào não se podia fazer como nas simplf.s feitorias, con1 um red11zido pessoal zncmnhido apmas do negócio, ma admíniJ'lraçâo e d~fesaarmada: erapreciso ampliar estas bases, criar um povoamento capaz de abastecer e manter as feitorias qttf. se fundassem, e organizar a produção dos géner&s que interessassem ao se11 romérrio. A idéia de povoar surge daí e só dnL

um q}N.õlamento entre os tradicionais 0Í!/etii1os mercantis que assinah1111 o início da expansão !!ltramarina na Europa, e que são conservados, e as novas condiçr7es

m1 qt1e se real.izard a etupresa. A queles oljetivos

qm vemos passar para (; segundo

p/(1110 nas colônias temperadas, se manterão aqt1i, e mam1râo j1roftmdame11tf afeição das colónias do nosso tipo, ditando-lhes o destino. No seu ro'!/unto, e vista no piano mundial e internarional. a colo11ÍZfi(ÔO dos trópicos toma o aspecto de uma vasta

m;presa comercia~ 111ais comple.'>-:a que a antiga feitoria, mas semp rl' com o mesmo carátfr que ela, destinada a f>:plorar os recursos nr1t1.frais de um território virgem e111 pr01:eito do comércio europeu. É este o z1erdadeiro sentido da coloniZfJfâO tropical, de. que o Brasil é uma das rtsultantes; e de explicará os ele1J1enfosflmdamentais, ta11to

e evolução histórica.r dos trópiros americanos

110 económico

ro!JJO no social, da formação

(PRt\D0,1948, p. 16).

Assim se procurava tocar sob nova forma de organização uma empresa comercial gue tinha como objetivo imediato o comércio do pau-brasil, logo seguido pela exploração do açúcar, cujos preços vinham se elevando nos mercados europeus desde a segunda década de 1500, sem se perder de vista a possibilidade das minas, tão avidamente buscadas por outros expedicionários. Nas cartas de doação e nos forais 1 -', junto com a exploração do pau-brasil,

pode-se já antever

pelos enge nhos de açúca r. Segundo Varnhage n, o açúcar já estava presente como motivo mesmo antes da criação do sistema. Conforme afirmação sua, contradizendo a primazia c.1ue se atribui a Sâo Vicente no cultivo da cana, em 1526 teria entrado em Portugal algum açúcar de Pernambuco e Itamaracá (VARNH1\GEN, 1963, p. 106).

Assim, no momento em gue D uarte Coelho Pereira assume, em 1535, a donataria de

o

interesse dos capitais de Lisboa,

po rtugueses e estrangeiros,

;

l:~steseran1 regulan1entos que c>utorga\'am aos donacirios poderes públicos de c.:onccder terras, recolher tributos.,

exercer. enfim, o poder político e administrativo 11os territórios recém-criados.

28

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

e administrativo 11os territórios recém-criados. 2 8 Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

1ri 1nl1111 11 1 j(i se tinha certeza das possibilidades do cultivo da cana de açúcar nas

111\

1\ 1 1

q u 1: 1111a -

"de feito, e111

nenhuma parte se ofereciam de modo

tão cabal as condiçõn

rr 1'/r11 /'•llll rsta fSpécie de cultura: terras à discrição, adequado clima, to eim1ento da produção,

o

o

s

o

o

o

1

o

o

.,

;,

1 1 llll irlr1 prla escravarid' (AZEVED0,1947, p. 235)

J\ gora, a colonização das novas terras através de plantação, e não mais

1p 11 d e s imples extração de madeiras, vem estabelecer em definitivo, no nordeste

li1 u"il, um empreendimento de cunho capitalista - produção para o mercado

do espírito do "capitalismo mercantil epoliticamente 01ientado ''como o

1lrn11111111,1 t·:ioro, e que caracteriza o século XVI português. Tal projeto traria em seu

\

110

A1111 l.1 q11t• dentro

h11J11 11111,1 'lt'rie de consequências, que podem ser assim resumidas:

As relações entre os capitães-governadores e os r·eis e entre os potmtaclos rurais f' o governo tiverat11, de um lado, acentuado cunho patrimonial, pré-moderno. O donatário

caracteliZfl·SPpela qstalidade duplr1, defazendeiro<' antüridade, Sf'm a fusão de ambas,

fusão incompatível com a ordem

da colonizaçiio. reservando para si o dízimo da colheita e do pesmdo, o monopólio do comércio do pau-brasil, das especiatias e das drogas, o quinto da.s pedras e metais preciosos. O governo portug11ês não pstnhr1 no negócio o seu capital, ao tempo escasso e comprometido com outras aventuras. Sf!"via-se de parliculares - nobres e ricos com sua.r cliente/as eparentes sem cabedal acenando-lhe.r com a op11lfncía e o lucro fácil, móveis de ação tipicamente capitalista, como capitalista seria a oferta aos pobres da fácil vida ame1icana. A propriedade mm/ brasileira tomo11fôlego e se expa11di11 para a exploração de artigos exportáveis. ligados ao mercado mundial, pela via de Lisboa

rú delit11ito11 tis 1•a11tagens

legal po11uguesr1.(

)

O

(FAOR0,1975, p. 131).

Assim, o sistema de capitanias, obra do Estado, inv.estirá os donatários dos 1111drr~s públicos que lhes serão, deste modo, delegados. As donatarias, porém, não

, 1 u1n seguir dar conta cabalmente daquilo para que for:un criadas - defesa contra o 11111111~0 externo cobiçoso, controle do gentio sempre revoltoso, a par de um povoamento '>uhmisso e de uma empresa sob controle total da Coroa. O projeto em centralizador 1111•. moldes da política tradicional lusitana, mas não conseguia vencer uma realidade "' '' .1, inteiramente diversa da portuguesa: a dispersão territorial.

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

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Agravada pela autoridade dos funcionáríos do rei e dos senhores de terra que cada vez mais iam adquirindo uma autonomia inadmissível sob quak1uer hipótese, a contradíção em que se debatia o sistema passou a exigir novo ajustamento no projeto político-administrativo bem pouco instalado:

o comando da e.conom;a e da administração deveria, para consr-rvar o tradicional

edifício do govemo portugt1ês, concentra1~senas zelosas e áumentas Jllfios, mãos ávidas

de lucros e de pensões, do estamento

bumrrático" (FAORO, 1975. p. 142).

Não era tolerável, sob risco de botar a perder a empresa real, que continuasse no Brasil o colono a agir da forma autárquica descrita por Frei Vícente do Salvador:

"repúblico, nem zela OU trata do bem COJJ7U!JI, senão cada tlm do bem particular', estando na terra as "coisas trocadas, porque toda ela não é rep1Íbika, Hndo-o rt de cada u11/'(s.d., p. S9).

Faoro acentua inclusive, em sua visão da natureza do projeto colonizador português para o Brasil, o caráter controlador de empresário da Coroa portuguesa, no intuito de contrapor sua tese àquela de que o nosso pais teria sido ocupado em moldes feudais, sem deixar conmdo de assinalar os resultados práticos do desenvolvimento da empresa nos imensos e esparsos territórios:

Não jf: negue (sic), lodavia, os ~ffitos de.rantralizadorN, dispersivos das donatarias. Efeitos ine1:ittfreis, derorrwtes do isolamento geográfico, da extensão da ro.rftt. capates de ,gerar 11úcleos de autoridade socia~ sem que a administração real permitisse a consolidação da autonomia política. As oligarqrlias locais. resistentf.r ao co/Jtrole central, terilo s11a base no sémlo XVI, mal lo/eradas j/!1f1pre, desde o advmto do governo -geral e da progressiva rentra!izt1çrio logo i;;.;tt1m·ada

(F1\0RO, 1975, p. 133) .

Esse germe de autonomia pode ainda ser melhor aquilatado se atentarmos para o que se segue, díto ainda pelo próprio Faoro:

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Cultura e Educação nas Alagoas - História, h istórias

O exerrícto da v1erra ao ind{~ena r a obra do defeso e:x.1ema acent11avam use traço .da

a11to11orma/,fazendo da

a11totidade local o corpo de uma força militar autónoma. Os

goNmadores tornavam-se verdadeiros sátrapas, an;pliando, por efrito das necessidades,

pelo e.rtÍ!nulo à a11sé11cia de vi

a esfera de suas delegações. Os colonos hauriam

~i/ância,

a autoridade de seus recursos. i11s11bordi11a11d(J-.rt: contra os donatá1ios, sem respeito ao

próp1io rei, dista11te, calado. inntt (F.\ORO. 19"'5. p. 142).

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"íl·n<lo, pois, o modelo político-administrativo inadequado aos ímeresses do Rei, gi .1ndc a prosperidade econômica e prorrússora a empresa, cuidou a Coroa de

1 1l11w11.,ionar o modelo para garantir o negócio. Afinal, a essa altura - 1549 - o açúcar t t i1 "1//1111r .ruredá11eo do ouro e da prata'' (F.A.ORO, 1975 , p. 142), que ao rei e seus prepostos

defender.

O controle sobre o localismo desenfreado e anárguico vai ser tentado através de lllll poverno gue concentre os poderes, situando-se a meio caminho entre os dois polos 111. 111 auvos e promissores da colônia - São Vicente e Pernambuco. Era o Governo-Gera/, ln 1111ado na Bahia em t.'>48, modelo . que, no entanto, não extinguia as capitanias: os 1 1pll. e'" passariam a ter seus poderes públicos incorporados ao sistema de Governo- ( ft'I :il, o,c·ndo assim fiscalizados por um poder mais alto em assuntos militares, da fa7.enda ,J 1 Ili 11ça, mas, preservando ainda muito de sua autoridade como a de conceder 1r1111tm11.1 11 , por exemplo. Trata-se de um novo sistema jurídico-administrativo, que vai pt 1d111a1 por dois séculos. Contudo, respeitando os direitos vitalícios e hereditários d11 donatários, o Rei, através do Regimento e do documento de nomeação de Tomé de Sollza como primeiro Governador-Geral, vai manter em vigor, absolutamente ltl1111 .idos, duas dimensões da sua autoridade que merecem reparo e atenção - o poder puhh1 1 > e o patrimonial. h:ita essa nova e definitiva tentativa de centralização através do Governo t •fl ti, 11 que está consignado nos documentos reais nem sempre vai ter força para 'il L11 11 1 t 1 H' t a realidade do dia-a-dia da colônia - as grandes distâncias e a dificuldade

dr 1 c111111111c.1ção assinaladas permanecem, "deixando, nas dobras do manto do _R,ovemo.

Wlllnl n:1m grandes e>m.:nsõcs de terra doadas não simplesmente a quem as pedisse, mas geralmente a um poue~ e capacidade de desenYoh-é-las economic:uneme.

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

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nm1tas mergias sültas. que a Cüroa, em certos 111onm1tos, reprimirá drastiramente" mas, que em outros

nm1tas mergias sültas. que a Cüroa, em certos 111onm1tos, reprimirá drastiramente" mas, que em outros adrruttrá complacentemente. A rede de poder oficial será incapaz de controlar todo o mundo social que se constrój, inaugurando, com o vício haurido das capitanias, um dualismo de forças entre o Estado e a vida civil (E'\ORO, 1975. p. 149). O que essa política de centralização vai efetiYamcnte criar é uma "c11mpaça buromítira", submissa à Coroa, através de formas administrativas de eficácia secularmente consagrada no Rtmo para o controle da vida local - os Conselhos e Municípios, que irão regular a vida politica nas diversas localidades existentes ou que passarão a existir. Surge, assim, na \-:ida social e política brasileira, para aparencemente nunca mais ter fim, aquilo que Faoro chama de "paradoxo aparmte.", ou seja, o domínio das populações dispersas através da instituição do governo local que, com seus cargos públicos de governo, irá cona:ibuir, além do mais, para ampliar a restrita camada da aristocracia local. De fato, sendo o cargo público, qualquer que fosse ele, uma comissão do Rei, sua mYestidura transformava quem o deúnha em portador de autoridade, conferindo-lhe, ao mesmo tempo, por um fenômeno de interpenetração inversa de valores, a marca da nobreza. Esse fenômeno é assim descrito por Faoro: "como o emprego ptíhliro era) ai11da no

sécJ1/o XT ?f, atributo do nobre de sa11g11e Olf do cortesão criado nas

dobras do 111a11/o real o exerrkio do

cargo infrmdt oaCt1!amento 01istomítico aos s1íditos" (1975,p. 1-s). É o começo, no Brasil, de uma relação de compromisso entre os poderes público e privado <le natureza bem p(;'culiar, que irá se aperfeiçoando da Colônia ao Império, até chc.:gar plenamc.:nte desenvolvido

à República. Pelo projeto da Coroa portuguesa, o .Município'", que na metrópole t:lnha se constituído em instrumento eficaz para refrear os excessos da aristocracia e para

i~ (h M\micípios eram, na \erdadc, as ,·ilas. cujos forais para funcionamento eram. regra gcr~l. de outor~a dos donatários das capitanias, com a aprO\·açào final do Rei. Sua criação dan-lhe o d1re1tt> de 1er as tcin1ar.i.r /t•ti:JÍi. compostas de dQis JtÚzes ordi:iários e: rrés \•ereaclorc~. que consrituíam o núcleo de Gm crno, mais proc urador. rcso\lreiro e escridio, podendo havc:r 3inda outros funcionários conforme as necessidades, tais como Juiz e

Escrivão de Órtàos, Juí?.t:S dos

Hospitais e ·'rpmisq1M oficiais que jJar dndio sr cfJslm11an1.fazer'. Essa composição,

que passa a ser regida a pm:ir de J6ú3 pelas Ordenações filipina s. irá perdurar por codQ o período colonial, indo até os primeiros anos de, Impüio, ma!s precisamcnrL aré IS28. A única 1lrcracào diuda pela preocupação ccn:ralizadora da Coroa porruJtUesa será 1 in :roducào, a partir de 16'16, em localidade~ de maior imponáncia, de um .Juiz de rora, de nomeação real, no controle.: do núcleo <lo poder municipal, cm substituição aos juízes ordinários.

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1rlh111ns e rendas, serviria com igual propriedade no Novo .Mundo para 11 11111n ru autonomista do senhor de engenho e do fazendeiro, enquanto

ess e entre nós não ficou line de

t 1 11 lt:lln~ hem específicos em muítos aspectos, dos quais o mand onismo local 1 1 111111 m11iii característicos.

undo Leal (1975), o poder das Câmaras Municipais no Novo Mundo se

Governo

velho mecanismo de luta

•"'1••110 11 111licm

o que pertencia ao R ei. Contudo,

1 ( 111111 , 1 .1 nobreza em terras de Portugal, aqui

111\c11 A m:irgem dos textos legais e, muitas '\'czcs, até contra eles. O

h li' 11 1 ~'rnln exercido por um colegiado eleito dentre

todos os "homens bons" que

1li

111 1 ltrcunscrição e que er::im os únicos elegíveis, detinha urna gama imensa

l'lt 11111 1 1tM1s, algumas decorrentes muito mais do quotidiano dominado pelos

11li111f

de· rcrra do que do prescrito na Jei. Na Yerdade, constituíam os "homens bons"~

lllfJ l11,111íl11Knte, todos os nobres de linhagem. Esse conceito, porém, foi se alargando 1 111h m no Brasil, incorporando os senhores de engenho e terras e a burocracia civil 1111l11n1 Dentre eles esta\'am teoricamente excluídos os operários, os mecânicos, os

1 r 11 do s, os judeus, os estrangeiros e todos os pertencentes à classe dos p eões. P1 •1 l m, com o passar dos tempos, os lit:ros de 11obrtza existentes nas Cámar as para l lf• • .los homens bon.r do lugar passaram a contar também com os comerciantes 1 H Ili ud• • t)UC, pela compra dos empregos, se elevavam à condição de nobres,

pela igualdade

111 11111111111ts, do consumo e do estilo de vida dos que adquiriam posses. Era a

llllltlllllhl.tdc de um proce sso comum em Portugal, cm que "a b11rg1mia ( SJ(f?Jttga

li 1 11fU1111111 ,1quil0 que Faoro chama "aristocraciapor.remelhanra" acarretada

)não

111q111l11 " 11obreza, senão q11l' a esta se inc01pora, adni11do à .r11a co11sriê11cia sorial" e ''a via q11e

de amálgama t' controle

1111 l lútla1 as dasses e as 11m;~11lba no estammkl é o cargopúblico, imtrumenlo

11711irt11s por parle do soberano" (FAORO, 1975, p. 175-176).

I'• 11 outro lado, a própria lei, na medida em que não separava os poderes nas suas h p11 1 11v 11 ', dava aos comissionados funções públicas de toda natureza, que esta·rnm 11rd1 11 11 l 111 1111icam ente pelas subordinações gradativas dos controles, todos em geral

\ n 1 ••n•m 1a <las Cnmaras er~ enorme no quoridian•:> d:is locahdadcs que govcrna,·a m poi~,além do mais, não

11
11

lrn<j\trl." 1motuiçt1c' o poder Executivo -

o Prefem>. digamos a.ssim -

como instànc1a diferenciada e

Cultura e Educação nas Alagoas - História. histórias

33

muito distantes, e gue iam att: o Reí. A necessidade de lealdade das municipalidades, ditada pelas condições ob1em·as a que esta\Tam submetidos os negócios reais - ,-asridâo terrirorial, insuficiência do aparelho burocrático, constante perigo a que estavam submetidos os interesses econômicos monopolistas da Coroa pela ação dos índios

e dos corsários estrangeiros - faziam com que a política centralista e controladora

da Metrópole não apenas contemporizasse, até o limite da lealdade ao rei e aos seus negócios, com os poderes dos senhores rurais, como até lhes conferisse muitas vezes prerrogati\•as e faYores especiais. Vários fatos confirmam esse reforço ao poder local como, por exemplo,

a proteção dos grandes fazendeiros da cana contra a concorrência dos pequenos

produtores de aguardente, mandando destruir-lhes as engenhocas 1 7, ou o resguardo de seu pauimônio de execução por dfridas. Articulava-se. assim, segundo Leal, um poder imenso, difícil de conter enquanto marufcstação do poder privado, decorrente de

uma estrutura cuja unidade fundamental era o extenso domínio rural, essencialmente monocultor e consriruído sobre o trabalho escraYo (LE.>\L, 1975, p. 65). Com esse reforço do mandonismo local, dá-se, evidentemente, uma convergência de poderes - político, econômico e socíal - nas mãos dos latifundiários, tornando- os os centros efetivos do poder na colônia. Sobre a conjugação dos interesses dos proprietános de terra com n poder representado pelas Câmaras, diz-nos .Maria Isaura Pereira de Queiroz:

Exercimn, pois, as Cánum1s M1111icipr1ú inteim attloridf/dt> ('fll seus domínios. Nisto

não faziam mais do que refletir o poderio dos latifundiários, o sn1 interesse no gorem(I

local. Para

ronfimdido co111 o intrre_r;e JJlllniripa~·m resoluções to111t1da.rpela Cámara .\J11niapnl

não refletiam .rommlt a preocupação rom o ben1 C0'111ffl1 1 si!ll lambé111 a prP{Jcupacào

d{J smho1· rural e111 drfandtr sms interessesprit 1 ado.r; não hal'ia stparação mtr<' 1ff1S r' outros porqttt' r1 rralidade econômica, política e social da Coloí1ia r.ram {JS proprietálios

rurais (QUri.lROZ. 1976, p. 43).

utes senhores mrnis, o interesse partimlar eslat•a inextrincarthnmle

, -

As e1~~t11/Jt,r111eram erlfrenagens mais ruclim<

serviam para produzir aguardeme. rap3dura e mel, comcrc1a!Jzados no reduzido mercat!o interno.

'flrares

do que: o~ cng<

'flhos

que, opi;radas por pequenos produtores,

34

Cultura e Educação nas Alagoas · História, histórias

vezes

nplo,

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1, um

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1ente

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. dos

;aura

iverno

lmnte .

~iajJa/

t>açào

Uf1S ('

tán(1s

rorc:s,

pois, desde gue se organiza a ocupação da terra e se institucionaliza a

li lf 11 1 do poder, as incursões do interesse privado no domínio público, não

Implanta-se aqui uma forma de

1 1111

11111 1,1do mas, muitas vezes, até incentivado.

1~.111cm que

com os vintf.llos

racionais dr rompetências /imitt1das e controles hierárquicos 1 será obra do futuro, do

distante e incerto jitturo. Agora, o sistema i o de manda quem pode f obedecr quem temjuizu, aberto o acesso ao apelo 1'etijiet1dor do rei somente aos poderosos (FAORO,

a objetividade e a impessoalidade das relações mtre súdito e autoridadf

11

1975, p. 172).

Quanto ao poder centralizador da Coroa, mais visível e efetivo apenas nos fins

il d f.l culo 1 e, assim mesmo, nas regiões de mineração, este não vai estar ausente

'Vll

11 , ., 1cgiõcs de latifúndio ocupadas desde o século XVI; pelo contrário, sua presença se d 1,1 1 justamente, através da transigência ao que não punha em risco o domínio real. l'l 111 poder constituído pelos "homens bons", reforçava-se o poder dos senhores, com 11 .11 ribuiçôes judiciais e de polícia ajudando a construir o poder do senhorato rural, 1111 lt,pcnsável ao bom êxito da tarefa colonizadora. 18 Fechando o arranjo da vida social, para além da estrutura político-administrativa 1111111ta da para o desenvolvimento da empresa colonial, teremos a ação da Igreja. \ da irá caber, desde a regulamentação das alianças matrimoniais e o registro dos 11.1-.c1mentos, até a presença consoladora na morte. A assistência social será tarefa 11wi s c exclusiva sua, por seu clero ou por suas Irmandades. O ensino será monopólio c·u, como sua há de ser a regulação da vida através dos ritos litúrgicos e dos l t ibunais eclesiásticos. A Igreja logo virá a ser, também, a grande animadora da 1 tda social, através dos laços construídos por suas Irmandades e pelas festividades

O esquema venical de poder na época colonial era estrururado, na ordem descendente, do Rei, passando pelo Go\·ernador-Gc:ral, depois Vice-R<::i. descendo para os Capitães das çapir.an ias, indo até as autoridades murucipais. Porém, como os Yínculos dessa hierarguia não eram muito bem explicit-ados, todos, inclusive as a utoridades munidpais, se dingiam diretamente ao Rei <: aos que lhe estavam próximos na escala hierárquica, 11r ro pelando os graus intermediári•::>s c.le comando e reforçando presúgios e privilégios. 1\cresça-se a isso o faro 1I~que, mesmo depois de criadas :is Comarcas com seus Ouvidores, estes niio tinham competéncia par:i julgar

•~pessoas de mais qualidade e o clero, amando apenas sobre os "dt.l'd1s.rific,1d~s". U FAORO (19i5. p . 17919 0} .

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

35

qut. congraçaYam as populações dispersas. ~as Yilas, nos poYoados, nos engenhos

e tazendas, os clengos, aliados aos senhores, irão a1udar a qucbrar a resistência ao

despotismo da dura e cruel realidade colonial, fazendo um conrrapomo aos padres burocratas que, num mundo carente de letrados, irão ter muitas tarefas a executar no Go\·crno. Será dentro dessa moldura geral, comum às terras do Novo Mundo em todo

o período colonial, que irão se efetiYar a ocupação e a posse do território alagoano, com todas as consequencias políticas e sociais que daí adYirão.

:nhos :1a ao adres ar no todo Jane.\ COMO SE CONSTITUIU A VIDA SOCIAL EM

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todo

Jane.\

COMO SE CONSTITUIU A VIDA SOCIAL EM TERRAS ALAGOANAS

Nas três primeiras décadas dos anos de 1500, quando vigorou o regime de 11111111.1s, o território ao sul da capitania de Pernambuco permaneceu entregue aos fUUt\'os da terra. Sendo o litoral de Alagoas, na época do descobrimento, terra de t 11111-. l! Potiguaras, estes vivendo ao norte, a partir da região onde se encontra hoje I ••11, 1 Calvo, e aqueles no sul, desde o início tiveram os portut,rueses muita dificuldade 111 1it upar o território, a ponto de se afirmar, em referência sobretudo aos Caetés, que

l >11.11 te Coelho Pereira precisou "irJ!,anhando tl palmos o que se lhe concedem a légua". 19

Nessa ocupação, um fato exemplar passaria, a partir de então, a povoar a 1111.1~inaçãodos colonizadores. Havendo naufragado nos Baixios de D. Rodrigo, próximo loz do rio Coruripe, a nau Nossa Senhora da .LJ;url~ (16/ú6/1556), que levava a bordo com 1k~11no a Lisboa o bispo de Salvador, Dom Pero Fernandes Sardinha, este e muitos de

l>mpanheiros de viagem foram devorados pelos índios. 20 O ato provocou uma ptd ição punitiva, chamada por Moreno Brandão de "guerra de extermínio". Comandada

1 ( 11 Jcrú nimo de .Albuquerque, cunhado de Duarte Coelho, essa bandeíra sangrenta,

"l11ktulo os autóctones, numa fúria louca, aos ;mpulsos de u111 ódio desabrido" (BRANDAO, 1909, p.

11

'"'

1

1 ~laafirmação é atribuída por Moreno Brandão (1909) a Sebastião da Rocha Pitta. :\la verdade, a dificuldade que IM·r:un os portugueses de lidar sobretudo com os Caetés parece ter sido agravada pela aliança da9ueles com , ,. Tnba jaras, inimigos trad icionais dos Caerés, po is consta que esres índios tinham relações bastante cordiais c111 11 os franceses que frcgu e ntavam as costas alagoanas no primeiro século de:: nossa colonização. O casamento 41, lm'ini mo de Alhuquerque com a filha do cacique T abaiara i\rcoverde, selando a aliança dos senhores da 1 11•11.mia com os principais inimigos dos Caeté~ parece ter sido um fato que mais acirrou o combate sem trégua ~1 •• fn<lios alago:ll1os contra o colonizador.

• 11,ur1do Moreno Brandão 1)90'>. p. W) e Cnivdro Costa ( 198.\ p. 12\ apoiados em Frei Vicente do Salvador,

P• • •lllpan ha vam Dom Fernandes Sardi11ha nesta \·iagem a Lisbo a, onde o bispo ia se queixar ao Rei do

(

,,

 

l

1

1 11 • t1 .~ 11 va.

