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Uma idéia que vale espalhar:

O FUTURO É A REDE
Venessa Miemis

Texto traduzido cooperativamente na Escola-de-Redes por Jaqueline


de Camargo, Mariana Corrêa de Oliveira e Luiz de Campos Jr do
original de Venessa Miemis “An Idea Worth Spreading: The Future is
Networks”: Emergent by Design (16/03/10).

Este fim de semana eu experimentei um “snowcrash”; um momento


onde os fragmentos de informação, aparentemente díspares, que
flutuavam na minha cabeça se juntaram. Uma sinapse disparou, uma
nova ligação foi feita e foi trazida a um novo nível de consciência,
uma nova maneira de ver o mundo. Ao rever isso agora, parece
quase óbvio, mas levei um tempo para chegar nesse ponto. Espero

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que ao compartilhar com você, possa ajudá-lo a "pegar" isso
também. Então, me deixe guiar você pela trilha do meu pensamento.

Insight # 1: A Visão Geral

O Futuro é a Rede.

Esta idéia vem zumbindo na minha cabeça por um longo tempo. A


primeira vez que eu a anotei foi a mais de um ano atrás sem
entender o que realmente significava, mas era uma “intuição". Com o
passar do tempo, a idéia parecia cada vez mais provável, mas eu não
tinha certeza de como ela se ajustava.

O zumbido tornou-se cada vez mais alto e minha mente ficava


dizendo: “O futuro dos Negócios Sociais é a rede”, “O futuro da
educação é a rede”, “O futuro da sociedade é a rede”.

O que é que isto significa?

Eu sei que todos estão ocupados. Todo mundo está procurando


alguma solução para melhorar a sua situação. Se você me
acompanhar, eu vou lhe expor ao que eu acho ser uma idéia
incrivelmente poderosa.

Insight # 2: Onde “nós estamos” na História

Estamos todos conscientes de que há algo acontecendo aqui. Nós não


estamos muito certos do que, mas parece que estamos chegando
num ponto em que algo deve mudar se quisermos avançar.

Vou ser sincera com você - Eu não compreendo política. Acho que ela
é desconcertante no nível nacional e sinto-me impotente para fazer
qualquer coisa sobre o assunto no nível local. (Eu tentei o
voluntariado no ano passado, em uma comissão na minha cidade
para promover “Resíduos Zero” e energia verde. A cada reunião era
apenas falatório e discussão, no lugar de conceber soluções e
implementá-las. Eu fiquei entediada e desisti.)

Economia também me confunde. Eu não entendo porque é


organizada assim, eu paguei mais de $ 14.000 para a minha hipoteca
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em 2009, em juros, e cerca de 6 dólares em capital principal. Eu
também não entendo como existia uma bolha no nosso setor
financeiro e ainda assim os bônus de Wall Street subiram de 17%
para US$20,3 bilhões no ano passado. Eu não penso em mim como
uma idiota, mas minha mente *literalmente* não consegue conceber
como essas duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo. Parece
que a riqueza da nação inteira está sendo canalizada direto para um
funil de algumas mil pessoas afortunadas, e todos nós ainda estamos
trabalhando duro para conseguir dar conta das despesas e, em última
análise, apoiando esse modelo.

Tudo parece realmente bizarro e sem sentido, mas apontando para


alguma coisa. Lester Brown escreveu um post realmente simples,
relativamente curto e de fácil digestão, que apresenta a situação
melhor que eu - dê uma lida: A Civilizational Tipping Point. [NT -
Clique aqui se quiser acessar Plano B 4.0, Lester Brown, em
português].

Insight # 3: As Forças Subjacentes Trabalhando

Enquanto estas coisas estão ocorrendo no nível da superfície, alguma


outra coisa vem acontecendo sob a superfície. Sem realmente
compreender o cenário maior, eu tenho tentado identificá-la. Eu
escrevi um post há alguns meses atrás, chamado Três Tendências
Influenciando a Web e a Sociedade [The Three Key Trends Shaping
the Web and Society], onde eu tentei colocar a minha observação em
palavras. As tendências são:

• Mudança acelerada [Accelerating change] [NT - ver Teoria das


Mudanças Aceleradas]
• Aumento da complexidade da informação
• Crescimento da tecnologia social [NT - Em inglês, a Wikipedia
define "tecnologia social" através do histórico do conceito, mais
ligado às tecnologias de softwares e à plataforma Facebook,
entre outros. Não encontrei essa definição traduzida para o
português. A Wikipédia, no Brasil, descreve "tecnologia social"
com o sentido que se usa no campo social no Brasil. Se houver
interesse, ver]

Expliquei no post o que cada um deles significa, e acrescentei


também alguns gráficos bacanas. Se você não está familiarizado com
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esses conceitos, você pode dar uma olhada. Para fluir, vou continuar
evoluindo o pensamento aqui, mas essencialmente, isso significa que
o mundo está agora mais interconectado do que sempre foi, por
causa da tecnologia social.

Agora, vamos chamar de "tecnologia social" tudo o que nos permite


comunicar informações em nível global.

E vamos também colocar isso nos seguintes termos: TUDO é a


informação.

Não apenas estas palavras numa tela, mas também os objetos físicos
que nós trocamos, todos os bens que mantém o mundo caminhando -
alimentos, móveis, roupas, brinquedos, tchatchkis, tudo quanto é
coisa. A informação também inclui os objetos virtuais - os serviços
que prestamos uns aos outros, a troca de dinheiro, nossas vozes
quando falamos uns com os outros via Skype, e todas as outras
coisas intangíveis.

Todas essas coisas são verdadeiramente um tipo de comunicação,


uma representação para alguma coisa.

Uma banana não é uma fruta, é alimento. Um sofá não é um móvel,


é relax. Um brinquedo não um plástico da China, é diversão. Meu
Toyota não é um carro, é um transporte. Meu marido não é um
homem, ele é apoio, confiança e amor. Eu poderia seguir com esses
exemplos indefinidamente, mas a sério, dê uma olhada ao seu redor,
e perceba que você está cercado de coisas que significam outra coisa.

Pense em TUDO isso como um tipo de informação.

Agora, se você pode verdadeiramente imaginar toda “coisa” em torno


de você como informação, e estamos agora num mundo globalmente
interconectado, com todos os bens de comércio e serviços e
conhecimento, isto é UM MONTE de informação.

Isto é complexidade.

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Isso não era assim quando vivíamos em tribos ou aldeias ou até
mesmo em Impérios. Isso literalmente nunca foi totalmente
conectado em nível global, até agora.

Isso é tão complexo que nós literalmente não sabemos como lidar
com isso. Quando falamos sobre a “sobrecarga de informação” isto
não se refere apenas a todas essas correntes na web – isto se refere
a TUDO.

Então o que fazemos sobre isso?

Felizmente, a complexidade não é algo que nunca aconteceu antes.


Pode não ter acontecido antes para seres humanos numa civilização
global, mas acontece na Natureza o tempo todo.
Uma colônia de formigas, a biosfera, o cérebro. Tudo muito
complexo, ainda que funcional.

Por quê? Como?

Se aqueles sistemas “funcionam” não deveríamos nós imitá-los a fim


de “funcionarem” para a gente também?

Bem, na verdade, sim.

Uma das duas coisas acontece quando um processo alcança certo


nível de complexidade, e nós podemos e temos observado isso. Mais.
E mais. E mais.

a. Ele se comprime em padrões simples

b. Ele se expande para o caos

Então, justamente agora nós estamos de certa forma nos esforçando


para evitar o caos. Nós todos ainda levamos a vida, vamos para o
trabalho, nos entretemos, fazemos sexo. Estamos levando. Mas nós
também estamos querendo saber, em algum lugar no fundo de
nossas cabeças, por quanto tempo as coisas podem continuar assim,
com toda essa incerteza. Esperamos que alguém descubra isso para
que possamos continuar com nossas vidas e nos sentir seguros
novamente sobre o futuro.
5
Dê um “Enter” em mudança acelerada.

Nós não pensamos sobre esta parte porque a idéia disto não se
encaixa com a forma como experimentamos a realidade. Nós apenas
vivemos por muitos anos e as coisas parecem se desdobrar mais ou
menos no mesmo passo como sempre foi.

Vamos usar a "tecnologia" como um exemplo.

Vamos primeiro falar sobre tecnologia, como se isso significasse


apenas tecnologia eletrônica.

OK, fomos do telégrafo para o rádio para o telefone para a TV para o


celular para o computador para o smartphone dentro de
aproximadamente uma centena de anos, mas isto parece que
aconteceu num passo muito natural porque nós temos vivido nisso na
medida em que aconteceu. E nós experenciamos o tempo numa
escala linear.

MAS, se você colocar essas mudanças num gráfico, ele realmente não
se move numa linha ligeiramente inclinada para cima.

Ela se move como a letra J. Ela ganha uma velocidade cada vez mais
rápida.

Agora, se você rapidamente der uns passos atrás e entender que


"tecnologia" não é realmente apenas digital, mas que tecnologia inclui
todas as coisas que os seres humanos têm usado para simplificar as
coisas quando a complexidade aumenta, as coisas começam a fazer
MUITO sentido.

Toda ferramenta que a humanidade tem feito desde as flechas


de sílex à roda à civilização aos sistemas de governança, tem
sido em resposta à complexidade.

Tribos ficaram maiores e mais complexas e precisavam caçar


alimentos de forma mais eficaz para alimentar mais pessoas, e eles
perceberam que precisavam mais que um clube. Eles precisavam de
uma flecha. Isso funcionou.

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[acelerando]

Eles ficaram maiores ainda e não podiam ficar correndo atrás de


comida o tempo todo, então eles domesticaram animais e
desenvolveram a agricultura. Isso funcionou.

[acelerando]

Eles ficaram mais complexos e assim diferentes pessoas começaram


a fazer coisas diferentes. Fazendo coisas, quiseram trocar suas coisas
por coisas de outras pessoas. Eles desenvolveram um sistema
melhor. Isso funcionou.

[acelerando]

Eles se tornaram mais complexos e isto teve que ser organizado em


algum tipo de estrutura, então os sistemas de governo foram
implementados. Várias versões surgiram por todo o mundo, mas eles
todos tinham algo em comum: Havia uma escassez de recursos, e
assim os sistemas foram baseados na competição. Eles tinham que
ser, porque a Nação 1 queria reter mais recursos do que a Nação 2.
Ela queria proteger ou controlar os seus próprios interesses, seus
recursos físicos, o capital intelectual da sua sociedade. Em última
análise isto explorava uma tonelada de pessoas para trabalhar, mas
isto funcionou. Pelo menos para as pessoas de cima.

[acelerando]

Então isto ficou mais complexo, mais inter-relacionado e


interdependente. Isto nos traz ao presente.

Isso se tornou tão inacreditavelmente complexo e emaranhado, que


agora cada um de nós tem acesso a CADA ÚNICA PESSOA NO
PLANETA em menos que 6 passos. Mesmo com bilhões de pessoas no
planeta, podemos literalmente chegar a qualquer pessoa em 6
passos. Isso significa que podemos acessar os recursos de qualquer
um em 6 passos. Suas habilidades, seu conhecimento, sua capital,
sua influência. Qualquer recurso.

O que significa isto?


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Nós transitamos para além do ponto de escassez.

Dê um tempo para deixar que isso fique claro.

Não existe mais essa coisa de escassez.

Existem apenas recursos mal aplicados.

Foi o que aconteceu bem debaixo dos nossos narizes, enquanto nós
estivemos tentando resolver problemas não indo além de remedia-los
de modo irrelevante.

A única coisa que deixamos foi a mentalidade da escassez.


Qualquer problema verdadeiro que precise ser resolvido já é possível,
agora mesmo.

O Insight Final: O Futuro é Rede

Se você chegou até aqui, isto quer dizer que:

a.) não faz sentido para você,

b.) é algo que você já sabia,

ou

c.) O seu coração está batendo forte porque você está


começando a “pegar” isso

Me deixa partilhar as últimas peças que se encaixaram para mim:

Eu realmente nunca entendi o que queria dizer quando as pessoas


diziam: "Não é o que você sabe, é quem você conhece”.

Eu realmente nunca entendia o que queria dizer ir a um “evento


misturado com negócios” e o que “networking” significava.

Tudo parecia não só intimidador, mas quase impossível. Como você


conhece pessoas? Como você faz uma conexão de negócios? Como
você constrói confiança com estranhos para que vocês parem de ser
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estranhos e possam ajudar-se mutuamente. (E ajuda é qualquer
coisa desde emprestar um martelo para seu vizinho, fazer uma
referência para ajudar alguém a conseguir um trabalho, ou enviar por
email, ou twitar um link online que você imagine que possa ser útil
para mais alguém.) Ajuda vem em todas as formas e tamanhos.

Eu tentei conseguir um emprego à maneira antiga, respondendo a


chamadas e cruzando os dedos, esperando que de alguma forma o
meu valor estivesse refletido naquele temido pedaço de papel que
chamamos de currículo.

(Ah, por falar nisso, eu não sou uma simples recém graduada sem
experiência de trabalho. Eu costumava ter uma renda de seis dígitos
como executiva de empresa. Eu parei porque aquilo estava matando
minha alma.)

Meu outro pré-requisito para um trabalho foi que ele tinha de ser
interessante, significativo e gratificante. Expectativa alta. E nada
planejado.

Então eu comecei experimentar via online. Eu tinha aquele


sentimento interior de que "eu mereço, e eu quero que as pessoas
saibam."

Mas o que exatamente eu valho? O que é isto que eu “faço”?


Onde é que está o valor? O que eu realmente estou tentando
passar?

Percebi que todos nós temos habilidades que aprendemos;


conhecimentos que desenvolvemos; um comércio, um ofício, uma
arte. Essas coisas são diferentes para todos nós, e elas se
desenvolvem e crescem com o tempo na medida em que nós
aprendemos por meio da experiência. Mas sob tudo isso, temos
nossas forças.

Talentos são algo com que nascemos, e eles ficam muito melhor ao
longo do tempo, assim como as nossas capacidades, mas talentos
"vêm naturalmente." É o material que nos torna a gente mesmo.
Talvez o seu talento, ou força, seja que você é super generoso e
compreensivo, ou você é assertivo e estratégico, ou você é um bom
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contador de histórias, ou um tecelão de redes [NT – o termo original
usado é network Weaver], ou você sabe o que as pessoas realmente
querem dizer quando dizem alguma coisa, ou você pode antecipar o
que as pessoas querem.

Espero que você saiba do que estou falando, porque todos nós temos
esses pontos fortes.

Se você tem alguma ligação com os seus pontos fortes, se você os


tiver reconhecido e desenvolvido, eles estão provavelmente refletidos
no que você faz para viver. Por exemplo, se você é do tipo generoso
você pode trabalhar no atendimento a clientes ou numa organização
sem fins lucrativos, se você é estratégico você pode ser um executivo
ou um empreendedor, se você é um contador de histórias você pode
fazer vídeo ou jornalismo ou pintura ou música, se você for um
tecelão de redes você pode estar em vendas. Se você não estiver em
contato com suas forças subjacentes e, ainda assim não aplicá-las,
provavelmente você está fazendo um trabalho que está fazendo você
realmente, realmente infeliz.

Minha força é a capacidade de ver padrões.

Isto é o que me permitiu escrever este post. As pessoas me chamam


de "perspicaz” [NT - insightful]. Tenho a habilidade de ver coisas que
outras pessoas não vêem, mesmo quando essas coisas estão bem na
frente. (Eu tenho chamado esse processo de “metapensamento” [NT
- "metathinking"] e eu vou tentar explicar como isso funciona para
mim, em próximos posts.)

Então, descobri minha força e me aventurei online para compartilhar,


porque ela claramente não estava sendo apreciada no mundo "real."
Eu não tinha idéia de como "ver padrões" seria um ativo que me
traria qualquer tipo de oportunidade porque eu nunca tinha sido
apreciada por isto antes. Bem, talvez eu tivesse sido apreciada por
minha força, de formas menores ao longo da vida, mas nossas
memórias são curtas, nossos egos são fracos e precisamos de reforço
positivo constante para sentir qualquer tipo de valor nesta sociedade.
E a sociedade realmente não é criada para dar isto para a gente,
então todos nós nos sentimos de certa maneira impotentes a maior
parte do tempo.
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O sentimento de impotência não é apenas deprimente, mas também
nos deixa frustrados, irritados e com medo porque nós sentimos
como não temos absolutamente nenhum controle sobre o que está
acontecendo em nossas vidas. É como quando estamos “trancados”
no trânsito e temos algum lugar para chegar, ou quando uma
empresa nos explora e não há ninguém que os punirá por isso, ou
quando o governo não é capaz de prover educação adequada ou
assistência à saúde ou ainda quando a gente está “quebrado” e tem
que pagar impostos [NT - we bust our tails and pay our taxes].

Nós não temos mais confiança em nada disso, e estamos com raiva.

Mas tudo isso parece muito grande e esmagador, então eu arrisquei


empreender online para ver o que eu posso fazer sobre isso, para
mim. Eu não posso sozinha mudar o sistema, eu só posso mudar
minha própria situação. Então comecei este blog. Comecei a escrever
sobre os padrões que eu estava vendo, explicando em linguagem
simples as tendências que eu estava vendo, sintetizando os grandes
conceitos em palavras de modo que as pessoas pudessem "pegar".

(By the way, fiz o compromisso de tentar esta pequena experiência


em setembro. Estamos em março, agora. Tem sido apenas cerca de
seis meses.)

Junto com o blog, comecei uma conta no Twitter. Abri a conta na


semana que o Twitter Lists foi introduzido. Isso foi em outubro. Eu
não usei o Twitter antes pela mesma razão que eu não compareço
em 'eventos de networking': Eu não tinha absolutamente nenhuma
idéia de quem eu gostaria de interagir com, ou como. Ninguém nunca
me ensinou "networking".

O motivo que as Listas mudaram tudo é porque isso permite que


você identifique que pessoas estão seguindo, de um jeito que seja
contextualmente significativo. Pessoas organizam pessoas em
categorias que são úteis para elas, quer seja por localização
geográfica ( "amigos em NY"), por profissão ( "design", "gestores
sociais comunitários", "social-crm [NT – Social-customer relationship
management, gestores de relações com clientes sociais] "), por poder
(“os mais influentes em tecnologia"), por inteligência ("líderes de
pensamento ", "melhores-formadores-de-opinião-que-eu conheço"), e
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qualquer outro número de categorias que eles entendem que se
encaixam.

Se eles percebem ou não que fizeram isto, te deram um recurso


grátis. Eles estão publicamente te expondo para o networking
deles.

Agora depende de você determinar a credibilidade e a reputação da


pessoa, e quanto peso você coloca nas categorias deles. (Se eles
chegam do outro lado como uns idiotas para você, mas eles têm uma
lista chamada ‘líderes de pensamento', você pode achar que a opinião
deles sobre líderes de pensamento não é útil. Ou talvez seja
realmente útil, e você seja o idiota. Isso é para você descobrir. )

Então o que você precisa fazer?

Bem, isso exige fazer uma pequena lição de casa. O que eu fiz foi ir
para o Listorious.com. Olhei para todas as Listas Top que eram
interessantes para mim, e comecei a seguir cada pessoa que eu
imaginava que podia aprender com ela. Isso significa que eu pude
olhar através do fluxo de seus tweets [NT-tweetstream] para ver se
eles possuíam links com informações potencialmente úteis, além de
também ter acessado o site pessoal de cada um deles.

(Em cada perfil do Twitter o usuário pode fazer um link para seu site
pessoal. Isto é realmente importante. Todo mundo deveria ter um
site. Não tem que ser um site desenhado profissionalmente, pode ser
um simples blog gratuito, mas você precisa ter um lugar para
mostrar o seu trabalho, seja o que for. E não apenas um link para
seu currículo no LinkedIn. Essa é apenas uma afirmação de quem
você é - você dizendo para quem trabalha e as tarefas que faz. Isso
NÃO É quem você é. Você precisa ter algum tipo de site que MOSTRE
quem você realmente é. Do contrário, é muito mais difícil ter uma
idéia de quem você é apenas olhando o fluxo dos seus tweets.)

Nem todos vão segui-lo de volta. Mas tudo bem. Você vai continuar a
segui-los, porque o que eles lhe fornecem é uma fonte competente
de informação. Um exemplo que vem à mente, para mim, é o perfil
de Maria Popova, sob o nome de usuário @brainpicker. Eu a sigo, ela
não me segue de volta ou se envolve comigo de qualquer maneira,
mas seus tweets são consistentemente interessantes, então eu
continuo a seguir. Vão acontecer alguns casos assim, mas está tudo
bem porque eles fornecem um conteúdo interessante para que, em

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seguida, VOCÊ possa twittar as pessoas que te seguem. Eu sigo
quase 200 pessoas que não me seguem. Sem ressentimentos.

Quantas pessoas eu deveria seguir?

Você está começando a construir uma rede de pessoas interessantes


para seguir. Cada pessoa tem uma sugestão diferente sobre quantas
pessoas devemos seguir e a decisão é sua. Mas, para ser capaz de
começar a identificar padrões, eu recomendaria um mínimo de 150
pessoas. Isso vai levar tempo se você quiser fazer direito.
Simplesmente comece com as pessoas mais interessantes primeiro.

Então preste atenção.

Veja sobre o quê essas pessoas estão twittando e o quem elas


retwittam. Ao observar quem elas retwittam, você começa a entender
quem faz parte da rede deles. Uma excelente ferramenta para
auxiliar neste processo é o mentionmap. Você apenas digita um nome
de usuário e a ferramenta mostra exatamente com quem esta pessoa
fala mais e quais são suas conexões mais próximas. Eu sempre me
surpreendo quando uso essa ferramenta porque SEMPRE há pelo
menos uma pessoa em comum na rede de um estranho que ou está
na minha própria rede de contatos, ou pelo menos eu já vi o seu
nome circular pela minha rede de twitters. Este é um lembrete
constante de que todos nós estamos ligados em menos de 6 graus de
separação.

Então comece a twittar.

Espero que você tenha configurado seu blog ou site para atualizar as
informações sobre quem é e o que você pensa. Comece twittando um
mix de retweets de informação interessante que você encontrou em
outros perfis e poste informações sobre você. Ah. E quando digo
"informação sobre você", isso TEM que ser um presente.

O que quero dizer com 'presente'?

Isso significa que você não está vendendo nada, nem falando sobre a
empresa em que trabalha, ou mesmo desperdiçando o tempo das
pessoas com algo tolo. As pessoas estão ocupadas, e não irão prestar
atenção se você não estiver oferecendo valor.

Este presente é algo que você dá gratuitamente. Poderia ser


uma postagem no blog, escrita por você, que está recheada de
informações úteis. Por exemplo, um "como fazer", ou um insight

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sobre algo na sua área, ou uma dica que lhe ajudou a ser mais
produtivo, ou se você for um artista ou um artesão, um link que
mostra algo que você fez, ou qualquer coisa que mostra um dos seus
pontos fortes.

Quanto mais você observar as pessoas na sua rede, e começar a falar


com elas, você percebe que no fim das contas elas são APENAS
PESSOAS.

Isto vai ser muito bizarro e intenso à primeira vista, porque não
estamos realmente habituados à idéia de que estranhos são
potenciais aliados que poderiam nos ajudar. Mas você irá ficar mais
confortável ao longo do tempo. E vai começar a ter uma idéia das
personalidades e interesses destes estranhos, e se prestar atenção ao
que eles estão prestando atenção, você pode ter uma idéia de quem
eles conhecem. E novamente você notará o quanto estamos todos
conectados.

Sempre há lacunas nas redes, e lugares onde você pode fazer uma
introdução que poderá levar a uma descoberta. Você nem tem que
"conhecer" a pessoa que você está seguindo. Você pode estar
seguindo alguém que twitta coisas semelhantes a @brainpicker, mas
você percebe que esta pessoa não a segue. Então você só twitta para
ela: "Ei, você deveria conferir o perfil @brainpicker, você vai gostar
dos tweets dela". É isto. Este foi um presente, uma oferta gratuita de
uma conexão.

Você ganhou um ponto!

À medida que você for ficando bom nisso, vai começar a perceber
que algumas pessoas estão trabalhando em projetos ou idéias
semelhantes, mas elas não sabem umas das outras. Você percebe
que provavelmente poderiam se beneficiar mutuamente se trocassem
informações. Então você pode apresentá-las! (Novamente, você não
precisa "conhecer" uma das partes, tudo que você precisa saber é
que há uma ligação que pode ser feita). Eu percebi que duas pessoas
que não se conheciam estavam interessadas em mudanças sociais.
Percebendo que poderia ser mais eficaz se elas trabalhassem juntas,
em vez de repetir o mesmo trabalho em locais diferentes, eu dei um
toque: "hey @CDEgger @HildyGottlieb conheça @OpenWorld
@kengillgren @toughloveforX ". Eu nunca conheci nenhuma dessas
pessoas na vida real, mas acho que elas poderiam se beneficiar do
conhecimento umas das outras.

Isso leva tempo e esforço. É trabalho. E é não remunerado.

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Então, por que razão você vai perder seu tempo fazendo isso?

Porque coisas interessantes acontecem quando você começa a enviar


links para as pessoas com informações que elas podem aproveitar e
aplicar no mundo real. E quando você apresenta pessoas umas às
outras, que possam colaborar entre si em projetos ou idéias no
mundo real.

Isto gera confiança.

E isto foi, literalmente, uma revelação para mim.

Quando eu comecei a interagir mais com estas pessoas de carne e


osso em um espaço online, eu não conseguia entender por que as
pessoas estavam sendo tão legais, compartilhando informações
comigo e me dando recursos.

É porque estou ganhando a confiança delas.

Essa é a coisa mais fundamental, essencial e crítica que


precisamos para nos livrar dessa confusão toda.

Agora tenho uma rede de pessoas, nenhuma que eu já tenha


conhecido na vida real (ainda), com as quais eu troco valor
diariamente e construo confiança. Em menos de seis passos eu tenho
acesso a qualquer pessoa no planeta, e se eu tenho acesso à pessoa,
tenho acesso aos seus recursos. Recursos como os seus
conhecimentos, seus vínculos sociais e sua influência.

Você sabe como eu me sinto com isso?

Empoderada.

Não poderosa. Empoderada.

Deixe-me dar a definição de empoderamento:

“Equipar ou suprir com uma habilidade; tornar-se capaz."

Isto bateu em mim como se fosse uma tonelada de tijolos.

Toda essa doação e livre partilha realmente se tornam algo


tremendamente valioso.

Isto nos capacita.

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Isso nos dá a capacidade de acessar os recursos de que
necessitamos para fazer alguma coisa no mundo.

Saí para dar um passeio em NYC neste fim de semana e fiquei


pensando nisso, então passei por um mendigo sentado na rua
pedindo esmolas.

Naquele momento, eu percebi que eu estava olhando para um


homem sem uma rede social.

Eu não sei o que aconteceu com ele ao longo do caminho, ou como


ele chegou lá, mas em algum momento ele perdeu o acesso aos
recursos que poderiam capacitá-lo a agir. Ele possuía forças em
algum lugar lá dentro, mas ele não teve absolutamente nenhum jeito
de aproveitá-las, desenvolvê-las, ou utilizá-las de forma benéfica. Ele
era um nodo sozinho, ou, no máximo, um nodo dentro de uma rede
que não possuía recursos que eles pudessem usar a seu favor.

Isto é rede.

A resposta é a rede.

Redes resolvem o problema da complexidade.

Desde o início da minha experiência com blog/Twitter, em setembro,


todo o esforço que eu coloquei nisso me ajudou a começar a formar
uma rede de laços fortes e fracos. No começo eu tive alguns retweets
dos meus tweets, depois mais comentários no meu blog, então
algumas pessoas de maior influência começaram a twittar meus
posts, me dando mais exposição e, depois, algumas pessoas me
convidaram a postar em seus blogs. Então me pediram para falar em
uma conferência de negócios em Nova York que será em abril e,
então fui contratada pela Duke University para ministrar um futuro
curso em julho, e eu, literalmente, estou esperando para ver o que
acontece em seguida.

Parece mágica, mas o processo foi totalmente prático, e realmente


me senti como em um jogo.

Acontece que a vida é EXATAMENTE como um jogo. Se você tem


acesso aos recursos certos, você pode ganhar.

Aqui segue o ponto crucial [the kicker].

Todo mundo pode ganhar.

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Por definição , um sistema complexo só pode funcionar com agentes
que colaboram entre si, atuando de forma independente. Isso
significa que você ainda pode seguir seus interesses pessoais, mas
para servir os seus interesses suas ações têm que indiretamente
servir o todo.

E isto não é apenas uma teoria, existe uma prova.

Você pode não saber o nome de Elinor Ostrom, mas ela ganhou o
Prêmio Nobel por seu trabalho sobre cooperação na Economia. Ela fez
uma pesquisa que mostrou que a "tragédia dos commons” não seria
necessariamente o efeito de uma sociedade globalmente cooperativa,
como temos assumido. Ela mostrou, na prática, que isso poderia
realmente funcionar. [NT – “tragédia dos commons” ou, cf.
Wikipédia, “tragédia dos comuns” refere-se a expressão cunhada em
1833 por William Foster Lloyd para definir “um tipo de armadilha
social, frequentemente econômica, que envolve um conflito entre
interesses individuais e o bem comum no uso de recursos finitos.”]

Então, o que significa tudo isso?

Eu tentei aqui o meu melhor para levar alguns temas incrivelmente


complexos e destilar-los em algo que faça sentido. Espero que os
exemplos estejam ilustrando o que está acontecendo.

Essa coisa toda online é essencialmente uma representação - ela é


como uma mímica do mundo real. Os relacionamentos que você
constrói online e as redes que você constrói online não são feitas
apenas de perfis e avatares, eles são formadas por pessoas da
vida real.

Isto posto, estamos realmente nisso juntos, todos tentando descobrir


uma maneira de utilizar nossas forças, conectar, colaborar e
sobreviver. Se ajudar uns aos outros e construir confiança é a
maneira de fazermos isso funcionar, então vamos fazer isso
funcionar.

Todo esse tempo, eu estava pensando muito grande, tentando


entender como mudar o mundo. Fiquei me perguntando, "mas como
é que podemos alavancar redes?"

Não alavancamos.

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Nós SOMOS a rede. Redes se auto-organizam. Nós apenas
temos que alavancar a nós mesmos e a infra-estrutura torna-
se construída.

Cada um de nós tem que criar o próprio ecossistema de


relacionamentos que será benéfico para nós, pessoalmente. Todos
nós temos alguns relacionamentos que se sobrepõem, mas ninguém
terá exatamente o mesmo conjunto deles. O ponto é que queremos
construir confiança de modo que quando precisarmos de ajuda, nós
poderemos saber quem acessar para nos ajudar.

Agora imagine, se você é um empresário, ou uma organização, ou


uma organização sem fins lucrativos, ou uma corporação, e você
entender esta mensagem e espalhar para todos e cada um de seus
empregados. O que acontece quando toda a sua organização de
pessoas, como uma unidade é uma rede em si, mas cada pessoa tem
também as suas redes de relacionamentos pessoais, que se
estendem para além da organização?

Você tem, então, uma INCRÍVEL vantagem competitiva. (Sim,


ainda pode haver ‘competição’ em uma sociedade colaborativa, é
apenas diferente, porque é baseada em confiança.)

Sua organização se torna ágil. Torna-se uma rede de aprendizagem,


onde cada pessoa tem acesso à informação que pode ser
compartilhada, interpretada e aplicada. Você será capaz de identificar
mais rapidamente os sinais fracos; encontrar soluções de modo mais
rápido e se adaptar às mudanças mais rápido também.

O mundo vai continuar andando. E acelerando a um ritmo acelerado.


A ÚNICA MANEIRA de lidar com isto é não se apegar às velhas
hierarquias e pirâmides, não se apegar a orgulho e egos. Temos de
compreender que só poderemos lidar com isso como um sistema
totalmente conectado.

E a parte realmente louca é: já temos tudo que precisamos para


fazer isso acontecer. Tudo já está no lugar certo.

Tudo o que é necessário mudar é a mentalidade.

Permitam-me repetir:

Tudo o que é necessário mudar é a mentalidade.

Então como é que vamos resolver tudo?

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Não tenho absolutamente nenhuma idéia. Esse é o ponto. Nenhum de
nós sabe, individualmente, ou mesmo em grupos. O sistema precisa
estar entretecido primeiro, e então nós saberemos coletivamente
como descobrir isso. Nós seremos flexíveis, adaptativos e
inteligentes, porque nós seremos capazes de, rápida e livremente,
alocar os recursos onde eles são necessários para fazer a mudança.

O primeiro passo é construir nossas redes.

Isso tudo me atingiu como um raio, um padrão que emergiu a partir


de toda uma informação complexa.

Isso é uma opção que parece não só possível, mas preferível, e vem
com um plano que é passível de ser implementado imediatamente.

Achei que valia a pena divulgar essa idéia. Se você também pensa
assim, passe isso adiante.

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