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Durante muito tempo foi utilizado para se referir . éticos. comportamentos e ideias. A prática destas comemorações funciona como agente importante no reforço. Podemos considerar as celebrações como algo “clássico” pois o termo hoje é usado para expressar repetição e atemporalidade. como no caso das festas de colheitas ou festas da culinária. São ritos que marcam passagens. de sua interação com a natureza e de sua história. são definidas por meio de uma dialética que se estabelece entre o cotidiano e o extraordinário. podem ser festas folclóricas que recriam algo que ficou na memória coletiva. sobretudo europeias. Transportam o uno e o diverso a um mesmo espaço e acentuam o encontro de tempos diferenciados. na alteração ou permanência de valores culturais.CELEBRAÇÕES As celebrações constituem rituais ligados ao tempo e. agregam pessoas em ação e provocam variações e dispersões de condutas. na formação. grupos e acontecimentos que através delas são colocados em proeminência e sob regimes de atenção e valorização. privilegiar pessoas. um espaço temporal onde se busca transformar o individual no coletivo. Podendo estar associadas à religiosidade como acontece com as festas litúrgicas ou em louvor aos santos. podem ser festas étnicas por expressarem a tradição cultural das comunidades de imigrantes. mudanças ou conquistas. Pois são transmitidas de geração a geração. As festas são verdadeiras encenações a céu aberto que têm como cenário as ruas e praças públicas das cidades. morais. podem estar ligadas aos ciclos do calendário para comemorar os momentos importantes da vida cotidiana. constantemente recriadas pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente. As festas podem ampliar ou intensificar o significado de datas. gerando um sentimento de identidade e continuidade. como ritos. principalmente em louvor aos santos padroeiros de cada localidade. estéticos e de cidadania.

clássico e atemporal. as intervenções urbanas feitas para as festividades têm seu lugar no imaginário popular como algo claro. decorações feitas durante o natal (figura 4). cujas formas são facilmente apreensíveis. Devido a ciclicidade com que os princípios racionais da Grécia reapareciam o termo passou a ser relacionado com permanência ou sua aparição sistemática. Figuras 1 e 2:Audrey Hepburn em Bonequinha de luxo e aos 58 anos Classificamos Audrey Hepburn como personalidade representativa das intervenções visuais urbanas produzidas para as celebrações culturais tradicionais devido à seu reconhecimento como musa da moda (termo que por si só representa temporalidade) mesmo após mais de 20 anos de seu falecimento. as pessoas ainda desejam suas roupas. tanto filosoficamente quanto esteticamente é necessário captar e traduzir o espírito de seu próprio tempo da forma mais pura e racional como foram os princípios estéticos Gregos. Mesmo passados mais de 50 anos (do período de lançamento do filme). Diz. Assim como seu estilo. seja o teatro ou os mitos. Como por exemplo: as bandeirolas que são colocadas na época de São João (figura 3). sua personagem tinha um estilo elegante sem exageros.a manifestações da Grécia Antiga. . e o tapete feito para celebração de corpus christi (figura 5). Ela também foi um grande ícone tanto do cinema.se que para criar algo que se comunica em qualquer tempo. seu principal papel foi como Holly Golightly (figuras 1 e 2) em Bonequinha de Luxo. que ultrapassaram gerações sem se abalar. São organizadas e produzidas de forma previsível anualmente.

passando a ser um lugar com forte carga subjetiva. o espaço – noção abstrata – ganha materialidade por meio da prática social que se realiza em determinado lugar. como também entende que ele pertence ao lugar.4 e 5 – explicadas no texto Como regra geral. as festas populares devem ser preparadas. “conteúdos” e formas de significação que constroem para e com seus habitantes. ritualísticas e formalizadas. Com a apropriação.Figuras 3. tanto assume o lugar como propriedade sua. o sujeito ou o grupo social. como modo de apropriação desse lugar (CARLOS. pois a percepção do espaço resulta no imaginário a partir dos valores e conceitos estabelecidos pelo grupo. Consideradas. representam suas características. As festas e celebrações são acontecimentos que fazem parte do cronograma das cidades. valores e crenças que são repetidos pela festa. E passa a ter características cênicas a partir do momento em que através da decoração a cidade reinventa-se e vira palco de um determinado evento. a memória é coletiva. As intervenções visuais apresentadas. com uma ideologia que comporta um conjunto de símbolos. resultantes de uma expressão plástica e produção visual. ligado aos símbolos e valores que lhes são atribuídos do que ao sentido geográfico. Assim. O lugar funciona como suporte da memória coletiva e da identidade social. portanto como ‘artefatos’. Em relação ao espaço. planejadas e organizadas segundo regras peculiares a cada comunidade e correspondem a um conjunto de atividades mais ou menos tradicionais. . 2001). nessas ocasiões.

o êxtase. Pois os sentimentos eram representados de maneira a causar fortes emoções. Através dela a arte tornou-se instrumento de persuasão. Esse caráter de grandiosidade objetivava impressionar fortemente os sentidos e convencer os fiéis do poder divino. principalmente no período barroco. domínio e onipresença através da história. No Brasil as comemorações com efeitos mais marcantes na cidade são relacionadas à religião católica. das verdades eternas e dos dogmas católicos. do brilho. do luxo (visão). diminuindo os limites entre a vida e o sonho. No barroco. Pois através da apreensão estética desencadeia-se a emoção religiosa.Figura 6 – Decoração e apresentação de rua no São João A grande maioria das intervenções visuais urbanas de cunho temporário sazonal são ligadas a celebrações religiosas devido à sua importância social e posição de poder. a morte etc. a dor. . os oficiantes em atores e os fiéis em público extasiado diante da beleza. a exuberância e a profusão de elementos eram muito presentes. Para isso nada melhor do que transformar as ruas em teatros através da rica ornamentação. A exaltação da fé religiosa e a veneração dos católicos se manifestava através da opulência material. para atender ao desejo da fuga da realidade. de aromas e pétalas espalhadas pelas ruas. Isso explica a presença marcante das figuras de retórica da literatura e de toda sorte de artifícios nas artes plásticas para exprimir o martírio. Daí a apreensão dos sentidos por meio de cores vivas.

Figuras 7 e 8 – Exemplos de interferências visuais urbanas católicas .

Dia dos mortos no México. A maquiagem se estende desde a cidade até as pessoas .Figura 9.

Outro exemplo em que a maquiagem se estende das pessoas para a cidade. era sinônimo de entrelaçar famílias e pessoas a fim de se conhecerem. fotografia. Hoje a palavra festival mantem o caráter sazonal. e até mesmo para encontrar um companheiro. Mesmo assim os festivais com maior incidência de intervenções visuais urbanas estão direta ou indiretamente relacionados à religião. No passado a palavra era ligada apenas às celebrações religiosas. celebração. porém passou a ser usada para vários outros tipos de interesse como música. Onde pode haver música. dança. entretenimento e integração. festival holi na índia A palavra festival vem de festa. comida e etc. Como por exemplo os festivais de . dança.Figura 10 – Exemplo de interferência visuais urbanas do candomblé Figura 11.

da fertilidade entre outros.flores. Estes vêm de períodos primitivos antes da proliferação cristã. da colheita. do fogo. e são originados das crenças antigas que viam o mundo de modo mítico. Figuras 12.13 e 14 – Festivais no mundo .

O caso mais chamativo é o da copa. ao mesmo tempo. a compreensão e auto definição do lugar que se ocupa e do que se é. Que está ligada. mas também do contexto coletivo em que indivíduo e grupo participam e se relacionam no processo de construção e defesa das identidades.Um dos exemplos de intervenção do outubro rosa .Existem também comemorações não religiosas que atuam no visual da cidade. Estas são voltadas para a identidade de um grupo. ao sentimento individual de pertencimento e de reconhecimento. Figura 15 – Rua decorada para a copa Além disso existem as manifestações visuais ligados a propagação ou “venda” de ideias ou produtos ligados a eventos sazonais Figura 16 . e outros eventos esportivos que ocorrem de forma previsível.

nos cercam de representações visuais. dentre outras manifestações imagéticas. E essa produção e disseminação de intervenções não são isentas de significados. construir significados e comunicar opiniões sobre sociedade e cultura. Usadas para representar.pdf http://www.ufg. http://repositorio.br/2014/08/audrey-hepburn-e-givenchy.blogspot.html .br/caderno-g/o-que-e-um-classicodd7kv1nxd2tfcvyy33g39gbim http://estilosasefashionistas.com.gazetadopovo.br/tede/bitstream/tde/2804/1/ana%20lucia%20siqueira%20de %20oliveira%20nunes.bc.Figuras 17 e 18 – Propaganda política Neste caso a publicidade e propaganda.com.

ppgau.es/info/especulo/numero31/jodrumo.google.br/urbicentros/2012/ST104.pdf http://pendientedemigracion.ufba.https://scholar.com.ucm.html .br/scholar?q=celebra %C3%A7%C3%B5es+enfeite&btnG=&hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5 http://www.

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