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Aula 08

Direito Penal p/ TJ-CE - Analista Judiciário - Com videoaulas

Professor: Renan Araujo

(Judiciária e Execução de Mandados) -

Direito Penal に TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria e

Direito Penal TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria e exercícios comentados Prof. Renan Araujo Aula 08

AULA 08: CRIMES CONTRA: A PROPRIEDADE IMATERIAL; A INCOLUMIDADE PÚBLICA; O SENTIMENTO RELIGIOSO; O RESPEITO AOS MORTOS; A FAMÍLIA; A PAZ PÚBLICA. CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO.

SUMÁRIO PÁGINA Apresentação da aula e sumário 01 I – Dos Crimes contra a propriedade
SUMÁRIO PÁGINA Apresentação da aula e sumário 01 I – Dos Crimes contra a propriedade

SUMÁRIO

PÁGINA

Apresentação da aula e sumário

01

I

Dos Crimes contra a propriedade Imaterial

02

II - Crimes contra a Incolumidade Pública

07

III Dos crimes contra: o sentimento religioso e

22

o

respeito aos mortos; a família; a paz pública.

IV Dos crimes contra a organização do trabalho

32

Lista das questões

43

Questões comentadas

51

Gabarito

70

Olá, meu povo!

Hoje, vamos estudar diversos crimes em espécie, previstos na

parte especial do CP, como os crimes contra a incolumidade

pública, a paz pública, a família e outros.

Os crimes da aula de hoje são crimes pouco explorados pelas

Bancas, de forma que serão tratados com menos profundidade que os

demais.

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Considerando que o tempo é um elemento escasso, vamos dar mais

ênfase ao que mais importa, e menos ênfase ao que menos importa.

Bons estudos!

Prof. Renan Araujo

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I DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL

Os crimes contra a propriedade imaterial estão previstos no Título III

do Livro II do Código Penal, abarcando os tipos penais previstos nos arts.

184 a 196, divididos em 04 capítulos.

No entanto,

apenas o capítulo I permanece em vigor, já que os

três capítulos seguintes foram REVOGADOS pela 9.279/96.

O único capítulo restante, o capítulo I, trata dos crimes contra a

propriedade intelectual, e possui apenas um único tipo penal, que é o de

“Violação de direitos autorais”, previsto no art. 184. Anteriormente, o

art. 185 também previa um tipo penal, o de usurpação de nome ou

pseudônimo (apelido) alheio, mas este artigo fora revogado pela Lei

10.695/03, que, por sua vez, deu a redação atual do artigo 184, o último

dos moicanos.

Vamos estudá-lo?

O art. 184 do CP possui a seguinte redação:

Esse tipo é o tipo penal base, ou seja, os demais parágrafos dele

derivam.

A conduta consiste em “violar direitos de autor”. Porém, quais

seriam os direitos do autor? Os direitos do autor são o conjunto de

direitos e prerrogativas que a Lei confere ao criador de determinada obra

(seja ela qual for).

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A matéria está tratada, inclusive, a nível constitucional. Vejamos a

redação do art. 5º, XVII:

XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;

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A matéria, em nível infraconstitucional, é tratada atualmente pela Lei

9.610/98. No entanto, fugiria ao nosso trabalho adentrar ao estudo

daquela Lei.

Basta que vocês saibam que a violação dos direitos

conferidos pela Lei ao autor é CRIME PREVISTO NO ART. 184 DO

CP.
CP.

Veja você, caro aluno, que a reprodução não autorizada desta obra

que você está lendo agora, pode caracterizar a prática de um delito, de

forma que é bastante recomendável evitar a sua prática.

Abrindo um parêntese no nosso curso, eu não me incomodo que o

aluno empreste o material a um colega sem condições de adquiri-lo, a um

parente, etc. Mas tem gente que abusa, né? Juntar 20 pessoas para

adquirir o curso é, além de imoral, crime. Na verdade, o crime não se

caracteriza pela “vaquinha” para adquirir o curso, isto deve ficar claro.

O
O

que caracteriza o delito é a DUPLICAÇÃO DO MATERIAL SEM

AUTORIZAÇÃO.

Ou seja, o aluno compra o material e salva num pen-

drive ou envia uma cópia por e-mail, transformando o que era um, em

dois, e por aí vai, sem que o autor receba o que lhe é devido. Se você

compra o curso e senta para estudar junto com mais 10 pessoas, não há

crime!

O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, sendo, portanto, um

CRIME COMUM.

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O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se admitindo a

forma culposa, por não haver previsão legal nesse sentido.

Apenas para que vocês saibam, a lei não protege por tempo

indeterminado os direitos patrimoniais do autor sobre sua obra. Nos

termos do art. 41 da Lei 9.610/98, eles duram por 70 anos, contados

de 1º de janeiro do ano subsequente ao do falecimento do autor, ou seja,

enquanto vivo o autor, o direito patrimonial existe e, após sua morte,

caso haja herdeiros, permanece por mais 70 anos.

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Após esse prazo, ou falecendo o autor sem deixar sucessores, a obra

cai no chamado “domínio público”. Assim, é possível imaginar, por

, acreditando que a obra

que está reproduzindo já está em domínio público, quando não está. Fica

aí um exemplo!

exemplo, que alguém incorra em

erro de tipo

A consumação se dá de formas variadas a depender da espécie de

obra que se está violando. Em sendo obra literária, se dá com a

reprodução indevida. Em caso de peça artística, com a reprodução pública

indevida, e por aí vai. Admite-se plenamente a TENTATIVA.

Se a violação se der com o intuito de lucro, a pena será a prevista no

§1º do art. 184, que traz uma qualificadora:

§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de

lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual,

interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

Na mesma pena do §1º (forma qualificada) incorre quem, apesar de

não violar os direitos autorais,

tendo em depósito, alugando, etc. Vejamos:

contribui para esta violação lucrativa

,

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§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou

indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

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O §3º prevê outra forma de realização do delito, mas cuja pena é

idêntica à prevista nos §§1º e 2º. Trata-se, basicamente, de oferecer ao

público, mediante sistema de distribuição (diversos tipos) em massa, a

obra artística protegida. Vejamos:

§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra

ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

Dentro dessa conduta se insere, por exemplo, quem cria um blog e

hospeda diversos materiais protegidos por direitos autorais e cobra uma

quantia para que os usuários possam fazer o download dos materiais.

CRIME!

, relativa

aos delitos das formas qualificadas (§§1º a 3º), silenciando sobre o caput,

mas a Doutrina entende que se estende também a este. Vejamos:

O §4º traz uma hipótese de

EXCLUSÃO DA TIPICIDADE

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§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção

ou limitação ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto. (Incluído pela Lei nº 10.695, de

1º.7.2003)

Mas o que seria exceção ou limitação ao direito de autor? São

as disposições legais permissivas, ou seja, aquelas regras previstas na lei,

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admitindo a reprodução da obra em determinados casos específicos,

respeitadas todos os requisitos estabelecidos. Nesses casos, não haverá

crime.

O art. 186 trata da ação penal nos crimes previstos no art. 184 e

§§. Vejamos:

Art. 186. Procede-se mediante: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

I - queixa, nos crimes previstos no caput do art. 184; (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

II - ação penal pública incondicionada, nos crimes previstos nos §§ 1o e 2o

do

art. 184; (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

III

- ação penal pública incondicionada, nos crimes cometidos em desfavor de

entidades de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

IV

- ação penal pública condicionada à representação, nos crimes previstos

no

§ 3o do art. 184. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

Portanto, se a conduta praticada for a do caput, temos um crime de

ação penal privada. No caso da distribuição lucrativa e sua forma

equiparada (§§1º e 2º), temos AÇÃO PENAL PÚBLICA

INCONDICIONADA (em razão da maior gravidade). Esta também é a

modalidade prevista quando o sujeito passivo (titular do direito violado)

for entidade de direito público, empresa pública ou sociedade de

economia mista. No caso do oferecimento mediante sistema de

distribuição em massa (§3º), temos um meio termo em questão de

gravidade, por isso a ação penal pública condicionada à

representação da vítima.

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II CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

Os crimes contra a incolumidade pública estão descritos no Título

VIII do CP, compreendendo TRÊS CAPÍTULOS:

DOS CRIMES DE PERIGO COMUM;

DOS CRIMES CONTRA A SEGURANÇA DOS MEIOS DE

COMUNCAÇÃO E TRANSPORTE E OUTROS SERVIÇOS

PÚBLICOS; e

DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA

Diferentemente do que costumo fazer, aqui não vamos estudar cada

um dos tipos penais isoladamente, por dois motivos:

São quase 30 tipos penais diferentes;

Eles quase nunca são cobrados em concursos públicos

Desta maneira, gastar laudas e laudas de aula (horas e horas do

precioso tempo de estudo de vocês) dissecando cada um destes tipos

penais seria pura perda de tempo, já que este tema é cobrado com pouca

frequência em concursos.

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Assim, vamos dividir nosso estudo em relação a cada um dos

capítulos. Transcreverei todos os artigos de cada capítulo e, ao final, farei

algumas considerações importantes sobre eles.

a) Dos crimes de perigo comum

Incêndio Direito Penal に TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria

Incêndio

Direito Penal TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria e exercícios comentados Prof. Renan Araujo Aula 08

Art. 250 - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.

Aumento de pena

§ 1º - As penas aumentam-se de um terço:

I - se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio;

II - se o incêndio é:

a) em casa habitada ou destinada a habitação;

b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência

social ou de cultura;

c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo;

d) em estação ferroviária ou aeródromo;

e) em estaleiro, fábrica ou oficina;

f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável;

g) em poço petrolífico ou galeria de mineração;

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h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta.

Incêndio culposo

§ 2º - Se culposo o incêndio, é pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2

(dois) anos.

Explosão

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Art. 251 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos:

Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.

§ 1º - Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Aumento de pena

§ 2º - As penas aumentam-se de um terço, se ocorre qualquer das hipóteses

previstas no § 1º, I, do artigo anterior, ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no nº II do mesmo parágrafo.

Modalidade culposa

§ 3º - No caso de culpa, se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos

análogos, a pena é de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos; nos demais casos, é de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

Uso de gás tóxico ou asfixiante

Art. 252 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, usando de gás tóxico ou asfixiante:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

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Modalidade Culposa

Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Fabrico, fornecimento, aquisição posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou asfixiante

Art. 253 - Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da autoridade, substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação:

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Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Inundação

Art. 254 - Causar inundação, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa, no caso de dolo, ou detenção, de seis meses a dois anos, no caso de culpa.

Perigo de inundação

Art. 255 - Remover, destruir ou inutilizar, em prédio próprio ou alheio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, obstáculo natural ou obra destinada a impedir inundação:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Desabamento ou desmoronamento

Art. 256 - Causar desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Modalidade culposa

Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de seis meses a um ano.

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Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento

Art. 257 - Subtrair, ocultar ou inutilizar, por ocasião de incêndio, inundação, naufrágio, ou outro desastre ou calamidade, aparelho, material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao perigo, de socorro ou salvamento; ou impedir ou dificultar serviço de tal natureza:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Formas qualificadas de crime de perigo comum

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Art. 258 - Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena privativa de liberdade é aumentada de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de culpa, se do fato resulta lesão corporal, a pena aumenta-se de metade; se resulta morte, aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço.

Difusão de doença ou praga

Art. 259 - Difundir doença ou praga que possa causar dano a floresta, plantação ou animais de utilidade econômica:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Modalidade culposa

Parágrafo único - No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a seis meses, ou multa.

 
   
 

Todos os crimes são COMUNS

, ou seja, podem ser praticados

por

qualquer

pessoa,

não

 

se

exigindo

do

agente

nenhuma

qualidade especial;

 

O sujeito passivo é a coletividade e, subsidiariamente, eventual

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pessoa lesionada pela conduta do agente;

 

O elemento subjetivo é o DOLO

, mas em quase todos eles há

previsão de punição

na modalidade CULPOSA

, salvo nos crimes

dos arts. 255, 257 e 259, em que não há punição para a conduta

meramente culposa;

 

Todos os crimes são crimes de PERIGO

,

de

forma que é

 

desnecessário, para sua consumação, que o bem jurídico protegido

seja lesado, bastando que a conduta do agente crie uma situação

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de perigo de lesão ao bem jurídico;

Os

crimes dos

arts.

253

e

257

são

considerados crimes de

PERIGO ABSTRATO, ou seja, se consumam com a mera

prática

das

condutas

descritas,

independentemente

da

ocorrência de uma situação de PERIGO REAL

tutelado;

ao bem jurídico

A tentativa é sempre admitida, salvo nas modalidades culposas, é

claro;

do art. 259, embora ainda

O crime

com texto em vigor, fora

REVOGADO TACITAMENTE

Crimes Ambientais).

pelo art. 61 da Lei 9.605/98 (Lei de

O art. 258 prevê formas qualificadas no caso de crimes de perigo

comum de que resulte lesão ou morte (na verdade, são formas

circunstanciadas, mas a lei, de maneira atécnica, chama de

“qualificadas”). Vejamos: CONDUTA DOLOSA + LESÃO GRAVE =

PENA + METADE; CONDUTA DOLOSA + MORTE = PENA EM

DOBRO; CONDUTA CULPOSA + LESÃO (QUALQUER) = PENA +

METADE; CONDUTA CULPOSA + MORTE = PENA DO HOMICÍDIO

CULPOSO + 1/3.

O crime de incêndio, previsto no art. 250, não se caracteriza com

qualquer situação de fogo. É necessário que o agente crie uma

situação de risco real (perigo concreto) a pessoas ou coisas.

Assim, que acende uma pequena fogueira, ou ateia fogo a um bem

em local ermo, não pratica este delito.

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b) Dos crimes contra a segurança dos meios de comunicação e

transporte e outros serviços públicos

Perigo de desastre ferroviário

Art. 260 - Impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro:

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I - destruindo, danificando ou desarranjando, total ou parcialmente, linha férrea, material rodante ou de tração, obra-de-arte ou instalação;

II - colocando obstáculo na linha;

III - transmitindo falso aviso acerca do movimento dos veículos ou

interrompendo ou embaraçando o funcionamento de telégrafo, telefone ou

radiotelegrafia;

IV - praticando outro ato de que possa resultar desastre:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Desastre ferroviário

§ 1º - Se do fato resulta desastre:

Pena - reclusão, de quatro a doze anos e multa.

§ 2º - No caso de culpa, ocorrendo desastre:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

§ 3º - Para os efeitos deste artigo, entende-se por estrada de ferro qualquer

via de comunicação em que circulem veículos de tração mecânica, em trilhos

ou por meio de cabo aéreo.

Atentado contra a segurança de transporte marítimo, fluvial ou aéreo

Art. 261 - Expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea:

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Pena - reclusão, de dois a cinco anos.

Sinistro em transporte marítimo, fluvial ou aéreo

§ 1º - Se do fato resulta naufrágio, submersão ou encalhe de embarcação ou

a queda ou destruição de aeronave:

Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

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Prática do crime com o fim de lucro

§ 2º - Aplica-se, também, a pena de multa, se o agente pratica o crime com

intuito de obter vantagem econômica, para si ou para outrem.

Modalidade culposa

§ 3º - No caso de culpa, se ocorre o sinistro:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Atentado contra a segurança de outro meio de transporte

Art. 262 - Expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento:

Pena - detenção, de um a dois anos.

§ 1º - Se do fato resulta desastre, a pena é de reclusão, de dois a cinco anos.

§ 2º - No caso de culpa, se ocorre desastre:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Forma qualificada

Art. 263 - Se de qualquer dos crimes previstos nos arts. 260 a 262, no caso de desastre ou sinistro, resulta lesão corporal ou morte, aplica-se o disposto no art. 258.

Arremesso de projétil

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Art. 264 - Arremessar projétil contra veículo, em movimento, destinado ao transporte público por terra, por água ou pelo ar:

Pena - detenção, de um a seis meses.

Parágrafo único - Se do fato resulta lesão corporal, a pena é de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos; se resulta morte, a pena é a do art. 121, § 3º, aumentada de um terço.

Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública

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Art. 265 - Atentar contra a segurança ou o funcionamento de serviço de água, luz, força ou calor, ou qualquer outro de utilidade pública:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

Parágrafo único - Aumentar-se-á a pena de 1/3 (um terço) até a metade, se o dano ocorrer em virtude de subtração de material essencial ao funcionamento dos serviços. (Incluído pela Lei nº 5.346, de 3.11.1967)

Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico ou telefônico

Art. 266 - Interromper ou perturbar serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico, impedir ou dificultar-lhe o restabelecimento:

Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

Parágrafo único - Aplicam-se as penas em dobro, se o crime é cometido por ocasião de calamidade pública.

 
   
 

Todos os crimes são COMUNS

, ou seja, podem ser praticados

por

qualquer

pessoa,

não

se

exigindo

do

agente

nenhuma

qualidade especial;

 
 

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O sujeito passivo é a coletividade e, subsidiariamente, eventual

pessoa lesionada pela conduta do agente;

 

O elemento subjetivo é o DOLO, mas nos crimes dos arts. 260

a 262 há previsão de punição na modalidade CULPOSA,

sempre que da conduta culposa ocorrer DANO, não bastando que

haja apenas o perigo! Assim: CONDUTA DOLOSA = (perigo);

CONDUTA CULPOSA = (dano efetivo);

 

Os

crimes

dos

arts.

260

a

262

são

crimes

de

PERIGO

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CONCRETO , de forma que é desnecessário, para sua consumação,

CONCRETO

, de forma que é desnecessário, para sua consumação,

que o bem jurídico protegido seja lesado, bastando que a conduta

do agente crie uma situação de perigo real de lesão ao bem

jurídico;

Os crimes dos arts. 264 a 266 são considerados crimes de

PERIGO ABSTRATO, ou seja, se consumam com a mera prática

das condutas descritas, independentemente da ocorrência de uma

situação de PERIGO REAL ao bem jurídico tutelado;

A tentativa é sempre admitida, salvo nas modalidades culposas, é

claro. Além disso, a maioria da Doutrina (Salvo o prof. Júlio

Mirabete) entende que no crime do art. 264 (arremesso de projétil)

não se admite tentativa;

O art. 263 prevê a aplicação do art. 258 no caso de a conduta do

agente provocar lesão grave ou morte em alguém. Ou seja:

CONDUTA DOLOSA + LESÃO GRAVE = PENA + METADE;

CONDUTA DOLOSA + MORTE = PENA EM DOBRO; CONDUTA

CULPOSA + LESÃO (QUALQUER) = PENA + METADE; CONDUTA

CULPOSA + MORTE = PENA DO HOMICÍDIO CULPOSO + 1/3.

c) Dos crimes contra a saúde pública

Epidemia

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Art. 267 - Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos:

Pena - reclusão, de dez a quinze anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de

25.7.1990)

§ 1º - Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em dobro.

§ 2º - No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a dois anos, ou, se

resulta morte, de dois a quatro anos.

Infração de medida sanitária preventiva

Art. 268 - Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa:

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Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.

Omissão de notificação de doença

Art. 269 - Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou medicinal

Art. 270 - Envenenar água potável, de uso comum ou particular, ou substância alimentícia ou medicinal destinada a consumo:

Pena - reclusão, de dez a quinze anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de

25.7.1990)

§ 1º - Está sujeito à mesma pena quem entrega a consumo ou tem em depósito, para o fim de ser distribuída, a água ou a substância envenenada.

Modalidade culposa

§ 2º - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Corrupção ou poluição de água potável

Art. 271 - Corromper ou poluir água potável, de uso comum ou particular, tornando-a imprópria para consumo ou nociva à saúde:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos.

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Modalidade culposa

Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de dois meses a um ano.

Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou produtos alimentícios (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Art. 272 - Corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimentício destinado a consumo, tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-lhe

o valor nutritivo: (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

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Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

§ 1º-A - Incorre nas penas deste artigo quem fabrica, vende, expõe à venda,

importa, tem em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo a substância alimentícia ou o produto falsificado, corrompido ou adulterado. (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

§ 1º - Está sujeito às mesmas penas quem pratica as ações previstas neste

artigo em relação a bebidas, com ou sem teor alcoólico. (Redação dada pela

Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Modalidade culposa

§ 2º - Se o crime é culposo: (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda, tem

em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

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§ 1º-A - Incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os

medicamentos, as matérias-primas, os insumos farmacêuticos, os cosméticos, os saneantes e os de uso em diagnóstico. (Incluído pela Lei nº

9.677, de 2.7.1998)

§ 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas

no § 1º em relação a produtos em qualquer das seguintes condições:

(Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

I -

competente; (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

sem

registro,

quando

exigível,

no

órgão

de

vigilância

sanitária

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II - em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior; (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

III - sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua

comercialização; (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade; ((Incluído

pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

V - de procedência ignorada; (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

VI - adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária

competente. (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Modalidade culposa

§ 2º - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Emprego de processo proibido ou de substância não permitida

Art. 274 - Empregar, no fabrico de produto destinado a consumo, revestimento, gaseificação artificial, matéria corante, substância aromática, anti-séptica, conservadora ou qualquer outra não expressamente permitida pela legislação sanitária:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Invólucro ou recipiente com falsa indicação

Art. 275 - Inculcar, em invólucro ou recipiente de produtos alimentícios, terapêuticos ou medicinais, a existência de substância que não se encontra em seu conteúdo ou que nele existe em quantidade menor que a mencionada: (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

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Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Produto ou substância nas condições dos dois artigos anteriores

Art. 276 - Vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de

qualquer forma, entregar a consumo produto nas condições dos arts. 274 e

275.

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.(Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

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Substância destinada à falsificação

Art. 277 - Vender, expor à venda, ter em depósito ou ceder substância destinada à falsificação de produtos alimentícios, terapêuticos ou medicinais:(Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

Outras substâncias nocivas à saúde pública

Art. 278 - Fabricar, vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, entregar a consumo coisa ou substância nociva à saúde, ainda que não destinada à alimentação ou a fim medicinal:

Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

Modalidade culposa

Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de dois meses a um ano.

Medicamento em desacordo com receita médica

Art. 280 - Fornecer substância medicinal em desacordo com receita médica:

Pena - detenção, de um a três anos, ou multa.

Modalidade culposa

Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de dois meses a um ano.

Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica

Art. 282 - Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites:

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Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também multa.

Charlatanismo

Art. 283 - Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Curandeirismo

Art. 284 - Exercer o curandeirismo:

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I -

substância;

prescrevendo,

ministrando

ou

aplicando,

habitualmente,

qualquer

II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;

III - fazendo diagnósticos:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Parágrafo único - Se o crime é praticado mediante remuneração, o agente fica também sujeito à multa.

Forma qualificada

Art. 285 - Aplica-se o disposto no art. 258 aos crimes previstos neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267.

 
   
 

Todos os crimes são COMUNS

, ou seja, podem ser praticados

por qualquer pessoa, não se exigindo do agente nenhuma

qualidade especial. No entanto, o crime do art. 269 (omissão de

notificação de doença)

é CRIME PRÓPRIO

,

podendo ser

praticado por médico;

 

O sujeito passivo é a coletividade e, subsidiariamente, eventual

 

pessoa lesionada pela conduta do agente;

 
 

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O elemento subjetivo é o DOLO

, mas nos crimes dos arts. 267,

270

a

273, 278

e

280

há previsão de

punição na

 

modalidade

CULPOSA

;

A maioria esmagadora dos crimes previstos neste capítulo é

 

considerada de

PERIGO ABSTRATO

,

ou

seja, não

é

necessário

que se comprove a existência de um perigo real e concreto gerado

pela conduta do agente, pois este perigo é presumido. No entanto,

os crimes do art. 267 (Epidemia) e 280 (fornecimento de

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medicamento em desacordo com receita médica) são considerados

pela Doutrina majoritária como sendo de PERIGO CONCRETO, o

primeiro se consumando no momento em que a epidemia é

causada, mediante a propagação dos germes, e o segundo se

consumando no momento em que o infrator entrega o

medicamento à vítima (momento que gera o perigo concreto);

A tentativa é sempre admitida, salvo nas modalidades culposas, é

claro.

O art. 285 prevê a aplicação do art. 258 no caso de a conduta do

agente provocar lesão grave ou morte em alguém. Ou seja:

CONDUTA DOLOSA + LESÃO GRAVE = PENA + METADE;

CONDUTA DOLOSA + MORTE = PENA EM DOBRO; CONDUTA

CULPOSA + LESÃO (QUALQUER) = PENA + METADE; CONDUTA

CULPOSA + MORTE = PENA DO HOMICÍDIO CULPOSO + 1/3.

No entanto, o próprio art. 285 ressalva que ao art. 267 (Crime de

Epidemia) não se aplica o art. 258, por já possuir

regramento próprio no caso de ocorrência de algum

resultado de dano;

III DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E O

RESPEITO AOS MORTOS. DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA. DOS

CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA

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Reuni todos os estes delitos num mesmo capítulo de nossa aula

porque eles possuem uma característica em comum: Quase não são

lembrados pelas Bancas.

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Desta maneira, passaremos por ele apenas para ficar o registro, pois

não vale a pena nos dedicarmos sobremaneira a um tema como este, em

prejuízo de outros bem mais importantes.

A) DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E O

RESPEITO AOS MORTOS

Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo

Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.

Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência.

CAPÍTULO DOS CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS

II

Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária

Art. 209 - Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.

Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência.

Violação de sepultura

Art. 210 - Violar ou profanar sepultura ou urna funerária:

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Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Destruição, subtração ou ocultação de cadáver

Art. 211 - Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Vilipêndio a cadáver

Art. 212 - Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:

Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

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Como podemos ver, o título se divide em dois capítulos. O

primeiro é referente aos delitos (ou melhor, ao único delito) contra o

sentimento religioso; Já o segundo nos traz os crimes contra o

respeito aos mortos.

Todos os delitos são COMUNS, ou seja, podem ser praticados por

qualquer pessoa.

O sujeito passivo, no delito de ultraje a culto e impedimento ou

perturbação de ato a ele relativo, é a coletividade que compartilha

deste sentimento religioso, podendo, ainda, ser a pessoa efetivamente

privada de seu culto religioso ou zombada (na hipótese de se tratar de

escárnio).

Nos crimes contra o respeito aos mortos o delito, o sujeito

passivo NÃO SERÁ O MORTO, pois não é sujeito de direitos, mas a

coletividade e, em especial, os familiares e demais pessoas que guardam

qualquer relação de afinidade com a pessoa falecida.

As condutas somente são punidas a título doloso, não se admitindo a

forma culposa.

A tentativa é admissível em todas as hipóteses, salvo nas

manifestações verbais (escárnio, vilipêndio verbal, etc.), que não

admitem fracionamento da conduta e, portanto, não admitem

tentativa.

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A ação penal será pública incondicionada em qualquer caso.

CUIDADO : Se o infrator escarnece, impede ou perturba a realização de

CUIDADO: Se o infrator escarnece, impede ou perturba a realização de

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algum ato religioso, rito ou cerimônia INDÍGENA, não pratica o delito

do art. 208 do CP, mas o do art. 58 da Lei 6.001/73 (Estatuto do

Índio), por se tratar de norma especial, que afasta a aplicação da norma

de caráter geral.

B) DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA

B.1) Dos crimes contra o casamento

Neste capítulo o CP prevê alguns tipos penais cujo bem jurídico

tutelado é a Instituição do Casamento. Vejamos:

CAPÍTULO I

DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO

Bigamia

Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:

Pena - reclusão, de dois a seis anos.

§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa

casada, conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três anos.

§ 2º - Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro

por motivo que não a bigamia, considera-se inexistente o crime.

Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento

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Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.

Conhecimento prévio de impedimento

Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta:

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Pena - detenção, de três meses a um ano.

Simulação de autoridade para celebração de casamento

Art.

238

casamento:

-

Atribuir-se

falsamente

autoridade

para

celebração

de

Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui crime mais grave.

Simulação de casamento

Art. 239 - Simular casamento mediante engano de outra pessoa:

Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.

Todos os tipos penais aqui descritos são CRIMES COMUNS,

podendo ser praticados por qualquer pessoa. A exceção fica por conta

do delito de bigamia, que somente pode ser praticado pela pessoa

que possui a qualidade de já ser casada, sendo, portanto, CRIME

PRÓPRIO.

sujeito passivo é, primariamente, o Estado e,

secundariamente, eventual particular lesado, geralmente o outro

cônjuge, ou até ambos os cônjuges, como no caso do art. 238 do CP.

O

O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se punindo as condutas

culposas.

tentativa é possível em todos os casos. No caso do crime de

bigamia, a Doutrina se divide, mas majoritariamente entende que

também é possível.

A

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B.2) Dos crimes contra o estado de filiação

CAPÍTULO II

DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO

Registro de nascimento inexistente

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Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente:

Pena - reclusão, de dois a seis anos.

Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido

Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: (Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)

Pena - reclusão, de dois a seis anos. (Redação dada pela Lei nº 6.898, de

1981)

Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza:

(Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)

Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena. (Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)

Sonegação de estado de filiação

Art. 243 - Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio, ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

Todos os delitos podem ser praticados por qualquer pessoa, sendo,

portanto, CRIMES COMUNS. O sujeito passivo é o Estado, e

secundariamente, a pessoa prejudicada com a ação (como o filho, no caso

do art. 243 do CP).

O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se punindo a forma

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culposa. No entanto, no crime do art. 243 do CP não é suficiente o

dolo genérico, exigindo-se o especial fim de agir, consistente na

intenção de prejudicar direito inerente ao estado civil.

A tentativa é sempre admissível.

B.3) Dos crimes contra a assistência familiar

CAPÍTULO III

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DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR

Abandono material

Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. (Redação dada pela Lei nº 5.478, de

1968)

Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada. (Incluído pela Lei nº 5.478, de 1968)

Entrega de filho menor a pessoa inidônea

Art. 245 - Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo: (Redação dada pela Lei nº 7.251, de 1984)

Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. (Redação dada pela

7.251, de 1984)

Lei nº

§ 1º - A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão, se o agente pratica delito para obter lucro, ou se o menor é enviado para o exterior. (Incluído pela Lei nº 7.251, de 1984)

§ 2º - Incorre, também, na pena do parágrafo anterior quem, embora

excluído o perigo moral ou material, auxilia a efetivação de ato destinado ao

envio de menor para o exterior, com o fito de obter lucro. (Incluído pela Lei nº 7.251, de 1984)

Abandono intelectual

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Art. 246 - Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

Art. 247 - Permitir alguém que menor de dezoito anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância:

I - freqüente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida;

II - freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor, ou

participe de representação de igual natureza;

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III - resida ou trabalhe em casa de prostituição;

IV - mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

Os delitos deste capítulo possuem como bem jurídico tutelado a

assistência familiar, de forma que o sujeito passivo primário, em todos

eles, é o ESTADO, figurando como sujeito passivo secundário o

parente que ficou ao desamparo (ascendente, descendente, etc.).

O elemento subjetivo exigido é o dolo, não sendo exigido nenhum

especial fim de agir.

A tentativa é admissível, salvo nos crimes de abandono

material e abandono intelectual, eis que são crimes omissivos

próprios, de forma que não se pode fracionar a conduta do agente e,

portanto, não se admite a tentativa.

CUIDADO! A Doutrina entende que, no caso do

abandono material

, o

crime só estará configurado se o incapaz, de fato, ficar “ao relento”, ou

seja, se ele ficar numa situação periclitante. Se por acaso, ele é acolhido

por outra pessoa (parente ou não), e não chega a estar numa situação

de abandono, o crime não estará configurado.

B.4) Dos crimes contra o pátrio poder, tutela e curatela

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CAPÍTULO IV

DOS CRIMES CONTRA O PÁTRIO PODER, TUTELA CURATELA

Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapazes

Art. 248 - Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem judicial; confiar a outrem sem ordem do pai, do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-lo a quem legitimamente o reclame:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.

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Direito Penal TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria e exercícios comentados Prof. Renan Araujo Aula 08

Subtração de incapazes

Art. 249 - Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial:

Pena - detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de outro crime.

§ 1º - O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito

não o exime de pena, se destituído ou temporariamente privado do pátrio poder, tutela, curatela ou guarda.

§ 2º - No caso de restituição do menor ou do interdito, se este não sofreu

maus-tratos ou privações, o juiz pode deixar de aplicar pena.

Os delitos aqui possuem como sujeitos passivos os responsáveis

pelos incapazes submetidos às situações descritas nos tipos penais.

Secundariamente, figuram como sujeitos passivos os próprios incapazes.

O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, sendo CRIME COMUM.

Só se admite a conduta dolosa, não se admitindo a forma culposa.

A tentativa é plenamente admissível, em ambos os crimes, salvo

no caso do art. 248 quando for praticado na modalidade de

por se tratar, neste caso,

de CRIME OMISSIVO PRÓPRIO.

“deixar, sem justa causa, de entrega-lo

”,

C) DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA

02399746465

Os crimes contra a paz pública são apenas três. Vejamos:

Incitação ao crime

Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime:

Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.

Apologia de crime ou criminoso

Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:

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Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.

Associação Criminosa (REDAÇÃO DADA PELA LEI 12.850/13)

Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente.” (NR)

Em todos os casos temos a coletividade como sujeito passivo.

Qualquer pessoa pode praticar o delito, sendo crime COMUM.

O elemento subjetivo é apenas o dolo, mas o crime de

ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA (antigo crime de “quadrilha ou bando”)

exige a finalidade especial de agir, consistente na intenção de

praticar crimes, ou seja, não basta o dolo genérico de reunião. Não há

forma culposa.

A tentativa NÃO É ADMISSÍVEL, em regra, salvo nos crimes

dos arts. 286 e 287 quando a conduta for praticada por outra

forma que não seja a verbal (por meio de carta, internet, etc.).

A Doutrina e a Jurisprudência entendem, ainda, que o delito de

ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA é crime permanente e independe da

prática de outros crimes pelos infratores, bastando que eles se reúnam

com a finalidade de praticar delitos.

02399746465

O § único do art. 228 nos traz uma causa especial de aumento de

pena, que será aplicada sempre que se tratar de associação armada

(quase sempre) ou na qual haja participação de criança ou adolescente.

Nesses casos, a pena será aumentada até a METADE!

Por fim, a Lei 12.720/12 nos trouxe a figura da “constituição de

milícia armada”, prevista no art. 288-A do CP. Vejamos:

Constituição de milícia privada de 2012)

(Incluído dada pela Lei nº 12.720,

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Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012)

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. nº 12.720, de 2012)

(Incluído dada pela Lei

Trata-se de figura semelhante ao tipo penal do art. 288 do CP, mas

que com ele não se confunde.

Aqui nós temos uma infinidade de condutas possíveis (constituir,

financiar, integrar, etc.). Além disso, não há a exigência de que a milícia

particular possua mais de 03 pessoas. É possível que possua duas, por

exemplo.

Vejam, ainda, que a pena é bem mais severa (Varia de 04 a 08

anos de reclusão).

IV DOS CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Os crimes contra a Organização do Trabalho estão descritos nos

arts. 197 a 207 do CP, totalizando 11 tipos penais diferentes, além de

suas variantes. Vejamos cada um deles:

Atentado contra a liberdade de trabalho

02399746465

Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:

I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar

ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena

correspondente à violência;

II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de

parede ou paralisação de atividade econômica:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena

correspondente à violência.

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Aqui temos dois tipos penais com a mesma lógica, a mesma

identidade, mas penas distintas, pois ambos são espécies de

constrangimento ilegal. No primeiro caso (inciso I) temos o

constrangimento ilegal cuja finalidade é obrigar alguém a exercer ou

deixar de exercer determinada profissão ou a exercê-la ou não exercê-la

em determinados dias.

No segundo caso, trata-se de um constrangimento ilegal voltado à

compelir alguém a abrir ou fechar seu estabelecimento de trabalho ou

aderir a algum movimento trabalhista (greve, piquete, etc.).

Ambas

as

condutas

podem

ser

praticadas

por

qualquer

pessoa, sendo, portanto, CRIME COMUM

. O elemento exigido é

o

dolo, não se exigindo nenhuma finalidade especial de agir.

O crime é MATERIAL, pois só se consuma quando a vítima cede ao

constrangimento do infrator. Caso contrário, teremos apenas um crime

na modalidade tentada.

Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Trata-se de crime de crime COMUM, pois pode ser praticado

02399746465

por qualquer pessoa. É crime MATERIAL, pois exige que a vítima

ceda

ao

constrangimento

do

infrator

para

que

o

crime

se

consume. A tentativa é ADMITIDA.

O elemento subjetivo exigido é o dolo.

Atentado contra a liberdade de associação

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Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Aqui temos mais um delito de constrangimento ilegal, só que com a

finalidade de compelir alguém a associar-se ou deixar de associar-se a

determinado sindicato ou associação profissional.

Temos mais um crime COMUM

,

por

qualquer pessoa, embora em regra seja cometido por integrantes dos

sindicatos.

pois pode ser praticado

Trata-se de crime MATERIAL, só se consumando se a vítima,

efetivamente, praticar a conduta pretendida pelo infrator (associar

ou não se associar). A tentativa é admitida, e o elemento subjetivo é

o DOLO, apenas.

Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa ou contra coisa:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o concurso de, pelo menos, três empregados.

02399746465

Aqui não temos um delito de constrangimento ilegal, mas um delito

que

é praticado necessariamente com violência à pessoa ou contra

COISA.
COISA.

CUIDADO COM ISSO!

Aqui a violência apenas contra COISA

caracteriza o delito.

O crime é de concurso necessário, pois, nos termos do § único do

art. 200, pelo menos três empregados devem participar da paralisação,

embora não seja necessário que todos pratiquem a violência. No entanto,

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é óbvio que somente aqueles que praticarem a violência é que serão

responsabilizados por este delito.

O crime se consuma com o emprego da violência, desde que

realizada durante paralisação ou suspensão do trabalho (mínimo

de três empregados). A TENTATIVA É ADMITIDA.

Paralisação de trabalho de interesse coletivo Art. 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Aqui temos um crime que pode ser praticado pelos empregados ou

pelo empregador. Se praticado pelo empregador, na modalidade de

suspensão coletiva de trabalho (lockout), o crime é unissubjetivo, ou seja,

pode ser praticado por apenas uma pessoa. No entanto, quando praticado

pelos

empregados

(abandono

coletivo

de

trabalho),

o

crime

é

considerado pela Doutrina como PLURISSUBJETIVO, ou seja, de

concurso

necessário,

pois

não

como

realizar

abandono

COLETIVO de trabalho sozinho.

É necessário, ainda, que seja provocada a interrupção de obra

pública ou serviço de interesse coletivo, independentemente de haver, ou

não, no

caso concreto, efetivo prejuízo à sociedade, pois o prejuízo

02399746465

é presumido (CRIME FORMAL).

A tentativa é admitida, e o elemento subjetivo é o DOLO,

apenas.

Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho,

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ou

com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele existentes

ou

delas dispor:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Aqui temos a conduta de “invadir ou ocupar estabelecimento

industrial, comercial ou agrícola, ou danificar o estabelecimento ou as

coisas nele existente, ou delas se desfazer”. Essa conduta pode ser

praticada por qualquer pessoa, sendo CRIME COMUM.

O elemento subjetivo é o DOLO, exigindo-se a finalidade

especial

de

agir,

consistente

na

intenção

de

IMPEDIR

OU

EMBARAÇAR O CURSO NORMAL DO TRABALHO

. Caso ausente essa

finalidade específica, poderemos ter o crime de invasão de domicílio, furto

ou dano, a depender da situação, mas nunca o crime do art. 202 do CP.

O crime se consuma com a mera realização da conduta (invadir,

danificar, etc.), independentemente de a intenção do infrator ser

alcançada (perturbar o trabalho). A tentativa é admissível.

Frustração de direito assegurado por lei trabalhista Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho:

Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena

02399746465

correspondente à violência. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)

§ 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.777, de

29.12.1998)

I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado

estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida; (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)

II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza,

mediante coação ou por meio da retenção de seus documentos pessoais ou

contratuais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)

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§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)

O crime

deste

artigo

se

caracteriza

pela

frustração

(evitar

a

efetivação) de um direito trabalhista.

VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA.

Isso pode se dar mediante

EXEMPLO: O empregador que ameaça de demissão o empregado

que pretende gozar suas férias já vencidas.

Embora o exemplo dado trate do empregador,

o crime é COMUM,

podendo ser praticado por qualquer pessoa.

O crime é MATERIAL, só se consumando se o direito trabalhista é,

efetivamente, frustrado, não sendo suficiente para a consumação apenas

a realização da conduta (violência ou grave ameaça).

O elemento subjetivo é o DOLO, apenas.

O §1º, I e II, traz um cláusula de equiparação, punindo também, e

pela mesma pena, aquele que coage alguém a consumir mercadoria de

determinado

estabelecimento,

PARA

IMPOSSIBILITAR

O

DESLIGAMENTO DO TRABALHO EM RAZÃO DA DÍVIDA, bem como

aquele que impede alguém de se desligar de serviço mediante

COAÇÃO ou RETENÇÃO DE SEUS DOCUMENTOS.

02399746465

No primeiro caso, devemos lembrar que há a chamada FINALIDADE

ESPECIAL DE AGIR, não bastando o dolo genérico. O agente deve

realizar a coação COM A FINALIDADE DE IMPOSSIBILITAR O

DESLIGAMENTO EM RAZÃO DA DÍVIDA. No entanto, caso o agente

pratique algum ato de privação da liberdade de locomoção do trabalhador

em razão da dívida eventualmente contraída, poderemos estar diante do

crime previsto no art. 149 do CP, que é o de REDUÇÃO À CONDIÇÃO

ANÁLOGA À DE ESCRAVO. Vejamos:

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Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo- o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:

(Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

CUIDADO COM ISSO!

O §2º, por fim, traz uma causa especial de aumento de pena, caso a

vítima seja uma das pessoas elencadas no rol do dispositivo legal.

Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho Art. 204 - Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

foi

recepcionado pela Constituição de 1988, já que tinha a finalidade de

proteger o mercado de trabalho nacional, punindo aqueles que

admitissem estrangeiros em detrimento de brasileiros, conforme as leis

da época em que foi promulgado o CP.

O crime

em tela,

segundo MAIORIA DA DOUTRINA

,

02399746465

não

Como a CRFB/88 proibiu a distinção entre brasileiros e estrangeiros

para este fim,

a DOUTRINA MAJORITÁRIA entende que este crime

não foi recepcionado pela Constituição.

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Exercício de atividade com infração de decisão administrativa Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:

Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.

A conduta aqui é bem simples, e consiste no exercício de atividade

de que o agente está impedido de exercer por decisão administrativa.

Trata-se de CRIME PRÓPRIO, pois somente aquela pessoa que foi

impedida de exercer determinada atividade, por decisão administrativa, é

que pode praticar o crime.

EXEMPLO: Advogado que exerce a advocacia após ter sua inscrição

suspensa em razão de incompatibilidade por exercício de determinado

cargo público.

Mas e o médico que exerce a medicina após ter seu registro cassado? Responde por

Mas e o médico que exerce a medicina após ter seu registro

cassado? Responde por este crime ou pelo crime do art. 282

(exercício ilegal da medicina)? O STF entende que, neste caso, o

02399746465

médico responde por este crime e não por exercício ilegal da

medicina!

E caso o agente descumpra uma decisão JUDICIAL e não

administrativa? Nesse caso, pratica um crime contra a administração

da Justiça, previsto no art. 359 do CP:

Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autoridade ou

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múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão judicial:

Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.

 
 

O exercício da medicina por médico cujo registro tenha sido cassado por decisão do órgão de fiscalização profissional competente (Conselho Regional de Medicina) configura o crime de exercício de atividade com infração de decisão administrativa (CP, art. 205), não o de exercício ilegal da medicina (CP, art. 282). Por outro lado, a competência para o julgamento desse crime - cuja caracterização independe da habitualidade da conduta - é da Justiça Federal, especialmente quando praticado contra decisão de órgão federal (como são as autarquias incumbidas da

fiscalização das profissões), de acordo com os incisos IV e VI do art. 109 da CF ("Aos juízes federais

compete processar e julgar: IV -

as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços

ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas

";

"VI - os crimes contra a organização do

trabalho

").

Com base nesse entendimento, a Turma indeferiu pedido de habeas corpus impetrado

contra decisão do TRF da 3ª Região. HC 74.826-SP, rel. Min. Sydney Sanches, 11.3.97.

(INFORMATIVO Nº 63 DO STF)

 

02399746465

O elemento subjetivo é o DOLO, e o crime se consuma com o

exercício, segundo maioria da Doutrina, HABITUAL da atividade da

qual está impedido.

CUIDADO! A habitualidade do delito não é tema pacífico, havendo

quem defenda que o crime não é habitual, sendo suficiente a prática de

um ato para a sua caracterização.

Aliciamento para o fim de emigração

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Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro. (Redação dada pela Lei nº 8.683, de 1993) Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.683, de 1993)

O crime aqui previsto pode ser praticado por qualquer pessoa, sendo

CRIME COMUM

. Veja que somente

ocorrerá o crime se o aliciamento

se der MEDIANTE FRAUDE,

não havendo crime no mero aliciamento de

pessoas para trabalhar em outro país, desde que sem fraude.

A Doutrina exige, ainda, que o aliciamento se dê em relação

A MAIS

DE UMA PESSOA,

pois o tipo penal usa o termo “trabalhadores”, no

plural. No entanto, alguns Doutrinadores (p.ex. Mirabete), entendem que

devem ser no mínimo

TRÊS pessoas aliciadas.

O termo “trabalhadores” é mais amplo que “empregados”, abarcando

quaisquer pessoas que estejam sendo aliciadas com a promessa de

trabalho, seja ele formal ou não.

O elemento subjetivo é o DOLO

, além da finalidade especial

consistente na intenção de levar os trabalhadores para o exterior.

O crime é FORMAL

e se consuma com a

mera perpetração da

FRAUDE

, pouco importando se a saída do território nacional chega a ser

02399746465

concluída. Admite-se a TENTATIVA.

Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional:

Pena - detenção de um a três anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) § 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda, não assegurar

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condições do seu retorno ao local de origem. (Incluído pela Lei nº 9.777, de

29.12.1998)

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)

O crime aqui é parecido com o anterior, só que o destino não é

o exterior, mas outra localidade do território nacional.

A forma de aliciamento também não é necessariamente a fraude,

podendo ser outra que não seja a livre vontade do trabalhador, livre de

vícios de consentimento.

A Doutrina afirma, ainda, que essa outra localidade do território

nacional deve ser longe (e aí não define longe) do local de origem.

O §1º traz uma forma equiparada, que é o RECRUTAMENTO de

trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, que

pode se dar de duas maneiras distintas. A primeira mediante fraude

ou cobrança de qualquer quantia do trabalhador (visa a evitar a

exploração econômica de quem pouco possui). A segunda, não

assegurando as condições de retorno ao local de origem, caso a

empreitada não dê certo.

Todas as hipóteses são crimes FORMAIS, consumando-se com a

mera realização da conduta, ainda que o deslocamento não ocorra. No

entanto, na segunda parte do §1º, a Doutrina ente de que o crime se

consuma no momento em que o recrutador nega ao trabalhador as

condições para retornar ao local de origem, não importando se este

consegue retornar com recursos próprios.

02399746465

O §2º, por sua vez, traz uma causa de aumento de pena, no caso de

a vítima se enquadrar numa das hipóteses previstas no texto do

dispositivo legal.

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 Todas as condutas somente são punidas na modalidade DOLOSA , não havendo previsão de

Todas as condutas somente são punidas na modalidade DOLOSA,

não havendo previsão de punição a título culposo;

Todos os crimes são de ação penal pública incondicionada, já que a

lei não diz o contrário (segue a regra);

São, em regra, crimes FORMAIS, mas há exceções (aquelas que

nós vimos);

Todos os crimes admitem a TENTATIVA, salvo as raras hipóteses

em que a conduta não pode ser fracionada (exemplo: Negar as

condições para retorno, art. 207, §1º, por de tratar de conduta

omissiva).

Bons estudos!

Prof. Renan Araujo

LISTA DAS QUESTÕES

02399746465

Prof. Renan Araujo LISTA DAS QUESTÕES 02399746465 01 - (CESPE - AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL –

01 - (CESPE - AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL 2000)

Considere a seguinte situação hipotética.

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BX era empregado de um escritório contábil que tinha um contrato de

licença - licensing - com a empresa OBM Com. e Rep. Ltda., criadora e

titular dos direitos do software SAGASP, destinado ao sistema de pessoal

e recursos humanos da empresa. Em um fim de semana, BX levou uma

gravadora de CD-ROM até o escritório e copiou o programa, a fim de

mercadejá-lo, sem autorização da OBM.

Nesse caso, BX praticou crime contra a propriedade intelectual de

software, cuja ação penal é pública, condicionada a representação.

02 - (CESPE - PAPILOSCOPISTA POLICIAL FEDERAL 2000)

Julgue o seguinte item.

Comete o crime de violar direitos de autor de programa de computador o

agente que, tendo a licença de uso de um software, o reproduz, em um

só exemplar, para fins de armazenamento

Eletrônico.

03 - (FUNCAB 2013 PC/ES ESCRIVÃO)

Laurindo, comerciante do ramo de joalheria, cansado de sofrer roubos em

suas lojas, passou a financiar um esquadrão formado por ex-policiais,

com a finalidade de que o referido grupo executasse os ladrões. O

esquadrão já havia planejado a morte de dois ladrões, quando foi

02399746465

descoberto pela polícia. Assim, Laurindo e o esquadrão:

a) devem responder pelos delitos de bando ou quadrilha (artigo 288 do

CP) e por duas tentativas de homicídio.

b) devem responder unicamente pelo crime de constituição de milícia

privada (artigo 288-A do CP).

c) devem responder unicamente pelo crime de bando ou quadrilha (artigo

288 do CP).

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d) devem responder pelos delitos de constituição de milícia privada

(artigo 288-A do CP) e por duas tentativas de homicídio.

e)

devem responder somente por duas tentativas de homicídio.

 

04

-

(INSTITUTO

CIDADES

2010

DPE-GO

DEFENSOR

PÚBLICO)

Quatro indivíduos reúnem-se, de forma estável e permanente, com o fim

de cometer crimes de estelionato. Todavia, tendo cometido um único

estelionato, o grupo é desmantelado em virtude de uma denúncia

anônima. Nesses termos, todos os quatro devem responder penalmente

por

a) estelionato, apenas.

b) quadrilha ou bando e estelionato, em concurso formal próprio.

c) quadrilha ou bando e estelionato, em concurso formal impróprio.

d) quadrilha ou bando e estelionato, em concurso material.

e) quadrilha ou bando, apenas.

05 - (VUNESP 2012 TJ-RJ JUIZ DE DIREITO)

O crime de infração de medida sanitária preventiva tem pena aumentada

de um terço se o agente

02399746465

I. é funcionário da saúde pública;

II. praticou o ato com intenção de lucro;

III. exerce profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.

Completa adequadamente a proposição o que se afirma apenas em

a) I.

b) II.

c) III.

Direito Penal に TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria e

Direito Penal TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria e exercícios comentados Prof. Renan Araujo Aula 08

d)

I e III.

06

- (CESPE 2008 ABIN AGENTE DE INTELIGÊNCIA)

Letícia, mediante arremesso de dinamite, expôs a perigo a vida e a

integridade física de passageiros de uma aeronave. Nessa situação,

Letícia deve responder por crime de explosão, que admite a modalidade

culposa.

07 - (CESPE 2008 ABIN AGENTE DE INTELIGÊNCIA)

Flávia arremessou projétil em ônibus destinado ao transporte público,

enquanto o ônibus estava em movimento e com passageiros em seu

interior. Nessa situação, a conduta de Flávia somente será considerada

crime se tiver resultado em lesão corporal ou morte; caso contrário, será

considerada apenas ilícito civil.

08

JUDICIÁRIA)

-

(FCC

2010 TRT8 ANALISTA

JUDICIÁRIO

ÁREA

Mário, revoltado com os sucessivos defeitos de seu velho carro, levou-o

até um lugar ermo e desabitado e ateou fogo no veículo, destruindo-o.

Mário

02399746465

a) cometeu o crime de incêndio culposo.

b) cometeu o crime de incêndio, em seu tipo fundamental.

c) cometeu o crime de incêndio, em seu tipo qualificado.

d) não cometeu crime de incêndio, porque era o proprietário da coisa

incendiada.

e) não cometeu crime de incêndio, porque tratando-se de local ermo e

desabitado, o fato não ocasionou perigo comum e concreto.

Direito Penal に TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria e

Direito Penal TJ/CE (2014) ANALISTA JUD. (ÁREA JUDICIÁRIA E EXECUÇÃO DE MANDADOS) Teoria e exercícios comentados Prof. Renan Araujo Aula 08

09 - (PC-RJ 2008 PC-RJ INSPETOR)

Relativamente ao tipo objetivo, pode-se afirmar que o crime de incêndio

(“art. 250: Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física

ou o patrimônio de outrem”) é considerado:

a)

de perigo abstrato.

b)

de perigo concreto.

c)

de perigo presumido.

d)

de alto risco.

e)

de baixo risco.

10

- (VUNESP 2011 TJ-SP TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS)

Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente

a) tipifica conduta penal de registro de nascimento inexistente.

b) tipifica conduta penal de sonegação de estado de filiação.

c) tipifica conduta penal de parto suposto, supressão ou alteração de

direito inerente ao estado civil de recém-nascido.

d)

não configura ilícito penal.

 
 

02399746465

11

-

(INSTITUTO

CIDADES

2010

DPE-GO

DEFENSOR

PÚBLICO)

Romeu e Julieta se apaixonaram quando se conheceram. Mas a vida de