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Julherme José Pires

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NO FILME BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE

Projeto de Pesquisa apresentado como requisito para a aprovação na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II, do curso de Jornalismo da Universidade Comunitária da Região de Chapecó. Orientador: Angélica Lüersen

Chapecó, SC, junho de 2013

SUMÁRIO

1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO

2. TEMA

3. DELIMITAÇÃO DO TEMA

4. PROBLEMA DE PESQUISA

5. HIPÓTESE

6. JUSTIFICATIVA

7. OBJETIVOS

8. REFERENCIAL TEÓRICO

9. METODOLOGIA

10. CRONOGRAMA

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

12. BIBLIOGRAFIA

13. SUMÁRIO PROVISÓRIO DA MONOGRAFIA

1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO

1.1

Instituição: Universidade Comunitária da Região de Chapecó

1.2

Título: Representações sociais no filme Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

1.3.

Orientador (a): Angélica Luersen 1

1.4.

Graduando (a)

Nome: Julherme José Pires 2 Matrícula: 200819002 E-mail: julherme@unochapeco.edu.br

1.5. Previsão de defesa do TCC

Dezembro de 2013

1.6. Resumo

Este projeto propõe uma pesquisa que busca entender o quais as representações sociais inseridas dentro do cinema e como eles fazem parte da diegese 3 dos filmes. Este estudo irá, por meio de uma detalhada análise do filme do Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, e seu entorno, entrar na busca de compreender estas relações. E, por fim, propõe a localização do filme no contexto social, político e econômico atual, dentro de categorias de análise.

1.7: palavras-chave: cinema, batman, sociedade, representações, filosofia

1 Professora da disciplina de TCC II do curso de Jornalismo da Unochapecó.

2 Aluno do curso de Jornalismo da Unochapecó.

(diegese: designa o universo da ficção, o "mundo" mostrado e sugerido pelo filme). (VANOYE, Francis. LÉTÉ-GOLIOT, 1994, p.49)

3

(

)

2.TEMA

Representações sociais no cinema de ficção.

3.DELIMITAÇÃO DO TEMA

Representações sociais no filme Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge 4 .

4. PROBLEMA DE PESQUISA

Muitos estudos são feitos para entender, por meio de análise de discurso, de conteúdo, semiótica, o que se diz em produtos cinematográficos de não-ficção, reportagens de TV, notícias em geral. Mas há um referencial teórico muito limitado em termos de análise de produtos ficcionais. No Brasil, há um acervo de pesquisas menor ainda que analisa a fundo a relação entre um filme de "propósito ficcional" e as representações sociais nele contidas. Para compreender o que perpassa essas representações artísticas e sociais é preciso partir de uma pergunta que dê a amplitude necessária sobre onde se quer chegar. Existem mesmo conexões do filme com representações sociais do presente e do passado? Na hora da

produção do roteiro, das gravações, da pós-produção e etc

a produção do filme produziu

, sentido adaptável as representações da nossa sociedade? O Batman pode ser entendido como um personagem, uma pessoa, do mundo em que vivemos? Estas perguntas se agrupam na principal para formar o foco do estudo proposto neste projeto. Como o filme Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge enuncia/explicita representações sociais na sua diegése ficcional? Esta é a pergunta em que se baseia toda a pesquisa proposta neste projeto.

5. HIPÓTESE

Desde a criação do personagem por Bob Kane, com desenho de Bill Finger, em 1932 até hoje, o Batman tem um histórico famoso pela ampla presença de violência e da corrupção em suas histórias. Muitas pessoas conectam Gothan City, cidade onde se passam os capítulos de Batman, a cidades onde a máquina pública é mal gerida e/ou criminalidade anda de mãos dadas com o Estado. No cinema, o Batman, até então, era retratado de uma maneira sombria, mas mais caricata. Foi nesta trilogia de Christopher Nolan 5 que o personagem ganhou o corpo denso dos

4 No original The Dark Knight Rises. Warner Bros. 2012.

5 Incluem-se aí os filmes Batman Begins (2005) e Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008).

quadrinhos e destacou o pesado fardo desta época de crise econômica e dos valores humanos para dentro da película.

