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A alma dorme no mineral?

“A vida orgânica pode animar um corpo
sem alma, mas a alma não pode habitar
um corpo privado de vida orgânica.”
(Espíritos Superiores, LE, q. 136a).

Paulo Neto

Copyright 2014 by
Paulo da Silva Neto Sobrinho (Paulo Neto)
Belo Horizonte, MG.

Capa:
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Revisão:
João Frazão de Medeiros Lima
Hugo Alvarenga Novaes

Diagramação:
Paulo Neto
site: www.paulosnetos.net
e-mail: paulosnetos@gmail.com

Belo Horizonte, agosto/2014.

.................................... Ary Lex.. Conclusão..............................................................................7 – Da coleção “André Luiz” pela psicografia de Francisco Cândido Xavier?.......4 – Oliver Joseph Lodge.............................2 – De culturas que aceitam a transmigração da alma?.........................1 – Cairbar Schutel....................... Estudiosos ulteriores à Codificação.................97 4.........8 – De Joanna de Ângelis (espírito)?........................................................................................5 1..94 4.........11 3..... De onde teria vindo essa ideia?.....118 5....................................................................107 5.........4 – José Herculano Pires.................6 – Do espírito Adelino da Fontoura?..........................140 7.......................104 5...........................95 4......... Na Codificação...............2 – Durval Ciamponi.................................................................3 – Camille Flammarion......149 .....................................137 6.............................1 – Dos Espíritos envolvidos na Codificação?............................113 5.................................5 – Da “Revelação da Revelação”?.....................92 3.........3 – Da teoria do pampsiquismo proposta por Geley?................79 3.........................126 5.................2 – Gabriel Delanne.......79 3.............Índice Prefácio..................95 4.......3 – Dr.................................................1 – León Denis........ Estudiosos dos primórdios da Codificação................ Referências bibliográficas........119 5.107 5.................................................................................84 3.......................... Introdução..4 – Da escola sufista?.................................127 5.........115 5................................96 4.......................................................8 2.....................................

…” (O Problema do Ser. em referência a resposta da questão 540. o primeiro estudo se faz nas obras básicas do Espiritismo. a inteligência dormita. J. informando que existe matéria em lugares que ainda ignoramos. que há matéria inerte e outras dotadas de inteligências e que os seres orgânicos têm um princípio vital que serve de força motriz para agir nos mundos materiais. sonha no vegetal. do Destino e da Dor). se agita no animal e desperta no homem”. diz na introdução que escreveu para comemorar o centenário do lançamento de O Livro dos Espíritos (1957). Herculano Pires que além da obra informada por Paulo Neto neste e-book. A segunda do prof. sonha.5 Prefácio Este importante e-book muito bem construído em cima de preciosos detalhes começa indagando sobre duas frases existentes na literatura espírita: a primeira informada por Léon Denis (tido como sendo o continuador do espiritismo após o desencarne de Allan Kardec): “Na planta. Em que ponto a alma (ou espírito elementar) inicia sua evolução? No mineral? Na planta? No animal ou no homem? É a dúvida que muitos de nós podemos ter ou já a tivemos em . Nesse sentido outras informações importantes vão surgindo naturalmente no texto nos mantendo atentos e concentrados. Procurando ir a fundo para explicar a diferença nas informações de Denis/Herculano Pires. em especial em O Livro dos Espíritos. só no homem acorda. no animal. Diz ele: “A alma dorme na pedra.

talvez pela cultura e as crendices da época em que viveu deu a seguinte explicação para este fato: “UM OUTRO MOTIVO HAVIA FEITO ADIAR A SOLUÇÃO RELATIVA AOS ANIMAIS. de certo modo. Kardec. ESSA QUESTÃO TOCA PRECONCEITOS HÁ MUITO TEMPO ENRAIZADOS E QUE TERIA SIDO IMPRUDENTE CHOCAR DE FRENTE”. se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida. necessitava ele de argumentos mais sólidos para seguir adiante. na mais pura espiritualidade. um ser integral. ou seja. É nesse meio universal que o princípio inteligente se elabora. nesse mesmo artigo . setembro de 1865 (Alucinação nos Animais). no que podemos entender das suas palavras na Revista Espírita. mas. Quer dizer. ou melhor ainda. um trabalho preparatório. Instinto de conservação. por isso. lei de conservação e de destruição fazem parte do processo evolutivo é são bem colocadas e citadas nesta pesquisa conforme os Espíritos superiores informaram em O Livro dos Espíritos. por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito”. tudo nela se encadeia e tende para a unidade. pesquisadas e estudadas atentamente pelo autor conduzindo para mais perto destas respostas tão ansiadas pelos estudiosos deste intrigante tema. teria muito a nos informar sobre este assunto. Dizem insistentemente os Espíritos que colaboraram com a revelação da Doutrina Espírita: “Tudo é solidário na Natureza. como o da germinação.… É.6 algum tempo e ainda podemos estar procurando respostas mais racionais. As diversas obras básicas são vasculhadas.

disse ele ainda nesse artigo que “O ESPIRITISMO VEIO DAR UMA IDEIA-MÃE. Gustav Geley. entre outros importantes autores. havia dito que ainda não era o caso da questão dos animais: Eis por que ainda não o decidimos.…”. André Luiz (Espírito). Até a constatação mais seria. formulada em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns. Referindo-se a resposta dada pelos Espíritos a questão 540. no artigo Da Perfeição dos Seres Criados. Camille Flamarion. além das obras básicas do Espiritismo. EM QUALQUER SENTIDO QUE ELA OCORRA. Paulo Neto. busca outras fontes para enriquecer ainda mais este tão fascinante tema: Gabriel Delanne. da lógica da rigorosidade com que foram controladas as diversas partes da doutrina. DEVERÁ SE APOIAR SOBRE OS ARGUMENTOS PEREMPTÓRIOS QUE NÃO DEIXARÃO NENHUM LUGAR À DÚVIDA. na Revista Espírita de março de 1864. Confira! Elio Mollo . E PODE-SE VER O QUANTO ESTA IDEIA É FECUNDA”. Inclusive. De onde teria vindo a ideia de que a evolução do princípio inteligente se inicia no reino mineral? É o objetivo principal deste precioso e-book. e esperar sua confirmação ou sua negação. senão como inventário.7 disse que: “QUANDO VIER A SOLUÇÃO DEFINITIVA. não se devem aceitar teorias que possam ser dadas a respeito. em tratando do alto alcance dos ensinos.

Atualmente. sonha no vegetal. logia é estudo. agita-se no animal e acorda no homem. Essa teoria da evolução é mais audaciosa que a de Darwin. 93-94. a teoria espírita da evolução considera o homem como um todo formado de espírito e matéria. sonha no vegetal. 1987. admite essa teoria apresentando-a em termos simbólicos: Deus fez o homem do barro da Terra. até mesmo no Catolicismo a evolução se impôs em termos aproximados da teoria espírita. Só que. ciência) revela o processo evolutivo a partir do reino mineral até o reino hominal. A própria evolução é apresentada como um processo dialético de interação entre esses dois elementos primordiais. O próprio Gênese. p. de José Herculano Pires (1914-1979): A Ontogênese Espírita.”. Na busca em que nos empenhamos para encontrá-la. a teoria doutrinária da criação dos Seres (Do grego: onto é Ser. Assim.8 1. em . livro da Bíblia. com os trabalhos famosos do Padre Teilhard de Chardin. curiosamente. o espírito e a matéria. como se pode verificar nos estudos científicos. ninguém havia provado que ele tenha dito exatamente isso. grifo em itálico do original. como sendo de autoria de Léon Denis (1846-1927). Entre cada uma dessas fases existe uma zona intermediária. Introdução No meio espírita é comum ouvirmos citarem a frase “A alma dorme na pedra. Léon Denis a definiu numa sequência poética e naturalista: A alma dorme na pedra. como já vimos. Na Religião a encontramos no Oriente. Tanto na Ciência como na Filosofia essa teoria da evolução segue o mesmo esquema. ou seja. agita-se no animal e acorda no homem. acabamos por nos deparar com ela na obra Mediunidade: vida e comunicação – Conceituação da mediunidade e análise geral dos seus problemas atuais. (PIRES.

a água na fonte tem bem outro sabor. conhece-se. 123. teria dito algo em contrário. p. tenha passado também pelo reino mineral. de alguma sorte fatal nas formas inferiores da Natureza. a questão. senão vejamos: Na planta. Léon Denis. Sobre ele é oportuno informar: . é saber o que Allan Kardec (1804-1869) disse sobre o assunto e se o seu sucessor. mesmo em sentido figurado. a partir daí.9 negrito nosso). Em que pese toda a sabedoria de Herculano Pires. justamente. “dormir na planta” não é o mesmo que “dormir na pedra”. Obviamente. pois dela se tira que o princípio inteligente. em sua evolução progressiva. Não podemos assegurar que tenha sido Herculano Pires o primeiro a mencionar a frase atribuída a Léon Denis com esse teor. Bom. porém. que é a nossa proposta nesse estudo. considerado como quem mais entendia Kardec. grifo nosso). o ponto que causa polêmica em nosso meio. no reino mineral. (DENIS. evoluído por todos os reinos. especialmente. o progresso. sem exceção alguma. só no homem acorda. espírita de primeira linha. não encontramos no Codificador algo que venha a apoiar a hipótese de que o princípio inteligente tenha. só se pode realizar pelo acordo da vontade humana com as leis Eternas. pelo qual nutrimos o maior respeito. que é. no animal. possui-se e torna-se consciente. sonha. 1989. que se nos apresenta. a inteligência dormita.

.m.j. Fez conferências por toda a Europa em congressos internacionais espíritas e espiritualistas. ao lado de Gabriel Delanne e Camille Flammarion. o que será feito oportunamente. também não deixaremos de levar em consideração a opinião deles. caro leitor. (WIKIPÉDIA). 12 de Março de 1927) foi um filósofo espírita e um dos principais continuadores do espiritismo após a morte de Allan Kardec. s. Uma vez que. por terem sido com Denis. na transcriação.10 Léon Denis (Foug. . a opinião de Léon Denis. 1 de janeiro de 1846 – Tours. não deve ser relegada a segundo plano. são citados Gabriel Delanne (1857-1926) e Camille Flammarion (1842-1925). defendendo ativamente a ideia da sobrevivência da alma e suas consequências no campo da ética nas relações humanas. que por ter estado muito mais perto de Kardec do que Herculano Pires. os principais continuadores do Espiritismo. Não podemos deixar de lembrar a você.

Para vós. porque não falais senão do que conheceis. Na Codificação Julgamos ser necessário transcrever algumas perguntas e respectivas respostas constantes de O Livro dos Espíritos a respeito “Dos elementos gerais do Universo”. pode dizer-se que a matéria é o agente. por exemplo. (grifo em itálico do original). Mas a matéria existe em estados que ignorais.11 2. para que o volume de informações que juntamos a esse estudo possa nos proporcionar uma melhor avaliação do tema proposto. tão etérea e sutil. Define-se geralmente a matéria como sendo – o que tem extensão. São exatas estas definições? “Do vosso ponto de vista. Pode ser. Contudo. ainda que fora da matéria densa (corpo físico). o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o espírito. a) — Que definição podeis dar da matéria? “A matéria é o laço que prende o espírito. que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. exerce sua ação. é sempre matéria. elas o são.” (grifo em itálico do original).” Deste ponto de vista. o que é capaz de nos impressionar os sentidos. porém. 73-76). pois um espírito. O esclarecimento de que há matéria em estados que ignoramos servirá como base para o entendimento da questão seguinte (22-a). não o seria. . é o instrumento de que este se serve e sobre o qual. no qual temos o item “Espírito e Matéria” (p. estará jungido a uma matéria sutil (perispírito). 22. o que é impenetrável. ao mesmo tempo.

Portanto. para dai concluir que ele iniciou o seu progresso evolutivo no reino mineral.” 24. A isto não são apropriados os vossos sentidos. de sorte que. se confundem num princípio comum.” a) — Essa união é igualmente necessária para a manifestação do espírito? (Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência.12 Se não levarmos em conta a explicação da questão anterior pode-se pensar que o princípio inteligente tenha que estar. distintos um do outro. obviamente. obrigatoriamente.) “É necessária a vós outros. entretanto. por não ser palpável. por definição. porém. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.” (grifo em itálico do original). ele nada é. Uma e outro. mas. é alguma coisa. os dois elementos gerais do Universo. Para nós. abstração feita das individualidades que por esse nome se designam. como as cores o são da luz e o som o é do ar? “São distintos uma do outro. interligados. a união do espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria. são a mesma coisa.” 25. porque não tendes organização apta a perceber o espírito sem a matéria. 23. temos que o Espírito e a matéria são. ligado à matéria bruta. O espírito independe da matéria. porém. de forma que o . É o espírito sinônimo de inteligência? “A inteligência é um atributo essencial do espírito. Para vós. Que é o espírito? “O princípio inteligente do Universo. ou é apenas uma propriedade desta. para vós.” a) — Qual a natureza íntima do espírito? “Não é fácil analisar o espírito com a vossa linguagem.

Se o fluido universal fosse positivamente matéria. ao elemento material se tem que juntar o fluido universal. a trindade universal. ou primitivo. que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita. espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe. Embora. Poder-se-á conceber o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito? “Pode-se. é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.13 primeiro se utiliza do segundo para desenvolver seu potencial intelectivo e moral. . que aqui devemos entender a matéria como no estado que conhecemos. Esse fluido universal. Mas. Deus. possui um princípio inteligente. seja lícito classificá-lo com o elemento material. razão não haveria para que também o espírito não o fosse. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito? “Sim e acima de tudo Deus.” (grifo em itálico do original). como a matéria é matéria. pelo pensamento. o criador. de certo ponto de vista. Está colocado entre o espírito e a matéria. que lhe esteja ligado. ou elementar. 26. por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela. ou seja. necessariamente. é fora de dúvida. 27. matéria bruta e com isso compreendermos que nem toda a matéria existente em nosso Planeta. Certamente.” (grifo em itálico do original). o pai de todas as coisas. é fluido. e suscetível. de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. ele se distingue deste por propriedades especiais. sendo o agente de que o espírito se utiliza. pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do espírito.

Então. uma emanação da Divindade. É através dele que o princípio inteligente consegue agir sobre a matéria bruta. As vossas controvérsias provêm. se há pontos de contacto entre ambas. Competevos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. por ser incompleta a vossa linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos. alguma coisa. em negrito nosso). de não vos entenderdes acerca dos termos que empregais. destituída de fica claro que. ignoramos. primeiramente.” Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. vejamos. em si. o que Kardec pensava sobre a evolução . daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. inteligência e para Kardec. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus. há matéria que. Se promanam ou não de uma só fonte. não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações de – matéria inerte e matéria inteligente? “As palavras pouco nos importam. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. ele é “retirado” do fluido universal. conforme a opinião de alguns. Seguindo em frente em nosso estudo. se é mesmo. embora o princípio inteligente independa da matéria.14 Um pouco atrás. um efeito. quase sempre. ou se é uma propriedade. ocorre uma ligação entre ambos. cujo momento nos é ainda desconhecido. Pois que o espírito é. que as governa. (grifo em itálico do original. que se distingue delas por atributos essenciais. segundo a explicação acima. Mais à frente voltaremos a essa questão. citamos o perispírito que é composto de matéria sutil e. 28. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras. se a inteligência tem existência própria. Elas se nos mostram como sendo distintas.

3). já desde a primeira edição desse livro. publicada em 18 de março de 1860. independente do princípio vital. Essa fala é mantida na segunda edição de O Livro dos Espíritos. porém. que a vida material é comum a todos os seres orgânicos e que ela é independente da inteligência e do pensamento: que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas. como todos sabemos. enfim. pois é um resultado de observação. é a espécie humana. Kardec. Nós chamamos enfim inteligência animal o princípio intelectual comum aos diversos graus nos homens e nos animais. é um fato que não se pode contestar. sem meias palavras. enquanto que essa força existe. 3. Parecenos que. afirma que “a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas” (KARDEC. e cuja fonte nos é desconhecida. grifo nosso). 2004. há uma dotada de um senso moral especial que lhe dá incontestável superioridade sobre as outras. que é exatamente o caso dos minerais. p. ele ainda não estende a todos os seres orgânicos a inteligência e o pensamento. que entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento. p. porém. recorreremos ao que ele disse na “Introdução” da primeira edição de O Livro dos Espíritos. quando citarmos a pergunta 71. o que será confirmado mais à frente. com isso.15 anímica. (KARDEC. datada de 18 de abril de 1857: Qualquer que seja. o que achamos importante e queremos realçar é que. 2004. somente a “certas espécies”. em 18 de abril de 1857. . é que os seres orgânicos têm em si uma força íntima que produz o fenômeno da vida. além de deixar de fora os seres inorgânicos. ocorrida.

e que se formam apenas pela agregação da matéria (KARDEC.j. São providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida. É importante para clarear ainda mais a questão trazermos a definição que Kardec deu para os seres orgânicos: Os seres orgânicos são os que têm em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida. avaliamos que.. Ora. ter animado os minerais. cabe-nos aqui ressaltar a frase que colocamos em epígrafe.16 constante da segunda edição. 2007a. órgãos esses apropriados às necessidades que a conservação própria lhes impõe. por coerência. reproduzem-se por si mesmos e morrem. crescem. mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica”. grifo nosso). constante da resposta à questão 136a: “A vida orgânica pode animar um corpo sem alma. s. que será também a fonte que usaremos daqui para frente.m. p. (KARDEC. não há sustentação doutrinária para se concluir que o princípio inteligente possa. 91. Baseando-nos nessa explicação e somando-se ao fato de que ele. que “são todos os que carecem de vitalidade. Por ser de suma importância. Nascem. p. Kardec classifica os minerais como inorgânicos. uma vez que ele faz parte dos seres inorgânicos. em algum momento. exclui os seres inorgânicos de possuírem a inteligência e o pensamento. essa afirmativa deita por terra toda e qualquer pretensão de colocar o princípio inteligente como tendo passado pelo mineral. 125. Nessa . 2007a. de movimentos próprios. grifo nosso).

pois que aqui apenas do corpo se trata. Tais são os minerais. 18). como dito. os animais e as plantas. eles “carecem de vitalidade”. grifo nosso). apresentamos também a definição que Kardec dá a esses: “Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade. pois. o que. (KARDEC. em A Gênese. É oportuno observar bem que Kardec classifica os minerais como seres inorgânicos. consequentemente. reproduzir-se e morrer. p. animais e plantas. crescer. E. . não acontece com os seres inorgânicos. (KARDEC. 2007a. a água. certamente. etc”. segundo acreditamos. p.17 classe estão compreendidos os homens. X – Gênese Orgânica”. uma vez que “são faculdades próprias de certas espécies orgânicas” (KARDEC. cujas características principais de cada um deles é: nascer. segundo Kardec. de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. 91. p. para que se possa diferenciá-los dos inorgânicos. – Dizendo que as plantas e os animais são formados dos mesmos princípios constituintes dos minerais. podemos classificar os seres orgânicos em homens. o que nos leva a concluir que. 91. 2007a. falamos em sentido exclusivamente material. sobre o qual Kardec. o ar. esclarece argumentando: 16. Essa “fonte de atividade íntima que lhes dá a vida”. eles são desprovidos de inteligência e pensamento. é o princípio vital. grifo nosso). 2007a. Então. no “Cap.

sequer. que decompõe e recompõe a maior parte dos corpos inorgânicos. 2007e. em negrito nosso). tem-se uma molécula de matéria orgânica. uma folha morta. que é questão à parte. – Combinando-se sem o princípio vital. também conseguiu decompor os corpos orgânicos. X – Gênese Orgânica”. esse princípio se acha extinto no ser morto. nenhuma delimitação há nitidamente marcada. necessário para lhes manter a vida. (KARDEC. o princípio vital. Em lugar de uma molécula mineral. mas ainda no “Cap. o hidrogênio. porém jamais chegou a reconstituir. o que não acontece com os inorgânicos. como dito. grifo em itálico do original. 18. Nos confins dos dois reinos estão os zoófitos ou animais-plantas.18 Sem falar do princípio inteligente. dá-lhe propriedades especiais. A Química. Os seres orgânicos. 227-228. inapreensível e que ainda não pode ser definido: o princípio vital. o oxigênio. […]. Entre o reino vegetal e o reino animal. explicando a “Escala dos Seres Orgânicos”. nem por isso deixa de dar à substância propriedades que a distinguem das substâncias inorgânicas. na matéria orgânica. por não terem vida. Um pouco mais à frente em A Gênese. prova evidente de que há nestes últimos o que quer que seja. Kardec. o azoto e o carbono unicamente teriam formado um mineral ou corpo inorgânico. cujo nome indica que eles participam de um e outro: serve- . modificando a constituição molecular desse corpo. diz: 24. um princípio especial. p. Essa diferença é fundamental para entendermos o porquê de Kardec admitir que somente certas espécies os seres orgânicos possuem o princípio inteligente. há. mas. Ativo no ser vivente. têm o princípio vital. inexistente nos outros.

na ordem do desenvolvimento dos órgãos. grifo nosso). Vem depois a ordem dos vertebrados. os pássaros. como a lagarta. os helmintos ou vermes intestinais. os crustáceos. como a formiga. O zoófito tem a aparência exterior da planta. os moluscos. Como os animais. animais carnudos sem ossos. É interessante o fato de que Kardec não apresenta nenhum ponto pelo qual se possa estabelecer alguma ligação entre o reino mineral e o vegetal. mantém-se preso ao solo. nutrem-se. de calor e de água. vêm as inúmeras variedades de pólipos. os répteis. outros providos de conchas. o animal é livre e procura o alimento: em primeiro lugar. p. respiram. a vida nele se acha mais acentuada: tira do meio ambiente a sua alimentação. como o caracol. . os insetos. como animal. de corpos gelatinosos. A absorção de um ar viciado e de substâncias deletérias as envenena. 2007e. cuja pele é revestida de uma crosta dura. sem órgãos bem definidos. seguem-se. da atividade vital e do instinto. a lagosta. como o caranguejo. como aqui. ele o faz entre o vegetal para o animal. seguem-se. ordem que abrange os peixes. reproduzem-se e morrem. como as lesmas. vivem. alguns deles nus. cuja organização é a mais completa. a aranha. Como planta. desde que lhes faltem esses elementos. os polvos. especificamente. (KARDEC. estiolam-se e morrem. Um degrau acima. 230-231. Alguns se metamorfoseiam. a ostra. aos quais a vida assume prodigiosa atividade e se manifesta o instinto engenhoso. as plantas nascem. sem se deslocarem. só diferindo das plantas pela faculdade da locomoção. animais de esqueleto ósseo. a abelha. por fim. precisam elas de luz. dele a nutrição. que se transforma em elegante borboleta. Como aqueles. crescem. os mamíferos.19 lhes de traço de união. Oferecem como caráter distintivo mais acentuado se conservarem presas ao solo e tirarem.

respiram. forçoso é convir. O que constitui o homem espiritual não é a sua origem: são os atributos especiais de . uma finalidade. Tomando-se a Humanidade no grau mais ínfimo da escala espiritual. fundado na grande lei de unidade que preside à criação. à justiça e à bondade do Criador. no “Cap. crescem. um destino aos animais. o período de incubação. XI – Gênese espiritual”. distinto do princípio material. entre os seres orgânicos. Em A Gênese. por assim dizer. do qual transcrevemos: 23. no futuro que lhes está reservado. reproduzem-se e morrem”. passando pelos diversos graus da animalidade.20 Ressalta que “como os animais. como há filiação corporal. dá uma saída. como se encontra entre os mais atrasados selvagens. nutrem-se. corresponde. é tratado no tópico específico o assunto “Encarnação dos Espíritos”. Este sistema. para terem. com isso Kardec se mantém coerente com o que disse na Introdução da primeira de O Livro dos Espíritos. uma compensação a seus sofrimentos. É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve. suas primeiras faculdades. vivem. Na opinião de alguns filósofos espiritualistas. o princípio inteligente. Haveria assim filiação espiritual do animal para o homem. perguntar-se-á se é aí o ponto inicial da alma humana. Chegada ao grau de desenvolvimento que esse estado comporta. as plantas nascem. Esse seria para ela. que deixam então de formar uma categoria de seres deserdados. ela recebe as faculdades especiais que constituem a alma humana. aqueles nos quais se encontra alguns dotados de pensamento e inteligência. para com isso enquadrá-los – animais e plantas –. se individualiza e elabora. que citamos no início desse tópico. pelo exercício.

pesquisarmos a origem do Espírito. nas quais vamos encontrar alguma coisa para dirimir possíveis dúvidas. como o fruto não é a raiz. Kardec reconhece a coerência da hipótese do princípio inteligente passar pelos diversos graus da animalidade. este sistema levanta múltiplas questões. Nos atos instintivos não há reflexão. nem premeditação. porventura. dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente. Kardec estuda o “Instinto e a Inteligência” fazendo diversas considerações. no livro A Gênese. Diz lá: O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários. passado. 2007e. como o fruto saboroso é distinto da raiz amarga que lhe deu origem. começa a pesar-lhe a responsabilidade dos seus atos. . nem combinação. já não seria animal. grifo nosso). Quando. pois. como não o é o exame das diferentes hipóteses que se têm formulado sobre este assunto.21 que ele se apresenta dotado ao entrar na humanidade. no ponto em que. Por haver passado pela fieira da animalidade. entretanto. tomamo-lo ao entrar na humanidade. p. tendo em vista a conservação deles. 247-248. (KARDEC. dotado de senso moral e de livre-arbítrio. argumentando que isso representa a manifestação da justiça e bondade de Deus para com os animais. como o sábio não é o feto informe que o pôs no mundo. não se aprofunda no assunto. o homem não deixaria de ser homem. III – O bem e o mal”. sem procurarmos conhecer as fieiras pelas quais haja ele. Mas. no “Cap. É assim que a planta procura o ar. Sem. que é sobre a Encarnação dos Espíritos e não sobre a evolução do princípio inteligente. tornando-o um ser distinto. se volta para a luz. para se manter no foco do tema a que se propôs. atributos que o transformam. cujos prós e contras não é oportuno discutir aqui.

grifo em itálico do original. atento leitor. . Mas. segundo as espécies. – A inteligência se revela por atos voluntários. 89. tais como os movimentos espontâneos para evitar um risco. só em começo da vida o instinto domina com exclusividade. conforme a estação. p. premeditados. que tenta falar e andar. “o que tem a ver instinto com inteligência?”. poderia você. que buscam. Seguindo. No próprio adulto. que grita para exprimir as suas necessidades. o abrir maquinal da boca para respirar. que as plantas trepadeiras se enroscam em torno daquilo que lhes serve de apoio. certos atos são instintivos. conforme se lhe faz necessário. por ele. tais ainda o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz. para manter o equilíbrio do corpo. é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos. que a mãe choca os filhos e que estes procuram o seio materno. 2007e. foram classificados como orgânicos. que ele admite o instinto nas plantas. de acordo com a oportunidade das circunstâncias. Todo ato maquinal é instintivo. Um é livre. nos animais e nos homens. com mais ou menos arte. refletidos. que toma o alimento. o ato que denota reflexão. sem ensino prévio. nos perguntar. etc. que os sexos se aproximam. leitos macios e abrigos para as suas progênies. o outro não o é. deliberação é inteligente. exatamente os seres que. em negrito nosso). pelo menos para nós. temos o item 12: 12. que manejam destramente as armas ofensivas e defensivas de que são providos. No homem. combinados. os climas propícios.22 que a flor se abre e fecha alternativamente. ou se lhe agarram com as gavinhas. (KARDEC. que constroem. que imita o som da voz. combinação. armadilhas para apanhar a presa de que se nutrem. Nessa fala de Kardec fica claro. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma. para fugir a um perigo. É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica.

ter-se-á de admitir que a matéria é inteligente. por vezes. ao afirmarem que o instinto é uma espécie de inteligência. é dito que o instinto é uma inteligência sem raciocínio. em negrito nosso). em certos casos. o codificador explica: O instinto é uma inteligência rudimentar. Nos seres que têm a consciência e a percepção das coisas exteriores. que difere da inteligência propriamente dita.-90. como se há de explicar que. entretanto. O instinto varia em suas manifestações. Pois bem. Se se admitir que o instinto procede da matéria. nem com a bondade de Deus. Já na resposta à pergunta 73. até mesmo bem mais inteligente e previdente do que a alma. pois que o instinto não se engana. (Cap. E. essa dúvida foi respondida pelos Espíritos. II. 2007e. um pouco mais à frente. está.23 O instinto é guia seguro. em que suas manifestações são quase sempre espontâneas. Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente. sujeita a errar. que nunca se engana. seja superior à inteligência que raciocina? Como explicar que torne possível se executem atos que esta não pode realizar? Se ele é atributo de um princípio espiritual de especial natureza. a inteligência. Se se considerar o instinto uma inteligência rudimentar. 89. essencialmente apta a prever.) (KARDEC. ao comentar a resposta à pergunta 75. darse-á que esse princípio se destrua? Se os animais são dotados apenas de instinto. pelo simples fato de ser livre. conforme às espécies e às suas necessidades. ao passo que a inteligência se equivoca. qual vem a ser esse princípio? Pois que o instinto se apaga. p. grifo em itálico do original. revela. não tem solução o destino deles e nenhuma compensação os seus sofrimentos. 19. uma causa inteligente. ao passo que as da inteligência resultam de uma combinação e de um ato deliberado. o que não estaria de acordo nem com a justiça. ele se alia à .

trata-se de sua opinião constante de sua última obra e. a inteligência dormita” (DENIS. 18. ou que este tenha. grifo nosso). (KARDEC. até agora. grifo nosso). as plantas. possuem o instinto. o que é mais importante. os seres orgânicos. pela ordem. p. Entretanto. ainda que rudimentar. estagiado nos . que é uma inteligência rudimentar. p. quer dizer. porém. sendo as plantas classificadas como pertencentes ao reino vegetal. 1989. 97. à vontade e à liberdade. variando apenas quanto ao grau de sua manifestação. diante disso. Levando-se em conta essa provável posição de Kardec. É oportuno lembrar que aqui Kardec faz uma distinção entre “inteligência rudimentar” e “inteligência propriamente dita”. os animais e os homens. por alguma vez. p. pois que “são faculdades próprias de certas espécies orgânicas” (KARDEC. voltamos a ressaltar. Portanto. 123). é que aqui. não podemos deixar de ressaltar que Kardec está mesmo admitindo uma inteligência. de que “Na planta. ela vem corroborar a fala de Léon Denis.24 inteligência. não vimos Kardec atribuindo também aos minerais um instinto e muito menos um princípio inteligente. quanto à inteligência e o pensamento. é impróprio conclui-se que é nele que Kardec parece localizar o início do processo evolutivo do princípio inteligente. 2007a. 2007a. neste ponto. dita logo no início. isto é. Ora. nas plantas. não são genéricos. embora não tenha entrado em detalhes para que possamos compreender melhor essa distinção a que se refere. porém.

em razão disso.). tal é a lei” (Tradução do adv.. (PORTASIO FILHO. morrer. então. 116.j.25 seres inorgânicos. […]. mourir. A frase encontra-se esculpida no dólmen de Kardec. Espírito e Matéria: “Naître. não estão sujeitos ao ciclo “nascer. Vejamos algo interessante que nos parece confirmar esse nosso modo de pensar. no Cemitério Père-Lachaise. constante do túmulo de Kardec. Ela expõe a própria essência do processo evolutivo. morrer. que se desdobra em nuanças no mais das vezes ininteligíveis à mente humana. traduzindo assim o princípio basilar da Doutrina Espírita. que é. renascer ainda. “ela expõe a própria essência do processo evolutivo”. viver. 2007a. levandose em conta que não possuem vitalidade. não teria como trilhar pelo caminho da evolução. traduz “o princípio basilar da Doutrina Espírita”. aquilo que não se enquadrar nesse princípio. João Frazão de Medeiros Lima. p. p. em Paris. quando define os seres orgânicos (KARDEC. renaître encore et progresser sans cesse telle est la loi” (“Nascer. reproduzir-se e morrer”. Se essa frase. 2011). tal é a lei” 1). renascer ainda…”. daquilo que Kardec disse dos seres orgânicos. progredindo sempre. morrer. trata-se de uma fala do estudioso Manuel de O. 91). o qual baseamo-nos em Kardec. e. segundo acreditamos. no ciclo “nascer. segundo o que 1 “Nascer. grifo em itálico do original. na obra Deus. Portasio Filho (?. portanto. s. 2000. que é indispensável.m. ou seja. os quais não vemos como explicar a possibilidade de terem uma inteligência rudimentar. crescer. . renascer ainda e progredir sem cessar. para que o progresso intelectual desse princípio inteligente se realize. em negrito nosso).

Vejamos em O Livro dos Espíritos: 702. e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam! (KARDEC. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases. o progresso do homem. ao contrário. Há é certo um progresso em tudo. 85-86. p. em O Evangelho Segundo o Espiritismo. e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável. paralelamente. desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo. “Cap. Quão grandiosa é essa ideia e digna da majestade do Criador! Quanto.26 conseguimos depreender de Kardec. III – Há muitas moradas na casa de meu Pai”. que é a Terra. item 19. porém. que estamos falando. porquanto nada na Natureza permanece estacionário. seus auxiliares. O esclarecimento a respeito do instinto de conservação vai nos ajudar a clarear mais ainda essa questão. o dos animais. mas de degraus imperceptíveis para cada geração. nos quais se encontram os minerais. em outro sentido que não este. vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva. à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. 2007c. conforme podemos apreender do que disse o espírito Santo Agostinho. Marcham assim. É lei conservação? da Natureza o instinto de . no seguinte parágrafo: Ao mesmo tempo em que todos os seres vivos progridem moralmente. o dos vegetais e o da habitação. progridem materialmente os mundos em que eles habitam. é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia. o caso dos seres inorgânicos. grifo nosso).

p. uma vez que esta. Todos os seres vivos o possuem. possuem o instinto de conservação. até mesmo os de “inteligência rudimentar”. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. raciocinado em outros. que.” 703. são seres inorgânicos. então. que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos. 2007a. portanto. agora. como definido por Kardec. em negrito nosso). que é imprescindível para a conservação da vida. vejamos. Continuando.27 “Sem dúvida. 378 e 389.” (KARDEC.” 728. sem disso se aperceberem. conforme o próprio Codificador o disse. Porque. s. Com que fim outorgou Deus a todos os seres vivos o instinto de conservação? “Porque todos têm que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. uma vez que eles não têm vitalidade.m. a) . é necessária ao seu progresso e que a destruição é algo primordial para que isso ocorra. nada disso se aplica.j. a vida. uma questão que complementa essas três anteriores: 728. Do que concluímos que todos os seres vivos que tenham qualquer grau de inteligência. no que concerne aos minerais. grifo em itálico do original. acreditamos que..O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos por desígnios providenciais? . Eles o sentem instintivamente. o que chamais destruição não passa de uma transformação. Nuns. É lei da Natureza a destruição? “Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. qualquer que seja o grau de sua inteligência. Acresce que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. é puramente maquinal.

Para se alimentarem. Toda destruição antecipada obsta ao desenvolvimento do princípio inteligente. Se a regeneração dos seres faz necessária a destruição. conforme já dito. Vejamos. 2007a. que não se pode destruir e se elabora nas metamorfoses diversas por que passa”. então. que poderia se tornar excessiva. Da afirmativa de que “a parte essencial é o princípio inteligente” ao se referir aos seres vivos. os seres vivos reciprocamente se destroem. que. e utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a destruição. de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria”. grifo nosso). a questão é saber se os minerais podem ser considerados seres vivos. podemos dizer que não são seres vivos. (KARDEC. Esse invólucro é simples acessório e não a parte essencial do ser pensante. porquanto enquadram-se como inorgânicos. 91. p.28 “As criaturas são instrumentos de que Deus se serve para chegar aos fins que objetiva. Baseando-nos em Kardec. que acabamos de comentar: 729. os Espíritos Superiores. (KARDEC. por oportuno. grifo em itálico do original. também a questão que se segue a essa. “[…] carecem de vitalidade. por que os cerca a Natureza de meios de preservação e conservação? “A fim de que a destruição não se dê antes do tempo. estão restringindo o princípio inteligente somente aos seres vivos. 389-390. 2007a. A parte essencial é o princípio inteligente. destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução. ao que nos parece. Por isso foi que Deus fez que cada ser . em negrito nosso). p.

e talvez fosse o melhor. um elemento imprescindível e complementar aos dois anteriores – viver e reproduzir. a alma intelectual – o princípio da inteligência. a alma intelectual . (KARDEC. assim dizer. Como se vê. a alma vital – indicando o princípio da vida material. designando. que se distinguiriam mediante um atributo. então. grifo em itálico do original. no caso. aqueles característica classificados como orgânicos. Esta teria. ao mesmo tempo. 2007a. tudo isto não passa de uma questão de palavras. De conformidade com essa maneira de falar. Em resumo. por exemplo. em negrito nosso). dos reproduzir-se seres vivos. embora usando-se do termo alma nos três casos. somente crescer. um caráter genérico. para cumprir-se o processo de evolução. E em O Livro dos Espíritos. que tem na destruição da matéria de que temporariamente se reveste. mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos. Poder-se-ia. como os gases. entre elas. animais e homens. a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas. ao trabalhar o conceito de alma. destacamos: Evitar-se-ia igualmente a confusão. p. ou a aplicação que se faz da palavra. 390. o princípio da vida material. isso nada mais é do que o já falado: “nascer. desde que se lhe acrescentasse um qualificativo especificando o ponto de vista em que se está colocado. que se distinguem se aditando ao termo genérico as palavras hidrogênio. e morrer”.29 experimentasse a necessidade de viver e de se reproduzir”. oxigênio ou azoto. o fato de morrer. Kardec fala várias coisas. Entendemos que “a necessidade de viver e de reproduzir” é algo indispensável para o desenvolvimento do princípio inteligente. e a alma espírita – o da nossa individualidade após a morte. o da inteligência e o do senso moral.

tal qual se faz com o operário. a quem é dado instrumento menos grosseiro. XI – Gênese espiritual”. flexíveis. em A Gênese. à medida que este adquire novas aptidões. p. simultaneamente. ele afirma a existência nas plantas do instinto. Nessa época. ao mesmo tempo. p. a nosso ver. em vez de unir o Espírito à pedra rígida. item 10: Tendo a matéria que ser o objeto de trabalho do Espírito para o desenvolvimento de suas faculdades. pelo que veio habitá-la. Deus. pois. no “Cap. (KARDEC. capazes de receber todas as impulsões da sua vontade e de se prestarem a todos os seus movimentos. O corpo é. à proporção que ele se vai mostrando apto a executar obra mais bem cuidada. como já vimos. corpos organizados. se não estivermos tomado gato por lebre. 2007e. Vejamos o trecho em que ele fala da “União do princípio espiritual e da matéria”. definindo-o como inteligência rudimentar. Kardec considerava que a alma intelectual como pertencendo somente aos animais e aos homens. grifo em itálico do original. 241-242. nele encontraremos uma fala de Kardec que. Pelo que podemos deduzir dessa fala. Tendo a matéria que ser. criou. (KARDEC. não há como admitir que o . objetivo e instrumento do trabalho.30 pertenceria aos animais e aos homens. era necessário que ele pudesse atuar sobre ela. grifo nosso). em negrito nosso). e a alma espírita somente ao homem. como o lenhador habita a floresta. Voltando ao livro A Gênese. 19. põe um ponto final sobre como ele próprio via o assunto. para seu uso. porém. 2007a. o envoltório e o instrumento do Espírito e. reveste outro envoltório apropriado ao novo gênero de trabalho que deve executar.