11 n nador-Gernl. "o pro1·edor-mr;r, /lntónio Cardoso df Barros. doi.< cÓ11<'.f!/!S, d:u's Jimlbere.r hom'fJda.r, 1111úto.r h(J111tm uob1'es

po1· to,-/(1wç;n;1'Jlais de cen1 pessoa/

'. Ru ma nd o os sobrev iventes do naufrágio para Olinda,

1 r '' 11 u, ''.foram mpiici,idos pelos ,·dva.gens", salvando- se apenas dois índjos baianos e um porrngtiés, por falarem a

~,,,,,f 11111ito ,gentr, que

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

37

10), se não os exterminou, empurrou-os para tão longe, mtenor a dentro, que os afasto das areas de postenor ocupaçâo.-J Datam mais ou menos dessa época duas outras cxpedições: uma empreenclida por Cristóvão Lins, que tinha como alvo o combate aos índios Potiguarns e outra por Duarte Coelho de Albuquerque, segundo donatário da capitania de Pernambuco, com o auxílio de seu irmão, Jorge Coelho de !\lbuquerque. 22 Estamos, segundo Diégues Júnior, entre os anos de 1565 e 1575. Esse trabalho de combate aos índios Cactés e Potiguaras, nas áreas de interesse de colonização por todo o litoral sul da capitania de Pernambuco, parece ter sido tão radical que, apoiado em relatório de 1862, feito por ~fanuel Lourenço da Silveira, sobre o estado dos índios da ProYÍncia, Diégucs Júnior afirma que

11ão aparece/JI. 110.r aldtame11tos que .re co11Jhturm 110 .rolo alagoano n pmtir dQ sémlo .\177, elementos descendentes daquelas tribos: vias mrgm1 os restos dos rmiri.r e chumms em sttt dntas aldeins, <' carapotó.r, cnriri.r e aco12an1 e17111ma, a de Porto Rtril do Colrgio

(D1EÇ:L:ESJÚ:-110R, 1980, p. 81).

Eliminado o elemento que dificulr.aYa não só a fixação no terrirório mas, sobretudo, sua exploração nas bases econômicas preconizadas pela Coroa portuguesa, e feito o levantamento das potencialidades da região, estavam dadas as condições adequadas para a tarefa colonizadora, por volta da década de 80 do século ),,,'VI. Evidentemente den:riam já existir, ames clisso, alguns pequenos núcleos de população, sobretudo em Penedo e ao longo da rorn por onde haviam passado as expedi çôes desde a década de 40. É certo, contudo, que é só a partir da expedição de Jerônimo de Albuquerque, secundada pela de Cristóvão Lins, que se estabelece o projeto colonizador portu~l"l.1ês em terras alagoanas.

Essa expc<liçào contra os C:acté> dumu, segundo Craveiro Costa (19fi3: 1'-1, cerca de 5 anos c foi secundada por um edito real qu<. condenou os sobre,·1vences à errraL'idô~p1rpitJ1a.

22 Segundo Sant'Ana. cm nota ao livro de Alradl. se não se pode afirmar com segurança ter sido Crisr<'>vào l .ins comandante dessa cxpc:<liçk., e segura a sua parricipacào, assim como a recompensa recebida atrnvés d.: uma ,-asra ~o:smaria guc ra à~ foL do rio J\languaba at~ o caho dt: Santo Agosrinh<>. cm Pcrnamhuco. Cf .".LT.-\\'ILA

38

íl 9~b, p

18. noto> S 9

Cultura e Educação nas Ala!(Oas - História, histórias

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A ocupação do território, segundo Diégues Júnior, se deu a partir de três ft n11 bem defi nidas: uma ao nordeste do gue hoje corresponde ao Estado de 111~11 1'1, lendo Porto Calvo como núcleo de irradiação, outra no centro do liroral, 1 1111110 das duas grandes lagoas ali existentes, que deram nome à primeira 11.1~;10 - Alagoas2 3 , enquanto o terceiro foi situar-se ao sudeste, com Penedo 1111111 t t:ntro irradiador. Como não podia deixar de ser, o intuito primordial desses ~líc111.1incntos foi a exploração de uma das principais riquezas coJoniais a que

1

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IPH

1980, p. 41).

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11111

t 111 11d111hlicil

 

f 1 lr11 1 11d11 Ja coiorlÍ:lação.

pt t !ltnva a região: no dese11vo!vimento da agrim!tura da cana-dl'-aç1.Jcm· que assenta a

,1111, 11pâo de cada um desses núcleos fundamentais do povoamento das Alagoas., (DIÉGCES

Foi CristÓYâo Lins o iniciador do processo de povoamento com finalidades 1 , 11111micas, vindo espalhando engenhos a partir do cabo de Santo Agostinho, q111 t•ra o limite norte de sua sesmaria, até à região de Porto Calvo.:! 4 Nesta região lundnu ele cinco engenhos e o povoado. Estamos por volta de 1590, mais ou menos. 25

11111111 rom Cristóvão Llns, existem registros de outros senhores de engenho na região

1 l'nrto Calvo por volta de 1630, todos parentes daquele sesmeiro. Bem ao estilo

lt• t• ~'.t:IO, a ocupação do território constituía-se, assim, em um empreendimento

, com grupos entrelaçados por laços de parentesco, sendo Cristóvão Lins tio

Ir I{• 11l11go de Barros Pimentel, o qual, por sua vez, se casará com a neta de Cristóvão

l lttti, r111m processo endogâmico que dará à família quase dois séculos de controle 11h11 .1 rcgião. Nas outras regiões não irá acontecer de forma diferente. Proprietário, 111 1 p11rn, de dez engenhos de açúcar, Cristóvão Lins compartilhava com a parentela H d11111ini o da área pela subdivisão da sesmaria provavelmente no ano de 1608 , com

l11•111rinclore~c<:>mignam Yários nomes para t!ssa localidade::, provavdmt:nte fruw das variações acontecidas

1•flJ"' .ln proces~o de desenvo lvimento do povoado , sendo eles Ma,gdalmo de Suboríma, ou simplesmente 1/,1. •1,1, \ '1111/tl MaJi.1 Matlalmo d.-i Ligoa do Sul, A~goos do .\'11/ e, finalmente, Ala,goas. O mesmo fenômeno ·Jllll • 111m PNto Calvo, embora C'Jm m.:nor frequência, sendo chamado de Bo11m1ce.<.ro, Santo António dos /1 • 1{11 op.1r.1. finalmente vir a ser chamado de Por/o Calvo.

o pntk Yer, parte da sesma1ia encontrava-se na região su.1 do amai cerrirório de Pernambuco, o nde

1 11-11" \11 l.ins fundou também dois engenhos.

estabelecer com exatidão as datas correspondentes aos fatos desse período, havendo sempre

ld li''" 1111;1çà0, a partir de informações colhidas de notícias dadas por c.onremporâneos ou hisroriadnres do

