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ANÁLISE DA TEOLOGIA CATÓLICA TENDO EM VISTA AS QUATRO

TEOLOGIAS (Teologia Moral, Dogmática, Bíblica e Patrística)

I. INTRODUÇÃO:

Até há pouco tempo, os livros escritos sobre seitas não incluíam a Igreja
Católica Romana no seu esquema de estudos, talvez devido ao fato de grande parte
deles terem sido escritos em países onde essa igreja não exercia influência para ser
notada como tal. Não é esse o caso do Brasil, aonde a grande maioria dos membros das
igrejas evangélicas, vieram do catolicismo romano, já que essa igreja é majoritária em
nossa pátria desde o seu descobrimento.O catolicismo é considerado seita não porque
negasse a triunidade de Deus, mas devido a sua mariolatria, apoio à feitiçaria, idolatria
etc...

Vivemos em um momento de grande marasmo teológico, onde ideologias e


novas concepções surgem a cada momento atacando e afrontando as maneiras
tradicionais de se crer no divino. Diante dessa conjuntura é preciso que sejamos
objetivos quando somos abordados acerca da razão de nossa esperança cristã; por que
cremos assim? Qual a nossa concepção de Deus? Qual a cosmo visão em que estamos
estribados? Enfim, qual é a definição teológica dos evangélicos em contraste com as
demais, pois se soubermos distinguir desse marasmo o que realmente acreditamos
teremos como levar avante o verdadeiro evangelho de Jesus

II. TEOLOGIA MORAL

Segundo a Igreja Católica, a teologia moral é a parte da Teologia católica "que


se ocupa do estudo sistemático dos princípios éticos da doutrina sobrenatural revelada",
aplicando-os de seguida à vida quotidiana do católico e da Igreja. Esta teologia está, em
parte, englobada pela teologia sistemática. Mas, apesar disso, muitas vezes ela também
está associada à teologia prática [1].

O Evangelho e as verdades e doutrinas reveladas, estudadas pela teologia


dogmática, estão essencialmente ligadas a uma ética e conduta moral. "A doutrina
revelada, a rigor, é uma ética, pois apresenta, no seu conjunto, as normas exigidas para
o relacionamento dos homens entre si e para com Deus" [1]. Esta ética e moral, que
"preparam-nos para sermos o tipo de pessoa que pode viver com Deus" na vida eterna,
giram por isso à volta do "desafio da dádiva de si mesmo aos outros" e a Deus [2]. Por
isso, estas normas devem ser praticadas no quotidiano "como expressão da plena
aceitação da mensagem evangélica" e da vontade de Deus pela humanidade [1]. A prática
desta moral católica, cuja parte fundamental e obrigatória são os Dez Mandamentos,
serve para libertar o Homem da "escravidão do pecado" [3], que é um autêntico "abuso
da liberdade" [4]. Isto porque "só nos tornamos livres se conseguirmos ser melhores" e
ser "atraídos para o bem e o belo" [5], visto que a bondade e as bem-aventuranças
"definem o contexto para a vida moral cristã" [6].

Segundo a doutrina da Igreja Católica, "a questão moral é o cerne da


problemática soterológica, pois a salvação depende da nossa conduta, após a
justificação recebida com a graça do batismo". O objetivo da teologia moral "é levar as
virtudes cristãs a excelência", até o fim das vidas de cada católico [1].
II. 1. MORALIDADE DOS ATOS

Segundo a doutrina da Igreja Católica, "a moralidade dos atos humanos depende
de três fontes: do objeto escolhido, ou seja, dum bem verdadeiro ou aparente; da
intenção do sujeito que age, isto é, do fim que ele tem em vista ao fazer a ação; das
circunstâncias da ação, onde se incluem as suas conseqüências". Estas circunstâncias
podem anular, "atenuar ou aumentar a responsabilidade de quem age, mas não podem
modificar a qualidade moral dos próprios atos, não tornam nunca boa uma ação que, em
si, é má", visto que "o fim não justifica os meios". Por isso, a transgressão de uma regra
moral implica a escolha do mal e por isso o cometimento de pecados [7].

II. 2. MORALIDADE DAS PAIXÕES

Segundo a concepção católica, as paixões são "os afetos, as emoções ou os


movimentos da sensibilidade – componentes naturais da psicologia humana – que
inclinam a agir ou a não agir em vista do que se percebeu como bom ou como mau. As
principais são o amor e o ódio, o desejo e o medo, a alegria, a tristeza e a cólera. A
paixão fundamental é o amor, provocado pela atração do bem." [8].

Ainda segundo a doutrina católica, "as paixões não são nem boas nem más em si
mesmas: são boas quando contribuem para uma ação boa; são más, no caso contrário."
Logo, elas podem ser assumidas, guiadas e ordenadas pelas virtudes ou pervertidas e
desorientadas pelos vícios [9].

II. 3. DIGNIDADE, LIBERDADE E CONSCIÊNCIA MORAL

Como já foi tratado nas secções "Homem, a sua Queda e o Pecado original",
"Demônios e Mal" e "Justificação, Graça, Misericórdia, Mérito e Liberdade, o Homem
possui dignidade, que está radicada na sua "criação à imagem e semelhança de Deus", o
que implica necessariamente que o Homem possui liberdade e consciência moral. A
liberdade é uma capacidade inseparável e inalienável do Homem [10], dado por Deus, "de
agir e não agir", "de escolher entre o bem e o mal", "praticando assim por si mesmo
ações deliberadas". Este poder único, que "atinge a perfeição quando é ordenada para
Deus" [11], "torna o homem responsável pelos seus atos, na medida em que são
voluntários, embora a imputabilidade e a responsabilidade de um ato possam ser
diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência suportada, o
medo, as afeições desordenadas e os hábitos" [12]. A "escolha do mal é um abuso da
liberdade, que conduz à escravatura do pecado", porque o Homem tem uma consciência
moral [11].

Quando escuta esta consciência, "o homem prudente pode ouvir a voz de Deus"
[13]
, que o ordena a praticar o bem e a evitar o mal, em conformidade e guiada pela
razão, pela doutrina e pela Lei de Deus, especialmente pela regra de ouro e pelos
mandamentos de amor [14]. "Graças a ela, a pessoa humana percebe a qualidade moral
dum ato a realizar ou já realizado, permitindo-lhe assumir a responsabilidade." [13]. O
Homem, como possui dignidade, não deve ser impedido ou obrigado "a agir contra a
sua consciência" [14], devendo por isso "obedecer sempre ao juízo certo da sua
consciência, mas esta também pode emitir juízos errôneos" [15]. Para que isto não
aconteça, é preciso retificá-la e torná-la perfeita, para ela estar em sintonia com a
vontade divina, através da educação, "da assimilação da Palavra de Deus e do ensino da
Igreja". "Além disso, ajudam muito na formação moral a oração e o exame de
consciência", bem como os dons do Espírito Santo e "os conselhos de pessoas sábias"
[16]
.

II. 4. LEI MORAL

Jesus deu aos homens a Nova Lei, que é a forma perfeita da Lei de Deus. Esta Nova Lei
resume-se nos famosos mandamentos de amor [17] [18].

A Lei moral ou Lei de Deus, sendo uma obra divina, "prescreve-nos caminhos e
normas de conduta que levam à bem-aventurança prometida, proibindo-nos os caminhos
que nos desviam de Deus" [19]. A Lei moral é percebida pelo Homem devido à sua
consciência moral e à sua razão. Esta lei é constituída pela Lei natural, que está "escrita
pelo Criador no coração de cada ser humano" [20]; pela Antiga Lei, revelada no Antigo
Testamento; e pela Nova Lei, revelada no Novo Testamento por Jesus.

A Lei natural, sendo "universal e imutável", "manifesta o sentido moral


originário que permite ao homem discernir, pela razão, o bem e o mal". Como todos os
homens (fiéis ou infiéis) a percebam, ela é de cumprimento obrigatório [20], mas ela nem
sempre é totalmente compreendida, devido ao pecado. Por isso, Santo Agostinho afirma
que "Deus «escreveu nas tábuas da Lei o que os homens não conseguiam ler nos seus
corações»" [21], dando assim origem à Antiga Lei, que "é o primeiro estádio da Lei
revelada". Resumida nos Dez Mandamentos, ela "exprime muitas verdades que são
naturalmente acessíveis à razão", coloca "os alicerces da vocação do homem, proíbe o
que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescreve o que lhe é essencial" [22].

A Antiga Lei, sendo ainda imperfeita, "prepara e dispõe à conversão e ao


acolhimento do Evangelho" [23] e da Nova Lei, que é a "perfeição e cumprimento", mas
não a substituição, da Lei natural e da Antiga Lei [18]. Esta Nova Lei ou Lei evangélica
"encontra-se em toda a vida e pregação de Cristo e na catequese moral dos Apóstolos",
sendo o Sermão da Montanha "a sua principal expressão" [17]. Esta Lei já perfeita e
plenamente revelada "resume-se no mandamento do amor a Deus e ao próximo", e é
considerada por São Tomás de Aquino como «a própria graça do Espírito Santo, dada
aos crentes em Cristo» [18].
II. 5. Dez Mandamentos

Moisés, grande profeta do Antigo Testamento, traz os Dez Mandamentos ao Povo


de Deus [24].

Como os Dez Mandamentos (ou Decálogo) é a síntese da Lei de Deus (e não só da


Antiga Lei) e a base mínima e fundamental da moral católica, a Igreja insiste aos seus
fiéis o cumprimento obrigatório destas regras [25], que já tinham sido reveladas no
Antigo Testamento. Aliás, segundo as próprias palavras de Jesus, é necessário observá-
los para "entrar na vida eterna" (Mt 19,16-21) [26], além de ser necessário para o "o povo
mostrar a sua pertença a Deus e responder com gratidão à sua iniciativa de amor" [27].
Estes mandamentos, que "enuncia deveres fundamentais do homem para com Deus e
para com o próximo" [25], dão a conhecer também a vontade divina e, ao todo, são dez:

• 1º - Amar a Deus sobre todas as coisas.


• 2º - Não invocar o Santo Nome de Deus em vão.
• 3º - Guardar domingos e festas de guarda.
• 4º - Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
• 5º - Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao
próximo).
• 6º - Guardar castidade nas palavras e nas obras.
• 7º - Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
• 8º - Não levantar falsos testemunhos.
• 9º - Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
• 10º- Não cobiçar as coisas alheias.

Estes mandamentos podem ser resumidos em apenas dois, que são: "amar a Deus
sobre todas as coisas"; e "amar ao próximo como a nós mesmos". A transgressão de um
mandamento infringe todo o Decálogo, porque é um "conjunto orgânico e indissociável"
[28]
.
II. 6. VIRTUDE

São Paulo (séc. I) disse que, de todas as virtudes, "o maior destas é o amor" (ou
caridade) [29].

A virtude, que se opõe ao pecado, é uma qualidade moral, "uma disposição habitual
e firme para fazer o bem", sendo "o fim de uma vida virtuosa tornar-se semelhante a
Deus" [30]. Segundo a Igreja Católica, existe uma grande variedade de virtudes que
derivam da razão e da fé humanas. Estas, que se chamam virtudes humanas, regulam
os atos, as paixões e a conduta moral humanas, sendo as mais importantes as virtudes
cardinais, que são quatro:

• A Prudência, que "dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o


verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir".
• a Justiça, que é uma "constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é
devido"
• A Fortaleza que "assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura
do bem" [35].
• A Temperança que "modera a atração dos prazeres, assegura o domínio da
vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados"
[36]
.

Mas, para que as virtudes humanas se atinjam a sua plenitude, elas têm que ser
vivificadas e animadas pelas virtudes teologais, que têm "como origem, motivo e
objeto imediato o próprio Deus". Elas são infundidas no homem com a graça
santificante e tornam os homens capazes de viver em relação com a Santíssima
Trindade [37]. As virtudes teologais são três:

• Fé: por causa dela, o homem acredita e "entrega-se a Deus livremente. Por isso,
o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus" [38].
• Esperança: por meio dela, os crentes esperam a vida eterna e o Reino de Deus,
colocando a sua confiança perseverante nas promessas de Cristo [39].
• Caridade (ou Amor): através dela, "amamos a Deus sobre todas as coisas e ao
próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento
novo, a plenitude da Lei", sendo por isso «o vínculo da perfeição» (Col 3,14) [40].
O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e "o oposto de usar"
(ver subsecção Amor, Sexualidade e Castidade) [41].
II. 7. PECADO

Os Sete Pecados Capitais.

Segundo Santo Agostinho, o pecado "é «uma palavra, um ato ou um desejo


contrários à Lei eterna»", causando por isso ofensa a Deus e ao seu amor. Logo, este ato
do mal fere a natureza e a solidariedade humanas. "Cristo, na sua morte na cruz, revela
plenamente a gravidade do pecado e vence-o com a sua misericórdia" [42]. Há uma
grande variedade de pecados, distinguindo-lhes "segundo o seu objeto, ou segundo as
virtudes ou os mandamentos a que se opõem. Podem ser diretamente contra Deus,
contra o próximo e contra nós mesmos. Podemos ainda distinguir entre pecados por
pensamentos, por palavras, por ações e por omissões" [43].

A repetição de pecados gera vícios, que "'são hábitos perversos que obscurecem
a consciência e inclinam ao mal. Os vícios podem estar ligados aos chamados sete
pecados capitais, que são: soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça ou
negligência" [44]. A Igreja ensina também que temos responsabilidade "nos pecados
cometidos por outros, quando culpavelmente neles cooperamos" [45].

