CAMILA DIAS MOTTA DE OLIVEIRA

CROSSMEDIA:
Recursos tecnológicos utilizados pela Revista Bravo!

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2009

CAMILA DIAS MOTTA DE OLIVEIRA

CROSSMEDIA:
Recursos tecnológicos utilizados pela Revista Bravo!

Monografia apresentada ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Jornalimo. Orientador: Prof. Luiz Henrique Magalhães.

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2009

Agradeço em primeiro lugar a Deus por todas as vitórias obtidas ao longo de minha vida. Aos meus pais, por apoiarem minhas escolhas e à família, pela união. Ao Rafael, por estar sempre ao meu lado e ter sido paciente nos momentos que precisei. Ao Professor Luiz Henrique Magalhães, Orientador do presente trabalho, pela paciência e dedicação. A todos os professores que colaboraram em minha formação acadêmica, pelos exemplos de profissionalismo e pela amizade.

RESUMO

Esta monografia estuda o fenômeno da Crossmedia, que é um novo conceito ainda pouco difundido. Trata-se do processo de publicação de um determinado assunto em meios diferentes, ou seja, no caso do nosso objeto, é a difusão de textos na revista Bravo! que também aparecem no site Bravo! Online, porém, com o acréscimo de outros recursos como vídeos, links, imagens e arquivos de áudio. Dividido em dois capítulos teóricos e um capítulo para a análise propriamente dita, o primeiro faz uma abordagem geral do conceito de jornalismo, seguida de considerações sobre o jornalismo cultural e de revista. No capítulo seguinte, são discutidos temas atinentes às novas tecnologias, cada dia mais presentes na vida social, e a questão da convergência dessas mídias a fim de se adequarem às demandas da sociedade e à rapidez da informação. Nele encontramos um enfoque sobre a Crossmedia. Na análise estudamos a forma como cada matéria é divulgada nas versões impressa e online, buscando compreender quais os recursos tecnológicos foram utilizados na divulgação e de que forma isso influenciou a compreensão do leitor e o sucesso da publicação.

Palavras-chave: Jornalismo Cultural; Jornalismo de Revista; Novas Mídias.

SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 05 2 JORNALIMO, JORNALISMO CULTURAL E JORNALISMO DE REVISTA........ 07 2.1 Jornalismo.......................................................................................................................... 07 2.2 Jornalismo Cultural ........................................................................................................... 09 2.3 Jornalismo de Revista ........................................................................................................ 13

3 NOVAS TECNOLOGIAS, CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS E CROSSMEDIA........ 17 3.1 As novas tecnologias na vida social....................................................................................17 3.2 A convergência de mídias e a rapidez da informação ....................................................... 19 4 ANÁLISE ............................................................................................................................ 25 4.1 Elementos que caracterizam a revista e como aparecem no site ....................................... 25 4.2 Textos..................................................................................................................................26 4.3 Imagens...............................................................................................................................27 4.4 Vídeos.................................................................................................................................29 4.5 Arquivos de Áudio..............................................................................................................30 4.6 Podcast................................................................................................................................30 4.7 Links....................................................................................................................................30

5 CONCLUSÃO..................................................................................................................... 31 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 33 ANEXO 1

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1 INTRODUÇÃO

A presente monografia tem como base de estudo a revista Bravo!, de periodicidade mensal, e o site Bravo! Online, que são especializados em jornalismo cultural. Pretendemos analisar os recursos tecnológicos oferecidos pela versão online da revista, bem como, compreender de que forma esta versão se relaciona com a impressa.

A revista Bravo! impressa é dividida em seis editorias que são definidas e separadas por cores diferentes, ou seja, cada tema possui as bordas das páginas com uma cor pré definida. Artes Plásticas em rosa, Cinema em azul, Livros na cor amarela, Música aparece sempre na cor vermelha, Teatro e Dança na cor laranjada e as Seções, que é onde ficam a Carta do Editor, Cartas dos Leitores e demais partes que não se encaixam em nenhum bloco citado anteriormente aparecem em cor dourada. Nas páginas da revista encontramos críticas de artes plásticas, livros, cinema, teatro e música, além de uma agenda de eventos para cada editoria separadamente, com o que há de novo em evidência no Brasil. Lançamentos de livros, CDs e DVDs também tem um espaço reservado.

Para o estudo comparativo da versão impressa com a online, recorremos a três edições de banca da revista, sendo elas de agosto de 2009 (número 144), setembro de 2009 (número 145) e outubro de 2009 (número 146). Além disso, fizemos acessos ao site durante os meses a que se refere cada uma das edições. Utilizamos o programa HTTrack para baixar as edições online e salvá-las no computador, possibilitando assim o acesso a qualquer momento, sem perder os recursos presentes no próprio site.

A monografia está estruturada em três capítulos centrais. Dois teóricos e um de análise. No primeiro capítulo teórico, discutimos a história do jornalismo, tal como sua linguagem. Abordamos também o jornalismo cultural bem como o de revista, mostrando as particularidades de cada um deles, a partir de autores como Briggs e Burke (2006), Camargo (2000), Marcondes Filho (2000), Piza (2004), Scalzo (2006) e Vilas Boas (1996).

O capítulo seguinte, discute as novas tecnologias, bem como a convergência das mídias, estudo que se dá a partir de diferentes autores, tais como Dizard Junior (1998), Jenkins (2008), Pinheiro (2007), Pinho (2003), Sirotsky (2006) e Straubhaar e LaRose (2004). A fim

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de compreender como os teóricos escolhidos podem nos auxiliar no entendimento de nossos objetos de estudo, que são as versões impressa e online da revista. Sabe-se que os recursos tecnológicos fazem-se presentes no cotidiano da sociedade atual, que busca cada vem mais informações rápidas, sem perder o conteúdo. Para se adequar às necessidades dos leitores, os meios impressos buscam criar novas formas para interação com seu público, através de publicação de vídeos, arquivos de áudio, podcasts e links, ajudando-o a familiarizarem-se cada vez mais com sua revista preferida. No mesmo capítulo Addair (2002), introduz o conceito de Crossmedia, que até o momento foi pouco estudado no meio acadêmico. Segundo o autor, essa é a forma como é conhecido o processo de publicação de um determinado assunto em meios diferentes, inclusive acrescentando-se recursos diferenciados como textos, arquivos de áudio, vídeos e fotografias para criar uma maior interação entre o público e o meio.

Por último, temos a análise que recortou o tema a partir dos textos e imagens da versão impressa e sua comparação com a mesma matéria na versão online, verificando quais os recursos foram acrescentados ao ser publicada no site, tais como vídeos, arquivos de áudio, podcasts e links, buscou evidenciar a utilização desses diferentes recursos na composição da revista impressa.

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2 JORNALISMO, JORNALISMO CULTURAL E JORNALISMO DE REVISTA

2.1 Jornalismo

Briggs e Burke (2006) afirmam que aproximadamente no ano de 1450 ocorreu a invenção de uma prensa gráfica, por Johann Gutenberg de Mainz, na Europa. Por volta de 1500 já haviam sido instaladas máquinas de impressão em mais de 250 lugares no continente europeu e estima-se que nesse momento cerca de 13 milhões de livros estavam circulando pela Europa. O surgimento dos jornais no século XVII aumentou a ansiedade sobre os efeitos da tipografia. Os materiais impressos se tornaram muito importantes no cotidiano.

Em 1889, a telegrafia foi o primeiro grande avanço da área de eletricidade. A telegrafia aumentou a velocidade de transmissão de informação. A distância aos poucos ia sendo conquistada, com a transmissão de informações relativas a governos, negócios, assuntos familiares, condições climáticas e desastres naturais ou provocados pelo homem, grande parte delas como notícias. A história do telefone começou alguns anos antes, em março de 1876, sendo a invenção de Alexander Graham Bell. Nesse momento, alguns sugeriram que “não havia necessidade de telefone; a sociedade sempre passou bem sem ele”. Recebido com incredulidade, passou a ser uma necessidade no século XX, tanto no trabalho como em casa, e mais tarde, com o celular, também na rua.

A história da radiotelegrafia tem mais a ver com a telegrafia do que com a telefonia. A primeira demonstração de rádio foi feita por A. A. Popoff em 1895, a primeira transmissão pública, em 1919, mas, antes do final da década de 1920 não havia uma audiência de rádio em larga escala. Nos países interessados no desenvolvimento da radiodifusão, a atividade foi deixada para as novas instituições criadas, locais, regionais ou nacionais, que cresceram com rapidez na década de 1920. Elas empregavam a mesma tecnologia de rádio, mas tinham estruturas diferentes.

Em sua forma original, a televisão não permitia aos usuários trocar para um canal internacional, como faziam os aparelhos de rádio. A produção e o controle das imagens nas telas de televisão estavam em mãos de corporações que haviam trabalhado com o som antes das imagens, no momento em que o cinema mostrava imagens sem som.

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De acordo com Marcondes Filho (2000), o jornalismo é fruto da Revolução Francesa, apesar de que um século e meio antes, em 1631, já existia a Gazette de Théophraste Ranaudot que possuía as características básicas dos jornais. Porém, o jornalismo expandiu-se a partir da luta pelos direitos humanos durante a revolução da França. O autor divide o jornalismo em três momentos: O primeiro, de 1789 até a metade do século 19, conhecido como o da “iluminação”, no sentido de exposição do que estava obscuro e também quanto ao esclarecimento político e ideológico; o segundo, do jornal como sendo grande empresa capitalista, que surge a partir da inovação tecnológica da metade do século 19 nos processos de produção do jornal. Nesse momento, a transformação tecnológica exige da empresa jornalística a capacidade de auto-sustentação financeira; e o terceiro, o de monopólios, no século 20, com o desenvolvimento e o crescimento das empresas jornalísticas. Esse jornalismo só é ameaçado pelas guerras e pelos governos totalitários.

Gaillard (1971) afirma que a atividade jornalística consiste em transformar os acontecimentos em notícias, pelo fato de publicá-las. Antes da publicação, ocorre a procura de assuntos, a escolha e a redação. Os progressos técnicos permitiram uma melhoria na apresentação dos diários e semanários. O advento dos meios de informação concorrentes da imprensa escrita foram determinantes para a complementaridade entre a imprensa, a rádio e a televisão.

De acordo com Vilas Boas (1996), o estilo jornalístico pode ser considerado o ângulo em que o jornalista ou o veículo se coloca diante de determinado assunto, levando em conta o público ao qual se dirige. Alguns dos aspectos do estilo jornalístico são ritmo, jeito, equilíbrio, linguagem, apresentação, símbolos, ética e personalidade. “O estilo é a maneira de escrever e também a maneira de ser do veículo”. (Bahia, 1990, p. 81) Assim, o estilo jornalístico consiste em transformar a informação bruta em notícia que possa ser lida e compreendida. Para não se tornar um meio de comunicação de massa exclusivamente da elite, a linguagem a ser adotada pelo jornalismo deve ser a que atinja o maior número de pessoas. Esse estilo está esteticamente ligado à literatura, mas ele tem um caráter próprio que o possibilita adequar-se à prática diária de noticiar.

Por exemplo, nas aberturas é que conquistamos a atenção dos leitores para a leitura de uma reportagem. Nela, o lead existe para que uma matéria resista a um corte, sem prejuízo do

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texto. O fechamento deve transmitir uma satisfação e um movimento no texto e para tanto, deve ser original.

No tocante à atividade do jornalista, dentre as várias questões desse campo, Colombo (1998) afirma que o local onde ele exerce a profissão o condiciona no momento e no lugar onde trabalha, mesmo que ele não pertença à cultura que está descrevendo. Um exemplo dado pelo autor é o caso de um correspondente do Herald Tribune que foi acusado pelo fato de ser autor de um artigo considerado “intolerável e perigoso” pelo governo de Singapura. Esse jornalista prestava serviços para um jornal de outra nacionalidade, porém correspondia desta ilha. O elemento mais forte, mais interessante e menos notado na relação entre jornalismo e o ambiente é a nacionalidade do jornalista. Essa identidade se dá pela formação psicológica e pelas características expressivas de sua cultura. Apesar disso, existe uma diferença entre a identidade nacional e a identidade profissional do jornalista. O bom jornalista discute, melhora, e muda muitos aspectos da sua atividade profissional. Ele recusa-se a aceitar o modelo de identidade que lhe é proposto por quem o precede.

2.2 Jornalismo Cultural

Segundo Piza (2004), não há maneira de determinar a data de nascimento do jornalismo cultural. O que se pode fazer é passear por referências que fazem parte dessa história. Um dos marcos iniciais desse tipo de jornalismo foi em 1711, quando Richard Steele (1672-1729) e Joseph Addison (1672-1719) fundaram a revista The Spectator, que se dirigia ao homem moderno. O jornalismo cultural dedicado à avaliação de idéias, valores e artes é produto de uma era que se iniciou depois do Renascimento. Esse tipo de jornalismo, na Inglaterra ajudou a dar luz ao movimento iluminista que marcou o século XVIII. A Revolução Francesa foi contada através do jornalismo, que criou panfletos e pasquins nas ruas da França. No século XIX, os críticos americanos se multiplicaram assim que o país cresceu e sua cultura se solidificou. No Brasil, esse jornalismo só ganhou força no final do século XIX, fazendo nascer Machado de Assis (1839-1908), que iniciou sua carreira como crítico de teatro e polemista literário.

As revistas e os tablóides literários, desde seu surgimento aos dias atuais, desempenham um papel fundamental no jornalismo cultural. A expansão das vanguardas do início do século XX esteve diretamente ligada à expansão da imprensa, dos recursos gráficos e do público sedento

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por novidades. No Brasil, o modernismo paulista, por exemplo, teve a revista Klaxon, que significa “buzina”, como principal meio de difusão do buzinaço promovido por Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Victor Brecheret e outros no Teatro Municipal, durante a Semana de 22. Nos EUA, a revista New Yorker teve papel fundamental para revelar escritores e cartunistas e foi responsável por impulsionar o jornalismo literário.

No século XX, o jornalismo cultural no Brasil seguiu uma história semelhante ao de outros países, porém, repleta de lances peculiares. O curioso é que se a maioria das pessoas associa cultura a algo inatingível, atribuindo um ar elitista a ela, mesmo assim o segundo caderno, muitas vezes, é o mais lido da publicação, perdendo apenas para a capa do jornal. Nos anos 30 e 40, O Cruzeiro foi a revista mais importante do país, pois falava a todos os tipos de público. No final dos anos 50, publicações como Jornal o Brasil, Última Hora e Diário Carioca estabeleceram a criação do caderno de cultura. As revistas culturais se multiplicaram, a partir dos anos 20 e as seções culturais se tornaram obrigatórias, a partir dos anos 50.

Retomando a questão do estilo, quando uma notícia passa de nota para reportagem, é necessário detalhar, questionar, interpretar e causar impacto. A reportagem exige uma revitalização do estilo jornalístico, deixando um pouco de lado toda a padronização. A forma predominante desse estilo é a narração. A ordenação dos fatos é que determinará o tipo narrativo de uma reportagem. Quando são narrados sucessivamente, por ordem de importância, têm-se a reportagem de fatos; reportagem de ação é quando o relato começa do fato mais importante e no decorrer da narração vai-se desenrolando a história; já a reportagem documental é mais parecida com a pesquisa, onde seus elementos são ordenados de maneira objetiva e expositiva.

A reportagem no jornalismo cultural possui pontos de diferenciação com as demais reportagens. Suas “notícias” normalmente dizem respeito mais ao que ainda vai ocorrer do que ao que está acontecendo ou já aconteceu. Há um tipo de reportagem cultural mais interpretativa. O perfil e as entrevistas são gêneros desse tipo de reportagem, mas, nesses casos, o jornalista tem que estar bem preparado, não pedindo por dados que poderiam ser sanados com uma simples pesquisa.

Assim, o jornalista cultural tem que estar atento a algumas dicas fundamentais: não comprar nenhuma versão; fazer uma abertura atraente em seu texto; manter um ritmo no texto;

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hierarquizar as informações; evitar clichês; preocupar-se com o título, foto, legendas, chapéus e olhos, interagindo com a diagramação; não abusar dos verbos “discendi”; sempre traduzir o jargão do setor; ser criativo no texto e na edição; e dar um fecho ao texto. Esse tipo de jornalista costuma ser visto pelos colegas de outras áreas com preconceito. Supõe-se que trabalha menos, mas isso não é verdade. Um jornalista cultural sério trabalha muito fora da redação, lê livros em casa, vai a shows, filmes e exposições. Essas são atividades prazerosas, mas, às vezes, exigem virar a noite as realizando.

Os cadernos culturais dos jornais, segundo Vilas Boas (1996), aproximam-se mais do estilo magazine. Esses cadernos costumam ser mais ensaísticos e opinativos. O texto é mais solto, podendo-se utilizar coloquialismos e neologismos.

De acordo com Camargo (2000), as revistas de cultura cumprem o papel de expor, agitar e difundir idéias. Uma das revistas culturais mais interessantes, em seu início, foi Nitheroy, de 1836. Editada em Paris, tinha interesse em literatura, música, química, economia, direito e astronomia. Defendia a cultura nacional e difundia o jargão “Tudo pelo Brasil e para o Brasil”.

Em seu artigo, Cunha, Magalhães e Ferreira (2002) discutem o paradoxo que o jornalismo cultural vive atualmente. Segundo eles, vários jornais estão investindo em suplementos culturais semanais, muitas vezes, dando ênfase a reflexão e a produções artísticas de menor apelo comercial ou midiático. Em contrapartida, os cadernos culturais publicados diariamente passam por impasses resultantes das próprias rotinas produtivas, da relação complicada com a indústria cultural ou mesmo de mudanças relacionadas ao conceito do que seja Jornalismo Cultural. No caso da crítica, por exemplo, os bons críticos não estão interessados em encontrar falhas onde não existem. Infelizmente, muitos jornalistas adotam procedimentos como só dizer coisas boas sobre o filme, basear-se no material de divulgação (press-releases e pôsteres), dedicam a atenção aos “blockbusters”, de sucesso supostamente garantido e capricham nos adjetivos e detalhes expressos com lugares-comuns. Para escrever um bom texto crítico é necessário clareza, coerência, agilidade; informar o que é a obra ou o tema em debate, resumindo em linhas gerais; analisar de modo sintético, esclarecendo o peso relativo de qualidades e defeitos. As colunas de opinião valem dos mesmos requisitos.

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A indústria cultural faz parte da criação de produções culturais que seguem os moldes e procedimentos da produção em série de bens não culturais, que transformam as manifestações artísticas em mercadoria e entretenimento, desvinculadas de seu potencial de emancipação. O conceito de cultura utilizado pelo jornalismo cultural é mais restrito que o utilizado pela antropologia moderna. A cultura compreende tudo o que é produzido pelo pensamento ou pela ação humana e é transmitido para futuras gerações. De acordo com essa definição, incluem-se crenças, valores, hábitos, comportamento, teorias, objetos e obras de arte. Seguindo esse conceito, o Jornalismo Cultural teria que abordar também política, economia, ciência, esportes, etc. E, nessa linha, pode-se inferir que todo o jornalismo é cultural. Por isso, o Jornalismo Cultural opta por um conceito mais restrito de cultura, concentrado em atividades artísticas e no entretenimento.

O jornalismo está exposto a duas forças antagônicas: uma que tende à estandardização e outra que tende à individualização. Por um lado as exigências produtivas e técnicas da padronização levam a uma despersonalização da criação e da invenção; por outro lado, o jornalismo é movido por acontecimentos e novidades que garantem uma diferenciação constante entre seus produtos.

Existe uma tendência atualmente que facilita pautas e textos. Há uma aversão a qualquer tipo de complexidade que leva os cadernos de cultura, devido ao receio de assustar e afastar seus leitores, a simplificar em tudo e se tornam, cada dia mais, um espaço de um jornalismo de entretenimento, que exige pouco tempo, atenção e raciocínio do leitor. O jornalista é importante na mediação entre cultura e mercado. Se o Jornalismo Cultural não seleciona, não questiona, não dialoga criticamente e não abre espaço a propostas alternativas, a indústria cultural fica cada vez mais livre para reproduzir, incessantemente, os mesmo padrões estéticos e temáticos, transformando as obras culturais em artigos produzidos e distribuídos em série.

A produção de um caderno diário implica uma visão imediatista dos seus editores e jornalistas. Quando eles se consideram obrigados a noticiar tudo o que está disponível no mercado, fazem com que o enfoque dos cadernos culturais se voltem para os produtos culturais, menosprezando os processos culturais. O Jornalista Cultural deve se pautar não somente nos produtos artísticos, mas, por tudo o que se refere à arte, ao pensamento, à reflexão e às formas como cada um e cada grupo se relacionam com o mundo, partindo-se de valores de tradição e de ancestralidade.

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No entanto, há uma forte pressão da indústria cultural sobre o Jornalismo Cultural, em busca de uma maior divulgação dos produtos que veicula e patrocina. Uma das formas disso é o jabá, que nada mais é que uma remuneração recebida pelo jornalista em retribuição por privilegiar um produto ou evento cultural durante sua cobertura. Um desdobramento do jabá é o junket, ou viagem paga. Aceitar esse tipo de convite pago é uma prática vetada na maioria dos cadernos de política e economia, mas é ainda muito comum nos cadernos culturais e de turismo. Outro problema é a profusão de releases enviados por produtores culturais e/ou assessorias que na pressão industrial do jornal e diante do fechamento de uma página, são utilizados quase que integralmente, divulgando para o leitor uma matéria sem contraponto. O release deveria ser o ponto de partida para uma pauta e não a íntegra da matéria.

É muito importante que o Jornalismo Cultural procure formar um leitor consciente e aposte em sua inteligência, pois mesmo contrariando as expectativas do leitor, pode garantir prestígio, repercussão e confiança. Esse tipo de jornalismo deve buscar sua expansão sem concessões ao mercado, e sim privilegiando os valores democráticos da pluralidade e integração junto a seu público. Ele deve ter sempre como objetivo o esclarecimento e o contra-ataque às manifestações mecanizadas de nosso tempo.

2.3 Jornalismo de Revista

Uma revista, segundo Scalzo (2006), pode ter diversas definições. Ela pode ser considerada um veículo de comunicação, um produto, um negócio, uma marca, um objeto, um conjunto de serviços, uma mistura de jornalismo e entretenimento, um encontro entre o editor e o leitor, um contrato que se estabelece, um fio invisível que une um grupo de pessoas e as ajuda a construir identidade, ou seja, cria identificações, dá sensação de pertencer a um determinado grupo.

As revistas chegaram ao Brasil no começo do século XIX, pois antes disso era proibida sua circulação. Variedades ou Ensaios de Literatura foi a primeira revista a ser lançada, em 1812, em Salvador, Bahia. Sua proposta era publicar discursos sobre costumes morais e sociais, novelas de cunho moral e bom gosto, extratos de histórias antigas e modernas, nacionais e estrangeiras, resumos de viagens, trechos de autores clássicos portugueses. Variedades tinha jeito de livro, assim como todas as outras revistas da época. Em 1827, foi criada a primeira

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segmentação por tema. O Propagador das Ciências Médicas, órgão da Academia de Medicina do Rio de Janeiro, foi a primeira revista brasileira especializada.

A revista O Cruzeiro foi um dos maiores fenômenos editoriais brasileiros. Criada por Assis Chateaubriand, em 1928, estabeleceu uma nova linguagem na imprensa nacional, publicando grandes reportagens e dando destaque ao fotojornalismo. Vendeu cerca de 700 mil exemplares por semana, em 1950. Em 1952, surgiu a revista Manchete, da Editora Bloch, uma revista ilustrada que valorizava ainda mais que O Cruzeiro, os aspectos gráfico e fotográfico. A multiplicação e a segmentação das revistas mostram o grau de modernização de um país. Um país rico e desenvolvido tem uma quantidade enorme de publicações, dos mais variados tamanhos, para todos os tipos de público. Os tipos de segmentação mais comuns são por gênero (masculino e feminino), por idade (infantil, adulta, adolescente), geográfica (cidade ou região) e por tema (cinema, esportes, ciência, etc). No Brasil, as publicações institucionais existem desde o século XIX. A primeira foi O Velocípede, da Casa Comercial Bazar 65, na Bahia, datada de 1875. Hoje, as empresas produzem revistas para promover uma comunicação direta com seus clientes e funcionários, além de utilizá-las para sedimentar sua imagem institucional junto ao mercado.

A palavra escrita é o meio mais eficaz para transmitir informações complexas. As revistas não têm uma vocação noticiosa, mas uma afirmação da educação e do entretenimento. Possuem menos “notícias quentes” e mais informação pessoal, que vai ajudar o leitor em seu cotidiano. Com o avanço técnico das gráficas, as revistas ocuparam um espaço entre o livro e o jornal que reúne vários assuntos em um só lugar, com belas imagens. O formato da revista é um ponto que a diferencia visivelmente dos outros meios de comunicação impressa. Fácil de carregar, guardar, colocar numa estante e colecionar. Não suja as mãos, cabe em qualquer lugar. Seu papel e impressão também trazem uma qualidade de leitura invejável.

Uma das grandes vantagens das revistas é que elas oferecem muitos recursos gráficos para se contar uma história. O bom jornalista de revista é aquele que consegue visualizar a matéria já editada na página. Uma boa revista começa com um bom plano editorial e uma missão definida – um guia que vai ajudá-la a posicionar-se objetivamente em relação ao leitor e ao mercado. O plano editorial é que alimenta o plano de negócios e deve representar a visão da redação sobre a publicação, e sua relação com o leitor. O plano estabelece a missão, os objetivos e a fórmula editorial. Uma boa revista precisa de uma capa que seja capaz de

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conquistar leitores e os convença a levá-la pra casa. Assim, design em revista é a comunicação e a informação. Deve ser como uma arma para tornar a revista e as reportagens mais atrativas e de fácil leitura. O que se vê em uma página de revista, em um primeiro momento, são as fotografias. É a fotografia que vai prender o leitor àquela página ou não. As fotos provocam reações emocionais, convidam a mergulhar num assunto, a entrar numa matéria. Com a infografia ocorre o mesmo.

Numa editora de revistas que se preocupa com a credibilidade de seus títulos, a relação entre a redação e a área comercial (encarregada de vender anúncios) é conflituosa ou pelo menos delicada. Enquanto o cliente dos jornalistas é o leitor, o cliente do departamento comercial é o anunciante, o comprador do espaço, que vai veicular seu anúncio na revista. O fator que cria, muitas vezes, problemas entre as duas áreas é o fato de as necessidades e interesses dos clientes, estarem acima de tudo. Os dois setores precisam aprender a conviver e tirar proveito mútuo de suas áreas específicas de atuação.

Vilas Boas (1996) explica que o texto em revista se propõe abertamente a interpretar o fato. Após expor o acontecimento, faz uma reflexão, tem uma visão detalhada do contexto, uma narrativa atraente, que induza o leitor a aprofundar no texto. A narrativa de um texto de revista pode ser considerada um documento histórico e a reportagem é a alma da revista, devendo ser composta por uma grande história.

Toda reportagem de revista possui uma espécie de ponto de vista, que não tem o mesmo significado de opinião. O ponto de vista é algo primordial para o desenvolvimento do texto. Há uma diferença entre angulação e ponto de vista, sendo que a primeira nada mais é que o rumo ou a escolha de uma ou várias nuances do fato; o segundo admite interpretação do leitor. Sendo assim, a angulação é válida tanto para as revistas quanto para os jornais, já o ponto de vista, apenas para as revistas.

A ordem dos fatos relatados em revista é definida pelo projeto de texto. Pode-se começar pelo que normalmente seria o final da matéria, desde que se tenha um propósito original para isso. Normalmente, esse tipo de mass media mistura fatos do passado com aqueles que ainda estão em evidência no jornalismo diário. É necessária muita pesquisa e documentação para redigir determinado tipo de matéria. Assim como o próprio jornalista já leu diversos textos sobre o

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assunto o qual pretende escrever, o leitor provavelmente também já o fez. Então, a melhor forma de acertar é criar uma nova angulação, a qual ninguém tenha pensado anteriormente.

As revistas podem ser divididas em três grupos estilísticos: as ilustradas, as especializadas e as de informação-geral. Enquanto o jornal diário costuma buscar a tradição, as revistas preocupam-se com a contemporaneidade e atualidade. O jornal diário é lido, muitas vezes, por necessidade, a fim de alimentar o desejo de informação, já a leitura de uma revista pode ser tida como um programa.

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3 NOVAS TECNOLOGIAS, CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS E CROSSMEDIA

3.1 As novas tecnologias na vida social

Em sua obra, Dizard Junior (1998), descreve a evolução da comunicação de massa, explanando sobre as mudanças pelas quais os antigos veículos estão passando. Segundo o autor, isso se deve às novas tecnologias da mídia que oferecem um amplo leque de serviços de informação e entretenimento. Há mais de dez anos, o autor já previa que as agências de notícias, cheias de bancos de dados, aparelhos de fax, videocassetes e outros dispositivos computadorizados teriam suas máquinas substituídas por tecnologias novas. Nesse caso, seria necessário muito mais que apenas habilidades para ler e escrever. A convergência de serviços como impressão, voz e vídeo para um único circuito eletrônico levou indústrias de mídia e telecomunicações a uma relação competitiva. A nova mídia não é apenas uma extensão da antiga.

As tecnologias da mídia de massa passaram por três fases de mudanças. A primeira ocorreu em meados do século XIX, com a introdução das impressoras a vapor e do papel de jornal barato. Esse tipo de jornal e as editoras de livros e revistas foram as primeiras mídias de massa. A segunda transformação ocorreu no início do século XX, com a introdução da transmissão por ondas eletromagnéticas (rádio em 1920 e TV em 1939). A terceira transformação é a atual, que envolve os computadores. Esses desenvolvimentos ganharam a audiência de usuários de computador. Para o autor, o provável resultado será o telecomputador, que fornecerá serviços multimídia aos lares via cabo ou canais de satélite de alta capacidade. A televisão de alta definição será parte integrante da tecnologia do telecomputador, oferecendo imagem de vídeo duas vezes melhor do que a que se obtém nos televisores comuns. As empresas de mídia enfrentam dificuldades para desenvolver e comercializar os produtos midiáticos de alta definição. A limitada experiência em técnicas de multimídia e o tamanho do investimento necessário para desenvolver esses produtos de última geração são algumas dessas dificuldades.

Com o declínio das redes de rádio nos anos 60, a maioria das estações deixou de possuir uma programação quase totalmente ao vivo, para se tornarem automáticas. Com isso, caminharam para possuir um número bem reduzido de funcionários. Já no começo dos anos 1980, houve queda no índice de público nos horários nobres das emissoras de televisão. A televisão a cabo

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desenvolveu novos serviços em curto prazo, como o pay-per-view (PPV), que dá ao assinante dos lançamentos de Hollyhood eventos especiais sob encomenda. Em se tratando da mídia impressa, os jornais são os que têm a maior dificuldade em lidar com a nova concorrência. A distribuição de jornais eletronicamente para os computadores dos clientes tomou o lugar do envio através de fax. O pioneiro nesse campo foi o Wall Street Journal, que inaugurou sua versão eletrônica em março de 1995.

O envio de notícias e outras informações via fax foi superado pela tecnologia baseada em computadores muitos pequenos, os laptops ou notebooks. As indústrias da mídia produzem uma grande parcela de produtos em vídeo, som e impressos que se deslocam através de novas redes avançadas.

A indústria de mídia está enfrentando a necessidade de mudança nas maneiras como produzem e distribuem seus produtos. O conteúdo e as funções dos próprios produtos estão mudando. A primeira geração alfabetizada em computação já está ingressando no mercado de mídia. Suas habilidades, aprendidas nas escolas e escritórios, estão sendo usadas em casa. Vemos o aparecimento de mídia eletrônica pessoal como uma nova forma de comunicação de massa. A internet é o exemplo mais espetacular de formação de redes de massa. Uma grade de comunicações de dados de alta velocidade que liga mais de 10.000 outras redes públicas e privadas. A mídia de massa tem constituído uma força social decisiva dentro de uma sociedade democrática. Ela serve também como uma espécie de fator de união nacional que une as pessoas segundo interesses compartilhados.

Segundo Sirotsky (2006), o ano de 2006 seria decisivo com relação ao futuro da televisão aberta e gratuita. A televisão aberta atinge quase todos os domicílios brasileiros e é, sem dúvida, o principal meio de formação dos valores e princípios e da disseminação da cultura do país. Na realidade, a primeira transmissão oficial da TV digital foi realizada um pouco depois do previsto por esse autor. Em dezembro do ano de 2007. Segundo ele, o momento em que seria definido o modelo da televisão digital brasileira era um grande marco na história da comunicação no Brasil. O modelo brasileiro de digitalização precisaria privilegiar a verdadeira inclusão digital, dando o direito de acessá-la gratuitamente. O que para ele seria fundamental é que o modelo brasileiro de televisão digital assegurasse ao cidadão comum o direito de receber estas tecnologias sem custo adicional, a não ser o da substituição do televisor doméstico. O rádio também vive uma revolução. Mais de 30 emissoras já haviam

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pedido em 2006 autorização à Agencia Nacional de Telecomunicações (Anatel) para iniciar os testes de digitalização. Com isso, os ouvintes de emissoras AM perceberão mais intensamente o impacto da nova tecnologia, que tem como principal característica um salto na qualidade do som. No caso dessas emissoras, o áudio corresponderá, em qualidade, ao da atual FM. Esta última deverá alcançar o grau de sonoridade de um CD. Entre algumas das inovações previstas estão: a multiplicidade de canais, a transmissão de textos, fotos, mapas, etc.

3.2 A convergência de mídias e a rapidez da informação

De acordo com Jenkins (2008), a cultura da convergência faz com que os antigos e novas mídias colidam, as mídias corporativa e alternativa cruzem-se e o poder do produtor de mídia e do consumidor interajam de forma imprevisível. Para esse autor, convergência é a difusão de conteúdos através de diferentes suportes midiáticos, cooperação entre mercados de mídia. Pode ser também a definição para transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e o que está querendo dizer. A circulação dos conteúdos através de diferentes sistemas de mídias depende da participação ativa dos consumidores. Em vez de falar sobre produtores e consumidores de mídia como desempenhando papéis separados, podemos considerá-los participantes que interagem de acordo com um novo conjunto de regras, as quais ninguém entende completamente. Ele afirma que a convergência ocorre no interior do cérebro dos consumidores individuais e nas suas interações sociais com outros.

Os mercados midiáticos estão passando por outra mudança de modelo. Nos anos 1990, a revolução digital parecia sugerir que os novos meios de comunicação eliminariam os antigos. Com o crescimento da internet a convergência é um importante ponto de referência. Agora o paradigma da convergência mostra que de acordo com a tendência, as novas mídias vão interagir de maneira cada vez mais complexa. Para Jenkins (2008), os aparelhos eletrônicos, que são as inovações da mídia, são caixas pretas. Ele afirma que mais cedo ou mais tarde as casas terão uma única caixa preta, que desempenhará a função de todas as demais que as pessoas já possuem.

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A convergência das mídias não é apenas mudança tecnológica. Ela altera a relação entre as tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. Refere-se a um processo, não um ponto final. Ela não é algo que vai acontecer quando tivermos banda larga suficiente ou quando a configuração correta dos aparelhos for descoberta. Já estamos vivendo em uma cultura da convergência.

A convergência representa uma oportunidade de expansão, já que um conteúdo bem-sucedido num setor pode espalhar por outros suportes. Cada vez que um espectador é deslocado, por exemplo, da televisão pra a internet, há um risco dessa pessoa não voltar. O que vivemos agora é a cultura da convergência. Ainda não estamos prontos para lidar com todas as suas complexidades e contradições. É importante encontrar formas de transpor as mudanças que estão ocorrendo. Não existe um grupo que possa ditar regras ou controlar o acesso e a participação.

Não se deve esperar que as incertezas em torno da convergência sejam resolvidas rapidamente. Pelo que parece, a era em que entramos vai ser de longa transição e de transformação no modo como os meios de comunicação operam. Os produtores de mídia só encontrarão a solução dos seus problemas se readequarem o relacionamento com seus consumidores. O público está ganhando cada vez mais espaço na interseção entre os veículos e os novos meios de comunicação, agora ele exige o direito de participar. Os produtores que não forem capazes de interagir com a nova cultura participativa terão de enfrentar uma queda de clientes e conseqüentemente de lucros. As perdas e as conciliações, que serão resultado de todas essas mudanças, vão definir a cultura do futuro.

Os antigos meios de comunicação não estão sendo substituídos. O que desaparece são as ferramentas que usamos para acessar o conteúdo proveniente deles. As tecnologias de distribuição como a fita cassete são substituídas por CDs e aquivos MP3. As funções e status estão sendo transformados pela introdução das novas tecnologias.

Com a chegada da internet, de acordo com Scalzo (2006), achava-se que ocorreria a morte de todos os meios impressos. Agora, imagina-se que os meios são necessariamente complementares entre si, ou seja, uma revista só manterá o mercado caso tenha sua extensão eletrônica. Apesar de a história mostrar que uma tecnologia pode substituir outra, com os meios isso não acontece dessa forma. O que ocorre são ajustes e correções de rota.

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Atualmente discute-se os rumos que os meios impressos irão tomar após o advento das novas tecnologias.

Segundo Sirotsky (2006), o futuro dos jornais não é uma questão de tecnologia. O Japão é considerado um dos países mais tecnológicos do planeta e detêm 21 dos 100 maiores jornais em circulação no mundo. Ao contrário do que se pensou, o avanço das novas tecnologias não prejudicou a penetração de jornais em países como Noruega, Japão, Suécia e Estados Unidos. No Brasil, país em que o nível de penetração de leitura é de apenas 47 exemplares para cada 1.000 habitantes adultos, têm-se circulações compatíveis às do Primeiro Mundo. Em Porto Alegre, há 181 exemplares/dia para cada 1.000 habitantes adultos. Esses são números próximos aos do Canadá (199), Austrália (182), França (160), Espanha (123) e Itália (114). O jornal faz parte da vida das pessoas, principalmente as adultas. Ele é um bem de primeira necessidade. Por meio dele, os cidadãos enxergam uns aos outros, inserem-se em uma comunidade e sentem-se pertencentes a algum lugar. Talvez seja por isso que eles resistem ao tempo e às novidades.

Após aproximadamente 14 anos da primeira versão on line de um jornal brasileiro ser colocado na web, os blogs e fotologs estão revolucionando a comunicação em geral. Isso deve-se à participação do cidadão. Os blogs têm se fortalecido como um canal de comunicação. As comunidades virtuais viraram um fenômeno que tomou conta da internet.

De acordo com esse autor, o que existe no Brasil são oportunidades. Ele acredita que os próximos dez anos representarão um período promissor para o mercado da convergência. Para promover o aumento da circulação dos jornais, será necessário adaptar esses jornais aos novos meios, conquistar o público jovem e uma população que ainda não consome os jornais.

De acordo com Straubhaar e LaRose (2004), a multimídia, que integra áudio, imagens e textos digitais em redes de dados, está acabando com as antigas distinções entre os meios de comunicação. No atual mundo da mídia digital, as formas convencionais de mídia convergem em um único meio, ou seja, o computador. Outro termo utilizado pelos autores é a hipermídia, que permite que os usuários controlem seu próprio consumo de um produto de mídia, selecionando palavras-chave ou ícones, os quais levam o usuário a ramificações da informação em formatos que combinam áudio, imagens e textos.

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Pinho (2003) afirma que a internet se distingue dos outros meios de comunicação pela nãolinearidade, fisiologia, instantaneidade, dirigibilidade, qualificação, custos de produção e de veiculação, interatividade, pessoalidade, acessibilidade e receptor ativo. As tecnologias de comunicação resultam em transformações na sociedade, causando grandes mudanças de hábitos e comportamento. A internet oferece muitos recursos técnicos e um novo suporte para diversas atividades. Hoje, a internet representa um novo e promissor campo para as práticas do jornalismo. O jornalismo digital diferencia-se do jornalismo praticado nos tradicionais meios de comunicação pela forma de tratamento dos dados e pelas relações com os usuários. O jornalismo digital deve considerar e utilizar a seu favor as características que diferenciam a rede mundial dos outros veículos.

O jornalismo marca presença na World Wide Web oferecendo informação e conteúdo, principalmente nos sites de jornais e revistas impressas que migraram para a rede, nos sites de agências de notícias, nos sites noticiosos, nos portais e nos sites de instituições e empresas comerciais. Com o surgimento da Word Wide Web, em 1991, os usuários da rede mundial não puderam avaliar o impacto que essa invenção causaria na comunicação. Os jornalistas começaram a utilizar os browsers, como novo recurso para o acesso à informação. Logo, as empresas jornalísticas ingressaram na Web, sendo que iniciativa partir do Grupo O Estado de S. Paulo, que em fevereiro de 1995, colocou a Agência Estado na rede mundial. No dia 28 de maio do mesmo ano, coube ao Jornal do Brasil ser o primeiro veículo a fazer uma cobertura completa virtualmente, sendo seguido pelo O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, O Globo, O Estado de Minas, Zero Hora, Diário de Pernambuco e Diário do Nordeste.

Os portais nasceram no começo de 1998, para designar os sites de busca que começaram a oferecer serviços de e-mail gratuito, bate-papo em tempo real, serviços noticiosos, além diretórios de pesquisa. Atualmente, qualquer site que sirva para entrada dos usuários na World Wide Web pode ser considerado portal.

Na parte multimídia, internet oferece diversas possibilidades para o emprego de áudio, vídeo e imagens, mas a importância das palavras prevalece. Os conteúdos existentes nos Web sites são classificados em estático, dinâmico, funcional e interativo. Conteúdo estático é quando a informação não está sujeita a mudança, ou pode sofrer atualização esporádica e eventual; conteúdo dinâmico está presente na seção de últimas notícias, atualizadas a todo o tempo; Já o conteúdo funcional é dado pelos menus e barras de navegação; por último, o conteúdo

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interativo estimula a interação com os usuários, através de scripts, formulários e lista de endereços de correio eletrônico que possibilitam ao leitor manter contato com o publisher, editor ou repórteres de uma publicação virtual.

Existem alguns fatores determinantes do texto jornalístico na Web. A luz do monitor do computador faz com que o leitor pisque menos os olhos, o que pode causar fadiga visual. Pelo fato da tela ser fixa em um determinado lugar, os olhos são forçados a se ajustarem ao tamanho do tipo de letra do texto que está sendo visualizado. Com isso, as pessoas leem 25% mais devagar na tela do computador e, o texto preparado para a Internet deve ser cerca de 50% mais curto do que o escrito em papel.

Ao contrário do jornal impresso, rádio e TV, onde as notícias têm início, meio e fim, uma das características da internet é a ausência de linearidade. A notícia produzida para a Web tem estrutura narrativa não-linear e, por isso, deve ser planejada antecipadamente por uma equipe de profissionais (redator, editor, produtor multimídia, Web designer), com o uso de ferramentas que facilitem a navegação, para não confundir o leitor com o excesso de links. O visual das páginas deve contribuir para o estímulo da curiosidade do internauta.

Assim como nos jornais e revistas impressos, a titulação no jornalismo digital tem a função de indicar resumidamente o assunto da matéria, chamar a atenção do leitor e manter o interesse ao longo do texto. Fazendo uma rolagem das páginas a procura de informação, os usuários podem sentir-se perdidos. Para evitar esse problema, os entretítulos ajudam a demarcar o caminho e são uma forma fácil de mostrar como os diferentes blocos de texto articulam-se. Na redação de títulos, a objetividade e a clareza são muito importantes. O título deve ter verbo, de preferência na voz ativa, e no tempo presente, exceto se o texto se referir a fatos distantes, no futuro ou no passado. A primeira página dos sites noticiosos destaca os principais fatos e acontecimentos nas manchetes e oferece links para as diferentes seções da edição, como Cultura, Política, Opinião, Economia, Esportes, Ciência, Turismo e Últimas Notícias.

Sirotsky (2006) afirma que o aumento da interatividade e a multiplicidade de canais de divulgação de informações significam um avanço no aperfeiçoamento da comunicação, mas isso exige muita cautela e vigilância em um mundo cada dia mais desafiador. As pessoas nunca estiveram tão próximas umas das outras e com tamanha diversidade de informações ao

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seu alcance. Em um futuro próximo, qualquer conteúdo poderá trafegar em qualquer mídia. A TV, o rádio, a internet, o satélite, terão conteúdo de diversas fontes ao mesmo tempo (áudio, vídeo, texto, conteúdo interativo).

Pinheiro (2007) afirma que o campo da comunicação, juntamente com as tecnologias de redes de informação e distribuição, se depara com questões que envolvem decisões e escolhas em relação ao estabelecimento de limites do controle e do acesso à Internet, dos valores de distribuição e circulação em rede de informação, da amplitude dos conhecimentos e saberes que constituem a cultura do link. Essa cultura de seleção e determinação do link constitui um novo campo político hoje, rompendo com a suposição de que tudo conecta entre si, fato que não é devido à impossibilidade técnica ou à falta de espaço.

Addair (2002) mostra que o desafio da editoração eletrônica, da redução de prazos e custos e da manutenção da excelência gráfica dos processos editoriais tradicionais, sempre foi o de desenvolver técnicas que possibilitassem alterar o conteúdo sem que se perdesse todo o trabalho de diagramação já realizado. É o que o autor chama de “racionalização dos processos”. Muitas vezes, o mesmo conteúdo é utilizado para várias peças de divulgação, incluindo assim, além das mídias impressas, a internet. Uma mudança pequena no produto dispara um processo trabalhoso e demorado de revisão de todos os originais, com a correção, diagramação e reimpressão ou “republicação”. Uma das idéias que os programadores dos aplicativos de diagramação adotaram foi permitir que o conteúdo ficasse separado do material já diagramado, fazendo com que alterações pudessem ser realizadas nesses arquivos de conteúdo, sendo incluídas na versão final da publicação. Esse autor utilizou assim um novo conceito, a Crossmedia. Esse é o nome dado ao processo de difusão de um conteúdo ou assunto, em diferentes meios. Não necessariamente o material deve ser idêntico. Muitas vezes, o que é divulgado em uma mídia completa o que está presente em outra, trazendo assim novas informações por meio de uma diferenciação no texto, acréscimo de imagens, vídeos, arquivos de áudio, a fim de criar uma maior interação do público com a informação.

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4 ANÁLISE

A partir do segundo semestre de 1997, ocorreu o lançamento da revista mensal de cultura Bravo!, da editora D’Ávila, sob direção de Wagner Carelli. Piza (2004), convidado a ir pra lá, ouviu dos colegas que revista de cultura não dá certo no Brasil. Optou por não deixar o Fim de Semana, não por esse motivo, mas, logo se tornou editor-contribuinte da nova revista, salvo dois ou três números, sempre participando com pelo menos um texto. Define a Bravo! como uma publicação que quer comunicar o prazer da cultura, pela qualidade dos textos e pela produção visual; demorou a se abrir para áreas como televisão, continua não resenhando livros de não-ficção e ainda exagera no excesso de aplausos, mas, no momento, é a publicação mais bem feita sobre cultura no Brasil. Apesar dos problemas enfrentados, as seções culturais dos jornais diários e revistas semanais do país continuam mantendo um patamar mínimo de qualidade, com alguns profissionais que não se entregam ao superficialismo dos tempos. Conclui assim que, num país com poucas revistas e tablóides culturais sofisticados, esses cadernos são uma resistência.

As três edições utilizadas possuíam um conteúdo Especial sobre Festivais de música. Em cada edição era escolhido um tema relacionado com os antigos festivais de música. Na edição 144 de agosto de 2009 foi escolhido o tema “Festival Internacional da Canção”; Já na edição 145 de setembro de 2009 optou-se pelos “Festivais da TV Tupi”; Na edição 146 de outubro de 2009, foram tratados os “Festivais da TV Globo”.

4.1 Elementos que caracterizam a revista e como aparecem no site

Como vimos, Vilas Boas (1996) afirma que as revistas são divididas em três grupos estilísticos: ilustradas, especializadas e de informação-geral. No caso da Bravo!, trata-se de uma revista especializada em cultura. A revista Bravo! se preocupa menos com o imediatismo das notícias e mais com a educação e o entretenimento. Sua vocação é dar informações que ajudem o leitor em seu cotidiano no campo cultural. Tratando de temas dessa área, suas versões publicadas mensalmente não têm como foco principal noticiar os últimos acontecimentos, mas retratar temas ligados à música, literatura, cinema, artes plásticas, teatro, dança, e ainda, no caso das edições estudadas, promover um resgate de eventos culturais do passado, como por exemplo, os antigos festivais de música. No site Bravo! Online, os temas

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são os mesmos presentes na revista. Ele é atualizado mensalmente, quando cada versão é publicada.

Uma revista precisa ter uma capa que conquiste os leitores, convencendo-os a levá-la para casa. As capas da revista Bravo! não possuem imagens muito chamativas do ponto de vista espetacular. O que realmente atrai a atenção dos leitores são os destaques dos temas principais que serão encontrados ao longo das páginas. Pessoas interessadas em artes, cinema, literatura, música, teatro e dança são instigadas a conhecer todo seu conteúdo.

Como afirma Scalzo (2006), design em revista é fundamental para a comunicação e a informação. Ele torna a revista e as reportagens mais atrativas e de fácil leitura. Na revista, normalmente as páginas são divididas em três colunas com letras em tom preto. No site, prevalece o tom preto na letra e é utilizada uma coluna nas páginas onde estão situadas as matérias. Há presença de mais colunas nas páginas utilizadas como chamadas para outras matérias. Nelas, pode-se encontrar até três colunas.

A fotografia é responsável por prender a atenção do leitor à determinada página ou não. As fotos convidam a aprofundar no assunto, a querer entrar numa matéria. Em alguns casos, há mais imagens na revista impressa que no site. As imagens são predominantemente coloridas, exceto em casos de fotografias antigas, antes da utilização de filmes em cores.

Nas edições de Bravo! não há um excesso de publicidade. Ao longo da revista encontram-se no máximo cinco propagandas. No site, normalmente, podem ser vistos anúncios das mesmas empresas que apareceram na revista, sendo também em pequena quantidade.

4.2 Textos

De acordo com Pinho (2003), o jornalismo na Web possui características que o diferenciam dos demais. É necessário ao jornalista saber que seu leitor tem em mãos um meio que possibilita acessar diversos sites e buscar a informação que realmente lhe interessa e, sendo assim, caso não encontre o que deseja em um determinado site, irá imediatamente para outro endereço. Por isso, escrever o que o leitor quer ler é essencial. O público online tende a ser mais ativo que o dos veículos impressos. Normalmente, ele opta por buscar mais informações

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em vez de aceitar de forma passiva o que lhe é apresentado. Por isso, para manter os acessos a um site é necessário pensar na integração de mídias como áudio, vídeo e imagens.

As matérias presentes na revista e no site, na maioria das vezes, são as mesmas. Em alguns casos, na versão impressa são adicionadas informações destacadas com cores diferentes e que não aparecem no site. É o caso da matéria “Os mestres da tesoura” na edição 144 de agosto de 2009 que fala sobre o trabalho dos editores de textos. Nessa matéria, há uma parte destacada que mostra um texto antes de ser editado, ou seja, a versão original e em seguida vê-se a versão que foi publicada. Nessa mesma edição, na matéria “Revolucionários do olhar” que fala sobre as exposições das obras de Henri Matisse e Marc Chagall, vê-se algumas curiosidades sobre as obras dos artistas que estão em evidência na revista e não são encontradas no site. Na edição 145 de setembro de 2009, a matéria da série Especial Festivais Bravo!, “Festivais da TV Tupi”, que destaca os festivais presentes inclusive em telenovelas, apresenta as retrancas “Simples como uma macarronada”, “O som fora dos palcos” e “Um presente pra ele mesmo” que não aparecem no site. Nesse caso, elas não apareceram na revista com nenhum destaque, foram colocadas como uma continuação do texto principal. Analisando a edição 146 de outubro de 2009, “A moda em tempos de guerra” que comenta o filme “Coco antes de Chanel” e a história da estilista Gabrielle Chanel, encontramos um quadro sobre “Uma estilista revolucionária” e o mesmo não está no site da revista.

Sendo assim, pode-se perceber uma diferença sutil entre as publicações impressas e online. Normalmente a linguagem utilizada nas revistas é como a de uma reportagem: mais descontraída, porém com textos mais longos. Já a linguagem típica de internet é descontraída e de leitura rápida, com textos menores. Apesar dessa diferenciação entre os dois tipos de textos, o que é feito pela Bravo! é apenas uma cópia online para a revista publicada.

4.3 Imagens

A quantidade de imagens presentes nas publicações impressa e online nem sempre são iguais em cada texto. Na edição 144 de agosto de 2009 na matéria “Uma orquestra no front”, que fala sobre a turnê pelo Brasil da Orquestra Filarmônica de Israel, encontra-se duas fotografias,

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porém no site aparece apenas a foto de Leonard Bernstein regendo a orquestra. Na matéria “Festival Internacional da Canção”, que faz parte da série Especial Festivais Bravo!, informa sobre as sete edições do Festival Internacional da Canção. Essa matéria têm-se doze ilustrações na revista impressa, ao passo que na versão online apenas uma foi divulgada. Em “Francamente, querida, não estou nem aí”, que fala sobre o diretor Victor Fleming e suas produções para o cinema, pode-se encontrar três fotografias impressas, já a versão online, apenas a fotografia de Victor Fleming no set de gravações. Em “Revolucionários do olhar”, que informa sobre exposições de Henri Matisse e Marc Chagall, têm-se apenas a ilustração da obra Le Cheval de Matisse, já na revista impressa são seis fotografias. Na edição 145 de setembro de 2009, onde está a matéria “Festivais da TV Tupi”, estão publicadas quinze fotografias na versão impressa e na online, apenas uma, que foi colocada em evidência, na qual aparece Oswaldo Montenegro se apresentando no festival. Em “Palavras que viajam bem”, sobre Carlos Rennó, poeta e letrista, foram impressas duas fotos e no site publicou-se apenas uma. Em “A vaia inaugural”, texto sobre a estréia de “A Sagração da Primavera”, foram publicadas três fotografias e na revista encontra-se uma foto. Em “O Oscar brasileiro”, sobre o Festival do Rio, que é um dos principais prêmios do cinema nacional, na versão impressa têm-se dez fotografias e três desenhos e na revista online apenas o desenho da estatueta ofertada aos vencedores dos prêmios. Na matéria “A literatura é o contrário da guerra”, uma entrevista com David Grossman, um dos principais escritores de Israel, aparecem duas fotografias impressas e online apenas a foto de Grossman. Em “Baile de máscaras”, sobre o livro ainda inacabado de Truman Capote, obra em que o autor procura satirizar socialites e celebridades, têm-se duas fotografias impressas na revista e no site foi publicada apenas uma em que Capote está na festa de comemoração do sucesso de “A Sangue Frio”. Na crítica “Com olhos de Criança”, que fala sobre a exposição dos Irmãos Campana, em São Paulo. Os artistas plásticos dão lições de design baseado em idéias lúdicas. No site é possível acessar uma galeria de imagens das obras dessa exposição. A edição 146 de outubro de 2009, na matéria “Festivais da TV Globo”, da série Especial Festivais Bravo!, sobre os festivais dos anos 80, que foram responsáveis por firmar muitos artistas da MPB, têm-se treze fotografias mas na versão online, apenas uma que é a principal presente na impressa. Em “A revolução dos contrários”, matéria sobre os musicais no Brasil, existem três fotografias impressas, mas online, apenas uma. Em “Estrangeiros que fazem arte brasileira”, que fala sobre O Museu de Arte Moderna de São Paulo, que abre espaço para

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nomes internacionais, encontra-se sete imagens impressas e no site entra-se uma imagem ilustrando o texto mais uma galeria de fotos com doze imagens diferentes no Museu em São Paulo. Em “A ressurreição de João Ubaldo”, matéria sobre a volta do escritor baiano, que passou por crises de depressão e alcoolismo, têm-se duas fotografias na versão impressa e online somente uma. Em “A voz não é minha. É das sereias”, texto sobre vida e obra de Maria Bethânia, encontra-se quatro fotos na versão impressa e uma na versão online.

Desta forma, vê-se que com relação às imagens, a revista impressa em muitos momentos apresenta um acervo maior de fotografias, o que pode trazer um maior interesse ao leitor para adquiri-la.

4.4 Vídeos

Os vídeos são utilizados pela Bravo! Online como uma forma de interação com o leitor, que ao ler a versão impressa recebe a informação de que no site há um complemento para sua leitura, ou seja, um vídeo que pode ilustrar o tema lido em determinada matéria. Na edição 144 de agosto de 2009, em “Os favoritos de...”, temos informações sobre as influências musicais de Silvia Machete, cantora de MPB. Nessa material, o leitor pode ler a informação de que no site é possível assistir a performances da cantora Silvia Machete. Em “Confessionário”, tem-se a oportunidade de conhecer a nova coleção de verão do estilista Ronaldo Fraga e, no site é possível assistir a dois vídeos de desfiles de Fraga. Na matéria “As tábuas da lei do terror...”, que fala sobre os dez mandamentos da lei do terror, pode-se acessar no site cenas de filmes que ilustram os mandamentos citados no texto. Na edição 145 de setembro de 2009, na sessão “Primeira Fila”, onde é possível ler uma entrevista com Hugo Possolo, que dá vida ao personagem Beatíssimo Padre na peça “O Papa e a Bruxa”, foram publicadas no site entrevistas com os personagens usando as máscaras utilizadas em suas apresentações. Em “Vaia inaugural”, que é uma matéria que fala sobre a estréia de “A Sagração da Primavera”, um marco das vanguardas artísticas, é possível assistir a várias coreografias para o mesmo balé no site da revista.

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Na edição 146 de outubro de 2009, em “Sexo, morangos e videoteipe”, que fala sobre as videoinstalações da artista suíça Pipilotti Rist que estão distribuídas por dois museus de São Paulo. No site da Bravo! pode-se assistir a vídeos expostos pela artista.

4.5 Arquivos de Áudio

O site Bravo! Online utiliza em alguns momentos os arquivos de áudio para completar ou exemplificar algumas informações presentes nos textos impressos na revista ou aqueles que estão publicados no site. Os arquivos de áudio podem ser trechos de entrevistas ou versões de músicas que ficam disponíveis durante o mês em que uma edição está no site. Na revista 145 de setembro de 2009, no texto “Palavras que viajam bem”, que fala sobre o lançamento do CD “Nego”, do poeta e letrista Carlos Rennó. No site é possível ouvir versões das músicas “Encantada” de Maria Rita e “Verão” de Erasmo Carlos. Na edição 146 de outubro de 2009, em “A voz não é minha. É das sereias”, Maria Bethânia fala sobre música e política em sua carreira. É possível ouvir trechos da entrevista realizada com a cantora no site da revista. Em “A ressurreição de João Ubaldo”, que fala sobre a volta do escritor baiano ao trabalho, após enfrentar problemas com depressão e alcoolismo, é possível ouvir trechos da entrevista feita pela equipe da Bravo! com o escritor em questão.

4.6 Podcast

Normalmente é possível encontrar na revista da Bravo! informações sobre podcasts que podem ser encontrados no site da revista. No caso das versões selecionadas para análise, esse recurso tecnológico não foi utilizado em nenhum momento.

4.7 Links

Os links que podem ser encontrados e acessados no site da revista não levam o público a outros endereços na internet. Normalmente tudo está salvo no próprio site, para evitar que o leitor se disperse e abandone a página. Vídeos, galeria de imagens, arquivos de áudio e até mesmo blogs dos colaboradores são acessados a partir da página principal da revista online.

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5 CONCLUSÃO

Considerando a análise comparativa do conteúdo das versões impressa e online da revista Bravo!, podemos concluir que, com relação aos textos, a revista impressa em alguns momentos é mais completa, pois possui alguns textos que não são publicados no site ou alguns trechos a mais em suas páginas. Por exemplo, na edição 144 de agosto de 2009, na matéria “Os mestres da tesoura” há uma parte destacada que mostra um texto antes de ser editado, ou seja, a versão original e em seguida vê-se a versão que foi publicada. Na edição 146 de outubro de 2009, “A moda em tempos de guerra” que comenta o filme “Coco antes de Chanel” e a história da estilista Gabrielle Chanel, encontramos um quadro sobre “Uma estilista revolucionária” e o mesmo não está no site da revista. De qualquer forma, as diferenças são pouco significativas, não costumam modificar a percepção do leitor sobre o conteúdo recebido.

Com relação às imagens a situação é semelhante. Em alguns momentos, há mais imagens na revista que no site, exceto em alguns casos em que há no site uma galeria de fotos. Mas isso não acontece com tanta freqüência. Caso mais evidente é na crítica “Com olhos de Criança”, que fala sobre a exposição dos Irmãos Campana, em São Paulo. No site é possível acessar uma galeria de imagens das obras dessa exposição. Isso ocorreu na edição 145 de setembro de 2009.

Os vídeos são utilizados pelo site da revista e muitas vezes trazem um complemento para os textos impressos. Da mesma forma, os arquivos de áudio complementam de forma a exemplificar algo que pode ter sido citado anteriormente no texto. Esse recurso é extremamente valioso em determinadas situações quando o leitor tem a oportunidade enriquecer seu conhecimento do assunto, relembrar situações e as vezes conhecer momentos da história os quais não fazem parte de sua época. Destacamos, nesse caso o que ocorre na edição 144 de agosto de 2009, quando em “Confessionário”, tem-se a oportunidade de conhecer a nova coleção de verão do estilista Ronaldo Fraga e, no site é possível assistir a dois vídeos de desfiles de Fraga. Também da edição 146 de outubro de 2009, quando em “Sexo, morangos e videoteipe”, fala-se sobre as videoinstalações da artista suíça Pipilotti Rist que estão distribuídas por dois museus de São Paulo. No site da Bravo! pode-se assistir a vídeos expostos pela artista.

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De acordo com João Gabriel de Lima, diretor de redação da revista Bravo!, que foi contatado por e-mail, de acordo com Anexo 1 do nosso trabalho, há dois anos ocorreu uma reforma no site da revista. Coincidentemente, desde então o número de exemplares vendidos cresceu. Atualmente são 30 mil exemplares por mês, 20 mil assinantes e 10 mil vendas em bancas. Antes da reforma do site, eram 20 mil exemplares vendidos mensalmente. Essa breve entrevista se deu quando da elaboração da análise, já que nesse momento percebemos que a edição online não perdia em qualidade para a impressa. Sendo assim, questionamos qual seria o motivo de um leitor classe A/B, que certamente tem acesso aos recursos da tecnologia e da internet, continuar comprando uma revista que está disponível online. João Gabriel não soube nos informar sobre o número de acessos ao site realizados mensalmente. A partir das informações do diretor de redação, podemos concluir que no momento em que o site passou por uma reforma significativa, as vendas de revistas impressas aumentou em 50 por cento. Sendo assim, podemos crer que a existência do site ajuda no sucesso das duas versões da revista, que passam a conquistar ainda mais leitores, mantendo inclusive aqueles que já estavam acostumados a ler a revista.

Uma hipótese que pode ser verificada futuramente é que, a partir do momento em que o leitor percebe que os responsáveis pelas publicações da revista se mostram interessados em sua satisfação, estudando novas formas para agradá-los através da utilização de novas mídias e diferentes recursos, talvez esse público sinta que sua necessidade de informação está sendo sanada. Um leitor da revista que se interesse pela busca de mais informações sobre um tema já lido na versão impressa, muitas vezes, não precisa pesquisar em outras revistas ou em sites de busca para aprofundar seus estudos. O próprio site da revista já possibilita o acesso à vídeos, arquivos de áudio, podcasts e links que exemplificam e completam as informações presentes em sua matéria publicada antes de forma impressa.

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REFERÊNCIAS

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ANEXO 1