Foto: Maurício Burim/SE .

. afastando por completo a ideia de que esta possa ser uma violação singular. sociais e políticos. com o objetivo de possibilitar aos(às) educadores(as) a sensibilização para o tema. a partir da comunicação visual. como também os Sinalizadores de Direitos Humanos (SDH).Para resgatarmos a dignidade humana é necessário que cada um de nós sinta-se ofendido enquanto humanidade toda vez que a dignidade de uma pessoa é violada. de sua identidade. considerando as várias dimensões humanas. apresenta o documento que será adotado pela Rede Municipal para o “Registro Escolar da Violência Doméstica e Sexual contra Criança e Adolescente”. vem ao longo dos anos construindo uma educação que valoriza a formação integral. em seu Projeto Político-Pedagógico. emocional e moral de crianças e adolescentes. por meio do estabelecimento de um bom nível de relações de amizade. busca trazer as temáticas constitutivas dos sujeitos histórico-sociais para o espaço escolar. de modo a favorecer a garantia dos direitos humanos e o combate a toda forma de violência. Nessa perspectiva. Este Livro aborda a conceituação a respeito das violências. o qual explicita e privilegia a leitura de mundo e a responsabilidade em transformá-lo. Nesse sentido. Tais temáticas estão presentes na Proposta Curricular Quadro de Saberes Necessários (QSN). propiciando aos(às) educandos(as) o exercício de sua cidadania. A Secretaria Municipal de Educação. e contribuir no desenvolvimento de uma proposta pedagógica inclusiva que assegure mudanças nas relações desiguais de poder. intelectual. a presente publicação aborda questões relacionadas às várias formas de violência. geradoras de desigualdades sociais. a fim de assegurar e defender a integridade física. solidariedade e laços afetivos. (Paulo Abraão) Às Educadoras e Educadores.

contribuindo. numa rede ampla e articulada de proteção e garantia de direitos. Prof. 2004). sendo necessária a “articulação entre sujeitos e setores sociais diversos e. portanto.ª Neide Marcondes Garcia Secretária Municipal de Educação Maio de 2012 . poderes e vontades diversas. e que todos(as) possam atuar de forma a construir uma articulação junto à comunidade escolar e em parceria com outros atores. adolescentes e jovens de nossa cidade.Compreendemos a complexidade da temática e sabemos que a construção deste trabalho não se faz sozinho. Esperamos que a presente publicação possa ampliar o conhecimento dos(as) educadores(as) em relação a essa temática. para enfrentar problemas complexos” (MOYSÉS. para a implementação de políticas públicas e ações estratégicas para a prevenção de violências contra crianças. assim. com saberes.

............ 32 ..................................Violência Física .....................Negligência/Abandono ......Violência Intrafamiliar ............................................................................................................................................................................................................. 32 ........................................ 33 ................. 9 Marcos LegaIs .................................................................................................................. 25 forMando o oLhar do educador para IdentIfIcar a vIoLêncIa doMéstIca e o abuso sexuaL .................. 17 vIoLêncIa e vuLnerabILIdade ..... 31 IndIcadores de vIoLêncIas ....................................................... 32 ...........................................................................Violência Sexual ........................................................Formas da Violência Sexual ........................................ 19 defInIção de vIoLêncIas .............. 34 ............................Introdução ........................................ 21 .........................Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes ................................Violência Psicológica ............................................................................ 22 ............... 21 .......................................................... 13 responsabILIdade da escoLa dIante da vIoLação dos dIreItos das crIanças e adoLescentes .............................................................

MItos e reaLIdades sobre o abuso sexuaL ...................................

35

por que a escoLa deve notIfIcar às autorIdades casos
de suspeIta ou ocorrêncIa de vIoLêncIas? .............................

37

notIfIcando suspeItas ou ocorrêncIas de vIoLêncIas ....

40

coMo acoLher a crIança e proteger sua IdentIdade? ........

41

o que fazer ........................................................................................................

43

regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL
contra crIanças e adoLescentes .....................................................

44

sInaLIzadores de dIreItos huManos .............................................

47

servIços de referêncIa no MunIcípIo de guaruLhos ............

55

referêncIas bIbLIográfIcas ..................................................................

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As violências contra a criança e o adolescente representam um grave problema
social. Elas acompanham a trajetória da humanidade, manifestando-se de múltiplas formas, nos diferentes momentos históricos, sociais e culturais. O processo histórico permite visualizar como crianças e adolescentes foram, ao longo do
tempo, envolvidos em relações de agressões e maus-tratos por diversas instituições sociais (família, escola, igreja, etc.).
No Brasil, as gradativas transformações socioculturais, incluindo a caracterização desse grupo social como “sujeitos de direitos”, exigiram a mobilização de
diferentes segmentos da sociedade pública e civil, culminando com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a instituição do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), em 1990.
Para a materialização dos princípios da prioridade absoluta e da proteção integral dos direitos da criança e do adolescente, a Constituição Federal e o ECA criaram um Sistema de Garantia de Direitos que se apoia em três eixos: promoção de
direitos, defesa e controle e efetivação do direito.
• Promoção dos Direitos: operacionaliza-se pelo desenvolvimento da política dos direitos da criança e do adolescente, prevista no artigo 86 do ECA,
que integra o âmbito maior da política de promoção e proteção dos direitos
humanos. Fazem parte deste eixo todas as políticas públicas, especialmente
as políticas sociais que, por meio de programas, serviços e ações públicas,
devem garantir a todo o segmento a satisfação das necessidades básicas
como garantia de direitos humanos e, ao mesmo tempo, como um dever do

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes

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Estado, da família e da sociedade (art. 14). Constam, portanto, deste eixo,
ações preventivas, interventivas, protetivas e socioeducativas, instituindo a
Assistência Social como política pública fundamental para a promoção de
direitos.
• Defesa: caracteriza-se pela garantia de acesso à justiça, ou seja, pelo recurso às instâncias públicas e mecanismos jurídicos de proteção legal dos
direitos humanos, gerais e especiais, da infância e da adolescência, para
assegurar sua exigibilidade em concreto (art. 6º). Situa-se aqui a atuação do
Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Segurança Pública, dos Conselhos Tutelares, entre outros.
• Controle e Efetivação do Direito: realiza-se pelas instâncias públicas colegiadas próprias, nas quais se assegure a paridade e participação de órgãos
governamentais e de entidades sociais (art. 21). Caracterizam tais instâncias os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, os diversos
Conselhos de formulação e controle das políticas públicas (Conselho de
Assistência Social, Educação, Saúde, entre outros) e os órgãos e os poderes
de controle interno e externo definidos nos artigos que vão do 70 ao 75 da
Constituição Federal (contábeis, financeiros e orçamentários). Além disso,
de forma geral, o controle social é exercido soberanamente pela sociedade
civil, por meio das suas organizações e articulações representativas.
Combater a teia de violência que, muitas vezes, começa dentro de casa e em locais
que deveriam abrigar, proteger e socializar as pessoas é uma tarefa que somente
poderá ser exercida pela mobilização social, por políticas públicas intersetoriais e
pela criação de rede de proteção integral.
Entende-se a escola como um espaço privilegiado para a construção da cidadania,
onde um convívio harmonioso deve ser capaz de garantir o respeito aos Direitos
Humanos e educar a todos, no sentido de evitar as manifestações de violências,
ampliando sua responsabilidade social.
Desde 2010, a Secretaria Municipal de Educação, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/Campus Guarulhos), vem desenvolvendo o
curso Escola que Protege (MEC/SECADI), cujo objetivo é compartilhar, com educadores, educadoras e outros profissionais, informações relativas às diferentes

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Secretaria Municipal de Educação

que o propósito maior desta publicação é contribuir com a discussão para uma educação cada vez mais inclusiva na escola. de um processo participativo. para. tendo o ECA como referência. na região do bairro Água Chata/Pimentas. Todos os participantes devem aderir a ela e atuar conscientemente como parte do conjunto. para sua constituição. como objeto de diálogo entre educadores na Hora-Atividade das Escolas da Prefeitura. Secretaria Municipal de Educação Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 11 . Com a garantia de que esse é um passo fundamental para uma real humanização. prevista no ECA. Unidades Básicas de Saúde. Saúde e Desenvolvimento e Assistência Social de Guarulhos iniciaram discussões com o objetivo de construir uma ação intersetorial. acreditamos que cabe a todos nós garantir as condições fundamentais para o desenvolvimento pleno dos educandos. negociado e não impositivo. Salientamos. por fim. depende.formas de violência a que estão submetidas nossas crianças e adolescentes. a Rede não é um projeto da Prefeitura ou das ONGs ou de qualquer outro ator isolado: é um organismo em que todos participam e em que todos decidem. Com o intuito de fortalecer esta Rede de Proteção. como escolas. visando subsidiar ações práticas de enfrentamento às violências no contexto escolar e social. as Secretarias de Educação. com isso. A Rede de Proteção Integral. envolvendo os representantes dos diversos equipamentos de garantia dos direitos. Por sua própria definição. Centro de Referência de Assistência Social e Conselho Tutelar do bairro dos Pimentas. Sua constituição se dá como elaboração coletiva e adesão consciente a um projeto de ação comum. É uma organização horizontal. fazer frente a todas as formas de violência e violação de direitos de crianças e adolescentes. democrático.

