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I P Botafogo Encontro com a Palavra 15/01/2016 Evangelho de Marcos Capítulo 6.1-6 Estudo 23

diego_stallone@gmail.com

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Estudo Bíblico O Evangelho de Marcos Capítulo 6.6b-13

Recapitulação

Vimos no início do capítulo 6 a chegada de Jesus à Nazaré e como ele foi recebido na sinagoga pelos seus. Observamos a progressão entre os episódios de Mc 1.21-28; 3.1-6 e 6.1-6.

Vimos também as críticas que Jesus recebeu, a respeito de sua ascendência, de seu conhecimento teológico e também de sua capacidade de realizar maravilhas. Influenciadas pelos doutores da Lei, as pessoas não queriam acreditar naquilo que seus próprios olhos testemunhavam. Jesus era humano demais para ser Deus, elas insistiram em pensar.

Introdução

Pelo que vemos em Marcos 6.6b-13, a rejeição que Jesus enfrentou em sua terra natal não foi capaz de desanimá-lo, nem aos seus discípulos. Pelo contrário, Jesus continua em frente e agora, muda de estratégia.

I.

Primeiro, ele dará mais ênfase aos “povoados” e não tanto as sinagogas, como vinha fazendo até aqui (1.21, 1.39, 6.2).

II.

Os doze, a partir de agora, não apenas “acompanham” Jesus, mas são enviados para anunciar, como embaixadores do próprio Cristo.

III.

Assim como Jesus, os doze não são enviados primeiramente às sinagogas, mas as “casas”.

IV.

Um fato interessante é que os atos dos discípulos não serão relatados, apenas o seu retorno (Mc

6.30), satisfeitos com os resultados que alcançaram. E justamente neste intervalo, Marcos narra a morte de João Batista (Mc 6.14-29), como que um lembrete para que os discípulos não se exaltassem. No cerne do nosso texto estão as orientações específicas de Jesus em relação à missão de anúncio do Evangelho. É o que nos veremos agora então.

Marcos 6.7

Nesta “segunda fase” do discipulado, os discípulos, como já nos referimos, não apenas acompanham Jesus, mas agora também são enviados para anunciar o Evangelho, as boas novas que de Jesus. São enviados “dois a dois”. Embora fosse uma forma extremamente comum de viajar naquele tempo, e, na verdade, ainda o é hoje, este formato tem um profundo significado bíblico. Na Bíblia:

Um testemunho é levado em consideração quando duas ou três testemunhas o confirmam. (Dt. 19.15; Mt 18.16).

No contexto de discórdia e pecado, assim como o testemunho de pelo menos duas pessoas é requerido, também a oração o é. A intercessão comunitária tem validade no momento em que duas ou três pessoas estejam unidas e em acordo. E a presença de Jesus é garantida. (Mt 18.19-

20).

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O próprio Apóstolo Paulo formava pequenos grupos de dois ou três. Por exemplo: Paulo e Silas; Paulo e Barnabé; Paulo, Barnabé e João Marcos, e etc. Jesus os chama para estar junto dele, depois os envia para anunciar. Para que tivessem êxito em sua missão, recebem um tipo de autoridade especial, autoridade sobre o mal, sobre o maligno. Como já falamos anteriormente (quando conversamos sobre Mc 3.15), esta autoridade não era apenas uma “arma especial” contra o demônio. É a incumbência que todo discípulo de Jesus tem, ainda hoje, de levar a luz onde reinam as trevas, de salgar onde a vida não tem gosto, de levar justiça onde ela não existe. A autoridade que os discípulos recebem é para fazer exatamente aquilo que Jesus fez levar vida para um mundo que jaz, que dorme, que está morto em seus delitos e pecados.

Marcos 6.8-9

A expressão utilizada por Jesus (ordenou-lhes) indica uma exortação, uma instrução, uma orientação.

A forma como eles deveriam ir e anunciar é extremamente importante. O bordão (cajado) servia de apoio na caminhada pela estrada desértica. Além disso, deveriam ir apenas com um par de sandálias e a roupa do

corpo.

Dispensáveis eram o alforje, uma pequena bolsa em que poderia ser guardada a comida e até mesmo

o dinheiro das ofertas recebidas. Não! Nada disso.

O que Jesus está dizendo é que os discípulos, chamados, fortalecidos e enviados pelo Senhor, devem

confiar na sua provisão, e apenas nela. Suas preocupações devem ser exclusivamente em relação ao anúncio do Evangelho (Lc 22.35).

Jesus toca em duas de nossas maiores fontes de preocupação, necessárias à nossa sobrevivência O pão cotidiano e o dinheiro para a manutenção da vida. Reforçando então a ideia de dependência do Senhor. Na tentação ele afirmara que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4) e o autor de provérbios afirma:

Provérbios 30:7-9 – “Duas coisas te peço: não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade

e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não

suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar

e profane o nome de Deus.

O fato é que a corrupção está próxima a toda pessoa, e os seguidores de Jesus não estão imunes a

esse mal. Foi assim com Simão, mágico (At 8.9-24), e também Paulo já havia advertido Timóteo em relação

a este assunto (1 Tm 6.5-6).

Marcos 6.10-11

Três realidades se destacam nestes versículos. A primeira é o fato de Jesus direcioná-los a todas as casas, sem distinção. É sabido que entre os judeus era grande o cuidado para saber se alguma casa era “digna” da presença de um visitante ou não. Muitos preconceitos impediam que as pessoas entrassem com liberdade em casas desconhecidas. Havia a questão religiosa, por conta da impureza das pessoas ou do ambiente, e também a questão alimentar. Mas isso não é um problema para Jesus, como ele já ensinara: o que contamina é o que sai do homem, e não o que entra (Mt 15.17-20).

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A segunda é que, conforme afirmou anteriormente, certamente os discípulos encontrariam a

acolhida. Podiam confiar que, na sua missão, haveria aqueles que abririam não apenas suas casas, mas também sua vida e sua história para receber o evangelho.

A terceira, é justamente a que, normalmente, chama mais atenção. A rejeição. Se eles são

designados a todas as casas, podem confiar que em umas serão acolhidos, mas, não tenham dúvidas que, assim como Jesus foi rejeitado (vimos isso várias vezes até aqui, inclusive na sua própria cidade, Nazaré) eles também seriam rejeitados. A rejeição não é o fim. O “bater o pó do pé” é como um “levante a cabeça e continue em frente”. É preciso manter o ânimo, o entusiasmo, a coragem. Não pode haver ilusões. Se o mestre foi rejeitado até a

cruz, não é de se esperar que aconteça diferente com os discípulos. É papel de todo discípulo cumprir a missão e, com todo amor, anunciar, mas a responsabilidade é pessoal, sempre!

Marcos 6.12-13

E foram os discípulos, encorajados por Jesus, pregando para que o povo se arrependesse. Neste quesito, não apenas à semelhança de João Batista (Mc 1.4), mas também do próprio senhor Jesus (Mc 1.14- 15), que chamaram à conversão e ao arrependimento! Em primeiro lugar, como podemos ver, está a Pregação do Evangelho. A expulsão dos demônios, a vitória sobre o mal, as curas e milagres são todos decorrentes do anúncio do Evangelho. A prioridade, como foi em Jesus e em João Batista, é o anúncio da palavra de Deus. Todo o mais é importante, mas é secundário na agenda de Jesus. Portanto, também deve ser na agenda dos discípulos. Quanto ao óleo, era puramente terapêutico. Era um hábito naquele tempo “pensar as feridas” com óleo, considerado pelo povo um tipo de medicina antigo. Vemos a alusão a este cuidado com o óleo em Isaías 1.6 e também na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.34). A cura não vinha do óleo, mas do poder absoluto de Deus.

Conclusão

Jesus continua sua caminhada e o anúncio da mensagem recebida do Pai. A estratégia muda. Os discípulos ganham mais responsabilidades. Agora, eles se tornam também mensageiros. Este texto deixa lições importantes para nós.

Como discípulos, estamos indoe anunciado o Evangelho recebido?

Como discípulos, temos confiado plenamente na provisão e no cuidado do Senhor com a nossa vida?

Como discípulos, temos buscado apenas o milagre, a cura, o espetacular, ou temos privilegiado a Palavra de Deus?

Que Deus nos abençoe!

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