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Criação de Bezerras

Disciplina Bovinos de Leite

1. Cuidados com a vaca gestante
As práticas de criação de bezerros têm início com os cuidados com a vaca
gestante. A maior parte do crescimento fetal ocorre durante o terço final da gestação, o
que resulta em uma maior exigência de nutrientes pela vaca. Entretanto, o que se observa
é uma redução no consumo de matéria seca desses animais, principalmente no último
mês pré-parto. A dieta desses animais deve ser balanceada de acordo com as
recomendações em literatura de forma a se evitar partos com condição corporal acima de
3,75 - 4,0 (em uma escala de 1 a 5), além de se reduzir ocorrência de distúrbios
metabólicos como febre do leite e cetose no pós-parto.
Animais parindo com alta condição corporal geralmente apresentam partos
distócicos, aqueles que requerem auxílio humano, o que pode acarretar em problemas na
saúde da vaca, como retenção de placenta e metrite, além de aumentar o risco de morte
do bezerro durante o parto. O acompanhamento de partos deve ser realizado com cautela
evitando-se tracionar o bezerro em ocasiões desnecessárias. O acompanhamento do
parto deve ser feito com visitas freqüentes ao piquete maternidade, monitorando-se o
rompimento da primeira e segunda bolsa e o aparecimento das patas dianteiras e do
focinho do bezerro. O não aparecimento destas estruturas pode refletir o mau
posicionamento do bezerro (Figura 2), o que então exige intervenção. Um veterinário bem
treinado pode corrigir problemas de posicionamento, como uma das patas para trás ou o
bezerro de costas, sem causar muitos danos à saúde da vaca e do bezerro.

Figura 2. Mau posicionamento de bezerros ao parto.

Os partos distócicos (que sofreram intervenção) estão altamente relacionados com
menor produção de leite da vaca, assim como com problemas relacionados a saúde do
bezerro. Dentre estes problemas, destacam-se a baixa capacidade de controle da

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temperatura corporal durante as primeiras horas de vida (Figura 3); assim como a

Temperatura corporal (C°)

reduzida absorção de anticorpos (Figura 4).

Horas de vida

Imunoglobulina plasmática (mg/mL)

Figura 3. Temperatura retal de bezerros provenientes de partos eutócicos (E) (s/
intervenção), moderadamente distócicos (M) e severamente distócicos (D). Adaptado de
Vermorel et al. (1989).

Horas de vida

Figura 4. Concentração plasmática de imunoglobulina após parto eutócicos
(E)
(s/
intervenção), moderadamente distócicos (M) e severamente distócicos (D). Todos os
bezerros receberam 5% PV de colostro com a mesma qualidade às 2 e 12h após o
nascimento. Adaptado de Vermorel et al. (1989).

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Todas as vacas do rebanho devem receber as vacinas recomendadas no período
pré-parto. Estas vacinas são de grande importância para a saúde dos bezerros uma vez
que fornecem proteção a patógenos através do consumo de colostro.
O ambiente em que o parto ocorrerá é também de grande importância para a
saúde futura do bezerro. O piquete, ou baia maternidade, deve ser um ambiente seco,
com boa ventilação e, acima de tudo, limpo. A localização da maternidade é estratégica
uma vez que o freqüente monitoramento se faz necessário, tanto para se evitar
intervenções necessárias tardias como para garantir fornecimento de colostro o mais
rápido após o nascimento possível. Deve-se evitar ao máximo que o recém nascido seja
exposto a sujeira, seja esta proveniente de cama ou tetos sujos. Um dos principais pontos
do manejo do colostro também visa reduzir a exposição de recém nascidos a patógenos
presentes no ambiente.
2. Cuidados com o recém-nascido
2.1. Colostro
Muitos são os cuidados com o bezerro após o nascimento, mas o mais importante
deles é o fornecimento de colostro, a primeira secreção ou primeiro leite da vaca. Faz
muitos anos que se conhece o importante papel do consumo de colostro por bezerros
recém nascidos, porém essa atividade ainda é negligenciada por alguns produtores. O
colostro tem uma composição um pouco diferente do leite, apresentando menores teores
de lactose, mas maiores teores de gordura, sólidos totais, minerais e vitaminas, e
principalmente proteína (Tabela 5). O maior teor de proteína do colostro se deve
principalmente ao maior teor de imunoglobulinas (Ig), ou anticorpos.
Devido às diferenças no tipo de placenta com relação a outros mamíferos, como
os primatas, por exemplo, a qual não permite a passagem de anticorpos da mãe para o
feto, os bovinos e outros ruminantes nascem sem Ig circulante. Desta forma, estes
animais são totalmente dependentes do consumo de colostro para adquirir imunidade até
que seu sistema imune comece a produzir seus próprios anticorpos, o que geralmente
ocorre entre 2 ou 3 semanas.

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A relação linear entre gravidade específica do colostro e concentração de anticorpos levou à adaptação de um densímetro para monitoramento da qualidade de colostro (Figura 5).8 4.3 3. Alguns autores citam ainda que o mecanismo de transferência de Ig circulante para o colostro deve ser menos desenvolvido em animais mais jovens ou de primeira cria.6 Gordura.040 1.Tabela 5. sendo a última mais eficiente neste papel.9 3.9 4.7 Lactose.9 17.032 Sólidos. o IgG é transferido da corrente sangüínea da mãe para o colostro. mg/mL 48. Esta transferência ocorre no final da gestação. % 6. As classes IgA e IgM estão mais relacionadas a imunidade local do intestino. A vacinação de vacas no final da gestação leva a produção de anticorpos específicos.9 14.0 25. uma vez que está relacionada a imunidade sistêmica.1 Caseína. contra um gradiente de concentração. novilhas apresentam colostro com menor quantidade de anticorpos.4 5. 85-90% é IgG.1 12.4 5. podendo levar a reduções no IgG circulante da vaca. % 23.8 2.5 IgG. % 14. Enquanto o IgM e IgA são produzidos na própria glândula mamária para serem transferidos.0 15.7 5. a classe das imunoglobulinas mais importante para a saúde do animal.0 0. Alteração na composição de colostro conforme as ordenhas Colostro (ordenha pós-parto) Parâmetro 1 2 3 Leite Gravidade Específica 1.0 Adaptado de Foley e Otterby (1978) Do total de Ig no colostro.0 8. uma vez que apresentam menor quantidade e variedade de anticorpos circulante resultante da menor exposição a patógenos (ou antígenos) durante sua vida.035 1.1 3.7 3. % 4. os quais serão transferidos para o colostro.9 Proteína.056 1. 5 . % 2.4 3. De forma geral.

O colostro pode ser classificado em três faixas de acordo com a concentração de Ig: 1) < 22 mg/mL. Pode-se notar que a imunidade passiva é dependente da capacidade de absorção de Ig (fator tempo) e da quantidade de Ig ingerida (fator qualidade). Baixa qualidade Alta qualidade Figura 6. Exemplos de leitura de qualidade de colostro utilizando-se colostrômetro. o colostro deve ser fornecido logo após o nascimento ou o mais rápido possível. 2) 22-50 mg/mL. e 3) > 50 mg/mL.Figura 5. além de apresentar boa qualidade. Detalhe do colostrômetro. baixa qualidade. as leituras devem seguir as recomendações do fabricante com relação à temperatura do colostro de modo a não se super ou subestimar a qualidade. uma vez que a absorção de Ig é reduzida com o passar do tempo. alta qualidade (Figura 6). 6 . O colostrômetro é uma importante ferramenta na avaliação da qualidade do colostro a ser fornecido aos bezerros. como a gravidade específica é dependente da temperatura. Para se garantir uma adequada transferência de imunidade. Entretanto. qualidade moderada.

sendo 15 mg/mL o ideal. conforme observado em levantamento do NAHMS (1993). Quando estes valores não são alcançados. 7 . e está relacionada ao desenvolvimento de atividade enzimática dentro do vacúolo.. o qual alcança o sistema linfático e finalmente a corrente sangüínea. Após 24-36 horas de vida. Horas de vida no fornecimento de colostro Figura 7. o que degradaria o Ig internalizado.A maior absorção de Ig ocorre no jejuno. A perda na habilidade de absorção. Quando o colostro de boa qualidade não está disponível. o que é garantido pelo fornecimento de colostro de boa qualidade (>50 mg/mL) nas primeiras horas de vida e 12 horas depois. o animal é incapaz Pico de concentração sérica de IgG (mg/mL) de absorver Ig. O Ig se liga à membrana de células intestinais sendo internalizado por pinocitose. ainda sem enzimas digestivas funcionais. O vacúolo. ocorre com o passar do tempo após o nascimento (Figura 7). A transferência de imunidade passiva adequada ocorre quando o animal apresenta às 48 horas de vida. e a perda na capacidade de internalização de Ig com o tempo. as taxas de mortalidade são significativamente aumentadas (Figura 8). 1979). concentração maior ou igual a 10 mg/mL. na quantidade de 5% do peso vivo animal por refeição (2 L). denominada fechamento (closure). entretanto em operações de grande porte esta prática se torna impossível. Efeito do volume e do tempo após o nascimento para a primeira alimentação no pico de concentração sérica de IgG de bezerros holandeses (Stott et al. uma alimentação extra 6 horas depois da primeira pode garantir imunidade. migra para a membrana lateral onde libera o Ig por exocitose. Não se tem certeza da existência de um receptor específico para Ig o qual seria internalizado juntamente com Ig.

Deve-se sempre fornecer o primeiro colostro ao bezerro recém nascido. em água com temperatura de 8 .Sobrevivência de bezerros (%) Dias de idade Figura 8. Sobrevivência de bezerros com adequada (>10 mg/mL) ou inadequada (<10 mg/mL) concentração sérica de imunoglobulina G (IgG) (NAHMS. A conservação em freezer. A conservação em geladeira pode ser feita durante até uma semana sem que haja redução na qualidade. sendo o segundo preferível. O descongelamento deve ser feito lentamente. este recipiente retarda muito seu descongelamento podendo atrasar o fornecimento do colostro (Figura 9). uma vez que a concentração de anticorpos se reduz conforme as ordenhas. pode ser feita por até um ano sem redução na qualidade. A formação de um banco de colostro na fazenda garante a disponibilidade de colostro de boa qualidade e em quantidade suficiente. de forma que sempre o mais antigo seja fornecido (Figura 10). O mais recomendado é o congelamento em fôrmas com capacidade para 2 litros e posterior conservação em saco plástico devidamente identificado com a qualidade. e a data. geralmente 1 ou 2 litros. 1993). O colostro deve ser congelado em porções que facilitem o descongelamento. O fornecimento de colostro de vacas que tenham apresentado secreção no pré-parto ou colostro com mastite ou sangue também deve ser evitado. o colostro de novilhas é de menor qualidade que o de vacas. Quando o colostrômetro não estiver disponível. mais utilizada em fazendas leiteiras. Como foi mencionado anteriormente. se o colostrômetro for disponível. Embora a maior parte dos produtores utilizem garrafas pet para o armazenamento de colostro. pode-se tentar classificar o colostro em termos de qualidade seguindo algumas regras.

Armazenamento de colostro em bandejas e saco plástico. balde ou bibeirão. garantindo o consumo adequado com relação à quantidade e horário. A alta temperatura reduz a qualidade do colostro uma vez que proteínas. como é o caso das imunoglobulinas. seja de forma voluntária ou não. O animal deve consumir a quantidade referente a 5% de seu peso vivo por refeição. mesmo que por acaso tenha mamado na mãe antes do atendimento. sendo o primeiro o meio mais fácil uma vez que o animal nasce com o instinto de mamar e não de beber a partir do balde. O animal não deve mamar na mãe pois o aleitamento natural não garante o consumo da quantidade ideal de colostro. sempre retirando o que for descongelando para evitar superaquecimento. podem ser desnaturadas. Armazenamento de colostro em garrafas plásticas Figura 10. Caso o animal não queira mamar deve-se fazer uso de tubo esofágico (Figura 11). O fornecimento pode ser feito através de mamadeira. Alguns autores acreditam que a absorção 9 .até 50° C ou em microondas em baixa potência. 8h após retirada do freezer Figura 9.

O fornecimento prolongado de colostro e/ou leite transição tem se mostrado benéfico. Tubo ou sonda esofágica. o uso desses não é econômico quando comparado à formação de um banco de colostro bem manejado. devem ser evitadas. Apesar de não haver absorção após 24-36 horas do nascimento. devido à presença de imunoglobulinas. contendo ovo entre outros ingredientes. Além disso. Nos últimos anos apareceram no mercado alguns substitutos ou suplementos para colostro. soro desidratado e até misturas de Ig purificadas. vários trabalhos demonstraram que o fornecimento via tubo esofágico não acarreta em falha na transferência passiva (Failure of Passive Transfer). 10 . Entretanto. a maior parte dos trabalhos mostra que poucos destes produtos foram eficientes em aumentar a concentração de Ig circulante em bezerros. Figura 11.de Ig seja menor quando o colostro é fornecido via tubo esofágico. sendo estes colostro ou plasma secos pelo processo de spray-dry. uma vez que o colostro cai no rúmen e leva de 2-4 horas para chegar ao intestino. ocorre uma proteção local contra agentes patogênicos. Entretanto. Receitas de colostro artificial.

Não forneça colostro com baixa densidade (“aguado”). Outras práticas de manejo Mergulhe o umbigo do bezerro em solução de iodo o mais cedo possível. Não espere o bezerro levantar sozinho para mamar. Descongele cuidadosamente para que os anticorpos sejam preservados. Forneça a primeira alimentação de colostro o mais cedo possível. isso destruirá seus bezerros mais velhos. Use uma sonda esofágica se o bezerro não consumir voluntariamente a quantidade desejada. 1996). Guia prático de fornecimento de colostro (Adaptado de Quigley. Não permite que o bezerro receba colostro mamando diretamente de sua mãe ou que consuma quantidade inferior a 2L. Guarde colostro excedente em refeições de 1 ou 2 L. Coloque o bezerro em local seco e limpo. Não deixe o bezerro com a vaca por mais de uma hora. Não forneça colostro contendo sangue ou mastite. NÃO Não esqueça de separar as vacas pré-parto do resto do rebanho. Utilize o colostro da mãe. Não coloque colostro congelado em água fervendo ou descongele-o em Utilize colostro de baixa qualidade ou microondas em potência alta por leite de transição somente para alimentar mais de 1 minuto.Tabela 6. No caso de utilizar baias. não esqueça de limpá-las entre parições. Continue fornecendo colostro de menor qualidade ou leite de transição durante 2 ou 3 dias após o nascimento. Não forneça colostro de vacas que apresentaram secreção de colostro antes ou durante o parto. Separe o bezerro de sua mãe o mais cedo possível. se for de boa qualidade. Não utilize ou armazene colostro que contenha sangue ou outro tipo de anormalidade. Se a qualidade puder ser determinada e se o colostro tiver boa qualidade. Não forneça colostro de baixa qualidade nas duas primeiras alimentações. anticorpos. Não agrupe bezerros ou utilize instalação úmida e suja. principalmente se for proveniente de uma novilha. pode-se fornecer 2L na primeira alimentação. Não utilize soluções de ordenha ou outras soluções que não iodo 5-7% para a cura do umbigo. 11 . Item Maternidade Separar bezerros Fornecimento de colostro SIM Permita que a parição das vacas ocorra em maternidade limpa e seca. Não utilize sonda esofágica suja ou quebrada. Qualidade do colostro Mensure a qualidade do colostro antes de sua utilização Forneça somente colostro de boa qualidade. Forneça pelo menos 3 L de colostro na primeira alimentação e mais 3 L 12h depois.

Cura do umbigo O umbigo é uma estrutura que está relacionada a vários órgãos do animal. repelentes. devem ser evitados pois não possuem concentração de iodo suficiente para promover a cicatrização. Após o nascimento do bezerro. como mata-bicheiras. Estrutura do umbigo Figura13. Deste modo. seu umbigo deve ser cortado caso seja maior que aproximadamente 5 cm e desinfetado ou “queimado” com solução de iodo de 7 à 10%. levando a muitos problemas e até a morte de bezerros. 12 . Figura 12. incluindo o fígado (Figura 12). A prática de se amarrar o umbigo provou ser prejudicial para a boa cicatrização.2. A aplicação de iodo no umbigo deve ser repetida pelo menos a cada 12 horas por dois dias. Processos inflamatórios podem ocorrer levando o animal à morte (Figura 13). e até mesmo soluções iodadas utilizadas na sala de ordenha.2. Exemplos de processos inflamatórios devido a inadequada assepsia do umbigo. A utilização de outros produtos para a cura do umbigo. a assepsia e a cicatrização do mesmo são primordiais para a saúde do bezerro.

possibilitando assim a avaliação o acompanhamento do desenvolvimento do animal. uma vez que permite o cálculo do ganho de peso durante esta fase. é importante que seja feita assepsia e cura para que a cicatrização seja rápida. Existem muitas variações nos métodos de aleitamento natural. O peso ao nascer é muito importante para avaliar o sucesso da fase de aleitamento da propriedade. podendo o animal mamar durante toda ou parte da lactação. o sistema de mamada do resíduo dos quatro quartos geralmente leva a problemas de diarréia. Figura 14. Ainda. O bezerro deve também ter sua data de nascimento e peso ao nascer registrados. 13 . Identificação e pesagem A identificação do animal. Pesagem e identificação de bezerros 3. uma vez que o teor de gordura do leite do final da ordenha é elevado. Sistemas de Aleitamento Os sistemas de aleitamento podem ser divididos em natural e artificial. impedindo a ocorrência de processo inflamatório e a perda do brinco. onde não há impossibilidade de se ordenhar as vacas sem a presença do bezerro (Figura 15). O aleitamento natural é realizado geralmente em propriedades que possuem animal não especializado.2. pois não permite o conhecimento da quantidade de leite consumida pelo animal. que são alternados conforme a ordenha. O sistema natural de aleitamento não é o mais adequado do ponto de vista de manejo de bezerros. Quando for realizada a colocação de brincos. ou ainda nos quatro quartos. deve ser realizada logo nas primeiras horas de vida do bezerro. A mamada também pode ser realizada em apenas um dos quartos (tetas). seja por meio de tatuagem. quando é deixado o resíduo de leite após a ordenha. brinco ou colar.3.