Foto: Maurício Burim/SE .

exploração. art. o direito à vida. 227 (constituição federal) É dever da família. Para apresentar um panorama geral desses movimentos. por ação ou omissão. a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente. nos artigos: art. 15 A criança e o adolescente têm direito à liberdade. discriminação. violência. 13 Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. § 4º . aos seus direitos fundamentais. à alimentação. ainda tem limites que precisam ser superados pela via da mobilização de uma Rede de Proteção Integral e da efetivação de políticas públicas. ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis. os marcos legais e a atuação dos poderes públicos e da sociedade no sentido de protegê-la. crueldade e opressão. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. da sociedade e do Estado assegurar à criança. Refletindo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança de 1989. à profissionalização. exploração. ao respeito.Marcos LegaIs Resgatando as diferentes formas de ver a criança no decorrer da história. à liberdade. resgatamos os principais marcos das legislações que hoje protegem crianças e adolescentes: art. discriminação. à educação. humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis. à saúde. art. à dignidade. crueldade e opressão. (negrito nosso) art. sem prejuízo de outras providências legais. ao lazer.A lei punirá severamente o abuso. violência. com absoluta prioridade. à convivência familiar e comunitária. embora tenha acumulado conquistas significativas. 56 Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conse- Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 13 . essa proteção está expressa no ECA. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência. à cultura. punido na forma da lei qualquer atentado. ao adolescente e ao jovem. pode-se contextualizar uma trajetória que.

art. nas escolas públicas municipais e privadas. 14 Secretaria Municipal de Educação . conhecida como bullying. pré-escola ou creche. no Município de Guarulhos.maus-tratos envolvendo seus alunos. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental. 32 da Lei nº 9.763. aplicando-se o dobro em caso de reincidência. conhecida como bullying. praticadas por um indivíduo ou grupos de indivíduos. estabelece o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal. Lei Municipal nº 6. de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento.reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar. institui nas escolas a campanha de combate a violência. no lar. para incluir conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental.lho Tutelar os casos de: I . em instituição de atendimento público ou privado ou em locais públicos. de 20 de dezembro de 1996. mediante adoção de castigos moderados ou imoderados. (negrito nosso) Lei Municipal nº 6. III . Parágrafo único. causando dor e angústia à vítima. (negrito nosso) Lei nº 11. na escola. envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança e adolescente: Pena – multa de três a vinte salários de referência.elevados níveis de repetência. de 25 de setembro de 2007. sob a alegação de quaisquer propósitos. que ocorrem sem motivação evidente. de ação interdisciplinar e de participação comunitária. esgotados os recursos escolares. ainda que educacionais e/ou pedagógicos. 245 Deixar o médico. II .568. Art. Entende-se por bullying atitudes de violência física ou psicológica. em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.394. 1º Fica o Poder Executivo responsável por instituir a Campanha de Combate a Violência.525. contra uma ou mais pessoas. com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la. intencionais e repetitivas. de 22 de novembro de 2010. acrescenta § 5º ao art. de 5 de outubro de 2009.

Foto: Vanda Martins/SE .

Foto: Maurício Burim/SE .

Interação Social e Natureza e Sociedade. Desse modo. assim. assim. • Defender-se de vínculos nos quais se sinta manipulado e/ou explorado. Encarná-la. precisa abrir-se ao mundo. No QSN. como espaço de vida. do direito e não do arbítrio. a temática a respeito da garantia de direitos das crianças e adolescentes e a prevenção às diversas formas de violências estão inseridas nos eixos Autonomia e Identidade.responsabILIdade da escoLa dIante da vIoLação dos dIreItos das crIanças e adoLescentes A educação sozinha não transforma a sociedade. para si mesmo e para os outros (sexuais. esclarecendo e prevenindo o abuso sexual. na família ou com um profissional especializado. não temos outro caminho se não viver a nossa opção. violência física. trazer novas informações e possibilitar o acesso aos conhecimentos acumulados historicamente. a escola é um espaço de ampliação da experiência humana. um instrumento de formação humana. a distância entre o que dizemos e o que fazemos. uso de drogas. • Reconhecer a importância de buscar esclarecimentos e informações sobre a sexualidade: na escola. O currículo se torna. da equidade e não da injustiça. Temos de assumir o compromisso de buscar caminhos para essa transformação. dispondo-se a apreendê-lo e a modificá-lo. psíquica. sem ela tampouco a sociedade muda. diminuindo. dos quais destacamos alguns saberes: • Diferenciar os comportamentos saudáveis dos prejudiciais. da convivência com o diferente e não de sua negação. beijos) correspondentes aos diferentes Tempos da Vida. • Reconhecer a importância do consentimento mútuo para as trocas afetivas (toques. aperto de mão. etc. se estamos a favor da vida e não da morte. Se a nossa opção é progressista. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 17 . abraços. (Paulo Freire) A escola.). para tanto. devendo. O educando que queremos formar será participante e consciente da importância da leitura do mundo e de sua responsabilidade em transformá-lo. considerar as experiências cotidianas das crianças e adolescentes.

Além de propiciar ambiente adequado ao tratamento dessa questão nas escolas. não aceitando qualquer forma de violência (verbal. a escola deve desenvolver uma proposta pedagógica inclusiva e respeitosa da diversidade humana. física e psicológica) presenciada ou vivida (por exemplo: violência doméstica. • Conhecer a existência dos três poderes (Executivo. • Conhecer e compreender que os cidadãos brasileiros têm direitos e deveres. Nessa perspectiva. as línguas como forma de expressão humana e como possibilidade de mediação da escola/educador(a). A escola pode promover o acolhimento das crianças e adolescentes que estão sendo vítimas de algum tipo de violação de direitos. e criar um ambiente que leve as crianças e adolescentes a desenvolverem um bom nível de autoestima e de relações de amizade com seus companheiros. refletindo sobre seus direitos e deveres (ECA). Legislativo e Judiciário) que regem o Estado Democrático de Direito Brasileiro. a dança. entre outras). para que essa temática seja trabalhada. homofobia. bullying. os(as) educadores(as) também podem promover reflexões junto à comunidade e outros parceiros sobre a importância do enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes. • Conhecer a situação das crianças que trabalham no Brasil e compreender o processo de construção das leis. as artes plásticas. 18 Secretaria Municipal de Educação .• Perceber a importância e a necessidade de relacionar-se eticamente com os outros. na medida em que conhece mais a respeito do assunto e inclui em suas práticas pedagógicas outras formas de intervenção que contemplem as várias linguagens: como o teatro. exploração sexual. • Conhecer e refletir sobre as desigualdades sociais presentes no Brasil.

e um mesmo fenômeno pode ser explicado segundo diferentes teorias. mas como um desencadear de relações que envolvem a cultura. violência. também. sob o ponto de vista histórico e cultural. que pode ser compreendida como a chance de exposição das pessoas ao adoecimento. mas nem todo poder está associado à violência. pela patologia. Assim. as normas. O poder é violento quando se caracteriza como uma relação de força de alguém que a tem e que a exerce visando alcançar objetivos e obter vantagens (dominação. diferentes olhares. Atualmente. prazer sexual. contribuindo para a manifestação de abusadores e exploradores. por meio do qual o dominador. O poder violento é arbitrário ao ser “autovalidado” por quem o detém e se julga no direito de criar suas próprias regras. utilizando-se de coação e agressões. A vulnerabilidade própria da criança. lucro) previamente definidas. como a resultante de um conjunto de aspectos não apenas individuais. por ser desigual. no Brasil. a violência sexual contra crianças e adolescentes também tem sua origem nas relações desiguais de poder. psicologizado pelo descontrole. muitas vezes contrárias às normas legais. sua dificuldade de resistir aos ataques e o fato de a eventual revelação do crime não representar grande perigo para quem o comete são algumas das condições que favorecem sua ocorrência. o processo civilizatório de um povo. mas também Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 19 . classe social e faixa etária. Outro conceito importante é o de vulnerabilidade. faz do dominado um objeto para seus “ganhos”. o marco teórico adotado para conceituar as violências contra crianças e adolescentes tem por base a teoria do poder. estrutura-se num processo de dominação. e. Segundo Faleiros (1998). pela doença. não é entendida como ato isolado. aqui.vIoLêncIa e vuLnerabILIdade Um bom começo para compreendermos a questão da violência é conceituar o problema. analisando a forma como ele está sendo tratado. Conceituar é explicar a natureza do fenômeno em estudo. o imaginário. Todo poder implica a existência de uma relação. A relação violenta nega os direitos do dominado e desestrutura sua identidade. que se traduzem na dominação de gênero. A relação violenta.

trabalho. das possibilidades efetivas de transformar suas práticas. ao mesmo tempo. No plano pessoal. Conhecimentos e comportamentos têm significados e repercussões muito diversos na vida das pessoas. 2003). que estão relacionados com a maior suscetibilidade ao adoecimento e. contextos de vida e relações interpessoais que se estabelecem no dia a dia. mas a mudança de comportamentos não é compreendida como decorrência imediata da vontade dos indivíduos. as diferentes situações de vulnerabilidade dos sujeitos individuais e coletivos podem ser particularizadas pelo reconhecimento de três componentes interligados: o individual. dependendo de uma combinação. o social e o programático ou institucional (AYRES et al. grau de escolaridade. Sendo assim. maiores serão as chances de canalizar os recursos. também. a vulnerabilidade está associada à existência de políticas e ações organizadas para enfrentar o problema da violência. c) integração dos programas e ações desenvolvidos nos diferentes setores como saúde. b) ações efetivamente propostas e implantadas. a vulnerabilidade está relacionada a aspectos sociais. políticos e culturais combinados: acesso a informações. No plano institucional. Só é possível dizer que uma pessoa está (mais ou menos) vulnerável a um determinado problema. bem-estar social. No plano social. de características individuais.coletivos e contextuais. disponibilida- 20 Secretaria Municipal de Educação . educação. O grau de consciência que os indivíduos têm dos possíveis danos decorrentes de comportamentos associados à maior vulnerabilidade precisa ser considerado. Depende. em um determinado momento de sua vida. e d) sintonia entre programas implantados e as aspirações da sociedade. do grau e da qualidade da informação sobre o problema de que os indivíduos dispõem. de otimizar seu uso e de fortalecer as instituições e a sociedade frente à violência. etc. Quanto maiores forem o compromisso. sempre singular.. com a maior ou menor disponibilidade de recursos de proteção. da sua capacidade de elaborar essas informações e incorporá-las ao seu repertório cotidiano e. Por isso.. não é possível dizer que uma pessoa ‘é vulnerável’. Pode ser avaliada a partir de aspectos como: a) compromisso das autoridades com o enfrentamento do problema. portanto. a vulnerabilidade está associada a comportamentos que criam a oportunidade de se infectar e/ou adoecer e estar exposto a situações de risco. a integração e o monitoramento dos programas de prevenção e atenção à saúde.

que envolvem moradia. possibilidades de enfrentar barreiras culturais. Para avaliar o grau de vulnerabilidade social é necessário conhecer a situação de vida das coletividades. Muito frequentemente. aos distúrbios sociais. a exposição da criança e mais particularmente do adolescente e do jovem aos riscos associados à violência física. estão as necessidades de grande importância para o desenvolvimento desse segmento.de de recursos materiais. a pobreza priva o adolescente e o jovem de tais acessos. ainda. Acresce-se. ao desenvolvimento vocacional e às oportunidades de trabalho. Quanto menor a possibilidade de interferir nas instâncias de tomada de decisão. como um espelho das condições de bem-estar social. A vulnerabilidade social pode ser entendida. portanto. De outro lado. as instituições comunitárias e religiosas e o sistema legal e político constituem tais fatores. Fatores externos constituem uma poderosa influência sobre o modo como crianças. a integridade física. sente o desejo de experimentar tudo o que se apresenta como novo. às migrações e aos conflitos armados. às atividades recreativas. maior a vulnerabilidade dos cidadãos. psicológica ou a liberdade e o direito ao pleno desenvolvimen- Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 21 . Também podemos enfatizar a curiosidade de quem está descobrindo o mundo e. defInIção de vIoLêncIas vIoLêncIa IntrafaMILIar A violência intrafamiliar é toda ação ou omissão que prejudique o bem-estar. poder de influenciar decisões políticas. socioeconômicos e políticos. às vezes. culturais. especialmente em situações em que não haja a garantia dos direitos de cidadania. a indústria do entretenimento. aos serviços de saúde. adolescentes e jovens pensam e se comportam — o meio em que eles vivem. podem aumentar a vulnerabilidade desse segmento populacional aos mais diversificados agravos. os veículos de comunicação de massa. etc. na qual se imbricam fatores biológicos e psicológicos. Tal situação. acesso a bens de consumo e graus de liberdade de pensamento e expressão. representadas pelo acesso à educação formal.

diferentes gerações. violência psicológica. 22 Secretaria Municipal de Educação . mas também às relações em que se constrói e se efetua. sendo capaz de causar à vítima dor ou dano de natureza física. entre outras). Alguns profissionais preferem denominar esse fenômeno sob a terminologia de maus-tratos. O conceito de violência intrafamiliar não se refere apenas ao espaço físico onde a violência ocorre. GUERRA. agregados. Pode ser cometida dentro ou fora de casa por algum membro da família. diferente em cada grupo familiar. Tanto os maus-tratos quanto a violência doméstica contra crianças e adolescentes podem ser agrupados em seis tipos. incluindo pessoas que passam a assumir função parental. segundo sua natureza: negligência. sexual e/ou psicológica. isto é. que convivam no espaço doméstico. uma transgressão do poder/dever de proteção do adulto. nas quais estão presentes relações de subordinação-dominação. abandono. A violência doméstica distingue-se da violência intrafamiliar por incluir outros membros do grupo. sem função parental. Nessas relações (homem/mulher. violência física. pessoas que convivem esporadicamente. vIoLêncIa doMéstIca contra crIanças e adoLescentes A violência doméstica se caracteriza como: todo ato ou omissão praticado por pais.to de outro membro da família. a uma negação do direito que crianças e adolescentes têm de serem tratados como sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento (AzEVEDO. 1998). leva à coisificação da infância. as pessoas estão em posições opostas. embora atualmente essa definição esteja sujeita a críticas de vários estudiosos porque faz supor que a ‘maus-tratos’ se contrapõem os ‘bons-tratos’. Incluem-se aí empregados(as). etc. parentes ou responsáveis contra crianças e ou adolescentes que. violência sexual e abuso sexual. A violência intrafamiliar expressa dinâmicas de poder/afeto. pais/filhos. e em relação de poder referente à outra. De outro. ainda que sem laços de consanguinidade. de um lado. implica. desempenhando papéis rígidos e criando uma dinâmica própria.

exigimos demais das crianças e dos adolescentes. 2000). em termos de cuidados diários básicos como alimentação. físico. não acidental. Pode significar omissão. sexual e social da criança (ABRAPIA. palavras e ações para envergonhar. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 23 . vacinas. queimaduras e mutilações. violência sexual: consiste não só numa violação à liberdade sexual do outro. essa modalidade de violência é uma das mais difíceis de serem identificadas e podem trazer graves danos ao desenvolvimento emocional. Segundo o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde (CLAVES). desamparadas e expostas a várias formas de perigo. traumas. praticada por pais. A violência sexual é todo ato ou jogo sexual com intenção de estimular sexualmente a criança ou o adolescente. roupas adequadas. O abandono parcial é a ausência temporária dos pais. higiene. familiares ou pessoas próximas da criança ou adolescente. 1997. Apesar de ser extremamente frequente. ficando as crianças sem habitação. provocar dor e sofrimento ou destruir a pessoa. cuidados médicos. deixando ou não marcas evidentes no corpo e podendo provocar inclusive a morte. abandono: é uma forma de violência muito semelhante à negligência. beliscões. constitui crime ainda mais grave. Ela ocorre quando xingamos. chutes e arremessos de objetos. rejeitamos. que pode ferir. isolamos. censurar e pressionar a criança de modo permanente. Pode ser praticada por meio de tapas. violência psicológica: é um conjunto de atitudes. expondo a criança a situações de risco. mas também numa violação dos direitos humanos da criança e do adolescente. CRAMI. educação e/ou falta de apoio psicológico e emocional. aterrorizamos. responsáveis. Quando cometida contra a criança. ou mesmo quando os utilizamos para atender a necessidades dos adultos.negligência: é uma forma de violência caracterizada por ato de omissão do responsável pela criança ou adolescente em prover as necessidades básicas para seu desenvolvimento sadio. violência física: caracterizada como todo ato violento com uso da força física de forma intencional. lesar. É praticada sem o consentimento da pessoa vitimizada. O abandono total é o afastamento do grupo familiar. o que causa lesões. o abandono se caracteriza pela ausência do responsável pela criança ou adolescente na educação e nos cuidados.

em que os autores da violência estão em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou adolescente. exploração sexual. 2002). quando ela se realiza entre adultos da mesma idade e mesma família sem o emprego de força física ou coerção emocional e psicológica. pornografia. 24 Secretaria Municipal de Educação . é qualquer relação de caráter sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente ou entre um adolescente e uma criança. tios.visando utilizá-los para obter satisfação sexual. Pode ocorrer em uma variedade de situações como estupro. mesmo quando ocorre sem uso de força física. até o ato sexual com penetração. É predominantemente doméstica. como do ponto de vista afetivo (avós. ABRAPIA. 1993. ama ou em quem confia. Na maioria dos casos. por exemplo. é o que mais caracteriza esta situação. manipulação de genitália. Abrange relações homo ou heterossexuais. imposição de intimidades. incesto. A criança se sente culpada por sentir prazer e isso é usado pelo abusador para conseguir o seu consentimento” (ABRAPIA. pela assimetria entre abusador e abusado. primos e irmãos). O abusador quase sempre possui uma relação de parentesco com a vítima e tem certo poder sobre ela. o autor da agressão é uma pessoa que a criança conhece. Nem toda relação incestuosa é abuso sexual. mamas e ânus. padrasto). O uso do poder. abuso sexual intrafamiliar Também chamado de abuso intrafamiliar incestuoso. tanto do ponto de vista hierárquico e econômico (pai. 2002). exibicionismo e ‘voyeurismo’ (obtenção de prazer sexual por meio da observação). Mas a relação incestuosa com uma criança ou adolescente é considerada abuso sexual. O abusador “se aproveita do fato de a criança ter sua sexualidade despertada para consolidar a situação de acobertamento. quando existe um laço familiar (direto ou não) ou relação de responsabilidade (COHEN. especialmente na infância. assédio sexual. mãe. abuso sexual: é descrito como toda situação em que uma criança ou adolescente é usado(a) para gratificação sexual de pessoas mais velhas. pedofilia.

psicólogos e psicanalistas. os recém-chegados são forçados a se submeter sexualmente a grupos de adolescentes mais velhos e antigos na instituição que dominam o território e o poder local. na maioria das vezes. na maioria das vezes. 2004).abuso sexual extrafamiliar É um tipo de abuso sexual que ocorre fora do âmbito familiar. responsáveis por atividades de lazer. a violência sexual aparece não como uma atividade de prazer. alguém que a criança conhece e em quem confia: vizinhos ou amigos da família. o autor da agressão pode ser uma pessoa totalmente desconhecida. mas como uma atividade do poder instituído. que submete a vítima aos caprichos de quem detém o poder. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 25 . Desse modo. Baseia-se. Quando ocorre entre as próprias crianças e adolescentes. No caso da prática sexual entre funcionários e internos. Os exemplos são os casos de estupro em locais públicos. são reproduzidas as relações de poder e dominação existentes na sociedade (SANTOS. saúde e outros espaços de socialização. Ocorre dentro das instituições governamentais e não governamentais encarregadas de prover. na posição de poder do agente sobre a vítima. educadores. forMas da vIoLêncIa sexuaL 1) abuso sexual sem contato físico São práticas sexuais que não envolvem contato físico: O assédio sexual caracteriza-se por propostas de relações sexuais. padres e pastores. médicos. proteger. abuso sexual em instituições de atendimento à criança e ao adolescente É uma modalidade de abuso similar aos tipos já mencionados. Eventualmente. defender. Pode ocorrer entre as próprias crianças e/ou adolescentes ou entre estas/estes e profissionais da instituição. que é chantageada e ameaçada pelo autor da agressão. Também aqui o abusador é. cuidar de crianças e adolescentes e lhes aplicar medidas socioeducativas e que dispensem atendimento psicossocial. educacional.

A experiência. no adolescente e na família (ABRAPIA. especialmente quando tais indivíduos são vistos de um ponto de vista clínico. Tal desejo sexual é duradouro. exploradores sexuais ou pedófilos. Destes. Nem todos que distribuem a pornografia infantil na internet são abusadores. como abusar sexualmente de crianças ou divulgar/produzir pornografia infantil. e que não sentem atração sexual primária por crianças. O exibicionismo é o ato de mostrar os órgãos genitais ou se masturbar diante da criança ou do adolescente ou no campo de visão deles. Os telefonemas obscenos são também uma modalidade de abuso sexual verbal. as redes sociais e as salas de bate-papo são o principal passatempo das quase 9 milhões de crianças brasileiras que navegam pela rede. distribuem a pornografia infantil pelos mais diversos motivos. especialmente do sexo masculino. não é um crime. Cerca de mil novos sites de pedofilia são criados todos os meses no Brasil. com fotografias. mas sim um estado psicológico e um desvio sexual. por si só. comete atos criminosos. que vão desde a mera diversão até a manifestação da prática real do abuso sexual. principalmente em relação aos crescentes casos de pedofilia. Quanto à internet. A pedofilia. A maioria deles é feita por adultos. é definida como a preferência sexual por crianças pré-púberes ou no início da puberdade. e 12% dos sites de pedofilia expõem crimes contra bebês de zero a três meses de idade. Os agentes criminosos. contudo. 52% tratam de crimes contra crianças de 9 a 13 anos. 2002). A maioria dos crimes envolvendo atos sexuais contra crianças são realizados por pessoas que não são clinicamente pedófilas (mas realizaram o ato por outras razões. A pedofilia. que variam de simples usuários de rede aos pedófilos. Podem gerar muita ansiedade na criança. O uso do termo pedofilia para descrever criminosos que cometem atos sexuais com crianças é visto como errôneo. no sentido estrito. baseada em seus desejos sexuais. A pessoa pedófila passa a cometer um crime quando. 26 Secretaria Municipal de Educação .O abuso sexual verbal pode ser definido por conversas abertas sobre atividades sexuais destinadas a despertar o interesse da criança ou do adolescente ou a chocá-los (ABRAPIA. Alguns comportamentos virtuais preocupam os pais. segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). 2002). como para aproveitar-se da vulnerabilidade da vítima).

qualquer tipo de relacionamento sexual (conjunção carnal ou outro ato libidinoso) com crianças e adolescentes com idade inferior a 14 anos. 2) abuso sexual com contato físico São atos físico-genitais que incluem carícias nos órgãos genitais. tentativas de relações sexuais. que versa sobre Crimes contra a Dignidade Sexual. e obter satisfação com essa prática. A Lei nº 12. Nem sempre envolve ato sexual: o crime pode ser caracterizado por cenas de nudez de crianças e adolescentes que tenham conotação pornográfica. na internet. O estupro é ter com uma pessoa relação sexual de qualquer natureza ou utilizar objeto com este fim. O voyeurismo é o ato de observar fixamente atos ou órgãos sexuais de outras pessoas. sem seu consentimento ou com o emprego de violência. sexo oral forçado. adultos e crianças.pode ser assustadora para algumas crianças e adolescentes (ABRAPIA. É crime também a prática de tais atos diante de menores de 14 anos ou a indução a presenciá-los. que podem ser masturbações e/ou toque em partes íntimas.015/2009. em revistas. entre crianças ou entre adultos com animais. o objetivo da exposição da criança ou do adolescente é a obtenção de lucro financeiro. principalmente. considera como crime de estupro de vulnerável. bem como a utilização de objetos com a finalidade de abuso sexual caracterizam tal prática. sexo oral. O atentado violento ao pudor consiste em constranger alguém a praticar atos libidinosos. utilizando violência ou grave ameaça. A pornografia é a exposição de pessoas com suas partes sexuais visíveis ou práticas sexuais entre adultos. A experiência pode perturbar e assustar a criança e o adolescente (ABRAPIA. constrangimento ou grave ameaça. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 27 . na maioria dos casos. sexo anal e oral. filmes e. o voyeurismo pode ser uma prática sexual consentida. Essa forma de abuso também pode ser enquadrada como exploração sexual comercial. uma vez que. Aqui. livros. seria forçar a criança ou o adolescente a praticar tais atos ou forçá-los a permitir a prática de tais atos. independentemente do sexo da vítima. Nas relações sexuais entre adultos. penetração vaginal e anal. masturbação. 2002). A defloração anal de homens e mulheres. quando elas não desejam ser vistas. 2002).

o referencial para a análise é a própria vítima. por um lado. levando-se em conta seu condicionamento físico. ou que produz fadiga anormal. Em qualquer das hipóteses. exploração sexual: compreende o abuso sexual praticado por adultos e a remuneração em espécie ao menino ou menina e a uma terceira pessoa ou várias. A exploração sexual comercial de crianças constitui uma forma de coerção e violência contra crianças. sua força muscular. aprovada no I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes. recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação. ao rapto. segundo a idade ou sexo. além de outras. pelo agenciamento de crianças e adolescentes para oferta de serviços sexuais.Há duas facetas da violência sexual. que se inter-relacionam e precisam ser entendidas em suas especificidades: o abuso sexual. Tráfico de pessoas: para fins de exploração sexual de crianças e adolescentes. capacidade mental. transporte. à fraude. trabalho infantil: qualquer trabalho realizado por uma criança com idade menor do que 15 anos. ao engano. conforme consta na Declaração de Estocolmo (1998). ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. sua idade e sexo. A prática envolve atividades de cooptação e/ou aliciamento. por outro lado. 28 Secretaria Municipal de Educação . pela organização de excursões turísticas com fins não declarados de proporcionar prazer sexual para turistas estrangeiros ou de outras regiões do país e. turismo sexual: orientado para exploração sexual. A criança é tratada como objeto sexual e mercadoria. recrutamento. alojamento ou acolhimento de pessoas. caracteriza-se. intercâmbio. realizado em Estocolmo no ano de 1996. que pode implicar trabalho forçado e forma contemporânea de escravidão. é uma das modalidades mais perversas de exploração sexual. É um tipo de trabalho excessivo. que já descrevemos neste material e a exploração sexual. é trabalho impróprio para as condições orgânicas da vítima. transferência. caracterizado como aquele que supera as forças físicas ou mentais da vítima.

Foto: Maurício Burim/SE .

Foto: Maurício Burim/SE .

mas por um conjunto de indicadores apresentados pela criança e listados abaixo. Em caso de indecisão. as situações de maus-tratos e abuso sexual. psicólogos. É importante ressaltar que a presença isolada de um dos indicadores não é significativa para a interpretação da presença de violências contra crianças e adolescentes. mesmo que seja apenas suspeita. porém. advogados. Se o(a) educador(a) desconfia que uma criança está sofrendo violência sexual. Lembre-se sempre. Reunimos os principais sinais da ocorrência de abuso para ajudar o educador a enxergar essa situação e agir sobre ela. conselheiros tutelares que compõem a rede intersetorial. ele(a) deve conferir.forMando o oLhar do educador para IdentIfIcar a vIoLêncIa doMéstIca e o abuso sexuaL As crianças e adolescentes avisam de diversas maneiras. quase sempre não verbais. O(a) educador(a) também pode discutir suas opiniões e ações com profissionais de outras áreas como médicos. é importante lembrar que as evidências de ocorrência de violência sexual são compostas não só por um. Contudo. assistentes sociais. Bom conhecimento das principais características das diferentes fases do desenvolvimento infantil ajuda a esclarecer se o comportamento da criança/adolescente é indicativo de violências. de proteger a identidade da criança. peça a opinião de seus colegas de trabalho. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 31 .

32 Secretaria Municipal de Educação Indicadores a respeito das famílias .Como se referem à criança? . desconfia de habituais. submissão da criança.Como descreve a criança? .considerando-se merecetes estágios de cicatrização.sem limitações cognitivas dicadores físicos.Como são as expectativas em relação à criança? .a comportamentos ções físicas em geral. Indicadores a respeito das famílias . carência causa orgânica: distúrbios afetiva. ocultamento de viáveis às lesões.: Por se tratar de vioser indicador de outros lência que fere o psiquismo problemas emocionais que e não a integridade física não a violência). infantis (também pode Obs. contato com adultos. mas emocionais. as sequelas e apatia. e queimaduras em diferen. disfun.Quais as expectativas que têm em relação à criança? .Como explica as lesões sofridas pela criança? . distúrbios do sono. hematomas do lar. Quando há in.IndIcadores de vIoLêncIas vIoLêncIa físIca Indicadores físicos da Criança/Adolescente Indicadores Comportamentais da Criança/Adolescente Medo dos pais e/ou responPresença de lesões físicas que não se ajustem à causa sáveis. corpo que geralmente não comportamento agressivo são sofridas com quedas com colegas. fugas lesões antigas.Como é a relação com o professor? vIoLêncIa psIcoLógIca Indicadores físicos da Criança/Adolescente Indicadores Comportamentais da Criança/Adolescente Problemas de saúde sem Isolamento social. dificuldades e são preponderantemente problemas escolares. de psicossomatização. diz ter contusões em partes do sofrido violência física. de si próprio. baixa autoestima. regressão afecções cutâneas. está sempre alerta. dor das punições. tendência resultantes de um quadro suicida. esperando que algo ruim aconteça. estes são e intelectuais. baixo conceito da fala. alega causas pouco alegada.Como é a forma de impor limites? .Como é a demonstração de afeto entre os membros da família? .

reuniões ou outras formas de interação? . pouca carência afetiva. menores. Indicadores a respeito das famílias . isolamento social. etc. criança sofre responsabilidades de frequentemente acidentes (pela falta de cuidados por adulto).Quais os cuidados que demonstram em relação às questões de higiene e aparência pessoal? Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 33 . necessidades não atendidas.Participam de atividades.negLIgêncIa / abandono Indicadores físicos da Criança/Adolescente Indicadores Comportamentais da Criança/Adolescente Criança desenvolve Padrão de crescimento atividades impróprias para deficiente. (é comum a criança ser considerada saúde (vacinas atrasadas. fadiga fato é que está assumindo constante. madura e “precoce”.Como se dá a relação da família com a escola? . como higiene.Como lidam com as questões de saúde da criança? . necessidades não atendidas. cuidados com irmãos educação (evasão escolar). falta de atividade motora (falta de concentração e atenção provocadas pela fadiga e estimulação). parte de um adulto). alimentação. mas o por exemplo). vestimenta a idade: é responsável inadequada ao clima. pelos serviços domésticos.

ideias nárias. regressão a comportamentos infantis. depresmetimento no controle das são. te transmissíveis. doenças sexualmen. desenhar órgãos genitais com detalhes e características além de sua capacidade etária. animais e brinquedos. inapromanchadas de sangue. priado para uma criança. dificuldade de caminhar e em adultos. masturbar-se compulsivamente.vergonha excessiva. compro.Quais são as características dos familiares? . dificuldades baixa autoestima. expressão de afeto sensualizado e doenças emocionais. infecções uri. ou no pênis. roupas íntimas rasgadas ou ou mesmo certo grau de provocação erótica. mudanças extremas. súbitas e inexplicadas no comportamento.Como é o contato da família com a escola e com outros espaços de socialização? .autoflagelação. sentimento de culpa. apresentansentar. fezes e urina. medo ou mesmo pânico de certa pessoa ou sentimento generalizado de desagrado quando a criança é deixada sozinha em algum lugar com alguém. secreções na vagina do sentimento de medo. não confia to de causar. inclusive.Esclarecem as dúvidas das crianças? .ou tentativas de suicídio. como oscilações no humor entre retraída e extrovertida. 34 Secretaria Municipal de Educação Indicadores a respeito das famílias .vIoLêncIa sexuaL Indicadores físicos da Criança/Adolescente Indicadores Comportamentais da Criança/Adolescente Apresenta comportamento Dor ou inchaço na área sexual inadequado à idade. desenvolvimento de brincadeiras sexuais persistentes com amigos. genital ou anal a ponfugas de casa.Como lidam com as questões de sexualidade? .

colegas de escola. são pessoas aparentemente normais e queridas pelas pravado sexual. como pai ou mãe. dezes. As autosexual em razão das eviridades devem estar treinadas para as diversas técnicas de dências físicas encontradas identificação de abuso sexual. brinquedos. MItos e reaLIdades sobre o abuso sexuaL Mitos O estranho representa perigo maior para crianças e adolescentes. religiosos e étnicos. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 35 .O surgimento de objetos pessoais. crianças e adolescentes são sexualmente abusados por pessoas que já conhecem.O autor da agressão sexual tem inteira responsabilidade cente “consente” é porque pela violência sexual. com frequência. Na maioria das vezes. nessas situações. dinheiro e outros bens que estão além das possibilidades financeiras da criança/adolescente e da família. A maioria dos agressores é mais velho e alcoólatra. professor(a) ou médico(a). Realidades “Estranhos” são responsáveis por pequeno percentual dos casos registrados. na maioria O abuso ocorre. pode indicar ação de algum abusador na região. pode ser indicador de favorecimento e/ou aliciamento. O abuso sexual. O pedófilo tem caracteDo ponto de vista da aparência física. procura da casa da criança ou do locais em que a criança/adolescente estará completamenadolescente. ocorre longe da criança ou do abusador. Só quan. normalmente. homem crianças e pelos adolescentes. O maior índice das ocorrências tem sido no período diurno. babá. identificam. heterossexual e mantém relações sexuais com adultos. parentes. Se uma criança ou adoles. dentro ou perto da casa dos casos.fictícios e. amigos da família. Se isso ocorre com várias crianças da mesma sala ou série/ano. que. do ela disser “não” é que fica caracterizado o abuso. de criante. Apenas 6% dos casos são que é abusada sexualmen. vizinhos. o pedófilo pode ser rísticas próprias que o qualquer pessoa. tarado que todos socioeconômicos. te vulnerável. nas crianças e adolescentes.assumida. A criança mente e inventa Raramente a criança mente. É fácil identificar o abuso Em apenas 30% dos casos há evidências físicas. homossexual ou retardado mental. trata-se. em geral. Na maioria das vereconhecem na rua. entre 85% a 90% dos casos. O autor do abuso sexual é Os crimes sexuais são praticados em todos os níveis psicopata. qualquer que seja a forma por ele deve ter gostado. ças maiores que objetivam alguma vantagem.

Crianças e adolescentes só revelam o “segredo” se tiverem sido ameaçadas com violência. Sabe-se que. Pais e professores desinformados não abuso sexual de crianças. Crianças e adolescentes são. de ser expulso. no Brasil. mas sim o uso de ameaças e/ou a conquista da confiança e do afeto da criança. levando inclusive ao assassinato de crianças. uma vez que não há contato e. situação criminosa e inaceitável. de que outros membros da família não acreditem em sua história. seja por motivos afetivos ou por medo do abusador. a manipulação de órgãos sexuais. ou de ser o causador da discórdia familiar. sobre sua frequência e sobre como lidar com ele. A violência física contra crianças e adolescentes abusados sexualmente não é a ação mais comum.A maioria. Vítimas e autores do abuso são. muitas vezes. a pornografia e o exibicionismo. como o “voyeurismo”. As vítimas do abuso sexual são oriundas de famílias de baixo nível socioeconômico. O uso dessas imagens e textos estimula a aceitação do sexo de adultos com crianças. em geral. desconhece a realidade do abuso sores está informada sobre sexual de crianças. A divulgação de textos sobre pedofilia e fotos de crianças e adolescentes em posições sedutoras ou praticando sexo com outras crianças. O abuso sexual limita-se ao estupro. podem ajudar uma criança. do mesmo grupo étnico e socioeconômico. outros atos são considerados abuso sexual. muitas vezes. Famílias das classes média e alta podem ter melhores condições para encobrir o abuso e manter o “muro do silêncio”. A maioria de pais e profes. Estima-se que poucos casos são denunciados. O malefício é enorme para as crianças fotografadas ou filmadas. tudo ocorre virtualmente na tela do computador. o contato do pedófilo inicia-se de forma virtual na internet. Além do ato sexual com penetração vaginal (estupro) ou anal. poucas são as probabilidades de que a vítima faça a denúncia. adultos e até animais não causa malefícios. Crianças e adolescentes só revelam o “segredo” quando confiam e sentem-se apoiadas. mas logo pode passar para a conquista física. medo de perder os pais. A maioria dos casos é denunciada. 36 Secretaria Municipal de Educação . Quando há envolvimento de familiares. frequentemente. prejudicados pelas consequências psicológicas do abuso sexual. Níveis de renda familiar e de educação não são indicadores de abuso.O abuso sexual está associado a lesões corporais.

médico e psicológico. • e para que crianças e adolescentes sexualmente abusados não repitam. sem prejuízo de outras providências legais”. a violência recebida. O ECA. O abuso sexual é extremamente frequente em todo o mundo. prescreve: “Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. o quanto antes receberem apoio educacional. por que a escoLa deve notIfIcar às autorIdades casos de suspeIta ou ocorrêncIa de vIoLêncIas? O ato de notificar às autoridades sobre casos de violência pode contribuir para interromper o ciclo de violências contra a criança e o adolescente. o ECA estabelece multa de 3 a 20 salários de referência (aplicando-se o dobro em caso de reincidência). por exemplo. revelou que os gastos com atendimento a dois milhões de crianças que sofreram abuso sexual chegaram a US$ 12. deve-se denunciar para que: • o abusador não volte a violentar a criança ou o adolescente. em seu artigo 13. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental. envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente”.4 milhões por ano. Sua prevenção deve ser prioridade até por questões econômicas: estudo realizado nos EUA. • outras crianças e adolescentes não sejam sexualmente abusados. quando adultos. Estudos demonstram que crianças sexualmente abusadas acabam tendo uma visão muito diferente do mundo e dos relacionamentos. pré-escola ou creche. de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento. Sofrem muito de culpa. Não denunciar pode acarretar até o suicídio da vítima. se “deixar o médico. No artigo 245. problemas com a sexualidade e dificuldades em construir relações afetivas duradouras. baixa estima. É impossível prevenir o abuso sexual de crianças. Resumindo. Assim. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 37 .O abuso sexual é uma situação rara que não merece prioridade por parte dos governos. mais chances terão de superar a experiência negativa da infância e ter uma vida adulta mais prazerosa e saudável. Há maneiras práticas e objetivas de proteger as crianças do abuso sexual.

A essas pessoas queremos lembrar que dedicar seu tempo à criação de uma cultura de respeito aos direitos da criança e do adolescente poderá evitar que novas gerações sejam violentadas. como fazer a denúncia ou mesmo a quem recorrer. podendo também ajudar outras crianças a não “passarem pelo que elas passaram”. muitas vezes. ajudando-as a ter uma vida adulta sexual e afetivamente saudável. Convém lembrar que omissão também é crime. É preciso lembrar a essas pessoas o custo desse silêncio para a sua vida social. acabam por se omitir. Falta de tempo Muitos(as) educadores(as). resistem relembrar esses momentos difíceis. mesmo sabendo ser obrigação legal. esse drama pelo resto da vida. Falta de percepção das situações de abuso e informação sobre como proceder A atenção de muitos(as) educadores(as) não está orientada para a identificação das evidências de ocorrência do abuso. enfatizando que uma atitude de denúncia pode contribuir para o próprio processo de elaboração da violência sofrida. Algumas crianças jamais revelam as violências sofridas. carregando. sabendo que essas ações demandam tempo tanto para proteção da criança quanto para a responsabilização do agressor. emocional e psicológica. inconscientemente. 38 Secretaria Municipal de Educação . não notificam às autoridades as suspeitas ou ocorrências de violência sexual e outras formas de violência? Resistência psicológica e emocional Muitos(as) educadores(as) também vivenciaram situações de violência e abuso e. Alguns suspeitam da ocorrência. mas não sabem como abordar a criança.Por que muitos(as) educadores(as).

Medo de se envolver em complicações Muitos(as) educadores(as) e autoridades escolares têm medo de complicações com as famílias da criança ou do agressor. apesar de não ser essa a melhor solução. • O número de agressores penalmente responsabilizados pelos seus atos vem aumentando significativamente. A esses(as) educadores(as) é importante frisar que: • Os serviços de disque-denúncia têm registrado número cada vez maior de denúncias em todo o Brasil.200 registros de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. indicador de que as campanhas estão surtindo o efeito desejado. De janeiro a março de 2011. Pode também pedir proteção à polícia em casos de ameaça. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 39 . foram contabilizados cerca de 4. quando foram apresentados 3.125 registros. Gostaríamos de lembrar que a escola pode fazer a denúncia de forma anônima. O volume deste ano é cerca de 35% maior na comparação com o mesmo período do ano passado. • Inúmeras denúncias recebidas vêm sendo transformadas em inquéritos. Falta de credibilidade na Polícia e na Justiça Muitos(as) educadores(as) não acreditam que a notificação possa garantir a proteção da criança ou que a Justiça irá responsabilizar os agressores. quando anteriormente os casos de exploração sexual nem chegavam à investigação.

é uma forma comum de violência. por considerar que está chamando a atenção. Como previsto em lei. opressão ou negligência. o(a) educador(a) e/ ou a direção da escola podem oferecer denúncia de suspeita de violências e/ou abuso às autoridades responsáveis e deixar que elas se encarreguem de abordar a criança e proceder às apurações. No entanto. pode omitir fatos ou. quando esse atendimento é sem privacidade. livre de qualquer forma de violência. social e emocional. Outra forma de revitimização é a peregrinação pelos serviços para receber atendimento ou. a notificação deve ser feita ao Conselho Tutelar. para que não haja a revitimização. 40 Secretaria Municipal de Educação . por cansaço. Isso pode acarretar prejuízos também para a justiça.notIfIcando suspeItas ou ocorrêncIas de vIoLêncIas Que fazer quando há suspeitas de qualquer forma de violência ou dúvidas sobre o diagnóstico? A notificação deve ser realizada como um instrumento importante de proteção e não de denúncia e punição. mesmo nos casos de suspeita. Baseados nas evidências de violências e abuso. Essa falta de sigilo pode estigmatizar a criança ou adolescente como “abusada”. do adolescente e da família viver em um ambiente que promova o bem-estar físico. quando o relato do trauma necessita ser repetido para vários profissionais. é importante fundamentar as suspeitas com o registro de observações a respeito de aspectos sociais e psicológicos. agravando o trauma. pode aumentar os acontecimentos. expor a dor e o sofrimento diante de terceiros. É um direito da criança. descritas neste documento. Revitimização é a repetição de atos de violência pelo agressor ou a repetição da lembrança de atos de violência sofridos. pois a vítima.

deficiências motora. Esse acolhimento é peça fundamental para derrubar o “muro do silêncio”. Alguns cuidados com a comunicação são fundamentais para proteger. auditiva. visual. devido sua proximidade com a criança. sem preconceitos e juízos de valor. na medida em que: • Reconhece os sinais de violência. rodeado de tabu e de silêncio. repassando a outro profissional. a partir da sensibilização e formação para isso. • Garante a necessária privacidade durante a apuração dos fatos. as crianças e adolescentes que estão sofrendo alguma forma de violência ou negligência. estabelecendo um ambiente de confiança e respeito. cognitiva. • Acolhe as crianças e os adolescentes vítimas de violências de forma humanizada. Esse cuidado é ainda mais importante quando estamos falando de violência sexual.coMo acoLher a crIança e proteger sua IdentIdade? A proteção e a promoção dos direitos da infância e da adolescência também devem ser contempladas na forma como falamos sobre o assunto. e não estigmatizar. • Mantém sigilo sobre as informações prestadas pela vítima ou pelo seu responsável. O(a) educador(a). um tema delicado. considerando o estado em que se encontra Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 41 . etc. apenas as informações necessárias para garantir o atendimento adequado. a possibilidade de risco de vida ou de repetição da violência sofrida. • Avalia a gravidade da situação. A postura do(a) educador(a) pode contribuir para o acolhimento da criança e do adolescente. problemas orgânicos. deverá aproveitar uma oportunidade de maior intimidade em que possa acolhê-la. Algumas expressões ou jargões podem inclusive levar à “revitimização” e causar um efeito inverso ao que nos propomos. • Diferencia comportamentos e sinais resultantes de situações de violência de outras causas como indisciplina. sem expô-la frente a outras pessoas. ou outro serviço.

• Inclui a discussão sobre causas. limites. ao serviço de saúde responsável pelo acolhimento a este tipo de violência. discutindo os casos notificados por qualquer um dos membros da rede e definindo procedimentos de intervenção e acompanhamento. fases do desenvolvimento de crianças e adolescentes. elaborando propostas de enfrentamento conjunto dos problemas vivenciados. uso e abuso de drogas. • Incentiva a formação de grupos de discussão sobre a educação de filhos e debates sobre temas como: liberdade. consequências e formas de enfrentamento da violência doméstica. nas atividades educativas realizadas pela unidade. 42 Secretaria Municipal de Educação . as condições da família. o tipo de violência sofrida e o tipo do agressor. direitos da mulher e do idoso. para as medidas de prevenção das DST/AIDS e da gravidez.a vítima. proteger a identidade da criança e do adolescente vítima de violência e/ ou sexualmente abusados deve ser um compromisso ético-profissional. Mesmo assim. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudá-las. • Garante que os casos de violência contra crianças e adolescentes sejam imediatamente comunicados ao Conselho Tutelar. use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas. • Garante encaminhamento imediato até 72 horas após o ocorrido — dos casos de estupro e atentado violento ao pudor. sexualidade. violência doméstica/familiar. entre outros. • Participa ativamente dos encontros da Rede de Proteção local.

• Encaminhar o regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL contra crIanças e adoLescentes em ENVELOPE LACRADO/CONFIDENCIAL. pois só assim será possível o exame de corpo delito. ou com base no acolhimento e conversa a respeito do assunto.o que fazer • Apurar os fatos com base em observações da criança/adolescente em diversas situações do cotidiano escolar. o responsável. DOEP. • Preencher o regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL contra crIanças e adoLescentes. a escola. em duas vias. Divisão Técnica de Políticas para a Diversidade e Inclusão Educacional. Obs. quando necessário. uma para o Conselho Tutelar de sua região e outra para a Secretaria Municipal de Educação. a família. a Unidade Básica de Saúde ou o Conselho Tutelar podem fazer o Boletim de Ocorrência. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 43 .: em caso de danos físicos à criança/adolescente. caso sinta-se à vontade para isso.

regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL contra crIanças e adoLescentes 44 Secretaria Municipal de Educação .

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Os sdh estão expostos para que possam ser lidos e divulgados. os direitos humanos se configuram como língua pátria de todos os que se mobilizam para combater e prevenir a incidência de violências contra crianças e adolescentes. considerando a realidade de sala de aula. os sdh são planejados tematicamente de modo a fazer com que cada conjunto de sinalizadores aborde temas específicos. os sinalizadores de direitos humanos (sdh) são desenvolvidos no NUPESCI da Unifesp e são organizados com critérios de exposição que têm finalidade pedagógica. Além disso. emocional e moral de crianças e adolescentes no mundo todo. no seu Campus Guarulhos. Nesse sentido. oferecer subsídios para que professores trabalhem com a questão em sala de aula. intelectual. pintados ou transformados em tema de debate ou produção de texto. A Universidade Federal de São Paulo mantém. no cotidiano das instituições e dos locais públicos. Por sua universalidade e abrangência. Que todos os leitores dos sdh possam perceber o papel relevante que possuem em relação à prevenção das violências praticadas contra crianças e adolescentes! Marcos Cezar de Freitas Universidade Federal de São Paulo Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 47 . novos temas são acrescentados de modo a oferecer para cada escola ou instituição pública condições de construir repertórios de direitos humanos. que podem. Estamos num tempo em que a comunicação visual tem lugar preponderante na circulação de ideias e mensagens. para além de sensibilizar pessoas. Os sdh têm por objetivo introduzir. que desenvolveu um trabalho interdisciplinar voltado para a sinalização de direitos humanos.sInaLIzadores de dIreItos huManos – sdh O tema Direitos Humanos é fundamental para assegurar e defender a integridade física. o Núcleo de Pesquisa e Estudo sobre Criança e Infância (NUPESCI). uma série de alertas educativos para que as pessoas possam perceber pequenas situações do dia a dia permeáveis à violação dos direitos humanos. Sistematicamente. mas. também podem ser dramatizados.

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Cumbica CEP: 07180-140 Tel: (11) 2412-9062 / 2446-3760 Plantão: (11) 6740-5951 Email: conselhocumbica@yahoo.III (região são João / bonsucesso) Rua Nova York.com.com Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 55 .Iv (região pimentas) Av.Jd.v (região taboão) Rua Ipauçu.br conseLho tuteLar da crIança e adoLescente . Juscelino Kubitschek de Oliveira. 5 . 28 .555 . Presidente Dutra CEP: 07171-010 Tel: (11) 2431-9081 / 2431-8485 Plantão: (11) 7116-4248 Email: ctsaojoaoguarulhos@ig. Bela Vista CEP: 07133-290 Tel: (11) 2408-2824 / 2443-4057 Plantão: (11) 7179-9352 Email: cttaboao@hotmail. 4.br conseLho tuteLar da crIança e adoLescente .Centro CEP: 07110-140 Tel: (11) 2441-2437 / 2441-2438 Plantão: (11) 7351-0789 Email: ctcentroguarulhos@hotmail.servIços de referêncIa no MunIcípIo de guaruLhos conseLho tuteLar da crIança e adoLescente .com.com conseLho tuteLar da crIança e adoLescente . 192 .Jd.I (região centro) Rua Presidente Prudente.Pimentas CEP: 07272-480 Tel: (11) 2498-2879 / 2496-5466 Plantão: (11) 7144-2880 Email: ctpimentas@yahoo.br conseLho tuteLar da crIança e adoLescente . Arujá .Jd.com. 247 .II (região cumbica) Rua Jati.

1100 . 173 .088 .Cumbica Telefone: 2411-1317 santos duMont Rua Adalberto Bellini. 177 .com.Ponte Alta Telefone: 2438-1507 centenárIo Avenida José Miguel Ackel.br secretarIa de desenvoLvIMento e assIstêncIa socIaL cras .Cocaia Telefone: 2087-4275 ItapegIca Rua Ceres. s/ nº . Acácio Telefone: 2406-2113 centro Av.cMdca presidente: Sonidelane Cristina Mesquita de Lima periodicidade das reuniões: mensal (2ª terça-feira de cada mês) telefones: 2408-5123 / 2461-4937 Email: cmdcaguarulhos@ig. Brigadeiro Faria Lima. s/ nº .Jd.Jd.Centenário Telefone: 2425-4369 cuMbIca Avenida Monteiro Lobato. 375 .centros de referência da assistência social acácIo Rua Maria Luiza Pericó.conseLho MunIcIpaL dos dIreItos da crIança e do adoLescente . 5. Bananal Telefone: 2467-3315 56 Secretaria Municipal de Educação .Vila São Rafael Telefone: 2421-0656 ponte aLta Estrada Mato das Cobras.

Rio Real.Jd. 13 .Centro Fone: 2475-9688 hospital Municipal pimentas bonsucesso Rua São José do Paraíso. 185/191 . Presidente Dutra Telefone: 2433-2882 pIMentas Estrada Capão Bonito. São João Telefone: 2467-2535 presIdente dutra Av.Jd.Jd.são João Rua Marcial Lourenço Seródio. Imperial Fone: 2489-6610 Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 57 . 644 .Parque das Nações Telefone: 2484-2813 centros de referência especializados da assistência social (creas) Rua Prof. 100 . João de Barros. 218 .Jd. 11 meses e 29 dias) hospital Municipal da criança e do adolescente Rua José Maurício.Jd. 64 . 87 . Maria de Lourdes Telefone: 2484-0809. ramais: 204 / 205 nova cIdade Rua Itália. zaira Telefone: 2467-5707 / 2467-5772 secretarIa da saÚde unIdades de referêncIa do 1º atendIMento para os casos de abuso sexuaL crIanças e adoLescentes (Vítimas até 17 anos.

adoLescentes. Dona Luiza Fone: 2303-4150 policlínica Maria dirce Rua Ubatã. Paraíso Fone: 2088-4050 policlínica são João Rua Taipu.Jd.Jd. s/nº .Jd. 70 . Alvorada Fone: 2484-5659 policlínica bonsucesso Rua Catarina Mariana de Jesus. 14 .Jd. aduLtos e Idosos (Vítimas a partir de 14 anos) hospital Municipal de urgências Avenida Tiradentes.Bom Clima Fone: 2475-7422 hospital Municipal pimentas bonsucesso Rua São José do Paraíso. São João Fone: 2229-2240 58 Secretaria Municipal de Educação . 50 . Maria Dirce Fone: 2088-7400 policlínica paraíso Avenida Silvestre Pires de Freitas.Jd. 92 .Bonsucesso Fone: 2438-7658 policlínica dona Luiza Rua Centenário. 100 . 100 . Imperial Fone: 2489-6610 policlínica alvorada Avenida Santa Helena.Jd. 3392 .

66 – Centro Fone: 2475-9624 casa da MuLher cLara MarIa I .região centro Rua Francisco Antônio de Miranda.região tranquilidade Rua Brigadeiro Lima e Silva.região recreio são Jorge Rua Margarida. 48 / Fone: 2446-1576 casa da MuLher cLara MarIa vI . Margaridas e beth’s (centro de atendimento às Mulheres em situação de violência doméstica) Rua Francisco Antônio de Miranda.acoMpanhaMento aMbuLatorIaL eM quaLquer unIdade básIca de saÚde coordenadorIa da MuLher . 65 / Fone: 2468-3569 e 2472-6926 casa da MuLher cLara MarIa II . 17 / Fone: 2467-6445 casa da MuLher cLara MarIa Iv . 480 / Fone: 2086-2374 casa da MuLher cLara MarIa v .casa das rosas. 292 / Fone: 2480-1060 casa da MuLher cLara MarIa III .região angélica Rua Alberto de Melo Seabra.região haroldo veloso Rua Agostinho dos Santos.região ponte alta Rua Doutor Mário Luiz Macca. 781 / Fone: 2087-2788 Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 59 .

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dIvIsão técnIca de pubLIcaçÕes educacIonaIs José Augusto Lisboa. Divaneide Alves da Silva. Leila de Jesus Pastores Carbajo e Vera Canto Berzaghi pela representação da Supervisão Escolar nas discussões para elaboração desta publicação. Vanda Martins.expedIente Prefeito sebastião almeida Gestor do Departamento de Controle da Execução Orçamentária da Educação Josmar nunes de souza Vice-Prefeito carlos derman Gestor do Departamento de Alimentação e Suprimentos da Educação Marcelo colonato Secretária Municipal de Educação neide Marcondes garcia Gestor do Departamento de Manutenção de Próprios da Educação Luiz fernando sapun Secretário Adjunto de Educação prof. Marilene da Cruz Costa. revIsão Cristiane Machado Maria Aparecida Contin Tiago Rufino-Fernandes Agradecimentos ao Prof. Elide Viviane da Silva. José Fernando Bezerra Junior. e à Ellen Maria Oliveria Lopes. Dr. Luci Aparecida Cavalcante Soares Rocha e Maria Cecília Ramos da Silva Santos (elaboração). Maristela Barbosa Miranda. Floripes Fernandes Miranda Pinho. Eduardo Calabria Martins. Maria Arlete Bastos Pereira. Francisca Alves dos Santos. Nereide Vibiano e Silvana Lumiko Yamabuchi. Cláudia Simone Ferreira Lucena. Josefa de Jesus Moreira. Maria de Lourdes Dias da Silva. Maurício Burim Perejão. fernando ferro brandão Gestora do Departamento de Ensino Escolar sueli santos da costa Gestora do Departamento de Orientações Educacionais e Pedagógicas sandra soria Gestora do Departamento de Planejamento e Informática na Educação cintia aparecida casagrande Gestora do Departamento de Serviços Gerais da Educação Margarete elisabeth shwafati dIvIsão técnIca de poLítIcas para dIversIdade e IncLusão educacIonaL Marli dos Santos Siqueira e Sueli Mariana de Medeiros (organização/elaboração do material). . Claudia Elaine Silva. Camila Lima dos Santos e Márcia Pinto. Marcos Cezar de Freitas e à Isabel Aparecida dos Santos Mayer pela parceria e contribuição teórica.

Foto: Maurício Burim/SE Foto: Maurício Burim/SE .

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