o livro A Gênese. pela qual chegamos a conclusão de que.31 princípio inteligente tenha estagiado nos minerais. p. para receber os impulsos de sua vontade e prestar-se a todos os seus movimentos. ou seja. que. que Kardec “tornou clara e precisa a sua posição evolucionista quanto ao problema da evolução das espécies” (PIRES. época de sua morte. movimentos que próprios e se formam apenas e de pela agregação da matéria” (KARDEC. ou seja. acreditamos que. A Gênese. o corpo lhe sirva de instrumento de manifestação. publicado em janeiro de 1868. capazes de receber todas as impulsões da sua vontade e de se prestarem a todos os . Deixando de fora os fascículos da Revista Espírita. se reveste do detalhe de que é a última obra da codificação. o ponto inicial do processo de evolução do princípio inteligente se localizaria naqueles seres de “corpos organizados. porém. transcrito acima. realmente. a essa altura do campeonato. conforme se vê dessa sua fala acima. Por isso. onde trata do assunto sobre a União do princípio espiritual e da matéria. que seguem até março de 1869. “carecem de vitalidade. 91). por terem os seus corpos rígidos. flexíveis. Inclusive. que o princípio inteligente passaria pelo reino mineral. 2007a. 2005. é nessa obra. Kardec já tinha informações suficientes para deixar bem claro. Herculano Pires. 10). p. Concordamos plenamente com Kardec de que para que o princípio inteligente possa desenvolver-se é necessário que o seu corpo seja flexível. não foi o que aconteceu. segundo o jornalista e filósofo J. caso fosse verdade. na sua forma de pensar.

em negrito nosso). 3º. as plantas não os têm.32 seus movimentos”. grifo em itálico do original. porquanto um corpo pode viver sem inteligência. assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades. Podem distinguir-se assim: 1º. formados de matéria e dotados de vitalidade. peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá. sem vitalidade nem inteligência. a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um. conforme já dito. (KARDEC. Sendo o ato de pensar algo característico de quem possui a inteligência e vontade de atuar. – os seres inanimados. A inteligência é atributo do princípio vital? “Não. Mas. formados de matéria. elas possuem o instinto. vejamos agora a questão 71: 71. porém. dotados de vitalidade e tendo a mais um . 95. Nas considerações a essa resposta. 2º. a inteligência só por meio de órgãos materiais pode manifestar-se. como já dito. que são os corpos brutos. p. pois que as plantas vivem e não pensam: só têm vida orgânica. e esse. dizendo: A inteligência é uma faculdade especial. foi definido por Kardec como uma “inteligência rudimentar”. a vontade de atuar. A inteligência e a matéria são independentes. destituídos de inteligência. – os seres animados que não pensam. desenvolvendo mais o seu raciocínio. Conforme prometido. porém. o que significa dizer que somente nos seres orgânicos isso pode ocorrer. o codificador. Necessário é que o espírito se una à matéria animalizada para intelectualizá-la”. então. 2007a. com o pensamento. – os seres animados pensantes. constituídos de matéria.

Dessa distinção. (KARDEC. por compor-se de seres inorgânicos. constituídos de matéria. 2007a. animais e homens – percebe-se que aqui Kardec não atribui a todos eles a inteligência. consequentemente.33 princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar. comum a todos os seres orgânicos – plantas. que o reino mineral. grifo nosso). peculiar a algumas espécies orgânicas”. o princípio inteligente. p. p. 2007a. mas apenas a alguns deles. nem inteligência e nem movimentos próprios (KARDEC. o que ainda se confirma com: “A matéria inerte. nele não há. fica claro que Kardec não a generalizou para todos os seres orgânicos. peculiar a algumas classes de seres orgânicos. Embora tenha considerado. que são os corpos brutos”. segundo a nossa forma de entender. pelo que Kardec coloca. 91).” (KARDEC. 327. 2007a. sem vitalidade nem inteligência. Ao afirmar que a inteligência é uma faculdade especial. considerada por ele como sendo “uma faculdade especial. grifo nosso). só tem em si uma força mecânica. que Kardec faz dos seres. entendemos que ao dizer: “1º os seres inanimados. porém. estava se referindo aos minerais. Assim. “2º os seres animados que não pensam. 96. que não têm vitalidade. p. que o instinto é uma inteligência rudimentar. como vimos. que constitui o reino mineral. formados de matéria e dotados de vitalidade. destituídos .

. XI – Os três reinos”. não temos como estender aos outros dois reinos – mineral e vegetal –. as plantas. explicar e corroborar o que ele disse nas suas considerações à resposta da questão 71. No “Cap. Ora. Se outros reinos houvessem para essa relação com os homens aqui seria o momento oportuno de mencioná-los. temos algo a acrescentar. de A Gênese. ou seja. Kardec desenvolve três tópicos: 1º – os minerais e as plantas (questões 585 a 591). portanto. de outra forma. apenas ao reino animal é que fez a relação com o homem. classifica os animais. Ainda sobre as características dos seres. formados de matéria. sob pena de ir além do Mestre de Lyon. Aliás. por relacioná-los num tópico específico. podemos tomar a iniciativa de incluir o homem como um ser animado e pertencendo ao terceiro grupo. se fosse positiva essa relação. o título do tópico deveria ser: “os minerais. estiver correta. “3º os seres animados pensantes. dotados de vitalidade e tendo a mais um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar”.” para enquadrar os vegetais. Se a nossa conclusão. para nós fica claro que o codificador somente faz uma relação direta entre os animais e o homem. que vem. os relacionando aos três reinos. os animais e o homem”. 2º – os animais e o homem (questões 592 a 610) e 3º – metempsicose (questões 611 a 613).34 de inteligência. para cada item. que consta em O Livro dos Espíritos. Entretanto.

(KARDEC. p. Que pensais da divisão da Natureza em três reinos. limitada. 327-328. apenas há seres orgânicos e inorgânicos. A matéria inerte. ainda que compostas de matéria inerte. com efeito. c) no reino animal: matéria inerte. que lhe dá a consciência do seu futuro. grifo em itálico do original. possuem. são dotadas de vitalidade. O homem. a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus. ou melhor. Esses quatro graus apresentam. que constitui o reino mineral. podese deduzir que encontramos as seguintes características dos seres em cada um dos reinos: a) no reino mineral: matéria inerte que só tem em si a força mecânica. tendo tudo o que há nas plantas e nos animais. As plantas. além disso. há evidentemente quatro graus”. caracteres determinados. e a consciência de sua existência e de suas individualidades. também compostos de matéria inerte e igualmente dotados de vitalidade. dotados de . Os animais. Qual destas divisões é preferível? “Todas são boas. em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos? Segundo alguns. b) no reino vegetal: matéria inerte e dotados de vitalidade. Levando-se em conta essa explicação de Kardec. uma espécie de inteligência instintiva.35 Aqui veremos algumas questões que tratam do primeiro tópico – os minerais e as plantas: 585. Do ponto de vista moral. 2007a. conforme o ponto de vista. a espécie humana forma uma quarta classe. Do ponto de vista material. indefinida. só tem em si uma força mecânica. em negrito nosso). muito embora pareçam se confundir nos seus limites extremos. domina todas as outras classes por uma inteligência especial.

por Kardec. 336). portanto. para Kardec. instinto e inteligência especial.36 vitalidade e inteligência instintiva. talvez mais explícitas. 2007a. ou seja. A matéria inerte é comum a todos os reinos. que parecem ser as mesmas anteriores. inteligência rudimentar. dotados de vitalidade. conforme dito. p. d) “no reino hominal”: matéria inerte. pela forma com que nos surgiu. repetidas vezes. o princípio inteligente iniciar-se-ia nesse ponto a sua escalada . deduzimos que. e que faz com que haja sentido no “tudo na natureza se encadeia” (KARDEC. nessa fase de seus conhecimentos. possivelmente. Criamos. o seguinte quadro para uma melhor visualização da fala de Kardec: Dentro dessas explicações. ela seja o elo que promove a ligação entre eles. somente a partir do reino animal é que existe inteligência. provavelmente por inspiração.

todas se prendem umas às outras. parecendo que urde uma armadilha com o fim de capturar e matar aquele inseto. que pertencem ao reino vegetal não pensam. As plantas não pensam. só têm vida orgânica”. conforme se observa na segunda. por exemplo. em certos casos. pois que não pensam. têm apenas vida orgânica. em outras palavras.37 evolutiva. uma espécie de vontade. porém. mais ao final de sua vida. significa dizer que lhes falta a manifestação plena da inteligência. 328-329. ou seja. o que. (KARDEC.” […]. em negrito nosso). no entanto. São dotadas essas plantas da faculdade de pensar? Têm vontade e formam uma classe intermediária entre a Natureza vegetal e Natureza animal? Constituem a transição de uma para outra? “Tudo em a Natureza é transição. cujos lóbulos apanham a mosca que sobre ela pousa para sugá-la. grifo em itálico do original. Kardec afirmou que as plantas possuem instinto. pois está só se produz quando se une o pensamento com a vontade de atuar. p. por conseguinte carecem de vontade. As plantas. o que aqui ele só atribuiu aos animais. . Algumas plantas. por isso mesmo que uma coisa não se assemelha a outra e. Têm as plantas consciência de que existem? “Não. elas também têm uma inteligência rudimentar. como a sensitiva e a dioneia. Kardec continua insistindo no assunto: 586. 2007a. Nem a ostra que se abre. não podemos deixar de ressaltar que. 589. seres animados. executam movimentos que denotam grande sensibilidade e. nem os zoófitos pensam: têm apenas um instinto cego e natural.

ao estabelecer uma comparação entre as plantas e os animais intermediários entre o reino vegetal e animal – ostras e zoófitos – os quais ele diz possuírem uma inteligência rudimentar. não está no invólucro corporal. . no “Cap. p.38 Acreditamos que Kardec. Fica apenas despojado do seu envoltório. […]. Eis por que os seres se nutrem uns dos outros. […]. o que confirmaria a sua afirmativa em A Gênese. puramente física. 96-97. é esta: os corpos orgânicos só se conservam com o auxílio das matérias orgânicas. A verdadeira vida. 22. é o corpo que se nutre do corpo. mais lúcido e mais apto. tanto do animal como do homem. O corpo se consome nesse trabalho. III – O bem e o mal”. a Providência faz que sirvam ao seu mútuo entretenimento. Nos seres inferiores da criação. para se desenvolver pelo trabalho que lhe cumpre realizar sobre a matéria bruta. precisando os corpos ser constantemente renovados. então. utilidade. do mesmo que não está no vestuário. 24. (KARDEC. indiretamente. sai dele cada vez mais forte. Kardec dá a seguinte explicação: 21. sem dúvida. Está no princípio inteligente que preexiste e sobrevive ao corpo. está atribuindo a elas – as plantas – um instinto. 2007e. Esse princípio necessita do corpo. Como instrumentos de ação para o princípio inteligente. mas o Espírito não se gasta. ao contrário. Mas. que se apresenta de tal destruição. matérias que só elas contêm os elementos nutritivos necessários à transformação deles. uns pelos outros”. naqueles a quem ainda falta o senso moral. de uma certa forma. de que elas possuem um instinto rudimentar. Em A Gênese. Uma primeira utilidade. ao falar da “Destruição dos seres vivos. sem que o Espírito se aniquile ou altere. grifo nosso).

conforme acabamos de dizer. Eles. corresponde ao estado da infância na vida corporal. Dissestes (190) que o estado da alma do homem.39 em os quais a inteligência ainda não substituiu o instinto. É. Onde passa o Espírito essa primeira fase do seu desenvolvimento? “Numa série de existências que precedem o período a que chamais Humanidade”. em negrito nosso). na sua origem. pois. por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se . se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida. É nesse primeiro período que a alma se elabora e ensaia para a vida. como o da germinação. acreditamos que isso reflete a crença anterior de que nos reinos em que eles se enquadram – animal e hominal –. assim. a luta não pode ter por móvel senão a satisfação de uma necessidade material. uma das mais imperiosas dessas necessidades é a da alimentação. de certo modo. grifo em itálico do original. visto que nenhum móvel mais elevado os poderia estimular. cuja totalidade estais longe de conhecer. querendo tornar as coisas ainda mais claras. para fazer ou defender uma presa. a) – Parece que. Ora. é que os seres possuem o princípio inteligente. Kardec volta à carga: 607. e os homens como os detentores do princípio inteligente. lutam unicamente para viver. 2007e. é que o princípio inteligente se elabora. considerados irracionais. não? “Já não dissemos que todo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres. um trabalho preparatório. que sua inteligência apenas desabrocha e se ensaia para a vida. Ao Kardec citar somente os animais. E. se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação. p. isto é. (KARDEC. 98.

. novamente. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia. e criado seres inteligentes sem futuro. é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. 125.40 torna Espírito. nessa mesma obra. Ora. Assim. grifo em itálico do original. o que falta no mineral é.” (KARDEC. porquanto: “A vida orgânica pode animar um corpo sem alma. 336-337.j. “Cap. conforme acabamos de explicar. em negrito nosso). Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante. porém. 2007a. (KARDEC. seja o que for. sem um fim. quando comentamos o trecho de A Gênese. acreditamos que ao dizer “os seres inferiores da criação” Kardec estaria referindo-se especialmente aos animais. capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. coisa alguma há de humilhante para o homem. anteriormente. à fase da infância se segue a da adolescência. destacada. vindo depois a da juventude e da madureza. Buscando-se. p. começando a ter consciência do seu futuro. mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica. Se não estivermos de todo enganados. assim como a sua menção aos “seres inteligentes sem futuro”. 2007a. III – O bem e o mal”. logo acima. Kardec atribui às plantas uma inteligência rudimentar. que se estende por sobre todas as suas criaturas”. Nessa origem.m. s. mediante a qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito. a vida . Entra então no período da humanização. pela sua importância já. de todo improvável. a questão 136a. justamente. fora blasfemar da Sua bondade. conforme já repetidas vezes dissemos. p. vemos que a hipótese do princípio inteligente no mineral seria. grifo nosso).

41 orgânica. desde o mineral até o homem. por isso não tem alma. Kardec tece alguns comentários sobre a crença de alguns de que a Terra teria uma alma. Um fato não menos patente do que aquele que acabamos de falar é que o desenvolvimento orgânico está sempre em relação com o desenvolvimento do princípio inteligente. ou. A alma do mineral não estaria senão no estado de germe latente. a distância é grande. não se poderia contestar que seja mais rudimentar ainda no mineral do que na planta. pelo menos. Na Revista Espírita 1868. no mês de setembro. cap. um princípio inteligente que o anime. o . (Gênese. uma modificação profunda na causa primeira. em nos colocando no ponto de vista daqueles que confundem o princípio vital com a alma propriamente dita. há efeitos diferentes que acusam causas diferentes. mais sistemáticos do que práticos. De início. de agregação e de desagregação do mineral e o princípio vital da planta. que são de interesse ao nosso estudo. pensou em dotar um calhau ou um pedaço de ferro da faculdade de pensar. consideram a Terra e todos os planetas como seres animados. cremos. ora. se ela for única. ou seja. nº 16 a 19. cremos que há uma diferença capital entre o movimento molecular de atração e de repulsão. fundando-se sobre o princípio de que tudo vive na Natureza. daí a uma alma cujo atributo essencial é a inteligência. X. Mesmo fazendo todas as concessões possíveis a esse sistema. uma vez que nele não se revela por nenhuma manifestação. de querer e de compreender. ninguém. quer dizer. Vejamos: […] A Terra é um ser vivo? Sabemos que certos filósofos.) Mas admitamos por um instante que o princípio da vida tenha sua fonte no movimento molecular.

e isso não poderia ser de outra maneira. pois. ao passo que. 2 Calhau: pedaço. nem conforme a lei geral. ressaltam-nos. pelo papel que se atribui a essa alma. De que serviria à ostra ter a inteligência do macaco sem os órgãos necessários à sua manifestação? Se. uma vez que falta à alma um instrumento apropriado à importância das funções que ela deve preencher. quais sejam: 1º) estabelece uma diferença entre o movimento molecular de atração e de repulsão. por evidentes. uma vez que a Terra não tem mesmo a vitalidade da planta. dela se faz um ser dotado de razão e do livre arbítrio mais completo. 3º) que um calhau2 ou um pedaço de ferro tenham a faculdade de pensar. sobretudo na teoria da incrustação. Desses argumentos de Kardec. a Terra fosse um ser animado servindo de corpo a uma alma especial. grifo nosso). de agregação e de desagregação do mineral e o princípio vital da planta. A ideia da alma da Terra. 261-262. de querer e de compreender. 1993j. porque jamais o Espírito foi mais aprisionado e mais dividido. pois. tão bem quanto aquela que faz da Terra um animal.42 organismo se completa à medida que as faculdades da alma se multiplicam. um Espírito superior. esta alma deveria ser ainda mais rudimentar do que a do pólipo. ser alinhada entre as concepções sistemáticas e quiméricas. (KARDEC. fragmento de rocha (HOUAIS). em uma palavra. em todos os seres. a progressão da inteligência. quatro pontos importantes. desde o pólipo até o homem. deve. entendida nesse sentido. 2º) que o princípio da vida não tem a mesma fonte que o movimento molecular e nem do princípio inteligente. . o que de certa forma é diferenciá-los no aspecto de terem vida. A escala orgânica segue constantemente. o que não é nem racional. p.

ninguém.43 4º) que o progresso da inteligência é atributo dos seres da escala orgânica. ele faz parte dos seres inorgânicos. todos esses pontos corroboram a hipótese de que o princípio inteligente não estagiaria no mineral. Celenterado ger. grifo nosso). . é cilíndrico e oco. o “não estaria” é uma condicional. entre os quais se encontram os minerais. p. e fixa-se ao substrato por uma das extremidades. pensou em dotar um calhau ou um pedaço de ferro da faculdade de pensar. a distância é grande. 261-262. A alma do mineral não estaria senão no estado de germe latente. (KARDEC. 1993j. (AURÉLIO). porquanto não diria “mesmo fazendo todas as concessões possíveis” para arrematar “a alma do mineral não estaria senão no estado de germe latente”. desde o pólipo3 até o homem. uma vez que nele não se revela por nenhuma manifestação. Para nós. ora. Dessa fala acima ainda destacamos o que consta neste trecho: Mas admitamos por um instante que o princípio da vida tenha sua fonte no movimento molecular. de fora dessa lei os seres inorgânicos. daí a uma alma cujo atributo essencial é a inteligência. Pelo que se vê. não se poderia contestar que seja mais rudimentar ainda no mineral do que na planta. 3 Pólipo: Zool. porquanto. de querer e de compreender. quer dizer. de consistência mole. conforme várias vezes dito. ficando. Mesmo fazendo todas as concessões possíveis a esse sistema. cremos. não uma afirmação de que pensava assim. em nos colocando no ponto de vista daqueles que confundem o princípio vital com a alma propriamente dita. e é dotado de boca circundada por tentáculos na outra. sedentário cujo corpo. Kardec não aceitava que o mineral tivesse alma. portanto.