Quanto à sua gravidade, os pecados cometidos pela humanidade podem ser


divididos em:

• Pecados mortais, que são cometidos quando "há matéria grave [...] e deliberado
consentimento". Ao afastarem o Homem da caridade e da graça santificante, eles
"conduz-nos à morte eterna do Inferno, se deles não nos arrependermos"
sinceramente [46];
• Pecados veniais, que são cometidos "sem pleno consentimento" ou "se trata de
matéria leve". Eles, apesar de afetar o nosso caminho de santificação, merece
apenas "penas purificatórias temporais", nomeadamente no Purgatório [47].

Todos estes pecados pessoais devem-se ao enfraquecimento da natureza humana,


que passou a ficar "submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte, e
inclinada ao pecado". Isto é causada pelo pecado original (veja a subsecção Homem, a
sua Queda e o Pecado original), que é transmitido a todos os homens, sem culpa
própria, devido à sua unidade de origem, que é Adão e Eva. Eles desobedeceram à
Palavra de Deus no início do mundo, originando este pecado, que, felizmente, pode ser
atualmente perdoado (mas não eliminado) pelo Batismo. [48]
II. 8. PERDÃO E INDULGÊNCIAS

Um confessionário.

Porém, como o amor de Deus é infinito e como Jesus já se sacrificou na cruz,


todos os homens, católicos ou não, podem ser perdoados por Deus a qualquer momento,
desde que eles se arrependam de um modo livre e sincero [49] e se comprometam em
fazer os possíveis para perdoar os seus inimigos [50]. Os católicos que cometem pecados
mortais são considerados membros imperfeitos do Corpo Místico de Cristo, logo é
necessário arrependerem-se e serem perdoados para entrarem novamente na comunhão
dos santos [51]. Este perdão tão necessário pode ser concedido por Deus
sacramentalmente e por meio da Igreja, pela primeira vez, através do Batismo e depois,
ordinariamente, através da Reconciliação [46].

Mas, Deus também pode conceder este perdão através de muitas maneiras
diferentes (ou até mesmo diretamente), para todos aqueles que se arrependeram
(incluindo os não-católicos) [52]. Mas, o perdão divino não significa a eliminação das
penas temporais, ou seja, do mal causado como conseqüência dos pecados cuja culpa já
está perdoada. Neste caso, para eliminá-las, é necessário obter indulgências e praticar
boas obras durante a vida terrena ou ainda, depois de morrer, uma purificação da alma
no Purgatório, com a finalidade de entrar puro e santo no Céu [53].

II. 9. AMOR, SEXUALIDADE E CASTIDADE

São José, o pai adotivo de Jesus, é considerado como um grande modelo de castidade [54]
[55]
.

Em relação à sexualidade, a Igreja Católica convida todos os seus fiéis a viverem


na castidade, que é uma "virtude moral e um dom de Deus" [56] que permite a
"integração positiva da sexualidade na pessoa" [56]. Esta integração tem por objetivo
tornar possível "a unidade interior do homem no seu ser corporal e espiritual" [57],
supondo por isso de "uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da
liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda as suas paixões e alcança
a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz" [58]. "A virtude da castidade gira
na órbita da virtude cardinal da temperança" [59].

Logo, "todo o batizado é chamado à castidade" [60] porque a sexualidade só se


"torna pessoal e verdadeiramente humana quando integrada na relação de pessoa a
pessoa, no dom mútuo total e temporalmente ilimitado, do homem e da mulher" [57],
ambos unidos pelo sacramento do Sagrado Matrimônio (que é indissolúvel) [61]. Por isso,
os atos sexuais só podem "ter lugar exclusivamente no Matrimônio; fora dele
constituem sempre um pecado grave" [62]. Por estas razões, o sexo pré-marital [63], "o
adultério, a masturbação, a fornicação, a pornografia, a prostituição, o estupro" e os atos
sexuais entre homossexuais são condenados pela Igreja como sendo "expressões do
vício da luxúria" [64].

Para a Igreja, o Amor é uma virtude teologal [40], uma "dádiva de si mesmo" e "é
o oposto de usar" [41] e de afirmar-se a si mesmo [65]. Aplicado nas relações conjugais
humanas, o Amor verdadeiramente vivido e plenamente realizado é uma "comunhão de
entrega e receptividade" [66], de "dádiva mútua do eu e [...] de afirmação mútua da
dignidade de cada parceiro". Esta comunhão "do homem e da mulher" [66] é "um ícone
da vida do próprio Deus" [67] e "leva não apenas à satisfação, mas à santidade" [66]. Este
tipo de relação conjugal proposto pela Igreja "exige permanência e compromisso", que
só pode ser autenticamente vivido "no seio dos laços do Matrimônio" [68].

Santa Maria Goretti (1890-1902), uma virgem que, tal como os inúmeros santos,
viveu rigorosamente e à sua maneira a castidade cristã [69].

Por esta razão, a sexualidade não exerce só a função de procriar, mas também
um papel importante na vida íntima conjugal. Usando as palavras do Catecismo da
Igreja Católica, a sexualidade, que "é fonte de alegria e de prazer" [70], "ordena-se para o
amor conjugal do homem e da mulher" [71] e para "a transmissão da vida" [72]. A
sexualidade (e o sexo) é também considerada como a grande expressão "humana e
totalmente humanizada" do Amor recíproco, que é assente na "dádiva de si mesmo", "no
encontro de duas liberdades em entrega e receptividade mútuas", onde o homem e a
mulher se unem e se complementam [73]. Este verdadeiro e íntegro amor conjugal, onde
a relação sexual é vivida honesta e dignamente, só é possível graças à castidade
conjugal [74]. Esta virtude permite uma vivência conjugal perfeita assente "na fidelidade
e na fecundidade" matrimoniais [72].

Para além da castidade conjugal (que não implica a abstinência sexual dos
casados), existem ainda diversos regimes de castidade: a virgindade ou o celibato
consagrado (para, como por exemplo, os religiosos, as pessoas consagradas e os
clérigos), e "a castidade na continência" ou abstinência (para os não casados) [75].

II. 10. PRESERVATIVOS E DSTS

Em relação às doenças sexualmente transmissíveis (DST), a Igreja defende que a


fidelidade no casamento, o amor recíproco, a castidade e a abstinência são os melhores
meios de combatê-las, em detrimento do preservativo. Aliás, segundo a opinião da
Igreja, o uso atual e indiscriminado de preservativos incentiva um estilo de vida sexual
imoral, promíscuo, irresponsável e banalizado, onde o corpo é usado como um fim em
si mesmo e o parceiro(a) é reduzido(a) a um simples objeto de prazer. Este tipo de vida
sexual é fortemente condenada pela Igreja [76].

II. 11. HOMOSSEXUALIDADE

Os atos sexuais entre pessoas com tendências homossexuais são considerados


moralmente errados porque "violam a iconografia de diferenciação e
complementaridade sexuais [a união homem-mulher], que tornam o amor sexual
possível como ato de entrega e reciprocidade mútuas, e porque são, de natureza,
incapazes de gerar vida" [77]. Entretanto, para a Igreja, ter tendências homossexuais não é
considerado um pecado, mas apenas uma "depravação grave" e uma "provação". O
pecado está em ceder a essas tendências e adotá-las na prática [78]. Na mesma linha de
pensamento, a Igreja repudia qualquer reconhecimento legal das uniões entre pessoas do
mesmo sexo [79].

Mas, a Igreja Católica não discrimina os homossexuais e pretende ajudá-los a


viver na castidade e "na integridade do amor na entrega de si mesmos e para evitarem
atos sexuais que são, pela natureza, moralmente desordenados, porque são atos de
afirmação de si mesmo e não dádiva de si mesmo" [77]. A Igreja ainda convida os
homossexuais a "aproximarem-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã", através
do oferecimento das suas dificuldades e sofrimentos como um sacrifício para Deus, das
"virtudes do autodomínio [...], do apoio duma amizade desinteressada, da oração e da
graça sacramental" [78].
Papa Paulo VI, autor da encíclica Humanae Vitae (1968), que trata de várias
questões sobre a transmissão da vida (ex: a procriação e a regulação de natalidade) [80].

A Igreja Católica considera a Vida humana como "sagrada" e como uma das
maiores dádivas e criações divinas (logo, é um valor absoluto e inalienável) [81], por isso
condena, entre outras práticas, a violência [82], o homicídio, o suicídio, o aborto
induzido, a eutanásia [83], a clonagem humana (seja ela reprodutiva ou terapêutica) [84] e
as pesquisas ou práticas científicas que usam células-tronco extraídas do "embrião
humano vivo" (o que provocam a morte do embrião) [85]. Para a Igreja, a Vida humana
deve ser gerada naturalmente pelo sexo conjugal [86] e tem início na fecundação (ou
"concepção") e o seu fim na morte natural [87] [88]. Segundo esta lógica, a reprodução
medicamente assistida é também considerada imoral porque "dissocia a procriação" do
ato sexual conjugal, "instaurando assim um domínio da técnica sobre a origem e o
destino da pessoa humana" [89].

Quanto à regulação dos nascimentos, a Igreja defende-a como uma expressão e


"componente da paternidade e maternidade responsáveis" à construção prudente de
famílias, desde que não seja realizada com base no egoísmo ou em "imposições
externas" [90]. Mas, esta regulação só pode ser feita através do Planejamento familiar
natural, que utiliza métodos de planejamento naturais como a continência periódica e o
recurso aos períodos infecundos [90]. Os outros métodos de contracepção, nomeadamente
a pílula, a esterilização direta e o preservativo, são expressamente condenados [91].

A Igreja ensina inclusivamente que os métodos naturais são formas mais


humanistas e responsáveis de viver a responsabilidade procriadora porque, quando
usados corretamente, aumentam e fortalecem a comunicação e o amor entre os
cônjuges; promovem o autoconhecimento do corpo; nunca tem efeitos colaterais no
organismo; e promovem a idéia de que a fertilidade é uma riqueza e dádiva divina que
pode e deve ser utilizada em momento oportuno [92].

III. TEOLOGIA DOGMÁTICA

Segundo a definição católica, a Teologia dogmática é a parte da Teologia católica


que trata, sistematicamente, do conjunto das verdades reveladas por Deus (compiladas e
reunidas na chamada Tradição, que inclui a Bíblia) e como tal propostas pelo
Magistério da Igreja Católica, isto é, do dogma e das verdades fundamentais com ele
vinculadas, às quais se deve em primeiro lugar o assentimento da fé. Esta teologia trata
também da forma como o Magistério elaborou seu ensinamento em relação a essas
verdades definitivas, irrefutáveis e imutáveis, podendo, porém a sua compreensão
evoluir, à luz do estudo rigoroso por este ramo da teologia.
Usa somente materiais encontrados nas escrituras, procuram organizar e
classificar esses materiais de uma forma científica nas discussões das várias doutrinas.
Neste contexto teológico, as teorias humanas não são reputadas como que de valor, elas
são abandonadas. A única fonte é a Bíblia.

Na Igreja Católica, um dogma é uma verdade absoluta, definitiva, imutável,


infalível, inquestionável e "absolutamente segura sobre a qual não pode pairar nenhuma
dúvida" [1]. Uma vez proclamado solenemente, "nenhum dogma pode ser" revogado ou
"negado, nem mesmo pelo Papa ou por decisão conciliar" [1] Por isso, os dogmas
constituem a base inalterável de toda a Doutrina católica [2] e qualquer católico é
obrigado a aderir, aceitar e acreditar nos dogmas de uma maneira irrevogável [3].

Os dogmas têm estas características porque os católicos acreditam que um dogma é


uma verdade que está contida, implícita ou explicitamente, na imutável Revelação
divina ou que tem com ela uma "conexão necessária" [3]. Para que estas verdades se
tornem em dogmas, elas precisam ser propostas pela Igreja Católica diretamente à sua fé
e à sua doutrina, através de uma definição solene e infalível pelo Supremo Magistério
da Igreja (Papa ou Concílio ecumênico com o Papa [4]) e do posterior ensinamento
destas pelo Magistério ordinário da Igreja. Para que tal proclamação ou clarificação
solene aconteça, são necessárias duas condições:

• O Sentido deve estar suficientemente manifestado como sendo uma autêntica


verdade revelada por Deus [5];
• A verdade ou doutrina em causa deve ser proposta e definida solenemente pela
Igreja como sendo uma verdade revelada e uma parte integrante da fé católica [5].

Mas, "a definição dos dogmas ao longo da história da Igreja não quer dizer que tais
verdades só tardiamente tenham sido reveladas, mas que se tornaram mais claras e úteis
para a Igreja na sua progressão na fé" [6]. Por isso, a definição gradual dos dogmas não é
contraditória com a crença católica de que a Revelação divina é inalterável, definitiva e
imutável desde a ascensão de Jesus.

Os mais importantes dogmas, que tratam de assuntos como a Santíssima Trindade e


Jesus Cristo, "foram definidos nos primeiros concílios ecumênicos; o Concílio Vaticano
I foi o último a definir verdades dogmáticas (primado e infalibilidade do Papa)". As
definições de dogmas "mais recentes estão a da Imaculada Conceição [...] (1854) e da
Assunção de Nossa Senhora [...] (1950)" [6].

III. 1. DOGMAS SOBRE DEUS

1- A Existência de Deus

"A idéia de Deus não é inata em nós, mas temos a capacidade para conhecê-Lo
com facilidade, e de certo modo espontaneamente por meio de Sua obra"

2- A Existência de Deus como Objeto de Fé

"A existência de Deus não é apenas objeto do conhecimento da razão natural,


mas também é objeto da fé sobrenatural"

3- A Unidade de Deus

"Não existe mais que um único Deus "

4- Deus é Eterno

"Deus não tem princípio nem fim"

5- Santíssima Trindade
"Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; e cada uma delas possui a
essência divina que é numericamente a mesma"

III. 2. DOGMAS SOBRE JESUS CRISTO

1- Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência

"O dogma diz que Jesus Cristo possui a infinita natureza divina com todas suas
infinitas perfeições, por haver sido engendrado eternamente por Deus."

2- Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam

"Cristo é possuidor de uma íntegra natureza divina e de uma íntegra natureza


humana: a prova está nos milagres e no padecimento"

3- Cada uma das naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria
operação física

"Existem também duas vontades físicas e duas operações físicas de modo


indivisível, de modo que não seja conversível, de modo inseparável e de modo
não confuso"

4- Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus

"O Pai celestial quando chegou à plenitude, enviou aos homens seu Filho, Jesus
Cristo"

5- Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício

"Cristo, por sua natureza humana, era ao mesmo tempo sacerdote e oferenda,
mas por sua natureza Divina, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, era o que
recebia o sacrifício."

6- Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua morte na
cruz

"Jesus Cristo quis oferecer-se a si mesmo a Deus Pai, como sacrifício


apresentado sobre a ara da cruz em sua morte, para conseguir para eles o eterno
perdão"

7- Ao terceiro dia depois de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos

"ao terceiro dia, ressuscitado por sua própria virtude, se levantou do sepulcro"

13- Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direta de Deus Pai

"ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu em Corpo e Alma"

III. 3. DOGMAS SOBRE A CRIAÇÃO DO MUNDO


1- Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada

"A criação do mundo do nada, não apenas é uma verdade fundamental da


revelação cristã, mas também que ao mesmo tempo chega a alcançá-la a razão
com apenas suas forças naturais, baseando-se nos argumentos cosmológicos e
sobretudo, na argumento da contingência."

2- Caráter temporal do mundo

"O mundo teve princípio no tempo"

3- Conservação do mundo

"Deus conserva na existência a todas as coisas criadas"

III. 4. DOGMAS SOBRE O SER HUMANO

1- O homem é formado por corpo material e alma espiritual

"O humano como comum constituída de corpo e alma"

2- O pecado de Adão se propaga a todos seus descendentes por geração, não por
imitação

"Pecado, que é morte da alma, se propaga de Adão a todos seus descendentes


por geração e não por imitação, e que é inerente a cada indivíduo"

3- O homem caído não pode redimir-se a si próprio

"Somente um ato livre por parte do amor divino poderia restaurar a ordem
sobrenatural, destruída pelo pecado"

III. 5. DOGMAS MARIANOS

1- A Imaculada Conceição de Maria

"A Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, foi por
singular graça e privilégio de Deus onipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus,
Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original"

2- Maria, Mãe de Deus

"Maria, como uma virgem perpétua, gerara a Cristo segundo a natureza humana,
mas quem dela nasce, ou seja, o sujeito nascido não tem uma natureza humana, mas sim
o suposto divino que a sustenta, ou seja, o Verbo. Daí que o Filho de Maria é
propriamente o Verbo que subsiste na natureza humana; então Maria é verdadeira Mãe
de Deus, posto que o Verbo é Deus. Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem"

3- A Assunção de Maria
"A Virgem Maria foi assunta ao céu imediatamente depois que acabou sua vida
terrena; seu Corpo não sofreu nenhuma corrupção como sucederá com todos os homens
que ressuscitarão até o final dos tempos, passando pela descomposição."

III. 6. DOGMAS SOBRE O PAPA E A IGREJA

1-A Igreja foi fundada pelo Deus e Homem, Jesus Cristo

"Cristo fundou a Igreja, que Ele estabeleceu os fundamentos substanciais da


mesma, no tocante a doutrina, culto e constituição"

2- Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos e como
cabeça visível de toda Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado da
jurisdição

"O Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado Pedro e tem o primado


sobre todo rebanho"

3- O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja, não somente
em coisas de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja

"Conforme esta declaração, o poder do Papa é: de jurisdição, universal,


supremo, pleno, ordinário, episcopal, imediato"

4- O Papa é infalível sempre que se pronuncia ex cathedra.

"Para compreender este dogma, convém ter na lembrança:


Sujeito da infalibilidade papal é todo o Papa legítimo, em sua qualidade de sucessor de
Pedro e não outras pessoas ou organismos (ex.: congregações pontificais) a quem o
Papa confere parte de sua autoridade magistral".
O objeto da infalibilidade são as verdades de fé e costumes, reveladas ou em
íntima conexão com a revelação divina.
A condição da infalibilidade é que o Papa fale ex catedra:
- Que fale como pastor e mestre de todos os fiéis fazendo uso de sua suprema
autoridade.
- Que tenha a intenção de definir alguma doutrina de fé ou costume para que seja
acreditada por todos os fiéis. As encíclicas pontificais não são definições ex catedra.
A razão da infalibilidade é a assistência sobrenatural do Espírito Santo, que
preserva o supremo mestre da Igreja de todo erro.
A conseqüência da infalibilidade é que a definição ex catedra dos Papas sejam
por si mesmas irreformáveis, sem a intervenção ulterior de qualquer autoridade."

5- A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes

"Estão sujeitos à infalibilidade:


- O Papa, quando fala ex catedra
- O episcopado pleno, com o Papa, que é a cabeça do episcopado, é infalível
quando reunido em concílio ecumênico ou disperso pelo rebanho da terra, ensina
e promove uma verdade de fé ou de costumes para que todos os fiéis a
sustentem"
II. 7. DOGMAS SOBRE OS SACRAMENTOS

1- O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo

"Foi dado todo poder no céu e na terra; ide então e ensinai todas as pessoas,
batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"

2- A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento

"Este Sacramento concede aos batizados a fortaleza do Espírito Santo para que
se consolidem interiormente em sua vida sobrenatural e confessem
exteriormente com valentia sua fé em Jesus Cristo."

3- A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo

"Foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o poder de perdoar


e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos depois do Batismo"

4- A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária
para a salvação

"Basta indicar a culpa da consciência apenas aos sacerdotes mediante confissão


secreta"

5- A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo

"Aquele que come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a vida eterna"

6- Cristo está presente no sacramento do altar pela Transubstanciação de toda a


substância do pão em seu corpo e toda substância do vinho em seu sangue

"Transubstanciação é uma conversão no sentido passivo; é o trânsito de uma


coisa a outra. Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois sucedem em seus
lugares o Corpo e o Sangue de Cristo. A Transubstanciação é uma conversão
milagrosa e singular diferente das conversões naturais, porque não apenas a
matéria como também a forma do pão e do vinho são convertidas; apenas os
acidentes permanecem sem mudar: continuamos vendo o pão e o vinho, mas
substancialmente já não o são, porque neles está realmente o Corpo, o Sangue,
Alma e Divindade de Cristo."

7- A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo

"Existe algum enfermo entre nós? Façamos a unção do mesmo em nome do


Senhor"

8- A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo

"Existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de Bispos,
Presbíteros e Diáconos"
9- O matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento

"Cristo restaurou o matrimônio instituído e bendito por Deus, fazendo que


recobrasse seu primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a
dignidade de Sacramento."

III. 8. DOGMAS SOBRE AS ÚLTIMAS COISAS

1-A Morte e sua origem

"A morte, na atual ordem de salvação, é conseqüência primitiva do pecado"

2- O Céu (Paraíso)

"As almas dos justos que no instante da morte se acham livres de toda culpa e
pena de pecado entram no céu"

3- O Inferno

"O inferno é uma possibilidade graças a nossa liberdade. Deus nos fez livres
para amá-lo ou para rejeitá-lo. Se o céu pode ser representado como uma grande ciranda
onde todos vivem em plena comunhão entre si e com Deus, o inferno pode ser visto
como solidão, divisão e ausência do amor que gera e mantém a vida. Deve-se salientar
que a vontade de Deus é a vida e não a morte de quem quer que seja. Jesus veio para
salvar e não para condenar. No limite, Deus não condena ninguém ao inferno. É a nossa
opção fundamental, que vai se formando ao longo de toda vida, pelas nossos
pensamentos, atos e omissões, que confirma ou não o desejo de estar com Deus para
sempre. De qualquer forma, não se pode usar o inferno para convencer as pessoas a
acreditar em Deus ou a viver a fé. Isso favorece a criação de uma religiosidade infantil e
puramente exterior. Deve-se privilegiar o amor e não o temor. Só o amor move os
corações e nos faz adorar a Deus e amar o próximo em espírito e vida."

3- O Purgatório

"As almas dos justos que no instante da morte estão agravadas por pecados
veniais ou por penas temporais devidas pelo pecado vão ao purgatório. O
purgatório é estado de purificação"

4- O Fim do mundo e a Segunda vinda de Cristo

"No fim do mundo, Cristo, rodeado de majestade, virá de novo para julgar os
homens"

5- A Ressurreição dos Mortos no Último Dia

"Aos que crêem em Jesus e comem de Seu corpo e bebem de Seu sangue, Ele
lhes promete a ressurreição"
6- O Juízo Universal

"Cristo, depois de seu retorno, julgará a todos os homens."

III. 1. TEOLOGIA BÍBLICA

A Igreja Católica menciona o ano 33 como a data da sua fundação. Isto vem do
fato de que toda ramificação do Cristianismo costuma ligar a sua origem à Igreja
fundada por Jesus Cristo. Porém, quanto ao desenvolvimento da organização
eclesiástica e doutrina da Igreja Romana, é muito difícil fixar com exatidão a data de
sua fundação, porque o seu afastamento das doutrinas bíblicas deu-se paulatinamente

III. 2. Começo da degeneração: Durante os primeiros três séculos da Era


Cristã, a perseguição à Igreja verdadeira ajudou a manter a sua pureza, preservando-a de
líderes maus e ambiciosos. Nessa época, ser cristão significava um grande desafio, e
aqueles que fielmente seguiam a Cristo sabiam que tinham suas cabeças a prêmio, pois
eram rejeitados e perseguidos pelas pessoas não-cristãos. Só os realmente Cristãos se
dispunham a pagar o preço. Graças à tenacidade e coragem dos Pais da Igreja e dos
apologistas cristãos, o combate da Igreja às heresias que surgiram nessa época resultou
numa expressão mais clara da teologia cristã. Quando os imperadores propuseram-se a
exterminar a Igreja Cristã, só os que estavam dispostos a renunciar o paganismo e a
sofrer o martírio declaravam sua fé em Deus. Logo no início do século IV, Constantino
ascendeu ao posto de imperador. Isso parecia ser o triunfo final do Cristianismo, mas,
na realidade, produziu resultados desastrosos dentro da Igreja. Em 312, Constantino
apoiou o Cristianismo e o fez religião oficial do Império Romano. Proclamando a si
mesmo benfeitor do Cristianismo, achou-se no direito de convocar um Concílio em
Nicéia, para resolver certos problemas doutrinários gerados por determinados
segmentos da Igreja. Nesse Concílio foi estabelecido o chamado "Credo dos
Apóstolos".

III. 3. Causas da decadência da Igreja: A decadência doutrinária, moral e


espiritual da igreja começou quando milhares de pessoas foram por ela batizados e
recebidas como membros, sem terem experimentado uma real conversão bíblica.
Verdadeiros pagãos que eram, introduziram-se no seio da igreja trazendo consigo os
seus deuses, que, segundo eles, eram o mesmo Deus adorado pelos cristãos. Nesse
tempo, homens ambiciosos e sem o temor de Deus começaram a buscar posições na
igreja como meio de obter influência social e política, ou para gozar dos privilégios e do
sustento que o Estado garantia a tantos quantos fizessem parte do clero. Deste modo, o
formalismo e as crenças pagãs iam-se infiltrando na igreja até o nível de paganizá-la
completamente.

III. 4. Raízes do Papado e da Mariolatria: Desde o ano 200 até o ano 276 da
nossa Era, os imperadores romanos haviam ocupado o posto e o título de Sumo
Pontífice da Ordem Babilônica. Depois que o imperador Graciano se negara a liderar
essa seita, Dâmaso, bispo da Igreja Cristã em Roma, foi nomeado para esse cargo no
ano 378. Uniram-se assim numa só pessoa todas as funções dum sumo sacerdote
apóstata e os poderes de um bispo cristão. Imediatamente depois deste acontecimento,
começou-se a promover a adoração a Maria como a Rainha do Céu e a Mãe de Deus.
Daí procederam todos os absurdos romanistas quanto à humilde pessoa de Maria, a mãe
de Jesus. Enquanto se desenvolvia a adoração a Maria, os cultos da igreja romana
perdiam cada vez mais os elementos espirituais e a perfeita compreensão da graça de
Deus. Formas pagãs, como a ênfase sobre o mistério e a magia, influenciaram essa
igreja. O sacerdote, o altar, a missa e as imagens de escultura assumiram papel de
preponderância no culto. A autoridade era centralizada numa igreja dita infalível e não
na vontade de Deus, conforme expressada pela Bíblia Sagrada.

III. 5. O Cisma Entre o Oriente e o Ocidente: O cisma entre o Oriente e o


Ocidente logo se tornou evidente. O rompimento final aconteceu, em 1054, com a Igreja
Ocidental, ou romana, sediada em Roma, então Capital do Império, por parte da Igreja
Oriental, ou Ortodoxa, que assim separou-se da Igreja Romana, ficando sediada em
Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia. A Igreja Oriental guardou a primazia sobre
os patriarcados de Jerusalém, Antioquia e Alexandria. Desde então, a Igreja Romana,
nitidamente desviada dos princípios ensinados por Jesus no Seu Evangelho, esteve
como um barco à deriva, sem saber onde aportar. Até que veio a Reforma Protestante,
liderada por Martinho Lutero. Foi mais um cisma na já combalida Igreja Romana.

