Foto: Maurício Burim/SE .

em seu Projeto Político-Pedagógico. propiciando aos(às) educandos(as) o exercício de sua cidadania. o qual explicita e privilegia a leitura de mundo e a responsabilidade em transformá-lo. solidariedade e laços afetivos. vem ao longo dos anos construindo uma educação que valoriza a formação integral.Para resgatarmos a dignidade humana é necessário que cada um de nós sinta-se ofendido enquanto humanidade toda vez que a dignidade de uma pessoa é violada. A Secretaria Municipal de Educação. e contribuir no desenvolvimento de uma proposta pedagógica inclusiva que assegure mudanças nas relações desiguais de poder. Nessa perspectiva. apresenta o documento que será adotado pela Rede Municipal para o “Registro Escolar da Violência Doméstica e Sexual contra Criança e Adolescente”. de modo a favorecer a garantia dos direitos humanos e o combate a toda forma de violência. geradoras de desigualdades sociais. a partir da comunicação visual. Nesse sentido. com o objetivo de possibilitar aos(às) educadores(as) a sensibilização para o tema. de sua identidade. a presente publicação aborda questões relacionadas às várias formas de violência. . sociais e políticos. por meio do estabelecimento de um bom nível de relações de amizade. intelectual. afastando por completo a ideia de que esta possa ser uma violação singular. busca trazer as temáticas constitutivas dos sujeitos histórico-sociais para o espaço escolar. Tais temáticas estão presentes na Proposta Curricular Quadro de Saberes Necessários (QSN). considerando as várias dimensões humanas. Este Livro aborda a conceituação a respeito das violências. emocional e moral de crianças e adolescentes. a fim de assegurar e defender a integridade física. como também os Sinalizadores de Direitos Humanos (SDH). (Paulo Abraão) Às Educadoras e Educadores.

numa rede ampla e articulada de proteção e garantia de direitos. assim. portanto. para enfrentar problemas complexos” (MOYSÉS. Prof. 2004). para a implementação de políticas públicas e ações estratégicas para a prevenção de violências contra crianças.Compreendemos a complexidade da temática e sabemos que a construção deste trabalho não se faz sozinho. Esperamos que a presente publicação possa ampliar o conhecimento dos(as) educadores(as) em relação a essa temática. contribuindo. poderes e vontades diversas. sendo necessária a “articulação entre sujeitos e setores sociais diversos e. e que todos(as) possam atuar de forma a construir uma articulação junto à comunidade escolar e em parceria com outros atores. com saberes. adolescentes e jovens de nossa cidade.ª Neide Marcondes Garcia Secretária Municipal de Educação Maio de 2012 .

............................. 9 Marcos LegaIs ............ 22 ...................................Violência Sexual ........................................Violência Intrafamiliar ........................................................................................... 32 .................................................Violência Psicológica .................................................... 33 ....................................................................Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes ... 32 ...................................Formas da Violência Sexual .......................... 32 ................. 19 defInIção de vIoLêncIas ............................................................................................................... 21 ........................................................................................ 31 IndIcadores de vIoLêncIas ..Introdução .................................................... 34 ....................................Negligência/Abandono ......... 21 .................................................................................................. 25 forMando o oLhar do educador para IdentIfIcar a vIoLêncIa doMéstIca e o abuso sexuaL ............................................................................................Violência Física ................................. 17 vIoLêncIa e vuLnerabILIdade ..... 13 responsabILIdade da escoLa dIante da vIoLação dos dIreItos das crIanças e adoLescentes ................................................................

MItos e reaLIdades sobre o abuso sexuaL ...................................

35

por que a escoLa deve notIfIcar às autorIdades casos
de suspeIta ou ocorrêncIa de vIoLêncIas? .............................

37

notIfIcando suspeItas ou ocorrêncIas de vIoLêncIas ....

40

coMo acoLher a crIança e proteger sua IdentIdade? ........

41

o que fazer ........................................................................................................

43

regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL
contra crIanças e adoLescentes .....................................................

44

sInaLIzadores de dIreItos huManos .............................................

47

servIços de referêncIa no MunIcípIo de guaruLhos ............

55

referêncIas bIbLIográfIcas ..................................................................

60

As violências contra a criança e o adolescente representam um grave problema
social. Elas acompanham a trajetória da humanidade, manifestando-se de múltiplas formas, nos diferentes momentos históricos, sociais e culturais. O processo histórico permite visualizar como crianças e adolescentes foram, ao longo do
tempo, envolvidos em relações de agressões e maus-tratos por diversas instituições sociais (família, escola, igreja, etc.).
No Brasil, as gradativas transformações socioculturais, incluindo a caracterização desse grupo social como “sujeitos de direitos”, exigiram a mobilização de
diferentes segmentos da sociedade pública e civil, culminando com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a instituição do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), em 1990.
Para a materialização dos princípios da prioridade absoluta e da proteção integral dos direitos da criança e do adolescente, a Constituição Federal e o ECA criaram um Sistema de Garantia de Direitos que se apoia em três eixos: promoção de
direitos, defesa e controle e efetivação do direito.
• Promoção dos Direitos: operacionaliza-se pelo desenvolvimento da política dos direitos da criança e do adolescente, prevista no artigo 86 do ECA,
que integra o âmbito maior da política de promoção e proteção dos direitos
humanos. Fazem parte deste eixo todas as políticas públicas, especialmente
as políticas sociais que, por meio de programas, serviços e ações públicas,
devem garantir a todo o segmento a satisfação das necessidades básicas
como garantia de direitos humanos e, ao mesmo tempo, como um dever do

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes

9

Estado, da família e da sociedade (art. 14). Constam, portanto, deste eixo,
ações preventivas, interventivas, protetivas e socioeducativas, instituindo a
Assistência Social como política pública fundamental para a promoção de
direitos.
• Defesa: caracteriza-se pela garantia de acesso à justiça, ou seja, pelo recurso às instâncias públicas e mecanismos jurídicos de proteção legal dos
direitos humanos, gerais e especiais, da infância e da adolescência, para
assegurar sua exigibilidade em concreto (art. 6º). Situa-se aqui a atuação do
Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Segurança Pública, dos Conselhos Tutelares, entre outros.
• Controle e Efetivação do Direito: realiza-se pelas instâncias públicas colegiadas próprias, nas quais se assegure a paridade e participação de órgãos
governamentais e de entidades sociais (art. 21). Caracterizam tais instâncias os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, os diversos
Conselhos de formulação e controle das políticas públicas (Conselho de
Assistência Social, Educação, Saúde, entre outros) e os órgãos e os poderes
de controle interno e externo definidos nos artigos que vão do 70 ao 75 da
Constituição Federal (contábeis, financeiros e orçamentários). Além disso,
de forma geral, o controle social é exercido soberanamente pela sociedade
civil, por meio das suas organizações e articulações representativas.
Combater a teia de violência que, muitas vezes, começa dentro de casa e em locais
que deveriam abrigar, proteger e socializar as pessoas é uma tarefa que somente
poderá ser exercida pela mobilização social, por políticas públicas intersetoriais e
pela criação de rede de proteção integral.
Entende-se a escola como um espaço privilegiado para a construção da cidadania,
onde um convívio harmonioso deve ser capaz de garantir o respeito aos Direitos
Humanos e educar a todos, no sentido de evitar as manifestações de violências,
ampliando sua responsabilidade social.
Desde 2010, a Secretaria Municipal de Educação, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/Campus Guarulhos), vem desenvolvendo o
curso Escola que Protege (MEC/SECADI), cujo objetivo é compartilhar, com educadores, educadoras e outros profissionais, informações relativas às diferentes

10

Secretaria Municipal de Educação

Todos os participantes devem aderir a ela e atuar conscientemente como parte do conjunto. depende. negociado e não impositivo. para. envolvendo os representantes dos diversos equipamentos de garantia dos direitos. Centro de Referência de Assistência Social e Conselho Tutelar do bairro dos Pimentas. É uma organização horizontal. na região do bairro Água Chata/Pimentas. por fim. Salientamos. A Rede de Proteção Integral. Unidades Básicas de Saúde. tendo o ECA como referência. Com a garantia de que esse é um passo fundamental para uma real humanização. Secretaria Municipal de Educação Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 11 . Saúde e Desenvolvimento e Assistência Social de Guarulhos iniciaram discussões com o objetivo de construir uma ação intersetorial. como escolas. de um processo participativo. como objeto de diálogo entre educadores na Hora-Atividade das Escolas da Prefeitura. que o propósito maior desta publicação é contribuir com a discussão para uma educação cada vez mais inclusiva na escola. as Secretarias de Educação. para sua constituição. a Rede não é um projeto da Prefeitura ou das ONGs ou de qualquer outro ator isolado: é um organismo em que todos participam e em que todos decidem. Com o intuito de fortalecer esta Rede de Proteção. democrático. com isso. Sua constituição se dá como elaboração coletiva e adesão consciente a um projeto de ação comum. acreditamos que cabe a todos nós garantir as condições fundamentais para o desenvolvimento pleno dos educandos. Por sua própria definição. fazer frente a todas as formas de violência e violação de direitos de crianças e adolescentes.formas de violência a que estão submetidas nossas crianças e adolescentes. visando subsidiar ações práticas de enfrentamento às violências no contexto escolar e social. prevista no ECA.

