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ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL

CURSO LATO SENSU EM ENGENHARIA DE SISTEMAS

JOSÉ MARCELO MACIEL DOS SANTOS

ADOÇÃO DO SISTEMA OPERACIONAL


GNU/LINUX POR USUÁRIOS DOMÉSTICOS
(Perspectivas de Adoção Por Aqueles Que Têm
Contato Com o Sistema no Ambiente de Trabalho)

VILA VELHA-ES
2010
JOSÉ MARCELO MACIEL DOS SANTOS

ADOÇÃO DO SISTEMA OPERACIONAL


GNU/LINUX POR USUÁRIOS DOMÉSTICOS
(Perspectivas de Adoção Por Aqueles Que Têm
Contato Com o Sistema no Ambiente de Trabalho)

Monografia apresentada ESAB – Escola


Superior Aberta do Brasil, sob orientação da
professora Maria Ionara Barbosa de Andrade
Gonçalves.

VILA VELHA-ES
2010
JOSÉ MARCELO MACIEL DOS SANTOS

ADOÇÃO DO SISTEMA OPERACIONAL


GNU/LINUX POR USUÁRIOS DOMÉSTICOS
(Perspectivas de Adoção Por Aqueles Que Têm
Contato Com o Sistema no Ambiente de Trabalho)

Aprovada em …. de …............. de 2010

___________________________________

___________________________________

___________________________________

VILA VELHA-ES
2010
A minha família.
AGRADECIMENTO
A todos os participantes da pesquisa, sem os
quais a realização deste trabalho não seria
possível.
"Se você tem uma maçã e eu tenho uma
maçã, e nós trocamos as maçãs, então você
e eu ainda teremos uma maçã. Mas se você
tem uma ideia e eu tenho uma ideia, e nós
trocamos essas ideias, então cada um de
nós terá duas ideias. (George Bernard
Shaw)"
RESUMO

É inegável a importância do computador na vida moderna. A quem diga que sem ele
não se vive. Pelo computador é possível fazer de tudo: trabalhar e estudar, comprar
e vender, rever amigos e fazer novas amizades, fazer amor e sexo ou terminar tudo
por causa dele, fazer justiça, ou ainda, cometer crimes com ele. O que muitos não
sabem é que o que dá vida ao computador é o sistema operacional, um programa
responsável pela interação de outros programas do computador com tudo a ele
conectado: monitor, teclado, mouse, impressora, portas USB, leitoras, CD/DVD Rom,
em fim, uma infinidade de equipamentos. Nas duas últimas décadas, um sistema
operacional, o Microsoft Windows, domina incontestavelmente o mercado. No
entanto, desde o início da década passada, o sistema operacional GNU/Linux,
surgido alguns anos antes, é apontado como uma ameaça a este reinado. Este
trabalho procura investigar se esta ameaça se concretizará, tomando a liderança do
Windows ou pelo menos conquistando parcela significativa do mercado ou será
apenas nisso: uma ameaça apenas.
LISTA DE GRÁFICOS E TABELAS

Gráfico 1 – Participantes por região geográfica................................ 56


Gráfico 2 – Grau de escolaridade ....................................................... 57
Gráfico 3 – Comparativo Windows x GNU/Linux............................... 59
Gráfico 4 – Comparativo BrOffice Writer x MS Office Word ............. 60
Gráfico 5 – Comparativo Firefox X Internet Explorer ........................ 61
Gráfico 6 – Alteração na configuração das estações de trabalho ...62
Gráfico 7 – Market share navegadores/browser ............................... 63
Tabela 1 – Motivos para utilização da internet. .................................64
Gráfico 8 – Intenção de adoção do GNU/Linux .................................66
Gráfico 9 – Pontos negativos do Linux .............................................. 67
Gráfico 10 – Pirataria favorece o Windows? ..................................... 68
Gráfico 11 – Instalar Windows original ou Pirata? ............................ 69
LISTA DE FIGURAS

Fig. 1 – Tela windows 1.01 ..................................................................25


Fig. 2 – Tela windows 2.0 .................................................................... 26
Fig. 3 – Tela Windows 3.1 .................................................................... 27
Fig. 4 – Tela do Windows 95 ............................................................... 28
Fig. 5 – Tela do Windows 98 ............................................................... 29
Fig. 6 – Linha do tempo Windows versão de consumo e corporativa.30
Fig. 7 – Tela do Windows XP............................................................... 31
Fig. 8 – Tela do Windows Vista ........................................................... 33
Fig. 9 – Tela do Windows 7 .................................................................34
Fig. 10 – Tela do KDE 1.0 .................................................................... 43
Fig. 11 – Tela do KDE 3.5..................................................................... 44
Fig. 12 – Tela do KDE 4.3 .................................................................... 45
Fig. 13 – Tela do Gnome 1.0 ................................................................ 46
Fig. 14 – Tela do Gnome 2.28 .............................................................. 47
Fig. 15 – Tela do Mac OS X Leopard ................................................... 49
Fig. 16 – Tela do Apple I ...................................................................... 50
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ...................................................................................... 12

CAPÍTULO 1 – O COMPUTADOR ........................................................ 14


1.1 – COMPONENTES DO COMPUTADOR ......................................... 14
1.1.1 – Hardware .................................................................................. 14
1.1.2 - Software .................................................................................... 15

CAPÍTULO 2 – SISTEMA OPERACIONAL .......................................... 17


2.1 – BREVE HISTÓRICO DA EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS
OPERACIONAIS ................................................................................... 18
2.1.1 – Década de 1940 ........................................................................ 19
2.1.2 – Década de 1950 ........................................................................ 19
2.1.3 – A década de 1960 ..................................................................... 20
2.1.4 – A década de 1970 ..................................................................... 20
2.1.5 – A Década de 1980 .................................................................... 21
2.1.6 – A Década de 1990 .................................................................... 22
2.1.7 – O século XXI ............................................................................. 23

CAPÍTULO 3 – PRINCIPAIS SISTEMAS OPERACIONAIS .................. 24


3.1 – SISTEMA OPERACIONAL MS WINDOWS ..................................24
3.1.1 – História ..................................................................................... 24
3.2 – GNU/LINUX .................................................................................. 34
3.2.1 – Linux ou GNU/Linux ................................................................ 34
3.2.2 – O Sistema GNU ........................................................................ 36
3.2.3 – Linux (o kernel) ........................................................................ 38
3.2.4 – Ambientes gráficos..................................................................41
3.2.4.1 – KDE ........................................................................................ 42
3.2.4.2 – O Gnome ............................................................................... 45
3.2.5 – Distribuições ............................................................................ 48
3.3 – MAC OS X .................................................................................... 49

CAPÍTULO 4 – SOFTWARE LIVRE E SOFTWARE PROPRIETARIO ..51


4.1 – SOFTWARE LIVRE ...................................................................... 51
4.1.1 – Software Livre ou Software Gratuito ...................................... 52
4.1.2 – A Licença GPL.......................................................................... 52
4.2 – SOFTWARE PROPRIETÁRIO...................................................... 53

CAPÍTULO 5 – ANÁLISE DA PESQUISA ............................................ 54


5.1 – APRESENTAÇÃO......................................................................... 54
5.2 – RESULTADOS .............................................................................. 55
5.3 – O QUE DIZEM OUTROS ESTUDOS ............................................ 69
5.3.1 – Windows e a Pirataria .............................................................. 71

CONCLUSÃO ....................................................................................... 74

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS ........................................................ 75

ANEXOS ............................................................................................... 78
12

INTRODUÇÃO

O mercado de sistema operacional1 (SO) em computadores é dominado sem


contestação por um único SO. Segundo dados de janeiro de 2009 do sitio
www.idgnow.uol.com.br2, o percentual de participação no mercado do SO Windows é
88,3%. O segundo colocado, Mac OS X, tem participação de 9,9%. Ressalta-se que
estes SO´s são proprietários e pagos. Por outro lado, o GNU/Linux de código aberto
e livre, geralmente distribuído gratuitamente, tem participação de apenas 0,83%.

Pretende-se com este trabalho investigar se há expectativas de mudanças neste


cenário, ou seja, se o SO GNU/Linux obterá participação relevante no mercado de
sistema operacional em computadores domésticos. Bem como identificar fatores que
podem facilitar e/ou dificultar isto.

O escopo de investigação deste trabalho restringir-se-á aos colaboradores de uma


grande empresa brasileira de economia mista de atuação em todo território nacional
que adotou nas suas estações de trabalho o sistema operacional GNU/Linux.
Pretende-se descobrir se o fato desses funcionários terem contato e conhecimento
das funcionalidades do sistema, fez com que o adotassem em seus computadores
pessoais; ou se, pelo contrário, ao conhecerem o sistema concluíram que era melhor
não migrarem do sistema operacional que utilizavam.

A investigação restringe-se apenas a adoção do SO GNU/Linux por usuários


domésticos, ou seja, a utilização desse SO por empresas, governos e universidades
não está aqui abrangido, e os resultados da pesquisa não podem ser a eles
estendidos pois suas necessidades são diferentes, bem como as decisões para
adoção ou não por estas entidades de determinado software, SO inclusive, ou
hardware são baseadas em critérios diferentes do usuário individual.

1 Sistema operacional: software que possibilita a comunicação entre outros softwares e o hardware
do computador.
2
O IDG Now é um sítio na internet que oferece notícias sobre as áreas de internet, computação
corporativa, computação pessoal, mercado, carreira, redes e telecomunicações.
13

O presente trabalho foi feito através de pesquisa e revisão bibliográfica em


publicações impressas e/ou disponíveis eletronicamente. A coleta de dados foi feita
através de pesquisa quantitativa que foi disponibilizada eletronicamente aos sujeitos
alvos da pesquisa.

O trabalho está assim estruturado: é feita primeiramente conceituação sobre o


computador e seus principais componentes, que entre eles se inclui o sistema
operacional. Passa-se então a conceituação de sistemas operacionais com um
breve histórico de sua evolução. No capítulo seguinte é apresentado os principais
sistemas operacionais. Terminado a fase de conceituação é feita a analise dos
resultados da pesquisa.
14

CAPÍTULO 1 – O COMPUTADOR

Um computador é uma máquina capaz de realizar várias etapas de processamento


de informações a uma velocidade muito maior do que as despendidas pelas
capacidades humanas (YOUSSEF & FERNANDES apud GUESSER, 2006). Estes
mesmos autores, agora citando Negroponte, afirma que com a evolução dos
computadores o ser humano ampliou sua capacidade de processar e correlacionar
informações em um tempo cada vez mais reduzido.

1.1 – COMPONENTES DO COMPUTADOR

Fisicamente um computador nada mais é que um gabinete cheio de circuitos


eletrônicos, cabos e fontes de alimentação, o qual é chamado de hardware. Só o
hardware não é suficiente para o computador funcionar, não é possível realizar
nenhuma atividade. O que torna um computador útil é o software.

Para Velloso apud Guesser (2006) um computador é composto basicamente de duas


partes: hardware, que é a parte física do equipamento, e o software, que é a parte
lógica, onde estão os comandos que fazem o equipamento funcionar.

1.1.1 – Hardware

Hardware de um computador, na definição de Deitel et al (2005), consiste em seus


dispositivos físicos – processador(es), memória principal e dispositivos de
entrada/saída. Machado e Maia (1992) afirmam que estes dispositivos estão
15

presentes em todo computador digital, apesar de suas implementações variarem em


função da arquitetura de cada fabricante.

Deitel et al (2005) definem processador como um componente de hardware que


executa um fluxo de instruções em linguagem de máquina. A função da unidade
central de processamento (UCP, ou ainda, CPU do inglês Central Processing Unit),
de acordo com Machado e Maia (1992, p.3/4), é:

unificar todo o sistema, controlando todas as funções realizadas por cada


unidade funcional. A UCP também é responsável pela execução de todos os
programas do sistema, que obrigatoriamente deverão estar armazenados na
memória principal.

Conforme exposto por Machado e Maia (1992), a parte do computador onde são
armazenadas instruções e dados é a memória principal. Ainda de acordo com estes
autores, a memória principal é classificada conforme sua volatilidade3 em volátil e
não volátil. Memória volátil é aquela que pode ser lida ou gravada enquanto que na
não volátil o acesso é apenas para leitura.

Por fim, dispositivos de entrada e saída são aqueles que permitem a comunicação
do computador com o mundo exterior. É através deles que ocorre a interação
homem/máquina (MACHADO e MAIA, 1995, p.9). São exemplos de dispositivos de
entrada e saída: monitor, teclado, mouse, caneta óptica, impressora.

1.1.2 - Software

Ferreira citado por Guesser (2006) conceitua software como o conjunto de


procedimentos, métodos de programação e programas afins que otimiza a

3 Volatilidade refere-se a capacidade de preservar o seu conteúdo mesmo sem uma fonte de
alimentação. Dizer que uma memória é volátil significa dizer que ela perde seu conteúdo quando
o sistema é desligado (Deitel et al, 2005, p.58).
16

performance de um computador. O autor esclarece ainda que o software ordena os


comandos necessários para que o hardware funcione na tarefa de receber,
processar e transmitir dados.

Os softwares, também chamados de programas, podem ser classificados em duas


categorias fundamentais: utilitários e softwares aplicativos, de acordo com Machado
e Maia (1992), ou software de base e software aplicativo segundo a nomenclatura
utilizada por Guesser (2006). De acordo com esta classificação são considerados
como utilitários os softwares relacionados com serviços do sistema operacional. São
citados como utilitários os compiladores4, linkers5, depuradores6, carregadores
(loaders)7. Velloso apud Guesser (2006) afirma que os softwares de base
compreendem os programas essenciais ao funcionamento da máquina,
comportando o software de apoio e o sistema operacional. Software aplicativos são
os programas desenvolvidos por usuários (MACHADO e MAIA 1992, p.11) que se
destinam a realizar funções específicas para a execução de tarefas ou, conforme
exposto por Velloso apud Guesser (2006), como meio de configuração para o
funcionamento de periféricos.

4 Compilador programa que converte programas em linguagem de alto nível, inteligível para o ser
humano, para linguagem de máquina (Deitel et al, 2005, p.48)
5 Linker é o utilitário que integra os vários módulos referidos por um programa em uma única
unidade executável (Deitel et al, 2005, p.53)
6 Depurador é o utilitário que permite ao usuário controlar toda a execução de um programa a fim de
detectar erros na sua estrutura (Machado e Maia, 1992, p.15).
7 Loader é o utilitário responsável por colocar fisicamente na memória um programa para execução
(Machado e Maia, 1992, p.14).
17

CAPÍTULO 2 – SISTEMA OPERACIONAL

Foi dito anteriormente que um computador sem software, ou seja, apenas com o
hardware, é inútil. Porém, não é todo e qualquer software que vai tornar o
equipamento em algo útil. O software que dá vida ao computador é o sistema
operacional. Guesser (2006, p.34) afirma que:

o sistema operacional é o programa mais importante de um computador.


Deve ser enfatizado que o sistema operacional é parcela fundamental em
qualquer computador, é a alma da máquina. É a partir deste programa que
tudo acontece, e sem ele nada funciona.

Machado e Maia (1992) definem sistema operacional como o conjunto de rotinas


executadas pelo processador cuja função é controlar o funcionamento do
computador como um gerente dos vários recursos disponíveis no sistema.

Já Silberschatz e Galvin (2000, p.23) conceituam sistema operacional da seguinte


forma:

Sistema operacional é um programa que atua como um intermediário entre


um usuário e o hardware de um computador. Seu propósito é fornecer um
ambiente no qual os usuários possam executar seus programas. O principal
objetivo de um sistema operacional é tornar conveniente o uso de um
sistema computacional. Um objetivo secundário é usar o hardware do
computador de maneira eficiente.

Ao conceituar sistema operacional Deitel et al (2005) chamam atenção para o fato


de que a definição da década de 1960 de sistema operacional como o software que
controla o hardware era verdadeiro para aquela época e que devido a evolução e
complexidade dos sistemas computacionais atuais a conceituação mais apropriada
seria: sistema operacional é uma camada de software que separa as aplicações de
hardware acessadas por outros softwares e fornece serviços que permitem que cada
software seja executado com segurança e efetivamente.
18

A citação abaixo de Deitel et al (2005, p.5) resume e complementa conceito de


sistema operacional feito pelos autores anteriormente referenciados:

Sistemas operacionais gerenciam aplicações e outras abstrações de


software, como máquinas virtuais. As finalidades primárias de um sistema
operacional são habilitar aplicações a interagir com um hardware de
computador e gerenciar os recursos de hardware e software de um sistema.

Sistemas operacionais liberam os desenvolvedores de softwares de aplicação da


obrigação de lidar com os detalhes complicados da manipulação do hardware de um
computador para gerenciar memória, executar entrada/saída, lidar com linhas de
comunicação e assim por diante.

2.1 – BREVE HISTÓRICO DA EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS


OPERACIONAIS

Os sistemas operacionais evoluíram paralelamente ao desenvolvimento de


equipamentos cada vez mais baratos, compactos e velozes e a necessidade de
aproveitamento e controle desses recursos (MACHADO E MAIA, 1992).

Da bibliografia consultada, Deitel et al (2005) e Machado e Maia (1992) trazem um


histórico de evolução dos sistemas operacionais divididos em fases. No entanto o
intervalo de tempo em que essa história é dividida não é coincidente. Estes utilizam
intervalos que começam na metade de uma década até a metade da década
seguinte (exemplo 1945-1955, 1955, 1965, etc), enquanto aqueles dividem a
evolução dos sistemas operacionais em intervalos abrangendo o início e fim de cada
década. Neste trabalho adota-se a divisão segundo aqueles, principalmente pelo fato
de a obra de Machado e Maia ter sido publicada em 1992, e, portanto não traz a
evolução ocorrida nas duas últimas décadas.

A evolução dos sistemas operacionais apresentada neste trabalho consta da obra de


19

Deitel et al (2005), exceto quando indicado outro(s) autor(es).

2.1.1 – A década de 1940

Os primeiros computadores desta década não possuíam sistema operacional. Os


programas eram submetidos pelos programadores em linguagem de máquina 8, um
bit por vez, em filas de chaves mecânicas.

2.1.2 – A década de 1950

O primeiro sistema operacional foi implementado nesta década. Os sistemas desta


década geralmente executavam apenas um job9 por vez. Os primeiros sistemas
operacionais necessitavam que um programa inteiro fosse carregado na memória
para ser executado, o que obrigava os programadores a criar programas com
capacidades reduzidas. Pelo fato de os programas e dados serem submetidos em
grupos ou lotes10 e carregados consecutivamente, os computadores dessa época
era denominados de sistemas de processamento em lote de fluxo único.

8 Linguagem definida pelo projeto de hardware de um computador e pode ser entendida


nativamente pelo computador (DEITEL ET AL, 2005, p. 737).
9 O Job (serviço) era composto de um conjunto de instruções de programas correspondentes a uma
tarefa computacional particular. Eram normalmente executados sem entradas do usuário durante
minutos, horas ou dias,
10 A esse tipo de processamento, onde um lote (batch) de programas era submetido ao computador,
deu-se o nome de processamento batch (Machado e Maia, 1992, p.20). A característica de um
sistema batch é a ausência de interação entre o usuário e o serviço enquanto este último está
sendo processado. O serviço é preparado e submetido à execução; algum tempo mais tarde
obtém-se o resultado (SILBERSCHATZ E GALVIN, 2000, p. 26/27).
20

2.1.3 – A década de 1960

Apesar de os sistemas desta década ainda serem de processamento em lote, os


recursos da máquina eram utilizados mais eficientemente e mais de um job poderia
ser executado ao mesmo tempo. Nesta década também foram desenvolvidos
sistemas que possibilitavam a interação de vários usuários ao mesmo tempo. O
tempo de processamento que antes demoram dias foram reduzidos a minutos ou até
segundos.

2.1.4 – A década de 1970

Nesta década os sistemas eram principalmente multimodais de programação que


suportavam processamento em lote, tempo compartilhado e aplicações de tempo
real. Neste período houve aumento da comunicação entre os computadores dos
Estados Unidos devido à ampla utilização do sistema de comunicação TCP/IP. Em
razão desse aumento da comunicação entre computadores aumentou também a
preocupação com a segurança o que levou a empresas a se preocuparem com a
criptografia11 dos dados que trafegavam pela rede. Nessa época começa a
revolução da computação pessoal com sistemas como o Apple 2.

11 Criptografia é o ato de codificar dados em informações aparentemente sem sentido, para que
pessoas não consigam ter acesso às informações que foram cifradas. Há varia usos para a
criptografia em nosso dia-a-dia: proteger documentos secretos, transmitir informações
confidenciais pela internet ou por uma rede local, etc. (TORRES)
21

2.1.5 – A década de 1980

Deitel et al (2005) descrevem assim as evoluções e revoluções ocorridas na década


de 1980.

Os anos 80 representaram a década do computador pessoal e da estação


de trabalho. A tecnologia do microprocessador evoluiu até o ponto em que
era possível construir computadores de mesa avançados (denominados
estações de trabalho) tão poderosos quanto os de grande porte de uma
década atrás. O personal computer na IBM lançado em 1982 e o
computador pessoal Apple Macintosh, em 1984, possibilitaram que
indivíduos e pequenas empresas tivessem seus próprios computadores
dedicados. Podiam-se utilizar recursos de comunicação para transmitir
dados rápida e economicamente entre sistemas. Em vez de levar dados a
um computador central, de grande porte, para processamento, a
computação era distribuída aos lugares onde necessária. Softwares como
programas de planilhas de cálculo, editores de texto, pacotes de bancos de
dados e pacotes gráficos ajudavam a dar impulso à revolução da
computação pessoal, criando demanda entre empresas que podiam usar
esses produtos para aumentar sua produtividade.

A utilização de computadores pessoais foi facilitada principalmente devido às


interfaces gráficas de usuário (GUI do inglês graphical user interface). Com a GUI a
interação do usuário com o programa dá-se através de símbolos gráficos como
janelas, ícones e menus. Guesser (2006, p.35) descreve como era a operação de
um computador antes da GUI.

Até essa fase, todos os sistemas operacionais eram muito complexos e


difíceis de serem operados. Exigiam um grande treinamento para que
usuário pudesse dispor das funções ainda bastante restritas de seus
microcomputadores. Os comandos eram estabelecidos por um conjunto de
códigos que deveriam ser memorizados pelo programador e pelo usuário.
Uma simples rotina num editor de texto era um trabalho tão fastidioso, que
muitas vezes era abandonado pelos menos motivados, que preferiam optar
pela velha máquina de datilografia. […]

Para Guesser (2006, p.37) a GUI facilitou consideravelmente a atividades dos


usuários comuns, pois não era mais necessário dispender tempo e recursos em
treinamentos de grande quantidade de comandos. Ainda segundo este autor, as
22

interfaces gráficas se caracterizam por aquilo que se passou a chamar de ambientes


de janelas (windows), numa metáfora à grande janela representada pela tela do
monitor.

Nesta década ocorreu a proliferação de aplicações de correio eletrônico,


transferência de arquivos e acesso a banco de dados remotos

2.1.6 – A década de 1990

Nos anos 1990 o desempenho dos componentes de hardware evoluiu


exponencialmente. Em razão desse avanço, no final da década um computador
pessoal típico podia executar diversas centenas de milhões de instruções por
segundo e armazenar mais de um gigabyte de informação em um disco rígido;
alguns supercomputadores podiam executar mais de um trilhão de operações por
segundo. Com o barateamento da capacidade de armazenamento e processamento
era possível executar programas complexos em computadores pessoais ao mesmo
tempo em que empresas de pequeno porte utilizassem essas máquinas para o
processamento extensivo de banco de dados e processamento que antes só era
possível em computadores de grande porte.

Foi nessa década que foi criada a World Wide Web que ocasionou acelerada
popularidade da computação distribuída. Segundo Deitel et al (2005, p.11)

Com a criação da World Wide Web e as conexões de internet cada vez mais
velozes, a computação distribuída tornou-se trivial nos computadores
pessoais. Usuários poderiam requisitar dados armazenados em lugares
remotos ou requisitar a execução de programas em processadores
distantes. Grandes organizações podiam usar multiprocessadores
distribuídos (redes de computadores contendo mais de um processador)
para aumentar a escala de recursos e melhorar a eficiência [...]

À medida que crescia a demanda por conexões com a Internet, o suporte a


sistemas operacionais para tarefas de rede tornava-se um padrão usuários
domésticos e empresas aumentavam sua produtividade acessando recursos
23

de redes de computadores. Todavia, ou aumento da conectividade levou a


uma proliferação de ameaças à segurança dos computadores. Projetistas
de sistemas operacionais desenvolveram técnicas para proteger
computadores contra esses ataques danosos.

Foi nos anos 1990 que a Microsoft dominou o mercado com o seu sistema
operacional Windows.

2.1.7 – O século XXI

Os autores destacam a importância da World Wide Web no século XXI, e segundo


afirmam ajudará a dar impulso ao movimento em direção a verdadeira computação
distribuída. Deitel et al destacam ainda que os sistemas operacionais estão
padronizando interfaces com o usuário e de aplicação para que se tornem mais
fáceis de usar e suportem um número maior de programas.

Deitel et Al (2005) destacam ainda que a computação em dispositivos móveis, como


telefones celulares, PDAs, irá se tornar mais comum a medida em que for equipada
com processadores cada mais poderosos. Comentam ainda que o fato de os
recursos desses dispositivos serem limitados pelo seu tamanho fará com que a
computação distribuída tenha importância ainda maior.

Ainda sobre a evolução dos sistemas operacionais no século XXI, Deitel et al (2005,
p.13) destacam:
Multiprocessadores e arquiteturas de rede estão criando numerosas
oportunidades de pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas de projeto
de hardware e software. Linguagens de programação seqüencial que
especificam uma computação por vez agora são complementadas por
linguagens de programação concorrente como a Java, que habilitam a
especificação de computações paralelas. […] Um número cada vez maior
de sistemas exibe paralelismo maciço, ou seja, possuem grandes
quantidades de processadores de modo que muitas partes independentes
das computações podem ser executadas em paralelo. Esse é o conceito de
computação drasticamente diferente da computação seqüencial dos últimos
60 anos.
24

CAPÍTULO 3 – PRINCIPAIS SISTEMAS OPERACIONAIS

O escopo deste trabalho é a utilização de sistemas operacionais por usuários


domésticos. Portanto, os sistemas operacionais apresentados a seguir são aqueles
utilizados nos computadores pessoais. Sistemas operacionais utilizados em
mainframes, estudos científicos ou outros fins ainda que dominantes e importantes
no segmento onde atuam não são aqui mencionados.

São três os sistemas operacionais mais importantes no segmento de computadores


pessoais: Windows, MAC OS X e GNU/Linux. Será apresentado a seguir um
histórico sobre cada sistema e suas principais características/recursos. Como este
trabalho indiretamente é sobre a dualidade Windows/Linux, este por ser livre e
aquele por ser incontestavelmente dominante no mercado, a apresentação sobre o
MAC OS X será menos detalhada.

3.1 – SISTEMA OPERACIONAL MS WINDOWS

3.1.1 – História

Conforme contam Deitel et al, a história do sistema operacional Windows começa


em 1981, com o lançamento pela Microsoft do sistema operacional MS-DOS 1.0. O
sistema executava um processo de cada vez a partir da entrada de usuário em uma
linha de comando, todos os programas executados tinham acesso tinha acesso
direto à memória principal. 1983 é ano de lançamento do MS-DOS 2.0 com suporte
a disco de maior capacidade e a disquetes de 360KB.

Em 1985 a Microsoft lançou o Windows 1.0 (fig. 1), com suporte a interface gráfica
25

que já constava com certa popularidade em razão de sua utilização dos


computadores Macintosh Apple. Segundo Deitel et al (2005), as molduras das
janelas desta versão do Windows não podiam ser sobrepostas, ou seja, ficam lado a
lado. CALORE (2008) afirma que a função de sobreposição de janelas não foi
implantada nessa versão devido a disputas jurídicas com a Apple.

Fig. 1 – Tela windows 1.01


Fonte: Petzold (2005)

O Windows 2.0 (fig 2) já trazia essa funcionalidade devido a assinatura de um


acordo de licença com a Apple (CALORE, 2008). Outras inovações desta versão era
suporte para modo protegido para programas, que embora deixasse o sistema mais
lento o tornava mais estável que o modo real12 (Deitel et al, 2005, p.665).

12 Um programa executado em memória real tem acesso a toda memória principal, inclusive a parte
que armazenava o sistema operacional.
26

Fig. 2 – Tela windows 2.0


Fonte: Cavalcante (2009)

No início da década de 1990, foi lançado o Windows 3.0, logo seguido pela versão
3.1(fig 3). Deitel et al descrevem as inovações desta versão (2005, p. 665).

Essa edição do sistema operacional eliminava completamente o inseguro


modo real. O Windows 3.1 introduziu um modo aperfeiçoado que permitia
que aplicações Windows usassem mais memória do que programas DOS. A
Microsoft também lançou o Windows for Workgroups 3.1, uma atualização
do Windows 3.1 que incluía suporte de rede, especialmente para redes
locais (LANs) que, naquela época, estava começando a ficar populares. A
Microsoft tentou aumentar a estabilidade do sistema no Windows tornando
13
mais rígida a verificação de parâmetros durantes as chamadas API ao
sistema; essas mudanças quebraram muitos programas mais antigos.

13 A API capacita programadores a requisitar serviços de sistema operacional, o que o livra de


escrever o código para realizar essas operações e habilita o sistema operacional a proteger seus
recursos.
27

Fig. 3 – Tela Windows 3.1


Fonte: Cavalcante (2009)

Devido ao sucesso do Windows nos computadores domésticos, a Microsoft resolveu


explorar também o mercado corporativo e começou um projeto para criação de um
sistema voltado especificamente para o ambiente de negócios. O desenvolvimento
do novo sistema operacional demorou cinco anos. O lançamento do produto ocorreu
14
em 1993 com o nome Windows NT 3.1. Com isso o Windows estava presente nos
computadores domésticos e corporativos. Embora a interface gráfica fosse parecida
entre as versões (doméstica/corporativa) o código base entre os dois sistemas era
diferente.

A versão do Windows lançada em 1995, não traz o número da versão e sim o ano de
lançamento. O Windows 95 (fig 4) introduziu o botão iniciar, que a partir daí esteve
presente em todas as versões que o sucederam (CALORE, 2008).

Em 1996, a Microsoft lançou nova versão do sistema operacional corporativo o


Windows NT 4.0 que oferecia segurança e suporte de rede adicionais bem como
trazia a interface gráfica do Windows 95, que fazia muito sucesso entre os usuários
domésticos.

14 NT do inglês New Tecnology


28

Fig. 4 – Tela do Windows 95


Fonte: Tarantelli (2009)

Três anos depois é lançado o Windows 98 (fig. 5), que segundo Calore (2008) era
mais um upgrade de estabilidade que um novo sistema operacional. O marco desta
versão foi a integração do navegador Internet Explorer ao sistema operacional,
responsável mais tarde por vários processos antitruste contra a empresa.
29

Fig. 5 – Tela do Windows 98


Fonte: Cavalcante (2005)

Voltado para o mercado corporativo foi lançado em 2000 o Windows 2000. Esta foi a
primeira versão do Windows a oferecer atualizações automáticas pela Internet,
segundo informa Calore (2008). Outras inovações desta versão, de acordo com
Deitel et al (2005, p.665), era a possibilidade de configurar contas de usuários e
computadores remotamente. Ainda segundo Deitel et al, esta foi a última versão do
Windows voltada exclusivamente para empresas. Na figura abaixo (fig 6) tem-se a
linha do tempo de lançamento das versões Windows para o mercado de consumo e
corporativo no qual é possível verificar os “caminhos” percorridos até se
encontrarem no Windows XP.
30

Fig. 6 – Linha do tempo Windows versão de consumo e corporativa.


Fonte: Microsoft Corporation (2003)

Para o mercado de consumo (usuário doméstico) o sucessor do Windows 98 foi o


Windows ME15. Segundo Deitel et al (2005, p.665) esta foi a última versão do
Windows exclusivamente para o mercado de consumo. Calore (2008np) faz o
seguinte comentário a respeito do Windows ME:

Nicknamed "Mistake Edition," this build of Windows was particularly


problematic. With infamous stability issues, Windows ME was released
quickly before Windows XP and given little support. The interface
inexplicably degraded with every new program installed, but the GUI was,
however, a pleasing step forward from Win 98, or even Win 2K, and
16
anticipated the potential of XP.

15 ME do inglês Millenium Edition


16 Tradução livre do autor: Apelidada de “Edição Errada” esta versão do Windows era muito
31

O Windows XP (fig 7) lançado em 2001 tornou, segundo Calore (2008np), o sistema


operacional mais palatável e acessível aos usuários menos experientes. Deitel et al
(2005) lembram que o XP marcou a integração dos códigos base das linhas de
consumo e corporativo.

O Windows XP unificou os códigos-base de consumo e comercial. O


sistema é apresentado em diversas edições, cada um das quais é
construída a partir do mesmo código-base mais adaptada para se ajustar as
necessidades de um grupo específico de usuários. Cada edição do
Windows XP combina estabilidade, a segurança e o suporte de rede da
linha corporativa com o suporte de multimídia e dispositivos da linha de
consumo [..] A Microsoft tentou atender melhor as metas tradicionais de
cada linha individual. Por exemplo, a linha corporativa sempre focalizou
mais a segurança e a estabilidade, enquanto a linha de consumo dava mais
destaque ao suporte multimídia para jogos (DEITEL ET AL, 2005, p.666).

Fig. 7 – Tela do Windows XP


Fonte: Autoria Própria (2010)

problemática. Muito instável, o Windows ME foi lançado pouco antes do Windows XP e teve pouco
suporte. A interface inexplicavelmente ficava pior a cada programa instalado, mas a GUI era um
avanço em relação a versão 98 e antecipava o potencial do XP.
32

O Windows XP foi sucedido pelo Windows é o Vista (fig 8) lançado em 2007. Joyce e
Moon (2007, p.7) afirmam que o Vista foi projetado para trabalhar para o usuário e
não para o usuário trabalhar para o Vista. Joyce & Moom (2007, p.24) fazem uma
breve apresentação dos recursos inovadores e deslumbrantes do Vista, porém
salientam que o sistema só faz aquilo que o hardware do computador suportar, ou
seja, ainda que o usuário compre, ou consiga por outros meios, a versão mais
completa do Windows (Windows Vista Ultimate17), nem todos os recursos que o
software possibilita estarão disponíveis se a configuração do hardware não suportar
tal recurso. Por enquanto a única solução para isso é um upgrade das configurações
de hardware do equipamento.

Calore (2008np) faz a seguinte análise do Windows Vista.

Released to consumers in January 2007 with great fanfare, Vista sported a


brand new GUI full of slick animations and transparencies. But it got mixed
reviews from the tech press and sales took a hit when manufacturers failed
to produce Vista-ready versions of their software and hardware in a timely
manner. Those buying new PCs got Vista – and its compatibility headaches
– pre-installed, but many Windows users decided to stay with the aging
18
Windows XP a little longer.

17 O Windows vista é comercializado nas seguintes versões: Home basic, Home Premium, Business,
Enterprise e Ultimate.
18 Tradução livre do autor: Lançado com grande estardalhaço em janeiro de 2007, o Vista trouxe uma
nova GUI com animações agradáveis e transparências. Mas teve críticas não muito boas da
imprensa especializada e as vendas caíram devido a demora dos fabricantes de hardware e
software em produzir equipamentos/programas compatíveis. Muitos consumidores que compraram
PC com Vista pré-instalado fizeram downgrade para o velho XP devido aos problemas de
compatibilidade
33

Fig. 8 – Tela do Windows Vista


Fonte: Autoria Própria (2010)

A versão mais recente do Windows, chamada de Windows 7, foi lançada


comercialmente em 22 de outubro de 2009. Diferentemente de sua antecessora,
esta versão foi bem aceita pela crítica e consumidores.

O Windows 7 traz uma interface gráfica melhorada, a barra de tarefas foi re-
estilizada, e acessórios tradicionais do sistema, como o Notepad e Paint, que até o
Vista tinha a mesma interface da versão 3.x, foram modernizados. Uma novidade da
versão é o suporte a telas touch screen.
34

Fig. 9 – Tela do Windows 7


Fonte: Autoria Própria (2010)

3.2 – GNU/LINUX

O GNU/Linux é um sistema operacional que tem a mesma função do já conhecido


Windows e hoje é tão fácil de operar quanto qualquer outro sistema (TEXEIRA.
2008, p.8). Já Silberschatz e Galvin (2000) salientam que o sistema é muito
parecido com qualquer outro Unix e, de fato, a compatibilidade com o Unix tem sido
um dos objetivos básico de seu projeto.

3.2.1 – Linux ou GNU/Linux


35

Embora o sistema seja mais conhecido como simplesmente Linux, existe no mundo
do software livre uma batalha sobre como o sistema deveria ser chamado. Campos
(2008) ressalta que a questão tem sido objeto de intensos debates há anos, sem que
um posicionamento geral e definitivo seja alcançado.

19
A Free Software Foundation afirma que a denominação correta do sistema é
GNU/Linux. Richard Stallman, fundador da Free Software Foundation e do projeto
GNU, faz a seguinte defesa a respeito deste nome.

Atualmente muitos usuários de computador utilizam, ainda que não saibam,


uma versão modificada do sistema GNU. Devido a vários fatores peculiares, a
versão do GNU largamente utilizada é freqüentemente chamada "Linux", e
muitos usuários não se dão conta de que na verdade trata-se basicamente do
sistema GNU, desenvolvido pelo projeto GNU. Existe realmente um Linux, e
as pessoas o estão utilizando, mas ele é apenas uma parte do sistema que
estão usando. Linux é o kernel: o programa no sistema que aloca recursos de
maquina para outros programas que você roda. O kernel é parte essencial de
um sistema operacional, mas sem utilidade por si só; ele funciona apenas no
contexto de um sistema operacional completo. O Linux é normalmente
utilizado combinado com o sistema operacional GNU: todo o sistema é
basicamente o GNU com o Linux acoplado, ou GNU/Linux. Todas as assim
chamadas distribuições "Linux" são na verdade distribuições do GNU/Linux.
[...] Se tentássemos medir a contribuição do projeto GNU, a que conclusão
chegariamos? Uma organização constatou que no CD-ROM de sua
"Distribuição Linux", o maior contingente era de software GNU, cerca de 28%,
entre eles alguns componentes essenciais sem os quais não haveria nenhum
sistema operacional. O Linux propriamente dito representava apenas 3%. [...]
Então se você tiver que escolher um nome para o sistema tomando como
base quem escreveu os programas do sistema, a escolha mais apropriada
20
seria "GNU". (STALLMAN, 2009np)

Já Linus Torvalds21, segundo Campos (2008), acredita que o nome “GNU LINUX”
seria apropriado a uma distribuição Linux criada e mantida pelo projeto GNU.

Steve Oliver, articulista do sítio http://xercestech.com, é um dos muitos que


defendem a adoção apenas do termo Linux. Oliver (2009np) encerra o artigo LINUX,
not GNU/Linux, com o seguinte argumento:

19
Free Software Foundation é uma entidade sem fins lucrativos cuja missão é promover liberdade
para os usuários de computador e defender os direitos dos usuários de software livre.
20
Tradução livre do autor.
21
Criador do Linux
36

Nós já temos uma marca, Linux. Ela é facilmente reconhecida, a maioria dos
admistradores de sistema sabe o que é o Linux, muitas companhias
conhecem suas vantagens e um número crescente de usuários estão usando
uma distribuição deste sistema ao qual chamam de Linux. É fácil de falar,
comparado com GNU/Linux ou mesmo GNU. (...) Neste momento, Linux é o
22
nome de facto de todo o sistema, e deve ser aceito .

Este trabalho usa a denominação GNU/Linux, endossando a argumentação de


Medina (2009np):

Hoje o que vivemos, bem ou mal, é parte do sonho de Richard Stallman. A


colaboração, a criação de uma nova comunidade e toda a livre distribuição
dos programas, resultando nesta incrível (r)evolução na forma de
entendermos o software. A inexistência das ações dele com respeito ao SL
não permitiria a chegada ao ponto atual. Tudo isso só ocorreria daqui a vários
anos e talvez fosse morto no berço por patentes de software ou outras coisas
do tipo.

3.2.2 – O Sistema GNU

A filosofia de um sistema operacional GNU é o de um sistema composto unicamente


de software livre, que seja upward-compatible23 com o Unix. Segundo Guesser
(2006) GNU é um acrônimo recursivo da frase “GNU is Not Unix”. Gnu, também é o
nome inglês de um animal mamífero (antílope) que vive solte nas savanas da África
e nunca pode ser domesticado, do qual deriva esta característica de “livre”.

Os parágrafos seguintes deste subitem têm como fonte de referências sítios da


internet especializados, sobretudo o www.gnu.org, mantido pela Free Software
Foundation.

O projeto para desenvolver o sistema GNU, chamado Projeto GNU, foi concebido

22
Tradução livre do autor.
23 Upward-compatible refere-se ao hardware ou software que seja compatível com futuras versões
do produto. Quando se diz que um produto é upward-compatible está se declarando a intenção de
que as futuras versões dele serão desenvolvidas para serem compatíveis com versão atual. Fonte:
<http://www.yourdictionary.com/computer/forward-compatible>
37

em 1983 como uma forma de, segundo seus fundadores, trazer de volta o espírito de
cooperação dos primórdios da computação. Anteriormente a maioria dos programas
era livre, softwares livres eram distribuídos pelas companhias e os programadores
tinham liberdade para cooperarem uns com os outros alterando e modificando os
programas. Por volta de 1980, a maioria dos programas já era proprietária o que
acabou por proibir à cooperação entre os programadores, pois os proprietários dos
direitos autorais do software não forneciam acesso ao código fonte e proibia sua
alteração por terceiros.

O trabalho de desenvolvimento do sistema operacional GNU teve início em janeiro


de 1984. No ano seguinte foi criada a Free Software Foundation com objetivo de
angariar fundos para o projeto de desenvolvimento do sistema.

No início da década de 1990 a maioria dos componentes do sistema operacional


GNU estava pronta, exceto o Kernel. Embora tenha começado a escrever seu
próprio kernel, chamado Hardu, o projeto GNU enfrentava grande dificuldade para
sua conclusão. Em 1991 Linus Torvalds, escreveu o Linux, um Kernel Unix-like24. Em
1992, Torvalds declarou o Linux como software livre. Com isso foi possível combinar
os componentes do sistema GNU já prontos com o Kernel do Linux resultando num
completo sistema operacional, o sistema GNU/Linux.

Pelo fato do Linux original conter blobs25, os entusiastas do software livre mantêm
uma versão modificada do Linux apenas com programas livres.

24 Unix-like: o termo é utilizado para descrever sistemas operacionais que tem muitas características
do Unix original. Um sistema Unix-like possui as seguintes características: i) é derivado direto do
código original Unix; ii) inclui programas com comportamento e funcão similar ao Unix original,
mas com código fonte diferente; iii) possui todas ou a maioria dos recursos e melhorias
implementadas no Unix pela University of Califórnia at Berkeley. Fonte: <http://www.linfo.org/unix-
like.html>
25 Blobs são códigos proprietários presentes dentro do código do kernel do Linux. A função principal
deste blobs é permitir o funcionamento de hardware, a exemplo de placas de vídeo e de redes
wireless. Em outras palavras, o fabricante de determinado hardware oferece suporte (firmware) a
ele no Linux, mas libera o acesso ao código fonte do Linux. Fonte:
<http://blogs.techrepublic.com.com/opensource/?p=304>
38

3.2.3 – Linux (o kernel)

De acordo com Teixeira (2008) o nome Linux surgiu da mistura de Linus + Unix.
Linus é o nome do criador do Linux e Unix é o nome de um sistema operacional do
qual o Linux se originou. Portanto, não se pode falar da história do Linux sem antes
falar sobre a origem do Unix.

O Unix, segundo Welsh e Kaufman (1997), foi originalmente desenvolvido como um


sistema de multitarefas para minicomputadores e mainframes. Silberschatz e Galvin
(2000) contam que a primeira versão do Unix foi desenvolvida em 1969, por Ken
Tompson, no Bell Laboratories Research Group com a ajuda mais tarde de Dennis
Ritchie. Este havia trabalhado no projeto de desenvolvimento de outro sistema, o
MULTICS, que inclusive influenciou o Unix, mesmo o nome Unix é derivado de
MULTICS, anteriormente o sistema chamava-se Unics.

No início da década de 1970 foi desenvolvida a Linguagem C de programação na


Bell Laboratories para o desenvolvimento no Unix. A terceira versão do Unix teve
grande parte do código refeita nesta linguagem.

Ainda de acordo com Silberschatz e Galvin (2000), ao longo do seu desenvolvimento


o Unix tornou-se muito utilizado na Bell Laboratories e espalhou-se, gradualmente,
por algumas universidades. Sendo a versão 6 a primeira amplamente distribuída fora
da entidade. Sobre a adoção do sistema fora da Bell Laboratories, os autores
comentam:

A pequena dimensão, a modalidade e o projeto simples dos primeiros


sistemas Unix estimularam sua utilização em inúmeras organizações
voltadas para a pesquisa em computação, tais como Rand, BBN,
Universidade de Illinois, Harvad, Purdue e mesmo a DEC. O grupo mais
influente no desenvolvimento de sistemas Unix fora da AT&T e da Bell
Laboratories foi da Universidade da Califórnia, em Berkeley. […] o sistema
evoluiu de um projeto pessoal, de dois funcionários da Bell Laboratories,
para um sistema operacional que vem sendo definido por órgãos de
padronizações multinacionais. [...] O sistemas operacionais Tunis, Xinu e
Minix são baseados em conceitos do Unix, mas foram desenvolvidos com
objetivos de ensino. (SILBERSCHATZ E GALVIN, 2000),
39

Por fim, os autores comentam que à medida que a popularidade do Unix crescia, ele
foi transportado para operação em vários computadores e em com vários sistemas
de computação.

Deitel et Al (2005, p.606) contam como foi a origem do Linux:

Em 1991, Linus Torvalds, um estudante de 21 anos da Universidade de


Helsinque, Finlândia, começou a desenvolver o núcleo do Linux como um
26
passatempo. Torvalds desejava aprimorar o projeto do Minix . […] O
código-fonte do Minix, que serviu de ponto de partida para o projeto do
Linux de Torvalds, estava disponível publicamente para que professores
pudessem demonstrar a seus estudantes conceitos básicos de
implementação de sistemas operacionais. Nos primeiros estágios de
desenvolvimento, Torvalds procurou orientação com quem estava
familiarizado com o sistema sobre as deficiências do Minix; em seguida,
projetou o Linux com base nessas sugestões e realizou esforços adicionais
para envolver a comunidade de sistemas operacionais em seu projeto. Em
setembro de 1991, ele liberou a primeira versão (0.01) do sistema
operacional anunciado a disponibilidade do seu código-fonte para um grupo
de discussão do Minix.

De acordo com Welsh e Kaufman (1997), essa primeira versão do Linux só tinha
noções básicas da fonte do kernel e pressupunham que o usuário teria uma
máquina Minix para compilá-la e executá-la.

Uma comunidade de desenvolvedores espalhados pelo mundo se formou e


começou a testar, sugerir e construir melhorias pra o projeto do Linux. Essas
contribuições eram submetidas a Linus, que as analisava e as consideradas boas
eram aproveitadas no projeto. Algumas vezes Linus aproveitava apenas a idéia
contida nos códigos recebidos, descartava esses códigos por considerá-los confusos
ou mau implementados e construía outros.

Finalmente após várias versões nomeadas 0.x, destinada basicamente a


comunidade de desenvolvedores, foi lançada em 1994 a versão em 1.0 do Linux que
trazia muitas características comumente encontradas em sistemas operacionais
maduros, tais como multiprogramação, memória virtual, carregamento sob demanda
e rede TCP/IP. Estas seriam funcionalidades necessárias para tornar o Linux uma

26 Minix: sistema operacional criado pelo professor Andrew S. Tanembaum, da Vrije Universiteit, de
Amsterdã,
40

alternativa viável ao sistema operacional licenciado Unix (DEITEL et al, 2005, p.206).

Deitel et al (2005) ressaltam que apesar da gratuidade, o Linux era de instalação e


configuração complexa. A fim de tornar mais amigável à instalação e configuração do
sistema, instituições acadêmicas, organizações e algumas empresas criaram
distribuições do Linux.

As distribuições incluíam software com kernel do sistema, aplicações sistema


(gerenciamento de contas de usuário, gerenciamento de rede e ferramentas de
segurança) e aplicações de usuário (GUI, navegadores WEB, editores de texto,
aplicações de e-mail, banco de dados e jogos) e ferramentas para simplificar o
processo de instalação (DEITEL ET AL, 2005).

Com a ajuda de milhares de desenvolvedores espalhados pelo mundo que


contribuíram com conceitos e correção de erros a versão 2.0 do Linux foi lançada
em 1996.

A versão 2.2 do Linux, liberada em 1999, já contava com suporte a USB, CD-RW e
gerenciamento avançado de energia, visando ao mercado de computadores de
mesa.

Dois anos mais tarde foi liberada a versão 2.4. Para suportar hardwares mais novos
bem como dar maior suporte aos já existentes vários subsistemas do kernel foram
modificados e alguns deles completamente re-escritos (DEITEL ET AL, 2005).

A versão atual do Linux é a 2.6, que tem como foco a escalabilidade 27, a
conformidade aos padrões e as modificações de subsistemas do kernel para
melhorar o desempenho.

Em 09 de junho de 2009 foi lançada a versão 2.6.30 do Linux. A respeito do sistema

27 Escalabilidade Capacidade que determinado equipamento possui para receber implementações


evitando que se torne obsoleto ou deixe de atender às necessidades do usuário. Podem incluir,
por exemplo, aumento de quantidade de memória, troca de discos ou processador, entre outros.
Disponível em <http://dicionariodainternet.com.br/cgi-bin/wiki.pl?Escalabilidade> acesso em
16/08/2009.
41

de numeração de versões do sistema, Deitel et al (2005) trazem a seguinte


informação:

A medida que o desenvolvimento do núcleo progredia, o projeto adotou um


esquema de numeração de versões. O primeiro dígito representa o número
principal da versão, que é incrementado segundo a vontade de Torvalds
para cada núcleo liberado que contenha um conjunto de características
significativamente diferente do conjunto da versão anterior. O número
secundário da versão (o dígito logo após o ponto decimal) pode ser par ou
ímpar. Núcleos descritos por um número secundário par, como 1.0.9, são
considerados liberações estáveis, enquanto um número secundário ímpar,
como o 2.1.6, indica a versão de desenvolvimento. O dígito que se segue ao
segundo ponto decimal é incrementado para cada pequena atualização do
núcleo.

3.2.4 – Ambientes gráficos

Diferente do Windows ou Mac OS X, que traz uma interface gráfica padrão e


personalizável, composta de uma GUI, o Linux é apenas o núcleo do sistema
operacional e não impõe uma interface padrão ao usuário (DEITEL ET AL, 2005).
Mas isto não significa que seja verdadeira “a lenda urbana” de que no Linux só se
trabalha com linha de comando numa telinha escura. E ai que entram as interfaces
gráficas que, simplificando muito, deixa o Linux parecido com os outros sistemas
operacionais.

A integração núcleo do Linux e interfaces gráficas é explicada por Deitel et al (2005,


p.606) no trecho abaixo:

[…] há diversas GUIs disponíveis gratuitamente. […]. As mais encontradas


em sistemas Linux são compostas de diversas camadas. Na maioria dos
sistemas Linux, a camada mais inferior é a X Window System, uma interface
gráfica de baixo nível […]. a X Window System fornece os mecanismos
necessários para que as camadas mais altas criem e manipulem janelas e
outros componentes gráficos. A segunda camada da GUI é o gerenciador de
janela, que aproveita mecanismos da interface X Window System para
controlar a busca, a aparência, o tamanho e outros atributos de janelas.
Uma terceira camada opcional é chamada ambiente de mesa. Os
28
ambientes de mesa mais populares são o KDE (K Desktop Environment) e
o GNOME (GNU Network Object Model Environment). Ambientes de mesa
tendem a oferecer uma interface de gerenciamento de arquivo, ferramentas

28 Oficialmente o K da sigla KDE não significa nada, sendo apenas a letra que precede o L de Linux.
42

para facilitar acesso a aplicações e utilidades comuns e um conjunto (suite)


de software que normalmente inclui navegadores web, editores de texto e
aplicações de e-mail.

A seguir uma descrição dos ambientes de mesa mais populares do Linux.

3.2.4.1 – KDE

De acordo com Alecrim (2006), o KDE pode ser considerado um ambiente gráfico,
pois tem recursos que permite a visualização de imagens, vídeos, animações, entre
outros, bem como a interação com o computador através de mouse, teclado e outros
periféricos. Alecrim (2006) também o considera um gerenciador de janelas, ou seja,
o KDE também é uma ferramenta que determina o tamanho e formato de janelas,
botões, ícones, etc. Por fim, o autor também o considera um ambiente de desktop,
ou ambiente de mesa, pois oferece aplicativos muito úteis como editor de texto
Kword (parte do Koffice, uma suite de escritórios que equivaleria ao MS-Office para
Windows), o navegador de internet Konqueror, leitor de PDF e outros utilitários.

A interface do KDE é bastante personalizável, é possível facilmente trocar, ícones,


reconfigurar menus, trocar bordas de janelas, botões, cores, etc. Os usuários
encontram em sítios na internet que oferecem combinações gráficas para download
gratuitamente. Alecrim (2006) afirma que devido ao fato de ser extremamente
personalizável é difícil encontrar desktops com KDE exatamente iguais. Uma
oposição ao Windows XP, que tirando a personalização do papel de parede, a
maioria dos usuários não altera nada no sistema.

Graças à enorme capacidade de personalização é possível deixar o KDE com a cara


dos concorrentes Windows e MAC OS X, o que pode facilitar na transição de
usuários acostumados estes sistemas para o Linux.

O KDE também permite múltiplas áreas de trabalho, característica clássica do Linux.


43

Por meio dela é possível acessar mais de uma área de trabalho no sistema,
alterando entre elas através de botões na barra do KDE.

Conforme conta Alecrim (2006), Matthias Ettich, um programador alemão usuário do


Unix e insatisfeito com suas interfaces deu início ao projeto KDE em outubro de
1996 junto com um grupo de desenvolvedores.

A versão 1.0 do KDE (fig. 10) foi lançada em 12 de julho de 1998 e já contava com
barra de tarefas, um gerenciador de arquivos e vários aplicativos. Dois anos mais
tarde foi lançada a versão 2.0, totalmente re-escrita e tinha como principalmente
novidade o Konqueror um gerenciador de arquivos e navegador Web.

Fig. 10 – Tela do KDE 1.0


Fonte: Tarantelli (2009)

Entre as novidades da versão 3.0 do KDE, lançada em 2002, estavam efeitos novos
na interface, um centro de Controle muito mais amigável ao usuário e homogêneo.

Em novembro de 2005, foi lançada a versão 3.5 do KDE. A nota de lançamento da


44

versão dizia que muitas características tinham sido adicionadas ou refinadas


fazendo o KDE o mais completo, estável e integrado ambiente de desktop livre.

Fig. 11 – Tela do KDE 3.5


Fonte: Autoria Própria (2010)

Em janeiro de 2008, foi lançada a versão 4.0 do KDE. Segundo Morimoto (2008np):

O KDE 4 representa uma grande mudança de paradigma em relação ao


KDE 3.5, trazendo mudanças fundamentais na maneira como o desktop se
comporta e é organizado. Ele começou com o pé esquerdo, com o
lançamento do KDE 4.0, que apesar de ser considerado uma versão de
testes, acabou ganhando status de versão oficial, sendo incluído em
diversas distribuições e chegando aos usuários finais, que passaram a ter
problemas diversos e a criticar o novo ambiente. As críticas se estenderam
à imprensa e ganharam força com comentários ásperos até mesmo de
muitos usuários antigos. De certa forma, a recepção do KDE 4 foi parecida
com a do Windows Vista. O 4.0 foi seguido pelo KDE 4.1, uma versão mais
funcional, com menos bugs óbvios e uma interface mais consistente.

Atualmente o KDE 4, está na versão 4.3 (fig. 12), lançada em 04 de agosto de 2009,
muito mais estável que 4.0, e com correção de milhares de falhas. Segundo Oliveira
45

(2009) dois conceitos marcam a versão 4.3 do KDE correções e velocidade. Para o
autor esta versão poderá marcar o início de um KDE mais usável e livre de algumas
falhas que no início impediram que alguns utilizadores da versão 3.x do KDE
iniciassem a sua migração.

Fig. 12 – Tela do KDE 4.3


Fonte: Autoria Própria (2010)

3.2.4.2 – O Gnome

Tal qual o KDE, o Gnome é um das duas interfaces gráficas mais utilizadas no
GN/Linux. Perguntar em grupo de discussão de usuários GNU/Linux qual das duas
interfaces é a melhor, geralmente acaba em empate, ou pelo menos ninguém se
declara perdedor, após cada um ressaltar as qualidades de sua interface preferida e
os defeitos da outra. Os mais sensatos, no entanto, sabem que das duas a melhor é
que melhor se adéqua as necessidades do usuário, e ponto final.
46

Alecrim (2006) destaca que além de trabalhar com todos os recursos gráficos, o
Gnome também oferece um ambiente de desktop completo, isto é, disponibiliza
aplicativos para diversas finalidades (como jogos, editores de texto, planilhas,
gerenciados de arquivos, manipuladores de imagens, ferramentas para redes, etc),
controla recursos do computador, entre outros recursos.

Assim como o KDE a interface do Gnome também é totalmente personalizável: é


possível alterar ícones, cores, fontes, formatos de janelas, posição de menus, etc. E
assim como seu concorrente também é possível encontrar sítios na internet que
oferecem mais opções de personalização.

O projeto do Gnome foi iniciado em 1997 pelo mexicano Miguel de Icaza e a


primeira versão, o Gnome 0.10, foi lançada em dezembro do mesmo ano (ROCHA,
2008). De acordo com o autor, partir de 1998, várias empresas começaram a dar
apoio ao projeto de desenvolvimento da nova interface gráfica, sendo a primeira a
Hed Hat, uma empresa de desenvolvimento de uma distribuição Linux. No ano 2000,
foi criada Gnome Foundation, cujo objetivo era garantir que o projeto não se
desviasse de seu escopo nem fugisse de suas metas fundamentais.

A versão 1.0 do Gnome (fig. 13) foi lançada em 1999. O Lançamento ocorreu
durante a Linux World Expo, em San José, Califórnia.

Fig. 13 – Tela do Gnome 1.0


Fonte: Tarantelli (2009)
47

Em junho de 2002, foi lançada a versão 2.0 do Gnome. Icaza apud Ney (2002np)
comenta sobre a versão:

O projeto GNOME 2.0 é o ponto mais alto de um grande esforço que teve o
duplo objetivo de melhorar dramaticamente a produtividade do
desenvolvedor e aprimorar significativamente a experiência do usuário. O
resultado é um ambiente desktop novo, elegante e multi-plataforma para os
usuários individuais, corporativos e de governos em todo o mundo.

Data de setembro de 2009, a última versão do Gnome, a 2.28 (fig. 14). Na página do
projeto, é dito o foco do GNOME nos usuários e na usabilidade continua na versão
2.26, com suas centenas de erros corrigidos e melhorias implementadas

Fig. 14 – Tela do Gnome 2.28


Fonte: Autoria Própria (2010)
48

3.2.5 – Distribuições

De acordo com Morimoto (2008), no começo instalar o Linux era uma tarefa ingrata.
Tudo que existia era o código fonte do Kernel que precisava ser compilado e
combinado com outros utilitários e bibliotecas para que se tivesse um sistema
operacional funcional. Até que, conforme conta o autor, chegaram à conclusão que
seria mais fácil distribuir versões já compiladas do sistema que pudesse ser
instalada diretamente. Assim surgiram as primeiras distribuições Linux. Segundo
Deitel Et Al, essas distribuições incluíam o núcleo, aplicações e interfaces de
usuários, assim como ferramentas e acessórios.

O trecho abaixo complementa o conceito de distribuição Linux.

Atualmente existem cerca de 300 distribuições disponíveis, cada uma


oferecendo uma variedade de características. Distribuições amigáveis aos
usuários e ricas em aplicações são populares entre os usuários - em geral
incluem uma GUI intuitiva e aplicações de produtividade, como
processadores de texto, planilhas e navegadores Web, distribuições são
comumente dividas em pacotes, cada uma contendo uma única aplicação
ou serviço. Usuários podem personalizar um sistema Linux instalando ou
eliminando pacotes, seja durante o processo de instalação, seja durante a
execução (DEITEL ET AL, 2006).

Segundo Morimoto (2009) o número de distribuições já passa de 500 se se contar


apenas as ativas. Porém desse total 98% são apenas personalizações de outras
distribuições já existentes. De acordo com o autor, existem menos de 10
distribuições principais das quais as outras são derivadas. Essas distribuições
seriam: Debian, Red Hat/Fedora, Mandriva, Ubuntu, Slackware, Gentoo, Suse.

Consultando o sítio http://distrowatch.com/dwres.php?resource=independence, em


16/08/2009, percebe-se que o Debian é distribuição com maior número de
"descendentes", 129, seguida pela Fedora com 63. No entanto, a distribuição ocupa
apenas o quinto lugar entre as distribuições mais populares de acordo com ranking
dos últimos doze meses, disponível no sítio mencionado. A distribuição mais popular,
segundo esse ranking é o Ubuntu (derivado do Debian), seguida pelo OpenSuse,
Mint e Fedora.
49

3.3 – MAC OS X

Sem dúvida alguma, o MAC OS X é uma realização técnica incrível. Na realidade,


esse pode ser o sistema operacional de computador pessoal mais avançado do
mundo, assim Pogue (2003), descreve o MAC OS X. O Mac OS X29 é o sistema
operacional dos computadores da Apple. Pogue (2003) faz a seguinte descrição do
sistema operacional:

Por baixo do magnífico, vislumbrante e translúcido desktop do MAC OS


X(fig. 15) está o Unix, o software sólido como a rocha, de peso industrial,
que controla muitos sites Web e universidades. Ele não é novo, de forma
alguma, na verdade, ele já existe há décadas, e foi polido pelas gerações de
programadores. É exatamente por isso que Steve Jobs e sua equipe o
escolheram como base para o sistema operacional NeXT (no qual) Jobs
trabalhou durante seus doze anos longe da Apple), que a Apple comprou
em 1997 para se transformar no MAC OS X.

Fig. 15 – Tela do Mac OS X Leopard


Fonte: Tarantelli (2009)

29
Pogue (2003) ressalta que a pronúncia correta do “X” em Mac OS X é "dez".
50

O tataravô do MAC OS X foi o Apple I, lançado em 1980. Segundo Morimoto


(2009np), o Apple I era basicamente uma placa com chips instalada em uma caixa
de madeira feita artesanalmente. O equipamento era ligado a uma TV e as fitas K7
eram utilizadas para armazenamento de dados e programas.

O sistema já tinha uma interface gráfica (Fig. 16), apesar de monocromática e o


mouse já funcionava.

Fig. 16 – Tela do Apple I


Fonte: Tarantelli (2009)
51

CAPÍTULO 4 – SOFTWARE LIVRE E SOFTWARE PROPRIETARIO

4.1 – SOFTWARE LIVRE

De acordo com a Free Software Foundation, software livre é aquele que o usuário
pode executar, copiar, distribuir, estudar, modificar e melhorar. Dentro da filosofia de
software livre elaborada pela fundação, o usuário de software livre tem direito a
quatro liberdades fundamentais:

 Liberdade 0: Liberdade de executar o programa, para qualquer finalidade;


 Liberdade 1: Liberdade para estudar como o programa funciona, e modificá-lo
de acordo com suas necessidades. O acesso ao código fonte é precondição
para isto;
 Liberdade 2: Liberdade par redistribuir cópias de maneira que você possa
ajudar outras pessoas;
 Liberdade 3: Liberdade para melhorar o programa, lançar versões melhoradas
e/ou modificadas do programa para que toda comunidade possa se beneficiar
dessas modificações.

Um programa será um software livre se o usuário tiver todas as liberdades acima.


Dessa forma, o usuário é livre para redistribuir cópias, com ou sem modificações,
grátis ou cobrando uma taxa pela distribuição, para qualquer um e em qualquer
lugar. Ser livre para fazer tudo isso significa, entre outras coisas, que o usuário não
precisa pagar ou pedir permissão a nenhuma pessoa ou entidade.
52

4.1.1 – Software Livre ou Software Gratuito

Software Livre e Software gratuito não são, de acordo com a filosofia de software
livre da Free Software Foundation, a mesma coisa. A filosofia software livre não
proíbe a cobrança de taxas pela utilização ou venda de cópias de software
considerado livre pela Free Software Foundation.

O termo free é inglês significa também grátis, o que facilita a confusão e faz com que
muitos pensam que software livre é sinônimo de software grátis. O termo livre (free),
de acordo com a Fundação, deve ser entendido como a liberdade para utilizar,
modificar e redistribuir e não de preço.

4.1.2 – A Licença GPL

Para evitar que pessoas mal intencionadas se apropriassem de código fonte de


software livre fizessem alteração nos códigos e depois o tornasse proprietário, a
Free Software Foundation criou a Licença Pública Geral, GPL em inglês, também
conhecida como copyleft em contraposição ao copyright (SILVEIRA & CASSIO,
2003, p. 36/37). Ainda segundo estes autores a GPL é a garantia de que os esforços
coletivos não serão indevidamente considerados propriedade de alguém.

De acordo com Silveira & Cássio (2003, p.45), o princípio básico da GPL é:

Garantir que qualquer modificação implementada em um software regido


pelo GPL, e que seja distribuída, tenha que ser acessível à comunidade.
Isso impede que produtos comerciais sejam feitos tirando proveito do
Software Livre sem colaborar com as melhorias implementadas. [...] Outro
requisito da GPL para que haja divulgação do código é haver distribuição do
software.
53

Além da GPL existem outras licenças de software livre, mais ou menos liberais. De
acordo Moreira (2006np), os tipos mais utilizados, além da GPL, são:

LGPL (Library ou Lesser General Public License) – É uma variação da GPL


que permite ao desenvolvedor usar bibliotecas livres (onde estão disponíveis
códigos prontos que podem ser utilizados para facilitar a criação de um novo
programa) em um software proprietário, sem ter que abrir o código da sua
própria aplicação. Na prática, esse tipo de licença permite que o programador
aproveite códigos livres para criar um programa fechado. BSD (Berkeley
Software Distribution) – Criado na Universidade da Califórnia, Berkley, esse
modelo de licença é utilizado em muitos programas, inclusive uma versão do
Unix e o próprio BSD Software, que deu origem à licença. Tem menos
restrições do que a GPL e está bastante próxima do conceito de domínio
público. MPL (Mozilla Public License) – Considerado liberal em termos de
copyleft, (...) determina que códigos copiados ou modificados sob os termos
da MPL devem permanecer sob a MPL. No entanto, podem ser combinados
em um software proprietário MIT (Massachusetts Institute of Technology)
License – Originária do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, assegura
a permissão, sem custo, de que qualquer pessoa obtenha o software bem
como seu código fonte, sem limites de uso, cópia, modificações, junções,
publicações, distribuições e/ou venda de cópias do produto, garantindo os
mesmos direitos a quem o adquire.

Moreira (2006) afirma que o que diferencia cada modalidade de licenciamento


é justamente o que o programador deve e pode fazer após ter acesso a um
código fonte.

4.2 – SOFTWARE PROPRIETÁRIO

A Free Software Foundation conceitua software proprietário como aquele software


que não é livre ou é parcialmente livre. O uso, redistribuição ou modificação é
proibida ou é necessária permissão, ou as restrições existentes impossibilitam que
se faça isso livremente.

Da mesma forma que o software livre, o software proprietário também pode ser
obtido gratuitamente ou comprado. Um software proprietário distribuído
gratuitamente é comumente chamado de freeware.
54

CAPÍTULO 5 – ANÁLISE DA PESQUISA

5.1 – APRESENTAÇÃO

A pesquisa foi realizada utilizando-se a ferramenta de pesquisa Surveygizmo. A


Widgix, LLC, proprietária da Surveygizmo, apresenta-a como uma ferramenta on-line
que permite a elaboração de pesquisas, coleta e análise de dados30.

O questionário de pesquisa era composto de 29 questões. As cinco primeiras


questões, com perguntas sobre faixa etária, sexo, escolaridade e local de residência,
procuravam conhecer o entrevistado. Ainda com este intuito, as cinco questões
seguintes eram sobre seus aspectos profissionais, por exemplo, tempo de empresa,
cargo, atividades desempenhadas utilizando-se o computador, etc. As questões
seguintes eram sobre a impressão/opinião do entrevistado a respeito do sistema
operacional instalado em sua estação de trabalho: dificuldade de adaptação,
desempenho comparado com outros softwares. Entre as questões 15 e 22, inclusive,
procurou-se descobrir sobre a experiência do entrevistado com o computador
pessoal em sua residência: sistema operacional instalado, principal utilização do
computador e da internet, principais programas instalados, etc. As questões finais
procuram investigar a experiência e/ou opinião do participante da pesquisa a
respeito do sistema operacional GNU/Linux, incluindo duas perguntas a respeito da
pirataria do sistema operacional MS Windows.

O público alvo da pesquisa foram funcionários de uma empresa de economia mista,


de atuação em todo território nacional. O total de colaboradores da empresa no final

30 Apresentação da ferramenta Surveygizmo constante no endereço eletrônico


http://www.surveygizmo.com/company/about/: SurveyGizmo is the main product of Widgix, LLC,
(...). SurveyGizmo is an online survey software tool for designing online surveys, collecting data
and performing analysis. Our tool supports a variety of online data collection methods including
online surveys, online quizzes, questionnaires, web forms, and landing pages. We designed
SurveyGizmo for market research, job applications, marketing campaigns, blogs, landing pages,
contact forms, sales tracking, and lead generation.
55

do segundo trimestre de 2009, de acordo com o seu sítio na internet, era 103.458,
executados estagiários e terceirizados. Desse total, mais de 60% trabalham no
atendimento ao público.

A fim de atingir maior representatividade entre o público alvo e devido a praticidade


proporcionada pela internet, a pesquisa foi disponibilizada eletronicamente no
endereço http://www.surveygizmo.com/s/158825/linux-e-windows. O convite31 a
participar da pesquisa foi feito nas quatro comunidades com maior número de
participantes que os colaboradores da empresa mantêm no site de relacionamento
mais popular no Brasil. Juntas, estas comunidades possuem pouco mais de 36.000
membros. No convite, foi feita uma pequena apresentação dos objetivos da pesquisa
e indicado um link para o questionário da pesquisa.

A fim de evitar pré-conceitos, tais como pensar que a pesquisa seria sobre a
dualidade/superioridade/disputa entre os dois sistemas operacionais, o questionário
foi intitulado apenas “Linux e Windows”.

5.2 – RESULTADOS

O questionário esteve disponível para respostas no período de 20 de julho de 2009 a


02 de agosto de 2009. Participaram da pesquisa 302 pessoas. Deste total, 222
responderam completamente o questionário, 42 responderam parcialmente e 38
abandonaram a pesquisa, ou seja, acessaram o questionário, mas não responderam
nenhuma questão e saíram da página.

31 Olá pessoal, tudo bem?


Meu nome é (...) e estou fazendo uma pesquisa para elaboração do meu TCC de
especialização em Engenharia de Software.
O objetivo da pesquisa é colher opinião dos funcionários a respeito do Sistema Operacional
instalado nos computadores da empresa e sobre as funcionalidades/recursos esperados em um
computador. Não é necessário nenhum conhecimento técnico para responder a pesquisa.(...). O
tempo médio de resposta é 5 minutos.
O questionário está disponível no endereço: http://www.surveygizmo.com/s/158825/linux-e-
windows.
56

A análise dos dados, inclusive gráficos, foi feita exclusivamente com base nos
questionários completamente respondidos.

Do total de participantes a grande maioria, 73%, é do sexo masculino e apenas 27%


do sexo feminino. Relação um pouco diferente do percentual de
colaboradores/colaboradoras da empresa, 60% e 40% respectivamente.

Quanto a faixa etária, 30% dos entrevistados tinham até 25 anos, 51% tinham entre
26 e 35 anos, 14% tinham entre 36 e 45 anos e apenas 6% tinham mais de 45 anos.

Duas questões eram sobre o local de residência dos entrevistados, uma procurava
saber em que região geográfica brasileira, de acordo com a divisão adotada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o entrevistado morava e outra se
morava em capital/região metropolitana ou cidade do interior. Houve predominância
dos residentes nas regiões Sul e Sudeste, 29% e 41% respectivamente, e dos
residentes em cidades do interior 59%.

Gráfico 1 – Participantes por região geográfica


Fonte: Autoria Própria (2010)
57

A maior parte dos entrevistados, 56%, tem curso superior completo, 38% tinham
curso superior incompleto e/ou em andamento e menos de um por cento tinha
apenas o ensino fundamental.

Gráfico 2 – Grau de escolaridade


Fonte: Autoria Própria (2010)

Surpreendentemente, 75% dos entrevistados declararam ter menos de cinco anos


de empresa. Embora não disponha de números da distribuição de colaboradores por
tempo de empresa, este percentual não reflete o valor real de trabalhadores com
este tempo de empresa. Pode-se inferir que esta discrepância deve ao grande
percentual de entrevistados com até 25 anos idades, 51%. Somando este percentual
com o da faixa etária seguinte, tem-se 81% de participantes, relativamente jovens,
que ainda não se firmaram em uma profissão ou que ainda estão se preparando
para o mercado de trabalho (38% dos entrevistados têm curso superior em
andamento/incompleto). Uma análise mais aprofundada destes dados também
deveria ser feita levando-se em consideração o percentual de internauta brasileiro
58

por faixa etária32.

Os colaboradores que trabalham diretamente com o público são maioria entre os


entrevistados, 86%, (56% pertencente ao menor nível hierárquico das filiais da
empresa e 30% dos que ocupam cargo gerencial médio).

Pelos dados da pesquisa percebe-se claramente a importância e relevância do


computador para o desempenho das atividades diárias dos colaboradores no dia-a-
dia. Considerando-se que a jornada diária de trabalho é de 06 horas, para 56% dos
colaboradores e de 08 horas para os demais, pode-se se dizer que a totalidade das
atividades na empresa depende do computador, pois 98% dos entrevistados
declararam que utilizam o equipamento como ferramenta de trabalho por mais de
cinco horas/dia.

É praticamente a mesma a quantidade de colaboradores que já trabalhavam na


empresa antes da migração das estações de trabalho para o sistema operacional
GNU/Linux e os que entraram na empresa após a mudança, 47% e 53%
respectivamente. Pode-se inferir que não houve queda de produtividade, ou pelos
menos ela não foi significativa, uma vez que 89% dos colaboradores afirmaram que
não tiveram dificuldade de adaptação ao novo sistema.

Os aplicativos mais utilizados são os desenvolvidos por técnicos da própria empresa


(utilizado por 99% dos entrevistados), seguido por navegadores de internet/intranet
(utilizado por 56%), processadores de texto (utilizado por 48%), planilha eletrônica
(20% de utilização), outros aplicativos são utilizados por apenas 5% dos
entrevistados.

Foi perguntado aos entrevistados o que pensavam a respeito da configuração atual


da estação de trabalho e dos aplicativos mais utilizados na empresa. Os dados
corroboram com as resposta sobre a facilidade de adaptação, pois a maioria afirmou
serem equivalentes as funcionalidades dos sistemas operacionais e aplicativos
antes e após a migração para o GNU/Linux.

32 Em 2008, 59% dos internautas brasileiros tinham entre 16 e 34 anos de idade.


http://www.teleco.com.br/internet_usu.asp , acesso em 11/11/2009.
59

O gráfico abaixo ilustra o resultado da pesquisa para a pergunta: Exclusivamente


para desempenho das suas atividades que dependem do computador, a
configuração atual de sua estação de trabalho é?

Gráfico 3 – Comparativo Windows x GNU/Linux


Fonte: Autoria Própria (2010)

No comparativo entre os processadores de texto, tem-se o seguinte resultado:


60

Gráfico 4 – Comparativo BrOffice Writer x MS Office Word


Fonte: Autoria Própria (2010)

Um pouco diferente dos anteriores, o comparativo entre os aplicativos do tipo


navegador de internet/intranet, o aplicativo adotado após a migração é, para a
maioria dos entrevistados, superior ao anterior.
61

Gráfico 5 – Comparativo Firefox X Internet Explorer


Fonte: Autoria Própria (2010)

Apesar de que para a maioria dos entrevistados, não ter havido diferença na
produtividade entre as configurações das estações de trabalho antes e após a
migração, se pudesse, apenas 8% dos colaboradores não faria alguma alteração na
configuração. A habilitação de portas USB33 seria a principal alteração a ser feita
pela maioria dos entrevistados.

33 Em razão da política de segurança da informação da empresa, a porta USB das estações de


trabalho está desabilitada na atual configuração, enquanto que anteriormente não o era.
62

Gráfico 6 – Alteração na configuração das estações de trabalho


Fonte: Autoria Própria (2010)

Indo diretamente ao ponto, a primeira pergunta sobre a experiência do usuário com


o seu computador pessoal era sobre qual o sistema operacional instalado. Foram
apresentadas apenas três opções: MS Windows, MAC OS X, GNU/Linux, por serem
os três com maior representatividade. Não foi apresentado um item outros, para
evitar marcação de diferentes versões do MS Windows e/ou de diferentes
distribuições do GNU/Linux neste item.

O resultado não foi muito diferente da participação de mercado descrita na


introdução deste trabalho. O sistema operacional MS Windows é utilizado por
93,70% dos entrevistados, na segunda colocação, com 3,60% de participação, vem
o MAC OS X, e por último, com 2,70% de market share, vem o GNU/Linux

A fim de investigar o principal uso do computador pessoal foi apresentado aos


entrevistados uma lista com 06 itens para serem ranqueados entre mais o utilizado,
marcado com 1, ao menos utilizado, marcado com 6.

Navegar na internet foi marcado por 80% dos entrevistados, como o motivo principal
63

para utilização do computador. Como segunda atividade mais freqüente ficou a


utilização do computador para bate-papo via mensageiro instantâneo, 35%; seguido
da utilização do micro para ouvir música e/ou assistir vídeos, marcado como terceiro
motivo para 40% dos entrevistados. Esta atividade também aparece como a quarta
mais freqüente juntamente com o uso do computador para trabalhar com textos e/ou
planilha eletrônica, indicado por 29% dos entrevistados. A utilização do computador
para jogos é a apenas o quinto motivo para a maioria dos entrevistados (44%) ligar a
máquina. Resumindo, o computador pessoal é utilizado por ordem de freqüência
para navegar na internet, bate-papo on-line, ouvir musica e/ou assistir vídeos,
trabalhar com textos ou planilha eletrônica, jogos e outros usos.

Para navegar na internet, são utilizados aplicativos do tipo navegador ou browser. O


market share dos navegadores entre os participantes da pesquisa é o seguinte: 45%
para o navegador Firefox, 42% para o Internet Explorer, 2% para o Opera, 2% para o
Safari (navegador nativo do MAC OS X); outros navegadores têm participação de
9%. Provavelmente este item (outros) foi marcado por usuários do navegador
Google Chrome, que mundialmente possui market share maior que os navegadores
Opera e Safari, porém indevidamente não foi incluído entre os itens da questão.

Gráfico 7 – Market share navegadores/browser


Fonte: Autoria Própria (2010)
64

Outra pergunta quis investigar qual o principal motivo para utilização da internet
(também no sistema de ranking do mais ao menos freqüente). O ranking34 final foi o
seguinte: ler notícias, ler e enviar e-mail, participar de sites de relacionamento, bater
papo/chat, jogar on-line, outros.

Tabela 1 – Motivos para utilização da internet.


Fonte: Autoria Própria (2010)

Considerando o percentual de utilização de aplicativo do tipo processador de texto


no ambiente de trabalho, foi perguntado aos entrevistados qual o aplicativo utilizado
em sua máquina pessoal. Foram apresentadas apenas três opções: uma para cada
um dos dois aplicativos mais utilizados e uma terceira opção intitulada não utiliza/ou
raramente utiliza. A absoluta maioria, 87%, utiliza o aplicativo MS Office Word, 12%
utiliza o aplicativo BrOffice Writer e, arredondando, 1% marcaram a terceira
alternativa.

Pressupondo o resultado da pergunta anterior, foi solicitado aos entrevistados indicar

34 Por motivo ignorado a ferramenta de pesquisa registrou nesta questão apenas as respostas de
193 entrevistados, portanto o percentual calculado foi feito com base neste número.
65

até três motivos pelo qual não substituíam o MS Office Word (pago) pelo BrOffice
Writer (gratuito). A principal razão, marcada por 70% dos entrevistados, foi estar
habituada com os comandos, funções e botões do MS Office Word. O que não deixa
de ser interessante, pois a interface, inclusive botões é muito semelhante à versão
anterior do MS Office, que muito provavelmente, já foi utilizada ou ainda é utilizada
pelos entrevistados. A segunda razão para não migração de aplicativo, indicada por
33% dos sujeitos da pesquisa, foi a de que o BrOffice Writer não possui todos os
recursos/funções esperados pelo usuário.

Seguiram-se quatro perguntas relacionadas ao GNU/Linux. A primeira, sobre o


contato prévio ou não com o sistema operacional anteriormente a utilização na
empresa, revelou que 51% já tinha tido contato com o SO.

A pergunta seguinte mostrou que 68% dos entrevistados nunca utilizaram ou não
utilizam o SO GNU/Linux em seu computador pessoal. Mostrando também, que um
número considerável, 32%, pelo menos já utilizou o SO em casa.

O contato com GNU/Linux no ambiente de trabalho, fez com que apenas 4% dos
entrevistados instalassem o SO em sua máquina. Aproximadamente um quarto dos
entrevistados afirmou que ao conhecer o SO tiveram certeza de que nunca vão
utilizá-lo em seu computador pessoal35. No entanto a grande maioria, 72%, mostrou
intenção de instalar o sistema no futuro.

35 A avaliação negativa do sistema pode ser em parte explicada pelo fato de que vários recursos do
sistema comumente utilizados nos computadores pessoais, foram, devido as politicas de
segurança de informação da empresa, desabilitados nas estações de trabalho com GNU/Linux. O
que pode ter induzido, algumas pessoas a pensarem que o sistema não oferece esses recursos.
66

Gráfico 8 – Intenção de adoção do GNU/Linux


Fonte: Autoria Própria (2010)

Por fim a última pergunta relacionada ao GNU/Linux quis saber quais os pontos
negativos do SO. Foi apresentada uma lista com seis itens, sendo possível marcar
mais de um. Os principais pontos, ambos indicados por 50% dos entrevistados são o
fato de existirem poucos aplicativos desenvolvidos para o Linux e não possuir os
programas mais utilizados. Analisando estas respostas com as das questões sobre
os aplicativos mais utilizados e sobre os principais motivos para utilização do
computador, percebe-se certa incongruência entre as respostas. Qual a necessidade
de se ter vários aplicativos se para os principais usos do computador já existem,
para o SO GNU/LINUX, aplicativos cujo desempenho, também de acordo com a
pesquisa, é equivalente aos disponíveis para o MS Windows? Numa outra análise,
pode-se inferir que na verdade os entrevistados não conhecem todos os recursos
disponíveis no SO GNU/Linux. Os outros itens da questão: aspecto gráfico,
dificuldade de encontrar assistência técnica/suporte, não existir antivírus disponíveis
no mercado, foram marcados por 41%, 25% e 4% dos entrevistados.
67

Gráfico 9 – Pontos negativos do Linux


Fonte: Autoria Própria (2010)

Em 2005, dois pesquisadores da Universidade de Harvard, Ramon Casadeus-


Masanell e Pankaj Ghemawat, publicaram um estudo no qual dizem que ao contrário
do que possa parecer, a pirataria beneficia o Windows e prejudica o
avanço/crescimento do Linux, pois algumas pessoas prefeririam instalar o Windows
pirata a instalar o Linux. Convidados a opinar se concordavam ou discordavam do
resultado da pesquisa acima, 55% dos entrevistados afirmaram que concordam
totalmente com o resultado, 41% concordam parcialmente e apenas 4% discordaram
totalmente.
68

Gráfico 10 – Pirataria favorece o Windows?


Fonte: Autoria Própria (2010)

A fim de evitar constrangimento e talvez recusa em responder ou desistência da


pesquisa, foi feita a seguinte pergunta Falando hipoteticamente, entre instalar o
Linux e instalar uma cópia não original do Windows, você: a) Instalaria a cópia não
original do Windows; b) Instalaria o Linux; c) prefiro não responder. Corroborando
com o resultado da pesquisa de Ramon Casadeus-Masanell e Pankaj Ghemawat, a
tabulação das respostas indicou o seguinte: 67% dos entrevistados marcaram a
alternativa A, 17% marcaram a alternativa B e 16% indicaram que preferiram não
responder a questão.
69

Gráfico 11 – Instalar Windows original ou Pirata?


Fonte: Autoria Própria (2010)

5.3 – O QUE DIZEM OUTROS ESTUDOS

Não foi possível encontrar publicações impressas com estudo sobre a adoção do
GNU/Linux por usuários domésticos. São raras também publicações on-line a
respeito do tema. Por outro lado, é fácil encontrar estudos sobre a adoção deste SO
por usuários corporativos. Krill (2007) menciona estudo da The 451 Group36 e da
Evans Data37 que constatou que softwares de código livre estão causando impacto
em empresas de software comercial e continuam a ganhar adoção mundialmente.

Outra pesquisa, de abrangência global, concluída em fevereiro de 2009, feita pela


IDC Internacional Data Corporation38, constatou que a crise econômica mundial pode
acelerar adoção do GNU/Linux nas empresas, principalmente atraídas pela

36
The 451 Group é uma companhia, com escritórios nos Estados Unidos e Europa, especializada em
análise e pesquisa de tendências de Tecnologia da Informação.
37 Evans Data Corporation é uma companhia especializada em pesquisa de mercado, inteligência de
Mercado e planejamento estratégico na industria de desenvolvimento de software.
38 A IDC (International Data Corporation) presta consultoria no endereçamento de questões
estratégicas relativas à oferta e ao uso de soluções tecnológicas.
70

economia que o sistema pode oferecer (COMPUTERWORLD, 2009).

Conforme mencionado anteriormente, o foco deste trabalho é a adoção do sistema


operacional GNU/Linux por usuários domésticos, portanto não será feita uma análise
mais detalhada dos resultados destas pesquisas.

Com relação a adoção do sistema por usuários domésticos, dois artigos disponíveis
on-line corroboram com o resultado da pesquisa feita para a realização deste
trabalho.

O primeiro, escrito por Pedro Marques para o sítio IDG Now39 com o título Linux No
Desktop Porque Esse Casamento Não Vingou, cita como motivos para não adoção
do SO: familiaridade do usuário com a interface, menus e comandos do Windows e
ausência de alguns aplicativos presentes no Windows.

Especialistas ouvidos para realização do artigo prevêem um futuro promissor para o


GNU/Linux, todavia não como sistema operacional do usuário doméstico, mas em
outras áreas como em servidores, onde a participação do SO já é considerável, ou
ainda como sistema embarcado em aparelhos como celulares. A computação em
nuvem40 também, segundo prevêem esses especialistas, será uma ótima
oportunidade para o GNU/Linux conseguir maior participação no mercado
(MARQUES, 2009).

39
O IDG Now é um sítio na internet que oferece notícias sobre as áreas de internet, computação
corporativa, computação pessoal, mercado, carreira, redes e telecomunicações.
40
A idéia central por trás do Cloud Computing é fornecer serviços através da Internet, permitindo que
você acesse arquivos, documentos, e-mail, rode aplicativos e assim por diante, a partir de
qualquer PC conectado à web. Dois bons exemplos introdutórios seriam o Gmail e o Google Docs,
dois serviços onde os dados são armazenados nos datacenters do Google e você simplesmente
acessa as informações utilizando o navegador, seja através do próprio PC, ou de um smartphone
ou qualquer outro dispositivo conectado. Disponível em <http://www.gdhpress.com.br/blog/
entendendo-cloud-computing/>. Acesso em: 27 fev. 2010.
71

O outro artigo, intitulado Linux em casa x Linux nas empresas, de autoria de


Emerson Alecrim, afirma:

[o GNU/Linux tem pouca participação no mercado] não só por causa da


popularidade dos sistemas operacionais pagos, mas também porque o Linux
ainda não é um sistema fácil de se trabalhar, se comparado com o Windows
ou Mac OS, por exemplo. Talvez, facilidade não seja o termo adequado a se
empregar aqui, a não ser que associemos tal termo à costume. No geral, as
pessoas, mesmo as que trabalham com informática estão acostumadas a
usar outro sistema operacional e migrar para o Linux pode causar muita
estranheza. Provas de que essa questão de facilidade é relativa podem ser
vistas nos projetos de inclusão digital, como os Telecentros em São Paulo.
Neles, a população carente tem acesso à internet e pode usar os
computadores para tarefas do dia-a-dia. O sistema operacional que roda
nesses computadores é o Linux. A maioria dessas pessoas nunca teve
contato com um computador. Com os Telecentros estão tendo a primeira
oportunidade. Curioso é notar que muitas pessoas acostumadas com o
Windows têm mais dificuldade em realizar determinadas tarefas do que os
usuários dos Telecentros. Isso porque estão apenas acostumadas com outro
sistema operacional (ALECRIM, 2004np).

Alecrim (2004) ressalta que praticamente todo tipo de software é desenvolvido e


disponibilizado para o GNU/Linux, todavia alguns precisam ainda evoluir para se
equiparar aos equivalentes presentes em outros sistemas. Ainda segundo este
mesmo autor, o usuário doméstico, na maioria dos casos, ainda vê o GNU/Linux
como uma alternativa, não como uma solução definitiva.

5.3.1 – Windows e a Pirataria

No questionário de pesquisa é feita referência a uma pesquisa conduzida por dois


professores da Universidade de Harvard. A pesquisa, intitulada Dynamic Mixed
Duopoly: A Model Motivated by Linux vs. Windows41, publicada em 2005 e
conduzida pelos professores Ramon Casadesus-Masanell e Pankaj Ghemawat,

41
Uma cópia do estudo pode ser obtida em <ftp://ftp.cemfi.es/pdf/papers/seminar/Casadesus.pdf>.
72

procurava responder a seguinte pergunta: O software de código aberto tomará


algum dia à posição de liderança do software tradicional?

Silverthorne (2005) entrevistou os autores a respeito dos resultados da pesquisa. As


informações a seguir têm como base essa entrevista.

Para realização da pesquisa os professores criaram um modelo econômico


matemático no qual um competidor que sempre buscar maximizar seu lucro
(Microsoft) interage com um competidor que não cobra pelo seu produto, sendo
ambos afetados pela base instalada (market share) ao longo do tempo. A intenção
do modelo matemático era descobrir quais seriam as condições necessárias para
que o Linux superasse o Windows na liderança do mercado. Foram levantados os
seguintes questionamentos: A grande contribuição da comunidade de
desenvolvedores42 é suficiente para a vitória do Linux? Quais os efeitos da adoção
do Linux por governos e grandes corporações? Qual a influência da assimetria de
custos nesta batalha? A Microsoft pode usar estrategicamente a pirataria para
melhorar sua participação no mercado?

O resultado geral da pesquisa foi: desconsiderando a assimetria de custos e


considerando a vantagem inicial do Windows (uma maior base instalada no
momento zero), o Linux nunca tomará a liderança do Windows. Mesmo uma maior
contribuição e suporte mais efetivo da comunidade de desenvolvedores não é
suficiente para o Linux vencer a batalha contra o Windows.

Obtido esse resultado, os pesquisadores simularam cenários no qual o Linux poderia


reverter esse resultado. Um desses cenários seria a existência de vários
consumidores estratégicos (governos desconfortados com o fato de armazenar
dados sigilosos e estratégicos em sistemas de código fechado e grandes
42
Contribuição da comunidade: Segundo Casadesus-Masanell e Ghemawat apud Silverthorne
(2005), a principal vantagem do software open-source é que os usuários podem modificar o código
diretamente (ao encontrar erros no código ou quando tem novas idéias para aperfeiçoá-lo), e,
portanto seu ciclo de desenvolvimento é menor. Os pesquisadores deram a isto o nome de
demand-side learning. Numa tradução livre, a expressão foi traduzida neste trabalho como
contribuição da comunidade, termo utilizado no mundo Linux para se referir a possibilidade de
participação de qualquer um poder participar da correção e melhoria dos softwares de código
aberto.
73

corporações interessadas em diminuir a influência da Microsoft no mercado) e uma


contribuição da comunidade forte e eficiente.

Uma constatação inesperada da pesquisa é sobre o efeito positivo da Pirataria na


manutenção da liderança do Windows e na geração de lucro para a Microsoft.

Para entender porque, note que há dois tipos de piratas: aqueles que não
comprariam o Windows, principalmente porque é muito caro, e aqueles que já
compraram o Windows original anteriormente, mas agora optam por comprar
cópia pirata. Os primeiros ajudam a aumentar a base instalada do Windows
sem afetar as vendas. Como conseqüência, este grupo aumenta o valor (não
confundir com preço) do Windows. E graças a estes piratas, a Microsoft pode
cobrar mais caro no futuro (porque o sistema tem mais valor).
Consequentemente, a base instalada do Linux não cresce tanto quanto
cresceria se não houvesse estes piratas. O segundo tipo de pirata (aqueles
que na ausência de pirataria compraria o Windows) reduz as vendas e lucro
do Windows. Dessa forma, se a proporção dos piratas do primeiro tipo for
suficientemente grande, o lucro da Microsoft aumentará com a pirataria.
(CASADESUS-MASANELL e PANKAJ GHEMAWAT apud SILVERTHORNE,
2005np).

Casadesus-Masanell e Pankaj Ghemawat (apud SILVERTHORNE, 2005) também


analisam qual situação econômica seria melhor: um monopólio de um dos sistemas
operacionais ou um duopólio. A conclusão é que o monopólio do Linux seria o
melhor do ponto de vista social e que a pior das opções seria o duopólio
Linux/Windows, pois, segundos os pesquisadores, nesta situação a potencialidade
máxima de cada sistema não seria alcançada por os esforços dos desenvolvedores
estariam divididos entre os dois.

Os resultados do estudo devem ser interpretados, conforme salienta os


pesquisadores, levando em consideração o fato de que foram feitas algumas
suposições e simplificações da realidade a fim de ser possível a aplicação do
modelo matemático.
74

CONCLUSÃO

A proposta deste trabalho era investigar se o sistema operacional GNU/Linux, pelo


fato de ser gratuito e de código aberto, obteria participação relevante no mercado de
sistema operacional, hoje dominado por softwares proprietários e pagos e os fatores
dificultadores e facilitadores para isso.

Com base nos resultados da pesquisa quantitativa e nas referências consultadas,


dificilmente isto acontecerá. Os motivos para este futuro nada promissor para o
GNU/Linux são: a grande participação do MS Windows no mercado, auxiliado
inclusive pela pirataria, que pode usar isso estrategicamente para impedir a entrada
de novos competidores; a familiaridade e habitualidade dos usuários com interface,
menus e comandos do Windows e a resistência em aprender tudo novamente ao
migrar para outro SO; o desconhecimento do sistema (suas potencialidades,
recursos e aplicativos disponíveis) por parte do usuário comum, não sendo raro
encontrar quem ainda acredita que tudo no GNU/Linux é feito através de
complicados comandos em linha de texto em uma telinha escura; ausência de
alguns aplicativos e a necessidade de melhorias significativas em outros
(especialmente jogos) para se igualar, ou se apresentar esteticamente agradável,
aos seus equivalentes no MS Windows.

Convém aqui ressaltar as limitações deste trabalho: os entrevistados foram restritos


aos colaboradores de uma única empresa; a média salarial destes é superior a
média nacional e, portanto, teriam condições de pagar por uma cópia original do
Windows; e, a versão do GNU/Linux a que tiveram contato tem vários recursos
desabilitados ou restritos, o que pode ter contribuído para a avaliação negativa do
sistema e consequentemente na intenção de não adotá-lo.
75

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78

ANEXOS

Questionário de pesquisa

Adoção do sistema operacional Linux por usuários domésticos.

Informações pessoais
1) Qual sua faixa etária?
a) até 25 anos de idade
b) de 26 a 35 anos de idade
c) de 36 a 45 anos de idade
d) de 46 a 55 anos de idade
e) mais de 55 anos de idade

2) Qual sua escolaridade?


a) Ensino fundamental (antigo primeiro grau)
b) Ensino médio (antigo segundo grau)
c) Superior incompleto (em andamento, trancado ou abandonado)
d) Superior completo
e) Pós-graduado

3) Sexo?
a) Masculino
b) Feminino

4) Em que região você mora?


a) Centro-oeste
b) Nordeste
c) Norte
d) Sudeste
e) Sul

5) Onde você mora?


a) Capital ou região metropolitana
c) interior

Informações profissionais
6) Quanto tempo de empresa você tem?
a) até 05 anos
b) entre 06 e 10 anos
c) entre 11 e 15 anos
d) entre 16 e 20 anos
e) entre 21 e 25 anos
f) mais de 26 anos

7) Você trabalha com ...


a) Atendimento ao público, inclusive caixa (exceto gerentes, assistentes, analista)
b) Atendimento ao público (gerência média, assistentes, analista)
c) Serviços administrativos e/ou sem contato direto com o público, inclusive gerência média
d) Gerência geral (qualquer cargo acima gerência média)

8) Para desempenhar sua função você utiliza o computador por quanto tempo?
a) até duas horas/dia
b) entre 03 e 04 horas/dia
c) entre 05 e 06 horas/dia
d) mais de 06 horas/dia
79

9) Na empresa, quais aplicativos você utiliza com mais frequência? (marque todas)
a) aplicativos da empresa
b) processador de texto (word/writer)
c) planilha eletrônica (excel/calc)
d) Navegador/browser (Internet Explorer/Firefox)
e) outros

10) Você trabalhava na empresa antes da migração dos terminais para o Sistema Operacional
(SO) Linux?
a) sim
b) não

11) Você teve dificuldade em se adaptar ao SO Linux?


a) sim
b) não

12) Exclusivamente para desempenho das suas atividades que dependem do computador, a
configuração atual de sua estação de trabalho é ?
a) inferior ao Windows (oferece menos recursos/funcionalidades)
b) superior ao Windows (oferece mais recursos/funcionalidades)
c) funcionalidades/recursos são equivalentes
d) Não tenho condições de avaliar

13) Exclusivamente para desempenho de suas atividades que dependem de aplicativo do tipo
processador de texto, você considera que :
a) O aplicativo BrOffice/Writer é inferior (possui menos recursos) ao Microsoft Office Word
b) O aplicativo BrOffice/Writer é superior (possui mais recursos) ao Microsoft Office Word
c) Os recursos/funcionalidades são equivalentes
d) Não tenho condições de avaliar e/ou nunca utilizei o aplicativo

14) Exclusivamente para desempenho de suas atividades que dependem de aplicativo do tipo
navegador/browser de internet, você considera que:
a) O Firefox é inferior (possui menos recursos) que o Internet Explorer
b) O Firefox é superior (possui mais recursos) que o Internet Explorer
c) os Recursos/funcionalidades são equivalentes
d) Não tenho condições de avaliar

15) Se você pudesse alterar a configuração atual de sua estação de trabalho, você ...
a) Instalaria mensageiro instantâneo (tipo MSN)
b) Instalaria um player de música/video (ex. Windows Media Player, WinAmp, VLC, etc)
c) habilitaria a porta USB para permitir a utilização de pen-drive e/ou dispositivos assemelhados
d) Não efetuaria nenhuma das alterações acima e nenhuma outra
e) Não efetuaria nenhuma das alterações acima, porém efetuaria outras

16) Qual o sistema operacional instalado em seu computador pessoal (residência)?


a) Windows
b) Mac OS
c) Linux
d) Outros
e) Não possuo computador

17) Você utiliza o computador principalmente para ..


a) Bate papo/chat (utiliza MSN e assemelhados)
b) Navegar na internet
c) trabalhar com textos ou planilha eletrônica
d) Ouvir música, assistir vídeos
e) Jogar
f) outros
80

18) Qual navegador/browser de internet você utiliza?


a) Firefox
b) Internet Explorer
c) Opera
d) Safari
e) Outros

20) Você utiliza a internet principalmente para...


a) Ler e enviar e-mail
b) Ler notícias
c) Participar de redes sociais (Orkut, Myspaces, Twitter, etc)
d) Jogar on-line
e) bater papo/chat
f) outros

21) Qual processador de texto você utiliza?


a) MSOffice Word
b) Broffice Writer
c) KOffice
d) AbiWord
e) Nunca ou raramente utilizo

22) Supondo que você utiliza (ou que utilizasse) principalmente o MSOffice Word, que é pago,
marques as razões pelo qual você não o substitui pelo BrOffice Writer, que é gratuito?
a) Está habituado com os comandos, funções e botões do Word
b) O Writer não possui todos os recursos/funções que eu realmente necessito
c) Não acredito na qualidade de software gratuito
d) O Word já vem instalado e não sei instalar programas
e) Outros motivos

23) Você sabe instalar e/ou remover aplicativos no Windows?


a) sim
b) não

24) Antes da migração dos sistemas da empresa para o Sistema Operacional Linux, você já tinha
tido contato com este sistema operacional?
a) Sim
b) não

25) Você utiliza ou já utilizou o sistema operacional em seu computador pessoal (residencia)?
a) sim
b) não

26) A partir do contato com o SO Linux na empresa …


a) Instalei o Linux em minha máquina
b) Tive certeza de que nunca vou instalar o Linux em minha máquina
c) Não instalei o Linux minha máquina, mas posso instala-lo no futuro
d) não possuo computador

27) Considero como pontos negativos do Linux


a) Aspecto gráfico (janelas, botões, ícones, fontes)
b) Não possui os programas que mais utilizo
c) Dificuldade de encontrar assistência técnica/suporte
d) Existem poucos programas desenvolvidos para o Linux
e) Não existem antivírus disponíveis no mercado

28) Falando hipoteticamente, entre instalar o Linux e instalar uma cópia não original do Windows,
você...
a) Instalaria a cópia não original do Windows
b) Instalaria o Linux
81

c) Prefiro não responder

29) Em 2005, dois pesquisadores da Universidade de Harvard, Ramon Casadeus-Masanell e


Pankaj Ghemawat, publicaram um estudo no qual dizem que ao contrário do que possa parecer, a
pirataria beneficia o Windows e prejudica o avanço/crescimento do Linux, pois algumas pessoas
prefeririam instalar o Windows pirata a instalar o Linux. Você...
a) discorda totalmente
b) discorda parcialmente
c) concorda totalmente

30) Levando em consideração exclusivamente os recursos/funcionalidades que os


terminais/estações de trabalho precisam ter para você desempenhar satisfatoriamente suas
atividades diárias na empresa, você ...
a) Preferia quando o SO era o Windows
b) Prefere o SO Linux
c) é indiferente. O resultado do meu trabalho é o mesmo
d) Não tenho condições de avaliar