Você está na página 1de 31

nOCUlnentos

ISSN 1517

3747

Dezembro, 2003

nOCUlnentos ISSN 1517 3747 Dezembro, 2003 40 Touros Melhoradores ou Inseminacão Artificial: • Um Exercício de

40

Touros Melhoradores ou Inseminacão Artificial:

Um Exercício de Avaliacão Econômica

Artificial: • Um Exercício de Avaliacão Econômica • "",- ; \- ; t ""11\ 1 ,

"",-

;

\-

;

t ""11\ 1

,

~

.

.

t

.!' •

e".

-+. ~

, :. - :-:?-~

de Avaliacão Econômica • "",- ; \- ; t ""11\ 1 , ~ . . t

República Federativa do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Roberto Rodrigues

Ministro

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Conselho de Administração

José Amauri Dimárzio

Presidente

Clayton Campanhola

Vice-Presidente

Alexandre Kalil Pires Dietrich Gerhard Quast Sérgio Fausto Urbano Campos Ribeiral

Membros

Diretoria-Executiva

Clayton Campanhola

Diretor-Presidente

Gustavo Kauark Chianca Herbert Cavalcante de Lima Mariza Marilena T. Luz Barbosa

Diretores-Executivos

Embrapa Gado de Corte

Kepler Euclides Filho

Chefe-Geral

{"',)lOS.

n'"fHltm/J

tio

POJQUIJiI

l1y,OIJlt(./lA,,"

COflflO

NaClo".1 d"

POJql/lslt do

C.do

A1U11J({JflO

cl"

IIg"Cl1lt l1ll1

('l1<ull""

e

do CO""

I1 /JlUtOCllflOlltO

ISS N 15 173747

Deze mbr o, 2003

Documentos

Touros Melhoradores ou Inseminacão Artificial: Um Exercício de A valia cão Econômica

~

I

Thaís Basso Amaral Fernando Paim Costa Eduardo Simões Corrêa

Campo Grande, MS

2003

Exe mpl ares desta publi cação

pode m se r adqu irido s na:

Embrapa Gado de Corte Rodo via BR 262 Km 4 , CEP

Caixa Postal

Fon e: (67) 368 2064

Fa x:

http: //www.c npg c.e mbrapa.b r

E-mail: sac@cnpgc.embrapa.br

79002 -970 Cilmpo Grande , MS

154

(67)

368

2180

Comitê de Publicações da Unidade

Presidente:

Secret ário-E xec utivo: Liana Jank Membros: Antonio do Nascimento Ros a, Arnildo Potl, Ec da Carolina Nunes Zampieri Lima, José Raul Valério, Liana Jank , Lúcia Gatto , Maria Antonia Martins de Ulhôa Cintra, Rosângela

Maria Simeão Resende,

Ivo Martins

Cezar

Tênisson

Waldow de Souza

Supervisor editorial : Ecila Carolina Nunes Zampieri Lima

Revisor de

Normalização bibliográfica: Maria Antonia M. de Ulh ôa Cintra

Foto da capa : Josimar Lima do

Criação da capa: Paulo Roberto Duarte Paes

Editora ção eletrônica:

texto : Lúcia Helena Paula do Canto

Ecila

Nascimento

Carolina Nunes Zampieri Lima

l

1~ impres são (2003) : 500 exe mplares

'

edição

Todos os direitos reservados.

A reprodução não -a utorizada

parte, constitu i violação dos

CI P- Br asi !. Cata logação-na-publicação .

desta publicação, no todo ou em direitos autora is (Le i n~ 9.610).

Embrapa Gado de Corte .

Amaral, Thaís Basso .

Touros melhoradores ou inseminação artificia l: um exerCIClo de avaliação econômica I Thaís Basso Amaral, Fernando Paim

Costa, Eduardo Simões Corrêa . -- Campo Grande: Embrapa Gado

de

Co rt e,

p.

2003.

;

21

28

em .

--

(Documentos

I

Embrapa

Gado

de

Corte,

ISSN

1517-3747

;

140)

ISBN

85-297-0167-4

Touro - Acasa lamento -

Aspecto eco nôm ico , 3. In seminação artificia l - Aspecto econômi- co. I. Costa, Fernando Paim. 11. Corrêa, Eduardo Simões. 111. Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS). IV . Título. V . Sér ie.

1,

Bovino de corte - Reprodução,

2.

CDD 636.0824 (21 . ed.)

<1J Embrapa 2003

Autores

Thaís Basso Amaral Médica-Veterinária, M .Sc., CRMV-MS N 2 1.713, Embrapa Gado de Corte , Rodovia BR 262, Km 4, Caixa Postal 154, 79002-970 Campo Grande, MS. Correio

eletrônico: thais@cnpgc .embrapa.br

Fernando Paim Costa Engenheiro-Agrônomo, Ph.D., CREA N2 11.219/ 0 , Visto 630 / MS , Embrapa Gado de Corte, Rodovia BR 262, Km 4, Caixa Postal 154, 79002-970 Campo Grande, MS. Correio eletrônico : paim@cnpgc .embrapa.br

Eduardo Simões Corrêa Engenheiro-Agrônomo, M .Sc., CREA N2 097/0, Embrapa Gado de Corte, Rodovia BR 262, Km 4, Caixa Postal 154, 79002-970 Campo Grande, MS. Correio eletrônico: eduardo@cnpgc.embrapa.br

Sumário

Resumo

7

Abstract

9

Introdução

10

Metodologia

11

Monta natural

11

Utilização da inseminação artificial

19

Conclusões

26

Referências Bibliográficas

26

Anexo A

28

Touros Melhoradores ou Inseminacão Artificial: Um Exercício de A valiacão Econômica

Thilis Basso Amaral Fernando Paim Costa Eduardo Simões Corréa

.

.