39

Cultura e Educação nas Alagoas - Histôria, histórias

a

consequente reorganização das áreas de influência, ficando a parte norte com ele

e

seus descendentes diretos e a parte sul, até Paripueira, com Rodrigo de Barros

Pimentel e seus tilhos. A região das grandes lagoas, ocupada um pouco depois da de Porto Calvo, nasceu também da concessão de uma sesmaria a Diogo Soares da Cunha. Seu papel para a região foi muito semelhante ao de Cristóvão Lins para a região dos quatro rios, ou seja, o de repartir terras que vão constüuir outras sesmarias de menor porte mas, ainda assim imensas, além de fundar engenhos e levantar a povoação de Alagoas. Para se ter uma ideia da dimensão dessas sesmarias, basta dizer que elas eram concedidas em léguas de terra, cabendo, por exemplo, a Diogo Soares, uma extensão territorial que ia da enseada da Pajuçara ao porto do Francês, com cerca de seis léguas por sete léguas de fundo. Outros sesmeiros que irão aparecer no início do século XVII \'ão ser também agraciados com extensões territoriais imensas, como ?vf.íguel Soares Vieira, que recebe uma sesmaria compreendida entre o Rio Santo Antônio Mcirim e a enseada da Pajuçara (cerca de Glégu,'l.s), Antônio de Moura Casrro, com a posse das terras que vão do porto do Francês ao rio Coruripe (cerca de / Jéguas) e Belchior Álvares Ca.melo, com terras compreendidas entre os rios Coruripe e São Francisco. Se pensarmos que uma légua corresponde hoje a 6 quilômetros (a légua de sesmaria correspondia a 6.600 metros), mesmo sem o conhecimento dos pontos geográficos que foram indicados como limites das sesmarias, dá para imaginar a imensidão dos latifúndios que são outorgados oficialmente aos primeiros colonizadores que, por sua vez, irão subdiYidir seus domínJos impossíveis de serem tocados como uma empresa única. As escrituras de doação de novas sesmarias, por repartição da antiga, prescreviam todas a obrigação de quem as recebia de desenvolver a terra e povoá- la, assentando nela engenhos de açúcar. Neste processo, engenhos houve que nunca chegaram a moer ou logo se tornaram de fogo morto, mas é dessa forma que vão sendo ocupadas as regiões norte e central do litoral das Alagoas, indo-se

40

Cultura e Educação nas Alagoas - História. histórias

as regiões norte e central do litoral das Alagoas, indo-se 4 0 Cultura e Educação nas
as regiões norte e central do litoral das Alagoas, indo-se 4 0 Cultura e Educação nas

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h1 r tinr até onde os rios, tod os de pequeno ou médio porte, permitissem

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\ povoação da região de Penedo também não fugiu à regra: o cultivo da l•ll Ltmbém a meta, muito embora ela venha, logo depois, a ser suplantada 1 1 11.1~·no do gado, graças à conformação geográfica das áreas próximas ao rio

.Mas a cana continua forte, mais ao norte, nas

1• cios rios Poxim, Coruripe e, depois, São J\-1iguel. Aqui, a forma de ocupação Hl111li1·m nos moldes da empresa real portuguesa - ocupação oficialmente regulada

to 11,rncisco, propícias a

oficialmente regulada to 1 1,rncisco, propícias a pastagens. r I• • , 1111trole do Estado. S:ib

pastagens.

r I• • , 1111trole do Estado. S:ib e-se, pelas cartas de doação das

1 •1t11nl'dial para sua concessão era o

sesmarias, que uma condição

nas terras

111 11padas. Claro que não é possível se sustentar ter sido a cana de cultiYo 1 x1 lu sivo na região, nos primeiros tempos, pois os registros existentes afirmam u l;C 11Hrário. Contudo, esses mesmos registros nos informam que a produção de 111111.1s culturas, nos primórdios e mesmo depois - sobretudo da mandioca - se ti t.tllUtva ao consumo interno. Segundo Heredia (1988), que levanta essa observação,

assentamento de engenho

flr11'.rsário ressaltar que a idfia de produção de alimentos como atividade realizada em

111 1 1 /H1r j>Pq11enos prorluton's é recorrente e aparece em autores rle épocas d{fenmtes, qNe. a

1.11i1r/1•riza111 romo 'm!tura de pobres' "(HEREDIA, 1988, p. 42), o que significa dizer que

11 no era lavoura principal, portanto. Quanto ao gado, esse parece ter tido algum 11 kvo, embora circunscrito à região sanfranciscana. Todos esses núcleos, estabelecidos nos fins do século XV!, só vão se cMfnbilizar nas primeiras décadas do século seguinte. Dessa época, há registros de \ 1111c e três engenhos na frente de Porto Calvo, trinta na frente de _Alagoas e nove 11 1 , 11 ca sob influência de Penedo. 26 .Já no início do século XVII, a importância dessas p• '' c>:içõe s as transforma em sedes de freguesia, vindo todas três, na terceira década

d11 ~éculo, a ser elevadas à categoria de vilas, tornando-se assim sedes de Governo

"

su bdiYidirmos esses engenhos pelas freguesias ciue j~ estavam i nstaladas nas regiões, teremos: 12 em Porto e 1l v<', t 1 em Camaragihe, 5 em São Bento, 2 no :'.\·feirim, 12 em Alagoas do Sul, 9 cm São Miguel. li em ,\lagoas 11,' Norte,_; em Santo Antonio :Vfeirim, 7 em Penedo e 2 no Poxim.

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

41

Municipal, com suas Câmaras e, consequentemente, com sua organização político administrativa integralmente constituída e seus núcleos de poder devidamente arranjados em torno dos potentados de cada região. Com um projeto económico bem definido para a região, temos, portanto, um povoamento que não se dará de forma aleatória mas, pelo contrário, a partir de uma estratégia oficial da Metrópole, onde se conjugam condições de solo e clima, as águas do oceano e as bacias hidrográficas disponíveis: a região dos quatro rios, ao norte, presidida pelos rios Manguaba, Camaragibe, Santo Antônio Grande e Tatuamunha, aos quais se agregam rios menores, como o São Bento, Maragogi, Comanda tuba, Mocaitá e Tapamundé; a região das grandes lagoas, ao centro, com as lagoas Mundaú, ou do Norte, e Manguaba, ou do Sul, com seus afluentes principais, que são os rios Paraíba e }\1undaú e, finalmente, a região do rio São Francisco, no

extremo meridional da capitania 27 É pois, "em derredor das águas, dos rios, fixando-se

nas suas ribeiras", que se vai desenYoJvendo a colonização das Alagoas. Sem tomar distância do mar,

é nas

colabomdorpara ma organiZfJçào econômica. É 110 rio q11e ele vai hf(srar não so111enti'

rios, dos pe.q11enos rios, que o senhor dt fn,gmbo encontra o melhor

~11risdos

r1 rígHa p flra movimmtar a momda; nelt está ti água pam dar 11midr1de r10 solo, para

o h"ansporlf da p rodu_rà o, p a ra o hanúo dos animais, também para o seu banho e de

s11afamília (

mcontra o melhor colaborador para o tra11sport1' de .rua p1-oduçrio

também na água, na água dos rios e Jla água do mar, que o hangiié

(DIEGUE SJÚ~IOR,

1980,p. 106).

Esses rios e outros <.JUC depois vão ter suas rnargens ocupadas çram todos na,·cgávcis cnl un1 percurso c:nuc duas a sete léguas.

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42

Cultura e Educação nas Alagoas - História, histórias

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TTORAL ALAGOANO - OS RIOS DO AÇÚCAR

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1 lllt ,ANIZAÇÃO: IVA!':I F. LI.l\'.li\ (1861)
1l \PTAÇ1'0: ELCIO DE GUS:YL-\O VERÇOS;\
1 1111lou, com a ajuda da cana, de
11.1111111!0 temforças parafazé'-lo, as entradas ao m1âo, tolhendo,
Cultura e Educação nas Alagoas - História,
histórias

Valendo-se das vanrngens econômicas que os rios e lagoas ofereciam e o

p11•H•iro comercial de contaro fácil com a Metrópole, aqui o Governo colonial

reter o colonizador perto do litoral por muito

tL 111p t>, diferentemente do que aconteceu em São Vicente, onde a cana não deu

l l 11l1 ados compensadores. Assim agindo, a Coroa "previne, w chama exc/J1sÚ'a111entepara

sobretttdo, o arbítr·io individua!'

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(TAPAJÓS, 1!156,p. '.!21). Isso explica a célebre metáfora do "carrmgue;o'', empregada por Frei Vicente do Sa!Yador ao se refenr à forma de ocupação das nm·as terras pelos primeiros colonizadores, dizendo que eles "co11tenta1J1-se de as andar arranhando rio longo do mar rottJo carmzgm;o.r" (s.d, p. 61).

Cm engenho exigia uso intensivo de mão de obra, começando com a construção da fábrica e derrubada da mata para o roçado, e seguindo com sua manutenção, essa ainda mais custosa, que requeria braços para plantar, limpar, cortar e tombar a cana, para cortar e carregar a lenha para as caldeiras, para limpar os instrumentos de fabricar o açúcar, sem contar com os serviços domésticos. Sendo o indígena local irreduth·el ao cativeiro e refratário ao tipo de trabalho que o engenho exigia, junto com o senhor de engenho vai vir o escravo africano para o trabalho de cultivar a cana, fabricar o açúcar e cuidar dos demais sen·iços braçais da casa grande, rornando-se "os pés f as mãos do se11hor 1 ', conforme disse Vieira. 18

Cirando Gandavo, Faoro lembra que a terra era abundante mas "a primeira coisa q11e [ús proprieláriosj pretendelll alcançar são os escravos para lhn fazerem e gra1?Jtarm1 suu roçt1.r i>fa;;;_mdas, pf1rqne Si'm de.r não se pode smtmtar a terra" (19'5. p. 206). Esse desejo, contudo, irá exigir grandes investimentos, na maioria das vezes buscados junro aos financistas lisboetas, fazendo com que o endividamento pelo crédito penetre nessa e em outras operações de produção do açúcar para nunca mais se afastar.

Assim, o latifúndio e o trabalho escravo, bases da economia que está a se implantar em terras alagoanas, logo do contribuir no engendramento de uma organização social de natureza bem característica em que, com as franquias governamentais, o senhor de engenho, mestre de imensos domínios, vai exercer seu poder sobre grande território e mujta gente:

, Padre I\ntón.io \'1elra? no Srmtàfl d,1 10 Do111i11go tÍA Q11,1rtJ1na, cn1 São Luiz do J\f.1ranhàü~ proferido por \'Olt.a de

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1635.

Cultura e Educação nas Alagoas - Htstóna. lustórias

nos domínios roraís, a autoridade do proprietário não sqfria réplica. t11do se fazia ron.rMntr sua vontade, muitas vezes caprichosa e despótica. O rngenho constituía Hm organisfllo completo f. que, tanto quanto passive~ se bastava a si mesmo (HOL.o\NDA,

1991, p. 48). 29

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Era da crisa grande., pela palavra do senhor de engenho, que emanavam li• liberações do dia a <lia. Ela presidia a sede da propriedade, onde estavam

111111l11•m a casa do engenho, a capela e as moradias de escravos e outros 1 t1h dhadores e agregados.

Objeto de abundante literatura (FREYRE,1937: DIEGUES J(1'IOR, 1949; ANDRADE,

1 1'11\NT'/1.J\A, 1970; HEREDL\,1988), a casagrande cipica da região tinha sempre proeminência 11l 11 l o conjunto arquitetônico que constituía a sede do engenho. Frequentemente

11111ldurada por palmeiras imperiais que rornavam possível identificar, já de longe, sua

I'' •.1~·üo,ela estava sempre situada no ponto mais alto do terreno. Quando isso não era I" ·~ fvcl, edificavam-se pilares sobre os quais era posta, garantindo que o acesso a ela

1 1li 11se sempre através de uma escadaria. Protegida por alpendres colocados na frente 1111~ dois lados, onde o senhor ficava a maior parte do dia olhando o movimento e

1r1 r bc.:ndo trabalhadores e visitantes, a casa tinha a área dos fundos completamente 1(' g1rnrdada, a maioria das vezes, inclusive, por cerca. Se não havia, em geral, árvores na frente e nos lados, a partir dessa área l l. 1dta dos fundos estendia-se um imenso pomar com grande variedade de fruteiras, l11d11 nté a mata ou se espalhando de ladeira acima. era por onde se tinha acesso I •11,·inha, área restrita ao pessoal da casa, mulheres que faziam o serviço doméstico 1 !'ll1pervisão da senhora de eJJge.nho. A esta estava afeta toda a direção das tarefas llp 1d.1s à vida doméstica. O interior da casa, protegido do mundo exterior, encerrava, d 1 p11rta de suas salas adentro, seus quartos e seus gineceus, onde se desenrolava o

11h

1 11.m>s\lficiéncia

e autarquia <los engenhos irá ter, cm AJagoas, vida longa, com os senhores rurais se

il11 ,Joriando de só comprarem ferro, sal, pólvora e chumbo, de rodo o mais dispondo em suas cerras.

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pólvora e chumbo, de rodo o mais dispondo em suas cerras. Cultura e Educação nas Alagoas

quotidiano das familias ''qut' se c0Jlstit11em os núcleos ft111damentais da sociedade alagoa11tl

(DIEGL'E!'> Jú:-.JoR, 1980. p. :?03) ou, para ser mais preciso, da soCJedade que políaca economicamente vai conrar pelos séculos afora, evidentemenre. Era na grande sala de jantar, em torno de uma enorme e lama mesa, que a familia habitualmente se reuma, tendo frec1uentcmente convidados:

dr com11m nas horas das r~fúçõe.r as mnas .ff' ench;am.

O smbor d!' fllgmho

l\ 7 o lado direito, Sf11fa1•a-se o ele111mlo

feminino, pnmeiro as swÍJoras, começando pela .rt11hora dt m,~enho, dtpoi.r as moçaJ~ por JÍ/timo as meninas; 110 lado esquerdfJ fical'tlm os homens (DIEGU:::S

prl'Side 11 refeicno. na cabectira da 111esa.

