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PODER JUDICIÁRIO 1

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Colégio Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do Estado


de São Paulo
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRATICA
REGISTRADO(A) SOB N°
A C Ó R D Ã O - Voto n.° 2137 |||||ll||||||||||«
*02178254*

Vistos, relatados e discutidos estes autos de agravo de


instrumento (Recurso n.° 989.09.001026-4 - Central), figurando como
agravante EMERSON MARCHIORI DA SILVA e agravados YLLEN
FÁBIO BLANES DE ARAÚJO,
ACORDAM os juizes integrantes da Primeira Turma
Cível do Colégio Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do
Estado de São Paulo conhecer do agravo e dar provimento a ele, tudo
nos termos do voto em anexo. Participaram do julgamento os juizes
Alcides Leopoldo e Silva Júnior e Jorge Tosta.
/
São Paulo, 4 de FeWráiro de 2009.

ANTÔNIO MÁRw|pE CASTRO FIGLIOLIA


Jura Relator

Agravo n ° 989 09 001026-4


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Agravo n.° 989.09.001026-4


Origem: Central
Agravante: Emerson Marchiori da Silva
Agravados: Yllen Fábio Blanes de Araújo e outros

Execução - exclusão do ex-sócio da executada,


anteriormente incluído no pólo passivo da execução —
ação ajuizada antes da alteração societária, circunstância que
legitima o ex-sócio, no caso de desconsideração da
personalidade jurídica, a permanecer no pólo passivo da
execução - agravo provido

Voto

Vistos os autos.
Conheço do agravo, por aplicação do Enunciado n° 2 do Colégio
Recursal ("E admissível, no caso de lesão grave e de difícil reparação, o recurso de
agravo de instrumento no Juizado Especial Cível").
O agravo merece provimento.
Respeitado o entendimento do magistrado de 1.° grau, o ex-sócio
excluído do processo deve permanecer no pólo passivo da execução. Assim é porque
quando do ajuizamento da ação ele fazia parte da sociedade. Em verdade, a sua retirada
só se deu cerca de cinco anos depois do trânsito em julgado da decisão favorável ao
agravante. O fato de a decisão que desconsiderou a personalidade jurídica das
executadas ser posterior à alteração social, pela qual o sócio em comento saiu da
sociedade, não obstava a permanência dele no pólo passivo da execução. Como as
pessoas jurídicas não têm bens para garantirem o débito formado cinco anos antes da
alteração social, o ex-sócio também responde solidariamente. Trata-se de questão de
direito e, principalmente, de justiça.
Só haveria a possibilidade de exclusão do ex-sócio se ele
demonstrasse que antes de sua retirada as empresas tinham patrimônio suficiente para
garantir a execução. Tal prova não foi feita. Em verdade, é bom que se diga, a execução

Agravo n° 989 09 001026-4


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teve início em 1.° de Fevereiro de 2001 (cf. fls. 44) e desde então o agravante não
consegue bens suficientes para haver o seu crédito, sendo que os penhorados - pela
especificidade - não foram arrematados.
A relação dos autos é de consumo. Foi por conta disso que houve
a desconsideração da personalidade jurídica das executadas e a inclusão dos sócios. Para
tanto, aplicou-se o art. 28 da Lei 8.078/90.
Convém relembrar o teor do invocado dispositivo: "O juiz poderá
desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do
consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato
ilícito ou violação dos estatutos ou do contrato social A desconsideração também será
efetivada quando houve falência, estado de insolvência, encerramento ou atividade da
pessoa jurídica provocados por má administração ". Ora, em se tratando de dívida
anterior à retirada do sócio, de se presumir que o estado de insolvência - sem
demonstração em contrário - era pré-existente, pelo que pemianecem os motivos que
deram ensejo à desconsideração da personalidade jurídica, calcada no dispositivo legal
em destaque.
Dou provimento ao agravo para o fim de afastar a decisão que
acatou a exceção apresentada pelo agravo Yllen Fábio. Ele permanece no pólo passivo
da execução. Deverá a serventia de origem proceder às devidas anotações.
É como voto."]
São PauWwde Fevereiro de 2009.

ANTôKjjp MÁRIO

Agravo n" 989 09 001026-4