Figura 16. bibeirão ou balde. problemas como diarréia e redução no desempenho podem ocorrer. Um nível mínimo de higiene deve existir para que o aleitamento artificial tenha sucesso. inclusive quando baldes são utilizados para o fornecimento. Nestes casos. Em sistemas onde os animais são criados em baias ou piquetes coletivos. A desvantagem do uso de baldes está no fato de ser necessária a individualização dos bezerros. é difícil determinar que bezerros foram alimentados antes de prosseguir. Bezerros em aleitamento através de mamadeira. o uso de canzil ou mesmo a contenção individual dos animais é necessária de forma a garantir o aleitamento de todos os indivíduos (Figura 17). principalmente com o uso de mamadeira e bibeirão. principalmente quando o tratador é do sexo masculino. Quando a limpeza e a higiene desses não é realizada corretamente. 14 . Os três métodos de fornecimento são igualmente eficientes quando a higiene desses utensílios é realizada de forma adequada. Presença do bezerro para ordenha e detalhe de bezerro em aleitamento natural No sistema de aleitamento artificial. bibeirões ou baldes (Figura 16).Figura 15. A dificuldade de higienização de bicos tem levado produtores à adoção de baldes ao invés de mamadeira ou bibeirão. os animais podem ser aleitados através de mamadeiras.

é necessária a formação de lotes bastante homogêneos do ponto de vista de peso e tamanho dos animais. Aleitamento coletivo de bezerros 15 . impedindo assim que alguns animais não tenham oportunidade de mamar. reduzindo problemas de dominância (Figura 18). Para que este sistema funcione.Individualização de bezerros utilizando-se canzil . requer atenção especial. B – Dificuldade de aleitamento de bezerros criados coletivamente O emprego do aleitamento coletivo é muito comum na Nova Zelândia. é importante que o número de bezerros no lote seja menor que o número de bicos disponíveis. Figura 18. reduzindo custos com mão-de-obra. Da mesma forma.A B Figura 17. Embora este sistema reduza de forma marcante o tempo gasto com o aleitamento. A .

Figura 19. vários trabalhos mostram que o fechamento da goteira independe do posicionamento da cabeça do animal. Entretanto. a goteira esofagiana se fecha somente quando o animal está esperando o fornecimento de leite (Figura 19). dobra que leva o leite direto para o abomaso. Um experimento clássico demonstrou que quando o leite é fornecido diretamente no esôfago do animal. Fechamento da goteira esofagiana em resposta a estímulo visual A temperatura do leite a ser fornecido deve ser próxima à temperatura corporal do animal. o consumo de leite apresentando temperatura inferior a 10°C pode reduzir a secreção de fluídos e enzimas abomasais e pancreáticas. tomando o leite em goles e não sugando como se tivesse um canudinho. o fornecimento de leite em 16 . como a chegada do tratador e a visualização do balde ou do leite. Contudo.Alguns produtores têm insistido em adotar a mamadeira com o argumento de que a goteira esofagiana. O fornecimento de leite frio em regiões de clima quente não apresenta problema algum aos bezerros. O fechamento ocorre em função de estímulos nervosos. Por outro lado. estes animais podem ser treinados a fechar a goteira apenas deixando-os mamar com o auxílio do bico de uma mamadeira ou dos dedos do tratador. o quais apresentam mesmo desempenho e incidência de diarréia que animais recebendo leite morno. Com a idade este estímulo se perde e alguns animais ainda em aleitamento podem perdê-lo também. em países de clima frio. principalmente visuais. Entretanto. não se fecha quando o leite é fornecido no balde.

temperatura abaixo da temperatura corporal pode resultar em redução no desempenho. Ainda em relação a maior habilidade de manejo de bezerros. Quando se faz aleitamento uma vez ao dia perde-se a oportunidade de detectar problemas de saúde ou manejo mais rapidamente. Muitos trabalhos foram conduzidos nas décadas de 60 e 70 para avaliar a praticidade e possibilidade do aleitamento de bezerros uma vez ao dia em comparação a duas ou mais vezes. do que em bezerros que recebem refeições menores e mais freqüentes. diagnosticar problemas. Realize um bom manejo de vacas pré-parto. 17 . tanto com a qualidade do fornecido quanto ao horário de fornecimento de forma a obter máxima transferência de imunidade. 3) O sistema de aleitamento a ser adotado depende do tipo de animal explorado. infecções e ocorrência de diarréias. a adoção do aleitamento uma vez ao dia exige maior habilidade de manejo. 2) Todos os cuidados com a recém nascida são importantes mas atenção especial deve ser dada ao fornecimento de colostro. Mesmo com algumas vantagens. Estes trabalhos demonstraram que o aleitamento uma vez ao dia reduz custos com mão-de-obra em 40%. Considerações práticas 1) O manejo da vaca gestante também afeta a saúde do recém nascido. é importante salientar que a ocorrência de diarréia e flutuações no consumo de leite são mais comuns em bezerros que recebem todo o leite em uma única refeição. apenas 0. principalmente por que implica em bezerros mais susceptíveis a estresse. visto que o animal gasta energia para elevar a temperatura do leite consumido.6% dos produtores americanos aleitam seus bezerros uma vez ao dia e apontam como principal motivo para esta decisão o fato de que o aleitamento em uma única refeição reduz de forma marcante o tempo de permanência com os bezerros. portanto. possibilitando que funcionários envolvidos com ordenha e alimentação de vacas realizem também esta tarefa. especialmente em bezerros que recebem grande quantidade leite. devido ao menor tempo gasto com o aleitamento de bezerros. mantenha o piquete maternidade sempre limpo e seco e evite partos distócicos desnecessários. Embora a maior parte dos trabalhos não mostre diferenças quanto ao desempenho de animais. O horário de aleitamento é uma oportunidade para observar e conhecer os animais e. onde em rebanhos com vacas mestiças o aleitamento natural é necessário para a “descida” do leite.

A dieta líquida do animal pode ser composta por leite integral. A formação do coágulo se dá com a formação de para-caseinato. A decisão da adoção do tipo de fonte protéica deve se basear em sua digestibilidade. comparado ao preço do leite vendido à indústria. A formação de coágulo de leite à partir de caseína no abomaso ocorre devido à presença de renina. os sucedâneos devem ter pelo menos 22% de proteína bruta (PB). Trabalhos mostram que o aleitamento em apenas uma refeição não traz problemas com relação a diarréia e desempenho animal mas o horário de fornecimento de alimento é também um horário para observação e diagnóstico de problemas os quais seriam detectados tardiamente no caso de uma refeição. divididos em 2 refeições. Proteínas do soro 18 . devido à ação da goteira esofagiana. Manejo Alimentar até o Desaleitamento Fase de Aleitamento 1. ou ainda uma mistura dos três. balanço de aminoácidos e ausência de fatores antinutricionais. proteínas e gorduras os quais o bezerro seja capaz de degradar. Dieta Líquida Após 2 dias de fornecimento de colostro. A renina é uma enzima secretada pelo abomaso em sua forma inativa. De maneira geral. não havendo ação de bactérias. bibeirão ou balde são igualmente eficientes desde que a higiene e limpeza dos utensílios sejam bem feitas. Segundo o NRC (1989). a utilização de mamadeira. para a adequada formulação de um sucedâneo. o sucedâneo passará diretamente para o abomaso. sendo ativada pela secreção de HCl neste mesmo compartimento. dependendo da fonte).4) No sistema artificial de aleitamento. Sendo assim. Quando ingerido. sua composição e a oferta de leite descarte na propriedade. produto da ligação de cálcio e caseína. III. A decisão no uso de sucedâneo deve se basear em seu custo por litro diluído. leite descarte ou sucedâneos. devem ser utilizados ingredientes que contenham carboidratos. o animal pode passar a receber leite ou sucedâneo na quantidade mínima de 4 L . sendo a fonte protéica de origem láctea ou não. a degradação deste alimento é inteiramente dependente de enzimas secretadas pelo próprio animal. As proteínas lácteas são as melhores fontes para bezerros jovens uma vez que apresentam alta digestibilidade (87-97%. bom balanço de aminoácidos e ausência de fator antinutricional.

Entretanto. lecitinas. Sugere-se que a falta de formação de coágulo poderia aumentar a passagem de leite para o duodeno.como a β-lactoglobulina não são hidrolizadas no abomaso.5%. Apesar da digestibilidade de produtos provenientes do processamento de soja. responsáveis por danos intestinais e menor crescimento animal. utilizados em formulações de sucedâneos. e taninos e fenóis. trabalhos mostram que estas proteínas são menos susceptíveis à hidrólise por tripsina. Este tipo de proteína tem substituído pelo menos 50% da inclusão de proteína de origem láctea. reduzindo sua digestibilidade e crescimento animal. a fato de um sucedâneo formar ou não coágulo no abomaso não reflete um produto de melhor ou pior qualidade. não se recomenda seu fornecimento nas primeiras 3 semanas de vida. Alguns tratamentos podem ser feitos para que estes fatores antinutricionais sejam reduzidos. entretanto sua utilização tem resultado em menor saúde e desempenho animal quando comparada a proteínas lácteas. reduzindo a absorção. apresentam alta qualidade e solubilidade. os quais formam complexos com enzimas e proteínas do alimento. Esta fonte protéica apresenta inibidores de proteases que reduzem a digestibilidade e o crescimento animal. Se faz 19 . Em trabalho onde sua inclusão foi de 25% da fonte protéica. Estas proteínas. Assim. quimotripsina e enzimas pancreáticas. carboidratos indigestíveis que resultam em diarréia. ultrapassando sua capacidade de digestão. O custo e o desenvolvimento de novos produtos para consumo humano têm levado empresas produtoras de sucedâneos à buscarem fontes alternativas de proteína. Outros trabalhos não confirmam estes resultados. variar de 64-94. além de bom balanço de aminoácidos quando comparadas à proteína do leite. Pesquisas mais recentes têm avaliado a inclusão de proteínas de plasma animal em sucedâneos para bezerros. havendo prejuízo no que diz respeito ao desempenho destes animais (Figura 20). e resultar em diarréia. sendo a formação de coágulo de sucedâneos contendo este tipo de proteína irrelevante. as quais causam inflamação no intestino. de origem bovina e suína. A proteína da soja é a fonte de origem vegetal com maior potencial para inclusão em sucedâneos. uma vez que o aparelho digestivo de bezerros é pouco adaptado à digestão de proteína não-lácteas. Entretanto. proteínas antigênicas. e quando a inclusão foi de 50% houve redução no desempenho animal. A maior limitação no uso de proteínas de soja em sucedâneos é a presença de uma grande variedade de fatores antinutricionais. os animais apresentaram maior consumo de concentrado e maior ganho de peso que animais recebendo somente proteína do leite. trabalhos mostram que o simples aumento no fluxo de leite para o duodeno não causa diarréia.

não sendo recomendadas para bezerros com menos de 3 semanas de idade. como a proteína da soja. não devem ser utilizadas na formulação de sucedâneos uma vez que pesquisas demonstraram sua baixa utilização pelo animal e conseqüente baixo desempenho. entre outros. exceto de lactase. podem ser utilizadas desde que passem por processamento especial permitindo a redução de fatores antinutricionais e aumento de digestibilidade. Seu alto custo também tem reduzido o interesse em sua inclusão em formulações de sucedâneos. 1994) Concluindo-se. deve-se lembrar que bezerros apresentam baixa atividade de carboidrases. leite desnatado em pó. Numa taxa de alimentação de sucedâneo de 10% do peso vivo.. as fontes de proteína devem ser preferencialmente de origem láctea como concentrado de soro. Assim sendo. os carboidratos utilizados em quantidade por estes animais são a lactose. Ganho de peso diário e conversão alimentar de oito experimentos onde bezerros foram alimentados com sucedâneo contendo somente proteína do leite (soro ou proteína do soro) ou contendo 50% da proteína como proteína de soja (Tomkins et al. a galactose e a glucose. Proteínas de origem vegetal. este animal consumiria 20 . soro em pó. A maior parte das formulações disponíveis hoje no mercado apresenta a lactose do soro de leite como principal fonte de carboidrato. Figura 20. Roy estimou que o limite de glucose digerida é de 12 g/kg PV. algumas fontes de proteínas farinha de ossos ou farinha de peixe.necessários maior número de trabalhos para determinação do nível máximo de inclusão desta fonte protéica de alta qualidade. Com relação às fontes de carboidratos. o que para um bezerro de 45 kg significa um consumo máximo de 540 g/d. Adicionalmente.

Esses dados mostram que a quantidade de carboidratos pode ser aumentada sem que ocorram prejuízos. e sejam desprovidos de fatores antinutricionais. Essas fontes de gordura devem sofrer processo de dispersão e homogeneização. Entretanto. mas quando é fornecido como única fonte pode resultar em diarréia e deficiência de ácidos graxos essenciais. A formulação de um sucedâneo deve ser realizada com a escolha de ingredientes de boa qualidade. Podem ainda ser adicionados agentes emulsificantes como a lecitina. sendo produtos preferidos em sistemas intensivos de criação de bezerros ou regiões onde exista problema com coccidiose. O óleo de coco é o que apresenta maior digestibilidade. não atingindo o limite. levando geralmente a aumentos em ganho de peso diário (Figura 21). óleo de coco ou de palma. oxitetraciclina e neomicina. Apesar da atividade de amilase e maltase serem pequenas em bezerros. O nível de gordura do sucedâneo deve ser em torno de 10%. Estas fontes alternativas apresentam menor digestibilidade graças a maior quantidade de ácidos graxos de cadeia longa e menor poder de emulsificação quando comparadas ao leite. A adição de medicamentos em sucedâneos é prática comum nos Estados Unidos. As fontes de minerais e vitaminas são escolhidas de acordo com sua solubilidade. 21 . geralmente imitando concentrações encontradas no leite. A gordura do leite tem uma digestibilidade de 95-97% mas seu alto custo levou à utilização de sebo bovino ou suíno. além de decoquinato e lasalocida. que apresentem boa solubilidade.de 260-300 g/d de lactose. Podem ser utilizados antibióticos como clortetraciclina. Entretanto. A fonte de lipídeos também deve ser cuidadosamente escolhida. com redução de tamanho de partícula de 3-4 µm. vem crescendo o interesse na utilização de amido em formulações de sucedâneo. A adição desses medicamentos deve estar dentro das recomendações de dosagem para que sejam eficientes. atrasando a idade à desaleitamento. devido ao seu baixo custo. sendo que níveis superiores reduzem o consumo de concentrado. trabalhos mais recentes mostraram que bezerros consumindo até 19 g/kg PV não apresentaram diarréia. Para a formulação de um sucedâneo deve-se ainda adicionar fontes de vitaminas e minerais em quantidades que atendam às exigências do animal. A maior parte dos trabalhos mostra que o amido pode substituir parte da lactose nessas formulações sem reduzir o desempenho animal quando este sofre algum tipo de processamento que leve à sua pré-gelatinização. maiores quantidades de cálcio devem ser adicionadas uma vez que este pode se ligar a gordura formando sabões de cálcio. mono e diglicerídeos. nos sucedâneos. para seu melhor aproveitamento.