Foto: Maurício Burim/SE .

humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis. crueldade e opressão. à cultura. aos seus direitos fundamentais. à liberdade. resgatamos os principais marcos das legislações que hoje protegem crianças e adolescentes: art. pode-se contextualizar uma trajetória que. violência. art. punido na forma da lei qualquer atentado. § 4º . crueldade e opressão.A lei punirá severamente o abuso. 56 Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conse- Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 13 . o direito à vida. Para apresentar um panorama geral desses movimentos. exploração. 15 A criança e o adolescente têm direito à liberdade. essa proteção está expressa no ECA. ainda tem limites que precisam ser superados pela via da mobilização de uma Rede de Proteção Integral e da efetivação de políticas públicas.Marcos LegaIs Resgatando as diferentes formas de ver a criança no decorrer da história. à dignidade. violência. à educação. ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis. discriminação. ao adolescente e ao jovem. 227 (constituição federal) É dever da família. à profissionalização. por ação ou omissão. os marcos legais e a atuação dos poderes públicos e da sociedade no sentido de protegê-la. art. 13 Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. com absoluta prioridade. à alimentação. (negrito nosso) art. à saúde. discriminação. nos artigos: art. da sociedade e do Estado assegurar à criança. ao respeito. ao lazer. sem prejuízo de outras providências legais. exploração. embora tenha acumulado conquistas significativas. Refletindo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança de 1989. à convivência familiar e comunitária. a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.

reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar. 14 Secretaria Municipal de Educação .525. pré-escola ou creche. de ação interdisciplinar e de participação comunitária. no Município de Guarulhos. que ocorrem sem motivação evidente. Entende-se por bullying atitudes de violência física ou psicológica. III . professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental.lho Tutelar os casos de: I . mediante adoção de castigos moderados ou imoderados. 1º Fica o Poder Executivo responsável por instituir a Campanha de Combate a Violência. praticadas por um indivíduo ou grupos de indivíduos. 32 da Lei nº 9. Parágrafo único.elevados níveis de repetência. em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. no lar. de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento. acrescenta § 5º ao art. art. Art. sob a alegação de quaisquer propósitos. (negrito nosso) Lei Municipal nº 6. de 22 de novembro de 2010. conhecida como bullying. intencionais e repetitivas. institui nas escolas a campanha de combate a violência. de 5 de outubro de 2009.763. aplicando-se o dobro em caso de reincidência. causando dor e angústia à vítima. de 20 de dezembro de 1996. contra uma ou mais pessoas. na escola. de 25 de setembro de 2007. (negrito nosso) Lei nº 11.394. nas escolas públicas municipais e privadas.568.maus-tratos envolvendo seus alunos. em instituição de atendimento público ou privado ou em locais públicos. II . conhecida como bullying. estabelece o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal. envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança e adolescente: Pena – multa de três a vinte salários de referência. esgotados os recursos escolares. com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la. 245 Deixar o médico. para incluir conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental. ainda que educacionais e/ou pedagógicos. Lei Municipal nº 6.

Foto: Vanda Martins/SE .

Foto: Maurício Burim/SE .

diminuindo. considerar as experiências cotidianas das crianças e adolescentes. Se a nossa opção é progressista. Interação Social e Natureza e Sociedade. dos quais destacamos alguns saberes: • Diferenciar os comportamentos saudáveis dos prejudiciais. da convivência com o diferente e não de sua negação. se estamos a favor da vida e não da morte. para si mesmo e para os outros (sexuais. a escola é um espaço de ampliação da experiência humana. sem ela tampouco a sociedade muda. a temática a respeito da garantia de direitos das crianças e adolescentes e a prevenção às diversas formas de violências estão inseridas nos eixos Autonomia e Identidade. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 17 . não temos outro caminho se não viver a nossa opção. dispondo-se a apreendê-lo e a modificá-lo. No QSN. Encarná-la. do direito e não do arbítrio. assim. (Paulo Freire) A escola. como espaço de vida. assim. Desse modo. a distância entre o que dizemos e o que fazemos. um instrumento de formação humana. Temos de assumir o compromisso de buscar caminhos para essa transformação. violência física. • Defender-se de vínculos nos quais se sinta manipulado e/ou explorado. para tanto. O educando que queremos formar será participante e consciente da importância da leitura do mundo e de sua responsabilidade em transformá-lo. abraços. • Reconhecer a importância de buscar esclarecimentos e informações sobre a sexualidade: na escola. na família ou com um profissional especializado. • Reconhecer a importância do consentimento mútuo para as trocas afetivas (toques. esclarecendo e prevenindo o abuso sexual. O currículo se torna. aperto de mão. devendo.responsabILIdade da escoLa dIante da vIoLação dos dIreItos das crIanças e adoLescentes A educação sozinha não transforma a sociedade. da equidade e não da injustiça. precisa abrir-se ao mundo. etc.). trazer novas informações e possibilitar o acesso aos conhecimentos acumulados historicamente. psíquica. uso de drogas. beijos) correspondentes aos diferentes Tempos da Vida.

as artes plásticas. as línguas como forma de expressão humana e como possibilidade de mediação da escola/educador(a). a escola deve desenvolver uma proposta pedagógica inclusiva e respeitosa da diversidade humana. entre outras). os(as) educadores(as) também podem promover reflexões junto à comunidade e outros parceiros sobre a importância do enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes. refletindo sobre seus direitos e deveres (ECA). • Conhecer a existência dos três poderes (Executivo. • Conhecer a situação das crianças que trabalham no Brasil e compreender o processo de construção das leis. A escola pode promover o acolhimento das crianças e adolescentes que estão sendo vítimas de algum tipo de violação de direitos. e criar um ambiente que leve as crianças e adolescentes a desenvolverem um bom nível de autoestima e de relações de amizade com seus companheiros. não aceitando qualquer forma de violência (verbal. a dança. 18 Secretaria Municipal de Educação .• Perceber a importância e a necessidade de relacionar-se eticamente com os outros. homofobia. • Conhecer e refletir sobre as desigualdades sociais presentes no Brasil. • Conhecer e compreender que os cidadãos brasileiros têm direitos e deveres. Nessa perspectiva. para que essa temática seja trabalhada. Legislativo e Judiciário) que regem o Estado Democrático de Direito Brasileiro. Além de propiciar ambiente adequado ao tratamento dessa questão nas escolas. física e psicológica) presenciada ou vivida (por exemplo: violência doméstica. exploração sexual. na medida em que conhece mais a respeito do assunto e inclui em suas práticas pedagógicas outras formas de intervenção que contemplem as várias linguagens: como o teatro. bullying.

Todo poder implica a existência de uma relação. faz do dominado um objeto para seus “ganhos”. utilizando-se de coação e agressões. violência. Conceituar é explicar a natureza do fenômeno em estudo. pela doença. que pode ser compreendida como a chance de exposição das pessoas ao adoecimento. sua dificuldade de resistir aos ataques e o fato de a eventual revelação do crime não representar grande perigo para quem o comete são algumas das condições que favorecem sua ocorrência. por ser desigual. a violência sexual contra crianças e adolescentes também tem sua origem nas relações desiguais de poder. as normas. analisando a forma como ele está sendo tratado. o processo civilizatório de um povo. sob o ponto de vista histórico e cultural. contribuindo para a manifestação de abusadores e exploradores. Outro conceito importante é o de vulnerabilidade. lucro) previamente definidas. também. O poder é violento quando se caracteriza como uma relação de força de alguém que a tem e que a exerce visando alcançar objetivos e obter vantagens (dominação. Atualmente. A vulnerabilidade própria da criança. estrutura-se num processo de dominação. como a resultante de um conjunto de aspectos não apenas individuais.vIoLêncIa e vuLnerabILIdade Um bom começo para compreendermos a questão da violência é conceituar o problema. por meio do qual o dominador. o imaginário. pela patologia. Assim. psicologizado pelo descontrole. não é entendida como ato isolado. Segundo Faleiros (1998). mas nem todo poder está associado à violência. O poder violento é arbitrário ao ser “autovalidado” por quem o detém e se julga no direito de criar suas próprias regras. mas como um desencadear de relações que envolvem a cultura. muitas vezes contrárias às normas legais. e um mesmo fenômeno pode ser explicado segundo diferentes teorias. aqui. classe social e faixa etária. e. no Brasil. A relação violenta nega os direitos do dominado e desestrutura sua identidade. que se traduzem na dominação de gênero. A relação violenta. mas também Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 19 . diferentes olhares. prazer sexual. o marco teórico adotado para conceituar as violências contra crianças e adolescentes tem por base a teoria do poder.

c) integração dos programas e ações desenvolvidos nos diferentes setores como saúde. Por isso. bem-estar social. b) ações efetivamente propostas e implantadas. a vulnerabilidade está associada a comportamentos que criam a oportunidade de se infectar e/ou adoecer e estar exposto a situações de risco. também. de otimizar seu uso e de fortalecer as instituições e a sociedade frente à violência. mas a mudança de comportamentos não é compreendida como decorrência imediata da vontade dos indivíduos. educação. de características individuais. Só é possível dizer que uma pessoa está (mais ou menos) vulnerável a um determinado problema. que estão relacionados com a maior suscetibilidade ao adoecimento e. das possibilidades efetivas de transformar suas práticas. o social e o programático ou institucional (AYRES et al. trabalho. Pode ser avaliada a partir de aspectos como: a) compromisso das autoridades com o enfrentamento do problema. No plano social.coletivos e contextuais. No plano pessoal. dependendo de uma combinação. ao mesmo tempo. Depende. políticos e culturais combinados: acesso a informações. 2003). contextos de vida e relações interpessoais que se estabelecem no dia a dia. a integração e o monitoramento dos programas de prevenção e atenção à saúde. em um determinado momento de sua vida. etc. Quanto maiores forem o compromisso. da sua capacidade de elaborar essas informações e incorporá-las ao seu repertório cotidiano e.. Conhecimentos e comportamentos têm significados e repercussões muito diversos na vida das pessoas. O grau de consciência que os indivíduos têm dos possíveis danos decorrentes de comportamentos associados à maior vulnerabilidade precisa ser considerado. maiores serão as chances de canalizar os recursos. do grau e da qualidade da informação sobre o problema de que os indivíduos dispõem. portanto. a vulnerabilidade está associada à existência de políticas e ações organizadas para enfrentar o problema da violência. No plano institucional. Sendo assim. não é possível dizer que uma pessoa ‘é vulnerável’. e d) sintonia entre programas implantados e as aspirações da sociedade. disponibilida- 20 Secretaria Municipal de Educação . grau de escolaridade. com a maior ou menor disponibilidade de recursos de proteção. as diferentes situações de vulnerabilidade dos sujeitos individuais e coletivos podem ser particularizadas pelo reconhecimento de três componentes interligados: o individual.. sempre singular. a vulnerabilidade está relacionada a aspectos sociais.

A vulnerabilidade social pode ser entendida. Tal situação. na qual se imbricam fatores biológicos e psicológicos. às vezes. defInIção de vIoLêncIas vIoLêncIa IntrafaMILIar A violência intrafamiliar é toda ação ou omissão que prejudique o bem-estar. especialmente em situações em que não haja a garantia dos direitos de cidadania. Quanto menor a possibilidade de interferir nas instâncias de tomada de decisão. Também podemos enfatizar a curiosidade de quem está descobrindo o mundo e. como um espelho das condições de bem-estar social. podem aumentar a vulnerabilidade desse segmento populacional aos mais diversificados agravos. poder de influenciar decisões políticas. Para avaliar o grau de vulnerabilidade social é necessário conhecer a situação de vida das coletividades. representadas pelo acesso à educação formal. a integridade física. a indústria do entretenimento. que envolvem moradia. acesso a bens de consumo e graus de liberdade de pensamento e expressão. a exposição da criança e mais particularmente do adolescente e do jovem aos riscos associados à violência física. maior a vulnerabilidade dos cidadãos. aos serviços de saúde.de de recursos materiais. culturais. Acresce-se. etc. adolescentes e jovens pensam e se comportam — o meio em que eles vivem. as instituições comunitárias e religiosas e o sistema legal e político constituem tais fatores. Fatores externos constituem uma poderosa influência sobre o modo como crianças. às atividades recreativas. ao desenvolvimento vocacional e às oportunidades de trabalho. psicológica ou a liberdade e o direito ao pleno desenvolvimen- Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 21 . Muito frequentemente. aos distúrbios sociais. estão as necessidades de grande importância para o desenvolvimento desse segmento. os veículos de comunicação de massa. sente o desejo de experimentar tudo o que se apresenta como novo. ainda. possibilidades de enfrentar barreiras culturais. socioeconômicos e políticos. a pobreza priva o adolescente e o jovem de tais acessos. portanto. às migrações e aos conflitos armados. De outro lado.

leva à coisificação da infância. violência psicológica. Pode ser cometida dentro ou fora de casa por algum membro da família. etc. de um lado. implica. segundo sua natureza: negligência. Tanto os maus-tratos quanto a violência doméstica contra crianças e adolescentes podem ser agrupados em seis tipos. embora atualmente essa definição esteja sujeita a críticas de vários estudiosos porque faz supor que a ‘maus-tratos’ se contrapõem os ‘bons-tratos’. vIoLêncIa doMéstIca contra crIanças e adoLescentes A violência doméstica se caracteriza como: todo ato ou omissão praticado por pais. abandono. Incluem-se aí empregados(as). Nessas relações (homem/mulher. a uma negação do direito que crianças e adolescentes têm de serem tratados como sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento (AzEVEDO. pais/filhos. De outro. A violência doméstica distingue-se da violência intrafamiliar por incluir outros membros do grupo. que convivam no espaço doméstico. 1998). parentes ou responsáveis contra crianças e ou adolescentes que.to de outro membro da família. uma transgressão do poder/dever de proteção do adulto. diferentes gerações. e em relação de poder referente à outra. nas quais estão presentes relações de subordinação-dominação. pessoas que convivem esporadicamente. sem função parental. mas também às relações em que se constrói e se efetua. 22 Secretaria Municipal de Educação . GUERRA. incluindo pessoas que passam a assumir função parental. isto é. A violência intrafamiliar expressa dinâmicas de poder/afeto. as pessoas estão em posições opostas. ainda que sem laços de consanguinidade. entre outras). Alguns profissionais preferem denominar esse fenômeno sob a terminologia de maus-tratos. O conceito de violência intrafamiliar não se refere apenas ao espaço físico onde a violência ocorre. sendo capaz de causar à vítima dor ou dano de natureza física. sexual e/ou psicológica. violência física. diferente em cada grupo familiar. violência sexual e abuso sexual. desempenhando papéis rígidos e criando uma dinâmica própria. agregados.

o abandono se caracteriza pela ausência do responsável pela criança ou adolescente na educação e nos cuidados. beliscões. 2000). Ela ocorre quando xingamos. sexual e social da criança (ABRAPIA. cuidados médicos. O abandono total é o afastamento do grupo familiar. censurar e pressionar a criança de modo permanente. mas também numa violação dos direitos humanos da criança e do adolescente. aterrorizamos. educação e/ou falta de apoio psicológico e emocional.negligência: é uma forma de violência caracterizada por ato de omissão do responsável pela criança ou adolescente em prover as necessidades básicas para seu desenvolvimento sadio. rejeitamos. lesar. isolamos. higiene. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 23 . responsáveis. exigimos demais das crianças e dos adolescentes. Segundo o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde (CLAVES). deixando ou não marcas evidentes no corpo e podendo provocar inclusive a morte. familiares ou pessoas próximas da criança ou adolescente. Quando cometida contra a criança. constitui crime ainda mais grave. Pode significar omissão. O abandono parcial é a ausência temporária dos pais. CRAMI. o que causa lesões. em termos de cuidados diários básicos como alimentação. violência sexual: consiste não só numa violação à liberdade sexual do outro. praticada por pais. essa modalidade de violência é uma das mais difíceis de serem identificadas e podem trazer graves danos ao desenvolvimento emocional. abandono: é uma forma de violência muito semelhante à negligência. violência psicológica: é um conjunto de atitudes. palavras e ações para envergonhar. vacinas. chutes e arremessos de objetos. 1997. roupas adequadas. desamparadas e expostas a várias formas de perigo. não acidental. É praticada sem o consentimento da pessoa vitimizada. ou mesmo quando os utilizamos para atender a necessidades dos adultos. Pode ser praticada por meio de tapas. provocar dor e sofrimento ou destruir a pessoa. expondo a criança a situações de risco. que pode ferir. Apesar de ser extremamente frequente. queimaduras e mutilações. A violência sexual é todo ato ou jogo sexual com intenção de estimular sexualmente a criança ou o adolescente. violência física: caracterizada como todo ato violento com uso da força física de forma intencional. físico. traumas. ficando as crianças sem habitação.

pela assimetria entre abusador e abusado. abuso sexual intrafamiliar Também chamado de abuso intrafamiliar incestuoso. exploração sexual. Nem toda relação incestuosa é abuso sexual. até o ato sexual com penetração. pornografia. quando existe um laço familiar (direto ou não) ou relação de responsabilidade (COHEN. Pode ocorrer em uma variedade de situações como estupro. O abusador “se aproveita do fato de a criança ter sua sexualidade despertada para consolidar a situação de acobertamento. O uso do poder.visando utilizá-los para obter satisfação sexual. especialmente na infância. é qualquer relação de caráter sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente ou entre um adolescente e uma criança. Mas a relação incestuosa com uma criança ou adolescente é considerada abuso sexual. O abusador quase sempre possui uma relação de parentesco com a vítima e tem certo poder sobre ela. abuso sexual: é descrito como toda situação em que uma criança ou adolescente é usado(a) para gratificação sexual de pessoas mais velhas. quando ela se realiza entre adultos da mesma idade e mesma família sem o emprego de força física ou coerção emocional e psicológica. imposição de intimidades. 2002). 24 Secretaria Municipal de Educação . pedofilia. por exemplo. 2002). exibicionismo e ‘voyeurismo’ (obtenção de prazer sexual por meio da observação). ama ou em quem confia. mamas e ânus. tios. mesmo quando ocorre sem uso de força física. o autor da agressão é uma pessoa que a criança conhece. manipulação de genitália. primos e irmãos). mãe. ABRAPIA. como do ponto de vista afetivo (avós. Na maioria dos casos. A criança se sente culpada por sentir prazer e isso é usado pelo abusador para conseguir o seu consentimento” (ABRAPIA. tanto do ponto de vista hierárquico e econômico (pai. Abrange relações homo ou heterossexuais. assédio sexual. É predominantemente doméstica. é o que mais caracteriza esta situação. incesto. em que os autores da violência estão em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou adolescente. padrasto). 1993.

Desse modo. alguém que a criança conhece e em quem confia: vizinhos ou amigos da família. abuso sexual em instituições de atendimento à criança e ao adolescente É uma modalidade de abuso similar aos tipos já mencionados. padres e pastores. Quando ocorre entre as próprias crianças e adolescentes. na maioria das vezes. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 25 . educacional. que submete a vítima aos caprichos de quem detém o poder. o autor da agressão pode ser uma pessoa totalmente desconhecida. Também aqui o abusador é. responsáveis por atividades de lazer. médicos. psicólogos e psicanalistas. a violência sexual aparece não como uma atividade de prazer. educadores. Eventualmente.abuso sexual extrafamiliar É um tipo de abuso sexual que ocorre fora do âmbito familiar. mas como uma atividade do poder instituído. que é chantageada e ameaçada pelo autor da agressão. No caso da prática sexual entre funcionários e internos. defender. os recém-chegados são forçados a se submeter sexualmente a grupos de adolescentes mais velhos e antigos na instituição que dominam o território e o poder local. forMas da vIoLêncIa sexuaL 1) abuso sexual sem contato físico São práticas sexuais que não envolvem contato físico: O assédio sexual caracteriza-se por propostas de relações sexuais. saúde e outros espaços de socialização. 2004). são reproduzidas as relações de poder e dominação existentes na sociedade (SANTOS. proteger. Pode ocorrer entre as próprias crianças e/ou adolescentes ou entre estas/estes e profissionais da instituição. Os exemplos são os casos de estupro em locais públicos. Baseia-se. cuidar de crianças e adolescentes e lhes aplicar medidas socioeducativas e que dispensem atendimento psicossocial. Ocorre dentro das instituições governamentais e não governamentais encarregadas de prover. na maioria das vezes. na posição de poder do agente sobre a vítima.

principalmente em relação aos crescentes casos de pedofilia. O uso do termo pedofilia para descrever criminosos que cometem atos sexuais com crianças é visto como errôneo. segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Podem gerar muita ansiedade na criança. especialmente do sexo masculino. comete atos criminosos. Cerca de mil novos sites de pedofilia são criados todos os meses no Brasil. Nem todos que distribuem a pornografia infantil na internet são abusadores. baseada em seus desejos sexuais. e 12% dos sites de pedofilia expõem crimes contra bebês de zero a três meses de idade. por si só. que vão desde a mera diversão até a manifestação da prática real do abuso sexual. O exibicionismo é o ato de mostrar os órgãos genitais ou se masturbar diante da criança ou do adolescente ou no campo de visão deles. as redes sociais e as salas de bate-papo são o principal passatempo das quase 9 milhões de crianças brasileiras que navegam pela rede. no sentido estrito. no adolescente e na família (ABRAPIA. A maioria deles é feita por adultos. especialmente quando tais indivíduos são vistos de um ponto de vista clínico. 52% tratam de crimes contra crianças de 9 a 13 anos. 2002). e que não sentem atração sexual primária por crianças. é definida como a preferência sexual por crianças pré-púberes ou no início da puberdade. Quanto à internet. Os agentes criminosos. exploradores sexuais ou pedófilos. como abusar sexualmente de crianças ou divulgar/produzir pornografia infantil. A maioria dos crimes envolvendo atos sexuais contra crianças são realizados por pessoas que não são clinicamente pedófilas (mas realizaram o ato por outras razões. Destes. Tal desejo sexual é duradouro. A pedofilia. Os telefonemas obscenos são também uma modalidade de abuso sexual verbal. distribuem a pornografia infantil pelos mais diversos motivos. contudo. A experiência. 2002). A pedofilia. com fotografias. mas sim um estado psicológico e um desvio sexual. Alguns comportamentos virtuais preocupam os pais.O abuso sexual verbal pode ser definido por conversas abertas sobre atividades sexuais destinadas a despertar o interesse da criança ou do adolescente ou a chocá-los (ABRAPIA. não é um crime. como para aproveitar-se da vulnerabilidade da vítima). A pessoa pedófila passa a cometer um crime quando. que variam de simples usuários de rede aos pedófilos. 26 Secretaria Municipal de Educação .

seria forçar a criança ou o adolescente a praticar tais atos ou forçá-los a permitir a prática de tais atos. 2) abuso sexual com contato físico São atos físico-genitais que incluem carícias nos órgãos genitais.pode ser assustadora para algumas crianças e adolescentes (ABRAPIA. sem seu consentimento ou com o emprego de violência. A defloração anal de homens e mulheres. adultos e crianças. que versa sobre Crimes contra a Dignidade Sexual. livros. principalmente. bem como a utilização de objetos com a finalidade de abuso sexual caracterizam tal prática. tentativas de relações sexuais. 2002). o voyeurismo pode ser uma prática sexual consentida. Nem sempre envolve ato sexual: o crime pode ser caracterizado por cenas de nudez de crianças e adolescentes que tenham conotação pornográfica. A Lei nº 12. uma vez que. 2002). o objetivo da exposição da criança ou do adolescente é a obtenção de lucro financeiro. entre crianças ou entre adultos com animais. O atentado violento ao pudor consiste em constranger alguém a praticar atos libidinosos. sexo oral forçado. sexo oral. e obter satisfação com essa prática. Nas relações sexuais entre adultos. Aqui. masturbação. penetração vaginal e anal. independentemente do sexo da vítima. Essa forma de abuso também pode ser enquadrada como exploração sexual comercial. constrangimento ou grave ameaça. O estupro é ter com uma pessoa relação sexual de qualquer natureza ou utilizar objeto com este fim. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 27 . qualquer tipo de relacionamento sexual (conjunção carnal ou outro ato libidinoso) com crianças e adolescentes com idade inferior a 14 anos. utilizando violência ou grave ameaça. filmes e. É crime também a prática de tais atos diante de menores de 14 anos ou a indução a presenciá-los. sexo anal e oral.015/2009. na maioria dos casos. quando elas não desejam ser vistas. na internet. que podem ser masturbações e/ou toque em partes íntimas. A experiência pode perturbar e assustar a criança e o adolescente (ABRAPIA. considera como crime de estupro de vulnerável. em revistas. A pornografia é a exposição de pessoas com suas partes sexuais visíveis ou práticas sexuais entre adultos. O voyeurismo é o ato de observar fixamente atos ou órgãos sexuais de outras pessoas.

A exploração sexual comercial de crianças constitui uma forma de coerção e violência contra crianças. recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação. que se inter-relacionam e precisam ser entendidas em suas especificidades: o abuso sexual. Em qualquer das hipóteses. ao engano. ou que produz fadiga anormal. por outro lado. além de outras. levando-se em conta seu condicionamento físico. transporte. A criança é tratada como objeto sexual e mercadoria. ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. 28 Secretaria Municipal de Educação . por um lado. sua idade e sexo.Há duas facetas da violência sexual. que já descrevemos neste material e a exploração sexual. É um tipo de trabalho excessivo. recrutamento. trabalho infantil: qualquer trabalho realizado por uma criança com idade menor do que 15 anos. realizado em Estocolmo no ano de 1996. Tráfico de pessoas: para fins de exploração sexual de crianças e adolescentes. exploração sexual: compreende o abuso sexual praticado por adultos e a remuneração em espécie ao menino ou menina e a uma terceira pessoa ou várias. capacidade mental. sua força muscular. é trabalho impróprio para as condições orgânicas da vítima. transferência. segundo a idade ou sexo. alojamento ou acolhimento de pessoas. o referencial para a análise é a própria vítima. intercâmbio. aprovada no I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes. pela organização de excursões turísticas com fins não declarados de proporcionar prazer sexual para turistas estrangeiros ou de outras regiões do país e. caracterizado como aquele que supera as forças físicas ou mentais da vítima. é uma das modalidades mais perversas de exploração sexual. A prática envolve atividades de cooptação e/ou aliciamento. que pode implicar trabalho forçado e forma contemporânea de escravidão. ao rapto. conforme consta na Declaração de Estocolmo (1998). pelo agenciamento de crianças e adolescentes para oferta de serviços sexuais. caracteriza-se. à fraude. turismo sexual: orientado para exploração sexual.

Foto: Maurício Burim/SE .

Foto: Maurício Burim/SE .

Em caso de indecisão. Contudo. mas por um conjunto de indicadores apresentados pela criança e listados abaixo. Reunimos os principais sinais da ocorrência de abuso para ajudar o educador a enxergar essa situação e agir sobre ela. ele(a) deve conferir.forMando o oLhar do educador para IdentIfIcar a vIoLêncIa doMéstIca e o abuso sexuaL As crianças e adolescentes avisam de diversas maneiras. O(a) educador(a) também pode discutir suas opiniões e ações com profissionais de outras áreas como médicos. Lembre-se sempre. mesmo que seja apenas suspeita. as situações de maus-tratos e abuso sexual. de proteger a identidade da criança. Se o(a) educador(a) desconfia que uma criança está sofrendo violência sexual. peça a opinião de seus colegas de trabalho. quase sempre não verbais. psicólogos. conselheiros tutelares que compõem a rede intersetorial. porém. assistentes sociais. É importante ressaltar que a presença isolada de um dos indicadores não é significativa para a interpretação da presença de violências contra crianças e adolescentes. é importante lembrar que as evidências de ocorrência de violência sexual são compostas não só por um. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 31 . advogados. Bom conhecimento das principais características das diferentes fases do desenvolvimento infantil ajuda a esclarecer se o comportamento da criança/adolescente é indicativo de violências.

as sequelas e apatia. contato com adultos.sem limitações cognitivas dicadores físicos.: Por se tratar de vioser indicador de outros lência que fere o psiquismo problemas emocionais que e não a integridade física não a violência). infantis (também pode Obs. dificuldades e são preponderantemente problemas escolares.Como descreve a criança? . hematomas do lar.Como são as expectativas em relação à criança? . está sempre alerta. fugas lesões antigas. diz ter contusões em partes do sofrido violência física. alega causas pouco alegada.Como explica as lesões sofridas pela criança? .Quais as expectativas que têm em relação à criança? .Como é a forma de impor limites? . de si próprio. corpo que geralmente não comportamento agressivo são sofridas com quedas com colegas.a comportamentos ções físicas em geral. de psicossomatização. submissão da criança. dor das punições. disfun. estes são e intelectuais. baixa autoestima. Indicadores a respeito das famílias . tendência resultantes de um quadro suicida. 32 Secretaria Municipal de Educação Indicadores a respeito das famílias . regressão afecções cutâneas. mas emocionais. desconfia de habituais. Quando há in. e queimaduras em diferen. baixo conceito da fala. ocultamento de viáveis às lesões.Como se referem à criança? .considerando-se merecetes estágios de cicatrização. carência causa orgânica: distúrbios afetiva. distúrbios do sono.IndIcadores de vIoLêncIas vIoLêncIa físIca Indicadores físicos da Criança/Adolescente Indicadores Comportamentais da Criança/Adolescente Medo dos pais e/ou responPresença de lesões físicas que não se ajustem à causa sáveis. esperando que algo ruim aconteça.Como é a relação com o professor? vIoLêncIa psIcoLógIca Indicadores físicos da Criança/Adolescente Indicadores Comportamentais da Criança/Adolescente Problemas de saúde sem Isolamento social.Como é a demonstração de afeto entre os membros da família? .

Como lidam com as questões de saúde da criança? . (é comum a criança ser considerada saúde (vacinas atrasadas.Participam de atividades. reuniões ou outras formas de interação? . pouca carência afetiva. isolamento social. criança sofre responsabilidades de frequentemente acidentes (pela falta de cuidados por adulto).Quais os cuidados que demonstram em relação às questões de higiene e aparência pessoal? Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 33 .Como se dá a relação da família com a escola? . etc. falta de atividade motora (falta de concentração e atenção provocadas pela fadiga e estimulação). como higiene. alimentação. parte de um adulto). vestimenta a idade: é responsável inadequada ao clima. madura e “precoce”. necessidades não atendidas. mas o por exemplo). pelos serviços domésticos. menores. necessidades não atendidas. cuidados com irmãos educação (evasão escolar). Indicadores a respeito das famílias .negLIgêncIa / abandono Indicadores físicos da Criança/Adolescente Indicadores Comportamentais da Criança/Adolescente Criança desenvolve Padrão de crescimento atividades impróprias para deficiente. fadiga fato é que está assumindo constante.

como oscilações no humor entre retraída e extrovertida. não confia to de causar. medo ou mesmo pânico de certa pessoa ou sentimento generalizado de desagrado quando a criança é deixada sozinha em algum lugar com alguém. apresentansentar. fezes e urina.ou tentativas de suicídio. ideias nárias. te transmissíveis. inapromanchadas de sangue. sentimento de culpa. animais e brinquedos. desenhar órgãos genitais com detalhes e características além de sua capacidade etária. genital ou anal a ponfugas de casa. 34 Secretaria Municipal de Educação Indicadores a respeito das famílias . desenvolvimento de brincadeiras sexuais persistentes com amigos. depresmetimento no controle das são.vergonha excessiva.vIoLêncIa sexuaL Indicadores físicos da Criança/Adolescente Indicadores Comportamentais da Criança/Adolescente Apresenta comportamento Dor ou inchaço na área sexual inadequado à idade. infecções uri. roupas íntimas rasgadas ou ou mesmo certo grau de provocação erótica. secreções na vagina do sentimento de medo.Como é o contato da família com a escola e com outros espaços de socialização? . masturbar-se compulsivamente. dificuldade de caminhar e em adultos.autoflagelação. inclusive. doenças sexualmen.Esclarecem as dúvidas das crianças? . dificuldades baixa autoestima. súbitas e inexplicadas no comportamento. expressão de afeto sensualizado e doenças emocionais.Quais são as características dos familiares? . priado para uma criança. ou no pênis. compro. mudanças extremas. regressão a comportamentos infantis.Como lidam com as questões de sexualidade? .

Só quan.O surgimento de objetos pessoais. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 35 . brinquedos. O maior índice das ocorrências tem sido no período diurno. pode indicar ação de algum abusador na região. qualquer que seja a forma por ele deve ter gostado. como pai ou mãe. te vulnerável.assumida. que. Realidades “Estranhos” são responsáveis por pequeno percentual dos casos registrados. O autor do abuso sexual é Os crimes sexuais são praticados em todos os níveis psicopata. com frequência. normalmente. A maioria dos agressores é mais velho e alcoólatra. ças maiores que objetivam alguma vantagem. em geral. O pedófilo tem caracteDo ponto de vista da aparência física. heterossexual e mantém relações sexuais com adultos. crianças e adolescentes são sexualmente abusados por pessoas que já conhecem. O abuso sexual. MItos e reaLIdades sobre o abuso sexuaL Mitos O estranho representa perigo maior para crianças e adolescentes. o pedófilo pode ser rísticas próprias que o qualquer pessoa. homem crianças e pelos adolescentes. Na maioria das vereconhecem na rua. As autosexual em razão das eviridades devem estar treinadas para as diversas técnicas de dências físicas encontradas identificação de abuso sexual. É fácil identificar o abuso Em apenas 30% dos casos há evidências físicas. nessas situações. entre 85% a 90% dos casos. ocorre longe da criança ou do abusador. identificam. Se uma criança ou adoles.O autor da agressão sexual tem inteira responsabilidade cente “consente” é porque pela violência sexual. parentes. do ela disser “não” é que fica caracterizado o abuso. Se isso ocorre com várias crianças da mesma sala ou série/ano. homossexual ou retardado mental. dentro ou perto da casa dos casos. nas crianças e adolescentes. A criança mente e inventa Raramente a criança mente. dezes. religiosos e étnicos. procura da casa da criança ou do locais em que a criança/adolescente estará completamenadolescente. amigos da família. tarado que todos socioeconômicos. na maioria O abuso ocorre. vizinhos. colegas de escola. de criante. professor(a) ou médico(a). Apenas 6% dos casos são que é abusada sexualmen. dinheiro e outros bens que estão além das possibilidades financeiras da criança/adolescente e da família. Na maioria das vezes. babá. pode ser indicador de favorecimento e/ou aliciamento. trata-se. são pessoas aparentemente normais e queridas pelas pravado sexual.fictícios e.

mas logo pode passar para a conquista física. de ser expulso. o contato do pedófilo inicia-se de forma virtual na internet. mas sim o uso de ameaças e/ou a conquista da confiança e do afeto da criança. muitas vezes. Níveis de renda familiar e de educação não são indicadores de abuso. prejudicados pelas consequências psicológicas do abuso sexual. Famílias das classes média e alta podem ter melhores condições para encobrir o abuso e manter o “muro do silêncio”. no Brasil. seja por motivos afetivos ou por medo do abusador. uma vez que não há contato e. muitas vezes. podem ajudar uma criança. A violência física contra crianças e adolescentes abusados sexualmente não é a ação mais comum. Vítimas e autores do abuso são. Estima-se que poucos casos são denunciados. Sabe-se que. poucas são as probabilidades de que a vítima faça a denúncia. Crianças e adolescentes só revelam o “segredo” quando confiam e sentem-se apoiadas. como o “voyeurismo”. a manipulação de órgãos sexuais. adultos e até animais não causa malefícios. As vítimas do abuso sexual são oriundas de famílias de baixo nível socioeconômico. levando inclusive ao assassinato de crianças. de que outros membros da família não acreditem em sua história. O malefício é enorme para as crianças fotografadas ou filmadas. outros atos são considerados abuso sexual. frequentemente. Crianças e adolescentes são. O uso dessas imagens e textos estimula a aceitação do sexo de adultos com crianças. Pais e professores desinformados não abuso sexual de crianças. Além do ato sexual com penetração vaginal (estupro) ou anal. em geral. Crianças e adolescentes só revelam o “segredo” se tiverem sido ameaçadas com violência. 36 Secretaria Municipal de Educação . sobre sua frequência e sobre como lidar com ele. O abuso sexual limita-se ao estupro. medo de perder os pais. desconhece a realidade do abuso sores está informada sobre sexual de crianças. ou de ser o causador da discórdia familiar.A maioria. tudo ocorre virtualmente na tela do computador. A divulgação de textos sobre pedofilia e fotos de crianças e adolescentes em posições sedutoras ou praticando sexo com outras crianças. a pornografia e o exibicionismo. A maioria dos casos é denunciada. situação criminosa e inaceitável. A maioria de pais e profes. Quando há envolvimento de familiares. do mesmo grupo étnico e socioeconômico.O abuso sexual está associado a lesões corporais.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 37 . quando adultos. sem prejuízo de outras providências legais”. pré-escola ou creche. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental. Sua prevenção deve ser prioridade até por questões econômicas: estudo realizado nos EUA. a violência recebida.O abuso sexual é uma situação rara que não merece prioridade por parte dos governos. Não denunciar pode acarretar até o suicídio da vítima. revelou que os gastos com atendimento a dois milhões de crianças que sofreram abuso sexual chegaram a US$ 12. É impossível prevenir o abuso sexual de crianças. Há maneiras práticas e objetivas de proteger as crianças do abuso sexual. de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento. Assim. No artigo 245. por que a escoLa deve notIfIcar às autorIdades casos de suspeIta ou ocorrêncIa de vIoLêncIas? O ato de notificar às autoridades sobre casos de violência pode contribuir para interromper o ciclo de violências contra a criança e o adolescente.4 milhões por ano. médico e psicológico. o quanto antes receberem apoio educacional. Resumindo. prescreve: “Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. O ECA. em seu artigo 13. mais chances terão de superar a experiência negativa da infância e ter uma vida adulta mais prazerosa e saudável. deve-se denunciar para que: • o abusador não volte a violentar a criança ou o adolescente. • outras crianças e adolescentes não sejam sexualmente abusados. Estudos demonstram que crianças sexualmente abusadas acabam tendo uma visão muito diferente do mundo e dos relacionamentos. problemas com a sexualidade e dificuldades em construir relações afetivas duradouras. • e para que crianças e adolescentes sexualmente abusados não repitam. se “deixar o médico. o ECA estabelece multa de 3 a 20 salários de referência (aplicando-se o dobro em caso de reincidência). baixa estima. por exemplo. Sofrem muito de culpa. O abuso sexual é extremamente frequente em todo o mundo. envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente”.

resistem relembrar esses momentos difíceis. Convém lembrar que omissão também é crime. podendo também ajudar outras crianças a não “passarem pelo que elas passaram”. mesmo sabendo ser obrigação legal. mas não sabem como abordar a criança. esse drama pelo resto da vida. muitas vezes. Alguns suspeitam da ocorrência. inconscientemente. como fazer a denúncia ou mesmo a quem recorrer. não notificam às autoridades as suspeitas ou ocorrências de violência sexual e outras formas de violência? Resistência psicológica e emocional Muitos(as) educadores(as) também vivenciaram situações de violência e abuso e.Por que muitos(as) educadores(as). acabam por se omitir. carregando. Falta de percepção das situações de abuso e informação sobre como proceder A atenção de muitos(as) educadores(as) não está orientada para a identificação das evidências de ocorrência do abuso. sabendo que essas ações demandam tempo tanto para proteção da criança quanto para a responsabilização do agressor. ajudando-as a ter uma vida adulta sexual e afetivamente saudável. enfatizando que uma atitude de denúncia pode contribuir para o próprio processo de elaboração da violência sofrida. emocional e psicológica. Algumas crianças jamais revelam as violências sofridas. É preciso lembrar a essas pessoas o custo desse silêncio para a sua vida social. 38 Secretaria Municipal de Educação . Falta de tempo Muitos(as) educadores(as). A essas pessoas queremos lembrar que dedicar seu tempo à criação de uma cultura de respeito aos direitos da criança e do adolescente poderá evitar que novas gerações sejam violentadas.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 39 . A esses(as) educadores(as) é importante frisar que: • Os serviços de disque-denúncia têm registrado número cada vez maior de denúncias em todo o Brasil. indicador de que as campanhas estão surtindo o efeito desejado. quando foram apresentados 3. • Inúmeras denúncias recebidas vêm sendo transformadas em inquéritos. foram contabilizados cerca de 4.Medo de se envolver em complicações Muitos(as) educadores(as) e autoridades escolares têm medo de complicações com as famílias da criança ou do agressor. O volume deste ano é cerca de 35% maior na comparação com o mesmo período do ano passado. quando anteriormente os casos de exploração sexual nem chegavam à investigação.200 registros de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Pode também pedir proteção à polícia em casos de ameaça. Falta de credibilidade na Polícia e na Justiça Muitos(as) educadores(as) não acreditam que a notificação possa garantir a proteção da criança ou que a Justiça irá responsabilizar os agressores. Gostaríamos de lembrar que a escola pode fazer a denúncia de forma anônima. apesar de não ser essa a melhor solução. • O número de agressores penalmente responsabilizados pelos seus atos vem aumentando significativamente. De janeiro a março de 2011.125 registros.

quando esse atendimento é sem privacidade. Revitimização é a repetição de atos de violência pelo agressor ou a repetição da lembrança de atos de violência sofridos. por considerar que está chamando a atenção. 40 Secretaria Municipal de Educação . opressão ou negligência.notIfIcando suspeItas ou ocorrêncIas de vIoLêncIas Que fazer quando há suspeitas de qualquer forma de violência ou dúvidas sobre o diagnóstico? A notificação deve ser realizada como um instrumento importante de proteção e não de denúncia e punição. expor a dor e o sofrimento diante de terceiros. do adolescente e da família viver em um ambiente que promova o bem-estar físico. Isso pode acarretar prejuízos também para a justiça. Essa falta de sigilo pode estigmatizar a criança ou adolescente como “abusada”. a notificação deve ser feita ao Conselho Tutelar. livre de qualquer forma de violência. descritas neste documento. por cansaço. para que não haja a revitimização. Como previsto em lei. é uma forma comum de violência. Baseados nas evidências de violências e abuso. pode aumentar os acontecimentos. É um direito da criança. agravando o trauma. Outra forma de revitimização é a peregrinação pelos serviços para receber atendimento ou. social e emocional. pois a vítima. é importante fundamentar as suspeitas com o registro de observações a respeito de aspectos sociais e psicológicos. pode omitir fatos ou. o(a) educador(a) e/ ou a direção da escola podem oferecer denúncia de suspeita de violências e/ou abuso às autoridades responsáveis e deixar que elas se encarreguem de abordar a criança e proceder às apurações. quando o relato do trauma necessita ser repetido para vários profissionais. mesmo nos casos de suspeita. No entanto.

devido sua proximidade com a criança. ou outro serviço. sem preconceitos e juízos de valor. a partir da sensibilização e formação para isso. • Avalia a gravidade da situação. auditiva. A postura do(a) educador(a) pode contribuir para o acolhimento da criança e do adolescente. apenas as informações necessárias para garantir o atendimento adequado. • Acolhe as crianças e os adolescentes vítimas de violências de forma humanizada. Esse cuidado é ainda mais importante quando estamos falando de violência sexual. deficiências motora. considerando o estado em que se encontra Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 41 . as crianças e adolescentes que estão sofrendo alguma forma de violência ou negligência. etc. O(a) educador(a). rodeado de tabu e de silêncio. cognitiva. Algumas expressões ou jargões podem inclusive levar à “revitimização” e causar um efeito inverso ao que nos propomos. Esse acolhimento é peça fundamental para derrubar o “muro do silêncio”. • Mantém sigilo sobre as informações prestadas pela vítima ou pelo seu responsável. e não estigmatizar. Alguns cuidados com a comunicação são fundamentais para proteger. na medida em que: • Reconhece os sinais de violência. estabelecendo um ambiente de confiança e respeito. • Garante a necessária privacidade durante a apuração dos fatos. visual. problemas orgânicos.coMo acoLher a crIança e proteger sua IdentIdade? A proteção e a promoção dos direitos da infância e da adolescência também devem ser contempladas na forma como falamos sobre o assunto. deverá aproveitar uma oportunidade de maior intimidade em que possa acolhê-la. um tema delicado. a possibilidade de risco de vida ou de repetição da violência sofrida. sem expô-la frente a outras pessoas. • Diferencia comportamentos e sinais resultantes de situações de violência de outras causas como indisciplina. repassando a outro profissional.

Mesmo assim. • Participa ativamente dos encontros da Rede de Proteção local. violência doméstica/familiar. consequências e formas de enfrentamento da violência doméstica. para as medidas de prevenção das DST/AIDS e da gravidez. nas atividades educativas realizadas pela unidade. • Inclui a discussão sobre causas. • Incentiva a formação de grupos de discussão sobre a educação de filhos e debates sobre temas como: liberdade. sexualidade. 42 Secretaria Municipal de Educação .a vítima. direitos da mulher e do idoso. • Garante que os casos de violência contra crianças e adolescentes sejam imediatamente comunicados ao Conselho Tutelar. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudá-las. limites. o tipo de violência sofrida e o tipo do agressor. ao serviço de saúde responsável pelo acolhimento a este tipo de violência. use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas. uso e abuso de drogas. discutindo os casos notificados por qualquer um dos membros da rede e definindo procedimentos de intervenção e acompanhamento. fases do desenvolvimento de crianças e adolescentes. proteger a identidade da criança e do adolescente vítima de violência e/ ou sexualmente abusados deve ser um compromisso ético-profissional. elaborando propostas de enfrentamento conjunto dos problemas vivenciados. entre outros. • Garante encaminhamento imediato até 72 horas após o ocorrido — dos casos de estupro e atentado violento ao pudor. as condições da família.

a Unidade Básica de Saúde ou o Conselho Tutelar podem fazer o Boletim de Ocorrência.: em caso de danos físicos à criança/adolescente. caso sinta-se à vontade para isso. Divisão Técnica de Políticas para a Diversidade e Inclusão Educacional. a família. uma para o Conselho Tutelar de sua região e outra para a Secretaria Municipal de Educação. quando necessário. • Preencher o regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL contra crIanças e adoLescentes. pois só assim será possível o exame de corpo delito. em duas vias. ou com base no acolhimento e conversa a respeito do assunto. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 43 . • Encaminhar o regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL contra crIanças e adoLescentes em ENVELOPE LACRADO/CONFIDENCIAL.o que fazer • Apurar os fatos com base em observações da criança/adolescente em diversas situações do cotidiano escolar. Obs. o responsável. a escola. DOEP.

regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL contra crIanças e adoLescentes 44 Secretaria Municipal de Educação .

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 45 .

.

que podem. considerando a realidade de sala de aula. Que todos os leitores dos sdh possam perceber o papel relevante que possuem em relação à prevenção das violências praticadas contra crianças e adolescentes! Marcos Cezar de Freitas Universidade Federal de São Paulo Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 47 . mas. Nesse sentido. Os sdh têm por objetivo introduzir. Os sdh estão expostos para que possam ser lidos e divulgados. para além de sensibilizar pessoas. no cotidiano das instituições e dos locais públicos. pintados ou transformados em tema de debate ou produção de texto.sInaLIzadores de dIreItos huManos – sdh O tema Direitos Humanos é fundamental para assegurar e defender a integridade física. os sdh são planejados tematicamente de modo a fazer com que cada conjunto de sinalizadores aborde temas específicos. no seu Campus Guarulhos. os direitos humanos se configuram como língua pátria de todos os que se mobilizam para combater e prevenir a incidência de violências contra crianças e adolescentes. Por sua universalidade e abrangência. Sistematicamente. oferecer subsídios para que professores trabalhem com a questão em sala de aula. também podem ser dramatizados. A Universidade Federal de São Paulo mantém. intelectual. novos temas são acrescentados de modo a oferecer para cada escola ou instituição pública condições de construir repertórios de direitos humanos. os sinalizadores de direitos humanos (sdh) são desenvolvidos no NUPESCI da Unifesp e são organizados com critérios de exposição que têm finalidade pedagógica. Além disso. emocional e moral de crianças e adolescentes no mundo todo. o Núcleo de Pesquisa e Estudo sobre Criança e Infância (NUPESCI). que desenvolveu um trabalho interdisciplinar voltado para a sinalização de direitos humanos. Estamos num tempo em que a comunicação visual tem lugar preponderante na circulação de ideias e mensagens. uma série de alertas educativos para que as pessoas possam perceber pequenas situações do dia a dia permeáveis à violação dos direitos humanos.

48 Secretaria Municipal de Educação .

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 49 .

50 Secretaria Municipal de Educação .

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 51 .

52 Secretaria Municipal de Educação .

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 53 .

.

Juscelino Kubitschek de Oliveira.com Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 55 .Jd.com conseLho tuteLar da crIança e adoLescente .servIços de referêncIa no MunIcípIo de guaruLhos conseLho tuteLar da crIança e adoLescente .br conseLho tuteLar da crIança e adoLescente .Jd. 5 .II (região cumbica) Rua Jati. 192 .III (região são João / bonsucesso) Rua Nova York. 4. Bela Vista CEP: 07133-290 Tel: (11) 2408-2824 / 2443-4057 Plantão: (11) 7179-9352 Email: cttaboao@hotmail.555 .Pimentas CEP: 07272-480 Tel: (11) 2498-2879 / 2496-5466 Plantão: (11) 7144-2880 Email: ctpimentas@yahoo.br conseLho tuteLar da crIança e adoLescente .Iv (região pimentas) Av. 28 .com.Jd. Presidente Dutra CEP: 07171-010 Tel: (11) 2431-9081 / 2431-8485 Plantão: (11) 7116-4248 Email: ctsaojoaoguarulhos@ig. 247 .com.Centro CEP: 07110-140 Tel: (11) 2441-2437 / 2441-2438 Plantão: (11) 7351-0789 Email: ctcentroguarulhos@hotmail.Cumbica CEP: 07180-140 Tel: (11) 2412-9062 / 2446-3760 Plantão: (11) 6740-5951 Email: conselhocumbica@yahoo.com.v (região taboão) Rua Ipauçu.I (região centro) Rua Presidente Prudente.br conseLho tuteLar da crIança e adoLescente . Arujá .

177 .Centenário Telefone: 2425-4369 cuMbIca Avenida Monteiro Lobato. Brigadeiro Faria Lima. s/ nº . Acácio Telefone: 2406-2113 centro Av. Bananal Telefone: 2467-3315 56 Secretaria Municipal de Educação .conseLho MunIcIpaL dos dIreItos da crIança e do adoLescente .Vila São Rafael Telefone: 2421-0656 ponte aLta Estrada Mato das Cobras.br secretarIa de desenvoLvIMento e assIstêncIa socIaL cras .com. 375 . s/ nº .Cumbica Telefone: 2411-1317 santos duMont Rua Adalberto Bellini.Cocaia Telefone: 2087-4275 ItapegIca Rua Ceres.Jd.Ponte Alta Telefone: 2438-1507 centenárIo Avenida José Miguel Ackel. 173 . 5.centros de referência da assistência social acácIo Rua Maria Luiza Pericó.cMdca presidente: Sonidelane Cristina Mesquita de Lima periodicidade das reuniões: mensal (2ª terça-feira de cada mês) telefones: 2408-5123 / 2461-4937 Email: cmdcaguarulhos@ig.Jd. 1100 .088 .

Imperial Fone: 2489-6610 Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 57 . 87 .Parque das Nações Telefone: 2484-2813 centros de referência especializados da assistência social (creas) Rua Prof. 64 .Jd. ramais: 204 / 205 nova cIdade Rua Itália.Centro Fone: 2475-9688 hospital Municipal pimentas bonsucesso Rua São José do Paraíso.Jd. 644 . Presidente Dutra Telefone: 2433-2882 pIMentas Estrada Capão Bonito. 13 . 185/191 . João de Barros. Rio Real. São João Telefone: 2467-2535 presIdente dutra Av. 100 .são João Rua Marcial Lourenço Seródio.Jd. Maria de Lourdes Telefone: 2484-0809. zaira Telefone: 2467-5707 / 2467-5772 secretarIa da saÚde unIdades de referêncIa do 1º atendIMento para os casos de abuso sexuaL crIanças e adoLescentes (Vítimas até 17 anos.Jd. 218 . 11 meses e 29 dias) hospital Municipal da criança e do adolescente Rua José Maurício.Jd.

São João Fone: 2229-2240 58 Secretaria Municipal de Educação . 50 . 100 . 100 . Paraíso Fone: 2088-4050 policlínica são João Rua Taipu.Jd. s/nº . 3392 . Maria Dirce Fone: 2088-7400 policlínica paraíso Avenida Silvestre Pires de Freitas.Bom Clima Fone: 2475-7422 hospital Municipal pimentas bonsucesso Rua São José do Paraíso. Imperial Fone: 2489-6610 policlínica alvorada Avenida Santa Helena. aduLtos e Idosos (Vítimas a partir de 14 anos) hospital Municipal de urgências Avenida Tiradentes.Jd.Jd. 70 .Jd. 14 . 92 .Jd. Alvorada Fone: 2484-5659 policlínica bonsucesso Rua Catarina Mariana de Jesus.adoLescentes.Bonsucesso Fone: 2438-7658 policlínica dona Luiza Rua Centenário. Dona Luiza Fone: 2303-4150 policlínica Maria dirce Rua Ubatã.Jd.

região angélica Rua Alberto de Melo Seabra.região ponte alta Rua Doutor Mário Luiz Macca. 65 / Fone: 2468-3569 e 2472-6926 casa da MuLher cLara MarIa II . 66 – Centro Fone: 2475-9624 casa da MuLher cLara MarIa I .região centro Rua Francisco Antônio de Miranda. 480 / Fone: 2086-2374 casa da MuLher cLara MarIa v .região recreio são Jorge Rua Margarida. Margaridas e beth’s (centro de atendimento às Mulheres em situação de violência doméstica) Rua Francisco Antônio de Miranda. 48 / Fone: 2446-1576 casa da MuLher cLara MarIa vI . 17 / Fone: 2467-6445 casa da MuLher cLara MarIa Iv . 781 / Fone: 2087-2788 Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 59 .região tranquilidade Rua Brigadeiro Lima e Silva. 292 / Fone: 2480-1060 casa da MuLher cLara MarIa III .acoMpanhaMento aMbuLatorIaL eM quaLquer unIdade básIca de saÚde coordenadorIa da MuLher .região haroldo veloso Rua Agostinho dos Santos.casa das rosas.

tendências. Pró-Reitoria de Extensão.ABRAPIA. São José do Rio Preto. E. 1993. a escola e o seu papel social diante da criança e do adolescente em situação de risco pessoal e social. reflexões. 1997. COHEN. M. 2002. FREITAS. abuso sexual: mitos e realidade. C. F. 2008. H.n. 2001. D.. 2006. ______.. A. Secretaria de Políticas de Saúde. Maus-tratos contra crianças e adolescentes . FALEIROS. I. MINISTÉRIO DA SAúDE. ed. N. J. E. o incesto um desejo. AzEVEDO. 60 Secretaria Municipal de Educação . ______. (Série A. J. RJ: Autores & Agentes & Associados. ______. P. FALEIROS.br/proext/images/publicacoes/cadernos_de_ extensao/Educacao/papel. 2000. O conceito de vulnerabilidade e as práticas de saúde: novas perspectivas e desafos..referêncIas bIbLIográfIcas ASSOCIAçãO BRASILEIRA MULTIPROFISSIONAL DE PROTEçãO à INFâNCIA E A ADOLESCêNCIA . 2009. A. 2003. SALETTI-FILHO.]. 2. Brasília: [s. RJ: Autores & Agentes & Associados.ufpe. ABRAPIA. promoção da saúde: conceitos. p. Brasília: Ministério da Saúde. M.FETEC. C. São Paulo: Casa do Psicólogo. Brasília: MEC/SECAD. R. SP: [s. D. COSTA. AYRES. ABRAPIA. último acesso em: 10 abr. Violência de pais contra filhos: a tragédia revisitada. saúde e prevenção nas escolas: guia para a formação de profissionais de saúde e de educação. 1997. Petrópolis. In: CzERESNIA. escola que protege: enfrentando a violência contra crianças e adolescentes. S. Petrópolis. 2012. violência intrafamiliar: orientações para prática em serviço. G. ed.. cartilha sobre maus tratos.). In: anais do congresso nacional de assistentes sociais. Disponível em: <http://www. Secretaria de Vigilância em Saúde. C. São Paulo: FETEC. 117-39.. FRANçA-JúNIOR. calar-se é permitir – denunciar é proteger! Campanha de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes.n. ______. FEDERAçãO DOS BANCÁRIOS DA CUT DE SãO PAULO . (Artigo). BRASIL. 1998.. V.].htm>. C. São Paulo: Cortez. CENTRO REGIONAL DE ATENçãO AOS MAUS-TRATOS NA INFâNCIA CRAMI. M. Normas e Manuais Técnicos). C. 1998. GUERRA. MOURA. Redes de exploração e abuso sexual e redes de proteção. V.. (Orgs. 3. CALAzANS. Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. Rio de Janeiro: Fiocruz. Brasília: Ministério da Saúde.proteção e prevenção: guia de orientação para educadores.

S.-set. Brasília: MEC/SEDH. 2011.n. sIte PORTAL PROMENINO. ed. ______. <http://www. Guarulhos. último acesso em: 10 abr. Rio de Janeiro.promenino. 1/6/2011. Guarulhos.FERNANDES. p. D. MOYSÉS. S. SANTOS. Núcleo Especializado de Infância e Juventude. 1996. D. RENNÓ. 2012. et al. In: revista ciência & saúde coletiva. constituição da república federativa do brasil. Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 61 . ed.br/>. proposta curricular: Quadro de Saberes Necessários – QSN. Defensoria Pública do Estado de São Paulo. 2009. SP: SME. SECRETARIA DE ESTADO DE SAúDE DO DISTRITO FEDERAL. Avaliando o processo de construção de políticas públicas de promoção de saúde: a experiência de Curitiba. Lei 12. J. São Paulo: [s. crimes contra a dignidade sexual. 1998.com/doc/55010487/23/Devemos-Evitar-a-Revitimizacao>. 627-641. 9.DRADS/SPN. v. Manual para atendimento às vítimas de violência na rede de saúde pública do df.]. 2. 2010.vdcca. comunicado nº 052/11. Disponível em: <http://www. FUNDAçãO TELEFôNICA. 1988.015/09. et al. guia escolar: métodos para identificação de sinais de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.069/90. SP: [s. 2009.]. Introdução à política pública de assistência social. 2009. estatuto da criança e do adolescente.. org. Diretoria Regional de Assistência Social da Grande São Paulo Norte . Lei 8. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. SãO PAULO (Estado). B. jul.scribd. Brasília: Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. I Congresso Mundial sobre Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. 3. 2010. apresentação sobre violência doméstica contra crianças e adolescentes . LeIs BRASIL. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAçãO DE GUARULHOS. ______.n. n. 2004. R. 2. decLaração de estocoLMo. 2004.

Camila Lima dos Santos e Márcia Pinto. Marcos Cezar de Freitas e à Isabel Aparecida dos Santos Mayer pela parceria e contribuição teórica. Nereide Vibiano e Silvana Lumiko Yamabuchi. dIvIsão técnIca de pubLIcaçÕes educacIonaIs José Augusto Lisboa. Maria de Lourdes Dias da Silva. Maria Arlete Bastos Pereira. . Luci Aparecida Cavalcante Soares Rocha e Maria Cecília Ramos da Silva Santos (elaboração). Maurício Burim Perejão.expedIente Prefeito sebastião almeida Gestor do Departamento de Controle da Execução Orçamentária da Educação Josmar nunes de souza Vice-Prefeito carlos derman Gestor do Departamento de Alimentação e Suprimentos da Educação Marcelo colonato Secretária Municipal de Educação neide Marcondes garcia Gestor do Departamento de Manutenção de Próprios da Educação Luiz fernando sapun Secretário Adjunto de Educação prof. Dr. Eduardo Calabria Martins. Marilene da Cruz Costa. José Fernando Bezerra Junior. Vanda Martins. Claudia Elaine Silva. Cláudia Simone Ferreira Lucena. fernando ferro brandão Gestora do Departamento de Ensino Escolar sueli santos da costa Gestora do Departamento de Orientações Educacionais e Pedagógicas sandra soria Gestora do Departamento de Planejamento e Informática na Educação cintia aparecida casagrande Gestora do Departamento de Serviços Gerais da Educação Margarete elisabeth shwafati dIvIsão técnIca de poLítIcas para dIversIdade e IncLusão educacIonaL Marli dos Santos Siqueira e Sueli Mariana de Medeiros (organização/elaboração do material). revIsão Cristiane Machado Maria Aparecida Contin Tiago Rufino-Fernandes Agradecimentos ao Prof. Leila de Jesus Pastores Carbajo e Vera Canto Berzaghi pela representação da Supervisão Escolar nas discussões para elaboração desta publicação. Divaneide Alves da Silva. Francisca Alves dos Santos. Josefa de Jesus Moreira. Maristela Barbosa Miranda. Elide Viviane da Silva. Floripes Fernandes Miranda Pinho. e à Ellen Maria Oliveria Lopes.

Foto: Maurício Burim/SE Foto: Maurício Burim/SE .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful