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UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

LEONARDO MICHEL ROCHA STOPPA

NR10 e BS7176 APLICADAS À SEGURANÇA DO TRABALHALDOR

PROTEÇÃO ADICIONAL NOS CIRCUITOS COMERCIAIS E INDUSTRIAIS

Rio de Janeiro Setembro de 2015

UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

LEONARDO MICHEL ROCHA STOPPA

NR10 e BS7176 APLICADAS À SEGURANÇA DO TRABALHALDOR

PROTEÇÃO ADICIONAL NOS CIRCUITOS COMERCIAIS E INDUSTRIAIS

Leonardo Michel Rocha Stoppa

Trabalho apresentado à UCAM - Universidade Cândido Mendes como requisito parcial para a obtenção do Grau de Engenheiro de Segurança do Trabalho.

Orientador: Prof. Roger Valentim Abdala

Rio de Janeiro Setembro de 2015

TERMO DE COMPROMISSO

O aluno Leonardo Michel Rocha Stoppa, abaixo assinado, do curso de Pós Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho, declara que o conteúdo do Trabalho de Conclusão de Curso intitulado NR10 e BS7176 APLICADAS À SEGURANÇA DO TRABALHALDOR - PROTEÇÃO ADICIONAL AOS CIRCUITOS COMERCIAIS E INDUSTRIAIS, é autêntico, original e de sua autoria exclusiva.

Rio de Janeiro, 1 de Setembro de 2015

Leonardo Michel Rocha Stoppa

Dedicatória

Ao primo Wilson.

AGRADECIMENTOS

Ao casal Suby e Sinnen pelo suporte. `A minha esposa Jenniffer Lamounier pelo grande apoio.

.

RESUMO

A revolução industrial trouxe consigo a intensificação da produção com

concomitante aumento no número de acidentes de trabalho. Com o evoluir das tecnologias de produção e o nascimento das legislações trabalhistas, as

condições precárias das fábricas aos poucos foram se adaptando e os ambientes de trabalho tem se tornado cada vez mais seguros. Dentre as várias normas relacionadas à segurança, a norma brasileira NR-10 é a que regulamenta o trabalho com a eletricidade, que se tornou a forma de energia mais utilizada na atualidade. Apesar de focada na segurança dos trabalhadores dos sistemas elétricos de potência e os eletricistas de baixa tensão, a norma NR10 apresenta várias recomendações relacionadas à proteção dos circuitos elétricos a serem usados por pessoas não habilitadas

ao trabalho com eletricidade, referidas neste texto como pessoas comuns. Muito mais completo neste sentido, o sistema de proteção utilizado na Europa apresenta várias formas de proteção a serem adotadas nos circuitos elétricos de baixa tensão, o que possibilita um reforço significativo à segurança dos trabalhadores que operam máquinas e equipamentos elétricos que, dadas as suas características de mobilidade, podem apresentar falhas com eventual eletrocussão do operador. Como medidas de segurança adicionais, este trabalho sugere iniciar a prática de utilização do condutor de proteção terra, muitas vezes ignorado nas instalações elétricas brasileiras, além de reforçar os circuitos que servem equipamentos móveis com dispositivos protetores por corrente de fuga – RCD. A utilização adequada das medidas de proteção levando em conta os limites de corrente e tempo de desconexão tornam o circuito praticamente inofensivo ao ser humano, uma vez que possibilita a desconexão em caso de toque, limitando a corrente fora

da faixa de risco à vida. Embora altamente recomendados, os RCD precisam

de cuidados em sua implementação pois circuitos antigos ou mesmo equipamentos com baixa qualidade de isolação podem apresentar fuga de corrente intrínseca levando a disparos indesejáveis, motivo pelo qual um estudo prévio com medidores especiais deve ser realizado. Embora apresentem custos superiores aos disjuntores comuns, os RDC representam um avanço no que tange à segurança dos trabalhadores usuários dos circuitos elétricos, motivo pelo qual seu uso deve ser entendido como investimento.

Palavras Chave: Proteção de baixa tensão, dispositivo de corrente de

fuga, corrente de fuga, NR-10, BS7671

ABSTRACT

The industrial revolution brought with it the intensification of production with concomitant increase in workplace accidents. With the evolution of production technologies and the emergence of new laws, poor factory conditions were slowly adapting and working environments have become increasingly safer. Among the various regulations related to security, the Brazilian standard NR-10 is the regulation for working with electricity, which became the most widely used form of energy today. Although focused on the safety of workers of electric power systems and low-voltage electricians, the NR-10 wiring regulations presents several recommendations relating to the protection of electrical circuits to be used by people not certificated to work with electricity, referred to in this text as ordinary people. More competed in this sense, the protection system used in Europe suggest several forms of protection to be adopted in low voltage circuits, allowing a significant strengthening safety of workers operating machinery and electrical equipment which, given their characteristics mobility, can fail with possible electrocution of the operator. As additional security measures, this work suggests starting the practice of using the earthling protective conductor, often ignored by the Brazilian culture, as well, protecting the circuits that serve mobile devices with residual current device - RCD. The use of suitable protective measures taking into account the limits of current and disconnecting time makes the circuit safe, since it enables the disconnection in case of touch, limiting the current levels out of the lethal risk. Although highly recommended, the implementation of RCD needs special attention because old circuit or even equipment with low quality insulation may have intrinsic current leakage leading to unwanted trips, which is why a previous study with special inspection should be performed. Although they present higher costs when compared to standard circuit breakers, the DRCs represent a walking towards the safety of workers users of electrical circuits, which is why its use should be understood as an important investment.

