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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade


Departamento de Administração e Contabilidade

EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS PARA SUPORTAR UM CRITÉRIO


DE AMORTIZAÇÃO DOS ATIVOS INTANGÍVEIS

Ricardo Rodrigues Celoto

Orientador: Prof. Dr. Iran Siqueira Lima

São Paulo
Novembro, 2004
1

Ricardo Rodrigues Celoto

EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS PARA SUPORTAR UM CRITÉRIO


DE AMORTIZAÇÃO DOS ATIVOS INTANGÍVEIS

Dissertação apresentada ao Departamento


de Contabilidade e Atuária da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da
Universidade de São Paulo, como requisito
parcial para a obtenção do título de Mestre
em Controladoria e Contabilidade.

Orientador: Prof. Dr. Iran Siqueira Lima

São Paulo
Outubro, 2004
1

RESUMO

Título:

Evidências empíricas para suportar um critério de amortização dos

ativos intangíveis.

Objetivo:

O objetivo deste trabalho é fazer um estudo empírico na tentativa de

corroborar a teoria microeconômica, que diz que os lucros econômicos tendem a

zero em regime de concorrência, para suportar um critério para a amortização dos

ativos intangíveis.

Síntese e Conclusão:

Este trabalho, utilizando-se dados contábeis e de mercado, corroborou-

se a teoria microeconômica no sentido de mostrar que na média, as

empresas que hoje têm retornos excepcionais ou lucros superiores ao custo

de capital tem seus retornos normalizados com o passar do tempo. Pelo

fato dos ativos intangíveis serem formados pelo valor presente dos lucros

econômicos futuros e considerando que estes se extinguirão, conclui-se

neste trabalho que a amortização dos ativos intangíveis deve ser efetuada.

ABSTRACT
3

Title:

Empirical evidences to support a criteria of intangibles assets amortization.

Objective:

The focus of this dissertation is to corroborate empirically the microeconomic

theory, that says that economic profits disappears in the presence of competition,

to support a criteria to intangibles amortization.

Synthesis and Conclusion:

This work, using accounting and market data, corroborated the microeconomic

theory in the sense, that in the average, the businesses that today have

exceptional return or incomes superior to their cost of capital have their return

normalized during the time. By the fact the intangible being the present value of the

economic profits and that they will vanish, this work concludes that the amortization

of intangibles must be made.


3

Gosto dos algarismos, porque não são de


meias medidas nem de metáforas. Eles dizem
as coisas pelo seu nome, às vezes um nome
feio, mas não havendo outro, não o escolhem.
São sinceros, francos, ingênuos. As letras
fizeram-se para frases; o algarismo não tem
frases, nem retórica.
Machado de Assis
1

ÍNDICE
RESUMO..................................................................................................................III
ABSTRACT..............................................................................................................IV
ÍNDICE......................................................................................................................VI
ÍNDICE DOS GRÁFICOS.......................................................................................VIII
ÍNDICE DAS ILUSTRAÇÕES..................................................................................IX
SUMÁRIO.................................................................................................................XI
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................1
1.1 OBJETIVO...................................................................................................4
1.1.1 Tema....................................................................................................4
1.1.2 Delimitação do Tema...........................................................................4
1.1.3 Objetivo do trabalho.............................................................................5
1.1.4 Objetivos Secundários.........................................................................5
1.1.5 Metodologia..........................................................................................6
1.1.6 Limitações da Metodologia..................................................................7
1.2 JUSTIFICATIVA..........................................................................................7
1.3 OBJETO......................................................................................................8
1.3.1 Problema..............................................................................................8
1.3.2 Situação problema...............................................................................9
1.3.3 Hipótese Básica...................................................................................9
1.3.4 Hipóteses Secundárias........................................................................9
2 DEFINIÇÕES OPERACIONAIS.......................................................................10
2.1 ATIVO........................................................................................................10
2.2 RECONHECIMENTO................................................................................14
2.3 MENSURAÇÃO.........................................................................................15
2.4 ATIVO INTANGÍVEL.................................................................................19
2.4.1 Conceituação.....................................................................................19
2.4.2 Reconhecimento................................................................................23
2.4.3 Mensuração.......................................................................................27
2.4.4 Amortização.......................................................................................31
2.4.5 Goodwill.............................................................................................34
2.5 LUCROS ECONÔMICOS, EXCEPCIONAIS, ANORMAIS E
INTANGÍVEIS.......................................................................................................37
2.6 EXEMPLO DE MENSURAÇÃO DO ATIVO INTANGÍVEL.......................39
2.7 GASTOS NÃO CAPITALIZADOS E ATIVOS INTANGÍVEIS...................40
2.8 TEORIA A RESPEITO DOS LUCROS EXCEPCIONAIS.........................46
2.8.1 Teoria microeconômica......................................................................46
2.8.2 “Q de TOBIN”.....................................................................................46
3 TRABALHO EMPÍRICO A RESPEITO DAS TEORIAS...................................49
3.1 OBJETIVO.................................................................................................49
3.2 METODOLOGIA........................................................................................49
3.2.1 Dados das 500 MAIORES E MELHORES........................................50
3.2.2 Dados da ECONOMÁTICA................................................................59
3.3 ATIVOS INTANGÍVEIS E SUA AMORTIZAÇÃO......................................65
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................68
APÊNDICE I.............................................................................................................70
1.1 DIFERENÇAS METODOLÓGICAS..........................................................70
1.2 RESULTADOS..........................................................................................74
1.2.1 Retorno dos Ativos Líquidos..............................................................74
1

1.2.2 Retorno Operacional..........................................................................76


1.2.3 Retorno Operacional do Patrimônio Líquido.....................................79
1.2.4 Retornos Excepcionais......................................................................84
1.2.5 Crescimento do Ativo Operacional....................................................86
1.2.6 Crescimento do Patrimônio Líquido Operacional..............................89
1.2.7 Evolução do Crescimento da Receita Total......................................92
1.2.8 Evolução do Giro dos Ativos..............................................................94
1.2.9 Evolução da Margem Operacional....................................................97
1.2.10 Evolução da Participação do Resultado não Operacional no
Resultado Operacional...................................................................................100
APÊNDICE II..........................................................................................................103
a) A entrada de novos concorrentes...........................................................105
b) A ameaça de substitutos.........................................................................107
c) O poder de negociação dos fornecedores..............................................108
d) Rivalidade entre concorrentes................................................................109
BIBLIOGRAFIA......................................................................................................111
BIBLIOGRAFIA
1

ÍNDICE DOS GRÁFICOS


Gráfico 1 Retorno dos Ativos - MM.........................................................................62
Gráfico 2 Desvio Padrão das Medianas -MM..........................................................63
Gráfico 3 Taxa de Permanência no mesmo grupo - MM........................................64
Gráfico 4 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 1 no primeiro ano do
ranking e seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito
..........................................................................................................................65
Gráfico 5 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 2 no primeiro ano do
ranking e seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito
..........................................................................................................................66
Gráfico 6 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 3 no primeiro ano do
ranking e seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito
..........................................................................................................................67
Gráfico 7 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 4 no primeiro ano do
ranking e seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito
..........................................................................................................................68
Gráfico 8 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 5 no primeiro ano do
ranking e seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito
..........................................................................................................................69
Gráfico 9 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 6 no primeiro ano do
ranking e seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito
..........................................................................................................................70
Gráfico 10 Retorno dos Ativos – ECON..................................................................71
Gráfico 11 Desvio Padrão das Medianas – ECON.................................................72
Gráfico 12 Taxa de Permanência no mesmo grupo – ECON.................................73
Gráfico 12 Taxa de Permanência no mesmo grupo – ECON.
1

ÍNDICE DAS ILUSTRAÇÕES


Ilustração 2 Evolução do “Q de TOBIN” – ECON..................................................74
Ilustração 3 Evolução do “Q de TOBIN” (sem o portfólio superior) – ECON..........74
Ilustração 4 Evolução do Desvio Padrão das Medianas do “Q de TOBIN” – ECON.
..........................................................................................................................75
Ilustração 5 Evolução do Retorno dos Ativos Totais Líquidos - CELOTO..............86
Ilustração 6 Desvio Padrão das Medianas dos Ativos Líquidos - CELOTO...........87
Ilustração 7 Evolução do Retorno dos Ativos Operacionais - PENMAN................88
Ilustração 8 Evolução do Retorno dos Ativos Operacionais - CELOTO.................89
Ilustração 9 Evolução do Desvio Padrão das medianas do Retorno dos Ativos
Operacionais – CELOTO..................................................................................90
Ilustração 10 Evolução do ROCE médio - FAMÁ....................................................91
Ilustração 11 Evolução do ROCE mediano - FAMÁ................................................92
Ilustração 12 Evolução dos Desvios Padrão dos ROCE - FAMÁ...........................92
Ilustração 13 Evolução do ROCE - PENMAN.........................................................93
Ilustração 14 Evolução do Retorno Operacional do Patrimônio Líquido – CELOTO
..........................................................................................................................94
Ilustração 15 Evolução do Desvio Padrão das Medianas do Retorno Operacional
do Patrimônio Líquido - CELOTO....................................................................95
Ilustração 16 Evolução dos Retornos Excepcionais – PENMAN............................96
Ilustração 17 Evolução dos Retornos Excepcionais Operacionais – PENMAN.....97
Ilustração 18 Evolução do Crescimento dos Ativos Operacionais Líquidos -
PENMAN..........................................................................................................98
Ilustração 19 Evolução do Crescimento do Ativo Operacional Líquido - CELOTO 99
Ilustração 20 Evolução do Desvio Padrão do Crescimento do Ativo Operacional
Líquido – CELOTO.........................................................................................100
Ilustração 21 Evolução do Crescimento do Patrimônio Líquido – PENMAN........101
Ilustração 22 Evolução do Crescimento do Patrimônio Líquido Operacional -
CELOTO.........................................................................................................102
Ilustração 23 Evolução do Desvio Padrão do Crescimento do Patrimônio Líquido
Operacional – CELOTO.................................................................................102
Ilustração 24 Evolução do Crescimento da Receita - PENMAN...........................103
Ilustração 25 Evolução do Crescimento da Receita Líquida – CELOTO..............104
Ilustração 26 Evolução do Desvio Padrão do Crescimento da Receita Líquida -
CELOTO.........................................................................................................105
Ilustração 27 Evolução dos Giros dos Ativos Operacionais - PENMAN...............106
Ilustração 28 Evolução do Giro dos Ativos Operacionais - CELOTO...................107
Ilustração 29 Evolução do Desvio Padrão do Giro dos Ativos Operacionais –
CELOTO.........................................................................................................107
Ilustração 30 Evolução da Margem de Lucro das Receitas Operacionais –
PENMAN........................................................................................................108
Ilustração 31 Evolução da Margem de Lucro das Receitas Operacionais –
CELOTO.........................................................................................................109
Ilustração 32 Evolução do Desvio Padrão da Margem de Lucro das Receitas
Operacionais – CELOTO...............................................................................110
Ilustração 33 Evolução da Participação do Resultado não Operacional no
Resultado Operacional – PENMAN...............................................................111
1

Ilustração 34 Evolução da Participação do Resultado não Operacional no


Resultado Operacional – CELOTO................................................................112
Ilustração 35 Evolução do Desvio Padrão da Participação do Resultado não
Operacional no Resultado Operacional – CELOTO......................................113
Ilustração 35 Evolução do Desvio Padrão da Participação do Resultado não
Operacional no Resultado Operacional – CELOTO
1

SUMÁRIO

No primeiro capítulo será apresentada a Introdução. Esta será dividida

em três partes: Objetivo, Justificativa e Objeto. O objetivo conterá o tema, a

delimitação deste, o objetivo principal, os objetivos secundários, a Metodologia e

suas limitações. O objeto tratará do problema e das hipóteses utilizadas para a

confecção do trabalho.

No capítulo 2 serão apresentadas as definições operacionais. Serão

contempladas definições de ativos, ativos intangíveis assim como suas

características, as definições adotadas e as premissas para o seu reconhecimento

e mensuração, bem como sua amortização, assim como aspectos da teoria

microeconômica e o uso da mesma no Q de Tobin.

No terceiro capítulo, será apresentado um trabalho empírico,

reproduzindo o trabalho de PENMAN & NISSIN com dados do mercado Brasileiro.

Com base no banco de dados da economática e das 500 Maiores e Melhores,

acompanharemos o comportamento dos retornos das empresas que tiveram

maiores retornos num determinado período e como foi seu comportamento com o

passar do tempo, gerando conclusões que dêem suporte à teoria econômica,

assim como, tratando especificamente da amortização dos intangíveis.

No Apêndice I serão apresentados todos os outros gráficos produzidos e

não apresentados no capitulo 3. E finalmente no Apêndice II será apresentado

parte da teoria de PORTER sobre geração dos lucros excepcionais.


1

1
1

2 INTRODUÇÃO
Muitos estudiosos acreditam que a contabilidade deveria atender ao

acionista no sentido de representar o valor econômico de seu investimento, ou

seja, se somássemos o valor das ações de uma empresa, este representaria o

valor dos seus ativos líquidos1.

Como a contabilidade trabalha com transações passadas e o valor de

mercado trata das expectativas futuras, por esta razão as diferenças entre o valor

registrado pela contabilidade e o valor de mercado é gigante. Esta diferença é

corroborada com algumas transações que aconteceram recentemente:

• a Kraft foi incorporada pela Philip Morris por US$10 bilhões. A contabilidade

registrava o valor de US$1 bilhão;

• a UNILEVER comprou a KIBON por US$930 milhões. A Contabilidade

registrava menos de 30% deste valor;

• a Yahoo fatura US$500 milhões por ano e lucrou US$16 milhões em nove

meses de 99. Vale no mercado US$100 bilhões. A previsão de retorno do

investimento na empresa é de 360 anos;

• a Amazon.com tem uma dívida de US$2.2 bilhões, quase o dobro de seu

faturamento anual, teve um prejuízo de US$125 milhões nos primeiros

nove meses de 99 e não distribui dividendos. Na mesma data, tinha um

valor de mercado de US$33 bilhões2.

Em uma das apresentações sobre ativos intangíveis, SVEIBY3 mostra

que no terceiro trimestre de 2000 a empresa Nokia, que possuía um valor de


1 Valor líquido de depreciações amortizações e dívidas, assim como o capital de giro, também
seria líquido do passivo não oneroso.
2 N. SZUSTER, F. SZUSTER, G. T. PORTUGAL. A Nova Economia Suscita uma Nova
Contabilidade, pág 5.
3 Karl Erik SVEIBY. A nova riqueza das organizações, pág. 3.
2

mercado aproximado de 190 bilhões, tinha um PL avaliado em 5,8 bilhões,

revelando que quase 97% do valor de mercado da empresa era formado de

expectativas em relação ao futuro da empresa.

Percebe-se que a expectativa de mercado em relação ao fluxo de caixa

desta ou daquela empresa é o fator mais importante para a formação do preço de

uma empresa. Existem várias empresas que faturam bilhões de dólares, sem ter

fábrica de equipamentos, com patrimônio líquido insignificante perante o seu valor

de mercado.

A NIKE, mundialmente famosa e líder global em materiais esportivos,

dispõe de poucos ativos tangíveis, em que a maioria da sua produção é

terceirizada. A administradora de cartões Visa também fatura bilhões, com ativos

tangíveis líquidos que significam menos de 3% do seu valor de mercado.

Um caso recente ocorreu em novembro de 2000, em que o maior banco

Espanhol, o Santander, se transformou no maior banco da América Latina, onde o

ágio em relação ao preço mínimo de leilão4 alcançou 281%. O Santander pagou

5,2 vezes o valor patrimonial.

Em nenhum dos casos acima, o valor patrimonial informado pela

contabilidade foi capaz de prover informações nem ao menos próxima para o

acionista sobre o valor de seu investimento.

Estes não são os únicos exemplos. Poderíamos mostrar inúmeros

exemplos parecidos, pois o mercado parece ter sede de fusões e aquisições.

Em 2000, foram realizadas 353 operações de fusões e aquisições, só no Brasil.

Segundo Hajj & Lisboa 5:

4 Leilão do Banco Banespa realizado dia 20 novembro de 2000.


5 Maria Goreth Miranda ALMEIDA & Zaina Said HAJJ. Mensuração e Avaliação do Ativo: uma
Revisão Conceitual e uma Abordagem do Goodwill e do Ativo Intelectual.
3

De 1996 até 2000, os setores que mais receberam esse tipo de


investimento no Brasil foram o de alimentos, bebidas e fumo, com
184 operações de fusões e aquisições; em segundo lugar, estão as
instituições financeiras, com 129; em terceiro, o de
telecomunicações, com 123; e em quarto, o setor de tecnologia de
informação, com 112 transações.

Com esta grande movimentação de compra e venda de empresas, e as

grandes diferenças vistas entre o valor de negociação destas empresas e seus

valores patrimoniais, traz-se à tona a discussão sobre a forma com a qual a

contabilidade é feita.

Estas diferenças não aparecem apenas quando ocorrem fusões e

aquisições. Os valores de mercado das ações denunciam que, poucas vezes, o

valor do patrimônio líquido destas empresas representa o valor efetivo de

mercado.

Esta diferença entre o valor de mercado e o valor líquido dos ativos

(patrimônio líquido) é chamada de ágio em uma aquisição, e, quando uma

negociação acontece, esta diferença se torna evidente. Mas tal diferença não

surge apenas no momento da negociação de uma empresa. Quando uma

empresa tem suas ações negociadas em bolsa, a diferença é percebida no valor

de suas ações negociadas diariamente.

Com o aumento das fusões e aquisições de grandes companhias no

mundo, esta diferença em relação à expectativa de mercado, no que diz respeito

aos lucros econômicos futuros, teve de ser tratada pela contabilidade e deve ser

registrada em uma fusão ou aquisição.

A certeza de que estas diferenças não surgiram apenas na data da

transação gera a necessidade de discussão sobre seu surgimento. Mas quando


4

uma fusão e aquisição acontecem, parte da diferença (ágio) é registrada pela

contabilidade. Este acontecimento gera a necessidade de se definir se este valor

deverá ser amortizado e, se deve, em quanto tempo.

É neste contexto que o trabalho se insere.

1.1 OBJETIVO
1.1.1 Tema

Evidências empíricas para suportar um critério de amortização dos

ativos intangíveis.

1.1.2 Delimitação do Tema

Faremos um estudo sobre a amortização dos intangíveis quando

registrados pela contabilidade baseando na hipótese de que estes são formados

pelos lucros econômicos futuros e que os lucros econômicos se extinguirão com o

passar do tempo.

Não será discutido neste trabalho se os ativos intangíveis devem ou não

ser registrados. Não trataremos do surgimento dos Ativos Intangíveis (ver

Apêndice II) nem sobre a discriminação dos tipos de ativos intangíveis.

Estes assuntos poderão surgir no decorrer do trabalho e serão

discutidos superficialmente.

Quanto ao prazo de amortização dos Ativos Intangíveis, trabalharemos

apenas na tentativa de gerar uma faixa de prazo médio para a amortização, e isto

será feito apenas de forma visual com base nos resultados gráficos obtidos.
1

1.1.3 Objetivo do trabalho

O objetivo deste trabalho é fazer um estudo empírico na tentativa de

corroborar a teoria microeconômica, que diz que os lucros econômicos tendem a

zero em regime de concorrência, para suportar um critério para a amortização dos

ativos intangíveis.

1.1.4 Objetivos Secundários

Discutir e argumentar a conceituação dos ativos intangíveis, trazendo as

definições destes ativos e sua relação com os retornos excepcionais ou

econômicos tratados pela microeconomia.

1.1.5 Metodologia

O trabalho irá colher conceitos na literatura sobre ativos, ativos

intangíveis e lucro econômico. Estabelecida a definição de Ativos Intangíveis que

se encaixe com a definição de lucro econômico, faremos uma pesquisa empírica

com dados de mercado na tentativa de monitorar o comportamento dos lucros

econômicos. Isto será feito sempre na tentativa de corroborar a teoria

microeconômica, que diz que os mesmos tendem a zero em um mercado

competitivo.

A parte empírica do trabalho será baseada no acompanhamento ex-post

dos lucros médios nas empresas, na tentativa de monitorar os lucros acima ou

abaixo do custo de capital, buscando respostas para o que acontece com os

lucros anormais com o passar do tempo.


3

Este acompanhamento foi utilizado por PENMAN & NISSIN. Estes

fizeram seu trabalho monitorando o retorno das empresas em outro período,

usando dados das empresas americanas. O trabalho aqui será feito de forma

semelhante, mas com objetivos primários diferentes.

Para a confecção do trabalho serão utilizados dados de dois bancos de

dados. O primeiro são dados fornecidos pela Economática, onde serão colhidas

informações de 280 empresas de capital aberto com maior turnover na bolsa de

valores de São Paulo no período de 1994 a 2003. O outro banco de dados será

fornecido pela Revista 500 Maiores e Melhores, em que serão utilizadas

informações das empresas que aparecerem por cinco anos consecutivos entre as

500 (período de 1998 a 2003).

1.1.6 Limitações da Metodologia

A utilização dos dados da Economática torna a amostra discriminada,

assim como no segundo caso, onde são utilizados dados das 500 maiores e

melhores. No primeiro caso, as empresas são formadas apenas por empresas

abertas, e no segundo caso, é formada apenas pelas maiores empresas abertas e

fechadas.

Não foi possível conseguir dados que fornecessem uma amostra mais

representativa do mercado brasileiro. Mas acreditamos que estas empresas

atendem ao objetivo de monitorar o comportamento dos lucros e que a amostra

não comprometerá os resultados.

1.2 JUSTIFICATIVA
3

Um recente estudo da Brookings Institution6 sugere que

aproximadamente 70% do valor de mercado de uma empresa é formado por

Ativos Intangíveis.

LEV7 fala sobre o problema:

Riqueza e crescimento na economia atual são primordialmente


direcionados por ativos intangíveis (capital intelectual). Ativos
tangíveis e financeiros estão rapidamente se tornando
commodities, gerando no máximo retornos de investimento
medianos, (tendentes ao custo de capital da empresa –
observação do autor). Superlucros, posições competitivas
dominantes, e algumas vezes mesmo monopólios temporários são
obtidos pela sólida utilização de intangíveis, em conjunto com
outros tipos de ativos.

Por esta razão, a contabilidade tem discutido o registro dos ativos

intangíveis. Estes são registrados somente no caso de aquisições ou fusões, e

quando isto acontece, surge a necessidade de tratamento da amortização. Como

as fusões e aquisições têm acontecido em grandes proporções, o trabalho aqui se

justifica.

1.3 OBJETO
1.3.1 Problema

Os Ativos Intangíveis (ágios) são registrados após uma aquisição ou

fusão, quando o valor transacionado é maior que o valor registrado pela

contabilidade.

6 Margaret M. BLAIR, Steven M. H. WALLMAN. Unseen Wealth: Report of the Brookings Task
Force on Intangibles.
7 Baruch LEV. Intangibles, pág. 1.
3

Grande parte do Ágio pago nas fusões ou aquisições é registrado pela

contabilidade como ativos intangíveis. A discussão surge quanto a sua baixa e a

estimação do tempo médio para a sua amortização. Hoje não há um critério

teórico, nem menos empírico, que dê suporte à amortização dos ativos intangíveis.

É discutido se os Ativos Intangíveis devem ser amortizados e o tempo médio de

sua amortização.

1.3.2 Hipótese Básica

I. Os Ativos Intangíveis registrados pela contabilidade devem ser

amortizados.

1.1.1 Hipóteses Secundárias

I. O valor dos Intangíveis é formado pela expectativa de lucros

econômicos (excepcionais) futuros a valor presente;

II. Como resultado da teoria microeconômica, os lucros econômicos

tendem a zero em regime de concorrência perfeita;

III. O mercado corresponde à teoria microeconômica em um período

curto de tempo.
1

1 DEFINIÇÕES OPERACIONAIS

Trataremos aqui das principais definições necessárias à continuação de

nosso trabalho. Definiremos ativos, ativos intangíveis, trataremos do seu

reconhecimento e sua baixa, assim como outros termos necessários para o

trabalho, como goodwill e retornos excepcionais ou anormais.

1.1 ATIVO

CANNING8 foi um dos primeiros a se preocupar em dar definições

abrangentes para itens do balanço; definiu ativo como:

Qualquer serviço futuro, em termos monetários, ou qualquer


serviço futuro conversível em moeda (...) cujos direitos pertencem
legal ou injustamente a alguma pessoa ou algum conjunto de
pessoas. Tal serviço é um ativo somente para essa pessoa ou
algum conjunto de pessoas. Tal serviço é um ativo somente para
esta pessoa ou esse grupo de pessoas que o usufrui.

CANNING se preocupou em trazer em sua definição o fato de um ativo

ser conversível em moeda em algum momento e o fato de que o ativo só poderá

ser considerado ativo para aquele que tem o controle sobre ele.

8 John B. CANNING apud Vernon KAM, pág. 92.


3

IUDÍCIBUS9 descreve:

Ativo portanto, pode ser conceituado como algo que possui um


potencial de serviços em seu bojo, para a entidade, capaz, direta e
indiretamente, imediata ou no futuro, de gerar fluxos de caixa.

Para PATON10 ativo é uma:

Contraprestação material ou não, possuída por uma empresa e


que tenha valor para ela.

Para SPROUSE & MOONITZ apud ALMEIDA11:

Ativos representam benefícios esperados, direitos que foram


adquiridos pela entidade como resultado de alguma transação
corrente passada.

D’ AURIA12 cita:

Ativo é o conjunto de meios ou a matéria posta à disposição do


administrador para que este possa operar de modo a conseguir os
fins que a entidade entregue a sua direção tem em vista.

Depois de muitas definições acolhidas, MARTINS13 definiu:

Ativo é o futuro resultado econômico que se espera obter de um


agente.

9 Sérgio de IUDÍCIBUS. Teoria da contabilidade, pág. 144.


10 W. A. PATON. Accounting Theory. New York: Ronald Press, pág. 184.
11 M. G. M. ALMEIDA. Mensuração e Avaliação do Ativo: uma Revisão Conceitual e uma
Abordagem do Goodwill e do Ativo Intelectual, pág 11.
12Francisco D´auria. Contabilidade: Noções preliminares, pág. 65.
13 Eliseu Martins. Contribuição à avaliação do ativo intangível, pág 30.
5

E MARTINS14 complementa:

(...) Agente aqui no caso, engloba o mesmo significado que


recursos para a economia. Não se restringe apenas a valores de
existência física ou monetária. Como Lipsey e Steiner mencionam:
“(The resources) consist of not only of the free gifts of nature, such
as land, Forest, and minerals but also of human resources, both
mental and physical and of all sorts of man-made aids to further
production, such as tools, machinery and buildings”15.

Esta definição não se prende à necessidade de mensuração e a

nenhum tipo de limitação quanto a sua tangibilidade. A definição de “agente”

utilizada por Lipsey mostra que este agente pode ser físico, ou tangível (gifts of

nature, such as land, Forest, and minerals) como intangível (human resources,

both mental and physical and of all sorts of man-made aids to further production).

Com esta definição de ativos em mente, surge espaço para o

reconhecimento de outros ativos, ativos estes não reconhecidos pela contabilidade

tradicional.

O FASB16 diz que, para que algo possa ser chamado de ativo, deve ter

as seguintes características:

(a) it embodies a probable future benefit that involves a capacity,


singly or in combination with other assets, to contribute directly or
indirectly to future net cash inflows;

14 Idem, pág 33.


15 (Os Recursos) consistem não apenas de presentes encontrados na natureza como terra,
florestas e minerais mas também recursos humanos, mentais e físicos de todo tipo desde qualquer
ajuda adicional na produção assim como ferramentas, maquinarias e construções.
16FASB – Financial Accounting Standards Board, FAC 6, parág. 26:
(a) incorporam um benefício futuro provável que envolve a capacidade, isoladamente ou em
conjunto com outros ativos, de contribuir direta ou indiretamente na geração de entradas líquidas
de caixa; uma dada entidade pode conseguir o benefício e controlar o acesso de outras entidades
a esse benefício;
(b) a transação ou evento originando o direito da entidade ao benefício, ou o seu controle, já
ocorreu.
7

(b) a particular entity can obtain the benefit and control others'
access to it, and;
(c) the transaction or other event giving rise to the entity's right to
or control of the benefit has already occurred.

Portanto, o FASB traz três características para os ativos: têm de ter

prováveis benefícios futuros envolvidos; a entidade deve ter o controle sobre ele, e

deve ter uma transação passada como lastro.

Vejamos a definição de ativos de HENDRIKSEN e VAN BREDA17:

Os ativos devem ser definidos como potenciais de fluxos de


serviço ou direitos a benefícios futuros sob o controle de uma
organização.

Onde o FASB18, usando das características mostradas, gerou a seguinte

definição:

Assets are probable19 future economic benefits obtained or


controlled by a particular entity as a result of past transactions or
events.

É perceptível que a definição de HENDRIKSEN & VAN BREDA20 é muito

parecida com a do FASB, mas HENDRIKSEN exclui, em sua definição, a última

característica, a de que seria necessária uma transação anterior para que um ativo

fosse caracterizado.

17 Eldon S. HENDRIKSEN & Michael F. VAN BREDA. Teoria da contabilidade, pág. 286.
18 Idem. FAC 6, parág. 25: Ativos são benefícios econômicos futuros prováveis obtidos ou
controlados por uma particular entidade como resultado de uma transação ou eventos passados.
19 probable é definido pelo FASB como algo que contenha incerteza.
20 S. HENDRIKSEN & Michael F. VAN BREDA. Teoria da contabilidade, pág. 286.
9

HENDRIKSEN e VAN BREDA21 citam o caso do ratinho da Disney, o

qual geraria benefícios futuros. Este caso pode e deveria ser considerado um ativo

e, segundo o FASB, não seria passível de registro, pois não tem uma transação

anterior que lhe dê suporte.

A definição que acolheremos neste trabalho será a de MARTINS, como

anteriormente citado: “ativo é o resultado econômico futuro esperado de um

agente”.

1.2 RECONHECIMENTO

Segundo o FASB, estas são as quatro características básicas que um

ativo deve ter para que seja reconhecido e registrado pela contabilidade:

Definitions—The item meets the definition of an element of financial


statements.
Measurability—It has a relevant attribute measurable with sufficient
reliability.
Relevance—The information about it is capable of making a
difference in user decisions.
Reliability—The information is representationally faithful, verifiable,
and neutral.22

Em outras palavras, isso significa que um ativo deve: primeiro, atender a

definição; segundo, ser mensurável; terceiro, ser relevante; e, finalmente, ter todas

estas adequações acima de maneira confiável.

21 Idem, pág. 295.


22 Idem. FAC 5, parág. 63.
Definições – Têm de atender a definição de ativo contida em uma Demonstração Financeira;
Mensurabilidade – Tem de ter atributos os quais possam ser mesuráveis com confiança;
Relevância – A informação fornecida deve ser capaz de fazer diferença para o usuário que a
estiver usando;
Confiabilidade – A informação deve representar o Ativo, ser fiel a ele, verificável e neutra.
3

1.3 MENSURAÇÃO

Para PATON23, a definição de ativo, ainda em 1922, foi conceituada

desta maneira:

Contraprestação material ou não, possuída por uma empresa e


que tenha valor para ela.

Já em 1924, a dificuldade em separar a conceituação de ativo da

mensuração já era percebida. PATON afirma que, além de a empresa ter posse e

ter comprado por uma contraprestação material ou não, deixa claro que uma das

premissas para que algo seja chamado de ativo é que “tenha valor para ela”.

De acordo com HENDRIKSEN e VAN BREDA24, mensurar é:

atribuir uma quantidade numérica a uma característica ou a um


atributo de algum objeto, como ativo ou de uma atividade, como a
de produção.

Ainda segundo HENDRIKSEN e VAN BREDA25:

(...) na contabilidade, mensuração é o processo de atribuição de


valores monetários significativos a objetos ou eventos associados
a uma empresa.

O FASB cita as cinco formas usadas para a mensuração de um ativo no

reconhecimento:

1. Historical cost (historical proceeds);


23 Idem, pág. 71.
24 Idem, pág. 303.
25 Idem, pág. 304.
1

2. Current cost;

3. Current market value;

4. Net realizable (settlement) value;

5. Present (or discounted) value of future cash flows.

1. Custo Histórico ou Original

É o valor da transação, ou da “nota fiscal”, ou seja, a quantia paga pelo

ativo. Se o ativo foi fabricado pela empresa, o valor deste compreenderá todos os

gastos com insumos e serviços utilizados na fabricação.

O uso deste tipo de mensuração tem a vantagem da objetividade, onde

o valor é de fácil comprovação, principalmente porque está fortemente ligada com

o caixa. Mas traz consigo a desvantagem de perder a força da informação em

locais de inflação.

2. Custo Histórico Corrigido

É o custo original pago pelo ativo, corrigido monetariamente por algum

índice de inflação.

Feito desta maneira, este tem a vantagem da comparação de balanços

de uma mesma empresa em tempos diferentes, assim como a de comparações de

balanços de diferentes empresas formadas em tempos diferentes, principalmente

em locais onde se tenham altos índices inflacionários.

3. Custo de Reposição ou Custo de Mercado

Custo de reposição seria registrar de acordo com o valor que seria pago

pela substituição daquele ativo por outro, com as mesmas características e

condições.
3

A grande vantagem desse critério é que, a qualquer tempo, o gestor tem

a idéia exata do valor de seus ativos tangíveis se os mesmos fossem vendidos

separadamente, assim como a comparabilidade com outras empresas.

4. Valor líquido de liquidação

Este conceito é muito usado para o registro de alguns recebíveis de

curto prazo, que devem ser registrados pelo valor líquido de possíveis taxas ou

emolumentos que possam recair sobre este valor quando da realização.

5. Valor presente líquido do fluxo de caixa futuro

Este conceito, muito utilizado pelos financistas e avaliadores de

empresa, é também citado como possível critério de mensuração de ativos. Este é

mais usado na mensuração de Recebíveis de longo prazo, em que todos os fluxos

são descontados a uma taxa adequada.

Essas formas citadas anteriormente são as cinco formas que a

contabilidade poderia adotar para a mensuração de seus ativos. Mas o utilizado

largamente é o custo histórico. Apenas as instituições financeiras costumam

registrar alguns de seus ativos ao valor líquido e ativos valorizados a mercado.

Mas qualquer que seja o registro, deverão, quando da sua avaliação,

conter o “fair value”. O glossário do Concepts Statement 7 define fair value como:

The amount at which that asset (or liability) could be bought (or
incurred) or sold (or settled) in a current transaction between willing
parties, that is, other than in a forced or liquidation sale.

O valor para conter o fair value será o valor que, de bom grado, as

partes estiverem dispostas a trocar o ativo por certa quantia em dinheiro, e este
2

valor seria o valor passível de registro, e porque não dizer Valor de Mercado, ao

menos no momento da troca (registro). Ou seja, qualquer que seja o critério usado

para o registro no momento da sua ocorrência, o fair value é característica

imprescindível na valoração, mesmo porque todos os ativos a serem registrados

pela contabilidade tiveram de ser precedidos de uma transação.

1.1 ATIVO INTANGÍVEL

1.1.1 Conceituação

Tangível significa poder ver, tocar, algo palpável; e intangível é algo que

não se pode ver, muito menos tocar, o que não possui forma ou corpo. O

dicionário Aurélio traz:

De in-2 + tangível Adj. 2 g. 1. Em que não se pode tocar;


impalpável, intátil, intocável, 3. Econ. Diz-se de bens que não têm
existência física, como, p. ex., patentes ou marcas registradas26.

O dicionário AURÉLIO diz que intangível, quanto à economia, é algo

que não tem existência física, e experimenta exemplos como patentes e marcas

registradas.

O dicionário MICHAELIS dá mais uma característica de intangibilidade,

o que gera ainda mais incerteza relativa ao conceito e mensuração, dizendo que

intangível é algo incapaz de ser definido e/ou determinado:

26 Dicionário AURÉLIO (intangível).


2

1 Que não é tangível. 2 Em que não se pode tocar. 3 Que não se


pode apalpar. 4 Incapaz de ser definido ou determinado com
certeza ou precisão.27

Em outras palavras, Intangível é algo que não tem corpo, que não se

pode tocar, impalpável, e, se somarmos estas características ao conceito de ativo

visto mais acima, obteremos o conceito de ativo intangível. Feito isto, chegaríamos

à conclusão de que Ativo Intangível é algo que gerará benefícios econômicos

futuros, mas que não se pode ver, apalpar e nem ser determinado com certeza ou

precisão.

HENDRIKSEN e VAN BREDA28 apresentam três características para os

Ativos Intangíveis:

1) Exclusividade. Estes Ativos são exclusivos da empresa

que os gerou, em sua maioria, não-obtenção de processos ou de produtos

exclusivos ou a superioridade em relação a sua marca, o que dá a estes

ativos uma exclusividade;

2) Separabilidade. Os ativos intangíveis são inseparáveis

dos ativos tangíveis, ou seja, só existe valor em conjunto, o que corrobora a

característica de exclusividade. Como exceção, temos a venda de direitos

autorais e patentes sem vender os ativos da empresa, como as marcas

Disney, que vendem o direito de uso da imagem do ratinho Mickey em

camisetas, bonés e brindes em geral;

3) Incerteza. A incerteza advém da realização dos

benefícios econômicos futuros esperados de qualquer ativo. Os ativos

27 Dicionário MICHAELIS (intangível).


28 Idem, pág. 389.
2

intangíveis carregam a incerteza, não bem aceita pela contabilidade a qual

tem como princípios o conservadorismo e a prudência.

IUDÍCIBUS29 classifica os ativos intangíveis dessa forma:

• Goodwill

• Gastos de Organização

• Marcas e Patentes

• Alguns Investimentos de Longo Prazo

• Alguns ativos diferidos de Longo Prazo

Para a contabilidade, todos os ativos são capazes de gerar benefícios

econômicos futuros, sempre lastreados a desencaixes antecipados que se

transformarão em despesas ou custos responsáveis pela geração de resultados

futuros.

Muitos consideram que os ativos intangíveis são como os ativos

tangíveis, ou seja, como todos são ativos, também são gerados por desencaixes

antecipados (gastos).

Muitas vezes, ao invés de se reconhecer estes gastos como ativos

responsáveis pelo fluxo de caixa futuro, estes são alocados diretamente como

despesas, pela dificuldade em relacionar estas despesas antecipadas com os

possíveis resultados econômicos futuros.

Abaixo seguem os principais gastos considerados os geradores dos

ativos intangíveis. Freqüentemente são gastos relacionados com a geração de

resultado econômico de períodos subseqüentes e não daqueles lançados como

29 Idem, pág. 210.


2

despesas. Quando estes gastos são capitalizados pela contabilidade, eles devem

ser registrados como despesas diferidas.

Intangíveis Tradicionais Despesas Diferidas (gastos

diferidos)
Nomes de produtos Propagandas e promoção
Direitos de autoria Adiantamento aos autores
Compromissos de não Concorrer Custos de desenvolvimento de

softwares
Franquias Custos de emissão de títulos de dívida
Interesses futuros Custos judiciais
Goodwill Pesquisas de Marketing
Licenças Custos de organização
Direitos de Operação Custos pré-operacionais
Patentes Custos de mudança
Matrizes de Gravação Reparos
Processos Secretos Custos de Pesquisa e Desenvolvimento
Marcas de Comércio Custos de Instalação
Marcas de Produtos Custos de Treinamento
Fonte: HENDRIKSEN e VAN BREDA30

Estes gastos acima, tratados muitas vezes como intangíveis, não serão

tratados como intangíveis neste trabalho, onde no item GASTOS NÃO

CAPITALIZADOS E ATIVOS INTANGÍVEIS esclareceremos os motivos.

1.1.1 Reconhecimento

Segundo HENDRIKSEN e VAN BREDA31:

Ativos intangíveis resultam do diferimento de desembolsos com


serviços, ou seja, são criados quando se gasta caixa com
serviços originando, desta forma, a denominação “ativos
resultantes ou despesas diferidas” para alguns e intangíveis
tradicionais para outros.

30 Idem, pág. 389.


31 Idem, pág. 394.
3

A Lei das S.A. classifica os ativos intangíveis no ativo diferido a exemplo

dos gastos de implantação e pré-operacionais, desenvolvimento de software,

pesquisa e desenvolvimento de produtos, franquias e licenças e direitos autorais.

Assim, como a conceituação do FASB, só é aceito o registro de um ativo

pela contabilidade após uma transação que lhe dê suporte e conseqüentemente

uma mensuração efetiva.

Apesar da grande discussão sobre o que deve ser considerado como

Ativo Intangível, o IASB dá regras de como deve se comportar a contabilidade em

relação a esses ativos.

O IASC32 fala sobre duas situações possíveis quanto ao surgimento e a

possível identificação e reconhecimento dos ativos intangíveis:

• Quando adquirido pela empresa, numa compra ou transação;


• Quando produzido pela empresa, por meio de gastos na busca
de retornos futuros.

Mas só serão reconhecidos se:

• it is probable that the future economic benefits that are


attributable to the asset will flow to the enterprise;
• the cost of the asset can be measured reliably. 33

Logo, gastos tidos com a formação de Ativos Intangíveis deverão ser

reconhecidos se ocorridos e se houver uma confiável relação com benefícios

econômicos futuros e houver a possibilidade de se mensurar o ativo com

confiança e justiça.34
32 IASC - International Accounting Standards Committee, IAS 38.
33 Idem, IAS 38, parág. 19.
34 Idem, IAS 38, parág. 60.
3

No caso de alguns gastos, em que seria considerado como construção

interna de ativos intangíveis, estes, segundo o IAS, deveriam ter o seguinte

tratamento:

Gastos com Pesquisa e Desenvolvimento

Segundo o IAS35, a contabilidade deve:

Charge all research cost to expense.

Custos de desenvolvimento apenas serão capitalizados após a certeza

de que aquele produto desenvolvido está apto para ser vendido ou seu uso

comercial ser conhecido e estabilizado. Só será capitalizado quando a empresa

tiver como demonstrar que este ativo gerará benefícios futuros, ou seja, a

empresa terá como usar ou mesmo vender este ativo.36

Marcas, títulos publicados, lista de clientes e itens similares

internamente gerados não deverão ser reconhecidos como ativos.37 O IASB se

manifesta por meio do IAS 38, parágrafo 45, onde diz que a empresa só deve

capitalizar gastos com pesquisa e desenvolvimento (durante a fase de pesquisa)

se a empresa conseguir demonstrar que:

(a) the technical feasibility of completing the intangible asset so that


it will be available for use or sale;
(b) its intention to complete the intangible asset and use or sell it;
(c) its ability to use or sell the intangible asset;
(d) how the intangible asset will generate probable future economic
benefits. Among other things, the enterprise should demonstrate
the existence of a market for the output of the intangible asset or
35 Idem, IAS 38, parág. 42.
36 Idem, IAS 38, parág. 45.
37 Idem, IAS 38, parág. 51.
2

the intangible asset itself or, if it is to be used internally, the


usefulness of the intangible asset;
(e) the availability of adequate technical, financial and other
resources to complete the development and to use or sell the
intangible asset; and
(f) its ability to measure the expenditure attributable to the
intangible asset during its development reliably.

Serão reconhecidos como despesas e não serão capitalizados:

• Goodwill gerado internamente38

• Custos de Treinamento39

• Custos com Propaganda40

• Realocação de Custos41

Softwares

Se adquiridos, devem-se capitalizar.

Se internamente desenvolvidos para o uso ou para venda: serão

alocados como despesas, apenas se a tecnologia for conhecida e praticável, com

benefícios futuros confiáveis.

Apesar das regras, os ativos criados internamente dificilmente são

ativados, devido à dificuldade imposta por órgãos contábeis, e o próprio

conservadorismo inerente à contabilidade. Isso ocorre quando os ativos

intangíveis são adquiridos de terceiros, no caso de aquisições e fusões.

38 Idem, IAS 38, parág.36.


39 Idem, IAS 38, parág.57.
40 Idem.
41 Idem.
1

1.1.1 Mensuração

HENDRIKSEN & VAN BREDA42 (1991, 386), discursando sobre os

ativos intangíveis, afirmam:

Ativos intangíveis são definidos, às vezes, como a diferença


positiva entre o custo de uma empresa adquirida e a soma de seus
ativos tangíveis líquidos. Entretanto, isso é equivalente em
confundir a mensuração com a definição.

Este “às vezes” não foi uma desaprovação quanto à mensuração de

intangíveis, mas apenas um comentário. HENDRIKSEN e VAN BREDA queriam

uma definição de ativo intangível, uma definição que não tivesse a palavra

mensuração, algo não muito comum quando se fala de intangíveis.

O IAS 38.22 diz:

Intangible assets are initially measured at cost.

Serão mensurados pelo custo histórico, independentemente se

comprados ou produzidos internamente.

Se forem produzidos internamente43, todos os gastos com intangíveis

que se encaixem na definição de ativo poderão ser ativados como ativos

intangíveis e pelo custo, ou pelo valor gasto na sua construção. Mas, como vimos,

estes gastos, se realmente foram responsáveis pela geração de receitas futuras,

deveriam ter sido ativados.

Alguns gastos que a empresa tem hoje podem ser gastos no esforço de

gerar receitas futuras. Estes podem ser tratados de duas formas: (1) alocados
42 Idem, pág. 386.
43 Grifo utilizado, por não concordarmos com o fato de que os intangíveis produzidos internamente
seriam as despesas não capitalizadas (ou capitalizadas), mas tratamos estas despesas não
capitalizadas como um simples erro contábil.
2

como despesas do período ou (2) poderão ser capitalizados e depois amortizados.

Quando capitalizados, estes gastos devem suportar a definição, assim como ter as

características de ativo, além de comprovar relação com os benefícios futuros

esperados.

Nos processos de aquisição de empresas, quando o valor da operação

é maior que o valor patrimonial da empresa (Patrimônio Líquido), este valor

superior pago na transação é chamado de ágio.

E a composição do valor de mercado de uma empresa e seu valor

contábil pode ser vista desta forma:

Composição do Valor de Mercado de uma Empresa:

Ativo Intangível, Lucros


econômicos futuros

Este valor é
Valor de formado
Mercado por: 3 Gastos não Capitalizados
Diferença de valor dos Ativos e
2 Passivos individuais e seu valor
de mercado
1
Valor registrado pela
contabilidade

Ilustração 1 Composição do Valor de Mercado de uma Empresa


Logo, a diferença entre o valor de mercado dos ativos e passivos e o

valor registrado pela contabilidade pode advir dos:

1) Problemas de mudança dos preços relativos;

2) Problemas inflacionários;

3) Outros problemas contábeis quanto ao registro, como problemas de

depreciação ou amortização acima ou abaixo da econômica.


2

O primeiro item, que diz respeito a preços relativos, pode advir de três

fatores:

a) Preço relativo (desvalorização de moeda);

b) Atualização monetária (inflação);

c) Problemas contábeis (depreciação).

Os fatores a e b são conseqüência do reconhecimento da contabilidade

pelo valor histórico. Como o mercado é dinâmico, as mudanças relativas aos

preços dos ativos individuais não são acompanhadas pela contabilidade. O fator c

é relativo a uma depreciação maior ou menor que a depreciação econômica do

ativo, gerando distorções e diferenças em relação ao preço de mercado. Logo,

todos estes problemas são relativos ao não-acompanhamento da contabilidade ao

valor de reposição individual dos ativos.

O segundo item, apesar de ser tratado muitas vezes como ativos

intangíveis, também advém de erros no registro no que diz à competência da

despesa e não rotularemos estas despesas como ativos intangíveis, as quais

daremos maiores explicações no capítulo “GASTOS NÃO CAPITALIZADOS E

ATIVOS INTANGÍVEIS”.

O terceiro item, que é a expectativa de lucro acima da média do

mercado, o qual adotaremos como a definição de ativos intangíveis seria também

a própria mensuração dos ativos intangíveis.

Logo, se tivéssemos uma empresa com o valor de seus bens tangíveis

registrados ao valor de mercado ou com um valor médio aproximado o qual seriam

crivados pelo valor do fair value, e se todo gasto na criação de resultados futuros

anteriormente lançados como despesa tivessem sido capitalizados e, ainda, se a

empresa fosse vendida por um valor acima do registrado pela contabilidade, esta
2

diferença seria formada apenas pela expectativa de lucro acima da média do

mercado.

Esta suposição é coerente com a definição de LEV, que diz:

ativos tangíveis geram apenas retorno do capital enquanto que os


intangíveis são responsáveis pelos retornos excepcionais.

É esta a definição que consideraremos aqui, ou seja, de que todo ativo

tangível gera o retorno normal e os ativos intangíveis os retornos anormais.

Sendo assim, a definição que será utilizada para este trabalho é a de

que:

Ativo Intangível são os lucros econômicos (lucros acima do custo

do capital) futuros esperados de uma empresa.

E a mensuração destes ativos intangíveis é o valor presente destes

lucros anormais. Com esta definição em mente poderemos aceitar a hipótese

secundária de número I.

1.1.1 Amortização

Quanto à amortização, o Manual de Contabilidade44 diz:

Com exceção de terrenos e alguns outros itens, os elementos que


integram o ativo imobilizado tem um período limitado de vida útil
econômica.

Estas palavras foram relativas à depreciação, exaustão e amortização,


e:

44 Sérgio de IUDÍCIBUS; Eliseu MARTINS & Ernesto Rubens GELBCKE. Manual de Contabilidade
das sociedades por ações, pág. 194.
2

(...) quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na


aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e
quaisquer outros com existência ou duração limitada, cujo objeto
sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente
limitado; 45

Estas serão chamadas de amortização.

O tempo para amortização segundo o IAS46:

An intangible asset should be amortised over the best estimate of


its useful life.

A contabilidade tradicional adota duas formas para a baixa:

• um percentual das vendas que correspondem ao total da

previsão das vendas futuras esperadas do produto

desenvolvido;

• ou um percentual direto, em relação ao tempo que aquele

produto será vendido.

Quanto à amortização de outros intangíveis, pode-se usar a mesma

técnica anterior, mas ela dispõe de limites principalmente quanto ao tempo para a

amortização de Ativos Adquiridos numa aquisição. O FASB diz que:

There is a rebuttable presumption that goodwill has a maximum


useful life of 20 years. Consistent with the amortization
requirements for intangible assets in IAS 38, Intangible Assets, if
there is persuasive evidence that the useful life of goodwill will

45 Idem.
46 Idem, IAS 38, parág. 79.
2

exceed 20 years, an enterprise should amortize the goodwill over


its estimated useful life and:
 test goodwill for impairment at least annually in accordance
with IAS 36, Impairment of Assets; and
 disclose the reasons why the presumption that the useful life
of goodwill will not exceed 20 years from initial recognition is
rebutted and also the factor(s) that played a significant role in
determining the useful life of goodwill.
 the Standard does not permit an enterprise to assign an
infinite useful life to goodwill. If goodwill is written down for
impairment, the write down is not reversed.47

Esta era a opinião do IAS.

Segundo HENDRIKSEN e VAN BREDA,48 após o reconhecimento como

ativo e determinado o seu valor, o ativo intangível deve ser amortizado, devendo

esta amortização ser estimada segundo os fatores:

• vida útil do Ativo;

• ritmo de alocação aos vários períodos de duração da vida útil

do ativo.

E diz ainda que o valor residual ou de liquidação é insignificante.

E sobre a duração, HENDRIKSEN49 a relaciona com os principais ativos

intangíveis com duração definida:

• Patentes – possuem duração máxima de 17 anos;

• Direitos de Reprodução – 50 anos (prorrogáveis por mais 50

anos);

• Marcas – Limitada a 20 anos, existindo a possibilidade de

renovação;

47 IAS 36.
48 Idem, pág. 394.
49 Idem.
1

• Franquia – É determinada em contrato entre as partes.

HENDRIKSEN e VAN BREDA ainda dizem que a vida útil dos ativos

intangíveis é difícil de ser estimada até mesmo no caso de patentes, por exemplo.

Por mais que uma patente tenha duração de 10 anos, dificilmente o ganho com

este ativo deverá ser linear nos seus 10 anos, pois, na maioria das vezes, no final

da autorização de uma patente, a mesma já caiu na obsolescência, sendo

superada por outros produtos. Por esse motivo, a demanda pelo produto

patenteado se dá geralmente nos primeiros anos.

Quando a duração for indefinida, a posição da APB17 diz que todos os

ativos intangíveis perdem seu valor e devem ser amortizados. E, ainda, não

devem ter vida útil maior que 40 anos. A SEC 50 tinha previsto 25 anos com período

máximo para amortização dos ativos intangíveis das instituições financeiras.

Em 2001 o FASB, por meio do FAS 142, fez uma mudança significativa,

dizendo que todos os ativos intangíveis deverão ser identificados e amortizados, e

os ativos intangíveis não identificados chamados de goodwill não devem ser

amortizados.

Uma fundação australiana de pesquisa em contabilidade propôs um

prazo máximo de 20 anos para o goodwill. Algumas empresas têm argumentado

que estes valores deveriam ser baixados num período de 50 a 100 anos51.

A tese deste trabalho parte da definição de Ativo Intangível, o qual é o

valor presente dos lucros econômicos futuros. E o critério de amortização estará

relacionado com o período esperado de extinção dos lucros econômicos futuros.

Isto será tratado no capítulo 4.

50 Banco Central dos EUA.


51 Idem, pág. 395.
1

1.1.1 Goodwill

MARTINS52, depois de ter feito uma vasta pesquisa sobre as definições

de Goodwill, separou estes conceitos em três grandes grupos: (1) O grupo que

tem por fundamento a definição do “Goodwill” como sendo o Valor Atual dos

“Super-Lucros”; (2) aquele que considera como subavaliação dos ativos ou falta

de registro deles e (3) o grupo que o conceitua como “master valuation account”.

O primeiro grupo se encaixa na definição de Ativos Intangíveis, a qual

será usada aqui.

No segundo caso, pode ser uma subavaliação vinda de erros contábeis

quanto à depreciação e registro, ou a falta de registro deles, aqui também

referente a erros contábeis. Vale relembrar que neste trabalho estes valores não

serão considerados como Goodwill ou ativo intangível.

O terceiro caso, que traz o termo “master valuation account”, que é o

valor econômico da empresa acima do valor contábil, em que os ativos registrados

pela contabilidade não tiverem os problemas de registros tratados na introdução,

este seria o valor do Goodwill.

O IAS, quanto à mensuração do Goodwill:

The difference between the cost of the purchase and the fair value
of the net assets is recognised as goodwill.53

HENDRIKSEN54, referindo-se aos enfoques dados na avaliação do

goodwill:

1. Por meio da avaliação de atitudes favoráveis em relação à


empresa – Acredita-se que quando o preço de compra de uma

52 Idem, pág. 60.


53 IAS 22. A diferença entre o custo de aquisição e o valor fiel dos ativos é chamado de Goodwill.
54 Idem, pág. 392.
2

empresa supera a soma dos valores de todos os Ativos individuais,


exceto goodwill, a empresa esteja obtendo resultados das práticas
de boa gestão e de privilégios monopolísticos dos proprietários
anteriores;
2. Por meio do valor presente da diferença positiva entre lucros
futuros esperados e o retorno sobre o investimento total –
Pressupõe que o goodwill represente lucros futuros esperados
acima daquilo que poderia ser considerado retorno normal;
3. Por meio de uma conta geral de avaliação – a diferença entre
o valor total da empresa e as avaliações de seus Ativos líquidos
tangíveis e intangíveis individuais.

As três definições aqui cabem no nosso trabalho.

A primeira diz que Goodwill é o preço de compra que excede o valor de

todos os ativos individuais, não nos esquecendo da existência de gastos não

capitalizados que deveriam ter sido.

A segunda diz que esta diferença se deve aos retornos anormais, aqui

chamada de Goodwill, a qual recai na definição acatada para Ativo Intangível.

E, finalmente, a terceira diz que Goodwill é a diferença do valor total da

empresa e os ativos líquidos tangíveis e intangíveis. Percebe-se que os ativos

intangíveis também são considerados no cálculo, logo, o Goodwill não seria um

ativo intangível neste caso.

A confusão vista acima é compartilhada por muitos autores, onde é feita

a seguinte divisão dos ativos intangíveis:

• Identificáveis (Marcas, imagem ou reputação da companhia, uma

patente de um produto, direitos autorais e outros);

• Não identificáveis (Goodwill).


2

Todos os Ativos Intangíveis que não forem passíveis de rótulos são

chamados de Goodwill.

O mais importante é que muitas vezes os ativos intangíveis,

identificados, como marcas e patentes, são mensurados apenas pelos gastos

passados para obtenção destes e que não foram capitalizados e por sua vez

lançados como despesa. Como já visto, estes serão tratados como erros

contábeis e não como Ativos Intangíveis.

Não trataremos neste trabalho da identificação dos ativos intangíveis

dada a dificuldade e por fugir do escopo do nosso trabalho. Isso feito, se nenhum

ativo fosse passível de identificação, no limite, Goodwill seria o mesmo que Ativo

Intangível.

Por isso não faremos distinção sobre as “partes dos intangíveis” e

trataremos todo o retorno excepcional futuro como Ativo Intangível.

1.1 LUCROS ECONÔMICOS, EXCEPCIONAIS, ANORMAIS E

INTANGÍVEIS

Para conceituar lucro econômico, primeiramente é necessário

conceituar custos no conceito contábil do conceito contábil usual.

VASCONCELLOS55 cita:

Ambos os conceitos consideram que o custo de produção é

dado pelo que se gastou com os fatores de produção

necessários para a geração do produto (...) no entanto,

enquanto o conceito contábil toma por preço dos diferentes


55 Marco Antonio Sandoval de VASCONCELLOS & Roberto Guena de OLIVEIRA. Manual de
Microeconomia, pág. 22.
2

fatores de produção o valor equivalente pago por estes

fatores, o conceito econômico toma por preço o assim

chamado custo de oportunidades destes fatores.

Logo, há uma distinção clara entre os custos contábeis e custos

econômicos, os quais incorporam o custo do capital, ou a remuneração mínima

esperada pelos acionistas.

Assim, Lucro Econômico (lucro para os economistas) é a diferença entre

receita total e custos totais. Os custos totais contêm todos os custos, assim como

o custo do capital. Logo, se fôssemos ver o Lucro Econômico usando a palavra

custo total no sentido contábil, teríamos:

Lucro Econômico = Receita Total – Custos Totais (Sentido Econômico)

Sendo:

Custo Total (Sentido Econômico) = Custos Totais (Sentido Contábil) +

Custo do Capital

Logo:

Lucro Econômico = Receita Total – Custos Totais (Sentido Contábil) –

Custo do Capital

O conceito de lucro econômico tem alguns sinônimos: lucros

excepcionais ou lucros anormais56, que serão utilizados no decorrer deste

trabalho.

1.2 EXEMPLO DE MENSURAÇÃO DO ATIVO INTANGÍVEL

56 Anormais e Excepcionais são referentes aos lucros econômicos, pois estes, segundo a teoria
microeconômica, não deveriam existir em uma economia competitiva.
2

Exemplificaremos o conceito de lucro econômico e sua correlação com

o valor dos ativos intangíveis.

Imaginemos uma empresa que tenha investido 500.000 reais e não

tenha dívidas, e o retorno esperado de mercado sobre o capital seja de 12%,

sendo o seu custo de capital de 10%. Para simplificar o modelo, imagine este

cenário infinitamente, a fim de utilizarmos o conceito de perpetuidade57. Se a

empresa tivesse o retorno igual ao custo de capital, o valor do patrimônio líquido,

ou do capital investido, seria igual ao valor esperado de mercado, pois se tivesse

um retorno esperado de 10%, estes seriam equivalentes a um retorno médio

anual de R$ 50.000 (500.000 x 10%) por mês, gerando uma perpetuidade igual a:

R$ 50.000
VPFC = = R$ 500.000
10%

Como vemos, o valor presente dos fluxos futuros, considerando que o

mercado avalia baseado no fluxo de caixa futuro, seria igual ao valor investido,

pois o custo de capital é igual ao retorno esperado.

Mas, como a empresa tem um retorno maior que o custo do capital, 12%

(12% x 500.000 = 60.000 a.a.), o valor de mercado esperado da empresa é de:

R$ 60.000
VPFC = = R$ 600.000
10%

Como podemos perceber, este valor de R$ 100.000 acima do

investimento feito representa o lucro econômico (retorno acima do custo do

capital) ou retornos excepcionais futuros.

Como falado anteriormente, o valor presente dos lucros excepcionais

futuros é o valor dos ativos intangíveis.

57 Numa perpetuidade, com crescimento constante, aqui igual a zero, chegamos ao valor da
perpetuidade (ou da soma dos fluxos) dividindo o valor da parcela líquida recebida pelo acionista
pelo custo do capital.
3

Os ativos tangíveis desta empresa, segundo LEV58, seriam os que

geram apenas retorno ao custo do capital R$ 500.000 x 10%59 = R$ 50.000.

Ativos tangíveis:

R$ 50.000
VPFC = = R$ 500.000
10%

e todo retorno acima deste valor seria causado pelos ativos intangíveis.

Logo, esta diferença de R$ 60.000 – R$ 50.000 = R$ 10.000 seria os retornos

excepcionais. Assim, o valor dos intangíveis seria:

R$ 10.000
VPFC = = R$ 100.000
10%

Portando, sabendo que as empresas que têm valores de mercado acima

do registrado pela contabilidade por seus investimentos (dada as outras diferenças

vistas anteriormente), estes valores representam os retornos excepcionais

(econômicos) futuros esperados de seus ativos.

1.3 GASTOS NÃO CAPITALIZADOS E ATIVOS INTANGÍVEIS

Como visto até agora, os Retornos Excepcionais futuros esperados

formam os intangíveis.

Mas a diferença entre o valor de mercado e o valor dos ativos contábeis

pode conter valores de gastos não contabilizados. É o segundo caso mostrado na

figura “Ilustração 1 Composição do Valor de Mercado de uma Empresa” na página

Ilustração 5 Evolução do Retorno dos Ativos Totais Líquidos - CELOTO.

Em uma entrevista com LEV:

58 Idem.
59 Retorno igual ao custo de oportunidade igual a 10% vezes o capital empregado de 1.000, ou
seja, parcelas anuais de 100 ao ano, o que geraria um valor de 1.000 com custo de capital igual a
10%.
3

One of the major problems with today’s accounting systems is, that
they are still based on transactions, such as sales. In the current,
knowledge-based economy much of the value creation or
destruction precedes, sometimes by years, the occurrence of
transactions. The successful development of a drug creates
considerable value, but actual transactions, such as sales, may
take years to materialize. Until then, the accounting system does
not register any value created in contrast to the investments made
into R&D, which are fully expensed. This difference, between how
the accounting system is handling value created and is handling
investments into value creation, is the major reason for the growing
disconnect between market values and financial information.60

Alguns gastos como pesquisas de marketing, publicidade e propaganda,

treinamento de pessoal, pesquisas e desenvolvimento, investimento na eficiência

das atividades internas da empresa, são desembolsos feitos hoje para obtenção

de resultados futuros, muitas vezes de longo prazo, onde o princípio da

competência para o registro destes é literalmente esquecido ou suprimido por

outros princípios.

Estes gastos muitas vezes são chamados de causadores ou

responsáveis pelos retornos excepcionais, e deveriam ser capitalizados ao invés

de serem lançados como despesas do período.

Vejamos um exemplo:

Imaginemos uma empresa que está desenvolvendo um produto. Este

produto será desenvolvido nos anos 1 e 2. O gasto com o seu desenvolvimento foi

de 30.000 reais no primeiro ano e 30.000 reais no segundo ano. No final do ano 2

ele consegue uma patente com duração de 2 anos, para sua venda. Na situação
60 Interview with Baruch Lev in The New Economy Analyst Report – March 06, 2002
BARUCH LEV é professor de Contabilidade e Finanças da Universidade de Nova York e da
Faculdade de Administração de STERN assim como diretor da Vincent C. Ross Institute for
Accounting Research e dirige também o projeto de pesquisa de intangíveis.
2

1, estes gastos com desenvolvimento foram lançados como despesas do período,

e, na situação 2, os gastos foram ativados, onde deverão ser amortizados nos

anos 03 e 04.

Elaboramos um resultado ex-post, observando as diferenças se a

empresa tivesse registrado como despesas do período (1) e outro como se tivesse

ativado como pesquisa e desenvolvimento (2).

Supondo que todas as Receitas, de Despesas, sejam recebidas e pagas

à vista, teríamos:

No primeiro caso, onde os gastos com P&D foram lançados como

despesas do período:

Lançamento como despesas do Período (1)


DRE Ano 01 Ano 02 Ano 03 Ano 04 Total 01-04
Receita R$ 120.000 R$ 120.000 R$ 160.000 R$ 160.000 R$ 560.000
Custos R$ (40.000) R$ (40.000) R$ (40.000) R$ (40.000) R$ (160.000)
Lucro Bruto R$ 80.000 R$ 80.000 R$ 120.000 R$ 120.000 R$ 400.000
(-) Pesquisa e Desenvolvimento R$ (30.000) R$ (30.000)

Lucro R$ 50.000 R$ 50.000 R$ 120.000 R$ 120.000 R$ 340.000

Balanço Patrimonial dez/00 dez/01 dez/02 dez/03 dez/04 dez/04

Ativos:
Caixa R$ 50.000 R$ 100.000 R$ 150.000 R$ 270.000 R$ 390.000 R$ 390.000
Outros Ativos Tangíveis R$ 450.000 R$ 450.000 R$ 450.000 R$ 450.000 R$ 450.000 R$ 450.000
Ativos Intangíveis R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ -

Total Ativo R$ 500.000 R$ 550.000 R$ 600.000 R$ 720.000 R$ 840.000 R$ 840.000

Passivo

Patrimônio Líquido
Capital R$ 500.000 R$ 500.000 R$ 500.000 R$ 500.000 R$ 500.000 R$ 500.000
Lucros Acumulados R$ - R$ 50.000 R$ 100.000 R$ 220.000 R$ 340.000 R$ 340.000

Total Passivo + PL R$ 500.000 R$ 550.000 R$ 600.000 R$ 720.000 R$ 840.000 R$ 840.000

Agora veremos o segundo caso, quando as despesas foram ativadas

durante o período de desenvolvimento, e, num segundo momento, durante o uso

da patente desenvolvida, a amortização deste ativo:


1

Com Capitalização dos Gastos de P&D (2)


DRE Ano 01 Ano 02 Ano 03 Ano 04 Total 01-04
Receita R$ 120.000 R$ 120.000 R$ 160.000 R$ 160.000 R$ 560.000
Custos R$ (40.000) R$ (40.000) R$ (40.000) R$ (40.000) R$ (160.000)
Lucro Bruto R$ 80.000 R$ 80.000 R$ 120.000 R$ 120.000 R$ 400.000
(-) Amortização de P&D R$ (30.000) R$ (30.000)

Lucro R$ 80.000 R$ 80.000 R$ 90.000 R$ 90.000 R$ 340.000

Balanço Patrimonial dez/00 dez/01 dez/02 dez/03 dez/04 dez/04

Ativos:
Caixa R$ 50.000 R$ 100.000 R$ 150.000 R$ 270.000 R$ 390.000 R$ 390.000
Outros Ativos Tangíveis R$ 450.000 R$ 450.000 R$ 450.000 R$ 450.000 R$ 450.000 R$ 450.000
Ativos Intangíveis R$ - R$ 30.000 R$ 60.000 R$ 30.000 R$ - R$ -

Total Ativo R$ 500.000 R$ 580.000 R$ 660.000 R$ 750.000 R$ 840.000 R$ 840.000

Passivo

Patrimônio Líquido
Capital R$ 500.000 R$ 500.000 R$ 500.000 R$ 500.000 R$ 500.000 R$ 500.000
Lucros Acumulados R$ - R$ 80.000 R$ 160.000 R$ 250.000 R$ 340.000 R$ 340.000

Total Passivo + PL R$ 500.000 R$ 580.000 R$ 660.000 R$ 750.000 R$ 840.000 R$ 840.000

Com a última coluna de lucros, que soma todos os lucros, percebe-se

que o lucro médio dos quatro períodos é o mesmo nas duas situações, mas os

lucros excepcionais continuam existindo.

Olhemos como ficaria o Fluxo de Caixa nas duas situações:

Lançamento como despesas do Período (1)


Fluxo de Caixa Ano 01 Ano 02 Ano 03 Ano 04 Total 01-04
Lucro R$ 50.000 R$ 50.000 R$ 120.000 R$ 120.000 R$ 340.000
(+/-) Lançamentos que não afetaram o
caixa mas afetaram o resultado R$ - R$ - R$ - R$ - R$ -
(+/-) Lançamentos que afetaram o caixa
mas não afetaram o resultado R$ - R$ - R$ - R$ - R$ -
Fluxo de Caixa Gerado no Período R$ 50.000 R$ 50.000 R$ 120.000 R$ 120.000 R$ 340.000

Com Capitalização dos Gastos de P&D (2)


Fluxo de Caixa Ano 01 Ano 02 Ano 03 Ano 04 Total 01-04
Lucro R$ 80.000 R$ 80.000 R$ 90.000 R$ 90.000 R$ 340.000
(+/-) Lançamentos que não afetaram o caixa
mas afetaram o resultado R$ - R$ - R$ 30.000 R$ 30.000 R$ 60.000
(+/-) Lançamentos que afetaram o caixa
mas não afetaram o resultado R$ (30.000) R$ (30.000) R$ - R$ - R$ (60.000)
Fluxo de Caixa Gerado no Período R$ 50.000 R$ 50.000 R$ 120.000 R$ 120.000 R$ 340.000
3

O fluxo de caixa nas duas situações não se altera. Apenas o efeito dos

tributos, que no caso de os gastos serem ativados (2), no período inicial o LAIR

aumentaria, tendo maior incidência de impostos nos períodos (1) e (2), o que seria

compensado no momento da baixa desses ativos nos períodos seguintes (3) e (4).

O fluxo de caixa segue fielmente o lucro da situação número (1), pois

lança no mesmo período que o gasto incorreu, como despesas do período.

Capitalizando os gastos com pesquisas ou outros causadores de

ganhos excepcionais, não estaríamos ativando o retorno excepcional. Estaríamos

ativando apenas o retorno normal daquele gasto.

Um gasto capitalizado como ativo intangível seria um gasto como

qualquer outro, como investimentos em máquinas, equipamentos e estoques, o

que deveria gerar um retorno normal.

O retorno excepcional é aquele que aumenta o retorno médio dos ativos

no longo prazo. Quando capitalizamos gastos, o retorno médio não muda; muda

apenas o timing deste retorno, e o retorno fica menos volátil no tempo. O retorno

excepcional pode advir deste ou daquele gasto bem gerido, mas o gasto não

capitalizado não é o retorno excepcional.

A capitalização dos gastos não muda a estrutura de fluxo de caixa da

empresa, muito menos seu retorno médio no longo prazo. Logo, a capitalização

dos gastos também não é o registro dos retornos excepcionais. A diferença entre

o valor de mercado e valor contábil diminuiria, mas não o retorno excepcional, pois

estes gastos foram apenas gastos não contabilizados como ativo.

Estes gastos não contabilizados é apenas um problema de registro da

contabilidade, onde os lançamentos de uma despesa foram feitos num período de

competência indevidos.
3

Portanto, o item número (3) da Ilustração da página 38 não é um

problema típico de ativo intangível, e este não será considerado para a confecção

deste trabalho.

No capítulo seguinte será discutido o comportamento dos lucros

econômicos no tempo tratados pela microeconomia.

1.4 TEORIA A RESPEITO DOS LUCROS EXCEPCIONAIS

1.4.1 Teoria microeconômica

A teoria microeconômica diz que os lucros econômicos excepcionais ou

anormais, em uma economia de concorrência perfeita, tende a zero.

Nosso trabalho será baseado nesta teoria, acreditando que, se os lucros

econômicos tendem a zero, os ativos intangíveis também o seriam.

1.4.2 “Q de TOBIN”

Esta parte do trabalho será baseada no trabalho de FAMÁ, onde foi feito

um levantamento dos principais trabalhos científicos na área de economia e

finanças que fizeram uso do “Q de TOBIN”.

“Q de TOBIN” é definido como:

Q = VMA + VMD

VRA

Onde:

VMA = valor de mercado das ações

VMD = valor de mercado das dívidas

VRA = valor de reposição dos ativos


3

A divisão do valor total da empresa, que é o valor de mercado mais suas

dívidas, dividido pelo valor de reposição de seus ativos, levou o nome de

“Quociente de Tobin”, que foi resumido e conhecido por “Q de TOBIN” a partir de

1969.

A contabilidade tradicional não contabiliza a correção monetária no valor

dos seus ativos, assim como variações tecnológicas que geram mudanças nos

preços dos ativos, além de vários outros problemas de variação de preços. O

único ajuste feito pela contabilidade possível, que é a depreciação, muitas vezes

contribui para aumentar esta diferença, pois a depreciação muitas vezes é feita

com valores diferentes da depreciação econômica real.

TOBIN trouxe uma definição marginal, em que o valor de reposição dos

ativos seria o mesmo que dizer quanto custaria para comprar uma planta, uma

equivalente à empresa hoje. O abandono do valor registrado pela contabilidade

pelo valor de reposição dos ativos trouxe maior visibilidade ao índice, e uma noção

marginal trouxe maior força econômica ao seu funcionamento.

O “Q de TOBIN” é usado também para determinação de investimento.

Um “Q de TOBIN” menor que 1 significa um valor de reposição dos ativos maior

que o valor Total. Isso significa que o retorno futuro da empresa (baseado na

expectativa de mercado) será menor que o custo de capital, acarretando um

desinvestimento no setor e, por conseqüência, o equilíbrio de mercado, onde num

setor competitivo em equilíbrio o “Q de TOBIN” é igual a 1.

Quando o “Q de TOBIN” é maior que 1, o valor de mercado da empresa

é maior que o valor de reposição de seu ativo. Significa que o setor terá lucros

econômicos futuros, os quais estarão remunerando o capital a taxas acima do


4

custo do capital. Assim, depressa o mercado se mobiliza, gerando um

investimento neste setor.

Podemos dizer que, quando o “Q de TOBIN” é maior que 1, o setor terá

lucros econômicos e quando isso acontece em uma economia competitiva, estes

lucros econômicos tenderão a zero graças a forças de mercado, atraindo

investimentos. Aqui, como já comentamos, é usado o valor de mercado dos ativos

individuais para se fazer o índice.

Mais adiante veremos como o “Q de TOBIN” se comporta no mercado

Brasileiro.
1

2 TRABALHO EMPÍRICO A RESPEITO DAS TEORIAS

2.1 OBJETIVO

O objetivo do trabalho aqui é verificar como se comportam os lucros

excepcionais das empresas no longo prazo. É uma tentativa de verificar se a

teoria microeconômica é corroborada ao dizer que os lucros excepcionais

convergem para a média com o passar do tempo.

Para isso foram elaborados vários índices baseados nas informações

financeiras de empresas, com o objetivo de monitorar seus comportamentos.

Apresentaremos agora alguns gráficos que resumem todo trabalho. Em

apêndice será apresentado o restante deste trabalho, assim como o trabalho de

outros autores e suas principais diferenças.

2.2 METODOLOGIA

A metodologia utilizada para o acompanhamento dos retornos das

empresas é a mesma utilizada por PENMAN & NISSIN, com a diferença que estes

autores colheram dados de Empresas Listadas na Bolsa de NY no período de

1963 a 1996, nós utilizamos dados das Empresas Abertas listadas na BOVESPA

no período de 1994 a 2003 e dados das “500 Maiores e Melhores” no período de

1998 a 2003.

A confecção seguiu os seguintes passos:

1) Filtro das empresas que tinham informações para todos os anos da

pesquisa;
1

2) Cálculo da taxa de retorno sobre o Patrimônio Líquido para todos os anos;

3) Classificação das empresas pelos seus respectivos retornos relativos ao

retorno do primeiro ano da série;

4) Dividir as empresas em seis grupos obedecendo à ordem de classificação

dos retornos;

5) Cálculo da mediana dos retornos das empresas de cada grupo;

6) Acompanhamento da mediana dessas empresas com o passar dos anos.

1.1.1 Dados das 500 MAIORES E MELHORES

Os primeiros gráficos que iremos mostrar foram feitos utilizando-se dos

dados fornecidos pela revista “500 Maiores e Melhores”.

Retorno dos Ativos - Maiores e Melhores

25%
22,8%

20%

16,3%
15% 14,4% 14,3% 15,0%

11,3%
10% 9,3% 8,9%
8,4% 8,2%
7,7%
6,0% 5,0% 6,0%
5% 5,1% 4,1% 4,0%
3,1% 4,1%
2,7% 5,9% 3,8% 3,6%
1,6%
0,0%
0% 0,5% 0,0% -1,9%
1 2 3 4 5
-2,9%
-5%

-10%

-15%

-20% -20,1%

-25%

Gráfico 1 Retorno dos Ativos - MM


3

Fica nítido que a mediana do retorno dos ativos das empresas que

tinham retornos bem acima da média tiveram uma queda acentuada já no primeiro

ano. A queda logo no primeiro ano foi de 6,2 pontos percentuais, o que significava

27% de todo o retorno obtido no primeiro ano. O grupo de empresas que tinha

uma mediana de retornos negativos, de -20%, também subiu significantemente

logo no primeiro ano, alcançando no último ano 4,1%. A convergência da

mediana dos retornos à média é significativo.

Desvio Padrão das Medianas - Maiores e Melhores

16%

14,4%

14%

12%

10%

8%

6,2%
6% 5,4%
4,9%
4,2%
4%

2%

0%
Ano1 Ano2 Ano3 Ano4 Ano5

Gráfico 2 Desvio Padrão das Medianas -MM

No gráfico acima vemos a tendência do desvio padrão das medianas.

No primeiro ano temos um desvio padrão de 14,4% e no último ano este desvio

padrão chega a 4,2%. Este dado confirma ainda mais a convergência dos dados

gerados pelo primeiro gráfico.


3

O gráfico abaixo mostra a taxa de permanência das empresas no

mesmo grupo. Isto foi feito baseado num novo ranking a cada ano e observando

qual a percentagem das empresas que permaneceram no mesmo grupo depois de

feito um novo ranking. Nos gráficos acima, as medianas dos retornos foram

calculadas sempre utilizando o ranqueamento do primeiro ano.

Taxa de Permanência das Empresas no mesmo Grupo ao passar dos anos - Maiores e Melhores

60%

51%
50%

44%

40%
36%
33%
32%
31%
29%
30%
25% 25% 25% 25%
24%
22% 22% 22% 22%
21%
19% 19%
20% 18% 18% 18% 18%

14%

10%

0%
Após 1 ano Após 2 anos Após 3 anos Após 4 anos

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5 Grupo 6

Gráfico 3 Taxa de Permanência no mesmo grupo - MM

Para se ter uma idéia exata dos números apresentados, é importante

notar que os grupos nos quais colocadas as empresas obedecem ao seguinte

critério:

• Grupo 1 – Grupo das empresas mais rentáveis

• Grupo 2 – Rentabilidade menor que o Grupo 1 e maior que o Grupo 3

• Grupo 3 – Rentabilidade menor que o Grupo 2 e maior que o Grupo 4

• Grupo 4 – Rentabilidade menor que o Grupo 3 e maior que o Grupo 5

• Grupo 5 – Rentabilidade menor que o Grupo 4 e maior que o Grupo 6


1

• Grupo 6 – Grupo das empresas menos rentáveis

O resultado do gráfico acima mostra que as empresas que estavam no

grupo 1, as de maiores retornos, após um ano, apenas 14% delas permaneceram

no primeiro grupo. Passados 5 anos, 25% delas estavam no primeiro grupo

novamente.

Os próximos seis gráficos irão mostrar o comportamento das empresas

que estavam em um determinado grupo no primeiro ano de ranqueamento, e a

distribuição delas pelos grupos com o passar dos anos, se fosse feito um novo

ranqueamento. Vejamos:

Empresas que estavam no Grupo 1 no primeiro ano do Ranking

40%

36%

35%
32%
31%
30% 29%

26%
25% 25%
25% 24%

19%
20%
18% 18%

15%
15%
13% 13%
11% 11%
10% 10% 10%
10% 8%
7%
6%
5%
3%
1%

0%
Após 1 ano Após 2 anos Após 3 anos Após 4 anos

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5 Grupo 6

Gráfico 4 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 1 no primeiro ano do ranking e
seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito

O gráfico acima mostra as empresas que estavam colocadas no Grupo

1 no primeiro ano. No segundo ano, percebe-se que apenas 29% delas estariam

no primeiro grupo se novo ranqueamento fosse feito. Ainda após um ano, ela teria
2

26% no grupo 2, 15% no grupo 3, 10% no grupo 4, 10% no grupo 5 e 10% no

grupo 6. E depois de passados 4 anos, apenas 25% das empresas continuariam

no grupo 1 e o mais interessante é que 25% estaria no grupo 6, que é o grupo das

empresas menos rentáveis. Observemos que há uma enorme dispersão das

empresas entre os grupos ao passar dos anos. Vejamos os gráficos das empresas

que se colocavam em outros grupos:

30%
Gráfico 5 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 2 no primeiro ano do ranking e
seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito

25%
25%
24%
1

30%
Gráfico 6 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 3 no primeiro ano do ranking e
seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito

25%
24%
22%
30% 21%
20%
Gráfico 7 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 4 no primeiro ano do ranking e
seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito

26%
1

35%
Gráfico 8 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 5 no primeiro ano do ranking e
seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito

30%

60%
25%
Gráfico 9 Distribuição das empresas que estavam no Grupo 6 no primeiro ano do ranking e
seu comportamento ao passar dos anos se novo ranking fosse feito

21%
3

Vimos que o Gráfico 4 mostra que as empresas que foram as mais

rentáveis no primeiro ano, 25% delas seriam consideradas menos rentáveis após

quatro anos. O que comprova que a tendência dispersão das vencedoras e uma

convergência à média, o que também é percebido em todos os outros gráficos.

1.1.1 Dados da ECONOMÁTICA

Os próximos gráficos que iremos apresentar foram feitos utilizando-se

dos dados fornecidos pelo banco de dados da Economática.

Retorno dos Ativos - Economática

60%

50% 49,7%

40%

33,7% 31,2%
30% 27,9%

24,4% 22,1% 25,2%


20,9% 19,6%
20% 19,4%

13,3% 11,5% 13,3% 13,8%


12,9% 10,9%
10% 9,6%
7,6% 7,3%
5,6% 7,0%
6,0%
0% 5,6% 1,2%
1,6% -2,3%
1 -3,2% 2 3 4 5
-6,9%
-10%
-14,4%
-20%

-30%

-37,4%
-40%

-50%

Gráfico 10 Retorno dos Ativos – ECON.

O gráfico acima mostra que a convergência também é significativa

utilizando dados da economática. Os retornos do grupo 1 (maiores retornos), que

tinham uma mediana de 49,7% no primeiro ano, convergiram para 25,2% no


2

último ano. O Grupo 6, que tinha os piores retornos, com mediana de -37,4% no

primeiro ano, também convergiram significativamente, tendo 1,2% de retorno

mediano após 4 anos.

Desvio Padrão das Medianas - Economática

35%

30% 29,1%

25%

20%

16,5%

15%
13,0%

10,9%

10% 8,7%

5%

0%
Ano1 Ano2 Ano3 Ano4 Ano5

Gráfico 11 Desvio Padrão das Medianas – ECON.

O gráfico acima ccorrobora a convergência do Gráfico 10 e mostra que

o desvio padrão das medianas, que no primeiro ano era de quase 30%, passados

quatro anos esse desvio chega a 8,7%, uma convergência significativa.

Abaixo vemos o Gráfico 12, que apresenta uma distribuição homogênea

das empresas no último ano. Este mostra que as empresas vencedoras num

determinado momento, passados alguns anos, se distribuem quase que

uniformemente entre os outros grupos.


1

Taxa de Permanencia das Empresas no mesmo Grupo ao passar dos anos - Economática

60%

52%
51%
50%

43% 43%
41%
40% 38%
36%
33% 33%
30% 29%
30% 29%
27% 27%
26%
25% 24% 25%
23% 24% 23% 23%
22%
21%
20%

10%

0%
Após 1 ano Após 2 anos Após 3 anos Após 4 anos

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5 Grupo 6

Gráfico 12 Taxa de Permanência no mesmo grupo – ECON.

Abaixo, simulamos o “Q de TOBIN” e fizemos o acompanhamento no

tempo.

Mas, pela impossibilidade de se ajustar os valores dos ativos das

empresas pelo seu valor de reposição, pelo menos para a confecção deste

trabalho, utilizaremos os valores fornecidos pelos relatórios financeiros para

calcularmos o “Q de TOBIN” para as empresas.

Neste caso iremos trabalhar imaginando que o VRA (Valor de

Reposição dos Ativos) é igual ao valor de registro dos ativos pela contabilidade e

divulgado nos relatórios Financeiros.

Vejamos os dois gráficos abaixo:


1

Q de Tobin

2,5
2,38
2,40

2,15
2,0
1,97

1,74

1,5

1,0

0,5

0,31
0,29
0,20
0,04 0,15
0,0
1 2 3 4 5

Ilustração 2 Evolução do “Q de TOBIN” – ECON.

Q de Tobin

1,4

1,2
1,16
1,13
1,0
1,02 1,02

0,85 0,84
0,8 0,80
0,78
0,74
0,67
0,6

0,50 0,51 0,49


0,47
0,43
0,4
0,35 0,31
0,33 0,31
0,25 0,29 0,30
0,2 0,20
0,15
0,04
0,0
1 2 3 4 5

Ilustração 3 Evolução do “Q de TOBIN” (sem o portfólio superior) – ECON.


1

Desvio Padrão - Q de Tobim

90%

85,9%
81,3%
80%

69,8%
70%

64,8%

60%

53,8%
50%

40%

30%
1 2 3 4 5

Ilustração 4 Evolução do Desvio Padrão das Medianas do “Q de TOBIN” – ECON.

A Ilustração 2 mostra os seis portifólios de medianas, enquanto a

Ilustração 3 mostra somente cinco medianas, apenas para uma melhor

visualização. A Ilustração 4 mostra a evolução dos desvios padrão dos portifólios.

A convergência para um número central é evidente. Aqui, por problemas

contábeis de avaliação dos ativos, a convergência não se dá ao “Q de TOBIN”

igual a 1, mas a convergência existe, confirmada pela diminuição do desvio

padrão com o passar do tempo.

Esta convergência, apesar de influenciada pela não correção dos

valores dos ativos, é significativa, corroborando com a teoria microeconômica

sobre a convergência dos retornos excepcionais a zero.

Mostramos o Gráfico 1 com dados de retorno das 500 Maiores e

Melhores assim como o Gráfico 10 com os dados da Economática, estes, mostram

uma convergência significativa à média, corroborada pela evolução dos desvio

padrão mostradas pelas figuras do Gráfico 2 e Gráfico 11 respectivamente.


3

Assim, fica evidente que na média a convergência existe. E também que

o retorno médio das empresas que têm num determinado momento lucros acima

ou abaixo do custo do capital, têm seus retornos tendendo à média com o passar

do tempo. Com estas evidências, constata-se que a teoria microeconômica é

corroborada pelo mercado. Com isso a hipótese secundária II é aceita.

O trabalho acima também mostrou que, num período de quatro anos,

quase todo o retorno acima do normal converge para a média. Com esta evidência

a hipótese secundária III também é aceita.

Aceitas as hipóteses secundárias I, II e III, no próximo item, trataremos

da última hipótese, a hipótese primária, a qual sugere que a amortização dos

ativos intangíveis deve ser feita.

1.2 ATIVOS INTANGÍVEIS E SUA AMORTIZAÇÃO

Registra-se o fato da dificuldade em prever lucro econômico a cada

momento para cada empresa. Dessa forma, se a contabilização do intangível está

sempre suscetível a essa dificuldade, o que não dirá sua amortização.

De acordo com HENDRIKSEN61:

A determinação da vida útil de ativos intangíveis é difícil. Cada


ativo tende a ser especial, o que faz com que a experiência não
tenha grande utilidade. Além disso, a decisão de investimento
geralmente não é formulada com tanta precisão quanto no caso de
ativos tangíveis. Em conseqüência, o procedimento de amortização
tende a resultar num método de normalização de lucro62, que visa
impedir oscilações causadas pelas aquisições variáveis de ativos
intangíveis não relacionadas apenas às atividades operacionais
correntes. Se o lucro líquido for utilizado como item básico de
predição, o processo de normalização poderá ser de alguma
61 Idem, pág. 394.
62 Grifo nosso. Vimos que isto acontece não apenas em relação à amortização, mas com o
registro de gastos, quando capitalizados.
2

utilidade; entretanto, é muito improvável que alocações arbitrárias


forneçam informação relevante a investidores e credores.

Assim, a baixa do intangível deveria ocorrer na medida em que as

barreiras à entrada de concorrentes diminuíssem, e, por conseqüência, as

perspectivas de lucro econômico futuro fossem se esgotando.

O FASB63 recomenda o seguinte procedimento para a sua baixa:

The accounting for a recognized intangible asset is based on its


useful life to the reporting entity. An intangible asset with a finite
useful life is amortized; an intangible asset with an indefinite useful
life is not amortized. The useful life of an intangible asset to an
entity is the period over which the asset is expected to contribute
directly or indirectly to the future cash flows of that entity.

Em outras palavras, o ativo intangível que tiver vida útil finita e

identificada deverá ser amortizado, e o ativo intangível não identificado (Goodwill),

o qual tem vida útil indefinida, não deverá ser amortizado. E o FASB64 corrobora:

Goodwill shall not be amortized.

O ativo intangível não identificado (Goodwill) não deverá ser amortizado.

MARTINS65 afirma que:

Um raciocínio lógico parece ser o de se proceder à amortização se


o valor do “Goodwill” adquirido decresce com o passar do tempo.
Mas não existe evidência de que isto aconteça, e nenhuma cota
seria diminuída do ativo a esse título.
63Idem, FAS 142, parágrafo 10.
64 Idem.
65 FAS 141.
2

Como afirmou MARTINS, não existe evidência para que a amortização

seja feita.

E é aqui que se encontra a maior contribuição deste trabalho. Como

vimos, os ativos intangíveis são formados pelo valor presente dos retornos

econômicos futuros (hipótese I) e a teoria microeconômica diz que estes lucros

tenderão a zero (hipótese II); a evidência teórica existe. Faltava corroborar a teoria

microeconômica com dados de mercado, o que foi feito no capítulo 3 (hipótese III).

Com a evidência de que os lucros econômicos tendem a zero,

corroborando a teoria, teríamos também que os intangíveis quando registrados

deveriam ser amortizados. Os gráficos ainda nos mostram que os lucros

econômicos não apenas tendem a zero, como tendem a zero em um curto espaço

de tempo. Com isso, num período não muito maior que cinco anos, todo ágio

pago e registrado como intangível deveria em média ser amortizado.

2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os intangíveis existem de fato, são criados constantemente e poderiam

ser ativados.

Quando ocorre uma fusão ou uma aquisição, estes intangíveis são

registrados como ativos, e a partir daí surge o problema quanto a sua amortização

e o período no qual deveria ocorrer.

Neste trabalho, as conclusões sobre a amortização de intangíveis foram

baseadas nos seguintes aspectos teóricos:


1

○ O valor dos Intangíveis é formado pela expectativa de lucros

econômicos futuros a valor presente;

○ Os lucros econômicos tendem a zero no longo prazo, resultado

da teoria microeconômica de concorrência perfeita, comprovado

empiricamente neste trabalho.

A partir daí concluiu-se que os Ativos Intangíveis registrados pela

contabilidade devem ser amortizados.

Quanto ao período de amortização dos ativos intangíveis, conclui-se que

este deve ser menor que cinco anos, pois em um período de cinco anos quase

todo lucro excepcional se extingue e, em tese, a taxa de amortização deveria ser

proporcional à queda do lucro excepcional ao longo do tempo.


1

APÊNDICE I
1.1 DIFERENÇAS METODOLÓGICAS

Serão citados trabalhos elaborados por nós e já discutido acima, outro

por FAMÁ e outro por PENMAN e NISSIN.

O trabalho de PENMAN E NISSIN (1999) tinha como objetivo avaliar o

Patrimônio dos Acionistas. Para isso, foram analisadas as demonstrações

financeiras das empresas no período de 1963 a 1996, na tentativa de medir o

comportamento dos índices futuros, partindo de dados históricos, baseado nas

demonstrações financeiras. Buscava-se a avaliação do patrimônio utilizando-se do

método conhecido como Edwards-Bell-Ohlson (EBO). Esse método (EBO) avalia a

empresa com base nos ativos contábeis e nos lucros anormais ou residuais66.

Este método é derivado do modelo de dividendos, com a principal

diferença de calcular o valor da empresa pelas informações contábeis (patrimônio

líquido) onde seriam somados os valores residuais estimados, que é o retorno

acima do esperado pelos acionistas.

Para atingir o objetivo seria necessário prever o comportamento dos

retornos das empresas neste período, ou seja, na tentativa de verificar a tendência

dos índices no longo prazo.

O trabalho de FAMÁ E LEITE (2003) teve como objetivo a reprodução

do trabalho de PENMAN para o mercado brasileiro. Para a confecção do trabalho

foram utilizados dados extraídos da Economática. Dados estes, de 105 empresas

abertas, com capital acima de 50 milhões, do período compreendido entre 1993-

2001. Foram utilizados dados corrigidos pela inflação.

66 É apenas um método diferente, mas totalmente coerente com o fluxo de caixa descontado.
1

Em nosso trabalho, apesar do objetivo final ser diferente do de

PENMAN e FAMÁ, o objetivo intermediário é o mesmo, que é o de prever o

comportamento dos retornos excepcionais.

Em nosso trabalho os dados também foram extraídos do banco de

Dados Economática, onde se utilizou apenas Empresas Brasileiras, com papéis

negociados em bolsa (especificamente ações) e ativas no período de dezembro

de 1993 a dezembro de 2004. Foram escolhidas as 240 empresas com maior

turnover (maior nível de negociação em bolsa).

Estes dados foram elaborados da seguinte forma:

Foi feito um ranking simples no ano 0 (do índice utilizado). Neste ano 0,

e de acordo com o ranking, são formados os portifólios. Em nosso trabalho foram

feitos seis portifólios, enquanto no trabalho de PEMAN foram feitos 10 portifólios e

no de FAMÁ cinco.

Esta diferença do número de portifólios se deve à quantidade empresas

participantes do índice. O Trabalho de PENMAN não dá a informação exata de

quantas empresas participaram do trabalho. Diz apenas que era formado por

todas as empresas abertas no período de teste. Isto incluiu ao trabalho de

PENMAN um maior número de empresas, com as quais foram possíveis separá-

las em um número maior de portifólios.

Depois do ranking feito e separado em portifólios, foi calculada a

mediana dos valores destes portifólios para os próximos 5 anos. Este ranking é

feito quantas vezes for necessária dependendo do período que se tem dados. No

caso do PENMAN foi feito seis vezes, com base nos anos de em 1965, 1970,

1975, 1980 e 1985. O trabalho de FAMÁ foi feito num período bem menor (1993-

2001) sendo feito um ranqueamento único no ano de 1993 com uma visualização

da tendência de 1993 até o ano de 2001. O nosso, por ter amostra de dados do
2

período entre 1993 e 2003, foram feitos apenas dois ranqueamentos. Ou seja,

foram feitos apenas ranqueamento nos anos zero, relativos ao ano de 1993 e

outro ranking relativo ao ano de 1998.

No ano zero é feito um ranqueamento e formado os portifólios, depois é

calculado a mediana que segue estes mesmos portifólios até o ano 5 onde é feito

um novo ranqueamento e assim por diante. As figuras que serão apresentadas,

são a media das medianas dos portifólios calculados nos anos 0, nos anos 1, anos

2, anos 3, anos 4 e anos 5.

Com esta proposta, será possível verificar qual é a tendência de longo

prazo das medianas dos índices calculados para estes grupos (portifólios) de

empresas. Onde será possível monitorar o comportamento destes portifólios num

primeiro momento, e qual será o comportamento com o passar dos anos.

Veremos o comportamento médio das empresas que tinham altos

retornos em um determinado período, e como estas empresas se comportarão

num período seguinte.

Para o nosso trabalho foram necessários a obtenção dos seguintes

dados primários:

Balanço:

Ativo Total, Investimento em Subsidiárias, Passivo Oneroso, Patrimônio

Líquido

DRE:
1

Receita Total Líquida de Impostos, Receita Financeira, Despesas

Financeiras, Resultado de Equivalência, Resultado Não Operacional, Resultado

Antes do Imposto de Renda

Os dados acima, que são dados trimestrais, foram anualizados.

Para dados de Saldo (Balanço) foram feitas as médias dos últimos

quatro trimestres ((t-4 + t-3 + t-2 + t-1)/4). Para os dados de Fluxo (Demonstração

de Resultado) foram somados os últimos três meses com o mês da situação (t-3 +

t-2 +t-1 +t).

Destes dados, já anualisados, foram calculados os seguintes dados

Intermediários:

• Ativo Total Líquido = Ativo Total – Passivo não Oneroso

• Ativo Operacional = Ativo Total – Investimento em Subsidiárias

– Passivo não Oneroso

• Patrimônio Líquido Operacional = Patrimônio Líquido –

Investimento em Subsidiárias

• Resultado Financeiro = Receita Financeira – Despesa

Financeira

• LAIR dos Ativos = LAIR – Resultado Financeiro

• Lucro Operacional dos Ativos BTI = LAIR – Resultado de

Equivalência – Resultado não Operacional;

• Lucro Operacional Acionista ti = LAIR – Resultado de Coligadas

– Resultado não Operacional

Destes dados acima, intermediários, foram gerados os índices que

serão representados graficamente. Os gráficos apresentados serão os seguintes:


1

1.1 RESULTADOS

1.1.1 Retorno dos Ativos Líquidos

Este índice foi feito utilizando-se o Lucro antes do Imposto de Renda,

que é o lucro antes do imposto de renda eliminando as diferenças do resultado

financeiro, dividido pelo Ativo líquido, o qual está descontado o passivo não

oneroso..

Representa todo o valor gerado antes dos impostos, relativos ao

investimento total.

Retorno dos Ativos Líquidos

80%

62,8%
60%

40%

27,2%
20%

5,1%
0%
1 2 3 4 5

-20%

-40% -38,9%

-60%

Ilustração 5 Evolução do Retorno dos Ativos Totais Líquidos - CELOTO

A convergência do retorno é significativa: a mediana superior sai de

62,8% de retorno mediano no ano de ranqueamento, convergindo para 27,2% no

quinto ano. a mediana inferior sai de -38,9% e vai para 5,1% no último ano.

Na Ilustração a seguir temos o desvio padrão das medianas da

Ilustração 5:
1

Desvio Padrão - Ativos Líquidos

40%

35%
34,3%

30%

25%

20%

14,6% 14,4%
15%

12,0%

10% 9,7%

5%

0%
1 2 3 4 5

Ilustração 6 Desvio Padrão das Medianas dos Ativos Líquidos - CELOTO

Esta figura mostra que o desvio padrão do primeiro ano, que era de

mais de 34%, chega a menos de 10% no último ano, mostrando uma expressiva

tendência a média nos cinco anos.

1.1.2 Retorno Operacional

A única diferença deste retorno para o visto anteriormente, é que o lucro

utilizado não contém o resultado de controladas e coligadas e no denominador são

utilizados os Ativos Líquidos descontados o investimento em outras empresas,

como coligadas e controladas.

A próxima ilustração mostra a figura do trabalho de PENMAN que é

Retorno dos Ativos Operacionais (Return on Net Operating Assets (RNOA)t = OI

t/NOAt-1), formado pela divisão do Resultado Operacional pelo Ativo Operacional

Líquido.
1

Ilustração 7 Evolução do Retorno dos Ativos Operacionais - PENMAN

A Ilustração 7 mostra uma convergência significativa à média nos cinco

primeiros anos.
1

Retorno dos Ativos Operacionais

150%

129,9%

100%

50%

33,3%

0% 3,5%
1 2 3 4 5

-50%

-100%
-108,8%

-150%

Ilustração 8 Evolução do Retorno dos Ativos Operacionais - CELOTO

A convergência da Ilustração 8 também é significativa, tendo a mediana

superior (portfólio) um retorno mediano de 130% no primeiro ano, caindo para

33% no último ano. E a mesma tendência à média, acontece com os demais

portifólios.

A convergência da Ilustração 8 é confirmada pela Ilustração 9, que

mostra uma queda significativa do desvio padrão, que era de 78% no ano de

ranqueamento, caindo para 13% no último ano.


1

Desvio Padrão - Retorno dos Ativos Operacionais

90%

80%
78,5%

70%

60%

50%

40%

30%
23,1%
20,2%
20%
16,2%
13,1%
10%

0%
1 2 3 4 5

Ilustração 9 Evolução do Desvio Padrão das medianas do Retorno dos Ativos

Operacionais – CELOTO

1.1.3 Retorno Operacional do Patrimônio Líquido

O Retorno Operacional do Patrimônio Líquido, muitas vezes chamado

de Retorno dos Acionistas (operacional), tem como diferença dos itens anteriores

o desconto do gasto com capital de terceiros, sendo o Lucro Contábil Antes do IR

dividido pelo patrimônio Líquido.

FAMÁ, em seu trabalho, mostrou dois retornos. É reproduzido o ROCE

(Retorno Operacional corrigido pela Economática), que é o retorno obtido na

amostra dessas 105 empresas que foram divididas em cinco grupos, agrupadas

pela semelhança entre os ROCE. Os retornos desses grupos de empresas tiveram

a seguinte evolução:

O ROCE é calculado pela divisão:


1

LOt + RFt ( 1 − 34% )


ROCE =
PLt −1

LO = Lucro Operacional

RF = Receita Financeira

PL = Patrimônio Líquido

40,0%

30,0%

20,0%

10,0%

0,0%

-10,0%

-20,0%

-30,0%

-40,0%

-50,0%
1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001
Ano

Ilustração 10 Evolução do ROCE médio - FAMÁ

A Ilustração 10 acima mostra a evolução do ROCE médio. Apesar da

média ser influenciada por dados extremos, o que leva a uma poluição dos dados,

mesmo com esta poluição é fácil perceber a convergência à média.


1

30,0%

25,0%

20,0%

15,0%

10,0%

5,0%

0,0%

-5,0%

-10,0%

-15,0%

-20,0%

-25,0%
1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001
Ano

Ilustração 11 Evolução do ROCE mediano - FAMÁ

A Ilustração 11 acima, por usar a mediana, tem os dados menos

poluídos, por isso a convergência dos retornos fica mais clara.

25 ,0 %

M é d ia
M e d ia n a
20 ,0 %

15 ,0 %

10 ,0 %

5 ,0 %

0 ,0 %
1 99 3 1 9 94 1 99 5 1 9 96 1 9 97 1 9 98 1 9 99 2 0 00 2 001
An o

Ilustração 12 Evolução dos Desvios Padrão dos ROCE - FAMÁ


3

A Ilustração 12 mostra que os desvios padrões dos dados indicam que a

convergência existe, principalmente relativo à mediana.

PENMAN traz a evolução dos retornos do PL que é chamado da

evolução de retorno de uma ação comum:

Ilustração 13 Evolução do ROCE - PENMAN

A evolução da Ilustração 13 dá uma dica da convergência.

No nosso trabalho, o Retorno do PL gerou as seguintes figuras:


1

Retorno Operacional do Patrimônio Líquido

250%

218,7%
200%

150%

100%

50%
44,6%

17,2%
0%
1 2 3 4 5

-50%

-100%

-150%
-155,4%

-200%

Ilustração 14 Evolução do Retorno Operacional do Patrimônio Líquido – CELOTO

A convergência neste caso, da Ilustração 14, é mais do que significativa,

onde na mediana superior (portfólio formado pelas mais rentáveis), o retorno

mediano do primeiro ano começa em 218% caindo para uma mediana de 44% no

último ano. O portfólio inferior sai de 155% de retorno mediano para 17% de

retorno mediano final. Esta convergência é confirmada pela Ilustração 15 a seguir

que mostra uma queda significativa do desvio padrão:


1

Desvio Padrão - Retorno Operacional do Patrimônio Líquido

140%

120% 121,5%

100%

80%

60%

40% 37,0%

28,5%
23,0%
20%

10,4%

0%
1 2 3 4 5

Ilustração 15 Evolução do Desvio Padrão das Medianas do Retorno Operacional do

Patrimônio Líquido - CELOTO

Vemos que o desvio padrão, que era de 120% no primeiro ano, chega

próximo de 10% no último ano. Uma convergência quase que total em cinco anos.

1.1.4 Retornos Excepcionais

Os retornos excepcionais (ou residuais) foram calculados apenas no

trabalho de PENMAN.

Estes foram calculados aplicando-se um custo de capital no valor, no

retorno do PL. O Custo de Capital foi calculado somando uma taxa de risk free,

baseado no rendimento dos títulos americanos do ano, adicionando 6% como

prêmio de risco.
1

Ilustração 16 Evolução dos Retornos Excepcionais – PENMAN

A evolução da Ilustração 16, que é o retorno total do PL, assim como da

Ilustração 17, que mostra o retorno operacional do PL, mostra claramente uma

tendência à zero dos retornos excepcionais.


1

Ilustração 17 Evolução dos Retornos Excepcionais Operacionais – PENMAN

Pela dificuldade de se calcular o custo de capital para cada período não

fizemos estes gráficos.

Além das convergências que foram notadas em relação aos índices de

retorno, esta convergência à normalidade também é notada em outros índices.

Foram elaborados outros índices relevantes. Vejamos:

1.1.5 Crescimento do Ativo Operacional

O crescimento do ativo operacional nos descreverá como se comportam

os grupos de empresas que tiveram crescimentos parecidos num primeiro ano.

O crescimento do NOA (net operating assets) de PENMAN:


1

Ilustração 18 Evolução do Crescimento dos Ativos Operacionais Líquidos -

PENMAN

A evolução da Ilustração 18 nos mostra que a convergência é muito

grande logo no primeiro ano. Na Ilustração 19 abaixo, vemos uma convergência

ainda mais significativa, onde a mediana do primeiro portfólio de empresas que no

ano zero teve um crescimento mediano maior que 200%, num segundo momento

cai para 14,7% e, passados cinco anos, chega a 2,5%.

Nas medianas formadas com portfólio inferior, no primeiro ano, o

crescimento médio foi de -71%, num segundo momento caiu para -3% e passado

cinco anos chega em 2,9%. Uma tendência à média considerável.


1

Evolução do Crescimento do Ativo Operacional Líquido

250%

200% 201,7%

150%

100%

50%

14,7% 2,5%

0%
2,9%
1 2 -3,3% 3 4 5

-50%

-71,4%

-100%

Ilustração 19 Evolução do Crescimento do Ativo Operacional Líquido -

CELOTO
1

Desvio Padrão - Evolução do Crescimento do Ativo Operacional Líquido

100%
95,0%
90%

80%

70%

60%

50%

40%

30%

20%

10% 6,3%
1,8% 1,6%
0% 0,6%
1 2 3 4 5

Ilustração 20 Evolução do Desvio Padrão do Crescimento do Ativo Operacional

Líquido – CELOTO

A tendência da Ilustração 19 é comprovada pela Ilustração 20, que

mostra o desvio padrão das medianas no primeiro ano, que era de 95% cair para

menos de 1% no último ano.

1.1.6 Crescimento do Patrimônio Líquido Operacional

Este índice demonstra claramente que empresas que cresceram muito

num primeiro momento (ano do ranqueamento), assim como as que decresceram,

convergiram para crescimentos medianos rapidamente. Vejamos o gráfico de

crescimento do Patrimônio Líquido, chamado aqui de CSE (Common Stock

Equity):
1

Ilustração 21 Evolução do Crescimento do Patrimônio Líquido – PENMAN

Assim como a grande convergência da Ilustração 21, referente ao

trabalho de PENMAN, a Ilustração 22 também mostra uma convergência

significativa.

A Ilustração 22 mostra que o portfólio superior que teve um crescimento

mediano de 169% no primeiro ano, caindo para 16% já no segundo ano e ficando

em 2,2% no último ano. O portfólio inferior mostra que as empresas que tiveram

um crescimento mediano de -18% no primeiro ano, no segundo ano convergiram

para uma mediana positiva de 10,7% e no último ano para 3,1%.


1

Crescimento Patrimônio Líquido Operacional

180%

160% 159,5%

140%

120%

100%

80%

60%

40%

20% 15,2%
2,2%

0% 3,1%
1 2 3 4 5
-10,7%
-20% -18,5%

-40%

Ilustração 22 Evolução do Crescimento do Patrimônio Líquido Operacional -

CELOTO

Desvio Padrão - Evolução do Crescimento do Patrimônio Líquido Operacional

80%

70% 69,6%

60%

50%

40%

30%

20%

9,8%
10%

2,4% 2,5%
0%
1,4%
1 2 3 4 5

Ilustração 23 Evolução do Desvio Padrão do Crescimento do Patrimônio Líquido

Operacional – CELOTO
3

A Ilustração 23 acima confirma que a evolução da Ilustração 22 foi

significativa, onde o desvio padrão das medianas do primeiro ano era de 69%,

convergindo para 1,4% no quinto ano.

1.1.7 Evolução do Crescimento da Receita Total

A evolução da receita mostra em grande parte que, se a lucratividade é

dependente do preço e do volume de vendas, que geram as receitas, estes

gráficos mostrarão como se comportam as medianas das empresas que tiveram

um grande crescimento em relação a suas receitas num primeiro momento.

A Ilustração 24 abaixo mostra uma convergência a média significativa:

Ilustração 24 Evolução do Crescimento da Receita - PENMAN


1

Crescimento da Receita Líquida

120%

105,7%
100%

80%

60%

40%

20%
12,1% 8,3%

0% 4,8% 4,0%
1 2 3 4 5

-20%
-25,2%

-40%

Ilustração 25 Evolução do Crescimento da Receita Líquida – CELOTO

O mesmo acontece com a Ilustração 25 acima, onde se consegue ver

uma convergência ainda maior. Há de se notar que no trabalho de PENMAN foi

utilizada a Receita Bruta, e no nosso trabalho foi utilizada a Receita Líquida

(impostos e abatimentos).

A tendência à média da Ilustração 25 acima é comprovada pela

Ilustração 26, abaixo. Nesta, no ano de ranqueamento, o desvio padrão das

medianas, que era de 43,7% no primeiro ano, cai para menos de 2% no último e

quinto ano.
1

Desvio Padrão - Evolução do Crescimento da Receita Líquida

50%

45%
43,7%

40%

35%

30%

25%

20%

15%

10%

4,6%
5%
3,0% 3,0%
1,9%
0%
1 2 3 4 5

Ilustração 26 Evolução do Desvio Padrão do Crescimento da Receita Líquida - CELOTO

1.1.8 Evolução do Giro dos Ativos

Giro e Margem são os índices formadores do retorno. Se eles

convergirem, é de se acreditar que os retornos também convirjam.

A evolução dos giros dos ativos não mostra uma convergência muito

significativa. Na Ilustração 27 abaixo, é possível verificar uma convergência mas

acentuada apenas para o portfólio de medianas maiores, as quais decrescem

mais significativamente com a evolução.


1

Ilustração 27 Evolução dos Giros dos Ativos Operacionais - PENMAN

Giro dos Ativos Operacionais

14

12,40
12

10

8
7,60

6 6,03 6,16

5,00

0 0,00 0,01 0,01 0,02 0,02


1 2 3 4 5

Ilustração 28 Evolução do Giro dos Ativos Operacionais - CELOTO


1

Desvio Padrão - Evolução do Giro dos Ativos Operacionais

500%

450% 4,47

400%

350%

300%

2,69

250%

2,20 2,27

200%
1,95

150%
1 2 3 4 5

Ilustração 29 Evolução do Desvio Padrão do Giro dos Ativos Operacionais – CELOTO

Na Ilustração 28 se nota, assim como no trabalho de PENMAN, uma

evolução à média significativa apenas para as duas medianas superiores. Mas a

convergência geral é confirmada pela Ilustração 29 acima, onde o desvio padrão

do ano zero, que era de quase 4,5, cai para menos de 2 no último ano.

1.1.9 Evolução da Margem Operacional

A multiplicação da margem e o giro geram o índice de retorno. Já foi

visto a evolução do giro; agora, na Ilustração 30, será visto a evolução da

margem:
1

Ilustração 30 Evolução da Margem de Lucro das Receitas Operacionais – PENMAN

Margem Operacional

30%

23,4%
20%
18,8%
17,3% 16,9%
15,6%

10%

2,9%
0% 0,9%
1 2 3 4 5

-6,8%
-10%
-12,5%

-20%

-27,7%
-30%

-40%

Ilustração 31 Evolução da Margem de Lucro das Receitas Operacionais – CELOTO


1

Desvio Padrão - Margem Operacional

19%

17,7%
17%

15%

13%

11% 10,5%

9% 8,6%

7%
6,1%
5,6%
5%
1 2 3 4 5

Ilustração 32 Evolução do Desvio Padrão da Margem de Lucro das Receitas Operacionais –

CELOTO

Esta evolução é percebida mais significativamente na figura da

Ilustração 31 e confirmada pela Ilustração 32, acima, onde o desvio padrão cai de

mais de 17% para 5,6% no último ano.


1

1.1.10Evolução da Participação do Resultado não Operacional no

Resultado Operacional

Ilustração 33 Evolução da Participação do Resultado não Operacional no Resultado

Operacional – PENMAN

Assim como outros itens que compõem o resultado de uma empresa, o

resultado não operacional pode muitas vezes afetar significativamente o resultado

de um determinado período.

A Ilustração 33 acima mostra uma clara convergência dos retornos não

usuais logo no primeiro ano após o ranking. A Ilustração 34 abaixo tem as

mesmas características da anterior, e mostra uma convergência quase que total

logo no primeiro período após o ranqueamento. A Ilustração 35 comprova esta

convergência logo no primeiro ano, pois o desvio padrão da mediana superior sai

de 30,5% no primeiro ano, para menos de 1% no segundo ano.


1

Participação do Resultado não Operacional no Resultado Operacional

30,5%

-0,9%
0
1 2 3 4 5 -2,0%

-1
-62,2%

-1

Ilustração 34 Evolução da Participação do Resultado não Operacional no Resultado

Operacional – CELOTO

Todos estes gráficos nos permitem a corroborar a conclusão obtida no

Capítulo TRABALHO EMPÍRICO A RESPEITO DAS TEORIAS “TRABALHO

EMPÍRICO A RESPEITO DAS TEORIAS”.


1

Desvio Padrão - Partic. Res. N Oper. no Res. Oper.

35%

30% 30,4%

25%

20%

15%

10%

5%

1,0% 0,7% 0,6% 1,0%


0%
1 2 3 4 5

Ilustração 35 Evolução do Desvio Padrão da Participação do Resultado não Operacional no

Resultado Operacional – CELOTO


1

APÊNDICE II
Os intangíveis, como visto, são frutos dos retornos excepcionais

esperados no futuro.

Foi apresentado que a teoria microeconômica em um mercado de

concorrência perfeita leva empresas que têm retornos excepcionais a um retorno

normal.

A pesquisa empírica mostra que os retornos das empresas

considerados acima da média, na média e abaixo da média, com o passar do

tempo estes retornos convergem ao retorno médio central, o qual seria igual ao

retorno esperado pelos acionistas ou pelo mercado.

O investidor depende do gestor como agente gerador de retornos

excepcionais, ou de um gestor que tenha feeling em relação ás futuras mudanças

de mercado que poderão gerar estes retornos.

PORTER usa a teoria microeconômica para explicar os retornos

excepcionais e como alcançá-los sendo um Gestor. PORTER dá dicas de como ir

contra as forças de mercado, e levar a empresa a retornos acima do custo de

capital e não apenas por curto prazo.

Para que isso aconteça, PORTER diz que uma empresa deve ter

vantagens competitivas e com estas vantagens o administrador conseguiria

alcançar tais retornos.

PORTER:67

67 PORTER, Michael E. Vantagem Competitiva criando e sustentando um desempenho superior


(p. 2)
3

Vantagem competitiva surge fundamentalmente do valor68 que uma


empresa consegue criar para seus compradores e que ultrapassa
o custo de fabricação69 pela empresa.

PORTER, como economista, sugere que vantagem competitiva surge

quando o gestor consegue obter um preço de venda acima do custo marginal; isso

como já foi visto é lucro econômico e no mais é gerado pelos ativos intangíveis.

Ele sugere que a empresa teria de ter uma das três estratégias

Genéricas: (1) liderança em custo, (2) diferenciação e (3) o enfoque.

Uma das três propostas para se obter lucros excepcionais é ser líder em

custos. (1) Sendo líder em custos e sendo um tomador de preços, o spread ganho

pelo líder levará à obtenção de ganhos excepcionais. (2) Produtos diferenciados,

que ganham a preferência do consumidor, também podem obter ganhos

excepcionais gerando spreads causados pelo preço diferenciado. (3) A outra

estratégia é a própria escolha da empresa em qual tipo de liderança a mesma

quer concorrer, ou seja, se é na liderança em custo ou na diferenciação do

produto que a empresa irá atuar.

PORTER detalha quais são as forças competitivas nas quais o gestor

pode atuar indo contra a teoria de equilíbrio da teoria econômica.

PORTER70 com algumas palavras define as forças competitivas:

Estas forças competitivas determinam a habilidade de certas


empresas em uma indústria obter, em média taxas de retorno
sobre o investimento maior do que o custo de capital.

68 Valor para PORTER é aquilo que os compradores estão dispostos a pagar, e os valores
superiores provêm da oferta de preços mais baixos do que os da concorrência por benefícios
equivalentes ou do fornecimento de benefícios singulares que mais do que compensam um preço
mais alto.
69 Estes custos compreendem o custo de capital.
70 Idem, pág 17.
1

Estas 5 forças competitivas são as geradoras de ativos intangíveis.

As cinco forças de PORTER71 são:

a) A entrada de novos concorrentes;

b) A ameaça de substitutos;

c) O poder de negociação dos fornecedores;

d) Rivalidade entre os concorrentes existentes;

e) Rivalidade Interna.

Estas forças têm aparentemente as mesmas forças de mercado, as

quais vão ajudar o equilíbrio microeconômico, mas na visão de PORTER estas

forças quando juntas em um determinado local, levam a (V) Rivalidade Interna

que, por sua vez induz a desempenhos melhores do setor e da própria empresa,

ou muitas vezes a uma simples manutenção do retorno do capital esperado de

longo prazo, o qual seria o suficiente para a maturação e manutenção do setor.

a) A entrada de novos concorrentes

A entrada de novos concorrentes é determinada pelo lucro. Lucros

maiores que a média ou acima do custo de capital são a sirene para a entrada de

novos concorrentes. Depois da entrada de novos concorrentes, o que se dá é a

divisão de mercado, ocorrendo uma menor concentração, aquecendo a rivalidade

interna e levando a diminuição de preço e dos custos marginais. Finalmente acaba

surgindo a barreira para a entrada de novos concorrentes.

Estas barreiras podem ser estruturais como:

• Economias de escala;

• Diferença de Produtos Patenteados;

• Identidade de Marca;
71 Idem, pág. 64.
1

• Custos de Mudança;

• Exigências de Capital;

• Acesso à distribuição;

• Vantagens de custo Absoluto;

○ Curva de Aprendizagem;

○ Acesso a insumos necessários;

○ Projeto de produtos de baixo custo.

• Política Governamental;

• Retaliação Esperada.

PORTER diz que a empresa tem de ser capaz de criar barreiras. Criar

barreiras significa não permitir a entrada de novos competidores. Além de usar

marca, diferenciação, patentes para criar estas barreiras a empresa deve na

medida do possível gerar condições para a criação de um setor tão competitivo,

que a própria necessidade de competição seja uma barreira à entrada de novos

concorrentes.

Mesmo que as barreiras não sejam definitivas ou de longo prazo, a

geração destas deve ser uma busca diária. Possibilitando a este setor a criação de

intangíveis.

a) A ameaça de substitutos

A ameaça de substitutos gera uma restrição ao preço de mercado para

determinado produto, criando um teto máximo para o preço daquele produto pela

ameaça da substituição.

• Desempenho relativo dos substitutos

• Custos de mudança
1

• Propensão do comprador a substituir

Ao mesmo tempo em que PORTER fala sobre a criação de barreiras

para a entrada de concorrentes, diz também sobre a importância da ameaça dos

substitutos. Esta faz com que a empresa tenha um valor de suas mercadorias

ameaçado por substitutos, o que levará o setor a brigar por outras vantagens,

como custos mais baixos, ganhos de escala, qualidade e diferenciação, levando

estas empresas a se manterem no mercado e sempre competitivas.

Esta ameaça presente gera uma espécie busca constante pela

evolução, criando mais uma barreira significativa para a entrada de novos

concorrentes, levando à competição do setor e uma dinamização, além de

possível geração de intangíveis.

a) O poder de negociação dos fornecedores

O poder de negociação dos fornecedores irá fornecer qual o percentual

que as empresas compradoras irá reter da venda de seus produtos.

Este poder de negociação depende de vários fatores:

• Diferenciação de Insumos;

• Custos de mudança dos fornecedores e das empresas na

indústria;

• Presença de insumos substitutos;

• Concentração de fornecedores;

• Importância do volume para o fornecedor;

• Custo relativo a compras totais na indústria;

• Impacto dos insumos sobre custo ou diferenciação;

• Ameaça de integração para frente em relação à ameaça de

integração para trás na indústria.


3

Todos estes fatores, gerando maior poder de negociação com os

fornecedores, levará a empresa a comprar insumos com preços mais atrativos,

aumentando margem. Este poder de negociação na maioria das vezes dependerá

do mercado de fornecedores que ser formou.

Esta, por mais que não seja uma característica que dependa do gestor,

é fundamental para que um setor e uma empresa se mantenha competitiva no

longo prazo, e com capacidade de geração de intangíveis.

a) Rivalidade entre concorrentes

A rivalidade é acirrada por vários motivos:

• Crescimento da indústria

• Custos fixos (ou de armazenamento) / valor adicionado

• Excesso de capacidade crônica

• Diferença de produtos

• Identidade de marca

• Custos de mudança

• Concentração e equilíbrio

• Complexidade informacional

• Diversidade de concorrentes

• Interesses empresariais

• Barreiras de saída

Esta rivalidade entre os concorrentes existentes gera uma sensação de

instabilidade. PORTER diz que esta sensação de instabilidade deve incitar a

empresa a buscar refazer sua estratégia diariamente em todos os pontos fracos e


2

fortes da empresa, tendo sempre em mente a criação de barreiras para os novos

entrantes, com atenção ao reposicionamento das indústrias do setor.

a) Rivalidade Interna

Esta busca na manutenção da estrutura é chamada de a grande força

que leva todas as vantagens competitivas juntas a formar uma outra grande

vantagem competitiva chamada de rivalidade interna. É a rivalidade interna a

grande força que levará a empresa a entrar numa contínua busca no alcance do

objetivo maior, que é sustentar um desempenho superior. Isso não levará apenas

a manutenção dos ativos intangíveis e dos retornos excepcionais, mas também

sua criação.

É percebido que as forças de PORTER, são na tentativa de driblar os

mecanismos de mercado que levam ao equilíbrio, ou seja, na criação de barreiras.

E driblando as forças de mercado, seria possível alcançar o retorno excepcional.

Um mercado competitivo ao limite é capaz de gerar um mercado ou

setor tão competitivo, que as barreiras tanto para a entrada como para saída,

sejam tão grandes que o surgimento de novos concorrentes fica impossibilitado.

Estas estratégias na geração de ativos intangíveis é uma busca. O

mercado mostra que em um mercado competitivo os intangíveis ou lucros

excepcionais, não são sustentáveis.


1

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