Resumo

A p ec u ária d e co rte é um a ati v id ad e co mp lexa,

de va ri áve i s.

reproelu cão, comecan d o com a esco lh a entr e mon ta na tur al e in se min acão

qu e en vo lve u m

g ran d e nú me ro

D en t re as d ec isões a t o m ar , d es t acam-se aqu e l as ligadas á ár ea d e

a

rtifi c i a l.

Po r seu

tu rn

o,

el i v e r sas o p cões

es t ão di

s p on í veis em ca d a um d esses

p

r ocessos.

Qu an t o á mon t a n a tur a l , é pr ec i so el e

f inir a qu a liela de e , co n se qüente -

me nt e,

qu

s in c ro n i zacã o el e c i o d

da d ec isã o re lac io n ada co m

o pr eço a paga r pe los to ur os.

va l o r ge n é t ico

Na

opcão p o r in se min ação, há al t e rn a ti v as

a l é m

d a p oss ib i li d a el e ele r ea li za r a

t os ec on ô mi c o s

a nt o ao

e p r eco elo sê m en,

as fê m eas.

o

Est e t r ab a lh o di sc ut e o s as p ec

u so d e m o n t a n at u r al o u

in se mi na ç ão art ifi c ia l,

b

e m

co m o an alisa o imp ac t o no s i st e m a d e pr od u cão d e v ar i áve i s,

c om

o p r eco

d

e

to u ro e d e sê m en e ta

xa de pr enh ez.

Qu alqu er qu e seja

a esc ol h a, re ssa lt a-se

a n ecess id ad e d e se r fe it

produ cão .

a em ab so luta sint o n ia co m o s obj et ivos

Termos para indexação: av ali acão ec on ô mi ca, c u st o, re pr o dut o r ,

nh ez .

d o sis t em a de

ta x a d e pre -

Superior Sires or Artificial Insemination: An Economic Evaluation Excercise

Abstract

Beef ca ttle pro du c tion is a very co mplex activity, encompassing a great numb er of variables. Am o ng the decisions to mak e, tho se related to reproduction are particularly important, starting w/th the choice between natural breeding and artificial insemination . Additionally, several options are available for each of these processes. Concermng to th e natural breeding, the decisio n is about the qualit y and the associated price of bulls. In choosing artificial ins emination, one must select the genetic value and price of semen, besides the possibility of using

oestru s syn chro niza tion. This

artic le discuss th e economics of the

decision

related to cattle reproduction , sho wing th e impa c t of variables like

buli and

semen p/ices, and calving rate. Whatever the decision, it must be taken in perfect harmony with the system objectives.

Index terms: economic evaluation, cost, buli, pregnancy rate

10 T o u ros

nlelhorJdo rcs

eco n Õnl lCJ

ou

Inscnlln.JC:lo

drull c ldl'

Introdução

Un1

j '\\'ltl(

lU

til'

.lvdlldl.l(\

Perman ece ndo por longo tempo na f aze nda

ao red o r ele se is estacões d e m o nt a

_

o to ur o

t em

opo rtu nidade d e d ei xa r de

100 a 300 filho

s.

d ep end e nd o d a

re

lação to ur o:vacas e d as ta x as

de pr enhe z o btid as. Isso o t o rnJ r espo n s;)ve l p o r

m

a i s d e 90 00 d o g a nh o ge

n ético

d o r e b a nh o , a p esa r de u

mJ p r esença fi

s i c a d e

ap

en as

5 %

I Si lva

e t

ai .,

1

993) .

Po rta n to , a esco lh a do

r ep r od ut o r é fu n

dame n -

t ai, e d eve se r emb asa d a na ava liação genét ica.

A o fe rta

reb anh o

c ri

pa r a u so em re ba n ho s

ca racteris ti cas e p recos se jam ad equ ad os . Par a sa ber o qu anto se p o d e p ag ar po r

um tou ro , v ários s ão os as pec t os a ser em

se r á u t il iza d o , n u m ero de v aca s co m

q ue

d e t ouros m elh orad o res , po rém , ain da não at end e as b r asile iro , emb o ra est ej a c r esce nd o co m a ad esão de

n ecess ida d es do r and e n um e ro d e

g

ado r e s a prog r ama s

d e m elh o r am ent o g en ét ico . A aqui sição d esses tour os,

c o m erci ai s, é g er alm ent e co mp en sa d o r a, d es d e qu

e as

co n sid erad os : tip o d e r eb anh o em

as q u ai s s er á acasa l ado , t e mp o d e p e r m a-

n ên c ia n a fa ze nd a e t axa

de pre nh ez m éd i a da p rop ri ed ade .

Outr a opçã o d e acesso a

m

at eri al ge n éti c o su pe ri o r é a in semin ação

art ifi c i al -

IA . Entr et ant o , pr ed o min ant e s

ba ixa efi c iê nc ia qu and o co mp ar ad a à mont a n atur al. Em co n seqü ên c ia , o u so fi ca restri to qu ase qu e so ment e a pro dutor es qu e tr ab alh am co m reb anh os d e elit e.

essa téc ni ca ain da é p o u co

ut ili za d a n os si s t emas d e pr od u ç ã o

p rin c i pa lm en t e,

da

n o Bras il , po r ca u sa d o c u st o do p r oc e sso e,

Segundo d ado s da A

4,3 milh õ es de do ses d e sê m en d e g ad o d e c ort e for am c om erci ali za d as em

2001. Supondo- se a utili zação d e todo ess e sê m en co m um a efi c iên c ia d e 1 , 7

do se por prenhez, res ulto u um total de 2 ,5 milhõ es d e f êm e as in se min ada s

naquele ano , ou cerca de 5 % das fêmeas de gado de corte em reprodu cã o no Brasi l.

ssoc i acã o Brasil eir a d e In se mina cã o A rtifi c i al -

.

.

