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INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CURSO SUPERIOR EM ENGENHARIA DE MINAS

LETÍCIA VALDO

ESTUDO PRÉ-NORMATIVO DO MÉTODO DO PÊNDULO BRITÂNICO PARA AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA AO ESCORREGAMENTO DE ROCHAS ORNAMENTAIS

Cachoeiro de Itapemirim

2016

LETÍCIA VALDO

ESTUDO PRÉ-NORMATIVO DO MÉTODO DO PÊNDULO BRITÂNICO PARA AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA AO ESCORREGAMENTO DE ROCHAS ORNAMENTAIS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenadoria do Curso de Engenharia de Minas do Instituto Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Minas. Orientadora: Prof.ª Evanizis Dias Frizzera Castilho, M.Sc. Coorientadora: Nuria Fernández Castro, M.Sc.

Cachoeiro de Itapemirim

2016

(Biblioteca Carlos Drummond de Andrade do Instituto Federal do Espírito Santo)

V147e Valdo, Letícia.

Estudo pré-normativo do método do pêndulo britânico para avaliação da resistência ao escorregamento de rochas ornamentais / Letícia Valdo. 2016. 120 f.: il.; 30 cm.

Orientadora: Evanizis Dias Frizzera Castilho.

Coorientadora: Nuria Fernández Castro.

Monografia (graduação) Instituto Federal do Espírito Santo,

Coordenadoria do Curso de Engenharia de Minas, Curso de

Engenharia de Minas, 2016.

1. Rochas ornamentais. 2. Atrito. I. Castilho, Evanizis Dias

Frizzera. II. Castro, Nuria Fernández. III. Instituto Federal do

Espírito Santo. IV. Título.

CDD: 549.114

LETÍCIA VALDO

ESTUDO PRÉ-NORMATIVO DO MÉTODO DO PÊNDULO BRITÂNICO PARA AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA AO ESCORREGAMENTO DE ROCHAS ORNAMENTAIS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenadoria do Curso de Engenharia de Minas do Instituto Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Minas.

Aprovado em 23 de fevereiro de 2016.

COMISSÃO EXAMINADORA

para obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Minas. Aprovado em 23 de fevereiro de

DECLARAÇÃO DA AUTORA

Declaro, para fins de pesquisa acadêmica, didática e técnico-científica, que este Trabalho de Conclusão de Curso pode ser parcialmente utilizado, desde que se faça referência à fonte e à autora.

Cachoeiro de Itapemirim, 23 de fevereiro de 2016.

Letícia Valdo

Para Rosa Maria e José Darcy, que tanto apoiaram e incentivaram o meu crescimento profissional.

AGRADECIMENTOS

Ao INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO pela oportunidade de formação profissional.

Ao CENTRO DE TECNOLOGIA MINERAL - CETEM por todo suporte que possibilitou a realização desta pesquisa, o acolhimento e o incentivo.

À empresa GRANEXPO DO BRASIL pela disponibilização das amostras de ensaio.

Ao SHOPPING CACHOEIRO pela disponibilização do local para os ensaios.

À orientadora Evanizis Dias Frizzera Castilho pela atenção e orientação.

À coorientadora Nuria Fernández Castro pela amizade nestes anos de convívio e

pela incansável dedicação ao longo de todas as etapas de elaboração deste

trabalho.

Ao professor Carlos Eduardo Ribeiro pela atenção e contribuição prestada na etapa dos cálculos deste trabalho.

Aos técnicos (Elton Santos, Millena Basílio, Jefferson Camargo, Carlos Eduardo) e PCI's (Thiago Bolonini e Thalissa Altoé) do CETEM que contribuíram para a realização deste trabalho. E ao Hieres Vettorazzi, que gentilmente se disponibilizou para descrever as amostras de ensaio.

Aos amigos Lucas Partelli e Pedro Pizetta pela grandiosa ajuda durante a realização dos ensaios. E ao primo Lucas Valdo pela ajuda na aquisição das amostras de ensaio.

RESUMO

Uma das propriedades mais importantes para a utilização de materiais rochosos como revestimento de pisos é o coeficiente de atrito dinâmico, já que essa propriedade está relacionada a questões de segurança quanto à locomoção. A determinação de tal coeficiente não está normatizada no escopo normativo brasileiro de métodos de ensaio para rochas ornamentais. O objetivo desse trabalho foi analisar o método do pêndulo britânico para avaliar a resistência ao escorregamento de rochas ornamentais, com vistas a propor a normalização desse ensaio no Brasil a partir de adaptações, a serem sugeridas, no conteúdo da norma europeia EN 14.231:2003. Foram realizados ensaios com o método do pêndulo, em 13 tipos de materiais comerciais, no Laboratório de Caracterização Tecnológica de Rochas Ornamentais - LABRO do Núcleo Regional do Espírito Santo do Centro de Tecnologia Mineral - CETEM/NR-ES e no piso assentado do Shopping Cachoeiro. Com base nos resultados de estudos anteriores da autora, foi realizada uma análise estatística para se determinar o número de corpos de prova e de medições necessárias para os níveis de confiança de 99% e de 95% resultando em: 15 corpos de prova de cada um dos 13 materiais, fazendo-se 16 medições em cada um deles, para o nível de 99% de confiança e 8 corpos de prova, fazendo-se 10 medições em cada um deles, para o nível de 95%. Os ensaios também foram executados no piso do Shopping Cachoeiro, em 15 pontos, fazendo-se 16 medições em cada um deles, para o nível de 99% de confiança e 8 pontos, fazendo-se 10 medições em cada um deles, para o nível de 95%. Os dados obtidos no laboratório e no shopping foram analisados e as incertezas das medições realizadas, foram avaliadas conforme a versão brasileira do "Guia para expressão de incerteza de medição", do Comitê Misto para os Guias de Metrologia. Os resultados desse trabalho mostraram que esse método apresenta boa confiabilidade e grande potencial de ser incorporado ao conjunto de normas técnicas brasileiras.

Palavras-chave: Resistência ao Escorregamento. Atrito. Normalização. Pêndulo Britânico.

ABSTRACT

One of the most important properties for stone floorings is the dynamic coefficient of friction, since this property is related to security issues for pedestrian locomotion. The determination of such coefficient is not included in the Brazilian standard methods of testing for natural stones. The aim of this study was to analyze the British pendulum method to assess the slip resistance of stones, in an attempt to propose a reference test method in Brazil, using the European standard EN 14231: 2003 procedures as baseline. Tests were carried out with the pendulum method, on 13 types of commercial materials, in the Laboratory for Technological Characterization of Natural Stones - LABRO of the Espirito Santo's Unit NR-ES of the Centre for Mineral Technology - CETEM, a research institute of the Ministry of Science, Technology and Innovation of Brazil. Tests were also performed on site, on the flooring of a local mall, named Shopping Cachoeiro. Based on the results of the author's previous studies, a statistical analysis was performed to determine the number of specimens and measurements necessary for confidence levels of 99% and 95% resulting in 15 specimens, and if 16 measurements on each of them for a 99% confidence level and 8 specimens and 10 measurements on each of them for a 95% confidence level. The tests were also carried out on the Shopping Cachoeiro floor in 15 points, making 16 measurements on each of them for a 99% confidence level and in 8 points, with 10 measurements on each of them for a 95% confidence level. The measurements uncertainties were estimated following the Brazilian version of the ‘Guide to the expression of uncertainty in measurementof the Joint Committee for Guides in Metrology. Results showed that the pendulum test method has good reliability, and potential to be incorporated into Brazilian technical standards for natural stones test methods.

Keywords: Slip Resistance. Friction. Standarization. British Pendulum.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

 

11

1.1.

Objetivos

12

2. CONCEITO DE ESCORREGAMENTO

 

13

2.1. Biomecânica

 

13

2.2. Fatores que Influenciam no Escorregamento

14

2.2.1. Equilíbrio e estabilização do corpo humano

14

2.2.2. Formas de locomoção

 

15

2.2.3. Influência de contaminantes

17

2.3.

Resistência ao Escorregamento

18

3. ROCHAS ORNAMENTAIS

19

3.1. Definição

 

19

3.2. Caracterização Tecnológica

 

20

3.2.1. Análise petrográfica

21

3.2.2. Densidade aparente, porosidade aparente e absorção de água

21

3.2.3. Coeficiente de dilatação térmica linear

21

3.2.4. Resistência

ao congelamento e degelo

21

3.2.5. Resistência à compressão uniaxial

22

3.2.6. Flexão por carregamento em três pontos (módulo de ruptura)

23

3.2.7. Flexão

por

carregamento

em

quatro pontos

24

3.2.8. Resistência ao impacto de corpo duro

24

3.2.9. Outros ensaios

 

25

3.3.

Normalização

 

26

4. CONCEITO DE COEFICIENTE DE ATRITO

27

4.1. Princípio Físico

 

27

4.2. Coeficiente

de

Atrito

Estático

28

4.3. Coeficiente

de

Atrito

Dinâmico

29

4.4.

Interações Superficiais

29

4.5. Equipamentos para Determinação do Coeficiente de Atrito

30

4.5.1. Slip Resistance Testing Machine (ISO 13.287:2012; ASTM F2913: 11)31

4.5.2. Horizontal Pull Slipmeter - HPS (ASTM F609-05/2013)

32

4.5.3. Brungraber Mark I Portable Articulate - PAST (ASTM F1678-96)

34

4.5.4. Brungraber Mark II & III Portable Inclinable Articulated Strut Slip Test -

PIAST (ASTM F1677-05)

 

35

4.5.5. English XL Variable Incident Tribometer - VIT (ASTM F1679-04e1)

36

4.5.6. James Machine (ASTM D2047-11)

 

37

4.5.7. Tortus (ISO/DIS 10.545-parte17 e ABNT 13.818:1997 - anexo N)

 

38

4.5.8. BOT 3000E (ANSI/NFSI B101.1-2009)

 

39

4.5.9. SlipAlert (BS 8204-2:2002)

 

40

4.5.10. Inclined

Platform

(BS

4592-0:2006;

DIN

51.130:2004-06;

AS

4586:2013)

 

41

4.5.11.

Pêndulo

Britânico

(EN

14.231:2003;

ASTM

E303-2013

e

DNIT

112/2009-ES)

 

42

5. ESTUDO EXPERIMENTAL PELO MÉTODO DO PÊNDULO

 

45

5.1. Equipamentos e Procedimentos de Ensaio

 

45

5.2. Planejamento

dos Ensaios

 

51

5.2.1. Corpos de

prova

51

5.2.2. Locais de ensaio

 

54

5.3.

Cálculo de Incertezas

68

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

70

7. CONCLUSÕES

 

83

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

85

ANEXO I

90

11

1. INTRODUÇÃO

O setor de rochas ornamentais brasileiro destaca-se por uma produção de mais de 10 milhões de toneladas anuais e por sua considerável variedade de produtos (ABIROCHAS, 2015). Para tantas variedades concorrendo nos mercados nacional e internacional, a necessidade de caracterização tecnológica desses produtos é de fundamental importância, principalmente para aqueles utilizados como revestimento de pisos e fachadas.

Uma das propriedades mais importantes para a utilização desses revestimentos como piso é o coeficiente de atrito dinâmico, já que essa propriedade está relacionada a questões de segurança quanto à locomoção, uma vez que, a nível mundial, segundo a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (2010), as quedas por deslizamentos da população idosa respondem por 20 a 30% dos ferimentos leves, e são causa subjacente de 10 a 15% de todas as consultas aos serviços de emergência.

Cada vez mais, o setor de rochas ornamentais brasileiro prepara-se para enfrentar os desafios de uma maior participação no mercado internacional, dispondo de infraestrutura e suporte técnico para incorporar ganhos de qualidade, produtividade, competitividade e aumento nas exportações de seus produtos beneficiados. Para tanto, torna-se indispensável o conhecimento das características petrológicas, químicas e mecânicas desses produtos, além dos aspectos cromáticos e texturais, pois essas propriedades são, em última análise, as diretrizes básicas que norteiam e determinam seu emprego.

As características tecnológicas das rochas, assim como a previsão do seu desempenho em serviço, são obtidas por meio de análises e ensaios executados, segundo procedimentos rigorosos, estabelecidos por organismos de normalização (MENDES & VIDAL, 2002). Visando alcançar a competitividade, torna-se necessário conhecer essas características, dentre elas a resistência ao escorregamento das rochas ornamentais, importante parâmetro para sua utilização em pisos.

No setor cerâmico, um dos requisitos de conformidade de pisos, sobretudo em ambientes públicos e industriais, é sua segurança ao escorregamento, evitando acidentes com seus usuários (UENO, 1999). No Brasil, para caracterizar a

12

resistência ao escorregamento de superfícies de pisos cerâmicos a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT recomenda o método de determinação do coeficiente de atrito pelo sistema Tortus, de acordo com a norma ABNT NBR 13.818:1997 - "Placas cerâmicas para revestimento - Especificações e métodos de ensaios".

O setor brasileiro de rochas ornamentais, entretanto, não conta, entre suas normas

técnicas, com um ensaio para determinar tal característica, desfavorecendo o produtor quanto à qualidade final de seus produtos e ao consumidor quanto à segurança ao escorregamento do revestimento, uma vez que, a resistência ao escorregamento é um parâmetro imprescindível para materiais de construção, especialmente para aqueles utilizados em pisos e escadarias, sendo um requisito de segurança que não pode ser ignorado.

Por esse motivo, a norma da ABNT NBR 15.575:2013 - "Desempenho de edificações habitacionais", que dita exigências relativas à segurança, apenas orienta

à utilização de sistemas que melhorem ou contribuam para aumentar o coeficiente

de atrito, quando se trata de pisos de rochas polidas. Em Santa Catarina a Polícia Militar do Corpo de Bombeiros, por meio da resolução de nº 004/CAT/CB/95, estabelece, com base nas normas de segurança contra incêndio, o valor médio do coeficiente de atrito dinâmico do piso a ser assentado nas rotas de fuga (corredores, escadarias, halls e saídas) porém não especifica o método para determinação de tal coeficiente.

Já o Comitê Europeu de Normalização - CEN e a Sociedade Americana de Testes e Materiais - ASTM possuem normas específicas para determinação do coeficiente de atrito, por diversos métodos, sendo um deles o do Pêndulo Britânico, (EN 14.231:2003 - "Natural stone test methods - Determination of the slip resistence by means of the pendulum tester" e ASTM E 303/1993 - "Standard test method for measuring surface frictional properties using the british pendulum tester").

1.1. Objetivos

O objetivo deste trabalho é a análise do método do Pêndulo Britânico para avaliar a

resistência ao escorregamento de rochas ornamentais, com vistas a propor a normalização desse ensaio no Brasil a partir de adaptações, a serem sugeridas, no

13

conteúdo da norma europeia EN 14.231:2003 - "Natural stone test methods - Determination of the slip resistence by means of the pendulum tester".

2. CONCEITO DE ESCORREGAMENTO

Deslizar é umas das causas mais comuns de quedas e é uma grande preocupação para a indústria e sociedade, devido aos custos financeiros associados, que para Powers et. al. (2002), deverão exceder 85 bilhões de dólares americanos até o ano

de 2020, quando se estima que mais de 17 milhões de quedas resultantes em

ferimentos irão ocorrer nos Estados Unidos.

O escorregamento pode ser definido como sendo um decréscimo intenso no valor do coeficiente de atrito dinâmico entre o corpo em movimento e a superfície de apoio, ocorrido de maneira brusca (SACHER, 1993). O ato de escorregar pode ser definido como sendo uma perda de equilíbrio causada por um movimento inesperado, imprevisto e fora de controle do pé, sendo usualmente produto final de um coeficiente de atrito insuficiente.

A propriedade

escorregamento, é definida como sua resistência ao escorregamento. Essa propriedade é função de vários parâmetros, sendo o coeficiente de atrito, provavelmente, o mais importante deles (SACHER, op. cit.).

ao

pela

qual

uma

superfície

pode

resistir

ou

dar

proteção

No entanto, para um melhor entendimento do fenômeno do escorregamento são necessários conhecimentos de biomecânica, observações sobre a maneira de andar dos indivíduos, bem como conhecimentos sobre o coeficiente de atrito.

2.1. Biomecânica

Biomecânica é a ciência que se ocupa da análise física de sistemas biológicos e, consequentemente, da análise física do movimento do corpo humano. Esse movimento é estudado mediante leis físico-matemáticas e conhecimentos anatômicos e fisiológicos.

O corpo humano pode ser definido fisicamente como um complexo sistema de segmentos articulados em equilíbrio estático ou dinâmico, onde o movimento é causado por forças internas atuando fora do eixo articular, provocando deslocamentos angulares dos segmentos, e por forças externas ao corpo (AMADIO, 2007).

14

É a partir de parâmetros cinemáticos e dinâmicos, que a biomecânica do movimento busca explicar como as formas de movimento dos corpos de seres vivos acontecem na natureza (ZERNICKE, 1981).

2.2. Fatores que Influenciam no Escorregamento

2.2.1. Equilíbrio e estabilização do corpo humano

Todo movimento ou posição adotados pelo corpo contém aspectos de equilíbrio e estabilidade e, para a análise destas situações, é importante que se defina a condição de equilíbrio e que se conheça o grau de estabilidade.

Assim como nos demais corpos estudados pela física, as leis da mecânica são aplicadas ao corpo humano e este encontra-se em equilíbrio quando a soma de todos os vetores, forças que atuam externamente sobre ele, for igual a zero. Quando isso ocorre, o corpo encontra-se em condição de repouso ou de movimento uniforme. Desse modo, ao conservar sua velocidade de translação ou de rotação, o corpo encontra-se em equilíbrio dinâmico, enquanto que um equilíbrio estático caracteriza o estado de repouso de um corpo (UENO,1999).

Então, um corpo sobre uma base de sustentação grande, encontra-se no espaço ideal para as diferentes posições do centro de gravidade, ocorrendo assim a condição de equilíbrio estável. Sucede o contrário quando a base de sustentação é pequena, resultando para o corpo em uma condição de equilíbrio instável.

No entanto, para o corpo humano, apesar da sua base de sustentação ser pequena, essa relação de manutenção da condição de equilíbrio difere da dos corpos rígidos por ser um sistema articulado que possui a capacidade de reagir contra um distúrbio de seu estado de equilíbrio, a fim de manter seu estado inicial. Tal capacidade é atingida por meio de movimentos compensatórios, alterando as posições relativas de seus segmentos corporais e tensões musculares.

Portanto, para a manutenção de equilíbrio, em diversas situações de movimento, o corpo adota aspectos condicionais de estabilidade, que se diferenciam em função de graus de estabilidade (GE), dependendo dos seguintes fatores (UENO, op.cit.):

Base de apoio: o grau de estabilidade é proporcional à base de apoio;

15

Altura do centro de gravidade (CG): o GE é inversamente proporcional a altura do CG;

Distância horizontal do CG à extremidade da base de sustentação: o GE em um determinado sentido é diretamente proporcional à distância do CG da extremidade da base de sustentação; e

Peso corporal: o GE é diretamente proporcional ao peso.

Portanto, quando o indivíduo se posicionar de pé e tentar romper o seu estado de equilíbrio estático e entrar em movimento, imediatamente deslocará o seu centro de gravidade, forçando o peso sobre a base de sustentação, produzindo um momento de rotação com eixo no contato do pé com o solo. À medida que aumentar o ângulo, formado pelo corpo com a vertical, a linha de gravidade desloca-se até projetar-se fora da base de sustentação, quando ocorrerá uma queda do corpo ou este entrará em movimento.

2.2.2. Formas de locomoção

O andar, o correr e o saltar envolvem distintos padrões de movimento, baseados fundamentalmente na formação e evolução de estereótipos dinâmicos, cuja origem é estabelecida por complexas estruturas neurológicas sincronizadas com as demais funções do aparelho locomotor humano (AMADIO, 2007). No escopo deste trabalho serão abordados apenas os movimentos mais comuns: o de andar e o de correr.

Dentre as habilidades fundamentais do corpo humano, o andar tem posição de destaque. Mediante a análise do comportamento dinâmico do andar, podem-se obter importantes informações acerca desta habilidade.

Assim, ao igual que todos os movimentos que envolvem uma fase de contato, o andar pode ser estudado quanto à força de reação do solo (FRS), em três componentes: uma vertical e duas horizontais. Dentre essas três componentes, a vertical destaca-se dada sua magnitude, figurando como uma das principais influências da sobrecarga do aparelho locomotor, como mostra a figura 1, onde indica a força vertical máxima e a força vertical mínima. O intervalo T1-T3 indica o tempo de apoio, T2-T4 indica o tempo do segundo apoio, e o tempo entre T2-T3 representa a fase de duplo apoio.

16

Figura 1 - Componente vertical da força de reação do solo (FRS) durante as fases de apoio.

força de reação do solo (FRS) durante as fases de apoio. Fonte: Amadio, 2007. A determinação

Fonte: Amadio, 2007.

A determinação do nível de segurança de um indivíduo sobre uma superfície depende de fatores como: a maneira de andar, o comprimento do passo e a habilidade de ajustar o equilíbrio sobre uma superfície. Embora esses fatores sejam incomensuráveis, sua importância é bastante conhecida, uma vez que caso uma determinada superfície apresente risco de escorregamento, automaticamente a pessoa altera seu modo de andar.

Nesse caso, o ângulo de contato do calcanhar com a superfície é modificado para que se dê o mais paralelo possível e o comprimento do passo; torna-se mais reduzido, além de se diminuir a velocidade de deslocamento.

Os pesquisadores Stranberg (1983) e De Rick (1991) definem que a razão entre as forças horizontal e vertical (H/V) que atuam sobre o piso determinam o comportamento ao escorregamento, como mostra a figura 2.

17

Figura 2 - O equilíbrio entre o coeficiente de atrito (µ) e a relação H/V.

entre o coeficiente de atrito (µ) e a relação H/V. Fonte: Strandberg (1983) citado por Ueno

Fonte: Strandberg (1983) citado por Ueno (1999).

O equilíbrio entre a razão H/V e o coeficiente de resistência ao movimento µ irá

determinar o comportamento do indivíduo sobre a superfície. Desta forma, observa-

se uma aceleração dos pés caso a razão H/V seja maior que µ; ao contrário, têm-se

uma desaceleração caso esta razão seja menor que o valor de µ, e nota-se um escorregamento à velocidade constante caso os valores de H/V e µ sejam iguais.

O primeiro momento crítico (H/V maior que µ) é mais perigoso do que o segundo

(H/V menor que µ), isto em função de que naquele momento há uma mudança na posição relativa do centro de gravidade, que leva todo o peso do corpo a se concentrar em apenas um dos dois pés, justamente aquele que está sujeito a sofrer escorregamento. No segundo momento, o escorregamento também pode ocorrer,

embora neste caso o peso do corpo esteja concentrado não apenas no pé sujeito a escorregamento, mas está sendo transferido para aquele que está à frente (duplo- apoio).

2.2.3. Influência de contaminantes

Além dos fatores intrínsecos, abordados anteriormente, associados ao movimento humano, De Rick (1991) afirma que existem ainda outros fatores associados ao meio ambiente e às condições das superfícies de contato, que influenciam consideravelmente no escorregamento, como: tipo de superfície, dureza, microestrutura (porosidade), rugosidade, temperatura e umidade, carga aplicada pelo pé, velocidade relativa e presença de contaminantes na superfície.

A influência dos contaminantes é um fator importante para a modificação deste

comportamento ao escorregamento, desde a postura ao caminhar até a redução do

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coeficiente de atrito da superfície em presença de água, gelo, graxas ou óleos, quando pisos que possuíam propriedades satisfatórias, tornam-se inseguros e perigosos para os usuários.

2.3. Resistência ao Escorregamento

A Sociedade Americana de Testes e Materiais (ASTM F1646-13) afirma que a resistência ao escorregamento é a força relativa que resiste à tendência do sapato ou pé em deslizar ao longo da superfície de passagem e que está relacionada com uma combinação de fatores, incluindo a superfície de passagem, a parte inferior do calçado e a presença de materiais contaminantes entre eles.

Sendo assim, a resistência ao escorregamento certifica, a partir do coeficiente de atrito, a segurança do pedestre ao caminhar por uma superfície, principalmente na presença de água, óleo ou qualquer outra substância, ou em superfícies de aclive ou declive.

Mais do que o efeito estético, deve-se sempre priorizar a segurança dos pedestres em um ambiente pois a resistência ao escorregamento decorre da soma de diversos fatores, dentre eles alguns intrínsecos ao próprio material de revestimento.

Na França, segundo Institut National de Recherche et de Sécurité - INRS, estima-se que cerca de 100.000 pessoas por ano são vítimas de algum tipo de queda por escorregamento e que algumas destas vítimas ficam incapacitadas permanentemente nos mais diversos graus (De Rick,1991 apud UENO, 1999).

Segundo Brungraber e Templer (1992), nos EUA foram registradas 5.000 mortes causadas por incêndios no ano de 1989 e, de acordo com as estatísticas do Conselho Nacional de Segurança desse país (National Safety Council - NSC), mais de 12.000 pessoas morreram, naquele ano, devido à acidentes de escorregamentos e quedas. Metade dessas mortes foram causadas por escorregamento e 75% dos casos ocorreram com pessoas consideradas idosas, ou seja, com mais de 65 anos.

Para as companhias americanas, ferimentos, mortes, litígio, multas e altas indenizações são as cinco razões básicas de por que os EUA se preocupam com a avaliação dos riscos de escorregamentos e quedas em locais de trabalho (UENO, op.cit).

19

3.

ROCHAS ORNAMENTAIS

3.1. Definição

O

termo "rochas ornamentais" tem as mais variadas definições. Frascá (2002), com

base nos conceitos da ABNT (1995) e ASTM (2003), definiu rocha para revestimento

como um produto de desmonte de materiais rochosos e de seu subsequente desdobramento em chapas, posteriormente polidas e cortadas em placas.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, em sua mais recente revisão

(NBR 15.012:2013), define rocha ornamental como "material pétreo natural, utilizado

em revestimentos internos e externos, estruturas, elementos de composição arquitetônica, decoração, mobiliário e arte funerária". Essa definição abrange todas as rochas naturais utilizadas na arquitetura, urbanismo, escultura, mobiliário e decoração, em qualquer função (estrutural, de revestimento, funcional ou decorativa)

e com qualquer tipo de acabamento e inclui todas as anteriores, como rochas de

revestimento, pedras naturais, rochas dimensionadas, pedras ornamentais, pedras

naturais, etc. A nova definição exclui as rochas artificiais, constituídas geralmente,

de agregados minerais.

Rocha de revestimento, por sua vez, é definida pelo órgão, na mesma norma, como "rocha ornamental submetida a diferentes graus ou tipos de beneficiamento, utilizada

no revestimento de superfícies, especialmente pisos, paredes e fachadas".

A Sociedade Americana de Testes e Materiais - ASTM, órgão normalizador

americano, define "dimension stone" (rocha ornamental) como "qualquer material rochoso natural serrado, cortado em chapas e fatiado em placas, com ou sem acabamento mecânico, excluindo produtos acabados baseados em agregados artificialmente constituídos, compostos de fragmentos e pedras moídas e quebradas" (ASTM C119 -14e1).

Um tipo especial de rochas para revestimento são as pedras naturais, também chamadas de pedras para revestimento ou pedras decorativas. Elas abrangem rochas extraídas a partir de seu desplacamento, por meio de planos naturais de fraqueza, e são empregadas in natura como placas ou lajotas, sem qualquer polimento, em revestimentos (MATTOS, 2002; MENDES & VIDAL, 2002). Estas

20

incluiriam, segundo os autores, quartzitos foliados, gnaisses milonitizados, ardósias, arenitos estratificados, e até calcários laminados.

Observa-se, que os conceitos referentes às rochas ornamentais estão baseados, sobretudo, nos métodos de produção e possibilidade de aplicação, conjugados a fatores estéticos, não importando a princípio seus aspectos composicionais.

As rochas ornamentais podem ser aplicadas em ambientes internos e externos de diversas formas. Podem ser utilizadas como revestimentos de pisos e fachadas, bancadas, pias, lavatórios, mesas, peças de decoração, elementos estruturais, arte funerária, entre outros. O possível emprego e o local de sua aplicação irão determinar a necessidade da realização de diferentes tipos de ensaios de caracterização tecnológica que permitam conhecer sua resistência às solicitações a que estarão submetidas e características referentes à segurança que deverão oferecer ao longo de sua vida útil.

3.2. Caracterização Tecnológica

A caracterização tecnológica de rochas é realizada por meio de ensaios e análises,

cujo principal objetivo é a obtenção de características petrográficas, químicas, físicas

e mecânicas do material, que permitam a qualificação da rocha para os diversos usos.

Os ensaios procuram representar as diversas solicitações às quais a rocha poderá ser submetida, tais como, mecânicas, físicas, químicas e de durabilidade em obra, assim como àquelas decorrentes dos processos de beneficiamento, quais sejam, extração, esquadrejamento, serragem dos blocos em chapas, polimento e outros acabamentos superficiais, recorte em ladrilhos etc.

No Brasil, os principais ensaios de caracterização tecnológica realizados em rochas que se destinam ao uso como materiais de revestimento, estão dispostos na norma ABNT NBR 15.845:2015 partes de 1 a 8 que especifica métodos para:

i. Análise petrográfica

ii. Densidade aparente, porosidade aparente e absorção de água

iii. Coeficiente de dilatação térmica linear

21

v. Resistência à compressão uniaxial

vi. Flexão por carregamento em três pontos (módulo de ruptura)

vii. Flexão por carregamento em quatro pontos

viii. Resistência ao impacto de corpo duro

3.2.1. Análise petrográfica

Consiste em estudos macroscópicos e microscópicos executados em laboratórios especializados, visando à caracterização completa e classificação de uma rocha, em função dos minerais que a compõem, tamanho e forma dos grãos, e alterações intra e extragranulares como fissuras ou deformações, que devem ser executados por geólogos ou por outro profissional técnico legalmente habilitado.

3.2.2. Densidade aparente, porosidade aparente e absorção de água

Determina as propriedades como densidade aparente (massa específica aparente), porosidade aparente e absorção d'água de rochas que se destinam ao uso como materiais de revestimento. A porosidade aparente é a relação entre o volume de vazios e o volume total. A absorção de água é a capacidade de assimilação ou incorporação de água pela rocha expressa em percentual. Essas propriedades da rocha são fundamentais para se avaliar sua durabilidade e os tratamentos que poderão ser necessários para seu uso em obra.

3.2.3. Coeficiente de dilatação térmica linear

A dilatação térmica linear ocorre predominantemente em uma direção. Nos corpos sólidos a dilatação ocorre em todas as direções, mas, esta dilatação pode ser predominante em apenas uma direção. Considerando que as rochas se dilatam e se comprimem, quando submetidas a alterações contínuas e bruscas de temperatura, é bastante importante determinar esse parâmetro, pois ele definirá os espaçamentos que deverão ser utilizados durante os procedimentos de assentamento (juntas de dilatação) para se evitar rupturas.

3.2.4. Resistência ao congelamento e degelo

Os sistemas de tensões gerados pela expansão do gelo, seguidos da distensão pelo degelo, promovem lentamente a redução da resistência das rochas ou até a sua

22

completa desagregação (Frascá, 2002). Este ensaio determina a variação da resistência mecânica da rocha após ser submetida a ciclos de gelo e degelo.

É um ensaio recomendado para as rochas ornamentais que se destinam a regiões que atingem baixas temperaturas seguidas de altas temperaturas, bem como para países de clima temperado, nos quais é importante o conhecimento prévio da susceptibilidade da rocha e esse processo de alteração (Figura 3).

Figura 3 - Ensaio de resistência ao congelamento e degelo.

Figura 3 - Ensaio de resistência ao congelamento e degelo. Fonte: Autora, 2015. 3.2.5. Resistência à

Fonte: Autora, 2015.

3.2.5. Resistência à compressão uniaxial

O ensaio consiste em encontrar o maior valor de carga por unidade de área que a rocha pode suportar sem romper, ou seja, possibilita a determinação da tensão de ruptura da rocha quando submetida a esforços compressivos. Sua finalidade é avaliar a resistência da rocha quando utilizada como elemento estrutural e obter parâmetro indicativo de sua integridade para utilização como revestimento (Figura

23

Figura 4 - Ruptura após o ensaio de compressão uniaxial.

Figura 4 - Ruptura após o ensaio de compressão uniaxial. Fonte: Autora, 2012. 3.2.6. Flexão por

Fonte: Autora, 2012.

3.2.6. Flexão por carregamento em três pontos (módulo de ruptura)

Consiste em avaliar a aptidão da rocha para uso em revestimento ou elemento estrutural além de fornecer um parâmetro indicativo de sua resistência à tração. O ensaio de módulo de ruptura ou flexão por carregamento em três pontos visa à determinação da tensão que provoca a ruptura da rocha quando submetida a esforços fletores (Figura 5).

Figura 5 - Ensaio de módulo de ruptura por carregamento em três pontos.

fletores (Figura 5). Figura 5 - Ensaio de módulo de ruptura por carregamento em três pontos.

Fonte: Autora, 2015.

24

3.2.7. Flexão por carregamento em quatro pontos

Este ensaio orienta o cálculo da espessura em função da área das placas de rochas que sofrem esforços flexores, como durante o transporte das chapas e é de especial importância para fachadas com a utilização de sistemas de ancoragens metálicas para sua fixação ou em pisos elevados ou suportados por estruturas e não assentados. (Figura 6).

Figura 6 - Ensaio de flexão por carregamento em quatro pontos.

6 - Ensaio de flexão por carregamento em quatro pontos. Fonte: Autora, 2015. 3.2.8. Resistência ao

Fonte: Autora, 2015.

3.2.8. Resistência ao impacto de corpo duro

Consiste em aferir a resistência ao impacto (Figura 7), sendo determinada por meio da medição da altura de queda de um corpo sólido que provoca ruptura do corpo de prova.

25

Figura 7 - Ensaio de impacto de corpo duro.

25 Figura 7 - Ensaio de impacto de corpo duro. Fonte: Autora, 2015. 3.2.9. Outros ensaios

Fonte: Autora, 2015.

3.2.9. Outros ensaios

Existem outros ensaios técnicos disponíveis em diferentes entidades normalizadoras para determinação de propriedades específicas, importantes, mas que ainda não fazem parte dos ensaios normalizados pela ABNT para rochas ornamentais. Como por exemplo, os ensaios de:

Propagação de ondas ultrassônicas e longitudinais (ASTM D2845 - 08; CEN EN 14.579:2004)

O método de velocidade de propagação de ondas ultrassônicas é uma técnica que

envolve a propagação de ondas através do material que se quer avaliar e é caracterizado por ser um método de ensaio não destrutivo, podendo ser utilizado para avaliar a qualidade do material. Os resultados deste ensaio podem permitir, por exemplo, obter uma estimativa da resistência à compressão (FERRARI & PADARATZ, 2003).

Módulo de elasticidade (ASTM C1352 - 15; CEN EN 14.146:2004)

O comportamento tensão-deformação de um corpo é definido pela relação entre as

tensões aplicadas a as deformações produzidas, logo, este método de ensaio avalia

26

como a rocha se deforma e como varia o comportamento do material rochoso durante a aplicação do carregamento.

Resistência

nos

pontos

de

ancoragem

(ASTM

C1354

-

15;

CEN

EN

13.364:2002)

Este ensaio consiste em aplicar uma força em uma direção perpendicular à face do corpo de prova por meio de um pino previamente colocado em um orifício em um de seus lados e medir a carga de ruptura da amostra nesse ponto.

Resistência ao escorregamento (EN 14.231:2003)

O ensaio é realizado para determinar o coeficiente de atrito dinâmico, por meio do

Pêndulo Britânico, para avaliar a resistência ao escorregamento de superfícies de rochas ornamentais utilizadas como revestimentos de pisos e escadarias.

3.3. Normalização

A padronização de procedimentos, que é a função básica da normalização, tem

como finalidade principal possibilitar a obtenção de parâmetros numéricos homogêneos para as diferentes propriedades, independente do laboratório que venha a realizar os ensaios, de modo a permitir a comparação entre os diferentes materiais rochosos e a escolha do mais apropriado ao uso em foco.

As normas são elaboradas por comissões técnicas ligadas a entidades normalizadoras. As associações mais importantes para caracterizar as rochas ornamentais são Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, no âmbito nacional, e a Sociedade Americana de Testes e Materiais - ASTM e o Comitê Europeu de Normalização - CEN, no internacional.

As normas elaboradas pelo CEN são publicadas pelas entidades normalizadoras dos vários países europeus que integram a comunidade europeia como a British Standards Institution BSI (Inglaterra) e a Deutches Institut für Normung DIN (Alemanha).

Em geral, a elaboração de normas se realiza em dois níveis: o dos procedimentos de ensaios e o das especificações e requisitos que os materiais devem cumprir de acordo com os usos a que se destinam.

27

Relativamente aos tipos de procedimentos de ensaios abrangidos pelas diversas normas, é importante mencionar que as brasileiras não contemplam o ensaio para a determinação do coeficiente de atrito para rochas ornamentais, já o Comitê Europeu de Normalização - CEN apresenta um ensaio normatizado voltado especificamente

para a determinação do coeficiente de atrito para superfícies rochosas. Este ensaio

é regido pela norma EN 14.231:2003 e é baseado em um dispositivo denominado Portable Skid Resistance Tester, também conhecido como Pêndulo Britânico.

4. CONCEITO DE COEFICIENTE DE ATRITO

A primeira ideia de atrito leva a pensar em uma força que age contra uma ação de

movimento sobre um corpo no espaço. Para Campante (1996) sua existência pode ser observada empiricamente em todo tipo de movimento descrito por um corpo sobre uma superfície qualquer. Fisicamente, tem-se explicado a sua existência em função da posição de um dado corpo no espaço e principalmente da velocidade descrita pelo corpo durante o movimento. Desta maneira, observa-se a existência de um vetor no sentido contrário ao movimento existente que varia com a velocidade desenvolvida pelo corpo.

4.1. Princípio Físico

Estudos sobre o coeficiente de atrito iniciaram por volta do século XVI quando Leonardo da Vinci fez suas primeiras observações sobre o atrito, atribuindo como sendo 0,25 o coeficiente de proporcionalidade entre a força de atrito e o peso do corpo em questão (CAMPANTE, op. cit.).

Os pesquisadores De Rick (1991) e Pavelescu & Tudor (1978) mencionam que em 1699, Amontons, em um estudo sobre atrito, indicou como sendo 1/3 o valor desse fator de proporcionalidade para diferentes materiais testados. Posteriormente, na Rússia, em 1727, encontrou-se para o fator de proporcionalidade entre a força de atrito e o peso do corpo 0,3.

Durante o período de 1779 a 1781, Coulomb realizou pesquisas que o levaram a concluir que o coeficiente de atrito, na época chamado de proporcionalidade, dependia dos materiais utilizados e desta forma chegava-se a uma relação entre a

28

força de atrito e a força normal exercida pelo corpo , através do coeficiente de atrito µ, de acordo com a equação (4.1).

(4.1)

Coulomb, em 1785, chegou às seguintes conclusões:

A força de atrito é uma força que se opõe ao movimento relativo entre duas superfícies e é proporcional à força normal;

O coeficiente de atrito não depende de áreas de contato entre superfícies; e

O coeficiente de atrito não depende da velocidade relativa entre as superfícies.

Morin (1835), apresentou o conceito de coeficiente de atrito estático ( ), para explicar a ideia de uma força necessária para causar o movimento de um corpo, e que, a partir do início do movimento, atuaria o coeficiente de atrito dinâmico ( ).

4.2. Coeficiente de Atrito Estático

A definição de atrito estático está baseada nas definições de forças que contribuem para a sua existência, sendo assim foram estabelecidos os seguintes conceitos:

Supondo a existência de dois corpos em contato entre si, pode-se definir a força de atrito estática entre eles como sendo uma força tangencial que ocorre na interface e é caracterizada como sendo contrária ao movimento de um em relação ao outro; e

O máximo valor atingido pela força de atrito estático ocorre na iminência do

movimento entre os dois corpos, a chamada força limite de atrito.

Assim, a definição de coeficiente de atrito estático ( ), é uma relação entre a forma limite de atrito ( ) e a reação normal do plano onde o corpo está apoiado ( ) (equação 4.2).

29

4.3. Coeficiente de Atrito Dinâmico

(4.2)

) é definido de maneira semelhante ao estático,

ou seja, em função da existência de uma força chamada de força de atrito cinético

( ), e é definido como uma força que surge na interface do corpo com a superfície onde está apoiado ( ).

O coeficiente de atrito dinâmico (

Assim que se inicia o movimento, a intensidade desta força é menor que a força de atrito estático.

Desta forma, pode-se definir o coeficiente de atrito dinâmico analogamente ao coeficiente de atrito estático, ou seja, como sendo a relação entre a força de atrito cinético e a força normal à superfície (equação 4.3).

4.4. Interações Superficiais

(4.3)

No início do século XX, novas pesquisas foram conduzidas sobre o fenômeno do atrito e trouxeram uma série de novas contribuições, sendo uma delas que o coeficiente de atrito em borrachas mostrou que estes materiais não obedeciam às leis do atrito, tendo um comportamento particular e que o coeficiente de atrito varia em função da velocidade.

Experimentos de De Rick (1991) atestam tal contribuição e também concluíram que

o coeficiente de atrito das borrachas depende de muitos fatores como: tempo de contato das duas superfícies e do seu comportamento visco-elástico.

Outro conceito introduzido é da natureza molecular do atrito, as chamadas "pontes soldadas". Para Pavelescu & Tudor (1978):

30

O atrito é uma força que surge através de pontos de contato entre duas superfícies, resultantes de irregularidades, que tendem a uma adesão e assim surgindo o fenômeno conhecido como "soldagem por forças elétricas" ou as "pontes soldadas". Quando se força o movimento relativo entre estas superfícies, ocorre o rompimento e o restabelecimento destas pontes de soldagem.

O movimento, portanto, deve superar estes obstáculos através de sua deformação, ou abrasão, resultando, desta forma, no surgimento de uma força que se opõe ao movimento e que o número de pontes soldadas é proporcional à pressão exercida na interface das duas superfícies.

No campo dos estudos da visco-elasticidade, De Rick (1991) afirma que o coeficiente de atrito ( ) entre duas superfícies pode ser definido como sendo a soma de uma componente de adesão com outra componente de deformação (equação 4.4).

(4.4)

Considerando o caso do deslocamento de uma pessoa calçada com um sapato comum com solado de borracha sobre uma superfície metálica, há apenas a contribuição da componente de deformação da borracha, sendo desprezível a deformação do metal. No entanto, se o movimento envolver ambas superfícies visco-elásticas, ambas as componentes de cada superfície devem ser consideradas.

4.5. Equipamentos para Determinação do Coeficiente de Atrito

Os dois principais problemas relacionados com a avaliação das propriedades de resistência ao escorregamento de pisos seriam, em primeiro lugar, a falta de validade e confiabilidade dos resultados obtidos pelos ensaios realizados entre o solado dos calçados e as superfícies (STRANDBERG, 1983 apud UENO, 1999). E, em segundo lugar, as dificuldades na determinação dos critérios e limites de segurança adequados para o atrito requerido nas diferentes situações de uso dos pisos.

31

Desta forma, os aparelhos e métodos utilizados nessas determinações, devem reproduzir as condições encontradas nas fases mais críticas do movimento de andar dos indivíduos, especialmente logo após o contato do calcanhar com a superfície.

Existe uma gama variada de equipamentos que estão disponíveis para medição do atrito, visto que a medição pode ser feita num ponto específico, recorrendo a equipamentos estáticos ou de forma contínua, com equipamentos dinâmicos.

4.5.1. Slip Resistance Testing Machine (ISO 13.287:2012; ASTM F2913: 11)

Este método determina o coeficiente de atrito entre o calçado e o piso sob condições que simulam experiências do cotidiano quando é mais provável de ocorrer um deslizamento (Figura 8). O método é aplicável a todos os tipos de calçados, em superfícies secas ou com contaminantes (água, gelo, óleos e graxas).

Figura 8 - Slip Resistance Testing Machine.

FV é a força vertical aplicada, FH é a força horizontal aplicada e Fd é a força de atrito dinâmico.

horizontal aplicada e Fd é a força de atrito dinâmico. Fonte: Satra Tecnology , 2015. O
horizontal aplicada e Fd é a força de atrito dinâmico. Fonte: Satra Tecnology , 2015. O

Fonte: Satra Tecnology, 2015.

O calçado e a superfície são colocados em contato, é então exercida uma força vertical (FV; Figura 8) especificada por um curto período de contato estático. Em seguida, muda-se horizontalmente um em relação ao outro, a uma velocidade constante, ou seja, uma força horizontal (FH) é aplicada mecanicamente. A força de atrito dinâmico (Fd) é medida em um determinado momento após o início do movimento e o coeficiente de atrito dinâmico (COFd) é calculado para as condições específicas do ensaio.

32

4.5.2. Horizontal Pull Slipmeter - HPS (ASTM F609-05/2013)

O teste HPS foi desenvolvido em 1965 por Charles Irvine e é aprovado apenas para testes em superfícies secas (Figura 9-a). O princípio básico do HPS é a mensuração do coeficiente de atrito ao puxar o material sob avaliação em velocidade constante ao longo da superfície. Uma carga fixa é aplicada sobre o material e um transdutor de força é fixado na carga. À medida que uma força horizontal (FH) é aplicada, o coeficiente de atrito estático (COFe) é calculado mediante o dado registrado pelo dinamômetro manual (Figura 9-b).

Figura 9 - (a) A versão antiga da indústria Whitely do HPS da ASTM e (b) a versão mais atual. Nota-se um aumento nas dimensões do bloco de teste, Fv é a força vertical aplicada, Fh e Fe a força de atrito estático.

vertical aplicada, Fh e Fe a força de atrito estático. Fonte: Balbinot et. al. , 2010.

Fonte: Balbinot et. al., 2010.

Em 2005, a norma foi modificada com novas afirmações baseadas em testes de robustez. A modificação mais notável foi a remoção do alcance para permitir o uso do aparato em superfícies úmidas (DI PILLA, 2003). Porém, a norma ASTM F609-05

33

de 2005 afirma que, na maioria das vezes, o teste do HPS não fornece informações úteis na avaliação de superfícies úmidas ou contaminadas.

Atualmente a norma aplicada é ASTM F609-05/2013. Este método de ensaio determina o índice de deslizamento de sola de calçados, saltos ou outros materiais em superfícies secas, no laboratório ou no campo.

O medidor HPS (Figura 10) é um instrumento de laboratório e de campo, projetado para fornecer informações sobre as características do índice de deslizamento entre as superfícies de passeio e o material de ensaio, sob condições secas. O HPS não pode ser usado em superfícies úmidas. O índice de deslizamento pode ser afetado pela rugosidade da superfície, presença de água, contaminantes como graxa e outros materiais desconhecidos, e o desgaste da superfície do piso com o passar do tempo. O índice de deslizamento determinado conforme HPS provavelmente não fornece uma informação útil para avaliar superfícies contaminadas com líquido e, portanto, não avalia de forma eficaz o perigo potencial de deslizar sobre uma superfície de passeio nessas condições.

Figura 10 - Horizontal Pull Slipmeter - HPS.

passeio nessas condições. Figura 10 - Horizontal Pull Slipmeter - HPS. Fonte: Manufacturing Solutions Center ,

Fonte: Manufacturing Solutions Center, 2011.

34

4.5.3. Brungraber Mark I Portable Articulate - PAST (ASTM F1678-96)

Enquanto trabalhava para o Instituto Nacional de Normalização (NBS), que agora é conhecido como o Instituto Nacional de Padrões e Testes (NIST), o Dr. Brungraber desenvolveu o NBS - Brungraber, na década de 1970. Esse equipamento foi originalmente conhecido como o "NBS Standard Static COF Tester" e, mais tarde, como Mark I Slip Tester. Semelhante, em princípio, o James Machine, o Mark I também é um instrumento de braço articulado aprovado apenas para o teste seco (Figura 11).

Figura 11 - Mark I Slip Tester.

o teste seco (Figura 11). Figura 11 - Mark I Slip Tester . Fonte: Safety Engineering

Fonte: Safety Engineering Services, 2015.

O método de ensaio abrange os procedimentos operacionais para utilização de um braço articulado para determinar a resistência ao escorregamento da superfície de ensaio.

Esse método de teste foi invalidado pela ASTM em junho de 2005 pois a norma não atendia aos critérios de expressão dos resultados.

35

4.5.4. Brungraber Mark II & III Portable Inclinable Articulated Strut Slip Test - PIAST (ASTM F1677-05)

O método de ensaio conhecido como o Brungraber Mark II (Figura 12), foi

desenvolvido no início dos anos 1970 e é um método de teste invalidado pela ASTM,

pois a norma não atendia aos critérios de expressão dos resultados, mas que ainda

é usado por profissionais da área da segurança. Neste teste, uma escora

ponderada, com um ângulo fixo, empurra um braço móvel contra uma superfície de teste. O ponto em que a amostra de ensaio se desprende da superfície é registrado por um ponteiro sobre um transferidor. Isso determina o coeficiente de atrito (COF).

O Mark III (Figura 13) foi uma mudança significativa do Mark II, em que o peso utilizado para acionar o teste foi eliminado e substituído por uma mola. Esse tribômetro foi certificado pela norma ASTM F2508-13 no ano de 2015 para medição da resistência ao escorregamento. A figura 14 ilustra a família de dispositivos Brungraber.

Figura 12 - Brungraber Mark II.

figura 14 ilustra a família de dispositivos Brungraber . Figura 12 - Brungraber Mark II .

Fonte: Slip Doctors, 2015.

36

Figura 13 - Brungraber Mark III.

36 Figura 13 - Brungraber Mark III . Fonte: Zurich Services Corporation , 2012. Figura 14
36 Figura 13 - Brungraber Mark III . Fonte: Zurich Services Corporation , 2012. Figura 14

Fonte: Zurich Services Corporation, 2012.

Figura 14 - Família Brungraber. Mark III, Mark II e Mark I (da esquerda para a direita).

Mark III, Mark II e Mark I (da esquerda para a direita). Fonte: Safety Engineering Services

Fonte: Safety Engineering Services, 2015.

4.5.5. English XL Variable Incident Tribometer - VIT (ASTM F1679-04e1)

Este equipamento foi projetado para fornecer o coeficiente de atrito em situações em que a superfície de teste esteja úmida. O English XL funciona propelindo um projétil sob alta pressão e funciona por variação do ângulo do dispositivo (Figura 15). Este método também foi retirado pela ASTM pelo mesmo motivo que o Brungraber Mark

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Figura 15 - English XL Variable Incident Tribometer - VIT.

Figura 15 - English XL Variable Incident Tribometer - VIT. Fonte: Slip Doctors , 2015. 4.5.6.
Figura 15 - English XL Variable Incident Tribometer - VIT. Fonte: Slip Doctors , 2015. 4.5.6.

Fonte: Slip Doctors, 2015.

4.5.6. James Machine (ASTM D2047-11)

O tribômetro James (Figura 16) é um equipamento contendo um braço articulado com peso aproximado de 80 Kg.

Figura 16 - James Machine.

contendo um braço articulado com peso aproximado de 80 Kg. Figura 16 - James Machine .

Fonte: Everychina, 2015.

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Ao contrário dos outros equipamentos, a angulação do braço articulado, onde se aplica a força transversal ao pé de ensaio, é realizada pelo movimento da mesa que suporta a superfície de teste. Este método não se destina à ensaios onde a superfície de teste esteja molhada nem em locais que não permitam o contato adequado entre o pé da máquina e a superfície de ensaio.

4.5.7. Tortus (ISO/DIS 10.545-parte17 e ABNT 13.818:1997 - anexo N)

A determinação do coeficiente de atrito (µ) através do equipamento Tortus (Figura 17), utilizado para classificação de pisos cerâmicos no Brasil, baseia-se na determinação da razão entre a força de atrito tangente (Ft) à superfície e a força normal (Fn) aplicada sobre um elemento que se movimenta a uma velocidade constante. Possui um pé "atritante" de borracha carregado com uma carga fixa que permite medir o coeficiente de atrito em condições secas e molhadas.

Figura 17 - Tortus.

em condições secas e molhadas. Figura 17 - Tortus . Fonte: Safety Engineering Services , 2015.

Fonte: Safety Engineering Services, 2015.

Entre a superfície (mensurando) e o sistema Tortus, há um sensor de borracha como mostra a figura 18.

39

Figura 18 - Esquema do sistema Tortus.

39 Figura 18 - Esquema do sistema Tortus . Fonte: Ueno,1999. A velocidade imposta no sistema

Fonte: Ueno,1999.

A velocidade imposta no sistema promove uma força de reação tangencial contrária

ao movimento, gerando uma deflexão no mecanismo de molas planas paralelas.

Esta deflexão produz um deslocamento na haste do transdutor indutivo, que

transforma este deslocamento em uma tensão diferencial linear. Este sinal de tensão

é

transmitido à placa de aquisição e ao mostrador analógico do equipamento Tortus,

o

qual é convertido em valores do coeficiente de atrito.

De acordo com Ueno (1999), dentro do processo de medição existem inúmeras fontes de incerteza, tais como: o sensor (forma, tipo de borracha, textura da superfície, estabilidade com o tempo); características da superfície a medir (limpeza, direção de varredura, uniformidade, umidade); fatores internos (calibração interna, estabilidade eletrônica, atritos, histerese, ortogonalidade da carga); operacionais (leitura, operação) e ambientais (tensão da rede, temperatura e umidade).

4.5.8. BOT 3000E (ANSI/NFSI B101.1-2009)

Trata-se de um dispositivo automotor e sua funcionalidade é semelhante ao Tortus. O equipamento BOT 3000E (Figura 19) arrasta-se pelo chão a uma velocidade constante, medindo a resistência ao deslizamento da superfície de teste. Utiliza uma borracha normalizada que fica acoplada em sua parte inferior. Este equipamento se destina à ensaios na situação em que a superfície de teste se encontra úmida. O

40

equipamento executa o teste sem intervenção humana, exceto para o acionamento do botão.

Figura 19 - BOT 3000E.

para o acionamento do botão. Figura 19 - BOT 3000E . Fonte: Regan Scientific Instruments ,

Fonte: Regan Scientific Instruments, 2015.

4.5.9. SlipAlert (BS 8204-2:2002)

SlipAlert é um dispositivo equipado com rodas que foi projetado para imitar as leituras do pêndulo. Fabricado no Reino Unido, ele é usado para testes em campo e é de uso limitado em um ambiente de laboratório, pois requer uma área de teste com comprimento longo para realizar o ensaio (Figura 20).

Figura 20 - SlipAlert.

área de teste com comprimento longo para realizar o ensaio (Figura 20). Figura 20 - SlipAlert
área de teste com comprimento longo para realizar o ensaio (Figura 20). Figura 20 - SlipAlert

Fonte: Wikipedia, 2015.

41

O "carrinho - SlipAlert" é liberado, por gravidade, de uma rampa inclinada. Quando o "carrinho" escorrega há o contato da borracha com a superfície de teste, representando o deslizamento de um calcanhar. Essa borracha fica disposta na parte inferior do SlipAlert, como mostra a figura 21.

Figura 21 - Borracha SlipAlert.

como mostra a figura 21. Figura 21 - Borracha SlipAlert . Fonte: FloorSlip , 2015. A

Fonte: FloorSlip, 2015.

A distância percorrida, exibida no visor digital, é convertida em coeficiente de atrito por meio do gráfico fornecido pelo fabricante. Quanto maior a distância percorrida, maior será o potencial de deslizamento.

4.5.10. Inclined Platform (BS 4592-0:2006; DIN 51.130:2004-06; AS

4586:2013)

Projetado para simular as condições comumente encontradas em acidentes típicos de deslizamento no local de trabalho. O ensaio envolve pessoas que andam sobre a rampa inclinada para frente e para trás sobre uma superfície de teste (Figura 22).

A relevância de caminhar sobre uma rampa tem sido questionada, reconhecendo que o padrão de marcha natural se torna diferente em declives elevados. Passos muito curtos são usados nos ensaios de rampa e isso pode mascarar o resultado uma vez que o coeficiente de atrito é função do comprimento do passo. Este tipo de teste produz uma medida do atrito da superfície de ensaio que é instalada como um "chão" horizontal. A tangente do ângulo de rampa crítica dá o coeficiente de atrito disponível entre a combinação do solado do sapato e a superfície testada.

42

Figura 22 - Plataforma inclinada.

42 Figura 22 - Plataforma inclinada. Fonte: Slip & Trips , 2015. 4.5.11. Pêndulo Britânico (EN

Fonte: Slip & Trips, 2015.

4.5.11. Pêndulo Britânico (EN 14.231:2003; ASTM E303-2013 e DNIT

112/2009-ES)

O Portable Skid Resistance Tester, também conhecido como o Pêndulo Britânico, foi projetado originalmente na década de 1940, por Percy Sigler para medir a resistência ao deslizamento de andares em prédios do governo (Figura 23).

O departamento de saúde e segurança do Reino Unido (HSE, 1999) afirma que o teste do Pêndulo é o método preferido por eles e pelos Grupos de Resistência ao Escorregamento (UKSRG) e de Rugosidade Superficial (UKSRG) do Reino Unido pois o ensaio é concebido para simular a ação de um pé escorregando. As principais razões para a grande utilização deste equipamento são relacionadas às questões de praticidade do dispositivo, uma vez que ele é portátil. Relaciona-se também por ser um teste de boa reprodução da dinâmica de um real deslizamento de pessoas sobre superfícies, além de ter sido demonstrado ao longo de muitos anos que o teste com

43

o Pêndulo dá uma boa correlação entre os resultados do instrumento e incidentes reais de deslizamentos de pessoas.

Figura 23 - Pêndulo Britânico.

.
.

Fonte: UPIC, 2015.

O método consiste de um pêndulo de massa conhecida que gira em torno de um eixo vertical. O braço do pêndulo é equipado com um deslizante de borracha, que tem dureza e resiliência específica. Quando liberado a partir de uma posição horizontal, o braço pendular atinge a superfície da amostra com uma velocidade constante (Figura 24).

Figura 24 - Princípio de ensaio.

constante (Figura 24). Figura 24 - Princípio de ensaio. Fonte: Pendulum testing and floor safety advisory

Fonte: Pendulum testing and floor safety advisory service.

44

A distância percorrida pelo pêndulo, depois colidir na amostra, é determinada pela resistência ao atrito da superfície da amostra. Os valores de resistência ao escorregamento, que, aproximadamente, correspondem ao coeficiente de atrito vezes 100, são lidos diretamente a partir da escala graduada (Figura 25).

Figura 25 - Escala graduada.

escala graduada (Figura 25). Figura 25 - Escala graduada. Fonte: Autora, 2014. Os resultados gerados pelo

Fonte: Autora, 2014.

Os resultados gerados pelo Pêndulo mostram o potencial de escorregamento. Quanto menor for o número registrado na escala graduada, maior será o potencial para o deslizamento e, inversamente, quanto maior o número menos escorregadio será a superfície.

Além de realizar ensaios na situação seca e úmida, existem dois tipos de deslizantes de borracha, deslizante 96 (formalmente conhecida como Four S - Standar Simulated Shoes Sole) que simula o solado de um sapato normal e o deslizante 55 (formalmente conhecida como TRL - Transport Research Laboratory) que pode ser usado em ensaios para simular o andar de uma pessoa descalça.

Ao utilizar o dispositivo de teste Pêndulo equipado com o deslizante Four S, o potencial de deslizamento de uma superfície rochosa é baseado nos critérios descritos na Tabela 1.

45

Tabela 1 - Avaliação do potencial de deslizamento - Deslizante Four S.

Potencial de

deslizamento

Valor de resistência ao escorregamento (SRV)

Valor de resistência ao escorregamento (SRV)

Alto

24

Moderado

25 a 34

Baixo

35 a 64

Extremamente baixo

65

Fonte: Portable Skid Resistance Tester - Operating Instructions.

Já para ensaios realizados com o deslizante de borracha TRL, o potencial de escorregamento deve seguir os seguintes critérios (Tabela 2).

Tabela 2 - Avaliação do potencial de deslizamento - Deslizante TRL.

Potencial de

deslizamento

Valor de resistência ao escorregamento (SRV)

Valor de resistência ao escorregamento (SRV)

Alto

19

Moderado

20 a 39

Baixo

40 a 74

Extremamente baixo

75

Fonte: Portable Skid Resistance Tester - Operating Instructions.

5. ESTUDO EXPERIMENTAL PELO MÉTODO DO PÊNDULO 5.1. Equipamentos e Procedimentos de Ensaio

Utilizou-se neste trabalho, um pêndulo de marca, Munro Instruments, modelo Portable Skid Resistance Tester do LABRO - CETEM/MCTI.

Este equipamento, como já mencionado no item 4.5.11, enquadra-se perfeitamente com o que está previsto na norma EN 14.231:2003. O esquema geral do equipamento utilizado é mostrado na figura 26.

46

Figura 26 - Esquema geral do Pêndulo Britânico segundo norma BS EN 14.231:2003.

1 - Escala C (126 mm de comprimento de deslizamento); 2 - Escala F (76 mm de comprimento de deslizamento); 3 - Ponteiro marcador; 4 - Braço articulado (pêndulo); 5 - Deslizante de borracha; 6 - Parafuso de nivelamento; 7 - Suporte para amostra teste; 8 - Nível de bolha; 9 - Parafuso de ajuste vertical.

teste; 8 - Nível de bolha; 9 - Parafuso de ajuste vertical. Fonte: BS EN 14.231:2003.

Fonte: BS EN 14.231:2003.

O equipamento consiste de um pêndulo de massa conhecida que gira em torno de um eixo vertical. O braço pendular é equipado com um deslizante de borracha, que tem dureza e resiliência específica e, quando liberado a partir de sua posição horizontal, atinge a superfície da amostra com uma velocidade constante e o valor de resistência ao escorregamento é lido na escala graduada por meio do ponteiro marcador.

Pela disponibilidade, no CETEM, de apenas um tipo de deslizante de borracha, o pêndulo foi equipado com borracha 55 (TRL) que possui 76,2 ± 0,5 mm de largura, 25,4 ± 1,0 mm de comprimento, 64,0 ± 0,5 mm de espessura e massa de 32 ± 5 g, conforme especificado na norma. A borracha foi encaixada na extremidade do braço pendular como mostra a figura 27.

47

Figura 27 - Borracha deslizante 55 (TRL).

47 Figura 27 - Borracha deslizante 55 (TRL). Fonte: Autora, 2015. As especificações da borracha, fornecidas

Fonte: Autora, 2015.

27 - Borracha deslizante 55 (TRL). Fonte: Autora, 2015. As especificações da borracha, fornecidas pelo certificado

As especificações da borracha, fornecidas pelo certificado de calibração, estão de acordo com as informações disponíveis na norma (Figura 28).

Figura 28 - Especificações técnicas da borracha 55 (TRL).

28 - Especificações técnicas da borracha 55 (TRL). Fonte: BS EN 14.231:2003. É primordial ajustar o

Fonte: BS EN 14.231:2003.

É primordial ajustar o braço do pêndulo para regular o comprimento de deslizamento

da

borracha, pois a distância percorrida pela borracha em contato com a superfície

de

ensaio determina a resistência ao deslizamento.

O

braço do pêndulo, equipado com a borracha 55 (TRL), foi configurado para

percorrer uma superfície ao longo de um comprimento fixo de 126 ± 1 mm, por meio de um aferidor fornecido pelo fabricante (Figura 29-a). Para definir com precisão o comprimento de deslizamento da borracha sobre a superfície de teste foi necessário

48

abaixar suavemente o braço pendular até que a borracha tocasse a superfície primeiro de um lado (Figura 29-b) e depois do outro (Figura 29-c).

Foi utilizada a escala C para a leitura dos resultados de ensaio, já que foi usado um comprimento de deslizamento de 126 ± 1 mm. A escala C marca valores que variam de 0 a 150 em intervalos de cinco unidades.

Figura 29 - Calibração do comprimento de deslizamento da borracha 55 (TRL).

do comprimento de deslizamento da borracha 55 (TRL). Fonte: Autora, 2015. Antes de iniciar o ensaio
do comprimento de deslizamento da borracha 55 (TRL). Fonte: Autora, 2015. Antes de iniciar o ensaio
do comprimento de deslizamento da borracha 55 (TRL). Fonte: Autora, 2015. Antes de iniciar o ensaio

Fonte: Autora, 2015.

Antes de iniciar o ensaio foi necessário preparar o deslizante de borracha conforme as especificações da norma (BS EN 14.231:2003) e do manual do equipamento (Portable Skid Resistance Tester - Operating Instructions).

Em uma superfície lisa e plana foi fixada uma lixa de carbeto de silício de grau 400 para preparação da aresta da borracha. Este procedimento pode ser realizado tanto em condição seca ou úmida. Para os ensaios em superfície seca, este procedimento foi realizado a seco e em ensaios à úmido este procedimento foi realizado na presença de água destilada.

49

Depois de determinar o comprimento de deslizamento da borracha o braço do pendulo foi liberado de sua posição inicial, permitindo que a borracha deslizasse sobre a lixa. Foram feitas dez oscilações até que a aresta de trabalho apresentasse um desgaste de 1 a 3 mm (Figura 30).

Figura 30 - Aresta de ensaio.

1 - deslizante de borracha; 2 - apoio de alumínio; 3 - borda marcante; 4 - aresta de ensaio (entre 1 e 3 mm).

3 - borda marcante; 4 - aresta de ensaio (entre 1 e 3 mm). Fonte: BS

Fonte: BS EN 14.231:2003.

Após todos esses procedimentos pôde-se iniciar as medições da resistência ao escorregamento nas amostras de teste.

O ensaio pode ser realizado em condições secas e úmidas além de permitir que sejam realizados em condições de temperaturas variadas e variações de temperatura afetam o comportamento da borracha. Por isso, antes de cada medição, deve-se aferir a temperatura para posteriormente realizar a correção dos valores de atrito de acordo com a temperatura de ensaio. Essa correção seguiu os critérios estabelecidos na Tabela 3. As temperaturas de ensaio foram aferidas com o termômetro fornecido pelo fabricante do pêndulo.

50

Tabela 3 - Correção do valor de resistência ao escorregamento (SRV).

Temperatura da Superfície (°C)

Correção

8 a 11

- 3 unidades

12

a 15

- 2 unidades

16

a 18

- 1 unidade

19

a 22

Não necessita correção

23

a 28

+ 1 unidade

29

a 35

+ 2 unidades

Fonte: Portable Skid Resistance Tester - Operating Instructions.

Os ensaios foram realizados em laboratório e em material assentado como piso. Esses ensaios ocorreram nas condições seca e úmida. Os ensaios à úmido se assemelham aos ensaios na situação seca.

Na situação seca, o procedimento de ensaio, ilustrado pela figura 31 (etapas de 1 a 3), consiste em posicionar o corpo de prova, medir e registrar a temperatura de ensaio e determinar o comprimento de deslizamento da borracha sobre o corpo de prova.

Figura 31 - Etapas de ensaio do Pêndulo Britânico.

da borracha sobre o corpo de prova. Figura 31 - Etapas de ensaio do Pêndulo Britânico.

Fonte: FloorSlip, 2015.

51

As medições começam quando o braço do pêndulo é liberado a partir de uma posição horizontal (Figura 31, etapa 1) e o braço pendular atinge a superfície do corpo de prova com uma velocidade constante (etapa 2). A distância percorrida pelo pêndulo, depois de colidir no corpo de prova, depende da resistência de atrito na superfície do corpo de prova. Os valores de resistência ao escorregamento (SRV) são lidos diretamente a partir da escala graduada (etapa 3).

Já para os ensaios em laboratório na condição úmida as amostras devem ser submersas em água destilada por 2 horas antes de iniciar os ensaios e, antes de cada medição, deve-se borrifar água destilada em sua superfície.

Para o ensaio na situação úmida realizado em campo pode-se borrifar água potável na superfície do piso antes de cada medição.

5.2. Planejamento dos Ensaios 5.2.1. Corpos de prova

A norma EN 14.231:2003 informa que o número de corpos de prova necessários para a execução dos ensaios seja de pelo menos seis. Porém, não há informações sobre o nível de confiança utilizado para determinar o número de corpos de prova e número de medições.

Devido à falta de informações, houve a necessidade de realizar o cálculo do número de corpos de prova necessários para determinar o valor de resistência ao escorregamento (SRV) por meio de intervalos de confiança conhecidos.

Para esse cálculo foram considerados os resultados de ensaios obtidos em um estudo anterior (VALDO et. al., 2014) que consistiu na determinação da resistência ao escorregamento de três tipos de rochas ornamentais (Cinza Castelo, Cinza Corumbá e Verde Labrador) submetidas a 5 tipos de acabamentos superficiais (polido, escovado, flameado, jateado e apicoado). Para cada tipo de rocha, os autores selecionaram dez corpos de prova, obtendo-se, assim, um significativo número de dados. Na tabela 4 são apresentados valores de média e desvio padrão desses resultados.

52

Tabela 4 - Resultados de ensaio de Valdo et. al. (2014) expressos em valores de resistência ao escorregamento (SRV) (adimensional). CCA = Cinza Castelo; CCO = Cinza Corumbá; VL = Verde Labrador.

Rocha - Acabamento

Média (µ)

Desvio Padrão (σ)

CCA - Polido

84,79

7,34

CCO - Polido

82,46

4,28

VL - Polido

75,7

3,48

CCA - Escovado

78,65

2,26

CCO - Escovado

77,44

1,99

VL - Escovado

84,35

2,12

CCA - Flameado

113,14

3,13

CCO - Flameado

99,69

5,42

VL - Flameado

110,53

3,67

CCA - Jateado

117,42

7,48

CCO - Jateado

110,84

2,48

VL - Jateado

116,44

3,25

CCA - Apicoado

124,53

2,80

CCO - Apicoado

119,27

3,27

VL - Apicoado

132,39

3,72

Fonte: Valdo et. al. (2014).

Os resultados dos autores evidenciaram uma curva normal e, com isso, foi utilizada a distribuição normal de frequência para o cálculo dos corpos de prova necessários para este trabalho.

Neste presente trabalho foram considerados os níveis de 99 e 95% de confiança, por conferirem alto grau de confiabilidade dos resultados, e por corresponderem à intervalos muito utilizados na comunidade acadêmica para cálculos de incertezas. Ao atribuir intervalos de 99% e 95% de incertezas, utilizaram-se os índices "z" = 2,575 (99%) e "z" = 1,96 (95%) para a determinação do número de corpos de prova necessário e também o número de medições a serem realizadas em cada corpo de prova.

53

Os cálculos deste trabalho iniciaram-se pela determinação da média ( ) dos resultados encontrados por Valdo et. al. (2014) pela equação 5.2.1-a.

n

x

i

x

i 1

N

(5.2.1-a)

Em seguida, foi calculado o desvio padrão ( ) dos resultados segundo a equação

5.2.1-b.

s

 x  x  2   i n  1
x
x
2
 
i
n  1

(5.2.1-b)

Por meio do índice "z" e do desvio padrão, foi calculado o número de medições em

cada corpo de prova (

), considerando um erro admissível de 2,5. O cálculo

foi realizado de acordo com a equação 5.2.1-c para ambos os níveis de confiança.

(5.2.1-c)

Para o cálculo no número de corpos de prova ( ) foi necessário calcular o desvio

padrão das médias ( ), de acordo com a equação 5.2.1-d. Em seguida foi calculado o número de corpos de prova (equação 5.2.1-e), considerando um erro de

3,5.

(5.2.1-d)

(5.2.1-e)

54

Com os resultados dos cálculos foi possível saber o número de corpos de prova e o número de medições em cada corpo de prova para os níveis de confiança considerados.

Para o nível de 99% de confiança os cálculos evidenciaram a necessidade da utilização de 15 corpos de prova e a realização de 16 medições em cada um deles. De acordo com a norma, as medições devem ser realizadas em duas direções e por isso foram realizadas 8 medições na direção 1 e, após girar o corpo de prova em 180°, realizaram-se mais 8 medições na direção 2.

Já para o intervalo de 95% de confiança foram necessários 8 corpos de prova e a realização de 10 medições em cada. Efetuaram-se 5 medições na direção 1, e após girar o corpo de prova em 180° foram efetuadas mais 5 medições na direção 2.

Os materiais considerados nessa pesquisa, para os ensaios em laboratório, foram selecionados de maneira a representar a ampla variabilidade natural das rochas ornamentais.

A empresa GRANEXPO DO BRASIL disponibilizou treze tipos de rochas atualmente

comercializadas para uso como revestimento de pisos e fachadas no Brasil e no

exterior, sendo eles os granitos comerciais Alaska, Arabesco, Blue Fire, Crazy Horse, Fiorito, Ocre, Preto Escovado, Suprime, Tiger, Volcano e Volcano Escovado,

o Mármore Branco e o esteatito comercializado como Soapstone Black. Ao todo, foram 195 amostras de teste que resultaram em 3.120 medições.

As informações referentes à composição mineralógica e às descrições macroscópicas das rochas ensaiadas em laboratório, elaboradas pelo geólogo Hieres Vettorazzi, do CETEM, encontram-se no Anexo I. Encontra-se também a descrição do material revestido como piso (Arabesco).

5.2.2. Locais de ensaio

Os ensaios para determinação do coeficiente de atrito dinâmico, pelo método do Pêndulo Britânico, foram realizados em laboratório e em material já assentado. Os ensaios em laboratório foram realizados no Laboratório de Caracterização Tecnológica de Rochas Ornamentais - LABRO do Núcleo Regional do Espírito Santo do Centro de Tecnologia Mineral - CETEM/NR-ES (Figura 32).

55

Figura 32 - Núcleo Regional do Espírito Santo (NR-ES).

55 Figura 32 - Núcleo Regional do Espírito Santo (NR-ES). Fonte: CETEM/MCTI, 2015. Já os ensaios

Fonte: CETEM/MCTI, 2015.

Já os ensaios em materiais assentados foram realizados no piso do Shopping Cachoeiro, que é o pioneiro no ramo de Shopping Centers no Sul do Estado (Figura 33). Foi fundado em 05 de dezembro de 1995, está localizado na Rua 25 de Março, no Centro da Cidade de Cachoeiro de Itapemirim/ES, com fácil acesso e em uma área de forte presença de empresas, bancos, consultórios médicos e odontológicos, polo estudantil e comércio varejista e, por tanto, muito frequentado.

Figura 33 - Fachada do Shopping Cachoeiro.

frequentado. Figura 33 - Fachada do Shopping Cachoeiro. Fonte: Shopping Cachoeiro, 2015. Dentro do Shopping, foram

Fonte: Shopping Cachoeiro, 2015.

Dentro do Shopping, foram selecionados pontos estratégicos para a execução dos ensaios. Esses pontos foram escolhidos em locais onde há maior fluxo de pessoas

56

como a entrada do Shopping, próximo às lojas, próximo à escada rolante, na praça de alimentação e na entrada dos banheiros.

A quantidade de pontos escolhidos foi determinada de acordo com o resultado do cálculo de número de corpos de prova para os diferentes níveis de confiança, sendo 15 pontos de ensaio para um nível de 99% de confiança e 8 pontos de ensaio para o nível de 95%.

Os 15 pontos selecionados para realizar os ensaios com um nível de 99% de confiança estão assinalados nas plantas que seguem (Figuras 34 e 35).

Em cada ponto foram realizadas 16 medições, sendo 8 delas na direção 1 e, após girar o pêndulo em 180°, foram executaras mais 8 medições na direção 2.

Para o nível de 95% de confiança os pontos considerados foram: Ponto 1, Ponto 3, Ponto 6, Ponto 7, no 1º piso e o Ponto 9, Ponto 10, Ponto, 12, Ponto 14, no 2º piso. Em cada um deles foram realizadas 10 medições, sendo 5 em cada direção.

57

Figura 34 - Planta Baixa 1º Piso Shopping Cachoeiro indicando a localização dos pontos ensaiados.

8 7 6 4 5 3 2 1
8
7
6
4
5
3
2
1

Fonte: Administração do Shopping Cachoeiro.

58

Figura 35 - Planta Baixa 2º Piso Shopping Cachoeiro indicando a localização dos pontos ensaiados.

9 10 11 12 13 14 15
9
10
11
12 13
14
15

Fonte: Administração do Shopping Cachoeiro.

59

PONTO 1 - ENTRADA

Localizou-se na entrada do Shopping Cachoeiro, onde se concentra a maior parte do fluxo de pessoas que circulam pelo shopping (Figuras 36 e 37). O piso nesse local encontra-se bastante alterado devido à poeira e os ciscos trazidos da rua e por isso houve dificuldades para a realização dos ensaios devido à sujidade do piso.

Figura 36 - Ponto 1 localizado na entrada do shopping.

Figura 36 - Ponto 1 localizado na entrada do shopping. Fonte: Autora, 2015. Figura 37 -

Fonte: Autora, 2015.

Figura 37 - Ponto 1.

Figura 36 - Ponto 1 localizado na entrada do shopping. Fonte: Autora, 2015. Figura 37 -

Fonte: Autora, 2015.

60

PONTO 2 - QUIOSQUE

Posicionado em frente a um quiosque que possui um significativo movimento de pessoas ao seu redor (Figuras 38 e 39).

Figura 38 - Ponto 2.

ao seu redor (Figuras 38 e 39). Figura 38 - Ponto 2. Fonte: Autora, 2015. Figura

Fonte: Autora, 2015.

Figura 39 - Ponto 2.

ao seu redor (Figuras 38 e 39). Figura 38 - Ponto 2. Fonte: Autora, 2015. Figura

Fonte: Autora, 2015.

61

PONTO 3 - BANHEIRO FEMININO (1º PISO)

O pêndulo foi posicionado na entrada do banheiro feminino como mostra a figura 40.

Figura 40 - Ensaio realizado na entrada do banheiro feminino.

40 - Ensaio realizado na entrada do banheiro feminino. PONTO 4 - CORREDOR Fonte: Autora, 2015.

PONTO 4 - CORREDOR

Fonte: Autora, 2015.

Localizado no corredor onde se tem acesso à lojas e ao banheiro (Figura 41).

Figura 41 - Ensaio no Ponto 4.

no corredor onde se tem acesso à lojas e ao banheiro (Figura 41). Figura 41 -

Fonte: Autora, 2015.

62

PONTO 5 - BANHEIRO MASCULINO (1º PISO)

O pêndulo foi posicionado na entrada do banheiro masculino como mostram as figuras 42 e 43.

Figura 42 - Entrada do banheiro masculino.

figuras 42 e 43. Figura 42 - Entrada do banheiro masculino. Fonte: Autora, 2015. Figura 43

Fonte: Autora, 2015.

Figura 43 - Ponto 5.

42 e 43. Figura 42 - Entrada do banheiro masculino. Fonte: Autora, 2015. Figura 43 -

Fonte: Autora, 2015.

63

PONTO 6 - ESCADA ROLANTE (1º PISO)

O ensaio foi realizado no local de acesso à escada rolante como mostram as figuras 44 e 45.

Figura 44 - Local de ensaio do Ponto 6.

as figuras 44 e 45. Figura 44 - Local de ensaio do Ponto 6. Fonte: Autora,

Fonte: Autora, 2015.

Figura 45 - Ponto 6.

44 e 45. Figura 44 - Local de ensaio do Ponto 6. Fonte: Autora, 2015. Figura

Fonte: Autora, 2015.

64

PONTO 7 e 8 - ESCADA

No Ponto 7 o pêndulo foi posicionado próximo à escada onde que, dá garagem, se tem acesso ao 1º piso do shopping (Figura 46-a). No Ponto 8, foi posicionado no patamar da escada que dá acesso ao 2º piso do shopping (Figura 46-b).

Figura 46 - Ponto 7.

a)
a)
b)
b)

Fonte: Autora, 2015.

PONTO 9 - RESTAURANTE

Localiza-se próximo ao restaurante, no 2º piso do Shopping (Figura 47).

Figura 47 - Local próximo ao restaurante.

ao restaurante, no 2º piso do Shopping (Figura 47). Figura 47 - Local próximo ao restaurante.

Fonte: Autora, 2015.

65

PONTO 10 - PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO

Ponto localizado na praça de alimentação (Figura 48).

Figura 48 - Ponto 10.

praça de alimentação (Figura 48). Figura 48 - Ponto 10. Fonte: Autora, 2015. PONTO 11 -

Fonte: Autora, 2015.

PONTO 11 - BANHEIRO FEMININO (2º PISO)

Ensaio realizado na entrada do banheiro feminino, no 2º piso (Figura 49).

Figura 49 - Entrada banheiro feminino.

na entrada do banheiro feminino, no 2º piso (Figura 49). Figura 49 - Entrada banheiro feminino.

Fonte: Autora, 2015.

66

PONTO 12 e 13 - ESCADA ROLANTE (2º PISO)

O ensaio foi realizado próximo à escada rolante no local onde as pessoas chegam e descem (Figuras 50 e 51).

Figura 50 - Local de chegada das pessoas pela escada rolante, Ponto 12.

Local de chegada das pessoas pela escada rolante, Ponto 12. Fonte: Autora, 2015. Figura 51 -

Fonte: Autora, 2015.

Figura 51 - Local de descida das pessoas pela escada rolante, Ponto 13.

12. Fonte: Autora, 2015. Figura 51 - Local de descida das pessoas pela escada rolante, Ponto

Fonte: Autora, 2015.

67

PONTO 14 - BANHEIRO MASCULINO (2º PISO)

Ensaio realizado na entrada do banheiro masculino do 2º piso (Figura 52).

Figura 52 - Entrada do banheiro masculino.

(Figura 52). Figura 52 - Entrada do banheiro masculino. Fonte: Autora, 2015. PONTO 15 - CAIXA

Fonte: Autora, 2015.

PONTO 15 - CAIXA ELETRÔNICO

Ensaio executado em frente aos caixas eletrônicos (Figuras 53 e 54).

Figura 53 - Ponto 15 próximo ao caixa eletrônico.

aos caixas eletrônicos (Figuras 53 e 54). Figura 53 - Ponto 15 próximo ao caixa eletrônico.

Fonte: Autora, 2015.

68

Figura 54 - Ponto 15.

68 Figura 54 - Ponto 15. Fonte: Autora, 2015. 5.3. Cálculo de Incertezas Em todo ensaio,

Fonte: Autora, 2015.

5.3. Cálculo de Incertezas

Em todo ensaio, experimentação ou medição existe um erro, mesmo que mínimo. Este erro, ou incerteza de medição, é um parâmetro não negativo que, baseado nas informações utilizadas, caracteriza a dispersão dos valores atribuídos ao mensurando (VIM, 2012; EURACHEM, 2012). Os erros surgem devido a imperfeições nos meios de medição ou imperfeições na caracterização do mensurando e ainda devido às grandezas de influência externa.

Calcular esta incerteza é essencial para credibilizar um ensaio, sabendo os intervalos de aceitação dos resultados do ensaio. Porém, buscar uma correta expressão do resultado e uma avaliação ideal e correta do mensurando pode ser até mais importante do que se conseguir uma incerteza cada vez menor (BIMP et. al., 2008 apud TAVARES, 2008). Assim, o resultado de uma medição só é completo quando acompanhado de uma declaração de sua incerteza.

Para conhecer as incertezas de ensaio pelo método do Pêndulo Britânico calcularam-se, a partir dos resultados obtidos, as médias, os desvios padrão, as incertezas padrão correspondentes às medições, as incertezas padrão associadas à calibração do dispositivo, e as incertezas combinadas e expandidas. A análise de

69

incertezas aqui conduzida está em conformidade com o guia para a expressão da incerteza de medição - GUM 2008 (INMETRO, 2012).

Cada fonte de incerteza pode ser avaliada ou por procedimentos estatísticos, normalmente através do desvio padrão, ou por procedimentos não estatísticos, baseados em observações analíticas, teóricas ou em informações preexistentes. Os procedimentos estatísticos são denominados pelo guia como procedimentos "tipo A", enquanto que os não estatísticos, "tipo B". Procurou-se classificar o método de avaliação de cada uma das fontes de incerteza como "tipo A" ou "tipo B".

Os cálculos de incerteza obedeceram às seguintes equações, a começar pela determinação da média ( ) por meio da equação 5.3-a:

x

n

i 1

x

i

n

(5.3-a)

Prosseguiu-se com o cálculo do desvio padrão experimental (S), de acordo com a equação 5.3-b:

S

 x  x  2   i n  1
x
x
2
 
i
n
 1

(5.3-b)

O método de avaliação "tipo A" foi caracterizado pela realização de repetidas medições e pelo cálculo do desvio padrão experimental dos resultados obtidos. A incerteza padrão relacionada a esse método ("tipo A") foi calculada como mostra a equação 5.3-c.

s ( x ) u x ( )  s x ( )  n
s
( x )
u x
(
) 
s x
(
) 
n

(5.3-c)

70

Já para o método do "tipo B" foi necessário utilizar a incerteza expandida do

pêndulo, que se encontra no certificado de calibração, para o cálculo da incerteza padrão do equipamento de ensaio.

A incerteza expandida foi transformada em incerteza padrão (equação

5.3-d) dividindo , onde k representa o fator de abrangência usado como

multiplicador da incerteza padrão, de modo a obter uma incerteza expandida. O fator de abrangência utilizado pelo certificado de calibração foi de k=2, que representa um nível de confiança de aproximadamente 95%.

u ( x )

i

U

p

k

(5.3-d)

Finalmente, as duas incertezas foram combinadas (equação 5.3-e) para se calcular

a incerteza expandida (equação 5.3-f) aplicando um fator de abrangência k=2,97

para um nível de 99% de confiança e um grau de liberdade igual a 15-1=14 e, também, um fator de abrangência k=1,96 para um nível de 95% de confiança e um grau de liberdade igual a 8-1=7.

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

(5.3-e)

(5.3-f)

Os resultados de resistência ao escorregamento obtidos neste trabalho serão apresentados de forma separada. Primeiro serão analisados os resultados de laboratório na situação seca nos diferentes níveis de confiança, e depois na situação úmida. O mesmo será feito com a apresentação dos resultados obtidos no shopping.

71

RESULTADOS DE ENSAIO REALIZADOS NO LABRO - SITUAÇÃO SECA

Diante dos dados obtidos, mostrados nas Tabelas 5 e 6, observa-se que as incertezas "Tipo A", que são relacionadas às fontes de incertezas de repetidas medições, do operador do equipamento e do próprio material, apresentaram uma homogeneidade nos resultados para os diferentes tipos de materiais e nota-se, ainda, que os valores das incertezas "Tipo A" são demasiadamente pequenos quando comparados com os valores de suas respectivas médias.

Nota-se também que as incertezas expandidas para todos os materiais nos diferentes níveis de confiança, apresentaram valores baixos e homogêneos. Isso implica que o procedimento de ensaio pelo método do Pêndulo Britânico é confiável.

Os resultados revelaram que as amostras apresentam baixo potencial de escorregamento, com exceção do Ocre que apresentou um potencial extremamente baixo.

Tabela 5 - Resultados de ensaio realizado no LABRO considerando um intervalo de 99% de confiança. Resultados expressos em valores de resistência ao escorregamento (SRV) (adimensional).

ENSAIO SECO (99% de Confiança) - LABRO

 

Incerteza

Nome

Comercial

Média

Desvio

Padrão

Incerteza

"Tipo A"

Incerteza

Combinada

Expandida

(99%)

Limite

Inferior

Limite

Superior

Potencial de

Deslizamento

Alaska

49,28

3,41

0,02

0,03

0,08

49,20

49,36

Baixo

Arabesco

59,79

5,69

0,02

0,03

0,09

59,70

59,88

Baixo

Blue Fire

60,93

6,78

0,02

0,03

0,09

60,84

61,02

Baixo

Crazy

Horse

44,84

3,79

0,02

0,03

0,10

44,74

44,94

Baixo

Fiorito

63,32

3,60

0,01

0,02

0,07

63,25

63,39

Baixo

Mármore

52,79

5,19

0,03

0,03

0,10

52,69

52,89

Baixo

Ocre

72,94

13,36

0,05

0,05

0,15

72,79

73,09

Baixo

Preto

Escovado

54,64

3,75

0,02

0,02

0,06

54,58

54,70

Baixo

Soapstone

Black

57,25

2,05

0,01

0,02

0,06

57,19

57,31

Baixo

Suprime

43,05

4,02

0,02

0,04

0,11

42,94

43,16

Baixo

Tiger

50,78

6,22

0,03

0,04

0,11

50,67

50,89

Baixo

Volcano

54,87

4,73

0,02

0,03

0,09

54,78

54,96

Baixo

Volcano

Escovado

55,94

4,94

0,02

0,03

0,09

55,85

56,03

Baixo

Fonte: Autora, 2016.

72

Tabela 6 - Resultados de ensaio realizado no LABRO considerando um intervalo de 95% de confiança. Resultados expressos em valores de resistência ao escorregamento (SRV) (adimensional).

ENSAIO SECO (95% de Confiança) - LABRO

 

Incerteza

Nome

Comercial

Média

Desvio

Padrão

Incerteza

"Tipo A"

Incerteza

Combinada

Expandida

(95%)

Limite

Inferior

Limite

Superior

Potencial de

Deslizamento

Alaska

48,40

3,77

0,03

0,03

0,07

48,33

48,47

Baixo

Arabesco

56,86

5,90

0,04

0,03

0,08

56,78

56,94

Baixo

Blue Fire

63,13

3,43

0,02

0,02

0,05

63,08

63,18

Baixo

Crazy

Horse

45,43

3,98

0,03

0,03

0,08

45,35

45,51

Baixo

Fiorito

63,68

3,28

0,02

0,02

0,05

63,63

63,73

Baixo

Mármore

54,25

2,71

0,02

0,02

0,06

54,19

54,31

Baixo

 

Extremamen-

Ocre

78,95

15,85

0,07

0,05

0,13

78,82

79,08

te Baixo

Preto

Escovado

52,53

2,19

0,01

0,02

0,05

52,48

52,58

Baixo

Soapstone

Black

58,04

2,71

0,02

0,02

0,05

57,99

58,09

Baixo

Suprime

42,96

3,95

0,03

0,03

0,08

42,88

43,04

Baixo

Tiger

53,24

6,75

0,04

0,04

0,09

53,15

53,33

Baixo

Volcano

53,45

5,86

0,04

0,03

0,08

53,37

53,53

Baixo

Volcano

Escovado

55,30

5,88

0,04

0,03

0,08

55,22

55,38

Baixo

Fonte: Autora, 2016.

Ao se comparar a incerteza combinada com a incerteza do "Tipo A" em cada material, pode-se perceber que os valores são próximos (Figuras 55 e 56). Tal comprovação implica que a incerteza associada às medições ("Tipo A") tem maior influência que a incerteza associada ao equipamento de ensaio ("Tipo B"). Isso pode ser explicado pela variabilidade natural dos materiais ensaiados, o que é corroborado pelos desvios padrão dos resultados.

Figura 55 - Incertezas "Tipo A" e combinada de cada material. (99% de Confiança).

Figura 55 - Incertezas "Tipo A" e combinada de cada material. (99% de Confiança). Fonte: Autora,

Fonte: Autora, 2016.

73

Figura 56 - Incertezas "Tipo A" e combinada de cada material. (95% de Confiança).

A" e combinada de cada material. (95% de Confiança). Fonte: Autora, 2016. Diante da observação de

Fonte: Autora, 2016.

Diante da observação de que a incerteza devida ao equipamento influencia pouco no resultado da incerteza combinada do experimento, podemos afirmar que os ensaios à seco realizados em laboratório por esse tipo de dispositivo garantem uma boa confiabilidade em seus resultados e que o intervalo de 95% de confiança seria ideal pois necessita de apenas 8 corpos de prova, tornando o ensaio mais expedito.

RESULTADOS DE ENSAIO REALIZADOS NO LABRO - SITUAÇÃO ÚMIDA

Nas tabelas 7 e 8 encontram-se os resultados de ensaio realizados em laboratório na situação úmida. É possível observar que a incerteza "Tipo A" permanece com valores baixos e homogêneos e que esses valores continuam sendo demasiadamente pequenos quando comparados com o valor de suas respectivas médias.

A incerteza expandida também apresentou valores baixos, mesmo sendo maiores que aqueles obtidos para os ensaios em condição seca, e homogênios, certificando que o método de ensaio pelo Pêndulo Britânico na situação úmida também é bastante confiável.

Embora não fosse o objeto desse estudo a análise da resistência ao escorregamento das rochas ornamentais utilizadas, o ensaio na condição úmida revelou que, para a maioria dos materiais ensaiados, há alto potencial de escorregamento, em condições de pé descalço.

74

Tabela 7 - Resultados de ensaio realizado no LABRO considerando um intervalo de 99% de confiança. Resultados expressos em valores de resistência ao escorregamento (SRV) (adimensional).

ENSAIO ÚMIDO (99% de Confiança) - LABRO

 

Incerteza

Nome

Comercial

Média

Desvio

Padrão

Incerteza

"Tipo A"

Incerteza

Combinada

Expandida

(95%)

Limite

Inferior

Limite

Superior

Potencial de

Deslizamento

Alaska

18,34

1,08

0,02

0,06

0,18

18,16

18,52

Alto

Arabesco

19,16

0,74

0,01

0,06

0,17

18,99

19,33

Alto

Blue Fire

21,03

0,87

0,01

0,05

0,16

20,87

21,19

Moderado

Crazy Horse

12,84

0,62

0,01

0,08

0,25

12,59

13,09

Alto

Fiorito

17,76

2,39

0,03

0,07

0,22

17,54

17,98

Alto

Mármore

13,48

1,82

0,03

0,09

0,26

13,22

13,74

Alto

Ocre

15,25

0,63

0,01

0,07

0,21

15,04

15,46

Alto

Preto Escovado

20,66

1,19

0,01

0,05

0,16

20,50

20,82

Moderado

Soapstone

Black

21,40

2,34

0,03

0,06

0,17

21,23

21,57

Moderado

Suprime

12,68

0,80

0,02

0,09

0,26

12,42

12,94

Alto

Tiger

19,35

1,69

0,02

0,06

0,18

19,17

19,53

Alto

Volcano

19,13

2,87

0,04

0,07

0,21

18,92

19,34

Alto

Volcano

Escovado

20,36

0,63

0,01

0,05

0,16

20,20

20,52

Moderado

Fonte: Autora, 2016.

Tabela 8 - Resultados de ensaio realizado no LABRO considerando um intervalo de 95% de confiança. Resultados expressos em valores de resistência ao escorregamento (SRV) (adimensional).

ENSAIO ÚMIDO (95% de Confiança) - LABRO

 

Incerteza

Nome

Comercial

Média

Desvio

Padrão

Incerteza

"Tipo A"

Incerteza

Combinada

Expandida

(95%)

Limite

Inferior

Limite

Superior

Potencial de

Deslizamento

Alaska

17,84

0,91

0,01

0,06

0,15

17,69

17,99

Alto

Arabesco

19,39

0,31

0,00

0,06

0,13

19,26

19,52

Alto

Blue Fire

21,16

0,64

0,01

0,05

0,12

21,04

21,28

Moderado

Crazy Horse

12,53

0,68

0,01

0,08

0,20

12,33

12,73

Alto

Fiorito

17,39

0,79

0,01

0,06

0,15

17,24

17,54

Alto

Mármore

12,03

1,51

0,03

0,09

0,20

11,83

12,23

Alto

Ocre

15,21

0,45

0,01

0,07

0,17

15,04

15,38

Alto

Preto Escovado

20,73

1,18

0,01

0,05

0,13

20,60

20,86

Moderado

Soapstone Black

21,63

2,55

0,03

0,06

0,14

21,49

21,77

Moderado

Suprime

12,43

0,99

0,02

0,09

0,21

12,22

12,64

Alto

Tiger

19,31

2,12

0,03

0,06

0,15

19,16

19,46

Alto

Volcano

18,46

1,37

0,02

0,06

0,15

18,31

18,61

Alto

Volcano

Escovado

29,90

0,57

0,01

0,05

0,13

29,77

30,03

Moderado

Fonte: Autora, 2016.

75

Ao se comparar a incerteza "Tipo A" com a incerteza combinada em cada material (Figuras 57 e 58) é possível perceber que, para a maioria deles, as incertezas não apresentaram valores próximos. A incerteza "Tipo A" apresentou valores menores e isso implica que a incerteza associada ao equipamento ("Tipo B"), mesmo sendo muito pequena, tem maior influência no procedimento de ensaio realizado à úmido. Isso pode ser explicado devido ao efeito produzido pela lâmina d'água retida sobre a superfície da amostra (aquaplanagem), que diminui a influência da superfície do corpo de prova.

Figura 57 - Comparação entre as incertezas "Tipo A" e combinada do ensaio à úmido para o nível de 99% de confiança. Resultados expressos em valores adimensionais.

confiança. Resultados expressos em valores adimensionais. Fonte: Autora, 2016. Figura 58 - Comparação entre as

Fonte: Autora, 2016.

Figura 58 - Comparação entre as incertezas "Tipo A" e combinada do ensaio à úmido para o nível de 95% de confiança. Resultados expressos em valores adimensionais.

confiança. Resultados expressos em valores adimensionais. Fonte: Autora, 2016. Mesmo apresentando maior influência

Fonte: Autora, 2016.

Mesmo apresentando maior influência da incerteza devida ao equipamento ("Tipo B"), podemos afirmar que o ensaio à úmido realizado em laboratório por esse tipo de dispositivo garante boa confiabilidade em seus resultados pois os valores de incerteza expandida foram demasiadamente pequenos.

76

Neste tipo de ensaio o intervalo de 95% de confiança continua sendo ideal por ser um ensaio mais expedito e com baixo valor de incerteza.

Ao se comparar os resultados de ensaio na situação úmida com a situação à seco é possível perceber que houve uma redução considerável no valor das médias (Figuras 59 e 60) e que o potencial de escorregamento passou de baixo para alto na maioria dos materiais ensaiados. Os desvios padrão também apresentaram uma redução significativa entre os dois ensaios (Figuras 61 e 62).

Figura 59 - Média dos resultados para o nível de 99% de confiança.

- Média dos resultados para o nível de 99% de confiança. Fonte: Autora, 2016. Figura 60

Fonte: Autora, 2016.

Figura 60 - Média dos resultados para o nível de 95% de confiança.

- Média dos resultados para o nível de 95% de confiança. Fonte: Autora, 2016. Figura 61

Fonte: Autora, 2016.

Figura 61 - Desvio padrão dos resultados para o nível de 99% de confiança.

Fonte: Autora, 2016. Figura 61 - Desvio padrão dos resultados para o nível de 99% de

Fonte: Autora, 2016.

77

Figura 62 - Desvio padrão dos resultados para o nível de 95% de confiança.

padrão dos resultados para o nível de 95% de confiança. Fonte: Autora, 2016. RESULTADOS DE ENSAIO

Fonte: Autora, 2016.

RESULTADOS DE ENSAIO REALIZADOS NO SHOPPING - SITUAÇÃO SECA

Nas tabelas que seguem (Tabelas 9 e 10) são apresentados os resultados dos ensaios realizados no Shopping Cachoeiro na situação seca.

Tabela 9 - Resultados de ensaio realizado no Shopping, na situação seca, considerando um intervalo de 99% de confiança. Resultados expressos em valores de resistência ao escorregamento (SRV) (adimensional).

ENSAIO SECO (99% de Confiança) - SHOPPING

Pontos

Incerteza

de

Ensaio

Média

Desvio

Padrão

Incerteza

"Tipo A"

Incerteza

Combinada

Expandida

(99%)

Limite

Inferior

Limite

Superior

Potencial de

Deslizamento

P1

106,38

3,93

0,01

0,01

0,04

106,34

106,42

Extremamente Baixo

P2

94,88

2,33

0,01

0,01

0,04

94,84

94,92

Extremamente Baixo

P3

68,13

3,96

0,02

0,02

0,06

68,07

68,19

Baixo

P4

103,79

10,19

0,03

0,03

0,08

103,71

103,87

Extremamente Baixo

P5

70,44

0,73

0,00

0,02

0,05

70,39

70,49

Baixo

P6

89,19

6,86

0,02

0,02

0,07

89,12

89,26

Extremamente Baixo

P7

66,75

1,77

0,01

0,02

0,05

66,70

66,80

Baixo

P8

82,06

4,75

0,01

0,02

0,06

82,00

82,12

Extremamente Baixo

P9

95,44

6,41

0,02

0,02

0,06

95,38

95,50

Extremamente Baixo

P10

108,63

1,82

0,00

0,01

0,03

108,60

108,66

Extremamente Baixo

P11

114,50

3,12

0,01

0,01

0,03

114,47

114,53

Extremamente Baixo

P12

71,31

5,72

0,02

0,03