III. 6. PAGANIZAÇÃO DA IGREJA ROMANA

Note a seguir o processo da gradual paganização da Igreja Católica Romana,


desde que ela começou a abandonar a simplicidade do Evangelho de Cristo, até os
nossos dias. Nos anos de 33 à 196 nesse período da História , a Igreja não aceitou
nenhuma doutrina anti-bíblica.197 Zeferino, bispo de Roma, começa um movimento
herético contra a divindade de Cristo.217 Calixto se torna bispo de Roma, pondo-se à
frente da propaganda herética e levando a Igreja de Roma para mais longe do caminho
de Cristo.270 Origem da vida monástica do Egito, por Santo Antônio. 370 Culto dos
santos professado por Basílio de Cesaréia e Gregório de Nazianzo. Primeiros indícios
do turíbulo (incensário), paramentos e altares nas igrejas, usos esses introduzidos pela
influência dos pagãos convertidos. 400 Orações pelos mortos e sinal da cruz feito no ar.
431 Maria é proclamada a "Mãe de Deus". 593 O dogma do Purgatório começa a ser
ensinado. 600 O latim passa a ser usado como língua oficial nas celebrações litúrgicas.
609 Começo histórico do papado. 758 A confição auricular é introduzida na igreja por
religiosos do Oriente. 789 Início do culto das imagens e das relíquias. 819 A festa da
Assunção de Maria é observada pela primeira vez. 880 Canonização dos santos. 998
Estabelecimento do dia de Finados e quaresma. 1000 Cânon da Missa. 1074 Proíbem-se
o casamento para os sacerdotes. 1075 Os sacerdotes casados devem divorciar-se,
compulsoriamente, cada um de sua esposa. 1095 Indulgências plenárias. 1100
Introduzem-se na igreja o pagamento da missa e o culto aos anjos. 1115 A confissão é
transformada em artigo de fé. 1125 Entre os Cônegos de Lião aparecem as primeiras
idéias da Imaculada Conceição de Maria. 1160 Estabelecidos os sete sacramentos. 1186
O Concílio de Verona estabelece a "Santa Inquisição". 1190 Estabelecida a venda de
indulgências. 1200 Uso do rosário por São Domingos, líder da inquisição. 1215 A
transubstanciação é transformada em artigo de fé. 1220 Adoração à hóstia. 1226
Introduzem-se a elevação da hóstia. 1229 Proíbe-se aos leigos a leitura da Bíblia. 1264.
Festa do Sagrado Coração. 1303 A Igreja Católica Apostólica Romana é proclamada
como sendo a única verdadeira, e somente nela o ser humano pode encontrar salvação...
1311 Procissão do Santíssimo Sacramento e a oração da Ave-Maria. 1414 Definição da
comunhão com um só elemento, a hóstia. O uso do cálice fica restrito ao sacerdote.
1439 Os sete sacramentos e o dogma do Purgatório são transformados em artigo de fé.
1546 Conferida à Tradição autoridade igual a da Bíblia. 1562 Declaram-se que a missa
é oferta propiciatória e confirma-se o culto aos santos.1573 É estabelecida a
canonicidade dos livros apócrifos. 1854 Definição do dogma da Imaculada Conceição
de Maria. 1864 Declaração da autoridade temporal do papa. 1870 Declaração da
infabilidade papal. 1950 A assunção de Maria é transformada em artigo de fé. Daí para
cá, poucas coisas mudaram.

III. 7. DECLARADO PEDRO O FUNDADOR DA IGREJA

A Igreja Católica Romana considera a apóstolo Pedro como a pedra fundamental


sobre a qual Cristo edificou a Sua Igreja. Para fundamentar esse ensino, ela apela, para a
passagem de (Mt 16.16-19) "Simão Pedro respondeu: O Senhor é o Messias, o Filho do
Deus vivo.Você é feliz, Simão, filho de João! Respondeu Jesus. Porque esta verdade
não foi dada por nenhum ser humano, mas veio diretamente do Meu Pai que está no
céu.Portanto, Eu afirmo: você é Pedro, e sobre esta pedra construirei a Minha Igreja, e
nem a morte poderá vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino do céu; o que for proibir
na terra será proibido no céu, e o que permitir na terra será permitido no céu". Dessa
passagem, a Igreja Romana deriva o seguinte raciocínio: a) Pedro é a rocha sobre o qual
a Igreja está edificada; b) a Pedro foi dado o poder das chaves, portanto, só ele detém o
poder de abrir a porta do Reino dos céus; c) Pedro tornou-se o primeiro bispo de Roma;
d) Toda autoridade foi conferida a Pedro até nossos dias, através da linhagem de bispos
e papas, todos os vigários de Cristo na terra

III. 8. UMA INTERPRETAÇÃO ABSURDA

Partindo deste raciocínio, o padre Miguel Maria Giambelli interpreta: "Nesta


minha Igreja, que é o reino dos céus aqui na terra, eu te darei também a plenitude dos
poderes executivos, legislativos e judiciários, de tal maneira que qualquer coisa que tu
decretares, eu a ratificarei lá no Céu, porque tu agirás em meu nome e com a minha
autoridade". Numa simples comparação entre a teologia vaticana e a Bíblia, a respeito
do apóstolo Pedro e sua atuação no seio da igreja primitiva, descobre-se quão absurda é
a interpretação romanista a respeito da pessoa e ministério do Senhor Jesus. Mesmo
numa despretensiosa análise do assunto, conclui-se que: a) Pedro jamais assumiu no
seio do Cristianismo nascente a posição e a funções que a teologia católico-romana
procura atribuir-lhe. O substantivo feminino petra designa do grego uma rocha grande e
firme. Já o substantivo masculino petros é aplicado geralmente a pequenos blocos
rochosos, móveis, bem como a pedras pequenas, tais como a pedra de arremesso. Pedro
é petro = bloco rochoso e móvel e não petra = rocha grande e firme. Portanto, uma
igreja sobre a qual as portas do inferno não prevaleceriam, não poderia repousar sobre
Pedro. b) De acordo com a Bíblia, Cristo é a Pedra. Apóstolo Paulo escreveu: Aos
Efésios "Vocês são como um edifício e estão colocados sobre o alicerce que os profetas
e os apóstolos puseram. E o próprio Jesus Cristo é a Pedra fundamental desse edifício"
(Ef 2.20); Aos Romanos "Como dizem as Escrituras Sagradas:Vejam, Estou colocando
em Sião uma Pedra em que vão tropeçar, uma Rocha que vai fazê-los cair. Mas quem
crer nele não ficará desiludido" (Rm 9.33); aos Coríntios "E beberam a mesma bebida
espiritual. Pois bebiam daquela Rocha Espiritual que ia com eles, e a Rocha era
Cristo".Pedro escreveu: "Cheguem perto do Senhor, a Pedra Viva que os seres humanos
rejeitaram como inútil, mas que Deus escolheu como de grande valor" (1 Pe
2.4);"Vocês, também, como pedras vivas, deixem que Deus os use na construção de um
templo espiritual onde vocês servirão como sacerdotes consagrados a Deus. E isso para
que, por meio de Jesus Cristo, ofereçam sacrifícios que Deus aceite" (1 Pe 2.5).E ele
disse mais: "Jesus é aquele de quem as Escrituras Sagradas dizem: A Pedra que vocês,
os construtores, rejeitaram veio a ser a mais importante"(At 4.11).

III. 9. O TESTEMUNHO DOS PAIS DA IGREJA

Dos oitenta e quatro Pais da Igreja primitiva, só dezesseis crêem que o Senhor se
referia a Pedro quando disse "esta pedra". Dos outros Pais da Igreja, uns dizem que esta
expressão se refere à pessoa de Cristo mesmo, outros, à confissão que Pedro acabara de
fazer, e outros, a todos os apóstolos. Portanto, se apelarmos para os Pais da Igreja dos
primeiros quatro séculos, as pretensões da Igreja Romana com referência a Pedro,
redundam em sofismas. Só a partir do século IV começou-se a falar a respeito da
possibilidade de Pedro ser a pedra fundamental da Igreja, e isto estava intimamente
relacionado com a pretensão exclusivista do bispo de Roma. À luz das palavras do
próprio apóstolo Pedro, Cristo é a Pedra.

III. 10. O ALEGADO PRIMADO DE PEDRO

Da interpretação doutrinária que a Igreja Católica Romana faz de Mateus 16.16-


19, deriva outro grande erro: o ensino de que Jesus fez de Pedro o "Príncipe dos
apóstolos", pelo que veio a se tornar o primeiro bispo de Roma, do qual os papas, no
decorrer dos séculos, são legítimos sucessores. Pedro esteve em Roma por pouco tempo,
ele foi perseguido, preso, humilhado, maltratado e morto como mártir do Cristianismo.
Visto que esta questão está inteiramente relacionada com a pretensão romana ao
primado, freqüentemente a polêmica confessional influi na discussão. A resposta a ela
só pode ser fruto de pesquisa histórica desinteressada. Como, porém, ao lado das fontes
neotestamentárias, vêm, em consideração, principalmente testemunhos extra e pós-
canônicos da literatura cristã antiga, e, além disto, documentos litúrgicos posteriores, e
ainda escavações recentes, esta questão não pode ser aqui discutida em todos os seus
pormenores. Queremos apenas lembrar que, até a segunda metade do século II, nenhum
documento afirmava expressamente a estada e martírio do apóstolo Pedro em Roma.

III. 11. PEDRO SERIA UM PAPA DIFERENTE

O fato é que, se Pedro fosse papa, seria um papa diferente dos demais que
apareceram até agora. Vejamos: a) Pedro era um simples servo de Jesus, foi ele que
disse: "Então Pedro disse: não tenho nenhum dinheiro, mas lhe dou o que tenho: em no
nome de Jesus Cristo, de Nazaré, levante-se e ande" (At 3.6); b) Pedro era casado, e não
se divorciou da esposa, para seguir Jesus. "Jesus foi à casa de Pedro e viu que a sogra
dele estava de cama, com febre. Jesus tocou na mão dela, e a febre passou. Então ela se
levantou e começou a cuidar dele" (Mt 8.14,15); c) Pedro foi um homem humilde, pelo
que não aceitou ser adorado pelo centurião Cornélio "Quando Pedro ia entrando,
Cornélio veio ao seu encontro, ajoelhou-se e se curvou diante dele. Mas Pedro fez que
ele se levantasse e disse: Fique de pé, pois eu sou apenas um homem como você" (At
10.25,26); d) Pedro foi um homem repreensível, o apóstolo Paulo lhe repreende:
"Quando Pedro veio a Antioquia, eu o repreendi em público porque ele estava
inteiramente errado. Antes de chegarem ali alguns homens que Tiago tinha mandado,
Pedro comia com os irmãos que não eram judeus. Mas, depois que aqueles homens
chegaram, ele não queria mais comer com os não-judeus porque tinha medo dos que
eram a favor da circuncisão dos não-judeus. E também os outros irmãos judeus
começaram a agir como covardes, do mesmo modo que Pedro. E até Barnabé se deixou
levar pela covardia deles. Quando vi que não estavam agindo direito, nem de acordo
com a verdade do Evangelho, eu disse a Pedro diante de todos: Você é judeu, mas não
está vivendo como judeu e assim como os não-judeus. Como é então que você quer
obrigar os não-judeus a viverem como judeus?"É de estranhar que Tiago e não Pedro, o
"Príncipe dos Apóstolos", como ensina a teologia vaticana, fosse o pastor da
comunidade cristã em Jerusalém "Quando terminaram de falar, Tiago disse: Meus
irmãos em Cristo, escutem: Pedro acabou de explicar como Deus primeiro mostrou o
Seu cuidado pelos não-judeus. Pois Ele escolheu do meio deles um povo para ser o Seu
povo. As palavras dos profetas estão bem de acordo com isso, pois as Escrituras
Sagradas dizem: "Depois disso Eu voltarei, disse o Senhor e construirei de novo o reino
de Davi, que é como uma casa que caiu. Juntarei de novo os pedaços dela e tornarei a
levantá-la. Assim todas as outras pessoas, todos os povos que Eu chamei para serem
Meus, vão procurar o Senhor. Assim diz o Senhor, Que anunciou essas coisas desde os
tempos antigos". Esta é a minha opinião, continuou Tiago. Eu acho que não devemos
atrapalhar os não-judeus que estão se convertendo a Deus" (At 15. 13-19). Se Pedro
tivesse sido papa, certamente não teria aceito a orientação dos líderes da Igreja quanto à
obra missionária (At 15.7).

III. 12. O PAPA, UM PEDRO DIFERENTE

A própria história do papado é uma viva demonstração de que os papas jamais


conseguiram provar serem sucessores do apóstolo Pedro, já que em nada se assemelham
àquele inflamado, mas humilde, servo do nosso Senhor Jesus Cristo. Vejamos, por
exemplo: a) os papas são administradores de grandes fortunas da igreja; b) os papas são
celibatários, mas ensinam que o casamento é um sacramento; c) os papas
freqüentemente aceitam a adoração das pessoas; d) os papas consideram-se infalíveis
nas suas decisões, decretos...

III. 13. O PURGATÓRIO

A idéia do Purgatório tem suas raízes doutrinárias no budismo e em outras


filosofias religiosas da antigüidade. Até a época do papa Gregório I, o Purgatório não
havia sido oficialmente reconhecido como parte integrante da doutrina romanista. Esse
papa adicionou o conceito de fogo purificador à crença, então a filosofia, de que havia
um lugar entre o céu e o inferno, para onde eram enviados os espíritos daqueles que não
eram tão maus, a ponto de merecerem o inferno, mas também, não eram tão bons, a
ponto de merecerem o céu. Assim, surgiu a crença de que o fogo do Purgatório tem
poder de purificar o espírito, até fazê-lo apto a se encontrar com Deus.

III. 14. ALEGADAS RAZÕES DESSE DOGMA


Buscando provar a existência do Purgatório, a igreja romana apela para algumas
passagens bíblicas, das quais extrai apenas falsas inferências, e mais. Entre os versículos
preferidos, destacam-se: a) "Se alguém disser alguma coisa contra o Filho de Deus, será
perdoado; mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado nem neste mundo,
nem no mundo que há de vir" (Mt 12.32); "Eu afirmo que no Dia do Juízo cada um vai
prestar contas de toda palavra inútil que falou" (Mt 12.36); "Mas, se o trabalho de
alguém se queimar, então ele perderá a recompensa. Porém ele mesmo será salvo, como
alguém que escapou passando pelo fogo" (1Co 3.15)

III. 15. UMA DESCRIMINAÇÃO DO PURGATÓRIO

De acordo com a teologia romanista, o Purgatório, além de ser um lugar de


purificação, é também um lugar onde o espírito cumpre pena; pelo que o fogo do
Purgatório deve ser temido grandemente. O fogo do Purgatório será mais terrível do que
todo o sofrimento corporal reunido. Um único dia nesse lugar de expiação poderá ser
comparado a milhares de dias de sofrimentos terrenos.

III. 16. QUEM VAI PARA O PURGATÓRIO?

À pergunta: Que espécie de gente vai para o Purgatório? Responde o papa Pio
IV: "a) os que morrem culpados de pecados menores, que costumamos chamar veniais,
e que muitos cristãos cometem, e que, ou por morte repentina, ou por outra razão, são
chamados desta vida, sem que se tenham arrependido destas faltas ordinárias; b) os que,
tendo sido formalmente culpados de pecados maiores, não deram plena satisfação deles
à justiça divina". Apesar do fato de os espíritos no Purgatório, segundo o ensino da
igreja romana, terem sido já justificados no batismo por aspersão e pelo batismo por
aspersão, a justiça divina, contudo, não ficou plenamente satisfeita. Desse modo, o
espírito, embora escape do inferno, precisa suportar, por causa dos seus pecados que
ainda restam por expiar depois da morte, a punição temporária do Purgatório. Isso foi
categoricamente afirmado pelo Concílio de Trento: "Se alguém disser que, depois de
receber a graça da justificação, a culpa é perdoada ao pecador penitente, e que é
destruída a penalidade da punição eterna, e que nenhuma punição fica para ser paga, ou
neste mundo ou no futuro, antes do livre acesso ao reino a ser aberto, seja anátema"

III. 17. SUFRÁGIOS PELOS QUE SE ENCONTRAM NO PURGATÓRIO

Entre o que pode assistir aos que se encontram no Purgatório, há três atos que se
destacam no ensino romanista, que são: a) Orações pelos mortos: é de se supor que a
prática romanista de interceder pelos mortos tenha-se gerado da falsa interpretação às
seguintes palavras de Paulo: "Em primeiro lugar peço que sejam feitas orações, pedidos,
súplicas e ações de graças a Deus por todos" (1 Tm 2.1); b) Missas: as missas são tidas
como os principais recursos empregados em benefício dos espíritos que estão no
Purgatório, pois, segundo o ensino romanista, a missa beneficia não só o espírito que
sofre no Purgatório, como também acumula méritos àqueles que as mandam dizer;
c) Esmolas: dar esmolas com a intenção de aplicá-la nas necessidades do espírito que
pena no Purgatório "é jogar água nas chamas que a devoram". Pretende a igreja romana
que, "exatamente como a água apaga o fogo mais violento, assim a esmola lava o
pecado". Ainda sobre o Purgatório, o Concílio de Trento declarou: "Desde que a Igreja
Católica, instruída pelo Espírito Santo nos sagrados escritos e pela antiga tradição dos
Pais, tem ensinado nos santos concílios, e ultimamente, neste Concílio Ecumênico, que
há o Purgatório, e que os espíritos nele retidos são assistidos pelos sufrágios das missas,
este santo concílio ordena a todos os bispos que, diligentemente, se esforcem para que a
salutar doutrina concernente ao Purgatório, transmitida a nós pelos veneráveis pais e
sagrados concílios, seja criada, sustentada, ensinada e pregada em toda parte pelos fiéis
de Cristo";

Refutação: O Purgatório não é somente uma fábula engenhosamente montada,


mas a sua doutrina filosófica se constitui num vergonhoso sacrilégio à honra de Deus e
num desrespeito à obra perfeita efetuada por Cristo na cruz do Calvário. Essa doutrina,
além de absurda e cruel, supõe os seguintes disparates e blasfêmias: Não obstante Deus
declare que: "agora já não há nenhuma condenação para os que estão unidos com Cristo
Jesus" (Rm 8.1), contudo, Ele se contradiz a si mesmo quando lança o salvo no
Purgatório, para expiar os pecados já perdoados. Deus não queima os seus filhos no
Purgatório para satisfazer à Sua justiça já satisfeita pelo sacrifício de Cristo, mas para
satisfazer a si mesmo! Ao lançar seus filhos no purgatório, Deus está com isto dizendo
que o sacrifício do Seu Filho foi imperfeito e insuficiente! Jesus, que dos céus intercede
pelos pecadores, vê-se impossibilitado de livrar os espíritos que estão no Purgatório,
porque só o papa possui a chave daquele cárcere! Dizer que os espíritos expiam suas
faltas no Purgatório é atribuir ao fogo o poder do sacrifício de Jesus, e ignorar
completamente a obra que Cristo efetuou no Gólgota! Que o castigo do pecado fica para
depois de perdoado! Estes disparates provêm dum erro da teologia vaticana, segundo o
qual a obra expiatória de Cristo satisfaz a pena devida aos pecados cometidos antes do
batismo, e não daqueles que foram cometidos posteriormente. Todas estas incoerências
sobre o dogma do Purgatório estão em contradição com as afirmações bíblicas: Quanto
à perfeita libertação do pecado "e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. Se
o Filho os libertar, vocês serão de fato livres" (Jo 8.32,36). Quanto ao completo
livramento do juízo vindouro "Eu afirmo que quem ouve as Minhas palavras e crê
naquele que Me enviou tem a vida eterna e não será julgado, mas passou da morte
para a vida" (Jo 5.24). Quanto à completa justificação pela fé "Agora que fomos
aceitos por Deus por meio da fé, temos paz com Ele por intermédio de Jesus Cristo,
o nosso Senhor. Foi Cristo quem nos trouxe, pela nossa fé, para a graça de Deus; e
agora nós continuamos firmes nela. Portanto, nos alegramos na esperança de
participar da glória de Deus" (Rm 5.1;2). Quanto à intercessão de Cristo "Meus
filhinhos na fé, escrevo isso a vocês para que não cometam pecado. Porém, se
alguém pecar, temos Jesus Cristo, que não tem nenhuma culpa; Ele nos defende
diante do Pai" (1Jo 2.1). Quanto ao atual estado dos salvos mortos "Então ouvi uma
voz do céu, que dizia: Escreva isto: Felizes os que desde agora morrem no serviço
do Senhor! Sim, isso é verdade! Responde o Espírito Santo. Eles descansarão dos
seus trabalhos porque levarão consigo o resultado dos seus serviços" (Ap 14.13).
Quanto à bem-aventurada esperança do salvo, afirma o apóstolo Paulo: "Afinal, o que é
a vida? A vida para mim é Cristo, e a morte é lucro". "Estou cercado dos dois lados,
pois quero muito deixar esta vida e estar com Cristo, o que é bem melhor".
"Estamos muito animados e gostaríamos de deixar de viver neste corpo para irmos
viver com o Senhor" (Fp 1.21,23; 2Co 5.8). O que a igreja romana chama
"Purgatório", a Bíblia chama "lugar dos mortos", até o julgamento final. A partir dai, os
não-salvos irão para o lugar de suplício eterno, de onde aqueles que nele são lançados,
jamais sairão. "Cada pessoa tem de morrer uma vez só e depois ser julgada por Deus"
(Hb 9.27). Após o julgamento por Deus todos os condenados sofrerão a morte eterna. A
salvação oferecida por Cristo é uma salvação perfeita e total, pois ela é o resultado da
misericórdia de Deus através de Seu Filho Jesus. "Porém, se vivemos na luz, como Deus
está na luz, então estamos unidos uns com os outros, e o Sangue de Jesus, o Seu Filho,
nos limpa de todo pecado". "Mas, se confessarmos os pecados que temos praticados
a Deus, Ele cumprirá a Sua promessa e fará o que é justo: perdoará os pecados
praticados por nós e nos limpará de toda maldade" (1 Jo 1.7,9).

III. 18. A TRADIÇÃO E A BÍBLIA

Em 1929, sobre a Bíblia, escreveu o padre Bernhard Conway: "A Bíblia não é a
única fonte de fé, como Lutero ensinou no século XVI, porque, sem a interpretação de
um apóstolo divino e infalível, separado da Bíblia, jamais poderemos saber, com
certeza, quais são os livros que constituem as Escrituras inspiradas, ou se as cópias que
hoje possuímos concordam com os originais. A Bíblia, em si mesma, não é mais do que
letra morta, esperando por um intérprete divino; ela não está arranjada de forma
sistemática; é obscura, e de difícil entendimento, como São Pedro diz de certas
passagens das Cartas de Paulo "E foi isso mesmo que ele disse em todas as suas cartas
quando escreveu a respeito disso. Nas cartas dele há algumas coisas difíceis de
entender, que os ignorantes e os fracos na fé explicam de maneira errada, como fazem
também com outras partes das Escrituras Sagradas. E assim eles causam a sua própria
destruição" (2 Pe 3.16). Como ela é, está aberta à falsa interpretação. Além disso, certo
número de verdades reveladas têm chegado a nós, somente por meio da Tradição
divina" (The Question Box). No Compêndio do Vaticano II, lê-se o seguinte: "Não é
através da Escritura apenas que a Igreja deriva sua certeza a respeito de tudo que foi
revelado. Por isso, ambas, Escritura e Tradição devem ser aceitas e veneradas com igual
sentido de piedade e reverência" (p. 127).

III. 19. ESTABELECIDA A TRADIÇÃO

Desde que muitas inovações anticristãs começaram a ser aceitas pela igreja
romana, esta começou a ter dificuldades em como justificá-las à luz das Escrituras.
Desse modo, em vez de deixar o paganismo e voltar-se para a Bíblia, o clero fez
exatamente o contrário: no Concílio de Tolosa, em 1229, tomaram a medida extrema de
proibir o uso da Bíblia pelos leigos. Até a Reforma Protestante, a Igreja Católica
Romana não havia ainda tomado nenhuma posição no sentido de conferir à Tradição
autoridade igual à da Bíblia Sagrada. Isto devido à generalizada ignorância do povo a
respeito das Escrituras. Porém, com o advento da Reforma Protestante no século XVI, o
valor da Bíblia, como única regra de fé e prática do cristão, foi exaltado, e a sua
mensagem pregada onde quer que se fizesse sentir a influência desse evento. Como a
maioria dos dogmas das igrejas romanas não tivesse o apoio da Bíblia, o clero em mais
uma demonstração de rejeição das Escrituras, foi levado a estabelecer a Tradição como
autoridade para apoiar os seus dogmas e enganos. A ênfase bíblica da mensagem
reformada forçou o clero da igreja romana a reavaliar a decisão do Concílio de Tolosa, e
passou a permitir a leitura da Bíblia pelos leigos, desde que satisfeitas as seguintes
exigências: a) que a Bíblia fosse editada ou autorizada pelo clero; b) que os leigos não
formassem juízo próprio dos seus ensinos; c) que os leigos só aceitassem a sua
interpretação quando feita pelo clero. Impedidos de interpretar a Bíblia por si mesmos,
os leigos estavam privados da possibilidade de ver quão desrespeitosos à Bíblia são os
dogmas acobertados pela Tradição. Só dessa forma, os dogmas fundamentados na
Tradição estariam resguardados de julgamento e a Bíblia reduzida, assim, a um livro
ininteligível e destituído de autoridade. "A questão da autoridade na igreja romana foi
sempre uma dolorosa questão, mas a história revela que a sua tendência sempre foi
flutuar de um para outro ponto, com propensão para fincar-se no papado. Esta foi a
evolução da autoridade: das Escrituras para a Tradição, desta para a igreja, da igreja
para o clero e deste para o papado que, em 1870, diria: A tradição sou eu" (Fé e Vida,
maio de 1943).

A Tradição da igreja romana é, sem dúvida alguma, um "outro evangelho"; o


apóstolo Paulo recomenda: "Mas, se qualquer um, ainda que sejamos nós ou um dos
anjos do céu, anunciar a vocês outro `evangelho, diferente daquele que temos
anunciado, que seja amaldiçoado" (Gl 1.8); antítese do Evangelho do Senhor Jesus
Cristo. Ela não tinha lugar na igreja primitiva. O Evangelho só contém "todo o conselho
de Deus" Paulo recomenda: "Porque não deixei de lhes anunciar o plano todo de Deus"
(At 20.27), dispensando, portanto, a tradição vaticana. Paulo, o maior escritor e
doutrinador do Novo Testamento, cujo ministério estava fundamentado no Evangelho,
falou sobre a suficiência deste quando escreveu: "Eu entreguei a vocês o ensinamento
que recebi e que é da mais alta importância: Cristo morreu pelos pecados por nós
praticados, como está escrito nas Escrituras Sagradas; Ele foi sepultado e ressuscitou no
terceiro dia, como está escrito nas Escrituras" (1 Co 15.3,4). A tradição não pode resistir
a uma análise por parte das Escrituras Sagradas. Por esse motivo, estamos confrontando.

III. 20. A VIRGEM MARIA

A essência da adoração na igreja romana gira não em torno do Pai, do Filho e do


Espírito Santo, mas da pessoa da Maria. No decorrer dos séculos as mais diferentes e
absurdas crendices têm sido criadas em torno da humilde serva do Senhor.
7.1. A Teologia Mariana: decreta o Concílio Vaticano II: "os fiéis devem venerar a
memória primeiramente da gloriosa sempre virgem Maria, mãe de Deus e de nosso
Senhor Jesus Cristo". Dentre as muitas declarações em torno de Maria, destacam-se as
seguintes: a) Concebida sem Pecado: "daí não admira que nos santos padres prevalece
o costume de chamar a mãe de Deus toda santa, imune de toda mancha de pecado, como
que plasmada pelo Espírito Santo e formada nova criatura" (Compêndio Vaticano II, p,
105). b) Sempre Viagem: "Maria sempre foi virgem: esta é doutrina tradicional da
igreja romana. No entanto a grande maioria das igrejas protestantes afirma que Maria
não guardou a sua virgindade e teve outros filhos além de Jesus" (A Igreja Católica e os
Protestantes, p. 88). c) Medianeira e Intercessora: "a bem-aventurada virgem Maria é
invocada na igreja sob os títulos de: advogada, auxiliadora, adjutriz, medianeira"
(Compêndio Vaticano II, p. 109).

III. 21. O CÚMULO DO ABSURDO

Há alguns anos foi publicado na imprensa de uma capital latino-americana um


discurso de um cardeal católico-romano. O eminente prelado recorda este sonho. Ele
sonhou que estava na cidade celestial. Ouviu-se bater à porta. Foi comunicado a Deus
que um pecador da terra estava pedindo entrada. "cumpriu a ele as condições": foi a
pergunta. A resposta foi: "não"! "Então não pode entrar?", foi o veredicto. Nesse ponto,
a virgem Maria, que estava sentada à direita do seu Filho, falou: "se este espírito não
entrar eu me ponho fora". A porta abriu-se e o pecador entrou. É demais não é?
Apelou...

III. 21. O TESTEMUNHO DAS ESCRITURAS

Invocando o testemunho das Escrituras, concluímos que: a) Maria não foi


concebida sem pecado: o que a Bíblia declara é que: "Por isso Jesus é o Grande
Sacerdote de que necessitamos. Ele é Santo, e nele não há falha nem pecado. Ele foi
separado dos pecadores e elevado acima dos céus" (Hb 7.26); b) Maria teve outros
filhos, obviamente não era, e nem permaneceu virgem: João escreveu "Depois disso,
Jesus, a Sua mãe, os Seus irmãos e os Seus discípulos foram para a cidade de
Cafarnaum e ficaram ali alguns dias. Então os irmãos de Jesus disseram: vá embora para
a Judéia para que os Seus seguidores vejam o que você está fazendo. Até os Seus irmãos
não acreditavam nele. Depois que os Seus irmãos foram à festa, Jesus também foi, mas
em segredo e não publicamente" (Jo 2.12; 7.3,5,10), o Novo Testamento se refere aos
irmãos de Jesus filhos de Maria e José; vejamos em Mateus: "Quando Jesus ainda
estava falando ao povo, a Sua mãe e os Seus irmãos chegaram. Ficaram do lado de fora
e pediram para falar com Ele. Então alguém disse a Jesus: olhe, a Sua mãe e os seus
irmãos estão lá fora e querem falar com o Senhor. "Ele não é o filho do carpinteiro? Não
é irmão de Tiago, José, Simão e Judas? As Suas irmãs não moram aqui? Onde foi que
Ele conseguiu rudo isso? (Mt 12.46,47; 13.55,56); vejamos em Marcos: "Quando a mãe
e os irmãos de Jesus chegaram, ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Muita
gente estava sentada perto dele, e alguns disseram: olhe, a Sua mãe e os Seus irmãos
estão lá fora e procuram o Senhor" (Mc 3.31,32); vejamos Lucas: "A mãe e os irmãos
de Jesus vieram até o lugar onde Ele estava, mas não podiam chegar perto por causa da
multidão. Então alguém informou a Jesus: a Sua mãe e os Seus irmãos estão lá fora e
querem falar com o Senhor" (Lc 8.19,20); vejamos em Atos: "Todos eles, unidos, se
reuniam sempre para orarem com os irmãos de Jesus, a mãe dele a as outras mulheres"
(At 1.14); vejamos o que diz Paulo: "Será que não tenho o direito de levar comigo uma
esposa cristã nas minhas viagens, como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor
Jesus e também Pedro? E não vi nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, irmão do
Senhor" (1Co 9.5; Gl 1.19). Os ensinadores romanistas dizem que aqueles a quem o
Novo Testamento chama de irmãos de Jesus, na realidade são seus primos. Esta
interpretação é errônia e visa fortalecer o dogma da perpétua virgindade de Maria. O
fato de Maria ter sido virgem no ato da concepção de Jesus é ponto pacífico nas
Escrituras, porém, afirmar que ela continuou virgem após o parto é antítese de Mateus
1.25 "Porém não teve relações com ela até que ela deu à luz o seu filho. E José pôs no
menino o nome de Jesus"; c) Maria não Exerce Mediação a Favor do Pecador: Paulo
disse: "Porque existe um só Deus e uma só pessoa que une Deus com as pessoas, Jesus
Cristo, o Ser Humano" (1Tm 2.5); João disse: "Meus filhinhos, escrevo isso a vocês
para que não cometam pecado. Porém, se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que não
tem nenhuma culpa; Ele nos defende diante do Pai" (1Jo 2.1). d) Só Cristo Intercede
Pelo Pecador: "E por isso Ele pode, hoje e sempre, salvar os que vão a Deus por meio
dele. Porque Jesus vive para sempre a fim de pedir a Deus em favor deles" (Hb 7.25).

III. 22. A MISSA

Dentre os muitos chamados "sacramentos" da igreja romana, destaca-se a missa.


III. 22.a. DEFINIÇÃO DA MISSA

O que a missa é no contexto do catolicismo romano é definido pelo padre


Miguel Maria Giambelli: "o que nós, católicos, chamamos missa, os primeiros cristãos
de Jerusalém chamavam de partir do pão, porque foi exatamente isto o que fez Jesus na
última ceia: `Tomou o pão, deu graças e partiu,,,`" S. Paulo lembra aos coríntios que
todas as vezes que eles se reúnem para comer deste pão e beber deste cálice, anunciam a
morte do Senhor, isto é, eles renovam o sacrifício do Calvário. "O apóstolo Paulo alerta
os coríntios de que aquele pão e aquele vinho, após as palavras consagradas, não são
mais pão e vinho comuns, mas são algo de misterioso que esconde o corpo sagrado de
Jesus, e quem, portanto, se atrever e comer deste pão e beber deste vinho sem as devidas
condições espirituais comete uma profanação tão sacrílega que o torna réu de um crime
contra o corpo e o sangue do Senhor Jesus. Daí porque São Paulo continua alertando os
coríntios a tomarem muito a sério o ato de comer deste pão e beber deste cálice
consagrado na eucaristia, porque quem os come e bebe sem crer firmemente que são
corpo vivo de Cristo, e, portanto, sem fazer distinção entre o pão comum da padaria e
pão consagrado `come e bebe sua própria condenação!"` (A Igreja Católica e os
Protestantes, p. 27). Deste ensino deduz-se que Giambelli afirma:missa e santa ceia do
Senhor são a mesma coisa; a missa renova o sacrifício do Calvário; o pão e o vinho
usados na missa são transubstanciados no próprio corpo de Cristo no momento da
celebração; quem não diferençar o pão que é servido na missa do que é vendido na
padaria, `come e bebe sua própria condenação"

III. 22.b. O QUE DIZEM AS ESCRITURAS SAGRADAS

"Porque eu recebi do Senhor o ensino que passei a vocês: que o Senhor Jesus, na
noite em que foi traído, pegou o pão e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e disse:
"Isto é o Meu corpo, que é entregue em favor de vocês. Façam isto em memória de
mim" (1Co 11.23,24). Esse ensino apresentado por Giambelli é errado, portanto,
contrário àquilo que as Escrituras Sagradas ensinam. O recurso que a igreja romana usa
para confundir o significado da expressão "...em memória..." com a palavra "...renovar",
se constitui numa incoerência, primeiro à luz da Bíblia, e depois à luz da gramática. No
Dicionário da Língua Portuguesa, de Augusto Miranda, a expressão "em memória" tem
como sinônimo a expressão "em lembrança"; enquanto a palavra "renovar" tem como
sinônimo a palavra "recompor". Portanto, uma nada tem a ver com a outra. Se a morte
de um amigo nos vem à memória, isto não é a mesma coisa que renová-la. Existem
vários versículos na Bíblia que falam da impossibilidade de se renovar o sacrifício de
Cristo, entre os quais se destacam: (Hb 7.26,27; 10.12-14; 1Pe 3.18; Rm 6.9)

III. 22.c. O PROBLEMA DA TRANSUBSTANCIAÇÃO

Não há um só versículo nas Escrituras Sagradas em apoio à tese do Concílio de


Trento de que o pão e o vinho usados na missa, ao serem consagrados, tornam-se, ou
transubstanciam-se, em Jesus, física e ou espiritualmente, assim como Jesus está no céu.
Vejamos: a) mesmo após a ressurreição, não obstante gozando do privilégio de um
corpo espiritual, Jesus não bilocou-se, isto é, Ele não esteve em dois lugares ao mesmo
tempo. Se estava em Emaús, não estava em Jerusalém. Ele estava num só lugar de cada
vez. Como pretende, pois, a teologia vaticana provar que Jesus esteja fisicamente, tanto
no céu como nas hóstias espalhadas nos sacrários dos templos católicos por todo o
mundo? b) Quando Jesus diz: "e eis que estou convosco todos os dias até a consumação
dos séculos" (Mt 28.10), Ele não sugere que estaria fisicamente através do pão e do
vinho da missa, mas espiritualmente, assim como esteve com Paulo, conforme (At
18.9,10); c) o corpo de Cristo hoje na terra não pe o pão e o vinho usado na celebração
da missa, mas a Sua Igreja, conforme mostram as seguintes passagens bíblicas: (1Co
10.16,17; 12.27; Ef 1.22,23; 4.15,16; 5.30). Outra prova de que missa e santa ceia do
Senhor são cerimônias diferentes, é que na missa os comungantes só tomam um
elemento (hóstia) enquanto o vinho é tomado exclusivamente pelo padre celebrante,
quando a ordem novitestamentária é: "Portanto, antes de comer do pão ou beber do
cálice, cada um deve examinar a sua consciência" (1Co 11.28).

III. 23. OS LIVROS APÓCRIFOS

Muitas perguntas têm sido feitas e muitas questões têm sido levantadas quanto
aos livros apócrifos. Os católicos chegam mesmo a afirmar que a Bíblia usada pelos
evangélicos protestantes é incompleta e falha por faltarem nela os livros apócrifos.
Muitos evangélicos, por sua vez, perguntam por que essa diferença:

III. 23.a. DEFINIÇÃO DE "APÓCRIFO"

Empregamos aqui o termo apócrifo num sentido restrito, forçando um pouco o


sentido original da palavra, e pondo de parte o caráter de certos escritos, aos quais o
referido termo se aplica. A palavra "apócrifo, literalmente, significa: `oculto. Porém, no
decorrer dos tempos e em razão do uso, o termo já não tem o sentido de `oculto, mas de
`espúrio, isto é, `não-puro. No tempo da Reforma, o termo "apócrifo" foi
definitivamente aplicado a esses livros não-canônicos contidos na Vulgata, pois não
faziam parte do cânon hebraico. Seu significado oposto ao termo "canônico" acarretou,
para esses livros, o desprezo que se sentia pela literatura apocalíptica e oculta, tanto
judaica como cristã-judaica.

III. 23.b. RELAÇÃO DOS APÓCRIFOS

O número de livros apócrifos vai muito além daqueles que a Bíblia de uso
católico contém, porém os mais conhecidos, e aqui citados, são aqueles que foram
aprovados pela igreja católica no Concílio de Trento, em 1546. Destes, mais da metade
são inseridos nas Bíblias de edição católica. Alguns desses livros são também inseridos
em Bíblias de editoras protestantes, para estudo e investigações da crítica textual e
devido ao seu relativo valor histórico. Os apócrifos consistem em livros assim
chamados, e em acréscimos a livros canônicos. A sua aprovação pela igreja católica
deu-se, como já dissemos, em 1546, no Concílio de Trento, em meio à intensa
controvérsia, havendo inclusive luta física resultante da contenda e dos debates em
torno deles. Os livros, e acréscimos a livros canônicos, aprovados, foram os seguintes:
Tobias, Judite, Acréscimo ao livro canônico de Ester, Sabedoria de Salomão,
Eclesiástico, Baruque (contendo a Epístola de Jeremias), Cântico dos três Santos Filhos
(acréscimo a Daniel), História de Susana e Bel e o Dragão (também acréscimos a
Daniel), 1º e 2º Macabeus. Eram 14 os principais apócrifos do Antigo Testamento.
Destes, os não relacionados pelo Concílio de Trento foram: 1º e 2º Esdras e A Oração
de Manassés.

III. 23.c. QUESTÕES A CONSIDERAR


Por que estes livros são considerados apócrifos e não canônicos? A razão óbvia é
que eles não suportam uma prova de canonicidade, como é mostrado a seguir: eles
nunca fizeram parte do cânon hebraico; eles nunca foram citados no Antigo
Testamento; Flávio Josefo, o historiador judeu, os omite em seus escritos; nenhum deles
reclama a inspiração divina para si; eles contêm erros históricos, geográficos e
cronológicos; eles ensinam e apóiam doutrinas que são contrárias às Escrituras
Sagradas; como literatura, às vezes não passam de mitos e lendas; em geral, seu nível
espiritual e moral deixa muito a desejar; os profetas não os cita; Jesus não os cita; os
apóstolos e escritores dos Evangelhos, das Epístolas e do Apocalipse não se referem a
eles nos seus escritos; os famosos Pais da Igreja primitiva não se reportam a eles como
fonte de inspiração dos seus escritos; eles foram escritos muito tempo depois de
encerrado o cânon do Antigo Testamento. Certamente que nem todas as igrejas têm a
mesma opinião quanto ao valor dos apócrifos. A Igreja Reformada, por exemplo,
sempre considerou os livros não-canônicos como de relativo valor, "para exemplo de
vida e instrução de costumes, ainda que sem autoridade em matéria de fé".

IV TEOLOGIA PATRISTICA

Segue o desenvolvimento das diferentes doutrinas do cristianismo desde o tempo


dos apóstolos até os nossos dias, registrando os efeitos e resultados destas doutrinas na
vida cristã e nas organizações do Reino de Deus no mundo. As fontes da teologia
histórica são as diferenças encontradas entre os escritos teológicos através dos tempos e
os símbolos das diferentes denominações.
A Igreja Católica menciona o ano 33 como a data da sua fundação. Isto vem do
fato de que toda ramificação do Cristianismo costuma ligar a sua origem à Igreja
fundada por Jesus Cristo. Porém, quanto ao desenvolvimento da organização
eclesiástica e doutrina da Igreja Romana, é muito difícil fixar com exatidão a data de
sua fundação, porque o seu afastamento das doutrinas bíblicas deu-se paulatinamente

IV. 2. COMEÇO DA DEGENERAÇÃO

Durante os primeiros três séculos da Era Cristã, a perseguição à Igreja


verdadeira ajudou a manter a sua pureza, preservando-a de líderes maus e ambiciosos.
Nessa época, ser cristão significava um grande desafio, e aqueles que fielmente seguiam
a Cristo sabiam que tinham suas cabeças a prêmio, pois eram rejeitados e perseguidos
pelas pessoas não-cristãos. Só os realmente Cristãos se dispunham a pagar o preço.
Graças à tenacidade e coragem dos Pais da Igreja e dos apologistas cristãos, o combate
da Igreja às heresias que surgiram nessa época resultou numa expressão mais clara da
teologia cristã. Quando os imperadores propuseram-se a exterminar a Igreja Cristã, só
os que estavam dispostos a renunciar o paganismo e a sofrer o martírio declaravam sua
fé em Deus. Logo no início do século IV, Constantino ascendeu ao posto de imperador.
Isso parecia ser o triunfo final do Cristianismo, mas, na realidade, produziu resultados
desastrosos dentro da Igreja. Em 312, Constantino apoiou o Cristianismo e o fez religião
oficial do Império Romano. Proclamando a si mesmo benfeitor do Cristianismo, achou-
se no direito de convocar um Concílio em Nicéia, para resolver certos problemas
doutrinários gerados por determinados segmentos da Igreja. Nesse Concílio foi
estabelecido o chamado "Credo dos Apóstolos".

IV. 3. CAUSAS DA DECADÊNCIA DA IGREJA


A decadência doutrinária, moral e espiritual da igreja começou quando milhares
de pessoas foram por ela batizados e recebidas como membros, sem terem
experimentado uma real conversão bíblica. Verdadeiros pagãos que eram, introduziram-
se no seio da igreja trazendo consigo os seus deuses, que, segundo eles, eram o mesmo
Deus adorado pelos cristãos. Nesse tempo, homens ambiciosos e sem o temor de Deus
começaram a buscar posições na igreja como meio de obter influência social e política,
ou para gozar dos privilégios e do sustento que o Estado garantia a tantos quantos
fizessem parte do clero. Deste modo, o formalismo e as crenças pagãs iam-se infiltrando
na igreja até o nível de paganizá-la completamente.

IV. 4. RAÍZES DO PAPADO E DA MARIOLATRIA

Desde o ano 200 até o ano 276 da nossa Era, os imperadores romanos haviam
ocupado o posto e o título de Sumo Pontífice da Ordem Babilônica. Depois que o
imperador Graciano se negara a liderar essa seita, Dâmaso, bispo da Igreja Cristã em
Roma, foi nomeado para esse cargo no ano 378. Uniram-se assim numa só pessoa todas
as funções dum sumo sacerdote apóstata e os poderes de um bispo cristão.
Imediatamente depois deste acontecimento, começou-se a promover a adoração a Maria
como a Rainha do Céu e a Mãe de Deus. Daí procederam todos os absurdos romanistas
quanto à humilde pessoa de Maria, a mãe de Jesus. Enquanto se desenvolvia a adoração
a Maria, os cultos da igreja romana perdiam cada vez mais os elementos espirituais e a
perfeita compreensão da graça de Deus. Formas pagãs, como a ênfase sobre o mistério e
a magia, influenciaram essa igreja. O sacerdote, o altar, a missa e as imagens de
escultura assumiram papel de preponderância no culto. A autoridade era centralizada
numa igreja dita infalível e não na vontade de Deus, conforme expressada pela Bíblia
Sagrada.

IV. 5. O CISMA ENTRE O ORIENTE E O OCIDENTE

O cisma entre o Oriente e o Ocidente logo se tornou evidente. O rompimento


final aconteceu, em 1054, com a Igreja Ocidental, ou romana, sediada em Roma, então
Capital do Império, por parte da Igreja Oriental, ou Ortodoxa, que assim separou-se da
Igreja Romana, ficando sediada em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia. A Igreja
Oriental guardou a primazia sobre os patriarcados de Jerusalém, Antioquia e
Alexandria. Desde então, a Igreja Romana, nitidamente desviada dos princípios
ensinados por Jesus no Seu Evangelho, esteve como um barco à deriva, sem saber onde
aportar. Até que veio a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero. Foi mais um
cisma na já combalida Igreja Romana.

IV. 6. A PAGANIZAÇÃO DA IGREJA ROMANA

Note a seguir o processo da gradual paganização da Igreja Católica Romana,


desde que ela começou a abandonar a simplicidade do Evangelho de Cristo, até os
nossos dias: Nos anos de 33 a 196 nesse período da História a Igreja não aceitou
nenhuma doutrina antibíblica. 197 Zeferino, bispo de Roma, começa um movimento
herético contra a divindade de Cristo. 217 Calixto se torna bispo de Roma, pondo-se à
frente da progaganda herética e levando a Igreja de Roma para mais longe do caminho
de Cristo. 270 Origem da vida monástica do Egito, por Santo Antônio. 370 Culto dos
santos professado por Basílio de Cesaréia e Gregório de Nazianzo. Primeiros indícios
do turíbulo (incensário), paramentos e altares nas igrejas, usos esses introduzidos pela
influência dos pagãos convertidos. 400 Orações pelos mortos e sinal da cruz feito no ar.
431 Maria é proclamada a "Mãe de Deus". 593 O dogma do Purgatório começa a ser
ensinado. 600 O latim passa a ser usado como língua oficial nas celebrações litúrgicas.
609 Começo histórico do papado. 758 A confição auricular é introduzida na igreja por
religiosos do Oriente. 789 Início do culto das imagens e das relíquias. 819 A festa da
Assunção de Maria é observada pela primeira vez. 880 Canonização dos santos. 998
Estabelecimento do dia de Finados e quaresma. 1000 Cânon da Missa. 1074 Proíbe-se o
casamento para os sacerdotes. 1075 Os sacerdotes casados devem divorciar-se,
compulsoriamente, cada um de sua esposa. 1095 Indulgências plenárias. 1100
Introduzem-se na igreja o pagamento da missa e o culto aos anjos. 1115 A confissão é
transformada em artigo de fé. 1125 Entre os Cônegos de Leão aparecem as primeiras
idéias da Imaculada Conceição de Maria. 1160 Estabelecidos os sete sacramentos. 1186
O Concílio de Verona estabelece a "Santa Inquisição". 1190 Estabelecida a venda de
indulgências. 1200 Uso do rosário por São Domingos, líder da inquisição. 1215 A
transubstanciação é transformada em artigo de fé. 1220 Adoração à hóstia. 1226
Introduz-se a elevação da hóstia. 1229 Proíbe-se aos leigos a leitura da Bíblia. 1264.
Festa do Sagrado Coração. 1303 A Igreja Católica Apostólica Romana é proclamada
como sendo a única verdadeira, e somente nela o ser humano pode encontrar salvação...
1311 Procissão do Santíssimo Sacramento e a oração da Ave-Maria. 1414 Definição da
comunhão com um só elemento, a hóstia. O uso do cálice fica restrito ao sacerdote.
1439 Os sete sacramentos e o dogma do Purgatório são transformados em artigo de fé.
1546 Conferida à Tradição autoridade igual a da Bíblia. 1562 Declara-se que a missa é
oferta propiciatória e confirma-se o culto aos santos.1573 É estabelecida a canonicidade
dos livros apócrifos. 1854 Definição do dogma da Imaculada Conceição de Maria. 1864
Declaração da autoridade temporal do papa. 1870 Declaração da infabilidade papal.
1950 A assunção de Maria é transformada em artigo de fé. Daí para cá, poucas coisas
mudaram.

V. TEOLOGIA PRÁTICA: é o uso prático da própria teologia como resultado


da influência na vida do homem, ajudando-o a levar adiante o Reino de Deus no mundo.
Ela se expressa pela homilética, pela prática eclesiástica e fundamentalmente pela
hermenêutica.

V.1. CATOLICISMO ROMANO (TEOLOGIA PRÁTICA)

A palavra liturgia (do grego λειτουργία, "serviço" ou "trabalho público")


compreende uma celebração religiosa pré-definida, de acordo com as tradições de uma
religião em particular; pode incluir ou referir-se a um ritual formal e elaborado (como a
Missa Católica) ou uma atividade diária como as salats muçulmanas[1]

A liturgia é considerada por várias denominações cristãs, nomeadamente o


Catolicismo, a Igreja Ortodoxa e alguns ramos (Igrejas Altas) do Anglicanismo e do
Luteranismo, como um ofício ou serviço indispensável e obrigatório. Isto porque estas
Igrejas cristãs prestam essencialmente o seu culto de adoração a Deus (a latria) através
da liturgia. Para elas, a liturgia tornou-se, em suma, no seu culto oficial e público.

V.2. ETIMOLOGIA E SENTIDO PRIMITIVO DA PALAVRA


O vocábulo "Liturgia", em grego, formado pelas raízes leit- (de "laós", povo) e
-urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido,
passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a
religião no mundo antigo tinha um caráter eminentemente público. Na chamada Bíblia
dos Setenta (LXX), tradução grega das escrituras, o vocábulo "liturgia" é utilizado para
designar somente os ofícios religiosos realizados pelos sacerdotes levíticos no Templo
de Jerusalém. No princípio, a palavra não era utilizada para designar as celebrações dos
cristãos, que entendiam que Cristo inaugurara um tempo inteiramente distinto do culto
do templo. Mais tarde, o vocábulo foi adotado, com um sentido cristão.

V.3. SIGNIFICADO DA LITURGIA

Para os cristãos, Liturgia, é, pois, a atualização da entrega de Cristo para a


salvação. Cristo entregou-se duma vez por todas, na Cruz. O que a liturgia faz é o
memorial de Cristo e da salvação, ou seja, torna presente, através da celebração, o
acontecimento definitivo do Mistério Pascal. Através da celebração litúrgica, o crente é
inserido nas realidades da sua salvação.

Liturgia é antes de tudo "serviço do povo", essa experiência é fruto de uma


vivencia fraterna, ou seja, é o culto, é uma representação simbólica (que não se trata de
uma encenação uma vez que o mistério é contemplado em "espírito e verdade") da vida
cotidiana do crente em comunhão com sua comunidade.

A Liturgia tem raízes absolutamente cristológicas. Cristo rompe com o


ritualismo e torna a liturgia um "culto agradável a Deus", conforme preceitua o apóstolo
Paulo em Romanos 12:1-2.

V.4. CORES LITÚRGICAS

Quando vamos à igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão, e até


mesmo a estola e a casula usadas pelo sacerdote, combinam todos com uma mesma cor.
Percebemos também que, a cada semana, essa cor pode permanecer a mesma ou variar.
Se acontecer de no mesmo dia irmos a duas igrejas diferentes, comprovaremos que
ambas usam a mesma cor, com exceção, é claro, da igreja que celebra o seu padroeiro.
Na verdade, a cor usada um certo dia é válida para a Igreja em todo o mundo, que
obedece a um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia, indicada pelo
calendário, fica estabelecida uma determinada cor.

Desta forma, concluímos que as diferentes cores possuem algum significado


para a Igreja: elas visam manifestar externamente o caráter dos Mistérios celebrados e
também a consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do Ano
Litúrgico. Manifesta também, de maneira admirável, a unidade da Igreja. No início
havia uma certa preferência pelo branco. Não existiam ainda as chamadas cores
litúrgicas. Estas só foram fixadas em Roma no século XII. Em pouco tempo, devido ao
seu alto valor teológico e explicativo, os cristãos do mundo inteiro aderiram a esse
costume, que tomou assim, caráter universal. As cores litúrgicas são seis, como veremos
a seguir.
Branco - Usado na Páscoa, no Natal, nas Festas do Senhor, nas Festas de Nossa
Senhora e dos Santos, exceto dos mártires. Simboliza alegria, ressurreição, vitória e
pureza. Sempre é usado em missas festivas.

Vermelho - Lembra o fogo do Espírito Santo. Por isso é a cor de Pentecostes. Lembra
também o sangue. É a cor dos mártires e da sexta-feira da Paixão e do Domingo de
Ramos. Usado nas missas de crisma, em pentecostes e martírios.

Verde - Se usa nos domingos e dias da semana do Tempo Comum. Está ligado ao
crescimento, à esperança.

Roxo - Usado no Advento. Na Quaresma também se usa, a par de uma variante, o


violeta. É símbolo da penitência, da serenidade e de preparação, por lembrar a noite.
Também pode ser usado nas missas dos defuntos e na celebração da penitência.

Rosa - O rosa pode ser usado no 3º domingo do Advento (Gaudete) e 4º domingo da


Quaresma (Laetare). Simboliza uma breve pausa, um certo alívio no rigor da penitência
da Quaresma e na preparação do Advento.

Preto - Representa o luto da Igreja. Usa-se na celebração dos Fiéis Defuntos.

Dourado e Prateado - Usa-se nas solenidades ou celebrações importantes, substituindo


a cor litúrgica do Dia.

V.5. APROFUNDAMENTO SOBRE A LITURGIA CATÓLICA

Segundo a doutrina da Igreja Católica, a liturgia é a celebração do "Mistério de


Cristo e em particular do seu Mistério Pascal", sendo por isso "o cume para onde
tendem todas as ações da Igreja e, simultaneamente, a fonte donde provém toda a sua
força vital". Através deste serviço de culto cristão, "Cristo continua na sua Igreja, com
ela e por meio dela, a obra da nossa redenção". Mais concretamente, na liturgia,
mediante "o exercício do sacerdócio de Cristo", "o culto público devido à Deus" é
exercido pela Igreja, o Corpo místico de Cristo; e "a santificação dos homens é
significada e realizada mediante" os sete sacramentos.

Aliás, "a própria Igreja é sacramento de Cristo, pois é através dela que hoje Jesus
fala aos fiéis, lhes perdoa os pecados e os santifica, associando-os intimamente à sua
oração" e ao seu Mistério Pascal. Esta "presença e atuação de Jesus" na liturgia e na
Igreja são assegurados eficazmente pelos sacramentos, com particular destaque para a
Eucaristia. Aliás, a Eucaristia, que renova o Mistério Pascal, é celebrada pela Missa, que
é por isso a principal celebração litúrgica e sacramental da Igreja Católica. Para além
da Missa, destaca-se também a Liturgia das Horas.

Para além do culto de adoração a Deus (latria), a liturgia, embora em menor


grau, venera também os Santos (dulia) e a Virgem Maria (hiperdulia), apesar de o culto
de veneração a estes habitantes do Céu seja mais associado à piedade popular.

Jesus, como Cabeça, celebra a liturgia com os membros do seu Corpo, ou seja,
com a sua "Igreja celeste e terrestre", constituída por santos e pecadores, por habitantes
da Terra e do Céu. Cada membro da Igreja terrestre participa e atua na liturgia "segundo
a sua própria função, na unidade do Espírito Santo: os batizados oferecem-se em
sacrifício espiritual [...]; os Bispos e os presbíteros agem na pessoa de Cristo Cabeça",
representando-O no altar. Daí que só os clérigos (excetuando os diáconos) é que podem
celebrar e conduzir a Missa, nomeadamente a consagração da hóstia.

Toda a liturgia, nomeadamente a Missa, é celebrada através de gestos, palavras


(incluindo as orações), canto, música, "sinais e símbolos", sendo todos eles
"intimamente ligados" e inseparáveis. Alguns destes sinais são "normativos e
imutáveis", como, por exemplo, os sacramentos, porque são "portadores da ação
salvífica e de santificação". Apesar de celebrar o único Mistério de Cristo, a Igreja
possui muitas tradições litúrgicas diferentes, devido ao seu encontro, sempre fiel à
Tradição católica, com os vários povos e culturas. Isto constitui uma das razões pela
existência das 23 Igrejas sui juris que compõem a Igreja Católica.

A doutrina católica admite no culto litúrgico a presença das imagens sagradas de


Nossa Senhora, dos santos e de Cristo, porque elas ajudam a proclamar a mensagem
evangélica e "a despertar e a alimentar a fé dos fiéis". Também segundo esta lógica, a
Igreja, à margem da liturgia, aceita e aprova a existência das variadíssimas expressões
de piedade popular, que é o culto privado. Apesar de a Igreja celebrar o Mistério de
Cristo durante todo o ano, o seu culto litúrgico centra-se no Domingo, que é "o centro
do tempo litúrgico [...], fundamento e núcleo de todo o ano litúrgico, que tem o seu
cume na Páscoa anual".

Embora o culto católico não estivesse "ligado a nenhum lugar exclusivo, porque
Cristo", e logo toda a Igreja, "é o verdadeiro templo de Deus", a Igreja terrestre tem
necessidade de certos lugares sagrados onde ela "se possa reunir para celebrar a
liturgia". Estes lugares, como, por exemplo, as igrejas, capelas e catedrais, são sítios de
oração, "as casas de Deus e símbolo da Igreja que vive num lugar e também da morada
celeste" [2][3].

V.5. 1. OBJETOS LITÚRGICOS CATÓLICOS

Altar: Mesa onde se realiza a ceia Eucarística; ela representa o próprio Jesus na
Liturgia.

Cálice: Taça onde se coloca o vinho que vai ser consagrado.

Patena: Prato onde é colocada a Hóstia Grande que será consagrada e apresentada aos
fiéis. Acompanha o estilo do cálice, pois é complemento.

Corporal: Pano quadrangular de linho com uma cruz no centro; sobre ele é colocado o
cálice, a patena e a âmbula para a consagração.

Pala: Cobertura quadrangular para o cálice.


Galhetas: Recipientes onde se coloca a água e o vinho para serem usados na
Celebração Eucarística.

Crucifixo: Fica sobre o altar ou acima dele, lembra a Ceia do Senhor é inseparável do
seu Sacrifício Redentor.

Lecionários: Livros que contém as leituras da Missa. Lecionário ferial (leituras da


semana); lecionário santoral (leitura dos santos), lecionário dominical (leituras do
Domingo).

Manustérgio: Toalha usada para purificar as mãos antes, durante e depois do ato
litúrgico.

Missal: Livro que contém o ritual da missa, menos as leituras.

Sanguíneo: Pequeno pano utilizado para o celebrante enxugar a boca, os dedos e o


interior do cálice, após a consagração.

Ostensório ou Custódia: Objeto utilizado para expor o Santíssimo, ou para levá-lo em


procissão.

Teca: Pequeno recipiente onde se leva a comunhão para pessoas impossibilitadas de ir a


missa.

Ambão: Estante onde é proclamada a palavra de Deus.

Incenso: Resina de aroma suave. Produz uma fumaça que sobe aos céus, simbolizando
as nossas preces e orações à Deus.

Naveta: Objeto utilizado para se colocar o incenso, antes de queimá-lo no turíbulo.

Turíbulo: Recipiente de metal usado para queimar o incenso.

Alfaias: Designam todos os objetos utilizados no culto, como por exemplo, os


paramentos litúrgicos.

Aliança: Anel utilizado pelos noivos para significar seu compromisso de amor selado
no matrimônio.

Andor: Suporte de madeira, enfeitado com flores. Utilizados para levar as imagens dos
santos nas procissões.

Asperges: Utilizado para aspergir o povo com água-benta. Também conhecido pelos
nomes de aspergil ou aspersório.

Bacia: Usada com o jarro para as purificações litúrgicas.

Báculo: Bastão utilizado pelos bispos. Significa que ele representa os apóstolos
pastores.
Batistério: O mesmo que pia batismal. É onde acontecem os batismos.

Bursa ou bolsa: Bolsa quadrangular para colocar o corporal.

Caldeirinha: Vasilha de água-benta.

Campainha: Sininhos tocados pelo acólito(ou coroinha) no momento da consagração.

Castiçais: Suportes para as velas.

Sédia: Cadeira no centro do presbitério, usada pelo celebrante, que manifesta a função
de presidir o culto. Também denominada de cátedra

Círio Pascal: Uma vela grande onde se pode ler ALFA e ÔMEGA (Cristo: começo e
fim) e o ano em curso. Tem grãos de incenso que representam as cinco chagas de
Cristo. Usado na Vigília Pascal, durante o Tempo Pascal, e durante o ano nos batismos.
Simboliza o Cristo, luz do mundo.

Âmbula: recipiente onde se guarda o Corpo de Cristo.

Cibório: recipiente onde se guarda as hóstias.

Colherzinha: Usada para colocar a gota de água no vinho e para colocar o incenso no
turíbulo.

Conopeu: Cortina colocada na frente do sacrário.

Credência: Mesinha ao lado do altar, utilizada para colocar os objetos do culto.

Cruz Processional: Cruz com um cabo maior utilizada nas procissões.

Cruz Peitoral: Crucifixo dos bispos.

Esculturas ou imagens: Existem nas Igrejas desde os primeiros séculos. Sua única
finalidade litúrgica é ajudar a mergulhar nos mistérios da vida de Cristo. O mesmo se
pode dizer com relação às pinturas.

Genuflexório: Faz parte dos bancos da Igreja. Sua única finalidade é ajudar o povo na
hora de ajoelhar-se.

Partícula: Pão Eucarístico.

Hóstia Grande: É utilizada pelo celebrante. A palavra significa "vítima que será
sacrificada". É maior apenas por uma questão de prática. Para que todos possam vê-la
na hora da elevação, após a consagração.

Jarro: Usado durante a purificação.

Lamparina: É a lâmpada do Santíssimo.


Lavatório: Pia da Sacristia. Nela há toalha e sabonete para que o sacerdote possa lavar
as mãos antes e depois da celebração.

Livros Litúrgicos: Todos os livros que auxiliam na liturgia: lecionário, missal, rituais,
pontifical, gradual, antifonal.

Luneta: Objeto em forma de meia-lua utilizado para fixar a hóstia grande dentro do
ostensório.

Matraca: Instrumento do madeira que produz um barulho surdo. Substitui os sinos


durante a semana santa.

Piscina: antigo nome da pia da sacristia.

Píxide: O mesmo que cibório.

Pratinho: Recipiente que sustenta as galhetas.

Purificatório: O mesmo que sanguinho.

Relicário: Onde são guardados as relíquias dos santos.

Sacrário: Caixa onde é guardada a Eucaristia após a celebração. Também é conhecida


como TABERNÁCULO.

Santa Reserva: Eucaristia guardada no Sacrário.

Tabernáculo: O mesmo que Sacrário.

Véu Do Cálice: Pano utilizado para cobrir o cálice.

Véu Do Cibório: Pequena Capa de seda branca que cobre a âmbula. É sinal de respeito
para com a Eucaristia

VI. CONCLUSÃO

Concluímos diante de tanta informação da teologia Católica que a Igreja romana


sempre procurou se envolver com o materialismo e o poder político sempre distante de
Deus e das Escrituras. Em contradição aos ditames da Igreja Católica e todas as
doutrinas e dogmas vistos acima está a Teologia Protestante que em linhas gerais
defende as seguintes doutrinas: A Soberania de Deus, Ele está acima da sua criação e de
tudo o que há, não é limitado por nada. A Bíblia é a única fonte de autoridade, inerrante,
insubstituível, perfeita, inspirada por Deus, verdadeira, ela não contém, mas é a Palavra
de Deus (II Tm. 3:16). Jesus Cristo é o centro das Escrituras; a sua pessoa e obra,
principalmente, sua obra vicária, são o fundamento de nossa fé cristã e da mensagem da
salvação (Jo. 5:39). O Espírito Santo é uma pessoa, que atua por intermédio da Palavra
de Deus convencendo o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16:8). A salvação é
somente pela graça mediante a fé (Ef. 2:8-9), a fonte da salvação é a graça de Deus
manifestada pela obra de Cristo, o fundamento da salvação. A concepção trinitariana é a
única maneira de compreender o Deus revelado na Bíblia (Mt. 28:19; II Co. 13:13). O
batismo é simbólico, para quem já tem consciência do que é pecado, mostrando a
decisão de se separar do mundo em compromisso para com o Senhor Jesus (Cl. 2:12). A
Igreja é o corpo de Cristo na terra, composta pelos filhos de Deus (I Co. 12:27; Ef.
4:15.16). O cristão deve sempre procurar a santificação em sua vida diária (I Ts. 4:3). A
Santa Ceia é em memória da obra de Cristo (I Co. 11:24) e todos os batizados devem
participar (Mc. 16:16; Jo. 6:54).

VII. BIBLIOGRAFIA

(01) H. W. House, "Teologia Cristã Em Quadros", Editora Vida, 2000, São Paulo - SP.

(02) Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. - CD ROM.

(03) E. E. Cainrs, "O Cristianismo Através dos Séculos", Editora Vida Nova, 1988, São
Paulo - SP.

(04)http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-
BR&article=894&menu=7&submenu=3

(05)http://www.ebah.com.br/teologia-sistematica-1-pdf-a23444.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_moral_cat%C3%B3lica

http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_dogm%C3%A1tica_cat%C3%B3lica

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dogmas_da_Igreja_Cat%C3%B3lica