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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS NÚCLEO INTERDISCIPLINAR DE ESTUDOS E PESQUISAS EM DIREITOS HUMANOS PÓS-GRADUAÇÃO INTERDISCIPLINAR EM DIREITOS HUMANOS (PPGIDH)

UMA NOVA CONDIÇÃO HUMANA? DESAFIOS DE FORMULAÇÃO TEÓRICA E APLICABILIDADE DOS DIREITOS HUMANOS À LUZ DO MOVIMENTO TRANSHUMANISTA

JAMILE TELES HAMIDEH

Goiânia GO

2016

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS NÚCLEO INTERDISCIPLINAR DE ESTUDOS E PESQUISAS EM DIREITOS HUMANOS PÓS-GRADUAÇÃO INTERDISCIPLINAR EM DIREITOS HUMANOS (PPGIDH)

UMA NOVA CONDIÇÃO HUMANA? DESAFIOS DE FORMULAÇÃO TEÓRICA E APLICABILIDADE DOS DIREITOS HUMANOS À LUZ DO MOVIMENTO TRANSHUMANISTA

Projeto de pesquisa apresentado junto à Banca de Avaliação do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos. Linha de pesquisa 1: Fundamentos teóricos dos Direitos Humanos. Possíveis orientadores: João da Cruz Gonçalves Neto, Arnaldo Bastos Santos Neto e Cristiano Novaes de Rezende.

JAMILE TELES HAMIDEH

Goiânia GO

2016

SUMÁRIO

TEMA

4

JUSTIFICATIVA

4

HIPÓTESES DO TRABALHO

6

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

8

METODOLOGIA

9

REFERÊNCIAS

10

TEMA

As possíveis dificuldades de formulação teórica e implementação dos direitos humanos quando analisados pela ótica do movimento transhumanista, fundamentalmente interdisciplinar por natureza, dado que aborda de modo direto as

implicações políticas, jurídicas e sociais do uso da tecnologia para o ―aperfeiçoamento‖

de seres humanos.

JUSTIFICATIVA

Quando perguntado sobre qual ideia, se aceita, consistiria na maior ameaça para

o bem-estar da humanidade, FUKUYAMA foi categórico ao responder ―o

transhumanismo‖. Para ele, o movimento representaria uma tal ameaça por se propor a alterar a essência daquilo que nos torna humanos e que, juridica e politicamente falando, embasa todos os nossos direitos. Segundo ele

Underlying this idea of the equality of rights is the belief that we all possess a human essence that dwarfs manifest differences in skin color, beauty, and even intelligence. This essence, and the view that individuals therefore have inherent value, is at the heart of political liberalism. But modifying that essence is the core of the transhumanist project. If we start transforming ourselves into something superior, what rights will these enhanced creatures claim, and what rights will they possess when compared to those left behind? If some move ahead, can anyone afford not to follow? These questions are troubling enough within rich, developed societies. Add in the implications for citizens of the world‘s poorest countries — for whom biotechnology‘s marvels likely will be out of reach and the threat to the idea of equality becomes even more menacing. 12

Mas o que exatamente FUKUYAMA quer dizer com ―transhumanismo‖? A definição de transhumanismo trazida pela Humanity+, organização internacional fundada em 1998 e principal representante do movimento, nos informa que este é

1. The intellectual and cultural movement that affirms the possibility and desirability of fundamentally improving the human condition through applied reason, especially by

1 Fukuyama, Francis. The World’s Most Dangerous Ideas: Transhumanism. Foreign Policy 144: 42-43.

2004.

2 BOSTROM, em resposta ao artigo de FUKUYAMA, observa que, além de o próprio conceito de ―essência humana‖ ser problemático, uma possível discriminação baseada em diferentes ―essências‖ seria análoga à discriminação com base em gênero ou cor da pele. Para ele ―[m]oral progress in the last two millennia has consisted largely in our gradually learning to overcome our tendency to make moral discriminations on such fundamentally irrelevant grounds. We should bear this hard-earned lesson in mind when we approach the prospect of technologically modified people. Liberal democracies speak to ‗human equality‘ not in the literal sense that all humans are equal in their various capacities, but that they are equal under the law. There is no reason why humans with altered or augmented capacities should not likewise be equal under the law, nor is there any ground for assuming that the existence of such people must undermine centuries of legal, political, and moral refinement‖.

developing and making widely available technologies to eliminate aging and to greatly enhance human intellectual, physical, and psychological capacities. 2. The study of the ramifications, promises, and potential dangers of technologies that will enable us to overcome fundamental human limitations, and the related study of the ethical matters involved in developing and using such technologies. 3

O termo parece ter sido cunhado pelo biólogo Julian HUXLEY em 1927. Em seu artigo, escreve que

Up till now human life has generally been, as Hobbes described it, ―nasty, brutish and short‖; the great majority of human beings (if they have not already died young) have been afflicted with misery… we can justifiably hold the belief that these lands of possibility exist, and that the present limitations and miserable frustrations of our existence could be in large measure surmounted… The human species can, if it wishes, transcend itself not just sporadically, an individual here in one way, an individual there in another way but in its entirety, as humanity. We need a name for this new belief. Perhaps transhumanism will serve: man remaining man, but transcending himself, by realizing new possibilities of and for his human nature. 4

Ainda que o movimento tenha começado a ganhar solidez em sua formulação teórica apenas recentemente, a sua ideia básica é comum em nossa sociedade, e inspira cotidianamente a biomedicina, a busca pela cura de doenças, o uso de nootrópicos ou outras substâncias que afetem o humor e o desempenho, entre outros. Observa-se que o tema, portanto, deve ser discutido nas mais diversas esferas do conhecimento, sejam elas exatas, humanas ou biológicas. No entanto, particular ênfase deve ser concedida à relação entre o movimento e os direitos humanos, tema até então pouco explorado, dadas as inúmeras questões que podem surgir dessa interação, tais como:

Como definir o ―humano‖ dos direitos humanos? Ele se refere a alguma essência inata, biológica, ou é mero construto social? É um conceito amplo o suficiente para abarcar o movimento transhumanista ou, a partir de certo grau de modificação, o indíviduo se torna algo completamente diferente e deixa de ser sujeito a esse regime de garantias?

O movimento transhumanista implica em modificação do princípio da dignidade da pessoa humana?

O aperfeiçoamento biotecnológico deve ser considerado um direito humano básico, ao qual todos devem ter acesso, caso desejem, ou, ao contrário, deve ser

3 Humanity+. What is transhumanism? Disponível em http://humanityplus.org/philosophy/transhumanist- faq/. Acesso em 21 de abril de 2016.

4 HUXLEY, Julian. Transhumanism. In New Bottles for New Wine, London: Chatto & Windus, 1957, pp. 13-17. Em seu A History of Transhumanist thought, BOSTROM traça origens ainda mais remotas, defendendo que a busca por aperfeiçoamento é tão antiga quanto o próprio homem.

encarado como uma potencial ameaça à atual estrutura social, nos moldes da crítica de FUKUYAMA? 5

Qual o papel do Estado no controle do processo? Na sua acepção atual, o transhumanismo é identificado com valores libertários 6 , mas seria esse o caminho mais apropriado a se trilhar, considerando a possibilidade de criação de uma discriminação social de base genética? 78

Existe um limite ético para as modificações a serem feitas em corpos humanos? Se sim, onde a linha divisória deve ser traçada? Mais além, se se defende a tese de que o limite deve ser a mera correção de deficiências, como definir o que constitui anormalidade? 9

HIPÓTESES DO TRABALHO

5 Embora considera a crítica de FUKUYAMA infundada, BOSTROM reconhece a relevância da discussão acerca das implicações sociais do transhumanismo, afirmando que ―[w]e will indeed need to worry about the possibility of stigmatization and discrimination, either against or on behalf of technologically enhanced individuals. Social justice is also at stake and we need to ensure that enhancement options are made available as widely and as affordably as possible‖.

6 Seguindo-se o princípio de MILL de que o Estado só deve intervir na vida dos cidadãos para prevenir dano a terceiros, pode-se argumentar que decisões referents ao próprio corpo do indivíduo, sobretudo se forem com propósito de melhoria, são estritamente privadas.

7 NOZICK discute a possibilidade de um ―supermercado genético‖, enfatizando as supostas vantagens de um sistema descentralizado de tomada de decisões nessa área. SINGER, investigando a ideia de NOZICK, no tocante à desigualdade social, escreve que ―[it] points to a future in which the rich have beautiful, brainy, healthy children, while the poor, stuck with the old genetic lottery, fall further and further behind. Thus inequalities of wealth will be turned into genetic inequalities, and the clock will be turned back on centuries of struggle to overcome the privileges of aristocracy. Instead the present generation of wealthy people will have the opportunity to embed their advantages in the genes of their offspring. These offspring will then have not only the abundant advantages that the rich already give their children, but also whatever additional advantages the latest development in genetics can bestow on them. They will most probably therefore continue to be wealthier, longer-lived and more successful than the children of the poor, and will in turn pass these advantages on to their children, who will take advantage of the ever more sophisticated genetic techniques available to them. […] Maxwell Mehlman and Jeffrey Botkin may well be right when they predict that a free market in genetic enhancement will widen the gap between the top and bottom strata of our society, undermine belief in equality of opportunity, and close the safety valve of upward mobility.‖

8 Muitos se preocupam também com a possibilidade de eugenia em moldes nazistas com a popularização da seleção genética. Esse é um dos tópicos discutidos por HABERMAS: ―The conceptual distinction between the prevention of the birth of a severely afflicted child and the optimization of the genetic makeup, that is, a eugenic choice, has become blurred. The practical importance of this will become evident as soon as more far-reaching expectations, namely interventions correcting the human genome, are realized, enabling us to prevent diseases due to monogenetic causes. The conceptual problem of distinguishing between prevention and eugenics will then become a matter of political legislation‖.

9 Alguns movimentos de pessoas surdas, com nanismo, Síndrome de Down e autismo, por exemplo, são radicalmente contra a definição de suas respectivas condições como deficiências que devem ser curadas, insistindo apenas em seu reconhecimento como estilos de vida alternativos e igualmente válidos.

O movimento transhumanista, até então considerado marginal, tem ganhado destaque e proeminência nos últimos anos 10 , e deve, com o avanço cada vez

mais acelerado de tecnologias, tomar posição de destaque na arena política e jurídica, requerendo concertação entre todos os segmentos da sociedade: juristas,

Riscos e ganhos potenciais

devem ser debatidos desde logo, de forma a preparar instituições e indivíduos para a melhor resposta possível 11 .

O transhumanismo é um movimento fundamentalmente disruptivo e, dependendo de como avançar, poderá provocar mudanças substanciais na sociedade. Estruturas vistas pelos membros como meros instintos biológicos sem utilidade real, resquícios de um passado de homens das cavernas, como a família ou a religião, tenderão ao desuso, e deverão ser rediscutidas.

O ―humano‖ objeto dos direitos humanos é construto social e sua definição, portanto, poderá ser atualizada e estendida após, é claro, intenso debate, cujos resultados possivelmente não serão aceitos por todos.

Diferentes Estados provavelmente decidirão de maneiras diferentes sobre o controle a ser exercido sobre o movimento. Ao invés de uma estratégia única para lidar com os avanços da tecnologia, é provável que existe um espectro de reações, indo desde a instituição de políticas públicas que garantam o acesso até o regime de livre mercado.

O avanço tecnológico tende a ser paulatino, de forma que dificilmente vá ocorrer um momento de ruptura generalizada. Ao invés disso, o esperado é que os indivíduos adaptem-se progressivamente às mudanças. Do mesmo modo, os movimentos contrários ao transhumanismo, sejam eles religiosos, sociais, humanistas ou quaisquer outros, tendem a se intensificar com o progressivo avanço tecnológico, sobretudo acerca do direito de escolha sobre composições genéticas, sejam próprias ou de descendentes.

profissionais da saúde, da tecnologia, cidadãos

10 Teóricos famosos, como FUKUYAMA e BOSTROM, por exemplo, estão participando ativamente do debate. O primeiro já foi diretor do Conselho de Bioética do Presidente dos Estados Unidos e o segundo é diretor do Future of Humanity Institute, centro de pesquisa interdisciplinar da Universidade de Oxford.

11 É o caso de institutos como o Humanity+, anteriormente citado, que se propõe a ―to support discussion and public awareness of emerging technologies; to defend the right of individuals in free and democratic societies to adopt technologies that expand human capacities; to anticipate and propose solutions for the potential consequences of emerging technologies; to actively encourage and support the development of emerging technologies judged to have sufficiently probable positive benefit‖, segundo o seu documento constitutivo.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Conforme já salientado, o movimento transhumanista consiste em um grande desafio para a sociedade, colocando em questão tanto as suas estruturas quanto a própria natureza dos indivíduos que a compõem. Nesse sentido, VILAÇA e DIAS destacam que qualquer modelo que se pretenda aceitável deve oferecer respostas sólidas a perguntas fundamentais: o que é o humano, como garantir o seu bem e qual futuro deve ser buscado por ele. 12 Quanto à primeira questão, inúmeras são as respostas possíveis. Para BUCHANAN, por exemplo, a natureza humana é simplesmente o "conjunto de características que são comuns a todos os seres humanos e que distingem os humanos de outros tipos de seres13 . AGAR tende a enfatizar o aspecto histórico dessa natureza 14 . PERSSON e SAVULESCU preferem a conceituação biológica simples: ser humano é fazer parte da espécie Homo sapiens 15 , e não há qualquer valor moral automaticamente atrelado a esse conceito. Ideais como a dignidade da pessoa humana e os direitos dela decorrentes não devem ser encarados, portanto, como desdobramentos automáticos de qualquer suposta natureza. A segunda e a terceira perguntas são interligadas, e BOSTROM tenta respondê- las colocando requisitos para o sucesso do movimento (notadamente a segurança global, o progresso tecnológico e o amplo acesso) e deles derivando valores 16 . Tais valores seriam:

A aceitação da ―modificação da natureza humana‖ como processo normal;

A escolha individual na utilização de tecnologias de aprimoramento (liberdade morfológica);

Paz, cooperação internacional e não-prolferação de armas de destruição em massa; Melhoraria do entendimento (fomento à investigação e ao debate público; pensamento crítico; abertura de espírito, investigação científica; discussão aberta sobre o futuro);

12 DIAS, Maria Clara Marques; VILAÇA, Murilo Mariano. Transhumanismo e o futuro (pós-)humano. In Physis vol. 24 n. 2. Rio de Janeiro. 2014.

13 BUCHANAN, A. Human nature and enhancement. Bioethics, v. 23, n. 3, p. 141-150, 2009.

14 AGAR, N. Liberal Eugenics: in Defense of Human Enhancement. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

15 PERSSON, I.; SAVULESCU, J. Moral Transhumanism. Journal of Medicine and Philosophy, v. 35, n. 6, p. 656-669, 2010.

16 BOSTROM, Nick. Transhumanist Values. Review of Contemporary Philosophy, v. 4, issue 1-2, p. 87101, 2005.

O aumento da inteligência (individual, coletiva e artifical);

A disposição de reexaminar os pressupostos à medida em que se avança

(falibilismo filosófico);

Pragmatismo; espírito engenheiro e empreendedor; ciência;

Diversidade (de espécies, raças, credos religiosos, orientações sexuais, estilos de

vida

);

Preocupação com o bem-estar de toda a senciência.

Percebe-se, portanto, que o arcabouço teórico sobre o transhumanismo é vasto e

contempla diversas possibilidades de desenvolvimento, sendo inúmeros os pontos de

contato com a temática dos direitos humanos. Pela importância do tema, tem-se que tal

investigação não é apenas possível, é necessária.

METODOLOGIA

O presente projeto será desenvolvido primordialmente através de pesquisa e

revisão de livros e artigos científicos. A partir do levantamento bibliográfico inicial,

serão realizadas:

Análise do desenvolvimento histórico, das características e subdivisões

principais do movimento transhumanista;

Análise histórica básica dos direitos humanos, sobretudo do desenvolvimento do

princípio da dignidade da pessoa humana;

Interpretação crítica e tentativa de compatibilização teórica dos dois temas

supracitados;

Discussão de potenciais problemas encontrados na prática dos direitos humanos

e interpretação de políticas públicas.

Cronograma:

Atividades

Ago/16

Set/16

Out/16

Nov/16

Dez/16

Jan/17

Fev/17

Mar/17

Abr/17

Maio/17

Jun/17

Jul/17

Ago/17

Set/17

Out/17

Nov/17

Dez/17

Revisão

x

x

x

x

x

x

                     

bibliográfica

Organização e x x análise das informações coletadas Elaboração da x x x x x
Organização e
x
x
análise das
informações
coletadas
Elaboração da
x
x
x
x
x
dissertação
Revisão final
x
x
do texto
Defesa da
x
dissertação

REFERÊNCIAS

AGAR, N. Liberal Eugenics: in Defense of Human Enhancement. Oxford: Blackwell

Publishing, 2004.

ARENDT, Hannah. A condição humana. 10. ed. Rio de Janeiro: CEBELA, 2000.

BOSTROM, Nick. A History of Transhumanist Thought. Journal of Evolution and

Technology. 2005.

BOSTROM, Nick. Human Genetic Enhancements: A Transhumanist Perspective. In

Arguing About Bioethics, ed. Stephen Holland. 105-115. New York: Routledge. 2005.

BOSTROM, Nick. In Defense of Posthuman Dignity. Bioethics, Vol. 19, No. 3, pp.

202-214. 2005.

BOSTROM, Nick. Transhumanism: The World’s Most Dangerous Idea? Foreign

Policy. 2004.

BOSTROM, Nick. Transhumanist Values. Review of Contemporary Philosophy, v. 4,

issue 1-2, p. 87101, 2005.

BUCHANAN, A. Human nature and enhancement. Bioethics, v. 23, n. 3, p. 141-150,

2009.

DIAS, Maria Clara Marques; VILAÇA, Murilo Mariano. Transhumanismo e o futuro

(pós-)humano. In Physis vol. 24 n. 2. Rio de Janeiro. 2014.

FUKUYAMA, Francis. Nosso Futuro Pós-humano Consequências da revolução da biotecnologia. Rio de Janeiro: Rocco. 2003.

FUKUYAMA, Francis. The World’s Most Dangerous Ideas: Transhumanism. Foreign Policy 144: 42-43. 2004.

GAVAGHAN, Colin. Defending the Genetic Supermarket: The Law and Ethics of Selecting the Next Generation. Taylor & Francis: 2007.

HABERMAS, Jürgen (2004). O Futuro da Natureza Humana. São Paulo: Martins Fontes.

MEHLMAN, Maxwell J. Transhumanist Dreams and Dystopian Nightmares: The Promise and Peril of Genetic Engineering. JHU Press: 2012.

NOZICK, Robert. Anarchy, State, and Utopia. New York: Basic Books, 1974.

PERSSON, I.; SAVULESCU, J. Moral Transhumanism. Journal of Medicine and Philosophy, v. 35, n. 6, p. 656-669, 2010.

SINGER, Peter. Shopping at the Genetic Supermarket. In S. Y. Song, Y. M. Koo & D. R. J. Macer (eds.), Asian Bioethics in the 21st Century, Tsukuba, 2003, pp. 143-156.

VENTURI, Eliseu Raphael. Interfaces do Humanismo Jurídico, Transhumanismo e Futuro Pós-Humano. Disponível em

http://www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=d65631146921df3b