ASBIA -

'

As vantagens da IA são inúmera s . De forma direta, h á a uti li zação d e mat e rial de

alto v alor

da monta natural com touros europeus mantidos em regiões tropicai s . De forma

indireta Icomo decorrência do

estruturação e organização da propriedade, a formação de mão-de-obra especi- alizada e a melhoria da alimentação e da san id ade do rebanho.

genético e a viabilização do

cru zamento industria l sem os problemas

de se m edir,

há a

uso da IA), e, portanto, difícil

T

o

ul

o~

rn u lh c)fddO l CS o u In ',c m l n,l çJo

él rtdl LlJI:

Um

exr, r c ic.l o

,,,,, ,I' dr; f . o eco nôm ic a

ri "

A lém do lado zoo t éc ni co, m er ece m a t en cã o os as pec t os eco nômi COS r el ac iona -

do s co m

no t o t al d e vaca s de co rt e in se minada s re pr esenta ria um in c re m ent o na pr o du ção

d e 370 mil ton e ladas d e ca rn e, ava li adas

esse aut o r , a mon t a n a t ura l é m ais ca r a que a IA

manut enção e d epr ec iação d os

ec onom ic id ad e da m o nt a natur al e d a IA , enco ntr o u um c u sto

para a m o nt a n atur al.

o

u so da

IA . Seg und o

Fe rr az

(1996),

in

um

aum e nt o d e

5 %

p a r a

15 %

ce r ca d e U S$

278 milh ões. Par a

po r ca u sa d os c u stos d e

1990), ao co mpara r a

t ou ros.

J á A rru d a (

10 , 54 % meno r

Di ant e d a co mpl ex id ad e d o prob lem a e d as co ntr ové r sia s aq ui exe mplifi ca d as, o

prese nt e trab alh o t eve o obje ti vo

d e ava lia r a eco nomi ci dad e d a monta n atural,

11

d

a IA e su as va ri ant es, tendo em

co nt a as inúm er as va ri áve i s qu e co mp õe m o s

si

s t e ma s de produ ção d e ga d o d e co rt e. Espera -se forn ece r s ub sídi os para as

t oma d as d e d ec isã o re lat ivas à ár ea d e r e pr od u ção.

Metodologia

o

tr a b alho t eve como b ase sim ul ações r ea li zadas

com uma planilha e letrônica d e

an

á li se de custos de produção desenvolvida pela

Embrapa Gado de Cort e .

Na primeira etapa, a monta natural e IA foram tratadas isoladamente do sistema

de produção, analisando -s e o c u sto por

preços do touro e do sême n, na relação touro:vacas e nas taxas de prenhez.

prenhez em função de variações nos

Na segunda etapa avaliou-se o impacto da monta natural e da IA nos resultados

econômicos do sistema de produ ção .

Monta natural

A formação do custo da prenhez , utilizando a monta natural, levou em conside-

ração os parâmetros expostos na Tabela 1, os quais se mantiveram fixos para

todas as avaliações.

12

Tou ros me l ho ra do res ou insem i nação art i f ic i al: Um exer cíc i o de av ali ação econômica

Tabela 1 . Parâmetros ut ili zados n a av al iação da mo nt a n atura l.

Nú mero de v acas no rebanho

55 0

V

ida útil dos touros (anos)

6

V

alor do

touruno descartado (R$ / cab .)

936 ,00

Juros re ais anu ai s ( %)

6,00

U

nida d e anim al /t our o

1,47

Pre ço d o boi gordo em s et em br o/ 2003 (R$ / ar ro ba )

58

,00

Cu st o s

operaciona i s / t ouro ( R $ / ano )OI

96

,00

Alu gue l de p as tagem / t our o (R$/ ano )12I

83 ,52

,I) Custos operacionais do sistema por unidade an imal - UA - ai ustados ao número de un idades-an imal correspo ndentes ao tou ro.

121 12 % v alor @/cab ./mês .

A Tabela 2 mostra o cus t o por prenhez da monta natural , com v ariaç ão de preço

do t ouro e a relação touro :vacas . Como esperado, o custo decresce

aumento do número de vacas acasaladas por touro . Por exemplo , o custo por prenhez de um touro de R$ 1 .700,00 servindo 20 fêmeas é semelhante ao de

um touro de R$ 4 .000,00 que serve a 40 fêmeas, mostrando a importância da

rela ç ão touro:vacas quando se

a aqu isição de touros melhoradores deve ser associada à otimização de seu uso,

pois os custos por prenhez aumentam muito quando a relação touro:vacas é desfavorável.

com o

utilizam touros de alto valor . Em outras palavras ,

Tabela 2. Custo por prenhez (R$) da monta natural

aquisição dos touros e da relação touro:vacas, para uma taxa de prenhez de 80% .

em função do preço de

para uma taxa de prenhez de 80% . em função do preço de 1.700,00 2.500,00 4

1.700,00

2.500,00

4 .000,00

25,00

17,00

12,00

35,00

24,00

18,00

54,00

37,00

27,00

Touros melhoradores ou ins e minação art ific ia l: Um exer clcio de ava liação econômica

13

Segundo Fonseca et a!. ( 1991 ). a utilização de touro s na proporção de 1 :5 0 implicaria um descarte da ordem de 50% deles, diminuindo o custo do bezerro em 15 %. Com a dim inuição dos custos de aqu isição e manutenção de to uros, o

produtor poderia

redirec ionar os investimento s para a compra

de ind ivíduos

geneticamente

superiores e andro logicam en e testados. A real

capacid ade

reprodutiva de touros da raça Nelore é desconhecida, mas se sabe que esses indivíduos, em monta natural, são em geral subutilizados (Pineda & Lemos,

1994 ; Fonseca , 1995 ).

Outro fator que tem grande influência no custo da prenhez é a fertilidade do

rebanho. A Tabe la 3 do touro e a taxa de

Conforme esperado , quanto maior a eficiên cia reprodutiva, menor o custo da

prenhez. Por exemplo , quando se comparam

4.000,00 é preciso um aumento de cerca de 30 pontos percentuais na taxa de

prenhez para se atingir um custo por prenhez semelhante. Esses resultados

mostram que, de forma análoga à relação touro:vacas, é fundamental elevar a taxa de prenhez do rebanho quando se utilizam touros de alto valor.

mostra este custo para a monta natural, v ariando-se o preço prenhez, para uma relação touro: v acas f ix ada em 1:30.

touros de R$ 2 . 500 , 00 e

R$

Tabela 3. Custo por prenhez da monta natural (R$). em função do preço de

aquisição

do touro e da taxa

de prenhez, para uma relação touro :vacas de 1:30.

.

~

'(eco do touro (R~)

Taxa de prenhez (%)

50 60

,

70

BO

90

1.700,00

27

,00

22

,00

19,00

17 ,00

15,00

2 .500,00

38,00

32,00

27 ,00

24,00

21

,00

4.000 ,00

59

,00

49

,00

42,00

37,00

33

,00

Para um melhor entendimento de como se chegou aos números expostos nas Tabelas 2 e 3, apresenta-se a memória de cálculo do custo por prenhez utilizan-

do touro de R$ 4.000,00, em uma relacão touro:vacas de 1 :30

com taxa de

,

.

prenhez de 80%:

14

Touros melhoradores ou inseminação artificial: Um exercício de avaliação econômica

Custos por touro (R$);

Depreciação + juros Pastagem Gastos operacionais Total

679,26

83,52

96,00

858,78

Custo por prenhez;

NQ total de vacas NQ total de touros (550/30) NQ de vacas prenhes (550 x 80%)

550

19

440

Custo por prenhez (858,78 x 19)/440

R$ 37,08

Quando se analisa todo o sistema de produção, são mais nítidos os impactos econômicos do uso de touros geneticamente superiores e da melhoria da relação touro:vacas. Para isso foram realizadas algumas simulações com base em uma fazenda hipotética de 1.220 ha de pastagens, com capacidade de suporte na seca de 0,9 unidade animal/ha. A fazenda realiza as fases de cria, recria e engorda e possui um rebanho estabilizado em 1.690' cabeças ou 1.134 unidade animal - UA (Tabela 4). Os índices zootécnicos são apresentados na Tabela 5.

4). Os índices zootécnicos são apresentados na Tabela 5. Vacas boiadeiras 83 Vacas de cria 550

Vacas boiadeiras

83

Vacas de cria

550

Novilhas 2-3

91

Novilhas 1-2

92

Bezerras

220

Bezerros

220

Machos 1-2

209

Machos 2-3

207

Touros ou rufiões

18

Total

1.690

55

489

68

47

38

42

138

230

27

1.134

Touros melhoradores ou inseminação artificial: Um exercício de avaliação econômica

15

Tabela 5. índices zootécnicos aplicados aos sistemas simulados.

artificial: Um exercício de avaliação econômica 15 Tabela 5. índices zootécnicos aplicados aos sistemas simulados.
artificial: Um exercício de avaliação econômica 15 Tabela 5. índices zootécnicos aplicados aos sistemas simulados.

Taxa natalidade em monta natural

80%

Taxa mortalidade até 1 ano

5%

Taxa mortalidade demais categorias

1%

Taxa descarte vacas

15%

Taxa

descarte touros

17%

Idade à P-cria

3 anos

Idade de abate

2,5 anos

Rendimento carcaça vacas

50%

Rendimento carcaça machos

52%

Inicialmente, fixando-se a relação touro:vacas em 1:30, comparou -se um sistema

que utiliza touros comuns (Sistema 1,

com touros oriundos de rebanhos com avaliação genética. Esses touros, com diferenças esperadas na progênie - DEPs - positivas, têm valor mais elevado (Sistema 2, touro a R$ 2 . 500,00, e Sistema 3, touro a R$ 4 .000,00). Para a análise, supôs-se que os touros do Sistema 2 teriam um valor genético - expresso no peso ao abate-de seus filhos - 5% superiores, ou seja, seus produtos seriam abatidos com 23 kg mais pesados que os produtos do Sistema 1. Já os touros do Sistema 3 proporcionariam um incremento de 10% no peso de abate de seus filhos (46 kg). Salienta-se que, tecnicamente, o ideal serJa considerar uma redução de idade de abate dos produtos, em vez de aumento de peso de abate. Entretanto, por limitações inerentes à planilha utilizada, adotou-se o segundo critério.

touro a R$1. 700,00) com dois sistemas

Os resultados econômicos para os três sistemas estão na Tabela 6.

Tabela 6 . Resultados econômicos da simulação de sistemas com touros de diferent es valores genét icos e pr eç o s:

Sistema 1 (touro a R$ 1 . 700 , 00) ; Sistema 2 (touro com DEP de 5 % , a R$ 2 . 500 , 00) ; Sistema 3 (t o uro c o m DEP d e

10 %,

a

R$

4 .000 , 00).

Sistema 3 (t o uro c o m DEP d e 10 %, a R$ 4
Sistema 3 (t o uro c o m DEP d e 10 %, a R$ 4
Sistema 3 (t o uro c o m DEP d e 10 %, a R$ 4

Receita total anual (R$)

 

( 1)

278 .601 ,00

287 .811 ,00

300

.066 ,82

Depreciações e juros1 11 (R$)

 

(2)

154.735 ,00

157 .826 ,00

163 .6 2 1,78

Gastos operacionais (R$)

(3)

71 .871 ,00

72 . 128 , 00

72 . 645 , 54

Custo total (R $)

(4) =(2 + 3)

226.606 , 00

229 . 954 , 00

2 36 . 267 ,32

Margem sobre gastos operacionais (R$)

( 1-3)

206.730 ,00

215

.683 , 00

227 .4 2 1,2 8

Margem

para remunerar empreendedor (R$)

(

1-4)

51 .995 , 00

57

.857 , 00

6 3. 799 , 50

Custo/@ carcaça boi gordo '21

R$ / @

42 , 00

4 1, 00

4 0, 00

Produção de carne em equivalente-carca ç a

kg /ha/ano

54

57

60

111

Equi va lem às depreciações e aos j ur os

sob r e in sta l ações e equ ipa m entos .

121

Cu st o/@ ca rcaça boi go rdo: n o cá lc ul o

abate m -se do c u sto tota l as receitas oriu n das das out ras categori as que não o boi gordo .

C!>

()

o

:l

o-

3

-i

o

C

~

o

V>

() 3

'"

C!>

5'

o

C;;

a.

o

ro

V>

o

c

c

3

C!>

x

C!>

n

n'

õ'

a.

C!>

'" < .() "', o

'"

'"

To ur os

m elh o rad ores o u in semin aç ão artifi c ial : Um

exe rc íc io d e ava li ação eco nômi ca

17

Quando o sistem a é analisado sob o pressuposto de ganhos genéticos traduzi- dos em ganho de peso, o investimento em touros melhoradores é compen sador, apesar do alto custo. Como mostra a Tabela 6, il margem para remunerar o empreendedor nos Sistemas 2 e 3 foram, respectivamente, 11 % e 23 % superio- res em relacão ao Sistema 1. Ainda, os Sistemas 2 e 3 apresentaram menor custo de produç ão, dada a maior produção de carne obtida como conseqüência da elevação do peso de abate. Considerando que a única variável é o touro, pode-se afirmar que o impacto econômico é bastante significativo, e depende unicamente da tomada de decisão do produtor quando da compra deste "bem de capital" .

Para verificar o efeito da interação entre a qualidade do touro e a relação touro:vacas, simulou-se a ocorrência das relações 1:20 e 1:40, além do parâmetro básico 1:30 (Tabela 7). Independente da categoria de touro, a margem para remunerar o produtor cresce quando se aumenta o número de

vacas por touro , como esperado. No entanto, percebe-se que o

aumento na relação touro:vacas é mais contundente na medida em que se melhora a genética do touro, como mostra o índice 2 . Isso significa que existe uma interação positiva entre a qualidade do touro e a relação touro:vacas, ressaltando uma vez mais a importância dessa variável quando se avalia a

introdução de touros melhoradores. Em outras palavras, os touros são de fato ativos econômicos cuja utilização deve ser maximizada, o que é obtido à medida que se eleva a relação touro :vacas.

efeito desse

Tabela 7. Efeito de touros melhoradores e da relação touro :vacas na rentabilidade do sistema
Tabela 7. Efeito de touros melhoradores e da relação touro :vacas na rentabilidade do sistema de produção, para uma
taxa de prenhez de 80% .
co
--;
(")
o
o
C
::J
~
o-
o
3
Cf)
õ'
3
Q)
~
:::T
o
C;;
 

20

10.974,57

28

4 ,8

51.073 ,00

100

100

1.700,00

O

30

7.462 ,26

19

3,3

51.995 ,00

102

102

 

40

5.747 ,30

14

2.4

53.053 ,00

104

104

 

20

15.491,82

28

6,6

55 .471 ,00

109

100

2 .500,00

5

30

10.526,95

19

4 ,6

57 .857 ,00

1 13

104

 

40

7 .762 ,20

14

3.4

59 .237 ,00

116

107

 

20

23 .975,77

28

9,8

58 .668 ,00

1 15

100

4.000,00

10

30

16.283 ,04

19

6,7

63.799 ,00

125

109

 

40

12.003, 19

14

5,2

66 .705

,00

131

1 14

(" O índi ce 1 te m c omo b ase (100) o t o ur o de R$ 1. 7 0 0 ,00 co m a relação t o uro :vacas 1:20; o índice 2 va ria de nt ro de cada catego ria de tou ro, co m base na relação touro :vacas 1:20.

a.

o

Cil

Cf)

o

c

5'

Cf)

ª. co

::J

Q)

.(")

Q)'

o

c

3

co

x

co

()

õ'

Õ

a.

co

Q)

<

~

ãj'

,(")

Q)'

o

Touro s m e lh o rad o res

o u i n se min aç ão

artifi cia l : Um exe rc íc io d e av aliação econômic a

19

Utilização da inseminação artificial

Uma outra forma de acelerar o melhoramento genético dos animais é o uso da

IA, c om o que se

mente não disponíveis para uso em monta natural.

te m ac esso a sêm en d e anim ais d e alto valor g enét ico , norm al-

Para a

análise do custo por prenhez, com utilização de IA , simularam -se varia -

ções no preço da dose de sêmen e na eficiência reprodutiva, mantendo -se fi x os os demais parâmetros (Tabela 8) . Os resultados das simulações encontram-se na

Tabela 9.

Tabela 8 . Parâmetros utilizados na determinação do custo por prenhez com uso de inseminação artificial.

do custo por prenhez com uso de inseminação artificial. Vacas/rufião 50 Dias inseminação 90 Custo

Vacas/rufião

50

Dias inseminação

90

Custo cirurgia rufião (R$)

120,00

Inseminador (R$/mês)

500,00

Auxiliar inseminador (R$ /mês)

250,00

Diária médico-veterinário (R$)

300,00

Tabela 9. Custo por prenhez (R$) da inseminação artificial, em função do preço da dose de sêmen e da taxa de prenhez.

, ., ;
, .,
;
do preço da dose de sêmen e da taxa de prenhez. , ., ; o I

o

I

,

. :,

0·1

5,00

44,00

37 ,00

30,00

25 ,00

22 ,00

10,00

59,00

48 ,00

40 ,00

33,00

29,00

15 ,00

73,00

60,00

49,00

41,00

35,00

20 ,00

88,00

71,00

58,00

48,00

41,00

-

20

Touro s melhora d o re s o u in se min ação artifi c ial : Um exe rc íc io de av ali ação econômica

Para um melhor entendimento de como se chegou aos número s ex po sto s n a Tabela 9 , apresenta -se a memória de c ál culo do custo por prenhe z utili zando

sêmen

de R$ 10,00 , com taxa de prenhez de 80 %:

Custos da inseminação (R$) :

Depreciações + juros l l l Insumos e serviços'21 Mão-de-obra e assistência técnica ' 31 Manutenção dos rufiões 141 Custo total

111 Bot ijõ es, t erm õm etro, co rtado r d e pa le t a, pi n ça, b uça l m arcado r .

'" Nitr ogê nio ,

/l I In se m inado r, au xi li ar, m édico -ve t erin ário .

bainh as , lu vas, tint a p ar a bu ça l, sê m en, c u sto prep aro ruf ião.

141

Pa st agem, g astos op e rac io n ai s (11 rufi ões ) .

Custo por prenhez:

NQtotal de vacas NQde vacas prenhes (550 x 80 % )

Custo por prenhez (14.508,35 /440)

912,27

7.717 ,00

4 .050,00

1.829 ,00

14.508 ,35

 

550

440

R$

33 ,00

Conforme os dados da Tabela 9, o custo por prenhez com uso de IA é geralmen- te mais elevado do que aquele obtido com monta natural (Tabelas 2 e 3) . Esse custo, porém, tende a diminuir conforme se eleva a eficiência reprodutiva do rebanho, mostrando que , de forma análoga à monta natural, é fundamental elevar a taxa de prenhez. Salienta-se que os materiais genéticos utilizados na IA são normalmente superiores aos touros usados em monta natural.

Em consonância com as idéias expostas no parágrafo anterior , pode -se afirmar que a baixa taxa de prenhez é um dos principais fatores limitantes ao uso da IA nos rebanhos comerciais de gado de corte. Essa baixa eficiência reprodutiva pode ser explicada pelas dificuldades do manejo diário de animais por um período de 90 a 100 dias na época das chuvas, para observação de cio e inseminação propriamente dita. Para resolver ou pelo menos amenizar esse problema, vem aumentando a utilização da inseminação artificial em tempo fi xo - IATF. Esta técnica consiste na inseminação das fêmeas sem a necessidade de

Touros m elhor ado res ou inseminação artifi c ial : Um exe rcíc io de avaliação eco nômi ca

21

observação de cio. Para tanto, são utilizados protocolos hormonais intra- auriculares ou intravaginais de longa ação associados a aplicações

intramusculares de efeito rápido . Desta forma, pode-se programar a inseminação

das fêmeas em um período curto

são a eliminação da necessidade de observação de cio, facilitando desta forma o

manejo, além da concentração de partos em um período específico.

pré-determinado . As vantagens dessa técnica

Apesar da queda dos custos dos fármacos utilizados na IATF, estes ainda se apresentam bastante elevados, ao que se associa uma baixa eficiência

reprodutiva (em torno de 50 % de prenhez com apenas uma

segundo Baruselli et aI., 2002) .

sincronização,

Por essas razões e por causa do pouco conhecimento das relações custo:benefício da utilização da IATF, foram feitas algumas simulações com dois protocolos de sincronização. O primeiro propõe a utilização de implantes

auriculares contendo Norgestomet associado a uma solução injetável de valerato de estradiol e Norgestomet (Crestar® - Intervet) . Com o uso desse protocolo, Murta et aI. (2001), trabalhando com vacas nelores solteiras multíparas, obtive- ram taxas de prenhez de 51 %.

Para o protocolo 2 foi eleita a utilização de dispositivo intravaginal de progesterona (CIDR - B, 1,9 9 de P4, Pharmacia) . Esse protocolo, segundo Baruselli et aI. (2002), tem o seguinte cronograma:

• Dia O - implante intravaginal de progesterona (CIDR - B) + 2 mg de benzoato de estradiol (Estrogin, Farmavet).

• Dia 8 - retirada do implante e aplicação de 150 J.lg de clorprostenol IM (Prolise, Tecnopec) + 400 UI de eCG (Novormon , Tecnopec).

• Dia 9 -

• Dia 10 - inseminação artificial 52 a 56 horas após a retirada do implante.

aplicação de 1 mg de benzo ato de estradiol.

Com esse protocolo de inseminação em tempo fixo, Baruselli et aI. (2002) obtiveram 55,1 % de prenhez em vacas nelores com cria ao pé .

A Tabela 10 expõe o custo da sincronização de cio por vaca, para cada um dos dois protocolos usados na avaliação da IATF.

22

Tour os melhoradore s ou insemina ção ar tifi c ial : Um exercício de ava li ação eco nômi ca

Tabela 10. Custo da sincronização de cio de acordo com os protocolos utiliza-

dos.

Protocolo 1 (Crestar ®)

Crestar

Implante

Estrogin (benzoato de estrad iol)

Custo/vaca (R$)

---- .-.-------

Protocolo 2 (CIDR-B®)

Cidr-B (progestágeno)

Estrogin (benzoato de estradiol)

Prolise (Clorporstenol)

Novormon (eCG)

Ampola

Implante

Ampola

Frasco

Frasco

Custo/vaca (R$)

-

-"" '--

-_n-_

~

-

o'

~

.

,

~.

0 , 5

0 , 5

.

- -

0 , 50

1,00

0 , 10

0 ,08

"::.~.

_'t:!lW:,;

,~,,,,.o:::.

.~

23, 00

11,50

2,40

1,2 0

12,70

30,50

15,25

2,40

2,40

49,00

4,90

79,00

6 , 32

".

28,87

,.,

~-.r.~

"""" _~~

Com base nos resultados de Murta et aI. (2001) e Baruselli et aI. (2002) , calculou-se o custo por prenh ez da IATF. Dada a bai x a eficiência desse método, é comum realizar-se uma segunda sincronização de cio (nas vacas que não conceberam, como um repasse), repetindo-se a taxa de prenhez de 50 % para os dois protocolos e obtendo -se ao final 76 % e 78 % de vacas prenhes para os protocolos 1 e 2 , respectivamente . Como mostra a Tabela 11 , tal elevação na

eficiência reprodutiva da IATF

os dois protocolos, mas não é suficiente para tornar a IATF mais atrativa do que

a IA tradicional, exceto quando esta apresenta uma baixa taxa de prenhez, em torno de 50 % (Tabela 9) .

reduz o custo por prenhez em 17 % e 15 %, para

Touros melhoradores ou inseminação artificial : Um exercício de avaliação econômica

23

Tabela 11. Custo da prenhez com uso da inseminação artificial em tempo fixo

(IATF), com sêmen de R$ 10,00/dose.