Keywords: low voltage protection, residual current device, RCD, NR-10,

BS-7671 wiring regulations.

SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO

10

2.

REVISÃO BILBIOGRÁFICA

2.1.

CAPÍTULO 1: UM BREVE HISTÓRICO

2.1.1 - Histórico da proteção

11

2.1.2 - A Energia Elétrica

.12

2.1.3 - NR10 – Instalações e Serviços em Eletricidade

13

2.1.4 - Tipos de Instalações Elétricas

15

2.2.

CAPÍTULO 2: A PROTEÇÃO E A ELETRICIDADE

2.2.1 - As Medidas de Proteção

16

2.2.2 - O Aterramento

16

2.2.3 - Proteção por Desconexão Automática

19

2.2.4 - As Barreiras de Restrição de Acesso

21

2.2.5 - Proteção Adicional com RCD

.22

2.3.

CAPÍTULO 3: PROTEÇÃO ADICIONAL COM RCD

2.3.1 - Implementando a Proteção com RCD

22

2.3.2 - Testes de Certificação e Testes de Rotina

24

2.3.3 - Cuidados na Implementação: Acionamentos Indevidos

25

2.3.4 - Qualidade da Isolação de Circuitos já Instalados

26

2.3.5 - Os Custos de uma Instalação Segura

27

3. CONCLUSÃO

27

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

28

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURAS

1 Sistema de aterramento TT – Terra e Terra separados

18

2 Sistema de aterramento TN-C – Terra e Neutro Combinados

18

3 Sistema de aterramento TN-C-S – Terra e Neutro

19

4 Sistema de aterramento TN-S – Terra e Neutro Separados

19

5 Exemplos de falhas com e sem aterramento

20

6 RCD – lógica de funcionamento

23

7 Exemplos de RCD

24

8 Equipamento para certificação de circuitos de baixa tensão

26

TABELAS

1 Tempos de desconexão sugeridos para 230V (disjuntores)

20

2 Valores de impedância loop para disjuntores curva B e C

21

3 Tempos de desconexão sugeridos para faixas de tensão (RCD)

24

4 Preços aproximados de alguns dos equipamentos sugeridos

27

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho demonstra como as regulações da norma NR10 podem ser aplicadas no sentido de proporcionar segurança aos trabalhadores que fazem uso das instalações elétricas comerciais e industriais. Primeiramente, será feita breve retrospectiva sobre a proteção e a segurança do trabalho na história da humanidade. Introduzindo o advento da eletricidade como energia de fácil transporte, serão expostos os perigos apresentados por esta energia ao ser humano, demonstrando como os choques elétricos podem ocasionar desde o simples desconforto, passando por queimaduras e com eventual ocorrência de morte. Será apresentada a NR10 como arcabouço teórico a ser seguido no intuito de diminuir os riscos eminentes desta forma de energia, assim como um breve comparativo com a norma inglesa BS7671 e seu método centralizado de certificação. Serão definidos os termos alta e baixa tensão e serão apresentadas as características elétricas das instalações em baixa tensão. No segundo capítulo, as medidas de proteção como aterramento, desconexão automática da energia, barreiras, fora de alcance, ambiente isolado e proteção por dispositivo de corrente de fuga, todas abordadas pela NR10, serão apresentadas. Será explicada a importância do aterramento para a confiabilidade do funcionamento do sistema de proteção, possibilitando o retorno de corrente pelo condutor de proteção aterrado, assim como o tempo de coordenação dos disjuntores para evitar não somente a queima dos condutores elétricos, mas também a eletrocussão dos funcionários em caso de falha em algum metal exposto da edificação. No terceiro capítulo, especial destaque será dado ao dispositivo de corrente de fuga. Embora não frequentemente usado no brasil, tal equipamento consta na NR10 dado ao seu elevado desempenho na desconexão da eletricidade em caso de falha ou mesmo de toque na rede por parte de um funcionário. Fazendo uso das informações constantes nas normas NR10 e BS7671, serão apresentados os tempos sugeridos de desconexão, assim como as correntes máximas de fuga para operação do dispositivo, possibilitando a desconexão da rede em tempo hábil para resguardar a vida do funcionário vítima de falha elétrica. Para fins puramente informativos, será apresentada uma lista de preços dos dispositivos relacionados aos sistemas de proteção abordados

neste trabalho, possibilitando primeira estimativa de custos relacionadas as sistemas propostos.

2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 – CAPÍTULO 1: UM BREVE HISTÓRICO 2.1.1 - Histórico da proteção

A proteção contra os perigos data dos primórdios da humanidade. O homem

pré-histórico, ao se esconder de predadores em cavernas, esboçava seus primeiros passos em busca da proteção. Os escudos de guerra são tidos pela antropologia humana como sendo os primeiros instrumentos portáteis de proteção individual (PENNA, 2010) e, num momento posterior, outros exemplos rústicos de proteção foram aparecendo, como observado por Mendes (1996) apud Penna, (2010, p 12), “Mendes menciona a iniciativa dos escravos de utilizarem à frente do rosto, à guisa de máscaras rústicas, panos

ou membranas de bexiga de carneiro para atenuar a inalação de poeiras.”

Apesar de notável, mas lenta evolução das técnicas de trabalho humano, foi

a revolução industrial inglesa que, ao potencializar produção em condições

extremamente inseguras, potencializou conjuntamente acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, gerando com isso preocupações por parte de cientistas, pesquisadores e alguns empresários no sentido da proteção da saúde do trabalhador (PENNA, 2010). Em 1833 um clamor público culminou no Factory Act 1833’, que pela primeira vez restringia o número de horas de trabalho por dia, assim como limitou, ainda que timidamente, o ingresso indiscriminado de crianças no trabalho fabril, estipulando para essas uma jornada máxima de 69 horas semanais. (PENNA, 2010) A criação da Organização Nacional do Trabalho em 1919 foi a maior conquista relacionada

à saúde e segurança do trabalhador. Esse marco não somente eliminou o

trabalho infantil como criou um sistema de cooperação entre países signatários, onde representantes do governo, dos empregadores e dos trabalhadores participam na criação das normas. Dentre as várias normas de

segurança criadas de forma tripartite ao longo deste novo momento vivido pelo trabalho voltado à segurança e saúde, a NR10, cuja parte é foco de estudo deste artigo, é aquela responsável pelas diretrizes relacionadas à

segurança em eletricidade, cuja escrita contempla a segurança tanto de trabalhadores como usuários criando naqueles inclusive, responsabilidades civis e criminais quando do seu descumprimento. (COGE, 2005)

2.1.2 - A Energia Elétrica A eletricidade é a forma de energia mais utilizada na sociedade atual. Embora seja muitas vezes obtida da conversão de outras fontes de energia como por exemplo hidromecânica, óleo, carvão, a eletricidade tem como característica a facilidade de transporte, o que possibilitou que várias fábricas eliminassem restrições como se instalar próximas a cursos d’água para aproveitamento hidromecânico ou de portos para recebimento de combustíveis ou mesmo próximas a minas de carvão. (TANNER et al., 2014) Embora apresente vantagens e diminua vários riscos associados a transportes e combustão de insumos, confinando esses às áreas de geração elétrica, a eletricidade apresenta forte risco devido primeiramente à característica de condutividade do corpo humano, assim como a própria natureza elétrica do sistema nervoso que faz uso da própria eletricidade para comunicação de sinais vitais. (OMORI, 2015)

Quando sofrendo uma leve eletrocussão, a vítima tende perder imediatamente o autocontrole, já que a corrente externa tende ser maior que aquela utilizada pelo seu sistema nervoso. O resultado pode ser desde a incapacidade de se libertar do choque elétrico até mesmo a fibrilação ventricular, que é a resposta do coração a uma corrente de controle externa, como observa o trabalho do COGE (2005), “O choque elétrico pode ocasionar contrações violentas dos músculos, a fibrilação ventricular do coração, lesões térmicas e não térmicas, podendo levar a óbito como efeito indireto as quedas e batidas, etc.” Quando sofrendo uma eletrocussão de maior intensidade, o organismo tende se aquecer pelo fenômeno conhecido como efeito joule. O resultado pode ser desde queimaduras superficiais até queimaduras severas com carbonização de tecidos. Ambos os casos podem levar à morte, e, embora de pouco conhecimento da população, a corrente necessária para ocasionar fibrilação ventricular é da ordem de pouco mais de 30ma, fazendo com que pequenos choques sem ocorrência de queimaduras,

se tornem às vezes mais mortais que choques de correntes superiores. (SOCIESC, sistema em alta).

2.1.3 - NR10 – Instalações e Serviços em Eletricidade

A norma regulamentador NR10 estabelece metodologias a serem adotadas

com o intuito de proporcionar segurança tanto aos trabalhadores das redes elétricas quanto aos seus futuros usuários. Nascida em 1978, a norma passou por modificação em Dezembro de 2004. Dentre os temas cobertos

pelo documento, (PROMINAS, 2014 p. 39), apud Pereira (2005) destaca como novidades:

Cria as zonas de “risco” e “controlada” no entorno de pontos ou conjuntos energizadas.

Estabelece a proibição de trabalho individual para atividades com AT ou no SEP .

Torna obrigatória a elaboração de procedimentos operacionais contendo, passo a passo, as instruções de segurança.

Define o entendimento de desenergização.

Cria a obrigatoriedade de certificação de equipamentos, dispositivos e

materiais destinados à aplicação em áreas classificadas.

Defineoentendimentoquantoa“profissionalqualificadoehabilita do”,“pessoa capacitada ”e “autorização”.

Estabelece responsabilidades aos empregadores contratantes e contratados e aos trabalhadores.

Torna obrigatório o curso de treinamento para profissionais autorizados a intervir em instalações elétricas: básico (min. 40h) e complementar (min. 40h).

Complementa-se com as Normas Técnicas oficiais.

Apresenta um glossário contendo conceitos e definições claras e objetivas.

Estabelece ações para situações de emergência

Embora a norma enfoque primeiramente a segurança dos trabalhadores do sistema elétrico, tanto de baixa quanto de alta tensão, o presente trabalho objetiva explorar a parte da norma que relaciona a segurança dos usuários dos circuitos elétricos de baixa tensão disponibilizados tanto em instalações comerciais como industriais.

Tendo seu conteúdo entendido como de fundamental importância à segurança do trabalhador, a NR10 extrapolou sua aplicabilidade antes restrita

a engenheiros e técnicos, e passou a ser ministrada como curso de

aperfeiçoamento profissional disponível e necessário a vários trabalhadores

que fazem parte da equipe que instala e presta manutenção nos sistemas elétricos de potência, assim como em redes comerciais e industriais de baixa tensão.(COGE, 2005) A mesma norma, ainda versando sobre preparação e estudo dos trabalhadores, aponta a requisitos mínimos para bagagem teórica formal dos mesmos, apontando o que os distingue em diferentes classes e níveis de atuação e responsabilidades. Para fins de capacidades e atribuições, a NR10 divide o profissionais em 3 grupos:

10.8 HABILITAÇÃO, QUALIFICAÇÃO, CAPACITAÇÃO E AUTORIZAÇÃO DOS TRABALHADORES.

10.8.1 É considerado trabalhador qualificado aquele que

comprovar conclusão de curso específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino.

10.8.2 É considerado profissional legalmente habilitado o

trabalhador previamente qualificado e com registro no

competente conselho de classe.

10.8.3 É considerado trabalhador capacitado aquele que

atenda às seguintes condições, simultaneamente:

A. receba capacitação sob orientação e responsabilidade

de profissional habilitado e autorizado;

B. trabalhe sob a responsabilidade de profissional

habilitado e autorizado. (REFERENCIA NR10 10.8)

Os trabalhadores e usuários dos circuitos elétricos que não se enquadrem nas qualificações do subitem 10.8 da NR10 serão mencionados neste trabalho simplesmente como usuários ou pessoas comuns.

Ao contrário dos profissionais capacitados e habilitados para desenvolvimento e manutenção de instalações elétricas, os usuários comuns apresentam não somente maior vulnerabilidade dada a sua baixa ou nenhuma preparação teórica a respeito da segurança com eletricidade, como trabalham sem fazer uso de nenhum EPI relacionado à segurança elétrica (LINSLEY, 2008), motivo pelo qual este estudo enfoca a aplicação dos métodos sugeridos aos sistemas de segurança dos circuitos elétricos em operação.

Para efeito de reforço à segurança, tomando como exemplo as normas internacionais que tratam do mesmo assunto, o sistema normativo unificado da união europeia – CENELEC - estabelece como mandatório para

certificação de uma instalação, tanto residencial como comercial/industrial, o cumprimento de vários preceitos: O aterramento de todas as partes metálicas do sistema, assim como a conexão ‘bonding’ de todos metais da edificação são obrigatórios para diminuir o risco de acidentes com eventual eletrocussão. As tomadas de energia a serem acessadas por usuário comum deverão obrigatoriamente receber a proteção adicional por um RCD, assim como toda a rede elétrica que passar por locais entendidos como de alto risco devem também ser protegidas por dispositivos RCD. (TANNER et al., 2014) Para movimento em sentido ao mesmo nível de segurança adotado nos países desenvolvidos, observa-se de imediato a necessidade de modificações culturais brasileiras, como por exemplo, a implementação do condutor de proteção (aterramento), assim como testes de isolamento contra fugas e o início da utilização sistemática dos RCD.

Ainda comparando com as normas internacionais, outra característica merecedora de atenção é o método de certificação, que nos países europeus, é unificado. Embora o Brasil incentive cursos de NR10, não existe uma aferição centralizada da qualidade dos cursos ministrados, possibilitando empresas não somente oferecer os cursos como emitir certificados aos participantes. Surge a possibilidade de fraudes assim como baixa qualidade do conteúdo como risco nas aplicações do treinamentos, o que não somente reduziria a abrangência do conhecimento acerca do assunto, como também aumenta o risco de acidentes com a rede elétrica. A exemplo da Inglaterra, o sistema de certificação da norma BS7671 conta com avaliação centralizada por parte da instituição ‘City & Guilds’. O método permite ao empregador ter acesso a um banco de dados com a lista profissionais certificados, assim como impõe homogeneidade no nível de conhecimento entre os profissionais da área (TANNER et al., 2014).

2.1.4 – Tipos de Instalações Elétricas Para os aspectos de segurança do trabalho, a norma regulamentadora NR10 divide as redes elétricas em Baixa e Alta tensão. A primeira, compreendendo instalações em 50V-1000V em corrente alternada ou 120V-1500V em corrente contínua, sendo alta tensão os valores acima desses. (COGE, 2005)

Como o escopo deste trabalho se limita às tensões encontradas na maioria do comercio e indústria (220V, 380V e 600V), as altas tensões, por serem operadas por profissionais capacitados e habilitados, não serão abordadas assim como serão ignoradas as opções em corrente contínua por não fazerem parte significativa do repertório de opções utilizadas no comercio e indústria brasileiros.

2.2 – CAPÍTULO 2: A PROTEÇÃO E ELETRICIDADE 2.2.1 – As Medidas de Proteção As medidas de proteção apresentadas na NR10 levam em conta os vários níveis de acesso que os usuários podem ter aos circuitos elétricos, assim como o tipo de usuário para o qual o circuito elétrico é desenvolvido e disponibilizado. As formas de proteção constantes da NR10 são as mesmas adotadas por normas internacionais, o que coloca o Brasil no mesmo nível de tecnologia e normatização daquele adotado no primeiro mundo. Observa-se porem que atenção especial deve ser dado ao quesito certificação/inspeção. Enquanto no Brasil várias instalações industriais e comerciais são colocadas em operação mesmo não estando em conformidade com as normas vigentes, na Europa por exemplo, a certificação é quesito para o início das atividades.

2.2.2 – O Aterramento.

O

aterramento consiste em um caminho elétrico para o potencial zero, que é

o

potencial elétrico do solo. Sua elaboração consiste na afixação de um

número de eletrodos metálicos até se alcançar um valor de resistência suficiente para, em ocorrência de falha na isolação de algum circuito, manter o nível de potencial abaixo de 50V, que é o limiar do risco humano à corrente elétrica (TANNER et al., 2014). Apesar de ter sua utilidade empiricamente limitada ao bom funcionamento de alguns equipamentos, a finalidade maior do aterramento é a segurança do ser humano, que figura como mais importante elemento dentro de qualquer sistema.

Embora no Brasil seja comum a execução do aterramento ficar por conta do cliente consumidor, que deve instalar um número de eletrodos recomendado pela distribuidora quando na solicitação da ligação do medidor elétrico,

existem casos em que o aterramento protetor é fornecido pela própria concessionária, o que resulta na maioria das vezes em um circuito de proteção muito mais confiável já que apresenta muito menor resistência à passagem da corrente elétrica. Outro problema cultural relacionado ao aterramento é a parte interna da edificação, que fica por responsabilidade do consumidor. Muitas vezes o ‘fio terra’ é simplesmente ignorado na caixa de passagem e os circuitos elétricos são construídos da forma ‘a dois fios’. Esta medida não somente ignora a proteção adicional do aterramento, como coloca em risco todos os usuários da instalação, uma vez que qualquer falha pode ocasionar a eletrocussão da placa externa das caixas de passagem, chassis de equipamentos, invólucros de maquinas, carcaça de geladeiras, etc.

O aterramento sugerido neste trabalho é compulsório tanto nas normas

internacionais como a BS7671 quanto na NR10: Observa-se o tipo de

instalação do circuito entregue pela concessionária, entre as opções TT, TN-

S, TN-C, TN-C-S e, de acordo com o circuito recebido, implementa-se o

circuito interno com o condutor protetor obrigatoriamente separado, conectando-o não somente a todos os terminais destinados ao aterramento,

como a todos os dutos elétricos, trilhos e metais estranhos como tubulações

de água, gás e ferragens acessíveis da edificação. Esta medida permite tanto

a

eliminação dos choques relacionados às fugas de correntes para carcaças

e

dutos elétricos como a operação da medida de segurança DESCONEXÃO

AUTOMÁTICA DA ENERGIA, que será explicada adiante (TANNER et al., 2014). Para efeito de contextualização, seguem abaixo ilustrações que demonstram as opções de aterramento TT, TN-S, TN-C e TN-C-S com uma breve descrição de suas características. Observe que a nomenclatura padrão dos sistemas de aterramento, apesar de terem sido concebidas em língua francesa apresentam compatibilidade literal com o português, o que facilita sua memorização.

Figura 1:

TT - Terra e Terra separados

Figura 1 : TT - Terra e Terra separados Fonte: http://s307.photobucket.com TT – Neste modelo a

Fonte: http://s307.photobucket.com

TT – Neste modelo a concessionária não disponibiliza o aterramento, ficando

a cargo do cliente instalar os eletrodos e testar se a impedância obtida é

suficiente para proporcionar a tensão de segurança em ocasião de falha. De

acordo com a norma BS7671, para uso deste modelo de aterramento, faz se

necessária proteção adicional de toda a instalação por meio de RCD, já que

dificilmente a resistência de aterramento seria suficiente para ocasionar o trip

do disjuntor em caso de falha.

Figura 2:

TN-C - Terra e Neutro combinados

de falha. Figura 2 : TN - C - Terra e Neutro combinados Fonte: http://s307.photobucket.com TN

Fonte: http://s307.photobucket.com

TN-C – É o modelo mais comum em distribuições aéreas e é o modelo

fortemente adotado no Brasil. O aterramento vem combinado com o neutro

até o medidor do cliente, que deve prover eletrodo de aterramento

suplementar e a partir deste ponto o terra passa a dividir o mesmo condutor

do neutro.

Figura 3:

TN-C-S - Terra e Neutro combinados - separados

Figura 3 : TN -C-S - Terra e Neutro combinados - separados Fonte: http://s307.photobucket.com TN -C-S

Fonte: http://s307.photobucket.com

TN-C-S – É o modelo indicado em substituição ao TN-C possível de ser

implementado em distribuições aéreas já que a diferença está na parte

relacionada ao cliente. O aterramento vem combinado com o neutro até o

medidor do cliente, que deve prover eletrodo de aterramento suplementar e a

partir deste ponto o terra recebe um condutor separado.

Figura 4:

TN-S – Terra e Neutro separados

separado. Figura 4 : TN -S – Terra e Neutro separados Fonte: http://s307.photobucket.com TN -S –

Fonte: http://s307.photobucket.com

TN-S – Este modelo é comum em áreas atendidas por instalações

subterrâneas, por isso é mais comum em países europeus. O aterramento é

suprido em condutor separado pela própria concessionária e toda a

instalação é feita de modo a preservar esta característica de separação.

2.2.3 – Proteção por Desconexão Automática em Caso de Falha

Uma falha pode acontecer tanto no circuito elétrico permanente quanto por

exemplo, em um dispositivo eventual, que, por receber frequente

movimentação, apresenta maior possibilidade de defeito. A proteção com desconexão automática de energia visa oferecer um caminho de passagem alternativo à corrente elétrica no momento de falha, evitando que o potencial elétrico fique disponível ao toque do usuário. A parte inicial do desenvolvimento deste tipo de proteção é o próprio aterramento e interligação de todas partes metálicas da edificação. No evento de uma energização de um metal exposto, que certamente traria risco aos usuários do ambiente, a corrente faltosa quando relacionada ao aterramento não seria suficiente para deixar mais que 50V de potencial disponível ao toque, porém, deve ser suficiente para desarmar o disjuntor de proteção num período seguro para o não superaquecimento do circuito elétrico (TANNER et al., 2014). As ilustrações abaixo demonstram o funcionamento da proteção com desconexão automática da energia, assim como uma tabela com dados de impedância de ‘loop’ e tempos de desconexão recomendados para os casos mais comuns de coordenação.

Figura 5: Com e sem aterramento

comuns de coordenação. Figura 5 : C om e sem aterramento Fonte: http://i.stack.imgur.com/MkYw9.jpg Caso 1 :

Fonte: http://i.stack.imgur.com/MkYw9.jpg

Caso 1: A falha é drenada em direção ao terra pelo condutor de proteção, limitando a tensão abaixo de 50V que é o valor convencionado como seguro. Caso 2: Em caso de falha no isolamento, os metais expostos se tornam parte do circuito e um eventual toque pode ocasionar choque elétrico já que o corpo humano funciona como condutor entre o metal exposto e o terra.

Tabela 1: Tempos de desconexão para 230V sugeridos pela norma BS7671

o metal exposto e o terra. Tabela 1 : Tempos de desconexão para 230V sugeridos pela

Fonte: BS7671 (2008)

Tabela 2: Disjuntores tipo B e C e seus respectivos valores mínimos de Impedância de loop-terra para a desconexão no tempo sugerido de 0.4 s.

loop-terra para a desconexão no tempo sugerido de 0.4 s . Fonte: BS7671 (2008) Vale salientar

Fonte: BS7671 (2008)

Vale salientar que os cálculos de impedância de aterramento e coordenação

de disjuntores é objeto das disciplinas de Engenharia Elétrica, o que os

coloca fora do escopo deste trabalho. A multidisciplinaridade característica da

engenharia de segurança obriga que este tipo de trabalho seja desenvolvido

em conjunto com profissionais habilitados em outras áreas, especialmente a

área de eletrotécnica.

2.2.4 – As Barreiras e Restrições de Acesso.

São as formas mais tradicionais de proteção e devem ser adotadas sempre

que um circuito elétrico for desenvolvido para uso de pessoas comuns.

Prover barreiras consiste em enclausurar todos os condutores e circuitos

elétricos em seus respectivos dutos e caixas, impossibilitando o acesso de

pessoas quando não munidas de ferramenta. Dispor fora de acesso consiste

em dispor instalações elétricas em locais não acessíveis sem uso de

ferramentas especiais, a exemplo dos postes elétricos, que apesar de

possuírem condutores não isolados, não podem ser acessados sem o uso de

escadas ou equipamento substituto. No que tange aos circuitos comerciais e

industriais, tanto a NR10 quanto as normas internacionais entendem que as

medidas barreiras e fora de acesso são apenas a primeira modalidade de

proteção, não sendo suficientes para a total proteção e segurança do grupo

de pessoas comuns (BSI, 2008).

2.2.5

– Proteção Adicional com RCD

Tanto nos ambientes comerciais como industriais, o método de proteção mais eficiente é o que resulta das medidas anteriores e tem como elemento

adicional um dispositivo de corrente de fuga (TANNER et al., 2014). Por tratar-se de método raramente empregado nos circuitos brasileiros, é este o enfoque deste trabalho. O dispositivo consiste na comparação da corrente de entrada e saída do circuito elétrico em proteção. Em condições normais, toda

a corrente que sai por um fio deve obrigatoriamente retornar pelo outro,

porém, em uma circunstância de falha, parte da corrente ‘foge’ para o terra por outro caminho, que pode ser por exemplo, uma pessoa sob eletrocussão. Ao detectar uma falta de equilíbrio entre os dois fios do circuito, o RCD envia

um sinal de ‘trip’ que ocasiona a desconexão do circuito faltoso. Observe que embora o sistema de proteção por desconexão de energia objetiva o desarmamento do disjuntor em caso de o circuito entrar em contato com um metal exposto, esse não efetuaria nenhuma ação no caso de uma pessoa tocar um fio defeituoso, por exemplo. Em contrapartida, o dispositivo de corrente de fuga, quando programado corretamente, desarmaria o circuito antes de um eventual risco ao usuário (TANNER et al., 2014).

Vale salientar que existem outras formas de proteção destinadas a ambientes incomuns, algumas dividindo normas especiais, a exemplo das instalações intrinsicamente protegidas para ambientes explosivos, criação de ambientes não condutivos assim como provimento de eletricidade em extra baixa tensão

– SELV / PELV. Porém, por se tratarem de casos que demandam estudos

especiais para implementação, são excluídas do escopo deste trabalho.

2.3 – CAPÍTULO 3: PROTEÇÃO ADICIONAL COM RCD.

2.3.1 – Implementando a proteção com RCD.

Neste capítulo serão abordadas as etapas a serem observadas para a implementação da proteção adicional com dispositivo detector de corrente de fuga - RCD, para tanto, torna-se necessário demonstrar o funcionamento

desse dispositivo cujo princípio fundamenta-se na indução eletromagnética.

Conforme observável na figura abaixo, tanto o fio condutor fase (A) quanto o fio condutor neutro (B) atravessam um condutor de fluxo magnético toroidal circular através das bobinas ‘a’ e ‘b’. Quando ambos os fios possuem a mesma corrente elétrica, a quantidade de campo magnético produzido em direções contrárias se cancela mutuamente e nenhuma corrente é induzida na bobina ‘c’. Ocorrendo um desequilíbrio porem, por exemplo, quando uma pessoa toca um fio, a corrente flui do condutor fase em direção ao terra sem retornar pelo condutor neutro. Ocorre com isso uma diferença entre os campos magnéticos produzidos por ‘a’ e ‘b’ ocasionando uma indução elétrica na bobina ‘c’, que controla o acionamento do relé responsável pelo desligamento da energia elétrica.

Figura 6: RCD, lógica de funcionamento.

energia elétrica . Figura 6: RCD, lógica de funcionamento. Fonte: http://www.crossy.co.uk/wiring/elcb-1.jpg Tendo em

Fonte: http://www.crossy.co.uk/wiring/elcb-1.jpg

Tendo em vista que este tipo de proteção visa primeiramente a preservação da vida humana em caso de eventual acidente com o circuito protegido, observa-se a necessidade de parametrização das grandezas do RCD em função de níveis suficientemente adequados à segurança dos usuários dos circuitos. A tabela abaixo apresenta valores de tensão e tempos de desconexão recomendados para circuitos elétricos utilizados por pessoas comuns.

Tabela 3: Tempos de desconexão máximos para faixas de tensão.

3 : Tempos de desconexão máximos para faixas de tensão. Fonte: BS7671 (2008) Conforme observa a

Fonte: BS7671 (2008)

Conforme observa a norma BS7671, é indicado como via de regra o RCD de 30ma com tempo de desconexão menor que 0.4ms, sendo o primeiro desses dados necessário na hora de ordenar a compra do citado dispositivo.

2.3.2 – Testes de Certificação e Testes de Rotina Uma vez instalado o RCD, esse deve ser certificado tanto em termos de corrente de acionamento quanto seu tempo de resposta. Somente a certificação garante que um eventual choque elétrico durante falha não será suficiente para ultrapassar os valores de corrente e tempo estipulados pela NR10. Por se tratarem de dispositivos mecânicos, uma vez instalados e certificados, observa-se também a necessidade dos testes periódicos de operacionalidade. Para facilitar esses testes de rotina, o equipamento vem dotado de botão de ‘trip’. Como sugestão de periodicidade, a norma BS7176 aconselha o teste mensal, com o procedimento de imediata substituição em caso de falha (TANNER et al., 2014). As figuras abaixo apresentam os RCD das marcas ABB e Siemens, onde pode ser observado seu botão de teste periódico.

Figura 7 – Exemplos de RCD

pode ser observado seu botão de teste periódico. Figura 7 – Exemplos de RCD Fonte: http://www.kempstoncontrols.co.uk

Fonte: http://www.kempstoncontrols.co.uk

pode ser observado seu botão de teste periódico. Figura 7 – Exemplos de RCD Fonte: http://www.kempstoncontrols.co.uk

2.3.3 – Cuidados Na Implementação: Acionamentos Indevidos. Apesar de suas indiscutíveis vantagens, a instalação de RCDs pode desencadear uma sequência de acionamentos indesejáveis, esses devidos a fugas de correntes intrínsecas ao próprios equipamentos em uso. Como exemplo de aparelhos que podem apresentar fugas indesejáveis figuram os computadores dotados de fontes de alimentação com baixa qualidade de isolamento, aparelhos que operem em ambientes húmidos sem a própria classificação de resistência à humidade, motores que perderam sua capacidade de isolamento original e mesmo instalações com pouca qualidade de execução. Apesar de ter seu acionamento desejável em eventos de falta de isolamento de equipamentos molhados, presença de fios desencapados nos cabos dos equipamentos e semelhantes, o RCD pode se tornar um problema se desencadear sucessivos desligamentos na eletricidade de uma empresa, sendo necessário minucioso estudo pois nem todos os circuitos necessitam de um RCD. Para reflexão, observemos os exemplos abaixo:

Caso 1: Um refrigerador industrial ou qualquer outro equipamento de carcaça metálica que tenha sua estrutura devidamente aterrada ao condutor de proteção e não sofra movimentos (que seja fixo) dispensa o uso do RCD, uma vez que qualquer falha seria imediatamente drenada pelo condutor protetor e posteriormente isolada pelo disjuntor. (este fato dependente da correta coordenação da proteção por desconexão automática de energia).

Caso 2: Uma tomada de energia a ser usada por funcionários para ligação de equipamentos móveis como ferramentas elétricas, extensões, aspiradores de pó e afins DEVEM receber proteção por RCD, uma vez que falhas em cabos ou mesmo na isolação do dispositivo podem levar a choques elétricos, ainda que a tomada elétrica esteja devidamente conectada a um condutor de proteção.

Caso 3: Recomenda-se também que outros equipamentos fixos como microcomputadores recebam circuitos desprovidos de RCD somente quando for possível a conexão de cabos adicionais de proteção entre o soquete

(devidamente aterrado) e o chassi metálico do equipamento, merecendo antes desta medida um teste de implementação de RCD levemente sobre parametrizado, já que muito tem sido feito no intuito de aumentar a qualidade das fontes disponíveis no mercado brasileiro. Outra possibilidade, apesar de mais onerosa, consiste na divisão de blocos de cargas como computadores em números menores, cada grupo servido por um RCD, possibilitando assim uma efetiva proteção sem o risco de acionamentos por somatória de várias pequenas fugas acumuladas.

2.3.4 – Qualidade da Isolação de Circuitos já Instalados. Em se tratando de implementação de RCD em circuitos já existentes, torna- se de vital importância a prévia inspeção da qualidade do isolamento da instalação. Pequenas fugas de corrente podem já ser características dos circuitos, o que impossibilitaria seu uso requerendo com isso sua total substituição. O processo de medição de isolamento deve ser feito com equipamento especialmente destinado a este fim, o que exclui deste repertório todos os multímetros convencionais de bancada. A figura abaixo demonstra o Megger MFT1720, uma opção de medidor de circuitos elétricos ideal para a presente implementação por acumular as funções de medidor de corrente e tempo de disparo de RCD, isolamento da instalação e também impedância do circuito com precisão de 0.01ohm (MEGGER, 2015)

Figura 8 – Equipamento para certificação de circuitos de baixa tensão.

(MEGGER, 2015) Figura 8 – Equipamento para certificação de circuitos de baixa tensão. Fonte: http://uk.megger.com

Fonte: http://uk.megger.com

2.3.5 – Os Custos de Uma Instalação Segura.

Para fins de informação complementar, a tabela abaixo apresenta uma lista

contendo preços dos mais significativos equipamentos envolvidos na

implementação dos sistemas de segurança apresentados neste trabalho.

Atenta-se porem para atitudes inteligentes como jamais cabear uma

instalação sem a presença do condutor de proteção pois ainda que o sistema

não venha a ser desenvolvido totalmente agora, adicionar um condutor ao

circuito instalado será muito mais trabalhoso e consequentemente mais caro.

Tabela 4: Preço aproximado de alguns dos equipamentos envolvidos nas proteções propostas.

Equipamento de teste Megger MFT1720

US$ 2600*

Disjuntor de corrente de fuga (RCD) de 25A Weg

R$ 119,00

Haste para aterramento modelo cobreado

R$ 12,00

Cabo de cobre 25mm (o metro)

R$ 9,00

Cabo de cobre 10mm (o metro)

R$ 3,50

* O valor internacional é de US$ 1300 ignoradas as taxas e impostos de importação

Proteger completamente uma instalação elétrica comercial ou industrial pode

ser custo quando a atitude for entendida como adição de equipamento

culturalmente dispensável, mas se tornar investimento de valor insignificante

quando se mostrar eficiente salvando vidas.

3. CONCLUSÃO.

Este trabalho buscou demonstrar a importância de se oferecer aos

trabalhadores circuitos elétricos protegidos observando-se todas as

possibilidades apresentadas pela norma NR10. Primeiramente foi

apresentado um pequeno resumo sobre a história da proteção, da segurança

e da saúde no trabalho. A NR10 foi apresentada como arcabouço teórico

para a segurança tanto para os trabalhadores dos sistemas elétricos de

potência quanto para os trabalhadores e usuários das redes elétricas de

baixas tensões. A eletricidade foi introduzida como a forma de energia mais

importante da atualidade, assim como foram apresentados os perigos

relacionados ao seu manuseio inadequado por parte do ser humano. Foram

conceituados os tipos de profissionais envolvidos nos trabalhos relacionados

à eletricidade, assim como foram apresentados os conceitos de baixa e alta

tensão de acordo com a segurança do trabalho. O segundo capítulo

apresentou as formas de proteção disponíveis para o uso na maioria das

instalações comerciais e industriais, dando destaque especial ao RCD, que,

por se tratar de mais eficiente método de proteção da vida do ser humano,

mereceu atenção especial do terceiro capítulo. Buscando orientar a

implementação dos sistema de proteção por corrente de fuga, o capítulo final

iniciou explicando de forma bem literal a lógica de funcionamento do RCD,

assim como os fatores que determinam sua parametrização. Foi dada

especial atenção aos aspectos a serem considerados quando da sua

implementação, sugerindo exemplos que dispensam seu uso, assim como

exemplos onde é mandatória sua instalação, e um terceiro onde o bom senso

do projetista decidirá pela sobre parametrização ou separação do circuito. Foi

sugerida a metodologia de teste de certificação de isolamento de instalações,

assim como foi sugerido equipamento capaz de realizar todos os testes

apresentados neste trabalho. Para finalizar, foi apresentado um pequeno

informativo a respeito dos custos dos equipamentos envolvidos no

desenvolvimento do método proposto, fechando com o posicionamento do

autor, que vai de encontro à máxima fundamental da engenharia de

segurança do trabalho que coloca a preservação da vida como o fator mais

importante em uma organização.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BSI, British Standards Institution, BS 7671: 2008 Requirements for Electrical Installations – IEE Wiring Regulations Seventeenth Edition: IET - Londres, 2008

COGE, COMITÊ DE GESTÃO EMPRESARIAL – FUNDAÇÃO COGE. Norma regulamentadora NR10, Segurança em instalações e serviços em eletricidade: Curso básico de SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE Manual de treinamento - CPNSP. Rio de Janeiro: Comissão Tripartite Permanente de Negociação do Setor Elétrico no Estado de SP, 2005.

LINSLEY, Trevor. Eletrical Installation Work. 5. ed. Oxford: Newnes, 2008. 388 p.

MEGGER,

<http://uk.megger.com/products/electricians-testers/multifunction-installation-

testers/multifunction-installation-tester-mft1700-series/>

Website,

2015.

[online]

disponível

em

NR-10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade - Ed 2004.

OMORI, Júlio Shigeaki. SISTEMAS ELÉTRICOS EM ALTA TENSÃO. Joinville: Instituto Superior Tupy, 2015.

PENNA, Adriana Maria. FUNDAMENTOS DA SEGURANÇA NO TRABALHO. Belo Horizonte: Editora Prominas, 2010. 64 p.

PROMINAS, Coordenação Pedagógica Instituto. CONTROLE DE RISCOS EM MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES. Belo Horizonte:

Editora Prominas, 2004. 54 p.

TANNER, Peter et al. Level 3 Diploma in Electrical Installations 2365:

Buildings and structures. Londres: City Guilds Iet, 2014. 654 p.