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Caderno de Teses

TT
S
PO
Pastoral Operária
Metropolitana
MAS
Movimento
Avançando
BRASIL de São Paulo Sindical
Índice
Ä
Apresentação ....................................................................................................................... 001

Teses

Ä
Avançando Rumo ao Socialismo ..................................................................................... 002

Ä
Avançar na Unidade para Fortalecer as Lutas da Classe Trabalhadora ........................ 016

Ä Avante, Mulher Trabalhadora! Lutar pelos Direitos da Mulheres, pelo


Internacionalismo e pela Unidade das Fileiras Operárias! ................................................. 031

Ä
Construindo a Unidade Proletária ...................................................................................... 046

Ä Construir uma Central Operária, Camponesa, Estudantil e Popular para


Enfrentar a Ofensiva Capitalista ............................................................................................ 059

Ä
Em Defesa de Uma Central de Classe ............................................................................... 070

Ä
Oposição Revolucionária - Apeoesp ................................................................................. 078

Ä
Por uma Central de Luta, Antigovernista, de Base e Socialista ...................................... 081

Ä
Por uma Central de Trabalhadores Classista .................................................................... 094

Ä
Por uma Entidade Classista, Democrática, e Construida pela Base .............................. 102

Ä Por uma Nova Central Sindical e Popular, Classista, Democrática e


Independente .......................................................................................................................... 109

Ä
Sindicatos e Centrais Combativas para Fazer a Diferença na Luta de Classes ............ 117

Ä
Tese da Intersindical ao Congresso Nacional da Classe Trabalhadora ......................... 128

Ä
Tese da Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo .................................................. 146

Ä
Tese do Meio Ambiente dos Trabalhadores ..................................................................... 149

Ä
Tese do MTL ......................................................................................................................... 158

Ä Tese do Sindicato dos Servidores da Saúde do RN, Sindicato dos Servidores


Federais do RN e Apoiadores ................................................................................................ 167

Ä
Unidos por uma Central de Trabalhadores ....................................................................... 181

Ä Unificar a Classe Trabalhadora numa Central de Luta, Socialista, Democrática


e Independente dos Patrões e dos Governos ....................................................................... 195

Ä
Unificar as Lutas por Salários e pelo Socialismo ............................................................ 200
Apresentação

Aos participantes do Congresso da Classe Trabalhadora

Prezado(a) Companheiro(a),

Você está recebendo as TESES e CONTRIBUIÇÕES TEMÁTICAS


apresentadas pelas entidades sindicais e populares que participarão
do Congresso da Classe Trabalhadora.

Durante os meses de abril e maio acontecem as assembléias que


debaterão as propostas apresentadas e elegerão os/as
representantes para o nosso Congresso, que acontecerá nos dias 5 e
6 de junho de 2010, no Centro de Convenções Mendes, na cidade de
Santos/SP.

O CONCLAT será o ponto alto dos debates e deve coroar os esforços


dos vários setores que compõem a Coordenação Pró Central na
construção de uma organização unificada.

A sua participação é fundamental.

Nos vemos no Congresso!

Coordenação Nacional Pró Central


(Comissão Organizadora do Congresso da Classe Trabalhadora)

Secretaria Operativa: Praça Padre Manoel da Nóbrega, 36 – 8.º andar


Praça da Sé – Centro – São Paulo/SP

E-mail: contato@congressodaclassetrabalhadora.org
Telefone: (11) 3105.5195
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Avançando Rumo ao Socialismo

I. CONJUNTURA INTERNACIONAL limites dentro dos quais tem que mover-se a conserva-
1. A Crise Estrutural do Capital A crise atual ção e valorização do valor-capital, que repousam
não é “só mais uma crise cíclica” que interrompe a sobre a expropriação e pauperização das grandes mas-
“prosperidade capitalista” (o capitalismo já viveu 25 sas de produtores, choquem-se constantemente com os
crises, desde o início do século XIX, marcando ciclos métodos de produção que o capital se vê obrigado a
econômicos com quatro fases – crise, depressão, recu- empregar para conseguir seus fins e que se dirigem a
peração, auge - 16 até 1929 com duração média de 10 um aumento ilimitado da produção, à produção como
anos e depois mais 9 ciclos com média de duração finalidade em si mesma, ao desenvolvimento incondi-
encurtada para um período de 6 a 9 anos). A presente cional das forças sociais produtivas do trabalho. O
crise também não é um fenômeno fortuito, explicável meio empregado – desenvolvimento incondicional
por escolhas de agentes públicos ou privados ou por das forças sociais produtivas do trabalho – choca-se
incidentes econômicos e políticos imediatos. O colap- constantemente com o fim perseguido, que é um fim
so do mercado subprime e o estouro da bolha imobiliá- limitado: a valorização do capital existente. Por conse-
ria estadunidense, seguida da falência de bancos foram guinte, se o regime capitalista de produção constitui
apenas detonadores que precipitaram a crise (como o um meio histórico para desenvolver a capacidade pro-
problema do petróleo em 1973). É um erro confundir dutiva material e criar o mercado mundial que lhe cor-
estes detonadores superficiais com as causas essencia- responde, ele é simultaneamente uma contradição
is das crises determinadas pelo movimento dos com- constante entre esta sua tarefa histórica e as relações
plexos contraditórios do sistema do capital. sociais de produção próprias deste regime.” (Marx,
Karl - O Capital III/1: 189). Marx nos deixou em suas
Em um nível mais sofisticado de análise, as teori- principais obras elementos suficientes para a elabora-
as do ciclo industrial se dividem na oposição abstrata ção de uma teoria totalizante das crises.
entre tendências unilaterais: os que explicam as crises
pela “insuficiência da demanda” (subconsumo das O importante é destacar a especificidade desta cri-
massas e superprodução de bens de consumo), os que a se como um momento da crise estrutural do capital;
explicam pela “super-acumulação” (insuficiência de cuja teorização mais sistemática se de deve ao marxis-
lucros para expandir o Departamento I que produz mei- ta húngaro István Mészáros. As crises das últimas déca-
os de produção) e “desproporcionalidade” entre esta das (1973-75; 1979-82; 1989-92; 1997-2002; e a que
esfera de produção de bens de capital e o desde meados de 2007 está em curso) são recidivas crí-
Departamento II (produção de meios de consumo). ticas de uma época de crise estrutural do capital e tem
Ambas cometem o erro de desligar o que está organi- um caráter diferente das tradicionais crises cíclicas
camente ligado no interior do modo de produção capi- setoriais. O domínio do capital, desde seus primórdios,
talista: os problemas resultantes da lei tendêncial da se desenvolve internacionalmente e o desenvolvimen-
queda da taxa de lucro, da super-produção de merca- to desigual da economia mundial sob o capitalismo
doria e da super-acumulação de capital são determina- sempre ocorreu de modo destrutivo, devido ao caráter
dos pela unidade contraditória entre os complexos con- antagônico de suas leis e princípios estruturais inter-
traditórios das relações entre produção e controle, pro- nos. Mas na atual crise estrutural isso assume manifes-
dução e consumo e produção e circulação. tações cada vez mais graves. Há um prolongamento
das crises, sua freqüência é mais curta, suas manifesta-
Marx mostra que a produção capitalista vai supe- ções são mais destrutivas, e há uma tendência a tornar-
rando constantemente os limites que lhe são imanentes se um continuum depressivo, em que uma recessão
deslocando suas contradições, mas “só as supera por segue a outra. A crise estrutural da ordem metabólica
meios que lhe antepõem novamente estas barreiras em do capital abre uma brecha irremediável na ordem
escala mais poderosa”, aproximando o sistema de seus vigente, que não é mais capaz de proporcionar os bens
limites históricos absolutos: “A verdadeira barreira da que lhe serviam de justificativa no passado; trata-se de
produção capitalista é o próprio capital; isto é: que o um período único na história do domínio do capital em
capital e sua auto-valorização constitui o ponto de par- que este se aproxima dos seus limites absolutos (não
tida e a meta, o motivo e o fim da produção, o fato de meros limites imediatos, mas limites últimos desta tota-
que aqui a produção só é produção para o capital e não, lidade histórica) que não podem ser efetivamente supe-
inversamente, que os meios de produção sejam meros rados sem o estabelecimento de um modo de produção
meios para ampliar cada vez mais a estrutura do pro- e controle social socialista. A sua novidade histórica
cesso de vida da sociedade dos produtores. Daí que os
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torna-se manifesta em quatro aspectos principais: “1) e outras adaptações reformistas do passado não podem
seu caráter é universal, em lugar de restrito a uma esfe- ter êxito duradouro. A crise estrutural é demasiado pro-
ra particular (por exemplo, financeira ou comercial, ou funda para isto, coloca em risco a sobrevivência da
afetando este ou aquele ramo particular de produção humanidade. Uma saída sustentável exige uma trans-
(...); 2) seu escopo é verdadeiramente global (no senti- formação estrutural radical, que supere o capitalismo e
do literal o mais ameaçador do termo), em lugar de inicie uma transição efetiva para o socialismo.
limitado a um conjunto particular de países (como 2. A Manutenção da Agressividade do
foram todas as principais crises no passado); 3) sua Imperialismo Estadunidense no Governo Obama.
escala de tempo é extensa, contínua -- se preferir: per- Diante desta crise, Obama se comporta como um suje-
manente -- em lugar de limitada e cíclica, como foram ito histórico do e para o imperialismo. Muitos quise-
todas as crises anteriores do capital; 4) seu modo de se ram acreditar que ele seria um presidente progressista
desdobrar é rastejante -- em contraste com as erupções (ou “menos pior” do que Bush), esquecendo-se que o
e colapsos mais espetaculares e dramáticos do passado imperialismo é inerente ao domínio do capital finance-
-- desde que acrescentássemos a ressalva de que nem iro estadunidense e que a eliminação do imperialismo
sequer as convulsões mais violentas poderiam ser requer a derrubada do capitalismo. Seguindo a lógica
excluídas no que se refere ao futuro: a saber, quando a de um presidente do Estado imperialista hegemônico
maquinaria complexa agora ativamente empenhada na mundialmente, Obama inicia seu mandato com uma
'administração da crise' e no 'deslocamento' mais ou política externa ainda mais agressiva e perigosa para a
menos temporário das crescentes contradições perder Ásia, África e América Latina, com o maior gasto mili-
sua energia” (Mészáros, I. - Para Além do Capital: tar anual da história dos EUA, US$ 708 bilhões. Tal
796). conjuntura não é surpreendente de acordo com a lógica
Há particularidades da crise atualmente em curso do capital. O imperialismo caracteriza-se principal-
que a diferenciam: é muito mais grave, irrompeu nos mente pelas guerras, como uma forma de amenizar as
EUA (a superpotência hegemônica imperialista que é crises e centralizar capital. Com a crise estrutural essa
hoje o coração do sistema) e tem ali o seu centro de gra- realidade se intensifica.
vitação, mas se expande com um caráter verdadeira- Na África, está sendo implantando o AFRICOM,
mente mundial; implica uma separação radical entre a um exército dos EUA que ficará permanentemente no
valorização do capital fictício e a valorização produti- continente. De acordo com a Casa Branca, o objetivo
va, que também se desgarrou por completo da capaci- com esse exército é combater o terrorismo e fortalecer
dade de consumo realizadora da mais-valia. A presente os “regimes democráticos” da região. Contudo, sabe-
crise está longe de ter atingido o seu auge, mas já pro- se que o AFRICOM foi projetado como força interven-
movu o maior assalto à economia popular que se tem tora para apoiar governos locais contra movimentos
notícia na história. Os recursos que até ontem faltavam progressistas e garantir o controle imperialista do “ter-
para financiar políticas públicas hoje são esbanjados ritório econômico”, do petróleo e dos grandes recursos
de modo desesperado em inéditas medidas de “estati- minerais daquele continente. O Pentágono mantém for-
zação da falência capitalista” (até junho de 2009 já ças nas Seychelles e em Djibuti (a partir dali bombar-
tinha sido injetado US$ 28 trilhões para o salvamento dearam a Somália, país chave para os EUA). Na Ásia,
dos monopólios capitalistas, valor igual a quase oito contrariando o discurso “crítico” aos gastos bélicos
vezes o PIB da América Latina, US$ 15 pelo governo durante sua campanha, Obama intensifica a invasão.
dos EUA). Seu efeito imediato foi a parcial desacele- Gasta 160 bilhões são para manter a ocupação do
ração da crise, mas deixa os Estados sem recursos e rea- Iraque, Afeganistão e Paquistão. A promessa de retirar
limenta todas as contradições do capitalismo (refor- as tropas do Iraque está longe de se concretizar: dos
çando a centralização do capital através da sucção da 142 mil soldados que ocupam o país, 50 mil ficarão
mais-valia de várias partes do mundo, gerando infla- para treinar as “forças de segurança” do país. Já no
ção devido a impressão desmedida de dólares pelo Afeganistão as tropas foram aumentadas significativa-
governo americano e ampliando o capital fictício, mente. Desde então, aconteceram os piores massacres,
gerando novas e colossais bolhas). Tais medidas são, com os bombardeios às províncias Farah e Kundus que
no entanto, insuficientes para superar a crise que vai mataram mais de duas mil pessoas. Na Palestina segue
ressurgir com força (provavelmente até o segundo a ocupação e os massacres por parte de Israel (país que
semestre de 2010). A crise já começa a produzir res- mais recebe financiamento militar dos EUA).
postas radicais e desafiadoras por parte dos movimen-
tos proletários e populares em escala considerável. As Cresce a escalada de ingerência (com sanções eco-
políticas da direita radical fracassaram devastadora- nômicas) e agressão israelo-estadunidense contra a
mente. Simultaneamente as respostas de conciliação soberania de países do Oriente Médio como o Líbano,
de classe também fracassam: as políticas keynesianas a Síria e o Irã. O falso pretexto para a invasão do Iraque
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- a existência de “armas de destruição em massa” que e de Portugal e sim dos EUA. Para tanto, a principal
já foi desmentida até pela ONU – é hoje cinicamente proposta é a ALBA (Aliança Bolivariana das América)
repetido nas ameaças ao Irã, com o agravante da chan- que hoje já integra sete países: Cuba, Venezuela,
tagem nuclear. Em 2010 o governo Obama ameaçou Bolívia, Equador, Nicarágua, Dominica, São Vicente e
oficialmente declarar guerra ao Irã, caso este não pare Granadinas (o ingresso de Honduras foi um dos moti-
com o projeto de enriquecimento de urânio (para fins vos do golpe, que retirou o país da Aliança). A ALBA é
pacíficos). Aqueles que hipocritamente acusam sem um bloco que está promovendo um processo concreto
provas o Irã (membro do Tratado de Não Proliferação de integração econômica e cultural com princípios que
de Armas Nucleares e sujeito as exigências de supervi- se baseiam no intercâmbio solidário e no desenvolvi-
são de seu programa civil) são os mesmos que mantêm mento conjunto de requisitos necessários para a supe-
intactos grandes arsenais de ogivas nucleares operaci- ração da dependência. Além do incremento comercial,
onais. estão em curso importantes ações conjuntas:
3.A Resistência dos Povos em Luta e a Petrocaribe e outras empresas de exploração e refino
Necessidade da Formação de um Bloco de petróleo; de alimentos; de manejo e preservação de
Internacional Anti-imperialista. Diante da crise e águas; distribuidoras de fármacos; centros de vigilân-
seus efeitos nefastos para o conjunto da classe traba- cia epidemiológica; programas de educação (Univer-
lhadora, povos do mundo todo tem resistido às demis- sidade dos Povos do Sul; Universidade da ALBA; erra-
sões; ao desemprego; às perdas salariais, às perdas de dicação do analfabetismo através do método cubano
direitos trabalhistas e sociais, à criminalização dos yo sí puedo; massiva edição livros); programas de
movimentos populares e da pobreza; às opressões; às segurança comunitária; Banco da ALBA e criação da
invasões e às guerras. A Grécia, um dos países mais afe- moeda SUCRE (Sistema Único de Compensação
tados pela crise (o setor industrial está em recessão des- Regional), como alternativa para o subcontinente supe-
de 2005, os investimentos agrícolas diminuíram em rar a dependência do dólar. Enfim, a ALBA é inspirada
80,1% em 2008 e o PIB não pára de cair) teve duas gre- em alguns princípios que são pré-requisitos do socia-
ves gerais em fevereiro deste ano, convocadas pelo lismo: produção de riquezas de acordo com as necessi-
PAME (Frente Militante de Todos Trabalhadores) e dades reais dos povos; planificação mínima da econo-
mobilizadas por mais de 300 sindicatos. Em Portugal mia e intercâmbio solidário que realmente busca aju-
(5/2/2010) mais de 50 mil funcionários públicos reali- dar um povo irmão e não explorá-lo.
zaram uma greve geral, convocada pela Frente O fantasma “socialismo” reaparece com mais for-
Comum dos Sindicatos da Administração Pública. Na ça (pois Cuba sempre o manteve vivo) com as transfor-
França (também em fevereiro), operários ocuparam a mações reais na Venezuela: avanço da reforma agrária,
sede da Total em Paris (refinaria petrolífera francesa) e urbana e educacional; estatização dos principais meios
lançaram um ultimato à administração, que pretende de produção; criação de novas empresas públicas;
fechar as instalações até o próximo verão: ou a produ- revolução democrática com a criação de Conselhos
ção é retomada ou os trabalhadores “tomarão posse Comunais e de redes de comunicação públicas (estata-
das instalações”. is e comunitárias) pondo fim aos monopólios priva-
Na América Latina, a manutenção da revolução dos. Esse fantasma também se fortalece com o movi-
cubana e as lutas populares na Venezuela, na Bolívia e mento de massa na Bolívia que defendeu o Governo
no Equador, que levaram à eleição de presidentes com Morales dos ataques golpistas e separatistas da direita
elas identificados e a proposta de construção do “soci- fascista (por considerá-lo antiimperialista e promotor
alismo do século XXI” (como eles chamam) faz o de reformas democráticas básicas para a construção do
Império estremecer diante do “fantasma”, que ele jul- socialismo). O Governo Correa no Equador é outra
gava morto com a queda da URSS e tentava ilhar em encarnação do espectro: a não renovação da base dos
Cuba. Embora ainda não estejam construindo uma EUA em Manta (cujo contrato venceu em 2009), a audi-
sociedade socialista, as lutas destes povos mostra que toria da dívida externa e interna e o não pagamento de
eles não querem mais ser subjugados ao imperialismo, grande parte destas, a aprovação da nova Constituição,
e que já tomam consciência da necessidade do socia- o ingresso na ALBA e no SUCRE, são políticas avan-
lismo. çadas que o colocam na honrosa companhia da
Venezuela, Bolívia e Cuba dentro do “eixo-do-mal”.
Mais do que discursos que denunciam o EUA são
as ações concretas que fortalecem posições antiimpe- Contudo, as experiências anti-imperialistas cita-
rialistas que têm causado preocupações ao Império. das acima enfrentam diversas dificuldades. Assim
Inspirado em Simón Bolívar, Chávez tem proposto a como os demais países latino-americanos, estes se
integração latino-americana para conquistar a segunda desenvolveram sob as bases de um capitalismo depen-
e definitiva independência, hoje não mais da Espanha dente. Suas forças produtivas são pouco desenvolvi-
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das e a massa de operários industriais é relativamente dos direitos humanos. A ofensiva do Império continua.
pequena. Além disso, o massacre reacionário de gera- Além da Colômbia e o Peru, o Chile agora deve se
ções inteiras criou imensas dificuldades para o desen- somar às operações contra-revolucionárias, com a elei-
volvimento da organização popular e de partidos revo- ção do pinochetista Sebastián Piñera. No Haiti, após o
lucionários. Dessa maneira, hoje, a luta requer a cria- terremoto que destrói o país, mata cerca de 250 mil pes-
ção das condições para a superação da dependência soas e deixa mais de um milhão de desabrigados, os
econômica e do atraso cultural e político-organizativo, EUA envia 20 mil marines e instrumentos de guerra.
buscando criar as bases para o socialismo. Porém, elas Nessa ocasião se efetiva a quinta e maior ocupação
são atualmente o que existe de mais avançado na militar estadunidense no país. Elas vem completar a
América Latina. Tanto é que os EUA já anunciam a pre- ocupação do Haiti pela MINUSTAH (Missão das
paração de uma guerra contra a Venezuela; com o intu- Nações Unidas para a Estabilização do Haiti), cujas
ito de barrar o avanço da unidade antiimperialista lati- tropas são lideradas, vergonhosamente, pelo Brasil. A
no-americana e da perspectiva socialista. No Relatório “Missão” tem cumprido o papel de conter as revoltas
de 2009 da CIA isso fica evidente: “Em países como populares e limpar a área para uma ocupação escanca-
Venezuela, Bolívia e Nicarágua, líderes populistas rada do EUA, que além dos objetivos econômicos, pre-
estão caminhando para um modelo econômico e polí- tende usar seu território como base de agressão à Cuba.
tico mais autoritário e tem se unido para rechaçar a Esta foi colocada na lista de países terroristas e está
influencia dos EEUU, seus interesses e suas políticas sofrendo uma intensa campanha imperialista que bus-
na região. O Presidente da Venezuela Hugo Chávez tor- ca isolá-la e derrotar seu projeto socialista.
nou-se um dos detratores principais em nível interna- Conscientes das intenções imperialistas, lutado-
cional contra os EEUU, denunciando o modelo demo- res da Nossa América criaram o Movimento
crático liberal e o capitalismo de mercado”. Continental Bolivariano: um espaço de coordenação
Em 2008, o Governo Bush já preparava a ofensi- de lutas continentais e de articulação entre os diferen-
va hoje seguida por Obama: promoção da guerra civil tes movimentos e organizações revolucionárias latino-
e divisionismo na Bolívia; invasão do Equador por tro- americanas. Além desta iniciativa há também a pro-
pas colombianas que matou Raul Reyes, quatro estu- posta de Chávez de construir a Quinta Internacional
dantes mexicanos e outros 21 insurgentes das FARC- Socialista, com o objetivo de formar uma frente anti-
EP (até hoje o Equador tem suas relações rompidas imperialista no mundo e lutar pelo socialismo. A partir
com a Colômbia); e reativação da Quarta Frota. Em da reorganização dos partidos comunistas e operários
2009, primeiro ano do Governo Obama, a linha seguiu ressurge a Revista Comunista Internacional. Estes são
a mesma. Nesse ano, vários fatos evidenciam o objeti- espaços importantes que visam a unidade dos povos
vo de controle do subcontinente. Jones Jr., assessor de em torno do socialismo como única alternativa real à
Segurança Nacional de Obama, propôs ao Governo barbárie. Mais do que nunca é tempo de dizer: “prole-
Lula uma parceria estratégica Brasil-EUA (com a par- tários e povos oprimidos do mundo, uni-vos”.
ticipação do Império na exploração do pré-sal em troca
de armas de alta tecnologia) e buscou um alinhamento
do Brasil contra Chávez. Com claro apoio dos EUA, II. CONJUNTURA NACIONAL
realizou-se o Golpe Militar em Honduras, após este O leopardismo do Governo Lula: “Mudar
país ter ingressado na ALBA e seu presidente Zelaya tudo” para que tudo continue como está
ter proposto plebiscito sobre mudança ou não da A “aprovação política” do governo Lula, registra-
Constituição. Em 2009, ocorre ainda, o acordo de uso da nas enquetes, é um fenômeno fugaz, muito seme-
de sete bases colombianas pelos EUA (além das três lhante à aprovação de FHC em 1998. Como naquela
bases estadunidenses já existentes no país), bem conjuntura, estamos em um ano de eleições presiden-
como, um outro acordo que anexa, na prática, a ciais no meio de uma crise internacional do capitalis-
Colômbia aos EUA. O objetivo é promover uma guer- mo em que seus efeitos mais nefastos ainda não apare-
ra contra a Venezuela e combater as guerrilhas, princi- ceram no Brasil; mas certamente virão a tona. Apesar
palmente, as FARC-EP e o ELN. A Colômbia vive sob das condições favoráveis para os países dependentes
a ditadura de um Estado narco-terrorista. No início de entre 2003-2007 (quando houve um soluço de cresci-
2010, foi descoberta no país uma vala comum com mento planetário, com aumento dos preços dos bens
2.500 corpos de militantes assassinadas pelos parami- primários), houve uma paradoxal melhora conjuntural
litares e exércitos ligados ao Governo fascista de acompanhada de piora da vulnerabilidade externa com-
Uribe. Estima-se que há mais mil valas como estas parada do Brasil. A política do governo Lula é a repeti-
espalhadas pelo país. Os próprios órgãos oficiais admi- ção da velha política de reprodução “reciclada” do
tem que há mais de 25 mil desaparecidos políticos na capitalismo monopolista dependente, de sua ordem
Colômbia; país que é campeão do mundo em violações
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social autocrática com um Estado a serviço do bloco mudanças substantivas nas estruturas capitalistas e
de poder formado pelo imperialismo, os monopólios e autoritárias, num sentido socialista” (Prestes, L. C. –
o latifúndio; hegemonizado pelo capital financeiro “Proposta Para a Discussão de um Programa de
que constitui o amalgama da fusão orgânica ou da asso- Emergência..., op. cit., p. 81).
ciação (nos seus interesses, negócios e empresas) entre O Programa Fome Zero original era avançado e
estas frações da grande burguesia. O governo Lula criaria uma dinâmica social progressista; no entanto
manteve a mesma política econômica do segundo foi abandonado e substituído por um programa rebai-
governo FHC: explosão da relação dívida interna/PIB xado, adaptado ao viés das “políticas compensatórias”
por causa da troca de dívida externa, de maior prazo e do FMI e BM (o que levou Frei Beto, um dos formula-
menos juro, por dívida interna, de prazo menor e taxas dores do Fome Zero, a romper com o governo). O con-
de juro mais elevada; câmbio flutuante; ajuste fiscal teúdo da política social do governo Lula é, no essenci-
permanente e megas-superávits primários; juros astro- al, a mesma política regressiva do governo FHC.
nômicos; queda dos salários reais nivelados por baixo; Ambos aplicaram a política neoconservadora do
precarização do trabalho e retirada de direitos. Banco Mundial de substituir os direitos sociais univer-
O próprio crescimento econômico tem que ser sais (emprego, saúde, educação, moradia, transporte,
pensado em termos qualitativos: que tipo de cresci- etc.) conquistados pelos trabalhadores no século XX
mento e com que finalidade? O crescimento alcançado como “direito de todos e deve do Estado” pela lógica
no governo Lula não corresponde a melhorias signifi- perversa das “políticas focalizadas” (para “os mais
cativas das condições de vida do povo brasileiro; não indigentes entre os miseráveis”). A política social do
avança no sentido da superação da dependência do governo Lula combina a “flexibilização” e precariza-
Brasil ao imperialismo e reforça a cultura da desigual- ção do trabalho (que retira direito dos trabalhadores)
dade dominante. Forja-se uma identidade ilusória das com políticas “focalizadas” para acalmar e cooptar os
classes trabalhadoras com o presidente que não corres- miseráveis, com uma “compensação” (limitada e bara-
ponde à realização no âmbito das políticas econômico- ta) diante dos efeitos da política econômica que repro-
sociais do seu governo. Sem dúvida, em um país como duz o capitalismo dependente: baixo crescimento, pau-
o Brasil, a eliminação da fome, da miséria e do perização, elevadas taxas de desemprego, diminuição
desemprego deve ser considerada uma prioridade dos salários e rendimentos populares. O programa
máxima na alocação dos recursos escassos do Estado. Bolsa Família, peça central da política social do atual
É neste sentido que Luiz Carlos Prestes formulou em governo, não pode sequer ser considerado como de ren-
1982 uma Proposta para a Discussão de um da mínima, pois, além de não ser universal, também
Programa de Soluções de Emergência Contra a Fome, não é constitucional e nem seu valor atende as necessi-
a Carestia e o Desemprego (Prestes Hoje, Codecri, dades mínimas reais de sobrevivência das pessoas. O
R.J., 1983, pp. 77-95). A proposta de Prestes, é abran- salário mínimo necessário do DIEESE (definido para
gente e eficiente, articula as medidas de emergência uma família de dois adultos e duas crianças) daria uma
para o atendimento das necessidades imediatas das renda mínima per capita quase quatro vezes maior que
massas pobres com políticas de elevação do nível de o valor definido como linha de pobreza pelo “Bolsa
vida do proletariado, com a ampliação de direitos e Família”. O Programa serve, no entanto, como pode-
garantias sociais universalizantes e volta-se para a eli- rosa arma político-eleitoral e eficiente instrumento de
minação das causas estruturais da fome, da miséria e manipulação ideológica. Permite um discurso “politi-
do desemprego. Seu método liga medidas transitórias camente correto” na perspectiva do grande capital, que
com uma estratégia socialista: ao buscar colocar as forja uma falsa consciência do que seria um “bom”
necessidades dos de baixo no centro da luta política, governo para os trabalhadores.
incorporá-los como força organizada na luta de classes Este processo político apresenta características
e fortalecer a hegemonia do proletariado no interior do novas, em especial o “transformismo” do governo
bloco de forças sociais revolucionárias. Proporciona Lula e do PT, que propagandeando a mudança for-
condições políticas para uma interação entre a massa taleceram a continuidade e a manutenção da
menos politizada e os revolucionários organizados ordem herdada: uma reciclagem da velha autocracia
com formação marxista; visa criar espaços para o sur- burguesa, onde até as ilegalidades da ditadura militar
gimento de novas lideranças diretamente escolhidas são preservadas (como a lei da anistia que protege os
pelas massas, formar quadros proletários na luta que torturadores e mantém secretos os arquivos da ditadu-
faz a mediação entre o programa revolucionário e as ra). O “transformismo” é um conceito de Gramsci que
preocupações imediatas das massas. Assim concebi- trata da adesão (individual ou coletiva) ao bloco domi-
das, “as soluções de emergência contribuem para cons- nante de lideranças e organizações políticas ligadas às
cientizar e organizar as classes trabalhadoras, prepa- “classes subalternas”, com o abandono de suas antigas
rando, desta maneira, as condições necessárias para
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posições políticas. O rápido e amplo “transformismo” nômica e controla a execução do Orçamento Federal,
de Lula e do PT em mais um “partido da ordem” sur- subordinando as ações do Estado nas demais áreas. O
preendeu a muitos. No entanto, desde o início da déca- agronegócio e os interesses exportadores apoderaram-
da de 90 o núcleo dirigente do PT se lançou no projeto se do Ministério da Agricultura e do Ministério do
de chegar ao governo com a chancela da classe domi- Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;
nante (negociando com a direita, com o grande empre- aprovaram a liberação dos transgênicos, conseguiram
sariado, com o governo dos EUA, etc.); deformando compensações para o câmbio valorizado e afetaram
seus quadros no ethos da “pequena política” (pragmá- inclusive o foco da política externa, principalmente as
tica, oportunista, carreirista, sem nenhum compromis- negociações no âmbito da OMC.
so com transformações sociais profundas, sem estatu- As frações hegemônicas no bloco de poder da for-
ra sequer para ser reformista). mação social brasileira são personificações do capital
O governo de Lula trilhou, no fundamental, o mes- financeiro (integração orgânica entre o capital bancá-
mo caminho do governo de FHC, dando novo fôlego a rio e industrial com preponderância do primeiro);
um modelo econômico que estava esgotado; perdendo dominância da fração imperialista (grandes bancos
a extraordinária oportunidade criada pela conjuntura estrangeiros, fundos de investimento e empresas trans-
internacional entre 2003-2008, que permitia a realiza- nacionais) e os monopólios brasileiros a ela associada
ção de uma política democrático-radical, anti- (na maior parte dos casos, de modo subordinado).
imperialista e de transformações econômico-sociais Também importante no bloco dominante são as dema-
voltada para a elevação do nível de vida das massas is frações do grande capital que não são organicamente
populares. Para além da burocratização interna do PT financeirizados (na indústria, comércio e serviços) e o
(enquadramento das tendências mais à esquerda pela latifúndio (em geral modernizado como “agro-
“Articulação”, destruição dos núcleos de base e virtual negócio”). Estes últimos e os demais segmentos
eliminação dos espaços democráticos de debate, ques- exportadores do grande capital ganharam maior peso
tionamento e formulação) houve um rápido amálgama no governo Lula do que tinham com FHC (revitalizan-
espúrio entre governo, partido e os sindicatos e demais do o bloco de poder, abalado com a crise cambial de
organizações de massa (transformadas em “correias 1999), permitindo (nas condições favoráveis da con-
de transmissão” do governo). O “patrimonialismo” juntura internacional de 2003-2008) tanto os superá-
ultrapassou o clientelismo tradicional na relação do vits comerciais como o pagamento em dólar dos rendi-
governo com os partidos que compõem a sua base de mentos do capital financeiro.
apoio; renovaram-se as modalidades cooptação políti- Com a crise as elevadas taxas de juros, a desvalo-
co-ideológica, como é o caso emblemático de dirigen- rização do dólar e os gargalos da dívida pública (que
tes e funcionários do PT e da CUT (e outros setores sin- exige elevadíssimos superávits fiscais primários) vão
dicais governistas) que se tornaram uma camada soci- aumentar as tensões no bloco dominante (que se man-
al específica identificada com interesses de classe bur- tém unido na defesa do arrocho salarial e da “desregu-
guesa formada por administradores de fundos públi- lamentação” do mercado de trabalho). Mais importan-
cos (especialmente de bancos oficiais, com destaque te: com o reaparecimento da crise o comando do capi-
para o FAT do BNDES) e fundos de pensão estatais tal financeiro terá dificuldades crescentes para exercer
(Previ, Petrus, Funcef). sua hegemonia para além do bloco de poder e incorpo-
O “modo petista de governar” não é significativa- rar (ainda que passivamente) os grupos e classes
mente distinto do PSDB e PMDB; com um pequeno exploradas, oprimidas e subalternizadas; pois o capita-
diferencial de eficiência no uso funcional das políticas lismo monopolista dependente (que é o único capita-
assistencialistas o lulismo fala para os pobres, viven- lismo possível no Brasil) não permite um crescimento
cia as benesses do poder e garante mesmo a boa vida sustentável capaz de estabilizar tal hegemonia, devido
para os grandes capitais. No essencial a identidade polí- não só ao crédito caro, mas, sobretudo: às perdas inter-
tica do PT é a mesma dos partidos da ordem que ocupa- nacionais, à reduzida capacidade de investimentos
ram os governos anteriores, passando pelas mesmas públicos (se mantidas as privatizações, os compromis-
equações: financiamento de campanhas pelos grandes sos de apoio à acumulação de capital e as garantias de
capitalistas, nepotismo e ocupação patrimonialista do pagamento da dívida externa e interna), à forte con-
Estado, relações “fisiológicas” que garantem o atendi- centração de renda e patrimônio e às dimensões gigan-
mento dos interesses de distintas frações das classes tescas da miséria, degradação coletiva e demandas
dominantes (que repartem entre si o saque representa- reprimidas do proletariado e das massas populares.
do pela apropriação aberta dos segmentos do aparelho O PAC foi apresentado como expressão de uma
estatal). O capital financeiro controla o Ministério da “nova postura”: a primeira gestão teria servido para
Fazenda e o Banco Central, determina a política eco- “arrumar a casa”, para no segundo governo se enfren-
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tar a “retomada do crescimento econômico”. Na reali- associações que lutam pela transformação social. A atá-
dade, o PAC significou, um “programa de atendimento vica incapacidade de conviver com a democracia para
aos credores” da dívida pública, uma peça de propa- os “de baixo” que reaparece nas autoridades judiciári-
ganda enganosa do governo e um envoltório do con- as brasileiras, o velho trato da questão social como “ca-
junto de sua política a serviço do capital monopolista: so de polícia”, está se recompondo numa nova e auto-
não garante o crescimento econômico, está articulado crática estratégia das forças conservadoras com forte
com as contra-reformas, dá continuidade ao desman- peso estatal.
che dos serviços públicos e ataca os direitos dos traba- A ofensiva da direita se dá num contexto de con-
lhadores. O PAC nunca chegou perto de ser um verda- tinuidade da autocracia burguesa. Não se trata de
deiro plano integrado de desenvolvimento para o uma rearticulação dos conservadores para “voltar ao
Brasil, pois segue a política imposta pelo imperialismo poder”, mas de uma ofensiva reacionária para manter e
(em conluio com as elites da burguesia nativa) de reforçar um poder autocrático que eles nunca perde-
transformar o país em mera plataforma de valorização ram. É nesta conjuntura de tentativa de estabilizar a
financeira internacional. Um verdadeiro plano nacio- outrora chamada “transição prolongada” – a qual nun-
nal de desenvolvimento exige, no mínimo, a conquista ca foi mais do que uma reciclagem da autocracia bur-
das da capacidade do país fazer política econômica guesa - que aparece toda a gravidade da conciliação de
soberana: reorientação da intervenção do Estado na Lula com a extrema direita e seu recuo diante das pres-
economia, repúdio do modelo herdado de ditadura que sões para neutralizar os efeitos potencialmente demo-
subordina tudo ao pagamento da dívida, redução da cratizantes do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos
vulnerabilidade externa e um planejamento democra- (PNDH). Apoiamos a campanha “contra a anistia aos
ticamente centralizado (combinado com a mobiliza- torturadores” lançada em dezembro de 2009 pela
ção popular) voltado para a elevação qualitativa do Associação dos Juízes pela Democracia (AJD) e repu-
nível de vida do povo. diamos a acusação de que somos movidos por “revan-
Protestamos diante da crescente onda de crimi- chismo”. Jamais pretendemos fazer a eles o que fize-
nalização dos movimentos sociais e do novo patamar ram a nós. Não reivindicamos que quem assassinou
de repressão às organizações, protestos e manifesta- deva ser morto, quem torturou deva ser seviciado,
ções populares. É um insulto ao povo brasileiro - que quem estuprou deva ser violentado. Queremos justiça:
conquistou liberdades democráticas em décadas de entregar as famílias os restos mortais dos que foram
luta contra a ditadura - o Relatório aprovado por unani- mortos e enterrados clandestinamente, comprovar que
midade no Conselho do Ministério Público do RS, que a maioria dos militares não é conivente com as atroci-
estigmatiza o Movimento dos Trabalhadores Sem dades; punir os culpados dentro da lei e livrar as Forças
Terra (MST) como “organização criminosa” e promo- Armadas da influência de figuras antidemocráticas
ve ação civil pública com vistas à “dissolução do MST que fazem a apologia da ditadura, escondem a verdade
e a declaração de sua ilegalidade”, exige a “desativa- e acobertam os criminosos. A ofensiva da direita não
ção e remoção dos acampamentos” e ainda a “inter- pode ser reduzida a uma questão de tática eleitoral, até
venção nas escolas do MST”. Segue na mesma linha a porque ela se articula também por dentro do Estado e
condenação à prisão por dois anos e meio de do próprio governo Lula. O que está em jogo é a memó-
Coordenadores da Comissão Pastoral da Terra que ria histórica nacional e a luta pela efetiva democratiza-
assessoraram um protesto de dez mil trabalhadores ção do Brasil. A impunidade dos torturadores a resis-
rurais contra o INCRA na região de Marabá (PA) em tência reacionária contra a concretização de direitos
1999. Multiplicam-se casos de criminalização de movi- humanos que envolvem limites à interesses particula-
mentos legítimos dos trabalhadores e dos pobres, dos ristas do grande capital e do latifúndio e a defesa da
jovens e estudantes e, sobretudo, dos trabalhadores do liberdade pessoal e da auto-realização individual (em
campo e suas lideranças. Estudantes e trabalhadores oposição às forças crescentemente mais destrutivas de
das Universidades públicas que protestam contra polí- desumanização, alienação, opressão e exploração)
ticas privatizantes e antidemocráticas são processados mostram que a ditadura e a sua lógica ainda estão pre-
e enquadrados como “terroristas”; movimentos e orga- sentes em nosso país.
nizações populares sofrem espionagem sistemática e Defendemos a realização de uma Reforma
crescente violência policial na repressão às suas mani- Agrária Radical; com o fim da propriedade monopo-
festações; intensificam-se práticas anti-sindicais com lista da terra na mão dos latifundiários e garantias: de
demissão de dirigentes (desrespeitado sua estabilidade posse da terra por aqueles que nela trabalham, do aces-
legal), multas e confisco de patrimônio em caso de gre- so aos necessários meios de produção e gestão e de con-
ve e uso da legislação anacrônica para golpear a liber- dições adequadas de comercialização (que protejam
dade sindical. Surgem propostas de mudanças na tantos os trabalhadores rurais como os consumidores
legislação visando proibir e punir a existência legal de
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urbanos da espoliação dos monopólios agro- tória contemporânea. Nas últimas décadas tornou-se
industriais e comerciais). Lutamos pela renacionaliza- dominante - não só entre apologistas da ordem, mas
ção e reestatização das empresas estratégicas, como: a em parte da intelligentsia radical e de esquerda – a defe-
Petrobrás a Vale do Rio Doce, a Telebrás e a sa de teses que formam um problemático “senso
Eletrobrás. Estes complexos produtivos, dotados de comum” em torno da negação da centralidade da
elevada competência técnica e organizacional, devem categoria trabalho (como atividade produtiva e mode-
tornar-se a base para um planejamento estatal (com lo de toda práxis e seu papel na estruturação objetiva
controle democrático) capaz de garantir a soberania das relações de produção e como “momento predomi-
sobre nossos recursos naturais e um desenvolvimento nante” na produção e reprodução do homem na socie-
socialmente justo e emancipador. Apoiamos a propos- dade e da sociedade como totalidade) e a negação do
ta de realização de um plebiscito em favor da retomada papel revolucionário do proletariado (a classe dos
do monopólio estatal do Petróleo e da reestatização da trabalhadores assalariados explorados pelo capital) na
Petrobrás; consideramos que ele deve ser estendido a luta pela emancipação humana.
uma campanha pelo monopólio estatal sobre todos os Houve de fato várias mudanças no perfil e distri-
recursos naturais estratégicos e reestatização das buição do proletariado (seja por ramos da economia,
empresas estratégicas (a serem nacionalizadas sem seja em termos geo-econômicos). Empiricamente, se
indenização e não recomprando as ações privatiza- forem examinadas as estatísticas da OIT no último
das). O controle democrático dos trabalhadores sobre meio-século, fica evidente que houve um gigantesco
o planejamento democraticamente centralizado destas crescimento do proletariado em escala mundial e em
empresas (combinado com auto-gestão interna desde a todos os continentes; algo que se mantém se conside-
base) é a única solução duradoura para a garantia da rarmos variações médias relativas de cerca de dez anos
soberania nacional a serviço das efetivas transforma- (e não oscilações curtas em épocas de crise) e se não
ções sociais necessárias na sociedade brasileira. reduzirmos o proletariado aos trabalhadores manuais.
Medidas neste sentido têm como pré-requisito a derro- O proletariado é “a classe dos assalariados modernos
ta política do atual bloco de poder, a liquidação do que, não tendo meios de produção, são obrigados a
poder dos monopólios e a destruição do Estado auto- vender sua força de trabalho para sobreviver” (Nota 1
crático burguês. de Engels ed. de 1888 do Manifesto Comunista);
excluindo os que por seus rendimentos elevados
III. CENTRALIDADE DO TRABALHO E podem acumular capital suficiente para viver de juros
LIBERDADE SINDICAL e aqueles cuja função única é gestionária (definição
clássica assumida por Lênin: Observações ao Projeto
A chamada “crise da sociedade do trabalho” é um de Programa de Plekhanov do POSD russo 1902,
modo significativamente invertido de abordar a crise Obras Completas v. 6); mas incluindo todos os desem-
estrutural do capital aberta no inicio dos anos 1970, pregados que não se tornaram pequenos empresários
que forma o estofo da terceira fase do estágio imperi- (Cf. Marx - O Capital I, cap. XXIII sobre o “exército
alista-monopolista do capitalismo. A nova fase his- industrial de reserva”). O próprio proletariado indus-
tórica torna a capacidade de adaptação do capitalismo trial produtivo (de mercadoria, que combina trabalho
muito menor e o deslocamento de suas contradições concreto produtor de valor de uso e trabalho abstrato
cada vez mais difícil; bloqueando objetivamente o criador de valor de troca) se ampliou com a proletari-
espaço das acomodações de “consenso” dentro da zação dos trabalhadores do campo e com os que inte-
ordem (“pleno emprego”, “Estado de bem estar soci- gram o “trabalhador coletivo” (Cf. Id. O Capital I, esp.
al”, etc.) eliminando as condições para reformas séri- cap. XIV; e Cap. VI Inédito). A classe como um todo
as. A crise estrutural do capital cria a necessidade his- inclui ainda os trabalhadores do comércio, dos bancos
tórica e as potencialidades objetivas de uma ofensi- e dos serviços que também fazem parte do proletari-
va socialista, mas isto ocorre em condições de desori- ado, isto é, os “trabalhadores improdutivos” para o
entação teórica e político-ideológica do movimento capital em geral, (pois não transformam a natureza
proletário e popular e de ausência de instrumentos produzindo e transportando mercadorias – unidade de
políticos prático-organizativos adequados que valor de uso e valor de troca – e, portanto não produ-
poderiam transformar esta potencialidade em rea- zem o “conteúdo material da riqueza social” nem
lidade efetiva. Na busca de contribuir com elementos incrementam a massa global de mais-valia), mas que
para a superação destes limites analisamos aqui as são produtivos para os capitalistas destes ramos,
bases objetivas da atualidade do socialismo proletário pois permitem que eles valorizem seus capitais e parti-
e a particularidade concreta (com suas dificuldades cipem do rateio da mais-valia (Cf. Id. O Capital II cap.
específicas) do sindicalismo brasileiro. VI e III cap. XVII). Nos EUA o proletariado aumentou
1. Centralidade do trabalho na luta emancipa- em números absolutos de 62 milhões em 1950 para
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124 milhões em 1990; ainda que no chamado “terceiro gico para a revolução da nossa época. Uma revolução
setor” houve um crescimento proporcionalmente mai- do trabalho (na medida em que as classes trabalhado-
or (passou de 22 para 78 milhões) Se considerarmos as ras, sob a hegemonia do proletariado, formam o sujeito
estatísticas sobre o período mais recente, entre 1990 e coletivo das lutas emancipatórias com capacidade
2005, verificamos que a força de trabalho mundial pas- objetiva de estabelecer uma alternativa histórica viá-
sou de 1,43 para 1,93 bilhões de pessoas. Ainda que o vel ao domínio do capital) e uma revolução no traba-
setor de serviços aumente proporcionalmente muito lho (na medida em que deve auto-abolir o trabalho abs-
mais (e mais rápido), o emprego na indústria (em sen- trato e alienado, abolir sua própria subordinação estru-
tido amplo) vem aumentando nos últimos 50 anos em tural ao capital bem como a subordinação de qualquer
termos absolutos numa média em torno de 3% ao ano; classe por outra, instaurando uma sociedade baseada
e num ritmo em torno de 5% no chamado “terceiro do trabalho concreto emancipado que produz coisas
mundo” (Cf. BIT – Le Travail dans le Monde, Genéve, socialmente úteis e amplia cada vez mais o campo de
1984, 1991, 1996 e 2006 e US Departament of Labor, liberdade da auto-atividade humana).
Montly Labor Review, 1991). 2. A Estrutura de Sindicalismo de Estado e sua
Assim com não podemos compreender as leis de Reciclagem A estrutura de Sindicalismo de Estado
movimento do modo de produção capitalista sem a (implantado no Brasil nos anos 30, inspirado na Carta
categoria marxiana de “capital social total”, também é del Lavoro de Mussolini) é o sistema de relações que
impossível compreender os múltiplos e agudos pro- assegura a subordinação dos sindicatos (oficiais) às
blemas do trabalho (nacionalmente diferenciado e soci- cúpulas do aparelho de Estado (Executivo, Judiciário
almente estratificado) sem ter presente o irreconciliá- ou Legislativo) tendo como base a necessidade do
vel antagonismo entre o capital social total e a “totali- reconhecimento oficial-legal do sindicato pelo
dade do trabalho”. A relação capital-trabalho não é Estado. Deste fundamento – a “investidura sindical”
simétrica: o capital depende absolutamente do traba- por um ramo do aparelho do Estado - dependem todos
lho, mas a dependência do trabalho diante do capital é os demais elementos que compõem a estrutura: unici-
historicamente superável. Os movimentos populares dade sindical obrigatória (o Estado reconhece um
e suas modalidades de luta (ecológica, feminista, de sindicato único e outorga a representação dos trabalha-
nações espoliadas e etnias discriminadas, de jovens e dores sob a forma de monopólio por força de lei), a
estudantes, de homo-afetivos, etc.) contra a opres- tutela do Estado sobre a atividade reivindicativa do
são, possuem significado relevante e positivo na busca sindicato (particularmente da Justiça do Trabalho, que
de uma individualidade e uma sociabilidade rica de emite sentenças aplicadas não só aos associados do sin-
sentido humano. Mas deve-se ter presente a centrali- dicato, mas ao conjunto da categoria), as contribui-
dade das classes trabalhadoras expropriadas e ções sindicais compulsórias (imposto sindical e
exploradas (que atravessam aqueles movimentos) nas outros; a “carta sindical” define a entidade que exerce
transformações que se opõem à lógica de acumulação legalmente esse poder tributário delegado pelo
de capital e o protagonismo estratégico do proletari- Estado). Uma estrutura sindical cuja representativida-
ado como um todo (tendo por “núcleo de vanguar- de e recursos materiais são uma outorga do Estado por
da” o proletariado industrial produtivo) como suje- força de lei (coesionado por uma ideologia legalista
ito revolucionário na luta pela supressão do capitalis- que estimula o “fetichismo do Estado”) gera um apare-
mo, capaz de ser conseqüente até o fim na luta para lho sindical integrado ao Estado e separado dos traba-
superar o domínio do capital e estabelecer um modo lhadores (Cf. A. Boito Jr. – O Sindicalismo de Estado
viável de controle socialista da produção e reprodução no Brasil).
social. Esteve em voga a teoria da “integração definiti- Marx e Engels em sua luta contra o “bismarkis-
va do proletariado no capitalismo organizado”. Hoje, mo” de Lassale e depois Lênin e Rosa Luxemburg nas
com a crise estrutural, o capitalismo está “desorgani- polêmicas contra o “revisionismo” demonstraram que
zado”, mas persiste a “integração regressiva” de lide- certo tipo de sindicalismo desempenha funções con-
ranças e organizações que se reclamam representantes servadoras; mas que a unidade sindicalismo-
dos trabalhadores. O proletariado pode ser temporaria- revolução é possível e indicaram os meios pelas quais
mente privado de uma liderança com consciência de ela pode se dar: 1) como meio de acumulação de for-
classe, mas não pode ser “integrado” ao sistema do ças, base para o crescimento da organização política
capital (incapaz de impedir a agudização de suas con- independente do proletariado e o desenvolvimento
tradições e antagonismos estruturais). Por isto a reor- massivo de sua consciência de classe; 2) contribuir
ganização do movimento socialista, em oposição às para o desencadeamento de crises revolucionárias; 3)
lideranças oportunistas, é um desafio inevitável. O integrar as massas na luta pelo poder de Estado, utili-
desenvolvimento do proletariado, como classe hege- zando seus meios típicos de luta (greves) como instru-
mônica autosuperadora, segue como principio estraté-
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mento de apoio de uma insurreição. Já a função do sin- arraigada (...) o empresariado logrou um triunfo
dicalismo de Estado é sempre (a despeito de suas vari- enquanto a CUT perdia sua maior batalha na
ações conjunturais) manter a hegemonia burguesa Constituinte. O 'novo sindicalismo' e a revolução
sobre o movimento sindical inviabilizando um sin- democrática sofreram um revés; as correntes que vêm
dicalismo classista. No caso brasileiro favorece a do passado venceram”. Contra este projeto Florestan
manutenção da ordem capitalista autocrática e perma- propôs: “Dê-se nova redação ao art. 9º da
nentemente dependente: 1) Ao contrário dos movi- Constituição: 'É livre a associação profissional ou sin-
mentos sindicais autônomos (onde a separação entre dical em todos os níveis; a aquisição da personalidade
sindicalismo e socialismo é apenas uma possibilidade) jurídica de direito privado se dará mediante registro
a estrutura sindical tutelada mantém de modo inevitá- em cartório; §1º a lei não poderá exigir a autorização
vel a separação entre a luta sindical e a luta revolucio- do Estado para a fundação de sindicato; § 2º é vedada
nária. 2) Submete o movimento sindical aos interesses ao Poder Público qualquer interferência na organiza-
que tem hegemonia no bloco de poder (o próprio “sin- ção sindical (...)” (Fernandes, F. – “Sindicato Único e
dicalismo oficial de oposição” fica dependente das fis- Pluralidade Sindical”, In: Jornal do Brasil,
suras entre os interesses de fração dos diversos setores 02/11/1987).
burgueses, sem sair do terreno do interesse geral do blo- 3. A Degeneração da CUT e a Contra-Reforma
co dominante). 3) Debilita a ação sindical reivindicati- Sindical e Trabalhista do Governo Lula. O movi-
va que fica aquém do “tradeunionismo tradicional” mento que criou a CUT foi gerado num contexto de cri-
(um sindicalismo sob hegemonia burguesa, mas com se da ditadura e ressurgimento das greves de massa (or-
maior eficácia na luta reivindicatória). O sindicalismo ganizadas e dirigidas por fora dos sindicatos oficiais a
integrado ao aparelho de Estado implica uma profunda partir da participação militante dos operários no local
desorganização da luta reivindicativa dos traba- de trabalho). Sem respeitar o “calendário de datas-
lhadores por melhores salários e melhores condições base”, surgem greves simultâneas em São Paulo e no
de trabalho. O sindicalismo de Estado é um sistema ABC, atemorizando a burguesia que a possibilidade de
que intervém para manter os trabalhadores dispersos e uma “greve geral por contágio da base”) atendeu as rei-
desorganizados, seleciona dirigentes sindicais vindicações. O momento mais crítico da crise da dita-
governistas e aburguesados e torna a luta sindical dura coincidiu com a reorganização do movimento
“moderada” e a reboque das empresas monopolis- operário em 1978; quando as correntes anti-pelegas
tas (gerando um sindicalismo frágil mesmo para os articuladas no ENTOES propuseram a organização
padrões latino-americanos). imediata de uma Central de Trabalhadores para unifi-
O sindicalismo de Estado original foi destruído car nacionalmente o movimento e romper com a estru-
com a derrota do nazi-fascismo e depois com o fim das tura do sindicalismo de Estado. O governo Figueiredo
ditaduras de Franco e Salazar. Seu equivalente na realizou a “abertura sindical” que liberalizava o con-
América Latina, implantado por governos “populistas, trole do Estado sobre os sindicatos, mudou a política
tornou-se ferramentas das ditaduras e foram sendo eli- salarial para conter a onda grevista e decidiu negociar
minadas com o seu refluxo. No Brasil, a supressão pela só com as diretorias de sindicatos oficiais; buscando
Constituinte de 1988 do modelo ditatorial de gestão e reciclar os pelegos para “disciplinar” e boicotar por
controle governamental sobre os sindicatos oficiais dentro o movimento. O grupo majoritário do novo sin-
(com seu repressivo e pormenorizado estatuto padrão) dicalismo, preso à ideologia da legalidade sindical, se
não eliminou, mas ao contrário (devido à ação do “Cen- desviou da luta conseqüente pela autonomia sindical:
trão”, com a colaboração de Roberto Freire e do derrotou a ala esquerda e abandonou a proposta de rea-
PCdoB) preservou (ainda que reformada) a velha lização de um Congresso Sindical sem os pelegos. O I
estrutura do sindicalismo de Estado e seus elemen- CONCLAT só se realizou quatro anos depois em 1981
tos centrais. O Brasil não ratificou Convenção 87 da e só formam a CUT em 1983, quando após muita vaci-
OIT (que trata a plena liberdade sindical como direito lação “racham” com os pelegos que vinham conse-
humano fundamental e determina a proteção contra guindo protelar sua criação. A ditadura ganhou tempo
praticas anti-sindicais) e a Constituinte manteve (art. para levar adiante sua auto-reforma que desemboca no
8º) a necessidade de reconhecimento do Sindicato pelo “tacredismo”, usando os pelegos para bloquear a unifi-
Estado e os “impostos sindicais”; preservou (art. 111 a cação, na base e no topo, de um movimento sindical de
114) a estrutura da Justiça do Trabalho e sua tutela massas.
sobre o movimento sindical. Florestan Fernandes, O campo majoritário na direção da CUT - apesar
então deputado constituinte, fez uma análise precisa de proclamar a intenção de romper com o modelo de
da questão: “o § 3º do art. 9º do novo projeto de consti- organização sindical vigente; defendendo a liberdade
tuição restringe a liberdade sindical proclamada (...) a sindical e a oposição à unicidade, ao imposto, à tutela
unicidade sindical corre pelo leito de uma conciliação
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da Justiça do trabalho – na prática negava o que este de trabalho. A prática dos anos 90 mostrou que ser “pro-
discurso afirmava e caminhava para integrar-se ao sin- positivo” significa disposição de entregar direitos.
dicato oficial. No Congresso de Fundação (1983) der- O processo de degeneração político-ideológica
rotou as propostas que previam alguns tipos de filiação da CUT não pode ser entendido sem levar em conside-
à CUT por fora da estrutura sindical oficial. O III ração o “transformismo” do partido que a dirige. Com
CONCUT, em 1988, reforça essa integração ao dimi- a chegada do PT ao governo federal a cooptação trans-
nuir o peso das oposições sindicais. Ainda assim o I formou-se em promiscuidade: a CUT se transformou
CONCUT, em 1984 aprova o documento Por Uma num “ministério do governo Lula”. A CUT apoiou a 2ª
Nova Estrutura Sindical; em que defende a revogação Reforma da Previdência, opondo-se a greve convoca-
dos artigos da CLT sobre a unicidade e os impostos sin- da pelas entidades dos servidores públicos. Foi emble-
dicais. A CUT seguiu como uma Central combativa mática a ação de Lula em 2003 impondo a eleição de
nos anos 80, apesar de permanecer mais como uma “re- Marinho para presidente da CUT, personagem que em
ferência” e não como uma direção efetiva dos traba- 2005 é cooptado para Ministro do Trabalho. Diante da
lhadores. Bloqueada na base pelo efeito dispersivo da crise atual, a CUT, depois de embarcar no discurso
estrutura sindical oficial (que “para na porta das lulista que a reduz a “marolinha”, passou a apoiar a doa-
empresas”) a CUT não conseguiu alcançar uma ção de dinheiro público para salvar grandes empresári-
ampla e efetiva organização nos locais de trabalho, os, além de aceitar reduções salariais impostas pelos
condição para um sindicalismo efetivamente enrai- patrões. A CUT e a Força Sindical se aproximam e par-
zado nas massas. A virada a direita começa no III ticipam em conjunto do FNT, fórum tripartite criado
CONCUT, que realiza mudanças estatutárias limitan- pelo governo Lula em 2003 para “produzir consensos”
do a participação da base e cria uma estrutura verticali- entre três “bancadas” (entidades patronais e de traba-
zada, burocrática. Esta virada se consolida no IV lhadores e governo) sobre as “reformas” sindi-
CONCUT (1991): limitou ainda mais a democracia cal/trabalhista. O FNT propõe uma reforma sindical
interna e filiou a CUT à CIOSL, central internacional que altera os artigos 8º e 11º da Constituição, os substi-
que pratica o “sindicalismo de negócios” e defende tuindo por 238 artigos. No Anteprojeto de Lei sobre as
posições conservadoras e pró-imperialistas (apoiou Relações Sindicais o governo Lula acolhe o pacote de
golpes e ditaduras militares e várias guerras de agres- 238 artigos, conveniente cortina de fumaça para revi-
são deflagradas pelo imperialismo). Nos anos 90 a talizar a velha estrutura do sindicalismo de Estado.
CUT passou a receber dinheiro do FAT, substituiu a for- Se a intenção fosse, como é declarada pelo então
mação política pela formação profissional (função dos ministro Berzoini, “rever o sistema corporativo que
patrões); abandonou a luta direta dos trabalhadores remonta à década de 30” (PEC 369/2005) bastaria para
para privilegiar a participação nas câmaras setoriais e uma reforma sindical radical dois ou três artigos cla-
fóruns tripartites, legitimando o processo de retirada ros garantindo a proteção dos trabalhadores contra
de direitos dos trabalhadores. A CUT tornou-se parte práticas anti-sindicais e eliminando: a obrigatorieda-
da estrutura do sindicalismo de Estado. A manipu- de da autorização do Estado para o funcionamento do
lação política da distribuição de cartas sindicais pelos sindicato; a unicidade sindical (permitindo aos traba-
governos da “Nova República” faz parte da lógica de lhadores a decisão soberana sobre qual sindicato os
funcionamento da estrutura sindical: preservou o sin- representa e sobre as normas que regem o funciona-
dicalismo de conciliação de classe, mantendo inclusi- mento de suas organizações; a organização fora das
ve a força do velho peleguismo, que continua com uma “entidades de carimbo” controlada pelos pelegos), os
amplitude e presença nacional que não teria se o país impostos sindicais (sendo os sindicatos sustentados
vivesse plena liberdade sindical. Esta integração per- pela contribuição associativa voluntária, controlada
verteu o “novo sindicalismo cutista”, cujas correntes pelos próprios trabalhadores, extinguindo os recursos
majoritárias vergaram aos efeitos políticos e ideológi- que garantem os “sindicatos de gaveta”), o poder da
cos que incidem sobre as forças que se acomodam nos Justiça do Trabalho de criminalizar as greves (garan-
sindicatos oficiais: burocratismo, legalismo, descren- tindo o direito de greve com a extinção dos julgamen-
ça na capacidade de auto-organização dos trabalhado- tos sobre as greves e da arbitragem judicial obrigató-
res; falta de estratégia classista e adoção das táticas ria, que mesmo quando julga dissídios favoravelmen-
defensivas (economicistas e fragmentadas corporati- te aos trabalhadores para encurtar a greve costuma
vamente) do sindicalismo de negócios (chamadas com revogá-los quando o sindicato patronal recorre da sen-
eufemismo “de resultados” ou “propositivo”). A CUT tença).
divulgou documentos considerando “inevitável” a “re-
estruturação produtiva”: os mitos da “flexibilização” e Ao contrário, o Anteprojeto do governo Lula pro-
“desregulamentação”, que na realidade significam põe uma efetiva contra-reforma sindical (cuja trami-
desemprego e uma implacável precarização da força tação no Congresso foi suspensa, mas continua orien-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

tando mediadas provisórias e negociações com as e legaliza a criminalização das práticas de mobilização
Centrais, pelas quais ela vem se realizando “em fati- dos trabalhadores e luta contra o capital. Por trás da
as”). Ela mantém e renova mecanismos que o Estado retórica da modernização da função da justiça do tra-
dispõe para controlar o movimento sindical mediante balho, o projeto propõe que ela passe a julgar a greve
a cooptação – material e ideológica – de suas direções (que é transformada em crime) e não as reivindica-
com o objetivo de reduzir as lutas e impedir sua auto- ções. A despeito do discurso de Lula - que iniciou o
nomia; de modo a dificultar as mobilizações e a cons- debate no FNT alegando primeiro “fortalecer os sindi-
trução de um projeto (democrático-popular, anti- catos” para depois realizar a reforma trabalhista - esta
imperialista e socialista) alternativo ao bloco domi- vem sendo realizada sutilmente e sem debate. Trata-se
nante. É típico do transformismo lulista um discurso é claro da continuidade da contra-reforma traba-
que dissimula o conteúdo da contra-reforma do lhista de FHC, pois Lula segue “flexibilizando” direi-
Estado: o máximo de apoio à acumulação de capital e o tos: o Contrato de Primeiro Emprego e a Lei do Super
mínimo de controle púbico sobre a propriedade, o Simples impõe perdas materiais (eliminação de direi-
máximo de controle sobre o trabalho e o mínimo de tos) e tem o efeito ideológico de estimular a divisão de
direitos. Assim, fingindo ter por alvo a eliminação do trabalhadores, criando “cidadãos de segunda classe”.
imposto sindical o projeto do governo cria uma “Con- A Super-Receita (Lei 1457/07) cria a “pejotização”,
tribuição de Negociação Coletiva” compulsória anual que elimina a fiscalização dos auditores da RF sobre os
(que pode atingir até 13% de um salário, quatro vezes reais vínculos empregatícios entre empresas que con-
mais que o imposto sindical que é de 3,3%) cujo objeti- tratam os serviços e os indivíduos que se apresentam
vo é a verticalização das Centrais (que não recebiam como pessoa jurídica (“pj”); fraudando o pagamento
diretamente o imposto e agora ficam com 10%). Mas o de direitos trabalhistas e encargos sociais. O PAC, des-
velho imposto sindical não foi extinto: o governo nego- respeitando acordos com setores do funcionalismo,
ciou com as Centrais uma lei de reconhecimento que restringe, por 10 anos, o aumento salarial à variação da
estabelece critérios de representatividade provisórios inflação mais 1,5%. O PLC 92/07 ameaça o serviço
e repassa para elas 10% do imposto (PL 1990/07, apro- público ao criar “fundações públicas de direito priva-
vado em março de 2008). Dizendo buscar fortalecer a do” em áreas que devem ser responsabilidade do
representatividade dos sindicatos e o fim das “entida- Estado (saúde, educação, assistência social, cultura,
des de carimbo”; o projeto propõe critérios de registro, ciência e tecnologia, meio-ambiente, etc.) que poderão
financiamento e representatividade que pressionam contratar funcionários segundo as regras do setor pri-
sindicatos a se filiarem as Centrais; concentrando vado. Já está em pauta uma 3ª Reforma da Previdência,
poderes de negociação a que são subordinados ações e que propõe novo aumento do tempo de contribuição e
acordos dos sindicatos de base; que são enfraquecidos da idade mínima para aposentadoria.
enquanto se fortalece a burocracia sindical, facilitando 6. Central das Classes Trabalhadoras E
os conchavos de cúpula. O princípio da unicidade sin- Coordenação de Lutas Populares. No campo da opo-
dical é mantido com o nome de “exclusividade de sição de esquerda não se construiu ainda uma alternati-
representatividade” para sindicatos que já possuem va política relevante ao lulismo, nem mesmo um pólo
registro. Dentro da lógica da verticalização a liberdade com capacidade de convocação de massa. A elevação
de organização sindical é ainda mais restringida, com do nível de organização, mobilização e consciência do
o critério de “representação derivada” que permite às movimento proletário e popular brasileiro – com a for-
Centrais criar sindicatos onde não houver entidades mação de um sujeito político coletivo capaz de impul-
com a “exclusividade”, mas impede “sindicatos sem sionar as transformações sociais – passam, hoje, pela
centrais sindicais” (invertendo a lógica de construção formação de um consenso mínimo: sobre a natureza e
pela base do sindicalismo anti-pelego). A peça chave limites do governo Lula; e sobre os objetivos progra-
do projeto é a “negociação coletiva” hierarquizada máticos que devem ser perseguidos pelas forças que
que centraliza poder nas cúpulas sindicais nacionais; compõem este campo. A reconstituição de uma oposi-
num sistema em que as convenções trabalhistas e con- ção de esquerda mais vigorosa, aguerrida e identifica-
tratos coletivos de maior abrangência têm cláusulas da com o socialismo, passa pela revitalização dos
que não podem ser alteradas nos níveis inferiores (en- movimentos populares, pela reconstrução do sindica-
tidades estaduais e municipais); criando o mecanismo lismo e pela unidade da esquerda (as forças que lutam
ideal para a legitimação de uma contra-reforma tra- pelo socialismo e não se deixaram cooptar pelo bloco
balhista que retire direitos dos trabalhadores (além de de poder dos monopólios). Passa também pelo surgi-
forçar contratos em condições rebaixadas no varejo). mento de novas lideranças em substituição aos oportu-
Por trás de uma retórica democrática que diz pretender nistas identificados com a conciliação de classe.
assegurar o “direito de greve”, o projeto amplia as difi-
culdades para o reconhecimento legal do uso da greve A aproximação entre Conlutas e Intersindical -
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

promotoras (ao lado do MST e das pastorais sociais) Central das Classes Trabalhadoras: classista e com-
em março de 2007 do Fórum Nacional de bativa; independente dos patrões, do Estado e das igre-
Mobilizações Contra as Reformas chegando no jas; com uma democracia construída pela base e orga-
Seminário de novembro de 2009 à convocação deste nizativamente autônoma em relação aos partidos polí-
CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora) – for- ticos; que organize os trabalhadores do campo e da
ma um importante campo de resistência, mas certa- cidade, do setor privado e do setor público, bem como
mente ainda com fraco enraizamento e capacidade de “formalizados” e “precarizados”. B) Coordenação
direção das classes trabalhadoras. Durante o ano de Nacional de Lutas Populares: com as mesmas carac-
2009 debatemos sobre o caráter da nova Central sem terísticas de combatividade, autonomia e democracia,
chegar a um acordo. Os debates se polarizaram princi- reunindo o movimento das classes trabalhadoras e
palmente nas divergências acerca de construir uma cen- os demais movimentos populares; isto é, não só os
tral sindical ou sindical e popular. A questão deve ser sindicatos e outras organizações das classes trabalha-
examinada a luz de uma reflexão mais ampla, tendo doras (camponeses, soldados, terceirizados, desem-
em mente as novas necessidades organizativas da fase pregados, camelôs, etc.), como também: organizações
de crise estrutural do capital, mencionada na abertura ecológicas; de estudantes e de jovens; de “sem-teto”,
da Parte III de nossa Tese, seguida pela análise da cen- “moradores”, “mutuários” e “meninos e meninas de
tralidade do trabalho em relação aos movimentos popu- rua”; de luta contra o racismo, o machismo, o patriar-
lares e organizações setoriais. Se pensarmos tal centra- calismo e a homofobia; de índios e povos originários;
lidade em termos do complexo de organizações de luta movimentos em defesa da cultura nacional e popular,
socialista e contra todas as formas de opressão explo- contra as privatizações, de pequenos proprietários
ração (partidos proletários, sindicatos, movimentos e urbanos e rurais contrários aos monopólios e ao lati-
organizações populares/setoriais), a questão deve ser fúndio; etc. É certo que os estudantes e pequenos pro-
posta em termos de sua reestruturação de modo que prietários não podem decidir como os trabalhadores
eles complementem e intensifiquem a eficácia um vão se organizar, ou deliberar sobre a deflagração de
dos outros. uma greve; nem os sindicalistas querem definir como
1) Esta reestruturação não pode sucumbir à visão o MST ou MTST devem organizar assentamentos e
pós-moderna (fragmentadora e subjetivista) que vê o ocupações. Por outro lado a solução radical dos pro-
real construído pelo “discurso” (embora ninguém blemas brasileiros não será alcançada “sem a partici-
explique o que isto significa) e baseia-se nas “diferen- pação efetiva dos movimentos populares organizados
ças de identidade”. Ao contrário é necessário partir da e unificados em torno de um programa de transforma-
“unidade na diferença” (Marx) em que a identidade ções capazes de imprimir um novo rumo à política do
de interesses comuns deve ser organizada em ins- Estado. Um rumo que tenha por objetivo contemplar
trumentos políticos. Porém, para articular de modo os interesses da maioria e não os de grupos privilegia-
adequado esta unidade deve-se ter clareza da necessi- dos, incluindo setores da própria classe operária, movi-
dade de várias instituições autônomas entre si, orga- dos muitas vezes por interesses corporativos” (Anita
nizadas de modo a desempenhar adequadamente suas Prestes - Luiz Carlos Prestes e Luiz Inácio da Silva (Lu-
distintas funções e tarefas. Segue válida a distinção la): duas grandes lideranças X duas opções políticas
leninista entre as estruturas organizativas (com inde- opostas, fev. 2006). O próprio proletariado (que no
pendência recíproca) de sindicatos de trabalhadores e Brasil ultrapassa 60% da PEA) é profundamente hete-
de partidos (mesmo revolucionários de vanguarda) e rogêneo. A alternativa hegemônica do trabalho não
entre eles e o Estado (mesmo o Estado operário), vencerá sem a plena solidariedade (um valor socialista
garantindo a plena autonomia organizativa, mas bus- vital) com seus mais diversos setores; inclusive os
cando também a “ligação” entre as organizações de desempregados (e não só por um imperativo ético, mas
luta pelo socialismo (Cf. esp. Lênin – “Sobre os também pela força adicional que a mobilização de
Sindicatos, o Momento Atual e os Erros de Trotsky” milhões de desempregados oferece ao movimento).
!920; “Mais Uma vez Sobre os Sindicatos e os Erros Trata-se de superar o corporativismo e enfrentar o difí-
dos Camaradas Trotsky e Bukharin” 1921, OC, 42). cil desafio de construir uma central de trabalhadores
No caso concreto do Brasil de hoje, consideramos que capaz de superar as dificuldades decorrentes da divi-
a aparente antítese entre central sindical versus central são sócio-alienada do trabalho sob o capital, articulan-
sindical e popular, não deve inviabilizar o caminho da do e unificando os vários estratos que compõem as clas-
unidade entre as forças aglutinadas na Intersindical e ses trabalhadoras; e de criar uma coordenação de
na Conlutas; pois ambas são necessárias. No entanto, lutas populares que ligue e organize a luta de todas as
a unidade real só será alcançada (e só será duradoura) organizações de massa que se opõem ao bloco de
com uma resolução que supere as unilateralidades e poder dominante no Brasil.
confusões. Trata-se de entidades diferentes. A) 2) Na questão da Liberdade e Autonomia é uma
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

tarefa central das forças empenhadas na terrenos econômico e político ao mesmo tempo. A
Reorganização do Movimento das Classes questão ficou obscurecida por praticas equivocadas
Trabalhadoras que procuram unir a luta sindical à em países em transição para o socialismo (em que os
luta pelo socialismo, elaborar táticas de luta ade- sindicatos foram muitas vezes degradados à condição
quadas contra a estrutura de sindicalismo de de “correia de transmissão” da propaganda oficial),
Estado. Não basta a (correta) denuncia das Centrais pelo aparelhismo oportunista realizado inclusive por
pelegas e de como a CUT se transformou numa agente partidos de esquerda, pelo cretinismo eleitoreiro e,
da política do Estado autocrático burguês de criar uma mais recentemente em nosso país, pela promiscuidade
burocracia estatal no seio da classe trabalhadora. É entre a CUT-PT-Estado. Na realidade foi o Estado bur-
necessário ter claro que o problema não se limita ao guês que sempre buscou tornar ilegal a ação política
controle visivelmente externo do Estado; pois o siste- dos sindicatos, buscando tolher o imenso potencial
ma vigente tornou a integração ao Estado burguês algo combativo dos trabalhadores; além de pressionar os
inscrito na própria estrutura organizativa interna dos partidos proletários e populares a se restringir à ação
sindicatos oficiais. A liberdade sindical exige a extin- eleitoral e parlamentar. O próprio PT afastou-se, já ao
ção do sindicato oficial. Isto não será uma concessão final dos anos 80, de uma atuação militante nas fábri-
do Estado burguês; será necessário que o movimento cas e no movimento sindical combativo real; o sindica-
nacional de reorganização assuma na prática e sem lismo oficial induz ao apartidarismo (forma enviesada
ambigüidades a luta contra o sindicalismo de Estado. de manifestação do estatismo).
O processo deve combinar uma adequada concepção 4) A crise estrutural recoloca a questão da difícil e
de construção da Central (objetivada em seus esta- imprescindível articulação entre interesses imediatos
tutos) que, além da coerente recusa dos famigerados e a necessidade estratégica de uma ofensiva socia-
impostos sindicais, promova a participação efetiva da lista. É certo que a crise confronta os trabalhadores
base (inclusive das oposições sindicais e de sindicatos com problemas imediatos angustiantes: desemprego,
e associações não oficiais), com a reconstrução do aumento da exploração e aceleração dos ritmos de tra-
movimento pela base, organizado nos locais de traba- balho, arrocho salarial e retirada de direitos sociais, ata-
lho, para além da fragmentação compulsória dos tra- que às liberdades e direitos políticos conquistados. O
balhadores em categorias profissionais. movimento proletário não pode se contentar em opor à
3) Os sindicatos devem ser independentes dos par- crise a mera proclamação da necessidade de uma luta
tidos, mas não podem ser neutros politicamente (pois a anti-capitalista: não há melhor meio para desencadear
despolitização só serve para reforçar a influência bur- este combate geral do que algumas lutas parciais bem
guesa sobre os trabalhadores). Há uma racionalidade sucedidas, que demonstrem na prática que os trabalha-
classista: a construção da unidade nas greves e lutas dores podem defender seus empregos, seus salários,
reivindicativas não exclui o necessário debate das seus direitos conquistados e ainda impor aos de cima
divergências políticas; mesmo na questão relativa à novos direitos e o atendimento de suas reivindicações
como se deve lutar para conseguir conquistas e melho- mais sentidas. No entanto, todo sucesso em um com-
rias dentro da ordem. Hoje a Central das Classes bate defensivo será frágil e provisório e, na medida em
Trabalhadoras e a Coordenação de Lutas que continuarmos no capitalismo, a lógica do capital
Populares (e não só os partidos de esquerda) devem em crise estrutural se imporá contra os trabalhadores,
assumir um programa de profundas transforma- com a perversidade redobrada de um período de
ções sociais que combine soluções paras as necessi- desemprego massivo e tendência à depressão econô-
dades emergenciais mais sentidas do povo traba- mica crônica. Por isto toda luta defensiva deve se
lhador com a acumulação de forças na formação de integrar numa estratégia revolucionária socialista
um bloco proletário e popular organizado e mobili- totalizante, que permita tornar cumulativas as vitórias
zado em torno de um projeto com um horizonte parciais, e ligue efetivamente a mobilização dos traba-
socialista (e não fique amarrado às ilusões da concilia- lhadores por reivindicações transitórias ao combate às
ção de classes e à administração da crise do capital). O causas fundamentais da exploração e opressão que nos
fundamental é ter claro que partidos e sindicatos das atinge.
classes trabalhadoras devem ser combativos nos
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Avançar na Unidade para Fortalecer


as Lutas da Classe Trabalhadora
As entidades que subscrevem essa TESE se diri- osa, mas também reconhecemos seus limites e defi-
gem aos delegados e delegadas do Congresso ciências. Essa TESE quer contribuir para o processo de
Nacional da Classe Trabalhadora para apresentar as fusão de nossas organizações, assentando as bases polí-
posições políticas que julgam as mais adequadas para ticas e programáticas que defendemos para a unifica-
serem aprovadas pelos/as ativistas que participam des- ção.
se importante evento para a luta e a organização da clas-
se trabalhadora brasileira.
2 - Conjuntura internacional
Em primeiro lugar, destacamos que esse texto é
produto da experiência democrática e plural ocorrida No final de 2008 eclodiu uma das maiores crises
nos seis anos de vida da Conlutas. As posições aqui da economia capitalista, desde aquela de 1929. É típica
apresentadas são produtos dos debates, polêmicas e do sistema capitalista a existência de crises econômi-
consequentemente sínteses construídas entre muitas cas de tempos em tempos, mas esta, por sua profundi-
entidades e diferentes agrupamentos ao longo do dade, é superior a uma crise cíclica qualquer.
pequeno tempo de vida da nossa central. Os EUA, assim como as principais economias do
Estamos chamados, neste momento, a dar um pas- planeta amargaram históricos índices negativos de
so adiante no processo de reorganização, consolidan- crescimento. Essa situação também se alastrou para a
do a fusão da Conlutas com a Intersindical, MTST, Europa, para o Japão, com reflexos em todo o mundo.
Pastoral Operária Metropolitana de SP, MTL e MAS, Nem os países ditos emergentes deixaram de ser afeta-
entidades da Coordenação Pró Central. Bem como dos. Grandes empresas, especialmente os bancos dos
avançar na incorporação de outros setores e segmentos países centrais, faliram ou tiveram grandes prejuízos.
que se dispõem a construir um instrumento superior, Estima-se que cerca de 70 trilhões de dólares derrete-
maior que a soma de nossas organizações, para a defe- ram nas bolsas de valores do mundo.
sa dos interesses e direitos imediatos e históricos, dos Em um curto espaço de tempo, o capitalismo
trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. pode ser questionado como sistema por grande parte
Essa é uma necessidade, determinada pela adap- da população mundial, pois as medidas tomadas só bus-
tação das maiores centrais sindicais e movimentos caram garantir o lucro do grande capital em detrimento
populares ao governo do PT e pela cooptação de parte dos interesses dos trabalhadores e do povo pobre. Para
importante das principais lideranças sindicais e popu- nós, esse é um momento privilegiado para defender
lares pelo governo Lula. perante a classe trabalhadora uma saída socialista para
a crise.
Entretanto alertamos que essa necessidade não se
dá apenas pela fragmentação do movimento sindical e Esta crise significou um novo salto no processo
popular havida pela adaptação da CUT ao regime e ao de recolonização desferido pelo Imperialismo contra a
governo burguês. Essa unificação é imperativa, não só maioria dos países e uma brutal intensificação dos ata-
pelo passado, mas principalmente pelo futuro que se ques à classe trabalhadora. A burguesia implementou
avizinha. A crise estrutural do capital, com seus ritmos uma contra-ofensiva, traduzida em demissões, apro-
e mediações, indica que as grandes lutas da nossa clas- fundamento da precarização, corte nos orçamentos
se estão por vir. A fusão dos setores que não se rende- sociais, redução de salários e de direitos. Os patrões e
ram ao capital será decisiva para dirigir essas lutas e os governos burgueses apressaram-se em jogar sobre
levar nossa classe a vitórias. E assim, de um setor os trabalhadores e o povo pobre as consequências da
importante, mas minoritário, poderemos nos transfor- crise. O desemprego nos EUA chegou a 9,5% da popu-
mar em maioria do movimento sindical e popular, lação ativa, maior índice em 26 anos.
abrindo caminho para a construção de uma sociedade Os trabalhadores reagiram, protagonizaram
socialista. Esse é o grande desafio. importantes lutas de resistência, embora limitadas tan-
Partimos de reivindicar a experiência da Conlutas to pelo medo do desemprego, como pela colaboração
como algo novo na organização dos trabalhadores e direta das principais direções do movimento operário
demais setores explorados em nosso país, ao incorpo- com os planos de ajustes dos governos de seus países.
rar todos numa mesma organização nacional, de fren- Estas direções aceitaram acordos rebaixados, como o
te única, classista, democrática e internacionalista. feito entre o sindicato e a GM dos EUA, com apoio do
Consideramos essa primeira experiência como vitori- Governo Obama, que retirou direitos históricos dos tra-
balhadores, mas não evitou as mais de 35 mil demis-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

sões. população. A greve geral de 24 de fevereiro ocorrida


Os governos das maiores economias capitalistas, na Grécia indica a possibilidade de um novo patamar
com Obama à frente, enquanto apadrinhavam os acor- de resistência.
dos rebaixados que retiravam direitos dos trabalhado- Entretanto, o prosseguimento da crise e o aumen-
res, realizaram a maior transferência de dinheiro to dos ataques à nossa classe, no próximo período,
público na história da humanidade para o grande capi- aumentarão a polarização social no mundo. O
tal. Os valores são astronômicos: cerca de 25 trilhões Congresso de Unificação deve colocar no centro das
de dólares foram repassados para as grandes empresas suas tarefas a disputa da consciência dos trabalhado-
capitalistas, somente nos EUA foram 13 trilhões de res: convencê-los da necessidade de preparar as mobi-
dólares. O resultado: cresce a miséria em todo mundo. lizações para derrotar os planos de ajustes que virão.
O Haiti é o símbolo disso. Segundo a própria FAO / Que lições tirar da experiência com governos que
ONU, mais de 1 bilhão de pessoas passaram fome no se apresentam como anti-imperialistas?
mundo em 2009 (cerca de 1 a cada 6 habitantes). Com
apenas 1,2 trilhão de dólares (cerca de 5% do doado às A crise revelou mais uma vez a incapacidade das
grandes empresas) seria possível erradicá-la do plane- burguesias nacionais em construir um projeto alterna-
ta. tivo de forma independente do imperialismo. Todos os
governos burgueses dos países semicoloniais se soma-
O novo presidente do Império tem uma política de ram aos planos de salvar o grande capital e atacar os
derrotar a resistência dos trabalhadores na América trabalhadores. Mesmo os governos que se apresentam
Latina através da via da negociação com os governos como nacionalistas ou anti-imperialistas, na medida
de colaboração de classes, mas sempre combinado em que se mantiveram sob a lógica do sistema capita-
com o intervencionismo militar e a repressão, como na lista, demonstraram sua incapacidade de enfrentar a
ampliação do Plano Colômbia, na reconstituição da IV crise sem atacar os trabalhadores e a maioria do povo
Frota, na ocupação atual do território haitiano e no
envio de mais tropas para o Afeganistão. Na Venezuela, onde o governo Chávez gera enor-
me expectativa em amplos setores de vanguarda, espe-
O aprofundamento dos ataques aos trabalhado- cialmente na América Latina, com sua retórica sobre o
res, com a colaboração das principais direções sindica- 'socialismo do século 21', a crise representou cresci-
is, o fechamento e fusões de grandes empresas e o endi- mento da inflação, desemprego, arrocho, queda da qua-
vidamento do Estado para ajudar a burguesia, provo- lidade dos serviços públicos e retrocesso até mesmo
caram uma recuperação relativa e conjuntural da eco- nas conquistas obtidas pelos trabalhadores.
nomia. Ao contrário da campanha midiática de que a
crise já passou, afirmamos que para o capitalismo sair Ao invés de apoiar-se sobre os trabalhadores
de uma crise destas proporções serão necessários ata- mobilizados e responder à crise capitalista com uma
ques ainda mais profundos à nossa classe e uma quei- política de ruptura com esse sistema, o governo
ma ainda superior de capitais. Os limites desta recupe- Chávez preferiu apoiar-se na 'boliburguesia' e o grande
ração podem ser vistos na situação de importantes paí- capital, usando o Estado como alavanca para os inte-
ses da Europa como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e resses privados. Esse é o caso, por exemplo, do recente
Espanha (chamados pejorativamente de PIIGS), que contrato de exploração de petróleo na faixa do Orinoco
com o crescimento de suas dívidas públicas estão à bei- com as grandes transnacionais como Chevron (EUA),
ra da insolvência. Como subproduto da ajuda às gran- Repsol (Espanha) e Mitsubishi (Japão).
des empresas durante este período de crise, as princi- Diante da demonstração de insatisfação por parte
pais economias do planeta experimentaram um salto dos trabalhadores com as péssimas condições de vida,
qualitativo de suas dívidas públicas, demonstrando aumentou a repressão sobre o movimento sindical e
que existe um limite na capacidade de endividamento popular que ousou manter uma postura independente
do Estado. em relação ao governo e à burguesia. O desgaste do
Esta análise é fundamental para armar a classe tra- governo Chávez diante da incapacidade em resolver a
balhadora e os movimentos sociais combativos e clas- crise econômica e social abre espaço para uma retoma-
sistas para o próximo momento. Ao contrário de abrir da das iniciativas políticas da direita mais reacionária e
um novo ciclo de crescimento da economia capitalista, pró-imperialista na Venezuela. Esse alerta se coloca
essa pequena recuperação provavelmente será uma para outras experiências semelhantes como as da
ante-sala de uma nova onda de aprofundamento da cri- Bolívia de Evo Morales e do Equador de Rafael
se. O Plano de ajuste que está sendo proposto em Correa.
Portugal e demais países europeus exemplifica bem Existe uma nova crise política aberta na
esta situação: demissão de funcionários públicos, con- Venezuela hoje. Diante disso, a nova organização que
gelamento de salários e aumento de impostos para a vamos construir deve ter uma posição clara: nenhum
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

apoio à direita golpista deste país e denúncia clara das nalismo conservador e ficar ao lado de nossos irmãos
ações promovidas por ela. Ao mesmo tempo, declara- que lutam para defender seus direitos trabalhistas e a
mos nosso apoio incondicional às mobilizações dos soberania de seus países. A construção do internacio-
trabalhadores em defesa de suas reivindicações e dire- nalismo proletário deve ser parte das resoluções mais
itos democráticos, mesmo que essas mobilizações importantes do Congresso de Unificação.
sejam contra ou se choquem com Chávez e seu gover- 3 - Conjuntura Nacional
no.
Em 2010 completam-se os oito anos do Governo
A principal lição que podemos tirar da experiên- Lula. O crescimento econômico no período anterior à
cia venezuelana é que somente a auto-organização e a crise, o avanço conjuntural nos últimos meses, o apoio
luta independente da classe trabalhadora, aliada aos incondicional do capital e das principais direções do
movimentos populares, à juventude e ao conjunto dos movimento de massas brasileiro a este governo e as
explorados e oprimidos e o combate à colaboração de políticas sociais compensatórias devem fazer com que
classes e às alianças com a burguesia, poderá derrotar Lula termine seu mandato com alto índice de apoio
os ataques que virão e construir uma alternativa socia- popular.
lista.
Esta realidade coloca um importante debate para
A importância do Internacionalismo Proletário os movimentos sociais classistas e combativos e para a
Diante da crise econômica e suas conseqüências esquerda socialista: O Governo Lula foi ou não uma
para os trabalhadores, a tarefa para os movimentos continuidade do governo FHC? Lula fez o que poderia
sociais classistas e combativos é levantar bem alto a ter sido feito, dentro dos limites da correlação de for-
bandeira do internacionalismo, adotando como estra- ças do país? Este debate vai polarizar todos os movi-
tégia o fortalecimento da via da ação direta das lutas mentos sociais neste ano e o Congresso de Unificação
dos trabalhadores e de todos os explorados e oprimi- não pode deixar de responder a estas importantes ques-
dos e a total independência de classe frente à burguesia tões.
e seus governos. Para nós, o Governo Lula, em grande parte, signi-
Estamos realizando uma campanha de solidarie- ficou a continuidade dos oito anos do Governo FHC.
dade ao povo haitiano, recolhendo fundos e enviando No poder, Lula mudou rapidamente de amigos.
para organizações da classe trabalhadora no Haiti, Abandonou os velhos camaradas metalúrgicos, pro-
especialmente para o Batalha Operária. Esta campa- fessores, bancários. Procurou distância dos sem-terra
nha é um grande exemplo de como devemos encarar a e dos sem-teto, da população ribeirinha do São
tarefa de solidariedade internacional entre os trabalha- Francisco. Quer ver de longe os estudantes. Agora tem
dores. Além da campanha de solidariedade ao povo hai- como amigos Sarney, Delfin Neto, Maluf. Andou abra-
tiano e o prosseguimento da luta pela retirada das tro- çado com gente como Olavo Setúbal e, acreditem,
pas militares daquele país, especialmente as tropas bra- Bush. Os usineiros viraram seus heróis. Coerente com
sileiras, temos que estender a prática do internaciona- essa sua nova turma, tem golpeado os seus antigos alia-
lismo para as lutas mais concretas que os trabalhadores dos. A começar pela política econômica, que foi essen-
estão protagonizando. Por isso a denúncia da repres- cialmente a mesma, preservando e aumentando os
são brutal feita por Israel, contra os palestinos é tarefa lucros das grandes empresas, aprofundando a depen-
de todos nós. dência do país ao Imperialismo (30,5% do orçamento
Buscar coordenar internacionalmente as lutas dos de 2008 foi para pagar os juros da dívida pública) e des-
profissionais da educação, dos metalúrgicos, dos ferindo duros golpes aos trabalhadores, como vimos
petroleiros, do movimento popular, da juventude, na reforma da previdência, por exemplo.
entre outros setores, deve ser a nossa grande tarefa. A política de privatizações também continuou. A
Realizar também campanhas internacionais de apoio à realização dos leilões das reservas de petróleo e gás e o
luta dos trabalhadores de empresas brasileiras (muitas projeto para o pré-sal mantém e amplia a participação
associadas a transnacionais) que em outros países, do capital privado, inclusive estrangeiro, na explora-
especialmente na América Latina, como a Petrobrás e ção do petróleo brasileiro. E, neste momento, o gover-
a Vale, praticam uma política de ataques aos trabalha- no ameaça transformar os Correios em sociedade anô-
dores. Um exemplo positivo é a solidariedade e a luta nima (S.A.), dando mais um passo na privatização da
comum realizada pelos trabalhadores da Vale. Empresa.
O papel da organização que vamos construir é de Na última década, se fortaleceu o papel do Brasil
apoiar a luta dos trabalhadores latino-americanos con- dentro de nosso continente. Cada vez mais nosso país
tra a exploração que as empresas brasileiras vêm serve de plataforma avançada para a instalação de
desenvolvendo. Devemos nos livrar de todo o nacio- empresas transnacionais, que se fixam aqui com o obje-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

tivo de explorar em melhores condições as economias res, à paridade e à integralidade da aposentadoria; O


da América Latina. O grosso da acumulação capitalis- PLP 4.497/01, que busca aniquilar o direito de greve
ta no Brasil continua sendo enviada para o exterior, dos servidores e o PL 92/07, que terceiriza o serviço
para as matrizes destas empresas, revelando que ape- público via fundação estatal de direito privado. O des-
sar de uma localização privilegiada para o monte de órgãos públicos também ocorreu no atual
Imperialismo, nosso país segue sendo dependente das governo. Órgãos com a FUNAI, INCRA, IBAMA E
principais economias capitalistas do planeta, especial- FUNASA foram desestruturados e reduzidos.
mente do EUA. Na política externa, a principal marca do governo
Toda essa política é escondida atrás do “mito” do Lula foi ter chefiado desde 2004 a ocupação militar
presidente que defende os pobres. Mas foram os gran- das ONU no Haiti ferindo a soberania deste heróico
des empresários que quadruplicaram seus lucros. A povo. Assim o Brasil serviu de capacho aos interesses
remessa de lucros para o exterior cresceu mais de intervencionistas dos EUA em nosso Continente.
200%, restando para os trabalhadores e o povo pobre Para impor sua política, Lula contou com a cola-
as chamadas políticas sociais compensatórias. Mesmo boração direta das principais direções dos movimen-
o aumento relativo do salário mínimo não se compara tos sociais brasileiros, especialmente as centrais sindi-
ao crescimento exorbitante dos lucros dos grandes cais governistas, como a CUT, Força Sindical, CTB e a
empresários e as promessas anteriores de Lula e do PT. UNE. A cooptação que fez de grande parte do movi-
No final de 2008, quando o Brasil foi duramente mento sindical e popular é o que o difere de Fernando
afetado pela crise econômica internacional, o Governo Henrique, tornando-o mais venal para os trabalhado-
Lula mais uma vez demonstrou que está ao lado dos res que seu antecessor odiado, ao conseguir anestesiar
patrões. Tomou uma série de medidas de ajuda e prote- com essa política parte do movimento.
ção às grandes empresas e se negou a conceder a esta- Por sua vez o MST vive uma contradição.
bilidade no emprego para os trabalhadores. O Governo Embora construa mobilizações, já que o governo não
deu às grandes empresas cerca de 370 bilhões de reais atende a demanda por reforma agrária, a maioria da
em investimentos, créditos e isenções fiscais, enquan- sua direção mantém seu apoio ao governo. Por isso
to os trabalhadores sofreram com as demissões, a pre- fazemos um chamado a que rompam definitivamente
carização, o aumento do ritmo de trabalho e a redução com esse governo e se aliem aos que querem lutar por
de salários, o contingenciamento de bilhões de reais terra, moradia, emprego e salário.
das áreas de saúde, educação, reforma agrária.
Apesar das traições, a classe trabalhadora brasile-
Outra face deste processo de ataques é a crimina- ira tem lutado. No primeiro semestre de 2009 houve
lização dos movimentos sociais e da pobreza. Isso se ações de resistências contra as demissões e os acordos
materializa nas prisões de lideranças, sobretudo do rebaixados, limitadas pelo medo do desemprego e pela
movimento dos sem terra e dos sem teto; nos interditos política de colaboração das centrais sindicais gover-
proibitórios contra os sindicatos; na repressão às gre- nistas. No segundo semestre, batalhões pesados da
ves e mobilizações e na segregação e extermínio das classe trabalhadora protagonizaram grandes campa-
populações pobres e negras que moram nas comunida- nhas salariais, com fortes greves e mobilizações arran-
des periféricas urbanas. cando acordos salariais acima da inflação. As lutas
Os impactos negativos desta política de transfe- aconteceram porque os trabalhadores brasileiros não
rência de dinheiro público para as grandes empresas já estão derrotados. Por isso, o ano de 2010 não será mar-
podem ser sentidos: a dívida interna cresceu em 87 cado só pelo processo eleitoral de outubro, haverá tam-
bilhões de reais somente entre dezembro de 2008 e bém importantes lutas.
janeiro de 2009, a arrecadação caiu em 63 bilhões de O Congresso de unificação deve armar nossas
reais e, como conseqüência direta disso, o governo cor- entidades de base para disputar a direção das lutas que
tou verbas sociais, especialmente na saúde e educação. a classe trabalhadora vai protagonizar em 2010 e nos
Para os servidores públicos a política não é dife- anos sequenciais. A começar por este primeiro semes-
rente. O governo quer aprovar o PLP 549/2009 com os tre, quando ocorrerão campanhas salariais, como na
objetivos de congelar os salários, reduzir os investi- construção civil e no funcionalismo público. Mas tam-
mentos na contratação de servidores e na expansão do bém no segundo semestre, já que as centrais sindicais
serviço público. Além de outros ataques como o governistas tentarão impedir as greves, para se joga-
PLP248/98, que institui demissão por insuficiência de rem no apoio eleitoral a Dilma.
desempenho baseado em metas produtivistas; O PL Não é a toa que todas elas (as seis) marcaram uma
1.992/2007, que institui a previdência complementar conferência nacional também para junho deste ano.
para os servidores e põe fim, para os futuros servido- Seus objetivos serão de travar as lutas dos trabalhado-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

res no segundo semestre e apoiar a candidatura de po socialista e dos trabalhadores.


Dilma para as eleições presidenciais. Durante o pro- Uma Plataforma Política para o Movimento
cesso eleitoral, mais uma vez, serão as forças envolvi- Sindical e Popular
das na construção do Congresso de unificação que
deverão assumir a política de fortalecimento das mobi- Partindo dessa análise da realidade e também dos
lizações. princípios de concepção da ação sindical que quere-
mos desenvolver na nova organização, acreditamos
Além disso, será tarefa fundamental denunciar a que será útil definirmos uma plataforma de ação mais
Conferência convocada pelos setores governistas geral para nossas entidades. Abaixo segue uma suges-
como aquilo que o movimento sindical e popular não tão neste sentido.
deve fazer: subordinar-se a interesses político-
partidários e atrelar-se ao estado. Devemos com ousa- Emprego para todos e todas; redução da jor-
dia convocar o Congresso de Unificação em todo o nada para 36 hs. semanais, tendo como objetivo
movimento sindical e popular, apresentando-o como final a divisão do tempo de trabalho existente entre
alternativo à conferência chapa-branca. todos que precisam trabalhar;
E a prioridade desta organização deve ser sempre Salários dignos para todos; Salário mínimo do
a luta direta da nossa classe. Portanto, ela deverá se DIEESE; Recomposição do valor das aposentado-
construir como um ponto de apoio fundamental para as rias; reajuste das aposentadorias igual aos reajus-
lutas da classe trabalhadora, do movimento popular, tes do salário mínimo. Nossa luta é pela abolição do
da juventude e do conjunto dos explorados e oprimi- trabalho assalariado e do próprio capitalismo,
dos, buscando coordená-las e unificá-las em um movi- mas, enquanto este perdurar, a defesa de melhores
mento nacional contra o governo e sua política econô- salários é uma das tarefas mais importantes dos sin-
mica. dicatos;
No entanto, devemos também ter uma posição Defesa dos direitos trabalhistas e sociais;
política perante as eleições de 2010. Propomos que Defesa da aposentadoria; Fim do fator previ-
esta organização rejeite a falsa polarização entre denciário;
Dilma (PT/PCdoB) X Serra (PSDB/DEM), que defen- Defesa dos serviços públicos: saúde, educa-
dem os mesmos projetos políticos e econômicos. Da ção, moradia, transporte, lazer, etc.
mesma forma, devemos denunciar outras alternativas
Contra a Terceirização nas empresas privadas
burguesas, como a candidatura de Marina Silva do PV
e no serviço público.Enquanto houver terceiriza-
e de Ciro Gomes do PSB. O Congresso deve indicar
dos, precários e estagiários, lutar para que tenham
aos trabalhadores e ao conjunto dos movimentos soci-
salários, benefícios sociais e direitos iguais aos dos
ais a rejeição veemente aos candidatos burgueses,
trabalhadores efetivos. Abrir o debate na central
sejam os do campo governista ou da “oposição” de
sobre a incorporação de todos os terceirizados que
direita.
já prestam serviços no setor privado e público, sem
Nossa política deve se orientar por fortalecer um prejuízo às entidades que já tomaram posição em
terceiro campo, socialista e da classe trabalhadora - suas instâncias.
sem a presença de nenhum setor burguês - em que este-
Fortalecimento e unificação das campanhas
jam representadas as bandeiras programáticas acumu-
salariais;
ladas nas últimas décadas pelas lutas da nossa classe e
que seja independente da burguesia, política e finance- Reforma urbana, com investimento público
iramente,.O Congresso não deve indicar voto a um em habitação, sob controle dos trabalhadores.
determinado candidato, mas sim ter um correto posici- Reforma agrária com o fim do latifúndio e do
onamento político no processo eleitoral. agronegócio; Políticas públicas, apoio técnico e
Propomos a apresentação de uma plataforma dos financiamento para o pequeno produtor rural;
trabalhadores, que parta da ruptura com o Fim de toda forma de opressão e discrimina-
Imperialismo e o não pagamento das dívidas externa e ção racial, sexista e homofóbica;
interna aos grandes investidores, da defesa de uma Toda solidariedade ao povo haitiano!
reforma agrária radical e sob controle dos trabalhado- Organizar recolhimento de fundos e ajuda;
res, da estatização do sistema financeiro e pelo fim das
privatizações e reestatização das empresas privatiza- Fora as tropas de intervenção!
das, entre outros pontos fundamentais do nosso pro- Reestatização das empresas privatizadas:
grama acumulados em anos de lutas. Este programa Petróleo e Petrobras 100% estatal com controle dos
deve estar a serviço da construção deste terceiro cam- trabalhadores; Estatização do sistema financeiro
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

com controle dos trabalhadores; uma sociedade sem classes como horizonte maior da
Contra o projeto de privatização dos correios nossa luta. Sua posição intransigente na oposição de
por parte do governo Lula; esquerda aos governos de frente-popular e sua presen-
ça em praticamente todas as lutas da nossa classe. Sua
Contra os planos de congelamento salarial do disposição à unidade de ação ampla no enfrentamento
funcionalismo público; aos patrões e governos e na defesa dos direitos dos tra-
Contra as Organizações Sociais que levam a balhadores e demais setores explorados. A inclusão,
privatização da saúde e não atendem as demandas como um dos elementos programáticos prioritários, da
da população, transferindo os procedimentos com- luta contra toda forma de opressão e discriminação.
plexos para os hospitais públicos e o SUS. Em defe- Sem dúvida um dos mais importantes foi a expe-
sa do SUS. Contra a Autarquização dos Hospitais riência inovadora de construir uma organização clas-
Universitários. sista de natureza sindical e popular. Ela incluiu, além
Rompimento com o FMI e com todos os laços dos trabalhadores representados pelos sindicatos, os
de dominação imperialista sobre o nosso país; Não desempregados, os precarizados, trabalhadores da eco-
pagamento das dívidas externa e interna; nomia informal, aqueles organizados nos movimentos
Punição aos assassinos e torturadores do regi- populares urbanos e rurais de diversos tipos, os que se
me militar; organizam nos movimentos contra a opressão, bem
como a juventude que se agrupa nas organizações estu-
Contra a criminalização dos movimentos soci-
dantis.
ais. Fim às perseguições e às punições aos trabalha-
dores e seus representantes. Pela reintegração de Em seu I Congresso a Conlutas foi além e avan-
todos os demitidos políticos e retirada de todos os çou ainda mais nessa concepção, definindo a hegemo-
processos criminais e administrativos contra os nia que os trabalhadores devem ter nessa organização.
lutadores(as). Decidiu-se delimitar um percentual de representação
estudantil na entidade e ficou definida, como tarefa da
Direito de organização dos trabalhadores nos
Conlutas, o planejamento de iniciativas para fortalecer
locais de trabalho;
a sua presença na classe operária industrial do país,
Lutar em defesa do meio ambiente denuncian- pelo papel protagonista do operariado na superação da
do o capitalismo como predador da natureza. Por sociedade capitalista.
uma visão classista e socialista da luta por preser-
Os princípios de ação sindical da Conlutas, dentre
vação do meio ambiente;
eles a sua independência frente à burguesia e seu
Por uma sociedade socialista. Estado, incluindo a luta pelo fim do imposto sindical e
da interferência da Justiça nos conflitos coletivos de
4 - Balanço da Conlutas. trabalho, a autonomia política frente aos partidos, a
ação direta e coletiva da classe trabalhadora, a mobili-
A Conlutas se organizou num dos momentos mais zação como instrumento principal de atuação, o inter-
difíceis para a classe trabalhadora brasileira: a existên- nacionalismo ativo e a democracia operária, foram per-
cia de um governo de frente popular com apoio de mas- manentemente reafirmados como marcas e perfil da
sas, atacando direitos dos trabalhadores, com o supor- entidade. Por fim, a experiência inovadora de seu fun-
te das principais organizações sindicais, populares e cionamento, ao trazer a representação das entidades
da juventude. filiadas diretamente para a sua Coordenação Nacional,
A ruptura ensaiada pelo funcionalismo público no elevando a um patamar significativo a concepção de
enfrentamento à reforma da previdência em 2003 não frente única e democracia operária no interior da
se estendeu para outros setores, mas animou a van- Central.
guarda para a construção de um novo organismo de Em que pese os inúmeros acertos, queremos des-
frente única e aglutinação das lutas dos trabalhadores. tacar algumas debilidades dentre várias que tivemos.
Provavelmente o maior mérito das organizações e enti- Apesar da ousadia de pautar e enfrentar temas como a
dades que vieram a compor a Conlutas foi o de ousar burocratização dos sindicatos e a necessidade do tra-
enfrentar a maioria das direções do movimento de mas- balho de base, não conseguimos aprofundá-los e
sas em nosso país que, ao se aliar ao governo, traíram implementar medidas concretas que pudessem avan-
os interesses da classe trabalhadora. çar em soluções. Além disso a incorporação dos movi-
Da experiência da Conlutas, reivindicamos mentos populares, de luta contra a opressão e organi-
alguns elementos principais. A clareza de seu progra- zações da juventude pode e deve melhorar. As formas
ma e a definição por uma estratégia socialista, a luta de representação (pelo fato do Brasil ser um país conti-
pelo fim da exploração capitalista e a construção de nental) seguramente exigem ajustes e melhoramentos.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

São temas sobre os quais a nova entidade unifica- posicionar contra toda forma de discriminação, de
da deverá se debruçar. Incorporar as experiências da gênero, raça, sexo, de etnia etc., e ter como estratégia a
Conlutas e dos demais setores envolvidos no processo construção de uma sociedade sem classes, uma socie-
de reorganização será fundamental para que votemos dade socialista. O internacionalismo é componente
políticas corretas para a superação destes problemas. essencial dessa concepção e exige da Central respon-
Ao mesmo tempo em que reivindicamos e nos orgu- der aos fatos da luta de classes mundial com uma polí-
lhamos da experiência da Conlutas, reconhecemos tica classista. Nesse momento, em especial, estamos
seus limites, determinados pelo estágio da luta de clas- chamados a dar uma resposta de classe à reconstrução
ses em nosso país e por sermos uma organização ainda do Haiti, símbolo da decadência capitalista e do neo-
minoritária. Por isso um dos nossos maiores acertos colonialismo, pelo papel das tropas brasileiras na
políticos foi o de ter definido, desde o Congresso de repressão e opressão de nossos irmãos haitianos. Essa
Sumaré, a busca pela unificação de todas as entidades deve ser uma marca da nova organização: o internacio-
e setores do movimento sindical e popular que não nalismo ativo e militante, a solidariedade internacio-
foram cooptados pelo estado burguês. nal como parte de nossa concepção de transformação
da sociedade.
5 - Processo de Reorganização. Caráter da nova entidade
Enfrentamos uma brutal ofensiva do Capital que, Esse tema foi dos polêmicos do debate travado até
dentre outras formas, se expressa no rebaixamento das agora e está relacionado à estratégia e ao programa que
condições de vida em todo o planeta. Essa situação ten- defendemos para a Central. O Congresso deve dar um
de a se agravar com a crise econômica mundial aberta. passo adiante e aprovar a incorporação, na Central, dos
O impulsionamento das lutas econômicas e em defesa movimentos classistas contra a opressão e as organiza-
dos direitos da classe trabalhadora é a primeira razão ções da juventude que queiram se aliar aos trabalhado-
de ser da Central que devemos fundar no Congresso. res. Essa posição se baseia na visão que temos sobre os
desafios que estarão colocados para a classe trabalha-
No entanto, a natureza da sociedade capitalista, dora no próximo período.
na atual fase imperialista, nos exige apontar um pro-
grama que, partindo da defesa das demandas concretas A construção de uma organização que possa aglu-
dos trabalhadores, questione o sistema de exploração tinar todos os setores em luta e direcioná-la de forma
em sua globalidade. A organização capitalista da soci- correta exige que esse instrumento tenha a vocação de
edade só nos reserva mais miséria, arrocho dos salári- ser de massas, de frente única, plural e democrático.
os, desemprego, redução dos direitos trabalhistas e Assim será capaz de unir a todos que estão na luta, inde-
sociais, dos serviços públicos, e também mais violên- pendentemente de suas opções políticas, ideológicas,
cia e ataques ao direito de organização dos trabalhado- de credo religioso etc. A construção das alianças de
res e demais setores explorados. Em síntese: mais deve- classe necessárias para os enfrentamentos futuros
res e menos direitos. deve começar desde já, pois isso não se pode improvi-
sar.
A luta econômica e a luta política contra o capita-
lismo e suas instituições são uma mesma e única. A unidade de todos os explorados e oprimidos não
Trata-se, em última instância, da luta para que os traba- implica no desconhecimento das especificidades de
lhadores assumam o poder político na sociedade, úni- cada setor. A Central deve manter e reforçar sua tarefa
ca possibilidade de avançar rumo à destruição do regi- de organização “sindical” e responder às necessidades
me de propriedade privada e construir uma nova socie- dos sindicatos que estarão em seu interior, pois estes se
dade em bases socialistas. Esta deve ser a perspectiva constituem na principal forma de organização dos tra-
das lutas econômicas que travamos a partir dos sindi- balhadores em nosso país. Mas ela tem que ir além.
catos e movimentos populares. Sem essa perspectiva, Precisa incorporar e organizar o movimento popular,
nossa luta imediata se perde no sindicalismo economi- os movimentos contra as opressões e os estudantes. Os
cista, na luta corporativa e reformista. A adoção de trabalhadores e, em particular os setores mais explora-
uma estratégia revolucionária e socialista não é tarefa dos, devem ser o foco central de atenção da nova enti-
exclusiva dos partidos políticos que têm esta orienta- dade, principalmente a classe operária industrial, setor
ção. Assumir esse compromisso cabe também aos sin- mais importante na luta pela transformação revolucio-
dicatos, movimentos populares e da juventude que que- nária da sociedade em que vivemos.
iram lutar de forma coerente. Os estatutos da Central devem traduzir os prin-
A Central que vai nascer do Congresso de unifica- cípios que nortearão o seu funcionamento.
ção deve estar à frente de todas as lutas: por salário, O nosso estatuto deve refletir princípios que
emprego, moradia, terra, saúde, educação. Deve se enfrentem as contradições da estrutura sindical brasi-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

leira e os problemas herdados da estrutura sindical deve ser aproveitada pela nova Central. Esse funciona-
getulista, em particular a ausência de trabalho de base, mento, além de possibilitar a participação de todos os
a burocratização das direções sindicais e a dependên- setores e correntes de opinião existentes na direção,
cia do Estado (imposto sindical). Como princípios, des- faz com que os congressos tenham como centro o deba-
tacamos: te político, ao não serem polarizados pela eleição da
Ação Direta – Reafirmar a ação direta dos traba- direção.
lhadores como forma privilegiada de luta. Outras for- Já a garantia estatutária da proporcionalidade tam-
mas de luta como a atuação parlamentar e a luta jurídi- bém permite a composição de uma Secretaria
ca, bem como as negociações e acordos, se colocam a Executiva por todas as forças que tenham algum grau
serviço de fortalecer a mobilização de nossa classe, de representatividade. Não é um modelo definitivo,
principal garantia de sua vitória. mas uma experiência que avança para além do funcio-
Unidade - É um meio fundamental para fortale- namento das centrais existentes.
cer os trabalhadores nas suas mobilizações e deve se
subordinar à independência de classe dos trabalhado- 6 - Os sindicatos: Combater o economicismo
res e à luta. e o corporativismo, em defesa de um sindicalismo
Democracia e Unidade na Ação – O funciona- classista e socialista
mento da Central deve se pautar pelo debate democrá- Os sindicatos são a principal forma de organiza-
tico e participação das bases, pela garantia do respeito ção da classe trabalhadora e devem ser a base funda-
à diversidade e a expressão das minorias em suas ins- mental da organização unificada que surgirá do
tâncias. Todas as organizações que vierem a compor a Congresso da Classe trabalhadora. No entanto, não é
nova entidade devem ter, em relação a ela, total inde- demais lembrar que estas entidades tanto podem se
pendência, seja ideológica, organizativa, programáti- constituir em uma poderosa ferramenta para a luta dos
ca ou política. As decisões tomadas coletivamente trabalhadores contra a exploração capitalista, como
devem assegurar a unidade de ação de todos os seus também podem ser o oposto disso e colaborar com o
componentes. capital para facilitar a exploração. A diferença entre
Independência de classe - A Central deve ser um e outro está nos princípios e concepções que gover-
política e administrativamente independente do nam a organização e a ação sindical e política destas
Estado, de governos, dos patrões e das instituições reli- entidades.
giosas. Tampouco há independência política sem inde- A direção política do sindicato – combativa, clas-
pendência financeira. A Central deve ser financiada sista, socialista – é um componente básico deste dife-
pelas organizações que dela fizerem parte e pelas con- rencial. Por esta razão o primeiro passo no combate ao
tribuições voluntárias dos trabalhadores. sindicalismo pelego é o fortalecimento das oposições
Autonomia em relação aos partidos políticos - sindicais, construindo uma nova direção para, desde a
A Central não pertence nem terá relação de subordina- base, substituir os pelegos, velhos e novos. No entanto,
ção a nenhum partido político. Recebe e valoriza a mili- além das definições políticas da direção, é necessário
tância dos partidos da classe trabalhadora bem como estabelecer os princípios da ação e da organização dos
aqueles que não têm filiação partidária. A autonomia sindicatos. Estes devem corresponder à estratégia e
da Central frente aos partidos se materializa em duas aos princípios gerais da nossa luta e da organização
questões: as decisões serão tomadas nas suas instânci- que estamos construindo, anteriormente definidos n
as de deliberação e o caráter da nova entidade deve ser Sindicalismo de Luta, Classista e Socialista
sindical e popular, e não partidário.
A concepção classista e socialista da luta dos tra-
A democracia operária e a direção da Central balhadores implica vincular as demandas imediatas e
Um dos temas principais é como avançar na demo- suas lutas econômicas à luta política geral contra o
cratização da tomada de decisões e no envolvimento capitalismo, à denúncia permanente deste sistema de
das bases na condução cotidiana das nossas entidades. exploração e da impossibilidade de nossa classe ter
O modelo de organização que precisamos construir uma vida digna enquanto ele persistir. Não se trata de
não pode ser o da centralização pelas cúpulas Isso capricho, mas da natureza do capitalismo em sua fase
implica enfrentar efetivamente o processo de burocra- atual, que além de não abrir espaço para concessões
tização que vive o movimento sindical. aos trabalhadores, busca aprofundar cada vez mais a
Nesse sentido reivindicamos como vitoriosa a exploração. Portanto é tarefa fundamental dos sindica-
experiência vivida na Conlutas, de constituir a sua tos a luta contra as instituições que dão corpo a este sis-
Coordenação Nacional a partir da representação direta tema de exploração: o Estado capitalista (compreen-
das entidades filiadas, experiência que, acreditamos, dendo aí os governos, justiça, parlamento, polícia, etc)
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

e as ideologias que buscam legitimar este sistema. as condições para que toda decisão seja antecedida de
Decorre desta visão o entendimento de que a luta debate democrático, respeitando-se a pluralidade polí-
sindical não pode se limitar aos horizontes corporati- tica existente. Destacamos duas questões que se relaci-
vos. As próprias tarefas colocadas questionam a opção onam a esta discussão – a luta contra a burocratização
corporativa de sindicalismo. Este não seria eficiente dos sindicatos e a organização dos trabalhadores nos
nem para assegurar o atendimento das reivindicações locais de trabalho. Consideramos que debatê-las e
econômicas, pelo contrário, tende a abrir mão das con- superá-las são fundamentais para enfrentarmos limita-
quistas obtidas anteriormente (vide o papel da CUT e ções sérias das entidades sindicais, mesmo daquelas
da Força Sindical nos dias de hoje). Assim a busca de dirigidas pela esquerda socialista.
transformar cada luta corporativa em defesa de uma A Luta Contra a Burocratização dos
reivindicação econômica qualquer, em uma luta de Sindicatos
classe contra o capitalismo, assim como a busca de A burocratização do sindicato implica uma usur-
unir os diversos processos de luta de cada categoria em pação da representação e do poder que os trabalhado-
uma ação unificada da classe trabalhadora, devem ser res concedem a uma diretoria eleita para dirigir a enti-
objetivos permanentes da nossa atuação sindical. dade. Os trabalhadores esperam que esta diretoria res-
Neste tipo de sindicalismo a centralidade na ação peite a vontade da categoria e utilize a representação e
direta, na mobilização é decisiva. É preciso rechaçar a o poder que lhe foram concedidos para defender os
ação sindical baseada na parceria, na conciliação e na interesses da classe. Em um sindicato burocratizado
negociação permanente. Não se trata de negar a ação isto não acontece, a representação é utilizada de forma
institucional dos sindicatos, seu papel na negociação e antidemocrática e em função dos interesses materiais
na contratação com os patrões e governos. Trata-se de e/ou políticos da diretoria ou de dirigentes da entidade.
estabelecer que esses instrumentos devem estar sem- Isto ocorre de várias formas, mas poderíamos apontar
pre subordinados à estratégia permanente que é a mobi- três mais importantes. Primeira: transformação do sin-
lização dos trabalhadores e sua organização numa pers- dicato em um instrumento de colaboração política
pectiva classista, socialista e internacionalista. com os patrões, ao invés de fazer a defesa intransigente
Independência de Classe e dos interesses dos trabalhadores. Aqui se abandona o
Liberdade/Autonomia Sindical programa dos trabalhadores e a prioridade na luta e
adota-se a negociação permanente, a parceria, que faci-
Os sindicatos devem ser independentes da bur- lita a implementação da política dos patrões. Segunda:
guesia, seu Estado e governos. Esta independência a ausência de democracia e do controle da base nas
deve se dar também na esfera financeira. Por isso ações do sindicato. A diretoria toma as decisões mais
somos contra o imposto sindical e que os sindicatos importantes em nome da entidade, sem a participação
recebam verbas do Estado e dos patrões. Rechaçamos dos trabalhadores. Terceira: a utilização pela diretoria
a interferência do Estado e dos patrões na organização ou diretores da entidade, da representação política
sindical. Este o sentido da defesa da liberdade e auto- e/ou dos recursos materiais do sindicato em benefício
nomia sindical. Os trabalhadores devem decidir livre- próprio.
mente sobre como organizar e financiar suas organiza-
ções. Não é um problema fácil de ser enfrentado, na
medida em que, na sua base se encontram fatores obje-
Democracia Operária tivos que atuam permanentemente sobre os dirigentes,
O sindicato, em nossa concepção, existe em fun- pressionando-os para o abandono da perspectiva clas-
ção dos interesses da classe trabalhadora. Deve, por- sista de atuação. Estes fatores vão desde as caracterís-
tanto, estar sempre sob controle dos trabalhadores. É ticas da estrutura sindical brasileira até as pressões
em base ao critério da democracia operária que ele desenvolvidas sobre os sindicatos pelo capitalismo, no
deve ser organizado e funcionar. Isso implica que, não sentido de que eles busquem a parceria com o Estado
apenas nos momentos de eleição da diretoria, mas per- para enfrentar o poder das empresas. O Estado não é
manentemente, os trabalhadores da base devem ser os neutro, é do capital, e esse caminho acaba sendo uma
sujeitos das decisões mais importantes. Muitos meca- via de colaboração com o capital. Contribuem também
nismos podem ser utilizados para isso: congressos, reu- neste processo o atraso na consciência e a pouca for-
niões, assembléias, conselhos deliberativos com parti- mação política dos dirigentes e ativistas.
cipação de representantes dos trabalhadores de cada O combate a este processo é um dos desafios
empresa, etc. importantes que temos na construção da organização
Por outro lado, o funcionamento cotidiano da enti- unificada. Ou superamos o processo de burocratização
dade deve assegurar formas democráticas para expres- ou este processo vai acabar por incidir sobre o nosso
são das diferentes idéias que existem em seu interior e projeto político, levando ao abandono de bandeiras e
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

ao seu completo comprometimento. A estrutura e o fun- darmos passos concretos. Também será decisiva para
cionamento das entidades sindicais não é um proble- combater uma política de formação permanente dos
ma de ordem organizativa. Ela é a expressão organiza- dirigentes e ativistas do movimento. Ela deve se orien-
tiva de um projeto político reformista, de colaboração tar pelo princípio do classismo, da independência e
com o capital. Por isto a CUT ou a Força Sindical não autonomia, do internacionalismo, solidariedade de
tem nenhuma contradição com sindicatos burocratiza- classe e do socialismo. Deve ser ampla e plural dentro
dos, pelo contrário, precisam que eles sejam burocráti- destes princípios e dotar nossa militância de ferramen-
cos. Para nós e nosso projeto, isto seria mortal. ta teórica para enfrentar o capital e dificultar as pres-
A Importância fundamental da Organização sões que os aparatos da burguesia exercem. Como não
de Base teremos tempo agora para esse debate, o Congresso
deve aprovar a realização de um Seminário Nacional
A ausência de organização dos trabalhadores no em 2011 sobre estes temas, que prepare e impulsione
local de trabalho torna muito difícil que estes possam esta discussão em todas as entidades
estabelecer algum grau de controle da entidade e da
própria diretoria do sindicato. Isso também dificulta
um funcionamento democrático, não há como os tra- 7- Unir o movimento popular da cidade e do
balhadores governarem os sindicatos sem que estejam campo com o movimento operário
organizados a partir dos locais de trabalho. Apesar de Com o aumento da exploração capitalista, mais
reconhecermos a importância desta questão, não avan- trabalhadores no campo e nas periferias das grandes
çamos nesta tarefa, salvo honrosas exceções. Existem cidades vivem em condições subumanas, sem terra,
obstáculos objetivos (a repressão patronal, a própria moradia, trabalho, direitos sociais. São vítimas da vio-
situação da luta de classes e sua incidência na cons- lência do Estado, da marginalização social e até da des-
ciência dos trabalhadores), mas também seria possível truição do meio ambiente. A luta pela reforma agrária
estarmos melhor que hoje neste quesito. sob controle dos trabalhadores, assim como pela refor-
No setor privado, nem mesmo espaços como as ma urbana que concilie moradia digna com serviços
CIPAs costumam ser bem utilizados para enfrentar a públicos de qualidade, é parte fundamental da luta de
ausência da organização de base. As atividades das toda a classe trabalhadora. O mesmo vale para a luta
diretorias dos sindicatos, a administração do seu tem- em defesa do meio ambiente seriamente ameaçado por
po e da sua ação cotidiana conspira contra a organiza- um sistema econômico e social que busca apenas o
ção de base, pois no dia a dia do sindicato, geralmente lucro e a riqueza concentrada mesmo que isso signifi-
a base é excluída. Não há uma obsessão em integrar os que a destruição das condições naturais de vida na
trabalhadores nas ações sindicais, formar novos ativis- Terra.
tas e dirigentes para a categoria. As diretorias tendem a A luta dos trabalhadores sem-terra no campo só
substituir o papel da vanguarda e a concentrar as tare- pode encontrar uma perspectiva de vitória se estiver
fas e decisões cotidianas mesmo nos momentos de vinculada à do conjunto dos trabalhadores nas cidades.
luta. Quando fazemos uma greve, a preocupação é Da mesma forma, sem um projeto de reforma agrária
sobre o resultado econômico a ser obtido e, na maioria que democratize e socialize o acesso à terra e acabe
das vezes, não há preocupação com o saldo de organi- com o latifúndio e priorize a produção agrícola para o
zação dos ativistas nos locais de trabalho. É comum povo e não os lucros do agronegócio, não haverá con-
menosprezarmos a chance de estabelecer relações soci- dições de vida digna para o conjunto da classe traba-
ais e, a partir daí relações políticas com os trabalhado- lhadora e do povo brasileiro.
res, via atividades culturais, sociais e esportivas do sin-
dicato. Na luta urbana por moradia digna, creches, postos
de saúde, transporte, saneamento básico, contra as
No setor público, mesmo com a relativa estabili- enchentes, encontramos a parcela mais oprimida da
dade de emprego dos servidores e mesmo pelo fato dos classe trabalhadora, muitas vezes excluída do proces-
sindicatos terem sido construídos num contexto geral so produtivo, marginalizada com a super-exploração
de mobilização e de independência em relação ao e precarização das relações de trabalho. Essa camada
Estado, há retrocessos importantes na organização de da nossa classe e do povo oprimido muitas vezes
base e, principalmente, no papel que estas organiza- encontra no movimento popular, antes mesmo que nos
ções cumprem no dia a dia das entidades. sindicatos, o instrumento de luta mais próximo de sua
Avançar no processo de organização dos traba- realidade imediata. São trabalhadores, desemprega-
lhadores nos locais de trabalho é outro desafio inerente dos, donas de casa, jovens sem perspectiva que não
ao projeto que estamos construindo. É preciso, em podem ou não conseguem se organizar sindicalmente,
cada entidade, estudar a realidade e nossa prática para mas o fazem na luta de bairro, nas ocupações urbanas e
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

nas diferentes organizações do movimento popular. ação se manteve a mesma para negros e negras.
A unidade do movimento popular do campo e da Apoiado pela maioria da direção do movimento,
cidade com o movimento sindical no dia a dia das lutas Lula construiu uma cortina de fumaça: a Secretaria
fortalece toda a classe. É o caso dos moradores de ocu- para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir), que
pações participando dos piquetes de greve, por exem- não trouxe nenhum resultado real, mas sim formal,
plo, e os sindicatos, por sua parte, ajudando na resis- como uma Secretaria com status de Ministério que não
tência contra as tentativas de desocupações por parte tinha sequer orçamento. Para combater o racismo é pre-
do Estado. Essa prática, que fortalece a luta e eleva o ciso mais do que palavras, é preciso ação concreta. A
nível de consciência classista, precisa se generalizar e juventude negra é ainda a que mais morre, sem ter tido
somente a unidade orgânica do movimento popular e oportunidade de estar nos bancos escolares e universi-
sindical na mesma Central pode dar um salto de quali- tários. Segundo dados da UERJ, até 2012 morrerão
dade nessa relação. mais de 226.000 jovens e os negros serão mais de 70%
Com o governo Lula, muitas das direções dos dos mortos. As políticas de segurança pública que pre-
movimentos sociais foram cooptadas e passaram a atu- gam o endurecimento da violência “legítima” do
ar como parceiros do governo na implementação de Estado como solução para o aumento da violência urba-
programas assistencialistas e na tentativa de conten- na nos grandes centros e suas periferias implicarão
ção das lutas sociais e do processo de tomada de cons- mais insegurança e morte da juventude negra.
ciência de amplos setores populares. Como parte desse A ocupação do Haiti, liderando a MINUSTAH -
processo, as ONG's se proliferam de maneira assusta- força de ocupação da ONU - mostra o vergonhoso
dora, com o claro intuito de vender projetos para o papel cumprido por Lula e foi desmascarada com o ter-
beneficiamento de seus próprios dirigentes, além de remoto que assolou o país. Em toda a imprensa vimos
buscar ocupar o espaço dos movimentos sociais rei- cenas de salvamento de pessoas nos mais diversos loca-
vindicatórios que organizam, mobilizam e conscienti- is de Porto Príncipe, e a grande ausente era exatamente
zam o povo. Dessa forma, buscam amortecer e desviar a MINUSTAH, que estava salvando os “investidores”
as justas lutas da população mais oprimida. nos poucos hotéis chiques e caros da cidade. Isto con-
Uma tarefa fundamental de nossa nova Central firma que essa força da ONU está no Haiti para garan-
deverá ser a luta para trazer os movimentos populares tir a manutenção do status quo econômico da elite hai-
para uma perspectiva classista. A experiência da tiana e os interesses imperialistas naquele país.
Conlutas no movimento popular do campo e da cidade MULHERES
demonstra que isso é possível e necessário e esse acú- As mulheres seguem sendo um forte alvo da supe-
mulo deve ser transmitido, aprofundado e desenvolvi- rexploração capitalista. Em geral ocupam cargos com
do pela nova Central. menor remuneração (em média, 70% do salário de um
homem, e, no caso da mulher negra, 30% do salário
8-A Luta Contra as Opressões médio de um homem branco). Mais do que isso, tam-
bém sofrem com a dupla e às vezes tripla jornada de
NEGROS E NEGRAS trabalho! Além de trabalhar tantas horas quanto os
Ao longo da história do país, o mito da democra- homens, são, em regra, responsáveis pelo trabalho de
cia racial ajudou ao Estado e todas as instituições bur- casa, o cuidado com os filhos, além de estudar, muitas
guesas a aplicar uma política perversa sobre a classe vezes.
trabalhadora. Por um lado, excluiu o trabalhador O aumento do desemprego entre as mulheres, fru-
negro, recém libertado do regime de escravidão, ao tra- to da crise, aumenta também a dependência econômi-
zer o imigrante para substituí-lo na lavoura e depois na ca em relação aos homens, o que agrava ainda mais a
indústria; e por outro, tratou os trabalhadores imigran- violência doméstica. Apesar de algumas conquistas
tes como os novos escravos, desvalorizando ao máxi- históricas, como o direito ao voto, ao divórcio e ao tra-
mo sua mão de obra. Além disso, a falta de escola, de balho, as mulheres da classe trabalhadora seguem
moradia, de assistência social e o desempregado aju- sofrendo dobrado com as mazelas do capitalismo e a
daram a jogar o povo negro na marginalidade estrutu- pressão machista.
ral.
Na atual conjuntura de reorganização do movi-
O Estado Brasileiro manteve essa situação intac- mento de massas, organizar a luta e fortalecer a mobili-
ta. Não houve políticas sociais profundas que corrigis- zação das mulheres trabalhadoras contra a opressão e a
sem os 350 anos de atrasos do regime de escravidão no exploração é uma grande tarefa que temos pela frente.
país. Os dados do IBGE, IPEA e DIEESE mostram em Lutar pela libertação das mulheres é parte da luta geral
números a diferença racial e econômica entre a popu- pela libertação da classe trabalhadora contra a sua
lação negra e branca no país. Sob o governo Lula a situ-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

exploração. dos “caras pintadas” pelo Fora Collor, ilustram essa


GLBT aliança. O Maio de 68 francês gerou a maior greve
geral da história do país e também demonstra que quan-
O forte processo de cooptação dos movimentos do a juventude atua sob o programa de luta da classe
sociais no Brasil também atingiu o movimento homos- trabalhadora, sua ação pode ter conseqüências sociais
sexual. Lula teve uma política clara para o setor ao lon- transformadoras.
go de seu governo. Lançou o projeto Brasil Sem
Homofobia, que nunca saiu do papel, e depois convo- A perspectiva que a história de lutas da juventude
cou uma Conferência Nacional para discutir políticas brasileira assumiu obriga que se faça um balanço con-
públicas e cidadania para GLBTs. Os setores governis- tundente do significado do governo Lula para a juven-
tas e a maioria das ONG's se jogaram no apoio cego às tude e que esse balanço seja coerente com o perfil assu-
políticas da Frente Popular. O resultado foi um salto de mido após muitos anos de embate ao lado da classe tra-
qualidade na cooptação de quase todos esses setores balhadora. Neste período, a juventude viveu dois gran-
pelo aparelho de Estado. Enquanto isso, as propostas des ataques por parte do governo, combinados com
apresentadas na conferência, tal como no projeto dois importantes momentos de reorganização das suas
Brasil Sem Homofobia, estão sendo engavetadas. O lutas.
atual Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), O primeiro corresponde à luta contra a Reforma
devido às negociatas eleitorais do PT com Igrejas, Universitária a partir de 2003, com a apresentação e
Forças Armadas e partidos ultra-conservadores, está aprovação de medidas que demonstravam claramente
retirando os pontos apresentados na Conferência o projeto neoliberal de Lula, tais como o PROUNI, o
Nacional, reforçando seu caráter farsesco. SINAES, a Lei de Inovação Tecnológica, o Decreto
A maior parte dos grupos GLBT tem se burocrati- Lei das Fundações, medidas essas antecedidas pela
zado, aderindo ao governismo e sendo “anexados” ao aprovação das Parcerias Público-Privadas, o “cora-
aparelho do estado burguês, com cargos e benesses. ção” da Reforma Universitária.
Com isso, o movimento perde combatividade, servin- O segundo e mais importante corresponde às ocu-
do tão somente de pilar de sustentação do governo fren- pações de Reitorias que ocorreram em 2007. Essas
te aos homossexuais. A luta por igualdade se torna uma lutas se enfrentaram com uma segunda fase da
luta pela cidadania de consumo. Todo um setor da bur- Reforma Universitária, materializada no Decreto do
guesia denominado “Mercado Pink” (empresas de REUNI. Baseados no exemplo da ocupação da
turismo gay, casas noturnas, saunas, etc), tem se apro- Reitoria da USP, que se enfrentava com decretos de
priado dos espaços de organização e de luta de gays e José Serra, estudantes de todo o país ocuparam reitori-
lésbicas e esvaziado seu conteúdo político. Já os traba- as para impedir a aprovação desse projeto nos
lhadores e pobres homossexuais em geral seguem Conselhos Universitários. Em outubro de 2007, 15 rei-
expostos à violência e à discriminação, principalmente torias estavam ocupadas concomitantemente, garan-
da polícia, grupos neofascistas e dos patrões nos locais tindo a resistência do movimento estudantil, junto a
de trabalho. docentes e técnico-administrativos.
O Brasil é recordista mundial em assassinatos de Nesses momentos, o movimento estudantil brasi-
homossexuais. Nos locais de trabalho e de estudo, leiro atuou coerente com sua história de lutas e com as
GLBTs seguem sofrendo todo tipo de preconceito. bandeiras construídas através da aliança histórica com
Enquanto isso, os grupos aparelhados e burocratizados a classe trabalhadora. O antagonismo entre a atuação
seguem elogiando Lula e a santa aliança com o empre- da UNE e a ação dos estudantes colocou em cena o
sariado do “Mercado Pink”. É hora de construirmos debate sobre a construção de uma alternativa de luta e
um movimento GLBT de luta, independente de gover- de organização dos estudantes. Esse debate, por sua
nos e da burguesia, que esteja voltado para gays e lés- vez, surge à luz da existência de uma componente
bicas da classe trabalhadora, que se enfrente com o estrutural na degeneração da UNE como forma de orga-
capital e que lute pela transformação radical da socie- nização das lutas da juventude brasileira: seu atrela-
dade. mento ao governo Lula.
A UNE se tornou uma representante do governo
9- Fortalecer uma alternativa de organização no interior do movimento estudantil, abandonando o
dos estudantes. princípio de independência política. Na luta da USP,
que se enfrentou de forma mais direta com José Serra,
Em muitos momentos importantes as lutas da clas- a UNE traiu e tentou negociar pelas costas do movi-
se trabalhadora contaram com a juventude como uma mento. A dependência política partia e impulsionava
importante aliada. No enfrentamento à ditadura mili- uma dependência financeira, com repasses da ordem
tar, a luta pelo Petróleo é Nosso, as Diretas Já, a luta
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de milhões de reais que foram escândalos durante os governo, a democracia interna da entidade e a relação
anos de governo Lula. É basicamente dessas experiên- intrínseca com a classe trabalhadora. A ANEL nasceu
cias que surge a debate sobre a construção de uma filiada à Conlutas, para expressar organizativamente
alternativa de luta e de organização que unifique os essas concepções e também por isso, se incorporou
setores combativos, independentes do governo do nos debates acerca da unificação com a Intersindical e
movimento estudantil. Em junho/2009, realizou-se o outros setores.
Congresso Nacional de Estudantes, que reuniu parte Nos marcos da nova central, marcado pela unida-
do ativismo estudantil que viveu a experiência de de entre os setores combativos dos movimentos socia-
2007, além do ativismo que entrou após 2007. is, é necessário recolocar em pauta, agora envolvendo
O Congresso configurou-se a maior e principal setores mais amplos, a necessidade de uma alternativa
iniciativa por fora da UNE, reunindo 2000 estudantes unitária no movimento estudantil, independente do
de mais de 20 estados do país. Um dos resultados do governo. Em nossa opinião essa alternativa unitária
Congresso foi a fundação da ANEL, que busca resga- deve se incorporar organicamente ao esforço de cons-
tar concepções importantes ao movimento estudantil, trução da nova central, garantindo a aliança operário-
que garantem sua efetividade na luta pela transforma- estudantil.
ção social, como a independência diante de qualquer

Assinam esta Tese: Sindicato dos Químicos de Goiás (GO); Sindicato dos Bancários de Bauru (SP);
Diretorias das seguintes Entidades Sindicato dos Trabalhadores da Construção Sindppd – Sindicato dos Trabalhadores nem
Sindicais: Civil de Belém (PA); Processamento de Dados (RS);
Federação Sindical e Democrática dos Sindicato dos Trabalhadores da Construção Sintappi (MG);
Metalúrgicos de Minas Gerais (MG); Civil de Fortaleza (CE); Sindicato dos Servidores Municipais de
Federação Nacional dos Gráficos; Sindicato dos Trabalhadores da Confecção Santo André (SP);
Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Feminina de Fortaleza (CE); Sindicato dos Servidores Municipais de
Campos (SP); Sindicato dos Rodoviários do Ceará (CE); Bauru (SP);
Sindicaixa (RS); Sindicato dos Rodoviários do Amapá (AP); Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Itajubá, Sindicato dos Vigilantes do Amapá (AP); Betim (MG);
Paraisópolis e região (MG); Sindicato dos Vigilantes de Santa Cruz do Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Pirapora e Sul (RS). Santa Cruz do Sul (RS);
Buritizeiro (MG); Sindicato de Trabalhadores de Asseio e Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Várzea da Conservação do Amapá (AP); Alagoinhas (BA);
Palma (MG); Sindicato dos Comerciários de Passo Fundo Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Três Marias e Região (RS); Teodoro Sampaio (BA);
(MG); Sindicato dos Comerciários de Santa Cruz e Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região (RS); Ouriçangas (BA);
região (MG); Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Itaúna e e Região (RJ); Pedrão (BA);
região (MG); Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de São João Del Pernambuco (PE); Esplanada (BA);
Rei (MG); Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Ouro Preto Vale do Paraíba (SP); Juazeiro (CE);
(MG); Sindicato dos Trabalhadores da USP – Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Governador Sintusp (SP); Limoeiro (CE);
Valadares (MG); Sindicato dos Serventuários da Justiça Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Metalúrgicos de Itabira (MG); Estadual do Rio de Janeiro – Sindjustiça (RJ); Quixeré (CE);
Sindicato Metabase de Congonhas e Região Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Sindicato dos Servidores Municipais de
(MG); Federal de São Paulo - Sintrajud (SP); Cocal de Telha (PI);
Sindicato Metabase de Itabira (MG); SITRAEMG; Sindicato dos Servidores Municipais de
Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Capitão de Campo (PI);
Alagoas; Federal e MPU no Maranhão - Sintrajufe/MA; Sindicato dos Trabalhadores em Educação
Sindicato dos Petroleiros de Pará / Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Município de Belo Horizonte - Sind-Rede
Amazonas / Maranhão e Amapá; Federal e MPU em Alagoas - Sindjus/AL; (BH);
Sindicato dos Gráficos de Minas Gerais Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Sindicato dos Trabalhadores em Educação
(MG); Federal e Ministério Público da União em Mato do Município de Lagoa Santa (MG);
Sindicato dos Gráficos de Brasília (DF); Grosso do Sul - Sindjufe/MS; Sindeess Belo Horizonte e Região (MG);
Sindicato dos Gráficos de Feira de Santana Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Sindeess Divinópolis (MG);
(BA); Federal e Ministério Público da União em Mato Sindicato dos Trabalhadores em Serviço de
Sindicato dos Gráficos de Petrópolis (RJ); Grosso - Sindjufe/MT; Saúde de Formiga (MG);
Sindicato dos Trabalhadores do Cimento, Sindicato dos Servidores Públicos Federais Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores
Cal e Gesso de Sergipe – SINDICAGESE; de São Paulo - Sindsef (SP); nas Atividades do Reflorestamento,
Carvoejamento e Beneficiamento de Madeira
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(BA); Grêmio do CTU de Juiz de Fora (MG); Alternativa Socialista (AS) e Democracia e
Associação dos Trabalhadores em Educação Ocupação Vila Nova (RS); Luta – Minoria da Diretoria do CPERS (RS);
de Lauro de Freitas (BA); Movimento de Urbanização e Legalização Coletivo Paulo Romão e Alternativa de
ASFUNPAPA - Associação de Funcionários do Jardim Pantanal – Zona Leste/SP (MULP); Classe - Minoria da Diretoria do SEPE (RJ);
da FUNPAPA (PA); Centro Cultural Pau Brasil (BH-MG); Haroldo Teixeira, Alessandra Abelha e Luiz
Associação dos Professores da Universidade Eduardo – Diretores da APEFAETEC (RJ);
Federal do Maranhão - APRUMA - SS do Oposições e Minorias de Diretorias de Oposição Bancária do Município do Rio de
Andes; Entidades Sindicais: Janeiro – MNOB (RJ);
SINDURCA - Seção Sindical do Andes-SN Ferramenta de Luta – Oposição do Sindicato Oposição Bancária da Baixada Fluminense –
(CE); dos Metalúrgicos de S. Bernardo do Campo MNOB (RJ);
Sub-sede da Apeoesp de São Miguel (SP); (SP); Oposição Conlutas do Sindicato dos
Sub-sede da Apeoesp de Ribeirão Preto (SP); Beth e Patrick – diretores da Condsef; Trabalhadores dos Correios (RJ);
SEPE – Núcleo deCachoeira de Macacú; Doni e Marcelino – diretores da Fasubra; Ivanilda Reis, Estevão de Moura (Moura),
SEPE – Núcleo de Porciuncula; Antonio Carlos Neves (Manteiga) e Paulo José
Oposição Nacional Sindicato de Luta Ferreira (Paulinho) - Oposição do Sindicato
SEPE – Núcleo de Valença; (Assibge-SN); dos Trabalhadores da Universidade Federal
SEPE - Núcleo de Teresópolis (RJ); Tedesco e Agnelson – representantes dos Rural do Rio de Janeiro;
SEPE - Núcleo de Petrópolis (RJ); trabalhadores no Conselheiro Deliberativo da Minoria do Sintsprev (MG) ;
SEPE - Núcleo de Nova Friburgo (RJ); Petros;
Oposição do Sindicato dos Metalúrgicos de
CPERS - Diretoria Núcleo de Estrela (RS); Eduardo Henrique (diretor Sindipetro-RJ), BH/Contagem (MG);
Buca (diretor Sindipetro-RJ; CIPA Edise),
CPERS - Diretoria Núcleo de São Gabriel Claiton (diretor Sindipetro-RJ), Brayer (diretor Oposição Bancária de Belo Horizonte (MG);
(RS); Sindipetro-RJ; vice-presidente CIPA Edise), Minoria da Diretoria do Sindicato dos
CPERS - Diretoria Núcleo de Carazinho Marquinho (diretor Sindipetro-RJ), Paulo Metalúrgicos de Lavras (MG);
(RS); Roberto (diretor Sindipetro-RJ Aposentado), Hilário Milagres e Paulo Adriano Pereira -
CPERS - Diretoria Núcleo de Passo Fundo Sérgio Gomes (diretor Sindipetro-RJ), Antony Diretores do Sindicato dos Trabalhadores
(RS); (diretor Sindipetro-RJ; vice-presidente CIPA Ferroviários de Conselheiro Lafaiete -
CPERS - Diretoria Núcleo de São Borja Castelo); Coaracy (vice-presidente CIPA SINTEF-CL;
(RS); Cenpes 2009); Philipp (vice-presidente CIPA Oposição ASSIBGE (BA);
CPERS - Diretoria Núcleo de Camaquã Cenpes 2010); Pardal (CIPA Cenpes); Álvaro José Jeová Bezerra, representante da
(RS); (CIPA Cenpes); Marcello Gomes (CIPA Oposição dos Mineiros (SE);
Cenpes); Dener (CIPA Cenpes); Amaro (vice-
CPERS - Diretoria Núcleo de Osório (RS); presidente CIPA Metropolitan) - Bloco Nelia Olímpio e Maurinice Anselmo -
CPERS - Diretoria Núcleo de Soledade Alternativa Sindical de Esquerda – Base – Presidenta e diretora do Sindicato dos
(RS); Minoria da diretoria do Sindipetro-RJ; Servidores Municipais de Tabuleiro (CE);
CPERS - Diretoria Núcleo Porto Alegre/Sul Rogério Carvalho da Silva e Sérgio Luis Oposição Bancária da Conlutas – MNOB
(RS); Rodrigues Silveira - Minoria da Diretoria do (CE);
CPERS - Diretoria Núcleo Gravataí (RS); Sindipetro-RS; Oposição Conlutas dos Correios (CE);
CPERS - Diretoria Núcleo Bagé (RS); Vanildo, Pisco e Thalles - integrantes da Oposição do Sindicato dos Metalúrgicos de
Sub-sede de Capanema do Sintepp (PA); Oposição União dos Petroleiros – Reduc; Juazeiro do Norte (CE).
Regional de Ceará Mirim do Sindicato dos Mateus - Terminal de Cabiúnas; Jean - Oposição do Sindicato dos Professores de
Trabalhadores em Educação – SINTE (RN); Plataforma P35; Carlos Magno - Plataforma Maracanau (CE);
Núcleo de São Gonçalo do Amarante do P37; Clausmar - Plataforma P31; Leandro - Juary Chagas e Carlos Antony Siqueira -
SINDSAÚDE (RN); Praia Campista - integrantes do núcleo FNP Minoria da diretoria do Sindicato dos
Norte Fluminense (RJ); Bancários (RN);
Regional de Mossoró e Região do
SINDSAÚDE (RN); Oposição do Sindicato da Alimentação de Rosália Fernandes, Simone Dutra, Flávio
São José dos Campos e região (SP); Gomes (Natal-RN), Vivaldo Junior (S.
Minoria do Sinpro Guarulhos (SP); Gonçalo do Amarante) e João Morais e
Movimento Popular e Movimento Jussirene Silva (Mossoró-RN) – OPOSIÇÃO
Estudantil: Movimento Construindo a Conlutas em
Professores - Minoria da Diretoria do Sinte SINDSAÚDE (RN);
Anel – Assembléia Nacional dos Estudantes (SC); Antonio Radical e Martinho André -
Livre; Sindicato dos Servidores Municipais de
Minoria da Diretoria do Sindicato dos
Ocupação do Pinheirinho – MUST – São Servidores Municipais de Florianópolis (SC); Bayeux (PB);
José dos Campos (SP); Lisandro Saraiva (Tanque) e Daniel Neto -
MTS e Educadores Socialistas na Luta -
MTST de Roraima (RR); Oposição Alternativa na Apeoesp (sp); Diretor do Sinpro (PB);
APRABAB - Associação dos Pequenos Sonia Evarista da Silva - Diretora do Rama Dantas - Oposição do Sindicato dos
Produtores Rurais do Assentamento Benedito Sindicato dos Servidores Municipais de Jacareí Trabalhadores da Educação Municipal de João
Alves Bandeira (PA); (sp); Pessoa (PB);
Ação Eco Socialista de São José dos Campos Minoria da Conlutas - Diretoria do Sindprev Oposição dos Rodoviários / Conlutas (PI);
(SP); (SP); Oposição Avançar com Lutas - Servidores
Movimento Hip-Hop da Baixada Minoria da Direção do Sindicato dos Municipais de Teresina (PI);
Fluminense (RJ); Químicos de OSASCO e Região (SP); Oposição do Sindicato dos professores esta-
Centro Comunitário Bom Jesus da Terra – Oposição Bancária de São Paulo – MNOB duais (PI);
Firme – Belém (PA); (SP); Oposição bancária – MNOB (PI);
DCE da Universidade Federal Rural da Altino, José Carlos, Raimundo Cordeiro, Luiz Noleto - Minoria da diretoria do
Amazônia (PA); Narciso e Celso Borba - Oposição Alternativa SINDSALEM (MA);
DCE da Universidade Estadual do Pará (PA); Sindical de Base - Metrô de SP; Movimento Luta Urbanitária – Oposição
União dos Estudantes Santa-cruzenses - Oposição dos Servidores Municipais de (MA);
UESC (RS); Cruz Alta (RS); Oposição do SINDSAÚDE (PA);
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Oposição do Sindicato dos Servidores SINTECT (MS); Regional NE II do ANDES – SN (PE);


Estaduais (PA); Onildo Lopes dos Santos - Oposição da Magna Bias, Jussara Figueiredo e Eduardo
Oposição Alternativa Conlutas na Educação FETEMS (MS); Belmiro - minoria de direção do SISEMCG –
(PA); Marco Antonio Oliva Monje - Oposição da sindicato dos servidores de Camaragibe (PE);
Oposição Alternativa Urbanitária do Pará FETEMS e do SINCOR - Corumbá (MS); Eugenia e Temporal - oposição dos metro-
(PA); Cléia Montezano - Oposição do viários (PE);
Oposição do Sindicato dos Servidores SINSERCOM (MS); Katia Telles e Lenilson Santana - minoria de
Públicos Civis do Pará (PA); Oposição Simpere (PE); direção do Sintufepe – Seção Sindical UFPE
Raimundo do Carmo - Diretor do SINJEP José Mariano e Maria de Lourdes Florentino (PE);
(PA); - Oposição Sintepe (PE); Oposição ao Sindicato dos Professores do
Oposição Estadual Alternativa na Educação Halley Batista, Alaíde Batista e Cristina Paraná - APP (PR);
(AP); Izabel de Carvalho - Oposição no Judiciário Socorro Alves - Coordenadora Geral do
Fábio Nogueira Andrade - Diretor do Estadual (PE); SINTE de São Gonçalo do Amarante (RN);
Sindicato dos Bancários de Roraima (RR); Euler Pimentel - Oposição no Judiciário Cherliton Saraiva - Presidente do Sindicato
Suél Ferranti da Silva - Oposição do Federal (PE); dos Ferroviários (RN);
SINDSEP (MS); Emerson Araújo - Oposição Adufepe (PE); Oposição Sindiguardas (SP);
Ederlon Ferra Correa - Oposição do Levy Paes Barreto - 1° tesoureiro da
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Avante, Mulher Trabalhadora! Lutar Pelos Direitos das


Mulheres, Pelo Internacionalismo e Pela Unidade
das Fileiras Operárias!
INTRODUÇÃO Para os capitalistas lucrarem e seguirem no poder,
Reunimo-nos nesse Congresso Nacional da Clas- é imprescindível que se mantenha e aprofunde a opres-
se Trabalhadora (CONCLAT) pois partimos da com- são e a discriminação, pois assim encontra maneiras de
preensão de que isoladamente não podemos ser fortes explorar ainda mais o nosso trabalho. Mostra disso é
o suficiente para conquistar nossos direitos e lutar pela que as mulheres ainda recebemos menos que os
transformação social, golpeando nossos opressores e homens pelos mesmos trabalhos realizados. Apesar de
exploradores. Na sociedade há cada vez mais uma que no governo Lula tente-se alardear supostas con-
reduzida minoria que desfruta de todas as vantagens quistas das mulheres, as mulheres trabalhadoras, nada
do desenvolvimento econômico, social e tecnológico, temos a comemorar: para além da diferença salarial de
enquanto o restante está condenado à super- até 43% menor em relação ao homem, compomos
exploração, opressão, desemprego, humilhação e bai- 70% da população abaixo da linha de pobreza e 2/3 dos
xos salários. É por isso que nós, do grupo de mulheres analfabetos no mundo. Cerca de 6 mil mulheres mor-
Pão e Rosas (impulsionado pela Liga Estratégia Revo- rem por ano, somente na América Latina, em função
lucionária – LER-QI – e Independentes), que integra- de abortos clandestinos. A situação da mulher negra no
mos a Conlutas, também partimos da compreensão mercado de trabalho é ainda mais desigual: segundo
que somente a classe trabalhadora organizada de pesquisas do IBGE (2006), enquanto a média salarial
forma independente dos patrões, dos governos e da entre as mulheres brancas no país era de R$ 1.046,48,
burguesia e seus partidos, pode ser o sujeito capaz entre as mulheres negras era de R$ 532,65. Entre os
de nos livrar da opressão e exploração em que vive- empregos mais precarizados, informais e terceirizados
mos. Mas isso não pode se dar sem que a classe traba- as mulheres são grande parte. E há ainda um crescente
lhadora lute contra a divisão de suas fileiras. Isso por- índice de assassinatos e violência contra as mulheres,
que o capitalismo, como sistema de opressão e explo- violência que somente serve a nossos exploradores.
ração, em que a burguesia se apropria das riquezas A barbárie que ameaça milhões de seres huma-
geradas pelo trabalho da classe trabalhadora, é o mes- nos, mas particularmente as mulheres e crianças, é
mo sistema que para seguir reinando nos divide utili- também o resultado da combinação do patriarcado
zando-se da opressão imposta às mulheres, mas tam- ancestral com a selvageria imposto pelo mais
bém se utilizando da precarização e terceirização do moderno sistema capitalista. Esse sistema econô-
trabalho em cujas fileiras também encontramos um mico funciona, melhor ainda, sob a cara dos regi-
grande contingente feminino. Além disso, historica- mes democráticos, que apenas recentemente dão
mente o baixo salário pagos às mulheres serve como passos na participação das mulheres nos parla-
mecanismo que contribui para que haja um rebaixa- mentos, ministérios, tribunais, exércitos e, inclusi-
mento salarial de toda a classe trabalhadora, assim ve, nos mais altos cargos do poder executivo. Para
como, ao explorar nossos e nossas irmãs de classe de milhões de mulheres, entretanto, a igualdade nos
outros países pagando menores salários, também con- marcos deste sistema capitalista se apresenta como
tribui para que a burguesia rebaixe os salários e nos uma utopia inalcançável. Igualdade com quem?
relegue ao desemprego enquanto extrai lucros extraor- Não há igualdade sequer com o companheiro que,
dinários. ao nosso lado, sofre também a exploração imposta
E partindo dos mesmos princípios de indepen- pela minoria de proprietários dos meios de produ-
dência de classe, compreendemos que não pode liber- ção. Jamais se alcançará a igualdade com essa mino-
tar-se da opressão quem oprime a outros. Frente a isso ria que vive na abundância enquanto existir a pro-
uma central sindical operária e popular precisa e deve priedade privada, dividindo a sociedade em uns
elevar a consciência de classe dos e das trabalhadoras, poucos que têm tudo e uma imensa maioria que só
plasmando cotidianamente questões relativas aos dire- possui a força de seus braços para se manter na
itos das mulheres e ao combate às opressões, pois de vida.
outro modo se distanciaria a nossa luta pela conquista Compreendemos que na luta que temos que travar
de uma sociedade sem exploradores nem explorados, cotidianamente em defesa e na conquista de nossos
pois seguiríamos silenciosos/as frente esta sociedade direitos mais elementares, sempre tendo em vista
que condena as mulheres trabalhadoras a condições fortalecermos a cada passo em nossa luta para der-
humilhantes de opressão e exploração, deixando de tra- rubar o capitalismo, a unidade das fileiras da classe
zer para o movimento milhões de mulheres. trabalhadora, as demandas democráticas das
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

mulheres e a luta contra sua opressão, a luta contra expressa na taxa de desemprego no próprio EUA com
a opressão dos negros e LGBTT; não se tratam ape- cerca de 10% ou na Espanha com cerca de 20%, tam-
nas de pontos que elencamos ao final de nossas teses, pouco conseguiram “sanear” o mercado financeiro. A
pontos que somente agitamos no 8 de março, no 20 de crise internacional, expressando um beco sem saída do
novembro, em datas especificas que até mesmo agên- padrão de crescimento implementado através dos ata-
cias imperialistas como a ONU pode incorporar, mas ques neoliberais, demonstrou a falácia das justificati-
se trata de questões também fundamentais para toda a vas de déficit que os governos utilizaram para minar
classe trabalhadora. É preciso romper com a lógica de com as políticas sociais, saúde, educação, assistência
datas marcadas para lutar pelos nossos direitos se alme- social, ficando em evidência como os governos têm
jamos arrancá-los da burguesia e governos, mesma todo o dinheiro para salvar os capitalistas e para a clas-
lógica que é imposta pela patronal, governos e toda se trabalhadora eles têm as demissões, redução salari-
legislação, através das “datas-base” que determina al, miséria, repressão policial e fome. Apesar das
qual dia “podemos” iniciar nossa luta e determina que demissões e do aumento da exploração, os capitalistas
o teor dessa luta só pode ser salarial e não política, o não conseguiram atingir o nível de destruição de for-
que contribui ainda mais para dividir e disciplinar a ças produtivas (demissões, fechamentos de fábricas)
nossa classe que luta em datas diferentes e na maioria capaz de garantir para si um novo ciclo de acumulação
das vezes por lutas somente salariais. Dizer um basta a permitindo extrair mais lucros de nosso trabalho, e tão
tudo isso e contribuir para forjar uma nova tradição no pouco restabelecer um outro padrão de crescimento
movimento sindical e popular é uma das tarefas pri- mundial. Por tudo isso, é necessário que a classe traba-
mordiais deste congresso! Diante disto, consideramos lhadora se prepare para enfrentar futuros ataques
que a unificação de centrais sindicais devem se dar patronais, que constituem a primeira resposta que os
em torno das discussões que dizem respeito à pro- capitalistas lançam mão em tempos de crise.
grama, independência de classe e atuação política NOSSA LUTA É INTERNACIONALISTA E
na realidade (na luta de classes) para que não seja ANTIIMPERIALISTA! (Princípios e programa)
somente uma unificação por cima, mas sim uma forma
de organizar os trabalhadores e trabalhadoras desde a Em todo o mundo milhões de mulheres e homens
base com um programa afiado para enfrentar os sofrem as brutais conseqüências da política imperia-
patrões, os governos e a burguesia. lista. Com as regras que dita o imperialismo sobre os
países, milhões de pessoas são condenadas a viver na
Chamamos a todas as trabalhadoras e traba- miséria. Com suas guerras e ocupações, o imperialis-
lhadores, da cidade e do campo, correntes políticas mo mata, oprime e saqueia povos inteiros. E não pode-
e sindicais, movimentos de mulheres, de negros, de mos deixar de dizer que mulheres como Hillary Clin-
LGBTT e de direitos humanos, a juventude, as dele- ton, secretária de estado dos Estados Unidos, não
gadas e delegados que concordem com nossas teses representam a luta das mulheres. Uma mulher que é o
ou compartilham os conteúdos aqui expostos a nos braço direito de Obama só pode ser inimiga de milhões
unirmos neste CONCLAT. de mulheres que estão subjugadas pelas políticas
assassinas do imperialismo. E como homem negro,
INTERNACIONAL Obama é também um grande inimigo do povo negro: o
imperialismo mata nossas irmãs e irmãos negros no
A crise capitalista não acabou. Por mais que o pre- Haiti com as suas milhares de tropas militares; promo-
sidente Lula tenha dito que era apenas uma marolinha, ve guerras e fome e arranca as riquezas naturais da Áfri-
o aguaceiro de desemprego e ataques aos trabalhado- ca. Além disso, os países imperialistas diante da crise
res que continua invadindo a Grécia, Espanha, Portu- aprofundam sua ostensiva política contra os imigran-
gal e outros países da Europa, mostra seus efeitos no tes, sobretudo os latino-americanos, chineses, árabes,
mundo e aqui no Brasil. Pouco mais de um ano desde nos EUA, mas também contra os bravos imigrantes
que se levou adiante a política dos governos no mundo das ex-colônias francesas na França, ainda podemos
transformando a dívida privada em dívida pública, citar a Inglaterra, a Espanha...
com cerca de 12 trilhões de dólares tirados dos cofres
públicos e dados aos capitalistas pelos governos mun- Denunciamos o imperialismo com rosto de
do afora para salvá-los da quebradeira, os capitalistas e mulher. Hillary Clinton veio recentemente ao Brasil
seus governantes conseguiram evitar por enquanto negociar com Lula o reconhecimento do governo gol-
que a crise capitalista adquirisse uma dinâmica catas- pista de Honduras, que assassina as feministas e a
trófica, com falências generalizadas e massivas. Mas juventude que seguem resistindo ao golpe instaurado
nem com todas as medidas que os distintos governos nesse país há mais de um ano. A mesma Hillary esteve
do mundo lançaram mão, não conseguiram conter o no Chile recentemente abalado por um terremoto e
desemprego, sobretudo nos países centrais, como se anunciou à Michele Bachelet que os EUA estão dis-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

postos a “qualquer ajuda” para reprimir a população multa em torno de 25mil euros, readmitir os funcioná-
chilena que, sem casas, comida nem água, vão as ruas rios e manter a fábrica aberta. Apesar de não terem con-
em busca de sobrevivência. A ex-presidenta do Chile, seguido fazer como na fábrica ceramista Zanon
Michelle Bachelet colocou 14 mil soldados nas ruas (Argentina) que permaneceu sob o controle operário e
para manter o povo faminto e sedento em “ordem” e expropriou o patrão, os trabalhadores/as da Philips dão
longe das cheias prateleiras dos grandes supermerca- um exemplo para a classe trabalhadora francesa e do
dos, defendendo a propriedade privada quando a popu- mundo de como lutar sem negociar os termos de suas
lação mais necessitava. Essa é mais uma mostra de que demissões, enfrentando os patrões e governos para bar-
meia dúzia de mulheres no poder nada muda a situação rar as demissões. Por isso estivemos em março deste
das mulheres oprimidas e exploradas pelo capitalismo. ano na filial da Philips Mauá no ABC paulista, levando
E apesar de muitas feministas afirmarem como estra- nossa solidariedade aos trabalhadores diante da amea-
tégia para sua luta que as mulheres devam ocupar os ça patronal e levando o exemplo francês dizendo que é
espaços de poder, acreditamos que as Hillary Clinton, possível enfrentar a patronal e as demissões. É reivin-
Michelle Bachelet, Condolezza Rice, Ângela Merkel, dicando esse espírito que nos dirigimos aos delegados
Cristina Kirchner e mesmo Dilma Rousseff e Marina e delegadas deste CONCLAT colocando a necessida-
Silva, são mulheres que representam os interesses do de e importância do internacionalismo proletário e a
imperialismo, da burguesia e dos patrões, e, portanto, solidariedade de classe! Pois é preciso que diante de
nada farão pelos reais interesses e necessidades das cada acontecimento que ataca brutalmente nossas
mulheres oprimidas e exploradas. irmãs e irmãos de classe, nos coloquemos todas e
É com um espírito internacionalista que o Pão e todos juntos nas ruas expressando nossa solidariedade
Rosas na América Latina se solidarizou com as mulhe- ativa, o que infelizmente não aconteceu nem diante do
res e o povo de Honduras contra o golpe de estado e jun- golpe em Honduras, nem após o terremoto que abalou
to às “Feministas em Resistência de Honduras” exigi- o Haiti.
mos a saída dos golpistas em 2009, indo às ruas em Neste ano, completou-se 100 anos em que Clara
diversas cidades. Colocamo-nos ombro a ombro com Zetkin na 2ª Conferência Internacional de Mulheres
os operários e operárias da maior fábrica alimentícia Socialistas propôs a celebração do Dia Internacional
da Argentina, a multinacional Kraft (ex-Terrabusi), da Mulher. Saímos no 8 e março às ruas em diversas
que protagonizaram uma duríssima luta e foram repri- cidades da América Latina com o mesmo espírito de
midos brutalmente pela polícia de Buenos Aires auto- luta internacionalista que inspira a história desta data e
rizada pela presidenta Cristina Kirchner a mando da desta lutadora colocando no centro da nossa luta a exi-
patronal imperialista, luta onde os trabalhadores/as gência da imediata retirada das tropas brasileiras e
deram um grande exemplo de como podemos travar imperialistas do Haiti, pois é essa a maior demonstra-
uma dura luta e derrotar a patronal imperialista. ção de solidariedade operária e popular que podemos
No estouro da crise financeira internacional, em dar ao povo, aos trabalhadores e às mulheres haitianas.
2008, nós do Pão e Rosas, inspiradas pelas lutas contra Diferentemente da esquerda em nosso país, que infe-
os ataques da patronal e dos governos na Europa, nos lizmente se contentou em realizar uma coleta de ajuda
levantamos para dizer em toda a América Latina: que a financeira, quando a questão do Haiti é eminentemen-
crise seja paga pelos capitalistas! No 8 de março e no te política, pois o próprio povo é impedido de se orga-
1º de maio de 2009, quando o Brasil já tinha altos índi- nizar para receber qualquer ajuda, pois são dia-a-dia
ces de demissões e perdas de postos de emprego, reprimidos pelas tropas invasoras, cujo comando está
enquanto a burocracia sindical cumpria um papel de sob a direção das tropas de brasileiras de Lula.
cúmplice dos grandes empresários, saímos às ruas e Viemos nesse Congresso para lutar por um
dissemos “basta de acordos e de demissões, nós somos internacionalismo que abandone as datas pré-
mulheres que enfrentam os patrões”. E hoje com a cri- definidas que impedem que expressemos nossa soli-
se retomando espaço e os capitalistas dando mostras dariedade ativa, que observe a realidade e decidi-
que querem que sejamos nós quem a carreguemos nas damente demonstre sua solidariedade de classe,
costas com as demissões e o desemprego, a classe tra- que deve ser internacional, que não hesite em colo-
balhadora francesa se levanta na Philips Dreux derro- car todas as suas forças por uma forte mobilização
tando a tentativa da patronal de fechar a fábrica rele- nas ruas se solidarizando com a classe de outros paí-
gando as trabalhadoras e os trabalhadores ao desem- ses.
prego, se uniram, colocaram a fábrica para funcionar e Q U E A C R I S E S E J A PA G A P E L O S
durante 10 dias produzindo demonstram que são capa- CAPITALISTAS! - BASTA DE VIOLÊNCIA ÀS
zes de controlar e produzir sem patrões, e obrigou com MULHERES DOS PAÍSES OCUPADOS COMO
que o governo punisse Philips, que teve que pagar uma IRAQUE, HAITI E AFEGANISTÃO! - FORA AS
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

TROPAS BRASILEIRAS QUE DIRIGEM A salários. Este é o cenário traçado sob Lula, enquanto
M I N U S TA H N O H A I T I ! - F O R A O aumentam contradições na economia internacional
IMPERIALISMO DO BRASIL E DA AMÉRICA com ameaças de falência de vários Estados europeus, e
LATINA! - FORA AS TROPAS MILITARES DAS a dívida bruta brasileira vai aumentando com o tesouro
RUAS DO CHILE! imprimindo moeda e dívidas para entregar ao BNDES
para que este empreste aos capitalistas...
NACIONAL No cenário internacional muito se diz sobre o Bra-
sil atuar como um líder dos “países do sul”. Mas no Hai-
O governo de Lula e do PT se mostra a cada dia ti é sob seu comando que é garantida há quase 6 anos
como continuidade do governo neoliberal de FHC. Ao uma sangrenta ocupação que impede a organização
contrário do que disse Lula e repetiram vários analis- dos trabalhadores e reprime manifestações, inclusive
tas, o Brasil não passou intacto ao primeiro capítulo da contra a fome. Às mulheres muita demagogia em tor-
crise capitalista atual. De setembro a dezembro de no das discussões sobre o direito ao aborto ao mesmo
2008 ocorreram mais de 600 mil demissões, muitas tempo em que são assinados acordos com o Vaticano
regiões ainda não têm seu nível de produção recupera- para que este opine sobre as leis brasileiras e tenha pri-
do e menos ainda de emprego. A resposta dada à crise vilégios no sistema de ensino. Milhares de mulheres
pelos capitalistas foi um aumento da tendência que são processadas por abortos clandestinos e sob gover-
vinha se expressando no país: aumento da exploração nos do PT, como o de Ana Júlia Carepa do Pará, meni-
dos trabalhadores. Hoje as fábricas e empresas vão se nas são colocadas em cadeias de homens para serem
recuperando e contratando, mas os empregos são mais sistematicamente estupradas. No campo as promessas
precários, pagam menos que pagavam antes, têm jor- de reforma agrária não se efetuaram e o que prospera
nadas mais extensas, há mais terceirização. Os produ- são os grandes latifundiários e a impunidade dos assas-
tos mantiveram ou subiram de preço, mas a participa- sinos de sem-terra. Nas universidades públicas uma
ção dos salários caiu, ou seja, os lucros aumentaram. expansão (REUNI) com aumento da precarização do
Esta tendência ocorreu incentivada por Lula e seu ensino e do trabalho, incentivando alterações nos cur-
governo que rapidamente resgataram as empresas. rículos para torná-los mais vinculados ao mercado, e
Mais de R$ 200 bilhões foram entregues às empresas bilhões de reais para os tubarões das privadas
enquanto estas demitiam, enquanto as multinacionais (PROUNI) lucrarem enquanto oferecem algumas pou-
estrangeiras sangravam bilhões de reais do Brasil para cas vagas. Ocorre uma expansão que não afeta o vesti-
enviar a suas matrizes. O dinheiro, arrancado dos bular, seja com ENEM ou outras provas, o funil que
impostos dos trabalhadores, foi usado para salvar os faz que pouquíssimos possam entrar na universidade
negócios capitalistas e não para a saúde, a educação. pública e a maioria dos filhos dos trabalhadores seja
Esta atuação do governo Lula na crise aumenta o que forçada a pagar fortunas para estudar nas privadas.
já vinha se mostrando. Sob FHC as 500 maiores Enquanto escrevemos essa tese, continua a greve de
empresas do país haviam lucrado US$ 73 bilhões de professores e professoras do estado de São Paulo. Nós,
1997 a 2002. Já sob Lula o mesmo número de empre- mulheres do Pão e Rosas, temos atuado na greve, nas
sas lucrou US$ 255 bilhões de 2003 a 2008. Um escolas, assembléias e atos, lutando contra os ataques
aumento de 249%! Já o salário mínimo aumentou do governador Serra, mas também denunciando que
somente 112,5% (de R$ 240 para R$ 510)! Este dado e esses mesmos ataques também fazer parte do plano
o pequeno aumento acima da inflação que tiveram as nacional de educação do governo Lula. Frente ao pro-
principais categorias ilustram como os aumentos que cesso de precarização, cada vez mais duro, temos luta-
os trabalhadores tem recebido são migalhas frente ao do nessa greve pela efetivação de todos professores
aumento da parte do leão que fica com a burguesia. temporários, que são praticamente metade dessa cate-
Se durante um grande crescimento econômico os goria, que é também majoritariamente feminina.
aumentos nominais dos salários dos trabalhadores sig- Foi também no governo Lula que assistimos mais
nificaram uma perda relativa aos lucros, o que esperar uma reforma da previdência, para aumentar os anos de
em momentos de maior crise? A capacidade de consu- contribuição e trabalho, dificultando a aposentadoria e
mo será afetada e esta base da popularidade e propa- diminuindo os valores dos benefícios e direitos como
ganda de Lula, a “nova classe média” será profunda- auxílio doença. Esta reforma da previdência atinge
mente atacada. Todas as famílias têm experimentado mais ainda às mulheres, já que pretende igualar entre
um aumento do consumo, mas este consumo em geral homens e mulheres o tempo de serviço para aposenta-
tem sido em base de empréstimos, crediários. Isto se doria, ao mesmo tempo em são as mulheres que
dá em toda a economia nacional, o consumo cresce seguem carregando o peso da dupla jornada de traba-
mais que a economia, o endividamento mais do que os lho. A reforma trabalhista representa outro grande ata-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

que, impondo a retirada de direitos trabalhistas como República, sobre as resoluções e bandeiras históri-
férias e licença maternidade. Ou seja, coloca-se em cas do movimento de mulheres, inclusive das
xeque um direito fundamental para uma mulher traba- mulheres de seu próprio partido, podemos dizer
lhadora que é a licença maternidade, que deve garantir que Lula não tomou nenhuma medida concreta. O
que não trabalhe no período entre o fim da gestação e o direito ao aborto continua sendo negado e as
início da amamentação dos filhos. A tática do governo mulheres criminalizadas sobre o peso do Código
Lula foi a de “fatiar” a reforma para não ter que votá-la Penal de 1940. A Lei Maria da Penha que rendeu a
de uma só vez. Assim, no ano de 2006, foi aprovada a Lula o prêmio da ONU na luta contra a violência às
Lei do Super Simples, que legaliza a flexibilização dos mulheres só foi possível se tornar lei após uma
direitos trabalhistas nas micro e pequenas empresas, mulher que quase foi assassinada ficar mais de 20
que abarcam cerca de 60% da classe trabalhadora. Sob anos, paraplégica, lutando por seus direitos. Ainda
o argumento do “incentivo à micro e à pequena empre- assim, os avanços apresentados nessa lei não
sa”, o governo garante com essa lei que os direitos podem se concretizar até o final, já que fazem parte
sejam “negociados”, ou seja, o patrão concede o direi- de um Estado burguês que sustenta e legitima a vio-
to apenas se quiser. Vergonhosamente, precisamos lência contra as mulheres. Para isso, vale dizer, que
dizer aos companheiros e companheiras deste partido a mesma ONU que premiou Lula contra a violência
que estão neste Congresso que essa medida foi aprova- as mulheres, coloca suas tropas sob a liderança des-
da contando com o voto dos parlamentares do PSOL. te presidente para estuprar as mulheres haitianas.
Uma simples passagem no Plano Nacional de Mas se em 7 anos, Lula não acenou nenhuma
Direitos Humanos III, o PNDH-3, que explicitava medida para descriminalizar e legalizar o aborto,
apoio à aprovação do projeto de lei que descrimina- por que em ano eleitoral faria isso? Se por um lado,
liza o aborto, considerando a autonomia das a Igreja possui uma importante base eleitoral, o PT
mulheres para decidir sobre seu próprio corpo, foi que pretende eleger uma mulher, também precisa-
alvo de uma enorme polêmica. Entretanto, esse epi- rá do apoio do movimento de mulheres. Isso
sódio é também a expressão, em pequeno, do que demonstra, cabalmente, o fracasso do projeto
foram os 7 anos de governo Lula no que diz respeito reformista das feministas do PT, PCdoB e outros
aos direitos das mulheres. Essa passagem evidente- partidos governistas, que por anos venderam a
mente não significava a legalização e descriminali- idéia de que “com Lula e o PT os direitos das
zação do aborto. Mesmo assim, com uma forte ofen- mulheres seriam conquistados”. Ao contrário, nun-
siva a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil ca antes os setores reacionários tiveram a ousadia
(CNBB) e outros setores, questionaram esta passa- de utilizar a justiça para processar mulheres por
gem e também a união e adoção homossexual, e por terem recorrido ao aborto, como no Mato Grosso
isso o Ministro dos Direitos Humanos, Paulo do Sul, coisa que somente no governo petista-lulista
Vanucchi, fez um mea culpa dizendo que foi um se viu. Sem falar no Encontro “Em Defesa da Vida”
erro dele e passagem sobre o direito ao aborto foi que irá ocorrer no Brasil por ser “modelo” na luta
suprimida do PNDH-3. pela criminalização do aborto. Isso é resultado, tam-
Ainda com esse retrocesso, o movimento de bém, de uma estratégia reformista das feministas
mulheres ligado ao governo, como a Marcha Mun- que atuam “por dentro da ordem”, impedindo a
dial de Mulheres (PT), a União Brasileira de mobilização ativa das mulheres e suas organiza-
Mulheres (PCdoB) e a Articulação de Mulheres ções. A demagogia lulista, apoiada por essas femi-
Brasileiras (PT), além de diversas ONGs, fazem nistas, se transforma dessa forma em retrocesso.
questão de fechar os olhos diante de tamanha dema- Por isso é necessário lutar pela organização inde-
gogia, colocando no centro de suas manifestações a pendente das mulheres trabalhadoras, estudantes,
luta pela concretização do PNDH-3. Evidentemen- donas de casa, sem nenhum atrelamento ao gover-
te que nem Lula e nem Paulo Vannuchi, quando no e aos patrões.
assinaram este Plano, acreditavam que de fato Acreditamos que como parte dessa luta todas as
poderiam concretizá-lo, ainda que fossem tímidos mulheres que são ameaçadas de morte pela clandesti-
passos progressivos. Pois não podemos esquecer nidade do aborto, humilhadas pela terceirização do tra-
que em novembro de 2008 o presidente Lula foi balho, desamparadas pelo trabalho escravo no campo,
ator de um acordo entre o Estado Brasileiro e o Vati- desiludidas e enfraquecidas pelo pesado trabalho
cano, um retrocesso claro, que nem mesmo Fernan- doméstico, sugadas pela violência capitalista, todas
do Henrique Cardoso tinha sido capaz de levar adi- devem gritar numa única voz pela retirada das tropas e
ante. como parte desta luta levantar suas demandas! E por
Hoje, há mais de 7 anos na presidência da tudo isso marchamos no 8 de março no ato da Conlu-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

tas em São Paulo colocando no centro a luta pela reti- TERCEIRIZAÇÃO!


rada imediata das tropas brasileiras que dirigem a Nestes últimos anos de crescimento econômico
MINUSTAH no Haiti, denunciando o papel nefasto as mulheres que historicamente ocupam os postos de
que cumprem as tropas brasileiras no Haiti e desmas- trabalhos com menor remuneração além de terem que
carando a política do governo Lula, que acena dema- realizar todo trabalho doméstico, ocuparam também
gogicamente em torno de direitos elementares das grande parte dos trabalhos precários, temporários.
mulheres, porém sem nenhuma intenção de realmente Hoje que vivemos em meio a uma crise capitalista de
efetivá-las. Porém, diversas companheiras e compa- enormes proporções, devemos saber que o impacto da
nheiros que hoje estão neste Congresso não marcha- crise não é igual para todos. Além disso quanto maior a
ram conosco nesses últimos anos nos atos anti- crise econômica, maior será a carga de dupla jornada
governistas e classistas do 8 de março, impulsionados de trabalho das mulheres, porque com a maior deses-
pela Conlutas. Não podemos fechar os olhos para uma truturação da educação, da saúde e dos serviços públi-
contradição tão profunda como esta: várias correntes cos (que são os primeiros a serem atacados e terem as
do PSOL, que integram a Intersindical, seguem liga- verbas cortadas), serão mais as tarefas que recairão
das à Marcha Mundial de Mulheres, dirigida pelas sobre as mulheres para a reprodução da vida no interi-
feministas governistas que uma vez mais neste ano or das famílias. A precarização do trabalho não é uma
mostraram o papel nefasto que cumprem. Enquanto as nova invenção do capitalismo, porém foi uma das prin-
mulheres haitianas sofrem com a violência das tropas cipais bases dos ataques neoliberais se alastrando por
da ONU comandadas por Lula, a Marcha Mundial de todo o mundo. A precarização se dá de várias formas,
Mulheres saiu nesse 8 de março sem denunciar uma seja através do trabalho informal, do trabalho tempo-
vírgula dessa realidade. Por isso, chamamos as compa- rário com ou sem carteira assinada. A precarização e
nheiras da Intersindical que revejam sua posição e colo- terceirização abrangem todos os setores da economia,
quem-se ativamente junto conosco à tarefa de comba- e é aplicada pelos governos no setor público, como na
ter decididamente toda influência petista e lulista que saúde, na educação, na assistência social. No Estado
paralisa o avanço de um movimento de mulheres ver- de São Paulo metade da categoria da base do maior sin-
dadeiramente combativo, internacionalista e contra os dicato da América Latina, a APEOESP é formada por
governos. professores temporários. Há também uma grande par-
cela feminina que sempre esteve na precarização, que
PLANO DE LUTAS (Programa) são as trabalhadoras domésticas diaristas e mensalis-
tas.
Nossa luta não pode ter datas pré-marcadas
que não acompanhem a dinâmica da luta da classe Houve um importante boom da terceirização, que
trabalhadora, pois esse é o método dos patrões e rebaixa os salários, reduz direitos, e divide a classe tra-
dos governos para melhor controlar nossa luta e balhadora que exerce sua função no mesmo local de
não pode ser o nosso! Obviamente existem algumas trabalho. A terceirização é a via pela qual empresas e
datas específicas, como o 8 de março, o 1º de maio, serviços públicos estabelecem um contrato com outras
20 de novembro, entre outras. Porém, não podemos empresas, terceirizadoras, as quais admitem trabalha-
nos prender ao calendário que a própria esquerda dores por um preço bem menor e com os nossos direi-
dedide de modo que quando algum acontecimento tos reduzidos a quase nada. A terceirização é uma das
se dê fora do planejado, fiquemos sem ação, seja na expressões da ofensiva neoliberal que passou a se
necessidade de nos expressarmos pela luta interna- intensificar na década de 90 e que tanto com FHC,
cional, como esteve colocado diante do golpe em como com Lula, aprofunda a exploração a cada ano,
Honduras em 2009 e neste ano pelo povo haitiano, enquanto privatizam a saúde, a educação, e aumenta a
seja em demonstrar nosso amplo apoio presencial e miséria enquanto os donos das empresas, bancos,
ativo às lutas nacionais em curso, como no conflito ficam cada vez mais ricos.
na USP em 2009 ou a greve dos professores/as de SP Entre os terceirizados e precarizados, são maioria
em março de 2010. as mulheres e os negros, constituindo a camada mais
Apresentamos a seguir nossa contribuição ao explorada da classe trabalhadora. As condições a que
plano de lutas da Nova Central, tendo em vista que estão submetidos os trabalhadores terceirizados atin-
não poderemos ser vitoriosos sem que as massas de gem com peso ainda maior às mulheres. Além do bai-
mulheres trabalhadoras, camponesas, efetivas, pre- xíssimo salário, é nos setores precarizados e terceiriza-
carizadas e terceirizadas, estudantes, desemprega- dos onde os direitos são mais atacados diretamente.
das, donas de casa, estejam conosco. Em muitas empresas, o direito à licença maternidade
não é respeitado, sendo que as trabalhadoras chegam a
ABAIXO A PRECARIZAÇÃO E A ser ameaçadas de demissão caso engravidem.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

ESTUDANTIS E UNIVERSIDADES!
DESCRIMINALIZAÇÃO E LEGALIZAÇÃO
TRABALHO DOMÉSTICO E DUPLA DO ABORTO
JORNADA Na maioria dos países da América Latina o aborto
Há quem defina o trabalho doméstico como uma só é legalizado em caso de incesto, estupro e risco à saú-
série de tarefas pertinentes à reprodução da vida: cozi- de da mãe e no caso do Brasil, apesar de ser legal desde
nhar, limpar, lavar, etc. Entretanto, esta definição não é 1989, nestes dois últimos casos, a regulamentação dos
suficiente já que há trabalhadores que recebem um salá- serviços públicos de atendimento para tais operações
rio por realizar estas mesmas tarefas. O trabalho só ocorreu em 1997 e mesmo assim, o procedimento
doméstico é o que se realiza na família para satisfazer jurídico é demorado e pode ultrapassar o período para
as necessidades de seus integrantes. E além de não ser um aborto seguro à mãe e, além disso, não está dispo-
remunerado, é realizado pelas mulheres. nível nos estados de Roraima, Amapá, Tocantins, Pia-
uí e Mato Grosso, e nos outros, com exceção de São
Enquanto os trabalhadores se sabem explorados, Paulo e Rio Grande do Sul, só está disponível nas capi-
pisoteados e humilhados pela patronal, a opressão das tais.
mulheres no trabalho doméstico não é reconhecida
como tal: milhões de pessoas acreditam que estas tare- Anualmente na América Latina, 5.000 mulheres
fas correspondem “naturalmente” as mulheres apenas morrem e mais de 800 mil são internadas por conse-
pelo fato de ser assim. qüências de abortos clandestinos realizados precaria-
mente. Só no Brasil, todos os anos, 750 mil a 1 milhão
O capitalismo tornou possível que todos os pro- de mulheres brasileiras abortam em condições clan-
dutos e serviços que uma família necessita para man- destinas. O aborto é considerado a 4° causa de morte
ter-se se realizassem em escala industrial, que pudes- entre as mulheres no nosso país, sendo as principais
sem ser obtidos com dinheiro. O lar deixou de ser a uni- vítimas, as mulheres jovens, negras e pobres.
dade básica de produção e foi substituído pela fábrica e
o lar transformou-se numa unidade de consumo quase Ao mesmo tempo, sabemos que são milhares as
exclusivamente. A família operária não produziu mais mulheres ameaçadas pelos patrões para que elas não
os meios de subsistência para si mesma e a venda da engravidem. Sabemos que essa é uma situação cotidia-
força de trabalho de todos seus integrantes se conver- na a que estão submetidas muitas trabalhadoras. Basta
teu na única maneira de sobreviver. de imposições da patronal para que as mulheres não
engravidem. Exigimos a garantia de atendimento no
Contraditoriamente, uma pessoa pode comprar sistema público de saúde: basta de mulheres morrendo
sua comida pronta, lavar sua roupa em lavanderias ou perdendo seus filhos nos corredores dos hospitais
comerciais, mas continua sendo natural que as mulhe- sem leito e médico.
res são as encarregadas de satisfazer as necessidades
da família sem remuneração. Isso porque assim o capi- No último período, temos visto que as campanhas
talista não tem que pagar ao operário pela preparação contrárias ao direito ao aborto têm conquistado cada
de sua comida, pela limpeza de sua casa, pela lavagem vez maior repercussão nos meios de comunicação.
de sua roupa, garantindo maiores lucros. Enquanto Tais campanhas colocam como eixo o discurso de defe-
isso, as mulheres trabalhadoras seguem carregando sa da vida. Por trás dos discursos “em defesa da vida”,
nas costas o peso da dupla jornada de trabalho. Como contrários ao direito ao aborto, segue a realidade em
parte dessa realidade, muitas vezes nos vemos numa que milhares de mulheres são condenadas a morrer ou
situação em que não contamos com creches que se des- a carregar seqüelas para o resto da vida. Isso porque as
tinem ao cuidado e educação de nossos filhos enquan- trabalhadoras e as mulheres pobres não podem pagar
to trabalhamos, o que representa horas diárias de preo- os altos preços cobrados pelas clínicas clandestinas,
cupação. onde as mulheres ricas abortam. Como se não bastas-
se, a Igreja mantém sua posição contrária ao uso dos
PELO FIM DA DUPLA JORNADA DE contraceptivos. Isso significa, na verdade, um controle
TRABALHO! sobre o direito à sexualidade da mulher. Afinal de con-
PELA CONSTRUÇÃO DE CRECHES, tas, se o direito ao aborto não é garantido, se os contra-
L AVA N D E R I A S E R E S TA U R A N T E S ceptivos são igualmente condenados, cabe às mulhe-
COMUNITÁRIOS EM CADA BAIRRO E res somente duas opções: abrir mão da sua vida sexual
LOCAL DE TRABALHO, GARANTIDOS PELO ou ter muitos filhos, mesmo sob a miséria a que são
ESTADO E A PATRONAL. POR UM SALÁRIO condenadas milhões de mulheres que vivem com um
MÍNIMO QUE CORRESPONDA AO salário mínimo, e tirando-lhes o direito a decidir quan-
SUSTENTO DE UMA FAMÍLIA (SALÁRIO- tos filhos desejam ter.
MÍNIMO DO DIEESE).
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O governo Lula, além de deixar claro nesses 7 GRATUITO PARA NÃO MORRER.
anos de governo que seus objetivos são enriquecer os PELO DIREITO À MATERNIDADE. BASTA
banqueiros e os grandes empresários, assim como DE IMPOSIÇÕES DA PATRONAL PARA QUE AS
governar pelos interesses imperialistas, também não TRABALHADORAS NÃO ENGRAVIDEM. POR
hesitou em atacar diretamente as mulheres trabalhado- ATENDIMENTO MÉDICO GRATUITO E DE
ras. O Plano Nacional de Direitos Humanos III, por QUALIDADE DURANTE A GESTAÇÃO, O
exemplo, do qual o governo se infla ao citá-lo, está mui- PARTO E PÓS-PARTO.
to longe de ser uma medida de avanço nesse sentido,
pois na verdade o documento significa uma simples e ABAIXO O PROJETO LEI DO “BOLSA-
vaga passagem onde é colocado o apoio à aprovação ESTUPRO” QUE QUER IMPOR ÀS MULHERES
do projeto de lei que descriminaliza o aborto. Porém QUE RECONHEÇAM OS FILHOS CONCEBIDOS
sequer é citado o já existente projeto de lei e, além dis- POR UM ESTUPRO EM TROCA DE UM SALÁRIO
so, em momento algum é colocada uma perspectiva de MÍNIMO POR MÊS.
concretização dessa lei. LUTAR CONTRA TODAS AS FORMAS DE
Não podemos esquecer que em novembro de VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER!
2008 o presidente Lula selou um acordo entre o Estado Todos os dias mulheres são vítimas de violência.
Brasileiro e o Vaticano que em resumo, significa con- Mulheres que são espancadas, encarceradas e assassi-
verter a Igreja Católica em beneficiária de uma série de nadas pelos maridos, namorados; mulheres que são
privilégios, que envolvem benefícios fiscais, regime vítimas do precário sistema de saúde, morrem ou
trabalhista de religiosos, casamento, imunidades, assistem seus filhos e filhas morrerem nas filas dos hos-
patrimônio cultural, ensino religioso nas escolas pitais. Mulheres são humilhadas, agredidas, estupra-
públicas, entre outros. Ou seja, fica claro que este acor- das, dentro e fora de casa, mas diferente do que dizem,
do aprofunda um atrelamento nacional e internacional essa violência praticada contra as mulheres não é indi-
do Estado brasileiro com a Igreja, e que, portanto vidual, doméstica, familiar, mas sim social. Essa vio-
nenhum tipo de decisão sobre a legalização do aborto lência também tem outras formas, como a violência
poderia estar por fora deste consenso aprovado na policial nas periferias, morros e favelas, que deixa cor-
Câmara e no Senado. Um retrocesso claro, que nem pos de jovens e crianças no chão, estupram e roubam,
mesmo Fernando Henrique Cardoso tinha sido capaz reprimem manifestações, com toda a “legitimidade”
de levar adiante. Tamanho é o espaço que os setores de serem agentes do Estado, de terem o monopólio da
reacionários tem tido atualmente para atacar as mulhe- violência, enquanto os que roubam a riqueza do nosso
res, que neste ano o Brasil sediará um Encontro Mun- suor e trabalho, seguem em paz dentro de seus condo-
dial “Em defesa da Vida”, ou seja, contra a legalização mínios com câmeras, muros e 'segurança'.
do aborto. Também se expressa na rede de tráfico de meni-
Por tudo isso, vamos lutar pelo direito de decidir nas e mulheres para exploração sexual, que nos salta os
sobre nossos corpos, sem qualquer tipo de intervenção olhos no Nordeste, com seus coronéis, latifundiários,
dos patrões, do Estado e da Igreja! que também se utilizam do trabalho escravo. A violên-
QUEREMOS EDUCAÇÃO SEXUAL DE cia também se expressa no assedio moral e sexual nos
QUALIDADE EM TODOS OS NÍVEIS DE locais de trabalho, na diferença salarial, desemprego,
ESCOLARIDADE NAS ESCOLAS PÚBLICAS E na discriminação no trabalho. Em pleno século XXI
PRIVADAS! tivemos que assistir um caso revoltante no Pará, quan-
do uma menina de 14 anos em 2008 ficou presa duran-
A NOVA CENTRAL DEVE TER EM SEU te vários dias numa cela masculina sendo estuprada
PROGRAMA E LUTAR PELA IMEDIATA por todos os homens. E isso aconteceu sob o governo
ANULAÇÃO DO ACORDO BRASIL-VATICANO de uma mulher petista, Ana Júlia Carepa, ligada à
ASSINADO POR LULA! Democracia Socialista, a mesma corrente que dirige
QUE O ESTADO GARANTA MÉTODOS no Brasil a Marcha Mundial de Mulheres.
CONTRACEPTIVOS DE QUALIDADE PARA O capitalismo sustenta e legitima toda a violência
TODA A POPULAÇÃO E POR FIM, QUEREMOS O que existe contra a mulher. É muito comum que quan-
ABORTO LEGAL, SEGURO E GRATUITO PARA do uma mulher é violentada pelo marido ou namorado,
QUE NÓS MULHERES NÃO MORRAMOS EM a primeira pergunta seja: “Mas o que ela fez?”, como
DECORRÊNCIA DE ABORTOS PRECÁRIOS! - se existisse algo que pudesse justificar essa violência.
PELO ACESSO GRATUITO AOS MÉTODOS E esse questionamento é recorrente nas delegacias poli-
CONTRACEPTIVOS PARA NÃO ABORTAR. ciais, quando a mulher decide denunciar, passando por
PELO DIREITO AO ABORTO LEGAL, SEGURO E cima das ameaças e da vergonha que a violência
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impõe. A verdade é que o Estado capitalista ainda legi- mulheres. Mas é um problema de quem? Como se
tima a idéia de que a mulher é propriedade do homem. resolve? Qual é a saída? A saída da burguesia, susten-
Mais do que um problema que pode ser considerado tada pela classe dominante e pelo Estado, é a saída que
“individual” existe uma forte ligação entre o aterrori- propõe nos dizer que os culpados são os homens que
zante cenário de violência que nós mulheres sofremos, nos violentam. Isso por dois motivos: o primeiro é que
com um sistema que tem como fundamento a explora- não consideram todas essas outras formas de violência
ção de milhares de seres humanos em benefício de um como violência contra as mulheres, e o segundo é que a
punhado de parasitas capitalistas. A existência da pro- “violência doméstica” para eles não é um problema
priedade privada dos meios de produção, defendida social e econômico, mas sim doméstico, familiar, indi-
através da violência pela classe dominante contra vidual, do homem, companheiro, marido, contra a
todos os explorados, condenou as mulheres a serem mulher. A “Lei Maria da Penha” expressa em certa
um grupo subordinado socialmente. medida esse cenário. Para resolver a situação de vio-
Para mostrar mais concretamente quais as conse- lência a qual estão sujeitas as mulheres, o Estado pren-
quências de enxergar a violência contra a mulher ape- de o homem, pois não se considera responsável pela
nas de um ponto de vista “doméstico” ou “familiar”, situação de miséria que se encontram as mulheres e
voltemos a 2006, quando foi sancionada no Brasil, homens trabalhadores, e considera que o culpado dire-
pelo presidente Lula, a chamada “Lei Maria da to é o homem. Exigiremos sempre a punição dos vio-
Penha”, que busca tornar o processo de punição aos lentadores e a necessidade de auto-organização da clas-
homens mais rápido, pois prevê que os agressores se trabalhadora e de auto-defesa das mulheres. Entre-
sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão pre- tanto é evidente a maneira como a classe dominante se
ventiva decretada. Maria da Penha foi uma mulher que utiliza da violência pra dividir a nossa classe.
lutou durante 20 anos para conseguir que seu marido Quando um trabalhador violenta sua companhei-
fosse preso pelo fato de ter atirado nela e a deixado ra, isso enfraquece a luta da classe trabalhadora. Mas
paraplérgica. Aí começa o primeiro absurdo. Vejamos: por quê? Por que essa mulher perde a confiança em
é necessário que uma mulher violentada e quase assas- suas próprias forças, retrocedendo também o horizon-
sinada passe 20 anos clamando por justiça? Na demo- te da liberação de todos os explorados. Afinal, como
cracia burguesa sim! Devemos lembrar também que uma mulher violentada pelo seu próprio companheiro
são os policiais que atendem as mulheres em situação pode se enxergar enquanto classe, da qual ele também
de violência segundo a “Lei Maria da Penha”. A polí- faz parte? É contra isso que também devemos lutar,
cia é o aparelho repressor do Estado que defende a pro- contra a ideologia burguesa dentro de nossa classe, e
priedade privada, e para isso assassina quem tiver que portanto pelo fortalecimento de nosso programa. Lute-
assassinar. Aqui é importante ressaltar que se a ONU mos para que os sindicatos incorporem em seus pro-
diz que o Brasil está em 1º dentre as melhores leis con- gramas a luta contra a violência as mulheres.
tra a violência às mulheres, vale lembrar que o Brasil Por tudo isso, é muita hipocrisia que o Governo
também está em 1º lugar dentre os países com a polícia Lula siga dizendo que está protegendo as mulheres
mais assassina do mundo. Somente no Rio de Janeiro a com uma lei, ao mesmo tempo que compõe um Estado
polícia mata 3 pessoas por dia e é responsável por 18% que sustenta essa violência contra as mulheres. A “Lei
das mortes. Que contradição é essa? Para o Estado não Maria da Penha” poderia ser a melhor lei contra a vio-
há contradição nenhuma, já que não considera que a lência às mulheres, mas mesmo assim seria incapaz de
violência de suas forças repressivas contra os oprimi- resolver nossos problemas já que faz parte da política
dos e explorados seja um problema das mulheres. de um Estado que para existir necessita da violência
É necessário lutar contra todas as formas de vio- contra os explorados e oprimidos, e portanto, contra as
lência exercidas contra as mulheres, que se expressam mulheres. Senão, como explicar que mesmo com a
com os estupros, abusos, espancamentos e assassina- “Lei Maria da Penha” , as mulheres seguem sendo vio-
tos, mas também se expressam com a repressão polici- lentadas nessa sociedade de exploração? Sendo assim,
al, a subordinação imposta pela Igreja, a proibição de nosso combate à violência contra a mulher deve ser fei-
direitos como o direito ao aborto legal, seguro e gratui- to de maneira independente do Estado e dos governos.
to, o salário menor pelo mesmo serviço, o assédio sexu- Sabemos que nessa sociedade capitalista e machista,
al e moral dos patrões, chefes e gerentes que acham mesmo sob os regimes ditos democráticos, a violência
que somos sua propriedade, a escravidão das trabalha- contra a mulher vai persistir. Por isso, em nossa luta
doras imigrantes, o sequestro de mulheres pelas redes colocamos a necessidade de acabar com essa socieda-
de prostituição, a utilização da imagem da mulher de de exploração e opressão que se perpetua a violên-
como um objeto sexual para o desfrute de terceiros. cia contra a mulher. Por isso nos colocamos a grande
Todas essas formas de violência atingem muitas tarefa de lutar para destruir o capitalismo com a classe
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trabalhadora tomando o poder das mãos da burguesia e sociedade, ou seja naqueles trabalhos que consistem
garantindo as bases para uma sociedade onde possa- em limpar, cuidar, educar e organizar, funções ditas da
mos acabar de fato com todo tipo de violência contra “natureza” feminina. Alguns exemplos: professoras,
as mulheres. faxineiras (ou auxiliar de limpeza), enfermeiras e téc-
Ao mesmo tempo, enquanto seguimos nessa soci- nicas, secretárias e recepcionistas, cozinheira (ou auxi-
edade miserável, não toleramos que as mulheres conti- liar de cozinha), entre outros.
nuem perdendo suas vidas. Por isso, é fundamental Como historicamente a mulher compõe parte
organizar comissões a partir dos sindicatos, organis- importante do exército industrial de reserva e também
mos de direitos humanos, etc para combater essa vio- recebe salários inferiores, os patrões se utilizam disso
lência e exigir que toda mulher violentada receba do para fazer baixar os salários de toda a classe. Mas não
Estado todas as condições materiais para que não con- pára por aí. Com o avanço da tecnologia e o desenvol-
tinue sendo agredida. vimento das forças produtivas, ao invés de se trabalhar
BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA AS menos e fazer menos esforços, o que temos é um
MULHERES! ORGANIZAR AS MULHERES EM aumento no ritmo de trabalho, maior exposição às
SEUS BAIRROS, LOCAIS DE TRABALHO E doenças ocupacionais. E entre todos os trabalhadores
SINDICATOS PARA COMBATER TODA FORMA são as trabalhadoras as mais expostas a estas condi-
DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES. ções! Por exemplo, um/a trabalhador/a de telemarke-
ting hoje, trabalha 6 horas por dia, entretanto o ritmo
QUE TODAS AS MULHERES de trabalho intenso e os níveis de tensão no ambiente
V I O L E N TA D A S O U A M E A Ç A D A S D E de trabalho expõem os/as tele-operadores/as a doenças
VIOLÊNCIA TENHAM ACESSO, JUNTO COM ocupacionais e a problemas psiquiátricos, como por
SEUS FILHOS E SEM PRAZO DETERMINADO A exemplo são a tendinite e o stress. As trabalhadoras da
CASAS DE ABRIGO, MANTIDAS PELO limpeza em muitos locais trabalham 44 horas por sema-
ESTADO, COM ATENDIMENTO MÉDICO E na e ganham um salário mínimo (!), manuseiam pro-
PSICOLÓGICO DE QUALIDADE. PELA dutos químicos fortíssimos, carregam peso, têm que
GARANTIA DE EMPREGO AS TODAS AS pagar pelos seus uniformes de trabalho, não têm mate-
MULHERES VIOLENTADAS COM SALÁRIOS riais de proteção necessários, como luvas, ou mesmo
QUE PERMITAM MANTER SUAS FAMÍLIAS instrução e orientação sobre os riscos do trabalho. E
SEM DEPENDER FINANCEIRAMENTE DO são muitos os exemplos que podemos citar: nas cozi-
AGRESSOR. PUNIÇÃO AOS AGRESSORES! nhas industriais o choque térmico faz parte da rotina de
PELO FIM DO TRÁFICO E DA trabalho, no comércio, as vendedoras além de sujeitas
EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ao assédio moral e sexual, boa parte de sua renda vem
JOVENS! POR COMISSÕES DE da produtividade, ou seja, as comissões por item ven-
INVESTIGAÇÃO INDEPENDENTE, dido.
COMPOSTAS POR SINDICATOS, ORGANISMOS Além disso, as mulheres quando estão grávidas
DE DIREITOS HUMANOS, ORGANIZAÇÕES DO muitas vezes não são respeitadas pela sua condição,
MOVIMENTO NEGRO E DE MULHERES PARA que em casos extremos como diante da epidemia da
INVESTIGAR E PUNIR TODOS OS Gripe A, fica em evidência, onde não tinham nenhum
RESPONSÁVEIS. tipo de proteção, mesmo sendo um grupo de risco.
PELO FIM DO TRABALHO ESCRAVO NO Portanto, para falar em saúde das mulheres traba-
CAMPO, CONFISCO DOS BENS DOS lhadoras há de se falar em melhores condições de tra-
LATIFUNDIÁRIOS PARA REFORMA AGRÁRIA! balho, diminuição da jornada de trabalho, salário míni-
BASTA DE VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA mo do DIEESE, além das questões básicas da saúde
AS MULHERES E A JUVENTUDE NEGRA E como direito à maternidade, direito ao aborto, atendi-
POBRE. POR COMISSÕES DE INVESTIGAÇÃO mento médico e psicológico de qualidade garantido
INTEGRADAS POR PARENTES DAS VÍTIMAS, gratuitamente pelo Estado. Combinado a isso é neces-
SINDICATOS, ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS sário colocar de pé já uma ampla campanha contra a
HUMANOS, DE MULHERES, QUE SEJAM privatização da saúde, que tem como objetivo apenas
INDEPENDENTES DAS FORÇAS POLICIAIS, diminuir os custos que o governo tem que ter com o
DA JUSTIÇA BURGUESA E DO ESTADO. nosso direito à saúde.
SAÚDE DO/A TRABALHADOR/A BASTA DE IMPOSIÇÕES DA PATRONAL
Já não é de hoje que as mulheres no mercado de PARA QUE AS MULHERES NÃO ENGRAVIDEM.
trabalho ocupam principalmente os postos de trabalho EXIGIMOS A GARANTIA DE ATENDIMENTO
que estão relacionados ao papel que tem a mulher na NO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE: BASTA DE
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MULHERES MORRENDO OU PERDENDO SEUS BASTA DE IMPUNIDADE. PUNIÇÃO A


FILHOS NOS CORREDORES DOS HOSPITAIS TODOS OS RESPONSÁVEIS PELO TRÁFICO E
SEM LEITO E MÉDICO. EXPLORAÇÃO SEXUAL DE MULHERES E
QUE NAS PROFISSÕES ESTRESSANTES E MENINAS. PELA FORMAÇÃO DE COMITÊS
DE MOVIMENTOS REPETITIVOS SEJAM INDEPENDENTES DE INVESTIGAÇÃO
RESPEITADAS PAUSAS DE AO MENOS 10 FORMADOS POR ORGANIZAÇÕES SINDICAIS,
MINUTOS! POPULARES, FEMINISTAS E DE DIREITOS
HUMANOS.
PELO DIREITO À LICENÇA-
MATERNIDADE DE NO MÍNIMO 6 MESES SEM A LUTA NEGRA
ISENÇÃO FISCAL PARA AS EMPRESAS! A realidade social, econômica, política da mulher
NÃO À PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE! POR negra no Brasil está marcada pela super exploração e
UM SUS 100% ESTATAL LUTAMOS PELA pela brutal combinação das opressões de gênero e raci-
ESTATIZAÇÃO SEM INDENIZAÇÃO DE TODOS al. Se por um lado, o capitalismo soube utilizar o patri-
OS HOSPITAIS, CLÍNICAS E LABORATÓRIOS arcado – que teve origem bem antes da formação do
PRIVADOS, PARA QUE SEJAM COLOCADOS A capitalismo – e moldá-lo às suas necessidades enquan-
SERVIÇO DOS INTERESSES DA POPULAÇÃO. to sistema de exploração; sabemos que no Brasil, o
capitalismo tem o racismo como um pilar estrutural.
POR UM VERDADEIRO PLANO DE OBRAS Durante séculos foram homens e mulheres negras a for-
PÚBLICAS QUE GARANTA A CONSTRUÇÃO DE ça de trabalho que produziu as riquezas neste país. Ao
HOSPITAIS E POSTOS DE SAÚDE, NUM contrário da historiografia oficial, o povo negro orga-
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE, GRATUITO E nizou-se de diversas maneiras – quilombos, levantes,
PÚBLICO FINANCIADO PELO ESTADO E etc – para lutar contra a escravidão. As mulheres
CONTROLADO PELOS TRABALHADORES E negras cumpriram papéis fundamentais, muitas vezes,
TRABALHADORAS E USUÁRIOS. papéis dirigentes.
MERCANTILIZAÇÃO DO CORPO DA Após a abolição da escravidão, os homens negros
MULHER foram submetidos a uma situação de marginalização,
A mercantilização do corpo da mulher apresenta já que o projeto do Estado de embranquecimento do
no tráfico de mulheres e meninas uma de suas facetas país impôs que a força de trabalho agora assalariada
extremamente violenta. Um estudo organizado pela fosse formada a partir da imigração européia, relegan-
OIM (Organização Internacional de Migrações) reve- do aos negros uma situação ainda mais miserável. Nes-
lou que o tráfico de mulheres rende para os explorado- se contexto, as mulheres negras cumpriram um papel
res 32 bilhões de dólares em todo o mundo e que 85% chave para garantir o sustento de suas famílias, ainda
desse dinheiro corresponde à exploração sexual. relegadas principalmente ao trabalho doméstico nas
Segundo a OIT (Organização Internacional do Traba- casas das famílias ricas.
lho), cerca de 1 milhão de mulheres no mundo estão Passados 120 anos da abolição da escravidão,
submetidas à escravidão sexual para as redes interna- podemos ver nitidamente que o capitalismo no Brasil
cionais de tráfico de mulheres. incorporou os negros ao trabalho assalariado, desti-
No Brasil, o estereótipo racista da “mulata”, cria- nando-nos as funções mais precárias e os salários mais
do pelos ideólogos da farsa da “democracia racial”, baixos. Como já mencionamos em outro tema desta
expressa até os dias atuais uma brutal violência contra tese, as diferenças salariais são gritantes até os dias atu-
as mulheres negras. Por trás da criação desse mito que ais: segundo pesquisas de 2006 (IBGE), enquanto a
agrega “sensualidade e submissão” está uma realidade média salarial entre as mulheres brancas no país era de
histórica em que as mulheres negras escravizadas R$ 1.046,48, entre as mulheres negras era de R$
foram sistematicamente violentadas e estupradas 532,65.
pelos senhores de engenho. Hoje, as rotas do tráfico de Historicamente, às mulheres negras nos é negado
mulheres no país tem como principal alvo as mulheres o direito à maternidade. Durante a escravidão, havia
negras – que são consideradas as preferidas principal- senhores que forçavam o aborto ou retiravam os filhos
mente para países imperialistas. das mulheres negras após o parto, levando-os para as
Toda essa realidade acontece com a cumplicidade chamadas “rodas dos expostos”, instituições criadas
da polícia e do governo, que além de não ter nenhuma para receber “crianças abandonadas”. Por outro lado,
política efetiva de combate ao tráfico de mulheres, mui- as crianças que permaneciam nas fazendas não tinham
tas vezes sabem como se organiza e permitem a conti- sequer o direito a ser amamentadas por suas mães, já
nuidade das rotas desse tráfico. que as mulheres negras tinham que cumprir a função
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da “ama-de-leite”, amamentando e cuidando dos ram que enfrentar novamente a repressão policial: ago-
filhos dos senhores de engenho. Essa retrospectiva his- ra sendo espancadas numa manifestação.
tórica é justamente para demonstrar que muitos aspec- Os números demonstram o que já se sabe há mui-
tos da opressão à mulher negra permanecem até os dias to tempo nas periferias e favelas do país. No estado da
atuais. Afinal de contas, continua sendo retirado nosso Bahia, foram registrados 1.307 assassinatos, sendo
direito à maternidade, seja de formas consideradas “in- 96% negros e 78% com o envolvimento direto da "po-
diretas” como os salários de miséria a que estamos sub- lícia do Estado”. Nos primeiros 20 dias de 2008, numa
metidas, seja através do impedimento direto da gravi- operação conhecida como “faxinaço” recorrente todos
dez, como se expressa nos casos de esterilização força- os anos antes do carnaval, foram 14 jovens assassina-
da de mulheres negras, assunto quase inexistente nos dos pela polícia em Salvador, todos negros e sem ante-
meios de comunicação e inclusive no movimento de cedentes criminais. Essa realidade, no entanto, não é
mulheres em geral. exclusividade da Bahia.
Somos a camada mais explorada da classe traba- No ano passado, as operações da Força Nacional
lhadora do nosso país e temos um papel fundamental a no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, deixaram
cumprir na luta pela libertação do povo negro e da um saldo oficial de 42 mortos, grande parte com sinais
emancipação das mulheres, luta que para nós insere-se de execução. Os trabalhadores e trabalhadoras não
no marco do combate da luta de classes, do combate à podiam sair ou voltar para suas casas sem correr o ris-
burguesia e a propriedade privada. Não acreditamos co de ser mais um assassinado. As mulheres com seus
nas políticas de “justiça social” de instituições como a filhos no colo, desviavam-se num labirinto repleto de
ONU (Organização das Nações Unidas), que por trás soldados com suas armas potentes. A política de exter-
de seus projetos sociais promovem a política imperia- mínio dos moradores de morros e favelas vem sendo
lista que mata tantas mulheres e crianças em todo o escancarada cada vez mais. No ano passado, o secretá-
mundo – seja pelas políticas de espoliação sobre as rio de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro
semicolônias, seja diretamente pela violência de suas José Maria Beltrame declarou: “Buscá-los [os trafi-
tropas em países ocupados. cantes] na Zona Sul, no Dona Marta, no Pavão-
PELO FIM DA DIFERENÇA SALARIAL Pavãozinho, eu [polícia] estou muito próximo da popu-
ENTRE HOMENS E MULHERES, ENTRE lação. É difícil a polícia ali entrar. Porque um tiro em
BRANCAS/OS E NEGRAS/OS. PUNIÇÃO ÀS Copacabana é uma coisa, um tiro na Coréia, no Ale-
E M P R E S A S Q U E PA G A M S A L Á R I O S mão, é outra. E aí?." Ou seja, os milhares de trabalha-
DIFERENCIADOS PARA AS MESMAS dores que moram na Coréia ou no Alemão não são con-
FUNÇÕES OU QUE FAZEM EXIGÊNCIAS DE siderados “população”...
“BOA APARÊNCIA” PARA CONTRATAÇÃO. Ou representam justamente a parte da população
PELO DIREITO À MATERNIDADE PARA que para o governo deve ser exterminada, como com-
AS MULHERES NEGRAS. ABAIXO ÀS provou Sérgio Cabral Filho (PMDB), governador do
POLÍTICAS DE ESTERILIZAÇÃO FORÇADA. Rio, com sua declaração de que o aborto deveria ser
CONTRA A DISCRIMINAÇÃO, O legalizado como forma de combater a violência. Esse
PRECONCEITO E O RACISMO EM genocida racista teve coragem de dizer que isso “tem
ENTREVISTAS DE TRABALHO. ABAIXO O tudo a ver com violência. Você pega o número de
ASSÉDIO MORAL NOS LOCAIS DE filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca,
TRABALHO. PUNIÇÃO AOS PATRÕES QUE Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na
COAGIREM AS TRABALHADORAS A NÃO Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão.” Como se não bas-
ENGRAVIDAREM. POR COMISSÕES DE tasse o extermínio de adolescentes e jovens negros,
MULHERES NOS LOCAIS DE TRABALHO esses governos ainda querem impor controle sobre os
RESPALDADAS PELOS SINDICATOS E corpos das mulheres – em suas palavras, somos “uma
E N T I D A D E S E S T U D A N T I S PA R A fábrica de produzir marginal” –, impedindo nosso dire-
INVESTIGAREM CASOS DE ASSÉDIO ito a decidir pela maternidade, sob um falso discurso
SEXUAL E MORAL. de direito ao aborto. Outra demonstração de como
somos tratadas pelos governos e políticos burgueses
ABAIXO A REPRESSÃO POLICIAL AO está na proposta de “bolsa-estupro”, feita por um depu-
POVO NEGRO tado do PT. É uma política opressiva e humilhante para
Enfrentando a pressão de se esconder com medo, as mulheres que, disfarçada de política “assistencialis-
as mães de Salvador colocaram seus rostos negros na ta”, que quer nos obrigar a reconhecer os filhos conce-
rua e mostraram as fotos dos seus filhos, assassinados bidos em um estupro.
pela polícia sem nenhuma punição aos culpados. Tive- A resposta do governo Lula a situação no Com-
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plexo do Alemão foi dizer que a operação era um exem- pendência dos patrões, do governo e do Estado bur-
plo a ser seguido em todo o país e criou o PAC da Segu- guês, ou seja, que é possível se emancipar dentro do
rança, um projeto que, entre outras medidas, vai desti- estreito horizonte do sistema capitalista. Ao contrário,
nar mais dinheiro para armamentos e construir 187 pre- o que está na ordem do dia é a luta pela organização
sídios destinados para a juventude. Além de aumentar independente das mulheres, em seus locais de trabalho
a repressão sobre nossos filhos e companheiros, o PAC e estudo, e nós desde o Pão e Rosas nos colocamos essa
da Segurança também tem um programa destinado às perspectiva e chamamos todas as mulheres que se rei-
mulheres. Além disso, na cidade sede da Copa e das vindicam combativas, classistas e revolucionárias a
Olimpíadas, Rio de Janeiro, avança a repressão à popu- buscarmos uma forma de atuação comum, e por isso
lação que mora nos morros e favelas com a instalação fazemos um chamado especial às mulheres que com-
das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadoras) que ins- põem a Conlutas, como nós, devem estar na linha de
tauram medo, repressão, cerceamento político e cultu- frente desta unidade na ação.
ral, e toque de recolher. Na luta pela unificação da nossa classe é preciso
Além de oferecer migalhas para as mulheres que colocar de pé os métodos combativos da classe traba-
vivem no desemprego ou no trabalho precarizado lhadora – greves, ocupações, piquetes – organizando a
(com baixos salários, sem carteira assinada e direitos luta nas bases, unindo e coordenando as trabalhadoras
trabalhistas) – muitas tendo que sustentar a família e trabalhadores. Frente ao ataque aos direitos é preciso
sozinha depois de perder seu companheiro pela vio- centrar forças em organizar uma grande campanha exi-
lência policial – o governo ainda quer jogar nas nossas gindo que todos as trabalhadoras/es tenham carteira
costas a responsabilidade de fazer brotar a paz onde a assinada, direitos integrais, lutando pelo salário míni-
polícia e a Guarda Nacional entram, atiram e matam mo do DIEESE, de modo a incorporar a esta luta gran-
como bem entendem. de parte da classe trabalhadora que hoje é precarizada,
É necessário que Nova Central levante uma polí- sofrendo uma super exploração ainda maior, princi-
tica conseqüente contra o extermínio da juventude palmente os trabalhadores e as trabalhadoras negras.
negra no país. É inadmissível que enquanto tantos PELA FORMAÇÃO DE SECRETARIAS DE
jovens negros são assassinados pela polícia setores da MULHERES, COMISSÕES DE MULHERES OU
esquerda apóiem as greves policiais, as mesmas gre- OUTRA FORMA DE ORGANIZAÇÃO DAS
ves que reivindicam melhores condições para a polícia MULHERES NOS SINDICATOS: QUE SEJA UMA
“trabalhar”, ou seja, para reprimir e matar. FERRAMENTA PARA TRAZER CADA MULHER
ABAIXO O PAC DA SEGURANÇA DO PARA A LUTA, EFETIVAS, TERCEIRIZADAS,
GOVERNO LULA! POR UM VERDADEIRO ESTATUTÁRIAS E FUNDACIONAIS!
PLANO DE OBRAS PÚBLICAS, QUE SEJA ENCONTROS DE MULHERES QUE TENHA
C O N T R O L A D O P E L O S S I N D I C AT O S , COMO PERSPECTIVA DISCUTIR O PLANO DE
ORGANIZAÇÕES POPULARES E DE LUTAS DOS SINDICATOS E SE COLOCAR A
MORADORES! LUTAR PELAS TRABALHADORAS EFETIVAS,
ABAIXO À REPRESSÃO POLICIAL NOS TERCEIRIZADAS, ESTATUTÁRIAS, ABERTO A
MORROS, FAVELAS E PERIFERIAS! FORA AS TODAS AS CATEGORIAS PARA ORGANIZAR A
UPPS DOS MORROS E FAVELAS CARIOCAS! LUTA!
POR UMA AMPLA CAMPANHA NACIONAL Por fim, destacamos que tanto a “Estrutura Sindi-
CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL AO POVO cal”, a “Concepção e prática sindical”, como o “Pro-
NEGRO! POR COMITÊS INDEPENDENTES DE grama, princípios e estratégia”, estão desenvolvidas
INVESTIGAÇÃO E MOBILIZAÇÃO, ao longo destas teses. Compreendemos que a “compo-
ORGANIZADOS A PARTIR DOS SINDICATOS, sição e o funcionamento da direção” da Nova Central
ORGANIZAÇÕES DO MOVIMENTO NEGRO, deva ser pensada a partir de seu conteúdo, e tal como
ASSOCIAÇÕES DE MORADORES, DE DIREITOS expressamos aqui, acreditamos que deva ser discutido
HUMANOS, ENTRE OUTROS, PARA GARANTIR e construído pela base, em observância dos princípios
A PUNIÇÃO AOS CULPADOS! da democracia operária.
A Nova Central deve ser operária e popular,
defendemos a hegemonia proletária, e portanto, as for-
ORGANIZAÇÃO mas de representatividade devem expressar isso, defi-
O feminismo burguês, as feministas reformistas e nindo porcentagens de representação.
ligadas ao governo já demonstraram o fracasso de sua Entretanto, os trabalhadores precarizados, tercei-
estratégia “por dentro da ordem”. É uma estratégia que rizados e informais não encontram espaço na atual for-
vive na utopia de que é possível se organizar sem inde-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

ma de organização das centrais anti-governistas, não QUE TODOS SETORES QUE ESTEJAM OU
podendo ter o direito a serem delegados e delegadas ESTIVERAM EM LUTA CONTRA A PATRONAL E
caso não tenham disputado a direção do seu sindicato. O S G O V E R N O S T E N H A M D I R E I TO À
Diante disso, uma das tarefas desse CONCLAT deve DELEGAÇÃO VOTADA EM ASSEMBLÉIAS,
ser de definir critérios mais justos para a participação PARA ALÉM DE SUA INSERÇÃO NAS DISPUTAS
destes importantes setores da classe que possuem sin- ELEITORAIS DOS SINDICATOS.
dicatos patronais e pelegos. Por isso PROPOMOS

Assinam essas teses: Estado de São Paulo e Municípios de São Paulo, Diadema e São Caetano
Grupo de mulheres PÃO E ROSAS (LER-QI e independentes) do Sul; IBGE; Judiciário; Telemarketing; Terceirizadas da limpeza;
Comerciárias; Trabalhadoras precarizadas da Saúde e da Habitação.
Integrado por: Estudantes: UNESP (Rio Claro; Marília; Franca; Araraquara);
UNICAMP; USP; PUC-SP; Fundação Santo André; UNICASTELO/SP;
Trabalhadoras: USP; UNESP; Professoras e Profissionais da Educação do Unicid/SP; UFRJ; UEMG.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Construindo a Unidade Proletária!

Apresentação Conjuntura Internacional


O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, Analisar o cenário político e econômico interna-
parte e conseqüência de todo um processo de reorgani- cional, como parte do processo de compreensão pro-
zação no movimento social brasileiro, pode ser um funda da realidade para atuação transformadora, certa-
importante marco para determinar o avanço de nossas mente é uma tarefa que deve começar pela avaliação
lutas e a consolidação de alternativas concretas aos tra- dos rumos e impactos da mais importante crise capita-
balhadores de todo o país. O fortalecimento conjuntu- lista dos últimos 80 anos. Quase um século depois da
ral do governo Lula/PT, acentuado pela recuperação crise de 1929, uma crise econômica e mundial de gran-
parcial da crise, sobretudo no Brasil, consolida a des proporções - tendo os EUA em seu epicentro - colo-
implementação do projeto neoliberal no país e dificul- ca em xeque o sistema capitalista e confirma, mais
ta a mobilização da classe trabalhadora e da juventude uma vez, o que foi demonstrado por Marx no século
contra os ataques do capital. As características funda- XIX. O capitalismo se articula numa rede de contradi-
mentais do governo Lula/PT – apresentar-se como ções, medianamente administráveis em intervalos dife-
representante ideológico da classe trabalhadora, con- renciados, e a crise nada mais é do que um colapso,
tar com alicerces nos movimentos sociais e represen- com intensidade variada, dos seus princípios básicos
tar objetivamente os interesses do grande capital – de funcionamento, estruturados em contradições insu-
seguem o configurando como a alternativa mais ade- peráveis.
quada para o aprofundamento do neoliberalismo, Uma rápida análise da evolução salarial e da con-
necessário à manutenção dos lucros e à sobrevida do centração de renda nos Estados Unidos demonstra cla-
sistema capitalista. É precisamente esse diferencial do ramente que no capitalismo não há esperança de dias
governo Lula/PT, que o permite atacar com mais faci- melhores para os trabalhadores. A média salarial em
lidade e eficiência justamente por não dar visibilidade 1960 era de $8,99/hora; em 2006, a mesma média era
política ao aumento da exploração, que coloca de de $8,24/hora. Os valores representam 51% do PIB em
maneira imperativa àqueles que se comprometem com 1960 e 46% em 2007. No mesmo período a apropria-
as lutas e os interesses históricos dos trabalhadores a ção tornou-se cada vez mais privada: de 1983 a 2001,
construção de alternativas políticas concretas, capazes os 1% mais ricos se apropriaram de 28% do cresci-
de impulsionar mobilizações independentes dos inte- mento da renda nacional, montante equivalente a 33%
resses da burguesia e derrotar o governo e seu projeto. do patrimônio líquido e 52% do patrimônio financeiro.
No plano internacional, o segundo ciclo de agra- A necessidade de endividamento, que provoca o cres-
vamento da crise econômica do capitalismo demons- cimento da superestrutura financeira, mostra que o cré-
tra que a recuperação capitalista observada a partir do dito fácil não é irresponsabilidade de alguns banquei-
segundo semestre de 2009 não significa, em absoluto, ros, mas sim o meio necessário do qual o capital dispõe
o fim da crise. Como sempre, a tentativa da burguesia é para alargar o mercado mais além dos seus limites. Os
a de fazer com que os trabalhadores paguem a conta da números do inchaço da dívida no país são claros. Em
crise. Esse cenário coloca de maneira ainda mais 1979, para um PIB de US$ 1 trilhão, a dívida total era
urgente a necessidade de construção de respostas polí- de U$ 1,5 trilhão; a dívida das famílias era de US$ 0,5
ticas à altura dos grandes desafios que se avizinham. É trilhão e a do setor financeiro de US$ 0,1 trilhão. Em
neste sentido que precisamos compreender o 2007, para um PIB de US$ 13,8 trilhões, a dívida total
Congresso Nacional da Classe Trabalhadora como o é U$ 47,7 trilhões; a das famílias, de US$ 13,8 trilhões
espaço para avançarmos na unificação de nossas lutas e do setor financeiro de US$ 16 trilhões. Ou seja,
em torno a um programa e um instrumento político que enquanto o PIB multiplicou por 14, a dívida total mul-
representem e aprofundem a reorganização do movi- tiplicou por 30, a das famílias por 27 e do setor finan-
mento sindical brasileiro, capazes de fazer com que ceiro por 160!
essas lutas atinjam todo o seu potencial. Nesse sentido, A clara evolução dos lucros financeiros, descola-
apresentamos nossas contribuições ao Congresso com da da evolução do PIB e dos lucros não financeiros, a
o objetivo de analisar a situação dos trabalhadores e partir do final dos anos 1990 torna fictício o capital
suas lutas e apontar as perspectivas para seu avanço e monetário e obriga a uma esterilização de em torno de
consolidação. US$ 1,2 trilhão para limpar o excesso da última déca-
da. Nesse cenário, como sempre, as guerras são uma
solução adotada de forma sistemática pelo império
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

americano. Os números mostram que a crise, portanto, A resposta imediata veio célere para remediar a
não tem “olhos azuis”, como afirmou Lula em 2008, e etapa até agora mais aguda da crise, em 2009: injeção
nem depende da maior ou menor responsabilidade dos de bilhões e bilhões de dólares, diferentes pacotes eco-
banqueiros e investidores, mas sim que é lei de funcio- nômicos de ajuda aos bancos com balanços compro-
namento do sistema capitalista. O capitalismo segue metidos, logo expandidos para ajuda aos bancos mais
claramente o curso analisado por Marx: diminuição saudáveis, às empresas de crédito ao consumidor e às
tendencial dos lucros, queda de salário e miserabi- montadoras do país.
lização das massas, impedindo a redistribuição e o Falsos otimistas, como o presidente Lula, viram
crescimento econômico. Deter a marcha do capitalis- antes do final de 2009 os “brotos verdes” de recupera-
mo exige muito mais do que soluções paliativas ou ção da crise mundial e da recessão. O Banco Mundial,
reformistas – exige, isso sim, a sua destruição enquan- tão comprometido quanto o governo Lula/PT com os
to sistema produtivo. interesses do capital, mas um pouco mais cauteloso,
O ano de 2009 mostra o futuro dentro do sistema anunciou que a crise econômica chegará ao fim com a
capitalista. Os efeitos da crise americana alastraram-se recuperação de países emergentes, Brasil, Rússia,
imediatamente pelo mundo globalizado. A Bolsa de Índia e China - especialmente a China -, compondo o
Nova York recuou ao nível que sustentava 12 anos bloco dos BRICs. Mas no outro lado da moeda, o enor-
antes, a de Tóquio ao de 26 anos e a taxa de desempre- me repasse dos Estados para o setor privado para
gados foi a maior desde o fim da Segunda Guerra conter a crise internacional aumenta sobremaneira
Mundial. O colapso financeiro do EUA afeta o sistema o déficit orçamentário. E se o leste europeu já não
financeiro mundial e o “efeito dominó” provoca a sabia como pagar a fatura ao FMI, agora os PIGS
recessão das grandes economias européias com a pri- (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) subs-
vatização dos lucros, a socialização dos prejuízos e a tituem os BRICs nos noticiários econômicos e polí-
volta da presença do Estado – para atender os interes- ticos. Troca de siglas, bem ao gosto dos economistas
ses do grande capital. e banqueiros burgueses, para tratar do crescente
Para os trabalhadores, o de sempre: desemprego, endividamento de vários países do mercado comum
diminuição de salários, direitos e pensões, precariza- europeu e discutir mais uma “crise de confiança” no
ção da saúde e educação pública. Nos países emergen- mercado financeiro. Temendo um calote dos chama-
tes, declínio das exportações de commodities primári- dos PIGS, os investidores estrangeiros fogem da
as colocando em xeque a estratégia de crescimento via Europa e tornam a se refugiar no dólar e em títulos do
exportações. Com o declínio dos preços de commodi- tesouro norte-americano.
ties, há impacto na balança de pagamentos. Mercados A crise econômica mundial, que começou no sis-
de crédito e fluxos de capital secam, resultando em tema financeiro em 2007, ameaça converter-se em cri-
crescimento negativo durante alguns meses e desem- se fiscal. Os mais recentes impactos da crise na Grécia,
prego (8-10% no Brasil), especialmente na indústria quando 2,5 milhões de trabalhadores foram às ruas pro-
metalúrgica e automobilística, e redução dos salários. testar contra a retirada de direitos, é apenas a ponta de
O capitalismo está definhando? Pergunta que se um iceberg e encobre números assustadores do
coloca imediatamente para a esquerda na conjuntura aumento da dívida pública das economias desenvolvi-
apresentada. Resposta marxista: o capitalismo não das. Na França, trabalhadores também se colocam em
cai se não for derrubado. E sua derrubada exige con- marcha contra os pacotes do governo Sarkozy, que ata-
dições objetivas e subjetivas. Diversos exemplos de cam direitos conquistados através de lutas históricas.
contra-tendências que dão sobrevida ao capital funda- O déficit fiscal alcança quase 10% do PIB em
mentam a afirmação. Nos anos 1940 a 1960, mecanis- 2009 nos Estados Unidos. Na Espanha, mais de 11%;
mos como a poupança de pessoas físicas durante a no Reino Unido, mais de 14%; e na França, quase 8%
guerra, despesas governamentais civis e militares, do PIB. Nos cinco países atingidos por crises financei-
reconstrução da Europa e do Japão, corrida armamen- ras sistêmicas (Estados Unidos, Reino Unido,
tista na Guerra Fria, inovações tecnológicas como a Espanha, Irlanda e Islândia), a dívida pública aumen-
segunda onda de automobilização do pós-guerra tou em média cerca de 75% em termos reais de 2007 a
deram sobrevida ao capital. Mais recentemente, de 2009, enquanto a dívida externa bruta (dívida pública
2000 a 2007, aparecem a extensão da fronteira de acu- e privada colocada no exterior) dos países desenvolvi-
mulação capitalista para Europa Oriental, ex-União dos, bem menos comentados, alcança em média nada
Soviética e China, criação e expansão do mercado menos que 200% do PIB de cada um desses países.
interno no países emergentes, crescimento do consu- A ingerência direta dos países que compõem o
mo das famílias, jornadas mais longas, múltiplas ocu- mercado comum europeu mostra o enfraquecimento
pações etc. da autoridade dos Estados nacionais diante do poder
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

do capital, fenômeno que se repete em várias partes do ro de pessoas, no mais breve intervalo de tempo da his-
mundo. A crise, que já era alardeada como “superada” tória. O capitalismo americano, endividado e afunda-
pela mídia burguesa, retorna à pauta diária, com a do na monstruosa máquina militar mundial que drena
intensidade propositalmente esmaecida pela Copa do sua economia nacional, reduz os níveis de vida interna
Mundo, na África, o continente mais pobre do mundo. para financiar suas inesgotáveis e intermináveis guer-
Fica claro, portanto, que a recuperação parcial obser- ras no estrangeiro.
vada no segundo semestre de 2009 correspondeu à res- Toda essa análise permite compreender que o
posta imediata da economia aos trilhões de dólares inje- Congresso Nacional da Classe Trabalhadora se rea-
tados pelos governos para salvar bancos e grandes liza num momento marcado pela dramática con-
empresas, mas que não significa o fim definitivo da cri- juntura enfrentada pela classe trabalhadora em
se – sobretudo porque os mecanismos utilizados para a escala mundial. Trabalhadores, milhares de traba-
recuperação não fazem outra coisa que aprofundar as lhadores, são dizimados, assassinados impunemen-
causas estruturais da eclosão da crise. O cenário que se te, em toda sorte de catástrofes naturais e políticas.
avizinha – e já se apresenta claramente na Europa – é Um milhão de desabrigados e mais de 200 mil mor-
de mais ataques aos salários e direitos dos trabalhado- tos é o saldo parcial do terremoto no Haiti. No
res, exigindo organização e respostas concretas pela Chile, mais 880 mortos em terremotos e nos tsuna-
via da mobilização. mis subsequentes. Temporais, enchentes urbanas,
Central na análise conjuntural, a crise do capita- desabamentos e deslizamentos, chacinas étnicas e
lismo também precisa ser entendida a partir de religiosas. Catástrofes que se repetem e se transfor-
mudanças de importância definitiva: a emergência da mam em notícias, não mais que notícias vendidas
Ásia como centro econômico mundial. Agora o capita- em jornais burgueses com a mesma rapidez com
lismo asiático, em particular a China e a Coréia do que são substituídas.
Sul, compete com os Estados Unidos pelo poder mun- As catástrofes diretamente políticas registram
dial. E, ao contrario do estadunidense, cresce de for- números aterradores. O mundo atinge a cifra de
ma dinâmica e não através da construção de um impé- mais de 1 bilhão de desnutridos - com um aumento
rio militar, a estratégia de crescimento estadunidense de 100 milhões somente em 2009. Holocausto pales-
continuada pelo presidente Obama. tino, mais de 100 mil mortos na guerra do Iraque,
Nesse cenário, Obama cria uma quarta frente de 90 civis mortos em um único dia na guerra do
batalha no Yemen, na “guerra contra o terror”. A Afeganistão, enormes cemitérios clandestinos e uso
China anuncia sua decisão de manter sua moeda vin- de fornos crematórios para desaparecer com o rastro
culada ao dólar americano, como mecanismo de pro- de pessoas assassinadas ou queimadas vivas na
moção de seu dinâmico setor de exportação, e a Colômbia, mais de 20 mil civis assassinados em qua-
Coréia do Sul ganha um contrato de milhões de dóla- tro semanas no norte do Sri Lanka na mais recente ofen-
res para o desenvolvimento de uma central nuclear de siva do exército contra a guerrilha separatista tâmil.
uso civil nos Emirados Árabes. E, enquanto a Casa São exemplos que caracterizam a recente conjuntura
Branca e o congresso norte americano subvencionam internacional.
o Estado militarista-colonial de Israel, o PIB da China Guernicas e Hyroshimas repetindo-se com velo-
multiplica por dez nos últimos 26 anos. Exemplos que cidades assustadoras. Trazem, como singularidade, a
caracterizam a nova realidade na grande divisão do passividade amortecida e descompromissada de todos
mundo e da sua reordenação. Os países de Ásia, lidera- os representantes da classe dominante. A quase totali-
dos pela China, alcançam o status de potências mundi- dade dos intelectuais e formadores de opinião se
ais através de grandes inversões nacionais e estrangei- calam, subjugados, domesticados e aprisionados,
ras na indústria manufatureira, de transporte, tecnolo- todos, pela lógica do capital, produtivista e alienante.
gia, mineração e processamento de minerais. Já os A barbárie reificada, racionalizada e aceita - não mais
Estados Unidos aparecem como uma potência mundi- como aterradora exceção, mas como exigência do nos-
al com graves sinais de declínio. so tempo. Mega shows, showmícios e ajudas pretensa-
O capitalismo chinês se fortalece seguindo as mente humanitárias substituem o enfretamento direto
regras de funcionamento inerentes ao sistema: explo- e a luta de classes explícita. Correlação de forças bas-
ração do trabalho, desigualdade de distribuição das tante desfavorável para aqueles que sonham e lutam
riquezas e do acesso aos serviços, empresas que extra- pela construção de uma sociedade comunista, sem clas-
em minerais e outros recursos naturais dos países sub- ses, justa e igualitária.
desenvolvidos sem maiores contemplações. Ao mes- Na trajetória histórica de lutas da classe trabalha-
mo tempo, cria milhões de empregos na indústria e dora, o fim da “Era de Ouro” do capitalismo e do
reduz os níveis de pobreza para um significativo núme- Estado de Bem Estar Social na década de 1970 provo-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

caram uma nova fase de espoliação. As chamadas polí- to para depois dividir o bolo”, tão propagandeado por
ticas neoliberais, implementadas por Thatcher e Delfim Neto, ministro na época da ditadura militar bra-
Reagan, inauguraram a era da usurpação com o violen- sileira e agora consultor importante do governo Lula,
to arrocho salarial e a sistemática retirada dos direitos produziu aqui e em toda America Latina a redução agu-
mais elementares da classe trabalhadora – conquista- da das taxas de crescimento e de outros índices macro-
dos, sempre, através de lutas históricas e com derrama- econômicos, com todos os efeitos sociais que os acom-
mento do sangue. panham.
A última etapa do “breve século XX” foi marcada Na nova reconfiguração do capitalismo, o conti-
pelo fim do socialismo real na Europa, simbolizado e nente procura, de novo, seus caminhos. Caminhos desi-
festejado com a queda do Muro de Berlim em 1989. guais que retratam a real dimensão e diferença de pro-
Como resultado, um período de enorme e grave recuo jetos políticos para a região. Alan Garcia, que agora
da esquerda em escala mundial, terreno fértil para a leva ajuda humanitária ao Chile, promoveu há um ano
consolidação da hegemonia estadunidense. Inaugura- um dos mais sangrentos banhos de sangue no Peru.
se o mundo do pensamento único neoliberal: um só Uribe, que patrocina toda sorte de extermínios, trans-
modelo “globalizado” reproduzido em escala interna- forma a Colômbia numa base militar dos Estados
cional. Globaliza-se a absurda concentração da rique- Unidos. Do outro lado, todo um matiz de presidentes
za e de renda e a pobreza é generalizada. Sua aplicação que se auto-intitulam socialistas, como Lugo, Correa,
na America Latina põe fim aos modelos de Estados Morales, Chávez e Mujica. Em corrida solo, o presi-
desenvolvimentistas e dissemina a pobreza, fome, dente Lula - figura midiática e peça mais importante e
doenças e dilapidação dos recursos naturais. eficiente para a sobrevida do capital e da manutenção
O historiador Eric Hobsbawn, em 1994, aponta o das políticas e ideologia conservadora na America
nível que atingem as contradições capitalistas: "O futu- Latina. O presidente todo poderoso, emissário pacifi-
ro não pode ser uma continuação do passado e há sina- cador do Oriente Médio, já que tem inoculado o “vírus
is que chegamos a um ponto de crise histórica. As for- da paz”. O vírus da paz que aqui é disseminado da
ças geradas pela economia tecnocientífica são agora seguinte forma: criminalização de movimentos socia-
suficientes para destruir o meio ambiente, ou seja, as is, assassinatos em números crescentes de lideres sin-
fundações materiais da vida humana”. A certeza que a dicais e ativistas sociais e com violentas repressões aos
destruição e a barbárie se alastrariam celeremente, no movimentos estudantis, de professores e trabalhado-
entanto, não impediu a continuação do passado no res em geral.
século XXI. Ao contrário: a primeira década deste De maneira geral, a adoção do modelo neoliberal
século carrega e aprofunda a “continuação do passa- no continente aplica de forma igual o receituário eco-
do”. A intervenção militar estadunidense e brasileira nômico do FMI e determina a situação da classe traba-
no Haiti é apenas um dramático exemplo a ser registra- lhadora latino-americana: enxugamento do Estado via
do. privatização da saúde, educação, previdência, empre-
Na América Latina e Central a mesma dinâmica: a sas estatais, rodovias, etc., seguido da “flexibilização”
China assina acordos comerciais de bilhões de dólares das leis trabalhistas e adoção de políticas assistencia-
com a Venezuela, Brasil, Argentina, Chile, Peru e listas focalizadas. O resultado conhecido por todos nós
Bolívia e assim assegura seu acesso a fontes estratégi- é a crescente miserabilização das massas, escalada
cas de energia, recursos minerais e agrícolas. desenfreada da violência rumo à barbárie, lucros exor-
Washington, em estreita colaboração com o presidente bitantes para o capital financeiro e enorme concentra-
colombiano Uribe, aporta seis bilhões de dólares em ção de renda.
“ajuda” militar à Colômbia, ameaça a Venezuela Ao final da década de 1990, o neoliberalismo
obtendo a concessão de sete bases militares, apóia o começa a apresentar sinais de esgotamento, com que-
golpe militar em Honduras, promove a intervenção das na taxa de lucro da burguesia. O capitalismo, no
militar junto com o Brasil no Haiti e pressiona o Brasil entanto, não encontra nenhuma outra faceta para subs-
por seus vínculos com o Irã. tituir o neoliberalismo, e a saída para fazer frente às
Mais de 500 anos depois das conquistas espanho- quedas da taxa de lucro é justamente aprofundá-lo.
la e portuguesa, a América Latina ainda procura cami- Para aplicação desta política genocida, figuras emble-
nhos para sua real independência. Sua história colonial máticas das lutas contra as ditaduras e referências para
ainda se arrasta, marcada por todo tipo de desigualda- a esquerda ascendem ao poder.
des e dependências que se reproduzem e se aprofun- Emergem, como Lula, figuras necessárias para a
dam. Os últimos 25 anos de programas e reformas neo- aplicação e institucionalização do modelo neoliberal,
liberais, aplicadas rigorosamente no continente, enri- mais eficientes que os governos tradicionais da bur-
queceram as elites e destruíram países. O “crescimen- guesia exatamente por terem penetração nas classes
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

trabalhadoras e conseguirem, com mais facilidade, das relações de trabalho, via políticas de terceirizações
implementar os ataques necessários ao capital sem dar e de reformas trabalhista, administrativa, fiscal e tribu-
a respectiva visibilidade política ao aprofundamento tária, complementa a transferência e descentralização
das contradições no campo econômico, com o aumen- do Estado para instâncias locais, indivíduos e institui-
to da exploração. ções privadas, especialmente as organizações e corpo-
Neste quadro, necessariamente, temos de analisar rações religiosas e não-governamentais, aumentando
os governos de Morales e especialmente Hugo Chávez visivelmente a miserabilização das massas e a violên-
de forma diferenciada. Se certamente não são revolu- cia urbana e rural.
cionários, o que afirmam constantemente, represen- Como sabemos, a implantação inicial deste proje-
tam um processo diferenciado pelo fato de ascende- to no Brasil coube especialmente aos governos Collor
rem diante de processos de intensa mobilização da clas- e FHC. No momento em que o próprio neoliberalismo
se trabalhadora em seus países – o que os coloca em começa a apresentar sinais de desgaste, como já apon-
posição diferenciada, como reflexos institucionais, tamos anteriormente, cabe a um líder operário o apro-
mais recuados do ponto de vista político, do processo fundamento e institucionalização do projeto neolibe-
de lutas que se desenvolve. Hugo Chávez, que afirma ral brasileiro. Assim, o sujo papel de algoz da classe
sistematicamente que não é comunista nem marxista, trabalhadora cabe a um líder sindical carismático que,
professa um Socialismo do Século XXI, pautado pela por isto mesmo, consegue, de forma mais eficiente do
via institucional e centrado em reformas ainda capita- que qualquer representante clássico da burguesia,
listas, mas com medidas pontuais que favorecem a clas- implantar as reformas necessárias à sobrevida do capi-
se trabalhadora e ao povo, entendido no seu sentido tal com menor pressão enganando parte da classe tra-
mais amplo. balhadora e desmobilizando temporariamente o país.
Cabe à esquerda revolucionária, desta forma, Parte do proletariado, ainda submetida ideologi-
organizar-se para onerar o capital neste momento de camente ao capitalismo, depositava expectativas nas
debilidade, criando também as condições objetivas mudanças prometidas durante a campanha eleitoral
para sua desestabilização. Isso passa, sem dúvida, pela mesmo depois da constituição de um governo no qual
necessidade de construção de um programa classista banqueiros, empresários e latifundiários hegemoni-
para enfrentar a crise e, complementarmente, pela zam a linha política e o projeto apresentado era o pro-
necessidade de construção de alternativa de organiza- jeto da burguesia nacional e do FMI.
ção capaz de unificar a classe no combate ao capital – Sabemos todos que em períodos que o capitalis-
tarefas para as quais ainda estamos, a esquerda revolu- mo tem dificuldades de reprodução, a tendência é que
cionária como todo, debilitados. partidos com penetração nos sindicatos e que repre-
sentem a pequena burguesia assumam a centralidade
Conjuntura Nacional: Lula e o capitalismo do poder capitalista. É justamente por ter penetração
no Brasil junto ao proletariado e por não representar diretamen-
te nenhuma das duas classes fundamentais da socieda-
Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente do de, a burguesia e o proletariado, que a sua atuação tem
Brasil num cenário de intensos ataques às conquistas o sentido de diluir e não dar visibilidade política à con-
dos trabalhadores e às suas organizações políticas e sin- tradição que se agudiza cada vez mais no campo eco-
dicais. A necessária implantação do projeto neoliberal nômico, reafirmando, desta forma, a subordinação do
para dar sobrevida ao capital é consequência direta de proletariado à ideologia dominante.
mais uma crise do capitalismo, quando a queda das
taxas de lucro do capital mundial obriga a burguesia a Transforma-se, assim, Luiz Inácio Lula da Silva
abandonar o modelo de Estado de Bem-Estar Social e numa eficiente e descartável marionete da burguesia e
adotar uma estratégia de intensificação da exploração do capital financeiro, que passeia em carruagens com
da mais-valia absoluta e relativa. Estratégia esta reis e rainhas e, sem o menor pudor e respeito com tan-
necessária para reprodutibilidade do sistema que tos companheiros mortos pelo sonho de construção de
impõe, mais uma vez, sacrifícios ao proletariado mun- um Brasil mais justo, chegou a chamar Bush de com-
dial e ao brasileiro. panheiro – e, mais do que isso, ainda hoje sustenta a
política internacional dos EUA: prova disso é o escan-
Sob eufemismos diversos, como “Racionalização daloso envio de tropas militares brasileiras para opri-
do Estado” e “Reestruturação Produtiva” implanta-se mir e sustentar a exploração do povo haitiano e dar
o projeto neoliberal, com o "enxugamento" das empre- suporte à invasão dos EUA ao Iraque, que demonstra
sas públicas e privadas, programas de demissões agora, depois do terremoto de janeiro, ainda mais cla-
voluntárias e privatizações que produziram desempre- ramente seu papel de servir aos interesses do grande
go em massa a nível mundial. A desregulamentação capital e defender a propriedade privada. Certamente a
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

história está repleta de exemplos semelhantes. Mas resultado dos programas assistencialistas, do apoio do
esta é a nossa história e cabe a nós, vanguarda da capital financeiro com lucros sempre crescentes e o
esquerda brasileira, retomar a construção de um proje- bom desempenho da economia na ótica burguesa.
to de independência da classe trabalhadora. De toda forma, observa-se que no segundo man-
A política desenvolvida por Lula e pelo PT repre- dato o governo já apresentou uma dificuldade maior
senta e representava, desde seu início, uma continua- para implementar suas reformas e a política neoliberal
ção das políticas burguesas desenvolvidas no país. como um todo. Depois de fortalecer-se no ano da ree-
Este eficaz comitê gestor da economia e da política bur- leição (quando freou alguns de seus ataques e mobili-
guesas tem como uma das suas especificidades históri- zou mesmo parte da esquerda que já não acreditava
cas o fato de se encontrar ancorado em um líder sindi- mais no projeto do PT com a falsa polarização com a
cal como presidente e em um partido e entidades (PT, direita tradicional representada pelo PSDB), o gover-
CUT, UNE) que, de uma forma ou de outra, detinham no volta a atacar logo no primeiro ano do segundo man-
significativo poder de representação, dificultando dato e encontra uma resistência já mais organizada por
enormemente a retomada das lutas contra as reformas parte da esquerda. Ainda que tal resistência não tenha
neoliberais e o trabalho de reorganização partidária, sido capaz de barrar objetivamente muitos dos aspec-
sindical e estudantil no campo da esquerda. tos da política do governo Lula, o enfrentamento se
Assim, durante o primeiro mandato de Lula deu em níveis superiores, colocando maiores obstácu-
observamos que, mais cedo do que se esperava, o cará- los aos ataques neoliberais e refletindo o avanço do pro-
ter de agente da dominação capitalista do governo cesso de reorganização da esquerda brasileira.
Luiz Inácio Lula da Silva veio à tona. A aprovação da
primeira parte da Reforma da Previdência logo no pri- A necessidade de uma resposta classista à cri-
meiro ano de mandato e o início das demais reformas se
(Universitária, Sindical e Trabalhista) demonstrou a
maior facilidade de Lula implementar os ataques à clas- Ao final do segundo mandato, especialmente no
se trabalhadora. Ao mesmo tempo, esse processo inici- final de 2009, o governo constrói um novo momento
ou um desgaste do governo junto aos setores organiza- de fortalecimento conjuntural. Depois de, no final de
dos dos movimentos proletário e estudantil. 2008 e especialmente no primeiro semestre de 2009,
os efeitos da crise terem atingido em cheio o Brasil e
Neste período, surgiram mobilizações em todo o provocarem uma onde de demissões, reduções nos
país para enfrentar as reformas que foram dificultadas salários, cortes nos orçamentos dos serviços públicos
por fatores importantes como o aprofundamento, cau- como saúde e educação e ataques aos direitos dos tra-
sado pelo governo Lula, do refluxo dos movimentos balhadores, a retomada da economia capitalista que se
proletário e estudantil, a presença da “esquerda do PT” configura a partir do segundo semestre de 2009 é alar-
no interior das mobilizações, que impedia que a luta deada pelo governo como a confirmação do discurso
contra as reformas do governo se chocasse contra o de Lula de que a crise no Brasil seria “apenas uma
mesmo – atuando como “quinta coluna” do governo – marolinha” e que o país seria “o último a entrar e o pri-
e, certamente, o total alinhamento e apoio da CUT ao meiro a sair” da crise. Os ataques aos trabalhadores
governo Lula. para sustentar o repasse de milhões do dinheiro públi-
Desta forma, se inicia um processo de reorganiza- co para salvar empresários e banqueiros são escamote-
ção dos movimentos operário e estudantil, mas os ata- ados e Lula aparece como o grande responsável pela
ques do governo são implementados com relativa faci- façanha de “salvar o país da crise”. Nas palavras de
lidade. Os escândalos de corrupção que atingiram o PT Obama, Lula é “o cara” – sob a ótica, é claro, dos inte-
e a alta cúpula do governo foram, sem dúvida, mais um resses do capitalismo mundial.
elemento para desgastá-lo, em que pese que a figura do Obviamente, sabemos que, diferentemente do
presidente conseguiu sair sem maiores arranhões do que alardeia a grande mídia e o governo, a crise não
processo. acabou. Se analisarmos a retomada do setor produtivo
No primeiro ano do segundo mandato do governo no final do ano passado, veremos que, sustentada por
Lula, tais denúncias tornam-se rotina, demonstrando subsídios públicos e isenções fiscais, a produção
mais uma vez e claramente a deterioração do PT e a aumenta sem ser acompanha pelo aumento dos empre-
conivência e apoio da CUT a toda política neoliberal, gos extintos durante o período mais agudo da crise –
incluída aí a corrupção como uma de suas manifesta- ou seja, a retomada se fez com superexploração dos tra-
ções. Em rápidos e sucessivos intervalos ocorrem balhadores. Dados da Federação das Indústrias do
denúncias, crise, apreensão no poder e rápidas recupe- Estado de São Paulo demonstram que a perspectiva
rações. A aceitação do governo se mantém em alta, dos empresários é aumentar a produção em 15% neste
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

primeiro semestre de 2010. Os mesmos empresários, implementados por esse mesmo governo. Esse ele-
no entanto, prevêem aumento de 3,9% no número de mento é, precisamente, o caráter das lutas que foram
empregos. A análise conforma, portanto, que a econo- construídas durante o período mais agudo da crise,
mia ainda enfrenta profundas dificuldades e que se ala- cujo conteúdo foi incapaz de contribuir para a denún-
vanca somente às custas da exploração cada vez maior cia concreta dos ataques do governo e, mais do que
da classe trabalhadora. Somam-se a isso os já analisa- isso, ajudou a fortalecê-lo. Nos referimos aqui à opção
dos dados que demonstram o início de um novo ciclo feita pelos setores majoritários da esquerda anti-
de aprofundamento da crise, dessa vez começando governista, PSTU e PSOL.
pelos países europeus, que já afeta a economia mundi- Essa opção, ancorada numa avaliação catastrofis-
al e certamente terá reflexos no Brasil. ta e pouco científica da crise, que identificava o pro-
No entanto, uma avaliação comprometida e apro- cesso como tão arrebatador a ponto de impossibilitar
fundada da conjuntura nacional, dos reflexos da crise e uma reação da burguesia dentro dos marcos do capita-
do fortalecimento do governo Lula não pode ignorar lismo, julgou que bastava a realização de manifesta-
um elemento fundamental para a composição do atual ções amplas contra a crise para que o governo e seus
cenário: o papel das lutas da classe trabalhadora nesse planos fossem consequentemente desmascarados.
período. Se defendemos que a sociedade capitalista é Objetivamente, isso significou um retrocesso das pau-
marcada e movida pelo conflito de interesses entre tra- tas dessas próprias organizações (e da linha que imple-
balhadores e burgueses e que, portanto, o nível de avan- mentaram no movimento) à já superada – e por elas
ço da luta de classes é que determina qual dos dois mesmas criticada – política estritamente centrada em
pólos fundamentais da contradição do capitalismo – exigências ao governo para que “se colocasse ao lado
burguesia ou proletariado – sai fortalecido de determi- dos trabalhadores” e editasse medidas que restringis-
nada conjuntura, chegaremos rapidamente à conclu- sem os efeitos da crise sobre a classe trabalhadora.
são de que, ao constatarmos um cenário de ataques da Esperavam, certamente, que a crise avançasse
burguesia e retomada da produção através do aumento desenfreadamente, que Lula fosse incapaz de orientar
da exploração, isso só foi possível diante da fragilida- uma reação da economia capitalista e que as suas “exi-
de da classe trabalhadora para contrapor-se a esse pro- gências”, ao não serem atendidas, demonstrassem aos
jeto. trabalhadores o caráter do governo e seu comprometi-
Certamente, a compreensão desse fator deve mento com os interesses dos grandes empresários e
levar em consideração o período de refluxo dos movi- banqueiros. Desenrolaram-se, então, inúmeras mani-
mentos sociais de todo o mundo, sustentado pela con- festações que denunciavam abstratamente “os ricos”,
solidação política, econômica e ideológica do neolibe- “os empresários”, ignorando o governo que os repre-
ralismo – que implica no afastamento da classe traba- senta, e que pediam que Lula ajudasse os trabalhado-
lhadora dos projetos coletivos, a exacerbação do indi- res. A pauta, perfeitamente compatível com os interes-
vidualismo capitalista e a configuração do pensamen- ses das entidades que representam o governo dentro do
to único neoliberal através das perspectivas do “fim da movimento social – CUT, UNE, CTB e outras -, foi por
história”. No Brasil, a esse cenário geral somam-se as elas defendida em manifestações “unitárias”, com o
especificidades do governo Lula que, como dissemos, claro intuito de fazer Lula passar incólume por esse
consegue estabelecer logo após a sua eleição um perío- processo.
do de paralisia nas mobilizações da classe trabalhado- E qual o resultado disso? A avaliação catastrofista
ra, ancorado em sua identificação ideológica com os não se confirmou, o governo conseguiu – amparado
setores explorados e em seus sustentáculos no seio do pelo amplo crescimento econômico dos anos anterio-
movimento social. res - dirigir uma recuperação parcial da crise nos mol-
Esses fatores, sem dúvida, explicam a dificuldade des clássicos do capitalismo e a pauta rebaixada da
de construção de mobilizações e iniciativas de luta esquerda se mostrou, concretamente, incapaz de res-
independentes da classe trabalhadora no atual período, ponder às tarefas impostas pela conjuntura. Longe de
ainda débeis para barrar ataques da magnitude dos ser “inevitavelmente desmascarado”, Lula saiu mais
implementados pela burguesia durante a crise. No fortalecido do que nunca do primeiro período mais agu-
entanto, há ainda um outro importante elemento que, do da crise, aplicando com muita facilidade mais e
somado aos expostos anteriormente, é fundamental mais ataques aos trabalhadores.
para compreender a debilidade da resistência dos tra- Durante todo esse processo, defendemos em
balhadores aos efeitos da crise e o processo que teve todos os espaços a necessidade de construção de mobi-
com o principal resultado o fortalecimento da figura de lizações avançadas, classistas, que denunciassem o
Lula como “salvador” do país, expressando a incapa- papel do governo, não depositassem mais esperanças
cidade da esquerda de denunciar e resistir aos ataques de que ele se colocasse ao lado dos trabalhadores e que
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

fossem ancoradas em pautas concretas de reivindica- É daí, pois, que surge a reorganização no movi-
ção, sustentadas por lutas capazes de forçar o atendi- mento sindical: da urgência pela construção de uma
mento a tais pautas e, assim, avançar nas conquistas nova ferramenta, capaz de organizar e impulsionar a
dos trabalhadores. Nesse momento, julgamos funda- luta dos trabalhadores a partir do marco da indepen-
mental que a esquerda faça um balanço sério e conse- dência de classe e, também, da necessidade histórica
quente desse processo de lutas, para que tire deles as de se derrotar a CUT, assim como o governo, para
necessárias lições para a construção das lutas futuras. fazer avançar a luta de classes no país.
Ora, se o grande diferencial do governo Lula, que
A falência da CUT e o processo de reorgani- o faz mais eficiente para a implementação do neolibe-
zação ralismo que os governos tradicionais da burguesia, é
justamente o fato de ser um representante ideológico
Para pensarmos no processo de reorganização da da classe trabalhadora e de ter sustentação no seio do
classe trabalhadora e o caminho em direção à constru- movimento operário, está claro que a derrota do gover-
ção de uma nova central para os trabalhadores, é preci- no e suas políticas passa, necessariamente, pela derro-
so que entendamos o significado político da conversão ta da CUT. É justamente por isso que o debate de reor-
da CUT em aparato do governo e que tipo de tarefa isso ganização não pode ser visto como algo secundário,
coloca para as nossas lutas. A falência da CUT deve, reduzido à disputa de direção do movimento, feito ape-
necessariamente, ser analisada em conjunto com a nas no campo da propaganda e do qual podemos abrir
transformação do PT num partido parlamentar bur- mão em qualquer momento.
guês e com o papel que ambos cumpriram na implanta-
ção das políticas neoliberais no Brasil. Adotar uma aná- Não. O debate da reorganização passa, necessari-
lise isolada é erro metodológico estranho ao marxismo amente, pela definição do caráter e do conteúdo das
e certamente só interessa àqueles que precisam apre- lutas que a classe trabalhadora deve travar contra o
sentar meias verdades e fragmentar a realidade para capital, o neoliberalismo e seus agentes. Ou levamos
encobrir e defender o indefensável: a traição da CUT, as mobilizações às suas últimas consequências, fazen-
do PT e do governo Lula à classe trabalhadora brasilei- do com que se choquem com o governo e seus apêndi-
ra, latino-americana e mundial. ces, ou estaremos nos furtando a responder às tarefas
centrais colocadas hoje pela conjuntura, quer sejam: a
A traição do PT, do governo Lula e de seus princi- desconstrução de Lula enquanto representante ideoló-
pais órgãos de sustentação – a CUT e a UNE – fecha gico da classe trabalhadora e a destruição da CUT para
um ciclo da história brasileira iniciado no começo da que, no fogo da luta, se construa uma alternativa inde-
década de 1980, momento de ascensão dos movimen- pendente e classista para o proletariado brasileiro.
tos proletários que se libertavam das amarras da dita-
dura militar instalada em 1964 e que coincide com a
derrota do socialismo real e com o processo de conso- Balanço da experiência da Conlutas
lidação mundial do neoliberalismo. A criação da Conlutas em 2004, em Encontro
A história do PT, porque recente, todos conhece- Nacional amplamente vitorioso, foi um marco decisi-
mos: sua transformação de um partido de esquerda em vo para a reorganização da esquerda brasileira, que em
um partido burguês a serviço do capital ocorre em con- grande medida possibilitou a reorganização dos movi-
junto com sua opção por privilegiar a via parlamentar, mentos sindicais e sociais, a retomada das lutas e o
com sua degradação, com o cerceamento da disputa enfrentamento com o governo Lula. A Conlutas, assim
política e com o uso crescente da máquina do partido que criada, constituiu-se como opção frente à falência
para o fortalecimento do campo majoritário. das entidades tradicionais do movimento e desempe-
Com o ascenso do governo Lula, a CUT se con- nhou um papel de vanguarda no combate ao governo
verte em um legítimo aparato governista, funcionando Lula e suas políticas, papel este indispensável para a
como o braço sindical de Lula e da burguesia. Mais do reorganização do movimento e para a retomada da
que uma simples entidade incapaz de tocar a luta, a lutas de massas.
CUT tem o papel de atuar no movimento contra a luta Tratamos, aqui, de um período em que não existe
dos trabalhadores, legitimando o governo e sua políti- mais uma referência nem um projeto, onde o velho não
ca neoliberal. Ou seja, freia as mobilizações, impede serve mais, e que, por isso, abre espaço para o surgi-
que se choquem com o governo e seus aliados e defen- mento do novo. Mas este novo ainda está para ser cria-
de a retirada de direitos dos trabalhadores. A CUT, por- do – e só o será sobre os escombros do velho! É justa-
tanto, é o grande diferencial do governo Lula, o que o mente quando tratamos da necessidade de construção
permite avançar na implementação da agenda neolibe- do novo que devemos estar atentos às tarefas que a
ral, seu elemento de sustentação. esquerda como um todo precisa cumprir neste
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

momento de reorganização. Isso significa que este pro- sos inimigos de classe – de esconder todas as pautas
cesso deve se desenvolver – e só assim será vitorioso – políticas que atingissem o governo Lula? Uma suposta
a partir de uma caracterização precisa do estágio em “disputa das bases” destes setores?
que se encontram as lutas de classe a níveis mundial e É preciso, aqui, que façamos um sério e profundo
nacional, do nível de organicidade em que se encontra debate sobre os marcos para a construção da unidade.
a classe trabalhadora, sobre quais são e, principalmen- De nosso ponto de vista, a unidade só é possível quan-
te, por onde passam suas possibilidades de avanço. do o movimento é capaz de identificar objetivos
No primeiro Congresso da Conlutas, realizado comuns e traçar ações unificadas para alcançá-los.
em 2008, era exatamente esse o desafio que estava Para além disso, se trata de nada mais do que “a viola-
colocado: a sua consolidação como alternativa concre- ção da unidade sob os gritos da unidade”, já apontada
ta para a classe trabalhadora brasileira, capaz de orga- por Lênin – trata-se, assim, da ruptura da unidade real
nizar e impulsionar suas lutas contra o governo e seus da classe trabalhadora contra seu inimigo de classe em
sustentáculos dentro do movimento social. Para tal, prol da construção da “unidade” impossível, sem pau-
era preciso que se tornasse uma entidade com mais ta política, que se traduz, pura e simplesmente, como
organicidade, que avançasse do ponto de vista organi- conciliação.
zativo, na construção privilegiada de fóruns de base e Conciliação porque, para construir tal “unidade”,
na preocupação permanente no combate à burocratiza- é necessário simplesmente ignorar a identificação de
ção. um objetivo comum. Se nosso inimigo é o governo
No entanto, o Congresso pouco avançou nesses Lula e nosso objetivo é derrotá-lo, não poderemos, em
temas e centrou-se, por opção do setor majoritário da momento algum – a não ser que queiramos abandonar
Conlutas, o PSTU, na agitação esvaziada da constru- tal objetivo em favor da conciliação - deixar de enfren-
ção da “unidade” o, que inclusive, serviu para impedir tá-lo para podermos construir “unidade” com aqueles
que o Congresso aprovasse um plano concreto de lutas que traíram a classe trabalhadora e querem exatamente
sob a desculpa que isso afastaria “os que não estavam o oposto de nós: defendê-lo, consolidá-lo como refe-
lá”. Uma forma, sem dúvida, de esvaziar a Conlutas rência para a classe trabalhadora e garantir a imple-
como alternativa e instrumento de lutas. Do ponto de mentação dos ataques neoliberais. Esta é a contradição
vista do caráter e conteúdo das lutas a serem travadas, central da conjuntura hoje, e é ela que deve nortear os
há também um grande debate a ser feito. marcos da construção da unidade.
Apontávamos, desde o surgimento da Conlutas, como Sobre a disputa das bases das entidades governis-
maior equívoco político, a proposta de construção de tas, estamos certos de que só iremos trazer para o nosso
uma unidade em marcos rebaixados com setores da lado a gama de trabalhadores e trabalhadoras que hoje
CUT, da UNE e do PT. ainda estão nas fileiras da CUT quando formos incisi-
Os chamamentos a unidades dissolvidas que pro- vos no combate às políticas da central, e jamais ao
liferaram e uma incorreta “paciência”, que nada tem reproduzi-las. Ou por acaso a classe iria compreender
de revolucionária, foram erros sistematicamente apon- a necessidade de abandonar a CUT e construir a
tados por nós neste período. Sabemos que a história Conlutas enquanto a última fazia exatamente a mesma
não pára, qual o correto papel da vanguarda e sabemos política que a primeira? É, pois, no combate à CUT e
todos que, em política, falta de clareza e indecisão sem- ao governo e consolidando uma alternativa completa-
pre estão a serviço de objetivos conciliadores que aca- mente diferente na política e na forma que conseguire-
bam por fortalecer sempre a ideologia dominante. mos fazer avançar a consciência de tais trabalhadores.
É dessa análise que devemos partir para estabele- Cabe ressaltar que aqui não nos referimos aos atos
cer nossa relação com os aparatos burgueses e gover- por pautas objetivas e concretas que por ventura, por
nistas encastelados no movimento social do país e para conta de suas pressões e contradições internas, a CUT
entender a opção feita pela Conlutas. Já identificamos vier a participar. Uma luta por reajustes salariais num
o diferencial do governo, o papel que cumprem as enti- sindicato, por melhores condições de trabalho, ou, até
dades tradicionais para sua sustentação e para o com- mesmo, contra uma política específica do governo
bate ao movimento independente e classista. para a qual consigamos construir uma pauta coerente
Identificamos, a partir daí, a necessidade de derrotá- com as demandas da luta. Obviamente, não deixare-
las, junto ao governo, como condição fundamental mos de participar de tais mobilizações. Obviamente,
para o avanço das lutas de classe e da consciência do também, que o faremos com um conteúdo completa-
proletariado brasileiro. O que justificaria, então, a mente diverso do defendido pela Central, que leve a
opção prioritária da Conlutas pela construção de atos luta às suas últimas conseqüências, aponte o caráter do
unificados com tais entidades, que só foram possíveis governo como um todo, e, inclusive, denuncie o papel
a partir da aceitação da condição – imposta pelos nos- da entidade para frear o avanço das mobilizações – tra-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

zendo, assim, o debate da reorganização e da constru- redução de todo esse debate a uma perspectiva forma-
ção de alternativas de classe para o dia-a-dia das lutas. lista e de disputa de direção travestida sob a discussão
Sobre questionarmos os atos em unidade com o do “caráter” da nova central. Sem dúvida alguma, é
governismo, nos referimos, isso sim, aos atos DE muito importante discutir como e com quem essa cen-
PROPAGANDA, sem reivindicações concretas, cons- tral irá se construir, mas insistimos que esse debate só
truídos pelo setor majoritário da Conlutas em conjunto pode ser feito com coerência se partir de uma profunda
com a CUT ao longo dos últimos anos e que, como dis- análise de conjuntura, da avaliação das lutas dos traba-
semos, foram incapazes de responder às tarefas impos- lhadores, do nível de unificação e dispersão entre os
tas pela conjuntura. Acreditamos que esse debate equi- setores oprimidos e de uma caracterização científica a
vocado sobre o método e o conteúdo da construção da respeito dos melhores caminhos a seguir para alavan-
unidade foi um dos fatores determinantes para que a car os processos de luta com a construção de novos ins-
Conlutas não respondesse aos desafios que estavam trumentos. Tudo isso só faz sentido se for casado a um
colocados para sua consolidação como alternativa debate de programa e estratégia desse instrumento, hie-
para os trabalhadores e, inclusive, conduzisse de mane- rarquizado pelos interesses históricos da classe traba-
ira superficial e insuficiente o debate sobre a fusão lhadora.
com a Intersindical e, posteriormente, a construção de Mas o que assistimos foi um desalentador reduci-
uma nova central. onismo ao debate sobre a entrada ou não de estudantes
e movimentos populares na central que, além de tudo,
ignorava os elementos fundamentais que deveriam nor-
A construção de uma nova central tear, somada à discussão programática, a decisão sobre
Esse debate sobre o método, o conteúdo, o pro- a composição do novo instrumento. Chegamos ao limi-
grama e as perspectivas dos instrumentos da reorgani- te de reduzir o debate sobre se os estudantes “são ou
zação se faz essencial no atual momento, em que dis- não de luta”, se “são ou não os patrões de amanhã”,
cutimos a construção de uma nova central para os tra- num festival simplista que ignora o imperativo debate
balhadores no Congresso da Classe Trabalhadora. O a ser feito. Insistimos: o debate fundamental a ser feito
tema surge fundamentalmente impulsionado pelos para a construção da nova central é o de programa e
setores majoritários da Conlutas e da Intersindical, estratégia. A partir daí e hierarquizado por isso, o deba-
agregando novos atores ao processo. te sobre o caráter precisa se dar em outros marcos que
Estamos certos de que a construção da unidade superem o senso comum e discutam a forma do novo
entre todos aqueles que querem lutar contra o governo instrumento a serviço das tarefas da classe trabalhado-
e suas políticas é uma necessidade para o avanço das ra na atual conjuntura.
lutas de classe, e que a consolidação de uma entidade
sindical passará pelo sucesso em construir tal unidade. Programa e estratégia da nova central
Para nós, que participamos desde o início do processo
de construção da Conlutas, não se trata, portanto, de Acreditamos que todo o debate de programa da
um debate de “paternidade” sobre a ferramenta que nova central passa pelos elementos que expusemos
queremos construir. anteriormente: a avaliação da conjuntura internacio-
nal, do desenrolar da crise capitalista, a análise da con-
O que devemos ressaltar, sobre esse aspecto, é, juntura nacional, dos diferenciais do governo Lula, do
em primeiro lugar, o conteúdo dos debates que devem papel que cumprem as entidades que o sustentam no
ser feitos para a construção de uma nova alternativa. movimento social, do impacto da crise no país e das
Acreditamos firmemente que uma alternativa superior consequências para os trabalhadores, da retomada da
só pode ser construída a partir de um balanço profundo produção capitalista às custas da superexploração, do
de todas as experiências da reorganização e, mais do fortalecimento conjuntural de Lula e da insuficiência
que isso, de uma análise rigorosa da realidade na qual das lutas construídas até aqui pela classe trabalhadora,
queremos intervir. Precisamos pensar profundamente com destaque para os equívocos programáticos come-
no momento histórico em que vivemos, no nível de tidos pela esquerda anti-governista em suas mobiliza-
avanço ou retrocesso das lutas de classe e nas tarefas ções.
que esse momento nos coloca para a construção de
uma alternativa. Todos esses elementos, quando profundamente
analisados, nos demonstram a necessidade de constru-
Mas assistimos, lamentavelmente e com muita ção da nova central a partir de um programa classista,
preocupação – especialmente no Seminário da que coloque em primeiro lugar as lutas dos trabalhado-
Reorganização, realizado em São Paulo em novembro res em seu enfrentamento aos ataques do capital. Mas
do ano passado e que deliberou pela realização do isso não pode, de maneira nenhuma, significar a ado-
Congresso Nacional da Classe Trabalhadora – a uma
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

ção de um programa vago, abstrato, que coloque o capi- de 2006, que apontavam claramente para a ruptura
tal como um fantasma que paira sobre nós sem cara e com a CUT. Significaria, assim, mais uma conciliação,
sem nome. mais uma diluição, mais uma negação em responder
Pelo contrário, só construiremos um programa aos desafios colocados para a esquerda brasileira –
verdadeiramente classista se formos capazes de tradu- política contra a qual nos colocamos frontalmente.
zir objetivamente esses princípios para a conjuntura Estamos dispostos a construir em conjunto com
em que atuamos e identificarmos, concretamente, todos os trabalhadores e trabalhadoras uma alternativa
quem são os responsáveis pela implantação, manuten- de classe para o proletariado, um instrumento capaz de
ção e aprofundamento dos interesses capitalistas e ata- unificar suas lutas e cumprir as tarefas históricas que
ques aos trabalhadores no atual momento. Isso signifi- se colocam para nós. E, para isso, é necessário avan-
ca que um programa classista, hoje, só pode ser um pro- çarmos, e jamais retrocedermos, diante do que já cons-
grama anti-capitalista e anti-governista. truímos com muitas lutas até hoje, em direção à eman-
Cabe ressaltar, mais uma vez, que um programa cipação do proletariado e à superação revolucionária
com princípios anti-governistas não se concretiza ape- do capital.
nas com palavras de ordens, panfletos e cartazes que
denunciem o governo Lula/PT. Isso deve ser princípio O caráter da nova central
norteador para a construção da luta concreta, diária,
para a construção de mobilizações e pautas de reivin- Hierarquizada pelo debate programático, a dis-
dicação. Isso significa que a cada luta, responderemos cussão sobre o caráter da nova central deve estar sus-
com a pauta mais consequente para as necessidades tentada, igualmente, por uma profunda análise da con-
dos trabalhadores, e não a rebaixaremos por imposição juntura e das tarefas que nos coloca. Para tal, não nos
dos segmentos comprometidos com o governo. Isso serve avaliar a conjuntura tal qual queríamos que ela
significa que, programaticamente, entendemos a des- fosse, tal qual queremos que seja a curto ou médio pra-
construção do governo Lula e seus aparatos no movi- zo. Isso, obviamente, é também importante – mas ape-
mento social como representantes da classe trabalha- nas se combinado com a avaliação concreta da situa-
dora uma condição para avançar no nível de consciên- ção concreta, pois é daí que retiraremos nossas tarefas
cia dos trabalhadores, na percepção dos ataques que imediatas, tanto do ponto de vista político como orga-
sofrem e na conquista de suas reivindicações mais ime- nizativo. Isso significa que, para que a nova central pos-
diatas. sa cumprir seu papel na reorganização do movimento
sindical brasileiro, precisamos ter clareza que ainda
Portanto, um debate importante do ponto de vista não vivemos um momento de unificação das lutas de
programático, para nós que construímos a Conlutas e classe no país. Esse é o desejo de todos os lutadores e
que nos dispomos aqui a construir uma nova central, é lutadoras da esquerda brasileira, mas apenas isso não
entender as debilidades das atuais ferramentas, que basta.
não podem ser repetidas e precisam ser avaliadas e
superadas nesse novo processo. Já discutimos as debi- É justamente porque queremos que as lutas de
lidades da Conlutas no balanço de sua experiência, e classe se unifiquem no próximo período que precisa-
aqui queremos chamar a atenção para o fato de que a mos impulsionar esse processo a partir do que temos
Intersindical se torna débil para responder as tarefas de de concreto, hoje, na conjuntura, e não tentar unificá-
reorganização do movimento sindical por aglutinar las artificialmente – o que só faz o processo retroceder.
uma série de setores cutistas e, assim, estar impedida Este é um debate fundamental do ponto de vista orga-
de consolidar uma alternativa independente e classis- nizativo e também político para a nova central, e é nes-
ta. Não vamos nos repetir aqui sobre o papel da CUT e te sentido que não acreditamos que possam contribuir
a necessidade de romper com a central, mas está claro com o avanço da luta as propostas de transformá-la em
que a construção de uma ferramenta que esteja à altura algo parecido como um “soviet”, numa conjuntura em
de cumprir seu papel histórico passa, necessariamente, que a unificação das lutas ainda não está colocada.
pelo abandono e destruição da CUT como referência É por isso que apontamos a necessidade de uma
para o proletariado, e não pela “coexistência pacífica” nova central sindical de trabalhadores e de uma nova
com a central traidora. entidade de representação dos estudantes, já que iden-
Neste sentido, mantidos esses marcos, a constru- tificação de classe se dá por um entendimento real dos
ção da nova central significaria um enorme retrocesso trabalhadores sobre o papel que representam nas rela-
na construção do novo instrumento da classe trabalha- ções de produção. Defendemos, obviamente, que tra-
dora brasileira. Significaria não apenas um, mas vários balhadores e estudantes atuem em unidade contra o
passos atrás no que se refere ao que a Conlutas foi, no capital, resgatando a herança da unidade operária-
que construiu desde 2004 e nas deliberações do Conat estudantil. Defendemos, igualmente, a realização de
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

fóruns amplos, que reúnam o movimento sindical, soci- is; entre outros.
al e estudantil para a avaliação e organização de lutas
conjuntas. Defendemos, objetivamente, que os estu-
dantes e movimentos populares possam, organizados Concepção e estrutura sindical: o funciona-
em suas próprias ferramentas específicas (cuja tarefa mento da nova central
de construção está igualmente colocada), participar e Finalizamos apresentando alguns elementos fun-
intervir no processo de construção da nova central em damentais para a garantia do caráter de classe da nova
pontos que digam respeito às suas pautas unitárias. O central a ser construída pelos trabalhadores.
movimento sindical deve possuir uma central forte, Acreditamos que a forma da organização precisa cor-
consolidada e que possa, em seus fóruns, estabelecer responder e materializar todos os elementos progra-
espaços de discussão dos temas conjuntos com o movi- máticos e as propostas políticas por ela defendidas.
mento estudantil e popular. Mas isso não quer dizer Por isso, o debate da estrutura sindical precisa também
que o caráter dessa central não seja sindical e que os levar em conta toda a experiência e fazer um balanço
espaços para a discussão profunda das pautas e deman- da burocratização do projeto do “novo sindicalismo”,
das da unificação do movimento sindical não tenha que tem como expressão máxima a CUT. É importante
que ser garantido. lembrar que o processo de burocratização da CUT e
Essa participação dos demais segmentos nos muitos de seus sindicatos se gestou e consolidou mes-
fóruns da central não pode substituir a construção de mo antes da eleição do governo Lula. Isso, obviamen-
organizações de classe e categoria, capazes de atender te, está relacionado às opções políticas e programáti-
às necessidades específicas de cada movimento e, cas feitas pelo setor majoritário da Central que, justa-
assim, fazer avançar o nível de consciência da classe mente por adotar posições que iam de encontro aos
trabalhadora e da juventude no fogo de suas lutas, interesses dos trabalhadores e apontavam para a conci-
rumo a uma real unificação do movimento. Se ignorar- liação com o capital, exigiam, para ser implementadas,
mos tal tarefa e tentarmos, artificialmente, unificar as a restrição da participação direta e do controle dos tra-
lutas de classe apenas pela nossa vontade, à revelia da balhadores sobre a máquina sindical.
conjuntura, estaremos construindo uma ferramenta Mas há que se ficar atento e ter-se a clareza de que
superestrutural, na qual as necessidades específicas não há fórmula mágica contra a burocratização. Se é
dos trabalhadores e da juventude serão objetivamente evidente que a identificação dos sindicatos e da nova
relegadas a segundo plano, assim como o avanço de central com as lutas e interesses dos trabalhadores é
suas consciências. condição fundamental para evitar a burocratização,
também não podemos abrir mão de mecanismos e ins-
trumentos que assegurem a mais ampla participação e
Plano de Lutas controle dos trabalhadores sobre suas entidades. Isso
Diante da conjuntura analisada, é igualmente fun- significa fortalecer fóruns de base, garantir participa-
damental que possamos sair do Congresso Nacional ção em todos os organismos e valorizar as representa-
da Classe Trabalhadora com um instrumento forte pro- ções diretas dos trabalhadores.
gramática e estrategicamente, e também munido de Por isso, defendemos que o Congresso Nacional
um plano de lutas concreto para orientar as lutas do da Classe Trabalhadora deve eleger uma coordenação
segundo semestre de 2010. para a nova central, composta pelos sindicatos da clas-
Apresentamos, então, alguns pontos que julga- se trabalhadora. Os sindicatos devem enviar suas
mos fundamentais para esse plano de lutas: representações diretamente à coordenação, e essas
* contra as reformas neoliberais do governo representações devem ser eleitas ou indicadas em
Lula/PT, defender todos os direitos; fóruns de base de cada uma das entidades. A coordena-
ção da nova central deve realizar amplas reuniões naci-
* mais verbas para saúde, educação, políticas de onais a cada dois meses e, além de encaminhar as ativi-
trabalho, moradia e transporte públicos; dades da central, planos de lutas e ações, deve se ocu-
* reestatização das empresas privatizadas; reesta- par da construção do primeiro congresso da nova cen-
tização da Petrobrás, petróleo 100% estatal; tral, que elegerá sua direção.
* participação ativa nas campanhas salariais das
diversas categoriais, defendendo os direitos e salários Resoluções:
dos trabalhadores;
Programa e estratégia da nova central
* pelo fim do superávit primário e pelo rompi-
mento com o FMI; O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora
resolve:
* contra a criminalização dos movimentos socia-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

- Que a nova central deve adotar um programa pelos seguintes itens:


classista, que coloque em primeiro lugar as lutas dos * contra as reformas neoliberais do governo
trabalhadores e sua independência de classe em seu Lula/PT, defender todos os direitos;
enfrentamento aos ataques do capital.
* mais verbas para saúde, educação, políticas de
- Que a nova central deve adotar um programa trabalho, moradia e transporte públicos;
anti-capitalista e, na atual conjuntura, anti-governista.
* reestatização das empresas privatizadas; reesta-
- Que o programa da nova central deve ser princí- tização da Petrobrás, petróleo 100% estatal;
pio norteador para a construção da luta concreta, diá-
ria, para a construção de mobilizações e pautas de rei- * participação ativa nas campanhas salariais das
vindicação. diversas categoriais, defendendo os direitos e salários
dos trabalhadores;
- Que, programaticamente, a nova central entende
a desconstrução do governo Lula e seus aparatos no * pelo fim do superávit primário e pelo rompi-
movimento social como representantes da classe tra- mento com o FMI;
balhadora uma condição para avançar no nível de cons- * contra a criminalização dos movimentos socia-
ciência dos trabalhadores e, portanto, eixo constitutivo is; entre outros.
das lutas a serem construídas.
- Que a nova central deve se pautar pro um marco Concepção e estrutura sindical: o funciona-
claro de ruptura com a CUT e demais aparatos do mento da nova central
governo no movimento social.
O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora
- Que a nova central, programaticamente, defen- resolve:
de a unidade da classe trabalhadora tendo como princí-
- Que a nova central deve desenvolver mecanis-
pio a independência de classe.
mos e instrumentos que assegurem a mais ampla parti-
cipação e controle dos trabalhadores sobre a entidade,
Caráter da nova central através do fortalecimento dos fóruns de base, da
O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora garantia de participação dos trabalhadores em todos os
resolve: organismos e da valorização das representações dire-
tas dos trabalhadores.
- Que a nova central deve ser uma central sindical
de trabalhadores e agregar, em seus fóruns, delegações - Eleger uma coordenação para a nova central,
estudantis e de movimentos populares (organizadas composta pelos sindicatos da classe trabalhadora. Os
por suas respectivas entidades e centrais) para discus- sindicatos devem enviar suas representações direta-
são dos pontos de atuação unitária. mente à coordenação, e essas representações devem
ser eleitas ou indicadas em fóruns de base de cada uma
das entidades. A coordenação da nova central deve rea-
Plano de Lutas lizar amplas reuniões nacionais a cada dois meses e,
O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora além de encaminhar as atividades da central, planos de
resolve: lutas e ações, deve se ocupar da construção do primei-
ro congresso da nova central, que elegerá sua direção.
- Aprovar um plano unificado de lutas pautado

Assinam essa tese:

Movimento Sindicalismo Militante


atuação no SEPE-RJ
Movimento Universidade Crítica
atuação no movimento docente ensino superior
Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa
minoria DCE-UFRJ
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Construir uma Central Operária, Camponesa, Estudantil e


Popular para Enfrentar a Ofensiva Capitalista!
Por um Verdadeiro Congresso Nacional de Base da Classe Trabalhadora!
Não à Fusão dos Aparatos Sindicais “de Esquerda” Com um Programa de Respeito à Ordem Burguesa!
Abaixo o Circo Eleitoral da Democracia dos Ricos!
Por uma Campanha Nacional pelo Voto Nulo e em Defesa das Reivindicações dos Trabalhadores!

APRESENTAÇÃO “humanitário e cidadão” de suas direções reformistas,


A tese que apresentamos neste II Congresso da vêm resistindo heroicamente aos ataques imperialis-
Conlutas e no CONCLAT expressa as posições da tas. Entretanto, não conseguem ultrapassar os limites
Tendência Revolucionária Sindical – TRS e representa da resistência defensiva de seus direitos trabalhistas e
nosso combate militante pela construção de uma nova sociais do ponto de vista de sua consciência.
direção classista e combativa para os trabalhadores da Na América Latina, com Obama, o imperialismo
cidade e do campo. exprime sua doutrina de “ataques preventivos contra
Nesta contribuição, expomos nossa compreensão inimigos potenciais” com a instalação de novas bases
sobre a conjuntura mundial e nacional, defendemos militares na Colômbia, a reativação da IV Frotal, a ocu-
uma posição revolucionária frente às eleições que se pação do Haiti pelos mariners após o terremoto e a sis-
avizinham, além de discutirmos, como Fração Pública temática campanha contra Cuba travestida de clamor
da Conlutas, estrutura, concepção, prática sindical, pelos “direitos humanos”. A ocupação militar no Haiti,
programa, princípios, estratégia e o próprio funciona- país mais pobre das Américas, contou inicialmente
mento da futura Central que se discute construir neste com a participação dos governos lacaios do imperia-
momento. Por fim, apontamos um plano de lutas para lismo no Cone Sul, aliados na rapinagem imperialista,
unificar o combate dos explorados para enfrentar o como o governo Lula, que com 1200 soldados coman-
governo Lula e seus agentes no interior o movimento da as tropas da ONU na região, usando tanques, bom-
operário. bas e cassetetes para reprimir violentamente a faminta
população que também sai às ruas para protestar con-
tra a situação de miséria do país. Por sua vez, a crise hai-
CONJUNTURA INTERNACIONAL tiana demonstrou claramente que os governos Lula,
DERROTAR A OFENSIVA IMPERIALISTA Kirchner, Bachelet, etc. integrantes do chamado cintu-
ATRAVÉS DA AÇÃO DIRETA DAS MASSAS! rão da “centro-esquerda” burguesa no continente lati-
no-americano, países que conformam grande parte do
A atual etapa mundial caracteriza-se por uma pro-
contingente militar das forças de paz da ONU no Haiti,
funda ofensiva política, econômica e militar do impe-
se curvaram vergonhosamente aos ditames de Bush
rialismo ianque sobre todos os povos, incrementada
para oprimir o povo daquele pequeno país. Nem mes-
com o crash mundial que teve início em 2008. Esta
mo o governo Chávez na Venezuela, exaltado pela
ofensiva foi enormemente potenciada na década de 90
esquerda reformista como um arauto antiimperialista,
pela derrota histórica do proletariado com a restaura-
foge do enquadramento político imposto por Bush,
ção capitalista no Leste europeu e na URSS que
isto é, apesar da retórica nacionalista demagógica,
tinham sua economia planificada e os meios de produ-
Chávez mantém o fornecimento de petróleo aos EUA,
ção socializados, ainda que degenerados pelo stalinis-
alimentando sua máquina de guerra e nada fez contra a
mo, mas que frente à barbárie imposta pelo capitalis-
ocupação do Haiti.
mo sob a fachada da democracia e do mercado livre,
significavam um claro avanço para as massas. Mas é no Oriente Médio que a cruzada belicista
de Obama melhor se expressa. De um lado, a ocupação
A queda desses Estados operários deformados no
do Iraque e do Afeganistão pelas tropas imperialistas
Leste europeu, longe de ser um fenômeno progressivo
que covarde e sistematicamente massacra a população
como alardeia a esquerda democratizante e frente
civil, de outro, o massacre do povo palestino pelo
populista, provocou um grande retrocesso ideológico
Estado nazi-sionista de Israel. No entanto, iraquianos,
na consciência das massas que passaram a carecer de
afegãos e palestinos resistem com os meios de que dis-
uma referência política e militar diante da sanha inter-
põem: as milícias e a guerra de guerrilha que têm frea-
vencionista do imperialismo.
do o ritmo da cruzada imperialista, apesar do progra-
Apesar dessa derrota sofrida pelo proletariado ma nacionalista burguês-teocrático, adotado pela maio-
mundial, gerando confusão e desmoralização entre a ria das organizações que dirigem a resistência, ser inca-
vanguarda, as massas exploradas do planeta, bombar- paz de forjar a verdadeira unidade revolucionária das
deadas pela propaganda em prol de um capitalismo massas para derrotar definitivamente o imperialismo.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

A Intifada palestina, a resistência iraquiana e afe- polêmica nos meios acadêmicos e na própria mídia de
gã concentram o enfrentamento contra o imperialis- uma maneira geral: debateu-se acerca do final ou não
mo, independente do caráter de suas direções e dos da crise capitalista, ou mais precisamente do crash
métodos utilizados. Querer taxar os heróicos resisten- financeiro instalado em setembro de 2008. A esquerda
tes iraquianos, afegãos e palestinos de terroristas como revisionista, que no início de 2009 tinha prognosticado
faz a esmagadora maioria da esquerda mundial, refém a hecatombe final do capitalismo, como produto de
da opinião pública pequeno-burguesa, é colocar-se sua própria impotência política em galvanizar as mas-
objetivamente no campo militar do imperialismo. sas na perspectiva revolucionária do poder, logo abra-
Nessa batalha, os revolucionários estão incondi- çou a “doce” tese de que o final da crise não passaria de
cionalmente no campo militar dos povos oprimidos, um conto de fábulas irradiado pelos apologistas de
independente de suas direções reformistas, nacionalis- Wall Street.
ta-burguesas ou islâmicas, preservando seu programa Estabelecida esta falsa e ingênua polarização,
da revolução socialista e seu método de construção nada melhor do que eximir-se de prestar contas à clas-
para forjar o partido revolucionário internacionalista. se operária de suas próprias caracterizações catastro-
Não fazemos coro com o imperialismo e seus congê- fistas, que não se confirmaram de nenhum ângulo, seja
neres da esquerda domesticada, em condenar as ações político, social ou econômico. Abraçar o campo dos
“violentas” das massas oprimidas que utilizam os mei- que defendem que a crise capitalista não chegou ao fim
os de que dispõem para infringirem baixas no campo se assemelha mais à própria perda completa de refe-
imperialista. Como marxistas revolucionários defen- rência da esquerda revisionista na revolução socialista
demos a destruição do enclave usurpador de Israel e a e no marxismo como paradigma teórico dos explora-
construção de uma Palestina Soviética como parte da dos. Significa, em resumo, vestir a camisa da ala key-
luta pela Federação das Repúblicas Socialistas do nesiana da burguesia que clama por mais subsídios
Oriente Médio e da Ásia Central. Temos profunda con- estatais, para auferir ganhos de capital, independente
vicção de que as burguesias árabes e as organizações da crise do mercado e produção. É absolutamente
de corte islâmico, como o Hamas, são adversárias mor- óbvio e ululante que a crise capitalista não chegou ao
tais desta estratégia política, mas entendemos o exato fim, simplesmente porque não teve seu começo em
momento da frente única e da unidade de ação para der- setembro de 2008, como tentam nos convencer os ilu-
rotar o imperialismo mundial! Esta política não signi- sionistas do “wellfare state”, assim como também é
fica emprestar apoio político às direções burguesas e evidente, para os analistas minimante sérios e compro-
fundamentalistas da resistência, mas uma unidade de metidos com o proletariado, que a burguesia imperia-
ação militar ao lado da resistência para combater o ini- lista soube manejar a economia evitando que o crash
migo maior, ao mesmo tempo em que se denuncia e financeiro paralisasse os ramos centrais da produção
alerta as massas em luta que essas direções capitularão industrial, às custas de uma brutal ofensiva sobre o
frente às pressões imperialistas. nível de emprego e condições de trabalho da classe ope-
Pela vitória militar da resistência iraquiana e hai- rária.
tiana! Como já vínhamos afirmando insistentemente,
Fim do genocídio do povo palestino! Pela destru- desde meados de 2008, o crash financeiro e a subse-
ição do Estado nazi-sionista de Israel! qüente “queima” de ativos bursáteis, superalavanca-
dos gerando a explosão da bolha do crédito e o abalo
Viva a Intifada Palestina! do sistema bancário nos principais centros imperialis-
Fora o imperialismo do Afeganistão, Oriente tas é parte integrante do ciclo da crise estrutural do
Medio, Haiti e de toda a América Latina! capitalismo, que diante do esgotamento histórico de
Defesa incondicional do Estado operário cuba- suas forças produtivas tem uma única possibilidade de
no! Pela construção do partido revolucionário em acumular riquezas na geração de capital fictício gesta-
Cuba para promover a revolução política e liquidar a do a partir de um sofisticado mercado de derivativos.
burocracia castrista! O intenso repique da crise em 2008 segue a lógica das
ondas largas e curtas dos surtos de crescimento da eco-
Pela revolução proletária e o socialismo!
nomia capitalista e estão muito longe de significar a
2009: APESAR DAS PROFECIAS morte súbita do capitalismo pelo “auto-suicídio finan-
REVISIONISTAS, O CAPITALISMO NÃO ceiro”. Não cansamos de repetir até a exaustão que só a
ACABOU. SOMENTE A REVOLUÇÃO ação consciente do proletariado mundial, através da
PROLETÁRIA COLOCARÁ UM FIM NO REGIME revolução socialista, pontuará o fim do regime da pro-
DA PROPRIEDADE PRIVADA! priedade privada dos meios de produção.
O final do ano de 2009 foi crivado por uma falsa Para a esquerda revisionista trata-se exatamente
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

do contrário, nada mais fácil do que substituir o papel A destruição contra-revolucionária da União
protagonista do proletariado na condução do processo Soviética e dos Estados operários do Leste europeu
revolucionário e “decretar” segundo suas intenções impôs uma dura derrota à consciência e à ação direta
eleitorais a falência do capitalismo: “Assistiremos não do proletariado mundial, abrindo uma nova etapa da
só a crise dos governos, mas dos regimes” (PSTU, luta de classes em todo o planeta. O fim da polarização
19/12/2008) para logo depois vaticinar “a crise vai se EUA versus URSS, conhecida como Guerra Fria,
aprofundar seguramente durante todo o ano de 2009” encerrava simbolicamente na consciência das massas
(PSTU, 09/02/2009). Poderíamos contrapor a esses o confronto entre dois modelos de sociedade absoluta-
“prognósticos” simplesmente a própria realidade do mente antagônicos. A “vitória” do imperialismo sobre
ano de 2009, ou melhor, a correlação de forças entre as as conquistas herdadas da revolução bolchevique de
classes sociais neste período. Os “grandes levantes” 1917, ainda que torpemente deformadas pela burocra-
não ocorreram; ao contrário, as massas desorganiza- cia stalinista, deu início não ao fim da história, como
das e sem uma direção revolucionária que se colocasse tentava nos convencer Fukuyama, mas à história sem
a altura das tarefas exigidas, permaneceram atomiza- fim da barbárie capitalista que ameaça a existência
das diante da vigorosa ofensiva patronal. O caso das humana em seu conjunto e só poderá ser superada pela
demissões na Embraer e a “inoperância” da direção via da revolução socialista mundial.
morenista comprovam de forma cabal o que sustenta- Qualquer tentativa de mediação entre estes dois
mos teórica e politicamente. Mas o que revela o pro- projetos históricos irreconciliáveis, só dará margem ao
fundo equívoco das projeções catastrofistas é a própria charlatanismo político de vários matizes, desde os neo-
ignorância em comparar o grau das crises anteriores keynesianos defensores da regulação dos mercados,
com a atual e concluir que o capitalismo “encontra-se a passando pelos vigaristas aderentes à fórmula burgue-
beira mesmo de uma explosão” (PCO, 31/12/2009). sa do “Socialismo do Século XXI”, até por último aos
Se, por exemplo, nos detivermos nos índices da econo- revisionistas do trotskismo, profetas da hecatombe
mia mais “pujante” do planeta, aferiremos que a cha- capitalista em seus periódicos e pragmáticos da cola-
mada crise do petróleo que eclodiu na metade dos anos boração de classes e do cretinismo parlamentar em sua
70 castigou muito mais a indústria automobilística ian- práxis concreta. Por esta razão a principal tarefa colo-
que do que a atual crise dos títulos “subprime”, impin- cada para os leninistas na nova década que se abre é
gindo a falência total de três grandes montadoras e a depositar toda a energia revolucionária na perspectiva
retração do PIB norte-americano, em termos relativos, da reconstrução da IV Internacional, de suas seções
no pior índice da história, somente superado com o nacionais, lastreada na plena vigência e atualidade do
crash do final dos anos 20. A diferença da crise atual, programa de transição.
que teve seu epicentro no coração do monstro e não na
periferia, fica por conta do massivo aporte do tesouro
estatal as grandes corporações industriais e financei- CONJUNTURA NACIONAL
ras, que elevarão o déficit da divida pública preparan- NAO À CONCILIAÇÃO DE CLASSES! PELA
do o terreno para novas crises ainda mais devastadoras LUTA DIRETA CONTRA O GOVERNO BURGUÊS
do que assistimos em 2008. DE LULA!
A grande questão que deve ser levantada é a capa- NENHUM APOIO ÀS FRENTES POPULARES
cidade de absorção das crises financeiras, ou seja, do NEM À OPOSIÇÃO CONSERVADORA!
capital fictício, a própria dinâmica de uma economia
Os institutos de “pesquisa” já “oficializam” o que
capitalista que é lastreada na lei do valor, apesar do
já era uma decisão do establishment político da bur-
emaranhado de mecanismos de circulação de dados e
guesia, ou seja, a ultrapassagem da candidatura petista
serviços informatizados, resultado de um subproduto
da ministra Dilma Rousseff sobre o candidato tucano e
da chamada “revolução tecno-científica”. Exatamente
até então favorito, o governador José Serra. Para nós
a capacidade de reciclagem das crises, combinada à
não foi nenhuma surpresa, ao contrário dos prognósti-
ausência de um contraponto ideológico à sociedade de
cos “catastrofistas” da esquerda revisionista que passa
consumo, prolonga a existência de um regime social já
os dias a sonhar com o débâcle eleitoral do governo
esgotado em toda sua potencialidade histórica. Como
Lula, para que possa “faturar” algum dividendo parla-
nos ensinou o velho Trotsky: “encarar a realidade de
mentar com a suposta crise final do capitalismo.
frente e não procurar a linha de menor resistência; cha-
mar as coisas pelo seu nome” não são conceitos vazios Para se ter uma noção dos delírios eleitorais da
que devem ser substituídos por uma falsa euforização moribunda Frente de Esquerda, o PSTU afirmava há
das massas, para distorcer uma realidade abertamente poucos meses o seguinte: “Existe uma crise que come-
desfavorável à classe operária mundial. ça a se abrir no projeto governista para 2010. A candi-
datura de Dilma Rousseff começa a manifestar suas
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

fragilidades desde já... A confiança alardeada da tran- fazendo com que o governador de Minas, Aécio
sição dos votos de Lula para Dilma já não existe” (A Neves, declinasse de sua candidatura à presidência e
crise do PSOL e a necessidade de uma frente socialis- nem cogitasse sequer por brincadeira dividir a chapa
ta, Eduardo Almeida, direção nacional do PSTU). As de Serra como vice. Outro tucano, o coronel da indús-
tendências da virada de Dilma sobre Serra, já se mani- tria, Tasso Jeressati, seguindo o caminho de Aécio, tam-
festavam desde 2008, quando a frente popular soube bém recusou-se a ser vice do “Titanic” Serra. Instalada
contornar a crise financeira, galvanizando o apoio polí- a crise no terreno da oposição burguesa, Serra tenta
tico massivo da burguesia para a continuidade do pro- equacionar uma fórmula eleitoral capaz de pelo menos
jeto petista de poder, baseado na colaboração de clas- garantir a manutenção de sua anturrage a frente do
ses e na estabilidade do regime capitalista. Só os visio- governo de São Paulo. Esgotado todo um ciclo de ges-
nários da ultradireita reacionária irmanados com as tão, iniciado em 1982 pelo então senador Franco
análises da esquerda revisionista, sedenta por um Montoro, passando por Quércia, Covas e Serra, a pode-
lugarzinho no Congresso fantoche e corrompido, pode- rosa burguesia paulista procura um novo eixo político
riam vaticinar “uma crise que começa a se abrir no pro- que possa restabelecer o link financeiro com o Estado
jeto governista”. central e a conseqüente retomada de linhas internacio-
A indicação da ministra Dilma realizada de forma nais de financiamento público.
consensual no recente congresso do PT, por uma impo- Em um quadro internacional de fragilidade da eco-
sição de Lula, revela no momento, que mais importan- nomia norte-americana e européia, onde a crise finan-
te do que indicar uma liderança fincada na história do ceira asiática prolonga-se quase que ad infinitum um
PT (o PT dispõe de uma cepa de quadros com forte massivo aporte de capitais, preventivamente resgata-
potencial eleitoral), foi a necessidade de consolidar dos das turbulências de Wall Street, desloca-se para os
um nome já completamente “azeitado” entre os gran- países semicoloniais como Brasil. Aproveitando-se
des negócios da burguesia industrial e financeira. desta situação econômica o governo da frente popular
Dilma, a frente da Casa Civil desde o desterro do “ca- acumulou uma folga relativa em suas reservas cambia-
po” José Dirceu, vem gerenciando as linhas centrais de is, afastando temporariamente o risco de uma crise
créditos e verbas públicas, centralizadas no chamado monetária, ajustando o preço do dólar às próprias
“PAC” do governo Lula. Com a política de Estado de necessidades do mercado exportador. Com esta políti-
subsidiar todos os prejuízos da burguesia oriundos do ca de câmbio flutuante, lastreada em uma generosa
crash financeiro internacional, a obscura Dilma que reserva cambial, Lula vem manejando o déficit públi-
nunca disputou uma única eleição, ganhou a simpatia co, que embora crescente não ameaça ultrapassar uma
dos grandes grupos econômicos, servindo também aos margem de segurança na conta de transações corren-
interesses pessoais de Lula em retornar à presidência tes. A sensação econômica resultante desta relativa
da República em 2014, já com olho na realização das estabilidade contamina a população trabalhadora, que
Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016, evento que visualiza um período de pequenas conquistas sociais
movimentará uma extraordinária soma de recursos como as políticas compensatórias do governo e a
sem nenhum controle institucional. Desta forma, a expansão do mercado de oferta de empregos, tendo a
marionete de Lula conquistou o posto de candidatura construção civil e o setor de serviços ponteando esta
preferencial, desde o gabinete de Barack Obama até a dinâmica econômica.
direção da corrompida CUT e congêneres sindicais. Atordoada com esta conjuntura, a esquerda revi-
Do campo da oposição burguesa as notícias não sionista começa a admitir, depois de terem ironizado
são nada alvissareiras. As pretensões presidenciais de as caracterizações da LBI em 2008 e 2009, que a etapa
Serra vão se desarticulando a cada fato político novo. política se apresenta desfavorável, que a ofensiva capi-
Muito mais importantes do que os desastres midiáticos talista desferida em setembro de 2008 não enfrentou
que abalaram a candidatura Serra, como a prisão do uma resistência à altura por parte dos trabalhadores,
seu provável vice, o governador do DF José Roberto atados a direções políticas umbilicalmente vinculadas
Arruda, as enchentes de São Paulo ou até mesmo a pos- à institucionalidade burguesa e seus apetites eleitorais.
sível cassação pela justiça eleitoral do prefeito Kassab, Tardiamente admitem que: “essa é só mais uma
são os sinais dados pela própria burguesia paulista, expressão do apoio majoritário do governo entre os tra-
concentrada no covil da FIESP, de que não mais seria balhadores” (editorial do Opinião Socialista, nº
interessante para seus negócios que o PSDB retornas- 399/PSTU).
se ao Palácio do Planalto. Este aviso vocalizado pelo
presidente da FIESP, Paulo Skaf, ele próprio postulan-
te ao cargo que Serra ocupa em terras bandeirantes, FALÊNCIA POLÍTICA DA “FRENTE DE
detonou um processo de pânico no ninho tucano, ESQUERDA”
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

A esquerda que vem se postando como oposição CONLUTAS em particular, que poderia catalisar esta
ao governo da frente popular começa a sair do “mundo tendência latente da conjuntura, está completamente
da fantasia”, onde projetava o ocaso de Lula a partir da absorvida em recompor a “frente de esquerda” agora
crise financeira de 2008, e admitir uma situação de con- no terreno sindical. A fração psolista da
solidação política do “modelo de gestão” estatal finca- INTERSINDICAL como a APS do deputado Ivan
do na estratégia de colaboração de classes. O PSOL e Valente, sonha todos os dias que a greve dos professo-
seu arco colorido de grupos internos, o PCB e também res de São Paulo possa catapultar a remotíssima possi-
o próprio PSTU já confessam publicamente que não bilidade da reeleição de Valente. Desta forma, a
conseguiram romper a barreira da falsa polarização CONLUTAS, sob a direção do PSTU, atua nas greves
entre a frente popular e a oposição conservadora em como um verdadeiro cabo eleitoral do próprio PSOL,
função das profundas ilusões dos trabalhadores no pro- reivindicando assim a continuação da estilhaçada fren-
jeto de poder da frente popular. A chamada oposição de te de esquerda também no campo eleitoral.
esquerda debita este fato na conta das políticas com- O então planejado apoio do PSOL à candidatura
pensatórias do governo e numa certa retomada do cres- presidencial de Marina Silva do PV, colocou inicial-
cimento econômico a partir do segundo semestre de mente em cheque a pretendida unidade sindical opor-
2009. tunista. Agora, diante dos novos desdobramentos, que
A miopia política destes setores os impede de indicam a negativa do PV em coligar-se com o PSOL,
enxergar plenamente a realidade, assim vão tateando a fusão da Conlutas e a Intersindical deve ocorrer, ain-
no escuro e levando socos da própria conjuntura aberta da que no marco de uma profunda desmoralização da
em 2006, quando o PT e toda corja lulista conseguiu Frente de Esquerda nas eleições presidenciais de 2010.
contornar a crise do mensalão e impor a reeleição do Ao se confirmar este quadro, o PSOL lançará candida-
presidente operário com as mãos sujas da corrupção tura própria e o PSTU seguirá o mesmo caminho ou
burguesa. Como caudatários do regime democratizan- voltaria a sonhar com a Frente de Esquerda mendigan-
te, tentam equacionar a realidade exclusivamente do do a vaga de vice, em uma coligação ainda mais à dire-
ângulo parlamentar e eleitoral, relegando a ação do ita que a de 2006.
movimento operário a uma plataforma economicista e A fusão com a Intersindical, neste ano eleitoral,
tradeunista. Por esta razão todas as iniciativas do movi- cumpre o papel de sedimentar sindicalmente a Frente
mento de massas foram sufocadas em uma perspectiva de Esquerda e transformar a nova central em seu cabo
institucional. eleitoral, colocando os trabalhadores que romperam
Agora estamos diante do início de um novo fenô- com o governo Lula e com a CUT governista reféns de
meno, que passa bem longe das urnas eletrônicas de uma mini-frente popular, adepta do programa burguês
outubro, ou seja, o despertar da luta contra o arrocho de respeito à propriedade privada e ao Estado capita-
salarial que permeia o conjunto dos trabalhadores assa- lista. Para que a central a ser fundada esteja a serviço
lariados. As multitudinárias assembleias dos professo- da construção do socialismo e não atrelada a uma can-
res de São Paulo realizadas em março, em meio a uma didatura ainda mais à direita que a de Heloísa Helena
greve levada a cabo pela direção da APEOESP com o em 2006 e ainda por cima sem qualquer peso eleitoral,
objetivo de desgastar eleitoralmente o governador que reivindicava já naquela época, entre outras coisas,
Serra, refletiram a enorme disposição da classe em que o BNDES injetasse recursos públicos na
romper o “cordão sanitário” imposto aos salários pelos Volkswagen para coibir as demissões, é imprescindí-
governos tucanos e petistas. As chamadas políticas vel que rejeitemos qualquer apoio à Frente de
compensatórias e a expansão do crédito para a peque- Esquerda e defendamos o Voto Nulo, com a elabora-
na burguesia não atingem o miolo do proletariado assa- ção de um programa revolucionário que tenha como
lariado que percebe a retomada dos níveis inflacioná- eixo a denúncia do circo eleitoral montado pela classe
rios em patamares muito mais altos do que as recom- dominante para enganar os explorados, voltado a legi-
posições dos índices oficiais. Mais cedo do que tarde o timar a “escolha” do gerente de seus negócios. Por isso
funcionalismo federal também sairá espontaneamente a LBI conclama os trabalhadores agrupados na
em mobilização, assim como as categorias industriais Conlutas e as correntes de esquerda que se reclamam
importantes. revolucionárias a defenderem o Voto Nulo programá-
A questão a ser resolvida é que o conjunto das dire- tico para desmascarar o circo eleitoral.
ções, sejam as “chapa branca” ou as de “oposição”, Repousa nos ombros da vanguarda política, cri-
movem-se exclusivamente em função do calendário vada pelo classismo e combatividade, uma enorme res-
eleitoral, esgotando toda a potencialidade de deflagrar ponsabilidade histórica neste momento. Faz-se neces-
uma campanha nacional unificada contra o arrocho sário compreender que não podemos derrotar “Lula
salarial, promovido seja por tucanos ou petistas. A nas urnas”, como freneticamente repete este bordão a
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

esquerda democratizante. A derrota da frente popular dirigido pelo PSTU desde a década de 80. Não satisfei-
passa necessariamente pela superação da política de to, utiliza este trágico episódio que desmoralizou naci-
colaboração de classes, apontando o centro programá- onalmente a militância da Conlutas para “teorizar”,
tico para uma plataforma de ação direta no sentido de “justificar” e finalmente absolver o peleguismo, quali-
deter a ofensiva imperialista, camuflada de “crise eco- ficando como “despolitizada” e “desqualificada” qual-
nômica global”, “crise” que aliás fez multiplicar a for- quer luta política travada contra a traição aos trabalha-
tuna de centenas de “bilhardários sem fronteiras”. dores: “Muitas vezes fazemos críticas despolitizadas à
Somente a retomada da consciência de classe, embota- burocracia sindical e, depois, ficamos prisioneiros do
da com a destruição contra-revolucionária da URSS, e mesmo critério. A LBI nos fez uma crítica furibunda
a elaboração de um programa marxista-leninista para a por não termos 'parado e ocupado' a Embraer no episó-
atualidade pós “queda do muro” poderá conduzir a dio recente das demissões na empresa, desconsideran-
classe operária na rota de colisão frontal com a crise do completamente a ausência de disposição para a luta
estrutural do modo de produção capitalista, mais além por parte dos trabalhadores da empresa. Às vezes nós
dos repiques cíclicos dos crashes financeiros, ineren- fazemos crítica desta mesma natureza à burocracia sin-
tes a atual etapa de parasitismo bursátil e mercantil dical, e o problema é que muitas vezes desconsideran-
Para efetivamente combater a Frente Popular e os do também a disposição real dos trabalhadores para a
charlatões de “esquerda”, a classe operária precisa luta que exigimos que a burocracia faça. Trata-se de
construir seu próprio instrumento revolucionário, pau- uma forma despolitizada de luta política, ao invés de
tado na ação direta e na luta contra a institucionalidade apoiarmos nossa diferenciação com ela em uma dis-
burguesa. A conjuntural hegemonia da Frente Popular cussão política e programática mais qualificada.”
não significa de forma nenhuma seu triunfo histórico, (Observações sobre o nosso trabalho sindical de base,
ou seja, a vitória definitiva da colaboração de classes José Maria de Almeida).
em oposição à encarniçada peleja classista do proleta- Para o dirigente do PSTU e da Conlutas, o pele-
riado. A breve recuperação econômica de forma algu- guismo da CUT, da CTB, da sua aliada Força Sindical
ma significa o fim da crise estrutural do capitalismo, etc. e agora do Sindicato dos Metalúrgicos de São José
este sim, um regime social que leva a humanidade à dos Campos é responsabilidade dos trabalhadores, e
barbárie e à destruição do planeta. Somente a instaura- não da despolitização e desmobilização à qual foram
ção da ditadura do proletariado pela senda da revolu- submetidos pela direção sindical ao longo dos últimos
ção socialista poderá apontar uma saída progressista 20 anos! Qualquer trabalhador ou dirigente honesto
ao atual impasse da crise revolucionária de direção do que integre a Conlutas sabe que esta excrescência de
proletariado mundial. “teoria” deve ser vigorosamente rechaçada, pois o
papel de uma vanguarda combativa tem peso decisivo
na orientação das lutas por demandas imediatas e his-
Por uma campanha nacional em defesa do Voto tóricas da classe trabalhadora. Com o episódio da
Nulo, com a elaboração de um programa revolucioná- Embraer, a realização de dois atos unitários em 2009
rio que tenha como eixo a denúncia do circo eleitoral. junto com a Intersindical e as centrais pelegas reivindi-
cando que Lula isentasse o IPI para “desonerar” as
PLANO DE LUTAS montadoras e editasse uma Medida Provisória para
supostamente livrar os trabalhadores das demissões, a
RECHAÇAR A POLÍTICA DE PARALISIA E
fusão tornou-se palatável para a Intersindical.
ILUSÕES NA JUSTIÇA BURGUESA APLICADA
FRENTE ÀS DEMISSÕES NA EMBRAER! Frente ao único direito elementar no capitalismo,
que é o direito do trabalhador ser explorado pelo capi-
OCUPAR AS FÁBRICAS QUE DEMITIREM!
tal, não se pode limitar nossa luta ao que os capitalistas
POR UMA JORNADA NACIONAL DE LUTA dizem poder oferecer nem alimentar ilusões na justiça
CONTRA O DESEMPREGO! patronal. Somente a luta desequilibrará a correlação de
Em sua última reunião nacional de 2009, a forças em favor da classe operária para que ela possa
Conlutas praticamente assina seu atestado de óbito romper a camisa-de-força, imposta pela política de
político com o documento elaborado por José Maria de colaboração de classes das direções governistas.
Almeida. A falência política que apontávamos é sinte- Definitivamente para que os explorados possam barrar
tizada no trecho em que o dirigente da Conlutas justifi- o desemprego é necessário um plano de lutas unitário
ca sem meias palavras a capitulação da nossa central com um eixo ofensivo de enfrentamento com o gover-
no episódio da massiva demissão da Embraer, em seu no Lula, responsável pelo brutal ataque às conquistas
bastião localizado no Vale do Paraíba paulista, o históricas dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, é pre-
Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, ciso levantar um programa de reivindicações operárias
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

para garantir a redução dos ritmos de produção no inte- CUT sob a égide do governo da Frente Popular e não
rior das empresas e a absorção dos desempregados. um instrumento de luta semelhante à combativa
Que os patrões paguem pela crise, já que eles a fomen- Central criada na década de 80, responsável por orga-
taram. nizar a classe operária em plena ditadura militar.
Em oposição às “soluções de mercado” da pele- A continuar sendo aplicado o programa que o
gada da CUT e a política de ilusões na Justiça burguesa PSTU imputou à Conlutas e o PSOL à Intersindical no
da direção da Conlutas e da Intersindical, a vanguarda papel de suas respectivas direções ao longo deste
combativa tem a tarefa de impulsionar uma Jornada período, será fundada uma nova entidade que já nasce
Nacional de Lutas que acumule forças para a prepara- com os desvios que a CUT apenas veio assumir em sua
ção de uma greve geral no país contra o governo da fase senil. Entre os mais graves, destaca-se: a burocra-
Frente Popular, a partir de uma plataforma de luta clas- tização, o eleitoralismo e a subordinação aos ditames
sista que defenda os reais interesses operários e uma estatais em troca de sua legalização. Por isso, a
política de independência de classe: Conlutas em 2009 buscou com mais vigor conquistar o
Contra as demissões, ocupação das empresas que aval da ordem vigente, tendo como marco a negocia-
demitirem em massa ou falirem, exigindo a sua estati- ção com a Justiça patronal, em conjunto com a Força
zação sob controle dos trabalhadores; Sindical, no caso da demissão em massa na Embraer
de 20% da planta da empresa, equivalente a quase 5
Nenhuma ilusão na justiça patronal; mil trabalhadores. Desgraçadamente, a TRS combateu
Repartição das horas trabalhadas com os operári- quase que sozinha, em nossa intervenção no interior da
os desempregados, através da redução da jornada de Conlutas, este liquidacionismo aplicado pelo PSTU
trabalho sem redução salarial, utilizando a escala através da paulatina adaptação cobrada pela
móvel de salários; Intersindical e pelo PSOL. Pontuamos que a busca
Fim dos selvagens ritmos de produção, pela for- pela legalização e pela unificação com a Intersindical
mação de comitês de fábrica que estabeleçam tetos de levaria fatalmente a Conlutas à falência prematura, o
produtividade para absorver a mão-de-obra desempre- que vem se consumando.
gada; Como parte desta luta pela criação de uma central
Formar comitês de trabalhadores demitidos, sus- livre da colaboração de classes, a vanguarda agrupada
tentados financeiramente pelos sindicatos, até que pos- na Conlutas deve combater por uma total independên-
sam impor a efetivação da repartição das horas de tra- cia frente aos patrões, aos partidos burgueses e ao
balho. Estado capitalista. Devemos nos opor às atuais dire-
ções da Conlutas e da Intersindical por sua prática cada
Os sindicatos devem estar a serviço das lutas e
vez mais freqüente de dirimir os conflitos entre patrões
não dos privilégios da burocracia corrompida;
e trabalhadores na Justiça patronal. É urgente que se
aborte a orientação de legalização da central! O reco-
ESTRUTURA SINDICAL nhecimento legal significa a intervenção das institui-
NÃO À FUSÃO COM A INTERSINDICAL ções estatais na forma de organização dos trabalhado-
REBAIXANDO O PROGRAMA DA CONLUTAS! res, no regimento de suas lutas e na sua disciplina para
que a ordem de dominação capitalista mantenha-se res-
POR UMA CENTRAL OPERÁRIA, guardada. A desenfreada busca pelo atendimento das
CAMPONESA, ESTUDANTIL E POPULAR exigências do Ministério do Trabalho fez com que a
CAPAZ DE ROMPER COM O ELEITORALISMO E Conlutas aumentasse seu apetite pelo aparato sindical.
A INTEGRAÇÃO AO ESTADO BURGUÊS!
Intermediada pela Intersindical, conformou cha-
Depois de quase cinco anos de um processo de pas com alas governistas da “esquerda” do PT ou mes-
profunda adaptação por parte da direção da Conlutas mo do PCdoB, abandonando qualquer perspectiva de
para promover a unificação com a Intersindical, o semi- construir oposições sindicais na base de cada catego-
nário realizado em São Paulo no final de 2009 consu- ria. A Intersindical deu “exemplos práticos” a
mou este ciclo com a convocação do Congresso de Conlutas de como fazer chapas com a burocracia sin-
fusão para junho de 2010. dical governista sem nenhum pudor político, integran-
Apesar dos setores envolvidos indicarem como do a chapa cutista da Articulação/PT contra a oposição
nome do fórum o mesmo que viria a fundar a CUT em em sindicatos importantíssimos como o dos bancários
1983, ou seja, Congresso Nacional da Classe de São Paulo e Rio de Janeiro. A Conlutas aplicou esta
Trabalhadora (CONCLAT), o encontro que ocorrerá fórmula, conformando chapas com setores que se pos-
no meio deste ano tragicamente está mais próximo de tavam como oposição de direita ao próprio PT, a exem-
parir uma entidade aos moldes do que se transformou a plo de PDT e PSB, em sindicatos como o dos eletricitá-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

rios no Rio de Janeiro, e do PCdoB, nos metalúrgicos privilegiar as instâncias dos inimigos, como a Justiça
de Volta Redonda-RJ. patronal, como forma de avançarmos na luta para pôr
Sob esta orientação, boicotou e dividiu oposições abaixo o regime de exploração, que hoje tem a sua fren-
na base de diversas categorias para buscar uma media- te o governo Lula como gestor preferencial.
ção com setores governistas. Exemplo disso pode-se
citar as categorias dos professores e bancários do CONCEPÇÃO E PRÁTICA SINDICAL
Ceará, onde a LBI impulsionava estas oposições. Nos
fóruns da Conlutas, como no Congresso marcado para ABAIXO A UNIFICAÇÃO BUROCRÁTICA
acontecer dias antes do CONCLAT, a representação DOS APARTOS SIDICAIS “DE ESQUERDA”!
das oposições é desprezada para, literalmente, acomo- ORGANIZAR UM VERDADEIRO
dar as direções de sindicatos. Os próprios critérios CONGRESSO OPERÁRIO E CAMPONÊS PELA
para participação do CONCLAT sinalizam por parte BASE!
da Intersindical e por parte da Conlutas que o peso das As poucas lutas que ocorrem no país não conse-
oposições será muito sacrificado! Se nos dois congres- guem alterar minimamente o quadro de estabilidade
sos da Conlutas (CONAT, que a fundou e o I política do regime que, na representação da Frente
Congresso) as oposições tiveram representações limi- Popular no comando do governo central, atinge um
tadas a apenas dois representantes, o CONCLAT é ain- confortável grau de controle da luta de classes no sen-
da mais burocratizado, sem participação de fato das tido mais amplo das conseqüências políticas para cada
oposições, sem espaço para debate das correntes mino- classe social e seus interesses históricos e imediatos,
ritárias, com chapa única indicada pela coordenação principalmente em um ano eleitoral. Trata-se de um
do Congresso a partir de acordo de bastidores entre as fenômeno político que a LBI/TRS vem alertando em
forças majoritárias. vários momentos, ou seja, o movimento operário sai à
Ainda que tragicamente as tendências apontem luta de forma defensiva e limitada a repor a corrosão
no sentido oposto, a única saída para construirmos salarial produto de uma gradual retomada inflacioná-
uma central de combate e anticapitalista é resgatar a ria ou para barrar ataques as suas conquistas, mas abso-
tradição do movimento operário, fortalecendo oposi- lutamente desprovido de uma estratégia de combater e
ções na base dos sindicatos pelegos, agrupando o derrotar o governo da Frente Popular na afirmação de
melhor da vanguarda classista para criar uma alternati- um projeto independente, apesar de identificar este
va de direção que varra as direções vendidas. Isso exi- governo burguês com os planos de arrocho e subtração
ge a renúncia dos atalhos aparatistas buscados até ago- de conquistas constitucionais. Essa situação tem per-
ra pela Intersindical e pela Conlutas para “ganhar” a mitido a Lula manejar as disputas interburguesas com
direção dos sindicatos, pois não organiza os trabalha- o trunfo da estabilidade social e de uma relativa calma-
dores para a luta direta, retarda sua consciência de clas- ria no terreno econômico. Ajustando cada vez mais o
se e conforma direção com seus odiados traidores. aparelho do Estado às demandas do capital financeiro,
Mesmo que hoje a situação esteja mais adversa a Frente Popular conseguiu, inclusive, o seu credenci-
que na ocasião da formação da Conlutas, quando amento junto ao imperialismo ianque como o principal
espontaneamente os trabalhadores rompiam com a protagonista dos seus interesses no cenário latino-
CUT e com o governo Lula a partir da primeira grande americano.
medida impopular, a reforma da Previdência, conside- Sinais indeléveis dessa etapa de franco retrocesso
ramos imprescindível retomar a bandeira pela constru- ideológico, onde o movimento de massas não é capaz
ção de uma Central Operária, Camponesa, Estudantil e de romper o cordão de isolamento, imposto pelo “êxi-
Popular (COCEP). Esta Central não apenas teria em to” do governo da Frente Popular, é o quadro eleitoral
sua composição social diversos setores dos explorados que se avizinha. Está cada vez mais colocada na ordem
da cidade e do campo conforme a Conlutas defende do dia a eleição de Dilma Roussef. A correspondência
hoje, mas necessitaria dispor de um caráter de luta polí- deste fenômeno no plano eleitoral são as projeções de
tica anticapitalista. Um verdadeiro embrião de alterna- um grande fiasco da chamada “Frente de Esquerda” se
tiva revolucionária de poder do conjunto dos explora- essa vier a de fato existir ou mesmo sua completa frag-
dos. Convocamos todos os lutadores que não se verga- mentação.
ram ao oportunismo sindical e aos atalhos aparatistas a A caracterização dos elementos mais reacionários
cerrar fileiras conosco nesta empreitada de construir da atual etapa política, de forma nenhuma, pode signi-
um genuíno organismo da classe. Este deverá utilizar ficar a defesa de uma política de prostração ou mesmo
dos métodos da ação direta como greves unificadas, de “falsa euforia” como tem oscilado as correntes revi-
piquetes radicalizados, comitês de autodefesa, corte sionistas que integram a Frente de Esquerda. A ausên-
de estradas, ocupações de fábricas e terras em lugar de cia de uma correta avaliação da correlação de forças
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

entre as classes sociais, somada à adoção de um pro- Portanto, como consequência, sua “linha sindical” pro-
grama reformista burguês, sem dúvida tem aprofunda- fundamente tradeunista advoga a manutenção da atual
do a desmoralização da vanguarda classista assim estrutura sindical que, durante décadas, vem alimen-
como reforçado as tendências mais retrógradas do pró- tando esta imunda burocracia parasita e traidora das
prio campo governista no cenário nacional. Pela sua lutas proletárias. É necessário, a partir das experiênci-
própria natureza programática o revisionismo trotskis- as concretas e mais avançadas da vanguarda, apontar
ta é impotente para apresentar uma “saída” progressis- outro caminho e incentivar, mesmo que embrionaria-
ta, do ponto de vista da classe operária, diante do mente, a chama da construção de uma alternativa revo-
período de fortalecimento das instituições do regime lucionária de poder para a classe operária, através da
democratizante. A tática de confundir as massas com o propaganda e agitação da necessidade da realização de
discurso eleitoreiro “prometendo” sempre a débâcle um verdadeiro congresso soviético do movimento ope-
do governo para as próximas eleições, ou simplesmen- rário, camponês, popular e estudantil com massivas
te cruzar os braços à espera dos efeitos da crise finan- delegações da base em luta, sem nenhum tipo de restri-
ceira internacional em solo brasileiro, já tem demons- ção administrativa ou financeira que deforme a vonta-
trado ser um beco sem saída para as mobilizações em de da classe em por fim a este regime infame.
curso. CONSTRUIR UMA FRAÇÃO PÚBLICA
Para romper a camisa-de-força a qual o proletari- REVOLUCIONÁRIA EM DEFESA DA
ado encontra-se atado, é necessário, em primeiro INDEPENDÊNCIA DE CLASSE DOS
lugar, estabelecer uma ruptura com a própria instituci- TRABALHADORES
onalidade burguesa, superando os atuais limites éticos As regras de participação no II Congresso da
com que o movimento de massas enfrenta-se com o Conlutas e no próprio CONCLAT estão voltadas a res-
Estado capitalista. Adotar o método da ação direta e tringir o debate político, impor cláusulas de barreira e
radicalizada das massas norteada por um programa pré-condições financeiras à representação das corren-
marxista e revolucionário é uma condição sine qua non tes minoritárias e ativistas classistas independentes.
para superar o atual estágio das lutas economicistas e Trata-se de calar os que não coadunam com o progra-
corporativistas que são plenamente absorvidas pela ma de colaboração de classes da “Frente de Esquerda”,
estrutura do regime burguês. Neste sentido, o debate que segue inexoravelmente uma senda de economicis-
em torno da organização da autodefesa no campo e na mo vulgar e eleitoralismo febril.
cidade e da formação das milícias de segurança revo-
lucionárias para enfrentar a repressão policial, deve Fazemos o alerta que esses congressos estão lon-
assumir cada vez mais o centro das discussões nos ge de representar as tendências mais latentes da radica-
fóruns operários. lidade do movimento operário. A orientação progra-
mática do PSTU e PSOL, em relação aos governos
A enorme capacidade política que o governo da paladinos do “Socialismo do Século XXI” ou mesmo à
Frente Popular tem demonstrado na superação das cri- Frente Popular, quando muito não ultrapassa os estrei-
ses parlamentares está umbilicalmente ligada à inca- tos limites de uma “oposição de esquerda” nos marcos
pacidade das direções reformistas de “oposição” em toleráveis do regime da democracia dos ricos. Sua “li-
alçar o movimento de massas na rota de colisão com o nha sindical” profundamente tradeunista advoga a
Estrado burguês. O respeito à democracia como “valor manutenção da atual estrutura sindical que, durante
universal” vem pautando estes setores na condução de décadas, vem alimentando esta imunda burocracia
um lobby institucional onde a classe operária sempre é parasita e traidora das lutas proletárias. O projeto de
derrotada no final. Não por coincidência, toda vez que fusão com a Intersindical como a melhor expressão da
ocorre alguma expressão de maior radicalidade, ou “unidade” na verdade representa a liquidação da
mesmo algum risco que a explosividade espontânea Conlutas pela via de enorme concessões políticas a
do movimento ameace a imagem de respeito à “lei e a esses setores paragovernistas.
ordem”, os paladinos da “democracia social” atuam
como polícia política do Estado burguês. Portanto, declaramos que para os sindicalistas
revolucionários não resta outra opção no marco do pro-
Nesse contexto, o CONCLAT está muito longe de grama apresentado para ambos os congressos e das
representar as tendências mais latentes e profundas de regras burocráticas impostas para o funcionamento da
radicalidade do movimento operário em uma perspec- futura Central a não ser a organização de uma Fração
tiva histórica. A orientação programática do PSTU e Pública, que exponha claramente ao ativismo classista
PSOL, em relação aos governos da centro-esquerda, nossa oposição de princípios ao programa revisionista
ou mesmo à Frente Popular, não ultrapassa os estreitos levado a cabo pelo PSTU e setores do PSOL, dirigen-
limites de uma “oposição de esquerda” nos marcos tes de um condomínio de vacilações e burocratismo.
toleráveis do regime da democracia dos ricos. Temos o direito e mesmo o dever de não seguir as ori-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

entações burocráticas, políticas e organizativas que jul- te sindical, mas agrupe todos os explorados do país.
gamos ser um obstáculo à independência de classe dos Nesse sentido, a COCEP (Central Operária,
trabalhadores, travando essa batalha pública e aberta- Camponesa, Estudantil e Popular) expressa a nova eta-
mente nos fóruns da nova central e de base da própria pa de construção da frente única dos explorados.
classe para construir uma genuína alternativa de dire-
ção revolucionária para o movimento operário.
Convocamos o conjunto da vanguarda classista, que PLATAFORMA PROGRAMÁTICA DE
reivindica a construção de uma nova central classista LUTA CLASSISTA
como um patrimônio dos trabalhadores da cidade e do Que o CONCLAT aprove um programa anticapi-
campo e as organizações políticas que se reclamam talista e revolucionário para a nova central!
revolucionárias, a cerrar fileiras conosco na constru- Como expressão do que defendemos, a COCEP
ção de uma Fração Pública Revolucionária, que empu- deve ter um programa claro de combate contra o capi-
nhe a bandeira da revolução socialista e da ação direta tal a partir das bandeiras imediatas e históricas dos tra-
das massas em oposição ao velho sindicalismo buro- balhadores e explorados do campo e da cidade:
crático e de colaboração de classes que domina o con-
Salário-mínimo vital;
junto das centrais sindicais existentes no país e que,
neste momento, tragicamente se assenhora na direção Escala móvel de salários com reposição de todas
da nossa central. as perdas salariais;
Escala móvel de horas de trabalho sem redução
salarial;
PROGRAMA, PRINCÍPIOS E
ESTRATÉGIA Não pagamento das dívidas interna e externa;
CONSTRUIR UMA NOVA DIREÇÃO Ruptura com o FMI;
R E V O L U C I O N Á R I A PA R A O S Estatização do sistema financeiro sob controle
TRABALHADORES DO CAMPO E DA CIDADE! dos trabalhadores;
P O R U M P Ó L O C L A S S I S TA E Por um banco estatal único, sob controle dos tra-
REVOLUCIONÁRIO NO CONCLAT! balhadores;
A construção de uma direção realmente classista Fim das privatizações e anulação das já realiza-
e revolucionária foi abdicada pelo PSTU neste proces- das;
so de fusão da Conlutas com a Intersindical. Abdicou Pelo controle operário da produção;
na medida em que estas direções se opõem a acelerar e
transformar as tendências de ruptura das massas com o Pela previdência pública sob controle dos traba-
regime e suas instituições em uma ação política cons- lhadores;
ciente. Para nós, trata-se justamente do contrário, ou Pelo monopólio estatal do petróleo, energia e tele-
seja, intervir abertamente nos debates do CONCLAT comunicações;
pela defesa de uma perspectiva de independência de Pela educação pública, gratuita, laica;
classe, sobre a base de um programa que parta das rei-
vindicações históricas e utilize os métodos próprios de Fim do vestibular;
ação direta para unificar e centralizar as lutas no senti- Revolução agrária e reforma agrária sob controle
do da destruição do Estado burguês. dos trabalhadores, com expropriação do latifúndio pro-
Desse modo, chamamos os ativistas, grupos, cole- dutivo e das agro-indústrias, sem indenização;
tivos sindicais classistas, organizações políticas e os Pela autodefesa no campo;
militantes de base combativos do PSTU a construir um Construir milícias armadas;
pólo revolucionário e classista no CONCLAT para
Nenhum apoio às greves das polícias;
defender a criação de uma central classista e anticapi-
talista, através de uma delimitação programática que Não a filiação de sindicatos de policiais, sejam
clarifique a vanguarda do país a necessidade da civis, militares ou federais;
COCEP, não como uma proposta prematura ou divisi- Por um governo operário e camponês;
onista, mas sobretudo como a única alternativa capaz Pela revolução proletária em nível internacional;
de romper o bloqueio da Frente Popular em todas as
suas variantes. Pelo socialismo.
Portanto, neste CONCLAT, defendemos que é
preciso avançar com as forças combativas na forma- COMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO DA
ção de uma Central, cujo caráter não seja simplesmen- DIREÇÃO
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

ABAIXO A BUROCRATIZAÇÃO E A os a que se mantenha a atual forma de coordenação


INTEGRAÇÃO AO ESTADO BURGUÊS! aberta de entidades que se reúne a cada dois meses e de
PELA DEMOCRACIA OPERARÁRIA! uma secretaria executiva eleita por essa “coordena-
ção”, porque essa medida coloca nas mãos das entida-
Neste CONCLAT defendemos que é preciso avan- des sindicais e não da deliberação dos delegados elei-
çar com as forças combativas na formação de uma tos para o Conat a composição da direção da nova cen-
Central, cujo caráter não seja simplesmente sindical, tral ou mesmo da “coordenação”.
mas agrupe todos os explorados do país. Nesse senti-
do, a COCEP expressa a nova etapa de construção da Um outro debate importante a ser travado nesse
frente única dos explorados no sentido lutar contra o CONCLAT será se nova central deve ser autônoma
governo de frente popular de Lula e depois possivel- frente aos “partidos políticos”. Para os marxistas revo-
mente do encabeçado por Dilma Rousseff. lucionários, as organizações operárias de frente única
devem ser completamente autônomas e independen-
Para tanto, na composição política da nova cen- tes, política e materialmente do Estado burguês e dos
tral, cada um dos setores sociais (sindical, camponês, partidos patronais. Os organismos de massas devem
estudantil e popular) devem possuir um peso político ser um instrumento de elevação de consciência das
determinado, com uma representação proporcional massas rumo a tomada do poder e, portanto, sua rela-
classista servindo para compor o Congresso e a própria ção com os partidos que se reivindicam da classe ope-
direção nacional. Com esta representação fica preser- rária e organizações revolucionárias são determinadas
vado o peso político e social majoritários dos trabalha- pela própria relação que as correntes operárias tem
dores da cidade e do campo frente aos demais setores, com a classe em si. Defender a “autonomia” das orga-
que devem integrar a entidade (estudantes e movimen- nizações de massas frente aos partidos da classe operá-
tos populares). ria significa uma tremenda concessão política e ideo-
No CONCLAT deve ser eleita uma direção nacio- lógica a burguesia. As correntes revolucionárias têm o
nal da nova central com mandato fixo de um ano a par- pleno direito de intervir politicamente nas organiza-
tir do critério da proporcionalidade direta e qualifica- ções de massas e defender, na base e nas instâncias da
da. Esse critério é o que melhor expressa, nesse nova central, que sejam aprovadas suas posições polí-
momento, a democracia operária, refletindo a correla- ticas partidárias que expressam os interesses da classe.
ção de forças internas do Congresso, apesar de todas as A nova central, em nossa compreensão, também
distorções já impostas nos critérios para a escolha de deve se constituir como um embrião de poder da classe
delegados. Por sua vez, com essa medida, a direção da operária frente ao Estado burguês e seu regime políti-
nova central deve romper com o método das votações co. Falamos em embrião porque ela não pode abrir
de consenso, que em geral servem para engessar as mão, no seu programa, dessa perspectiva revolucioná-
decisões no marco de uma política consensual refor- ria, ainda que as condições objetivas não a permitam se
mista e deliberar por maioria simples. Somos contrári- alçar neste momento a tal tarefa.

Assinam essa tese: Oposição camponesa à direção do Sindicato Trabalhadores


Tendência Revolucionária Sindical Rurais/Madalena-CE
Movimento de Oposição Bancária (MOB)-CE Oposição Revolucionária Bancários-SP
Oposição Forte e de Luta no Judiciário Federal-CE Oposição de Luta a direção do Sindiute-CE
Oposição nos Servidores Municipais-SP Oposição Sinprece-CE
Oposição de Luta dos Servidores da UFMA-MA Oposição classista à direção Sindiágua-CE
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Em defesa de uma Central de Classe

Introdução Nesse sentido, apresentamos esta tese para defen-


O objetivo desta tese é apresentar tanto uma refle- der uma política classista e combativa. Somos contrá-
xão crítica sobre a política da nossa central (no período rios à “fusão” da nossa central tal como está se dando.
2006-2010), quanto propostas concretas de constru- Não acreditamos em organizações que surjam de acor-
ção de um sindicalismo classista e combativo. dos de cima. Somos contrários à mudança e/ou a des-
caracterização da nossa central. Somos favoráveis a
Para isso faremos duas análises distintas: uma da uma central de classe (que agrupe o proletariado urba-
atual etapa e crise do capitalismo mundial; outra da no, o campesinato, os trabalhadores precarizados e os
evolução do movimento de luta dos trabalhadores no estudantes). Somos contrários ao taticismo e ao fren-
Brasil e suas contradições. tismo. Somos defensores de que a nossa central tenha
Essas análises encontram-se profundamente rela- uma estratégia política de confrontação. Uma estraté-
cionadas. Na realidade, as transformações do capita- gia de construção pela base.
lismo, e agora sua crise, colocam diferentes tarefas aos Os argumentos abaixo defendem e justificam teo-
trabalhadores: tarefas de resistência imediata, e tarefas ricamente nossas posições. E elas estão assentadas na
históricas da luta pelo socialismo. Porém, tais tarefas análise das condições objetivas e subjetivas do mundo
não têm sido assumidas concretamente. contemporâneo.
Isso se dá porque, a nossa central, que deveria ter
assumido tais tarefas, não o fez. Pelo menos não da
maneira que deveria. A tática política prevaleceu sobre 1 – Estrutura e dinâmica do capitalismo con-
a estratégia. Os acordos acelerados de cúpula prevale- temporâneo: a conjuntura internacional.
ceram sobre um processo de construção de base. É preciso fazer uma discussão teórica preliminar
Chegamos às vésperas do nosso terceiro congres- sobre a atual configuração do capitalismo. E essa con-
so, com uma discussão ínfima nas bases. O próprio con- figuração é fruto da transformação de um modelo capi-
gresso da CONLUTAS foi pensado como apenas um talista anterior, provocada pela sua crise interna e pela
apêndice do congresso da “Nova Central”. Os critérios resistência da classe trabalhadora.
de participação da base tornaram o congresso mais res- Podemos dizer que o capitalismo contemporâneo
tritivo e, conseqüentemente, com um número de dele- é fruto da evolução e transformação do capitalismo
gados menor. monopolista de Estado. Esse modelo de capitalismo se
Isso é resultado de uma política taticista e frentis- estruturou a partir da década de 1920, no centro, e depo-
ta que vem se impondo no interior da nossa central. A is na periferia, como a América Latina. O capitalismo
“fusão”, ao contrário do que vem sendo alardeado, não monopolista de Estado era uma inovação histórica, ele
significa nada se não fundir forças reais na luta de clas- apresentava de forma sistemática ao Estado a tarefa de
ses. E o que a experiência dos dois últimos anos mos- coordenar e intervir diretamente na economia capita-
trou é que, na luta de classes, a unidade com tal setor (a lista. O Estado seria o grande engenheiro social res-
Intersindical) tem se mostrado precária. Assim, está se ponsável por viabilizar e tutelar a acumulação de capi-
atropelando um processo que deveria surgir da unida- tal.
de concreta da luta e está se criando uma organização Nesse campo, a burguesia internacional percebeu
antes da luta. que era preciso, para desenvolver o capitalismo,
Isso apresenta uma série de riscos. Significa que mudar sua estratégia, era preciso fazer concessões à
liquidaremos uma central, que sequer consolidou seu classe trabalhadora e integrar materialmente os traba-
projeto e que nasceu das lutas efetivas do período lhadores aos interesses da burguesia. Para isso, foram
2003-2004, em favor de uma entidade que nasce de tomadas medidas de reformas sociais do Estado e das
acordos de cúpula, pouca discussão na base e uma uni- relações de trabalho. O Estado criou as negociações
dade muito precária na luta de classes. E ainda, que exi- coletivas para regular a oferta de trabalho e a massa
ge o sacrifício de um dos elementos diferenciais da nos- salarial, de modo a diminuir as crises de superprodu-
sa central: o seu caráter. E quem exige isso é exatamen- ção. Criou também os sistemas previdenciários e for-
te uma organização que sequer é da mesma natureza. É mas de salários indiretos (benefícios educacionais, de
mais uma composição de correntes de um partido polí- saúde, incorporados sob a forma dinheiro ou não).
tico (PSOL) do que uma organização sindical e popu- Depois da segunda guerra mundial, o capitalismo
lar. se expandiu aceleradamente. Os trabalhadores euro-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

peus foram integrados ao mercado consumidor e ao A microeconômica foi o toyotismo. Surgido no


Estado, através dos grandes partidos e sindicatos de Japão, era uma nova forma de administrar a empresa.
massa. O capitalismo, com sua reestruturação, procu- Ele é baseado em três eixos: a) precarizar o trabalho,
rou afastar ao mesmo tempo as ameaças da crise e da aumentando a intensidade e o número de funções de
revolução socialista nos países capitalistas centrais. um trabalhador; b) criar formas de “colaboração” e par-
A questão é que o financiamento desse modelo, ticipação dos trabalhadores na empresa, transforman-
baseado em grandes gastos públicos e produção cres- do os sindicatos por exemplo em “escolas” de direto-
cente, era um problema. Nesse sentido, o capitalismo res de empresa; c) repressão, através de demissões e
encontrou uma primeira solução: transferir os custos perseguição cotidiana.
para e acentuar a exploração na periferia. Assim, as Essa nova reestruturação teve um profundo
grandes empresas e o capital estrangeiro buscaram paí- impacto no mundo. Aumentou o número de pobres,
ses como Brasil e demais países da América Latina destruiu vários sindicatos e mesmo categorias profis-
para a implantação de suas plantas industriais. sionais. No mundo e no Brasil, esse modelo se espa-
Deste modo, começa a se desenvolver também na lhou especialmente a partir dos anos 1980 e 1990. Ele
periferia a industrialização. E com ela o próprio capi- provocou mudanças na estrutura de classes e políticas:
talismo monopolista de Estado. Mas, ao contrário do a) aumentou o peso dos trabalhadores precariza-
que acontecera no centro, na periferia não deveria exis- dos e marginalizados (que nos países periféricos como
tir espaço para concessões aos trabalhadores. O lucro o Brasil, já era grande anteriormente); atualmente, o
era máximo, o salário deveria ser colocado na média número de desempregados e trabalhadores na infor-
mínima possível e os direitos reduzidos. malidade supera os na formalidade;
As burguesias que tentaram implementar políti- b) difundiu uma onda de reformas neoliberais em
cas nacionalistas na América Latina sempre tiveram governos pelo mundo, que cortaram os já reduzidos
de oscilar entre o discurso de defesa e proteção dos tra- direitos trabalhistas e previdenciários existentes;
balhadores e sua lealdade ao capital/imperialismo. c) aumentou a exploração e comprimiu os salári-
Isso aconteceu, por exemplo, com Getúlio Vargas no os em setores que antes eram protegidos (como deter-
Brasil e o Juan Peron na Argentina. A ilusão de um capi- minadas categorias do serviço público);
talismo nacional aos moldes europeus se desfez sob as
ditaduras. d) aumentou a força dos bancos e do capital finan-
ceiro que passaram a comandar as políticas econômi-
O capitalismo de Estado na América Latina foi cas em escala global.
desenvolvimentista e o desenvolvimentismo foi ou
incapaz de levar adiante as reformas sociais ou contra- e) acentuou a concentração de capitais, forman-
revolucionário e militarista. As experiências no Brasil do-se ultra-monopólios em escala global, as grandes
com João Gulart e no Chile com Salvador Allende com- corporações.
provam isso. As ditaduras com programas desenvolvi- Fazendo um balanço histórico, podemos ver que
mentistas, de expansão industrial, associadas à repres- o capitalismo monopolista de Estado deu lugar um
são e desigualdade social também. capitalismo ultra-mopolista e neoliberal. Essa era a
Mas na década de 1970 o capitalismo entrou em situação até 2008, com a eclosão da crise mundial. E a
crise, apesar de tentar transferir os custos do seu mode- crise só vai mostrar como o Estado, mais uma vez, é
lo de desenvolvimento para a periferia. As revoluções acionado para salvar o capital e como ele faz isso ata-
anti-coloniais quebraram alguns elos da reprodução cando os trabalhadores.
imperialista na Ásia, fazendo com que a transferência E a crise do capital vai sobrepor-se a uma crise da
da desigualdade não fosse mais realizada da maneira organização dos próprios trabalhadores. Crise esta que
que era necessário. A crise do petróleo em 1973 preci- é fruto da história do capitalismo e da relação dos tra-
pitou uma nova reestruturação global do capitalismo. balhadores com tal processo. Nos dois modelos de
Os custos com os gastos sociais passaram a ser ina- desenvolvimento e acumulação capitalista, houve
ceitáveis para a burguesia. Nesse sentido foram desen- movimentos de cooptação dos sindicatos e trabalhado-
volvidas duas grandes estratégias, uma macro e outra res. O estatismo se desenvolveu como força de repres-
microeconômica. são e cooptação dos sindicatos, e assim ainda perma-
nece. E o toytismo veio para completar a tarefa por
A macro foi o neoliberalismo. Era preciso refor- outras vias, dando uma feição “participativa” e “de-
mar o Estado, transferindo os setores estratégicos de mocrática” no local de trabalho a essa dominação.
produção para a iniciativa privada. Eliminando ou
diminuindo o peso dos seus setores “sociais” (especi- Assim, o capital não somente se reestruturou, mas
almente, a previdência). dirigiu a reestruturação da organização dos trabalha-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

dores. E isso continua acontecendo. Ao analisar então dos supostos efeitos destrutivos da crise, e também o
a conjuntura atual poderemos ver como isso se dá. tipo de decisão empresarial que leva ao aumento do
desemprego. A Volkswagen cortou os empregos tem-
porários, que eram de 16.500 no mundo no final de
2. Conjuntura Nacional: cenários estratégi- 2008. A montadora americana General Motors (GM)
cos da luta de classes no Brasil e perspectivas demitiu dez mil empregados em 2009 em todo o mun-
para os próximos anos do, reduzindo sua força de trabalho em cerca de 14%.
O ano de 2010 apresenta uma nova conjuntura. As No Brasil, o caso das demissões da EMBRAER é
condições econômicas e políticas com as quais Lula ainda mais emblemático. Apesar de distribuir 50
encerra seu mandato presidencial são completamente milhões para seus diretores em salários e participação
diferentes de quando o PT assumiu presidência pela nos lucros, manteve as demissões de 4.300 trabalhado-
primeira vez. res. Fica nítido que, pelo menos na sua fase atual, o
Naquela ocasião, a economia brasileira ainda esta- desemprego gerado pela crise não é fruto dos impasses
va presa a um ciclo de estagnação. A economia mundi- da “superprodução” sobre a economia capitalista, mas
al não tinha adentrado o ciclo expansivo centrado na sim resultante da estratégia de adaptação toyotista,
bolha imobiliária gerada nos EUA. As reformas neoli- através da demissão dos trabalhadores temporários e
berais estratégicas não haviam sido plenamente con- precarizados.
cluídas. No Brasil, a concentração de capital irá se dar prin-
A conjuntura do primeiro mandato e os compro- cipalmente nas áreas mais afetadas pela crise econô-
missos assumidos pelo PT com o Capital implicaram mica: financeira, construção civil, agronegócio e
numa série de medidas, tomadas pelo Governo, clara- comércio varejista. Isso significa um fortalecimento
mente continuístas em relação ao período FHC. A de grandes empresas e do capital monopolista nesses
reforma da previdência de 2003 foi o grande marco des- setores. A fusão do Itaú com o Unibanco é um exemplo
sa conjuntura. Isso explicitou o caráter de classe do PT disso, bem como a fusão dos grupos varejistas Casas
e de sua política. Mostrou também a subordinação das Bahia e Pão de Açúcar.
direções das centrais sindicais e grandes sindicatos à No mundo, as fusões e semi-estatizações de gran-
burguesia e ao governo. des bancos e fusões e aquisições das grandes montado-
Mas a conjuntura atual é completamente diferen- ras, apenas confirma o processo de concentração de
te. O ciclo econômico internacional favorável do capital, que caminha cada vez mais rápido no sentido
período 2004-2008, e mesmo a crise econômica de da formação de ultra-monopólios. Esse é o principal
2008, modificaram substancialmente a situação. E o aspecto da crise: nos setores automotivo e bancário,
Governo Lula se beneficiou de duas maneiras. avança um processo ultra-monopolista de concentra-
Primeiro do ciclo econômico favorável iniciado ção de capital. Ao mesmo tempo, consolida-se o meca-
em 2004, conseguindo aumentar o crescimento econô- nismo da precarização (por meio dos contratos tempo-
mico do país (o que era usado para acobertar os ata- rários e sem direitos trabalhistas) como mecanismo
ques aos trabalhadores). Depois, da crise econômica estratégico do capital.
que, ao contrário do que as análises catastrofistas afir- Por isso, uma análise materialista e dialética pre-
mavam, não teve um impacto direto na economia bra- cisa observar as relações de classes e os movimentos
sileira. E mais, criou uma conjuntura favorável à revi- das forças econômicas que servem de base para as polí-
talização da ala “desenvolvimentista” do bloco gover- ticas do Governo Lula. E ao mesmo tempo, ver como o
nista. Governo Lula e o Bloco Reformista PT/PCdoB tenta
O quadro atual indica uma combinação de reces- incidir sobre tais condições, no sentido de favorecer a
são e desemprego em escala global. As reações diver- acumulação de capital.
sificadas na Europa, França e Grécia como exemplo, O novo cenário econômico internacional é favo-
indicam que há um processo crescente de mobilização rável a um intervencionismo estatal relativo, às políti-
e radicalização. A recessão se combina com aumento cas fiscais expansivas (aumento dos gastos públicos) e
do desemprego que cresce nas diversas regiões do mun- ao maior controle do Estado sobre o capital financeiro.
do. Segundo a previsão da OIT serão 50 milhões a Esse cenário foi perfeito para o PT e o PCdoB fortale-
mais de desempregados no mundo chegando a um cerem a tese da “disputa” de linhas dentro do Governo,
total de 230 milhões. No caso do Brasil, o IBGE indi- entre setores neoliberais e setores desenvolvimentis-
cou um crescimento de 8,2% para 8,5% nas regiões tas. A crise seria a ocasião para que esse setor suposta-
metropolitanas. mente “progressista” avançasse e ganhasse terreno.
O problema é interpretar o que se passa por trás O PT e o PCdoB estão conseguindo neutralizar a
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oposição de direita no congresso e manter o apoio do al contexto de crise, o de curto prazo e o de médio pra-
empresariado. Ao mesmo tempo revitalizam a força da zo. No curto prazo o setor reformista e governista (PT
CUT e CTB (antiga CSC) no movimento de massas e PCdoB) sairá fortalecido na conjuntura de crise. No
depois da breve crise de 2003-2005. A crise foi provi- médio prazo, é possível que mais uma vez o bloco
dencial para o PT, o Governo Lula e os setores gover- governista tenha que coordenar um ataque à classe tra-
nistas do movimento. Hoje eles se apresentam com sua balhadora (como foi na ocasião das reformas de 2003).
legitimidade renovada: são os setores que tem um pro- E essa seria uma ocasião para a criação de uma alterna-
grama de reformas e de fortalecimento do Estado para tiva nacional de sindicalismo, um sindicalismo de tipo
combater à crise, protegendo supostamente os interes- revolucionário de massas.
ses dos “trabalhadores e o desenvolvimento do país”.
Assim, os cenários da luta de classes nesse ano de 3. O projeto de construção de uma central de
eleições presidenciais são extremamente favoráveis às classe: as contradições em meio à reestruturação
correntes estatistas e reformistas do movimento, espe- do capitalismo (Concepção, estrutura, estratégia
cialmente o PT e o PCdoB. Mas esse é um cenário ape- e programa).
nas.
3.1 A degeneração da CUT e das centrais oficia-
Certas mudanças nas condições econômicas listas/condições objetivas e subjetivas:
internacionais podem fazer cair por terra esse edifício
aparentemente sólido. Em primeiro lugar, a evolução As reformas neoliberais implementadas no início
da crise econômica mundial é um elemento fundamen- do Governo Lula desencadearam um processo de crise
tal. Caso a recessão econômica nos países centrais não de legitimidade da CUT e do PT. A eliminação dos dire-
seja superada (e vários elementos indicam que não itos o ataque contra os sindicatos e trabalhadores, espe-
será), e caso alguma outra região (no caso, a Ásia) não cialmente do serviço público ajudaram a desmascarar
consiga formar alguma outra bolha especulativa para o caráter de classe do Governo Lula para parcelas sig-
fazer girar o processo de acumulação em escala mun- nificativas de trabalhadores. Foi criado um sentimento
dial, dificilmente os instrumentos “expansivos” e o de indignação frente à “traição” que se manifestava.
poder de um futuro Governo Dilma Roussef para com- Elementos concretos mostravam que o Governo
bater os efeitos da crise irão se manter. estava implementando reformas neoliberais que con-
Ou seja, um prolongamento da crise no centro trariavam parte do seu discurso anterior. Ficou claro
deve implicar que ela alcance os principais países da que a CUT estava cumprindo o papel de correia de
América Latina, arrastando-os para a crise e aprofun- transmissão do Governo Lula e do Estado. Que não
dando-a em escala global. Isso pode provocar então representava mais os trabalhadores e nem encaminha-
novas mudanças no cenário político nacional. E isso ria suas lutas. Estavam dadas as condições objetivas e
pode provocar também uma crise do próprio governo e subjetivas para o início de um processo de ruptura com
das forças políticas e sindicais dirigente no país. o peleguismo da CUT e demais centrais.
Num cenário como esse, o bloco governista As organizações de luta do proletariado brasilei-
PT/PCdoB e CUT/CTB irão, assim, ver-se diante de ro, criadas nos anos 1980, degeneraram. A CUT (Cen-
um problema: sustentar o governo Dilma Roussef, só tral Única dos Trabalhadores), criada para servir como
que aí, não mais com o discurso e políticas floreadas de arma de luta pelos direitos dos trabalhadores, transfor-
“desenvolvimentistas e progressistas”, mas sim coor- mou-se na prática, num instrumento da burguesia.
denando um novo ataque contra os trabalhadores e Para formular hoje uma alternativa de luta popular-
uma nova reestruturação do capital no Brasil. sindical é preciso refletir criticamente sobre as causas
desta degeneração.
As perspectivas de médio prazo indicariam (caso
a crise econômica se confirme e os demais fatores polí- Para entender então como a CUT degenerou deve-
ticos e econômicos se mantenham inalterados) que um mos então correlacionar alguns fatores: 1) Um fator
futuro e provável Governo Dilma terá condições fundamental na degeneração da CUT foi sua acomo-
menos favoráveis que as atuais. E terá de assumir o con- dação às velhas estruturas sindicais do corporativis-
fronto contra os interesses dos trabalhadores, reduzin- mo; 2) as contradições internas da CUT, que transfor-
do o déficit fiscal que tenderá a crescer e protegendo os mam a central num órgão burocratizado onde as deci-
interesses dos latifundiários e do próprio capital asso- sões eram tomadas de cima para baixo; 3) o desenvol-
ciado. Mas a questão é que isso pode acontecer em um vimento de uma força política hegemônica (a
ano ou em quatro, cinco, dependendo da evolução dos Articulação do PT), de caráter reformista, através da
fatores econômicos e políticos. relação “Partido-Sindicato”, em que as tarefas estraté-
gicas (conquistar o Estado) eram atribuídas ao PT; 4)
Temos então dois cenários distintos dentro do atu- outro foi sua adaptação aos padrões toyotistas, o sindi-
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calismo de resultados fragmentado por empresa e con- cepção estratégica equivocada.


ciliador. A estratégia desse setor dirigente da CONLUTAS
Assim, a degeneração da CUT é parte de um pro- é a construção de uma Frente de Esquerda para “con-
cesso histórico mais geral. A acomodação e domesti- quistar o Estado” e mudar a política econômica. Essa
cação dos trabalhadores pelo capitalismo. E isso se estratégia possibilitou uma série de táticas que na prá-
deu pelo desenvolvimento de um modelo de sindica- tica desviam a CONLUTAS das suas tarefas históri-
lismo social-reformista. Ele é legalista, corporativista cas. As principais táticas foram: 1) a política de unida-
e acredita que somente através da conquista do Estado de de ação com os governistas para lutar contra a crise;
os trabalhadores podem melhorar sua condição econô- 2) a proposta de unificação com a chamada “Intersin-
mica e social. Ele é contra-revolucionário. dical”; 3) a acomodação aos métodos de luta e formas
Em pouco tempo, o “eleitoralismo” se impôs, e a de organização do sindicalismo social-reformista e cor-
critica da estrutura sindical e seu modelo de movimen- porativista.
to foi sacrificada em favor dos interesses do Partido Ou seja, o setor de oposição aglutinado na
(PT). Isto porque para que o PT ganhasse a confiança CONLUTAS tem suas contradições. E elas começa-
da burguesia foi preciso frear as lutas proletárias (es- ram a se manifestar no período 2006-2008 com as equi-
pecialmente as greves). E esta estrutura sindical favo- vocadas alianças nas eleições sindicais de categorias
rece exatamente a paralisação das lutas do proletaria- importantes.
do. As políticas promovidas em várias categorias e
Isso significa que não basta fazer a critica da coop- sindicatos nos anos de 2006-2007 (como foi o caso dos
tação pelo neoliberalismo. É preciso combater as trabalhadores dos Correios/RJ, Sintergia e metalúrgi-
bases do modelo de sindicalismo social-reformista cos de Volta Redonda/RJ) realizavam o contrário
que levou a CUT à degeneração. E isso exige uma daquilo que o CONAT havia colocado como objetivo:
mudança de concepção de organização, de estratégia e romper com a CUT. O setor majoritário encaminhava
de tática política. alianças com setores governistas (Articulação
3.2 A formação da CONLUTAS: os ziguezagues Sindical/PT e Corrente Sindical Classista/PCdoB).
políticos e erros táticos. A política de unidade com os governistas tornou-
Em 2006 a CONLUTAS foi fundada. Naquela se a política hegemônica logo em 2007, quando a
conjuntura, havia clareza da degeneração da CUT. CONLUTAS se uniu com a CUT, a CMS, a
Mas nem todos os setores optaram pela ruptura. Eles Intersindical, entre outros, na formação da “Frente de
ainda tinham (e tem) vínculos ideológicos e organiza- Luta Contras as Reformas Neoliberais”. Nessa frente
tivos com o próprio governismo. Isso se expressou na os governistas assumiram a dianteira das lutas no
duplicidade de posições ante a CUT. Um setor não segundo Governo Lula, iniciando a recuperação da
defendia a ruptura com a CUT num primeiro momento legitimidade e do espaço perdidos entre 2003 e 2006.
e sempre foi ambíguo nessa tarefa e constituiu a Os governistas conseguiram reeditar a tese de que o
Intersindical. Governo Lula está em disputa.
A princípio a CONLUTAS expressava disposição Para a CONLUTAS o efeito da política de unida-
de cisão de amplos setores do movimento sindical com de com os governistas foi outro: provocou uma estag-
o governismo. A CONLUTAS materializava a oposi- nação da Central, uma perda do trabalho de base e con-
ção entre governismo (CUT, Centrais oficialistas) X sequentemente do protagonismo das lutas.
anti-governismo no movimento. Essa contradição O setor dirigente tentou justificar essa política
poderia dar espaço para o re-surgimento de um sindi- equivocada afirmando que poderia estaria explorando
calismo classista e revolucionário. as contradições do campo governista, que estaria
O projeto uma central que unificasse as lutas dos fazendo a disputa da base dos governistas e que essa
trabalhadores (formais e informais, empregados e seria apenas uma tática de unidade de ação. Entretanto,
desempregados, os movimentos populares do campo e tais justificativas se mostraram inconsistentes.
da cidade e o movimento estudantil) significava não só Primeiro, foram os governistas que exploraram as con-
uma ruptura necessária com o governismo. Poderia tradições do campo majoritário da CONLUTAS e con-
representar ainda ruptura com o modelo de sindicalis- seguiram reconstrução da sua legitimidade até então
mo social-reformista e corporativista. perdida. Em segundo lugar, a unidade se deu pela cúpu-
la, portanto, não ocorreu disputa das bases. Basta ver
Infelizmente, a política do atual campo dirigente que em certas categorias e sindicatos importantes,
da CONLUTAS é equivocada. Sua tática e estratégia como o SINTRASEF/RJ, SEPE/RJ e FASUBRA, foi
impedem que a CONLUTAS assuma as suas tarefas encaminhada a saída da CUT mas nunca a construção
imediatas e históricas. Isso foi o resultado de uma con-
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da CONLUTAS. E no caso do SINTRASEF ocorreu o tas”, ou seja, também são formados por frações bur-
melancólico retorno à CUT. guesas.
Por fim, a eclosão da crise econômica mundial em O primeiro argumento deriva de uma visão idea-
2008 transformou o que antes era uma política aberta lista que, como tal, não tem nenhum amparo na reali-
de aliança com os governistas. A crise econômica dade e na história das revoluções da classe trabalhado-
virou pretexto para uma reconciliação não somente ra. Em todas as revoluções desde a Comuna de Paris de
com a CUT, mas com todas as centrais pelegas (Força 1871, passando pelas revoluções mexicana, de 1910, e
Sindical, CTB). Esse chamado implica numa comple- russa, de 1917, chegando até as revoluções chinesa
ta abdicação da política de ruptura com o governismo, (1949) e cubana (1959), a vitória dos trabalhadores foi
o corporativismo e o legalismo. determinada pela participação do conjunto das frações
A outra tática do campo dirigente da CONLUTAS do proletariado, especialmente do campesinato.
foi conclamar a Intersindical para um processo de Mesmo hoje, a recente história da América Latina
fusão. Esse chamado à unidade era esfacelado pela nos mostra que as principais lutas foram encampadas e
política da Intersindical em diversas categorias, como lideradas por diversas frações do proletariado: 1) no
no funcionalismo publico federal, em que atuava ao Brasil, na década de 1990, os camponeses, sob a lide-
lado dos governistas, defendia acordos rebaixados, rança do MST, constituíram a principal oposição ao
recusava a greve e quando a fazia era para reduzir a neoliberalismo de FHC; 2) na Argentina em 2000 esta-
luta ao economicismo e à fragmentação. Isso continua vam na vanguarda das lutas os trabalhadores desem-
acontecendo agora recentemente. Em 2009 nas das ele- pregados e movimentos populares; 3) na Bolívia desde
ições dos bancários/RJ a Intersindical constituiu uma 2003 o movimento indígena e camponês lideraram as
chapa com a CUT e a CTB. revoltas populares.
O primeiro aspecto a ser criticado nessa tática é Afirmar que o movimento sindical é o mais orga-
noção de “reorganização” do movimento que vem sen- nizado da classe trabalhadora é desconhecer a atual
do utilizado pelo campo majoritário. A idéia de reorga- estrutura do sindicalismo brasileiro. Até porque a orga-
nizar deveria ser sinônimo de ruptura com o governis- nização não é um em fim em si. Em termos de auto-
mo e de reconstrução pela base de um movimento naci- organização dos trabalhadores a grande maioria dos
onal de oposição. Mas não é isso que está sendo feito. sindicatos é frágil. Quem organiza os sindicatos no
Os debates pela base foram abandonados. Por Brasil é o Estado, que concede a carta sindical e o
outro lado, a própria Intersindical rachou no ano pas- imposto sindical.
sado, o grupo que está no processo de fusão é domina- Segundo a estrutura sindical brasileira, de inspi-
do por correntes do PSOL (APS, C-SOL e Enlace) e ração fascista, a representação sindical e o financia-
são essas correntes que assinam seus documentos e mento dos sindicatos são outorgados pelo Estado, por
mandam seus representantes para os debates. Ou seja, isso um sindicato não precisa de filiados para ser reco-
a representação é por corrente partidária, não pelas nhecido como tal e receber o imposto sindical. Isso faz
entidades de representação dos trabalhadores. com que facilmente os sindicatos se tornem represen-
Nesse processo um dos principais impasses era o tantes do Estado e do patronato e não dos trabalhado-
caráter da CONLUTAS e o caráter da “nova central”. res. Tal organização é antes um elemento a ser comba-
Os setores da Intersindical não aceitam uma central de tido do que a ser exaltado.
classe. Querem uma central exclusivamente sindical. E a estrutura do sindicalismo de Estado se ampli-
Se a CONLUTAS representou um avanço nas lutas do ou no ano passado com a Lei 11.648/2008, que incor-
proletariado por ser uma central do conjunto da classe porou as centrais sindicais à estrutura sindical oficial.
trabalhadora, a “nova central” representará um retro- Assim, as centrais são igualmente tuteladas pelo
cesso, pois, discutir se os estudantes e os movimentos Estado e financiadas pelo imposto sindical. A conver-
sociais e populares podem ou não participar da “nova são das centrais em “centrais oficialistas” reforça a
central” já é em si uma forma de exclusão desses seto- burocratização das entidades sindicais. E infelizmente
res da classe trabalhadora. a CONLUTAS não encaminhou uma luta séria contra
É importante ressaltar o caráter idealista e reacio- isso, mas se acomodou ao processo.
nário dos argumentos utilizados para justificar a exclu- Portanto, a estrutura sindical tem um efeito desor-
são dos estudantes e dos movimentos sociais. ganizador sobre o movimento dos trabalhadores, pois
Resumidamente, os argumentos são dois: 1) os operá- impõe a formação de sindicatos sem base (os chama-
rios constituem a classe revolucionária, por isso, dos “sindicatos cartoriais”) e promove a tutela estatal
devem ser a direção do movimento dos trabalhadores e sobre o conjunto das entidades sindicais. Os sindicatos
2) os movimentos estudantil e sociais são “policlassis- ficam frequentemente à serviço da burguesia, não dos
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

trabalhadores. A Estrutura sindical deve ser combatida Intersindical, processo que se assemelha com a dege-
na sua totalidade não em aspectos isolados. Desse neração da CUT nos anos de 1980 que se consolida na
modo, afirmar a necessidade de lutar contra a burocra- segunda metade da década de 1990. Congresso após
tização dos sindicatos mas buscar a adequação de uma congresso, a representação da base foi diminuindo na
central à estrutura oficial é proferir com discurso CUT e, finalmente, no IV CONCUT a Corrente
vazio. Sindical Classista, do PCdoB, entrou na central e for-
Já o segundo argumento, acerca do caráter poli- mou o bloco hegemônico com a Articulação
classista do movimento estudantil, nega a perspectiva Sindical/PT que aprovou as teses do “sindicalismo pro-
classista para esse setor da classe trabalhadora. E positivo”, ou seja, de colaboração com o Estado e a bur-
negar isso é permitir o desenvolvimento de políticas de guesia.
colaboração com a burguesia no seio do movimento. E é exatamente esse processo que observamos no
Esse é argumento é extremamente pobre. É óbvio interior da CONLUTAS: a proposta de excluir impor-
que a condição de estudante não se confunde com a tantes setores da classe trabalhadora da “nova central”
condição de classe. Mas a grande massa dos estudan- e a proposta de reduzir proporcionalmente o número
tes brasileiros é de trabalhadores. E se faz necessário de delegados de base no “congresso de fusão”, marca-
construir um movimento estudantil classista e comba- do para junho desde ano - No 1º CONAT, realizado em
tivo. Betim/MG no ano de 2008, a proporção para a tiragem
de delegados era 500 na base para 1 delegado, com fra-
Da mesma forma é falso o argumento de que os ção de 250, agora a proposta é 1.000 na base para 1
movimentos sociais de corte ético-racial e de gênero delegado, com fração de 500. Isso implica em uma
são “policlassistas”. O racismo e o machismo são ins- drástica redução da participação dos delegados.
trumentos da dominação burguesa, utilizados para
superexplorar esses segmentos dos trabalhadores. As A história só se repete como farsa ou tragédia.
mulheres e negros do Brasil são submetidos às piores Estamos diante na iminência de um erro histórico,
condições de trabalho e recebem os menores salários. cometido por setores dirigentes da CONLUTAS. Estes
Os indígenas são submetidos a condições desumanas. foram incapazes de capitalizar o movimento de oposi-
ção e ruptura no interior da classe trabalhadora. A gui-
A luta contra a homofobia e a pela extensão dos nada representada por essas táticas é a negação dos
direitos civis aos homossexuais também tem que ter princípios e programa da CONLUTAS fixados no I
um caráter de classe. Essa não é uma questão individu- CONAT.
al, mas uma questão social que tem que ser respondida
pela luta da classe trabalhadora. Somente a ação políti- 3.3 Uma central de novo tipo e sua política de
ca do conjunto do proletariado pode superar o racismo construção.
e o machismo. A CONLUTAS representou um ensaio na cons-
A condição objetiva de classe desses setores é pro- trução de uma central de classe. Agora nossa principal
letária. É a ausência de uma política classista e socia- tarefa é garantir que nossa central se torne de fato uma
lista para organizá-los e integrá-los na luta de classes central sindical e popular, que reúna e organize o con-
que os deixa à mercê de políticas e ideologias da bur- junto da classe trabalhadora.
guesia e de Estado. Somente uma perspectiva metafí- Em uma central de classe, que tem como um de
sica de segunda categoria pode desconsiderar as con- seus pilares a democracia operária, não pode estabele-
dições econômicas materiais e substituí-las por uma cer pesos diferenciados aos setores que fazem parte da
vaga disputa de ideias e projetos individuais como cri- entidade. Somos contrários à deliberação do 1°
térios centrais na definição do caráter de classe. CONCLAT/2008 que estabeleceu um percentual de
Firmar que os movimentos estudantil e sociais 10% para a participação dos estudantes na
são policlassitas e, portanto, não podem estar na mes- CONLUTAS.
ma central é reproduzir a fragmentação imposta pela Infelizmente o processo de burocratização e
burguesia. É importante lembrar existem certas ocupa- mudança do caráter da “nova central” está avançando,
ções e sindicatos que agrupam “profissões” que pois a proposta do setor majoritário é que na “nova cen-
podem ter burgueses em seu ofício (como é caso de pro- tral” o movimento estudantil, movimento negro, movi-
fissões liberais e serviços públicos), além da existên- mento de mulheres e contra a homofobia tenham uma
cia de sindicatos de patrões (industriais, latifundiários, participação simbólica, com um percentual de 5%.
banqueiros, etc). Nem por isso se afirma que o movi- Esse tipo de formulação fere a natureza sindical e popu-
mento sindical é policlassista. lar da nossa central.Quer dar a aristocracia operária a
Por último, destacamos o aspecto burocratizante maioria compulsória na direção da entidade.
da política de fusão da CONLUTAS com a Do mesmo modo, somos contrários à constru-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

ção de uma central sindical que permita a filiação do tura de ofensiva burguesa, a partir das políticas neoli-
movimento estudantil e popular. Porque essa formu- berais e da reestruturação produtiva. A superexplora-
lação muda o caráter sindical e popular e estabelece a ção e a precarização atinge parcelas cada vez maiores
formulação de uma central sindical que concede a fili- da classe trabalhadora, aumentando a nossa fragmen-
ação aos demais setores da classe trabalhadora. Na prá- tação e ampliando os lucros da burguesia. Nessa con-
tica, essa formulação não passa de um “favor” que os juntura somente uma Central de Classe é capaz de dar
sindicatos concedem aos estudantes e aos movimentos respostas às necessidades do conjunto dos trabalhado-
populares e sociais. res.
Defender uma central de classe significa defen- A Central de Classe deve estar estruturada na base
der uma entidade que reúne em seu interior as dife- da democracia interna e do federalismo (coordenação
rentes organizações da classe trabalhadora: o movi- da autonomia local com as funções diretivas das ins-
mento operário, o movimento sindical urbano (co- tâncias centrais), preservando as decisões de “baixo
mercio e serviços); o movimento camponês e de tra- para cima”. Esta democracia proletária tem um objeti-
balhadores rurais; o movimento estudantil; movi- vo de mobilizar; a democracia visa garantir a entrada
mento de desempregados e informais, o movimento das massas proletárias na arena da ação política. Além
negro e indígena, os movimentos de gênero e contra da democracia interna, a Ação Direta (greves, mobili-
a homofobia. Desta maneira, será uma organização zações e etc) deve ser o meio central da luta, e não as
ampla e representativa das lutas. negociações nos espaços da burguesia (justiça, parla-
A natureza de uma Central de Classe possibilita mentos, câmaras, prefeituras e governos).
romper com o sindicalismo social-democrata e corpo- O mais importante é que tal tipo de organiza-
rativista, que reproduz a fragmentação da classe traba- ção dá uma resposta às características do capitalismo
lhadora imposta pelo capital, ao mesmo tempo, garan- contemporâneo. Ele neutraliza as táticas burguesas de
te o combate a estrutura de sindicalismo de Estado. esfacelamento e fragmentação. Ele contorna também
Esse é o caminho para a construção de um amplo movi- os aspectos desorganizadores do sindicalismo de
mento classista e combativo dos trabalhadores. Estado e do sindicalismo social-reformista. E é um
Nós trabalhadores, estamos vendo numa conjun- tipo de organização que esteja adequada as necessida-
des de uma efetiva luta pelo socialismo.

Assinam essa tese:

Everardo Cantarino – SINDSCOPE.


Romulo Castro – SINDSCOPE.
Selmo Nascimento – SINDSCOPE.
Sergio Muniz – Oposição Petroleira/GLP.
Augusto Rosa – Base do SEPE.
Caroline Bordalo – Base do SEPE.
Carla Bianca – Base do SEPE.
João Carlos Ramos – Base do Sinttel-RJ.
Andrey Cordeiro Ferreira – Base do ANDES.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Oposição Revolucionária - APEOESP

PONTOS PROGRAMATICOS – fa.


CONJUTURA INTERNACIONAL E
NACIONAL
BRASIL: CRISE E LUTA DE CLASSES
A crise capitalista segue o seu caminho nefasto,
aprofundando a barbárie e o caos mundialmente. Seu No Brasil, a segunda gestão do governo Lula, não
norte é a manutenção da taxa de lucro dos grandes só evidencia um amplo alinhamento com o imperialis-
monopólios. Para isso é preciso a retirada de direitos mo, como também expressa o controle das centrais sin-
conquistados dos trabalhadores ao longo da luta de dicais sobre as iniciativas de lutas das massas. O
classes. A classe capitalista através dos governos governo descarregou milhões de reais para salvar as
insiste em dizer que a culpa reside nos gastos com os empresas, as instituições financeiras acumularam for-
serviços sociais e direitos trabalhistas, desta forma, tunas enquanto a classe trabalhadora padeceu com
esconde que a origem da crise faz parte da lógica de desemprego, baixo salários, perdas de direitos e apro-
concentração de lucro do próprio sistema capitalista, fundamento das terceirizações e destruições dos servi-
por isso, é necessário eliminar conquistas, serviços ços públicos.
públicos, reduzir salários, destruir planos de carreiras Nos serviços públicos o governo federal aprovou
como aposentadorias publicas e eliminação de postos medidas que legitima o sistema de avaliação de
de trabalhos aplicando as terceirizações. desempenho para destruir os planos de carreira nas
Toda a tentativa da burguesia em sair da crise de diferentes esferas do poder publico e causar demissão,
superprodução, assim como na era do neoliberalismo como exemplo temos o PDE do Lula e as Dez Metas de
nos anos setenta, agora demonstra a falência com a Serra em São Paulo. As provas seletivas e os chamados
eclosão dos abalos nos países epicentro do capitalis- concursos públicos são mecanismos que na prática
mo, aplicando milhões no sistema financeiro e na redu- liquidam os direitos trabalhistas diante da atual con-
ção de impostos através do estados. juntura
A crise evidencia o papel histórico do Estado não O debate em torno do pré-sal para investimento
só como órgão repressor às reações dos trabalhadores, na educação é apenas um elemento do populismo
mas também a intervenção do mesmo em salvar os Lulista que esconde sua política contra a classe traba-
negócios da classe dominante com liberação de lhadora.
milhões de dólares e euros. Como exemplo, temos os As recentes lutas da classe trabalhadora no Brasil
países da Europa, Ásia e o próprio EUA. demonstraram o grau de traição das centrais sindicais
enquanto representante da classe trabalhadora, a CUT,
Força Sindical e CTB alinharam-se em defender as pro-
CRISE E A LUTA DE CLASSES postas dos empresários diante da atual crise capitalis-
Em vários países, a classe trabalhadora tenta rea- ta. Por outro lado, a Conlutas dirigida pelo PSTU e
gir contra a exploração burguesa e sua crise. A França PSOL, devido sua política de frente popular, não foi
atualmente foram mais de 800 mil trabalhadores nas capaz de se colocar no patamar de dirigir a reação de
ruas em defesa da previdência e contra a chamada fle- luta das diversas categorias que se levantaram nesses
xibilização trabalhista, neste país a aposentadoria pas- últimos anos. Ao contrário, a direção da CONLUTAS
saria de 60 para 62 anos. Na Grécia o chamado gover- se postou em fazer aliança com a velha pelegada da
no popular e social democrata está enfrentando as mas- cutista demonstrando seu verdadeiro posicionamento
sas ao tentar impor a retirada de direitos; esses exem- aparelhista e reformista.
plos eclodem mundialmente, as massas tentam reagir
em defesa dos serviços públicos, direito trabalhistas e
educacionais. CONCEPÇÃO SINDICAL
A limitação das reações dos trabalhadores está na Perante o conjunto do movimento operário,
ausência de um programa classista que mundialmente popular e do campo, devemos nos comprometer
possa instrumentalizar unificar e dirigir essas lutas em em construir a unidade dos trabalhadores; comba-
uma luta política de classe contra classe. Para isso, é ter o divisionismo e corporativismo imposto pelas
necessário romper com os métodos reformistas, com camarilhas burocráticas da CUT, Força Sindical,
as frentes populares traidoras. Somente a construção CTB, Conlutas , Intersindical demais centrais.
do partido internacional poderá responder a essa tare- A Intersindical e Conlutas, centrais que em virtu-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

de do rompimento por parte dos trabalhadores com a nária enquanto uma FRAÇÃO PUBLICA
CUT, iniciaram intervenção entre os trabalhadores. REVOLUCIONÁRIA assumindo a tarefa, tanto de
Durante esses anos a pratica dessas frentes já estão apoio as iniciativas de rompimento dos trabalhadores
totalmente comprometidas com alianças e vícios das com o controle pelas direções traidoras como de pro-
demais centrais que estão freando e boicotando as curar dar respaldo político e organizativo a estes tra-
lutas dos trabalhadores. balhadores e suas lutas, organizando as oposições sin-
Durante as várias lutas ocorridas nesses períodos dicais, comandos de base, assembléias etc.
em várias categorias não houve se quer uma plenária Organizar e unir os trabalhadores em torno da
de base. Em 2008 junto com a articulação petista a dire- orientação política classista e independente, compro-
ção da Conlutas na Apeoesp chamou o fim da greve metido com a função de apoiar, construir e unificar as
levando os professores a acreditarem no TRT. O resul- lutas em curso dos diversos setores de trabalhadores.
tado está sendo a demissão de milhares de professores Perante o conjunto do movimento operário, popular e
devido à aplicação da prova seletiva pelo governador do campo, se comprometa em construir a unidade dos
José Serra. trabalhadores; combater o divisionismo e corporati-
Sabemos que a unidade dos trabalhadores é vismo imposto pelas camarilhas burocráticas da CUT,
imprescindível para derrotar os patrões. Nesse sentido Força Sindical e agora CTB:
a ausência de uma central que trabalhe essa necessida- Defender a unidade política e organizativa dos tra-
de permite um ataque ainda maior da burguesia sobre a balhadores através da estruturação da CENTRAL DE
classe trabalhadora. A unificação das lutas sobre os LUTA PROLETÁRIA com os Comandos de base deli-
métodos burocráticos dos velhos pelegos em nada berativos em escalas regionais, estaduais e nacionais.
trará frutos para a classe dos explorados , pelo contra- ORGANIZAÇÃO E PLANO DE LUTA
rio, é apenas mais uma traição.
Nas organizações de massa e nas lutas, defender a
Unidade deve ser norteada pelos métodos classis- soberania das assembléias de base e dos Comandos de
tas através das plenárias e assembléias massivas per- Base com eleições para levar a luta dos trabalhadores a
mitindo o poder da base e a materialização de uma polí- ganhar autonomia e relação ao controle das direções
tica anticapitalista. Os métodos pacifistas e oportunis- governistas e burocráticas;
tas defendidos pelas direções fazem parte da disputa
aparelhistas e parlamentares da falida frente popular.
Seminários no ano de 2009 sobre a Unificação os AÇÕES
métodos e o teor dos debates não permitiram se quer Organizar as plenárias de base nas categorias para
aplicação da democracia operaria, foram marcados a estruturação das lutas;
pelos acordos de cúpulas. No ABC paulista PSTU e o Construir oposições, nos organismos de massa
PSOL combateram arduamente as propostas classistas dos trabalhadores, armadas com o programa e política
apresentadas pela Oposição Revolucionaria. Postura revolucionária,
essas demonstradas durante as greves no magistério
Reconhecer e defender a necessidade dos traba-
paulista em curso.
lhadores se organizarem em partidos revolucionários
da classe;
CONCEPÇÃO SINDICAL
Por uma Central Proletária Unificada nacio- BANDEIRAS
nalmente regida pela democracia operária através
Abaixo as reformas de Lula/FMI (previdência,
dos comandos de base (categorias, ramos de traba-
trabalhista/sindical e educacional);
lho, bairros, comitês de fábricas etc.) que nortearão
as plenárias e congressos nacionais com delegados Defender o Salário Mínimo Vital calculado pelos
de base. trabalhadores e aprovados nas assembléias;
A conquista da central que unifica as lutas dos tra- Emprego a toda à juventude proletária, adequado
balhadores deverá ser objetivo das organizações revo- ao estudo;
lucionárias. Estaremos impulsionando o rompimento Escala Móvel de Salário e horas de trabalho;
dos trabalhadores com a política e controle burocráti- Sistema Único de Previdência, saúde e educação
co das direções da CUT e FORÇA SINDICAIL e dema- Estatal sob controle dos trabalhadores;
is centrais, mas isso não significará a automática filia-
ção a Conlutas ( Entidade Nacional). Devemos atuar Apoio às ocupações e invasões de terras; expro-
no interior das organizações de massa do proletariado priação dos latifúndios sem indenizações.
em torno do programa e política operária e revolucio- Abaixo o Fórum Nacional do Trabalho.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Solidariedade e internacionalismo operário: apoi- capitalista, via a revolução para e estruturação do


ar o combate à intervenção imperialista no Oriente Socialismo através do governo sovietista operá-
Médio, Haiti. rio/camponês.
Lutar para por abaixo o sistema de exploração

Assinam essa tese:


OPOSIÇÃO REVOLUCIONARIA - APEOESP
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Por uma Central de Luta, Antigovernista,


de Base e Socialista
1 – POLÍTICA INTERNACIONAL Europeu.
1.1 - O capitalismo não tem mais nada a ofere- Diante dessa realidade estrutural, e da crise espe-
cer, além de crises e guerras cífica que vive o capitalismo, combinado com a des-
O sistema capitalista, dentro de sua atual época truição do aparato stalinista em nível mundial entre os
imperialista e decadente, marcada pela incapacidade anos 80 e 90, atravessamos um dos períodos mais con-
de crescimento das forças produtivas, está saturado. turbados da História, do ponto de vista político, econô-
As contradições do capitalismo se intensificam, geran- mico e social.
do um crescente conflito social caracterizado por cri- 1.2 - Destruir o capitalismo, antes que ele des-
ses, guerras e revoluções. trua ainda mais a humanidade e a natureza
As crises econômicas, típicas desse sistema, tor- Utilizando-se das crises, das guerras e dos ata-
nam-se cada vez mais frequentes e aumentam a ten- ques aos trabalhadores, o capitalismo tem destruído
dência para a concentração da produção e o monopó- não somente a vida humana, mas também a natureza,
lio, além do aumento dos ataques à classe trabalhado- sua diversidade e recursos. O debate sobre a preserva-
ra, como forma de recuperação dos lucros da burgue- ção do meio-ambiente está em foco nas últimas déca-
sia. das, mas os países imperialistas não têm apresentado
Foi o que se viu com a crise econômica de 2008, saídas consequentes para solucionar esse problema.
no coração do capitalismo, que levou o sistema finan- A Conferência de Copenhague sobre o clima, cha-
ceiro ao colapso e à recessão mundial, com uma onda mada de COP-15, terminou num fracasso e represen-
de demissões e perda de direitos. tou a incapacidade do capitalismo em enfrentar mini-
Ao contrário do que dizem os analistas burgue- mamente o problema do aquecimento global, da
ses, a crise de 2008 ainda não foi superada. A recupera- sobrevivência e da permanência dos recursos naturais
ção da economia em 2009 foi parcial e se deu através sobre o planeta.
de mecanismos artificiais, como o endividamento das Dependendo das cotações internacionais e de inte-
massas trabalhadoras (através de novas bolhas de cré- resses políticos, um produto pode sobrar a ponto de ser
dito) e das empresas e governos (com déficits recordes queimado ou jogado fora às toneladas, assim como
e insolvência estrutural). A inadimplência, moratórias outros desaparecem do mercado e viram artigos de
e novas falências estão à espreita, e é muito provável luxo. Essa insanidade econômica combina-se com o
que um novo crash ocorra nos próximos anos. desperdício existente em todas as escalas da produção,
A Grécia é a expressão desse fenômeno de o que tem provocado o esgotamento dos recursos natu-
aumento colossal do endividamento público durante a rais.
crise (chegando a mais de 100% do PIB em muitos Apesar dessa superprodução, muitos ficam de
casos), que tende a se generalizar por diversos países fora desse mercado e não têm acesso aos gêneros mais
europeus, em razão das ajudas trilionárias à grande bur- básicos. Esta é uma das maiores contradições do capi-
guesia, da queda da arrecadação e dos consequentes talismo: conviver com a superprodução e abundância
déficits orçamentários. ao lado da miséria, da fome e da destruição das forças
Nessa situação, os governos dizem que é preciso produtivas.
cortar gastos e retirar direitos dos trabalhadores para Com essa forma de produção, distribuição e con-
tentar controlar o aumento desenfreado do endivida- sumo, o capitalismo torna inviável reduzir a emissão
mento público. Tais medidas, no entanto, trazem arro- de poluentes e gases tóxicos. É por isso que o axioma
cho salarial, congelamento de investimentos e mais "socialismo ou barbárie" se aplica ao campo econômi-
depressão econômica, num círculo vicioso. co e social, mas se encaixa, também, perfeitamente no
Nesse cenário político, de um lado os governos debate ambiental.
atendem às exigências dos grandes capitalistas, mas, Vírus como o da Influenza A H1N1, a chamada
de outro, ao tentar jogar a crise sobre a classe trabalha- gripe suína, e doenças como a da "vaca louca" surgem
dora, enfrentam uma resposta imediata das massas, exatamente neste cenário de falta de higiene na produ-
com greves e manifestações, ainda que com grandes ção, de irresponsabilidade (ao introduzir componentes
desigualdades. Foi o que aconteceu na Grécia, França, animais na alimentação de animais herbívoros) e de
Espanha, Islândia, e em alguns países do Leste utilização dos seres humanos como cobaias em larga
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

escala para reduzir custos e aumentar lucros. A destrui- Esse recurso burguês, no entanto, não é ilimitado
ção de rios, lagos, florestas e biomas inteiros, como a nem onipotente. Sua força reside justamente em sua
Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, para citarmos ape- "novidade" e na ilusão de mudança que traz consigo.
nas o Brasil, mostra o nível da degradação causada Após a experiência de uma década com as Frentes
pelo capitalismo e a urgência em destruir este sistema. Populares, a maioria dos países da América Latina já
Nossa luta política, econômica e sindical deve expressa uma ruptura (em diferentes graus) com este
assumir a bandeira ambiental como parte importantís- tipo de governo capitalista, e o espaço à esquerda tem
sima e integrante da luta pelo socialismo. Devemos se ampliado.
lutar por uma produção planificada, sem desperdício, No Brasil, o PT já é visto como um partido como
escassez ou superprodução, que atenda aos interesses os outros, e se Lula fizer de Dilma Rousseff sua suces-
e necessidades dos trabalhadores e que se preocupe sora, será sem o mesmo entusiasmo que sua eleição
com a preservação e recuperação da natureza. despertou em 2002. No Chile, Bachelet não elegeu seu
1.3 - O fracasso das Frentes Populares. Não há sucessor e assistiu à volta da direita tradicional. No
alternativas por dentro do capitalismo Uruguai, a Frente Ampla fez seu sucessor (José
Mujica), sem empolgar ninguém e com vários elemen-
Sobre qualquer aspecto, seja econômico ou ambi- tos de desgaste.
ental, o capitalismo tem somente obtido fracassos na
busca por soluções. Além de resultados insignifican- Quer dizer: elegendo o sucessor, perdendo as elei-
tes, todos os organismos chamados multilaterais do ções ou em um cenário ainda de disputa, as alternativas
capitalismo estão em crise. É o caso da ONU, desmo- reformistas, que prometiam humanizar o capitalismo
ralizada pela invasão dos Estados Unidos ao Iraque, e, gradualmente, resolverem os problemas sociais, vão
apesar de sua suposta reprovação; da quase falência do sendo desmascaradas, e a população, mesmo que
FMI; dos fracassos das cúpulas do G-8, G-20, etc. e ainda vote nesses partidos, já expressa muita decepção
das rodadas comerciais no âmbito da OMC. Também é e rupturas parciais com esse projeto.
o caso do esvaziamento e desprestígio do Fórum Mudar o capitalismo apenas em seus aspectos
Econômico Mundial em Davos. mais cruéis, com reformas graduais, sem ruptura radi-
A verdade é que nenhum organismo imperialista é cal com o atual sistema e suas instituições, já se mos-
capaz de articular ou apresentar uma saída para a crise trou inviável há mais de um século, desde que o capita-
histórica do capitalismo. lismo entrou em sua fase superior, imperialista e deca-
dente. Atualmente, a política reformista está ainda
Da mesma forma, os partidos burgueses de "es- mais desmoralizada, já que, para cada conquista míni-
querda", que são governo em muitos locais, e uma opo- ma, é preciso lutar até a morte contra o capitalismo,
sição comportada nos outros, não podem dar respos- uma vez que a burguesia não pode mais conceder gran-
tas. Abrigados sob a bandeira social-democrata, nacio- des benefícios à classe trabalhadora.
nalista ou frente-populista, partidos como o PT não
conseguem mais representar alternativa ideológica Junto com a traição do PT, o reformismo se esva-
nenhuma, pois seu discurso foi desmascarado pela prá- ziou enquanto projeto político. É cada vez mais defen-
tica. dido apenas pelas direções social-democratas e pela
própria burguesia. Um exemplo desse esvaziamento
As chamadas Frentes Populares têm sido usadas político é o Fórum Social Mundial que, em seu 10º
como o principal recurso de grandes empresários, ban- ano, teve uma marcha de abertura inexpressiva com 10
queiros e industriais para frear o ânimo das massas e mil pessoas, para quem já contou com marchas com
reforçar a crença nas instituições do Estado burguês. mais de 200 mil.
Este tipo de governo tem por objetivo esfriar a situação
da luta de classes, simulando representar os interesses A Frente Popular é, hoje, portanto, o principal obs-
dos trabalhadores, cooptando suas organizações. táculo para os trabalhadores. Por isso, entendemos que
a unidade nas lutas deve estar a serviço da derrota das
São governos da burguesia, apoiados pelas orga- direções frente-populistas, e que a unidade com gover-
nizações operárias e, no fundo, defendem tanto ou no e governistas, neste caso, não soma, mas, ao contrá-
mais que qualquer outro governo o interesse dos capi- rio, nos enfraquece.
talistas.
Uma leitura equivocada da correlação de forças,
Não é por acaso que o próprio imperialismo, atra- exagerando a força da direita e do perigo fascista, leva
vés dos Estados Unidos, teve que apelar a um governo a conclusões e políticas desastrosas para os trabalha-
com forte prestígio popular e cara de mudança, como o dores, como a busca por unidades permanentes com
de Obama, para conter, provisoriamente, a insatisfa- setores reformistas, nacionalistas burgueses ou
ção das massas. mesmo com as Frentes Populares. A realidade, ao con-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

trário, exige uma política de enfrentamento muito massas com a Frente Popular está bastante profundo. A
mais forte com esses setores, pois eles representam, pressão e mobilização populares crescem, forçando o
atualmente, a principal sustentação do sistema capita- governo a tomar algumas medidas aparentemente de
lista. esquerda, como as estatizações e programas assisten-
1.4 - A reação da classe trabalhadora cialistas. Mas estas ações têm conteúdo burguês, pois
não transferem a produção aos trabalhadores, além dos
Como resposta aos efeitos da crise, a classe traba- "expropriados” serem ressarcidos com indenizações
lhadora aumentou muito suas mobilizações desde o gigantescas.
início do novo século. O que se expressou, por exem-
plo, nos processos insurrecionais do Equador, Bolívia, Além disso, Hugo Chávez aumenta seu caráter
Argentina e Venezuela (somente na América do Sul), e autoritário (bonapartista), reprimindo com violência
nas resistências históricas no Iraque, Afeganistão, as mobilizações operárias e de oposição ao governo e
Palestina e Líbano. Nos dois primeiros desses 4 países fechando emissoras de rádio e TV de forma mais gene-
de maioria islâmica, a luta impediu que a guerra impe- ralizada, sem que corresponda a uma reivindicação da
rialista, até hoje, seja dada como encerrada; e nos dois população. Foi o caso da RCTV, em 2007, que era vista
últimos, se impuseram derrotas políticas e militares e denunciada pelas massas como golpista e pró-
inéditas a Israel. imperialista. Hoje, o ataque à RCTV mira a imprensa
operária e popular.
Quando analisamos a correlação de forças na luta
de classes, percebemos que a burguesia nunca deixou Assim, quando falamos em mudança da correla-
de atacar. Mas a apatia das massas, que não tiveram for- ção de forças não significa que a classe trabalhadora
ças para resistir e se opor às privatizações, demissões e esteja arrancando vitórias e impondo seu programa.
desmonte do Estado na década de 90, já não se expres- Para isso, seria preciso, além de aumentar ainda mais
sa hoje. as ações de luta, uma direção internacional combativa,
o que não existe. Mas, apesar disso, as lutas têm sido
A classe trabalhadora passou à ofensiva, ainda mais fortes e numerosas nos últimos anos, o que se
que em diferentes graus de mobilização. Onde existia expressa no recuo de parte da aplicação dos planos neo-
luta e resistência, como no Oriente Médio, as mobili- liberais, como as privatizações, a ALCA, etc., e, inclu-
zações e ações contra a ocupação imperialista ganha- sive, ainda que distorcidamente, na onda de governos
ram ainda mais força. Esse cenário criou condições frente-populistas eleitos.
para o crescimento da Al-Qaeda, Hamas e outros gru-
pos que expressam a resistência na região, embora de Esses governos continuam sendo os principais ini-
forma distorcida, pois não defendem um programa migos dos trabalhadores na atual conjuntura. Mesmo
classista e de ruptura com o capitalismo. que, diante de um capitalismo doente e em crise,
alguns setores da burguesia prefiram apostar em alter-
Por outro lado, lugares onde a situação não era de nativas mais de direita, como na Colômbia e
polarização social e conflito aberto, passaram a ser Honduras, por exemplo, o grosso da burguesia mundi-
palco de poderosas greves e protestos. São os casos da al ainda deposita nas Frentes Populares todas as suas
França, Alemanha, Grécia, entre outros. No Leste fichas para tentar conter as lutas e a radicalização do
Europeu, a população repudia cada vez mais a restau- movimento de massas.
ração capitalista e defende o passado dos Estados ope-
rários, pois, mesmo com a degeneração ou deforma- Através de um discurso de esquerda, e de peque-
ção do comando da burocracia, existia emprego, salá- nas migalhas concedidas, esses governos, auxiliados
rio e uma realidade social que foi completamente ani- pelos dirigentes operários governistas e atrelados ao
quilada nesses 20 anos, desde a queda do muro de Estado burguês, representam hoje o alvo mais impor-
Berlim. tante contra o qual os trabalhadores devem direcionar
suas lutas. Combater os governos, além de lutar contra
Na América Latina, os trabalhadores seguem colo- os pelegos sindicais, populares e estudantis em cada
cando a burguesia contra a parede, o que leva ao surgi- disputa de entidade e em cada manifestação de massa,
mento de graves conflitos sociais, como no Peru, ou às deve ser a nossa tarefa.
Frentes Populares, que tentam manter o controle da
situação através de governos nacionalistas ou de retó- 1.5 – Todo o apoio ao povo haitiano
rica anti-imperialista. Em especial no Paraguai, O terremoto que atingiu o Haiti foi motivo de
Bolívia, Argentina e Venezuela há situações bastante comoção mundial por parte dos trabalhadores. Essa
agudas de luta de classes, e os governos não conse- tragédia deve ser encarada do ponto de vista político e
guem impedir que explodam manifestações violentas social. Em nenhum país imperialista e desenvolvido
e radicais. esse terremoto teria causado tamanho estrago, desde o
Na Venezuela, esse processo de experiência das ponto de vista da previsão da tragédia, passando pelo
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

socorro e buscas às vítimas, até a reconstrução do país. tra a exploração. No Oriente Médio, porém, nenhuma
A tragédia recente do Chile prova isso. Mesmo com solidariedade ou intenções de apoio são válidas sem
um poder de destruição bem maior, o número de mor- que se lute por uma Palestina única, laica e não racista,
tos deve ser 200 vezes menor que no Haiti. Por isso, controlada pelos trabalhadores, onde convivam todos
dizemos que os mortos no Haiti são vítimas do capita- os credos religiosos e etnias.
lismo. A vitória dos trabalhadores do Oriente Médio e a
Foi o imperialismo quem saqueou o Haiti durante defesa desses povos contra os ataques imperialistas
séculos. Nesse sentido, a solidariedade dos trabalha- podem significar o maior golpe que o imperialismo
dores é fundamental e urgente, mas o mais decisivo pode sofrer, repercutindo em seu enfraquecimento
deve ser exigir, como questão de reparação histórica, mundial e no consequente fortalecimento da luta inter-
bilhões de dólares, engenheiros e médicos dos gover- nacional da classe trabalhadora. Mais do que nunca, é
nos e da ONU. preciso estar junto à resistência afegã, palestina, ira-
Além disso, é preciso defender que a distribuição quiana e libanesa, e lutar pelo fim do Estado de Israel.
de mantimentos e a reconstrução de escolas, hospitais - Contra as demissões e ataques do capitalis-
e fábricas sejam feitas sob o controle direto dos traba- mo, responder com greves, ocupações e protestos!
lhadores e do povo haitiano, para que o país seja - Estatização, sem indenização e sob controle
reconstruído de forma livre, soberana e socialista, rom- dos trabalhadores, de todas as grandes empresas e
pendo com a burguesia e expulsando o imperialismo do sistema financeiro!
de seu território.
-Fora Obama do Iraque/Afeganistão. Todo
Por último, é necessário que as organizações com- apoio à resistência!
bativas dos trabalhadores aumentem a denúncia das
tropas norte-americanas, brasileiras e da ONU (Mi- - Pelo fim do Estado genocida de Israel!
nustah) no país. Devemos exigir que se retirem imedi- -Pelo Socialismo e pela Revolução!
atamente do Haiti, pois estão lá para legitimar a explo-
ração das multinacionais e reprimir a resistência dos
2 – POLÍTICA NACIONAL
trabalhadores, com o objetivo de reconstruir o país sob
controle direto dos grandes monopólios imperialistas. 2.1 – No Brasil, as lutas estão sendo retomadas
1.6 – Pelo fim do Estado de Israel A classe trabalhadora brasileira, como parte da
situação revolucionária internacional, também está
Um importante desafio à classe trabalhadora, à
lutando mais em comparação a anos anteriores, ainda
Conlutas e à provável nova central é apoiar os elemen-
que em um patamar inferior ao resto do mundo. No
tos mais avançados da luta anti-imperialista. E, já há
Brasil, não existe um grande ascenso dos trabalhado-
algum tempo, um dos epicentros dessa luta é o Oriente
res, com greve geral e enfrentamentos abertos e gene-
Médio.
ralizados com a polícia.
Nessa região do mundo estão concentradas as mai-
Por outro lado, as greves, protestos e ocupações
ores reservas de petróleo e importantes fontes de gás
são cada vez mais fortes, radicalizados e frequentes.
do planeta. É um local estratégico pela sua localização
Em 2008, bateu-se o recorde recente do número de gre-
geográfica, próxima do Afeganistão, Paquistão e da
ves no Brasil (411), fenômeno repetido em 2009. Além
China. Por isso, o imperialismo mantém a maior parte
disso, estas não foram quaisquer greves. Categorias
de suas tropas em território estrangeiro nessa região,
como os trabalhadores nos Correios e os bancários fize-
que conta com duas frentes de guerra.
ram greves todos os anos no último período.
Mas nada disso seria suficiente para impedir a Petroleiros retomaram as mobilizações, mesmo que
vitória das massas contra o imperialismo, se este não ainda parciais; metalúrgicos impuseram derrotas eco-
contasse com um aliado permanente: o ilegítimo esta- nômicas à patronal e aos próprios sindicatos pelegos
do de Israel, fortemente armado e sustentado num regi- em 2009, etc.
me racista, teocrático e terrorista (o sionismo).
Ainda não há uma generalização dessas lutas nem
Não há paz possível sem que se destrua Israel. sua unificação, embora já se perceba um cenário mais
Tampouco há a possibilidade de constituir um Estado favorável do que o anterior, e o espaço à esquerda tam-
palestino livre e soberano, ou de se restabelecer a sobe- bém cresceu.
rania do Líbano, Síria e Jordânia a seus territórios e
Hoje, ainda que as pesquisas apontem altos índi-
recursos, sem o fim de Israel.
ces de popularidade de Lula, a maior parte da classe tra-
Os trabalhadores de todo o mundo devem expres- balhadora rompeu politicamente com o PT, tanto é que
sar sua solidariedade ativa com todos os que lutam con- este partido não transfere toda a aprovação de Lula a
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

sua candidata, e tem muitas dificuldades com suas can- da pública, que ultrapassa R$ 1,5 trilhão, e com a inca-
didaturas estaduais. Mesmo em se tratando de Lula, pacidade de sequer pagar os juros da dívida, uma vez
em comparação a 2003, pode-se dizer que ele ainda que a queda da arrecadação federal arrasou a previsão
tem voto e aprovação, mas já não conta com a euforia e de superávit primário.
ilusão que despertava até tomar posse. O lado humano desses números se expressa nos
Isso se reflete na própria mudança da base social ataques aos direitos trabalhistas; reformas de planos
do PT, que migrou dos operários e setores mais prole- de carreira de funcionários públicos ou de empresas
tarizados e pauperizados da pequena burguesia, para federais, como BB, CEF e Correios, além do arrocho
uma massa popular disforme, boa de voto, mas que salarial e endividamento pessoal.
não se mobiliza em favor do governo, nem é determi- O crédito em alta e fácil tem conseguido impedir
nante no processo produtivo. que as famílias parem de consumir, mas se transfor-
Esse é um debate fundamental para elaborar as mou numa bola de neve. O resultado é que o percentual
principais tarefas e palavras de ordem para as próxi- de dívida do brasileiro, em relação a seu salário, saltou
mas lutas. Não é verdade, como afirma o PSTU, que as de 16,5%, em 2003, para 39,7%, em 2009!
massas confiam amplamente no governo Lula e depo- Os números falam por si. A crise não acabou e os
sitam gigantescas ilusões sobre ele. É menos verdade trabalhadores têm mais motivos para lutar.
ainda em relação ao processo eleitoral, já extrema-
mente desgastado e alvo do deboche de amplas mas- 2.3 – O desgaste da democracia burguesa e as
sas. eleições
É verdade que, em função da ausência de um À medida que aumentam as lutas dos trabalhado-
ascenso dos trabalhadores, e de processos mais radica- res, diminui o número daqueles que ainda acreditam
lizados na luta de classes, essa ruptura política com o nas regras do sistema democrático-burguês. O
governo Lula esbarra na falta de uma alternativa pela Congresso Nacional, o processo eleitoral e as institui-
positiva. Isso gera muito ceticismo e desconfiança por ções em geral estão completamente desmoralizados
parte do conjunto da população, o que afeta o conjunto perante uma grande parte da população. Somente esse
dos partidos eleitoreiros e instituições do sistema capi- ano, os casos Sarney, Yeda, Arruda e Kassab fizeram
talista (o que é progressivo), mas, como efeito colate- aumentar ainda mais o repúdio das massas aos políti-
ral, muitas vezes, também afasta os trabalhadores de cos tradicionais e às eleições.
vislumbrarem a possibilidade de uma organização de Hoje, o conjunto dos partidos políticos são questi-
outro tipo, combativa e revolucionária. onados e o senso comum dos trabalhadores brasileiros
2.2 – Uma economia frágil e dependente é o de que "político é tudo igual e ladrão", incluindo o
PT. O fim da esperança de mudar de vida com um
A economia brasileira começa a ficar mais está- governo do PT representou também o fim da esperan-
vel, mas está longe de ser o que era. Comparando-se ça de mudança pelo voto em qualquer um, o que é um
números do final de 2009 com o final de 2008, o saldo grande problema para a burguesia, já que a democracia
da balança comercial foi o pior desde 2002, com uma burguesa é forte exatamente por passar a impressão de
queda maior que 20%. Além desse resultado negativo, que o povo é quem decide seu governo. Hoje, já não é
a maior parte das exportações continua sendo de maté- isso que a quase totalidade da população pensa.
rias-primas e produtos sem valor agregado, que geram
menos empregos. No próximo processo eleitoral deve predominar a
indiferença e apatia por parte dos trabalhadores com a
Enquanto isso, os produtos industrializados são maioria das candidaturas. Para tentar mudar esse qua-
os primeiros da lista de compras do Brasil, ficando dro, os partidos tradicionais tentam forjar figuras
claro o caráter semicolonial da economia brasileira. “oprimidas” e identificadas com os mais pobres.
Continuamos comprando das "metrópoles" os produ-
tos industrializados, feitos com os artigos que vende- O PT com Dilma tenta repetir o que fez com Lula,
mos em forma bruta - as chamadas commodities, um ex-operário e grevista, que recebeu apoio popular
como os produtos agrícolas, pecuários e minerais. em função de seu passado. O PV lança Marina Silva
que, além de mulher, tem um discurso em defesa do
A queda do PIB em 0,2% em 2009, o que não acon- meio-ambiente, ainda que reivindique na íntegra a polí-
tecia desde o governo Collor em 1992, prova que o tica governista. A própria direita, como nas eleições de
Brasil foi fortemente afetado. A indústria, que é o ramo 2006, deve adotar um discurso mais popular e esquer-
mais dinâmico e desenvolvido da cadeia produtiva, dizante para dialogar com a consciência dos trabalha-
continuava 5,9% abaixo dos índices pré-crise no fim dores, anti-imperialista e antineoliberal.
de 2009.
Nesse sentido, a participação de candidatos da
Estes dados somam-se com o crescimento da dívi-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

classe trabalhadora nas eleições de 2010 deve estar a


serviço de, além de divulgar as lutas e mobilizar as mas- 3 - POR UMA DIREÇÃO DE MASSAS, DE
sas, fazer avançar a consciência dos trabalhadores con- LUTA E SOCIALISTA
tra a farsa eleitoral e a democracia burguesa, com pro-
gramas que denunciem os governos e os patrões, as ele- 3.1 - O sindicalismo majoritário é governista e
ições e o conjunto das instituições do sistema capitalis- pelego
ta. A reorganização sindical e política brasileira deve
É preciso repudiar as tentativas por parte do ser pautada a partir da experiência dos trabalhadores e
PSOL de constituir uma coligação junto ao PV de das massas com os dois mandatos do governo de
Marina Silva, que defende integralmente a política eco- Frente Popular. A chegada de Lula e do PT ao governo
nômica desde o governo FHC até Lula. Não é à toa que em 2003 determinou uma nova situação política no
o PV está junto com o PSDB e o DEM no Rio de país, pois importantes ferramentas dos trabalhadores,
Janeiro e deixou o PSOL de lado, forçando sua direção como CUT, UNE, UBES e MST, passaram para o lado
a desistir da coligação com o PV. desse governo, que, desde o início, se comprometeu
com o grande capital e com o imperialismo.
O PSOL, desse jeito, repete a política do PT de
compor frente com a burguesia nas eleições, com o Os ataques aos aposentados e servidores públi-
único objetivo de eleger mais parlamentares. cos; a ajuda bilionária ao FMI, banqueiros e montado-
Justamente por isso, é inadmissível que o PSTU insista ras durante a crise econômica; o aumento do custo de
em construir uma Frente Popular junto a esse partido, vida; o aumento da violência e repressão da polícia nos
que defende um programa burguês, de desenvolvi- morros e favelas do país, em especial sobre a popula-
mento nacional do capitalismo com algumas reformas, ção negra; as declarações contra os grevistas da cidade
como foi feito nas últimas eleições. e os lutadores do campo: este é o legado de Lula.
Os lutadores devem estar representados nas elei- Esse conjunto de ações do governo determinou
ções por um programa classista, que seja independente uma mudança significativa de sua relação com os tra-
da burguesia e defenda a ruptura com o capitalismo e o balhadores. Já a cooptação da CUT transformou a mai-
controle por parte dos trabalhadores das riquezas e da oria dos sindicatos e as maiores centrais brasileiras em
produção do país. Esse tipo de candidatura é impossí- entidades inimigas dos interesses dos trabalhadores,
vel junto ao PSOL e seus parlamentares, que defendem comprometidas com o discurso patronal e adeptas do
uma saída por dentro do capitalismo e suas institui- gangsterismo e de métodos mafiosos para se mante-
ções. rem em seus cargos.
Nesse sentido, o PSTU deve impulsionar uma can- A CUT saiu em defesa de Lula desde seu ataque
didatura operária, sem o PSOL, classista e socialista, contra os aposentados em 2003, passando pela defesa
que enfrente a Frente Popular e denuncie o processo incondicional do governo no auge do mensalão.
eleitoral. Essa candidatura deve se dar em unidade Agora, ela e a CTB, traem, uma a uma, todas as greves
com todas as organizações operárias e populares de e mobilizações mais importantes da classe trabalhado-
luta que estejam dispostas a construir esse programa, ra.
através de comitês abertos e democráticos e espaço Seus sindicatos e federações sobrevivem do
para as forças políticas que vierem a compor a frente Imposto Sindical, de verbas governamentais como as
classista possam expressar suas posições. oriundas do FAT, e de verbas diretamente da burgue-
- Derrotar Lula! Abaixo o Congresso sia, como ocorre com os atos de 1º de Maio, em que a
Corrupto! patronal patrocina as festas dessas centrais com sorte-
io de carros e shows.
- Pela reestatização das empresas privatizadas
e estatização de todo o sistema financeiro e princi- 3.2 - Conlutas: um balanço necessário
pais empresas, sob controle dos trabalhadores. Diante dessa conjuntura de traição completa da
- Pela redução da jornada de trabalho para direção do movimento de massas, surgiu a Conlutas,
36h semanais. que expressou parte do que de melhor existiu na luta
antiburocrática e antigovernista.
- Isenção das taxas de água e luz para desem-
pregados, com passe livre a eles e à juventude. Desde o início, a necessidade de romper com a
CUT impulsionou diversas iniciativas, a partir da base
- Prisão e confisco dos bens dos corruptos e cor- de categorias em luta. De forma organizada ou de
ruptores. modo espontâneo, surgiam propostas como o fim da
- As eleições não mudam nada. Por candidatu- contribuição à CUT e até mesmo de desfiliar os sindi-
ras revolucionárias contra as saídas reformistas. catos dessa Central.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

É nesse contexto histórico que reside o acerto da de luta ou eleitoral, para agitar a necessidade de ruptu-
construção da CONLUTAS. Muito mais do que uma ra com essa Central e construir chapas sindicais e estu-
iniciativa correta e progressiva, ela expressava a real dantis cuja preocupação era com um programa classis-
necessidade do movimento de massas brasileiro diante ta e combativo, não em dividir cargos na direção.
de um processo de traição das velhas direções operári- Esses eixos ficaram no passado.
as. A atual realidade determina a urgência de uma
Todas as direções que se negavam a afirmar isso e forma mais dura de enfrentar o governo Lula e o regi-
estabelecer o processo de reorganização sindical para me democrático burguês, com muito mais denúncias
superar as direções governistas estavam cometendo do que exigências (ainda que devam ser combinadas),
um crime contra os trabalhadores. Era isso que faziam ao contrário do que as direções da Conlutas e
setores da chamada esquerda da CUT, constituído pela Intersindical vêm fazendo na atual conjuntura, e que
"esquerda do PT", e setores do PSOL, que apostaram pretendem continuar a fazer.
na Assembleia Popular como uma 3ª via, que não rom- 3.3 - Unidade de todos ou unidade contra o
pia com a CUT e o governo, mas tentava ser indepen- governo?
dente dele.
Infelizmente, a maior parte do aspecto progressi-
Na prática, esta 3ª via se consolidou como um vo e correto da construção da Conlutas começou a ir
canal auxiliar da via governista, ao ajudar a impedir por água abaixo nos últimos anos. No lugar de jorna-
que setores que rompiam com o governo e a CUT fos- das de lutas que já mobilizaram até 1 milhão de traba-
sem construir uma opção de luta. lhadores, como em abril de 2007, de amplas campa-
A Assembleia Popular surgiu com o propósito de nhas e de uma política firme de denúncia do governo
ser esse dique para impedir a luta radical contra o Lula e do regime burguês, temos visto o contrário.
governo e era, portanto, regressiva e nociva aos traba- Desde meados de 2007 até agora, a Conlutas não
lhadores. A Conlutas, neste momento, afirmava isso e foi capaz de organizar nenhuma ação de massas, de rua
a denunciava abertamente. e nacional. Sua atuação se resume a atos regionais,
Na atualidade, a Intersindical é a herdeira política ações superestruturais, como abaixo-assinados ou ape-
e concreta desse papel da ex-Assembleia Popular. No nas em se somar a atos da CUT/governo.
entanto, a posição da direção da Conlutas mudou 180 Construir Frentes contra isso ou a favor daquilo,
graus e, já no seu congresso de 2008, o balanço feito sempre em Frente Única com o governo, é um crime
dizia que "Conlutas e Intersindical são duas expres- para quem se diz marxista. O “bê-a-bá” da luta de clas-
sões desse movimento progressivo de ruptura com os ses, através da experiência de gerações e gerações de
governistas". lutas operárias, nos ensinou que não há programa em
Nesse sentido, é preciso que a direção da comum entre a classe trabalhadora e o governo.
Conlutas faça uma autocrítica do que dizia desde o É inadmissível fazer parte permanentemente de
seu início ou, então, que mude sua política atual. Nós frentes únicas com a CUT, CTB, etc., seja contra as
defendemos que o que a Conlutas compreendia do demissões, pela reestatização da Vale, contra a emenda
papel da então Assembleia Popular é correto, e, por 3 da Reforma da Previdência, etc.
isso, discordamos do modo como hoje se faz a fusão
com a Intersindical. A direção da Conlutas pode pensar Em tese, ao contrário da impossibilidade das
diferente, mas não pode passar a versão de que isso é a Frentes Únicas com o governo, poderíamos fazer
continuidade natural do que sempre fez. É o oposto. ações específicas em comum. Não há nenhum proble-
ma de princípio de realizarmos atos com a CUT e
Na época, se afirmava que a Conlutas poderia CTB, desde que expressem um ponto (e não um pro-
cumprir um papel decisivo na reorganização dos traba- grama) em comum; que a isso corresponda a mobiliza-
lhadores organizados, desorganizados e desemprega- ção da massa; e se faça ainda mais enfrentamento aos
dos; do movimento popular; dos trabalhadores do pelegos, dentro do ato e publicamente, do que já faze-
campo e dos estudantes. Neste início da Conlutas, a mos em qualquer ocasião.
bandeira de defesa do socialismo era algo presente, e o
debate era de que, como a COB boliviana, a Conlutas Mesmo com estas pré-condições, não se pode
teria elementos de uma "central-povo", que poderia criar o fetiche da unidade sempre. Pode ser que ela, cir-
expressar um caminho por onde passaria a organiza- cunstancialmente, não sirva para os trabalhadores.
ção do duplo poder, numa ocasião de crise revolucio- Como escrevemos anteriormente, há casos em que a
nária no Brasil. unidade não soma; só confunde, rebaixa e despolitiza a
luta dos trabalhadores. Mas, assim como pode ser que
Nesse período, o eixo da Conlutas era bater no não sirva para os interesses de nossa classe, pode ser
governo e na CUT, aproveitar cada processo sindical, que seja importante. Devemos saber dar o devido valor
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

à soma de esforços da classe trabalhadora, mesmo com O problema de ir a reboque das manifestações dos
suas diferenças políticas. É desse modo que encara- governistas não é só porque eles não são de fato contra
mos a questão: como uma tática. o desemprego nem são consequentes na luta pela rees-
A direção da Conlutas, porém, não trata a questão tatização. O problema é que eles estão entre os culpa-
assim. Para começar, comete um erro de princípio no dos por isso tudo. Nossos atos deveriam não apenas ser
terreno da capitulação ao governo, ao formar Frentes sem eles, como teriam de ser contra eles!
Únicas (com organismos formais, programa, materia- Portanto, a unidade de ação, que em tese é possí-
is, nome e reuniões regulares) com inimigos de classe - vel com os governistas, hoje se resume, pela prática, e
o governo e seus agentes. não por um sectarismo pré-concebido, a poucas inicia-
Em 2º lugar, no que se refere à possibilidade de tivas, que de fato ocorrem, e todos estamos de acordo.
apenas conformarmos atos em comum, sob uma Hoje, porém, o centro de nossos atos deve ser con-
mesma bandeira, as "unidades de ação", comete erros tra o governo e os governistas, com atos próprios,
táticos e outros de princípio. priorizando a ação direta e o enfrentamento.
O erro tático é que, ainda que possamos fazer atos A gota d'água desta política oportunista que o
comuns com os governistas, e os façamos quando é o PSTU, como direção, leva à Conlutas, é a ausência de
caso, isso só deve ocorrer se o ponto em comum real- enfrentamento aos pelegos dentro destes atos comuns.
mente nos unifica. Por exemplo, se houver um ato con- Em algumas vezes, nem uma diferenciação clara é fei-
tra a presença da Inglaterra nas Malvinas (Argentina) ta, e em alguns casos apenas isso.
podemos, e talvez devamos, estar na mesma manifes- Mas se diferenciar de um pelego é bem diferente
tação com o PT e PCdoB. Isso está colocado hoje em de se enfrentar com ele. Depois de um governista
dia. defender o governo Lula, um orador da Conlutas
Isso ocorreu na marcha de abertura do FSM, em tomar a palavra e apenas criticar o governo é uma dife-
que todos marcharam juntos, poderá se repetir numa renciação. Isso nem sempre é feito. Mas se enfrentar
greve e em muitas outras ocasiões. Lembrando que com a pelegada exigiria mais: denunciar o papel das
isso é tático, e pode ser que haja forças, condições e a direções majoritárias das massas como defensoras
avaliação de que é melhor construir atos separadamen- deste governo e identificar que, para barrar os ataques,
te. Mas se a unidade for positiva, lá devemos estar o desemprego, etc., é preciso construir uma nova dire-
todos nós, como ocorreu várias vezes. ção, e romper com as burocracias da CUT e CTB, por
exemplo. Isso nunca é feito!
Mas a direção da Conlutas, como dissemos, tem o
critério de que é importante lutar junto a qualquer cus- Em nome da unidade, a diplomacia impera, e a
to, mesmo que com os inimigos. O critério não é o do verdade que precisaria ser dita aos trabalhadores é
conteúdo, e sim o do número de pessoas e da "unidade" escondida. Em vez de levar sua base, muitas vezes a
em si, como uma abstração. CUT leva somente seus dirigentes aos "atos unitários",
mas, mesmo assim, condiciona toda a política dos atos
Assim, na prática, existe a tática transformada em e recebe a omissão capituladora da Conlutas em
uma estratégia permanente, com atos em comum com denunciá-la.
os governistas em tudo que envolve questões que são
centrais para a luta de classes: foi assim na luta contra a Pior que abrir mão de mobilizar contra os gover-
reforma da Previdência e suas emendas; quando da pre- nistas, é abandonar a própria independência de classe
sença de Bush no Brasil (ambas em 2007); na luta con- em nome dessa unidade e poupar os pelegos.
tra o desemprego e plano econômico (de 2008 até 3.4 - Chapas com traidores em nome do apara-
hoje), etc. to
Uma marcha a Brasília da Conlutas chegou a ser Na mesma lógica equivocada e oportunista de
adiada muito tempo para coincidir com o MST (que transformar a possibilidade de unidade de ação com
depois nem marchou junto), e assim por diante... amplos setores em uma política permanente e princi-
Há três anos, no mínimo, esta tem sido a política pista, cuja explicação está na “busca da unidade” em si
da Conlutas. Em "dias de festa", como os 1ºs de Maio, mesma, vem a formação, cada vez mais comum, de
8 de Março ou 20 de Novembro, fazem-se atos em sepa- chapas sindicais com setores do governo.
rado para marcar posição. Ultimamente, às vezes, nem É o caso escandaloso que existe na chapa com a
nestas datas. No restante do calendário de lutas, inclu- Articulação (direção máxima do PT, da CUT, do
indo as iniciativas que correspondem às respostas aos governo e do mensalão) em Correios no RJ. Também é
principais ataques contra os trabalhadores, as iniciati- o caso da gestão em comum com a DS nos professores
vas são em unidade permanente com os governistas. do RS e dos inúmeros casos de alianças feitas ou nego-
ciadas com o PCdoB Brasil afora (eleições nacionais
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

no BB e CEF, em bancários, por exemplo). organizações.


Para justificar estas capitulações reiteradas, o Esta é a Conlutas atualmente. Há alguns anos, se
PSTU e a direção da Conlutas, portanto, só conseguem tinha orgulho de inscrever uma chapa que debates-
alegar a luta pelo aparato. Eles não tratam por este se os problemas da categoria e defendesse o progra-
nome, é claro. Falam em "derrotar a CTB" nos ma de que necessitavam os trabalhadores. Às vezes
Correios do RJ ou em "derrotar a Articulação" nos pro- se fazia 10%, às vezes 30%, e às vezes se ganhava!
fessores do RS. Mas era uma vitória dos trabalhadores que se apre-
Como a CTB e a Articulação, antes de serem sentasse uma alternativa à CUT, ao sindicalismo
correntes avulsas, são correntes governistas, para pelego e à burocracia. Hoje tudo mudou, e a linha é
realmente derrotar a CTB ou a CUT/Articulação, a de chapas para ganhar, custe o que custar.
em qualquer lugar, é preciso derrotar a política 3.5 - Um recuo inexplicável
governista. Mas como derrotar essa política, se Na prática, o que tem explicado a possibilidade de
num lugar o aliado é justamente a CTB, e em outro fusão entre a Conlutas e Intersindical, que já expressa-
a própria Articulação? ram projetos políticos opostos no Brasil, é a mudança
A verdade é que, por trás da desculpa de "derrotar política da direção da Conlutas, formada em torno do
corrente x ou y", está o foco na busca desvairada pelo PSTU. A Intersindical, herdeira da Assembleia
aparato e pela possibilidade de estar na direção das enti- Popular, não mudou, e sim a Conlutas, que votou que
dades, mesmo que de boquinha bem fechada e submis- nenhum item de programa era pré-condição para a
so às ordens dos governistas, como já ocorre nos pro- fusão.
fessores do RS, por exemplo. Quando falamos que a atuação da Conlutas
Naquele sindicato (CPERS), até a última eleição, mudou na luta de classes, damos exemplos.
a Conlutas sempre atuou com o propósito principal de Na greve de Correios de 2009, por exemplo, em
denunciar os governistas como traidores da categoria, que a minoria do comando de negociações era com-
em nível federal e estadual. A DS, por exemplo, é a mai- posta pela Articulação e CTB, e a maioria pelo
oria do PT e da CUT no RS. A DS representa o mensa- PSTU, MRL(CUT), PCO(CUT) e ASS(CUT), a
lão gaúcho, tendo ido buscar malas de dinheiro em direção da Conlutas, que tem um peso importante
Minas Gerais. Em todas as lutas, eles traem os traba- nacionalmente, cumpriu um papel desastroso.
lhadores. Fazem isso nos bancários, onde são a dire-
ção, nos Correios, em professores e em cada escola, Os governistas (minoria do comando, mas dire-
rua ou metro quadrado onde pisam. ção em estados importantes como SP e RJ) começaram
a dar golpes e fraudar assembleias, mentindo para os
Na prefeitura de Porto Alegre, foi a DS quem trabalhadores com o intuito de aprovar o acordo de
bateu em trabalhadores e acabou com o reajuste dois anos, para impedir uma greve em 2010, que é ano
bimestral dos municipários, que repunha a inflação. eleitoral.
No governo do estado do RS, hegemônica no mandato
de Olívio Dutra, deu reajuste de 0% no Banrisul (ban- Quando a greve estava muito forte na maioria dos
co público estadual); espancou sem-terras, arrochou e estados, apesar de sua sabotagem, a burocracia levou
atacou professores em greve. gerentes e fraudou a votação para encerrar a greve no
RJ e SP.
Nesse último caso, a secretária da educação e os
militantes da DS em professores, incluindo a atual pre- O que fez o PSTU nesse dia quando a maioria dos
sidente do sindicato, pelega histórica e fura-greve, atu- sindicatos ainda estava em greve e existia espaço para
avam juntos para desmontar a paralisação. É essa gen- pelo menos tentar reorganizar a greve em SP, que não
te, inimiga de toda a classe trabalhadora, que encabe- tinha sido derrotada, e sim manipulada num golpe?
çou a chapa que a Conlutas compôs e apoiou na última Nada! A orientação do comando nacional, através do
eleição, e com a qual dirige o sindicato, que segue com PSTU, foi a de dizer que “cada sindicato avalia e deci-
uma peleguice atrás da outra, no máximo criticando o de a situação”. Não disse nem que a greve deveria ter-
governo Yeda Crusius do PSDB. minar nem que deveria continuar. Resultado: a buro-
cracia ficou de mãos livres para acabar com a greve em
Desde que assumiu a gestão como apêndice da todo o país, contando com a colaboração da base sindi-
CUT mensaleira e governista, o PSTU e demais seto- cal dirigida pelo PSTU, que também defendeu acabar
res da Conlutas que compõem a situação nunca mais a greve.
fizeram qualquer movimento para a desfiliação do sin-
dicato da CUT. No mínimo, há um acordo tácito de não Como consequência desta atitude, o governo pin-
se falar no assunto, para não afirmarmos que há um tou e bordou, impondo desconto de salário, pagamento
acordo formal, o que seria uma traição histórica destas de horas da greve (canceladas na Justiça) e um reajuste
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

horrível, válido por dois anos. Tudo que Lula queria! Nunca nos opusemos à unidade e à possibilidade
Foi uma vacilação e covardia poucas vezes vistas no de fusões entre as organizações operárias. Pelo contrá-
movimento sindical por direções combativas. rio. Achamos que, se baseada em critérios de programa
No RS, onde o sindicato é proporcional, a minoria e concepção sindical, a unificação é absolutamente pro-
de diretores do Movimento Revolucionário, junta- gressiva e fundamental para o movimento sindical.
mente com ativistas independentes combativos, este- Nós fomos dos que sempre defenderam a estraté-
ve à frente da direção da greve, e a história foi outra. A gia da fusão de todos os lutadores, e os há em grande
greve, enquanto ainda era possível tentar mudar a con- número na base da Intersindical, mas, exatamente para
dição nacional, foi continuada por mais alguns dias, e que a unidade venha para acrescentar, sempre fomos
só encerrou quando o desmonte já era irrecuperável. contra o método precipitado e burocrático como aca-
Ainda assim se manteve o estado de greve, rejei- bou se dando.
tando a proposta e aprovando, por unanimidade, uma De qualquer modo, diante da constatação de
moção de repúdio contra todo o Comando Nacional, que é um fato consumado a efetivação da fusão,
incluindo a maioria (PSTU/MRL/PCO/ASS) e mino- devemos tratar de fazer do limão uma limonada.
ria governista, que dizia “eles não falam em nosso Por isso, defendemos que todos os ativistas hones-
nome”. tos, de base ou dirigentes, comprometidos com a
Diferente da greve em bancários, que foi desmon- luta antiburocrática e antigovernista ingressem na
tada politicamente em SP e Brasília, derrubando os nova central, e que juntos conosco, ajudem a cons-
outros todos como um dominó; nos Correios, não truir um polo de luta e socialista, que se diferencie
houve derrota da greve em lugar algum, e sim uma frau- da provável maioria desta nova central, apresen-
de, que adulterou a vontade dos trabalhadores, inclusi- tando uma concepção democrática, plural e da
ve do RJ e de SP. ação direta para esta nova central.
Por fim, outro aspecto que nos preocupa diz res- Apesar dos erros, é possível, com a direção ade-
peito à permanente tentativa de cooptação estatal, atra- quada, dotar a nova central de uma força imensa,
vés do, antes denunciado e totalmente rejeitado, que propicie a derrota do governo e de seus ataques
imposto sindical. aos trabalhadores.
Esse imposto hoje é repassado aos sindicatos da Para isso, vamos precisar de unidade, sim, basea-
Conlutas, sendo que a maior parte das entidades filia- da no respeito às diferenças internas e espaço às mino-
das não devolve este valor confiscado dos trabalhado- rias; vamos precisar, ainda mais, de firmeza e organi-
res. Em nossa opinião, os sindicatos que compõem a zação, para levantar bem alto o programa combativo e
Conlutas ao usarem este recurso patronal, e a Conlutas classista de que necessitam os trabalhadores.
não apenas permitir, como também se beneficiar desse Essa batalha deve ser assumida em bloco pelos
valor (através dos repasses mensais e colaborações diferentes grupos e posicionamentos independentes
financeiras), faz com que todos sejam cúmplices deste que estão hoje na esquerda da Conlutas, mas que tam-
processo. pouco se confundem com a ultraesquerda estéril, que
Defendemos que o imposto sindical seja denunci- não atua na luta de classes e apenas age de modo dile-
ado insistentemente em todas as nossas bases e que tante e denuncista.
devolvamos cada centavo aos trabalhadores, como Nossa tese está a serviço de discutir a necessidade
fazem os sindicatos de bancários do Rio Grande do de agrupar imediatamente os setores independentes ou
Norte e de Bauru, por exemplo. Sem fazer e exigir isso organizados que compreendam a necessidade de se
de seus membros, a Conlutas estará se misturando aos construir esta nova direção.
superpelegos que tanto denunciou, e que estão na cabe-
ça do processo de legalização das Centrais e repartição
do imposto sindical, conforme as novas regras agora 4 – POR UMA NOVA CENTRAL DE LUTA
existentes, e às quais a Conlutas foi incorporada. E PELA BASE
3.6 – Por uma central de base e de luta, cons- 4.1 – Ganhar a nova central para a luta radical
truir uma nova direção contra governo e governistas
Em razão desse recuo da Conlutas, e da dinâmica Defendemos a disputa organizada da nova cen-
de que a fusão serve para crescer do ponto de vista do tral, por dentro, para que assuma um caráter radical e
aparato e não do fortalecimento das lutas com um pro- de enfrentamento aos planos do governo e ao capitalis-
grama classista e socialista, viemos dizendo que está- mo.
vamos contra a fusão, sem discussão e sem programa Será preciso agitar sobre as categorias de entida-
claro. des filiadas ou não à nova central os efeitos dos ata-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

ques dos patrões e as traições das centrais pelegas. política, abaixo apenas do Congresso e encontros.
Dessa forma, cada ato e manifestação devem ser colo- A realização de iniciativas como atos noturnos,
cados em defesa da mais básica necessidade dos traba- por exemplo, como é tradição na Argentina, e
lhadores, mas sempre ligando esta luta à necessidade outras medidas que possam explorar a possibilida-
histórica de se derrotar o sistema como um todo. de de incorporar novos setores às lutas, além da
A nova central precisa assumir o que a Conlutas “vanguarda” de sempre, precisa ser uma preocu-
dizia ter nascido para fazer: defender o socialismo, na pação constante da nova central.
teoria e na prática, aglutinar todos os setores explora- Outra política importantíssima é a dos rodízi-
dos, lutando para incorporar a juventude, o conjunto os nas direções sindicais. Hoje, existem dirigentes
dos movimentos populares e as entidades de luta con- da própria Conlutas há 15 ou 20 anos como libera-
tra a opressão. dos sindicais. Alguns nem mais vínculo com alguma
Esta nova central precisa ser dirigida e controlada empresa ou categoria têm. Esta realidade deve aca-
pela base, com um programa de combate aos burocra- bar! Defendemos o rodízio, a limitação de manda-
tas e pelegos sindicais, mesmo os que estarão em suas tos e liberações aos militantes sindicais e a luta por
próprias fileiras. Esta luta precisará ser feita de forma formas combinadas de manutenção da estabilidade
fraterna, mas firme, por dentro dos organismos da dos companheiros do setor privado.
nova central, que deve assumir um programa alternati- Por fim, após o Conclat é determinante que se ini-
vo ao que propõe sua atual maioria. cie uma ampla campanha de agitação nacional sobre a
4.2 – Ir à base, combater o burocratismo e cons- nova central, com panfletos, cartazes e adesivos divul-
truir uma alternativa de verdade gando seu programa na base de todas as entidades dos
É preciso que desde o congresso de fundação até trabalhadores e em grandes centros urbanos, para que
os encontros nacionais e regionais, que devem ser regu- ganhe visibilidade entre as massas e a classe trabalha-
lares e mais frequentes, os trabalhadores discutam a dora.
respeito das bandeiras e tarefas que nortearão as ações
da central, o que hoje fica restrito a alguns poucos diri- 5 –PLANO DE AÇÃO
gentes das entidades.
5.1 – Retomar a campanha forte de desfiliação
As teses para os congressos e os encontros regio- da CUT, incluindo a CTB
nais devem ser debatidas em assembleias e, onde for
possível, em locais de trabalho. Nesse sentido, as reu- Uma das tarefas mais urgentes da nova central
niões e encontros devem ser abertos para a base e deverá ser a retomada imediata da campanha de desfi-
amplamente convocados. É fundamental que se mude liação da CUT, CTB, Força Sindical, etc. Temos que
a prática de reuniões de coordenação da central em mapear as entidades em que é mais realista fazer essa
horários que somente liberados sindicais podem disputa e definir um calendário para que voltemos,
participar. com toda força, a esta política que hoje está secundari-
zada.
Como expressão desse caráter de base, a central
deve ter um funcionamento com uma coordenação Em muitas entidades não sairemos vencedores,
aberta, em que todas as entidades que reivindicam e mas nossa agitação pode ajudar a desenvolver rebe-
constroem a central devam estar representadas liões de base ou a ganhar alguns setores para a oposi-
com direito a voto nas reuniões, de modo proporci- ção. Em outras entidades, porém, conseguiremos
onal, considerando seus diferentes trabalhos de base, enfraquecer o poder da burocracia de modo mais signi-
representação, percentual de sindicalizações e peso ficativo, e há um enorme espaço para desfiliar mais
eleitoral. centenas de entidades das centrais governistas.
As finanças devem ter rateio dos custos entre A constituição de chapas próprias da nova central
seus integrantes ou um fundo para isso, revertendo e atos independentes devem ser prioritários, ainda que
a lógica atual, em que participam mais as entidades devam ser analisados todos os casos especificamente.
com mais dinheiro. 5.2 – Por uma agitação de massas sobre a classe
A existência de uma direção executiva deve trabalhadora
estar subordinada à coordenação nacional da nova Além disso, na primeira semana de agosto, é
entidade, composta por todas as suas entidades, e necessário que seja construído um grande processo de
deve ser rotativa e com mandato revogável a cada paralisação das principais categorias de luta do país,
reunião. Ela precisa conduzir os encaminhamentos como uma preparação para a unificação das campa-
deliberados pelas coordenações nacionais, que tem nhas salariais de correios, bancários, petroleiros, meta-
que ser os organismos máximos de deliberação da lúrgicos, servidores, etc., que ocorrerá logo em segui-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

da, nas campanhas salariais. empregados, exploradores e explorados, a ideologia


Propomos os seguintes eixos: Contra a sobrecar- dominante difunde a ideia de que o que diferencia e
ga de trabalho e a superexploração; Pela redução da jor- opõe as pessoas são a raça, o gênero, a religião, a orien-
nada de trabalho para 36 horas sem redução salarial; tação sexual, a nacionalidade...
Aumento geral dos salários rumo ao salário mínimo do Com essa política deliberada, jogam-se os traba-
DIEESE; Defesa da Petrobrás 100% estatal e sob con- lhadores uns contra os outros e os preconceitos contra
trole dos trabalhadores; Contra a entrega do Pré-Sal os oprimidos (mulheres, negros, homossexuais, nacio-
para as multinacionais; Contra o acordo de dois anos nalidades oprimidas) permitem que amplas fatias da
imposto pela ECT e Lula aos trabalhadores dos classe trabalhadora tenham a exploração multiplicada.
Correios, que pode ser utilizado contra outras catego- Por isso, dizemos que não há capitalismo sem
rias se não for derrubado; Derrotar o PT e a direita; machismo, racismo ou homofobia. As lutas dos traba-
Abaixo o Congresso Corrupto; As eleições não lhadores devem assumir as bandeiras dos oprimidos
mudam a vida, é preciso lutar; Em defesa do como parte central do programa de luta, em cada elei-
Socialismo! ção, entidade e manifestação. O programa contra as
É fundamental que em 2011 se construa um pro- opressões deve dar resposta a cada ponto específico de
cesso ainda maior de mobilizações e paralisações, luta e emancipação dos oprimidos, mas precisa estar
visto que a tendência é o agravamento das consequên- combinado, em todos os momentos, com a luta geral
cias da crise econômica e, com isso, ainda mais dispo- contra o capitalismo, que sustenta a opressão.
sição de luta por parte dos trabalhadores. Dessa forma, ainda que todos os negros, mulheres
É necessário trabalhar com no mínimo quatro e homossexuais sejam oprimidos, são seus setores ope-
grandes jornadas de luta e paralisações gerais, duas rários que sofrem a exploração, e é de modo classista e
por semestre. Dessas quatro, uma jornada de luta por socialista que se deve dar, diariamente, nossa luta e
semestre deve culminar com uma grande marcha naci- organização.
onal centralizada em São Paulo, Rio de Janeiro ou 6.2 – Por um programa feminista combativo e
Brasília, e as demais descentralizadas pelo país. socialista
Dessa forma, intensifica-se o enfrentamento dire- Todas as mulheres são oprimidas para que as tra-
to contra o governo e os patrões em torno das principa- balhadoras sejam superexploradas. Só é possível eman-
is reivindicações da nossa classe e torna-se possível cipar totalmente a mulher e libertá-la da opressão de
discutir com o conjunto da classe trabalhadora a neces- gênero, quando acabarmos com a exploração de classe
sidade de se preparar uma greve geral no país para que as mulheres da massa trabalhadora sofrem.
defender o emprego, salário, saúde, educação, mora-
dia, além dos problemas mais sentidos no momento Dentro do capitalismo, é essencial lutar por cada
atual. questão específica, como a de quem trabalha a mesma
quantidade de horas e recebe cerca de 70% por igual
A greve geral não deve ser agitada para a ação ime- serviço feito por homens. É importantíssimo preservar
diata, de forma artificial. Deve ser preparada e cons- direitos ameaçados, como a aposentadoria com 5 anos
truída na base, em cada local de trabalho, convencendo a menos, além de lutar pela licença maternidade de 6
os trabalhadores sobre a importância da unificação das meses para todas e pelo direito ao aborto.
lutas e das campanhas salariais e, especialmente, sobre
a necessidade de parar a produção todos juntos para Também é necessário denunciar e lutar contra a
colocar o governo e os patrões contra a parede e garan- violência doméstica, sexual e policial, bem como con-
tir nossas reivindicações. tra o assédio sexual e qualquer forma de constrangi-
mento e humilhação às mulheres.
- Pela redução da jornada de trabalho para
6 – A LUTA CONTRA O MACHISMO, 36h semanais
RACISMO E HOMOFOBIA
- Pela implantação da licença-maternidade de
6.1 – Não há capitalismo sem preconceito e 6 meses para todas, sem isenções às empresas.
opressão
- Pela legalização imediata do aborto, público,
As classes dominantes, ao longo da História, e a gratuito, e sem burocracia.
burguesia, no capitalismo, sempre se utilizaram da
divisão artificial da classe trabalhadora para melhor - Acesso à informação e métodos contracepti-
garantir a exploração. vos gratuitamente e sem constrangimento.
Assim, em vez de se enxergar a divisão da socie- - A Lei Maria da Penha não mudou nada.
dade como ela realmente é, dividida entre patrões e Prisão inafiançável para os agressores e assediado-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora
res de mulheres. Construção de abrigos e casas de como data oficial e feriado.
acolhimento. - Racismo é crime. Prisão e confisco dos bens
- Por investimentos massificados em políticas dos racistas.
para a mulher e para a saúde feminina 6.4 - Combate à homofobia
- Creches públicas e gratuitas nos locais de tra- Todos os direitos que os heterossexuais possuem
balho e centros de fácil acesso. devem ser estendidos aos GLBTTs, como o direito ao
- Proibição de propagandas que mercantilizem casamento, a possibilidade de adoção de filhos, a
a imagem da mulher. inclusão em heranças e planos de saúde.
6.3 - Raça e classe O movimento GLBTT está dirigido, em sua maio-
O salário de um homem negro, que exerce a ria, por grupos pró-burgueses, governistas ou por
mesma profissão, é pouco mais da metade do que o de ONGs que faturam em cima do movimento. É preciso
um homem branco, e ainda menor que o de uma que reafirmemos que a luta GLBTT só será vitoriosa
mulher branca. Isso demonstra que o capitalismo é se assumir um caráter classista e revolucionário.
ainda mais agressivo diante da exploração da raça Por isso mesmo, as entidades sindicais devem
negra. assumir a luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e
A violência policial é frequente, bem como a dis- transexuais com toda a força e combater a direção bur-
criminação na hora de conseguir emprego. Aos guesa atual.
negros, cabem os piores serviços, com pior remunera- - Contra a violência aos GLBTTs.
ção e menor posibilidade de ascensão na carreira. O - Por secretarias e debate contra a homofobia
racismo é disseminado, seja de modo violento ou de nas entidades sindicais, estudantis e populares
maneira velada, em toda a sociedade capitalista.
- Pelo direito ao casamento, adoção e todos os
Defendemos a luta dos negros como parte funda- direitos trabalhistas e previdenciários.
mental da luta socialista e para destruir o capitalismo
que, nas palavras do líder Malcom X, não existe sem o - Homofobia é crime. Prisão para os homofóbi-
racismo. Esta bandeira é fundamental também na luta cos
sindical. - Expropriação das empresas e locais que impe-
- Cotas para negros nas universidades e servi- dem clientes ou demitem por homofobia.
ço público. - Contra o tratamento diferenciado a homosse-
- Reparações aos negros, e reintegração imedi- xuais em hemocentros ou qualquer órgão.
ata das áreas remascentes de quilombo a seus des- - Denúncia da homofobia do Exército e da
cendentes. Igreja e das restrições ao acesso a essas entidades.
- Pelo ensino de conteúdos relacionados à Áfri- - Por uma direção classista e de luta para o
ca nas escolas; reconhecimento do 20 de Novembro movimento.

Assinam esta tese:


SINDICATO DOS BANCÁRIOS DO RIO GRANDE NO NORTE
LUTA PELA BASE – MINORIA DO SINDICATO DE CORREIOS/RS
CONSTRUÇÃO PELA BASE - OPOSIÇÃO BANCÁRIA/RS
CONSTRUÇÃO PELA BASE - TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO/RS
ELETRICITÁRIOS PELA BASE/RS
MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO
Maximiliano Foeppel Uchoa – Diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal no RN; Osmar Rodrigues Goveia Filho - Diretor
eleito do Sindicato dos Bancários/RN; Francisco Carlos Machado - Oposição Comerciária/RN
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Por uma Central de Trabalhadores Classista

Introdução Conjuntura Internacional


Apresentamos esta tese, transmitindo em primei- Continuam presentes na conjuntura internacio-
ro lugar a nossa satisfação com o avanço do processo nal, inalterados, os mesmos elementos políticos de
da Reorganização, que está se concretizando na reali- antes da crise econômica. Em nada diminuiu a capaci-
zação do Congresso da Classe Trabalhadora. dade de intervenção militar do imperialismo em nível
A Reorganização foi um processo de rápido des- mundial. Pelo contrário, suas ações aprofundaram-se.
dobramento, demonstrando que estava madura para O imperialismo norte-americano, secundado pelo
acontecer. Passou pelo Encontro Nacional de Traba- europeu, continua com a política de intervenção arma-
lhadores de 25/3/2007 (Ibirapuera, SP), e consolidou- da no mundo inteiro. Segue a ocupação do Iraque, é
se através dos seminários nacionais de abril e novem- intensificada a agressão ao Afeganistão e, agora tam-
bro de 2009, que conduziram ao Congresso da Classe bém, ao Paquistão. Cresce a ameaça de um ataque ao
Trabalhadora, que tem na sua pauta a fundação de uma Irã.
central unificada. Na América Latina, os EUA preparam uma esca-
Esta avaliação fica mais forte ainda, quando leva- lada de intervenções militares, como resposta à dimi-
mos em conta as divergências existentes em torno do nuição da sua influência política e ao ascenso da luta
caráter da central e as desconfianças que dificultavam de classes em alguns países, assim como querem ver
o entendimento entre várias das correntes, e que acre- alijados do poder, os governos reformistas radicais,
ditamos estarem superadas em uma boa medida. com traços nacionalistas, de Chaves e Evo Morales.
A proposta da Reorganização ficará registrada na Para isto, os EUA estão instalando 7 novas bases
história do movimento operário no Brasil, como um militares na Colômbia e 11 no Panamá, deixando clara
grande acerto no campo da formulação das estratégias a intenção de intervenção na Venezuela e em outros paí-
políticas, que permitirá construir no Congresso da ses da América Latina. A força que o imperialismo nor-
Classe Trabalhadora de 5 e 6 de junho, uma central de te-americano pretende empregar nas suas interven-
trabalhadores unificada, com influência sobre um ções militares fica bem evidenciada no desembarque
amplo setor dos trabalhadores brasileiros. A conjuntu- de mais de 15 mil soldados no Haiti, em uma operação
ra nacional ainda é relativamente desfavorável para o que nada tem de humanitária.
encaminhamento das lutas, e poderá limitar o avanço Para a defesa dos povos latino-americanos frente
da construção da central, mas este obstáculo pode às agressões norte-americanas, propomos que a cen-
mudar, inclusive através da nossa ação. tral organize uma ampla frente para encaminhar a luta
Vínhamos até então organizando na CONLUTAS antiimperialista, unificando a ação de todas as corren-
e INTERSINDICAL, os setores combativos que resis- tes políticas interessadas.
tiram e não se dobraram ante a capitulação da CUT ao
governo Lula, e propondo a construção de uma nova
direção, Com isto, demos um norte para toda uma van- Conjuntura Nacional
guarda sindical e popular que, sem esta iniciativa, esta- > A crise econômica:
ria hoje dispersa e fragmentada. Fizemos história. A crise é uma realidade de perversas consequên-
Está agora ao nosso alcance, dar um salto de qua- cias para a classe trabalhadora no mundo inteiro, que
lidade, e fundar uma CENTRAL DOS se tornam maiores, a medida em que, a burguesia e o
TRABALHADORES CLASSISTA, que tem tudo estado burguês logrem transferir os seus prejuízos
para vir a ser, também, um fato histórico. para as massas, tanto desviando recursos públicos,
Uma central que esteja a serviço de toda a classe para socorrer os capitalistas, como através do desem-
trabalhadora brasileira; independente da burguesia, prego. É necessário que os trabalhadores se mobili-
estado, governos e partidos; com uma direção socialis- zem para impedir que o custo da crise seja jogado
ta e internacionalista, combativa, organizada pela base sobre os seus ombros, como o fizeram os trabalhado-
e democrática, com ampla liberdade de manifestação res gregos.
política para todas as correntes internas, virtudes que A crise é geral e, ao mesmo tempo, desigual. Tem
queremos ver afirmadas na central unitária. o seu epicentro no capitalismo central, Europa, Esta-
dos Unidos e Japão, onde o impacto é maior. Em países
como Brasil, Índia e China, ela é menor.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

No Brasil, a crise é real, mas moderada em rela- PCdoB, inclui um amplo leque de partidos burgueses,
ção ao centro capitalista, com consequências econô- entre eles o conservador e corrupto PMDB de José Sar-
micas sérias, mas setoriais, principalmente nas indús- ney, mas principalmente pela sustentação que recebe
trias exportadoras. O impacto da crise vem diminuin- da CUT e CTB e outras centrais sindicais; do MST,
do pelo incremento da exportação de produtos primá- UNE, UBES e movimentos populares e sociais, apoio
rios, enquanto a produção de bens de consumo duráve- político que é um elemento importante para a defini-
is está sendo assimilada pelo expressivo mercado ção do caráter do governo.
interno e pelos incentivos fiscais do governo Lula. Um exemplo recente desta relação de atrelamento
No curto prazo, contribui também para o abranda- é a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora
mento dos efeitos da crise no Brasil, o elevado afluxo (CONCLAT), chamada para 1/6/2010, em São Paulo,
de capitais especulativos, tornados ociosos pela crise pelas centrais CUT, Força Sindical, CGTB, CTB,
internacional, que tem ingressado no país, embora não NCST e UGT que, além de boicotar o Congresso da
ignoremos que, no longo prazo, este fator, que sabe- Classe Trabalhadora, está sendo organizada para apoi-
mos volátil, poderá voltar-se contra a estabilidade da ar a candidatura de Dilma Roussef para a Presidência.
economia. As reformas:
Os prognósticos otimistas e exagerados de Lula, a A desmoralização sofrida pelo neoliberalismo,
respeito da superação da crise, apóiam-se, no entanto, com a crise, não diminuiu o ímpeto burguês pelas
em um fato real, que é o impacto menor da crise no Bra- reformas, que continua manifestado pela imprensa,
sil, quando comparado com o centro capitalista, pairando como uma ameaça para os trabalhadores.
demonstrando erradas as avaliações catastrofistas.
As eleições de outubro de 2010 abrirão um novo
> A situação atual da luta de classes no Brasil: período de ofensiva contra os direitos dos trabalhado-
A correlação de forças em relação aos patrões e res. Das duas candidaturas com chances de vitória, o
aos governos, não é favorável ao movimento dos tra- PSDB não esconde que vai implementar as reformas,
balhadores, que não tem a iniciativa política necessá- enquanto o relativo silêncio do governo Lula a respei-
ria para fazer com que as jornadas de luta em nível naci- to, somente se explica pela prioridade que está sendo
onal superem a postura defensiva. dada à eleição de Dilma para a Presidência.
No entanto, no decorrer do 2º semestre de 2009, A central de trabalhadores que vamos constituir
ocorreu uma onda de greves de metalúrgicos, bancári- tem que estar preparada para organizar, desde já, a
os, petroleiros e correios, com força e amplitude para resistência contra uma nova ofensiva burguesa em tor-
obter vitórias parciais importantes na luta econômica e no das reformas da previdência, trabalhista e sindical.
a abertura de concurso para milhares de vagas no Ban- Eleições Gerais de outubro de 2010:
co do Brasil e Caixa Econômica Federal, conquista
que bate de frente com a tendência governamental de Apoiamos a constituição de uma frente eleitoral
redução de pessoal e de desmonte dos bancos estatais. da esquerda socialista para as eleições de 2010, con-
Não foram greves defensivas para manter emprego, e cretizada através de candidaturas unificadas do PSOL,
sim ofensivas, para recuperar perdas e lograr conquis- PSTU, PCB e outras correntes, para a Presidência da
tas. A crise não impediu que os trabalhadores fossem à República e governos estaduais. Esta é a iniciativa que
luta. melhor corresponde ao passo organizativo que esta-
mos dando no campo sindical e popular, com a central
Para entender a importância desta jornada de de trabalhadores unificada.
lutas, basta ver que Lula foi obrigado a intervir direta-
mente, chamando aos dirigentes sindicais da CUT de No entanto, entendemos que o Congresso da Clas-
covardes, por não irem para a base pressionar pelo se Trabalhadora, respeitando o caráter de organização
encerramento das greves. de frente única da central e a sua independência políti-
ca em relação aos partidos, não deve deliberar o apoio
O caráter do governo Lula: a candidatos nas eleições de outubro.
Lula governa de acordo com os interesses da bur- Plano de Lutas
guesia e do capital financeiro. Em meio à crise, seu
governo, que sempre privilegiou o lucro do capital, Luta contra todas as formas de discriminação
transferiu em larga medida os prejuízos dos empresári- sexual e racial:
os para os trabalhadores. > Contra a discriminação, opressão e violência à
Mas, o governo Lula não é um governo burguês mulher, aos negros e aos homossexuais.
clássico. É um governo de frente popular. Não tanto > Contra a xenofobia.
pela sua base de apoio partidária que, além do PT e > Contra o assédio moral e sexual;
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

> Garantia de creche para os filhos das trabalha- sas que demitem;
doras; > Redução da jornada semanal de trabalho, sem
> Implantação da licença maternidade; redução de salário;
> Igualdade na oportunidade de emprego e no salá- > Reforma urbana: Moradia digna, transporte e
rio para mulheres e negros; infraestrutura básica para toda a população;
> Cotas raciais para ingresso na universidade e > Reforma agrária radical, sob controle dos traba-
nos concursos para cargos públicos; lhadores.
> Instituição da História e Cultura Afro- > Emprego dos recursos do Pré-sal para eliminar
Brasileira no currículo das escolas; a pobreza e melhorar as condições de vida das massas;
> Respeito à diversidade religiosa nas escolas Governo Lula:
públicas, reforçando o seu caráter laico; > Contra a Reforma Previdenciária, Trabalhista e
Meio ambiente: Sindical, que atendem aos interesses da burocracia sin-
> Pela efetiva preservação do meio ambiente; dical, do mercado financeiro e dos capitalistas interes-
sados na flexibilização dos direitos dos trabalhadores;
> Contra a privatização da água e dos recursos
naturais; > Estatização dos bancos e do sistema financeiro,
sob controle dos trabalhadores;
> Em defesa da Floresta Amazônica.
> Defesa do direito de greve, da liberdade de orga-
Educação: nização sindical e contra a criminalização dos movi-
> Ensino público, gratuito, laico, gerido demo- mentos sindicais, populares e sociais;
craticamente e de qualidade, organizado em função > Unidade dos movimentos combativos dos tra-
dos interesses dos trabalhadores, que garanta o acesso balhadores na perspectiva da greve geral;
de todo o povo ao conhecimento universal;
> Por um 1º de maio classista, contra as reformas,
> Verbas públicas somente para a escola pública; as demissões; e o imperialismo;
> Ampliação da rede pública de educação infan- > Por um governo dos trabalhadores, operário e
til; camponês.
> Fim do analfabetismo; Não às intervenções imperialistas e à recoloni-
> Fim do vestibular; zação da América Latina:
> Implantação do Piso Salarial Profissional Naci- > Imediata libertação dos presos políticos islâmi-
onal, para os trabalhadores em educação, rumo ao cos detidos em Guantánamo e devolução da base mili-
piso do DIEESE. tar à Cuba;
Defesa do serviço público e dos direitos dos ser- > Fim do bloqueio dos EUA à Cuba;
vidores: > Defesa das conquistas sociais da Revolução
> Não à reforma previdenciária e ao Fundo Com- Cubana;
plementar de Aposentadoria; > Retirada dos soldados dos EUA, brasileiros e de
> Aposentadoria integral e paridade salarial entre outros países do Haiti;
ativos e inativos; > Não à instalação de 7 bases militares dos EUA
> Admissão no serviço público somente através na Colômbia e de 11 no Panamá;
de concurso. Fim da contratação emergencial e da fle- > Retirada das tropas dos EUA da Colômbia e de
xibilização do serviço público. outros países latinoamericanos;
Melhores condições de vida e de trabalho > Pela construção de uma organização unitária
> Pela estatização dos hospitais e da produção de para a luta antiimperialista na América Latina.
medicamentos; Oriente Médio e Ásia:
> Melhoria das condições de trabalho para a pre- . Retirada imediata de todas as tropas dos EUA e
servação da saúde dos trabalhadores; OTAN do Iraque e Afeganistão;
> Melhores condições de vida e de salário para o . Indenização que repare a destruição e mortes pro-
aposentado; vocada pela intervenção imperialista;
> Pelo aumento real do salário mínimo; . Contra as ameaças de agressão imperialista ao
> Contra o desemprego. Penalização das empre- Irã;
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

. Fim da agressão de Israel aos palestinos. Derru- desempregados.


bada do “muro da vergonha” na Cisjordânia e na Faixa Luta econômica e luta política
de Gaza com o Egito. Pelo estado nacional Palestino.
Os sindicatos, e também as organizações popula-
res e sociais, precisam ter posicionamento político,
Internacionalismo: não podendo limitar-se ao corporativismo das suas
> Contra o imperialismo. Autodeterminação e categorias e ao encaminhamento exclusivo das lutas
soberania dos povos; econômicas.
> Por uma verdadeira independência nacional; É preciso que os sindicatos saibam combinar a
luta econômica com a luta política, até mesmo porque,
> Pelo internacionalismo proletário. para que uma direção possa fazer avançar as lutas espe-
Caráter de frente única da central de traba- cíficas, é preciso dar a elas uma saída ou perspectiva
lhadores social.
A central de trabalhadores é uma das expressões No entanto, os sindicatos também não podem cair
máximas da frente única proletária e pertence à expe- no outro extremo, levando somente a luta política, por-
riência histórica do movimento operário nacional e que se transformarão então em organizações de propa-
internacional. gandistas. Abandonando a luta econômica e deixando
Ela não se confunde com a organização política e de dar a ela a conseqüência política necessária, o sindi-
não foi feita para unir os revolucionários e os socia- cato acabará caindo no isolamento.
listas, como se fosse um partido, ou algo parecido. É A diferenciação estanque entre luta econômica e
uma ferramenta de luta do conjunto da classe traba- luta política é uma forma burocrática de classificar as
lhadora. lutas. Quando é conduzida por uma direção política
Os trabalhadores precisam de sindicatos unitários consequente, a luta econômica inevitavelmente se
ou de frente única, constituídos a partir da sua vontade, transforma em luta política, porque o capitalismo não
e não da “unicidade sindical”, que emana do controle desenvolve mais as forças produtivas, e não tem con-
do Ministério do Trabalho e do estado burguês sobre dições de fazer concessões econômicas às massas.
os sindicatos.
Queremos uma central mais ampla do que os sin- Programa e direção socialista para a Central
dicatos, que englobe todos os trabalhadores e trabalha- A central e as organizações do movimento sindi-
doras, do campo e da cidade; formais e informais, cal e popular precisam de direção e programa socialis-
públicos e privados, empregados e desempregados, os ta, para que possa ser dada consequência à luta econô-
movimentos populares que lutam pela moradia nas mica e uma saída política para os trabalhadores. É com
ocupações e nas vilas, os movimentos que lutam con- esta perspectiva estratégica que os socialistas devem
tra a discriminação racial e de gênero, e que seja repre- lutar pela direção dos sindicatos, e também da central.
sentativa também dos estudantes e da juventude.
No entanto, não defendemos o socialismo como
Queremos uma central que abra espaço para a par- um princípio para ser posto no estatuto da central ou
ticipação das oposições sindicais, associações de natu- dos sindicatos, colando-o a frio na bandeira das entida-
reza sindical, comitês por empresa e conselhos destes des, porque queremos que a central tenha a condição
organismos, enfim, por todas as instâncias de organi- de abarcar todos os trabalhadores combativos, até mes-
zação dos trabalhadores, que estão fora da estrutura do mo aqueles setores da base que não se consideram soci-
sindicalismo oficial, e representam um avanço em rela- alistas, garantindo o caráter de frente única destas orga-
ção a ela, fortalecendo com isto a unidade do movi- nizações. Criando o seu próprio sindicato, os socialis-
mento operário. tas estarão renunciando a exercer influência sobre os
Toda esta abrangência da organização sindical, demais trabalhadores.
popular e social fortalece a frente única dos trabalha- Mesmo sabendo que a central unificada não será
dores e, por isto mesmo, representa um caminho orga- representativa de toda a classe trabalhadora brasileira,
nizativo que está sendo aberto, desde já, em direção à uma parte dela sob a influência da política de colabora-
construção dos conselhos operários, a expressão mais ção de classes, ainda assim, a central deve mostrar-se
radical e elevada da frente única operária. sempre com a vocação de organização de frente única.
Mas não é só a Central que precisa ter esta abran- Se não for desta forma, ela será reduzida a uma
gência. Os sindicatos também precisam ir além da defe- “frente única dos socialistas”, marcadamente ideoló-
sa dos interesses dos trabalhadores que estão emprega- gica, enfim uma organização política, e não é isto que
dos e abarcar dentro de si, dentre outras, a luta dos procuramos quando construímos uma central, e nem é
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

para isto que surgiu a Reorganização. > Os delegados devem ser eleitos através do voto
universal, em assembléias.
Uma central baseada nos princípios classistas > Proporcionalidade na eleição dos delegados;
1) Democracia operária: > Direito à defesa de teses nas plenárias congres-
suais;
A democracia operária é uma das condições fun-
damentais para os sindicatos e as organizações popula- > Grupos de trabalho para permitir a livre mani-
res, porque dela depende o pluralismo de idéias e a uni- festação do conjunto dos delegados.
dade dos trabalhadores. Ela precisa ser garantida atra- 3) Independência de classe:
vés da mais ampla liberdade de manifestação para Um dos principais fatores que inutilizam para as
todas as correntes políticas, algo difícil de existir ple- lutas e desmoralizam as organizações dos trabalhado-
namente, até mesmo nas organizações combativas. res e a militância, é a falta de independência política. A
A existência da democracia interna implica na CUT é o maior exemplo de uma organização classista,
rejeição dos métodos burocráticos, cupulistas e hege- que se tornou pelega pela prática do atrelamento ao par-
monistas de discutir e deliberar, que marcaram a CUT tido político.
e que, em alguma medida, também estão presentes nas A central e os sindicatos, devem resguardar os
organizações do campo combativo. A central unitária seus objetivos unitários e pluralistas, não podendo
que vamos fundar deve admitir no seu funcionamento estar vinculados a partidos, e nem apoiá-los em elei-
a livre expressão de toda a sua diversidade de correntes ções, “de forma que qualquer trabalhador possa reco-
políticas. nhecê-los como a sua forma de organização, indepen-
Faz parte também da democracia interna, o respe- dentemente de sua opção partidária ou de não ter
ito às diferenças de gênero e raça, sendo particular- nenhuma opção de partido”.
mente importante, dar um fim ao machismo, uma Discordamos da fórmula “independente do Esta-
deformação que desrespeita as mulheres e que se alas- do, governos e patrões, e autônoma em relação aos
tra desde os dirigentes até a base. partidos políticos”, porque deixa em aberto a possibi-
2) Organização de base, ação direta e combati- lidade de apoio eleitoral. Já foi muito usada pelo PT
vidade para justificar o apoio dos sindicatos às suas campa-
É preciso abrir espaço para a participação da base nhas eleitorais.
nas organizações sindicais, populares e sociais, rejei- O apoio a candidatos nas eleições burguesas sig-
tando os métodos e as práticas burocráticas e de cúpu- nifica subordinar a organização sindical, popular e
la. social, a objetivos contraditórios com o seu caráter uni-
A central deve propor as ações políticas que colo- tário, fazendo com que os seus recursos humanos,
quem os trabalhadores como protagonistas ativos e materiais e financeiros sejam disponibilizados para
diretos nas lutas, fortalecendo as instâncias onde é algumas correntes políticas.
mais determinante a participação da base, como a orga- Propomos a independência política da nova cen-
nização por local de trabalho e as assembléias sindica- tral e de todas as organizações sindicais e populares
is e populares (instância que deve estar acima do con- dos trabalhadores, em relação à burguesia, ao estado
gresso destas organizações), e as formas de luta mais burguês, aos governos e aos partidos políticos, para
características da ação direta dos trabalhadores, como preservar a unidade em meio às divergências parti-
as manifestações, piquetes e a greve. dárias e eleitorais.
Enfim, queremos uma organização voltada para 4) Independência em relação ao estado
encaminhar as lutas dos trabalhadores contra os A independência de classe em relação ao estado é
patrões, a sua única razão de existir, e que represente a um princípio que deve ser aplicado integralmente à
negação da colaboração de classes, tendo sempre por todas as organizações sindicais populares e sociais.
método colocar classe contra classe. Em nome dele devemos defender a ruptura com qual-
Propostas para os congressos da central unifi- quer legislação atreladora.
cada No caso específico dos sindicatos, a autonomia
> Congressos a cada 2 anos, com critérios massi- garantida na Constituição Federal de 1988 foi apenas
vos para a eleição de delegados; parcial, e o atrelamento ao estado não foi desmantela-
> As teses devem ser divulgadas com antecipação do completamente. Segue existindo o Imposto Sindi-
para que os delegados sejam eleitos em cima de posi- cal e o Ministério do Trabalho continua interferindo na
ções políticas; livre organização dos sindicatos.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

A Reforma Sindical do governo Lula, comprome- CUT ampliou ainda mais o espaço para a burocratiza-
te mais ainda a independência dos sindicatos. Não ção dos sindicatos.
podemos aceitar a legalização da central dentro da A burocratização é uma brecha para a penetração
estrutura prevista pela Reforma, porque é contraditó- da ideologia burguesa no sindicato. É a partir dela que
rio com o princípio da independência em relação ao surgem o “sindicato cidadão”, as empresas de assesso-
estado. Temos que lutar contra ela. ria, o “planejamento estratégico”, ou seja, o uso dos
Os sindicatos devem ser reconhecidos pelos tra- métodos empresariais na gestão sindical.
balhadores, e não pelo estado. As associações sindica- As atuais limitações que estão presentes na capa-
is dos servidores dos anos 70 e 80, mesmo sem serem cidade de mobilização dos trabalhadores são o campo
reconhecidas de direito, negociavam com os gover- ideal para a proliferação da burocracia sindical. É pre-
nos, como se fossem sindicatos de fato, inclusive assi- ciso mudar esta realidade, pelo menos nos sindicatos
nando acordos de greve. que dirigimos ou influenciamos.
5) Auto-sustentação financeira Para combater o burocratismo, esta gangrena que
A central deve rejeitar categoricamente o FAT, o adapta os sindicatos ao capitalismo e ao reformismo, a
Imposto Sindical, ou qualquer outra forma estatal de direção combativa deve apoiar-se no movimento da
financiamento das organizações sindicais, populares e classe, ao contrário da direção burocrática, que se
sociais. Os recursos financeiros para o funcionamento apóia no aparelho.
das entidades devem originar-se integralmente da con- Movimentos populares e sociais
tribuição voluntária de seus associados, uma garantia
de independência e desatrelamento. Coerentes com o princípio da frente única dos tra-
balhadores, defendemos que a central organize dentro
6) Internacionalismo proletário: de si os movimentos populares e os movimentos con-
O caráter internacional da luta de classes determi- tra a opressão e a discriminação.
na que a central que vamos constituir no Congresso da A dupla representação é uma dificuldade a ser
Classe Trabalhadora, tenha o internacionalismo prole- superada, mas não deve ser um motivo para vetar a par-
tário, enquanto um de seus mais importantes princípi- ticipação dos movimentos populares e sociais. Deve-
os políticos. mos buscar uma forma de impedir que ocorra, mas sem
Somos conscientes das divergências existentes excluir nenhum setor dos trabalhadores.
em torno do internacionalismo proletário entre as Outra preocupação é a necessidade de dar uma
diversas correntes políticas. Mas, ainda assim, deverá perspectiva socialista para a luta contra a opressão e a
ser uma prioridade identificar os pontos comuns para discriminação, de tal forma que nos diferenciemos dos
ações unitárias. movimentos de natureza burguesa que atuam nesta
A central deve dar uma resposta consequente para área.
as lutas internacionais, divulgando e organizando a par- As associações de moradores fazem parte do
ticipação dos trabalhadores brasileiros em campanhas movimento popular:
propostas por ela ou por organizações de outros países.
As normas que regulamentam o congresso, não
Consideramos uma tarefa fundamental para a cen- fazem referências explícitas às associações de mora-
tral, fazer avançar a consciência antiimperialista no dores de vila ou bairro, entidades que tem o mérito de
Brasil, que reconhecemos muito limitada, como con- encaminhar a luta das comunidades populares por
sequência de um vazio político criado a partir da dege- melhores condições de vida e de moradia, e que foram
neração do PT e da CUT. enquadradas como “núcleos comunitários”.
A central precisará fazer um esforço concentrado A associação de moradores é distinta do “núcleo
para que avance a participação das organizações de tra- comunitário”, porque é uma entidade, e é mais abran-
balhadores brasileiros nas campanhas de solidarieda- gente no local de moradia. Também é distinta das ocu-
de em nível internacional, e particularmente, de Amé- pações ou assentamentos, embora muitas tenham sur-
rica Latina. gido a partir da luta pela conquista da terra para mora-
Burocratização: Um desafio a enfrentar dia.
Ao longo dos anos 90, os sindicatos começaram a Por estas razões, reivindicamos que as associa-
sofrer uma intensa burocratização no seu funciona- ções de vila ou de bairro mereçam menção explícita no
mento, influindo para isto a herança deixada pelo sin- futuro estatuto da central, pois são parte integrante e
dicalismo varguista e a prática política das atuais dire- legítima do movimento popular.
ções sindicais, marcada pela colaboração de classes e Os movimentos populares urbanos não devem
pelo atrelamento ao governo Lula. A degeneração da
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora
ser discriminados: A participação dos estudantes na central é legíti-
É um erro exigir que o “assentamento ou núcleo ma para nós, porque corresponde à saída política que
comunitário urbano” tenha que ter 50 famílias presen- defendemos para o movimento estudantil, a Aliança
tes na sua assembléia” para eleger um delegado para o Operária, Estudantil e Camponesa.
Congresso. Composição e funcionamento da direção
Este critério é diferenciado em relação à todas as A tarefa de direção da central não deve ser assu-
demais situações de eleição de delegados, onde o quó- mida por um consórcio das correntes políticas, que fun-
rum exigido é de 5 vezes o nº de delegados a que a enti- cione na base do consenso. Esta proposta não construi-
dade ou movimento tem direito, o que corresponde a 1 rá a central, porque privilegia a média política, deixan-
delegado para cada 5 presentes. do-a sem iniciativa e ofensividade, e mantendo indefi-
Questionamos também o critério “família”: nidamente os blocos formados pelas duas principais
Como se dará a escolha do votante, no caso de dois ou organizações.
mais membros de uma mesma família serem militan- Se nos basearmos exclusivamente na tradição do
tes da mesma entidade ou movimento urbano e rural, movimento operário, sem considerar os limites da situ-
uma realidade que sabemos ser frequente? ação concreta onde hoje se insere a construção da cen-
Qual o critério que vai definir quem vai votar pela tral no Brasil, seríamos favoráveis a eleger a sua dire-
família, nesta lamentável situação, em que o voto dos ção nacional em congresso, através da proporcionali-
presentes nas assembleias de eleição de delegados, dade entre as diversas chapas.
não é definido como universal, e sim indireto? Mas, considerando as dificuldades decorrentes da
Democrático é que não será. Parece mais um integração ainda em curso, das organizações que se uni-
retrocesso político. ficam na central, entendemos necessário um amadure-
cimento maior da discussão sobre a proposta de elei-
Participação do movimento estudantil ção da direção em congresso. Propomos que esta dis-
Somos favoráveis à participação dos estudantes cussão siga adiante, balizada pelo funcionamento
na central de trabalhadores e não concordamos com o comum e pela experiência de intervenção unificada
argumento de que ela vai aparelhar a central. Para nas lutas, deixando que um próximo congresso volte a
impedir a diluição da representação dos trabalhadores, discuti-la, cabendo ao congresso de junho de 2010,
basta que o estatuto da central defina um limite para a encontrar uma alternativa transitória.
participação dos estudantes. Propomos que a central seja dirigida transitoria-
Não existe razão para vetar a participação estu- mente, durante um período definido, através de uma
dantil na central com o argumento do policlassismo. Coordenação Nacional que reúna de dois em dois
Hoje, do ponto de vista de classe, os estudantes são meses, em reuniões abertas, com o direito a voto aos
majoritariamente filhos da classe trabalhadora. Afinal, delegados eleitos na base; e por uma Secretaria Execu-
qual é a prática política e a ideologia dos estudantes tiva, eleita na Coordenação Nacional, através de cha-
que procuram organizações combativas para militar? pas e proporcionalidade. Este foi o funcionamento da
Não temos dúvidas de que os estudantes que pro- direção da CONLUTAS, uma experiência que avalia-
curam a central tem identidade política com ela. Os mos como tendo sido capaz de garantir um bom nível
filhos da burguesia ou da pequena burguesia enrique- de democracia interna.
cida, não procurariam militar em uma central de traba- Esta proposta, não está livre de problemas. O prin-
lhadores como a que pretendemos fundar. cipal deles é o subsídio para os delegados de base, que
Como poderíamos deixar de confiar na juventu- militam nas oposições e nas minorias sindicais, e que
de, ou desconsiderar a importância da participação dos não dispõem das verbas do sindicato para viagem, ali-
estudantes nas lutas? mentação e estadia. É fundamental encontrar uma for-
ma de subsidiar, total ou pelo menos parcialmente, os
Uma organização que vacila nesta questão, não
companheiros que se deslocam para as reuniões da
tem futuro.
direção.

Assinam esta tese: Porto Alegre/Sul, Santa Maria, Caxias do Sul, Alegrete, Gravataí e
Os militantes do Centro de Estudos e Debates Socialistas (CEDS) e Osório);
independentes, que atuam nas seguintes entidades e movimentos do Rio Militantes do Fórum Magister de Aposentados do CPERS-Sindicato;
Grande do Sul: Presidente, diretores e militantes de base do Sindicato dos Municipários
Secretário Geral do CPERS/Sindicato (Trabalhadores em Educação do de Porto Alegre (SIMPA);
RGS) e militantes de base dos núcleos regionais de Porto Alegre/Norte, Oposição da Assoc.dos Trabalhadores em Educação do Município de
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora
P.Alegre - ATEMPA; Oposição do SINDISAÚDE/RS;
Diretor de Assuntos Intersindicais e militantes de base do Sindicato dos Vice-Presidente e militantes de base da Associação dos Moradores do
Funcionários Efetivos e Estáveis da Assembléia Legislativa - SINFEEAL; Centro de Porto Alegre;
Presidente e militantes de base do Sindicato dos Servidores do Detran - Militantes da Associação Comunitária do Jardim Bento Gonçalves
SINDET/RS; (Porto Alegre);
Oposição da Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Diretores e militantes de base da Associação de Moradores da Vila
Conceição - ASERGHC; São José (Esteio/RS).
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Por uma Entidade Classista, Democrática


e Construída pela Base.
CONJUNTURA INTERNACIONAL tos revolucionários antiglobalização.
A crise instalada nos últimos anos que abateu a eco- Os Estados Unidos, junto com parcela de países
nomia mundial coloca para classe trabalhadora mundi- que compõem o bloco econômico da União Européia e
al a seguinte opção: usá-la como alternativa para supe- a China, principais potenciais industriais, recusaram-
ração do sistema capitalista. se em firmar qualquer acordo climático que tenha
Muitos que acreditavam nos discursos proferidos como objetivo reduzir a emissão de poluentes no pro-
aos quatros cantos do mundo que o capitalismo globa- cesso de produção e distribuição de mercadorias.
lizado seria capaz de equilibrar as relações econômicas Sabem que seriam necessárias profundas intervenções
entre as nações, para conter a queda da taxa de lucro e, para cumprir tais acordos ambientais e que isso levaria
por conseguinte evitar o aprofundamento da crise a uma drástica alteração nos seus modos de produzir e
estrutural do capital – cuja origem está na superprodu- de consumir, contrariando seus interesses mais imedia-
ção -, deveriam admitir que seu prognóstico não se con- tos de inverter a queda da taxa de lucro de seus proces-
firmou. sos produtivos.
Não se confirmou, pois a crise de superprodução é Frente a essa crise estrutural no sistema capitalis-
muito maior e diferente da “fictícia” crise financeira, ta, a referida ação política - com viés ecológico - enfra-
esta última é apenas a manifestação da primeira. Quan- queceria seu poder de império mundial. Isso para os
to mais os capitalistas buscam recuperar a taxa de capitalistas estadunidenses e parte dos representantes
lucro, mais eles aprofundam a crise, pois para superá-la do capitalismo europeu é descartado peremptoriamen-
aumentam a extração de mais valia, principalmente por te. Os chineses, por sua vez, recusam qualquer limite
meio do aumento da produtividade do trabalhador. ou metas ambientais que possam estagnar seu projeto
Mas, para aumentar tal produtividade, os capitalistas de desenvolvimento, pois afetaria seu objetivo de ser a
são obrigados a investir em capital constante, máqui- grande potência econômica, militar e política nos pró-
nas, equipamentos e novas tecnologias, o que aumenta, ximos anos.
desproporcionalmente, a relação entre capital constan- O PAPEL DO ESTADO NO SISTEMA
te e capital variável (força de trabalho). Recorrendo a CAPITALISTA
esse mecanismo, os capitalistas aumentam o trabalho O colapso de inúmeras instituições financeiras
morto (capital constante) e diminuem o trabalho vivo levou vários bancos e agências financiadoras estaduni-
(capital variável), sendo que este é o que gera a mais denses e européias à beira da falência, bem como
valia, da qual sai o lucro. Portanto, os capitalistas a arrastou consigo inúmeras empresas para a mesma situ-
cada novo ciclo de recuperação da taxa de lucro, ação, graças à queda nos valores de suas ações no mer-
jogam, ainda mais, lenha na fogueira, ou seja, já estão cado financeiro, dificultando, assim, a capitalização
produzindo a nova crise que virá, e nas últimas déca- de investimentos.
das, cada vez mais próximas umas das outras.
A total derrocada não ocorreu na sua plenitude em
O desmantelamento econômico e financeiro ocor- função da intervenção econômica do poder estatal que
rido na economia mundial reafirma que dentro do siste- socorreu imediatamente os grandes capitalistas - ban-
ma capitalista a humanidade não terá futuro, pois o obje- queiros e empresários –, doando dinheiro público a fim
tivo central deste sistema é o lucro, é para sua garantia de evitar a falência generalizada de algumas institui-
que o capital busca alternativas para sua auto- ções financeiras e alguns setores produtivos.
reprodução, visando recuperar e aumentar sua taxa de
lucro. Isso inevitavelmente significa intensificar a Segundo artigo publicado na revista Carta Maior
exploração sobre os trabalhadores, a opressão sobre as em 24.06.09:
nações e a destruição do planeta. “O setor financeiro internacional recebeu, ape-
Conferências como as ocorridas em Copenhagen, nas em 2008, quase dez vezes mais recursos públicos
e que são organizadas pelos representantes do capital do que todos os países pobres do planeta nos últimos
mundial, apenas confirmam que o capitalismo é cinqüenta anos. O dado foi divulgado nesta quarta-
incompatível com a vida e, portanto, seu modo preda- feira (24) pela campanha da Organização das Nações
tório de produzir tem que ser destruído. Não é à toa que Unidas (ONU) pelas Metas do Milênio, destinada a
as conferências sobre o clima vêm acumulando suces- combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os
sivos fracassos, conforme denunciado pelos movimen- países pobres receberam, em meio século, cerca de
US$ 2 bilhões em doações de países ricos, bancos e

102
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

outras instituições financeiras ganharam, em apenas um aumento das dívidas públicas, o que gerou grande
um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública”. desconfiança por parte do mercado financeiro que
As ações político econômicas do Estado e de seus prevê a impossibilidade de alguns países, sobretudo da
principais bancos centrais, orquestradas com o FMI e o União Européia, em honrarem seus compromissos
Banco Mundial, deram prova cabal de que os discursos junto aos credores.
proferidos nas últimas três décadas em defesa do Esta- Como forma de “acalmar” os investidores, os
do mínimo e da liberdade do mercado não passam de governantes que contraíram dívidas para salvar os capi-
uma falácia dos ditames neoliberais, ou melhor, dizen- talistas, agora pretendem passar a fatura para os traba-
do, que o Estado mínimo deve ser mínimo para a maio- lhadores, para isso vários planos de contenção ou de
ria da população, ao passo que deve ser bondoso, e sem- austeridade vêm sendo apresentados nos chamados
pre generoso, para os grandes capitalistas, minoria no PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). Em
mundo. resumo: os ataques aos direitos trabalhistas deverão ser
Para os revolucionários não pode haver ilusão em realizados através da redução ou congelamento de salá-
relação ao Estado no sistema capitalista. Temos que evi- rios do setor público, contenção nos gastos públicos –
tar a confusão que surge nesse período quando para mui- como saúde, educação, ajuste/cortes nas pensões e
tos reformistas a estratégia volta a ser a de fazer com benefícios previdenciários, reforma trabalhista, demis-
que o Estado venha a cumprir a função de representante sões, privatizações e etc.
e protetor de toda a sociedade, transformando-a em Os trabalhadores, por sua vez, como forma de rea-
uma sociedade mais justa e humana, porque priorizaria gir aos constantes ataques à sua condição de vida, estão
os interesses de todos e não somente do Capital. se mobilizando na Grécia, em Portugal, na Espanha e
Precisamos nos valer da conjuntura atual para evi- em outros países que formam a OCDE (Organização
denciar à classe trabalhadora que não é possível, nesse para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em
sistema, alterar sua lógica, ou seja, supor que o Estado torno do combate às políticas de austeridade adotadas
passe a ser benfeitor de todos. Como marxistas temos pelos governos.
que denunciar que o Estado no sistema capitalista é A crise tende a se prolongar, alguns sinais de esta-
agente direto dos interesses da classe dominante e está bilização econômica ocorreram ainda nos últimos
a serviço dessa classe e que, somente na aparência, meses de 2009, mas de forma definitiva esses sinais
visa o bem comum, pois sua essência é manter a ordem não evidenciam uma verdadeira recuperação econômi-
do capital que controla o Estado e todas as suas ramifi- ca, ao contrário, o desemprego em países de ponta
cações políticas e jurídicas. como EUA, Alemanha e França continua crescendo,
Os 18 bilhões de dólares doados para os banquei- quase atingindo os dois dígitos; segundo dados da pró-
ros e empresários em apenas um ano, para tentar conter pria OCDE a taxa de desemprego, que já tinha alcança-
a crise, devem servir de exemplo para reforçar a denún- do no final de 2009 a marca de quase 15 milhões, pode-
cia do papel do Estado, pois é a prova inconteste de que rá chegar em 2010 em aproximadamente em 25
este está do lado do capital. Por isso, ter como progra- milhões.
ma de exigência que a questão se assenta na inversão de Na América Latina as consequências da crise
prioridades ou opções políticas que são feitas pelos financeira vêm aumentando a instabilidade política e
governantes é abstrair a relação intrínseca que há entre econômica de vários países da região. Como no último
Estado e Capital, não servindo para desmascarar tal período a inserção na economia global da maioria des-
relação e, ao mesmo tempo, não armando a classe para ses países se caracterizou pela exportação de matérias-
uma estratégia revolucionária, qual seja: a constru- primas e de bens primários, principalmente para o mer-
ção de um projeto revolucionário que passe, obriga- cado estadunidense, europeu e asiático, o agravamento
toriamente, pelo controle dos meios de produção – da crise reduziu de forma substancial as exportações e
base econômica da sociedade – pela destruição do fez com que os preços de vários produtos entrassem em
modo de produção capitalista e seu sistema de queda livre, como o petróleo, a soja e os minérios. Ana-
representação política e social. listas econômicos apontam uma leve recuperação dos
CONFLITOS E DESAFIOS preços desses produtos no início do ano de 2010, bem
como a retomada do comércio de exportação. Apon-
O receituário para tentar conter a crise já vem tam, ainda, que a crise só não teve efeitos mais perver-
sendo aplicado: no primeiro momento os governos doa- sos na região devido a forte intervenção dos governan-
ram dinheiro público para empresas e bancos a fim de tes que socorreram, com dinheiro público, os setores
evitar quebradeiras generalizadas e buscar alguns sina- mais atingidos.
is de recuperação da economia; porém como essas doa-
ções foram feitas utilizando dinheiro público, houve No entanto, o saldo negativo a ser pago ficará para
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

a maioria da população. Mesmo que alguns analistas prometido com os capitalistas do campo.
burgueses anunciem que o pior da crise já passou, a ver- As questões estruturais não são atacadas. A
dade é que se registrou nesse período o aumento da opção do governo Lula é manter a mesma política
informalidade no trabalho, a redução de proteção soci- privatista de FHC. É por essa ótica que devemos
al à maioria da população, elevação da miséria e o analisar as propostas de partilhas e do marco regu-
desemprego poderá atingir ainda a marca de 18,4 latório do petróleo, em que se ampliará a entrega
milhões somente nas regiões urbanas dos países da das reservas para as multinacionais. Na mesma lógi-
América Latina e do Caribe. ca, ao governar para o capital vemos o setor dos ban-
Diante dessa realidade os trabalhadores irão rea- queiros atingindo lucratividade recorde nos últi-
gir, mobilizações e conflitos se tornarão mais constan- mos anos. Sem contar a ajuda superior a R$160
tes e permanentes. A conta a ser paga, que os capitalis- bilhões que o governo Lula entregou ao setor finan-
tas querem jogar nas costas da classe trabalhadora, pro- ceiro quando da eclosão da crise econômica.
vocará enormes manifestações contra as políticas neo- No setor industrial, o governo aumentou as isen-
liberais impostas. Em defesa de emprego, salários, dire- ções fiscais e tributarias, sem exigência de qualquer
itos trabalhistas e previdenciários e contra a redução contrapartida no sentido de proteger os trabalha-
dos investimentos na área sociais. dores de demissões, vide caso da Embraer. Intensifi-
Entretanto, não podemos balizar nossas lutas por cou os cortes orçamentários nas áreas sociais, para
essas conquistas. Sabemos o quanto elas são funda- garantir a manutenção do superávit primário e
mentais por representarem uma necessidade da classe e segurar a queda das reservas cambiais, mantendo a
por sua importância tática para as lutas a serem trava- tranquilidade dos especuladores.
das. Mas precisarmos reafirmar: nossa estratégia tem As principais mudanças de fundo que esse
que ser a revolução – possível somente com a organiza- governo promoveu, foram as que visavam a atacar
ção da classe para ruptura com o sistema capitalista – e direitos conquistados da classe trabalhadora, como
a construção da sociedade socialista. Esse é o principal por exemplo, a reforma previdenciária; a lei da
desafio colocado para o processo de reorganização em falência, na qual prioriza as empresas credoras em
curso. detrimento dos direitos trabalhistas; a manutenção
do fator previdenciário; as reformas educacionais
O BRASIL E A CRISE que avançam no processo de distribuição do dinhei-
ro público para a iniciativa privada; a restrição do
O governo se vangloria do Brasil ter entrado mais direito de greve etc.
tarde na crise econômica mundial e ter saído antes dos
demais países. O que os governantes e seus agentes ide- A intervenção militar coordenada pelo exército
ológicos não explicam é que essa recuperação econô- brasileiro no Haiti é mais uma prova cabal da sub-
mica está calcada na exploração, ainda maior, dos tra- serviência do governo Lula. A catástrofe ocorrida
balhadores e, principalmente, no fornecimento de maté- no território haitiano é fruto da herança deixada
rias primas e bens primários, como açúcar e soja. Isso pelos capitalistas que nunca aceitaram o fato da
aumenta, ainda mais, a destruição das nossas riquezas liberdade negra em um território latino americano.
naturais e do solo, pois a política de produção de “ali- Historicamente impuseram a mais brutal explora-
mentos” para exportação está calcada no agro-negócio, ção e opressão ao povo pobre daquele país, em
que utiliza, de forma indiscriminada agrotóxicos, des- sucessivas ocupações e intervenções militares, ora
truindo o solo e contaminando rios e mananciais. dirigidas pelo imperialismo europeu, ora pelo esta-
dunidense, fato que somente serviu para destruição
A burguesia controla o governo Lula e atua de acor- da produção agrícola, principal atividade da região
do com seus interesses. A partir dessa constatação, não e negação da autodeterminação do povo a haitiano.
podemos nos iludir com esse governo, ele não repre-
senta a classe trabalhadora e, por ser oriundo da mes- As inúmeras ocupações, ocorridas sobre a
ma, consegue com muito mais facilidade controlar os fachada de ajuda humanitária, sempre estiveram a
trabalhadores, através do domínio que o PT exerce serviço de sustentar as oligarquias nacionais, fanto-
sobre vários sindicatos e sobre a maior central sindical ches dos interesses imperialistas, e ao mesmo tempo
do país, a CUT. servir como braço armado para conter e destruir
qualquer alternativa de ruptura com o capitalismo.
A aliança petista com o agronegócio frustrou um Todas essas intervenções sempre estiveram longe de
dos setores mais importantes do movimento de traba- garantir as mínimas condições estruturais para
lhadores brasileiros, o MST, que esperava do governo a desenvolver o país e ainda menos assegurar condi-
importante reforma-agrária. O governo de Lula não ções sociais da população.
pode promover tal reforma, pois está gravemente com-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Portanto, é necessário que todos os trabalhadores base nas reuniões da direção nacional, taxas de contri-
e seus organismos de representação deixem de ter espe- buição não abusivas para as entidades, oxigenou a enti-
ranças, com esse governo e com saídas institucionais dade e, ao mesmo tempo, permitiu que virasse referên-
como as eleições burguesas, que na maioria das vezes cia para muitos trabalhadores, embora com o reconhe-
vêem as mobilizações como mero espaço de acúmulo cimento de que ainda somos muito pequenos no cená-
de votos para garantir mandatos parlamentares, e não rio nacional.
como principal tática para organizar a resistência e a Em relação aos GTs consideramos que é necessá-
construção de rupturas com o sistema capitalista e a rio mantê-los, mas evitar que funcionem como se fos-
democracia burguesa. sem organizações em separado dentro da entidade, evi-
A possibilidade de vitória da classe se encontra na tando assim que possuam caráter deliberativo, assim
articulação permanente entre a luta dos trabalhadores como é necessário que a quantidade seja objeto de deba-
da cidade e do campo em unidade com os movimentos te no congresso, instância que autoriza o seu funciona-
populares e demais setores oprimidos pelo capitalismo. mento.
Portanto, para nós, as eleições não podem ganhar cen- Outro acerto foi à perseguição ao chamado de uni-
tralidade nas nossas ações, pois, independentemente dade, na perspectiva de construção de uma central mais
dos governantes de plantão e parlamentares eleitos, a representativa que a Conlutas, política que se compro-
via parlamentar consolidou-se enquanto um espaço de vou acertada com a realização do congresso de unifica-
contenção e de legitimação de retirada de direitos dos ção.
trabalhadores. Diante disso nossa tarefa fundamental
está na organização das lutas com uma estratégia revo- A unificação entre Conlutas, Intersindical e dema-
lucionária que imponha a derrota do capitalismo. is setores significará um passo importante para darmos
um salto qualitativo na construção de um instrumento
Defesa da autodeterminação dos povos que possibilite a unidade orgânica do movimento sindi-
Fora todas as tropas do Haiti cal, popular e estudantil e que seja linha de frente nas
Solidariedade de classe ao povo haitiano mobilizações contra os ataques do capital. Para tanto,
teremos que enfrentar a euforia que existe em torno da
personalidade de Lula. A base de apoio do Governo só é
SINDICAL possível graças à conjugação dos seguintes elementos:
Entendemos que o surgimento da CONLUTAS, as políticas compensatórias que atendem aproximada-
no momento histórico que vivemos, representou um mente 11,5 milhões de famílias através da bolsa famí-
grande avanço para a construção de uma alternativa de lia; os milhões de reais que são doados ao PROUNI e a
luta e socialista para a classe trabalhadora. Por ser uma manutenção das diretrizes macro econômicas do FMI
iniciativa de militantes e organizações que haviam rom- implementadas por FHC e mantidas nos dois mandatos
pido com a CUT - graças ao caráter oficial que esta cen- do atual governo. Como parte de sustentação dessas
tral passou a exercer com a eleição de Lula – por ter políticas o governo Lula ainda conta com a colabora-
uma orientação de autonomia e independência frente a ção direta de Centrais Sindicais e da maioria dos movi-
patrões, governos e partidos, por defender o combate à mentos popular e estudantil.
burocratização e ao aparelhismo, por se organizar a par- A nova organização, que estamos chamados a
tir da base, por privilegiar a ação direta e a organização construir de forma unitária, não pode representar mais
das opressões, estudantes e movimentos populares. uma retórica para vanguarda, tampouco mais um apa-
Já em seu congresso de fundação foi aprovado, rato para as direções sindicais. A necessidade de dar-
por amplíssima maioria, o seu caráter sindical, popular mos centralidade às mobilizações, a retomada das
e estudantil, até então uma novidade em nosso país, o ações diretas como tática privilegiada para nossas
que consideramos um acerto que possibilitou compre- lutas, a importância de termos organismo da classe que
ender melhor que, apesar da centralidade do setor sin- prezem pela democracia operária, bem como pela inde-
dical, temos de contribuir para organizar também pendência e autonomia dos trabalhadores frente ao
outros segmentos da classe trabalhadora, em especial o Estado, patrões e partidos políticos é a única possibili-
movimento popular. dade de superarmos, por exemplo, o que foi a marca,
das duas últimas décadas nas lutas sindicais: o aspecto
Recém saída de seu primeiro congresso, a Conlu-
defensivo das mobilizações, a fragmentação e isola-
tas teve uma série de iniciativas de mobilização, lide-
mentos das mesmas e a política traidora das dire-
rando a resistência às reformas do governo Lula, assim
ções da CUT-CTB–FS e outras.
como organizando os trabalhadores contra retirada e
pela garantia de direitos. O acirramento das lutas que se avizinham, coloca
para todos grandes desafios. Mesmo com a unificação
A sua forma de organização, com representação de
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não seremos de imediato uma referência para o conjun- entanto, depois do processo de burocratização e coop-
to da classe, pois somos pequenos do ponto de vista da tação, defendem o interesse do capital.
representatividade sindical. Salvo alguns sindicatos A CUT, em troca de cargos no governo ou nas
que já fazem parte do processo de unificação, ainda empresas, entrega de bandeja conquistas históricas dos
estamos distantes de possuir trabalho organizado e trabalhadores obtidas por meio da luta de classes.
estruturado nos principais setores da produção, como
metalúrgicos, químicos, transportes etc., bem como A Conlutas, a Intersindical, o MTL, o MTST, a Pas-
necessitamos fortalecer e estruturar, em outros casos, toral Operária, o MAS, que estão envolvidas na criação
trabalhos de oposição nas principais regiões do país de uma nova central necessitam tirar as lições do pro-
em sindicatos controlados por centrais governistas. cesso de falência da CUT. É fundamental que o apare-
lho seja utilizado para alavancar a luta de trabalhadores
O enfretamento que se dará requer que a nova cen- e trabalhadoras. O financiamento deve ser feito pela
tral busque a construção e o fortalecimento das oposi- classe trabalhadora, portanto, contra o recebimento de
ções sindicais na base das entidades governistas, ins- imposto sindical e de qualquer verba de patrões e
trumentalizando as oposições com um trabalho intenso empresários.
e cotidiano, que passe pela denúncia do papel traidor
dessas direções e seu atrelamento à política partidária Nesse sentido a nova organização de classe que
do governo Lula e demais setores da burguesia, denun- iremos fundar tem que se pautar por:
ciando o papel que essas direções cumprem em garan- Defesa do socialismo;
tir a manutenção do regime burguês e do sistema capi- Total independência e autonomia de classe frente
talista. a governos, patrões e partidos políticos;
O sindicalismo com responsabilidade e respeito à É necessário que os trabalhadores e seus organis-
relação capital x trabalho - em detrimento das ações mos de representação deixem de ter esperanças, com
diretas e radicais dos trabalhadores - através de pactos saídas institucionais como as eleições burguesas, que
sociais, câmaras setoriais e de negociatas parlamenta- na maioria das vezes vêem as mobilizações como mero
res, serviu e serve para que os patrões e os governos espaço de acúmulo de votos para garantir mandatos par-
arrancassem direitos. Tal sindicalismo está assentado lamentares, e não como principal tática para organizar
na responsabilidade de manter a propriedade privada, a a resistência e a construção de rupturas com o sistema
economia de mercado e a manutenção do “status quo”. capitalista e a democracia burguesa;
A central tem que ser referência de um sindicalis- Adoção da proporcionalidade direta e qualificada
mo classista, democrático, autônomo e independente em todas as instâncias.
frente ao Estado, aos patrões e aos partidos políticos,
A nova organização deve prioritariamente defen-
construída na base da classe e para a classe que tem
der a ação direta como forma de enfrentamento a
como tarefa as lutas imediatas, específicas, gerais e his-
governos e patrões.
tóricas que servirão para a construção do socialismo.
Plenárias bimestrais de deliberação com a partici-
Estrutura Sindical
pação das entidades filiadas, oposições sindicais, movi-
A estrutura sindical brasileira desde Getúlio Var- mentos populares e de opressão e estudantes;
gas sofre a intervenção do Estado no sentido de regula-
Secretaria Executiva Nacional eleita em congres-
mentar e controlar a atuação dos sindicatos e com isso
so de acordo com a proporcionalidade direta e qualifi-
acabar com a liberdade e a independência da organiza-
cada;
ção dos trabalhadores. Não é por acaso, que sob a falá-
cia de modernização da estrutura sindical, o governo Congresso a cada dois anos;
Lula apresentou a reforma sindical. A legalização das Rodízio na direção e nos afastamentos sindicais.
centrais, numa política de concessão do Estado para Nesse ponto destacamos a importância do rodízio nos
sua representação, atrela as centrais ao governo com o afastamentos sindicais (apenas um mandato) e a parti-
chamado imposto sindical e mantém a lei de greve, que cipação em apenas uma reeleição. O militante pode
acaba com a autonomia e independência dos trabalha- voltar à direção, e ao afastamento, após o interstício de
dores e suas organizações. um mandato;
Ao exigir que o sindicato avise sobre o inicio da Que o militante faça uso da estrutura sindical ape-
greve, sob o pretexto de garantir minimamente o servi- nas para sua militância e em hipótese alguma deve uti-
ço à população, o governo abre espaço para que a patro- lizar recursos do sindicato para o seu bem próprio e mui-
nal se organize e consiga enfraquecer ou, ainda, impe- tos menos como complemento de seu salário;
dir o movimento. Tudo isso acordado com aqueles que Recusa de qualquer forma de financiamento que
deveriam defender a classe trabalhadora, e que, no não seja resultado da contribuição dos militantes e das
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

nossas campanhas financeiras. Atualmente temos grande diversidade de institui-


ções privadas: de escolas a universidades, passando
por institutos, convênios e centros universitários que,
DIREÇÃO DA CENTRAL em geral, se limitam a oferecer formação para a deman-
A direção da nova central, após a unificação e dis- da do mercado, prescindindo da formação de um ser
solução da Conlutas e Intersindical, deve ter relação humano crítico e, portanto, distante da consciência de
direta com as entidades que a compõe através de repre- classe.
sentantes das entidades que se reúnem bimestralmente, O que se vê é uma crescente precarização das rela-
com caráter deliberativo e com a tarefa de debater e ções de trabalho e uma oferta de educação rasa e tecni-
encaminhar as demandas apresentadas e pautadas. cista. A desnacionalização do ensino superior tem tido
É importante a criação de uma secretaria executi- grande avanço, pois algumas instituições disponibili-
va nacional e secretarias executivas estaduais, com os zam ações na bolsa de valores, aprofundando dessa
seguintes pressupostos basilares para sua formação: forma a noção de que a educação é um negócio alta-
sem apego à burocracia, sem profissionais liberados, mente rentável e permitindo que grupos estrangeiros se
sem assessorias desnecessárias, sem afastamentos – apropriem de parte significativa das instituições priva-
quando houver – infindáveis, com mandatos revogáve- das.
is e eleição através da proporcionalidade direta em con- A demanda pelo ensino superior privado cresce
gressos. em todo canto do país, motivada especialmente pela
Com a finalidade de combate ao aparelhismo, é política assistencialista do governo Lula que, via
imprescindível que todos os cargos e assessorias na PROUNI, fortalece o capital por meio da transferên-
estrutura da central sejam debatidos e deliberados pela cia de dinheiro público. Essa política assistencialista
direção, já em sua primeira reunião. mascara a transformação da educação em mercado-
EDUCACIONAL ria e ao mesmo tempo promove uma falsa inclusão
social.
Defendemos uma escola estatal como espaço de
atuação que possibilite uma formação para a luta de Só nesse último mandato de Lula, observamos a
classes. A concepção de escola pública – em todos os formação de conglomerados educacionais a exemplo
níveis de ensino - elaborada pelos trabalhadores tem da Estácio Participações S.A, Grupo Anhanguera-
que ser, sobretudo, uma alternativa de construção de Morumbi e Rede Króton que possuem ramificação em
um conhecimento que venha ao encontro das necessi- vários estados, responsáveis em grande medida pelo
dades de transformação da sociedade capitalista, hoje crescimento de transações no setor que hoje só perde
em processo de globalização, e cada vez mais exclu- para as áreas de Tecnologia da Informação e Alimen-
dente. Essa escola deve estar voltada para as expectati- tos, Bebidas e Cigarros, permitindo a criação de oligo-
vas dos trabalhadores que a frequentam ou nela têm os pólios educacionais.
seus filhos. Também constatamos um avanço desenfreado da
Sendo assim, o processo de construção do conhe- modalidade de Ensino a Distância que tem resultado
cimento, que não nega a apropriação dos mesmos e os num profundo enxugamento dos custos, reduzindo a
seus desdobramentos, devem ser instrumentos de liber- quantidade de trabalhadores docentes, rebaixando salá-
tação para os trabalhadores. A escola e seus educadores rios e direitos nas instituições e sucateado ainda mais a
devem atuar como mediadores entre o conhecimento já educação oferecida. Outra face preocupante do EaD
produzido e sistematizado pela humanidade e apropri- é a imposição de subcategorias de docentes, que pas-
ado pela classe e a realidade dos educandos. sam a atender por monitores, tutores, orientadores
e outras denominações semelhantes. Tal como ocor-
A construção do conhecimento deve ser entendida
re, há tempos, na educação básica: professores que
como elemento constitutivo da própria construção da
são referidos como: tias, auxiliares, recreacionistas,
identidade de classe. Aparentemente, há contradição
facilitadores...
de trabalhadores da educação da iniciativa privada
defender a escola pública estatal. Essa contradição, no Contudo, esse cenário desastroso da educação pri-
entanto é do Capital, na medida em que impõe a vada no Brasil deve ser reportado a década. de 90 quan-
impossibilidade da escola, atualmente, ser pública e do a política de mercantilização da educação foi refor-
estatal para todos os filhos dos trabalhadores, Essa é çada pelo Programa de Promoção da Reforma Educa-
uma opção privatista do Estado burguês e requer um tiva na América Latina – PREAL . De iniciativa de gran-
enfrentamento classista, quer dos trabalhadores da rede des grupos econômicos (Citybank, Mastercard, Moto-
públicas, quer dos da iniciativa privada . rola, Phillips entre outros), o PREAL tem servido de
referência para o empresariado e orientado suas ações
TRABALHADORES NO ENSINO PRIVADO
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora
para a lucrativa área de negócios da Educação. quentemente sua força de trabalho para a partir daí evo-
A crescente mercantilização da educação – espe- car a luta histórica dos trabalhadores por uma educa-
cialmente no ensino superior – gera uma concepção ção estatal. É urgente também que os movimentos
absolutamente desfigurada de educação que compro- de educação se comprometam com a construção de
mete gravemente a luta da classe trabalhadora por uma lutas conjuntas para que possamos fazer frente ao
escola pública e de qualidade. poder político e econômico do ensino privado.
É urgente a afirmação de que a escola privada só Diante disso defendemos dentre outras medi-
serve aos interesses do capitalismo e por isso mesmo das: contra a mercantilização da educação; contra inge-
deve acabar. Porém isso não significa que os trabalha- rência de organismos internacionais; investimento de
dores que nelas atuam e sofrem do mesmo modo a 15% do PIB, implementação do piso nacional do Diee-
opressão do capital, sejam ignorados. Ao contrário: o se; pela estatização do ensino privado; proibição das
desafio é justamente que esse trabalhador entenda o negociações das ações de empresas do setor educacio-
contexto no qual a educação privada se insere e conse- nal na Bolsa de Valores.

Assinam esta tese:


Sinpro Guarulhos (maioria de direção);
Oposição Alternativa/Conspiração Socialista;
Oposição Apeoesp/Sinpeem – Militantes e Independentes
Coletivo Independente dos Trabalhadores em Educação (C.I.T.E.)
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Por uma Nova Central Sindical e Popular,


Classista, Democrática e Independente
Introdução Banqueiros, latifundiários, grandes comercian-
Certamente não são os acordos entre os diversos tes, montadoras de automóveis, empreiteiros e todos
setores do movimento o que pode determinar a cons- os principais financiadores de campanha estão mais
trução de uma Nova Central do Movimento Sindical e que satisfeitos com a administração petista. Nunca hou-
Popular. Mais importante do que a vontade da van- ve tanta transferência de renda para a iniciativa priva-
guarda popular e sindical é a necessidade da classe tra- da pela via do poder público quanto neste segundo
balhadora e do povo pobre do campo e da cidade. É Governo Lula. Isso se dá pelas altas taxas de juros pra-
essa a força capaz de unir correntes de pensamento dis- ticadas e regulamentadas pelo Conselho de Política
tintas pela construção de uma ferramenta unitária dos Monetária (Copom), isenção do depósito compulsório
trabalhadores e do povo pobre. dos bancos, o estímulo ao crédito popular, as obras
faraônicas do PAC e o Programa Minha Casa Minha
É importante a iniciativa de trabalhar pela unifi- Vida, isenção do IPI para automóveis, móveis e linha
cação das atuais ferramentas disponíveis de organiza- branca e o pagamento em dia dos juros e amortizações
ção dos trabalhadores e despossuídos do campo e da da famigerada dívida pública (interna e externa).
cidade. O pressuposto é que todas essas ferramentas
são frutos de desprendimentos do que existia antes, Essa estratégia foi eficaz para o capital industrial,
sobretudo da CUT (meio sindical) e da diversidade de financeiro e do agronegócio, porque as políticas foca-
organizações de sem-terra, sem-teto e setores discri- lizadas que melhoraram em certa medida a capacidade
minados, como negros, indígenas e GLBT, com suas de consumo de alguns setores da população brasileira,
formas diferenciadas e originais de ser e agir. com os programas assistencialistas, abriu espaço para
a continuação da implementação de uma política neo-
O consenso inicial implica, sem dúvida, a busca liberal no país, que representa os interesses dos setores
de uma frente de luta e de organização pela libertação dominantes da sociedade brasileira.
dos trabalhadores do campo e da cidade, despossuídos
e setores discriminados da sociedade, rumo à constru- Não houve, portanto, em nossa avaliação, apesar
ção de uma nova sociedade. Isso significa juntar esfor- de uma diferença perceptível no setor de políticas
ços entre os setores que se organizam com indepen- públicas com o aumento do investimento em políticas
dência do estado, dos patrões, dos governos e dos par- focalizadas, nenhuma grande mudança estrutural no
tidos políticos. campo da economia política do país dos anos 90 para a
primeira década do século XXI. Além do que, esse
As experiências mais recentes de fóruns unitários aumento da verba para os programas sociais, foi bas-
de luta indicam que é possível construir a unidade na tante tímido se comparado ao valor destinado para o
diversidade, a partir da horizontalização dos fóruns pagamento dos juros da dívida pública nesses últimos
de decisão. Às bases cabe decidir e às direções enca- anos.
minhar os aspectos técnicos que implicam na execu-
ção do que foi decidido. A política aprovada deve ser Cerca de 20 milhões de brasileiros vivem o sonho
de todos, para isso deve ser construída com paciência e do consumo de bens duráveis, através do crediário das
com todos, buscando acordos e consensos sempre que Casas Bahia e outras lojas do ramo, embora os juros
possível. sejam absurdos e o endividamento uma ameaça de
médio prazo. O endividamento já atinge 67% das famí-
lias, em suas diversas formas: cartões de crédito, car-
O Governo Lula e o social liberalismo do PT tões se lojas, prestação de automóveis e crédito pesso-
são fiadores do mercado al são os mais comuns. Outros 50 milhões de brasilei-
O Governo Lula, contrariando os piores prognós- ros estão “cobertos” pelo Programa Bolsa Família.
ticos, vive seu momento de auge e afirmação, depois Essa é a massa que deve garantir a sucessão de Lula ao
do escândalo do mensalão durante a primeira gestão candidato petista em 2010.
petista. O PT direciona seus esforços para assegurar e A disputa deixou de ser apenas no terreno da
ampliar os negócios e lucros do grande capital, ao mes- exploração do trabalho no interior das fábricas, empre-
mo em que adoça a boca dos setores mais miseráveis sas e fazendas, passando também para a luta por terri-
da sociedade, com as migalhas de seus programas soci- tórios. Os grandes grupos econômicos nacionais e
ais, crédito fácil para aposentados e trabalhadores de estrangeiros vão assumindo diretamente o controle
baixa renda, estimulando o consumo no mercado econômico, político, social, educacional e cultural de
interno.
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áreas inteiras em que fixam seus negócios no campo e mais conservadora, formada por grandes empresários
nas cidades, como fica patente no caso da Vale, da Ara- a atrasados ruralistas e coronéis que reagem a qualquer
cruz, da Cutrale, da CSN e outros. Some-se a isso os sinal de conquista (ou defesa) de direitos dos trabalha-
megaeventos, utilizando os espaços das grandes cida- dores. Enquanto podem ter espaço por conta do reflu-
des para ampliar os lucros de grandes investidores, da xo do proletariado vêm ganhando espaço com idéias
mídia e empreiteras, como as Olimpíadas e a Copa do retrógradas e reprimindo violentamente o povo: qual-
Mundo. quer atividade de sobrevivência do pobre é taxada de
Apesar da aparente calmaria que reina no Gover- crime, incluindo o seu direito de se organizar e lutar.
no Lula, cresce a degradação da condição de vida nas Fazem críticas à direita ao Lula e ao PT, mas no essen-
cidades e no campo. O Brasil é um país onde a concen- cial essencial concordam, usufruem e ajudam na admi-
tração populacional é assustadora, tornando as capitais nistração estatal de fomento ao capital.
em megalópoles apinhadas de gente e sem infra-
estrutura. Por exemplo, o sanemaneto básico só inclui Situação do Movimento sindical e popular
por volta de 1/3 da população.
A aparente calmaria provocada pela política eco-
Aproveitando-se desta desorganização e da nômica do Governo Lula se fortalece pela ausência de
ausência de políticas sociais, grupos organizados em um movimento social e político de cunho anticapita-
forma de máfias dominam serviços nas regiões mais lista, capaz de responder aos dilemas da realidade con-
pobres das grandes cidades, vendendo “gatonet”, temporânea. Essa ausência se faz sentir pela coopta-
transporte alternativo, segurança privada, etc. Com ção das lideranças de parte dos movimentos sociais e
isso marcam sua posição como grupos econômicos e sindicais, e pela pulverização dos setores que resistem
políticos com força localizada, preenchendo a lacuna à política social-liberal do governo petista.
deixada pelo Estado, na base da pressão e ameaça dire-
ta sobre a população. Os movimentos populares do campo estão atados
à política da distribuição de lotes e pela esperança de
A violência urbana aumenta de forma assustado- uma Reforma Agrária de mercado feita pelo Estado,
ra. A especulação imobiliária e a falta de políticas de implementada em todo o país pelo INCRA. Na prática,
habitação somam-se na depreciação da vida com fenô- não há Reforma Agrária e o Agronegócio segue deter-
menos como enchentes e estiagens (que estão interli- minando a política agrícola com a expansão das mono-
gadas ao ataque ao meio-ambiente e à falta de infraes- culturas da cana de açúcar e da soja, mas os acampados
trutura básica). Os cortes de luz e de fornecimento de são contidos com a chantagem das cestas básicas. Ape-
água são cada vez mais comuns, são péssimas as con- sar disso, 70% dos alimentos consumidos no país são
dições de transporte. produzidos pelo pequeno produtor rural e pela agricul-
É evidente que a privatização dos serviços públi- tura camponesa, além de 3/4 dos postos de trabalho
cos, a falta de planejamento e de investimentos em seto- que são gerados pela pequena propriedade, enquanto
res estratégicos, como educação e saúde públicas, sane- o moderno latifúndio (agronegócio) está voltado para
amento básico, moradia popular estão levando a infra- a produção de mercadorias (commodities) para expor-
estrutura do país ao esgotamento. Isso tudo gera explo- tação.
sões de revolta contra os desmandos e o descaso de Uma grande parte dos sindicatos rurais vem
governos e governantes, que loteiam os espaços públi- seguindo, desde a ditadura militar, uma tendência à
cos e vivem num mar de corrupção explícita, exposta burocratização e ao atrelamento aos patrões e à estru-
todos os dias pela mídia. tura estatal, fato que afetou de forma geral todo o sindi-
No entanto, isso não é suficiente para a conforma- calismo brasileiro. Assim, eles se tornaram mais uma
ção de uma força social consciente, de viés anticapita- arma nas mãos da elite latifundiária, utilizada para con-
lista. A falta de organização de base entre os trabalha- ter a contestação dos trabalhadores rurais mantendo-
dores e o povo pobre das favelas e periferias só favore- os na condição de subordinação. A maioria deles está
ce a confusão e a consolidação de figuras como Lula, sendo dirigido pela CONTAG/FETRAF/CUT/CTB, e
que deve fazer seu sucessor nas eleições presidenciais atuam em oposição aos movimentos camponeses que
deste ano. A recente declaração de apoio de Abílio lutam pela reforma agrária. Como exemplo, os traba-
Diniz (ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar) a Dilma lhadores de açúcar e álcool, setor que tem crescido
Roussef é apenas a confirmação de que parcela impor- substancialmente nos últimos anos, não têm represen-
tante das classes dominantes não só convivem como já tação sindical. Ainda há uma tendência ao aumento da
adotou o PT como timoneiro do sistema capitalista no categoria, em virtude da política do governo de
Brasil. aumentar a produção de etanol, o que indica à Nova
Na oposição à direita do governo está a burguesia Central a disputa destes sindicatos, além de orientar

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Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

que os sindicatos dos químicos e de alimentação pos- subempregados que podem ter um vínculo histórico
sam representar os trabalhadores das usinas de açúcar direto com trabalho no campo ou serem de uma gera-
e álcool. ção fruto da expansão urbana configuram a heteroge-
Nas cidades o movimento sindical atravessa gran- neidade de sujeitos encontrada atualmente dentro dos
des dificuldades, dividido e ameaçado pela desregula- movimentos de luta pela terra.
mentação das Leis Trabalhistas, o que facilita a contra- Acreditamos que a Nova Central a surgir com a
tação temporária e precária de trabalhadores. Centrais unificação entre CONLUTAS, INTERSINDICAL,
e sindicatos pelegos e atrelados ao Governo cumprem MTST, MTL e Pastorais Operárias, deve apresentar
papel nefasto de atrasar ainda mais a conscientização e um caráter SINDICAL e POPULAR, unificando a luta
a luta da classe trabalhadora. Por sua vez mesmo nos do campo e da cidade, organizando no interior da
sindicatos tidos como mais avançados, fenômenos estrutura da nova central trabalhadores rurais, traba-
como a acomodação, a burocratização e a luta interna lhadores da cidade sindicalizados e informais, bem
se sobrepõem à necessidade de organização, democra- como os desempregados. Dessa forma, os trabalhado-
cia e participação dos trabalhadores. res excluídos e explorados na estrutura da lógica do
A massa de trabalhadores que não tem represen- capital, exercerão a prática de debater e deliberar as
tação sindical, fora do trabalho formal, está entregue políticas e os rumos da nova central, participando ver-
a sua própria sorte, alijada das condições mais bási- dadeiramente da sua construção. Devemos inclusive
cas de sobrevivência, como o direito à moradia, sendo buscar a inclusão de organizações dos povos da flores-
super-explorados no emprego e sofrendo a violência ta, indígenas, quilombolas e demais setores originári-
policial cotidiana. Dos 96 milhões de trabalhadores os do povo brasileiro e que se encontram ameaçados
economicamente ativos no Brasil, mais de 8% estão de extinção pela ocupação do território por grupos
desocupados, 47% dos ocupados não têm carteira assi- monopolistas nacionais e estrangeiros.
nada, e apenas 18% destes estão oficialmente sindica-
lizados (fonte: IBGE, 2007). Essa massa de trabalha- O movimento popular urbano e seu importan-
dores precarizados não tem organizações que possam te papel na reorganização da classe
dar força e continuidade às suas lutas, fica fragilizada
e mais suscetível aos ataques do capital. A luta do povo pobre da periferia das grandes cida-
des tem aparecido de forma bastante explosiva e mui-
O Brasil passa por uma intensificação da reestru- tas vezes espontânea no cenário nacional. Ano a ano as
turação produtiva do capital, marcada pela precariza- cidades crescem, aumenta o número de veículos, o
ção do mundo do trabalho. “A flexibilização e a desre- transporte público fica cada vez mais caro e pior. A saú-
gulamentação dos direitos sociais, bem como a tercei- de e a educação públicas não comportam a demanda;
rização e as novas formas de gestão da força do traba- os aluguéis atingem níveis desumanos. Atingidas pelo
lho implementadas no setor produtivo estão em curso desemprego, as pessoas são empurradas para as perife-
acentuado e presentes em grande intensidade”. As rias e favelas, sofrendo com a falta das mínimas condi-
novas formas de estruturação do trabalho tornaram a ções para a sobrevivência. As mobilizações desses tra-
organização dos trabalhadores ainda mais complica- balhadores são principalmente devido à falta de mora-
da. Os impactos da desregulamentação são sentidos dia digna, causada pela ausência de política habitacio-
na estrutura sindical e também nos movimentos socia- nal e pelas seguidas expulsões, seja por enchentes ou
is. impossibilidade de conseguirem a oficialização de
Os movimentos populares se tornaram uma alter- suas casas. Outra causa importante dos recentes levan-
nativa na busca por sobrevivência e na organização tes é a violência policial que massacra o jovem negro
pela defesa dos direitos de trabalhadores. Estes traba- da periferia. O povo revoltado busca algum tipo de jus-
lhadores que se relacionam no mundo do trabalho sob tiça e, em geral, não está organizado para fazer a luta
diversas designações são temporários, parceiros, pres- dar continuidade para mudar alguma coisa.
tadores de serviços, conta própria, peões de trecho, Estima-se que o Déficit Habitacional no Brasil
terceirizados, etc. (quantidade de famílias sem lar) seja de oito milhões
Este fato é mais explícito e possui uma manifesta- de lares. Ao mesmo tempo só na cidade de São Paulo
ção de maior porte nos movimentos de luta pela terra. existem 400 mil imóveis vazios. Em todas as cidades,
A precarização do trabalho urbano e também rural as diversas casas e terrenos desocupados, improduti-
levou a um aumento no número de pessoas organiza- vos poderiam garantir moradia digna para todos que
das em bases do movimento, com sucessiva ampliação precisam. É um absurdo: quem trabalha a vida inteira
dos grupos sob diversas “bandeiras”, dissidentes ou não pode ter onde morar! E praticamente não existem
não do MST. Os trabalhadores desempregados ou programas de habitação para quem ganha menos de
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

três salários mínimos. Na verdade, o que existe é a ven- alguma função social e se transformem em moradias
da financiada de imóveis pelos governos, onde quem populares, escolas, hospitais, creches e parques públi-
ganha novamente são as empreiteiras em cima da cos garantindo que tenham utilidade para a população.
necessidade da população, como ocorre no “Minha 2 - Combate à especulação imobiliária, com IPTU
Casa , Minha Vida”. É cada vez maior o número de progressivo e medidas de sanção, garantindo que os
favelas, áreas de risco, famílias sem ter como pagar alu- grandes donos de terras paguem os impostos de suas
guel ou mesmo morando de favor. áreas sob pena de perderem estas terras para o Estado.
Terra Livre atua em conjunto com comunidades 3 - Direcionar os programas habitacionais para
ameaçadas por despejos e expulsões. Em São Paulo, famílias com renda mensal até 3 salários mínimos,
estamos ajudando a organizar o povo do Jardim Pan- garantindo subsídio integral; destinação dos recursos
tanal (Zona Leste) para resistir às remoções que a Pre- do programa Minha Casa, Minha Vida para gestão dire-
feitura e Governo Estadual estão promovendo para a ta das entidades populares, sem participação de
construção do Parque Linear do Rio Tietê, obra eleito- empreiteiras, garantindo que as verbas da habitação
reira visando a Copa do Mundo. Para isso, abriram beneficiem o povo e não o bolso dos empreiteiros.
barragens e causaram uma enchente que durou 60
dias e matou cerca de 20 pessoas. São mais de 10.000 4 - Garantia de boa qualidade das habitações e
famílias que estarão sem alternativa de moradia em política urbana de infra-estrutura e serviços nos novos
pouco tempo. conjuntos; incluindo nisso a possibilidade de partici-
pação das famílias que serão moradoras na elaboração
Desde o fim dos anos 80, as mudanças drásticas dos projetos.
no mundo do trabalho reduziram a importância do tra-
balhador formal, espalhando a produção para fora das 5 - Imediato re-assentamento das famílias atingi-
plantas industriais. Os trabalhadores perderam direi- das pelas enchentes e em áreas de risco em moradias
tos e a sua maior parte trabalha de forma desregula- permanentes, através de desapropriações de imóveis
mentada, sob super-exploração, em empresas terceiri- prontos; nada de alojamentos, cadastros e bolsas-
zadas e com pequenos serviços separados do grosso da aluguel.
produção das fábricas. Essa massa não consegue se 6 – Obras públicas emergenciais em bairros
organizar para lutar por melhores condições de traba- pobres, como instalação de sistema de saneamento
lho pela própria dificuldade estrutural e bem pensada básico, urbanização, adequação a fluxo de águas, etc.
pela burguesia. Assim, as lutas que se baseiam em sua 7 – Apoio a formação massiva de experiências
comunidade local e em demandas econômicas básicas econômicas autônomas dos trabalhadores em comuni-
para a sua sobrevivência ascendem como processos dades da periferia dos grandes centros.
muito importantes para a reorganização da classe e
(O Terra Livre participa da Frente de Resistência
explicam o seu caráter explosivo.
Urbana, composta por movimentos populares em todo
O que os nossos movimentos buscam é a consoli- Brasil, e empresta algumas propostas da jornada “Mi-
dação nas periferias de territórios de hegemonia popu- nha Casa, Minha Luta”)
lar, ou seja, espaços onde são os trabalhadores organi-
zados que pensam e decidem sobre seus interesses. Ter-
ritórios com moradia digna, conquistada através de O Governo não fez Reforma Agrária, apenas
ocupações e resistência, produção coletiva, organiza- implementou uma política de concessão de lotes
da com politização e a necessidade desses trabalhado- para conter as pressões dos movimentos que lutam
res, desenvolvimento de iniciativas culturais próprias, pela Reforma Agrária
alternativa à cultura idiotizante da burguesia, como Governo Lula aposta no agronegócio agroexpor-
estamos iniciando na Baixada Fluminense em um espa- tador, e abandona o programa de Reforma Agrária.
ço cultural, cuidado com meio ambiente e onde as rela- O Governo Lula divulga que nos últimos sete
ções humanas sejam marcadas pelo respeito e pela anos assentou 547.609 famílias, superando a sua meta
democracia dos trabalhadores. Devemos começar a que era assentar 400 mil nos primeiros quatros anos
construir hoje a sociedade que sonhamos para o futuro. em mais 174.604 famílias. Entretanto, estes números
são questionados pelos movimentos, já que o governo
Propostas de campanha de luta em comunida- considera uma família assentada logo que a proprie-
des pobres na cidade. dade é emitida na posse e quando os movimentos apre-
sentam a Relação de Beneficiários (RB). O governo
1 - Desapropriação de todos imóveis urbanos ocio-
Lula usa os mesmos critérios do governo FHC pra
sos, que servem para a especulação imobiliária; que
inflar os números. Consideram como assentadas uma
faça com que os milhares de terrenos vazios tenham
grande quantidade de famílias ainda acampadas e
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

que seriam assentadas em no mínimo dois anos balhar para o agronegócio, aplicando receitas de agro-
Os movimentos só consideram famílias assenta- tóxico, e não para a agricultura camponesa. Precisa-
das quando é realizada a legitimação, as famílias assi- mos de um sistema nacional de assistência técnica e
nam o Contrato de Concessão de Uso (CCU) e após a extensão rural articulados com as EMATERs (Empre-
disponibilização dos créditos de implantação, fomen- sa de Assistência Técnica e Extensão Rural, é pública)
to, habitação, energia elétrica, e com a infra-estrutura nos estados. A forma de produção dos camponeses bra-
do assentamento pronta. Assim, podemos afirmar que sileiros segue sendo pré-capitalista hoje em dia. É pre-
os números apresentados pelo Governo têm uma defa- ciso avançarmos de forma organizada, produzir ali-
sagem de no mínimo 40%. Portanto as famílias anun- mentos de qualidade, sem agrotóxico, e, em aliança
ciadas em um ano só estarão realmente assentada em com os trabalhadores urbanos, continuar perseguindo
média em 2 anos após o anúncio do INCRA. Podemos as formas de produção coletiva.
afirmar que estas famílias só deverão estar efetiva-
mente assentadas em 2011. Educação no Campo na luta dos Movimentos
É importante ressaltar que estes números incluem A educação no campo não se restringe somente
reassentamento de atingidos por barragens, reconheci- aos camponeses, como também aos quilombolas,
mentos de assentamentos de quilombolas, reposição povos indígenas, pequenos agricultores, ribeirinhos,
de parcelas e assentamentos em terras públicas, no povo da floresta, caipiras, lavradores, roceiros, agre-
caso da Amazônia. Portanto estes assentamentos não gados, caboclos, meeiros, bóia-fria, entre outros. A
pode ser considerados como áreas reformadas, não se população do campo tem sua forma de organização,
alterou a estrutura do latifúndio, como pode constatar sua raiz cultural própria, o jeito de viver e trabalhar,
o próprio IBGE, com o Censo Agropecuário de 2006. suas relações com a natureza, o espaço e tempo, na
Portanto a reforma agrária segue sendo uma bandeira comunidade, no trabalho, na família vão se reprodu-
de luta dos camponeses. zindo como seres humanos.
A agricultura camponesa e familiar representa O PRONERA* é uma conquista dos movimentos
20 milhões de famílias, enquanto a agricultura patro- sociais do campo que lutam pela Reforma Agrária no
nal representa 3 milhões de famílias. Entretanto, a Brasil, resultado da demanda desses movimentos pela
grande propriedade ocupa 52,4% dos estabelecimen- efetivação do direito a uma educação de qualidade,
tos rurais. A agricultura camponesa, apesar do apoio que atenda às suas necessidades desde alfabetização,
insignificante por parte do Governo, representa 10% escolarização, técnicos agrícolas, magistério e cursos
do PIB Brasileiro, 1/3 do PIB Agropecuário, e 70 % de de nível superior.
todos os alimentos que abastecem as mesas dos brasi-
leiros, sendo responsável por 3/4 dos postos de traba- No ano de 2009 o governo LULA cortou 65% dos
lho no campo. recursos destinados para educação no campo. Dos
recursos do Pronera aprovados para 2009 (R$ 69
Brasil segue sendo o único país da América Lati- milhões), com o corte baixou para R$ 26 milhões. Hou-
na que não realizou uma Reforma Agrária. A Reforma ve resistência dos movimentos para garantir que cur-
Agrária não é uma bandeira revolucionária. Os países sos como o direito em Goiás não fosse fechado, que
capitalistas já fizeram com objetivo de desenvolver o educadoras e educadores formados em magistério no
capitalismo e dinamizar o mercado interno, ocupação Rio Grande do Sul pudessem garantir o direito de pres-
de território, processo da colonização da Amazônia, só tar concurso público, pois haviam sido vetados com a
que não era um programa de reforma agrária e sim de alegação de que os mesmos já haviam sido beneficia-
distribuição de terras. A Reforma Agrária é uma políti- dos uma vez quando foram assentados pela luta. Os
ca necessária para o desenvolvimento do país, para movimentos se organizaram e levantaram a bandeira
isto os movimentos que atuam no campo precisam de resistência a luta pela educação no campo.
avançar na unidade de ação com os trabalhadores urba-
nos para dirigir os rumos da ocupação territorial do Agora, grande parte da demanda de educação em
campo em uma perspectiva revolucionária; é preciso áreas rurais estão sendo absorvidas pelas cidades. O
reverter o desconhecimento e o preconceito quanto a modelo de educação atualmente aplicado no campo
Reforma Agrária. tem o ônibus como o centro pedagógico, não o profes-
sor ou a escola. As crianças são obrigadas a viajar
A reforma agrária não é só a distribuição de lotes, horas em ônibus velhos sem nenhuma condição de
é organização e escoamento da produção, assistência segurança. Os acidentes são freqüentes, muitas vezes
técnica e extensão rural. A continuidade do processo com vitimas fatais. Tudo isso mantêm o esquema com
de luta é um gargalo da política de reforma agrária. As um determinado grupo aliado dos prefeitos com os con-
universidade formam técnicos, engenheiros para tra- tratos de ônibus, ao invés de organizar as escola no
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

campo e deslocar os professores, e montar uma estru- tência Técnica e Extensão Rural) nos Estados e forta-
tura adequada nos locais de moradia. Sem contar que, lecimento das já existentes.
com esta política, estão tirando as crianças do seu con- 8 - Transformar o Pronera (Programa Nacional de
vívio no campo e as levando para o espaço da cidade, Educação na Reforma Agrária) em política pública per-
já deteriorado. Com isso levam as crianças a abando- manente, com dotação orçamentária, estruturas ade-
narem os seus costumes culturais do campo, os seus quadas, direitos trabalhistas as educadoras no campo e
valores e práticas e vão sendo moldadas na cultura conteúdos específicos com metodologia diferenciada;
urbana, gerando conflitos nos assentamentos. implantação de escolas no campo.
O Coletivo de Educação no Movimento Terra 9- Garantir uma legislação específica aos educa-
Livre está vivenciando sua terceira experiência pelo dor@s no campo que depois de formado tenham o dire-
PRONERA em parceria com INCRA e UFG/campus ito de prestar concurso público e trabalhar nas escolas
de Catalão/GO, a escolarização para jovens e adultos que atendem a população nos projetos de assentamen-
acampados e assentados organizados no Estado de tos.
Goiás. Está luta vem desde 2005 quando encerramos
nossa primeira experiência de alfabetização de jovens 10 - Zoneamento econômico ecológico para as
e adultos. Lutamos pela efetivação dos cursos de técni- monoculturas; em caso de plantio de cana , distância
cos em agroecologia, para que jovens e adultos assen- mínima de 50 km das cidades.
tados tenham a oportunidade de também gerir a aplica- 11 - Revogar a medida provisória que proíbe ter-
ção dos créditos oriundos do PRONAF. ras ocupadas de serem desapropriadas.
Na perspectiva de que a formação aconteça per- 12 - Instalação de varas e promotorias especiais
meando os diversos saberes, defendemos uma educa- agrárias federais e estaduais.
ção no campo emancipadora, libertadora, construída 13 - Mudança na legislação agrária; rito sumario
de baixo para cima. A relação opressor-oprimido deve para julgamento dos processos, em no máximo 90
ser superada. Buscamos avançar para educação no dias.
campo e popular, popular numa perspectiva freiriana,
14 - Defesa do código florestal, não a estaduali-
crítica, libertadora, que esteja no campo da ética, assu-
zação; contra as privatizações e PPPs nas áreas natura-
mimos como uma opção política, temos consciência
is e florestas; revogação da lei da grilagem na Amazô-
de quais interesses estamos a serviço; como dizia Frei-
nia.
re “ninguém liberta ninguém, as pessoas se libertam
juntas”. Confiante, construímos nossa caminhada na 15 - Pela revitalização do rio São Francisco, não a
luta por uma educação no campo, pelo direito a educa- sua transposição.
ção para os jovens, adultos, mulheres e crianças. Por fim, é necessário que a Nova Central contri-
bua na reflexão referente à autonomia financeira dos
Movimentos Populares do Campo e da Cidade (refle-
Propostas de campanhas de luta no campo
tindo sobre a organização e o escoamento das produ-
1 - Campanha contra a criminalização dos movi- ções desenvolvidas nos diversos assentamentos), para
mentos populares. que assim o processo de luta de classes no país se
2 - Limitação das propriedades rurais a no máxi- desenvolva estruturalmente. É importante que a Nova
mo 35 módulos fiscais conforme definiu o Fórum Central contribua também para a formulação de políti-
Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo.. cas para Reforma Agrária e Urbana no país; bem como
3 - Atualização dos índices de produtividade da para o desenvolvimento da Educação Popular nos
terra; essa mudança é tão importante para o trabalha- assentamentos rurais e urbanos, valorizando assim os
dor do campo como a redução de jornada é para o tra- hábitos e as práticas culturais dos trabalhadores orga-
balhador da cidade. nizados nesse novo instrumento de luta. Dessa forma,
estaremos resistindo não somente de forma objetiva,
4 - Organização do plebiscito popular pela atuali- mas também de forma subjetiva à ofensiva do neolibe-
zação dos índices de produtividade e pelo Limite da ralismo.
propriedade rural.
5 - Criação de um sistema nacional de Assistência
Técnica e Extensão Rural para apoiar o pequeno agri- Uma nova Central pede um novo método de
cultor e assentamentos. ação e funcionamento
6 - Reestruturação do INCRA; contra o seu suca- Uma nova organização de luta dos trabalhadores
teamento; concursos públicos imediatos. deve ter como estratégia a superação do capitalismo O
socialismo deve ter por objetivo a construção de uma
7 - Recriação das EMATERs (Empresa de Assis-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

nova sociedade com valores morais, sociais e éticos e à garantia da participação dos movimentos populares
opostos aos valores que caracterizam a barbárie do nas atividades da Nova Central (plenárias, reuniões de
capital. Nesse sentido, é importante fazer uma diferen- direção, etc). Por exemplo na experiência da Conlutas
ciação: o socialismo a ser construído, não é o socialis- a participação dos movimentos populares pela limita-
mo real do século XX, mas sim um socialismo huma- ção material foi muito baixa, não chegando à 10%.
no, sem a perversa divisão entre o trabalho manual e Ocorre que nos bastidores dessa proposição – cor-
intelectual, entre os que mandam e os que executam, reta e necessária – existe uma questão central: a preo-
que seja democrático e libertário, que supere a precari- cupação de alguns setores em determinar a política que
zação e a alienação do trabalho, que supere as leis do será implementada pela nova Central a partir de fora
capital e que supere o formato desse Estado, que é a da classe. Esta lógica atende a uma velha concepção de
expressão organizada deste sistema desigual e cor- parcela expressiva da esquerda, que se baseia na máxi-
rupto. É fundamental que se construa uma nova moral, ma de que o movimento dos trabalhadores deve estar
uma nova cultura, uma nova sociedade que contemple necessariamente subordinado a um centro político par-
espaços para o debate e divergências de idéias e pensa- tidário.
mentos.
Se o debate caminhar para este ponto como o cen-
Acreditamos que no processo de luta de classes é tro das preocupações, corremos o risco de ver mais
a “totalidade do trabalho” que abrange de forma igua- uma vez um projeto importante ser empurrado para
litária, com o mesmo peso, todas as parcelas e frag- uma lógica perigosa, que, via de regra, leva a uma eter-
mentos da classe trabalhadora (que estão inseridos no na luta interna, gerando desgaste e emperrando ações
processo de produção, circulação e reprodução do capi- concretas dos trabalhadores e do povo. Defendemos
tal), como o elemento central na luta de classes, no con- um método libertário e democrático, onde esses traba-
fronto entre trabalho versus capital. lhadores não serão apenas massa de manobra, mas sim
Assim, diante da desarticulação das forças sociais sujeitos ativos na construção cotidiana de uma socie-
no Brasil que lutam pela superação do capitalismo, o dade justa, igualitária e sem exploração.
debate sobre a construção de uma nova Central Sindi- Para evitar que a velha fórmula fracional se sobre-
cal e dos Movimentos Populares começa a ganhar fôle- ponha aos interesses da classe é preciso mais do que
go. Este debate teve ensaios na formação da Conlutas um esforço de militância, mas um acordo em torno de
(2004) e da Intersindical (2006), que foram respostas propostas concretas que vislumbrem um novo cami-
defensivas do movimento sindical aos ataques do nho de construção. Assim, elencamos pontos que jul-
Governo e dos patrões. gamos fundamentais para que impere um novo méto-
No caso da Conlutas houve a tentativa de incorpo- do de convivência democrática e de funcionamento da
rar os movimentos populares do campo e da cidade, nova Central:
mas ainda de forma muito tímida na política e na forma
de fazê-lo. Isso se deve por uma compreensão ainda
limitada do caráter e das possibilidades desses movi- Sobre o movimento estudantil e os “novos
mentos, a partir de uma visão de que o centro da luta de movimentos sociais”
classes está no operariado industrial. Em verdade há Nesse debate, nos posicionamos também a favor
muito a luta de classes extrapolou os muros das fábri- da construção de uma unidade na luta entre os traba-
cas e se faz presente de cima a baixo da sociedade capi- lhadores e os setores estudantis que estão cotidiana-
talista contemporânea. Nos movimentos sociais do mente na luta contra os ataques do capital. Achamos
campo e da cidade está boa parte dos trabalhadores importante a busca dessa unidade, por entendermos
desempregados, dos assalariados rurais, gente que per- que essa estratégia contribui por exemplo na disputa
deu a perspectiva de buscar emprego e que se incorpo- de hegemonia na sociedade que estamos travando coti-
rou à luta por teto e por terra. dianamente, potencializando assim as lutas que serão
Diferentemente dos sindicatos, os movimentos realizadas.
populares efetivamente independentes dos patrões e Porém, não discordamos que o caminho seja a
dos governos não têm arrecadação mensal descontada inclusão dos setores estudantis na estrutura de funcio-
em folha salarial. Sua organização e estrutura em geral namento da Nova Central. Pois nessa estrutura, a
são limitadas. No entanto, é sabido o potencial de mobi- juventude trabalhadora estará representada e organi-
lização e luta dos movimentos que lutam por terra e zada em inúmeras fragmentações do mundo do traba-
moradia, demonstrada ao longo das últimas décadas. lho (sejam em sindicatos, sejam em movimentos popu-
Por isso, nós defendemos a tese de que um percentual lares), e quanto a unidade na luta entre os trabalhado-
das contribuições dos sindicatos filiados à nova Cen- res e os estudantes, a Central poderá construir espaços
tral Sindical e Popular seja destinado às mobilizações de diálogo com os setores estudantis, para pensar
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

intervenções conjuntas. Entendemos, portanto, que o políticas.


movimento estudantil é um aliado histórico dos traba- 6 – Proclamar como princípios da Nova Central a
lhadores em diversas lutas travadas ao longo da histó- independência frente aos patrões, ao Estado e aos par-
ria da luta de classes, porém o movimento estudantil tidos políticos. Isso implica que a Nova Central não
possui suas peculiaridades se constituindo assim como apoiará, não recomendará o voto em nenhum candida-
um movimento policlassista. Dessa forma, entende- to e nem emprestará sua sigla a candidaturas específi-
mos que a Nova Central Sindical e Popular deve bus- cas, deixando a recomendação de voto em candidatu-
car a constituição de reuniões e espaços que permitam ras de perfil socialista.
a realização de uma unidade efetiva entre trabalhado-
res e estudantes, que potencializará a “totalidade do 7 – Nos processos eleitorais privilegiar o debate
trabalho” na luta contra o capital. das propostas da Nova Central, apresentando-as à soci-
edade e a todos os candidatos. Os membros da Nova
Assim como o movimento estudantil, acredita- Central que postularem candidaturas deverão se afas-
mos na necessidade de aglutinar em unidade de ação tar de suas estruturas e cargos três meses antes das elei-
os chamados “novos movimentos sociais”, incorpo- ções.
rando suas lutas e bandeiras no interior da central e das
organizações sindicais e populares, combatendo o 8 – Destinar um percentual da arrecadação finan-
machismo, a homofobia e o racismo, construindo uma ceira para o deslocamento e estadia dos representantes
nova sociedade com novos valores no mundo do traba- dos movimentos populares que integrem a nova Cen-
lho desde já. Assim como a juventude trabalhadora, os tral, para que possam participar dos seus fóruns.
sujeitos destes movimentos setoriais estão presentes 9 – Resgatar a história e tradição de luta do povo
em todos os fragmentos da classe trabalhadora, não brasileiro a partir de um trabalho de Educação Popular
sendo um fragmento propriamente, mas representados e cultural permanente, com campanhas e caravanas
e organizados dentro deles. Acreditamos na necessida- pelo país afora.
de, não de representação destes movimentos, mas de 10 – Formação de secretaria de movimentos popu-
incorporação se suas bandeiras e lutas no interior da lares, com estrutura e atenção comparável ao do movi-
central e suas entidades/movimentos. mento sindical.
11 – Formação de GTs setoriais para lutas contra
Propostas para organização da Nova Central opressões: negros, mulheres, LGBTT, etc.
1 – Privilegiar na estrutura e nas ações um 12 - assessorias unificadas (jurídica, contábil,
FORMATO HORIZONTAL, de baixo para cima, no etc.) de apoio as entidades e mov pequenos e na hori-
qual as questões a serem decididas sejam levadas a zontalização e enraizamento da nova central, auxilian-
debate em plenárias regionais e nacionais e as decisões do a criação das sedes estaduais e regionais.
possíveis sejam orientadas pela construção do consen- E finalizamos essa breve contribuição reafirman-
so. do a nossa certeza de que a Nova Central Sindical e
2 – Sempre que não for possível chegar a um con- Popular será uma ferramenta organizativa na luta soci-
senso e for necessário levar posições diferenciadas a al, uma ferramenta política autônoma e democrática
voto, estabelecer que a posição vitoriosa terá que para os trabalhadores explorados e oprimidos desse
alcançar 2/3 + 1 dos votos; país, que estarão na luta por outro modelo de socieda-
3 – Estabelecer como forma de direção uma Coor- de, um modelo que seja constituído por valores opos-
denação Nacional, que se reunirá regularmente de 2 tos aos valores do capitalismo; uma sociedade em que
em 2 meses; a riqueza produzida pelos trabalhadores seja dividida
de forma igualitária, que a lógica agrária brasileira
4 – Garantir a todos os setores representados na baseada na monocultura latifundiária seja superada
nova Central o direito de opinar e inclusive se manifes- diante a realização de um verdadeiro processo de
tar por escrito a todos os seus membros nas questões reforma agrária sob o controle dos trabalhadores, supe-
internas, sem qualquer tipo de limitação ou censura. rando assim a fome, a miséria, o analfabetismo, a pros-
5 – Tomar como método que a contratação de fun- tituição, o estado permanente de violência e barbárie
cionários será a seleção democrática, submetida à exe- que caracterizam a sociedade brasileira.
cutiva, evitando o loteamento de cargos pelas forças

* O Movimento TERRA LIVRE tem uma rica experiência de luta pela Terra e Reforma Agrária em Goiás e MG, participa dos combates dos moradores
da Zona Leste de S. Paulo e inicia seu trabalho cultural na Baixada Fluminense (RJ) e de educação popular, tanto na cidade como no campo.
* O Movimento Popular pela Reforma Agrária (MPRA) constrói a luta pela terra e Reforma Agrária na região do Triângulo Mineiro há alguns anos,
além de construir ativamente a CONLUTAS no campo e na cidade.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Sindicatos e Centrais Combativas


para fazer a diferença na Luta de Classes
Tese para o CONCLAT do Movimento Classe Contra Classe
Nosso chamado para distinguir um sindicato classista e combativo de
Os trabalhadores, delegados e dirigentes da LER- um sindicato corporativo, é a sua atitude para os seto-
QI e independentes da USP, metroviários, trabalhado- res mais explorados da classe operária, e sua luta con-
res da Sabesp e professores, que conformamos o Movi- seqüente para que os efetivos assumam esse programa
mento Classe contra Classe (MCcC) escrevemos estas de unidade elementar.
teses, nos dirigimos aos delegados do CONCLAT para Viemos também propor como parte dos debates
apresentar nossas propostas. que se desenvolveram nas plenárias preparatórias con-
Nós viemos participar deste Congresso Nacional tra o burocratismo, avançar num funcionamento demo-
da Classe Trabalhadora como construtores da Conlu- crático para a futura central que possa surgir desta
tas. Achamos que os trabalhadores precisam se libertar fusão. Propomos que a central funcione com plenárias
da exploração capitalista e construir uma nova socie- reais de delegados e não só das correntes, com manda-
dade sob seu domínio. Partimos da compreensão que to das bases e todo seja resolvido em assembléias. Pro-
somente a classe trabalhadora organizada de forma pomos também participação proporcional e liberdade
independente dos patrões, dos governos e da burguesia para as diversas tendências pró-operárias nos sindica-
e suas instituições e partidos, pode ser o sujeito capaz tos e centrais. Não concordamos com a corrente majo-
de nos livrar da opressão e exploração em que vivemos ritária da Conlutas que propõe liberdade de todos os
e oferecer uma saída a todos os setores oprimidos. A partidos em geral (da mesma forma que faz a burocra-
classe operária precisa de sindicatos e centrais inde- cia sindical para manter a sua hegemonia política dos
pendentes dos governos e, por isso fazemos parte da partidos burgueses, de forma encoberta), e põe um
Conlutas. Para passar à ofensiva a classe operária pre- sinal de igual entre partidos burgueses e operários.
cisa reverter a derrota que o neo-liberalismo impôs e Essa é uma velha política da burocracia sindical, que
superar a burocracia sindical que foi seu agente em nos- lamentavelmente as correntes de esquerda adotam.
sas fileiras, levantando bem em alto a bandeira de: uni- Nosso modelo é desenvolver um sindicalismo
dade das fileiras operárias entre efetivos, contratados, combativo e classista, baseado na luta de classes que
terceirizados, e desempregados com iguais direitos. tenha em conta as relações de forcas e busque o triunfo
Os sindicatos e centrais sindicais combativas tem que dos trabalhadores como fizemos os que escrevemos
colocar no centro esta elementar demanda, contra o estas teses na direção do conflito dos trabalhadores de
corporativismo das burocracias sindicais que só a USP em 2009 inclusive desafiando a presença per-
defendem uma pequena minoria de nossa classe: os tra- manente da PM no campus.
balhadores efetivos e com carteira assinada. Reivindicamos esse sindicalismo em que combi-
Viemos ao CONCLAT chamar a atenção para a namos as medidas concretas de ação, procuramos a
necessidade de recuperar as organizações da classe coordenação com as outras categorias em luta (que
operária como ferramentas de luta e combativas, lamentavelmente não conseguimos ainda com o peso
contra o modelo varguista de atrelamento de ao Estado que tem a esquerda em elas). Um sindicalismo classita,
burguês, mais também queremos chamar a atenção que impediu ações ultra-esquerdistas deslocadas da
sobre a necessidade de combater o “modo petista / categoria e soube utilizar as contradições que levaram
cutista” que impuseram um modo de militar e dirigir, a os intelectuais petistas a se oporem a reitora e o
baseado num sindicalismo só para aceitar rebaixamen- governo do PSDB fazendo uma frente anti-Serra com
to de direitos e migalhas. Um sindicalismo colaboraci- objetivos eleitoreiros que nós soubemos utilizar a
onista, inofensivo, de respeito as “datas base” que favor da greve sem capitular a eles e sua estratégia. Um
representa de fato uma regulamentação da luta de clas- sindicalismo que combinou a luta jurídica, a luta polí-
ses. A Força Sindical e a CUT nos tem acostumado a tica e a luta concreta da categoria, que propôs a frente
lutas de pressão testemunhais, atos, festivais e passea- única aos estudantes assumindo suas demandas numa
tas, e muita propaganda combativa e até de promessas pauta unificada, que combinou no programa as reivin-
socialistas nos carros de som. dicações econômicas da categoria, junto as demandas
Os que assinamos estas teses, viemos participar democráticas contra os ataques ao sindicato e estudan-
deste Conclat para por no centro da discussão que a uni- tes, e com as consignas organizativas. Um sindicalis-
dade de Conlutas com a Intersindical, só será progres- mo que se baseia nas assembléias como a direção fun-
siva se for classista. Nós achamos que hoje a chave damental onde se decide tudo. Com delegados das uni-
dades e comitês de greve reais que ampliam e constitu-
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em a direção efetiva do sindicato na luta. vivida por três países da zona do euro – Grécia, Portu-
Nós reivindicamos o modelo que estão desenvol- gal e Espanha – e, mais em geral os chamados, depre-
vendo os trabalhadores argentinos da multinacional ciativamente, PIGS (iniciais dos primeiros três países
Kraft que conseguiram configurar um embrião de uni- mais a Irlanda, e que em inglês significa porcos), devi-
dade entre empregados, desempregados e estudantes, do à situação crítica das suas economias, seus imensos
compondo uma aliança de classes pela qual eles lutam. déficits orçamentários e dívidas públicas. Na Grécia e
Ainda que não conseguiram mobilizar massivamente, na Espanha são anunciados e já estão sendo implemen-
puderam fazer com que centenas de estudantes garan- tados planos de duros ajustes fiscais, reformas traba-
tissem onze fechamentos das principais rodovias do lhistas, cortes e descontos salariais. A Grécia antecipa
país, onde se encontra a concentração industrial mais as primeiras respostas dos trabalhadores e do movi-
importante. Enfrentaram a repressão policial, e conse- mento de massas e na Espanha há uma tensa situação
guiram responsabilizar publicamente o governo dito política, e o governo de Zapatero caiu aos níveis mais
populista dos Kirchner. Conseguiram criar uma crise baixos de popularidade. Isso se combina à crise no rela-
no governo, dividir as burocracias sindical e até fazer cionamento entre a China e os EUA que teve origem na
intervir a embaixada dos EUA. Estas ações acompa- recusa da China de valorizar o yuan, um problema que
nhadas por ações solidárias das organizações de dificulta as intenções dos EUA de aumentar a sua com-
desempregados, contribuíram para dar uma grande petitividade internacional e reduzir as importações. A
visibilidade, obrigando os meios comunicação a ter resposta dos EUA é ofensiva, com a venda de armas
que difundir o conflito operário, se pode imaginar o para Taiwan e o encontro de Obama com o Dalai
que aconteceria se essa força se desenvolve em novos Lama, contra a vontade do governo em Pequim. A loca-
conflitos o que poderia acontecer aqui no Brasil se lização da economia dos EUA combina um crescimen-
pudesse-mos conseguir essa coordenação entre as to anualizado de 5,7% do PIB para o quarto trimestre
organizações sociais e sindicais que já fazem parte de de 2009 com o desemprego que se mantém em cerca
Conlutas. Esta é a diferença entre uma perspectiva de 10%, e uma profunda crise fiscal e da dívida, que
classista para os sindicatos e centrais, e a que se empurram para baixo a popularidade de Obama e os
desenvolve com discursos e mera propaganda. Não recentes reveses do Partido Democrata. Esses três ele-
queremos um sindicalismo que se prepare prioritaria- mentos são expressões dos limites da forma como o
mente para superar a burocracia nas alternâncias elei- capitalismo impediu que a recessão fosse transforma-
torais a cada dois anos, enquanto se perdem conflitos e da em depressão, manifestando-se mais ou menos
avançam os ataques. Não queremos um sindicalismo mediada na crise orçamentária e na dívida pública.
que compartilha muitas executivas com as direções Esta poderia ser a abertura de um novo ciclo de crise
governistas, como acontece hoje com APOESP no econômica global.
meio da greve dos professores, onde a Oposição Alter- Impacto da transformação da dívida privada em
nativa contraditoriamente não apresenta nenhuma dívida pública
alternativa nem ao programa apresentado pela maioria Pacotes de estímulo fiscal e taxas de juro histori-
do PT, nem medidas organizativas para superá-los, se camente baixas foram os principais mecanismos para
convertendo em cúmplices das derrotas sofridas pela reanimar a demanda e o crédito. Evitando uma limpe-
categoria nestes dois últimos anos. Lutamos por um za de capitais na magnitude que a crise exigia, conse-
sindicalismo classista e combativo para apresentar guiu conter a atual economia deprimida, mas também
uma alternativa a burocracia fundamentalmente mudou o problema para outro lugar, não conseguindo
na luta, e assim poder triunfar. Desde aqui nos posi- resolvê-lo em sua casa. A intervenção dos estados para
cionamos para discutir e considerar a unidade de conter o curso da crise gerou, assim, um resultado de
Conlutas com a Intersindical. Unidade sim, mas duas faces: contém a quebradeira dos negócios priva-
temos que perguntarmos para que modelo de sindi- dos à custa de absorver a crise e incentivar a geração de
calismo. uma nova bolha de dívida pública. O problema está em
Chamamos a todos os trabalhadores, correntes e que, por um lado, a dívida pública constitui, como
delegados que tenham acordo com nossas teses ou dizia Marx, o mais fictício de todos os capitais fictíci-
compartilhem o conteúdo do sindicalismo que defen- os, já que carece de qualquer tipo de contrapartida real.
demos, a lutar juntos neste Conclat. Por outro lado, no primeiro ato o Estado agiu como ava-
lista dos negócios capitalistas; num segundo ato, se os
estados passam a ser o alvo, quem vai socorrê-los?
1. Internacional: nova fase da crise
Os limites das políticas de saída da crise se
Três elementos chaves se combinaram no cenário expressam, assim, com todo seu potencial nos países
econômico global. A situação econômica e financeira mais pobres da zona do euro, nos quais o antídoto con-
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tra a depressão econômica não pode deixar continuar o contradições da recuperação negam a possibilidade de
endividamento estatal se desejam manter-se no marco que se restabeleça o equilíbrio relativo entre China e
da moeda europeia. Os países mais ricos, como a Ale- Estados Unidos que regeu durante os últimos anos, e
manha e a França, procurarão manter o euro à custa da determinam uma política internacional mais agressiva
exigência de planos neoliberais para os países mais, da parte dos Estados Unidos. Eles precisam que a Chi-
dando continuidade às políticas de “keynesianismo na valorize o yuan [2], pretendendo diminuir as impor-
financeiro” nos países ricos. No fechamento desta edi- tações mas também para captar uma importante parce-
ção se soube que os governos da eurozona haviam deci- la de seu mercado interno. Estes são os elementos por
dido ajudar a Grécia, o que abre a possibilidade de que trás da mudança na política “amigável” norte-
em troca do plano de ajuste anunciado pelo governo americana e sua atual ofensiva sobre a China com o
seja preparado algum tipo de salvamento que suaviza- objetivo de debilitá-la e subjugá-la[3].
ria momentaneamente as pressões no mercado de títu- Rumo ao incremento das contradições
los.
Muito além dos tempos concretos, estamos diante
A atual crise europeia recoloca em cena o velho- dos primeiros elementos de uma nova rodada da crise
novo problema de que a Europa não é nem pode ser um mundial que muito provavelmente aumentará as con-
“supra-estado”. Nos anos 20 o economista inglês John tradições no interior dos blocos ou semi-blocos, entre
Maynard Keynes denominou o continente europeu os Estados, com maiores ataques ao movimento de
como uma “casa de loucos”. A impossibilidade da uni- massas, maiores desigualdades econômicas e maior
dade capitalista europeia (e o papel do euro) representa luta de classes. Não parece que no imediato se volte a
um problema agudo que, mesmo que pela primeira vez um curso depressivo coordenado do conjunto da eco-
na história, hoje volta a se expor em toda sua dimen- nomia mundial, como ocorreu não final de 2008, entre
são. outras questões porque o principal afetado por ora não
O crescimento dos EUA e o aumento das tensões é nenhum país central. Entretanto, é muito provável
com a China que de forma mais estendida no tempo estejam se ges-
Há poucos dias foram divulgados dados de cres- tando as condições para uma nova recaída que, numa
cimento dos EUA no último trimestre de 2009, com primeira etapa, provavelmente seja mais desigual que
uma cifra positiva de 5,7% do PIB anualizado. Este a de 2008, porém que no médio prazo possa voltar a
crescimento aparentemente impressionante, que cer- colocar na cena de forma mais violenta não apenas as
tamente foi o maior desde o início da crise no final de condições da depressão econômica mas também aque-
2008, se explica principalmente pela recomposição las do enfrentamento entre estados e do desenvolvi-
dos estoques das empresas e os pacotes governamen- mento da luta de classes.
tais de estímulo ao consumo. Tal qual com os “PIGS”, América Latina
os déficits e o endividamento estatal desempenham No que diz respeito à América Latina, Obama se
um papel central em recuperar a economia dos EUA, aproveitou das ilusões que desperta e de acontecimen-
que está acumulando o maior déficit desde a Segunda tos políticos na região para ampliar a presença direta
Guerra Mundial e tem a maior dívida pública do mun- do imperialismo na região, que por sua vez debilita a
do, equivalente a mais de 12 trilhões de dólares. As política de Lula de se alçar como mediador entre o
dúvidas sobre a capacidade de pagamento podem imperialismo norte-americano e as nações latino-
resultar numa fonte permanente de instabilidade na americanas, e disputar cotas de poder regional. Esta
economia norte-americana e mundial. A taxa de ofensiva renovada do imperialismo sobre a América
desemprego é de cerca de 10% e representa um dos pro- Latina se demonstra também na restituição da IV Frota
blemas mais graves enfrentados pelo Estado. Os índi- Naval dos Estados Unidos nos mares da América do
ces de recuperação da economia não afetam a taxa de Sul, nas novas bases militares na Colômbia, e agora na
desemprego, que apenas conseguiu deter o ritmo de presença militar ostensiva e sem data para terminar no
sua elevação. Este problema está na base da queda de Haiti. Este último elemento atua ainda como pressão
popularidade de Obama e do debilitamento do Partido restauracionista sobre Cuba, já que o Haiti ocupado
Democrata. O caráter pouco genuino da recuperação pelos EUA está a poucos quilômetros de distância de
da economoa norte-americana e, com ele, o elevado Cuba, e como toda região do Caribe, mantém uma dinâ-
desemprego, são os elementos que determinam que os mica interligada entre os países que a integram. Tam-
Estados Unidos tenham apostado por uma política de bém termina por golpear o bloco da ALBA, sobretudo
dólar baixo que implica uma atitude internacional Chávez - que ajudou a semear as ilusões em Obama
mais ofensiva com o intuito de aumentar a competiti- afirmando que se abria um novo capítulo das relações
vidade e reduzir as importações. É nesse contexto que entre a região e os EUA - mas que está se debilitando,
ganha relevância sua relação com a China. As próprias tanto internamente, quanto como corrente latino-
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americana. Entretanto, não devemos tomar este pro- necessidade, além de um plano de racionamento ener-
cesso como se fosse um momento de ofensiva absoluta gético que pressiona sua popularidade e influência a
da direita, mas antes como uma situação de maiores cair. O movimento operário pela sua vez, sofreu nos
enfrentamentos e instabilidades. Um exemplo é o fato últimos anos uma repressão sistemática através de
de que houve resistência popular ao golpe em Hondu- assassinatos e atentados contra dirigentes sindicais por
ras e há o início de lutas dos trabalhadores, como con- via de capangas contratados pela patronal às vistas
tra o fechamento da empresa Luz y Fuerza no México grossas dos governantes chavistas. Hugo Chávez ame-
e as lutas operárias, com destaque para Kraft, na açou militarizar empresas estatais que estiveram em
Argentina, que marcam o fim do ciclo kirchnerista. luta, como a Guayana e o Metrô de Caracas acusando
Como resposta à maior intervenção imperialista os trabalhadores de “sabotadores”, e um plano operati-
na América Latina, os governos da região se lançaram vo contra qualquer mobilização no vale do Orinoco e
a constituir defensivamente uma OEA “sem Canadá e Sidor, marcando a ofensiva de Chávez contra o sindi-
EUA”, buscando ampliar as possibilidades de acordos calismo independente, prendendo seus dirigentes, e os
parciais frente as incertezas econômicas que pairam setores à esquerda do movimento operário. É por isso
no cenário internacional. que os setores combativos e classistas temos que
chamar os operários a não depositarem nenhuma
Lula, que hoje é tido como principal liderança na confiança nesses governos burgueses de direita, e
América Latina, busca ao mesmo tempo se firmar desmascarar ainda mais aqueles que enganam o
como protagonista em todos os temas de importância povo, se disfarçando com discurso de esquerda,
geopolítica na região, uma espécie de aparente “sócio seja socialista ou nacional e popular.
menor” do imperialismo para os temas latino-
americanos. Embora tenha tentado aparecer com uma Por fim, é fundamental ressaltar também o pro-
posição “independente” em relação ao tema das san- cesso de profunda crise política que se desenvolveu na
ções ao Irã não busca enfrentamentos com os EUA. Argentina com o esgotamento do ciclo kichnerista
Entretanto, o fato do imperialismo de Barack Obama enquanto alternativa burguesa à crise de 2001 e que
ter uma política mais diretamente protagonista na Amé- agora prova sua decadência. Dois projetos burgueses
rica Latina impõe limites às pretensões lulistas, de entraram em choque desde a crise do campo em 2008,
emergir como o grande negociador latino-americano. que deu aos Kichner sua primeira derrota, em uma
Mesmo assim, Lula tem buscado aproveitar as brechas guerra de interesses econômicos: por um lado a ultra-
abertas internacionalmente pela decadência da hege- conservadora burguesia agrária, que logrou uma meca-
monia norte-americana para aparecer como maior pro- nização do campo e a partir da subida das commodites
tagonista nos temas internacionais, inclusive sobre os pôde surfar no último ciclo de crescimento econômi-
quais o Brasil não está diretamente envolvido, como co, e pelo outro a burguesia industrial, base de apoio
em relação ao Oriente Médio. Um exemplo foi a recen- dos Kichner, que desde o início os protegeu a partir da
te visita de Lula em Israel. isenção de impostos. A crise nas alturas não parou de
se aprofundar desde a derrota do governo nas eleições
No plano da política internacional, o chavismo, legislativas de junho do ano passado e diversos confli-
como principal corrente latino-americana, se colocou tos vem se travando entre setores burgueses. De forma
à prova e sofreu derrotas. Seu discurso anti- que se atualizam as duas principais forças da burguesia
imperialista foi muito apaziguado durante a eleição de da Argentina semicolonial, o imperialismo norte-
Obama quando anunciou este como um “bom vizi- americano e a classe trabalhadora. Nos interessa res-
nho”. O bloco bolivariano da ALBA, impulsionado saltar com muito destaque o processo chamado
por Chávez não usou a influência que possui para pre- pela mídia argentina como “sindicalismo de base”,
parar politicamente os países ante a ofensiva que os liderado pelo combativo sindicato Ceramista e os
EUA planejaram através da máscara de Obama, pelo operários de Zanon que há 8 anos mantém a fábri-
contrário. A incapacidade de Chávez em liderar uma ca sem patrões produzindo sob seu controle, junto
alternativa concreta à ofensiva da dominação norte- aos combativos delegados dos metroviários da cida-
americana na América Latina e sua aceitação pacífica de de Buenos Aires, que estão lutando pelo reconhe-
de tal ofensiva mostra mais uma vez a fraqueza e sub- cimento de seu sindicato independente, e agora
serviência da dependência da classe burguesa que sus- com a incorporação da combativa comissão inter-
tenta seu governo. Isso se combina com mais debilida- na dos trabalhadores de Kraft. Esse é o sindicalis-
des internas marcadas pela crise internacional que dei- mo que nós reivindicamos, classista, combativo,
xou exposta a enorme dependência do quinto exporta- para que a classe operária possa triunfar.
dor mundial de petróleo. Chávez lançou um plano de
desvalorização da moeda nacional que causa um Somos irmãos destes trabalhadores combati-
aumento imediato dos preços dos artigos de primeira vos e classistas e defendemos esse sindicalismo.
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Internacionalismo proletário 2002, na Carta ao Povo Brasileiro, lançava a senha de


Viemos colocar a necessidade de retomar o inter- que os capitalistas nacionais e internacionais poderi-
nacionalismo proletário das primeiras décadas do sécu- am confiar que ele seguiria aplicando o que vinha do
lo passado onde os trabalhadores como colocava Marx governo FHC.
consideravam que a classe operária não tinham pátria. Desde a década de 1980 até início da década de
Nesse sentido viemos reforçar a necessidade das cam- 1990, os planos econômicos primavam por medidas
panhas de solidariedade internacional como foram con- que garantissem aos capitalistas a transferência de ren-
tra o golpe de Honduras, ou pela retirada das tropas bra- da extraordinária – acima da mais-valia extraída da
sileiras do Haiti, ou em apoio as lutas dos trabalhado- exploração dos trabalhadores – pelo processo inflacio-
res latino-americanos, e na defesa contra os ataques nário, elevando os preços de produtos e serviços
patronais e governamentais. Viemos chamar a atenção enquanto os assalariados, mesmo quando indexados,
para que estas campanhas sejam feitas respeitando a não acompanhavam a escalada inflacionária. O novo
independência política dos trabalhadores como processo de acumulação capitalista iniciado no início
uma estratégia que não pode ser negociada. Nossa da década de 1990 (Collor) com a abertura comercial e
corrente não aceita nem apóia nenhuma saída bur- financeira e as privatizações colocou à frente os inte-
guesa sob pretexto de defesa da democracia. Não resses do sistema financeiro nacional e dos mercados
existe nesta sociedade uma democracia em geral, a internacionais (fundos de investimentos, bolsas de
democracia tem caráter de classe, dependendo quem valores). Os negócios com títulos da dívida pública
domine o estado. Por isso, em Honduras ainda que lute- passaram a ter papel preponderante. O governo devia
mos lado a lado junto as massas que enfrentavam a dita- financiar a rolagem da dívida, e para isso necessitava
dura e queriam a restituição de Zelaya, nao comparti- de capitais. O setor financeiro e bancário passou,
lhamos esta demanda de repor um governo burguês, e então, a ser o maior detentor de títulos da dívida,
sim procuramos o tempo todo que, a partir da própria ganhando fabulosos lucros com os juros que recebia,
mobilização das massas, estas possam conquistaram o além de poder utilizar esses papéis (a valor de face,
poder com suas organizações em luta. conhecidas “moedas podres”) nas privatizações.
Temos que discutir e assumir no CONCLAT um Dívida pública: carga insuportável para o povo
verdadeiro programa anti-imperialista começando e o país e fonte de lucro para os capitalistas
pela retirada das tropas de nosso continente e de todo o O tripé econômico que Lula herdou de FHC - equi-
mundo (Iraque, Afeganistão, etc.). Abaixo o bloqueio líbrio fiscal, controle inflacionário e política de câm-
a Cuba, defesa de todas as conquistas de estado operá- bio -, e que Dilma promete continuar, responde aos
rio, contra a burocracia e todos os restauracionistas, interesses dessa fração burguesa bancária e financeira
neste sentido temos que denunciar o papel nefasto de que há mais de uma década determina as finanças
Lula nesse processo. públicas em prol dos seus lucros e extração de renda
extra. O superávit primário e a Lei de Responsabilida-
2. Conjuntura nacional de Fiscal (para governos estaduais e municipais), cer-
ne das finanças públicas, foram instituídos por FHC.
Para que nos preparamos? A continuidade com Por esses mecanismos os orçamentos públicos federal,
Dilma, sem Lula. Dilma Rousseff é a candidata oficial estaduais e municipais têm que separar primeiro o
à sucessão de Lula, homologada festivamente no IV dinheiro para pagar os juros dos títulos da dívida públi-
Congresso do PT, encerrado no sábado (21/02). Em cli- ca em mãos dos banqueiros, fundos de investimentos,
ma de euforia e aclamação Dilma disse receber “a hon- de pensão e detentores individuais. Depois, com o que
rosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um sobrar, pode-se tentar “planejar” gastos sociais e polí-
grande brasileiro”, o presidente Lula. Cabal confissão ticas públicas. Por isso sempre os capitalistas exigem a
de que se eleita não tem projeto distinto, cabendo-lhe diminuição dos gastos públicos - salários dos servido-
continuar o que foi feito nesses dois mandatos lulistas. res, educação, saúde, transporte, moradia popular,
Também é uma senha para dar confiança aos monopó- saneamento etc. - com o falso argumento de “equilí-
lios imperialistas e nacionais, industriais e financeiros brio fiscal” (receitas e despesas).
– os que realmente determinam a política nacional – de
que seus negócios e lucros estarão garantidos. A candi- Durante o governo Lula a dívida pública continua
data Dilma reafirmou os pilares econômicos do último sendo o principal fator de acumulação capitalista, bene-
ciclo de acumulação capitalista: “Vamos manter o equi- ficiando os mesmos setores burgueses - banqueiros,
líbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câm- financistas, monopólios nacionais e estrangeiros. Não
bio flutuante”. Esses fundamentos da política econô- à toa ele, que em 2002 “assustava” esses capitalistas
mica foram seguidos à risca pelo governo Lula, que em passou a ser venerado como garantidor da estabilidade
econômica, política e social que permitiu preservar os
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mecanismos de acumulação capitalista. Por sua vez, as burguesia, o imperialismo e as direções sindicais
reservas cambiais que tanto são cantadas como grande governistas que se formou em torno de Lula será man-
trunfo do governo Lula também não entram. Dilma dis- tido com Dilma? Ela, que é uma forasteira até mesmo
se que “aumentamos nossas reservas de 38 bilhões de no PT, sem relações orgânicas com as massas trabalha-
dólares para mais de 241 bilhões”, mas também não doras (menos ainda com setores da classe média), dian-
quer explicar o custo dessa “empreitada”. Quando o te de turbulências econômicas – em que as classes
governo aumentou as reservas cambiais ele teve que dominantes não vacilarão para se salvar a afundar as
comprar dólares, e para isso fez empréstimos, venden- massas – conseguirá conter o descontentamento popu-
do títulos da dívida pública, pagado juros. O governo lar e operário, evitando que lutas sociais e operárias
paga os juros dos títulos da dívida aos seus detentores entrem na cena política nacional? Num contexto de
(débito) e o que recebe (crédito) pelas reservas aplica- enfrentamento de classes – trabalhadores e seus alia-
das fora é bem menos. dos contra os capitalistas – apenas a burocracia sindi-
O que será o pós-Lula com Dilma eleita cal cutista e dos movimentos sociais ligados ao petis-
mo, sem Lula, serão capazes de evitar a irrupção de
Como a candidata Dilma afirma com todas as movimentos de base combativos que possam evoluir
letras que tudo será como antes, pode-se prever que o num escala massiva? O lulismo sobreviverá sem Lula
país estará ameaçado pela carga e custo da dívida como “guia”?
pública. A Europa já vive o segundo capítulo da crise
mundial, com a quebradeira fiscal de Estados (não O próprio chefe de pesquisa econômica do banco
mais apenas de bancos e empresas) com dívidas eleva- Goldman Sachs, Jim O'Neill, criador do termo BRIC,
díssimas que agora entram em default – incapacidade diz estar "um pouco preocupado" com o pós-Lula.
de pagamentos. Os mal chamados PIIGS (Portugal, “Preocupa-me que o próximo presidente brasileiro
Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) podem contagiar não tenha alguma dificuldade inicial”, diz ele. "É difícil
apenas a Europa mas países como o Brasil, que tem em substituir um líder bem-sucedido. Quando as pessoas
sua dívida pública a principal alavanca econômica, vul- me dizem que as próximas eleições não farão diferen-
nerável aos choques internos e externos contra a moe- ça, me preocupa, porque provavelmente serão impor-
da, as reservas, os títulos. Os capitalistas e governantes tantes.”
desses países lançam a velha receita (que os trabalha- Esta difícil enxergar os cenários pois eleitorais
dores paguem a crise): corte de gastos públicos, sim Lula, inclusive como quedara a relação de forças
demissões, arrocho salarial, fechamento de empresas, entre o PSDB - se logra manter o governo de SP - e o
dinheiro para salvar os capitalistas. PT na presidência, quais as relações com as centrais
Se o Brasil pode nesses anos de governo Lula governistas, etc. Seguramente os cenários serão bem
seguir a política de FHC, voltada para os lucros capita- mais instáveis politicamente, com Dilma na presidên-
listas (e dos setores bancários e financeiros) com cia não podemos descartar maior giro a direita das clas-
alguns planos assistenciais para a massa pobre e a gera- ses medias que leve a maior polarização, nem tampou-
ção de empregos com salários e direitos precarizados, co maior intervenção da classe operária não só a efeti-
contando com condições favoráveis da economia (ex- va sino também a precarizada. Nem descartar, como já
portações de commodities, consumo estimulado por vários analistas assinalam, que o ano que vem o Brasil
crédito e isenção de impostos, empréstimos para comece a sentir os efeitos da crise internacional que
empresas e bancos) que permitiram manter um clima este ano não chegaram o que pode levar a lutas de
de conformismo social, consumismo e expectativas no resistências a os ataques.
governo, sem a necessidade de ataques diretos e fron- Temos que nos preparar no ano que vêm, para
tais contra os trabalhadores e as massas (a não ser a cenários mais instáveis e de maior luta de classes.
famigerada repressão e violência policial corriqueira), Para a central unificada que surja desde CONCLAT,
trata-se de preparar os espíritos para situações especia- está colocado se propor como alternativa
is em que os choques entre as classes – pela divisão da COMBATIVA E CLASSISTA às centrais governistas.
riqueza nacional – não mais seja tão passivo e tranqui- Temos que definir o conteúdo desta unidade como já
lo, posto que os capitalistas vão, ameaçados pela crise, adiantamos acima, votar as resoluções das campanhas
ser mais agressivos contra a massa trabalhadora e os políticas essenciais, e estabelecer um método de funci-
cofres públicos, sem se preocupar se o país vai quebrar onamento e eleição da direção. Ainda que tenha
ou não (como estamos vendo na Europa), desde que importância as definições eleitorais, as quais concor-
continuem lucrando mais e mais. damos em discutir, incluindo os candidatos que
As interrogações que pairam: Dilma, mesmo melhor apresentem a política de classe, alertamos que
ganhando as eleições, poderá navegar em águas turbu- esta questão e suas definições, não podem nortear o
lentas como Lula surfou as marolas? O pacto entre a congresso, sem correr o risco de cair numa orientação
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

propagandística. Para armar todas as entidades para os 4) Lutar para transformar a luta reivindicati-
desafios que temos pela frente, no ponto seguinte pro- va em luta política, lutando por uma ampla aliança
pomos um plano de ação. operária e popular, não só para apoiar a luta dos traba-
lhadores, mas também assumindo as demandas dos
setores populares, começando pelo povo pobre e os
3. Plano de lutas estudantes, colocando os trabalhadores como a única
Propomos uma orientação geral de princípios, classe que pode dar respostas de fundo a esses setores.
considerando a diversidade de reivindicações de todos Como falava Lênin, devemos assumir essas demandas
os sindicatos que compõem o CONCLAT. “não como simples sindicalistas e sim como verdadei-
1) Discutir com centralidade o balanço de todas as ros “tribunos do povo”, assim, nós que assinamos
greves que aconteceram no último período em que essas teses, fizemos no ano passado na USP.
teve responsabilidade a Conlutas e a Intersindical. 5) Lutar para reverter as demissões de Embra-
Este ponto é fundamental, para tirar lições e pre- er e GM, manter essa demanda nos programas, não dei-
parar as batalhas futuras. Por isso, temos que recuperar xar passar nem aceitar as demissões, não podemos
as melhores tradições de nossa classe internacional e naturalizar as derrotas.
de suas correntes revolucionárias fazendo balanços da 6) Campanha eleitoral. Nossa proposta eleitoral
atuação na luta de classes, concretos e reais, baseados tem que estar subordinada a luta de classes. Os parla-
nas conclusões das principais intervenções em que mentares operários não são um fim em si mesmo, e sim
tivemos responsabilidade de direção, ou quando porta-vozes para denunciar as camarilhas parlamenta-
fomos minoria. Partindo desta consideração rechaça- res e essa corja de bandidos à serviço do capital e para
mos os balanços abstratos e propagandistas que não convocar os trabalhadores para luta fora do parlamen-
permitem tirar conclusões para rearmarmos, nem esta- to. Mas não somos abstencionistas e temos acordo em
belecer com clareza as responsabilidades da direção. utilizar as eleições para fazer propaganda das políticas
Achamos fundamental fazer os balanços das principa- operárias e revolucionarias. Lutamos por uma frente
is provas a que fomos submetidos: LG-Phillips, classista. Rechaçamos a chamada Frente de Esquerda
Embraer, GM, Revap, e a greve da USP de 2009 e com objetivos eleitorais com partidos que praticam a
agora a greve de professores de SP março/abril conciliação de classes como o PSOL e o PCB, a inde-
2010. Nós consideramos que a Conlutas e a Intersindi- pendência política da classe operária é uma estratégia
cal não estivemos à altura das necessidades da luta de não um problema tático. Por isso, apoiamos a candida-
classes. tura à presidência de Zé Maria por ser referência para
2) Contra a política corporativista das centrais um setor da classe operária. Os que assinamos esta
e sindicatos governistas. Campanha pública nacio- tese, estamos contra desenvolver um programa de
nal, sistemática e nas estruturas, pela unidade das file- governo, já que não temos que alentar nas massas a
iras operárias entre efetivos, contratados, terceiri- possibilidade de chegar a um governo socialista de
zados, precarizados e desempregados. E uma práti- ruptura com a burguesia, pela via eleitoral. Acha-
ca política sistemática neste sentido. mos que a chave da agitação, tem que ser o chamado
aos trabalhadores a não votar em seus carrascos e sim
* Efetivação de todos os trabalhadores com iguais
em sua classe.
direitos.
Que o Conclat abra esta discussão.
* Eleição de comitês de fábrica e empresas em
todas as estruturas que dirijam a Conlutas e a Intersin-
dical, com delegados conjuntos de efetivos e contrata- 4. Estrutura Sindical
dos, sindicalizados ou não, para forjar a unidade na Consideramos que os sindicatos são ferramentas
base de fábricas e empresas e lutar efetivamente contra dos trabalhadores para a luta de classes em um sentido
a influência do estado em nossas organizações. amplo, começando pela luta reivindicativa, mas para
Assembléias resolutivas como órgãos supremos de levar essa luta ao terreno político contra a burguesia,
decisão. para acabar com esta sociedade de exploração, por
* Divisão das horas de trabalho sem redução sala- uma nova sociedade dirigida pelos trabalhadores. Nes-
rial “trabalhar menos, trabalhar todos”. te sentido, lutamos por sindicatos e centrais classistas
3) Solidariedade ativa, concreta e efetiva com e para a luta de classes. Contra toda a estrutura varguis-
todos os trabalhadores em luta e que enfrentem a buro- ta, queremos em primeiro lugar sindicatos e centrais
cracia sindical. Coordenação imediata de todos os seto- independentes do estado burguês, seus governos, suas
res em luta dos sindicatos, empresas e categorias que instituições e partidos políticos. Contra a burocratiza-
dirijam o co-dirijam a Conlutas e a Intersindical. ção das organizações operárias, que se baseia funda-
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mentalmente nos privilégios matérias começando pelo tos - cada vez mais servis e incapazes de organizar os
direito de não trabalhar, lutamos por: 1) rotatividade trabalhadores de modo autônomo. Está em curso um
dos dirigentes mantidos pelo sindicato, depois de processo de re-estatização sindical no País. Desde o
um mandato tem que voltar ao trabalho; 2) outro getulismo, as centrais sindicais nunca dependeram
ponto essencial contra a burocratização dos dirigentes tanto do Estado para sobreviver quanto dependem
sindicais: as assembléias de delegados com manda- agora”. Enquanto os burocratas sindicais atrelados ao
to, como órgãos resolutivos máximos, nenhum diri- governo e à patronal ganham milhões, têm cargos nas
gente pode ter mais autoridade do que esta instituição; empresas privadas e órgãos públicos, mantêm postos
3) diretivas constituídas sobre a base da proporciona- como vereadores, deputados, senadores, prefeitos,
lidade; 4) ampla organização nos lugares de trabalho, governadores e até presidente da República, os traba-
delegados eleitos em assembléias revogáveis e com lhadores sofrem os efeitos da exploração capitalista e a
mandato das bases, com representação de toda a população pobre – em sua grande maioria assalariados
estrutura (sindicalizados ou não, efetivos, contra- precarizados - morren nas enchentes, deslizamentos
tados, terceirizados); 5) estamos contra a indepen- de terra e nas chacinas orquestradas por grupos de
dência dos sindicatos de todos os partidos, não igua- extermínio e policiais.
lamos partidos burgueses e proletários, o que constitui
um ponto fundamental para nossa corrente. Pelo con-
trario junto aos combativos operários de Zanon e seu Que unidade queremos construir?
sindicato classista queremos liberdade para todas as Tanto do lado da Conlutas como da Intersindical o
tendências políticas que reivindicam a classe ope- discurso é de constituir “uma central classista e unitá-
rária e suas instituições e lutamos para que a classe ria para as luta dos trabalhadores” para superar a “frag-
operária conquiste sua ferramenta política. Para mentação do movimento sindical” produzida pela
nós este ponto é fundamental ; 6) não aceitação do cooptação da CUT ao âmbito do governo Lula e aos
imposto sindical compulsivo, em caso de ter que acei- interesses diretos dos capitalistas. Nesses termos, não
ta-lo abrir uma conta bancaria independente para colo- haveria ninguém que pudesse se contrapor à fusão des-
car esse dinheiro como fundo de greve à serviço dos ses dois blocos constituídos a partir da ruptura com o
trabalhadores em luta. PT e com a CUT. Faz falta realmente uma central sin-
dical classista, unitária e para a luta de classes, o que
exige ser independente de todos os governos burgue-
5. Concepção e prática sindical: Unificação da ses e do Estado e estar fundamentada em um programa
Conlutas com a Intersindical avançado de combate aos capitalistas e suas institui-
Em primeiro lugar temos que estabelecer em que ções - partidos patronais, leis, justiça, polícia, parla-
contexto se dá o processo de criação de novas centrais mento - que unifique os interesses de todos os traba-
sindicais. Este processo se dá nos moldes determina- lhadores - efetivos, terciarizados, precários e informa-
dos pela Lei de Reconhecimento das centrais sindicais is -, superando o velho sindicalismo corporativista,
promulgada por Lula, em acordo com a burocracia sin- legalista e pacifista que divide e isola os trabalhadores
dical das demais centrais. Essa lei foi uma negociata por sindicatos (categorias) e, pior ainda, deixando de
com as centrais sindicais que apoiam o governo Lula, e lado todo o grande contingente (majoritário) de assala-
todas buscaram garantir o controle burocrático sobre riados sem carteira assinada. Esse sindicalismo herde-
os sindicatos (mantiveram a unicidade sindical, ou iro do regime sindical de Getúlio Vargas, como o que
seja, mesmo traindo, os trabalhadores não podem fun- foi moldado pelo petismo, tem que ser superado. Os
dar outro sindicato combativo). Todas as centrais eram trabalhadores necessitam de organizações de combate
politicamente reconhecidas e existiram até 2008 sem que lutem primeiramente pela unidade da classe supe-
precisar se submeter a qualquer tutela estatal. Com rando a derrota que impôs o neoliberalismo.
essa lei, tudo muda, e as centrais ficam atreladas ao
Estado, o que significa um retrocesso de todas as con-
quistas políticas alcançadas pela luta operária nos anos Necessitamos uma organização sindical que pri-
1970 e 1980, quando as centrais foram reconhecidas orize a luta de classes
“na marra” e a própria Constituição de 1988 deixou de e não a propaganda do socialismo
exigir que os sindicatos fossem homologados pelo Uma organização sindical unitária e classista
Ministério do Trabalho (como na época da ditadura e deve antes de tudo ter em seu programa a resposta para
desde os tempos de Getúlio Vargas). Como disse o o principal problema que atinge a classe trabalhadora
sociólogo Ricardo Antunes em Maio de 2008, no Esta- nacional: a fragmentação imposta pela ofensiva neoli-
dão, “isso configura o triste caminho que atravessa- beral que dividiu a classe ao meio, com mais da metade
mos: o da reaproximação entre o Estado e os sindica- sem direitos trabalhistas, com salários miseráveis e
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condições sub humanas de trabalho e uma pequena par- que superar.


te preservando carteira assinada, direitos trabalhistas e Em janeiro de 2009, no Fórum Social Mundial, no
outras conquistas mínimas. Hoje os próprios trabalha- Pará a Conlutas e a Intersindical aprovaram por con-
dores precarizados vivem humilhados trabalhando ao senso uma Plataforma e um Plano de Ação que preten-
lado de companheiros efetivos mas acreditando que dia responder à crise e a proposta de construção de
nunca poderão ter esses direitos mínimos. Os trabalha- uma nova organização sindical unitária. Estávamos
dores efetivos se sentem privilegiados e são estimula- em plena crise capitalista, com a patronal demitindo
dos pelos burocratas sindicais, a patronal e a propa- em massa (desde dezembro, 650 mil trabalhadores per-
ganda ideológica a não enxergar no seu companheiro deram seus empregos, incluindo os 4.600 demitidos da
terceirizado um irmão de classe, um igual, e na realida- Embraer dirigida pela Conlutas) e cortes de salários e
de olham para o lado com medo de serem os próximos direitos, que eram aceitos sem qualquer mobilização
a viver nessas péssimas condições de exploração. Esse pelas centrais sindicais oficiais. Este manifesto tinha
sentimento defensivo - ter medo de perder o emprego como “programa” central a exigência para que Lula
numa fábrica que “tem direitos” e virar um precariza- editasse uma medida provisória (MP) que “garantisse
do - se torna terreno fértil para os burocratas sindicais e a estabilidade no emprego” que de fato significava
a patronal seguirem impondo essa divisão, pois os defender a estabilidade apenas para os efetivos, já que
patrões e seus agentes - os pelegos - sabem muito bem não se exigia o fim da precarização e a garantia de
a força política que teria a classe trabalhadora brasilei- emprego para todos os trabalhadores, e deixando tudo
ra com seus 90 milhões de assalariados unidos em tor- nas mãos da boa vontade do governo, enquanto Lula
no de um programa comum e um propósito firme de destinava bilhões para salvar os lucros empresariais e
colocar essa força para atacar o coração dos capitalis- dos banqueiros. Foi correto alimentar a ilusão de que
tas - o lucro - organizando com seus métodos lutas polí- diante da crise capitalista os trabalhadores poderiam
ticas para vencer e não apenas lutas sindicais para con- garantir seus empregos sem deflagrar uma luta fir-
seguir uma migalha, enquanto os capitalistas enrique- me e decidida, apenas pedindo que o governo dê
cem cada vez mais com os baixos salários e a precari- uma “canetada”, mesmo que essa fosse uma “possi-
zação de milhões. bilidade absolutamente remota”? Com isso, tanto a
A classe operária tem um problema estratégi- Conlutas como a Intersindical ficaram, durante meses,
co para solucionar se quer derrotar os capitalistas, perseguindo essa “possibilidade”, pressionando o
isto é, necessita antes de tudo unir as suas fileiras. Pre- governo do PT (apenas com panfletos e discursos),
cisam dar passos firmes para se organizar de modo a sem impulsionar um combate frontal às direções da
disciplinar e passar por cima da burocracia sindical, CUT, Força Sindical e outras que falavam que o gover-
começando pela unidade da base nos locais de traba- no estava com os trabalhadores enquanto negociavam
lho, impondo comissões de fábricas democráticas de acordos de rebaixamento salarial, demissão de contra-
efetivos e precarizados. Esse é o verdadeiro conteúdo tados, retirada de direitos e acabavam livrando a cara
classista e uma tarefa fundamental que qualquer cen- de Lula perante os milhões de trabalhadores. Essa polí-
tral classista e combativa deveria assumir, colocando tica concreta dos pelegos visava impedir qualquer
na prática uma forte campanha com esse conteúdo e mobilização, propondo aos trabalhadores confiarem
rechaçando a ingerência do Estado, colocando os fun- nos acordos e que a crise passaria com a ajuda de Lula.
dos do imposto sindical a serviço das lutas operárias O manifesto e a prática da Conlutas e da Intersindi-
dos efetivos e precarizados, numa conta especial de cal não ajudavam a superar essa passividade
fundo de greve, dinheiro esse que deve ser fiscalizado imposta pelos burocratas sindicais, ajudando os tra-
e controlado pelos trabalhadores, com prestação públi- balhadores a confiar apenas em suas forças e exi-
ca das contas. gindo de suas direções que implementassem um plano
nacional de luta, unificando todas as categorias que
sofriam os efeitos impostos pela patronal em lutas rea-
A unificação Conlutas-Intersindical vai nesse is (greves, manifestações, piquetes, ocupações de
caminho? fábricas etc.). O calendário central desse manifesto foi
Se olharmos as definições programáticas e a prá- o dia 1º de Abril, “Dia nacional de luta pela estabilida-
tica sindical e política dessas duas organizações, sem de no emprego”, que acabou se realizando no dia 30/03
nos deixar levar por palavras e discursos, infelizmente em unidade com a CUT, CTB, Força Sindical e demais
devemos dizer que o caminho que as direções perse- centrais. Porém, esse dia não passou de mais um ato-
guem não vai nesse sentido, inclusive o próprio pro- palanqueiro, com discursos para esconder a verdadeira
cesso de fusão não é o produto da confluência nas traição dos burocratas sindicais. Depois de dizer “não
lutas, de um processo orgânico nas bases, e sim um às demissões” reivindicava “redução dos juros”, isto é,
acordo de tendências, são esses os limites que temos a consigna central da FIESP e até mesmo do governo
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Serra. Sem papas na língua o secretário-geral da Força dos de participar da reunião da coordenação da Conlu-
Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), estampou o tas no Rio de Janeiro, com o argumento “estatutário”
caráter de conciliação entre os interesses dos trabalha- de que estavam com débito financeiro (!!!).
dores e dos patrões: “é uma demonstração de que é Não basta se dizer anti-governista e até socialista,
possível se unir em defesa da classe trabalhadora, há que preparar esse combate dia a dia nas lutas cotidi-
pela queda na taxa de juros e contra o desemprego”. anas, desenvolvendo a “escola de guerra” como falava
De lá para cá, o processo de unificação Conlutas- Lenin, para nos preparar para essa perspectiva que não
Intersindical avançou, via seminários e reuniões, vai a chegar pela via eleitoral nem cairá do céu.
para alcançar acordos parciais e propagandísticos
não forjados na luta de classes, entre correntes e Por isso nossa consigna é: mudar seu rumo e
dirigentes, mas não significou qualquer avanço na orientar a unificação ao serviço das necessidades
unidade real que servisse para dar passos adiante da luta de classes.
na reorganização sindical e dos trabalhadores que
orbitam em torno dessas entidades. 6. Programa, princípios e estratégia
Um exemplo de que o processo de unidade Estas críticas, baseadas em fatos reais incontestá-
entre Conlutas e Intersindical precisa mudar seu veis, tem o objetivo de discutir franca e honestamente
rumo e se ligar aos processos reais de luta é o caso a urgente necessidade de que os dirigentes da Conlutas
das demissões da Embraer e da Vale, quando todos e da Intersindical mudem os rumos desse processo de
esses trabalhadores não puderam contar sequer unificação, fazendo-o chegar realmente às bases,
com o apoio unitário dos sindicatos das duas orga- ligar-se aos processos de luta existentes, tirando
nizações, que seguiram seus atos e manifestações lições, aprovando planos de luta para que nenhuma
isoladas e separadas. Outro exemplo, logo depois, foi luta (principalmente dos sindicatos dessas duas enti-
o caso da greve da USP, que se transformou numa luta dades) fique isolada, para que obtenha vitória e ajude
vista e acompanhada diariamente em todo o país. os trabalhadores a enxergar que é possível lutar e ven-
Durante mais de três meses os trabalhadores da univer- cer, não mais aceitando passivamente a demagogia do
sidade - co-dirigidos por nossa corrente - foram a linha governo Lula e dos burocratas sindicais que deixam
de frente de uma dura luta contra o regime monárquico passar todos os ataques patronais.
da USP, em defesa das suas reivindicações e contra a
Temos que discutir a necessidade de unificação
repressão e a demissão de seu dirigente (Brandão). O
da Conlutas e da Intersindical ligada a processos reais
país inteiro conheceu essa luta, que era debatida pela
da vida dos trabalhadores e dos ativistas, superando os
imprensa, envolvia políticos e intelectuais. A reitoria,
debates organizativos e aparatistas que buscam acor-
a mando do governo Serra, invadiu a universidade
dos deixando de lado as definições programáticas e de
com a tropa de choque, sitiando-a durante vários dias
reorganização, também pela base, e a participação con-
na tentativa de derrotar os trabalhadores e o seu com-
creta dos atores das lutas e do combate contra o gover-
bativo sindicato (Sintusp), uma das primeiras organi-
no, a patronal e a burocracia sindical vendida. Nós da
zações da capital paulista a se filiar a Conlutas. Entre
LER-QI junto com os companheiros independentes
tantos apoiadores, de toda matriz política e ideológica,
que formamos o Movimento Classe contra Classe, par-
o Sintusp, Brandão e os trabalhadores da USP não
ticipamos ativamente neste congresso de fundação,
puderam contar com os sindicalistas, personalidades e
lutando desde os locais de trabalho e estudo onde esta-
recursos da Conlutas nem da Intersindical. Faltaram
mos em defesa de uma perspectiva classista e combati-
atos, ajuda financeira, plano de unificação das lutas -
va.
os chamados para convocar encontros e coordenar os
setores em luta (havia, nesse momento, campanha sala- Caráter da nova entidade
rial dos metroviários, sabespianos, professores etc.), Nós, estamos pela unidade na luta dos setores
aprovados pelos trabalhadores da USP não obtiveram explorados e oprimidos, ou seja, pela aliança operária
resposta positiva -, até mesmo ações de difusão da luta. e popular, e que sejamos a favor de uma central sindi-
Enquanto essa luta heróica e exemplar se desenvol- cal junto aos movimentos sociais, seguimos acreditan-
via, a Conlutas e a Intersindical se reuniam em semi- do que a chave é a política e o modelo de sindicalismo
nários para discutir a “unificação” propagandísti- que as organizações defendam. Estamos pela aliança
ca, sem qualquer ligação com a luta mais importan- operária e popular concreta, para desenvolver a luta
te do momento. Assim se mostrava, concretamente, anti-capitalista, com os sindicatos e movimentos soci-
que essa “unificação” transcorria “por cima” (entre os ais combativos que sejam ou não sejam parte da nova
aparatos) e sem quase nada a ver com a luta real dos tra- central. Não acreditamos que esta questão possa se
balhadores. Até mesmo os representantes eleitos pela resolver com medidas organizativas e sim com uma
assembléia dos trabalhadores da USP foram impedi- política e uma estratégia para fazer avançar a nossa
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classe, para fazê-la confiar em suas próprias forças. que a central que surja desta unificação, tenha um fun-
Este ponto tem a ver com as colocações que fizemos cionamento baseado nas assembléias e plenárias gera-
acima, da necessidade de um novo sindicalismo que is de delegados com mandatos, como órgãos resoluti-
rompa os moldes do “modo petista de militar”. vos supremos, que não tem nenhuma instância por
cima. Nada pode ser aceito nas negociações nem assi-
nado sem ser avaliado na assembléia de trabalhadores.
7. Composição e funcionamento da direção Mas faz falta ainda fazer um esclarecimento porque os
Para nós a direção tem que ser composta pelos nomes estão muito prostituídos pelo sindicalismo
representantes das entidades sindicais e oposições, pro- petista/cutista. Queremos assembléias deliberativas e
postas pelas entidades e votados em plenária geral da resolutivas e não atos nos carros de som onde só falam
nova central, com delegados que tenham mandatos das os dirigentes e não tem sequer nenhum debate para dis-
bases, com o método da proporcionalidade. Achamos cutir balanços e perspectivas. Queremos desterrar da
também que nessa direção todas as correntes políticas prática do movimento sindical combativo os acordos
que participam da construção da central tem que estar por cima entre correntes e o chamado consenso das
representadas, logicamente respeitando as proporções burocracias sindicais. Queremos voltar a democracia
com respeito as entidades, mas também entre as pró- direta, para que os trabalhadores tomem em suas mãos
prias forças da esquerda. Nós queremos desenvolver seu próprio destino, acreditamos na democracia direta
todos os mecanismos que contribuam com a autode- e não nos dirigentes individuais. Há que romper até o
terminação dos trabalhadores e por isso, lutamos para final com o modo petista de militar.

Lutam por essas teses:


Claudionor Brandão - minoria da diretoria do Sintusp
Marcello Santos (Pablito) - trabalhador da USP, representante no C.O.
Doménico Colaccio - trabalhador da USP, membro do Comando de mobilização
Celso Junior - trabalhador da USP e delegado de base
Mary Coseki - trabalhadora da USP e delegada de base
Pablo Alfonso – trabalhador da USP
Cleber – trabalhador da USP e delegado de base
Eusébio Costa – trabalhador da USP e delegado de base
Patrícia Alves – trabalhadora da USP e membro do comando de mobilização
Diana Assunção – trabalhadora da USP e da comissão coordenadora de mulheres do Sintusp
Francisco Curio – trabalhador do IBGE
Natalia – trabalhadora do IBGE
Cícero Gueves – trabalhador da Sabesp, membro da Oposição Alternativa de Luta
Marília Rocha – trabalhadora do metrô
Val Lisboa – trabalhador do metrô
Erivaldo – professor da rede pública estadual SP
Rita Frau - professora da rede estadual SP
Danilo Almeida – professor da rede estadual SP
Inaya - professora da rede estadual SP
Ricardo Festi – professor da ETEC
Rui Tresso – professor de Ensino Médio
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Tese da INTERSINDICAL ao Congresso


Nacional da Classe Trabalhadora
“Trabalhadores de todo mundo, uni-vos!”
Apresentação jovens ou idosos, negros, índios e brancos, heteros e
Nós trabalhadores e trabalhadoras, militantes homossexuais e toda a diversidade que caracteriza a
organizados nas bases e nas direções de sindicatos e nossa classe. A conquista da igualdade de condições e
movimentos populares, nos dirigimos - através dessa do fim da opressão, bem como o direito ao próprio cor-
tese em processo de construção e ainda aberta a contri- po e outras legítimas reivindicações devem ser tradu-
buições - aos lutadores e lutadoras sociais do país, em zidas na organização e na ação do conjunto da Central.
especial àqueles/aquelas envolvidas com a preparação
do Congresso da Classe Trabalhadora com a convic- Conjuntura Internacional
ção de que nos dias 5 e 6 de junho de 2010 estaremos,
todos/todas, dando um passo muito importante ao apro- Alguns elementos marcam fortemente a situação
var as bases de um novo instrumento de luta da nossa internacional: a crise econômica mundial, a crise ambi-
classe. ental, a situação do Haiti, a continuidade da guerra
imperialista no Oriente Médio, a manutenção da resis-
Ao realizar este Congresso de Fundação da Cen- tência dos povos na América Latina; apesar da ofensi-
tral, assentada na independência de classe, democracia va da direita, as lutas de resistências da classe trabalha-
operária, classismo, ação direta e internacionalismo, dora frente às medidas capitalistas de superação da cri-
temos a certeza de que estamos lançando as bases de se, particularmente na Europa.
um novo instrumento, bastante superior à soma de
cada setor envolvido, dando um passo fundamental na A lógica de funcionamento do modo de produção
reorganização dos movimentos sindical e popular para capitalista fez explodir uma crise mundial no centro
potencializar as lutas imediatas e históricas daque- do sistema de enormes proporções e de conseqüências
les/daquelas que nada têm além da sua força de traba- ainda incertas. O que é certo é que estamos diante de
lho. não apenas uma crise econômica – o que por si só já
demonstraria os limites da acumulação capitalista
Temos orgulho de todas as organizações presen- expandida – mas também de outras importantes crises
tes no Congresso da Classe Trabalhadora, na medida como a financeira, ambiental e social que permitem
em que foram capazes de se constituir como instru- desvendar o caráter e a natureza do estado capitalista
mento de luta em defesa dos direitos da classe. É ao socorrer com trilhões de dólares os grandes grupos
necessária uma nova síntese, mais unitária, mais vigo- econômicos.
rosa e mais representativa para fazer frente ao proces-
so de ataques do capital e dos governos em nossas con- Nos EUA, Europa, no Brasil, Ásia e demais
dições de vida e trabalho - que vitima milhões de traba- regiões, os governos socorreram com dezenas de tri-
lhadores e trabalhadoras, particularmente as mulheres, lhões de dólares os bancos, montadoras e inúmeros
os negros, a juventude, portadores de deficiência, outros conglomerados econômicos. Por outro lado,
GLBT e outros setores superexplorados da nossa clas- as/os trabalhadoras/trabalhadores, já estão pagando a
se. conta do custo das saídas capitalistas da crise. Mas isso
não se deu sem resistência. Em vários países, as/os tra-
Escrevemos esta tese no mês em que se celebra balhadoras/trabalhadores empreenderam importantes
o 8 de março: dia que se consolidou como Dia Interna- lutas de resistência ainda que parciais e limitadas, prin-
cional de Luta das Mulheres em defesa da redução da cipalmente, devido ao desemprego.
jornada de trabalho, por salários dignos e pela equipa-
ração salarial, por melhores condições de trabalho, Os mais recentes focos da resistência à crise eco-
contra todas as formas de exploração e opressão. Lem- nômico-financeira, que já desmoralizou a pujança esta-
bramos que estas bandeiras permanecem absoluta- dunidense, agora se concentram na Grécia, Espanha,
mente atuais e necessárias e devem ser defendidas não Portugal, Itália e Irlanda (até então exemplos de saídas
só neste dia, mas cotidianamente. neoliberais), e demonstram que a crise está longe de
acabar.
Na Central que estamos construindo, a luta contra
o machismo, a opressão e a exploração capitalista A Conferência do Clima em Copenhague é o
devem ser combinadas em todas as instâncias da Cen- retrato cabal da incapacidade dos Estados responde-
tral, e a mulher trabalhadora deve empoderar-se da nos- rem ao desastre produzido pela lógica da acumulação
sa luta e organização, passo fundamental para superar- capitalista que a tudo mercantiliza. A Central que esta-
mos a sociedade da exploração de homens e mulheres, mos construindo neste congresso deve se armar não
apenas em torno da luta política contra a exploração de
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classe, mas também, da necessidade da luta ecológica O gradual crescimento da luta popular antiimpe-
compreendida numa perspectiva anticapitalista, pois rialista nesta região da América Latina recolocou em
nenhuma medida que siga exaurindo os recursos da pauta a questão da soberania nacional. O direito a auto-
natureza podem beneficiar, efetivamente, trabalhado- determinação dos povos latino-americanos tornou-se
ras e trabalhadores e o povo pobre, que ao fim, são os uma questão central em que a defesa das riquezas natu-
maiores prejudicados pela destruição ambiental e os rais se articula com uma proposta de integração anti-
desequilíbrios climáticos. imperialista.
A situação do Haiti também é reveladora da A conjuntura política atual na Venezuela, Bolívia
exploração imperialista. Este povo heróico não foi aba- e Equador alargou os espaços de relações com Cuba e
tido apenas por um desastre natural, mas pelo modelo movimentos indígenas e inúmeros movimentos de
de dominação que impediu medidas preventivas para enfrentamentos ao neoliberalismo.
livrar da morte cerca de 200 mil pessoas. A imensa mai- Mas não há duvidas de que as opções social-
oria do povo haitiano, que nada dispõe para a sobrevi- liberais do governo Lula são obstáculos a uma integra-
vência a não ser sua força de trabalho é vítima de uma ção fundada na soberania dos povos e na afirmação de
intervenção militar – com as tropas brasileiras à frente um modelo socialista. Essa realidade exige medidas
– que precisa ter um fim imediato. O Haiti precisa de concretas, particularmente na busca da diversificação
comida, remédios e meios de reconstrução do seu País econômica sob controle popular, pois do contrário os
através da soberania popular e da autodeterminação do riscos de recuos são concretos.
seu povo trabalhador e não de armas.
É importante compreender o papel do governo
No Oriente Médio, a manutenção do massacre ao Lula na utilização de fundos públicos e do dinheiro dos
povo palestino, da invasão no Iraque e da guerra no trabalhadores e trabalhadoras (como o FAT), com des-
Afeganistão não deixa dúvidas do caráter imperialista taque para a atuação do BNDES, para apoiar empre-
e de classe do governo Obama na manutenção das polí- sas multinacionais sejam brasileiras como Petrobrás,
ticas de exploração do maior estado capitalista do mun- Vale, Odebrecht, Itaú, Foods, os grandes grupos de
do. A situação dos povos na Palestina, no Iraque e Afe- matriz estrangeira que atuam na América Latina e Áfri-
ganistão exige da nossa Central a compreensão da ca, explorando a classe trabalhadora e dilapidando os
necessidade efetiva do caráter internacionalista do nos- recursos naturais, sob os ditames da acumulação e do
so instrumento de luta contra o imperialismo e o capi- lucro.
tal.
Para efetivar nossa ação internacionalista, nossa
Na América Latina dá-se um amplo e vigoroso Central deve concretizar num plano de lutas, o comba-
processo de luta popular antiimperialista que termina te à política dessas empresas e a sua ação internacio-
por levar a importantes experiências como da Venezu- nal, através do diálogo com o povo brasileiro, articu-
ela, Bolívia, Equador, atacados pelos EUA e pela direi- lando-se com as organizações populares de todo o mun-
ta do mundo todo. Evidentemente que este impressio- do, particularmente com os países vilipendiados pela
nante processo de mobilização popular antiimperialis- ação das multinacionais brasileiras; assumindo um pro-
ta é positivo. No entanto apontamos limitações políti- tagonismo nesta questão e ampliando vigorosamente
cas, uma vez que não há um nítido projeto que coloque este combate, dando sentido real à palavra solidarieda-
as mudanças das bases econômicas da sociedade. de, ou seja, traduzindo-a na ação internacionalista con-
Sabemos que existem problemas, também, em creta.
relação à autonomia sindical, com visões diferencia-
das, o que tem levado a choques sérios dos governos
com setores da classe trabalhadora. E não temos dúvi- Conjuntura Nacional
das de que nossa Central deva se orientar pela pratica A crise econômica que se abateu sobre o mundo a
da autonomia em relação a quaisquer governos e parti- partir de 2008, ao contrário do que prega o governo
dos, no Brasil e no Mundo. Lula e a imprensa está longe do seu fim. Apesar de uma
No entanto, em cada luta concreta há que se ter recuperação momentânea e parcial, ela segue trazendo
uma análise muito criteriosa para não fazermos coro conseqüências para as trabalhadoras e trabalhadores
com a direita golpista e os diversos setores burgueses, brasileiros. Tudo indica que poderemos viver situa-
particularmente na questão da chamada “liberdade de ções dramáticas como as que marcaram o planeta no
imprensa” dos grandes grupos de comunicações priva- último período.
dos e golpistas. Como aconteceu quando o governo Para a classe trabalhadora as saídas da crise apon-
venezuelano decidiu não renovar a concessão pública tadas pelo capital são sempre as mesmas, ou seja, de
para a RCTV. novas formas de acumulação e exploração da classe:
desemprego, redução dos salários, eliminação de dire-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

itos e destruição dos serviços públicos, regressão bru- Outro elemento de continuidade se dá na atuação
tal das condições de vida. As grandes corporações diante das crises do capital: se para salvar a lucrativi-
financeiras internacionais investem cada vez com mai- dade do capital FHC transferiu e saqueou o patrimônio
or ganância sobre as riquezas e recursos naturais de público transferindo-o para a iniciativa privada, atra-
todos os países. vés de medidas como o PROER dos bancos; na era do
Essa é a razão da determinação das ações do lulismo, diante da crise aberta em 2008/2009, bilhões
governo para impedir o fim do fator previdenciário de dinheiro público foram desviados para salvar ban-
com o apoio de algumas centrais sindicais pelegas, den- cos, montadoras, empreiteiras etc; que usaram este
tre elas, a CUT e a Força Sindical e para impedir que dinheiro, inclusive, para promover demissão em
as aposentadorias tenham o mesmo reajuste que o salá- massa, como fizeram a Embraer e a Vale do Rio
rio mínimo. No serviço público, piora as já péssimas Doce, por exemplo.
condições de trabalho, aumenta o arrocho salarial e Também é visível a continuidade aos ataques às
impõe perversos mecanismos de controle como a ava- trabalhadoras e trabalhadores, especialmente sobre os
liação de desempenho que tem como único objetivo direitos previdenciários, seja pela primeira reforma da
demitir, punir e culpar os trabalhadores e trabalhado- previdência, seja na tentativa de implantar o fator
ras pelas mazelas nos serviços públicos. 85/95, seja na manutenção do famigerado fator previ-
O enorme volume de recursos públicos desviados denciário ou na negativa de reajustar as aposentadori-
para os grandes capitalistas na crise contrasta com o as de acordo com o reajuste do salário mínimo.
descaso com o povo pobre, vilipendiado inclusive Todas essas questões deverão constar da ação
pelas recentes enchentes em várias partes do país e determinada de nossa Central, bem como deverão ser
com a falta de infra-estrutura básica. elementos de plataforma a serem defendidas nas elei-
A vanguarda da classe trabalhadora no Brasil ções de 2010. Os setores populares que não se rende-
sabe que o governo Lula não representou rupturas ram precisam atuar para desvendar a falsa polarização
estruturais com a era FHC, muito menos com o mode- que busca se estabelecer entre as candidaturas de Dil-
lo de exploração capitalista. Em alguns aspectos, ao ma e Serra. Na essência, poucas diferenças existem
contrário, reforçou as características mais conserva- entre eles/elas. Mas nossa Central, nossos sindicatos e
doras e antipopulares do tucanato. Um aspecto impor- a esquerda combativa precisam tratar com cuidado os
tante dessa caracterização é a forma da governabilida- elementos das duas caras deste mesmo projeto.
de no Congresso nacional através do "toma lá, dá cá", Uma coisa é o debate com a vanguarda mais atu-
dos “mensalões”, “sanguessugas” e com sintonia fina ante. Outra é o debate com a massa, que permanece ilu-
com os empresários e banqueiros. dida com o governo do PT/PMDB e aliados. Não nos
Alguns elementos conjunturais marcam profun- adianta botar um sinal de igual entre PT e PSDB, pois
damente a situação no Brasil. A manutenção dos prin- não será possível furar o bloqueio. É preciso descons-
cipais fundamentos macroeconômicos baseados: a) na truir a falsa idéia de que Lula governou em favor da
política fiscal ancorada no superávit primário para maioria do povo, buscando bases em alguns aspectos
pagamento das dívidas ilegítimas produzidas pelo fundamentais:
Consenso de Washington, que mantém o ajuste fiscal a) Que Lula surfou na onda de crescimento inter-
que impede políticas sociais vigorosas e estruturantes; nacional de 2002-2008, turbinado pelo dínamo da eco-
b) na política de metas de inflação, falseadas pelo deba- nomia estadunidense antes da crise mundial;
te de controle inflacionário, mas que na verdade ser- b) Que não adianta desconsiderar a importância
vem para esconder o lucro exorbitante dos especula- para a adesão das massas ao lulismo os programas de
dores e banqueiros que saqueiam as políticas sociais, bolsas, a pequenina recuperação do salário mínimo
inclusive as constitucionais, em cerca de R$ 170 (de acordo com o índice calculado pelo Dieese e com
bilhões anualmente. a Constituição o salário mínimo deveria ser mais
Enquanto Lula transfere cerca de 45% do orça- que o dobro do que é);
mento para esses agiotas, destina pouquíssimos recur- c) A própria identificação com o simbolismo “po-
sos à Reforma Agrária, à saúde, educação, transporte, pular” de Lula;
saneamento, e inclusive ao Bolsa-Família, vitrine do
lulismo. A conseqüência dessas políticas é a elevação d) Mas que a barbárie que assola a maioria do nos-
em escala do lucro dos bancos, agronegócio e diversos so povo, no entanto, não retroagiu, e permanece laten-
outros setores da economia brasileira. Todos esses te na realidade das periferias e favelas, na ausência da
aspectos são elementos de continuidade do período e Reforma Agrária, no desemprego altíssimo, especial-
do modelo anterior. mente da juventude, na manutenção do analfabetismo,
na ausência de políticas sociais efetivas, educação,
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora
transporte, moradia, na escalada da criminalização dos a relação entre a reivindicação imediata e os interesses
pobres e extermínio de jovens, particularmente dos estratégicos da classe.
negros. Nenhum direito a menos, avançar nas conquis-
Entendemos que a defesa da constituição de uma tas
Frente de esquerda que agregue todos os setores, sindi- Os ataques patronais aos direitos trabalhistas,
cais, populares, estudantis poderá ser um elemento de tanto na esfera da produção como da vida, continuam.
grande importância na propaganda e agitação de nos- Nas empresas, crescem os ataques ao limite de jorna-
sas bandeiras imediatas e históricas e ainda potenciali- da, revirando toda a vida dos trabalhadores e trabalha-
zar a organização de nosso movimento de resistência doras e causando doenças e acidentes de trabalho em
ao grande capital e sua agenda de ataque aos nossos grau cada vez maior.
direitos e ainda se colocar como alternativa ao modelo
neoliberal, anticapitalista e socialista. A previdência, a saúde, a educação cada vez mais
são precarizadas e privatizadas, através das denomi-
A criminalização das lutas e das organizações nadas organizações sociais, para favorecer o lucro
populares é uma necessidade do capitalismo. Visa eli- das empresas de serviços. No campo, a reforma agrária
minar obstáculos ao aumento da exploração para reto- não avança e não existe política agrícola que dê apoio
mar o crescimento de suas taxas de lucro. Os capitalis- à população rural. Na periferia, a juventude negra e
tas e seus governos querem impedir, a qualquer custo, pobre é assassinada, quando não morre com as
que haja reação e luta por parte da classe trabalhadora. enchentes e desmoronamentos. É preciso dar um bas-
Isso é o que explicam as perseguições, assassinatos de ta e resistir organizando nacionalmente os trabalhado-
trabalhadores sem terra, prisões de lutadores sociais, res e trabalhadoras, do campo e da cidade para a resis-
demissões, multas e interditos proibitórios e violência tência.
policial na tentativa de impedir greves e manifesta-
ções. Unificação da classe trabalhadora
Mesmo com essa ofensiva, é possível perceber A unidade dos/das trabalhadores/trabalhadoras
sinais de contradição e de dificuldades na sustentação da cidade e do campo, informais e formais, é um dos
da hegemonia neoliberal. Observamos recentemente maiores e mais permanentes desafios que o capitalis-
um aumento do nível de sindicalização e de greves nos mo, com sua face neoliberal, nos colocou: a classe não
setores público e privado, com destaque para a recente apenas aparece diferenciada em função de sua nacio-
greve dos professores em São Paulo e a Greve do nalidade e da histórica divisão entre cidade e campo,
INSS no semestre passado. Frente a todo este quadro mas totalmente fragmentada. Á concorrência entre os
é preciso reafirmar a necessidade do fortalecimento da trabalhadores e trabalhadoras pelo emprego se soma
resistência e da luta dos trabalhadores e trabalhadoras o despedaçamento da identidade de classe entre quem
e de todos os setores. está no trabalho formal e quem está no informal, entre
trabalhador da empresa contratante e o terceirizado e
daí por diante.
Plataforma e Plano de Lutas A construção de nossa central e sua consolidação
A necessidade de responder às questões imediatas vai se dar em cima de ações que unam movimento
de forma articulada com a luta geral continua sendo popular e sindical. Um deles é a questão da terra, outro,
um de nossos grandes desafios, agravado pelos ata- a questão da moradia, que não se encerra a um teto –
ques da patronal contra a organização dos trabalhado- envolve também a possibilidade de viver de seu pró-
res e trabalhadoras, criminalizando os movimentos e prio trabalho com dignidade. Vai se dar também em
a própria população trabalhadora, como se a pobreza cima de ações que unam trabalhadores/trabalhadoras
fosse crime. Os direitos sindicais, trabalhistas, pre- internacionalmente, como o combate às transnaciona-
videnciários e sociais continuam sendo atacados e reti- is e à militarização da América pelo imperialismo esta-
rados, na esfera do trabalho e da vida. dunidense.
Este e outros desafios exigem muita unidade de Campanha contra a criminalização dos movi-
classe, unidade que se coloca como tarefa fundamental mentos populares e da pobreza
e que deve ser construída dentro do enfrentamento prá- A ofensiva neoliberal contra o direito de organi-
tico, na ação direta do dia a dia, nas ações gerais e na zação dos trabalhadores e trabalhadoras, combinada
construção de ferramentas unitárias de luta, como a com os ataques à população pobre, particularmente
central que construímos neste congresso. jovens e negros nas periferias e favelas, visa nos privar
Neste período que se abre, alguns eixos de luta se de liberdade, tirar nossa força de resistência, e fazer
destacam no conjunto de enfrentamento, pela mobili- uma “limpeza” que de época em época a classe domi-
zação que propiciam e pelo seu potencial de explicitar nante faz para evitar que a miséria que ela mesma cau-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

sou não se rebele - Pelo fim do latifúndio e do agronegócio


O combate à criminalização dos movimentos Liberdade e autonomia sindical
populares e da pobreza tem duplo significado: lutar - Pela liberdade e autonomia sindical, contra a
pela liberdade de organização e pelo direito à vida. É interferência do Estado e do Governo na organização
tarefa fundamental e urgente da nossa central – deve dos trabalhadores e trabalhadoras;
ser traço de identidade permanente e, agora em 2010,
ser base de uma campanha que ultrapasse o âmbito - Pelo irrestrito direito de greve.
nacional. - Direito de organização dos trabalhadores nos
Plataforma de lutas locais de trabalho; pela garantia das condições de
representação: estabilidade dos representantes dos tra-
Resistência ativa contra a tentativa de precari- balhadores nos sindicatos e nos locais de trabalho e efe-
zação do trabalho e da vida tivas condições de exercer o mandato.
- Redução da jornada de trabalho sem redução - Fim do Poder normativo da Justiça do Trabalho.
salarial, com sábados e domingos livres:
- Defesa das convenções 87, 98, 151 e 158 da
- Trabalhar menos para que todos trabalhem! Organização Internacional do Trabalho (OIT);
- Aumento geral dos salários. Por uma política - Pelo fim do imposto sindical
nacional salarial. Defesa do salário do DIEESE.
Contra qualquer tipo de opressão e discrimi-
- Fim do banco de horas nação
- Fim das terceirizações e da informalidade do tra- - Pela liberdade de orientação sexual e fim da
balho; homofobia;
- Defesa da aposentadoria. Fim do fator previden- - Pela autodeterminação dos povos indígenas e
ciário; pelo fim do etnocídio, ecocídio e genocídio; pratica-
- Fim do trabalho escravo e infantil, com expro- do nos últimos 510 contra os povos indígenas, na
priação de terras e empresas que utilizarem deste expe- América Latina e especialmente no Brasil;
diente. - Pela garantida de direitos iguais das mulheres
- Em defesa dos serviços públicos e dos direitos em relação aos homens;
trabalhistas e sociais; - Pela reparação da dívida histórica com o
- Pela moradia decente e direito a viver nela povo negro, não através de políticas pontuais que
- Contra a privatização da água, pela reestatização visam favorecer o setor privado em detrimento do
da eletricidade. setor público.
- Defesa dos serviços públicos de qualidade para Contra o neoliberalismo, face atual do capita-
todos! lismo
- Educação e saúde não são mercadorias: contra - Nenhum recurso público para empresas priva-
privatização dos serviços públicos. das, Dinheiro público 100% investido em políticas
públicas;
- Transporte gratuito para desemprega-
dos/desempregadas; - Não ao pagamento das dívidas externa e interna.
Fora FMI e Banco Mundial;
- Apoiar e contribuir na organização da luta da
juventude: pelo passe livre para estudantes; - Petrobras e petróleo 100% estatal; Contra as pri-
vatizações e PPP;
Contra a criminalização dos movimentos popu-
lares e sindicais e contra a criminalização da pobre- - Prisão dos corruptos e corruptores, com confis-
za. co dos bens;
- Pelo direito de organização e manifestação dos - Por uma reforma tributária que sobretaxe a espe-
trabalhadores culação, a grande fortuna, institua imposto sobre a
herança, elimine os impostos indiretos, elimine
- Punição aos assassinos e torturadores do regime impostos sobre salários e favoreça o combate à sone-
militar; gação e corrupção.
- Fim da violência no campo e punição a assassi-
nos e seus mandantes.
Avançar na unidade e solidariedade internaci-
Reforma agrária e urbana sob o controle dos onal dos trabalhadores e trabalhadoras
trabalhadores
- Reconstrução do Haiti sob o controle popular;
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

- Contra a intervenção imperialista na América relação institucionalidade e movimento dos trabalha-


Latina e no mundo; dores/trabalhadoras;
- Contras as transnacionais e contra o assassinato - disputa de projeto de classe enquanto central no
de lutadores do povo na Colômbia e em todo o mundo; que se refere às eleições majoritárias -
- Em defesa da soberania dos povos. 5) Formação política, sindical e popular
Pelo ecossocialismo - Para a compreensão do sistema capitalista e cons-
- Defesa do meio ambiente e da vida, contra a des- trução de projeto de classe; que faça a central e suas
truição capitalista. ações serem conhecidas e entendidas desde a base;
- Pela defesa dos recursos naturais e contra o - Que capacite trabalhadores/trabalhadoras a
modo de produção e consumo do capital, causador da pensar junto os rumos de nossa classe.
crise ambiental-climática. - Desenvolver um programa de formação que
faça dialogar os acúmulos das entidades e movimentos
de base.
Para garantir nossa ação e organização nestes
enfrentamentos, necessitamos: - Reuniões e discussão nos locais de trabalho e
moradia, assumidas pelas entidades e movimentos de
1) Realizar periodicamente Jornadas de luta: base organizadas por um coletivo de formação da cen-
- Atos classistas e jornadas de luta no primeiro de tral
maio em todo o país, como parte da campanha pelos
direitos sociais e do trabalho;
Princípios programáticos e estratégicos da
- Jornada de lutas por terra e moradia em julho; Central
- Jornada de lutas contra a criminalização do Uma Central para as lutas e organização da classe
movimento e da pobreza em agosto; nas condições do Brasil de hoje, particularmente após
- Jornada de lutas por trabalho e vida em outubro, a passagem de Lula pelo governo e as implicações dis-
combinada com unificação de campanhas salariais do so sobre o movimento sindical e popular, deve ter total
2º semestre e com campanha em defesa do serviço independência de classe.
público, que contribua para ação conjunta do funcio- Tem que buscar se constituir como ampla, plural,
nalismo e dos trabalhadores da esfera privada; democrática, organizada pela base e baseada na ação
- Encampar a luta por aumentos reais de salários, direta das trabalhadoras e trabalhadores por seus inte-
com o Fortalecimento e unificação das campanhas resses imediatos e históricos. Sobretudo, tem que ter
salariais; claro que nossa luta na defesa de vida digna e plena
2) Elaborar plano para a Campanha contra a para homens e mulheres, na defesa dos bens da nature-
criminalização e colocar em prática za diante das alterações ambiental-climáticas só pode
se realizar pela transformação social e política da reali-
- Tomar a iniciativa de formar e garantir funciona-
dade brasileira em uma sociedade socialista.
mento de Comitê de luta contra a criminalização
A - Independência e autonomia de classe
- Retomar levantamento já iniciado pela Conlutas
e pela Intersindical e fazer dossiê sobre os ataques da Nossa central tem que garantir autonomia e inde-
burguesia e do governo sobre os lutadores e lutadoras pendência de classe frente a patrões, Estado e gover-
populares e sindicais; nos e frente aos partidos políticos.
- Denunciar situação na mídia e em organismos B- Socialismo
internacionais; Não existe espaço para uma sociedade em harmo-
- combinar pressão institucional e ação direta. nia, justa, igualitária, enquanto alguns que não produ-
zem nada ficarem com todo lucro da produção. Nosso
3) Tomar a iniciativa na proposição de ações
objetivo deve ser de lutar pelo fim da exploração do
conjuntas com organismos de trabalhado-
homem pelo homem, pelo fim das classes, pelo fim do
res/trabalhadoras da América Latina
capitalismo. Essa é a única maneira de garantirmos
– luta contra transnacionais e contra a criminali- uma sociedade que valorize o ser humano acima de
zação dos movimentos e da pobreza - que afeta inter- tudo.
nacionalmente.
C – Sindicalismo Classista
4) Fazer disputa de projeto na mídia
Deve praticar um sindicalismo classista que rejei-
- avançar no posicionamento da central quanto à ta a colaboração de classes. Nesta perspectiva é funda-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

mental o combate ao economicismo, que reduz a luta à Nossa central deve ser sustentada política e finan-
defesa do interesse imediato, sem vinculação com os ceiramente pelos próprios trabalhadores e trabalhado-
interesses estratégicos, bem como o combate à ideolo- ras.Deve se pautar pela conquista e construção de um
gia da parceria que mascara o fato das classes patronal sindicalismo de ação e classista. Isso implica em com-
e trabalhadora terem interesses inconciliáveis. bate à estrutura sindical vigente, que propicia a buro-
D- Unidade da classe e unificação das lutas cratização e o peleguismo. Implica também em com-
bater poder normativo da justiça do trabalho e todas as
A central defende a classe trabalhadora como um formas de interferência do Estado.
todo, relacionando as reivindicações de dada categoria
com as lutas gerais da classe. Combate, assim, o cor- Deve rejeitar, por isso, a unicidade imposta pelo
porativismo que limita a ação exclusivamente às ques- estado e buscar a unidade da classe, como produto da
tões imediatas de uma determinada categoria, desvin- vontade soberana dos trabalhadores e trabalhadoras.
culando-as das reivindicações gerais da classe, como Deve buscar garantias de autonomia e liberdade sindi-
se uma não tivesse nada a ver com a outra, como se os cal baseada nas convenções 87 da Organização Inter-
problemas de uma categoria não fossem parte da nacional do Trabalho (OIT), bem com nas convenções
exploração imposta sobre toda a classe. 98, 151 e 158.
Pauta a ação pela busca incessante da unificação Deve defender permanentemente o direito de
das lutas o mais ampla possível, em todos os níveis. manifestação e organização dos trabalhadores e traba-
Assim, para unir organicamente a luta e romper com a lhadoras, combatendo a ação repressiva do Estado,
pulverização sindical, tanto é preciso construir sindi- que persegue, ameaça e pune quem luta pelos interes-
catos unificados por ramos de atividade econômica ses da maioria; que restringe o legítimo direito de gre-
(com abrangência geográfica diversificada, de acordo ve, ocupações e manifestações através de interditos
com cada caso) como é preciso buscar a representação proibitórios e outros mecanismos de repressão; que
unitária de todos trabalhadores e trabalhadoras no tenta constantemente criminalizar a pobreza e os movi-
local de trabalho, sejam contatado pela empresa matriz mentos sociais.
ou pela terceirizada – “passou para dentro dos muros G – Conquista e construção da organização
da empresa, é da base”. desde os locais de trabalho
Também nessa perspectiva, nossa central não A organização de base dos trabalhadores e traba-
defende o “pluralismo sindical” apresentado como lhadoras nos locais de trabalho é essencial porque se
alternativa de organização no neoliberalismo (e que faz no coração da produção, onde se vive a contradição
abrange o sindicalismo social-democrata), bem como fundamental entre capital e trabalho, onde se dá a pro-
rejeita o “sindicato orgânico”, que tolhe a autonomia dução das riquezas e a exploração da mais valia, onde
das entidades. patrões e trabalhadores se enfrentam diariamente. É
E – Democracia Operária onde se pode forjar a resistência e luta pela base, ao
mesmo tempo que é uma escola de poder dos trabalha-
Nossa central deve ter como garantir os elemen- dores sobre as condições de trabalho e sobre a produ-
tos fundamentais da democracia dos trabalhadores e ção.
trabalhadoras, que preconfiguram a sociedade socia-
lista que buscamos: firme unidade de ação, baseada na H - Ação direta como linha mestra
decisão da maioria, com a mais ampla liberdade de opi- A ação direta e unificada é a mais importante fer-
nião de todas as posições; que garanta a autonomia das ramenta da classe trabalhadora. Greve, ocupação,
entidades filiadas. manifestação, qualquer forma que tenha a luta massi-
São fatores essenciais da democracia operária: va, nada é mais poderoso. As iniciativas no campo ins-
informação e formação a mais ampla possível para a titucional, seja jurídico, parlamentar, entre outros, sem-
base; com direção eleita, responsável, de mandato pre devem estar combinadas e submetidas à ação dire-
revogável e com prestação de contas de seus atos; ta.
representatividade, abarcando a massa dos trabalha- I - Internacionalismo e solidariedade de classe
dores e trabalhadoras formais e informais como classe, Nossa classe não reconhece fronteiras. O nacio-
independentemente de raça, etnia, gênero, religião, nalismo não pode servir de argumento para opor traba-
categoria; participação das bases na definição e dire- lhadores a trabalhadoras em qualquer situação, por-
ção dos rumos da entidade, com mecanismos que que nossa classe é internacional e internacional deve
favoreçam a participação coletiva; ser nossa luta.
F – Defesa permanente da liberdade e autono- A solidariedade de classe se baseia na luta conjun-
mia sindical ta, na ação para a emancipação dos explorados. É
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

essencial para fortalecer os laços entre os trabalhado- por companheiras e companheiros da nossa central, os
res e trabalhadoras e a resistência do dia a dia; para dirigentes deverão abster-se da utilização da imagem
construir identidade de classe. É um dos elementos do cargo que exerce em razão de sua representação,
que, junto com a democracia operária e o internaciona- exceto se fizer parte de sua própria categoria profissio-
lismo, preconfiguram a sociedade socialista que ire- nal;
mos construir. g. Não admitir acusações morais, agressões
físicas ou verbais etc, entre as chapas;
Da concepção para a prática h. Garantir que as filiações sejam feitas por
A democracia e o internacionalismo como ele- entidades, organizações, oposições, minorias e grupos
mentos estruturais da Central organizados devidamente reconhecidos pelos fóruns;
A Central e os sindicatos são instrumentos de
“frente de única de trabalhadores e trabalhadoras”, e Internacionalismo de classe
precisam ser democráticos, elemento chave para a A classe trabalhadora deve compreender suas
construção da unidade de ação da classe trabalhadora, lutas em escala internacional. Isto exige a busca e a prá-
considerando que em seu seio se expressa a mais tica constante de laços internacionais em torno das
ampla diversidade. A democracia deve ser exercida de lutas concretas dos trabalhadores e trabalhadoras.
forma plena em todos os níveis de organização, garan- Requer que façamos ecoar, sistematicamente, em nos-
tindo a convivência entre as diferentes opiniões, rejei- sas bases os exemplos e as lutas dos trabalhadores de
tando o sectarismo ou as visões hegemonistas. outros países.
Isso deve dar-se no encaminhamento dos debates, Neste contexto a solidariedade de classe deve ser
no compartilhamento das tarefas e responsabilidades, resgatada como prática nas lutas dos oprimidos e opri-
na ampla circulação da informação no interior da enti- midas de todo o mundo, combinado com a busca de
dade, no respeito às decisões das instâncias. enfrentamento conjunto ao imperialismo, às transna-
Algumas questões são necessárias para qualificar cionais, à OMC, às guerras e ao massacre que o capita-
e materializar a democracia dos trabalhadores e traba- lismo tem mais e mais necessidade em desencadear.
lhadoras: Nossa central deve manter as mais amplas rela-
a. Preservar, no debate interno, a ampla liber- ções internacionais, sem privilégio desta ou daquela
dade de expressão das posições, a unidade de ação a articulação, e respeitando as relações das diversas orga-
partir da decisão da maioria e o direito das minorias em nizações e tradições que a compõem. No atual cenário
manifestar publicamente suas opiniões divergentes, mundial inexistem organizações internacionais que
explicitando que se trata de posições eventualmente corresponda à amplitude da organização que estamos
minoritárias; construindo.
b. Construir relações éticas dentro das organi- No dia 07 de junho, após o Congresso da Classe
zações sindicais. A Central como entidade de caráter Trabalhadora, a reunião com a delegação internacio-
nacional deve construir um código de ética fundado na nal presente será um marco das relações internacionais
solidariedade de classe, no respeito e no companhei- da nossa Central e terá como objetivo discutir um pro-
rismo. jeto de ação internacionalista.
c. Afirmar a importância de realização perió- Organização a partir dos Locais de Trabalho
dica de congressos e demais fóruns dos ramos ou como escolas de poder dos trabalhadores e traba-
categorias representadas na entidade - respeitando lhadoras
sempre a plena autonomia das entidades de base - pre- Devemos reorganizar o movimento a partir dos
cedidos de diversificada e ampla divulgação dos obje- locais de trabalho, defendendo o direito de greve e de
tivos, pautas e condições de participação; organização, combatendo a estrutura sindical oficial,
d. Garantir proporcionalidade direta e qualifi- lutando pela liberdade e autonomia e exercendo um
cada em todas as instâncias da Central; sindicalismo com independência frente aos patrões,
e. Nas eleições sindicais, defender a propor- Estados, governos e partidos. Essa tarefa só faz sentido
cionalidade direta e qualificada na composição das se estivermos dispostos a refletir sobre a nossa ação sin-
chapas de lutadores/lutadoras, através de diferentes dical, resgatando o acúmulo de experiências positivas
formas democráticas como convenção, congresso ou adquiridas ao longo dos 510 anos de resistência indí-
prévias na base; gena, negra, feminina e popular.
f. Em casos de mais de uma chapa composta Está nítido que não existem saídas se não dirigir-
mos a organização dos trabalhadores e trabalhadoras
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

desde os locais de trabalho. E isso não pode ser apenas um padrão obrigatório.
afirmação que fique nos nossos princípios. Organizar As mulheres trabalhadoras continuam a arcar
os trabalhadores/trabalhadoras a partir do local onde com a dupla jornada, maior vulnerabilidade ao assé-
se dá a produção e expropriação da riqueza e onde se dio moral e sexual, bem como com as manifestações
manifesta a principal contradição da sociedade do capi- do machismo inclusive dentro dos movimentos. Isso
tal é a única maneira de superar a fragilidade do movi- traz um triplo desafio para a central garantir condições
mento sindical hoje, que ainda que possa ser combati- efetivas de participação das mulheres, combater o
vo, tem pés de barro, pois não basta que a base apóie as machismo no nosso meio e fazermos juntos, homens e
ações do sindicato, a classe precisa tomar para si o des- mulheres o enfrentamento da opressão.
tino das lutas.
Trabalhadores negros e negras sofrem, além da
Por mais combativas que sejam nossas entidades, exploração de classe, a opressão racista, que se traduz
por mais que façamos trabalho de base, por mais que em maior achatamento salarial, falta de oportunida-
busquemos publicar nos boletins sindicais a realidade des, além da violência policial e discriminação em vári-
da classe trabalhadora, a ação sindical hoje se materia- as dimensões.
liza – com raríssimas exceções – de fora para dentro
das empresas. Essa constatação não pode servir para A relação com os povos indígenas, massacrados
martirizar nossas entidades e nossa militância, mas desde a chegada dos brancos à América, exigirá um
para uma profunda reflexão dos limites do modelo atu- esforço particular da nossa Central. Devemos desen-
al, explicada em alguma medida pelo período de resis- volver relações com as organizações indígenas, visan-
tência e reduzida consciência de classe, mas que apre- do não só a solidariedade com a luta destes povos, mas
senta lacunas e possibilidades de superação a partir do contribuindo efetivamente para que a questão indíge-
esforço coletivo do estudo das atuais formas em que se na adquira visibilidade.
apresentam as relações sociais de produção. A liberdade de orientação sexual é mais uma
Este é um desafio que exige nosso esforço tanto frente na luta pela emancipação humana.
de construção como de conquista do direito de organi- Que estas relações e contradições que se expres-
zação e representação dentro das empresas, com esta- sam também dentro da classe sejam tratadas de forma
bilidade e garantia de efetivamente ouvir e prestar con- a ser uma marca de coerência em nossa central com a
tas aos representados. perspectiva socialista; que possamos envolver todos
Organização de base nos locais de atuação os setores que vivem do trabalho, em especial os mais
explorados e marginalizados de nossa sociedade, tanto
A organização de base é a consolidação da luta de na conquista de direitos, como na construção cotidia-
forma permanente e os trabalhadores e trabalhadoras na de liberdade e ação coletiva.
devem usar a criatividade para inventar ou se apropriar
do que existe dando a cara da classe, como os represen- Disputa de hegemonia na sociedade
tantes de rua do bairro do Pantanal na cidade de São É preciso promover o debate acerca da hegemo-
Paulo; assembléias permanentes em assentamentos ou nia e contra-hegemonia e do papel concreto que o Esta-
ocupações; movimentos pelo transporte, como o do do, o mercado, a mídia têm em cada momento históri-
passe livre; associação de desempregados. Combina- co e em cada realidade concreta da formação social.
da com a formação política a ação direta e massiva, é o Da importância estratégica da luta ecossocia-
que garante que a democracia se efetive e que cada lista
luta imediata acumule para a luta estratégica.
A central e os sindicatos devem realizar uma per-
Eixos estratégicos manente agitação em defesa da vida e do planeta, no
Estes são eixos que vão além da questão conjun- sentido de que seus recursos naturais, bem como aque-
tural. Exigem um esforço especial de elaboração e les resultantes da produção humana, sejam apropria-
ação cotidiana, porque são estreitamente permeados dos em condições de igualdade pelo conjunto da huma-
pela ideologia dominante. nidade. A defesa do meio-ambiente se casa com o dire-
Luta contra qualquer tipo de discriminação e ito das gerações atuais e futuras, bem como a integri-
opressão: gênero, raça, etnia, orientação sexual. dade da vida devem ser colocadas no mesmo plano das
reivindicações específicas e históricas.
O capitalismo em sua fase neoliberal ataca o con-
junto da nossa classe, mas alguns setores sofrem mais A luta ecossocialista em defesa dos recursos natu-
fortemente, como as mulheres, os negros e negras, o rais e da vida no planeta é uma luta anticapitalista, pois
povo indígena. .Além disso, na esfera da vida, a dis- não há como conciliar respeito aos bens da natureza
criminação e o preconceito ferem os que têm uma ori- com o modo de produção do capital. No entanto, a rup-
entação sexual julgada “diferente”, como se existisse tura com o capitalismo, por si só, não garante o respei-
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

to aos limites da natureza como demonstraram as expe- cidades pelas condições de vida - moradia, saúde, edu-
riências históricas. Para nós, uma nova sociedade soci- cação, transporte – traz um espaço de unidade entre tra-
alista exige ser, também, ecológica. balhadoras/trabalhadores urbanos formais e infor-
mais cada vez mais importantes para construir a identi-
dade de classe.
Caráter da central
A luta no campo pela reforma agrária sob contro-
Da participação do movimento popular como le de quem na terra vive e trabalha, ou contra a explo-
elemento da estratégia ração capitalista no campo que extrai seu lucro de for-
No início dos anos 70 abriu-se um período de cri- ma ainda mais desumana que nas cidades, aponta
se prolongada do capitalismo em nível internacional. outro espaço fundamental de unidade de classe.
As saídas encontradas pelo capital levaram a impor- Isso nos coloca o desafio de organizar os trabalha-
tantes mudanças na sua estrutura e organização nas dores e trabalhadoras onde quer que estejam incluindo
décadas seguintes, com a combinação das medidas os/as que estão no desemprego e na informalidade, no
neoliberais e da reestruturação produtiva. As conse- campo ou na cidade. Construir a central com o movi-
qüências foram devastadoras. mento popular contribui na organização desses setores
Por um lado, um aumento brutal do desemprego e atualizando a caracterização da nossa identidade de
o avanço das formas de trabalho precário, a tempo par- classe. Esse deve ser um esforço conjunto e não pode
cial, a domicílio, terceirizado; cresceu a extração de significar uma relação utilitarista e sim a potencializa-
mais valia dos trabalhadores e trabalhadoras infor- ção do protagonismo popular pela transformação soci-
mais, falsamente autônomos, enfim uma trajetória da al.
relativa estabilidade no emprego com qualificação pro- Ao fundar as bases do novo instrumento para a
fissional à instabilidade e à superexploração. Por outro luta das trabalhadoras e trabalhadores a síntese das
lado, uma classe fragmentada e pulverizada, o que alte- diversas experiências não deve ser encarada como sim-
rou o processo anterior de ''homogeneização'' e ''con- ples fusão de organizações. Trata-se da construção do
centração'' em regiões operárias e grandes unidades. novo. Este instrumento deve buscar organizar os mais
Desemprego, fragmentação e dificuldade de iden- diversos setores independentemente de função ou car-
tidade de classe (óbvio que com forte peso da perda do go, forma de remuneração, filiação partidária, confis-
referencial socialista) foram fatores que facilitaram o são religiosa, gênero, raça, orientação sexual, naciona-
ataque neoliberal aos direitos trabalhistas e sociais, tra- lidade, vínculo empregatício.
zendo um novo desafio para a nossa luta: o de repensar Este desafio requer uma política de organização
a unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, com a que, além de assegurar mecanismos de participação
cara que os anos 90 lhes deram. dos trabalhadores e trabalhadoras que estão na infor-
A concentração de um grande número de traba- malidade e na precariedade dos contratos de trabalho,
lhadores e trabalhadoras empobrecidas particularmen- deverá atuar conjuntamente com o movimento popu-
te nas periferias das grandes cidades tem um potencial lar, o que será um elemento novo na história brasileira.
explosivo. Os setores expropriados de quaisquer direi- Implicará conhecer e respeitar as diferentes dinâ-
tos, na cidade e no campo, muitas vezes travam lutas micas dos movimentos sindical e popular e elaborar
isoladas que poderiam extravasar esse limite em gran- políticas para uma ação que supere o corporativismo e
des movimentos de massa, passar do explosivo para o que fortaleça a unidade entre os movimentos, inclusi-
revolucionário. ve com os movimentos populares que eventualmente
É preciso unificar a ação e as lutas como elemento não estejam organicamente na central.
central da nossa estratégia, bem como elaborar políti- Requer também um efetivo esforço de que o movi-
cas, mobilizar e organizar a diversidade da classe, que mento sindical seja parte da luta pela terra e pela mora-
em grande parte tem pouca ou nenhuma experiência dia, contribuindo no planejamento político e organiza-
de ação coletiva. Alguns setores importantes, como tivo de ocupações, de mobilizações pelas reivindica-
das operadoras e operadores de tele-marketing são ções relativas às condições de vida e de formas de soli-
representativos dessa realidade. No campo, 89,41% dariedade urbana.
dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, sem carteira,
não têm organização. Para isso faz-se necessário garantir critérios de
representação que mais se aproximem do peso real no
A moradia como local de produção de bens e ser- movimento, impedindo duplicidades, mas que sobre-
viços é utilizada pelo capital para precarizar de forma tudo contribuam para a defesa da liberdade de organi-
invisível as relações de trabalho, impedindo a fiscali- zação, para a democracia dos trabalhadores e traba-
zação e dificultando a organização sindical. A luta nas lhadoras, para uma estratégia socialista.
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Da relação com os partidos políticos para a superação dessa realidade.


A central enquanto organização política deve Na construção da central é preciso respeitar a auto-
superar, particularmente, duas concepções: nomia e as formas organizativas das diversas expres-
a) A que parte do correto pressuposto de que as sões da luta contra as opressões e, sobretudo propiciar
entidades sindicais são, em primeira instância, “corre- para que este enfrentamento esteja articulado, de for-
toras do preço da força de trabalho”, mas peca por não ma indissociável e cotidiana, com as lutas sindicais e
perceber que o horizonte dos sindicatos está longe de populares. A necessidade da unidade na ação para
se situar dentro de limites tão estreitos. É falsa a con- combater as opressões não significa uma participação
cepção de que a luta política leva necessariamente a orgânica na central dos diversos setores que se organi-
partidarização das entidades. Aliás, são as classes zam neste debate.
dominantes e seus aliados no movimento sindical, que A luta conjunta é necessária e o espaço de cons-
se esforçam para difundir a tese que o sindicalismo se trução da unidade na ação não se dá, portanto, nas
faz nos sindicatos e política no parlamento; estruturas da central, mas em espaços amplos que aglu-
b) A que em nome de uma retórica revolucioná- tinem os diversos setores que se colocam na luta contra
ria, independentemente do discurso e das intenções, as opressões e que não estarão no mesmo nível de par-
partidariza os movimentos. Partidarização esta enten- ticipação e construção da central.
dida como um processo em que, através da violação do Portanto, além de construir a central dos que
funcionamento das instâncias e das normas democráti- vivem do trabalho, devemos impulsionar fóruns
cas, as entidades são reduzidas a simples correia de amplos e plurais que articulem o movimento sindical,
transmissão dos interesses de um partido ou de um gru- os movimentos contra as opressões e diversos outros
po político. Não raro, o resultado é a transformação movimentos, respeitando as diferentes concepções
das entidades em veículo exclusivo das posições de organizativas e políticas, por um lado, e por outro,
um agrupamento político, explicitamente partidário fazer da luta contra a opressão um elemento perma-
ou não. nente de toda nossa ação.
Sem prejuízo da função essencial de defesa dos
interesses imediatos, do seu caráter aberto e de massas, Sobre a participação do movimento estudantil
os movimentos são organismos inegavelmente políti- na central
cos. As entidades sindicais são espaços de união das
classes trabalhadoras e instrumentos da luta contra o Estamos absolutamente convencidos da impor-
capital. tância do movimento estudantil, no Brasil e no mundo.
As lutas em defesa da educação pública empreendidas
As entidades sindicais e os organismos de luta no último período não deixam dúvidas. O movimento
popular devem: estudantil é um aliado na luta para transformar a reali-
a) Ser trabalhados como escola de constituição da dade e tem potencial para cumprir um papel importan-
classe em si, transformada em classe para si, na pers- te nas transformações de caráter socialista e revolucio-
pectiva do fim da exploração e opressão, no sentido de nário, além de ser uma valiosa fonte de quadros diri-
uma sociedade sem classes; gentes que pode propiciar uma oxigenação das nossas
b) Ao trabalhar, em cada conjuntura, para unir as lutas.
classes trabalhadoras, sistematizar e dar coerência às Mas é necessário precisar nitidamente as diferen-
suas reivindicações imediatas, articulando-as a uma ças entre juventude e movimento estudantil, por vezes
plataforma socialista. tratado como uma coisa só. O movimento estudantil,
representa uma pequena parte da juventude. Primeiro,
porque uma minoria de jovens está na universidade, e
Unidade com os movimentos contra as opres- mesmo essa trabalha de trabalha e estuda simultanea-
sões manete, com exceção dos filhos da burguesia e algu-
A opressão é parte constitutiva da exploração da mas vezes dos setores médios. Essa mesma realidade
classe trabalhadora e seu combate deve se efetivar no marca muitas vezes os que estão no ensino médio.
cotidiano das nossas organizações. Nossa prática tem A rigor, a ampla maioria da juventude depende do
que considerar que existem segmentos dupla ou tripla- trabalho e se constitui, hoje, como maior vítima do
mente oprimidos. É dever do movimento sindical desemprego, subemprego ou da precarização. Um
enfrentar as opressões de gênero, étnico-racial, de ori- bom exemplo é o grau de terceirização ou informaliza-
entação sexual, de deficiências etc, compreendendo ção que pode ser verificado em categorias como tele-
que outros setores combativos produziram lutas marketing, comércio e sistema financeiro cuja maioria
importantíssimas acumulando forças fundamentais é composta de jovens e mulheres. Mesmo na indústria
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

e no setor público verifica-se uma presença forte da Este fórum, além de garantir a unidade dos diver-
juventude trabalhadora. sos setores, respeitando suas especificidades, pautas e
Portanto, a grande maioria dos/das jovens já faz as diferenças políticas, aumentará a capacidade de con-
parte da base social dos sindicatos e da Central e nos- vocação e diálogo social, potencializará as lutas gerais
sas organizações devem buscar, desde sempre, cons- e especificas, e pode propiciar um ambiente político
truir políticas para ganhar os jovens para a ação sindi- que solde as relações de confiança, na luta e nos deba-
cal combativa. O movimento estudantil tem suas espe- tes estratégicos, e que nos arme a todas e todos nos
cificidades e, na luta, forjaram suas formas de organi- enfrentamentos ao capital, seu Estado e governos.
zação, que devem ser respeitadas e estimuladas. Isso
não significa que não queiramos atuar em conjunto, ou O Nome da nossa Central
que sejamos contra os estudantes, ou suas organiza-
ções. A escolha da denominação de um instrumento de
luta e organização das classes trabalhadoras tem, na
Porém, pelas suas especificidades, pelo respeito à maioria das vezes, relação com o momento histórico e
autonomia de cada movimento, pela necessidade de político dos setores sociais. No passado, o projeto polí-
funcionamento das suas próprias instâncias, não acre- tico dos partidos comunistas, de uma forma geral,
ditamos que a unidade orgânica na Central onde o apontou para a constituição das Centrais Gerais dos
movimento estudantil represente 1%, 2% ou 5% alte- Trabalhadores. Já a idéia de fundar uma Central Única
re, de fato, a realidade brasileira. Parcela importante dos Trabalhadores era norteada pelo princípio de que
do movimento estudantil combativo não concorda todas as forças que participaram do primeiro
com a formulação de que os estudantes sejam dirigidos CONCLAT deveriam compor a Central que surgia
pelos trabalhadores e trabalhadoras. naquele contexto histórico. Outros projetos de central
Isso significa que reconhecemos a importância da traziam em seu nome e insígnia suas opções políticas.
unidade com o movimento estudantil, ou mesmo com A realidade material da luta de classes nas diver-
outros movimentos cujas bases sociais por vezes são sas formações sociais foi outro elemento considerado
policlassistas. Temos a convicção de que esse fórum no processo. Na Europa, por exemplo, os trabalhado-
mais geral não substitui a necessidade de uma central res e trabalhadoras dos países de origem latina como
de trabalhadoras e trabalhadores que deve ser compos- França, Espanha, Itália tenderam a um maior número
ta exclusivamente por aquelas e aqueles que nada mais de centrais e essa pluralidade se expressou em suas
têm a não ser sua força de trabalho para vender ao capi- denominações. Nos países anglo-saxônicos como Ale-
talista, ainda que não encontre compradores. manha e Holanda o caminho foi diferente.
Devemos formular uma denominação que seja o
Unificar a luta para além da central – um mais próximo possível de nossa realidade. Sabemos
Fórum Nacional de Mobilizações que neste momento representaremos parcela das tra-
A central deve ser composta pelos que se organi- balhadoras e trabalhadores e não sua totalidade. Por-
zam nos sindicatos e outros movimentos populares, tanto, faz-se necessário um cuidado especial em evitar
como os que participam como delegadas e delegados a auto-proclamação ou a construção de uma simbolo-
neste Congresso Nacional da Classe Trabalhadora. gia que não tem relação direta com a realidade.
Realizar a luta social para transformar a realidade bra- Já existem no Brasil onze centrais sindicais regis-
sileira requer que além de fundar uma central, deve- tradas no Ministério do Trabalho. Este contexto de
mos impulsionar a construção de um amplo fórum de fragmentação independe de nossa vontade e apresenta
ação unitária que não se limite a agendas e jornadas de ainda mais desafios para demarcar nossa diferença no
lutas comuns, e que ainda que não tenha organicidade cenário nacional, também através da nomenclatura da
possa abrir o debate estratégico em torno da complexi- central.
dade da realidade brasileira. Este nome não deve repetir outros que já passa-
Neste sentido propomos a materialização de um ram na história do Brasil. Como também deve ser dis-
FÓRUM NACIONAL com esta ou outra denomina- tinto dos já existentes. Essa diferença também é ideo-
ção, articulando a central que estamos fundando, lógica, pois se coloca nos marcos da luta de classes.
outros setores combativos do movimento sindical e Não é secundária a definição do nome da Central,
popular que não estão conosco na central, e também o visto que o peso simbólico tem relação direta com os
movimento estudantil, os movimentos contra as opres- princípios e objetivos da organização. Além de, obvia-
sões de gênero, étnico-racial, de orientação sexual, de mente, o acúmulo com nítido contorno de classes, a
deficiências, os movimentos de defesa dos direitos central deverá ser capaz de portar em seu nome uma
humanos, de luta ecossocialista etc. simbologia que unifique as classes trabalhadoras,
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

expressando a riqueza da pluralidade social que nela uma simples fusão, incorporação ou acordo político
estará presente. É preciso evitar comparações e ou sim- entre forças já existentes. Para que nosso projeto tenha
plificações que artificializem a expressão desta nova sucesso nesta difícil conjuntura é preciso ter a ousadia
experiência organizativa. suficiente que nos permita ser um elemento que além
Para definição do nome da central que fundamos de novo possa aglutinar um setor significativo da clas-
neste congresso deve ficar explícito que não se trata de se em torno da nossa central.

Assinam essa tese: da administração indireta (RN) inativos de Fortaleza (CE)


COORDENAÇÃO NACIONAL DA SINDADOS – Sind. dos trab. em empresas ASSIPEM - Associação dos Serv. do Insti-
INTERSINDICAL e órgãos públicos de processamento de dados tuto de Pesos e Medidas de Fortaleza (CE)
Arlei Medeiros – Sindicato dos Químicos (BA) ASSODESEG - Associação Solidária em
Unificados (SP) SINDFORT - Sindicato dos Servidores e Defesa dos Direitos dos Segurados do INSS
Edson Carneiro (Índio) – Sindicato Bancá- Empregados Públicos do Município de Forta- (SP)
rios (SP) leza (CE) ATESQ - Associação dos Trabalhadores
Gesa Linhares Corrêa –SEPE (RJ) SINDGV – Sindicato dos Guarda Vidas Expostos a Substâncias Químicas (SP)
Jorge Luis Martins- Militante de base Sin- (ES) Apeoesp Itaquera e Sorocaba
dicato os Advogados (SP) SINDICAM - Sindicato dos Transportado-
Junia da silva Gouveia – Sind.Trab. Públi- res Rodoviários (CE) Lista Geral assinaturas tese:
cos Federais em Saúde e Previdência Social Sindicato da Justiça (RR) Adriana Sampaio (Vitória do Xingu) –
(SP) Sindicato da Justiça Estadual (MA) SINTEPP – Sind. Trab. da Ed. pública (PA)
Lujan Maria Bacelar de Miranda – Oposi- Sindicato dos Bancários (ES) Amasília Santos De Sousa –
ção do SINTE (PI) Sindicato dos Músicos (PI) SINTPREVS/PA
Paulo Pasin - Secretario de organização da Sindicato dos Trab. em Educação (RR) Ana Lucia Ribeiro – SINTPREVS/PA
FENAMETRO (SP) SINDIFAM - Sindicato dos Fazendários Antonio José Maués- Fenasps -
Pedro Paulo V.Carvalho - Direção Estadual Municipais de Fortaleza (CE) SINTPREVS/PA
APEOESP - (Coletivo de Oposição" Na Esco- SINDIFORT - Sindicato dos Servidores e Antonio Neto – SINTEPP - Sindicato dos
la e na Luta") Empregados Públicos do Município (CE) Trabalhadores da educação pública (PA)
Ricardo Saraiva – Sindicato Bancários de SINDILURB - Sindicato dos Trabalhadores Berna Menezes – Assufrgs – Associação
Santos (SP) da Empresa Municipal de Limpeza dos servidores da UFRGS (RS)
Tonhão Brother – Oposição Metalúrgicos Sindiscoo (CE) Carlão – Sindbancários - Sindicato dos ban-
Campinas (SP) cários (ES)
SINDPÚBLICOS – Sindicato dos servido-
Apoio: Nádia – Formadora política (SP); res públicos do estado (ES) Carmen Fösch – Sind. Trabalhadores Públi-
Rodrigo Paixão – Formador político (SP); cos Federais em Saúde e Previdência Social
Bárbara Fagundes – Assessora Nacional da SINDSAUDES – Sindicato dos trabalhado-
res da saúde (ES) (RS)
Intersindical.
SINDSPS – Sindicato municipais da Bahia Catarina – Sind. dos Trabalhadores Públi-
(BA) cos Federais em Saúde e Previdência Social
Entidade Sindicais: (PR)
Sinpro Osasco – Sindicato dos professores
FENASPS - Federação Nacional dos Sindi- e professoras (SP) Cesar Paula – SISPMC – Sindicato dos
catos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, servidores públicos municipais de Colatina
Previdência e Assistência Social SINTARESP - Sindicato dos tecnólogos e
auxiliares em radiologia no estado (SP) (ES)
Sindicato dos Químicos Unificados – Regi- Cirlene Cabral – SINTEPP - Sindicato dos
onal Campinas (SP) SINTCOMBA – Sindicato da construção
civil de Barcarena (PA) Trabalhadores da educação pública (PA)
Sindicato dos Químicos Unificados – Regi- Cládio Abel Wolffahrt – UGEIRM – Sindi-
onal Osasco (SP) SINTEENP – Sindicato dos trabalhadores
em estabelecimento de ensino privado (PB) cato da Polícia Civil (RS)
Sindicato dos Químicos Unificados – Regi- Cleuza Faustino - FENASPS - Sindicato
onal Vinhedo (SP) SINTEPP – Sindicato dos Trabalhadores da
educação pública (PA) dos Trabalhadores Públicos Federais em Saú-
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Fede- de e Previdência Social (MG)
rais em Saúde e Previdência Social (ES) SINTRASEM – Sindicato dos trabalhado-
res no serviço público municipal de Florianó- Conceição Holanda – SINTEPP - Sindicato
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Fede- polis (SC) dos Trabalhadores da educação pública (PA)
rais em Saúde e Previdência Social (PR) Décio Alves de Rezende – SISPMC – Sind.
SINTRATURB – Sindicato dos Transportes
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Fede- Urbanos de (SC) dos serv. públicos municipais de Colatina
rais em Saúde e Previdência Social (RN) (ES)
SISPMC – Sindicatos dos servidores públi-
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Fede- cos municipais de Colatina (ES) Demétrius Casado Nunes – Sindbancários -
rais em Saúde e Previdência Social (SC) Sindicato dos bancários (ES)
STAFPA – Sindicato do setor agropecuário
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Fede- (PA) Dinara Fraga Del Rio – Sind. Trab. Públi-
rais em Saúde e Previdência Social (PA) cos Federais em Saúde e Previdência Social
LUTE – Liga unificada de trabalhadores (RS)
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Fede- em educação (BA)
rais em Saúde e Previdência Social (PR) Domingos Cordeiro França – Sindsaúde -
CEFET - Centro Federal de Educação Tec- Sindicato dos trabalhadores da saúde (ES)
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Fede- nológica (SC)
rais em Saúde e Previdência Social (AP) Douglas Garcia dos Reis – Sindbancários -
ASIJF - Associação dos Servidores do Hos- Sindicato dos bancários (ES)
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Fede- pital Municipal Instituto Dr. José Frota (CE)
rais em Saúde e Previdência Social (MG) Dulce Matos (Uruará) – SINTEPP - Sindi-
ASSGUARD - Associação dos Guardas cato dos Trabalhadores da educação pública
Sindicato dos Bancários de Santos e região municipais de Salvador (BA)
(SP) (PA)
ASSINFOR - Associação dos servidores Edilena Pena – SINTEPP - Sindicato dos
SINAI – Sindicato dos servidores públicos
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Trabalhadores da educação pública (PA) Jussara Ribeiro – Sind.Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência Social (PR)
Eliane de Fátima Inácio – SISPMC – Sind. Públicos Federais em Saúde e Previdência Osmar Batista – Sind. dos Trab. Públicos
dos serv. públicos municipais de Colatina Social (RS) Federais em Saúde e Previdência Social (PR)
(ES) Lia Márcia Ragazzi – Sindbancários – Sin- Paulo Cezar Weber – Sind. dos Trab. Públi-
Eliete Baltazar - SINTPREVS/PA dicato dos bancários (ES) cos Federais em Saúde e Previdência Social
Elizabeth Pinto Reis – Sindsaúde – Sindi- Luceni Gomes Novaes – Sindsaúde – Sin- (PR)
cato da saúde (ES) dicato da saúde (ES) Randel Sales – SINTEPP - Sindicato dos
Eloy Borges – SINTEPP - Sindicato dos Lúcia Helena Bernardes – Sindados - Sind. Trabalhadores da educação pública (PA)
Trabalhadores da educação pública (PA) dos trab. em empresas e órgãos públicos de Raymundo Trindade- SINTPREVS/PA
Esdras Henrique Veiga dos Santos – Sind- processamento de dados (BA) Regina Célia Lima – Sind. dos Trab. Públi-
bancários – Sindicato dos bancários (ES) Lucival Pantoja – SINTPREVS/PA cos Federais em Saúde e Previdência Social
Fabiano Porto Rosa - Assufrgs - Associa- Luiz Carlos Castilhos – Sind.Trab. Públi- (ES)
ção dos servidores da UFRGS (RS) cos Federais em Saúde e Previdência Social Rita de Cássia Santos Lima – Sindbancári-
Fábio Nunes - UGEIRM – Sindicato da (RS) os – Sindicato dos bancários (ES)
Polícia Civil (RS) Madalena Barbosa – Sind. Trab. Públicos Ronaldo Rocha – SINTEPP - Sindicato dos
Fabrício Passos Coelho – Sindbancários – Federais em Saúde e Previdência Social (RS) Trabalhadores da educação pública (PA)
Sindicato dos bancários (ES) Marcio Paiva - FENASPS - Sindicato dos Rosa Olívia – SINTEPP - Sindicato dos
Félix Urano (Tibirica) – SINTEPP - Sindi- Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Trabalhadores da educação pública (PA)
cato dos Trabalhadores da educação pública Previdência Social (RN) Rosimeri Vera Pereira – Sind.Trab. Públi-
(PA) Márcio Rodrigo de Vargas – Sind. Trab. cos Federais em Saúde e Previdência Social
Francilene Lima – SINTEPP - Sindicato Públicos Federais em Saúde e Previdência (RS)
dos Trabalhadores da educação pública (PA) Social/RS Rubenixon – SINTEPP - Sindicato dos Tra-
Giuseppe Finco – Sind.Trabalhadores Marcos Soares - SINDTIFES/PA balhadores da educação pública (PA)
Públicos Federais em Saúde e Previdência Maria de Fatima Moura- SINTPREVS/PA Rui João Santos – Sind. dos Trab. Públicos
Social (RS) Maria de Lourdes Ambrósio - Assufrgs - Federais em Saúde e Previdência Social (PR)
Goretti F. Barone Falgueto – Sindbancários Associação dos servidores da UFRGS (RS) Salete Wingers - Assufrgs - Associação dos
– Sindicato dos bancários (ES) Maria Helena da Silva - FENASPS / Sindi- servidores da UFRGS (RS)
Helena Castro - SINTPREVS/PA cato dos Trabalhadores Públicos Federais em Sandra Azevedo – SINTEPP - Sindicato
Idelmar Casagrande – Sindbancários – Sin- Saúde e Previdência Social (MG) dos Trabalhadores da educação pública (PA)
dicato dos bancários (ES) Maria Helena Silvino - COBAP e Sindicato Sandra Maria Santos - Sindicato Trabalha-
Iraldo Veiga - SINTEPP - Sindicato dos dos Trabalhadores Públicos Federais em Saú- dores Públicos Federais em Saúde e Previ-
Trabalhadores da educação pública (PA) de e Previdência Social (MG) dência Social (MG)
Irenilda da Penha Silva Rodrigues - Maria José (Zezinha) – SINTEPP - Sindi- Sandra Marilza Cruzio – SISPMC – Sind.
SINDIUPES e SISPMC - Sindicato dos servi- cato dos Trabalhadores da educação pública dos serv. públicos municipais de Colatina
dores públicos municipais de Colatina (ES) (PA) (ES)
Ismael - Assufrgs - Associação dos servido- Maria Julia Palma Moura – Sind. Trab. Schirley Funck - Assufrgs - Associação dos
res da UFRGS (RS) Públicos Federais em Saúde e Previdência servidores da UFRGS (RS)
Social (RS) Sebastião Jose de Oliveira – Sind.Trab.
Izaneide Dias – SINTEPP - Sindicato dos
Trabalhadores da educação pública (PA) Maria Zenild Nagata – Sind. dos Trab. Públicos Fed. em Saúde e Prev. Social (PR)
Públicos Fed. em Saúde e Previdência Social Severino Santos – Sindicato dos Músicos
Jair Pena – SINTEPP - Sindicato dos Tra- (PR)
balhadores da educação pública (PA) (PI)
Mário Aquino Xavier – Sindbancários – Silvia Regina Vieira – Sind. dos Trab.
Jaqueline Gusmão - Sind. dos Trab. Públi- Sindicato dos bancários (ES)
cos Federais em Saúde e Previdência Social Públicos Federais em Saúde e Previdência
(PR) Maristela Correa da Silva – Sindbancários Social (RS)
– Sindicato dos bancários (ES) Vânia Guimarães - Assufrgs - Associação
Jessé Alvarenga – Sindbancários – Sindica-
to dos bancários (ES) Marlene de Jesus Alves da Costa – Sind. dos servidores da UFRGS (RS)
dos Trab. Públ. Fed. em Saúde e Prev. Social Vera Dorneles - SindicatoTrabalhadores
João Bosco Teixeira – Sindbancários – Sin- (PR)
dicato dos bancários (ES) Públicos Federais em Saúde e Previdência
Marli Brigida – Sind. dos Trab. Públicos Social/RS
Jocimar Pedro Gamas – SISPMC – Sind. Federais em Saúde e Previdência Social (ES)
dos serv. públicos municipais de Colatina Vera Kollet - SindicatoTrabalhadores
(ES) Mateus Ferreira – SINTEPP - Sindicato dos Públicos Federais em Saúde e Previdência
Trabalhadores da educação pública (PA) Social (RS)
Joel Orestes Brasil Soares – Sind. Trab.
Públicos Federais em Saúde e Previdência Maura Silvia Barroso - SINTPREVS/PA Walmir Bastos – SINTEPP - Sindicato dos
Social (RS) Maurilo Estumano – SINTEPP - Sindicato Trabalhadores da educação pública (PA)
Jonathas Correa – Sindbancários - Sindica- dos Trabalhadores da educação pública (PA) Walmir Costa - Presidente do SISPMC –
to dos bancários (ES) Mauro Borges – SINTEPP - Sindicato dos Sind. dos serv. Públ. municipais de Colatina
Jorge Patricio Pires – Sind. Trab. Públicos Trabalhadores da educação pública (PA) (ES)
Federais em Saúde e Previdência Social/RS Moacir Lopes - FENASPS – Sind. dos Walmir Freire – SINTEPP - Sindicato dos
José Rodrigues – SINTEPP - Sindicato dos Trab. Públicos Fed. em Saúde e Prev. Social Trabalhadores da educação pública (PA)
Trabalhadores da educação pública (PA) (PR) William Aguiar Martins - FENASPS - Sin-
Josean Calixto - Sindicato dos trabalhado- Monica (Altamira) – SINTEPP - Sindicato dicato dos Trabalhadores Públicos Federais
res da polícia técnica na (PB) dos Trabalhadores da educação pública (PA) em Saúde e Previdência Social (ES)
Júlia Maria Vieira – Sind.Trab. Públicos Nilza Freitas – Sind. Trabalhadores Públi- Williams Silva – SINTEPP - Sindicato dos
Federais em Saúde e Previdência Social cos Federais em Saúde e Previdência Social Trabalhadores da educação pública (PA)
(MG) (RS) Zila Maria da Silva – Sind. Trab. Públicos
Júlio Passos – Sindbancários – Sindicato Normanci Durães – SINTEPP - Sindicato Federais em Saúde e Previdência Social (RS)
dos bancários (ES) dos Trabalhadores da educação pública (PA)
Orizette Martins – Sind. dos Trab. Públicos
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Minorias na direção e oposições: Anísio Guató- oposição SINTE/MS Cleonice Boeira Bao - CPERS Lagoa Ver-
Alternativa Sindical Bancários na Luta Antonio Bonfim – Oposição SIMPEEM – melha (RS)
(SP) Sindicato dos profissionais da educação (SP) Corália Saraiva – Sind.Trabalhadores
Dirigentes e Militantes das SUBSEDES da Antonio Carlos - Associação dos veículos Públicos Federais em Saúde e Previdência
Apeoesp (SP): automotores de Campos do Jordão (SP) Social (DF)
Oposição MAIS Bancários - Movimento de Antônio de Padua – Sind.Trabalhadores Cristiano - Oposição Metalúrgica de Cam-
Autonomia e Independência Sindical (SP) Públicos Federais em Saúde e Previdência pinas e Região (SP)
Oposição Sindicato dos Servidores de Cas- Social (SP) Dalvacir Gois - SindicatoTrabalhadores
cavel (PR) Antônio Fernando – Sind. dos Trab. Públi- Públicos Federais em Saúde e Previdência
Oposição Sindicato dos Trabalhadores cos Federais em Saúde e Previdência Social Social/SE
Públicos Federais em Saúde e Previdência (DF) Daniel Nunes – Sindicato dos trabalhadores
Social (BA) Antonio Ferreira dos Santos Neto - Oposi- da UFF (RJ)
Oposição Sindicato dos Trabalhadores ção Sind. dos Serv. Públicos do Estado (SP) Daniel Patti – Sindicato dos petroleiro – LP
Públicos Federais em Saúde e Previdência Antônio Gomes da Costa - Oposição (SP)
Social (DF) SINDSERM – Sind.Servidores Públicos de Daniela - SEPE Magé (RJ)
S.Miguel, Sul-Santo Amaro, Oeste-Lapa, Teresina (PI) Débora Prado - Sindicato dos Jornalistas
Sudoeste, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Antonio Salles - Associação dos veículos (SP)
Campo, Taboão da Serra, Itapevi, Itapetinin- automotores de Campos do Jordão (SP) Delma Medice SEPE Lagos (RJ)
ga, Itapeva, Vale do Ribeira, Taubaté, Riberão Bernardo Seixas Pilotto - SINDITEST – Denilce - Oposição SIMPEEM (SP)
Preto, S.João da Boa Vista e Piracicaba. Sindicato dos trabalhadores em educação do Denise Soares- SEPE Costa do Sol (RJ)
Abhigail de Oliveira SEPE Lagos (RJ) 3° (PR)
Denísia Borges- SEPE Lagos (RJ)
Adriana Vasconcellos - SEPE Volta Redon- Brice Bragato- oposição ASSINCRA -
da (RJ) Assoc. dos Servidores do Incra Dinorá Carvalho – Sind.Trabalhadores
Públicos Federais em Saúde e Previdência
Adriano Santos - SEPE/RJ e Itatiaia (RJ) Bruno Deusdará - SEPE Rio/ Regional III Social/DF
Aguinaldo de Melo - Associação dos veícu- (RJ)
Dodora Mota - SEPE/RJ e Volta Redonda
los automotores de Campos do Jordão (SP) Carla Cristina Cobalchine - SINDITEST – (RJ)
Alcebíades Teixeira “Bid” - SEPE Rio (RJ) Sind. trabalhadores em educação do 3° (PR)
Edinei Machado - SINDSEPS – Sindicato
Alcino da Rosa – SIMPA – Sindicato dos Carla Márcia - SINTFUB – Sind. Trabalha- dos servidores da prefeitura de Salvador (BA)
municipários de POA (RS) dores da Fundação Universidade de Brasília
(DF) Edivanildo Rodrigues de Araújo - Sindicato
Allan Rodrigues - Oposição Sind. dos Ser- dos Servidores Municipais de Jucás (CE)
vidores Públicos de Embú das Artes (SP) Carlos Alberto – SIMPA - Sindicato dos
municipários de POA (RS) Edmilson Gomes - SEPE/Japeri e Mesquita
Almerindo Cunha – SIMPA - Sindicato dos (RJ)
municipários de POA (RS) Carlos Alberto Cardoso – Sind.Trab. Públi-
cos Federais em Saúde e Previdência Social Edson Tadeu - Oposição Sindicato dos Ser-
Amilton Melo – SINTAB – Sind.Trab. vidores Públicos de Embú das Artes (SP)
Públicos Municipais do Agreste e da Borbo- (DF)
Carlos André – Didi – Sindicato dos bancá- Eduardo Terra Coelho - SIMPEEM – Sin-
rema (PB) dicato dos profissionais da educação (SP)
Ana Antunes – Sind. Trabalhadores Públi- rios (RJ)
Carlos André de Sousa Araújo - Sindicato Edvânio de Oliveira – Sind. dos Trab.
cos Federais em Saúde e Previdência Social Públicos Federais em Saúde e Previdência
(RS) dos Servidores Municipais de Bela Cruz (CE)
Social (DF)
Ana Cristina - Oposição SINDSERM – Carlos Antônio – Sind.Trabalhadores
Públicos Federais em Saúde e Previdência Egeson Conceição Ignácio da Silva – Sind-
Sindicato dos Servidores Públicos de Teresina metal – Sindicato dos metalúrgicos (RJ)
(PI) Social (DF)
Carlos Barbosa (Chocolate) – As. dos veí- Eliane Slama – Sindicato dos trabalhadores
Ana Lago - SindicatoTrabalhadores Públi- da UFF (RJ)
cos Federais em Saúde e Previdência Social culos automotores de Campos do Jordão (SP)
(RS) Carlos Eduardo – Sind.Trabalhadores Eline Moura SEPE Lagos (RJ)
Ana Lúcia Silva – Sind.Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Elisa Martins - SEPE/Reg 9 (RJ)
Públicos Federais em Saúde e Previdência Social (DF) Elizabeth Soriano – SEPE/RJ e Vassouras
Social (DF) Carlos Gonçalves Pinto - SINDITEST - (RJ)
Ana Neri – Sindicato Trabalhadores Públi- Sindicato dos trabalhadores em educação do Eurico Arcanjo - Associação dos veículos
cos Federais em Saúde e Previdência Social 3° (PR) automotores de Campos do Jordão (SP)
(DF) Carlos Roberto (Carlão) – Sind.Trab. Eva de Jesus - SEPE Rio/Regional V (RJ)
Ana Rosa Kuster – SINDIUPES - Sindica- Públicos Federais em Saúde e Previdência Evilásio Pereira de Oliveira - Oposição Sin-
to dos Trabalhadores em Educação Pública Social (DF) dicato dos Trabalhadores Públicos Federais
(ES) Celia Maria - Sindicato dos Professores em Saúde e Previdência Social (BA)
Anderson Costa – Sindmetal – Sindicato Boquerão Fabiano Brito – Oposição APLB – Sind.
dos metalúrgicos (RJ) Célio Lima - Associação dos veículos auto- dos Trabalhadores em Educação do Estado
Anderson Luis – Oposição APLB – Sind. motores de Campos do Jordão (SP) (BA)
dos Trabalhadores em Educação do Estado Celso da Silva – SITEP/Sind. Fun. das Fabio Silva – Oposição APLB – Sind. dos
(BA) Empresas Públicas e Fundações do Mun. Cas- Trabalhadores em Educação do Estado (BA)
Anderson Mancuso – Sindicato dos Petro- cavel/PR Fernado Borges – Diretor Estadual
leiro – LP (SP) César Carneiro – Oposição APLB – Sind. APEOESP
André Bonfim - ASSGUARD – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado Francisca Feitosa – Sind.Trabalhadores
dos guardas municipais de Salvador (BA) (BA) Públicos Federais em Saúde e Previdência
André Luiz Brondani (melão) - APP – Sin- Cida – SINDSAUDE - Sindicato dos traba- Social/DF
dicato dos trabalhadores em educação pública lhadores da saúde (SP) Francisco - Sindicato dos Servidores de
(PR) Cidinha - Oposição SIMPEEM (SP) Areia
Andre Tenreiro - SEPE Rio/Regional VII Cláudia Correia - SIMP Pelotas (RS) Francisco de Menezes - SINDICAN - Sin-
(RJ) Claudia Teresinha SEPE Lagos (RJ) dicato dos Serv. Mun. de Alcântaras (CE)
Caderno de Teses para o Congresso da Classe Trabalhadora

Francisco Ferreira – Sind. dos Trab. Públi- João Kleber Santana Souza - SIMPEEM – Sind. dos Trabalhadores Públicos Federais em
cos Federais em Saúde e Previdência Social Sindicato dos profissionais da educação (SP) Saúde e Previdência Social (BA)
(DF) João Maria – Sind. Trabalhadores Públicos Lidiane Barros Lobo - SEPE/RJ e Nova
Francisco José da Silva (Chiquinho) - Opo- Federais em Saúde e Previdência Social (SP) Iguaçu (RJ)
sição do Sindserm/Teresina (PI) João Novais - Diretor Estadual APEOESP - Lincoln Ramos e Silva - Oposição
Gabriel Alves da Silva - Oposição Sind. (Coletivo de Oposição" Na Escola e na Luta") SINTFEST (TO)
dos Serv. públicos de S.José dos Campos (SP) João Paulo - Oposição Sindicato dos Servi- Lucia de Fátima (Lucinha) – Sind.Trab.
Gerson Gonçalves de Medeiros - Oposição dores Públicos de Embú das Artes (SP) Públicos Federais em Saúde e Previdência
Sinteam (AM) Jorge de Souza - SEPE Rio/ Regional V Social/DF
Giglio - SEPE Volta Redonda (RJ) (RJ) Luciana Araujo - Sindicato dos Jornalistas
Gilberto - SEPE Magé (RJ) Jorge Gonçalves-Jorginho- Sindimetal – (SP)
Gilberto Silva – Sind.Trabalhadores Públi- Sindicato dos metalúrgicos (RJ) Luciana Mello - SEPE/RJ e Duque de Caxi-
cos Federais em Saúde e Previdência Social Josafá Rehen Vieira - Diretor Estadual as (RJ)
(DF) APEOESP - (Coletivo de Oposição" Na Esco- Luciano Rosário – Sindicato dos Bancários
Gilmar Nunes - CPERS Santa Maria (RS) la e na (RJ)
Gilseli Leite Lima – Sind.Trabalhadores Jose Beltrame - Oposição Mototaxistas de Lucinéia Cristina - Associação dos veículos
Públicos Federais em Saúde e Previdência Londrina (PR) automotores de Campos do Jordão (SP)
Social/SP José Bernardo - Oposição Sindicato dos Lucinha - Oposição Sind.Trabalhadores
Gilson Bancker – SINDISINDI – Sindicato Servidores Públicos de Embú das Artes (SP) Públicos Federais em Saúde e Previdência
dos empregados sindicais José Carlos de Assis - SISMMAR – Sind. Social/DF
Giovana Paola – SISMMAR - Sindicato Servidores Públicos Municipais de Maringá Luis Almeida Tavares - ASSIBGE-SN (PR)
dos Servidores Públicos Municipais de (PR) Luisa Gomide- SEPE/Lagos (RJ)
Maringá (PR) José Cruz – ASSGUARD – Sindicato dos Luiz Felipe – SINATI - Sindicato Nac. dos
Givan – ASSGUARD – Sindicato dos guar- guardas municipais (BA) Auditores Fiscais do Trabalho (PR)
das municipais (BA) José de Assis Barros – Sind. dos Trab. Luiz Fernando - Direção Nacional da
Gleci Hoffmann - CPERS Cachoeira do Públicos Federais em Saúde e Previdência Assibge
Sul (RS) Social (DF) Luiza Gomide- SEPE Lagos (RJ)
Guaraci Antunes - SEPE Rio/ Regional V José Edson de Sousa Filho - Sindicato dos Luíza Milca B. de Sá – Oposição do
(RJ) Servidores Municipais de Bela Cruz (CE) SINTE (PI)
Gustavo Mercês – SINDSEPS - Sindicato José Gabriel - Associação dos veículos auto- Magda de Jesus – Diretor Estadual
dos servidores da prefeitura do Salvador (BA) motores de Campos do Jordão (SP) APEOESP - (Coletivo de Oposição" Na Esco-
Hamilton Assis – Oposição APLB – Sind. José Maurício Silva Lima - Sindicato dos la e na Luta")
dos Trabalhadores em Educação do Estado Servidores Municipais de Camocim (CE) Maíra Kubic - Oposição do Sindicato dos
(BA) Jose Roberto Beltrame – Sindicato dos jornalistas (SP)
Hector Paulo Burnagui - SISMMAR – mototaxistas de Londrina e Região (PR) Manoel Gomes - Associação dos ve