JÚNIOR, 1980, p. 211).

Ao lado da casa grande, colocada de modo 3 tornar-se bem visível, estava a capela. As \·ezes, também agregada ao próprio prédio da casa grande, em uma dependência de destaque chamada quarto de oratório. Em ali onde se desem·oh-ia grande pane da \'ida social do engenho, sendo ela, de certa forma, o testemunho ,-ivo e perene das gerações que tiveram o domínio daqueles territórios. Além das comemorações das festas dos padroeiros, ali a família celebrava seus batizados, seus casamentos, pranteava e rememorava seus mortos. Nas suas paredes e no seu piso unham os senhores e seus familiares a última morada. Capela de engenho hom·e em Alngoas, como a do Engenho Peixe, em l pioca, gue, segundo Espíndola (187 l), poderia, por sua imponência, ser considerada, ainda no século passado, como a melhor da província, suplantada apenas pela do povoado de Coqueiro

Seco (ESPÍ1'DOU., 1871. p. 7).

Na frente da casa grande e da capela ficava um grande e espaçoso pátio, aberto e yazio, por onde se fazia a circulação de mercadorias, pessoas e animais, e onde ocorriam eventuais ajuntamentos, em festas ou situações de necessidade. Nos limites desse pátio, algumas edificações serviam de residência para os trabalhadores livres, formando, t0do o conjunto, o cercadü do engenho. Voltada para a casa grande e de costas para o rio, dentro do conjunto do cercado estava a cosa do engenho propriamente dita, onde se desenvohi.a o processo do fabrico do açúcar.

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Cultura e Educação nas Alagoas· História, histórias

·urna,

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1 •>rnpletando o conjunto, prox1mas à casa do engenho, achavam se as 'p:ira abrigar os escravos que, segundo observou Koster, eram "uma fila de fUffM.1 moradas, lendo a aparência de asilos" (KOSTER, 1942, p. 95). Finda a escravidão, 11111.ilas vão ser transformadas nas casas de moradores, constituindo um padrão 1111c1onico de casas geminadas frequentemente encontradas, depois, nas usinas .11 ruados.

Esse padrão de assenramento vai se manter por séculos afora, chegando até ao 1 \tio \.X, adotado inclusive até a década de 50 pelas usinas. Junto ao sítio destinado h f• •1cléncias e à casa de engenho, a cana tem primazia na ocupação do espaço, com " 11 1 rns dos engenhos e das primeiras usinas divididas segundo os usos: os vales \l1111dos, irrigados pelos rios - as várzeas - e as colinas suaves - as encostas - eram Ih 11p.1dos pelo plantio da cana, os vales destinavam-se ao gado, as chãs·'º e grotas 31 l t 1111 para o cultivo dos trabalhadores lines e as matas eram mantidas como reserva 1 H:rra descansada para planrio futuro. Mas eram, sobretudo, depósito de matéria

11111111s ao seu redor. 3 ~

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11111n:i para o fabrico e a comercialização do açúcar: da mara se tirava madeira para

t 1 ·'' de morada, fábrica e senzalas, construção de canoas, barcaças e carros de boi, 1ALI fabrico de caixas, barris e demais embalagens para o transporte do açúcar; da 111" 1saía a energia da lenha para tocar o engenho. Muitos engenhos tiveram de parar li 1 moagem até defirutivamente, permanecendo de fogo morto, por destruição das

Encharcando todos os poros da sociedade, a dinámica do engenho irá criar, 111 \'1da social, política e econômica das Alagoas, desde seu nascedouro, o que Diégues 1\ltl1or chama de "r11mlis1110 urbano", caracterizado pela influéncia rural na ,·ida da

1 1mhc'm chamadas de !abule1m.c, a~ rhiis ~ão planaltos baixos encontrado~ ao longo de toda a ci.tcn~lo 1,,, '' 111ca do Estado de Alagoas, que se orientam na direção oeste-leste, começando próiumas ao mar, com

l11nalt aproximada de 50 metros, chq.(ando n ler altitudes superiores n 200 meuos no extremu oposw. ·111 exte nsão, no sentido litoral - iMerior, Ya ria de 20 a 40 quilõmctros e apresentam declive sua\•e em ilirl'pO ao mar.

/\a 1,rri1,u são deprCS$ÕC~ ín~rcmcs formadas nas h~mlasdas rf,,lr.

~·ido Sant'Ana, nesse prroccsso de destruição das reservas florcw1is n:i.r• st respeiran sequer madeira de lei, 1 •1 t• lo noócia de uso cm construções, cm Porrugal, de madeira de qualidade, reaprove itada da~ embalagens t~ thcgavam com produrns brasileiros, sobreru<lo o açúcar. Ci s \:-,T'\K:\ ':9'(•. ;> 3lo.

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Cultura e Educação nas Alagoas - História. histórias

cidade, no seu movimento, no seu progresso, com tudo dependendo do engenho do poder que dele emanan. ~e essa característica nâc1 é e:xclusin de ,'\lagoas, aqui contudo, parece ser mais acentuada do gue na maioria das oucras regiões brasileiras devido ao caráter preeminente, de quase exclusividade, poderíamos dizer, que teY

o açúcar e, junco com ele, o engenho, ao longo de toda a história econõmica nas

Alagoas. Seguindo esse estilo é que irão se aglutinar os elementos constitutivos d sociedade alagoana em formação, criando-se, desenvolvendo-se e se expandindo as ''.famílias do a.rúcarl', as famílias nascidas em engenho (DIEGl'ES Jlõ~JOR. 1980. p.

84), dando origem cfrilizaçiio do litoral, mo/m1mte, dommnte recostada sobre o açúcm }'

(f:\ORO, 1975, p. 153) .

E a base dessa organização será a família de estilo patriarcal "ondr os ví11mlos

htológicos e afetivos q11e unem ao ch~fe os desrendmtes, colaterais e afi11s, além da fan111la~~em e d()s agregados de toda sorte, hão de preponderar sobre as dnvais ronsiden1ções ''. Esse será o

padrão único da organização social aceitável que irá se desenvolver, "romo ""' todo

111dit1isÍl'e/, c11jos fllet!ibros se arham as.rociados, uns aos outros 1 por senti111entos t deveres, 11111tct1por

inleressn 011 idéias". ~o engendramento desse modelo, cujo centro é o casal branco

e seus filhos legítimos, "os escra1 1 os das plantações e das casas,

os agregados, dílata111 o círculo .familiar e, com ele, a autoridade imensa do pater-famüias"

(HOL-\1'DA, 1991. p. 4-.49),

Procurando caracterizar com mais exatidão a natureza dessas relações desem.Tokimento da nossa sociedade rural. nos diz ainda Holanda:

no

e não so111e11te r:srravos, como

Em 111írko caraden'.rtiro em t11do se ronp