(Tomkins et al. não homogeneizadas e dispersas de maneira adequada podem levar ao seu mau aproveitamento e redução no desempenho animal. provavelmente decorrente de fatores antinutricionais. geralmente à base de soja.25 b 0. 3 400 Oxi/800 Neo Figura 21.45 0.18 Exp. pode resultar em redução no desempenho e alta mortalidade. Fontes protéicas de baixa qualidade. A má diluição acarreta em desbalanceamento do produto consumido e portanto. 1994). geralmente devido a quadro de diarréia.36 a 0. A baixa utilização de sucedâneos no Brasil se deve a vários fatores.18 Exp.05 a 0 a b b 0. 2 200 Oxi/400 Neo Exp. 1 Não medicado 100 Oxi/200 Neo 0. Caso esta fonte protéica não tenha sofrido processamento para redução de fatores antinutricionais e aumento da digestibilidade. Os medicamentos testados foram combinações de diferentes quantidades (ppm) de oxitetraciclina ou neomicina. Ganho de peso de 3 experimentos onde bezerros receberam sucedâneos medicados ou não.15 0. barras com letras diferentes são estatisticamente diferentes ao nível de 5%. o desempenho animal fica comprometido.43 b 0. O alto custo de matérias-primas de alta qualidade e a falta de equipamentos para processamento dos mesmos pode levar ao uso de ingredientes ruins e 22 . Muitos sucedâneos apresentam fonte protéica de baixa qualidade.16 0.. conforme legenda. O primeiro ponto a ser levado em consideração é a formulação desses produtos no Brasil. O sucedâneo não se diluí de forma homogênea. Dentro de cada experimento. formando grumos e muitas vezes se depositando no fundo do balde de fornecimento. Ingredientes com baixa solubilidade resultam em sucedâneos de difícil diluição.6 Kg/d 0.3 0.0.21 b 0. Trabalhos iniciais com sucedâneos no Brasil apresentaram um alto índice de mortalidade de bezerros. A adição de “enchimentos” de baixa qualidade para se fechar uma formulação geralmente também pode levar ao baixo desempenho.

uma boa qualidade destes produtos. o qual perfaz 70% do custo com alimentação e manejo. quantidades 23 .conseqüentemente ao baixo desempenho. A falta de cuidado para que a diluição seja feita com água em quantidade e temperatura ideais geralmente acarreta em menor desempenho animal. No Brasil. Entretanto. ou propriedades que possuam sistema para refrigerar grandes quantidades. sendo incapaz de ler as instruções do fabricante no rótulo do produto ou até seguir instruções dadas por seu superior. de má ou ótima qualidade. Infelizmente isto vem ocorrendo com freqüência. A pasteurização só é economicamente viável em propriedades onde se alimentam 315 bezerros por dia. A fermentação pode ser utilizada de forma satisfatória em regiões de clima frio. Em regiões de clima quente podem ser utilizados preservantes como o formaldeído mas a falta de mão de obra qualificada pode levar a problemas. a produção de sucedâneos no Brasil recebeu atenção de várias multinacionais. Estas empresas trouxeram suas formulações para o Brasil e têm garantido. desta forma o animal tem um menor consumo de matéria seca. À frustrações quando se adota o uso de sucedâneo. Pode-se observar com freqüência funcionários diluindo uma determinada quantidade do pó com mais água do que o recomendado para que um saco de sucedâneo possa alimentar mais bezerros. como empresas idôneas. uma vez que a temperatura acima de 25 °C pode levar a fermentação putrefativa e não àquela desejável com produção de ácido láctico. tendo seu desempenho reduzido. A maior parte dos funcionários de fazendas leiteiras te baixa escolaridade. é a falta de mão-de-obra especializada capaz de fornecer este tipo de alimento. as quais já comercializavam este tipo de produto em outros países. principalmente durante as primeiras semanas quando o consumo de concentrado não é capaz de compensar este fato. Com a entrada de novas formulações no mercado nacional esperava-se que sistemas de produções de bezerros que adotassem estas não tivessem redução no desempenho de seus animais. Embora o custo de produção possa ser reduzido com o fornecimento de menores quantidades de leite. a crescente preocupação com o uso de antibióticos em subdoses tem levado ao uso de sucedâneos ou às práticas de fermentação e pasteurização do leite descarte de forma a reduzir o número de patógenos ou destruir resíduo de antibióticos. proveniente de vacas com mastite e/ou resíduo de antibióticos. Entretanto. a maior parte das fazendas fornece leite descarte. Nos Estados Unidos por outro lado. O principal fator limitante para o uso de sucedâneos.

O aleitamento ad libitum de leite integral resulta em maior deposição de gordura. quando comparado com a criação de vitelo.34 -- 65. Assim. O programa prevê ainda que estes animais sejam desaleitados entre 6 e 8 semanas.68 354 127 380 6 750 4. É bom lembrar que existem diferenças de objetivo do aumento da quantidade de leite fornecida neste programa.. Tabela 7. 24 .37 1050 254 868 Baseado em equações do NRC (2001).5 139 4 500 2. já o crescimento acelerado de novilhas deve focar no crescimento esquelético e muscular. já que neste período os animais apresentam maior eficiência de ganho (Figura 22). Potencial de ganho de acordo com a quantidade de leite fornecida.de leite inferiores a 4L não fornecem nutrientes suficientes para desempenho adequado devido ao baixo consumo de energia e proteína (Tabela 7). L/dia Consumo Consumo de Ganho permitido Consumo de Ganho permitido MS (g) energia pela energia proteína bruta pela proteína bruta metabólica (Mcal) metabólica (g) (g) (g) 2 250 1. 1998 e 2001).03 756 190 627 8 1000 5. Estes programas sugerem fornecimento de maiores quantidades de sucedâneo (2x o convencional) durante as duas primeiras semanas de vida da bezerra. A quantidade de leite a ser fornecida às bezerras tem se tornado um tema polêmico devido a novos programas de alimentação desenvolvidos por companhias de sucedâneos e por Universidades americanas. de forma a obter ganhos de até 900g/d (Diaz et al. a adoção de sucedâneos com maior teor de proteína e moderados teores de gordura é mandatório para o sucesso do programa.

O fornecimento de água no mesmo horário do fornecimento do leite pode levar ao consumo descontrolado de água.10 10 0. o animal deve receber água de boa qualidade já na primeira semana de vida.00 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 Custo/kg de ganho Aumento em PV (%) 90 24 Idade (meses) aumento em PV (%) Custo/kg de ganho Figura 22. de bezerros Kertz et al.20 40 0. Tabela 8.45c 5.30 60 0. A falta de acesso à água pode levar a reduções no consumo de concentrado e ganho de peso da ordem de 30%. Eficiência de ganho de peso e custo/kg ganho em vários estágios do crescimento Independentemente do fornecimento de leite.35 70 0.40 80 0.4 No. ganho de peso e saúde de bezerros com acesso livre ou sem acesso a água.0. Vários trabalhos demonstraram que a disponibilidade de água está diretamente relacionada ao consumo de concentrado e à recuperação de quadros de diarréia (Tabela 8).72c 8.15 30 20 0. Consumo de concentrado. (1984) 25 .08d Ganho de peso (kg/4 semanas) 8.05 0 0.25 50 0.5 5.26d Bezerros com diarréia 19 21 Dias com diarréia 4. afetando a formação do coágulo de leite no abomaso. Água a vontade Sem acesso a água 20 21 Consumo de concentrado (kg/4 semanas) 11.

Durante esta fase o animal desenvolverá o sistema de digestão próprio de ruminantes e. A forma física do alimento concentrado é muito importante e pode ser determinante no consumo de matéria seca. O concentrado deve apresentar teores aproximados de 18% de proteína bruta e 78% de nutrientes digestíveis totais (NDT). Formulações mais modernas são compostas por pelete que contém geralmente uma parte dos carboidratos. Concentrado peletizado e concentrado peletizado. Quando se prepara o alimento para peletização este deve ser finamente moído. fonte protéica. A fase de transição de pré-ruminante para ruminante está relacionada ao desenvolvimento do rúmen. e por outros ingredientes que contenham mais carboidratos ou representem a fonte de fibra. além de minerais e vitaminas. Além do estabelecimento de bactérias que cumprirão o papel de fermentadores. Figura 23. onde se estabelecerão bactérias amilolíticas num primeiro momento e depois celulolíticas e metanogênicas. com papilas desenvolvidas. Dieta Sólida Após o nascimento os animais devem passar a receber concentrado à vontade. Nos Estados Unidos tem sido crescente ainda o uso de grãos processados na formulação de concentrados para bezerros (Figura 23). de preferência individualizados. ao final. deverá estar apto a sobreviver e crescer apenas se alimentando de dieta sólida contendo concentrado e volumoso. o animal deve ter estruturas capazes de absorver e metabolizar os produtos finais dessa fermentação. contendo parte de seus ingredientes processados O principal objetivo na fase de aleitamento do bezerro é estimular o consumo de concentrado.2. níveis de FDA entre 6 e 20% e FDN entre 15 e 25%. Alimentos finamente moídos devem ser evitados pois reduzem seu consumo podendo causar parakeratose por ficarem presos entre papilas do rúmen. 26 . um rúmen funcional. ou seja. permitindo um controle diário do consumo de cada animal. o que tem levado concentrados totalmente peletizados ao desuso.

totalmente proveniente da dieta (Figura 24). a dieta é basicamente líquida. Bact. envolve uma série de mudanças anatômicas e fisiológicas do aparelho digestivo (Beharka et al. Desenvolvimento Ruminal O desenvolvimento de bezerros recém-nascidos à condição de ruminante funcional. as fontes de energia são o AGVs e glucose proveniente de digestão intestinal.Na fase pré-ruminante./Bypass Desmama Figura 24. a idade do animal per se tem pouco efeito no desenvolvimento das papilas ruminais. como também enzimas funcionais na parede do 27 . Embora o desenvolvimento do aparelho digestivo desses animais seja inato. e a fonte protéica é composta de proteína microbiana e proteína sobrepassante. o principal órgão digestivo é o abomaso. representando apenas 30% do total dos quatro compartimentos (Tabela 9. Alterações na dieta. As maiores mudanças em termos de desenvolvimento vão ocorrer no retículorúmen. o qual será colonizado por diferentes tipos de bactérias e terá sua musculatura e parede interna (papilas) desenvolvidas.. Ao nascer estes animais apresentam o retículo-rúmen pouco desenvolvido e não funcional. Durante a fase de transição estas duas situações se misturam e o manejo alimentar será determinante de uma transição mais lenta ou mais precoce. a fonte de energia é principalmente glucose e a protéica. No ruminante. órgãos de digestão e fontes de energia e proteína conforme o desenvolvimento do rúmen de bezerros 3. Linha do tempo Dieta Líquida Líquida + Sólida Sólida Órgão Abomaso Abomaso + Rúmen Rúmen Energia Glicose Glicose/AGV AGV Proteína Dieta Dieta/Bact. 1998). a dieta está na forma sólida. Figura 25).

Idade Retículo-rúmen + omaso abomaso Nascimento aos 21 dias 30 % 70% 22 aos 56-84 dias 60% 37% Mais de 84 dias 85% (s/ omaso) 7% Adaptado de Crowley et al.rúmen. o rúmen de bezerros é totalmente desprovido de bactérias ou protozoários. 2) presença de líquido. Tabela 9. o retículorúmen passa a corresponder a 60% do total dos quatro compartimentos. 3) fluxo de material do rúmen para fora do rúmen. (1991) Esôfago Rúmen Goteira Esofagiana Rúmen Omaso Retículo Omaso Rúmen Retículo Retículo Abomaso (Estômago verdadeiro) Abomaso Abomaso Omaso Figura 25. Sua exposição a esta população durante e após a parição contribuem para a colonização do rúmen. característicos da população microbiana de ruminantes. Ao nascer. Mudanças com a idade nas proporções de compartimentos do trato digestivo de bezerros recebendo leite e concentrado. Alterações nas proporções dos compartimentos digestórios de bezerros conforme o desenvolvimento do rúmen Para que o desenvolvimento do sistema digestivo do recém-nascido ocorra algumas condições devem ser atendidas: 1) estabelecimento de microrganismos no rúmen. dependendo da alimentação do animal. 1996b). O contato animal-animal parece ser o mais importante para o estabelecimento de 28 . sendo o retículo-rúmen 85% e o abomaso apenas 7% do total dos quatro compartimentos. apresenta o sistema digestivo próprio de um ruminante. 4) capacidade de absorção do tecido. enquanto que o abomaso somente a 27%. 5) substrato disponível (Quigley. Por volta de 3 a 4 semanas. Um animal com mais de 12 semanas de vida.

responsável pela absorção de produtos finais de fermentação. o adequado desenvolvimento de papilas é resultado da ação de produtos de fermentação ruminal. ou leite e outros alimentos (Yokoyama & Johnson. embora as fontes sejam as mais diversas como a saliva da mãe.microrganismos. independentemente da idade do animal. Muitos trabalhos têm mostrado que o desenvolvimento de papilas. e conseqüente produção de ácidos graxos voláteis resultantes de fermentação (Quigley et al. 1994). 29 .. o qual é primordial para o desenvolvimento do rúmen e promove o aumento no consumo total de alimento (Thickett et al. quando alcança níveis de um ruminante adulto.. 1981).. 1962. 1988). A importância do fornecimento de água para bezerros desde os primeiros dias de vida tem sido demonstrada na literatura. 1980. Murdock & Wallenius. possibilitando o fluxo de fluído ruminal (produtos da fermentação + partículas não ou pouco fermentadas) e a regurgitação de material a ser remastigado. A atividade muscular do rúmen do recém-nascido é pequena. sendo substituídas por bactérias anaeróbias. menores que animais com água disponível. 1996 a). respectivamente. não sendo observadas contrações ou regurgitação. é dependente principalmente da presença de alimentos sólidos no rúmen. Desta forma.. esterco. cama. já pode ser encontrada uma grande quantidade de bactérias aeróbias. contrações podem ser observadas em animais com 3 semanas de vida. além de estímulo físico causado pelo alimento consumido. Quando alimento sólido é fornecido. A disponibilidade de água estimula o consumo de concentrado (Kertz et al. O adequado estabelecimento de microrganismos no rúmen e o processo de fermentação de substrato dependem da presença de água no meio. Trabalhos tentando avaliar a seqüência de estabelecimento de bactérias no rúmen de bezerros mostram que com 1 dia de vida.. com apenas 1 semana (Van Soest. Somente em meio aquoso parte do alimento será solubilizado. possibilitando o início do processo fermentativo. e o hábito de remastigar. Este tipo de população se mantém em animais alimentados apenas de leite até que grãos sejam fornecidos. A atividade celulolítica aumenta gradualmente até a sexta semana de vida. O desenvolvimento do sistema digestivo também é dependente da habilidade deste se contrair. Quigley et al. 1984). O trabalho de Kertz e colaboradores (1984) demonstrou que bezerros com acesso restrito à água apresentam consumo de concentrado e desempenho 31% e 38%. Resultados de pesquisa indicam que o principal estímulo para o desenvolvimento do rúmen é a presença de ácidos graxos voláteis (Tamate et al.

Adicionalmente. Beharka e colaboradores (1998) demonstraram o efeito da forma física da dieta no desenvolvimento anatômico. O crescimento de papilas ruminais foi mínimo em bezerros alimentados somente a base de leite.4 40:60 59. Efeito da relação volumoso : concentrado na proporção de ácidos graxos voláteis no rúmen de vacas em lactação Proporção Relação volumoso:concentrado Ácido acético Ácido propiônico Ácido butírico 100:0 71. o ácido butírico é o mais importante em relação ao crescimento em número e tamanho de papilas. o qual não sofre fermentação ruminal.1 8. é indispensável disponibilizar alimento concentrado para o animal desde a primeira semana de vida (Anderson et al. 30 .3 18..0 50:50 65. tendo o ácido acético pouca importância.4 10. a completa retirada de alimento sólido leva ao total desaparecimento de papilas ruminais. epitelial e muscular.6 10.7 Adaptado de Church (1988) Já no início da década de 50 pesquisadores da Universidade de Cornell demonstraram a importância da dieta sólida para o desenvolvimento do rúmen quando observaram a regressão do desenvolvimento ruminal substituindo o fornecimento de dieta de grão e feno por leite em bezerros jovens já desmamados (Harrison et al. Animais alimentados com a dieta não moída apresentaram menor consumo. Assim.2 18.1996 a).8 25. Oito bezerros holandeses foram canulados no rúmen aos 3 dias de vida sendo alimentados com dieta moída ou não. Mudanças neste compartimento são dinâmicas e altamente dependentes do tipo de dieta do animal.9 75:25 68. quando comparados com animais alimentados com alimento concentrado ou feno (Tamate et al. regressão do tecido do compartimento ruminal e ausência de crescimento do mesmo. 1957). Tabela 10. 1962). seguido pelo ácido propiônico.2 20:80 53. com alto teor de carboidratos e proteína (Tabela 10).. A troca de dieta composta principalmente de concentrado para aquela de forragem reduz o desenvolvimento papilar.9 10.. Dentre os principais AGV produzidos no rúmen. 1987).6 30. microbiano e fermentativo do rúmen de bezerros recémnascidos. composta de 25% de feno de alfafa e 75% de concentrado.4 16.0 7. A maior produção desses ácidos graxos voláteis ocorre com a fermentação de alimentos concentrados.

conseqüentemente. ou aumento na absorção na parede ruminal.. Contudo. (1992a) 31 . (1987) demonstraram que a inclusão de feno na ração inicial de bezerros não afetou de forma positiva o desenvolvimento do rúmen ou o desempenho desses animais. O consumo voluntário de feno é muito reduzido até aproximadamente 6 . Os autores especulam que provavelmente animais recebendo dieta não moída apresentaram o epitélio ruminal mais desenvolvido e capaz de absorver maiores quantidades de AGV.7 semanas de idade e. O pH ruminal foi menor (P<0. Assim sendo. quando material inerte ou esponjas foram fornecidos à pré-ruminantes.O pH ruminal decresceu após 2 semanas de vida e voltou a aumentar após a 10ª semana. O fornecimento deste tipo de material não resulta no início do desenvolvimento epitelial e sim na expansão e crescimento muscular e capacidade do rúmen (Huber. bezerros alimentados com dieta moída apresentaram maior peso cheio e vazio do omaso. como a maior parte do feno disponível tem baixa energia para bezerros. os menores níveis de pH ruminal destes animais não podem ser atribuídos às maiores concentrações de ácidos graxos. observou-se que somente o estímulo físico não é suficiente para um desenvolvimento adequado. mas não estimula o desenvolvimento de papilas (Lydorf Jr. Klein et al.01) para bezerros recebendo dieta moída na 4ª e 6ª semana de vida. a forma física da dieta não alterou o peso cheio e vazio do retículo-rúmen e abomaso dos animais. Apesar de algumas alterações no padrão de fermentação. Estes animais apresentaram também menor contagem de bactérias celulolíticas e maior de amilolíticas que bezerros alimentados com dieta não moída. se recomenda seu fornecimento somente após a desmama (Quigley. devido ao estímulo físico para o desenvolvimento de papilas. 1969). A concentração de NH3N reduziu com a idade animal indicando aumento na atividade microbiana neste compartimento e. indicando um maior desenvolvimento ruminal.12) a ser superior para bezerros alimentados com dieta moída. 1996b) ou a partir de 6ª ou 7ª semana caso a desmama seja tardia. utilização desta fração. Quigley et al. sendo influenciado pela forma física da dieta. O fornecimento de forragem é importante para o crescimento da camada muscular do rúmen e para manutenção de epitélio ruminal saudável. Entretanto. capaz de absorver AGV. Bezerros recebendo dieta moída apresentaram população numericamente maior de bactérias anaeróbia. A concentração total de AGV aumentou de forma significativa com a idade animal e apenas tendeu (P=0. 1988). Durante muito tempo acreditou-se que o fornecimento de feno ao bezerro em aleitamento fosse indispensável. provavelmente como conseqüência de maior passagem de partículas do rúmen para este compartimento.

reduzido desenvolvimento de papilas no rúmen e no retículo. Figura 26. e a ausência da coloração escura associada a adequada alimentação de bezerros. A seqüência de figuras a seguir. possibilitando o desaleitamento a partir de 6 semanas de idade. Figura 27. em bezerreiros bem manejados. após a desmama com 8 semanas de vida. A função do feno.observaram que o fornecimento de feno para bezerros. o desenvolvimento interno ainda é bastante reduzido. demonstra de forma clara a importância do fornecimento de concentrado para o desenvolvimento do rúmen. Bezerro alimentado com leite e feno durante 12 semanas. reduziu os níveis de corpos cetônicos (BHBA e ACAC). acarretaria no atraso no desenvolvimento do rúmen graças à menor produção de butirato. Exterior do sistema digestivo superior (retículo-rúmen. 32 . Se o fornecimento de feno fosse realizado antes da desmama as custas do fornecimento de concentrado. ou de outra forragem. disponibilizada no site da pela Penn State University. omaso e abomaso) e interior do retículo rúmen de um bezerro alimentado durante 6 semanas somente com leite. Apesar do maior tamanho dos compartimentos. o que será necessário somente após o desaleitamento. será de aumentar o tamanho do compartimento ruminal e portanto a capacidade de consumo do bezerro. provavelmente pela redução na produção de ácido butírico no rúmen. Reduzido tamanho do rúmen.

tanto no retículo quanto no rúmen. alimentado com leite. A inclusão de feno na dieta retarda o desenvolvimento de papilas. 33 . tanto no retículo quanto no rúmen. Figura 28. Adequado desenvolvimento de papilas.Figura 27. Figura 29. de bezerro de 6 semanas. Rúmen de bezerro com 8 semanas de vida. de bezerro alimentado durante 8 semanas com leite e concentrado. Adequado desenvolvimento de papilas. feno e concentrado. alimentado com leite e concentrado.

demonstrando que pode haver um platô para o consumo necessário ao desaleitamento. Entretanto. do ponto de vista fisiológico. Desaleitamento O desaleitamento precoce é uma ferramenta de manejo muito importante do ponto de vista econômico na produção de fêmeas de reposição. com o objetivo de reduzir a variação na idade ao desaleitamento. O uso deste critério parece inadequado quando se compara o consumo de animal de raça de pequeno porte (Jersey) com animal de raça grande porte (holandês) e estes autores demonstraram que o acréscimo de 10 kg no peso ao nascer reduziu o número de dias necessários para se alcançar o consumo em 6. GREENWOOD et al. O custo de alimentação dos animais é reduzido com a retirada do leite e com a introdução de misturas concentradas como dieta principal. o número de dias necessários para que o consumo fosse de 1.5 e 2% PN não foi estatisticamente diferente. O ganho de peso dos animais desaleitados em idade mais jovem (1% PN) não foi negativamente afetado uma vez que apresentou o maior consumo total de concentrado. Adicionalmente. o desaleitamento vem sendo realizado baseado na idade do animal. Entretanto. Assim. mas em sistemas bem manejados esta pode ser realizada com sucesso em até 6 semanas de vida.4. A maior parte dos produtores tem adotado 8 semanas de vida como a idade de desaleitamento em fazendas leiteiras americanas. Segundo QUIGLEY III (1996). Observa-se a campo que pelo menos três diferentes critérios para desaleitamento são utilizados por produtores. uma vez que é quase impossível monitorar o consumo de vários bezerros diariamente. o menor tempo demandado para a alimentação desses animais reduz o custo com mão-de-obra. O critério consumo para o desaleitamento implica em bezerros mais leves devendo ter um consumo maior em porcentagem de peso vivo. e 3) peso do animal. WINTER (1985) comparou o desempenho de 34 . sendo eles: 1) consumo de concentrado. testaram 3 níveis de consumo em % do peso ao nascer (PN) (1. 1.5 e 2%) como critério de desaleitamento.8 dias. o animal está pronto. Pesquisadores compararam 3 níveis de consumo para o desaleitamento e observaram que o consumo de 400 g/d foi adequado e reduziu dias ao desaleitamento quando comparado com consumos de 650 e 900 g/d. Os autores observaram um aumento no número de dias para ao desaleitamento com o aumento na meta de consumo em % PN. quando atinge o consumo de 700 g/d de concentrado durante três dias consecutivos. 2) idade do animal.

Segundo os autores.animais sendo desaleitados de forma abrupta com 3. O autor não observou efeito negativo no desempenho dos animais em função de idade de desaleitamento. o consumo destes animais aumentou para 914 g/d na semana seguinte (4a semana) e foi ainda superior na 5a (1300 g/d). como bezerros da raça Jersey. Todavia. estes dados indicam que animais recebendo dieta com alta energia desenvolvem a capacidade de digestão de alimento tão cedo quanto à 3a semana de vida. não havendo diferenças entre os diferentes métodos de desaleitamento. Os animais do tratamento 3 foram desaleitados com idade média de 40 dias de vida. Na semana do desaleitamento. Entretanto. quando o consumo de concentrado alcançou a meta de 454 g durante dois dias. de se realizar o desaleitamento de acordo com o consumo de concentrado referente a % do PN do bezerro. 5 e 7 semanas de vida. em animais com desaleitamento à 3a semana. nas semanas seguintes o ganho de peso foi comparável ao ganho dos outros grupos. o consumo de concentrado observado foi de apenas 257 g/d. podem ser desaleitados com base em um consumo de concentrado menor que 700 g/d. Uma rápida análise mostrou que o desaleitamento realizado de acordo com o consumo de concentrado levou ao desaleitamento mais tardio e com maior custo. A mudança na forma física do principal componente da dieta (retirada de um alimento líquido de alta palatabilidade) também é um fator de 35 . assim como os dados de produção de AGV no rúmen. observou os efeitos no consumo. A adaptação do animal ao alimento sólido é fundamental para que o desaleitamento ocorra com sucesso. 2) desaleitamento gradativo aos 35 dias e 3) desaleitamento quando o consumo fosse de 454 g por dois dias consecutivos. no caso 454 g/d sem que ocorra redução no desempenho animal. O ganho de peso de animais que sofreram desaleitamento gradativo foi inferior ao de outros tratamentos uma vez que o consumo reduzido de substituto de leite não resultou a aumento suficiente no consumo de concentrado. O grupo desaleitado em idade mais jovem apresentou ganho de peso reduzido nas duas semanas seguintes ao desaleitamento. na semana do desaleitamento não foram diferentes quando se comparou a idade ao desaleitamento. Os dados de parâmetros sanguíneos refletiram o padrão de consumo de concentrado. crescimento e parâmetros metabólicos de bezerros da raça Jersey desaleitados precocemente por três métodos: 1) desaleitamento abrupto aos 35 dias. valor abaixo do recomendado na literatura. Este trabalho confirma a sugestão de GREENWOOD et al. QUIGLEY III. Os dados de digestibilidade da dieta. Em 1994. O autor sugere também que animais de menor porte.

quando ocorreu o desaleitamento. Entretanto. A adaptação do animal à fermentação é essencial para que a taxa de crescimento do animal não seja afetada. entretanto vários trabalhos demonstram que o desaleitamento pode ser realizado com sucesso com 36 . Algumas práticas de manejo têm sido realizadas com o intuito de se encorajar o consumo de concentrado pelo animal como o fornecimento de parte do concentrado no fundo de um balde juntamente com o fornecimento de leite. Para isso. Os autores concluem que o consumo pós-desaleitamento depende mais da adaptação fisiológica à dieta de grãos do que do manejo alimentar aplicado no prédesaleitamento. Os dados de peso e ganho de peso mostram que bezerros que receberam “drench” apresentaram melhor desempenho. o consumo de concentrado foi semelhante para os tratamentos indicando que o manejo pré-desaleitamento tem pequeno efeito no consumo no período pósdesaleitamento. 2) a quantidade de matéria seca que o animal recebe é diminuída com o não fornecimento do leite. LUCHINI et al. 4) mudanças de manejo e instalações geralmente ocorrem juntamente com o desaleitamento (QUIGLEY III. Como a prática de pesagem e controle do consumo de concentrado não é adotada como rotina. não está claro se o estímulo ao consumo de concentrado através dessas práticas se deve ao manejo alimentar ou a adaptações metabólicas. a maioria dos produtores adota a idade como critério de desaleitamento. Dois critérios de desaleitamento podem ser utilizados: idade do animal ou consumo de concentrado. o animal deve ter o rúmen parcialmente desenvolvido e capaz de absorver e metabolizar produtos finais da fermentação antes do desaleitamento. Os tratamentos foram aplicados no período entre 19 e 26 dias de vida. (1993) utilizaram dessa prática em experimento quando compararam 3 regimes de alimentação: fornecimento de leite. 3) o bezerro deve se adaptar ao tipo de digestão e fermentação própria de ruminantes. O desaleitamento precoce tem como objetivo reduzir o custo da criação de bezerros. tanto com relação ao custo de alimentação quanto a redução da exigência de mão de obra. Entretanto.estresse para o animal. sendo os animais alocados em dietas com alta ou baixa energia após esse período. O desaleitamento é um fator de estresse para o bezerro o qual é forçado a várias mudanças: 1) sua principal fonte de nutrientes muda da forma liquida para a forma sólida. Recomenda-se desaleitar o bezerro quando seu consumo de concentrado for pelo menos 700 g durante três dias consecutivos. O desaleitamento é feito com 8 semanas de vida do animal na maior parte das propriedades leiteiras. fornecimento de leite com suplemento no fundo do balde e fornecimento de leite após “drenching” com o suplemento. 1996).

ventiladas (mas sem ventos gelados). não devendo ser a única fonte. limpas. é importante que as instalações de bezerros sejam secas. livres de mofo. Entretanto. 2) O consumo de concentrado é inversamente proporcional ao consumo de leite. A Figura 34 mostra exemplos de bezerreiros inadequados. INSTALAÇÕES PARA BEZERRAS EM ALEITAMENTO Durante a fase de aleitamento. desde de bezerreiros fechados e coletivos até casinhas individuais confeccionadas com os mais diversos materiais. Devem ser evitadas a superpopulação de animais e a adoção de sistemas que não individualizem os mesmos. Portanto. Considerações práticas para levar para casa 1) A escolha da dieta líquida deve ser basear não somente no custo por litro como também em sua composição. ao adotar determinado tipo de instalação deve-se objetivar os itens acima. 4) A disponibilidade de água também é extremamente importante para o desenvolvimento ruminal. e que permitam acesso fácil e adequado ao alimento e a água. permitindo o desaleitamento precoce e obtenção de menor custo/kg ganho de peso vivo.5 ou 6 semanas de idade. além de apresentar baixo consumo voluntário. devem ser fornecidos desde os primeiros dias de vida para permitir o desenvolvimento ruminal. V. 5) O fornecimento de feno deve ser evitado durante a fase de aleitamento uma vez que apresenta baixo teor de energia e proteína. Existem inúmeras opções de instalações para bezerros em aleitamento. dependendo do consumo de concentrado que estará relacionada ao desenvolvimento do rúmen e à condição de ruminante. O leite não fornece quantidade de água suficiente para bezerros. 3) Concentrados palatáveis. etc. o fornecimento restrito de leite estimula o consumo de concentrado. e é dependente da quantidade de leite fornecida à esses animais. 37 . seja por má ventilação ou difícil acesso ao alimento. secos. devendo ser fornecida desde os primeiros dias de vida do bezerro. sem esquecer que os agentes causais das diarréias são transmitidos via oral/fecal. As taxas de crescimento do nascimento à cobertura giram em torno de 500 a 700 g/d. em bezerreiros bem manejados. com sombra.

o terreno deve ser bem drenado. A individualização de bezerras em aleitamento. e de canzil. A individualização dos animais também facilita a alimentação. O abrigo individual deve ainda prover contato dos animais com carrapato. ter sombra e água disponível. No caso da adoção de baias 38 . A individualização de bezerras pode ser realizada através da adoção de bezerreiros com baias individuais ou de gaiolas ou casinhas. criadas em grupo também está associada a maiores taxas de disseminação de doenças. A adoção de baias coletivas também dificulta o aleitamento individual de bezerros e. evitando problemas com dominância. além de cocho que facilite o consumo de concentrado. é pouco freqüente devido à dificuldade no controle de fatores desfavoráveis e no fornecimento individual de leite. com espécie forrageira estabelecida na área. tanto de concentrado quanto de água. Este tipo de instalação para bezerras em aleitamento. e permite um controle mais rígido da saúde do animal e do consumo individual. Exemplos de bezerreiros inadequados A utilização de piquetes. A área a ser disponibilizada por animal é de 1.5 a 1. tem sido recomendada.Figura 34. gera a necessidade de investimento na compra de cama. de forma a possibilitar a criação de resistência aos patógenos da tristeza bovina parasitária. principalmente com o objetivo de se reduzir problemas como a diarréia e animais mamando uns aos outros. No caso da adoção de criação de bezerros em aleitamento de forma coletiva em piquete. além disso. para evitar que bezerras mamem umas nas outras. no caso do piso ser de cimento.8 m2 / animal.

Exemplos de bezerreiros adequados: individualização.50 m. a instalação desses animais deve fornecer sombra ao animal. de maneira que as casinhas não fiquem bambas. sendo vários pontos negligenciados: • Área acidentada e com má drenagem. Figura 35. 39 . além de apresentar boa drenagem. o qual garante ambiente seco e limpo para que o animal se deite. Como regra geral. esta deve apresentar uma área de 0. podendo ser transferida para local mais seco e limpo por apenas uma pessoa. É comum observarmos propriedades que adotam casinhas tropicais mas insucesso. devendo o contato entre animais evitado.de contenção. seco e com acesso fácil a água e ao alimento Vários tipos de casinhas ou gaiolas podem ser utilizadas com sucesso na criação de bezerras. Também é importante lembrar que adaptações ao projeto original devem ser feitos com cautela para que a casinha seja leve. evitando-se assim a formação de lama. Se o piso for de cimento. devendo ser escolhidos terrenos planos. assim como instalações de piso ripado elevado (Figura 36). ambiente limpo. é necessário o uso de cama. ter boa ventilação e estar sempre limpa e seca.60 x 1. Uma opção é a utilização de bezerreiro com piso ripado e elevado. boa ventilação. A escolha do local para disposição das casinhas também é importante. desenvolvidas pela Embrapa Pecuária Sudeste. A utilização de casinhas tropicais (Figura 37). além de ter cocho que não impeça o consumo de concentrado pelo animal. o que pode aumentar o custo de produção. possibilitando sua remoção para área mais limpa por uma pessoa. tem sido recomendada como boa instalação para individualização de bezerros em aleitamento.

não permitindo sua movimentação e troca de lugar. Casinha tropical 40 . Exemplos de casinha/gaiolas individuais Figura 37.• Casinhas pesadas. Figura 36. • Utilização de correntes curtas que não permitem que o animal alcance o cocho de concentrado. • Utilização de cochos que não permitem o consumo de concentrado pelo animal.