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TIPOLOGIA GERAL DE ESCALAS

Os diversos recursos de ampliação dos meios tonais durante o século XIX 1 levaram às últimas possibilidades, na música européia da época, da harmonia com base em escalas diatônicas tonais (modos maior e menor). Os compositores nascidos a partir da segunda metade do século, em especial os franceses ou residentes na França, passaram a buscar novos meios e materiais. Esses novos recursos foram buscados em diferentes tradições, como na música do Extremo e Médio Oriente, nas músicas de tradição oral da própria Europa, nas diversas culturas das Américas e África. Estes meios e materiais influenciaram, e continuam influenciando, a produção de músicos de todo o mundo.

Abaixo, estão algumas das escalas não tonais mais utilizadas nos últimos 150 anos.

1. Escalas Pentatônicas

Slendro (Java)
Slendro (Java)

Ex. 1: escalas pentatônicas orientais.

De todas as escalas pentatônicas apresentadas acima, a mais utilizada na música ocidental é a escala K’in chinesa (também chamada de escala Slendro javanesa). Esta escala tem sido amplamente utilizada em seus cinco modos (cada modo inicia em uma nota diferente da escala). O modo que inicia na nota dó é comumente denominado “pentatônica maior”, sendo o modo que inicia na nota lá chamado de “pentatônica menor”. Estas denominações são bastante comuns, apesar de não serem completamente adequadas às escalas pentatônicas orientais, por serem termos oriundos do Sistema Tonal centro-europeu.

por serem termos oriundos do Sistema Tonal centro-europeu. 2. Escalas Hexatônicas Ex. 2: cinco modos da

2. Escalas Hexatônicas

Ex. 2: cinco modos da escala pentatônica K’in.

(Java)
(Java)

Ex. 3: escalas hexatônicas.

1 Os principais recursos de expansão da tonalidade no século XIX foram: empréstimo modal, mediantes cromáticas, múltiplos eixos tonais, emancipação da melodia com relação à harmonia, utilização crescente de processos cromáticos e segmentos com harmonia não funcional.

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3. Escalas Heptatônicas

a) Modos diatônicos
a) Modos diatônicos

Ex. 4: escalas heptatônicas diatônicas.

Modos diatônicos Ex. 4: escalas heptatônicas diatônicas. Ex. 5: escalas heptatônicas sintéticas. A escala dupla

Ex. 5: escalas heptatônicas sintéticas.

A escala dupla harmônica é também chamada, por Roland de Candé (cf. Ermelinda Paz, p. 204), de Modo Andaluz, em seu movimento ascendente, que neste caso, difere do movimento descendente.

em seu movimento ascendente, que neste caso, difere do movimento descendente. Ex. 6: escalas heptatônicas tradicionais.

Ex. 6: escalas heptatônicas tradicionais.

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4. Escalas Octatônicas

3 4. Escalas Octatônicas Ex. 7: escalas octatônicas. Além das escalas apresentadas acima, ta mbém são

Ex. 7: escalas octatônicas.

Além das escalas apresentadas acima, também são possíveis, no sistema temperado, a formação de escalas: eneatônicas (para a formação de cada escala tiram-se três notas da escala cromática), decafônicas (para formar cada escala, suprimem-se duas notas), undecafônicas (suprime-se uma nota para formar cada escala diferente; neste caso, as escalas coincidem com modos, pois todas elas têm a mesma constituição de apenas um tom inteiro entre um conjunto de semitons) e uma escala dodecafônica. Todas essas escalas são pouco usuais, mesmo assim podem ser experimentadas e utilizadas em novas composições.

Abaixo, estão exemplificadas algumas escalas de nove, dez e onze sons:

Esta é uma escala eneatônica (com nove sons), formada pela seqüência: semitom- semitom-tom. Note-se que, com esse processo, entre outras notas, é suprimida a 5ªJ da escala.

processo, entre outras notas, é suprimida a 5ªJ da escala. Ex. 8: escala eneatônica. A escala

Ex. 8: escala eneatônica.

A escala a seguir tem a mesma estrutura da anterior, porém inicia com o intervalo de tom inteiro, ou seja, é composta pela série de intervalos: tom-semitom-semitom. Neste caso, a nota que é suprimida, entre outras, é a 4ªJ.

caso, a nota que é suprimida, entre outras, é a 4ªJ. Ex. 9: escala eneatônica. A

Ex. 9: escala eneatônica.

A escala abaixo é decafônica, em que foram suprimidas as notas que formam intervalos de consonância perfeita (4ªJ e 5ªJ) com relação à nota inicial. O resultado, na constituição intervalar desta escala, é o fato de que ocorrem dois tons inteiros, no interior da escala, que são emoldurados por semitons.

no interior da escala, que são emoldurados por semitons. Ex. 10 escala decafônica. Ao contrário da

Ex. 10 escala decafônica.

Ao contrário da anterior, na escala decafônica abaixo foram suprimidas as notas que mais geram afastamento harmônico da nota inicial como centro tonal, isto é, as notas que formam intervalos de trítono e sétima menor. O resultado é uma espécie de combinação dos

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modos jônio, eólio e frígio. Os intervalos de tom aparecem na segunda metade da escala, próximo ao meio e no final.

na segunda metade da escala, próximo ao meio e no final. Ex. 11: escala decafônica. Da

Ex. 11: escala decafônica.

Da escala undecafônica abaixo, foi suprimida somente a sensível. Uma característica desta escala é o fato de conter somente semitons, sendo que aparece somente um tom inteiro, quando a nota inicial da escala é repetida à oitava superior.

a nota inicial da escala é repetida à oitava superior. Ex. 12: escala undecafônica. O fato

Ex. 12: escala undecafônica.

O fato de possuir quase somente intervalos de semitom, com apenas um tom inteiro, é característico de qualquer escala undecafônica.

Uma possibilidade de organização escalar com onze sons seria o deslocamento do intervalo de tom em cada repetição da escala.

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5 Ex. 13: todos os modos de escala undecafônica. Acima, nos dois exemplos anteriores, es tão

Ex. 13: todos os modos de escala undecafônica.

Acima, nos dois exemplos anteriores, estão todas as possibilidades de escalas undecafônicas, no Sistema Temperado. Naturalmente, a única escala dodecafônica possível no Sistema Temperado é a escala cromática.