O roteiro de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, escrito por Christopher e seu irmão

Jonathan Nolan, teve inspiração na obra "Um Conto de Duas Cidades", de Charles Dickens (POP, 2012). Já é de conhecimento científico que obras fictícias representam muito o imaginário coletivo. Um dos maiores exemplos é o romance 1984 de George Orwell, que retrata uma sociedade distópica no ano do título. É possível associar a obra com o presente, nos mais variados campos da sociedade, como política e filosofia. Acredito que há diversos fragmentos de representações sociais suplantadas, permeadas no roteiro de toda a trilogia, especialmente neste terceiro filme da trilogia, que é quando estas informações me saltam aos olhos. Desde os personagens, passando pelo cenário (background), até as ações políticas da história. É preciso, no entanto, identificá-las com

precisão científica e conhecer os metódos, ou como, essas informações estão introduzidas no filme.

6. JUSTIFICATIVA

] [

Em termos gerais, a mobilidade do cinema, assim como a mobilidade

humana, é determinada por fatores geopolíticos e pela estirpe financeira. (FRANÇA; LOPES apud ERZA; ROWDEN, 2010, p. 79).

o cinema apresenta fronteiras em graus variados, sujeitas à mesma mobilidade

das pessoas

Entender a produção de sentido do cinema através de um filme que é exemplo dentro

da cultura do entretenimento atual é essencial para começarmos a desvendar as conexões entre

a ficção cinematográfica e os contextos sociais. Pouco conseguimos entender, tanto como

produtores quanto como público. Estudos na área são necessários para nos educarmos em relação aos processos de inserção de informação em produtos audiovisuais, para compreender o lado da informação na "fantasia", e delimitarmos melhor a síntese entre ficção e não-ficção. Precisamos enxergar quais são os limites que guiam essas duas áreas para reforçar o caráter de realidade nos produtos jornalísticos e para apurarmos nossos sentidos em relação ao cinema.

) (

discursos sobre cinema. Apenas pela análise será possível verificar e avaliar, efectivamente, os filmes naquilo que têm de específico ou de semelhante em relação a outros. Mas, a análise de filmes não é apenas uma actividade a partir da qual é possível ver mais e melhor o cinema, pela análise também se pode aprender a fazer cinema. (PENAFRIA, 2009, p. 9)

a análise de filmes é uma actividade fundamental - e diríamos urgente - nos

O filme Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge foi escolhido para a pesquisa por

representar a indústria do entretenimento, sendo que teve um orçamento de US$ 250 milhões

e um faturamento de US$ 1.080.688.473 bilhão nos cinemas, e por incluir na obra uma

profundidade de informações muito densa, sendo aclamado pela crítica especializada e por boa parte dos espectadores.

O brasileiro é conhecido por ser um dos maiores consumidores do audiovisual. Cerca

de 98% dos lares do Brasil possuem pelo menos uma televisão. Hoje as favelas, comunidades conhecidas pela baixa renda de seus moradores, estão repletas de antenas de TV fechada. Os indicadores gerais mostram um acesso ao cinema em crescimento no país, seja pelos meios tradicionais ou seja pela internet e até pela pirataria. Com isso em mente, e sabendo da importância dos filmes como meio de formação do sujeito, é preciso entender suas fórmulas para, como fins, qualificar a produção, aguçar os sentidos enquanto público, selecionar com mais precisão a classificação indicativa e explorar melhor os produtos cinematográficos na educação.

Não mais podemos considerar o processo artístico uma atividade reservada, misteriosamente inspirada do alto, não relacionada e não relacionável às outras coisas que as pessoas fazem. Em vez disso, o elevado modo de ver que leva à criação da grande arte aparece como um resultado da mais humilde e rotineira atividade dos olhos na vida cotidiana. (ANDREW apud ARNHEIM, 2002, p. 42)

A análise fílmica se faz importante também pelo poder de reconhecimento da sociedade. Para

Barros (In BARROS; NÓVOA, 2012), os filmes revelam muito da "(

história política, a

(p.69) em que foram produzidos e

partindo de um produto, ele estará apto a

veículados. O autor vai além e afirma que "(

história social e mesmo a história econômica (

)

)"

)

decifrar a sociedade que o produziu." (In BARROS; NÓVOA, 2012, p.70)

7. OBJETIVOS Objetivo geral:

Identificar como o filme se relaciona com as representações sociais em três categorias de análise: corrupção, violência e crise econômica. Objetivos específicos:

1 - Conceituar os termos relacionados a análise: cinema, informação, ficção, representações sociais, corrupção, violência e crise econômica.

2

- Investigar a existência de uma conexão do filme com algum fato histórico-social

específico da civilização humana.

3 - Analisar os métodos de inserção das informações por meio de roteiro, iluminação,

E relacioná-las com as estratégias de relação com

representações sociais.

4 - Realizar grupo focal, para buscar compreender as percepções e relações produzidas com as representações de um público delimitado.

enquadramento, som, trilha sonora

8. REFERENCIAL TEÓRICO

As representações sociais estão no cerne do entendimento, de como o coletivo do ser humano compreende o mundo a sua volta e como ele se vê dentro desse contexto.

Moscovici explica que existem dois universos de pensamento nas sociedades contemporâneas “pensantes”: os reificados (da ciência) e os consensuais (do senso comum). As ciências são os meios pelos quais nós compreendemos o universo reificado, enquanto as representações sociais tratam do universo consensual, são criadas pelos processos de ancoragem e objetivação circulam no cotidiano e devem ser vistas como uma “atmosfera” em relação ao individuo ou ao grupo (SANTOS, 2010, p. 3)

As Principais Teorias do Cinema, de J. Dudley Andrew, é uma ampla coletânea bibliográfica que traz conhecimento proposto por uma diversidade de teóricos do cinema difícil de encontrar em outra obra. Contido logo nas primeiras páginas, o pensamento de Rudolf Arnheim é espectral para a pesquisa proposta neste projeto.

A arte é a organização, não de um campo específico de informação sensorial, mas de um padrão geral aplicável acima de si mesmo. Arhneim afirma: “O artista usa suas categorias de forma e cor para capturar alguma coisa universalmente significativa no particular” (Art and Visual Perpection, p. vi). A preocupação do artista não é tanto seu tema, mas o padrão que ele pode criar através desse tema. (ANDREW, 2002, p.

43)

Todo artista parte do mundo para criar, continua Andrew. No entanto, sua obra não é ou representa o mundo, ela é recheada de um significado dado pelo artista, é a composição de nuances e pontos de vista dele. Identificar, porém, a “informação raíz” de uma obra pode não ser uma tarefa fácil. O Cinema Novo, movimento ancorado pelo cineasta Glauber Rocha, por exemplo, é lembrado por conceitos mais difusos. “Não apresentam uma realidade facilmente

reconhecível, com heróis e violões claramente indentifícáveis [

]

Mostram uma situação

social escandalosa sem mostrar qualquer causa política, ou alternativa ideológica clara.”

(FURHAMMAR; ISAKSSON, 1976, p. 89). É preciso então, identificar a que tipo, padrão ou movimento a obra a ser analisada pertence para que saibamos aplicar a metodologia com

precisão. Outro aspecto importante a se observar em relação ao cinema é a prática que ele assume enquanto produto formador. Sua credibilidade perpassa até mesmo informações ditas “verídicas” em outros meios de comunicação. “O cinema é a forma de arte que acompanha

a ameaça crescente à vida que o homem moderno tem que enfrentar.” (CHARNEY;

SCHWARTZ apud BENJAMIN, 2010, p. 118). Para concluir o referencial teórico, produzido a partir de fragmentos de grande importância para a pesquisa proposta neste projeto, situo o termo “real induzido” (LEBEL, 1989, p. 93).

Este será um termo importante para a pesquisa porque difunde toda a questão que gira em torno da ficção e da não-ficção em seus mais variados conjuntos e agremiações de elementos dentro do universo que é uma obra cinematográfica.

9. METODOLOGIA

O cinema praticado pela indústria, que incide na maioria dos espetadores desta arte, tem algumas propriedades características de sua história. Este projeto propõe estudá-lo a partir de um filme exemplar dentro desse contexto. Para tanto é necessário atentar para a relação entre ele e o público, por meio corrente teórica relativa das representações sociais. Para iniciar a compreensão sobre a metodologia proposta por este trabalho, é importante salientar o poder de significação do cinema enquanto produtor de sentido social, de percepção do real e de estabelecimento de valores.

a mentalidade produzida pelo cinema, em geral, não é o fruto de uma

verdadeira consciência histórico-objetiva. Ela é, direta e/ou indiretamente, consequência da consciência social dos indivíduos detentores da propriedade privada dos meios de produção da cultura cinematográfica.” (NÓVOA In BARROS; NÓVOA, 2012, p.43)

“(

)

Um exemplo marcante de como o meio cinematográfico é utilizado para fins de produção de sentido, agregação de valores e até manipulação, é o cinema do Estado Nazista, adotado na Alemanha entre os anos de 1933 até o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

O cinema comandado por Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda Nazista, no momento

braço direito do governante do Partido Nazista, Adolf Hitler, tinha por finalidade "vender" o regime entre a população. Era um meio com o um fim objetivo e claro entre os bastidores. A história mostra como essa propaganda, da qual o cinema alemão participou fortemente, teve resultados positivos para o regime, com a adesão popular a ideologia nazista. Quem são os detentores dos meios de produção cinematográfico hoje? Em grande vantagem de acesso ao público, fruto de um monopólio mercadológico de esfera mundial, a indústria conhecida por “Hollywood 6 ” mantém a maior fatia de atenção popular. Os números de venda de bilheteria nos cinemas são muito claros. Entre os cinquenta filmes mais vistos nas salas de cinema comerciais, todos são parte da “indústria de Hollywood”. É muito provável que entre a casa dos milhares, sejam poucos os filmes que saiam dessa marca. Em 1911 o teórico de cinema italiano Ricciotto Canudo publicou o “‘Manifesto das sete artes’ no qual propunha que o cinema fosse entendido como uma síntese de todas as outras artes, a emergência de uma ‘arte total’” (CODATO, p.49, 2010). O filme, para Canudo, era composta por camadas de outras artes, como a pintura e a fotografia, próprias da imagem, a música, própria da trilha, o teatro, da atuação e dos cenários e a literatura, o

Para compreender a enunciação ou o significado completo de uma obra

roteiro escrito e etc

cinematográfica, portanto, não é possível analisando apenas uma dessas camadas, mas é necessário compreendê-las como a união que forma a obra no final. A análise fílmica não é simples e não deve ser tratada com objetividade, pois as várias relações metodológicas são amplamente parciais do ponto de vista do cientista social, o agente da pesquisa. Elas refletem muito, assim, o resultado da pesquisa e o ângulo que se quer analisar. Isto é, não há apenas um modo de fazer a análise completa de um filme, porque aliás dependerá muito dos objetivos propostos em cada trabalho. Este projeto propõe uma análise do filme Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge relacionando-o a atual conjuntura social, política e econômica, dentro das representações sociais, e para tanto, uma metodologia além semiótica se faz necessária.

A tendência atual na busca de uma solução para o efeito da subjetividade da pesquisa centrada no emissor consiste em estudar toda a complexidade do contexto que envolve a produção e a recepção das mensagens (cultura, situação econômica, hábitos de uso dos meios de comunicação, características sociais, história ) (RODRIGUES, 2006, p.21)

6 Conjunto de estúdios e distribuidoras estadunidenses com grande poder de produção e distribuição de obras cinematográficas. Hollywood é a cidade localizada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, onde historicamente é o berço do desenvolvimento dessa indústria.

Hoje o filme saiu da projeção única de uma película na sala de cinema e já se adentra ao mundo concreto, existe um grande "entorno ao filme". Para entender o filme com completude, é preciso conhecer esse entorno e descortiná-lo na pesquisa. Há aqui um problema de relativizar o estudo em meio a subjetividade e a amplitude propostas por ele. Dentro deste contexto, a metodologia de "Estudo de Caso" se faz necessária por comportar os estudos contemporâneos voltados ao cinema, e a artes complementares reunidas na obra fílmica.

Uma metodologia adequada à análise fílmica necessita ser complexa. Devem-se

tanto examinar o discurso falado e a estruturação que se manifesta externamente sob

a forma de roteiro e enredo quanto analisar outros tipos de discurso que integram

a linguagem cinematográfica: a visualidade, a música, o cenário, a iluminação, a

cultura material implícita, a ação cênica – sem contar as mensagens subliminar e que podem estar escondidas em cada um desses níveis e tipos discursivos, para além do subliminar, que frequentemente se esconde na própria mensagem falada e passível de ser traduzida em componentes escritos. (BARROS In BARROS; NÓVOA, 2012,

p.80)

Em seu estudo, Angel Rodrigues seleciona e reflete sobre as principais correntes de pesquisa dentro da linguagem do audiovisual e adverte sobre a participação primordial/ central do emissor. Para o autor, o ponto de vista deve estar dirigido para o produtor da obra (emissor). Entretanto, para obter êxito na análise fílmica, é necessário ficar atento a algumas perspectivas. “Uma forma de conseguir isso é que as pesquisas sobre linguagens tentem responder sistematicamente à pergunta: Esta interpretação da mensagem é extensível a todos os receptores possíveis? Por quê?” (RODRIGUES, 2006, p.20). Quando voltada às representações sociais o receptor fica categorizado como um "permeante". Para Rodrigues (2006, p.26): “A chave para o conhecimento das linguagens está, então, nas relações que se

estabelecem entre as perturbações físicas do meio que são percebidas e sua interpretação pelo homem.” Para ter uma noção de completude em relação ao filme Barros (2012) afirma que é preciso levar em conta uma série de elementos que fazem parte do filme direta ou

como roteiros, sinopses, cenários, registros de marcações de cenas, mas

indiretamente. “(

também contratos, propagandas, críticas de cinema, receitas e despesas de produção ( )" (p,71). O olhar para o filme, portanto, necessita ser apurado em relação a identificação de sua

existência.

)

(

)

em torno da película que se toma para análise, há de se considerar o autor,

o

sistema de produção que o consubstancia, o público ao qual se dirige e que

reprocessa diversificadas leituras do filme consumido, a crítica que o avalia de

um ponto de vista menos ou mais especializado e o regime de sociedade e poder que constrange ou delimita as possibilidades de elaboração desse filme. Com base nos múltiplos aspectos referidos, que conformam os lugares de produção,

difusão e recepção da obra cinematográfica, torna-se possível chegar não apenas

à compreensão da obra, mas também à realidade que ela representa. (BARROS In BARROS; NÓVOA, 2012, p.83)

Mesmo involuntárias, várias informações permeiam o filme e estão “disponíveis” para

a análise, explica Barros (2012). Nóvoa explica que se fazem importantes as "associações

sucessivas" para o descobrimento das relações expostas no filme. Ele se refere ao filme como fonte e agente histórico. Nos dois casos, o cientista, para o autor (2012), deve trabalhar na reconstrução do real. "Seja no nível das relações sociais, seja no nível da psicologia social, das chamas mentalidades ou do imaginário, ou ainda das articulações destas com a ideologia e com as reações sociais de determinada sociedade." (NÓVOA, 2012, p.46).

Em relação propriamente ao filme, Codato (2010), em seu estudo, traz uma relação de autores que se indentificam com a presença de duas áreas distintas no filme, mas que devem ser consideradas, cada uma a seu modo, na análise. Enquanto uma diz respeito ao mostrado

em cena, através do roteiro, a outra parte está nos buracos entre as sequências, a "Diurna"

e a "Noturna" (DURAND apud CODATO, 2010, p.53). Parte importante da diegese, o que

não é mostrado também faz parte da construção do imaginário do expectador e matéria bruta das representações sociais. Para o autor, o filme "esconde e subtrai mais do que 'mostra'". (COMOLLI apud CODATO, 2010, p.53). Rodrigues vai além em seu raciocínio e declara ser a favor de uma pesquisa que leve em consideração o receptor humano e sua forma biológica. Sendo assim, os estímulos fora da ordem psicológica e sociológica devem ser neutralizados.

Na medida em que as características biológicas de todos os membros de uma mesma espécie de seres vivos determinam necessidades muito semelhantes para sua sobrevivência, sua fisiologia estabelece também uma forma homogênea de perceber

e interpretar seu ambiente imediato para poder se relacionar com ele de acordo com essa necessidades. Consequentemente, se entendermos que todos os seres humanos percebem os mesmo estímulos físicos utilizando os mesmo mecanismo fisiológicos, e que esses mecanismos determinam a interpretação de qualquer variação do ambiente próximo a nosso corpo de acordo com nossas características biológicas, um dos pontos de partida essenciais na pesquisa sobre comunicação, deve ser necessariamente a percepção humana. (RODRIGUES, 2006, p.23)

Os estudos em linguagem, no caso aqui a audiovisual cinematográfica, precisam compreender as relações entre o ser humano como um ser biológico, pertencente a um universo de reações psicofísicas e biogenéticas, com o imaginário, as percepções, no caso

de ordem estéticas, para concluir numa somatória que irá indicar representações individuais

e sociais. Neste último caso, somando as análises preliminares da ordem fílmica, com os acréscimos – informação dos produtores, e demais relações ao entorno da produção e da exibição do filme.

Há no objeto de estudo proposto neste projeto uma relação positiva que propõe certa facilidade de assimilação do estudo do emissor e receptor. “Quanto mais a percepção das mensagens artificiais se parece com a percepção da própria realidade, mais fácil é para

o receptor decodificá-las e compreendê-las.” (RODRIGUES, 2006, p.30). Os primeiros

filmes do Batman, produzidos e dirigidos por Tim Burton e Joel Schumacher, tinham um distanciamento da realidade muito grande, pela transformação pitoresca da trama e do homem-morcego. No entanto, a trilogia de Nolan se fixou no real como ponto de partida.

Parece-me, definitivamente, que as três características essenciais que conferem natureza própria e específica à linguagem audiovisual como objeto de estudo são as seguintes: 1. O fato de existir sempre uma vontade prévia por parte de um dos emissores para estimular em outras pessoas séries organizadas de percepções naturalistas simuladas. 2. Sua capacidade de gerar artificialmente mensagens que estimulam no sistema sensorial do homem percepções muito semelhantes às produzidas pelas informações de origem natural. 3. Sua capacidade de articular dentro de si mesma qualquer outra linguagem baseada na percepção humana. (RODRIGUES, 2006, p.29)

A relação metodológica aqui ganha um sistema importante, levando em consideração

o estudo de Rodrigues que aponta a produção de sentido das obras audiovisuais e sua

linguagem em si. Nela, para ele, há uma ligação enquanto “imitação da realidade” do audiovisual. Trata-se de uma relativização da técnica com a produção intelectual. “a força comunicacional global se multiplica ao combinar as possibilidades de expressão naturalista com a capacidade de expressão abstrata e conceitual.” (RODRIGUES, 2006, p.31). Para concluir, Rodrigues explica a dinâmica entre realidade virtual e realidade referencial, que, para ele, sustenta a essência desta linguagem. “É o entrelaçamento entre ambos os fenômenos semelhança e diferença com a realidade que dá sentido aos códigos narrativos da linguagem audiovisual.” (RODRIGUES, 2006, p.32) Representações sociais, para CODATO (2010), é um conceito em mutação constante

e tende a ser cada vez mais "instável e plural". O autor indica a necessidade de "( ) compreendê-lo não mais como ferramenta de descrição, mas utilizá-lo para explicar os mecanismos de transformação que sofre o sujeito moderno frente ao universo de imagens no qual ele vive." (p.55).

Diante da subjetividades propostas nas relações até aqui, a proposição seguinte é de ordem

prática e até pragmática. Este projeto propõe uma análise fílmica amplamente centrada em

duas faces: 1) o filme 2) o entorno ao filme. Esta segunda camada do objeto se dirige as

informações que “giram ao entorno” do produto principal, que é o filme. No caso, as

informações de making of exibidos na edição de Blu-Ray do filme, as edições dos quadrinhos

Batman O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller (2012), que tiveram recente relançamento

unificadas no Brasil, e demais construções de sentido confluentes.

“Analisar um filme é sinónimo de decompor esse mesmo filme. E embora não exista uma metodologia universalmente aceita para se proceder à análise de um filme (apud Cf. Aumont, 1999) 7 é comum aceitar que analisar implica duas etapas importantes: em primeiro lugar decompor, ou seja, descrever e, em seguida, estabelecer e compreender as relações entre esses elementos decompostos, ou seja, interpretar (apud Cf. Vanoye, 1994) 8 ”. (PENAFRIA, 2009, p. 1).

O primeiro passo da pesquisa proposta neste projeto é realizar uma identificação

espacial do filme Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge. É, para tanto, preciso

desenvolver uma pesquisa bibliográfica em relação ao antes do filme, até chegarmos

propriamente nele. Após, esta introdução, será a hora da "descomposição" do filme. Trata-

se de tabelar as sequências do filme para enxergá-lo no macro. Quando todas as camadas do

filme tenham sido reconhecidas – tanto horizontalmente, da edição, quanto verticalmente,

da imagem ao som – serão introduzidas as informações complementares à produção. Até

chegarmos a análise social e a localização do filme referente as representações sociais, o

objetivo final do trabalho proposto por este projeto.

10. CRONOGRAMA

ATIVIDADES

2º sem. 2012

1° sem 2013

2° sem. 2013

Produção do

X

   

anteprojeto de

pesquisa

Pesquisa bibliográfica exploratória

X

X

 

Desenvolvimento do projeto de pesquisa

 

X

 

Revisão bibliográfica

 

X

X

Coleta de dados

 

X

X

7 2009 apud AUMONT, Jacques; Marie, Michel (1999), L’Analyse des Films, Nathan, 2a Ed., [original, 1988].

8 2009 apud VANOYE, Francis; GOLLIOT-LÉTÉ, A. (1994), Ensaio sobre a Análise Fílmica, Campinas, Papirus.

Análise dos dados

X

Redação dos capítulos teóricos

X

Redação do trabalho

X

Revisão do trabalho final

X

Entrega do TCC

X

(nov)

Defesa do TCC

X

(nov)

11. BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, Inácio. Cinema: o mundo em movimento. 1. ed. São Paulo Scipione, 2002.

AUMONT, J; MARIE, Michel. Dicionário teórico e crítico de cinema. 3. ed. Campinas, SP:

Papirus, 2007.

BATMAN Begins. Direção: Christopher Nolan. Produção: Lerry J. Franco. Intérpretes:

Christian Bale, Michael Cane, Liam Neesom, Katie Holmes e Gary Oldman. Música: Hans Zimer e James Newton Howard. Estados Unidos: Warner Bros. Picutres; DC Comics; Syncopy, 2005. 1 bobina cimenatográfica (140 min), son., color., 35 e 70mm.

BATMAN - O Cavaleiro das Trevas. Direção: Christopher Nolan. Produção: Christopher Nolan. Intérpretes: Christian Bale, Heath Ledger, Gary Oldman, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal e Michael Cane. Música: Hans Zimer e James Newton Howard. Estados Unidos:

Warner Bros. Picutres; DC Entertainment; Legendary Pictures; Syncopy, 2008. 1 bobina cimenatográfica (152 min), son., color., 35 e 65mm.

BATMAN - O Cavaleiro das Trevas, Parte 1. Direção: Jay Oliva. Produção: Alan Burnett. Intérpretes: Peter Weller, Ariel Winter e David Selby. Música: Christopher Drake. Estados Unidos: Warner Premiere; DC Entertainment; Warner Bros. Animation, 2013. 1 DVD (76 min).

BATMAN - O Cavaleiro das Trevas, Parte 2. Direção: Jay Oliva. Produção: Alan Burnett. Intérpretes: Peter Weller, Ariel Winter e Michael Emerson. Música: Christopher Drake. Estados Unidos: Warner Premiere; DC Entertainment; Warner Bros. Animation, 2012. 1 DVD (76 min).

BEZERRA, Julio Carlos. Pura ficção? O cinema de Jean Rouch e o jornalismo de Hunter Thompson. Revista Galáxia, São Paulo, n. 19, p. 138-150, jul. 2010.

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12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BATMAN - O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Direção: Christopher Nolan. Produção:

Christopher Nolan. Intérpretes: Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman e Anne Hathaway. Música: Hans Zimer. Estados Unidos: Warner Bros. Picutres; DC Entertainment; Legendary Pictures; Syncopy, 2012. 1 bobina cimenatográfica (165 min), son., color., 35 e

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13.

SUMÁRIO PROVISÓRIO DA MONOGRAFIA

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I - O cinema enquanto arte e representação

1.1 Cinema de ficção e o impacto na civilização humana

1.2 Os heróis dos quadrinhos no cinema

1.3 Batman antes da reação

CAPÍTULO II - Batman de Nolan e a procura pela realidade

2.1 O universo entorno do Batman, uma localização espacial

2.2 Concepções da produção

2.3 Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

CAPÍTULO III - Representações sociais no último Batman

2.1 Análise fílmica/Estudo de caso

2.1.1 Corrupção

2.1.2 Violência

2.1.3 Crise Econômica

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS