Em 1951 surge em luanda a revista Mensagem, constituindo-se marco inicial da

poesia moderna angolana. Nela convergem e ganham impulso ideias, projectos,
iniciativas isoladas ou anteriormente esboçadas com natureza cultural ou
literária.
Fundando pela Associação dos Naturais de Angola- ANANGOLA, mensagem é
iniciador da nova cultura angolana. Constitui-se em porta-voz de ANANGOLA,
MNIA e CEI. Nela participa a geração de escritores que serão responsáveis pela
construção da Nova Nação. A publicação da revista é resultado concreto da
ambição da nova geração dos intelectuais de angola de ampliar o movimento
cultural iniciado por Viriato da Cruz.
A temática dos escritores de Mensagem gira a volta dos tópicos que vão
caracterizar a poética que continuou até os nossos dias: valorização do homem
negro-africano e da sua cultura, sua capacidade de autodeterminação, a nação
africana que se antevê como estado com autoridade e existência própria. É um
poesia anti-colonial, humanista e social.
Seu projecto vasto e ambicioso era: criar e levar a cultura angolana além
fronteira por meio de todas as artes (poetas e escritores, pintores, músicos) a
partir dos motivos da terra. Mensagem ganhou fisionomia original, tornando-se
expressão literária e cultural da angolanidade e de ser a primeira voz da cultura
regional autentiva das áreas do continente africano de influência portuguesa. A
poesia de Ermelinda Xavier intitulado Mensagem é apêlo a todo angolano numa
era em que a consciência nacional começa definir-se em termos inequívocos.
Nesta fase na africa portuguesa há um forte debate sobre a criação literária e
artística afro-negra (negritude) como eco da poesia afro-americana e afrofrancesa.
A iniciação dos intelectuais de Angola à problemática da cultura negra com
firme decisão de conquistar o lugar de direito incita a irresistível necessidade de
revitalizar os caminhos pela actividade cultural angolana de modo radical e sem
concessões: o marco de uma cultura nova de angola por angola prenuncia a
marcha para a ideia de independência nacional.
O MNIA propunha o lema/Slogan: Vamos descobrir Angola. Descobrir
implicava redefinir e em seguida valorizar os dados fundamentais da
caracterização cultural e não apenas prolongar uma perspectiva viciada e
inconsequente.
Mensagem é porta-voz expressão desse movimento que se traduz, não só na
criação da revista mas também na criação de um movimento cultural e literária
que se pretendia ampla e intensa: concursos literários, exposição de artes
plásticas, campanhas de alfabetização, publicação periódica da Revista
Mensagem, Edição de obras de autores angolanos, realização de palestras,
conferências, recitais, divulgação artística, literária, cientifica, fundação de
escolas primárias, médicas, técnicas e profissionais para a valorização e
aperfeiçoamento do operário, criação de bibliotecas.

A reação contra a subserviência europeia dos modelos. Certeza de 1944 organizado por nuno Miranda. temas e processos estéticos. Não tendo nada contra Claridade. alunos do liceu Gil Eanes. Embora tenha editado 4 números em dois cadernos. pois o regional recebia uma forte pressão ideológica. sociológico. Silvestre Faria. etc. O que era comum entre estes é a ideia únbica de caboverdianidade: a revelação da sua terra e sua gente. Arnaldo França. poesia. Há uma consciencialização da dinâmica da vida. Para além dos dois numertos assiste-se a exposição de artigos científicos que traduzem a excepcional consciência da objectividade critica pela intervenção intelectual. Embora não se equiparassem ao nível estético a certeza supoerou claridade no nível ideológico. espaço de literatura viva e humana em que se traduzem as angustias e esperanças dos irmãos da raça. O grupo de certeza em contrapartida. . Certeza não formou grandes poetas da literatura cabo-verdiana. ensaio linguístico. De facto sem o neorrealismo português. critico. Chegou a ter apenas 2 edições mas com um forte impacto ideológico. não deixa de ter o mérito de ter aberto linhas importantes para o novo conto e poesia angolanas. Filinto Meneses e Tomás Martins. Os impulsiona a mesma ideologia que justificara o movimento Neorrealista Português. não deixará de se animar com a consciência orgulhosa de a ter ultrapassado nesse aspecto. O ponto de partida era a redecoberta da realidade social e psicológica das ilhas. mas marcou a geração de curta duração animada pela ideia de terem contribuído na cultura Caboverdiana. Até porque os Certezistas não conheciam Claridade que não era publicado desde as três edições de 1936 e 37. Mas quando apetrechados culturalmente conhecem e compreendem o acto revolucionário de claridade. embora claridade apontasse essencialmente para as raízes crioulas. folclórico. conscientes de uma nova visão.Mensagem pretendia ser mais que um simples órgão literário. De algum modo certeza é continuadora de Claridade. A leitura e comentário de autores neorrealistas ajudou na construção de uma certa forma de encarrar a vida. certeza não teria sido possível. Há um ideário colectivo de luta contra os mitos de evasão. o primeiro em 1951 e o segundo em 1952. Guilherme Rocheteau. Arnaldo França convidando os seus condiscípulos do liceu a aceitar a Certeza como jornal. pois ambicionava ser um verdadeiro órgão cultural desdobrando pelo conto. José Spencer. acentuará mais o aspecto ideológico que o regional.

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