., , • ,
., ,
• ,
fixo (IATF), com sêmen de R$ 10,00/dose. ., , • ,   1 51 57,50 Protocolo
 

1

51

57,50

Protocolo 1

2

76

47,50

 
 
 

Protocolo 2

1

55

83,00

2

78

70,50

A composição dos custos da IA e da IATF (sem repasse), com os protocolos 1

e 2,

pode ser vista na Fig.

1.

IA sem sincronização

 

Protocolo 1

 

8%

7%

15%

4%

27%

27%
27%
 

58%

{

- - sêmen 507. _ outros 87.

Protocolo 2

81%

1 -sincronizador 417.

357.

- sêmen '. - outros

57.

 

10%

4%

 
86% J -- sincronizodor I - sêmen _ - outros 607. 237. 37•

86%

J --sincronizodor I -sêmen _ - outros

607.

237.

37•

   

• investimentos

 

insumos e serviços

 

mão·de-obra

O manutenção dos rufiões

Fig. 1. Composição dos custos da inseminação artificial - IA - e da inseminação artificial

em tempo fixo - IATF - (sem repasse) com os protocolos 1 e 2.

Na Fig. 1, percebe-se que o peso dos itens de custo se altera muito com o

método utilizado. Para todos eles, porém, o investimento teve a menor partici- pação na formação do custo. Isso dá à IA uma maior flexibilidade de utilização,

facilitando tanto sua adoção quanto sua exclusão do sistema. De forma inversa,

24

To uros

me lh orado res o u insemina ção a rtifi c ial : Um exe rcíc Io d e ava ll aç50

eco nô mica

insumos e se rviç os Para a IA , o sême n

gastos ). Quando é ad o t ad a a IA TF , os h ormônios pa r a a si nc ro nização de cio

passam a ter a ma io r part ic ip ação

Entretanto , a si ncroni zaçã o d e c io diminui a

custo , por

respo n de m é o it em de

pela maio r p arce la dos cus t os nos t rês m ét odos. maio r dest aqu e entr e os insu m os (5 0 % dos

(4 1 % n o Pr otoco lo

1 e 60 % n o Pr otoco lo 2 ).

p arti c ipaçã o d a mão -de -ob ra n o

in sem in ação e ob se rvação de cio.

c ausa da r edu çã o do t emp o de

o impacto

econômi co da ins emin açã o artifici al, co m o u se m sin c r on ização de

cio,

tamb ém fo i avali ado no

âm bit o do sist em a d e produção , como fei t o para

o

uso

de touros m elhoradores . Nessas sim ul ações

u t ili zo u -se a

mes m a f azenda

hipot ética j á descrita , vari ando- se de R$ 10 ,00 por dose d e sêmen ,

(e x presso em termos de aum ento do peso ao ab ate ),

ex pressos na Tabela 12 .

e consid erando -se

som ente as ta xa s d e pr enh ez . Para um

um ga nh o ge n éti c o

pr eço

d e

10 %

obtiv eram -se o s r esult ad os

A participação da IA no custo total é relati v amente baix a (ao redor de 6 , 5 % ),

mas pode dobrar, chegando a 12 % , qu ando se faz uso da IA TF . Nas condi ções

deste estudo (arroba do boi gordo a R$

IA em um rebanho comercial só passa a ser interessante quando a ta x a d e prenhez atinge 70 %. Taxas menores resultam em custo superior ao pr eç o aci m a, bem como margens negativas (ou nulas) para remunerar o produ t or . Salie nt a-se

que, para as condições brasile iras , as ta x as de pr enhez est imadas para a IA est ão

58 ,00), observa - se que a utiliz ação d a

entre 50 %

e 60 %.

Quando se

avalia

a utilização dos protocolos de inseminação em tempo fi x o, é

flagrante o efeito do repasse da sincronização de cio. Ao não fazer isso, o custo

da arroba apresenta- se elevado e a remuneração do produtor mantém -se negati - va, dada a baixa eficiência desses protocolos . Ressalta - se que o Protocolo 2 , apesar de mais eficiente (55 % ), resulta em remuneração menor do que aquela do Protocolo 1 (eficiência de 51 % ), o que se explica pelo seu custo duas ve zes maior. Diante desses resultados, a utilização da IA TF em rebanhos comerciais deve ser avaliada com cautela. Além do custo elevado, a eficiência dos protoco- los é muito baixa, o que torna arriscada sua utilização . Essa questão pode ser amenizada pela utilização de uma segunda sincronização (repasse), que altera sobremaneira os resultados econômicos da técnica. À medida que os processos forem aperfeiçoados e as taxas de prenhez aumentarem , essa alternativa poderá

se tornar mais atrativa , para o que também

escala de produção e conseqüente redução de custos.

poderá contribuir o aumento na

Tabela 12. Indicadores econômicos do sistema de produção em função da utiliza ç ão de insemina ç ão artifi c ial - IA - ou inseminação artificial em tempo fixo - IATF - (com e sem repasse) , de acordo com as taxas de prenhez .

- (com e sem repasse) , de acordo com as taxas de prenhez . . .;
. .; , , , , ,. ; " , , ; , "
.
.;
,
,
,
,
,.
;
"
,
,
;
,
"

Sem sincronização liA)

50

2,87

16.334,00

7,5

66

,00

-1 3 . 825 , 00

60

2,28

15 .887 ,00

7,0

55,40

10.933 ,00

70

1,83

15.426,00

6,6

47

,60

38

.114,00

80

1, 52

14.508

,00

6, 1

41

,60

61

. 942 , 00

90

1,28

14.055

,00

5,7

37

,20

86

.313 ,00

 

Com sincronização liA TF)

 

Protocolo 1

51

1,96

16.122,00

7,4

64,20

-10.181 ,00

76

(repasse)

1,97

19.776,00

8,3

45

,00

47

.641 ,00

Protocolo 2

55

1,81

25.015

,00

11,0

63

,30

-9.038 ,00

78

(repasse)

1,87

30.421,00

12, 1

47

,00

42

.015 ,00

-1

o

c

o

VI

3

~

o

:::T

O;

a.

o

CP

VI

o

c

o

ãi'

(l)

o

o

::>

Co

o

ª.~

Q)

c

3

(l)

x

(l)

c:;

n

õ'

a.

(l)

Q)

<

Q)

=:

Q).

o

") Cálculo do número de doses de sêmen por prenhez no Anexo A .

IV

U1

26

Touros melhoradores ou insemina ç ão artificial: Um e xercício de avalia ç ão econômica

Conclusões

• Altos investimentos na aquisição de touros exigem maximizar sua utilização,

acasalando-os com o maior número de fêmeas possível. Para tanto , deve-se utilizar uma relação touro: vacas de pelo menos 1:30, com o que se acelera o retorno ao investimento e se otimiza o potencial genético dos touros.

• Embora o preço do touro e do sêmen e a relação touro:vacas sejam relevantes,

é a taxa de prenhez que apresenta o maior impacto no sistema. Um bom desem- penho reprodutivo, no entanto, exige condições mínimas de trabalho e bom nível

gerencial.

• Investimentos em touros melhoradores, tanto em monta natural como em

inseminação artificial, são compensadores quando se trabalha com altas taxas de

prenhez .

• A viabilidade econômica da IATF depende da realização de um repasse da

sincronização. A escolha entre esta e a IA tradicional depende das taxas de

prenhez obtidas em ambos os processos.

• A comparação do custo por prenhez em monta natural ou inseminação artifici-

al, com suas variantes, dá uma idéia sobre a eficiência relativa desses processos,

mas qualquer tomada de decisão exige uma análise prévia de todo o sistema de produção.

• Modelos de sistemas de produção desenvolvidos em planilhas eletrônicas

constituem importantes ferramentas gerenciais. Adaptados às condições especIfi- cas de cada fazenda, podem subsidiar decisões de várias naturezas, como é o

caso da área de reprodução abordada no presente trabalho.

Referências

Bibliográficas

ARRUDA, Z. J . de Análise econômica dos sistemas de monta natural e de inseminação artificial na produção de bezerros de corte. Campo Grande :

EMBRAPA-CNPGC, 1990. 28 p. (EMBRAPA-CNPGC. Documentos, 40).

T o ur os

m elh o r ado res o u in se min ação

artifi c ial : Um exe rcíc io de ava lia ção eco nô mi ca

BARUSELLI , P. S.; MADUREIRA, H.; MARQUES, M. O. Eficiência a campo de

programas de I.A. em tempo fixo

www.beefpoint.com.br / bn / radarestecnicos /artigo .asp ?area = 18&area_desc = Reprodu % E7 % E30&id artigo = 3278&perM = 1O&perA = 2002 >. Acesso em:

4 jul. 2002.

em 80S indicus. Disponível em: < http ://

27

FERRAZ , J. B. S. Impacto econômico na pecuária de leite e de corte do Brasil , com o aumento da utilização da inseminação artificial. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 20, n . 3 /4, p. 95-98, 1996.

FONSECA , V . O. Avaliação da capacidade reprodutiva de touros Nelore: aspec- tos andrológicos e comportamentais . Belo Horizonte: Escola de Veterinária ,

UFMG , 1995 . 37

p.

FONSECA , V. O .; CRUDELI, G . A .; COSTA E SILVA , E. V.; Potencial reprodutivo de touros da raça Nelore (80S índicus)

proporção touro :vaca 1:40 e fertilidade . Revista Brasileira de Reprodução

Animal, Belo Horizonte , v . 15 , n . 1/ 2, p. 103-108, 1991.

HERMANNY , A. em monta natural :

MURTA, J . E. J . ; ANDRADE, V . J . ; PEREIRA, V. R.; VALE FILHO , V . R. Taxas de prenhez em vacas Nelore com utilização do protocolo Crestar® para sincroni- zação de cio. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 25, n.1, p. 30-35, 2001.

PINEDA , N. R. ; LEMOS , P. F. Contribuição ao estudo da influência da libido e da capacidade de serviço sobre a taxa de concepção em Nelore . Boletim de Indústria Animal, Nova Odessa, v. 51, n. 1, p. 61-68,1994 .

SILVA, A. E. D. F.; DODE, M. A . N. ; UNANIAN, M. M . Capacidade reprodutiva do touro de corte: funções, anormalidades e outros fatores que a influenciam . Campo Grande: EMBRAPA-CNPGC, 1993. 28 p. (EMBRAPA-CNPGC. Docu- mentos, 51).

Anexo A

Determinação do número de doses de sêmen por prenhez, para um rebanho de 550 vacas, de acordo com a taxa de prenhez .

95

523

50

262

289

80

231

30

69

331

754

2.28

60

95

523

60

314

236

80

189

40

76

390

71 2

1.83

70

95

523

70

366

184

80

147

50

74

440

670

1.52

80

95

523

80

418

132

80

105

70

74

492

628

1.28

90

C!>

n

o

::J

O.

3

õ'

Ql

N

00

,

o

c

o

<J)

~

3

:T

o

W

a.

o

C;;

<J)

~

o

c

3'

<J)

C!>

ª

::J

Ql

,n

Ql.

o

Ql

c

3

C!>

X

C!>

n

n'

Õ

a.

C!>

Ql

<

Ql

~

'n

Ql .

o

----------------------------~---------------------------------------------~.~

Gado de Corte , ;=== ' Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Governo Federal

Gado de Corte

Gado de Corte , ;=== ' Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Governo Federal

,

;=== '

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Governo

Federal