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Aldria de Melo Mendes

JORNALISMO COMUNITÁRIO:

Os jornais Fala Pedreira e Favela é Isso Aí e os critérios de noticiabilidade

Belo Horizonte

2009
Aldria de Melo Mendes

JORNALISMO COMUNITÁRIO:

Os jornais Fala Pedreira e Favela é Isso Aí e os critérios de noticiabilidade

Monografia apresentada ao curso de Comunicação Social, do


Departamento de Ciência de Comunicação do Centro
Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH) como requisito
parcial para obtenção do título de Bacharel em Jornalismo.

Orientadora: Profª Adélia Fernandes.

Belo Horizonte

2009
Agradeço à minha mãe por me apoiar e fazer com que seu sonho se concretizasse em mim,

por me fazer entender que só o conhecimento pode nos mostrar o mundo. Aos meus irmãos

por acreditarem a todo o momento que eu seria capaz. Ao Celinho, por me dizer, em um

estágio de enfermagem, que eu deveria ser jornalista. A todos que durante esses anos de

estudo me apoiaram. À minha filha por entender a minha falta de tempo e me apoiar com um

sorriso e um abraço. E principalmente à minha orientadora, professora Adélia, que na reta

final não deixou que eu “jogasse a toalha”.

Obrigado Deus, por colorar sempre pessoas especiais em meu caminho.


Dedico às comunidades que lutam contra
o preconceito, a descriminação e buscam
por meio dos meios de comunicação um
grito de liberdade e uma vida mais justa.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 6

1 JORNALISMO COMUNITÁRIO ....................................................................................... 9


1.1 Comunicação, sociedade e mobilização social ..................................................................... 9
1.2 O jornal comunitário ........................................................................................................... 12
1.3 Jornalismo, ética e sua função social .................................................................................. 14
1.4 Apuração e critérios de noticiabilidade .............................................................................. 16

2 FAVELAS E ONGS ............................................................................................................ 19


2.1 Um pouco sobre as favelas ................................................................................................. 19
2.2 Interações entre mídia e terceiro setor ................................................................................ 21

3 MÍDIAS COMUNITÁRIAS : Fala Pedreira e Favela é Isso Aí ...................................... 25


3.1 Fala Pedreira ..................................................................................................................... 25
3.1.1 Os critérios de noticiabilidade do jornal Fala Pedreira .................................................. 28
3.2 Favela é Isso Aí .................................................................................................................. 32
3.2.1 Os critérios de noticiabilidade do jornal Favela é Isso Aí ............................................... 37

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 39

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 42


6

INTRODUÇÃO

A expansão demográfica, o aumento populacional nas capitais decorrente das migrações do


campo para as cidades, entre outros fatores, faz com que os conceitos de comunicação sejam
repensados e adequados às necessidades decorrentes desse crescimento, de forma a atender os
anseios e necessidades de novos perfis de público.

É nesse contexto que presenciamos o surgimento dos jornais comunitários, que vêm da
necessidade de uma comunicação local, do preenchimento de uma lacuna de informações
relevantes a determinada e limitada localidade ou grupo social. Lacuna essa que a grande
imprensa não consegue preencher, ou por ter um público consumidor extremamente amplo, o
que faz com que as notícias abordem uma gama maior de acontecimentos, ou pela
preocupação com a comercialização de suas notícias (CALLADO e ESTRADA, 1985). “(...)
o próprio Estado tem representado mais os interesses das elites do que dos proletários, não
poderia deixar de ser diferente a apropriação do espaço da mídia.” (MARANHÃO, 1993, p.
69).

O jornal comunitário tem como objetivo integrar a comunidade e reforçar a comunicação no


meio ao qual está inserido, além de ser um instrumento de mobilização, como afirmam
Callado e Estrada (1985). Um dos diferenciais da mídia comunitária é a não preocupação com
a venda, e sim com o efeito positivo que sua veiculação pode causar. Tendo assim os jornais
comunitários, em muitos casos, o papel de agente socializador.

O diferencial deste tipo de mídia, principalmente em favelas, além de seus critérios de


noticiabilidade, é a possibilidade de atuar como peça chave na tentativa de inclusão social,
diminuição do preconceito criado pelo estigma da violência urbana das periferias e um meio
de divulgação da cultura local.

A aproximação das notícias com o cotidiano dos leitores faz com que o jornal comunitário
torne-se um ponto de referência comunicacional e uma eficaz fonte de informação, o que
ajuda os moradores a reconhecerem o espaço em que estão inseridos, (WOLTON, 2004). Os
meios de comunicação comunitária tratam as matérias de forma a tentar diminuir a
discriminação social, ampliar e compartilhar características especifica da localidade.
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A necessidade humana de se comunicar e de que essa comunicação seja efetiva e não apenas a
retransmissão de fatos negativos da realidade, algo que já é feito pela grande imprensa, faz
com que o jornalismo comunitário tenha um papel diferenciado. Sua abordagem particular
exerce, em alguns casos, o papel de “folhetim de boa nova”, retratando acontecimentos que
possam melhorar a vida da comunidade ou ao menos apontar outras possibilidades de
caminho para atingir esse objetivo (GOHN, 2000).

Os jornais de grande circulação normalmente seguem um padrão noticioso, com critérios de


noticiabilidade bastante rígidos. Nosso problema de pesquisa é saber quais os critérios de
escolha das notícias que os jornais comunitários de Belo Horizonte adotam. Entender a
história da formação das favelas e compreender o papel da comunicação na construção da
imagem e na mobilização social.

Além da análise de conteúdo, iremos verificar se os critérios de noticiabilidade influem de


forma positiva ou negativa na tentativa de mudança do estereótipo violento e marginalizado
atribuído aos moradores de favelas, além da tentativa de inclusão social.

Dentre os jornais comunitários com circulação em Belo Horizonte, foram selecionados, como
objeto de pesquisa, os jornais Fala Pedreira e Favela é Isso Aí. Foram utilizados três
exemplares, anteriores ao mês de outubro do ano de 2009, uma vez que o jornal Fala
Pedreira possui tiragem mensal e o jornal Favela é Isso Aí tem sua tiragem bimestral

Esta monografia está dividida em três capítulos. O primeiro pretende apresentar o jornalismo
comunitário, abordando o contexto de seu surgimento bem como sua finalidade, a interação
entre comunicação e sociedade e a importância de tal interação como instrumento de
mobilização social. Depois, apresentaremos os critérios de noticiabilidade padrões do
jornalismo. Faremos uma comparação com os critérios utilizados pelo jornalismo
comunitário.

O segundo capítulo propõe o entendimento do surgimento das favelas, bem como o padrão de
vida e o motivo pela qual esse problema social persiste por anos. Irá também apresentar as
ONGs, uma vez que o jornal Favela é Isso Aí, é criado, gerenciado e distribuído pela ONG
Favela é Isso Aí.
8

Já o terceiro e último capítulo pretende explanar e exemplificar de forma prática os critérios


utilizados na seleção do conteúdo para a elaboração dos jornais comunitários aqui analisados
e como seu conteúdo tenta a inclusão social e a propagação da cultura.
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1 JORNALISMO COMUNITÁRIO

Para que possamos entender o jornalismo comunitário, é necessário percebermos a


importância da aplicação de tal meio comunicacional, sua relevância na tentativa de mudanças
e contribuições para o um determinado contexto social. Organizadores de obras e autores
como Márcio Simeone Henriques (2005), Dominique Wolton (2004), Ana Arruda Callado e
Maria Ignez Duque Estrada (1985), Manuel Carlos Chaparro (1994) e Nuno Crato (1992),
servem como referencial para o auxilio a tal entendimento.

É preciso compreender que o jornal comunitário está incorporado dentro de uma organização
social, um projeto de mobilização. Por isso, seus parâmetros éticos e do que é notícia variam
bastante, ou deveriam ser bem diferentes, dos jornais de grande circulação com objetivos mais
comerciais.

1.1 Comunicação, sociedade e mobilização social

A necessidade humana de comunicação e de informação está sempre em transformação. A


maneira como os conteúdos são transmitidos varia de acordo com o que é pretendido, com o
público ao qual o conteúdo é destinado, bem como qual será o veículo utilizado para difundir
as informações. Outra questão é a comunicação como ferramenta dos movimentos sociais,
sendo a mídia fundamental para o desenvolvimento de projetos que visam a igualdade social.
“A comunicação e a mídia, tanto dentro quanto fora de suas fileiras, desempenham um
enorme papel na trajetória dos movimentos.” (DOWNING, 2002, p. 59).

Para que se possa entender a comunicação na sociedade, Wolton (2004) propõe três hipóteses.
A primeira, a comunicação como condição da modernização em que a comunicação é vista
como algo essencial para a vida humana. O autor considera desde o ato de comunicar em si,
um simples diálogo entre pessoas, incluindo também os meios de comunicação como TV e
rádio e os meios de locomoção, que, de acordo com Wolton (2004), são importantes para a
comunicação.

Para Wolton (2004), a evolução da comunicação deu-se com o objetivo de melhorar a


comunicação, torná-la mais clara e objetiva. “Não somente por razões financeiras, mas
também porque hoje a vida cotidiana, o trabalho, a educação e a saúde são organizadas e
10

redistribuídas em torno das problemáticas de comunicação e das técnicas que a sustentam.”


(WOLTON, 2004, p. 60).

A segunda hipótese trata a comunicação como desafio da sociedade individualista de massa.


Essa hipótese é marcada por dois movimentos contraditórios: de um lado a tradição liberal –
movimenta a favor da liberdade individual; de outro a tradição socialista – movimento a favor
da igualdade.

[...] E a comunicação faz a ligação entre as duas referências, que são a liberdade e a
igualdade, com a dupla dimensão funcional e normativa. Em suma, a sociedade
individualista de massa se caracteriza por este triângulo de três dimensões essenciais: o
indivíduo, a massa e a comunicação. (WOLTON, 2004, p. 61-62).

Essa hipótese reforça a idéia de massificação. Para que seja possível a existência da teoria da
comunicação é necessária uma teoria da sociedade que se baseia na ideologia técnica e na
ideologia econômica.

A terceira hipótese trata da inteligência do público, sendo ele não apenas um consumidor de
divulgações alienado ao que é divulgado, mas como um ser que pensa e faz escolhas. “É
preciso escolher: Se o cidadão é suficientemente inteligente para distinguir as mensagens
políticas e a origem da legitimidade, ele é igualmente capaz de distinguir as mensagens de
comunicação” (WOLTON, 2004, p. 66).

O autor é categórico ao afirmar que não há democracia sem comunicação. A comunicação é o


que efetiva o funcionamento da democracia. Segundo ele. “[...] o que seriam nossas
sociedades complexas, em que o cidadão fica longe dos centros de decisão político e
econômicos, dos quais alguns estão em países longínquos, se ele não tivesse os meios, por
intermédio da comunicação, para informar-se sobre o mundo?” (WOLTON, 2004, p. 197).

O autor ressalta também que a comunicação é fundamental para que o indivíduo conheça o
meio a qual está inserido bem como tome conhecimento das modificações que acontecem ao
seu redor, seja cultural, econômica ou política. “Apenas a comunicação permite hoje certa
visibilidade entre a base e o topo. Ser compreendido por todo mundo tem um preço:
simplificação e racionalização.” (WOLTON, 2004, p. 197).
11

A grande imprensa certamente não consegue atender toda demanda de notícias, o que faz com
que os jornais comunitários sejam uma alternativa de interação dos moradores com o que
acontece ao seu redor. Além de uma forma de divulgação e propagação da cultura local.

Ao observarmos as novas tendências comunicacionais e as ações sociais, nos deparamos com


a necessidade de uma junção, na qual uma ação complementaria a outra. De forma que o
individuo seja levado a refletir sobre o que lhe é apresentado, uma vez que o fato faz parte ou
influi em seu cotidiano.

Para Simeone (2005) as mudanças na comunicação partem da necessidade dos indivíduos, dos
movimentos e das mobilizações sociais. Movimentos sociais podem ser definidos como
movimentos mutáveis não relacionados ao Estado, que possuem natureza múltipla sendo, em
grande parte, relacionados a problemas urbanos, e a reivindicação dos direitos das
comunidades. “Foram chamados ‘movimentos’ para acentuar sua natureza instável e mutante,
distinta da obtida em estruturas que se organizam numa longa duração. E chamados ‘sociais’
devido ao seu distanciamento em relação aos aparelhos de Estado”. (FERNANDES, 1994,
p.43).

As dificuldades enfrentadas pelos movimentos da sociedade civil organizada estão à espera


de novas definições metodológicas em relação ao diagnóstico e ao planejamento da
comunicação. Uma visão a partir dos públicos (e não dos instrumentos) parece ser
extremamente útil para posicionar estas questões sob uma ótica humanista e
verdadeiramente interessada na participação ampla e democrática. (SIMEONE, 2005, p.
13).

A comunicação é vista como um canal entre o público e o projeto de mobilização social, o


que reforça não apenas o poder que os veículos de comunicação possuem, mas também sua
eficácia em estabelecer um canal de comunicação. “Pode-se dizer que a comunicação
adequada à mobilização social é, antes de tudo, dialógica, libertadora e educativa.”
(SIMEONE, 2005, p. 25).

O objetivo em tal comunicação é manter o diálogo bilateral entre o meio e o público, para que
essa conexão se resuma a uma comunicação eficaz e satisfatória ao propósito inicial. O ato de
informar é, na verdade, a busca de soluções a partir do diálogo proposto entre as partes.
“Adotando um caráter educativo, a comunicação deve gerar referências para a ação e para a
mudança de atitudes e mentalidades nos indivíduos.” (SIMEONE, 2005, p. 28). A
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preocupação da interação entre individuo e meio, exige que a comunicação seja feita de
maneira a ser mais clara e efetiva, para que possa atingir seu objetivo como instrumento de
mobilização.

Lembrando que há todo um planejamento referente aos objetivos comunicacionais e sociais,


para que a comunicação possa ser efetivamente usada como meio de mobilização. Uma vez
que não há tal planejamento, o objetivo pode se perder em meio a tantas redes de interação.

Por outro lado, o planejamento da comunicação em projetos de mobilização comporta um


dilema básico, uma vez que a excessiva preocupação com o planejamento acarreta risco de
cristalização do movimento, institucionalizando-o e burocratizando-o a ponto de impedir a
vinculação espontânea dos indivíduos, por meio de uma conjunção entre instrumentos de
comunicação e o acesso dos públicos às informações. (SIMEONE, 2005, p. 29).

O objetivo e o resultado do planejamento devem ser o sucesso da ação para qual o projeto foi
destinado. Para que tal finalidade seja alcançada é necessário definir o caminho a ser
percorrido e quais os instrumentos serão utilizados.

A expansão dos movimentos sociais e a necessidade de implementar cada vez mais a


mobilização na sociedade civil para a solução dos mais variados problemas e sob as mais
diversas formas trazem o desafio de investigar os modelos de planejamento da
comunicação que melhor se apliquem às ações democráticas e inclusivas, por meio dos
quais se permita alcançar uma co-responsabilidade entre os públicos envolvidos.
(SIMEONE, 2005, p. 34).

Em suma, Simeone (2005) deixa claro que uma das principais preocupações que deve ser
mantida é a interação entre individuo e meio, a forma democrática e humanística como é
tratado e relacionado os individuo e os conteúdos de comunicação.

1.2 O jornal comunitário

A primeira maneira de se entender um jornal comunitário é tentar entender alguns de seus


aspectos. Normalmente, seu intuito é o de proporcionar uma aproximação cada vez maior
entre a população e os acontecimentos à sua volta, seu cotidiano, sua realidade. Essa
aproximação é algo difícil de ser avaliado pelos grandes jornais, pela falta de interesse desses
pelos assuntos que não garantem uma boa venda, a limitação do espaço, ou por não ser um
tema comercializável como, por exemplo, a mudança em uma vila. Nesse sentido, o
jornalismo comunitário tem um papel fundamental de tratar dos assuntos das micro-regiões.
13

O diferencial de um jornal comunitário é o de tentar mudar uma realidade. O jornal assume o


papel de promover o diálogo com a comunidade, tendo uma função preciosa para a sociedade
a qual está inserido. Uma de suas características, que ajuda no desempenho desse papel, é o
fato de não ter finalidade lucrativa, permitindo que suas notícias sejam voltadas para um
ponto de vista social já que seu conteúdo é direcionado a um público restrito

O jornal comunitário é muito mais do que um órgão de informação; é um instrumento de


mobilização. É ele que vai estabelecer a verdadeira comunicação entre os membros da
comunidade, o debate de seus problemas e a participação de todos nas soluções a serem
dadas. (CALLADO e ESTRADA, 1985, p. 08).

De acordo com Callado e Estrada (1985), a imprensa comunitária é de extrema importância,


seja na tentativa de igualar ou melhorar o cotidiano da comunidade, o que independe do porte
do jornal.

A criação de cada periódico deve ser realizada com a mesma preocupação dos grandes jornais
e com um objetivo em comum a eles, o de atingir de forma eficaz seus ideais, o que inclui
cativar seus leitores.

Para as autoras, embora muitos de seus criadores não tenham uma retribuição financeira, a
preocupação com seu resultado final é a mesma, independente de remuneração, deve-se seguir
todos os procedimentos padrões para elaboração de um jornal de qualidade, indo desde o
planejamento, apuração até mesmo distribuição de seus exemplares.

A partir do momento em que é proposta a criação de um jornal comunitário, a preocupação de


seus idealizadores é a participação dos membros da comunidade, direta ou indiretamente, para
que o jornal tenha a “cara” da comunidade e atenda às suas necessidades. Para que isso seja
possível, é necessária a colaboração da população para qual o jornal é feito, podendo assim
chegar o mais próximo da identidade daquele grupo social. Um dos papeis fundamentais é
fazer com que a comunidade tenha interesse em ler o jornal, por esse motivo a aproximação
com o cotidiano torna-se uma prioridade.

O jornal comunitário, “só cumprirá sua finalidade se souber conversar com os leitores,
tornando-se um espaço em que eles expõem suas reivindicações e suas divergências.”
(CALLADO e ESTRADA, 1985, p. 43). Um dos fatores que contribui para a criação de uma
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imprensa comunitária é a própria necessidade de comunicação e de compartilhamento de


informações.

Callado e Estrada (1985) observam que, embora o jornal comunitário seja de distribuição a
principio gratuita, há a necessidade de verbas para gastos como impressão e papel. Uma das
alternativas mais eficazes é a propaganda, colocando assim pequenos anúncios, pagos, em
suas edições, beneficiando assim o comércio local que, em muitos casos, não teria condições
de arcar com a publicidade em um jornal de grande circulação, anúncios esses que viabilizam
a tiragem do jornal. É bom lembrar que qualquer jornal, seja ele comunitário ou não, precisa
de verba para manter-se em circulação. Um dos pontos que diferencia os jornais comunitários
dos jornais de grande circulação é que enquanto o primeiro tem a preocupação de vender o
suficiente para sua existência, o segundo prioriza a venda do “quanto mais lucrar melhor”,
afinal esse é seu objetivo, a comercialização de notícia.

Como o objetivo de um jornal comunitário é aproximar-se ao máximo da comunidade o


padrão de noticiabilidade também difere de outros jornais. Em alguns casos, ele pode
inclusive mediar pequenos conflitos, levando até à comunidade algo que esteja em debate, um
problema local em busca de possíveis soluções ou com o objetivo de conscientização. “[...] O
jornal comunitário pode ser muito mais do que um simples boletim de eventos.” (CALLADO
e ESTRADA, 1985, p. 43).

1.3 Jornalismo, ética e sua função social

O jornalismo tem entre suas atribuições a função de informar e a obrigação com a


responsabilidade de um trabalho ético. Interesses pessoais ou favores não devem influenciar,
por mais tentadores que aparentem ser, em seu trabalho e seu compromisso com a verdade. O
compromisso ético deve nortear a vida de todos que se dispõem ao ato de informar.

O jornalismo é o elo que, nos processos sociais, cria e mantém as mediações viabilizadoras
do direito à informação. Eis aí o vínculo com o princípio ético universal que deve orientar a
moral das ações jornalísticas e em função do qual o jornalista assume a responsabilidade
consciente pelos seus fazeres profissionais. (CHAPARRO, 1994, p. 23).

Em muitos casos, as reportagens são definidas de acordo com o que determina o veiculo de
comunicação, com pautas, muitas vezes, tendenciosas aos interesses administrativos ou dos
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dirigentes de um jornal. Por mais que o jornalista alegue que, em sua cobertura, há
imparcialidade é bom ressaltar que a opção por um lado da história compromete totalmente tal
imparcialidade esperada.

A má interpretação de uma fala pode levar o repórter a distorcer completamente uma


entrevista. Isso ocorre quando a fala do entrevistado é colocada fora do contexto o qual a
principio estava inserida. A mudança ocorre, geralmente, por falta de interpretação ou porque
o que foi dito não coincide com o objetivo que o repórter atribuiu à matéria. Chaparro (1994)
deixa isso claro ao relatar as informações obtidas durante seu rastreamento por reconstituição
ou por observação das reportagens publicadas pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de
São Paulo, quando o objetivo era justamente verificar a veracidade das noticias publicadas.
“De qualquer forma, por uma ou outra razão, ou até por equívoco de compreensão, a repórter
apropriou-se das falas e idéias da entrevistada, dando-lhe significados e sentidos que não
tinham.” (CHAPARRO, 1994, p. 39). É importante lembrar que esse comportamento pode
não se restringir aos jornais de grande circulação, embora em sua obra Chaparro (1994) tenha
estudado apenas dois grandes veículos de comunicação.

O repórter não precisa fazer a matéria seguindo o interesse do entrevistado, cabe a ele decidir
qual enfoque será dado, mas não é ético alterar as falas para atingir seus objetivos. A
entrevista deve ser conduzida de forma a firmar o que se pretende com falas reais, dentro de
um contexto real.

A procura do furo, ou seja, a notícia em primeira mão, muitas vezes faz com que o fato
principal seja deixado de lado, sem um real apuramento e muitas vezes perdem-se grandes
fatos por falta de apuração. “A pauta foi mal cuidada, carente de ambição e sem o suporte de
pesquisas prévias; a busca de informações, descuidada quanto à qualificação das fontes e ao
rigor dos dados; e a capacidade interpretativa do relato jornalístico acabou reduzida a zero
[...].” (CHAPARRO, 1994, p.59).

O que faz com que a credibilidade de uma matéria seja algo questionável são as contradições
nas publicações de um mesmo assunto entre diferentes veículos de comunicação. Nestes
casos, as fontes usam os meios jornalísticos de acordo com seu próprio interesse.
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A assessoria de imprensa é um bom exemplo de fontes que tentam de diversas maneiras


persuadir para obter a publicação de seus releases:

As assessorias de imprensa – estruturadas profissionalmente em departamentos importantes


nos organogramas das organizações, ou atuando, como empresas prestadoras de serviços,
pela via da terceirização – formam hoje, nas principais cidades brasileiras, redes de grande
porte e enorme poder de influência nos sistemas e processos jornalísticos. (CHAPARRO,
1994, p. 69).

A assessoria de imprensa é também uma preciosa fonte de captação de notícias de interesse


público. Por ter uma ligação direta com a fonte é bom lembrar que a assessoria tende a
preservar o interesse de seus clientes, em contra-partida a mesma possui informações e dados
direto da fonte, o que com certeza é essencial em uma apuração.

O objetivo de abordar a postura jornalística é justamente pautar a responsabilidade na


divulgação de uma notícia, na responsabilidade de uma matéria que é apresentada ao seu
público leitor como uma fonte de informação. Essa responsabilidade não é menor quando se
trata de um jornal sem fins lucrativos ou de pequena circulação. Deve-se ter em mente que as
informações ali divulgadas terão o peso de uma verdade absoluta, caso as mesmas não sejam
averiguadas ou contestadas por seus receptores.

Em um jornal de cunho comunitário, o leitor não é um simples consumidor da notícia e sim


peça chave de sua elaboração. Essa interação, segundo o autor, não acontece em jornais de
grande circulação.

Ao referir-se aos manuais de redação da grande imprensa, o autor observa que:

Deve ter algum significado o fato de nenhum dos manuais brasileiros incluir, nos seus
textos introdutórios, qualquer termo ou idéia referente ao dever da busca da verdade. E isso
combina com o fato de que, na prática, só o interesse do leitor não tem poder de
interferência, nem nas intenções nem nos conteúdos, embora isso lhe seja simulado com a
manipulação artificiosa das técnicas jornalísticas de produção e apresentação de mensagens.
(CHAPARRO, 1994, p.104).

1.4 Apuração e critérios de noticiabilidade

A apuração da notícia é algo primordial para um veículo de comunicação que pretende


informar. “[...] A procura da informação deve ser sistemática – para cobrir com segurança os
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assuntos importantes – e deve também ser rigorosa – confirmando com segurança todos os
dados recolhidos. [...]” (CRATO, 1992, p.91).

Todo jornal tem que focar a procura de informação de acordo com seu público alvo, além de
ter o objetivo de cativar esse público, sendo ele um público mais ou menos esclarecido. Cada
veículo de informação tem seu ponto de vista do que será noticiado.

O critério do que será ou não notícia depende da abrangência que a mesma terá. Algo de
interesse local não deve ser divulgado nacionalmente, caso não influa nas demais regiões.
Diariamente, o volume de notícia produzida possibilita bem essa distinção. “Todos os dias em
qualquer parte do mundo se produzem dezenas, centenas de acontecimentos importantes para
um país, para uma vila, para uma associação, ou para um pequeno grupo de pessoas.”
(CRATO, 1992, p.109).

Dentre os critérios de seleção de notícia a três que merecem uma atenção especial: atualidade,
significado e interesse. Para Crato (1992), enquanto alguns veículos perdem no quesito
atualidade esses mesmo veículos ganham em profundidade na notícia pelo tempo que
possuem para explorar o assunto, algo que se perde no imediatismo.

É certo que o aparecimento da rádio e da televisão trouxe alterações importantes à


imprensa. A <<caixa>> ou o <<furo>> são cada vez mais raros nos jornais, que não podem
concorrer com a electrónica. Mas a luta pela actualidade continua e a imprensa socorre-se
de outros trunfos como a profundidade do relato e a revelação de pormenores
complementares. (CRATO, 1992, p. 111).

Quando se trata do significado, “outro critério imprescindível deverá ser o do significado


social. Um acontecimento só merece ser divulgado na medida em que ele próprio e suas
implicações tenham importância para a coletividade.” (CRATO, 1992, p.112).

O critério de significado difere para cada veículo de comunicação, dependendo é claro, de


qual é sua abrangência e seu público alvo. A exemplo, temos os jornais comunitários, nos
quais são relevantes as notícias locais, relacionadas à comunidade, notícias que impactem a
vida dos moradores o que certamente não será matéria de capa para um jornal de circulação
nacional, uma vez que esse tem como significado social algo que abranja um maior número
de pessoas em diferentes partes do Brasil.
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Crato (1992) diz que, embora atualidade e significado sejam critérios importantes, o interesse
do público é fundamental e afinal é para o público que os jornais são feitos. O interesse
público varia de acordo com a formação cultural e os conhecimentos de cada grupo social.

Uma vez que a mídia comunitária é produzida, geralmente, por moradores da comunidade, ou
por indivíduos próximos a ela, a seleção de notícias se torna um processo “natural” em que
tudo que possa denegrir a imagem da comunidade ou ir contra a ideologia dos produtores do
jornal comunitário, não será noticiado.

Wolf (1995) afirma que é preciso organizar os as formas de como as notícias serão capturadas
e selecionadas, uma vez que nem todos os acontecimentos podem vir a ser notícia, sendo
necessário um filtro do que é fato para o que irá ser notícia. “Estabelece-se, assim, um
conjunto de critérios, de relevância que definem a noticiabilidade (newsworthiness) de cada
acontecimento, isto é, a sua <<aptidão>> para se transformar em notícia.” (WOLF, 1995, p.
188).

Outra característica que compõe um jornal é o estilo jornalístico. Simplicidade, concisão e


ritmo são certamente palavras-chave. A simplicidade é essencial, já a concisão é a forma de
passar a notícia de maneira clara é objetiva sem perder seu entendimento e sem tomar muito
tempo do leitor. E por último, e não menos importante, tratar a matéria de forma a dar vida a
ela. “O jornalista deverá saber escrever com um sentido humano da realidade, com a alma de
quem sabe que vai ser lido por outros, e não num estilo seco e absolutamente impessoal.”
(CRATO, 1992, p. 123).
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2 FAVELAS E ONGS

Compreender a dinâmica de uma favela, um pouco de sua cultura, suas características


próprias e sua origem são fundamentais para o compreendermos sua existência. Outro
entendimento que se faz obrigatório é a definição de ONGs, seu surgimento, sua atuação e a
ligação entre ONGs e favelas. “As ONGs surgiram com a exata função e a meta de assessorar
os movimentos sociais, dando-lhes o que pediam e suprindo-os naquilo que estavam
carentes.” (PRESSBURGER, 1995, p.98)

2.1 Um pouco sobre as favelas

Há várias caracterizações para favelas, uma das mais conhecidas seria o baixo padrão de
condições habitacionais, como afirma o autor Henrique Rattner (1978). O surgimento de
favelas teria como principal causa o crescimento incontrolado dos centros urbanos, derivado
da migração da população dos centros rurais para as cidades.

O processo de urbanização acelerado, que quase todos os países subdesenvolvidos


atravessaram nas últimas décadas, tornou-se matéria preferida de estudo de diversas
disciplinas: economistas, sociólogos, arquitetos e geógrafos estão investigando
intensamente o que parece constituir uma das mais importantes mudanças qualitativas e
quantitativas da vida social, na história humana, rica em implicações e conseqüências para
sua configuração cultural e espacial. A análise concentra-se, geralmente, nos aspectos
negativos da “hiperurbanização”, tais como marginalização, instabilidade política e
problemas de habitação, criados pela transferência descontrolada da população rural para as
cidades; [...](RATTNER, 1978, p. 6).

Uma das possibilidades para tal migração, de acordo com o autor, é estimulada pelos meios de
comunicação de massa. A população rural vê em matérias jornalísticas, propagandas e
novelas, vantagens materiais na vida da “cidade grande”. Além de vislumbrarem possíveis
melhorias no padrão de vida, decorrentes dos salários e benefícios concedidos aos
trabalhadores industriais.

A habitação e a transformação do cenário social são decorrentes, de acordo com Rattner


(1978), do crescimento descontrolado de habitações inadequadas. “As dimensões e o ritmo de
expansão cada vez maior de favelas, malocas, cortiços, mocambos, pardieiro, etc. nos países
em desenvolvimento, tornaram-se assustadores.” (RATTNER, 1978, p. 108).
20

Outra característica que, segundo o autor, define tais tipos de urbanização, é a aglomeração
muito densa, associada à extrema pobreza e ao atraso cultural.

[...] Não admira, pois, que a opinião pública, alimentada por noticiário pseudo-científico
sobre as favelas e seus habitantes, seja reforçada em seus preconceitos por acreditar que: a)
as favelas são ocupadas na maioria por gente do Interior, que acaba de imigrar para a cidade
grande; b) a situação dentro da favela é caótica e, por isso, muito perigosa à sociedade; c)
devido a insuficiência de controles sociais, as favelas são focos de crime e delinqüência de
toda espécie; d) a maioria dos favelados é constituída de analfabetos desempregados que,
por essa razão, são candidatos potenciais para recrutamento por políticos radicais e
movimentos subversivos; e) incapazes de se manter, os habitantes das favelas constituem
um ônus para os recursos econômicos da cidade e, portanto seria melhor mandá-los de volta
para o Interior, sendo que rígidas medidas deveriam ser adotadas para controlar os
movimentos migratórios para as cidades. (RATTNER, 1978, p.108, 109).

Em posteriores estudos ocorridos nas últimas décadas foram desfeitos os mal entendidos e os
estereótipos a respeito das favelas e seus moradores. Não sendo mais a perversão e
marginalidade imagens obrigatórias de tais ambientes.

Projetos como a urbanização para tais centros habitacionais apenas caracterizariam a mudança
de endereço para os moradores da favela, não sendo apenas a urbanização a solução para tais
moradores. Uma vez que o mercado de trabalho não tem demonstrado capacidade suficiente
para absorver toda essa mão de obra, boa parte da população vive com rendimentos advindos
de trabalhos informais.

Para RATTNER (1978), por não ser qualificada, a mão de obra se torna mais barata. “(...) a
remuneração dos favelados – na maioria trabalhadores não qualificados – é tão incrivelmente
baixa e próxima do nível de fome.” (RATTNER, 1978, p. 114).

A má remuneração conciliada com outros fatores como a falta de oportunidades culturais e a


implantação de uma mobilização social devem ser analisadas. Já que esses fatores contribuem
com o contínuo aumento de favelas.

[...] existe um mercado de trabalho nas áreas metropolitanas no qual a maior parte dessa
mão-de-obra inferior ou não-especializada é admitida em diversos tipos de emprego e
serviços temporários (biscates, bicos, camelôs, empregadas domésticas, etc.). Essas
atividades proporcionam serviços baratos para a classe média urbana e, ao mesmo tempo,
rendimentos mínimos para a subsistência dos desprivilegiados favelados. (RATTNER,
1978, p.115).
21

Tal população compõe a faixa mais baixa da sociedade urbana, faixa essa que não representa
um estágio transitório.

Com certeza, não é por causa das más condições de moradia que tais migrantes continuam
pobres, analfabetos e retrógrados, mas, ao contrário, por serem explorados
economicamente, socialmente rejeitados e culturalmente abandonados é que acabam se
abrigando em condições subumanas de moradia. (RATTNER, 1978, p.115).

Em Belo horizonte, hoje, são encontradas 226 comunidades, entre vilas, favelas, e conjuntos
habitacionais, reconhecidos oficialmente pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). “Em Belo
Horizonte, há mais de 500 mil pessoas morando em vilas, favelas e conjuntos habitacionais de
baixa renda” (LIBÂNIO, 2004, p. 29).

A continua migração do campo para as cidades, ao longo dos anos transformou as cidades
bruscamente, sendo as cidades consideradas um fenômeno plural, como afirma Libânio
(2004).

No Brasil, enquanto a população rural diminui anualmente em 1,31% na última década, a


população urbana cresceu a uma velocidade de 2,47% ao ano. Em meados dos anos 90,
88% dos brasileiros da região sudeste habitavam as cidades. Em 2000 a população de Belo
Horizonte atingiu a casa de 2 milhões e 200 mil habitantes, e uma densidade demográfica
de quase 6 mil e 500 habitantes por quilômetro quadrado. Aproximadamente 25% daquele
contingente moram em vilas e favelas. (LIBÂNIO, 2004, p. 14).

2.2 Interações entre mídia e 3º setor

Entender que ONG se trata de uma Organização Não Governamental, sendo uma instituição
não criada pelo governo, não define seu conceito e sua atuação. Trata-se de um entendimento
vago, uma vez que associações, igrejas institutos de pesquisas também são instituições não
criadas pelo governo, e que na África, por exemplo, grande parte dessas instituições são
criadas ou fazem parte do governo.

É extremamente difícil, eu diria até impossível, dar uma definição minuciosa e universal de
ONG, considerando que o aspecto típico das ONGs é justamente a sua pluralidade e
heterogeneidade. E não creio, também, que esse tipo de definição seja necessária.
(MENESCAL, 1995, p.23).

Embora não haja uma definição absoluta e universal sobre as ONGs, podemos ainda assim
descrever alguns de seus aspectos, dentre eles o fato que as ONGs possuem uma estrutura
formal e estabelecida, já com uma finalidade e objetivo explicitamente definidos. Uma de
22

suas características ideológicas é contribuir para erradicação da desigualdade social, injustiças


no mundo, sendo sua maior concentração nas áreas onde há moradores com baixa renda e/ou
áreas marginalizadas.

No Brasil, o termo ONG foi abordado nos anos 80 em estudos referentes a organizações que
executavam projetos junto aos movimentos populares, como exemplo na promoção social.
Embora muitas ONGs já existissem no Brasil no início dos anos 70 e até mesmo antes.

As ONGs, são entidades sem fins lucrativos. “Lucros eventuais devem ser reinvestidos nas
atividades-fim, não cabendo a sua distribuição, enquanto tais, entre os membros da
organização.” (FERNANDES, 1994, p.65). As ONGs se preocupam em promover o bem
coletivo suprindo as falhas existentes, de determinados bens e serviços, em decorrência das
falhas do Mercado ou do Estado. “Sobretudo no discurso de pesquisadores e cientistas da área
econômica, as ONGs são consideradas como uma compensação para suprir determinadas
necessidades da sociedade, considerando a deficiência dos Estados e do Mercado em supri-
las.” (MENESCAL, 1995, p.24).

Algumas de suas características, senão as maiores, e a de serem altruístas e buscarem a


melhoria da qualidade de vida em sociedade através de atos de solidariedade, voltadas para o
resgate da cidadania, atos esses gratuitos. “É importante ainda ressaltar que as ONGs não dão
todo e qualquer tipo de apoio.” (MENESCAL, 1995, p.27).

Outro fator é que as ONGs buscam mudanças por meio da influência política, ou seja, com
intuito de influenciar as decisões de políticas públicas, possuindo então uma função sócio-
política na sociedade.

Em poucas palavras, ONGs podem ser atualmente definidas como o que chamaria de
pressure groups sociais. Ou seja, como grupos de pressão que buscam por um lado
influenciar e democratizar políticas governamentais para que essas supram da maneira mais
extensa possível as necessidades da sociedade e de condições de vida iguais e justas no
mundo todo e, por outro, movimentar a sociedade em que estão inseridas, utilizando-se de
suas relações de solidariedade, na busca dessa democratização e influência política.
(MENESCAL, 1995, p.28).
23

É nessa perspectiva de movimentos e grupos sociais que a mídia é usada como um excelente
veículo de divulgação. Segundo Gohn (2000), a mídia pode ser vista sobre dois aspectos no
que se trata dos movimentos sociais, filtro ou espelho dos mesmos.

Um diferencial expressivo entre a grande mídia ou grandes veículos de comunicação e a


mídia comunitária, certamente, se baseia nos objetivos que cada uma pretende alcançar. “Os
movimentos e grupos sociais organizados tentam também criar sua própria mídia, quer seja
para divulgarem suas notícias e idéias, quer seja para registrarem suas estórias e tradições,
criando suas próprias historias.” (GOHN, 2000, p.24).

[...] A mídia sempre teve um papel importante junto aos movimentos sociais, quer seja por
meio do rádio e da TV, dos folhetins, da grande imprensa e, contemporaneamente, via
multimídia. Entretanto, nos anos 90, esta importância assume um papel estratégico e
político. A mídia tem o poder de construir ou de contribuir para a destruição de um
movimento social [...] (GOHN, 2000, p.22).

A necessidade de uma comunicação igualitária que dê ouvidos ao menos favorecidos, e voz a


movimentos comunitários, ONGs e outros na luta para a diminuição da diferença social faz
com que a mídia seja uma alternativa de socialização.

Para a grande imprensa, movimentos locais nem sempre são motivos de notícia, esses
movimentos vêem entre outras mídias, como o jornalismo comunitário, portas de divulgação
para suas ideologias.

Ao longo dos anos o crescimento deste setor vem se destacando cada vez mais. Criado com o
intuito de lutar pelos direitos, o terceiro setor é definido como uma junção de diversos
fragmentos, mas com um único objetivo.

Por tudo isto, o terceiro setor é um tipo de “Frankenstein”: grande, heterogêneo, construído
de pedaços, desajeitado, com múltiplas facetas. É contraditório, pois inclui tanto entidades
progressistas como conservadoras. Abrange programas e projetos sociais que objetivam
tanto a emancipação dos setores populares e a construção de uma sociedade mais justa,
igualitária, com justiça social, como programas meramente assistenciais, compensatório,
estruturados segundo ações estratégico-racionais, pautadas pela lógica do mercado. Um
ponto em comum: todos falam em nome da cidadania. (GOHN, 2000, p. 60).

O terceiro setor tem o papel de mediador ente o Estado e a sociedade, além de sua luta contra
a exclusão, entre elas, a decorrente dos modelos econômicos. Fazendo referência à
24

comunicação desde seus primórdios a autora discorre sobre a importância da comunicação em


si. “Sabemos que desde o tempo dos gregos a comunicação é um elemento importante de
reflexão dos homens enquanto seres sociais.” (GOHN, 2000, p. 25).

A junção de ONGs e meios de comunicação, como o jornal comunitário, resulta em um


trabalho empenhado não apenas na inclusão, mas na tentativa de melhoria da qualidade de
vida e da auto-estima dos moradores.

É importante ressaltar que as ONGs são as principais entidades preocupadas e empenhadas no


exercício da cidadania. “Estamos convencidos de que a grande escola de cidadania no Brasil
de hoje são as entidades civis associativas, as chamadas organizações não-governamentais.”
(MARANHÃO, 1993, p. 101). Sendo a cidadania a chave de acesso ao mundo da
comunicação, afirma o autor.

Desde logo é preciso relembrarmos que o tipo de ONGs de que estamos tratando surge no
Brasil num momento especifico da participação da sociedade civil, instaurado a partir da
segunda metade doa anos 70. Este momento corresponde à fase em que as demandas
originárias das carências socioeconômicas existentes, ou das discriminações sociopolítico-
culturais vigentes, deixaram de ser isoladas e passaram a ser aglutinadas em organizações
mais amplas. (GOHN, 2000, p.61).

A partir de tais demandas decorrem dois fenômenos que legitimam a ações desempenhadas
pelas ONGs.

A institucionalização das demandas em canais próprios, seja sob a forma de um movimento


social organizado, seja em associações de apoio às organizações populares, gerou um duplo
fenômeno. O primeiro foi a criação de estruturas formais de levantamento, sistematização e
encaminhamento das demandas; o segundo foi a constituição de uma rede de solidariedade
entre as diversas estruturas criadas. Estes dois fenômenos conferiram legitimidade às ações
das ONGs. (GOHN, 2000, p.61).

O terceiro setor, e nele as ONGs e os movimentos sociais, estão cada vez mais descobrindo
que a comunicação (jornais comunitários, murais, festivais, rádios comunitárias, sites etc.) é o
melhor caminho para dar visibilidade aos problemas, às conquistas e melhorar a imagem das
comunidades mais carentes.
25

3 MÍDIAS COMUNITÁRIAS : FALA PEDREIRA E FAVELA É ISSO AÍ

A mídia comunitária diferencia-se das grandes mídias por terem a preocupação de fazer com
que um determinado público tenha acesso a informações que possibilitem o reconhecimento
de sua realidade local, voltando os olhos para si.

Tentaremos identificar alguns dos critérios utilizados na escolha dos conteúdos dos jornais
comunitários analisados e as tentativas de mobilização dos jornais.

Foram analisadas as edições nº, 99, 100 e 101, do jornal Fala Pedreira e os exemplares nº 07,
08, 09, do jornal Favela é Isso Aí. Em ambos foram identificados os critérios de valores-
notícia, apresentado por Traquina (2005), uma vez que esses valores norteiam, segundo o
autor, todo e qualquer processo de produção jornalística.

3.1 Fala Pedreira

Criado há 13 anos, com o objetivo de tentar mudar a imagem de violência veiculada pelos
grandes veículos de comunicação, o jornal comunitário Fala Pedreira é uma iniciativa dos
moradores da comunidade Pedreira Padre Lopes1 (PPL), localizada na região Noroeste de
Belo Horizonte.

Como diz o dito popular “O pior cego é aquele que não quer enxergar”, durante anos, nós
moradores de vilas e favelas sempre fomos marginalizados de forma generalizada. Quando
a mídia se refere a nós, é sempre enxergando o lado negativo, denegrindo nossa imagem e
ferindo nosso ego enquanto morador de favela. Entretanto, 99,95% desta população é
trabalhadora e ordeira. (Editorial- Fala Pedreira, Ano XIII – Nº100, Agosto de 2009).

O jornal conta com a colaboração de moradores voluntários e não moradores da comunidade.


Com sua distribuição gratuita, o jornal é mantido financeiramente com pequenos anúncios dos
comerciantes locais. O mesmo não possui nenhuma outra forma de ajuda financeira ou apoio
de entidades para sua veiculação.

1
A Pedreira Padro Lopes está entre as favelas mais antigas de Belo Horizonte, capital mineira. Localizada
próximo a área central, a PPL, como é chamada, surgiu no início do século XX, período em que Belo Horizonte
estava sendo construída. Os primeiros habitantes da comunidade, foram operários que trabalhavam nos canteiros
de obras que ergueram a cidade. Segundo o IBGE (2000), a Pedreira Prado Lopes possui 9.221 habitantes.
26

O Fala Pedreira é composto por quatro páginas, com tiragem mensal de 4.000 (quatro mil).
Outro suporte utilizado para a divulgação do jornal Fala Pedreira é o site
www.jornalfalapedreira.xpg.com.br .

O jornal tem como jornalista responsável Ilson Lima, comissão elaboradora Robson da Costa,
Jean Varlei, Denise Lucas, Marcelo Fonseca, Gilmar de Oliveira, Wilson, Jamerson (Pretão),
Filipe Thales e Edna Lazarotti. Fotos Robson da Costa e Denise Lucas, diagramação, Denise
Lucas.

O slogan, que também aparece na capa, reforça sua identidade e função. “O jornal Fala
Pedreira é um instrumento informativo, alternativo e independente da Comunidade Pedreira
Prado Lopes.” (. Fala Pedreira, Ano XIII – Nº100, Agosto de 2009).

O jornal é composto por quatro laudas, tamanho A4, sendo utilizadas apenas as cores preta e
vermelha, em todas as edições analisadas. O Fala Pedreira aborda diversos assuntos, todos
referente à comunidade.

Além dos anúncios e expediente, a única padronização no jornal, além das cores, é a
diagramação. A maior parte do jornal é composta por duas colunas. Tendo em duas, das três
edições analisadas, uma propaganda ao não uso de drogas.

Fonte: Fala Pedreira, Setembro de 2009, Nº 100, p 2.


27

Nas edições analisadas, verifica-se a existência do editorial, a única editoria fixa e paginada
da mesma forma nas edições analisadas. Sempre na capa, o editorial é assinado em nome da
Equipe Fala Pedreira. No editorial são abordados temas relevantes para a história da
comunidade ou assuntos que demonstre a “luta social” dos colaboradores do jornal. Na edição
nº 99 com o título A DOIS PASSOS DO PARAÍSO, foi contada um pouco da história do
surgimento do jornal, os objetivos que norteavam tal criação, bem como sua atual atuação.

[...] Em nossos arquivos, encontram-se registrados 13 anos de história da nossa comunidade


como todos os eventos de relevância do esporte, cultura, religião e em especial a
urbanização, pois um dos principais objetivos do Jornal Fala Pedreira é a mobilização
comunitária e agitação cultural. (Fala Pedreira, Ano XII – Nº99, Junho de 2009, capa).

No editorial da edição nº 100 é feita uma crítica à grande imprensa e seus critérios de
noticiabilidade quando o assunto é favelas.

Como diz o dito popular “O pior cego é aquele que não quer enxergar”, durante anos, nós,
moradores de vilas e favelas sempre fomos marginalizados de forma generalizada. Quando
a mídia se refere a nós, é sempre enxergando o lado negativo, denegrindo nossa imagem e
ferindo nosso ego enquanto morador de favela. Entretanto, 99,95% desta população é
trabalhadora e ordeira. (Fala Pedreira, Ano XIII – Nº100, Agosto de 2009, capa).

Na edição nº 101, Racional x Emocional, as transformações decorrentes das obras são


abordadas pela perspectiva sentimental, levando em consideração seus avanços e sua melhora.

[...] À medida do avanço das obras, vemos o surgimento de ruas, conjuntos habitacionais e
a nossa Pedreira que muitos conhecemos desde o nascimento, vai tomando um novo rumo
que a princípio parece um cenário de filme de guerra [...] Então, o que podemos dizer
disso? Adeus Pedreira ou seja bem vinda nova Pedreira? Com mais oportunidades, mais
bonita e acima de tudo, com mais qualidade de vida (Fala Pedreira, Ano XIII – Nº101,
Setembro de 2009, capa).

A capa possui sempre o ano de referência da existência do jornal, a edição, mês e ano a qual o
jornal pertence. Sendo o nome do jornal escrito com fonte que sugere que as letras sejam
pedras esculpidas, o que reforça a identidade do jornal, tendo do lado esquerdo, acima, o
calango, o animal que símbolo do jornal. O jornal possui também anúncios, que com sua
verba viabilizam a produção do jornal. Sendo os anunciantes fixos: Coopertáxi, com sua
publicação na capa, Lero-Lero, com a publicação na quarta página e os anúncios do Salão da
Camila, Minas Agroveterinária e Salão Vera Cruz ocupando da segunda a quarta página sem
padronização das mesmas.
28

Nas edições 100 e 101 foi divulgado o editorial de Direito, chamada O Advogado à Serviço da
Comunidade, não havendo padronização das páginas. Na edição nº 100 foi abordado o direito
do trabalhador, com informações referentes a alguns direitos assegurados pela CLT
(Convenção Coletiva de Trabalho) ao trabalhador. Dando continuidade a essa matéria, na e a
edição nº 101 foram respondidas perguntas referentes a dúvidas trabalhistas.

Fonte: Fala Pedreira, Setembro de 2009, Nº101, p 3.

3.1.1 Os critérios de noticiabilidade do jornal Fala Pedreira

Um bom exemplo de diferenciação do jornal comunitário Fala Pedreira para os demais


jornais da grande imprensa é a não divulgação de conflitos entre traficantes e policiais e
violência. Aspecto negativo do mundo jornalístico que é cotidianamente presente na grande
imprensa, embora seja um fato cotidiano em toda e qualquer sociedade, tais fatos não são
relevantes para os produtores do jornal.

O valor notoriedade, em que a importância hierárquica do indivíduo com que ó mesmo seja
notícia, é aplicado ao jornal. Em suas páginas, embora haja um direcionamento da notícia ao
29

fato em si, a utilização de uma autoridade se faz presente, como é o caso da edição nº 100 em
que foi abordada a “Interrupção das Atividades do Centro Cultural”, sendo a principal
entrevistada a chefe de divisão do Centro Cultural.

O mesmo acontece na edição nº 101 na qual o Coordenador Social do Vila Viva PPL fala do
funcionamento de um grupo comunitário, e temas pertinentes à comunidade. Em ambos os
casos, os entrevistados são pessoas conhecidas e importantes da comunidade.

Fonte: Fala Pedreira, Setembro de 2009, Nº 101, p 2.

O fator relevância é claramente perceptível quando, por exemplo, se fala da interrupção das
atividades do centro cultural, algo que irá impactar a vida de diversos moradores da
localidade.

Jornal Fala Pedreira: Porque as atividades do Centro Cultural foram interrompidas?


Jornal Fala Pedreira: Houve uma tentativa de se unir a URBEL, Fundação Municipal de
Cultura e comunidade para discutir o problema, o que foi definido? (Fala Pedreira, Ano
XIII – Nº100, Agosto de 2009, capa).
30

Outro fator observado é o da proximidade, em termos geográficos e também culturais, algo


visto claramente nas edições analisadas dos jornais: Editorial, matérias, entrevistas e notas
referentes a acontecimentos da Pedreira Padre Lopes. O que caracteriza bem a aproximação
entre leitor e acontecimento.

Fonte: Fala Pedreira, Setembro de 2009, Nº 100, p 4.

A novidade, por tratar-se de um jornal mensal com uma linha editorial diferenciada, na
ausência de noticias, utiliza-se de subterfúgios quando se aborda o assunto trazendo um novo
31

olhar a algo já cotidiano na comunidade. Nesse exemplo, o avanço das obras e as principais
mudanças.

Temos a certeza que esta “Nova Pedreira” que tanto esperamos, não existirá mais a
chamada “Terra de Ninguém”, onde tudo pode, tudo é válido e tudo é possível como:
construir uma parede tampando a janela do vizinho; ampliar sua casa tomando um pedaço
da rua; [...] .(Fala Pedreira, Ano XIII – Nº101, Setembro de 2009, capa).

A atualidade se faz presente em nas edições do jornal, por abordarem temas recentes ou por
fazerem a abordagem de forma que os temas já discutidos permaneçam como recentes durante
sua execução, como o caso das obras na PPL. Um exemplo de atualidade ocorre quando o
leitor é convidado a participar de um encontro do Samba.

Você conhece alguma música que tem a Pedreira como tema? Partilhe conosco! Nosso
próximo encontro será no dia 12 de Setembro, às 14 horas, no CRAS /PPL. (Fala Pedreira,
Ano XIII – Nº101, Setembro de 2009, p. 4).

Um fator facilitador para a mídia local é a disponibilidade, o acesso aos fatos, às fontes e a
todo e qualquer acontecimento, sem a necessidade, em muitos casos, de gastos de recursos
financeiros, uma vez que são retratados acontecimentos locais.

Dois recursos muito utilizados são as fotografias em matérias e notas, de forma a utilizar
imagens que reforcem seus conteúdos. Abaixo são utilizadas fotos das obras que estão
acontecendo na Pedreira, como forma de demonstrar o que está mudando na comunidade em
decorrência das ações sociais.

Fonte: Fala Pedreira, Setembro de 2009, Nº 101, capa.


32

Fatores como simplificação, relevância e personalização são facilmente perceptíveis e


utilizados na construção da notícia. A exemplo temos, nas edições do jornal Fala Pedreira em
que a linguagem é de fácil entendimento, os fatos abrangem e contemplam a participação ou
envolvimento dos moradores. Sendo esses assuntos relevantes por interferirem diretamente na
vida cotidiana como o caso dos cursos oferecidos, mudanças positivas como a renovação na
fachada do centro cultural, ou até mesmo no torneio de futebol.

Nas edições analisadas foram tratados assuntos como: O Bloco Caricato Mulatos do Samba,
composto de moradores da pedreira e adjacências, ganhador do carnaval de Belo Horizonte de
2009,1º Torneio de Futebol de Buteco. A história de um adolescente de 16 anos que trabalha e
se destaca no trabalho, que conseguiu, com o apoio da mãe, as mudanças em uma escola da
comunidade, por meio de entrevista feita com a diretora. Cursos disponíveis na comunidade,
mudanças no centro cultural da comunidade, divulgação do acontecimento de festas sacras.
Matéria em que é mencionado um ponto de encontro da comunidade, uma bar que, segundo a
equipe do jornal, é um local de encontros comunitários, boa música e torneios de truco, e
outra citando um bar no qual ocorre o Encontro do Samba gastronômico, além da entrevista
feita com Ernesto Passos de Andrade, coordenador social do Vila Viva PPL, que explica a
função do Grupo, referencial bem como sua importância, sendo esse grupo um agente social.

Fala Pedreira: As reuniões do Grupo de Referência são abertas à comunidade?


Ernesto: Sim. Este é o espírito do Grupo de Referência, criar meios para que a comunidade
como um todo participe dos processos. A atuação deste grupo é de suma importância para o
planejamento e execução das obras. A ação mais importante do grupo é a multiplicação das
informações para que o projeto se torne sustentável e a população aprenda a preservar os
prédios, os conjuntos habitacionais e as obras de infraestrutura e todas melhorias da
comunidade. (Fala Pedreira, Ano XIII – Nº101, Setembro de 2009, p.3).

3.2 Favela é Isso Aí

O jornal tem entre seus integrantes, Clarice Libânio, como coordenadora editorial, jornalista
responsável, Edilene Lopes. Coordenação artística de César Maurício Alberto, supervisor de
pesquisa Edmar Pereira Cruz, pesquisador Juliano César Pereira Jardim, estagiária Flávia
Silvestre, sendo o projeto gráfico e diagramação de Fábio Araújo, Marcelo Borges e Vitor
Garcia da Intra comunicação. Fotos, equipe Favela é Isso Aí e Pedro David, Caixa Preta
Fotografia. Contando ainda com o apoio de diversos colaboradores.
33

O jornal Favela é Isso Aí, com sede no bairro Serra, região centro-sul de Belo Horizonte, foi
criado há mais de um ano pela ONG Favela é Isso Aí, que surgiu após a elaboração do Guia
Cultural de Vilas e Favelas (2004), idealizado pela antropóloga Clarice Libânio. O intuito do
jornal, segundo seus idealizadores, é promover a socialização, combater a violência e
aumentar a auto-estima dos moradores de periferia, por meio da arte e da cultura. A tiragem é
de 3.000 (três mil) exemplares. O jornal, que possui oito páginas, é distribuído gratuitamente
entre algumas regionais da grande BH e em centros culturais espalhados pela cidade, além de
possuir uma versão online no site www.favelaeissoai.com.br .

A periodicidade do jornal é bimestral. É possível notar uma padronização do jornal na


disposição das colunas, cores e editorias que são mantidas de forma a facilitar a assimilação
do leitor ao conteúdo que se pretende ler, mesmo nos diferentes exemplares. A padronização
do layout, qualidade e disposição das fotos contribuem para o fator visualidade, que faz com
que o jornal tenha a “cara” de um caderno de cultura.

Fonte: Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03 – Nº 07, capa.

As editorias que compõem o jornal são:


34

Opinião: Neste espaço, professores, educadores e jornalistas, entre outros, abordam temas
como preconceito contra moradores das favelas, juventude e pobreza e educação.

O preconceito contra moradores de favelas surge, geralmente, por causa de uma


identificação negativa entre as condições do espaço e a existência das pessoas que ali
habitam. (Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03 – Nº07, p. 2).

Você sabia? Transmite informações como localização, área de ocupação e estimativa de


população referente a favela que será mencionada na página 04 na editoria, Bando da
memória.

VILA PONTA PORÃ


• A Vila Ponta Porá está localizada na Avenida dos Andradas, região leste da capital
• Ocupa uma área de aproximadamente 10.148 m²
• A população é de cerca de 1.000 habitantes
(Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03 – Nº08, p. 2).

Acontece aqui: São divulgadas informações dos livros lançados pelas ONGs, sendo em duas
de suas edições o texto repetido. Na mesma página é aberta uma espécie de espaço do leitor,
no qual os moradores colocam receitas e poemas. Já no final da página, é divulgado algum
projeto da ONG.

Disparidade Maria Isabel Carlos, moradora do Alto Vera Cruz

Já se viu comendo ouro,


Num mundo esfomeado
Tubarão você tem muito
Tubarão tem um Bocado.

Aprendi ganhar dinheiro


Com fruto do meu trabalho
Eu não sou macaco gordo
Mas vivo quebrando galho.
(Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03 – Nº09, p. 3).

Banco da memória, Perfil cultural e Artista destaque: contam a história de duas vilas,
aglomerados ou favelas, ressaltando sua cultura e divulgando um artista da localidade,
difundindo assim sua cultura local, ampliando a visão dos não moradores sobre as favelas e
divulgando os artistas moradores da vila.

[...] A Vila Ponta Porã, antiga vila União, começou a ser ocupada em meados da década de
50, por moradores do interior, que construíram pequenos barracos de papelão e
compensado próximos ao rio e ao campo de futebol, conhecido como União (antigo Campo
do América, na Avenida Andradas). [...]
35

[...] Na pequena Vila Ponta Porã, as atividades artísticas destaques são teatro e a dança: dos
sete artistas cadastrados, dois são dançarinos e outros dois são atores. [...]

[...] Sérgio Pires dos Santos é um artista de “mil e uma utilidades”. Aos 26 anos, trabalha
como ator, cenógrafo, desenhista, músico, compositor, cenografista e por aí vai. [...] (Jornal
Favela é Isso Aí, Ano 03– Nº08, p. 4).

Protagonista: em todas as edições, um morador da periferia, que é considerado destaque por


alguma habilidade cultural, tem a oportunidade de contar um pouco de sua história além de
divulgar seu trabalho.

Meu nome é Hudson Carlos de Oliveira, sou rapper, morador do Aglomerado da Serra,
conhecido como Ice Band. Lancei no final de 2006 meu trabalho de estréia, o CD
Experimentando Idéias – independente, com oito faixas, entre elas “Idéias de um Rapper” e
“Sobrevivente de Guerra”. O disco conta com a participação de jovens em situação de risco
social, reunidos pelo projeto Os Sobreviventes, do qual sou idealizador, e do convidado
especial rapper Blitz, do grupo Crime Verbal, do Taquaril. (Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03
– Nº07, p. 6).

Tradição da periferia: são feitas divulgações de tradições das periferias como, o bater laje,
churrasco, pagode e cerveja.

Já faz parte da tradição das periferias que domingo seja um dia de pagode, churrasco,
cerveja no boteco e bateção de laje. Alem de ser um exercício de solidariedade, é também
uma forma de socialização, quando as pessoas trabalham e se divertem. (Jornal Favela é
Isso Aí, Ano 03 – Nº07, p. 6).

Dicas da comunidade espaço aberto aos moradores para dicas de saúde, beleza entre outros

AJUDA NO COMBATE AO ALCOOLISMO


Do talo da couve se faz um suco para combater o desejo de ingerir álcool. Todas as vezes
que a pessoa tem o desejo de beber, toma o suco. (Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03 – Nº08,
p. 6).

A maneira como é feita a abordagem em “Dicas da Comunidade”, em que são tratados temas
como saúde, beleza entre outros aspectos de interesse do público possibilita a troca de
conhecimentos úteis ao cotidiano dos leitores, principalmente das pessoas e famílias de baixa
renda como, por exemplo, maneiras naturais de se cuidar de uma dor de garganta ou a receita
de uma farinha enriquecida.

Nossa vez divulga cursos, projetos entre outras formas de integração com as comunidades. Ao
final de cada edição, na oitava página, há a indicação de diversas manifestações de cultura a
serem apreciadas como: livros, música, filme, artesanato produzidos por moradores das
36

periferias ou com temas voltados para sua realidade, além de incentivo à participação de
oficinas também realizadas em vilas. Como exemplo, na edição nº 9, a Casa do Beco, onde
são oferecidas oficinas de dança teatro entre outras, localizada no Aglomerado Santa Lúcia.

Fonte: Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03 – Nº 09, p. 7.

Outro umbigo relata ações, movimentos e mobilizações sociais, que como eles mesmos dizem
“Favela é Isso Aí mostra que tem gente por toda parte fazendo desse planeta um lugar melhor
pra viver. Acompanhe algumas experiências.” (jornal Favela é Isso Aí, todas as edições p.
07).

Criado com o objetivo de informar os moradores de comunidades de baixa renda sobre


assuntos de interesse comum, como vagas de emprego, campanhas de saúde, cursos,
oficinas e notícias dessa comunidade, o Alô Cidadão! é um projeto que utiliza a tecnologia
do serviço de mensagens curtas (SMS) via celulares, para enviar mensagens gratuitas de
conteúdo sociocultural a essas pessoas. (Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03 – Nº09, p. 7).

No rodapé da oitava página é feito uma breve apresentação do jornal, no intitulado, Quem
Somos. Menciona o nome dos patrocinadores e os responsáveis pela viabilização financeira
para veiculação do jornal.

As matérias da editoria opinião são assinadas por professores universitários, jornalistas,


educadores e pela equipe do jornal.

“A grande maioria dos artistas das favelas usa sua própria casa para ensaiar, pintar, serrar,
criar e tentar vender sua produção [...] vão aos poucos transformando-se em referência local e
permitem a constituição de verdadeiros movimentos culturais autônomos.” (LIBÂNIO, 2004,
p. 36).
37

3.2.1 Os critérios de noticiabilidade do jornal Favela é Isso Aí

Um dos principais fatores de escolha das notícias, nas edições nº 07,08,09 do jornal Favela é
Isso Aí, é a notoriedade, seja pelo fato de que moradores são considerados destaques em suas
áreas de atuação tendo no jornal a abertura para que possam contar um pouco de sua
trajetória. Como exemplo, temos Domingos do Cavaco, sambista e morador do Morro das
Pedras, que nas páginas do jornal comunitário contar um pouco de sua historia de vida e
também divulgar seu trabalho. O mesmo aconteceu com o Ice Bande, rapper, educador social
e morador do Aglomerado da Serra.

No quesito proximidade, o jornal Favela é Isso Aí se sobressai ao abordar acontecimentos,


relatos de histórias e apresentar aos leitores diversas vilas, citando também qual o perfil
cultural, não se limitando a localidade onde é feito o jornal. Esse fator faz com que os projetos
sejam mais divulgados e a cultura de cada localidade mais ressaltada e difundida. Na edição
nº 7 foi contada a história da Vila 31 de Março, Delta, PUC e Aglomerado Santa Lúcia, já na
edição nº 8 foi a vez da Vila Ponta Porã, Vilas Nova Cachoeirinha e Del Rey, na edição nº 9
foi contada a história do Conjunto Zilah Spósito, Vila Dias e São Vicente. Em todas as
edições foram citados o perfil cultural de cada uma das localidades apresentadas e destacado
dois artistas moradores das vilas, aglomerado ou conjunto apresentado naquela edição.

A novidade e a atualidade são uma constante, sendo sempre divulgados trabalhos, projetos,
além de parcerias firmadas pela ONG que é a responsável pela elaboração e veiculação das
notícias do jornal.

Em 2009, a ONG lança o primeiro CD produzido e gravado no Estúdio Favela é Isso Aí.
[...]. (Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03 – Nº09).

A interação entre artistas e o meio de comunicação faz com que essa disponibilidade seja
maior uma vez que são publicadas diversas matérias de diferentes localidades, mas com os
temas: a cultura, a diversificação e o acesso aos fatos, às fontes, etc.

Sem a cultura, qualquer tentativa de transformação social resta enfraquecida e parcial, pois,
ampliada de seu sentido formal e legal, a cidadania hoje deve inaugurar novas
sociabilidades que garantam um desenho mais igualitário nas relações sociais em todos os
níveis. (LIBÂNIO, 2004, p. 13).
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O jornal apresenta as vilas de maneira a propagar os movimentos culturais existentes nas


comunidades.

Favela é Isso Aí é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2004 com o objetivo de
proporcionar a inserção social e a construção da cidadania, através do apoio e divulgação
das ações de arte e cultura na periferia [...]. (Quem somos, Jornal Favela é Isso Aí, Ano 03
– Nº09, p. 8).
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O jornalismo feito pelos meios comunitários e o do jornalismo feio pela grande imprensa, são
diferenciados por vários fatores, entre eles a linha editorial, os critérios de noticiabilidade
assim como o objetivo comercial. Na perspectiva de jornalismo comunitário deparamos com
as ações sociais que usam tal veículo comunicacional como instrumento socializador.

Conhecer o público ao qual o jornal é destinado é fundamental para a analise de sua linha
editorial atende seus preceitos. Para entendermos a dinâmica e a finalidade dos jornais aqui
analisado foi necessário conhecermos o meio no qual ele está inserido e/ou o meio para o qual
foi produzido.

As favelas com seu estereótipo de violência e marginalidade começam a ser vistas por outra
perspectiva, a de um local no qual, embora, hajam tais características, essas não se fazem
únicas e obrigatórias para todos os moradores. As ONGs atuam como mecanismos dispostos a
auxiliar na mudança do quadro existente de descriminação e exclusão social.

Com essa percepção apresentamos os jornais comunitários Fala Pedreira e Favela é Isso Aí,
ambos voltados para a inclusão social, mas cada um com características especificas.

Fala Pedreira é um jornal com matérias que se limitam a fatos do cotidiano dos moradores da
Pedreira Padre Lopes, produzido principalmente pelos moradores, com conteúdos de interesse
dos mesmos, sendo todas as matérias referentes a Pedreira ou algo que tenha a participação de
sua comunidade. Impresso de forma simples, tanto na qualidade do papel, quanto na
quantidade reduzida de cores utilizadas.

Favela é Isso Aí é um jornal voltado para as Vilas, Aglomerados e Favelas de Belo Horizonte,
não se limitando a apenas uma localidade, mas sim, a um tipo de classe social, no caso, as
comunidades de baixa renda. O jornal se assemelha a um caderno cultural, que apresenta de
maneira descontraída, clara e objetiva a arte e a cultura, fruto da produção dos moradores das
áreas carentes de Belo Horizonte. Tentando assim, por meio da arte, uma maior inserção de
tal população na sociedade, que até então conhecia apenas o que de ruim acontecia nas favelas
e vilas.
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É notória a tentativa, em ambos os jornais, de ressaltar “o que de bom” está acontecendo na


comunidade ao qual está inserido. Que a favela, como foi dito no editorial nº. 100 do jornal
Fala Pedreira, não tem apenas o lado negativo, marginalizado e miserável do ponto de vista
social, como normalmente é divulgado pelos grandes meios de comunicação.

Um dos principais critérios de noticiabilidade adotado por ambos os jornais é a valorização do


ambiente onde essas pessoas vivem, sendo fundamental sua cultura, suas interações entre si.

Certamente a maior semelhança entre os jornais aqui analisados é a tentativa de utilizar uma
mídia impressa de forma comunitária no auxilio a mudança de uma realidade. A diferença
entre os métodos adotados para cada um dos jornais para atingir esse objetivo é que o jornal
Fala Pedreira faz tal tentativa através de seus moradores, com temas, abordagens de interesse
e voltadas exclusivamente para esses moradores. Em contra partida, o jornal Favela é Isso Aí
se empenha na tentativa de mudança do pensamento preconcebido da sociedade para as
favelas, apresentando o que acontece nessas regiões, mostrando que favelas, vilas e
aglomerados também possuem artistas, pintores, poetas entre outros e não apenas violência e
marginalidade.

Em ambos os jornais analisados, a mobilização social é feita por meio da divulgação dos
acontecimentos locais. No caso do Fala Pedreira, a mobilização mais explicita aparece na
tentativa de promover uma integração entre os moradores, seja por meio de eventos, como
torneios de futebol, seja com a divulgação de grupos da comunidade que são responsáveis por
propor obras e acompanhar a execução das mesmas, como é o caso do Grupo de Referência.
No jornal Favela é Isso Aí a divulgação cultural é o mais importante, na tentativa de apoiar
movimentos alternativos que buscam uma inserção social, como agentes socializadores.

Os jornais comunitários analisados podem ser considerados objeto de mobilização social, pois
fornecem em suas matérias auxilio para tal movimento. Seja através da divulgação dos
acontecimentos cotidianos que influem de forma positiva na comunidade, divulgação dos
projetos disponibilizados para tais moradores ou o apoio à arte, promovendo a divulgação dos
artistas de vilas, favelas, aglomerados e conjuntos, quesitos presentes em todas as edições dos
jornais. Dessa forma, há um possível envolvimento dos cidadãos, seja em pequenas ou
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grandes ações, como uma alternativa de se tentar a sustentabilidade no combate as diferenças


sociais.

O jornal Fala Pedreira é voltado para o dia-a-dia das famílias, buscando por meio de sua
veiculação manter-se na luta contra a desigualdade, resgatando a união e o trabalho em
equipe, em comunidade, se mantendo com “seu próprio suor”, sem benefícios de terceiros. Já
o jornal Favela é Isso Aí conta com o apoio da Lei Municipal de Incentivo a Cultura e busca,
em seu conteúdo, priorizar os movimentos sociais e o combate contra a desigualdade através
da arte e de movimentos culturais.

Não é apenas a produção e a circulação em vilas e favelas que fazem com que os jornais Fala
Pedreira e Favela é Isso Aí se assemelhem. Embora tenham abordagens diferenciadas, seus
critérios de noticiabilidade em muito se assemelham. Ambos os jornais são focados para os
acontecimentos produzidos nas vilas e favelas, sendo seu conteúdo elaborado de acordo com a
abrangência que cada um pretende ter. A abordagem varia de um veículo para o outro de
acordo com sua linha editorial. “Todos os dias em qualquer parte do mundo se produzem
dezenas, centenas de acontecimentos importantes para um país, para uma vila, para uma
associação, ou para um pequeno grupo de pessoas.” (CRATO, 1992, p.109).

No jornal Fala Pedreira há uma maior incidência de matérias tidas como: matérias de serviço,
como a apresentação de cursos entre outros. As melhorias que acontecem na PPL são
apresentadas de forma a tentar elevar a auto-estima dos moradores.

Já o jornal Favela é Isso Aí possui matérias voltadas exclusivamente para diferentes formas de
propagação cultural, mostrando a capacidade, o empenho e a superação dos moradores de
locais de baixa renda. Elevando assim a auto-estima dos moradores, apresentando para a
sociedade uma nova concepção de favelas e vilas. Valoriza e estimula os artistas das
comunidades, apoiando seus empreendimentos artísticos o que estimula os jovens a aderirem
aos projetos culturais.

Podemos concluir que os critérios de noticiabilidade são baseados na divulgação positiva das
comunidades, e que certamente está sendo exercido o papel de veículo de mobilização social e
agente fundamental na tentativa de atuação de um movimento social independente e original.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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comunitário. Petrópolis: Vozes, 1985.

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da ação jornalística. Vol. 44, São Paulo: Summus, 1994.

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Presença, 1992.

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LIBÂNIO, Clarisse de Assis. Guia cultural das Vila e Favelas de Belo Horizonte. Belo
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MENESCAL, Andréa Koury et al. Organizações não governamentais: solução ou problema?


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