mas sobre seus limites respectivos eles se confundem. variando. que formam as suas matérias. vegetal e animal – é que. assim chamados porque. em todos eles. daí a uma alma cujo atributo essencial é a inteligência. A mesma coisa tem lugar para o que concerne à composição dos corpos. para logo a seguir concluir taxativamente: “ora. entre o vegetal e o animal. ao mesmo tempo. obviamente. já no início desse parágrafo. e no qual certos seres devem ser classificados. nas suas combinações. e ter-se-ia rido daquele que tivesse pretendido encontrar uma correlação entre o mineral e o vegetal. têm do animal e da planta. ao ponto que se hesita em saber onde um acaba e o outro começa. os quatro elementos serviram de base às ciências naturais. a distância é grande”. por exemplo. caíram diante das descobertas da química moderna. Por muito tempo. assim pondera: Tudo se liga na obra da criação.44 Observarmos que. que reconheceu um número indeterminado de corpos simples. os zoófitos ou animais plantas. uma coisa comum aos três reinos – mineral. Kardec. tais são. os elementos químicos. não temos dúvida de que é aqui que se aplica o “tudo se encadeira na natureza”. na realidade. senão pelos caracteres gerais mais marcantes. são os mesmos. A química nos mostra todos os corpos da Natureza . Outrora se consideravam os três reinos como inteiramente independentes um do outro. ele se coloca como alguém que não comungava com essa ideia ao dizer “mas admitamos por um instante”. é certo. Uma observação atenta faz desaparecer a solução de continuidade. e prova que todos os corpos formam uma cadeia ininterrupta. Há. discorrendo sobre os fluidos espirituais. de tal sorte que os três reinos não subsistem.

temos. sólidos. formam. fluido cósmico ou universal. pois. vegetais. líquidos ou gasosos. segundo toda a probabilidade. Todos os corpos da Natureza. não poderíamos incluir nela o elemento espiritual. suas investigações a conduzem pouco a pouco à grande lei da unidade. […]. a luz.. e sob a influência de circunstâncias particulares. animais. em negrito nosso).j. p. para daí inferir que o princípio inteligente . aquilo que liga os três reinos da natureza: os elementos químicos que existem nas matérias das quais são formados os seus corpos. combinados de maneira a produzirem a infinita variedade dos diferentes corpos. aqui. adquire propriedades especiais que constituem os corpos simples. a ciência vai mais longe hoje. Assim esse fluido que. esses corpos simples.m. […]. é imponderável. grifo em itálico do original. a eletricidade e o magnetismo não seriam igualmente senão modificações do fluido primitivo universal. seria ao mesmo tempo o princípio dos fluidos imponderáveis e dos corpos ponderáveis. e como está estabelecida somente no que se refere ao elemento material. Agora é quase geralmente admitido que os corpos reputados simples não são senão modificações. 1993i.45 formados desses elementos combinados em diversas proporções. 66-69. o calor. que “formam uma cadeira ininterrupta”. animados ou inanimados. princípio universal designado sob o nome de éter. Então. é da variedade infinita dessas combinações que nascem as inumeráveis propriedades dos diferentes corpos. Essa ligação é o que Kardec demonstra. como dissemos. segundo o modo de agregação das moléculas desse fluido. são. formados dos mesmos elementos. segundo a nossa maneira de ver. transformações de um elemento único. combinados entre si em diversas proporções. Segundo esta opinião. (KARDEC. por consequência. s. a inumerável variedade dos corpos compostos. minerais. de tal sorte que.

desconhecidos. entre o homem e Deus. preenchei o vácuo que eles ocupam. desde a matéria bruta até o homem mais inteligente. Pois que os animais. Porém. 59. p. Tudo então se liga. 604. Introdução. tudo se encadeia. desde o alfa até o ômega. descobre-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade. E vós. existentes nos mundos superiores. estagiado no mineral. na sua origem. 2007a. por uma admirável lei da Providência. Vós. são sempre inferiores ao homem. Comentário à resposta da pergunta 132. segue-se que Deus criou seres intelectuais perpetuamente destinados à inferioridade. ousai rir das obras de Deus e da sua onipotência! (KARDEC. tudo é solidário na Natureza. na Sua sabedoria. grifo nosso). Que filosofia já preencheu esta lacuna? O Espiritismo no-la mostra preenchida pelos seres de todas as ordens do mundo invisível e estes seres não são mais do que os Espíritos dos homens. p. que negais a existência dos Espíritos. como disse aos astrônomos que. outros haveria. (KARDEC. 123. Deste modo. grifo nosso). entre os mundos conhecidos. o que parece em desacordo com a unidade de vistas e de progresso que todas as suas obras . mesmo os aperfeiçoados.46 tenha. 2007a. Deus. É o que também tiramos dos textos seguintes nos quais as expressões “tudo se liga” e “tudo se encadeia” são utilizadas: […] Se se observa a série dos seres. tudo se encadeia. quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. que rides deles. porém. alfa e ômega de todas as coisas. A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. que imensa lacuna! Será racional pensar-se que no homem terminam os anéis dessa cadeia e que ele transponha sem transição a distância que o separa do infinito? A razão nos diz que entre o homem e Deus outros elos necessariamente haverá. nos diferentes graus que levam à perfeição.

grifo em itálico do original. optamos por colocá-la aqui para destacar a expressão “tudo se encadeia” como uma relação direta entre os dois seres mencionados. “Tudo em a Natureza se encadeia por elos que ainda não podeis apreender. Assim. dos quais ressaltamos o seguinte trecho: Até o presente preocupou-se pouco com o princípio inteligente dos animais. A questão 604. mas.47 revelam. e ainda menos com sua afinidade com a espécie humana. na Natureza. nunca chegará a compreender. À medida que o homem avança no seu conhecimento espiritual. 334. Por um esforço da inteligência poderá entrevê-los. Sabei não ser possível que Deus se contradiga e que. deveríamos ter colocado quando demonstramos que Kardec fala exclusivamente dos laços que ligam os animais aos homens. logrará ver claro na obra de Deus. que por nenhum de seus pontos deixam de corresponder à sublime sabedoria do Criador. mês de setembro. e a dos animais não é uma daquelas que o interessam menos. sua atenção é despertada sobre todas as questões que a ele se ligam de perto ou de longe. Na Revista Espírita 1865. as coisas aparentemente mais díspares têm pontos de contacto que o homem. em que Kardec tece alguns comentários. p.” (KARDEC. somente quando essa inteligência estiver no máximo grau de desenvolvimento e liberta dos preconceitos do orgulho e da ignorância. […]. tudo se harmoniza mediante leis gerais. se isso não foi senão no ponto de vista exclusivo do organismo material. porém. ele . […]. no seu estado atual. em negrito nosso). Até lá. há um artigo intitulado “Alucinação dos animais”. 2007a. suas muito restritas ideias lhe farão observar as coisas por um mesquinho e acanhado prisma.

aquele que fez o objeto deste artigo. procura explicar-se o que vê. hoje chamam a atenção. e já é muito. Quando uma vez está sobre o caminho da verdade. A questão está iniciada hoje. mas à espera disto. pelos esforços de sua própria inteligência. e que teriam outrora passados desapercebidos. não o surpreende. tenta teorias alternativamente desmentidas ou confirmadas por novas observações. e foi porque os Espíritos não o fizeram. o Espiritismo veio dar uma ideia-mãe. se aproxima pouco a pouco do objetivo. em razão mesmo dos estudos preliminares que se fizeram. sem adotar tal ou tal opinião. porque o homem deve fazer uso de suas faculdades. examinadas. tudo se harmoniza na Natureza. […]. e pode-se ver o quanto esta ideia é fecunda. como. seu espírito está preparado para melhor compreender e aceitá-la. Nisto como em todas as coisas os Espíritos não vêm para nos livrar do trabalho das pesquisas. é então que vêm revelá-la decididamente para fazer calar as incertezas e aniquilar os falsos sistemas. e quando ela se mostra.48 compreende melhor as analogias e as diferenças. Essa questão toca preconceitos há muito tempo enraizados e que teria sido imprudente chocar de frente. essas teorias diversas são discutidas. ela já estava no fundo de seu pensamento. Diante da luz que lançou sobre a . e quando vier a solução definitiva. se a ideia é verdadeira. se ela é falsa. ela se agita sobre pontos diferentes. mas não lhe dão a ciência toda feita. por exemplo. tira consequências. dirigem-no. Tudo se liga. É assim que. familiariza-se com a ideia de um ponto de contato entre a animalidade e a humanidade. mesmo fora do Espiritismo. deverá se apoiar sobre os argumentos peremptórios que não deixarão nenhum lugar à dúvida. ajudam-no. é que se terá encontrado alguma coisa mais lógica para pôr no lugar. em qualquer sentido que ela ocorra. uma multidão de fatos. tudo se encadeia. Um outro motivo havia feito adiar a solução relativa aos animais. terá sido pressentida. os desencarnados nela tomam parte cada um segundo as suas ideias pessoais.

Os primeiros seres do reino vegetal e do reino animal que apareceram deveram. que está em toda sua força no animal. assim como as observações geológicas o constatam. p. encontramos mais alguma coisa nos comentários de Kardec: É um fato hoje cientificamente demonstrado que a vida orgânica não existiu sempre sobre a Terra. e que nela teve um começo. as primeiras combinações formaram os corpos exclusivamente inorgânicos. quando. 2000c. diz: “O instinto. é certamente um traço de união entre as duas espécies” (KARDEC. se formar sem procriação. os corpos organizados se formam desde que as . 275-276). 272-275. p. Quando esses mesmos elementos foram modificados pela ação do fluido vital – que não é o princípio inteligente –. ter-se-ia dificuldade em crer que tantas considerações pudessem surgir a propósito de um cão raivoso. quer dizer. as pedras. a geologia permite seguir-lhe o desenvolvimento gradual. 2000c. Ora. as águas e os minerais de todas as espécies . grifo nosso). tudo se encadeira” está relacionada à questão do ponto de contato entre os animais e o homem. À medida que os elementos dispersos se reuniram. e pertencendo às classes inferiores. isso fica claro. se perpetuando no homem onde se perde pouco a pouco. em a Revista Espirita 1868. (KARDEC. a certa altura. do mesmo modo que a cristalização da matéria bruta não ocorre senão quando nenhuma causa acidental vem se opor à disposição simétrica das moléculas. No artigo “A geração espontânea e a gênese”. mês julho. E na mensagem assinada pelo espírito Moki. de uma organização constante e regular cada um em sua espécie. formaram os corpos dotados de vitalidade.49 psicologia. pois. Pelo contexto a expressão “tudo se liga.

Os seres não procriados formam. e se manifestar num momento dado. e desde o zoófito. de repouso ou de movimento. não se considerando senão os dois pontos extremos. mas quando se aproximam todos os anéis intermediários. entre o verme da terra e o homem. depois o Espiritismo. Quanto às espécies que se propagam por procriação. e por dedução lógica. […]. Sem dúvida. É assim que tudo se encadeia no mundo. o primeiro escalão dos seres orgânicos. apoiado sobre os fatos. há uma diferença que parece um abismo.50 circunstâncias favoráveis de temperatura. grifo nosso). XVIII – Sinais dos Tempos”. . etc. (AURÉLIO). e contaram provavelmente um dia na classificação científica. Assim é estabelecida uma cadeia ininterrupta desde o musgo e o líquen até o carvalho. que não é outro senão o Espiritualismo precisado. fala-se. uma opinião que não é nova. e não que o princípio inteligente tenha iniciado nela. pela força das coisas. da matéria bruta saíram os seres orgânicos cada vez mais aperfeiçoados. Pequenino ácaro (Acarus sirus) encontrado nos queijos. acha-se uma filiação sem solução de continuidade. se reunir. pois. na farinha. e uma espécie de fermentação permitem às moléculas de matéria. do materialismo sairão. é que os primeiros tipos de cada espécie são o produto de uma modificação da espécie imediatamente inferior. o espiritualismo geral. 1993j. quando as circunstâncias são propícias. É o que se vê em todos os germes onde a vitalidade pode ficar latente durante anos ou séculos. no “Cap. o verme da terra e do oução ( 4) até o homem. da questão material apenas. Julgamos que a próxima transcrição corrobora isso. (KARDEC. há 4 Oução: 1. vivificadas pelo fluido vital. p. mas que se generaliza hoje sob a égide da ciência. 203205. Em A Gênese. O encadeamento da matéria bruta saíram os seres orgânicos. de umidade.

também sofre influências que lhe modificam as disposições. veríeis as correntes fluídicas que. Se não tivésseis a visão espiritual limitada pelo véu da matéria. tem sua causa nas leis da Natureza. reage sobre o Espírito. porém. que lhe sobre-excitam ou atenuam a atividade e que. Este. sem. a seu turno. certamente. contribuem para o seu desenvolvimento. que.” (KARDEC. 2007e. Essa efervescência. como milhares de fios condutores. A expressão “tudo se encadeia” é aplicada de uma maneira geral. também têm sua periodicidade. no entanto. de certa necessidade de mudança. inconsciente a princípio. Ainda aqui nada vemos para consolidar a tese do estágio do princípio inteligente no reino mineral. p. pois. ponto no qual o princípio inteligente pode viajar na estrada evolutiva. 463. traduz-se por uma surda agitação. acreditai-o. ligam as coisas do mundo espiritual às do mundo material. E quanto à ligação entre o princípio material e o espiritual ela é. conforme explica Kardec. realizada pelo perispírito. pois que tudo se encadeia. grifo nosso). não se pode deduzir dela que os seres inorgânicos têm vida. A efervescência que por vezes se manifesta em toda uma população. XIII – O Espiritismo não faz milagres”: O Espírito mais não é do que a alma . entre os homens de uma mesma raça. não é coisa fortuita. como as revoluções físicas. da qual transcrevemos: “Mas a matéria orgânica. pelo seu contacto e sua ligação íntima com os elementos materiais. no “Cap. depois por atos que levam às revoluções sociais. nem resultado de um capricho. de aspiração indefinida por alguma coisa melhor.51 uma mensagem do Espírito Arago. privá-lo do livrearbítrio. em A Gênese. não passando de vago desejo.

algo de material e espiritual. a primeira uma exceção. (KARDEC. ao passo que o corpo é simples acessório sujeito à destruição. como o corpo o está às que regem o princípio material. ao mesmo tempo. tudo no Universo se liga. grifo nosso). (KARDEC. trata-se da ação dos Espíritos sobre o mundo material. como estes dois princípios têm necessária afinidade. p. Essa ação é proveniente do perispírito. até a mais pura espiritualidade. que acontece dentro do âmbito das coisas naturais. mas. como reagem incessantemente um sobre o outro. tudo se acha submetido à grande e harmoniosa lei de unidade. concluindo. 2007e. quanto trata especificamente do perispírito. está submetido às leis que regem o princípio espiritual. portanto. é tão natural depois. grifo nosso). XIV – Formação e propriedades do perispírito” –. segue-se que a espiritualidade e a materialidade são duas partes de um mesmo todo. desde a mais compacta materialidade.52 sobrevivente ao corpo. como durante a encarnação. Durante a sua encarnação. o Espírito atua sobre a matéria por intermédio do seu corpo fluídico ou perispírito. 321. A Terra é qual vaso donde se escapa uma fumaça densa que vai clareando à medida que se eleva e cujas parcelas rarefeitas se perdem no espaço infinito. dando-se o mesmo quando ele não está encarnado. Kardec explica que as manifestações dos Espíritos nada têm de “milagroso”. tão natural uma quanto a outra. 299-300. é o ser principal. Nesse ponto. que: Assim. Sua existência. que tem. pois. como da ação simultânea deles resultam o movimento e a harmonia do conjunto. […]. porém. pois que não morre. uma anomalia na ordem das coisas. não sendo. “Cap. 2007e. um pouco mais à frente – A Gênese. . tudo se encadeia.

e todavia. sérios pensadores. nas quais é mencionada a questão do princípio inteligente ter passado pelo reino mineral. e meu seio agitado Em abundância dardeja a verdade! E vós. A primeira delas. mês novembro. sobre o qual disse: […] esse poema é rico em ideias Espíritas que parecem tomadas à própria fonte de O Livro dos Espíritos. mais para o final deste estudo. 284. de Marseille. 1993e. intitulado Uranie. de Marseille. Porry5. três transcrições das obras de Kardec. […]. foi averiguado que. Vejamos. na qual Kardec tece algumas considerações a respeito da existência de pessoas que são médiuns sem o saber aproveitando fragmentos de um poema do Sr.53 Na resposta à questão 540. na época que o autor o escreveu. p. também aparece a expressão “tudo se encadeia na Natureza. grifo nosso). . ele não tinha nenhum conhecimento da Doutrina Espírita. mas trataremos dela no item 5. desde o átomo primitivo até o arcanjo”. Eis a transcrição do poema: Urânia Fragmentos de um poema do senhor de Porry. vamos encontrá-la na Revista Espírita 1859. cujos trabalhos célebres Prometem a luz e dão as trevas. véus do santuário! Que o mau trema e o bom se esclareça? Uma luz divina me inunda. (KARDEC. Que de sonhos mentirosos e de prestígios vãos 5 Antoine Marie Eugène Porry (1829-1884). Abri-vos aos meus gritos. agora.

te sitia. a vida eterna. Concilio de sábios.. Só o prazer é Deus. A Natureza. Desafiamos a cólera dos móveis destinos!" Mas quando tua consciência. do soberano que tua audácia nega Sentes passar sobre ti a força infinita. em nascendo. E. É do seio escuro da cega matéria Que jorra em teu coração a importuna luz Que repõe sempre seus grandes crimes sob teus olhos. que tanto de orgulho inflama. a ti mesmo. . íntima vingadora. Sereis confundidos pela voz de uma mulher? Este Deus. O abismo do nada de novo nos reclama. em nossos barulhentos festins. entregando-se a sutis debates. Quando o trespasse apaga os nossos sentidos e nossa alma. que quereis do Universo banir. Ousa o negar tão alto. Que nossas frontes radiosas de rosas se coroem. E ele te acossa. Está regido pelas leis da necessidade. a vida é efêmera. Evitando os humanos. Se revela ao teu coração pelo grito do remorso!. se revela a vossa consciência. cansado de inquietação. Ou que pretendeis loucamente definir.54 Embalais incessantemente as infelicidades humanas. E tal que. O ateu disse um dia "Deus não é senão uma quimera. imutável em seu curso eterno. foi jogado. o proclama tão baixo! Tudo por sua vontade nasce e se renova: É a base suprema. malgrado teus esforços. Do qual vossos sistemas querem sondar a essência. O indigente repelido por um gesto desumano. Tudo repousa nele: a matéria e o Espírito. Ou o crime impune do qual sujas tua mão. Que vos retire seu sopro e o Universo perece. odioso? Então. O mundo. Usamos curtos instantes que seus favores nos dão. Recolhe nossos restos no seio maternal. e. onde o homem fraco. Procuras das florestas a negra solidão. Te apavora e te torna. Insensato! te censura uma culpável embriaguez. Malgrado vós. filha do acaso.

e do soberbo ateu … vingadores. é o Universo. nele tudo se resolve. rola e víbora! Ele se torna alternativamente pedra. carrasco de todo ser que pensa. Percorre todos os graus do bruto ao arcanjo! Eterna antítese. graça. . E frequentemente a virtude. esse eterno Grande Todo. murmura nas águas. E colore os ares os tecidos diáfanos. Um ruído surdo e sinistro em seu ouvido troveja." O quê! Deus se manifesta a si mesmo contrário! Ele é a ovelha e lobo. Deus brilha no sol. Ruge no vulcão e troveja na tormenta. ele é luz e lama! Ele é valente e frouxo. o remorso. Nos revela com Deus nossa imortal essência. enverdece na folhagem. O remorso é a chama onde nossa alma se depura. Escapar a esse Deus que te persegue sempre! Sobre sua presa em farrapos o tigre feliz dormita O homem. É ele quem nos anima e quem move nossos órgãos. Floresce em nossos jardins. planta. a audácia é refutada. Seu corpo treme inundado de um frio suor. nas trevas vela. Se exclama com terror Graça. É ele quem pensa em nós. Os brutos separam a humana criatura. Sua natureza combina o bem e o mal. Suspira flacidamente pela voz dos pássaros. E sua voz que formula uma terrível confissão. percorrendo seus selvagens desvios. Onde o encontrareis. esse Deus. ele é pequeno e grande. Seu olhar está ofuscado por um horrível clarão. O panteísmo vem expor por sua vez De seu louco argumento o capcioso desvio: "Ó mortais fascinados por seu sonho risível. em uma palavra. E pelo seu aguilhão o ser regenera. Espectros ameaçadores o escoltam o rodeiam.55 E crês. coberto de sangue. todos os seres diversos São ele mesmo. de um nobre arrependimento transforma um vil culpado em glorioso mártir. animal. …. Tudo forma sua essência. ó meu Deus! Sim. Na escala do bem avança um degrau. esse Grande Ser invisível? Ele está diante de vossos olhos.

O ateu pelo menos. A alma deve tomar emprestadas as asas do Amor. ao mesmo tempo. que a raça humana procurou sem cessar. Evoca o nada.. se afirma e se nega! Contra a sua própria essência ele afia o ferro. o caminho Não é a Ciência. Sua voz escarnece e amaldiçoa sua magnífica obra!. Deus. imortal e agonizante!. amontoais escombros sobre escombros E vossos sistemas vãos passam como as sombras! Este Deus.. E para disso se isentar.. que quer ser adorado e não ser conhecido. blasfêmia da blasfêmia!. qual é. Oh não.. Deus. O próprio Deus aos crentes aplainará o caminho: .56 Verídico e mentiroso. E que. Sábios. Ele o uniu a este mundo.. Ousando negar seu Deus. Cultiva a virtude e se enrola no crime. Mergulhado em seus remorsos onde o crime se expia. esse dogma monstruoso Jamais pôde germinar num coração virtuoso. O temerário autor da doutrina ímpia. se sente apavorado Pela imagem de um Deus que não podia negar. efêmera miragem Que fascina nossos olhos com sua brilhante imagem. É dos seres diversos o princípio e o fim: Mas. enganando sempre um poderoso desejo. Marco Aurélio e Nero. Servidor da glória e da ignomínia! Ele mesmo.. Mas que para seus filhos nutre um amor temo. Lancemos ao vento o orgulho e as cinzas da dúvida. Sócrates e Melitus.... tu não podes compreendêlo! Ah! Para se unir a ele. Cuja essência encerra um terrível poder. Lametrie e Platão. que sem perecer nenhum ser pode ver. A menos de igualá-lo. para reencontrá-lo um dia. .. para subir até ele. Ele é ao mesmo tempo opressor e vítima... não o degrada. Ele é. Desaparece sob a mão que pensa agarrá-lo. ele o uniu a si mesmo.. mil vezes não. alternativamente.. comprimido com semelhante embaraço. No seio dos prazeres.. e por cúmulo do ultraje. "pois.

que se abandona ao prudente. E que esmigalhando nos pés riqueza e gozo. O Eterno tira tudo de sua própria natureza. seus filhos que. e voa. Semelhante ao oásis que floresce no deserto.57 Seu amor infinito jamais se afastou. que quer bem ao coração humilde e piedoso. E lhe verte uma alegria ao vulgo desconhecida. Um celeste antegozo da suprema felicidade. E Deus. é preciso aos prestígios mundanos Opor constantemente inflexíveis desdéns. do verdadeiro. Na sua cama pacífica ele adormece. Da Criação quer sondar o mistério?… Como um pintor primeiro concebeu no seu cérebro A obra-prima encantadora que produz seu pincel. A alma que o procura com sinceridade. Deus pensa antes de produzir. com seu destino o sábio está satisfeito. Do bom. Nos sonhos brilhantes com os quais se embriaga seu coração. Tua alma que na verdade a ardente sede altera. obra de sua palavra. Num círculo traçado por inflexíveis leis. fazem seu único estudo! Feliz. do belo. na solitude. E.. portanto. Que se revela ao sábio. sem mostrar-se. Mas este Deus. De um véu constelado quando a noite o cerca. e saboreia. para contentá-lo. Aspira confundir-se com a sua pura essência. o homem absorvido inteiramente No triplo clarão desse divino foco! No meio das tristezas. . Felizes. Cumprir o destino do qual fez a escolha Como o artista. Com uma calma inalterável guarda o benefício. Está livre de falir ou de subir até Deus. Mas não se confunde com a sua criatura Que. no seu coração se insinua. cujo cortejo sobeja No círculo limitado de nosso pobre mundo. Então. Que bane de seu seio o déspota orgulhoso. pois. da inteligência tendo recebido o fogo. Cada criação de seu seio parte. O tesouro da Fé para a sua alma está aberto. Obra de seu Pensamento. Como um amante ciumento não sofre nenhuma partilha.

Em anjo de homem puro se transforma. Obedecendo às leis que regem seu meio. descendo e subindo. Sem cessar ele se transforma e jamais perece.e esse anjo De grau em grau pode tornar-se arcanjo. De grau em grau. sobe ou cai. a Força sem freio. Se rebaixa pelo crime ao nível do animal. desfigurados. Ou de se fundir no seio da Onipotência Que se pode assimilar uma perfeita essência. por sua vontade. Está livre para guardar sua personalidade. Produto inerte. Mas outros. Seja que ao bem se devote ou que ao mal ele sucumba. . Mas o Verbo jorra de sua Onipotência. fonte inesgotável de seres indiferentes E de globos semeados no imenso Universo. que a pedra começa. Do inerte metal se elevando ao Espírito. Com Deus está reunido por um excesso de amor. No seu trono brilhante esse arcanjo elevado. Deus. Esses anjos que perdem sua audácia funesta. se o homem. Sonha no animal. Da Criação o conjunto radioso. Fascinados pelo orgulho. de sua Vida eterna: Às suas criações transmite uma centelha. na celeste morada. mais de um arcanjo. Ora. no Universo errante. Cada elemento se aproxima ou se afasta de Deus. e no homem desperta. Assim. O Verbo criador na planta dormita. O livro ou o quadro pelo artista inventado. Quiseram do Mais Alto discutir os decretos. esse pai do ódio. o que criou. Ora. habitando a atmosfera do mal. Dele se destaca e se move em sua própria existência. cujo olhar os teria colocado em pó. E mergulharem na noite que esconde seus segredos: Esse Deus. Sobre as ondas do éter forma uma cadeia imensa Que o arcanjo termina. Cada ser inteligente. . poderia destruí-lo. Seguidos pelos assaltos de remorsos devorantes. jaz na imobilidade. invejando sua glória soberana. Depois. Ensombra-lhes as lajes de seu ardente raio.58 Como ele.

De outros globos. ultrajando a natureza. artesãos de sua própria infelicidade.59 Não ousam mais se mostrar no adro celeste. a enormes distâncias. Três princípios divinos.. queridos de todos seus habitantes. Quando um globo do crime preencheu a medida. Que ferem teus olhares com suas flechas inflamadas. Há mundos puros e mundos horríveis: Sem entraves reinam nos globos felizes. Todos esses mundos diferentes no Universo semeados. Da ordem social cimentam o edifício. Com imensa altura ultrapassam os seus níveis. mergulhados em seus prazeres barulhentos. estão agrupados em escalas. em seus passos incertos. Anjos condenados seguiram os vestígios: Esses mundos. amor. justiça. Flutua até nossos dias entre esses dois destinos. honra. onde ribomba uma horrível tormenta. Entregam seu coração rebelde às tormentas do inferno. celestes naves Onde vagam no espaço. De triunfo em triunfo ao paraíso se eleva. e seus mares saltitantes. Espíritos graduados em imensas coortes. De seus hóspedes impuros a multidão se lamenta. Que rola do éter o vago universal. sem cessar. Fecharam seus ouvidos aos discursos dos videntes. . E. Que seus hóspedes. À lei de Deus substituíram pela sua. Nosso globo noviço. De sua felicidade são as provas constantes. Nesse mundo enceguecido se dissipa e se apaga Então do Onipotente a cólera desencadeia Desce sobre o rebelde a perecer condenado: Os arcanjos vingadores com suas asas poderosas Batem a terra ímpia. cuja prova termina. Ao passo que o homem puro. Na vergonha. Globos variados esses luminosos feixes São vastas moradas. Que do verbo divino o mais ligeiro traço. Ultrajando a moral. E. no seu solo. afiando seu aguilhão amado. Assim como os Espíritos. entregues a insolentes vertigens.

Que por um rápido impulso somos transportados Num astro novo radiante de claridades. tua alma as vê. ribombante. Conservando sua permanência e sua identidade. como um fogo cativo num vaso de argila. essas radiosas moradas Que os favores do céu embelezam sempre. Que nos cremos errar por vastos bosques Sem cessar percorridos por um povo de sábios. de suas lágrimas se sacia. Rompe esse globo impuro que nele não mais crê! Nossa Terra medíocre é uma estação de prova. Quando o perverso segue um caminho retrógrado. Que vemos esse globo iluminado por sóis Irradiando alternadamente brancos. Aos seus menores desejos súbito obediente. A alma. . cruzando nos ares suas tintas combinadas. azuis e vermelhos. Preparam seu caminho para um mundo melhor. Lágrimas que. Vulcões subterrâneos a chama brilhante. que do passado guarda a lembrança E sabe ler por vezes no obscuro futuro. Colorem esses belos campos com luzes variadas! … Se teu coração neste mundo se mantém virtuoso. Desce de círculo em círculo aos abismos infernais. E o Ser Soberano. cuja vingança luziu. E do reino do mal percorrendo os elos. Onde o Espírito. se depurando. Onde reina da felicidade a eterna liberalidade. sobe de grau em grau. Consome em seus transportes sua veste frágil. que habita a sabedoria. tua alma é imortal. Esses destinos diferentes nossa alma os pressagia. essa viva força que domina os sentidos. A alma. Dispersa no éter os restos deste mundo. esses globos luxuosos Que a paz alegra. Tu os atravessarás. Que. Espelho onde o Universo reflete a sua imagem. Que. Sim. Não tem do fogo vital a efêmera centelha Tu mesmo tu o sentes. Nos campos do espaço e da eternidade.60 No seu solo limpo precipitam suas águas. por degraus purificam seu coração. Onde o justo sofredor. E não é em vão quando o sono nos mergulha Nos risonhos transportes da embriaguez de um sonho.

se não tivermos nos equivocado. com um ágil pulo. na humanidade. só mais tarde. do animal. para chegar à humanidade. mas muda o seu domínio. grifo em itálico do original. quanto ao início do processo evolutivo do princípio inteligente. é que Kardec o coloca no reino vegetal. em negrito nosso). A segunda. no infinito lançada. Existem entre essas diferentes fases laços importantes que é necessário conhecer e que eu chamarei períodos intermediários ou latentes. 286-293. Vê através dos corpos e lê no pensamento. Sem obstáculo percorre os campos aéreos. E de asilo em asilo sempre passeia Nossa alma. Falar-vosei mais tarde dos laços que ligam o mineral . a alma não morre. entretanto. orgulhosa de sua tarefa. conforme o disse Kardec. se isolando do mundo exterior. Se armar de um novo olho ou do dom profético: Libertada um instante dos terrestres laços. (KARDEC. numa mensagem recebida em Paris. Por vezes pode conquistar um sentido superior.61 Não. até a época de publicação desse poema só havia a hipótese dele ter se iniciado no reino animal. […]. encontramo-la na Revista Espírita 1865. E. na qual não consta o seu autor espiritual: Vou tocar uma grave questão esta noite. E. onde somente começa a se ensaiar a alma que se encarnará. p. no arrebatamento do sono magnético. porque é aí que se operam as transformações sucessivas. Mas tudo não se detém em crer somente no progresso incessante do Espírito. 1993e. embrião na matéria e se desenvolvendo ao passar pelo exame severo do mineral. do vegetal. falando-vos das relações que podem existir entre a animalidade e a humanidade. É certo que no poema há mesmo muitas ideias espíritas.

ele não existe. e é a esta causa somente que poderão ser devidas estas manifestações que vêm de vos ler. é preciso um trabalho latente que aniquile. sem alterar as cores de uma ou de outra. perispírito informe. porém. antes de passar ao estado intermediário de um desenvolvimento a outro. não fez ou nós não a encontramos. (KARDEC. uma vez que um fenômeno que vos espanta nos leva aos laços que ligam o animal ao homem. porquanto estava. 132-133. e que no estado de crisálida. ocorrer. pareceu-nos contraditório. quebrando-se num estado de maturidade. para deixar escapar. daí essa superioridade inteligente do cão sobre o instinto brutal da besta selvagem. ou antes sua passagem é tão rápida que é como nula. Esse estado é a crisálida espiritual onde se elabora a alma. grifo nosso). para mais tarde. Promete. falar da relação entre o mineral e o vegetal e deste para a do animal. mas ela é passageira. nesse momento. pois. . p. todo sinal exterior de vida. referindo-se somente ao reino animal. os germes de almas que ali eclodem. nas correntes que os carregam. para subir de um degrau. difícil vos falar dos Espíritos de animais do espaço. 2000. assunto que se propôs a tratar. é um pouco a humanidade que se detém sobre a animalidade. Não se está. vou vos entreter com estes últimos. porque o animal. No início tem-se como verdade o progresso da alma nos três reinos. A manifestação pode. não tendo nenhuma figura reprodutiva de traços. para todos. pois.62 ao vegetal. quando o autor disse que “este estado é a crisálida espiritual onde se elabora a alma”. o que. o vegetal ao animal. enganado ouvindo um grito alegre do animal e conhecendo os cuidados de seu senhor. Entre os animais domésticos e o homem as afinidades são produzidas pelas cargas fluídicas que vos cercam e recaem sobre eles. e vindo. pois. trazer-lhe uma lembrança. infelizmente. Ser-nosia. não poderiam ser descritos.

63

Kardec,

ao

comentar

essa

mensagem,

muito

cautelosamente, diz:
Quando tivermos reunido todos os documentos
suficientes, nós os resumiremos em um corpo de
doutrina metódico, que será submetido ao
controle universal; até lá não são senão
balizas colocadas sobre o caminho para
clareá-lo. (KARDEC, 2000, p. 133-134, grifo
nosso).

A terceira, consta da Revista Espírita 1867 numa carta
escrita pelo Dr. Charles Grégory (?-?), fervoroso adepto do
Espiritismo, a Kardec, que, a certa altura de sua defesa da
Homeopatia, dá esta opinião:
E depois, como creio que o Espírito do
homem,
antes
de
se
encarnar
na
humanidade, sobe todos os graus da escala
e passa pelo mineral, a planta e o animal e
na maioria dos tipos de cada espécie onde
preludia seu completo desenvolvimento
como ser humano, quem me diz que, dando-lhe
medicamento o que não é mais nem o mineral,
nem a planta, nem o animal, mas o que se
poderia chamar a sua essência, de alguma sorte
seu espírito, não se atua sobre a alma humana
composta dos mesmos elementos? Porque, é
preciso dizê-lo, o espírito é bem alguma coisa, e
uma vez que se desenvolveu e se desenvolve sem
cessar, precisou tomar esses elementos de
alguma parte. (KARDEC, 1999, p. 169, grifo
nosso).

Como quase sempre fazia, Kardec não deixou também
de tecer seus comentários a essa carta, nos quais se pode ver
que as observações do Dr. Charles, quanto a Homeopatia,
foram consideradas pertinentes; entretanto, ao final de seus
comentários, Kardec coloca o seguinte:

64
Em resumo, não contestamos que certos
medicamentos, e a homeopatia mais do que
qualquer outra, não produzem alguns dos efeitos
indicados, mas não lhes contestamos mais senão
os resultados permanentes, e sobretudo tão
universais que alguns o pretendem. Um caso em
que
a
homeopatia,
sobretudo,
pareceria
particularmente aplicável com sucesso, é o da
loucura patológica, porque aqui a desordem moral
é a consequência da desordem física, e que está
constatado
agora,
pela
observação
dos
fenômenos espíritas, que o Espírito não é louco;
não se tem o que modificá-lo, mas dar-lhe os
meios de se manifestar livremente. A ação da
homeopatia pode ser aqui tanto mais eficaz
quanto ela atue principalmente,
pela
natureza
espiritualizada
de
seus
medicamentos, sobre o perispírito, que
desempenha um papel preponderante nesta
afecção.
Teríamos mais de uma objeção a fazer
sobre algumas das proposições contidas
nesta carta; mas isto nos levaria muito longe;
contentamo-nos, pois, em colocar as duas
opiniões em frente. Como em tudo, os fatos são
mais concludentes do que as teorias, e são eles,
em definitivo, que confirmam ou derrubam estas
últimas, desejamos ardentemente que o Sr. o
doutor Grégory publique um tratado especial
prático da homeopatia aplicada ao tratamento das
moléstias morais, a fim de que a experiência
possa se generalizar e decidir a questão.
Mais do que qualquer outro, ele nos parece capaz
para fazer esse trabalho ex-professo. (KARDEC,
1999, p. 171-172, grifo nosso).

Sinceramente, acreditamos que o “teríamos mais de
uma objeção a fazer” de Kardec tinha por objetivo a crença de
que a alma humana, em sua ascensão rumo à meta final,
passa por todos os três reinos, levando-se em conta tudo
quanto, em suas obras, vimos de sua maneira de pensar.
Obviamente,

que

não

descartamos

estarmos equivocados nessa conclusão.

a

possibilidade

de

65

A quarta, na Revista Espírita 1868, quando lemos
algumas considerações de Emile Barbault ao livro A religião e
a política na Sociedade moderna de autoria de Frédéric
Herrenschneider, que Kardec resolveu divulgar na revista,
sem

ter

feito

qualquer

tipo

de

observação.

Essa

encontramos mesmo na fala do engenheiro Emile Barbault,
em cujo início consta:
O Sr. Herrenschneider é um antigo saintsimoniano e foi lá que hauriu o seu ardente amor
ao progresso. Depois, tornou-se Espírita, e, no
entanto, estamos longe de partilhar a sua
maneira de ver sobre todos os pontos, e de
aceitar todas as soluções que dá. A sua é uma
obra de alta filosofia, onde o elemento espírita
tem um lugar importante; nós não a
examinaremos senão do ponto de vista da
concordância e da divergência de suas
ideias, no que toca ao Espiritismo. Antes de
entrar no exame de sua teoria, algumas
considerações
preliminares
nos
parecem
essenciais. (KARDEC, 1993j, p. 183, grifo nosso).

Vejamos agora o seguinte trecho das considerações
que Barbault tece sobre o livro:
Dito isto, podemos examinar a obra notável do
Sr. Herrenschneider; é a obra de um profundo
pensador e de um Espírita convicto, senão
completo, mas não aprovamos todas as
conclusões às quais chega. (KARDEC, 1993j, p.
187, grifo nosso).
Durante toda essa fase de existência dos
seres, que começa na molécula do mineral,
prossegue no vegetal, se desenvolve no
animal, e se determina no homem, o Espírito
recolhe e conserva os conhecimentos pelo
seu perispírito; ele adquire, assim, uma
certa experiência. Os progressos que se
realizam são de uma grande lentidão, e quanto

66
mais eles são lentos, mais as encarnações são
multiplicadas.
Como se vê, o autor adota os princípios
científicos do progresso dos seres, emitidos
por Lamarck, Geoffroy Saint-Hilaire, e
Darwin, com esta diferença de que a ação
moderadora das formas e dos órgãos animais não
é mais somente o resultado da seleção e da
concorrência vital, mas é também, e sobretudo, o
efeito da ação inteligente do espírito animal,
modificando incessantemente as formas e a
matéria, que ele reveste para realizar uma
apropriação mais conforme com a experiência que
adquiriu. (KARDEC, 1993j, p. 187, grifo em itálico
do original, em negrito nosso).

Como ao final Kardec não faz nenhum comentário, não
temos como saber o que ele, de fato, pensava sobre essas
considerações de Emile Barbault, porém, não poderíamos
deixar de colocá-las.
Em A Gênese, no “Cap. VI – Uranografia Geral”,
podemos ainda encontrar algo, tratando o reino mineral como
“criatura”:
Esse fluido penetra os corpos, como um
oceano imenso. É nele que reside o princípio
vital que dá origem à vida dos seres e a
perpétua em cada globo, conforme a condição
deste, princípio que, em estado latente, se
conserva adormecido onde a voz de um ser não o
chama. Toda criatura, mineral, vegetal,
animal ou qualquer outra – porquanto há
muitos outros reinos naturais, de cuja
existência nem sequer suspeitais – sabe, em
virtude desse princípio vital e universal, apropriar
as condições de sua existência e de sua duração.
As moléculas do mineral têm uma certa
soma dessa vida, do mesmo modo que a
semente do embrião, e se grupam, como no
organismo, em figuras simétricas que constituem
os indivíduos.

Efetua-se assim a criação universal. O que nos leva a crer que. pois. que reside aqui. à medida que se apresentam as condições da existência sucessiva dos seres e quando soa a hora do aparecimento dos filhos da vida. Médium: C. 2007e. exato dizer-se que. cria incessantemente e nunca deixará de criar. a fim de que não pese sobre a doutrina a responsabilidade delas. 2007e. durante o período criador. sendo as operações da Natureza a expressão da vontade divina. que tivemos o cuidado de indicar como tais e que devem ser consideradas simples opiniões pessoas. Kardec já advertia na Introdução de A Gênese. ele deixa claro que o assunto não havia passado pelo Controle Universal do Ensino dos Espíritos – CUEE. É. Deus há criado sempre. não como verdade doutrinária. enquanto não forem confirmadas ou contraditadas.” (KARDEC. Aliado a isso.67 Muito importa nos compenetremos da noção de que a matéria cósmica primitiva se achava revestida. Aliás. temos ainda a opinião do próprio Camille . dessa forma. 121). p. como também do universal princípio vital que forma gerações espontâneas em cada mundo. 135-136. (KARDEC. porquanto havia… […] algumas teorias ainda hipotéticas. p. 2007e. O problema. grifo nosso). é que Kardec fez questão de fazer a seguinte observação: “Este capítulo é textualmente extraído de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris. 16-17). de que nem tudo constante nessa obra era provindo dos Espíritos. p. não só das leis que asseguram a estabilidade dos mundos. F. por isso. deveria ser tratado como hipótese. sob o título – Estudos uranográficos e assinadas GALILEU. em 1862 e 1863. (KARDEC.

entre os quais se elabora lentamente a obra da sua individualização. no “Cap. 136-137. p. (KARDEC. o seguinte: O Espírito não chega a receber a iluminação divina. o Espírito toma lugar no seio das humanidades. que nenhum sistema prematuro baseiem nas minhas palavras. VI. Além disso. Não tardei em concluir que elas eram apenas o eco daquilo que eu sabia e que Galileu nada tinha a ver com aquilo. exceto os títulos das obras). (FLAMMARION. a noção de seus altos destinos. o médium citado. em seu livro intitulado La Genèse (Gênese) (do qual conservei um dos primeiros exemplares. por meu lado. com a dedicatória do autor). Acreditamos que para o próprio Flammarion a . Era como uma espécie de sonho acordado. rogandolhes. escrevi. direi. sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores. sob o título Uranographie génerale (Uranografia Geral). Um pouco mais à frente. minha mão parava quando eu pensava em outros assuntos. páginas sobre astronomia. encontramos esta outra afirmação do Espírito Galileu: Aos que desejem religiosamente conhecer e se mostrem humildes perante Deus. que não demonstra nenhuma confiança nas comunicações recebidas por ele: Naquelas reuniões na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. 44. p. Essas páginas sobre astronomia nada me ensinaram. 2011. e Allan Kardec publicou-as em 1867. grifo nosso). ainda em A Gênese. item 19 – A criação universal”. 2007e. assinadas “Galileu”. Unicamente a datar do dia em que o Senhor lhe imprime na fronte o seu tipo augusto. grifo nosso. que lhe dá. todavia. simultaneamente com o livrearbítrio e a consciência. Essas comunicações ficavam no escritório da sociedade.68 Flammarion.

a verdadeira realidade é que a vida de todos os seres terrícolas – homens. grifo nosso). 68. (FLAMMARION. 1990. p. grifo nosso). […]. sujeita a um mesmo sistema. Vamos transcrever de O Livro dos Espíritos várias perguntas e respectivas respostas. animais e plantas – é uma e única. como nos inorgânicos: a mesma molécula passa sucessivamente do mineral ao vegetal e ao animal. p. grifo nosso). pela nutrição e assimilação que perpetuam a cadeia das existências. pelas quais a evolução do princípio inteligente é tratada somente em relação aos animais. trazemos da sua obra filosófica Deus na Natureza. Que é o Espírito? “O princípio inteligente do Universo”. neles incorporando-se segundo as leis que organizam todas as coisas. p. (FLAMMARION. da água com todas as substâncias organizadas. E contudo. foram excluídos do processo os minerais e os vegetais: 23. mudam de proprietário a cada instante. […]. Para corroborar isso. portanto. 67. operante em todos os seres da Natureza e que a todos os encadeia sob o império de uma comunhão substancial. tendo por ambiente o ar e por base o solo. os seguintes trechos: […] Pela troca perpétua. As leis da Natureza regem o movimento dos átomos nos seres vivos. mas conservam essencialmente a natureza intrínseca. as moléculas entram nos corpos e deles saem. .69 designação seres inferiores se refere aos seres vivos. 1990. da atmosfera com as plantas e todos os seres que respiram. 88. 1990. das plantas com os animais. pela comunicação permanente das coisas entre si. (FLAMMARION.

Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente. É. 598. pois. 597. como os corpos inertes o são do elemento material? “Evidentemente.70 79. alguns animais praticam atos combinados. 593. neles. A vida inteligente lhe . porém. quanto à consciência do seu eu. a) – Será esse princípio uma alma semelhante à do homem? “É também uma alma. se quiserdes. dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. porém limitada”. além de possuírem o instinto. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. como os corpos são a individualização do princípio material. Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação. Mas. Após a morte. Não se poderia negar que. poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente. 597. conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma? “Conserva sua individualidade. mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material. Há. não. […]. Poder-se-á dizer que os animais só obram por instinto? “Ainda aí há um sistema. que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus”. A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos”. uma espécie de inteligência. não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm inteligência. haverá neles algum princípio independente da matéria? “Há e que sobrevive ao corpo”.

a uma lei progressiva? como o “Sim. inferiores ao homem e se lhe acham submetidos. No homem. Ter-se-ão enganado os Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte na ordem da criação? “Não. os animais também o são. 610. O homem é. a inteligência proporciona a vida moral”. o elefante. Que não fariam sob a direção do homem? 604. Nada há nisso de extraordinário. Poderia encarnar num animal o Espírito que animou o corpo de um homem? . 599. 606. a) – Então. São sempre. 612. dispondo de meios mais amplos de comunicação. no homem. porém. o cavalo. tendo neles o homem servidores inteligentes”. o cão. e daí vem que nos mundos superiores. um ser à parte. há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. Os animais estão sujeitos. mas a questão não fora desenvolvida. pois que lhe falta livre-arbítrio”. porém os animais só possuem a inteligência da vida material. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação dos seres que podem conhecê-Lo”. passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal”. visto possuir faculdades que o distinguem de todos os outros e ter outro destino. Demais. À alma dos animais é dado escolher a espécie de animal em que encarne? “Não. emanam de um único princípio a inteligência do homem e a dos animais? “Sem dúvida alguma. com efeito. 601. homem. um ponto de contacto entre a alma dos animais e a do homem? “É. tomemos os nossos mais inteligentes animais. porém.71 permanece em estado latente”. e imaginemo-los dotados de uma conformação apropriada a trabalhos manuais. a) – A inteligência é então uma propriedade comum. onde os homens são mais adiantados.

porém. Além dessas questões. Voltamos a lembrar o fato de que Kardec. caso tenha interesse. 613. devendo dar-se o mesmo com . Ora. por já terem sido mencionadas. passando de um estado a outro superior. O rio não remonta à sua nascente”. o qual sugerimos ao leitor. 100.” Seria verdadeira a metempsicose. E. falsa no sentido de transmigração direta da alma do animal para o homem e reciprocamente. ponto que não podemos jamais esquecer pois é nela que o codificador expressa a sua última posição sobre o tema. como em muitas outras crenças. É. ou de fusão. o desnaturou. outras mais nós tratamos em nosso livro Alma dos Animais: estágio anterior da alma humana?.72 “Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. a sua leitura. 607a e 607b. se indicasse a progressão da alma. 330-339 – passim) Não reproduzimos as questões 607. uma inteligência rudimentar. onde adquirisse desenvolvimentos que lhe transformassem a natureza. atribuiu às plantas o instinto. que merece alguns comentários de nossa parte. 34. O homem. porém. as transcrições e O Livro dos Espíritos. p. razão pela qual não a incluímos na lista logo acima. 2007a. o que implicaria a ideia de uma retrogradação. como costuma fazer com a maioria de suas ideias intuitivas. Embora de todo errônea. finalizando. (KARDEC. temos a questão 613. ou seja. em A Gênese. mostra que estas são de graus inassimiláveis. se depara esse sentimento intuitivo. entre os seres corporais das duas espécies. o fato de não poder semelhante fusão operar-se. a ideia ligada à metempsicose não terá resultado do sentimento intuitivo que o homem possui de suas diferentes existências? “Nessa.

por sua morte. O ponto inicial do Espírito é uma dessas questões que se prendem à origem das coisas e de que Deus guarda o segredo. como os Espíritos a ensinam. nada mais lhe sendo possível a tal respeito do que fazer suposições. Antes. que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. A reencarnação. mediante progressão. um tipo absoluto. pois. de acordo com a perfeição de seus órgãos e com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza. física e moralmente. bem assim. Se um mesmo Espírito as pudesse animar alternativamente. uma identidade de natureza. acerca do que não sabem. criar sistemas mais ou menos prováveis. cada um de cujos indivíduos haure na fonte universal a quantidade do princípio inteligente que lhe seja necessário. o que em nada lhe diminui a dignidade. É assim. do pássaro. o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana. o Espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Dado não é ao homem conhecê-las de modo absoluto. a circunstância de a terem professado homens eminentes provam que o princípio da reencarnação se radica na própria Natureza. por exemplo. Os dos mundos mais adiantados que o nosso (ver n° 188) constituem igualmente raças distintas. traduzindo-se pela possibilidade da reprodução material. dentro da sua própria espécie. que nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais. Seja como for. restitui ao reservatório donde a tirou. Os próprios Espíritos longe estão de tudo saberem e. apropriadas às necessidades desses mundos e ao grau de . ao contrário. Assim. o espírito da ostra não se torna sucessivamente o do peixe. O segundo é mais conforme à dignidade do homem e pode resumir-se da maneira seguinte: As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras. O que o rebaixa é o mau uso que ele faz das faculdades que Deus lhe outorgou para que progrida. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais. também podem ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas. Segundo outros. do quadrúpede e do quadrúmano. a ancianidade e a universalidade da doutrina da metempsicose e.73 relação aos espíritos que as animam. quantidade que ele. haveria. sem passar pela fieira animal. constituem argumentos a seu favor. como consequência. se funda. Cada espécie constitui. que contrários a esse princípio. na marcha ascendente da Natureza e na progressão do homem. Segundo uns.

74
adiantamento dos homens, cujos auxiliares eles são,
mas de modo nenhum procedem das da Terra,
espiritualmente falando. Outro tanto não se dá com o
homem. Do ponto de vista físico, este forma
evidentemente um elo da cadeia dos seres vivos:
porém, do ponto de vista moral, há, entre o animal
e o homem, solução de continuidade. O homem
possui, como propriedade sua, a alma ou Espírito,
centelha divina que lhe confere o senso moral e
um alcance intelectual de que carecem os animais
e que é nele o ser principal, que preexiste e
sobrevive
ao
corpo,
conservando
sua
individualidade. Qual a origem do Espírito? Onde o
seu
ponto
inicial?
Forma-se
do
princípio
inteligente
individualizado?
Tudo
isso
são
mistérios que fora inútil querer devassar e sobre
os quais, como dissemos, nada mais se pode fazer
do que construir sistemas. O que é constante, o
que ressalta do raciocínio e da experiência é a
sobrevivência do Espírito, a conservação de sua
individualidade após a morte, a progressividade de suas
faculdades, seu estado feliz ou desgraçado de acordo
com o seu adiantamento na senda do bem e todas as
verdades morais decorrentes deste princípio.
Quanto às relações misteriosas que existem
entre o homem e os animais, isso, repetimos, está
nos segredos de Deus, como muitas outras coisas,
cujo conhecimento atual nada importa ao nosso
progresso e sobre as quais seria inútil determo-nos.
(KARDEC, 2007a, p. 339-340, grifo em itálico do original,
em negrito nosso).

Os Espíritos da Codificação ao afirmarem que “na
progressão do homem, dentro da sua própria espécie”,
deixam claro que não admitem a possibilidade do Espírito
humano reencarnar em alguma espécie anterior, uma vez que
a sua progressão é ascendente. Além disso, não é a primeira
fez que se diz sobre não se saber o ponto inicial do Espírito,
segredo que somente os Espíritos puros podem acessar.
Das duas hipóteses acima levantadas, Kardec colocase a favor de uma delas, exatamente a que dá um destino
digno aos “diversos graus dos seres inferiores da Criação”,
colocando como vantagem o fato de dar um “alvo ao futuro

75

dos animais, que formariam então os primeiros elos da cadeia
dos seres pensantes”, portanto, ressalvando um equívoco de
interpretação de nossa parte, ele admite o início da evolução
do princípio inteligente no reino animal.
Na afirmação de que “o que em nada lhe diminui a
dignidade”, Kardec só pode ter dito isso se considerasse o
animal como estágio anterior do princípio inteligente que hoje
habita um ser humano.
Em A Gênese, no “Cap. XI – Gênese Espiritual”, quando
trata da “Hipótese sobre a origem do corpo humano”,
também encontramos isso:
15. Da semelhança, que há, de formas
exteriores entre o corpo do homem e o do
macaco, concluíram alguns fisiologistas que o
primeiro é apenas uma transformação do
segundo. Nada aí há de impossível, nem o
que, se assim for, afete a dignidade do
homem. Bem pode dar-se que corpos de macaco
tenham servido de vestidura aos primeiros
Espíritos
humanos,
forçosamente
pouco
adiantados, que viessem encarnar na Terra, sendo
essa vestidura mais apropriada às suas
necessidades e mais adequadas ao exercício de
suas faculdades, do que o corpo de qualquer
outro animal. Em vez de se fazer para o Espírito
um invólucro especial, ele teria achado um já
pronto. Vestiu-se então da pele do macaco, sem
deixar de ser Espírito humano, como o homem
não raro se reveste da pele de certos animais,
sem deixar de ser homem.
Fique bem entendido que aqui unicamente se
trata de uma hipótese, de modo algum posta
como princípio, mas apresentada apenas para
mostrar que a origem do corpo em nada prejudica
o Espírito, que é o ser principal, e que a
semelhança do corpo do homem com o do
macaco não implica paridade entre o seu Espírito
e o do macaco. (KARDEC, 2007e, p. 243-244, grifo

76
nosso).

O homem como transformação do animal não é
admitido;

porém,

porta

aberta

ao

Espírito

(princípio

inteligente) que anima ambos, este sim, pode ir do que está
temporariamente num grau inferior ao que já está num grau
mais elevado.
Encontramos ainda em A Gênese, no “Capítulo X –
Gênese orgânica”, no tópico “O homem corpóreo”, algo bem
interessante:
28. — Por pouco que se observe a escala
dos seres vivos, do ponto de vista do
organismo, é-se forçado a reconhecer que,
desde o líquen até a árvore e desde o zoófito até
o homem, há uma cadeia que se eleva
gradativamente, sem solução de continuidade e
cujos anéis todos têm um ponto de contacto com
o anel precedente. Acompanhando-se passo a
passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie
é um aperfeiçoamento, uma transformação da
espécie imediatamente inferior. Visto que são
idênticas às dos outros corpos as condições do
corpo do homem, química e constitucionalmente;
visto que ele nasce, vive e morre da mesma
maneira, também nas mesmas condições que os
outros se há de ele ter formado. (KARDEC, 2007e,
p. 233, grifo nosso).

Trata-se aqui isoladamente do organismo e não que os
dois – corpo físico e espírito – dos homens e do seres vivos
sejam os mesmos.
Bom, até aqui nós não conseguimos ver nada dito por
Kardec de forma clara, objetiva e conclusiva para apoiarmos a
hipótese de que o princípio inteligente tenha, em seu
desenvolvimento intelectual e moral, passado pelo reino

em virtude deste princípio. […]. e que um princípio fundado sobre o erro cai pela força das coisas. ou seja. 1993i. e nós. não fecha questão colocando tudo como pronto e acabado. 306. 1993i. queremos deixar bem claro que vários companheiros espíritas advogam cada uma dessas duas hipóteses. deve. entretanto. 223). é bom também não deixar de ter em mente que. que devem se desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação”. a cada um uma inteira liberdade de exame. aqui utilizadas. muito pelo contrário. (segunda edição) Rio de . p. São Paulo: IPECE. Para que você leitor possa melhor se situar nas transcrições das obras de Kardec. (KARDEC. não faz senão lhe colocar as bases e os pontos fundamentais. 5. grifo nosso). p. porém. 2004. que reclamamos essa liberdade para nós. coisa que além de natural é algo totalmente possível dentro do meio espírita. pois. p. abre uma porta para futuras considerações provenientes de novos estudos e experiências.77 mineral. grifo nosso). Por outro lado. para Kardec “O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo. de que a verdade sendo una. 2000c. principalmente se levarmos em consideração essas duas afirmações de Kardec: […] Ele [o Espiritismo] deixa. Cada um é livre para encarar as coisas à sua maneira. (KARDEC. informamos que a ordem cronológica delas é a seguinte: 1857 – O Livro dos Espíritos – primeira edição de 1867. cedo ou tarde. não podemos recusá-la aos outros. 1860 – O Livro dos Espíritos. se impor sobre o que é falso. (KARDEC.

2007e. 1867 – Revista Espírita 1867. 1865 – Revista Espírita 1865. 1993f. 1864 – O Evangelho Segundo o Espiritismo.m. 1861 – A. 2000c. 1868 – Revista Espírita 1868. Araras. Araras. Isso pode ser importante. SP: IDE. . SP: IDE. porquanto. s. as nossas ideias. SP: IDE. 1866 – Revista Espírita 1866. 1999. 1993j.78 Janeiro: FEB. Rio de Janeiro: FEB. SP: IDE. Araras. vão evoluindo de acordo com os novos conhecimentos que vamos adquirindo ao longo do tempo. SP: IDE. pois. Rio de Janeiro: FEB. Araras.. 2007a. por essa razão. Araras.j. será a que ele expressa na última delas. Revista Espírita 1861. sobre determinado assunto. temos que levar em consideração que a opinião final de Kardec. 1993i. 2007c. a última fala deve ser aquela na qual se resume todos esses conhecimentos. 1868 – A Gênese.

agora. cujas obras voltaremos. 1987. nesse ponto.1 – León Denis Léon Denis (1846-1927) é o primeiro da lista. isto é – a força e a vida. achando-se em estado latente no mineral. p. cumprindo o que havíamos prometido no início. porém. pois em duas delas – Depois da Morte e O Problema do ser. advoga. 3. a evolução do princípio inteligente (caso ele seja compreendido como integrante de “a força e a vida”). nos degraus inumeráveis da escala superior. porque o pensamento estará livre das peias e barreiras que lhe impõem escolas e sistemas. se vão desenvolvendo progressivamente do vegetal ao ente humano. de uma forma ou de outra. pelo que percebemos. Quando perscrutamos o fundo das coisas. positivista. em outras oportunidades já nos pareceu não admitir isso. (DENIS. a nossa atenção. contemporâneos ou próximos da época de Kardec. . e. tocaram nesse assunto. do destino e da dor – encontramos algo relacionado ao tema: a) Depois da Morte (1890): Tempo chegará em que todos esses vocábulos: materialista. espiritualista. grifo nosso).79 3. 97. que. a partir do reino mineral. perderão sua razão de ser. Estudiosos dos primórdios da Codificação Traremos vários autores. que. reconhecemos que matéria e espírito não passam de meios variáveis e relativos para expressão do que existe unicamente de positivo no Universo. Denis. mesmo acima deste.

Os seres não podem ter outras aparências que não sejam as resultantes das suas tendências e dos hábitos contraídos. antes de se possuir na plenitude de sua vontade. a vida aparece primeiramente sob os mais simples. Teria cada alma percorrido esse caminho medonho. A alma elabora-se no seio dos organismos rudimentares.80 Sabemos que. revestido as formas inferiores da vida? Em uma palavra: teria passado pela animalidade? O estudo do caráter humano. até ao tipo humano. Não se deve acusar Deus por ter criado formas horrendas e desproporcionadas. por uma progressão constante. Lentamente. escolhem corpos débeis e sofredores para adquirirem as qualidades que devem . tanto quanto o homem. O sentimento da justiça absoluta diz-nos também que o animal. Porém. desenvolvem-se e depuram-se os organismos. o mineral ao vegetal. As formas sucessivas que reveste são a expressão do seu valor próprio. coroamento da criação terrestre. ao material como ao espiritual. não deve viver e sofrer para o nada. Uma cadeia ascendente e continua liga todas as criações. essas duas formas de evolução são paralelas e solidárias. a vida liberta-se dos liames da matéria. e não mais pode retrogradar. aumenta a sensibilidade. Acontece que almas. essa escala de evolução progressiva. e este ao ente humano. traduzida pelo movimento. em todos os graus ela prepara e conforma o seu invólucro. cujos primeiros degraus afundam-se num abismo tenebroso? Antes de adquirir a consciência e a liberdade. para elevar-se. Liga-os duplamente. adquire o conhecimento. os mais elementares aspectos. o vegetal ao animal. teria ela animado os organismos rudimentares. No animal está apenas em estado embrionário. leva-nos a supor isso. de formas em formas. em nosso globo. ainda com o cunho da bestialidade. de espécies em espécies. o instinto cego dá lugar a inteligência e a razão. Não sendo a vida mais que uma manifestação do espírito. Pouco a pouco. A situação que ocupa na escala dos seres está em relação direta com o seu estado de adiantamento. no homem. atingindo o estado humano.

(DENIS. aprimorar-se sem cessar em ciência. Nada há aliás maior. Longe de acabar. Os seus renascimentos em corpos carnais suceder-se-ão. As lutas do passado nada são ao lado das que o futuro lhe reserva. Eterna viajora. mais justo. agora é que começa a sua obra real. Alguns possuem qualidades que se aproximam sensivelmente das da Humanidade. na Natureza inferior nenhuma escolha poderiam praticar e o ser recai forçosamente sob o império das atrações que em si desenvolveu. alcançar novos níveis. em virtude. para a Razão infinita. libertando-se das formas animais e chegando ao estado humano. Como a matéria e incapaz de amar e sentir. porém. mais conforme a lei do progresso. com órgãos rejuvenescidos. do que essa ascensão das almas operando-se por escalas inumeráveis. nem por isso atinge o seu fim ou termina a sua evolução. Apesar de afirmar que há uma cadeia ascendente tanto no aspecto material quanto no espiritual. da liberdade. Essa explicação pode ser verificada por qualquer observador atento. a obra do aperfeiçoamento interrompida pela morte. a alma deve subir. do amor. para o Bem. e que nenhum ser alcance o estado superior sem ter adquirido aptidões novas. em critério. Nos animais domésticos as diferenças de caráter são apreciáveis. e compreender o dever. ligando todos . de esfera em esfera. ela continuará. a fim de prosseguir e mais avançar. 1987. De cada vez. É soberanamente justo que a mesma aprendizagem chegue a todos.81 favorecer a sua elevação. a sua responsabilidade moral. 132-134. No dia em que a alma. e até os de certas espécies parecem mais adiantados que outros. conquistar a sua autonomia. em cujo percurso elas próprias se formam: pouco a pouco se libertam dos instintos grosseiros e despedaçam a sua couraça de egoísmo para penetrarem nos domínios da razão. forçoso é que se admita neles a existência de uma alma em estado embrionário. grifo nosso). p. sendo suscetíveis de afeição e devotamento. novas tarefas chamam-na. assim.

a coloca no reino animal. demonstram a sobrevivência do ser sob uma forma fluídica mais perfeita. ao dizer sobre a elaboração da alma. das tendências generosas dos animais superiores. Denis tem no reino animal como sendo o princípio da evolução da alma humana. começa a ter sentimentos mais elevados. inteira e livre. verifica seu próprio estado de adiantamento. participa de suas peregrinações. 1987. o manto fluídico que a cobre. A alma. nessa sua fala. confirmadas. em seu aspecto esplêndido ou miserável. . Essa forma indestrutível. das astúcias dos felinos. acabamos por concluir.m. Denis. explicadas pelas recentes experiências do Espiritismo. o ser perispiritual sobe lentamente a escala das espécies. 183. impregnando-se dos instintos das feras. o espírito irradia com maior vigor e o perispírito ilumina-se com claridades novas. retoma posse de si mesma e. companheira e serva da alma. s. Como a borboleta que sai da crisálida. Gerado nos últimos degraus da animalidade. Até então mais não é que um ser rudimentar. grifo nosso). testemunho de suas lutas e de seus sofrimentos. eleva-se e purifica-se com ela. (DENIS. um esboço incompleto. Denis faz as seguintes considerações: As relações seculares entre os Espíritos e os homens. considerando. que as aspirações se depuram.82 os seres da criação.j. à proporção que as faculdades se dilatam.. Chegando à Humanidade. De vidas em vidas. que. ele se enriquece com sentidos novos. assim também o corpo espiritual desprende-se de seus andrajos de carne. Da colocação de que o perispírito foi gerado nos últimos degraus da animalidade. e também das qualidades. sempre que uma encarnação termina. que o campo dos conhecimentos se alarga. p. Ao falar da evolução perispiritual.

necessariamente. Aqui a frase é bem semelhante àquela que lhe atribuem. foi antes a multidão das células que se agrupou para formar seres mais perfeitos e. Há.83 b) O Problema do Ser. possui-se e torna-se consciente. a partir daí o progresso. conhece-se. acorda na matéria orgânica. a um organismo mais rico.(108) Cada elo dessa cadeia representa uma forma da existência que conduz a uma forma superior. boiando à flor das águas. de alguma sorte fatal nas formas inferiores da Natureza. adquire atividade. mais bem-adaptado às necessidades. a cadeia das espécies tem-se desenrolado através de séries variadas. 63. alma e corpo. de degrau em degrau. 1989. Na planta a inteligência dormita. do Destino e da Dor (1905): O homem é. p. espírito e matéria. em cada organismo humano. exprimindo de maneira imperfeita as duas formas da vida eterna. ele fala da “vida eterna”. _______ (108) Os seres monocelulares encontram-se ainda hoje aos bilhões. ao mesmo tempo. o pensamento. . uma evolução que foi reconhecida pelos pensadores de todos os tempos. pois. em todos os reinos da Natureza. mas talvez espírito e matéria não sejam mais do que simples palavras. na escala da evolução. até nós. Não foi de uma única célula que saiu a série das espécies. Desde a célula verde. a consciência e a liberdade só aparecem passados muitos graus. só no homem acorda. convergir para a unidade. é universal. que é algo abrangente e. colocada no início do texto. (DENIS. no animal ela sonha. a qual dormita na matéria bruta. pode não significar especificamente o princípio inteligente. entretanto. só se pode realizar pelo acordo da vontade humana com as leis Eternas. A lei do progresso não se aplica somente ao homem. desde o embrião errante. mas. se expande e se eleva no espírito. às manifestações crescentes da vida. grifo nosso).

cujas Especificamente. Agora. e também falou alguma coisa nestas duas outras: O Espiritismo perante a ciência e A Reencarnação. filho de Alexandre Delanne. dedicou-se conclusões ao aspecto trazemos científico para do análise. É preciso que estabeleçamos por que processo esta organização fluídica pode dirigir as diferentes categorias de ações orgânicas que compõem a vida.84 (DENIS. Podemos. caso não estejamos forçando a barra. donde a conclusão de que a alma humana. que. 3.2 – Gabriel Delanne Gabriel Delanne foi contemporâneo de Léon Denis. antes de animar um organismo tão perfeito como o corpo humano. que. quanto mais grosseiro é o invólucro. Espiritismo. grifo nosso). dá uma reviravolta dizendo que é na planta que a inteligência dormita. em virtude do que concluímos nos baseando em Kardec. Vejamo-las. menos adiantado é o espírito. p. pois. com isso dá uma pista para definir qual é realmente a sua posição. 1989. 122-123. quanto mais o espírito se eleva mais se lhe depura o invólucro. desenvolveu um estudo sobre o assunto na obra A Evolução Anímica. dizer. olhando para o passado. teve que passar pela fieira animal: Não pretendemos . parece-nos ser mais para deixar de fora o reino mineral. Segundo acreditamos. pela ordem de publicação: a) O Espiritismo perante a ciência (1885): O que nos falta dizer é como o perispírito pode ter adquirido todas as qualidades necessárias ao funcionamento de uma maravilha como é o corpo humano. amigo íntimo de Allan Kardec.

se confundem e transmitem a vida por um movimento que é dado ao homem verificar e compreender. como ponto de partida das evoluções do princípio inteligente os mais rudimentares animais. vulgarmente chamada sensitiva.85 que o princípio inteligente tenha sido obrigado a atravessar a fase vegetal. pois. 1993. se unem. (DELANNE. a planta transforma o ar. encontramos algo que pode nos indicar aquilo que faz a ligação entre os três reinos: O corpo do homem rejeita o que nutre a planta. Eis por que – diz ele – “circulação da matéria é a alma do Mundo”. se penetram. p. transitando pela matéria vivente. dito por Kardec? b) A Evolução anímica (1895) […] O Espírito. porque nas plantas não encontramos sinal algum de sensibilidade bem nitidamente acusada. o animal nutre o homem. Todos os mundos: vegetais. renovam e entretêm a vida das plantas. a razão do perispírito. o ponto de partida da evolução do princípio inteligente é no reino animal. p. que. desde as primitivas eras do mundo. Nem foi senão lentíssima e progressivamente . Cremos seja ele o agente de evolução das formas orgânicas e. Os movimentos de certas dioneias. então. que nutre o animal. 310. grifo nosso). como a mimosa pudica. Não seria o “tudo na natureza se encadeia”. não bastam para estabelecer esta propriedade nas raças vegetais. (DELANNE. a transformação progressiva e aperfeiçoada. minerais. 18. Logo no início dessa obra. daí. e os seus resíduos. grifo nosso). para Delanne. Tomaremos. conservando-lhe as leis. 1993. animais. levados pelo ar à superfície da terra vegetal. Vê-se. conseguiu paulatinamente.

há plantas que.86 que essas leis se lhe incrustaram na contextura. formam uma cadeia de vida. do peixe ao molusco. grifo nosso). Todos os seres se tocam. como devemos conceituá-lo também ligado aos seres inferiores. chega a atingir o ponto culminante na criação. aparentemente insensíveis. demonstrarmos a unidade do princípio pensante no homem e no animal. certo. Não só é impossível fazer do homem um ser destacado do reino animal. 1989. sem terem mesmo. se quisermos avançar no estudo dos processos vitais que diferenciam o animal da planta. portanto. e quer simplesmente dizer que ele é o mais aperfeiçoado dos animais. Preciso. distinguirá sempre um gato de uma roseira. nenhuma passagem é brusca. e estabelecermos que não há transições bruscas entre um e outro. Porque. O que se dá é sempre uma degradação insensível. por esforços consecutivos. havemos de ver que não existem mais caracteres próprios do animal que faltem à planta. o homem reivindica o primeiro lugar a que tem. grifo nosso). como diz Charles Bonnet. o vulgar bom senso. deste ao cão. é. de outro lado. ao verme. Nessa hierarquia dos seres. e que só mediante uma evolução contínua. isso não o coloca fora da série. de um lado. p. ao mais ínfimo dos colocados nas fronteiras extremas do mundo orgânico com o mundo inanimado. p. animais que. Ao homem é impossível viver de maneira . no decurso de longa existência permanecem imóveis. 1989. a faculdade de subtrair-se às hostilidades exteriores. mas. e. 56. da ave ao réptil e deste ao peixe. que só nos parece interrompida pelo desconhecimento das formas extintas ou desaparecidas. como as algas. 53. visto que. que o homem não constitui um reino à parte no seio da natureza. Certo. (DELANNE. Do homem ao macaco. (DELANNE. não há delimitação. entre animais e vegetais. como a sensitiva. que a lei de continuidade não se interrompe. se reproduzem por meio de corpúsculos agilíssimos. incontestável direito. mas.

que. grifo nosso). Nos primeiros períodos de vida fetal. 1989.87 diferente dos outros animais. composta de um simples protoplasma. o que nos permite compreender que não existe diferença essencial entre a alma animal e a nossa. Somos. evidentemente. Idêntica nas causas. Resumindo: reconhecemos. p. O sangue lhe circula do mesmo feitio. a desorganização da matéria viva. A monera que haja de produzir o “rei da criação” é. e resumimos. p. (DELANNE. originariamente. mas tais seres que nos parecem tão degradados são. as condições indispensáveis à manutenção da vida são idênticas para todos os seres. Os alimentos são da mesma natureza. a respeito dos selvagens. mediante as mesmas operações químicas. O nascimento não é fenômeno particular. 1989. ou seja. em retorno ao grande laboratório da natureza. 70-71. é impossível distinguir o embrião humano do canino. como a de qualquer vegetal. 62-63. por seus caracteres físicos. Se tivermos bem de vista os fatos retrocitados. como nos resultados. grifo nosso). o último ramo aflorado da grande árvore da vida. e que vã tem resultado a tentativa para estabelecer uma linha que lhe permita atribuir-se um lugar privilegiado (DELANNE. ainda assim. transformados nas mesmas vísceras. compreenderemos melhor a marcha ascendente do princípio pensante. A descendência animal do homem impõese com evidência luminosa a todo pensador imparcial. mercê de idêntico mecanismo. Os povos primitivos são vestígios que demonstram as fases do processo transformista. pois. como temos visto. com os sábios. o homem em nada se distingue do animal. ou de outro qualquer vertebrado. . superiores ao nosso ancestral da época quaternária. a partir das mais rudimentares formas da animalidade. A morte é também a mesma para toda a série orgânica. até atingir o máximo do seu desenvolvimento no homem. o ar é respirado nas mesmas proporções.

sob a ação da luz. por tanto. que se formou essa massa viscosa chamada protoplasma. 234. No ser inteligente há aumento de poder. desenvolvimento de faculdade latente. 238. assinalados isoladamente em cada um dos indivíduos que perfazem a séries dos seres. fatal. após uma série de séculos ou milênios. jamais se verifica progresso. p. visto como a mínima de suas parcelas. tendo as moléculas orientadas por uma ordem geométrica. É no seio tépido dos mares primitivos. (DELANNE. O cristal é quase um ser vivente. p. permitirá o desenvolvimento regular e indefinido dessa partícula. passivo. eclosão do ser. uma tal ou qual individualidade. (DELANNE. as quais em nada modificam a natureza íntima da substância. do calor e de uma pressão hoje difícil.88 acumulando-os. mergulhada num soluto idêntico. p. p. todos os caracteres físicos. grifo nosso). 184-185. fixa e. grifo nosso). A evolução terrestre Não encerrando os terrenos primitivos . grifo nosso). Já no reino mineral se torna possível encontrar o traço de uma futura vida orgânica. Nele existe os primeiros lineamentos da reprodução. 83. primeira manifestação da vida inteligente. Não há. à obra tão pacientemente perseguida: – a aparição do ser consciente – o homem. que deve se desenvolver progressiva e paralelamente. […] No mundo inorgânico tudo é cego. para chegar. visto que difere completamente da matéria amorfa. e produzir a inumerável multidão de formas vegetais e animais. cuja avaria não se possa reparar. senão impossível de reproduzir-se. grifo nosso). intelectuais e morais. uma só parte do seu bloco. finalmente. (DELANNE. (DELANNE. 1989. 1989. não há mais que mudanças de estados. 1989. 1989. a traduzir-se por exaltação íntima do indivíduo. constituindo um cristal semelhante ao primeiro. A Natureza opera sempre em continuidade nas manifestações sucessivas que perfazem o conjunto dos fenômenos terrestres.

cuja ação é enérgica para variar as formas. Foi-lhe preciso rematerializar-se um semnúmero de vezes para que todos esses movimentos. conscientes. logo que se opera uma condensação na massa. não é mais que uma modificação da energia. (DELANNE. 1989. a alimentação e os instintos. e os meios utilizados pela Natureza. do mais simples ao mais complexo. essa condensação se chama núcleo. é a célula que há de ser molécula vital. quando. a preludiar-se naturalmente na construção geométrica dos cristais que se organizam. que ele pôde pouco a pouco. fixar no invólucro fluídico todas as leis da vida vegetativa. p. temos por certo que a vida surgiu na Terra em um dado momento. está o ser vivo constituído. porém. de que se formam todos os seres organizados. É um problema que fica resolvido com o protoplasma. desprovida de espontaneidade. e foi por meio de uma ascensão ininterrupta. Todo o trabalho futuro consistirá nesse agrupamento. orgânica e psíquica. pela vida. e influência do meio. chegassem à inconsciência e ao automatismo . é inerte. demoradamente. viscosas. Essa matéria. A partir desse momento. 238-239. lentamente. grifo nosso). que tomam indiferentemente todas as formas. são bem simples. todas as escalas da vida orgânica. não passam de associação de células mais ou menos diferenciadas. mas. reparam as fraturas e reproduzem-se acidentalmente. Animais ou vegetais. Vimos que ela. Não há individualidade nessas massas gelatinosas. se mergulha em água-mãe a parte lascada. sentidos. O princípio pensante percorreu.89 qualquer traço de matéria organizada. torna-se-lhe necessária a adjunção do princípio intelectual para poder animar-se. para variar a sua obra primitiva. cindidos por uma força exterior. em transcurso de séculos inumeráveis. Depois. melhor dito – luta. a vida. moles. como sucedeu com as nebulosas. o protoplasma reveste-se de uma camada mais densa e é o começo do invólucro membranoso. desejados. resumem-se em duas proposições: seleção natural ou.

Existem três propriedades importantes dos protoplasmas no sistema nervoso: irritabilidade. as substâncias minerais e a água. Os principais constituintes químicos do protoplasma são as proteínas (ácidos aminados. É um sistema físico-químico de natureza coloidal e pode passar facilmente do estado sólido ao líquido. polipeptídeos etc. foi a primeira matéria viva a habitar o orbe terrestre após as agitações das energias físico-químicas. E após cessar as agitações do princípio da formação do globo. faz parte dos seres orgânicos.90 perfeito. Por estas várias passagens podemos ver que Delanne continua firme em manter-se na ideia de que o princípio inteligente iniciou seu processo evolutivo no reino animal. divisão etc.). os lipídios. pois a Natureza não faz milagres. como reiteradas vezes já vimos. Achamos oportuno colocar a definição de protoplasma: Protoplasma é a parte viva da célula. tenha percorrido toda a série. que reúne os caracteres mais elevados de todas as criaturas vivas. 1989. possa existir. os carboidratos. Para que um ser tão complexo quanto o homem. que. O protoplasma. e ambientar a pressão atmosférica. de forma que oferecesse o ambiente mínimo para a . grifo nosso). absoluta e necessariamente. que caracterizam as reações vitais e as ações reflexas. seja qual for. 244-245. cujos diferentes estados ele em si resume. p. condutibilidade e contratilidade. Não é de improviso que o ser. e opera sempre do simples para o complexo. chega a esse resultado. pode emitir pseudópodes e sofre atrações e repulsões. segundo estudos. físicos e químicos. O protoplasma reage aos excitantes mecânicos. importa.). e das colisões telúricas incandescentes na formação terrestre. (DELANNE. O protoplasma é uma substância viva que tem a propriedade da assimilação e sofre suas consequências (crescimento.

. Nessa obra de Delanne. é o mundo vegetal nas células que apresentam variedade e opulência incapazes de serem ultrapassadas por qualquer planta. vemos um trecho que corrobora o “tudo na natureza se encadeia”. joia que resume e sintetiza todo o progresso. mutáveis e permutáveis. é o reino animal que fornece sucessivamente os melhores órgãos. Também para Delanne. p. para chegar ao homem. representantes de todas as mentalidades possíveis. (Wikipédia. […]. 71. de espécie em espécie. há uma série gradual e contínua. p. até atingir o tipo definitivo da humanidade. mas quão melhorado.91 existência de vida na terra. 76-77. c) A reencarnação (1927): Em nossos dias existem. vitalizado! Os sais. Desde as plantas até o homem. receptáculo de todas as formas. (DELANNE. nos quais encontramos o esboço de aperfeiçoamento. o caráter essencial – a solidez! Depois. pôde-se assim dar início a primeira forma de vida terrestre. e se prestam mútuo auxílio. grifo nosso). ainda. mencionado um pouco atrás: […] Quanta grandeza nessa marcha lenta. A estrutura óssea é o mundo mineral. é a matéria que faz estreita ligação entre os três reinos. em seu trânsito. ao que nos parece. inertes in natura. também. Em seguida. hierarquizada de todas as formas de vida. que parte da inconsciência quase total até à plena luz da razão que ilumina os homens superiores. (DELANNE. passando por todo o reino animal. grifo nosso). florescência da força criadora. 1989. todos os reinos. aí estão vivos. colônia viva. porém firme. que foi o protoplasma. grifo nosso). 1987. mas conservando. pois que nele concorrem.

. por ínfimos que nos possam parecer. a buscar no reino vegetal o exórdio da evolução anímica. mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica. porque a forma que as plantas tomam e conservam durante a vida implica a presença de um duplo perispiritual. grifo nosso). ao que tudo indica. obrigados. indistinto nos seres que estão na base da escala orgânica. pois. estágio anterior a angelitude. ainda.92 Formação e desenvolvimento gradual do espírito Se bem que a natureza íntima do princípio pensante nos seja ainda desconhecida. somos obrigados a procurar-lhe as origens em todos os seres vivos. a individualidade desse princípio não é aparente nas formas inferiores. pela força da lógica. Sem dúvida. 3. mas há uma necessidade lógica de ver em todas as manifestações vitais uma ação desse princípio espiritual. sim. que preside às trocas e mantém a fixidez do tipo. muda de ideia. Delanne. (DELANNE. Ao falar da escala orgânica. onde lhe fixa o início do processo evolutivo rumo ao reino hominal. Somos. destacado astrônomo francês. 1987. como eu o dizia na memória apresentada ao Congresso Espírita. embora não tenha deixado isso expresso. 72.” (Espíritos Superiores. mesmo quando ele está. q. remete-nos ao teor da frase que colocamos no início deste estudo. p.3 – Camille Flammarion Camille Flammarion. 136a. que cabe relembrarmos: “A vida orgânica pode animar um corpo sem alma. no vegetal. agora. para. grifo nosso). situar o início da evolução do princípio inteligente não mais no reino animal. em 1898. LE. mas.

Aproveitamos o momento para também colocarmos as considerações de Hammed. autor espiritual.93 manifestou uma opinião a respeito do assunto. cooperação. 2012. 1911. ato de morrer – aprendizado. não carregamos somente as características denominadas rudes ou embrutecidas. prudência. grifo nosso). ato de renascer – aprendizado) – em que o princípio inteligente serve-se dessa linhagem. mas também propriedades e atributos em germe. no homem. (ESPIRITO SANTO NETO. vamos encontrá-la na obra Estamos prontos. Hoje atribuímos essas qualidades apenas aos homens. p. como solidariedade. no seguinte trecho: Diz Camille Flammarion (5): “A existência do Espírito na Natureza. empatia e outros tantos. Mémoires Biographiques et Philosophiques d'un Astronome. . ______ 5 Camille Flammarion. Flammarion não aceitava a existência do Espírito nos minerais. Ernest Flammarion Editeu. ditada pelo Espírito Hammed. as fases evolutivas (ato de nascer – aprendizado. 73. nas leis do cosmo. organização. Pelo visto. rumo à plataforma da humanidade. que acabamos de citar: Todavia. nos animais e nas plantas é manifesta. Ela deve bastar para estabelecer a religião natural. seguindo por intermédio das experiências imensamente recapituladas. E tal religião será incomparavelmente mais sólida que todas as formas dogmáticas”. ignorando que elas também são um legado de nossos ancestrais do reino animal. pela psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto. altruísmo. provenientes dessa mesma herança – isto é.

sobre a questão dos seres inorgânicos não terem vida. 193. p. para esse orientador desencarnado. os embriões de consciência ou espíritos em evolução. deduzimos que isso não ocorre no reino mineral. p. grifo nosso).94 ou seja.4 – Oliver Joseph Lodge Oliver Joseph Lodge (1851-1940). mas não existente de modo direto no mundo inorgânico. o início do processo evolutivo do princípio inteligente tem seu início no reino animal. é para nós uma abstração porque essa palavra constitui um termo geral indicativo de uma coisa comum a todos os animais e plantas. . Para compreendermos a vida temos de estudar as coisas vivas e ver o que há nelas de comum. enquanto permanece vivo defende a sua complicada estrutura contra a deterioração e a desagregação. É interessante que aqui encontramos o que vimos várias vezes em Kardec. (ESPÍRITO SANTO NETO. grifo nosso). da qual transcrevemos: Seja lá o que for a vida. 2012. Entendemos que. 2012. Um organismo vivo. 25. assim. 3. constituindo. as bases evolutivas da conduta atual da coletividade humana. Da afirmativa de Lodge de que “um organismo é vivo quando afeiçoa a matéria”. (LODGE. autor da obra Raymund. físico e escritor inglês. Um organismo é vivo quando afeiçoa a matéria de uma forma especial e utiliza-se da energia para os fins próprios – sobretudo o crescimento e a reprodução.

95 4. para após essas alternativas de tristezas. brincando além. de que o nosso corpo carnal é o mais característico exemplar. tinha essa opinião: A alma não podia deixar de ter o seu começo. o seu nascimento. chorando ali. p. e verá que não encontra entre estes reinos limites distintamente traçados. que a tal ponto apresentam as maneiras do . No extremo do reino animal com o reino vegetal. Poderá alguém negar esta verdade. 31. que encontraremos o registro da nossa individualidade. trabalhando acolá. no reino animal. E no extremo do reino animal com o reino hominal encontramos o orangotango. com espírito perscrutador. Estudiosos ulteriores à Codificação Vejamos alguns destacados estudiosos brasileiros que surgiram após a consolidação da Doutrina Espírita: 4. onde mediante o seu progresso. nem nas academias. o chimpanzé. onde passou por todas as transformações indispensáveis ao seu progresso. o reino animal e o reino hominal. onde evoluiu. renomado espírita de Matão. nos seres da criação.1 – Cairbar Schutel Cairbar Shutel (1868-1938). 1982. servindo-lhes de tração de união. SP. Não é nos templos. mais esclarecida e dotada de outros atributos prepara o glorioso surto de gênio para a posse da Vida na Imortalidade! (SHUTEL. de gemidos. no reino animal. de lutas e de alegrias. o gorila. despontar na Humanidade. sim. mas. grifo nosso). nome que indica pertencerem eles a ambos os reinos. estão os zoófitos ou animais plantas. na escala inferior dos seres. que se evidencia aos olhos de todos os que querem ver? Examine o leitor.

que o início da evolução da alma só poderia ser no reino animal. . p. Caibar Schutel coloca. com ele. que o protoplasma foi a chocadeira apropriada para receber a mônada do plano espiritual em sua primeira “encarnação” no orbe terrestre. estudou o assunto.96 homem que.). foi presidente da FEESP – Federação Espírita de São Paulo. particularmente. admitimos que o início da evolução da alma. no plano material. grifo em itálico do original. Rio de Janeiro – RJ.“as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma”. 1982. Dizemos. em negrito nosso). diz: “com essa massa gelatinosa. em sentido figurado. as amebas e todas as organizações unicelulares”. se deu no protoplasma primitivo (matéria orgânica que continha fluido vital). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. somente porque havia condições propícias para início da sua evolução neste mundo. ou na linguagem de André Luiz . 1975. são as células albuminoides. por muito tempo. no período de 1999 a 2000.2 – Durval Ciamponi Durval Ciamponi (1930. I e II. Mas com isso não queremos dizer que o princípio inteligente tenha sido criado naquele instante. sobre o qual tem a seguinte opinião: Nós. na Terra. A Caminho da Luz. Ainda afirma que o “protoplasma foi embrião de todas as organizações do globo terrestre” e que “os primeiros habitantes da Terra. baseados nos autores citados e na Codificação Espírita. lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens”. (SHUTEL. 4. cap. foram designados sob o nome de homens dos bosques. _______ (2) EMMANUEL (Espírito). Emmanuel (2). nascia no orbe o protoplasma e. Edição FEB. de forma bem categórica. 43.

Aos amigos leitores . […]. com isso. Respondi: não. no qual.3 – Dr.com). 74). inclusive. isso quando estivermos tratando da questão 540. Aliás. como aceitar a ideia de que a vida começa no reino mineral. p. p. sentido defendido por muitos espíritas. de O Livro dos Espíritos. 34. grifo nosso). esse assunto é abordado: “[…] as correntes orientais infiltradas no Espiritismo dizem que tudo tem vida. pois. Ary Lex Dr. p. os minerais. Um pouco mais à frente.97 (CIAMPONI. autor de vários livros. p. trazendo. lemos: Atuação do Princípio Inteligente não Começa nos Minerais Perguntaram-me se a atuação do princípio inteligente começava a partir dos minerais. ainda que levemente. ainda colocaremos uma outra fala de Ciamponi.” (LEX. para uma análise mais profunda” (CIAMPONI. 2009. cuja busca foi totalmente infrutífera. foi diretor do Hospital das Clínicas. médico cirurgião. 68-69). 120). 2001. Em resumo o pensamento de Ciamponi é: “Não há. Alex Lex (1916-2001).portaldoespírito. de 1946 a 1978. Num artigo reproduzido no site Portal do Espírito (www. muita confusão. de que a 'alma dorme na pedra'” (CIAMPONI. 4. 2001. um pouco mais à frente ele completa: “Não conseguimos localizar onde Léon Denis escreveu essa frase. quando se referem à expressão de Léon Denis. exatamente o que aconteceu conosco. 2001. entre os quais Do sistema nervoso à mediunidade.

quando dizemos “mosca”. sozinha. O Espiritismo ensina que a matéria precisa ser impregnada pelo fluido vital para que possa ser utilizada pelo espírito (nos seres inferiores) costuma-se chamar de “princípio espiritual”.98 do JE. metabolismo. ante o debate que se abriu em sua edição de agosto/99. podem ser agrupados com o rótulo de seres organizados. Este é um ponto em que o Espiritismo está inteiramente de acordo com as ciências biológicas. Gabriel Delanne. Se a areia tivesse um princípio inteligente ou espiritual. propriedades físico-químicas. digo. com a mesma pergunta. SERES BRUTOS E SERES VIVOS – Os vegetais e os animais. antes de respondê-la que é mister lembrar as características dos seres vivos. mas um conjunto de caracteres o permite: forma. não estamos determinando forma alguma. Por exemplo: quando falamos “areia”. Para os cientistas. pois as propriedades peculiares à vida só se encontram nos animais e vegetais. Tentou a vaidade humana criar para o homem um quarto reino – seria o reino hominal. Já há séculos. estamos nos referindo a um ser que tem forma e tamanho certos. existe uma barreira intransponível entre os seres brutos (inorgânicos) e os seres vivos. dadas as qualidades que os aproximam. irritabilidade e evolução. o que não se justifica. Mas em que qualidade reside a diferença entre eles? Podemos responder que não há uma qualidade que. pois o homem está enquadrado no reino animal. vegetal e animal. explica a diferenciação entre seres brutos e vivos com uma clareza meridiana. distribuíram tudo quanto existe na Terra em três reinos: mineral. nem quantidade. permita distinguir os minerais dos seres vivos. em seu livro A Evolução Anímica. ele corresponderia a um grão de areia ou a toda a areia do litoral? b) PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS: Os . ao passo que os vivos possuem forma específica. a) FORMA: Geralmente os seres brutos não têm forma própria.

produzindo energia. produção de secreções. decompõem-se substâncias do seu corpo. Os minerais não têm irritabilidade: podemos bater numa pedra. Estes se combinaram. e) EVOLUÇÃO: Todo ser vivo nasce. Coitado dele – ficaria preso. que não existem nos minerais. além de simples. cientista russo). formando proteínas. por um desvario da imaginação. uniram-se metano. componente das células. dar choques elétricos. é estável. incorporando-os ao seu organismo (anabolismo). há muitos milhões de anos. por meio das descargas elétricas. do mesmo jeito. Para haver vida. pois a matéria organizada está em constante renovação. Imaginemos. Mas não é só. Suas moléculas possuem milhares de átomos. Uma pedra do pico do Jaraguá. d) METABOLISMO: O ser vivo retira do meio ambiente os alimentos de que necessita. A glicose é queimada. água e hidrogênio. é preciso haver protoplasma. formado principalmente por proteínas. durante muitos milhões de anos. ao passo que a substância viva é complexa. gás carbônico e água. sendo as moléculas formadas de poucos átomos. c) IRRITABILIDADE: Frente aos estímulos do meio exterior. que um bloco de granito tivesse um princípio espiritual. Os minerais não apresentam esse ciclo vital: eles não nascem e nem morrem – sua duração é ilimitada. como o caso da hemoglobina e das proteínas em geral. imutável.99 minerais apresentam composição química simples. as quais se aglomeraram nos coacervados e estes originaram células (Oparim. . Todas as células têm cromossomos e ADN. reproduz-se e morre. os seres vivos reagem. que são eliminados (catabolismo). que não teremos resposta alguma. formando-se os primeiros aminoácidos (Experiências de Urey e Miller). cresce. por meio de movimentos. lá está. só pôde surgir a vida no momento em que. Os minerais não têm metabolismo. vive. reações agressivas ou tantas outras. aquecê-la. enquanto que a instabilidade caracteriza os vivos. produzindo-se resíduos. No desgaste vital. A composição dos seres brutos. na atmosfera. sem evoluir. amônia. Na Terra.

os cristais têm formas características: as suas moléculas se agregam formando cubos. não há mais que mudanças de estados. os fenômenos físicos e os mentais. 1. passivo. desde a ameba até o homem. que levam as moléculas do cristal a se agruparem formando figuras geométricas. não conheceram a verdadeira natureza da alma. como se diz atualmente. fatal. a comandar-lhe o equilíbrio íntimo – coitado deles. com o negarem a existência da alma. Uma das leis que o Espiritismo prega é a sublime lei da Evolução: todos os seres evoluem permanentemente. empregando o senso íntimo como instrumento único de investigação. se cada átomo ou partícula atômica componente do bloco tivessem também um agente estruturador. todos eles. privam-se voluntariamente de noções indispensáveis à compreensão dos fenômenos vitais do ser animado.100 Imagine mais. cap. tudo é cego. estão se aperfeiçoando. que em nada modificam a natureza íntima da substância. e assim por diante.” AS FRONTEIRAS DA VIDA – Embora sejam tão evidentes essas diferenças entre os seres brutos e os seres vivos. Delanne. podem surgir certas dúvidas. enquanto o espírito vai progredindo sempre. jamais se verifica progresso. estão plasmando corpos cada vez mais perfeitos. estão aprendendo. mas esta é consequência apenas de leis físicas de atração. A Vida. . diz: “Organização e evolução não podem ser compreendidas só pelo jogo das leis físico-químicas. Os materialistas. pirâmides de bases hexagonais ou octogonais. e os filósofos espiritualistas por sua vez. de sorte que. que têm formas próprias. através de múltiplas vivências no mundo físico. até agora não lhes foi possível conciliar numa explicação comum. em seu livro A Evolução Anímica.” Continua Delanne: “No mundo inorgânico. A evolução da forma é concomitante com a evolução do espírito. Quantas vezes já foram a nós trazidas estas objeções: e os cristais. serão vivos? E os vírus? Realmente. Os cristais não têm nenhuma das outras qualidades dos seres vivos: são formados geralmente de moléculas pequenas. Porém aqui a única semelhança é a forma.

quando a origem bacteriana das doenças infecciosas foi reconhecida. Não reagem aos estímulos externos. a qual por vezes está cercada por um invólucro de lipídios. cujo mecanismo não citaremos. Os fogos de artifício traçam no céu desenhos interessantes. de variadas cores e tamanhos. o termo vírus ou vírus filtrantes passou a ser aplicado a agentes transmissíveis. porque só existem no interior das células de que são parasitas. o vírus está encerrado numa casca de proteínas. não têm metabolismo e não evoluem.101 não nascem. como a gripe. Todas elas são mensagens que dirigem a síntese das proteínas virais. o problema já é mais difícil. Formam-se nossos vírus. a poliomielite. . O programa genético está inscrito na banda magnética formada pelo ARN ou pelo ADN. usando o material da própria célula. Luc Montagner. A invenção do microscópio eletrônico permitiu observá-los diretamente. até que um agente externo dissolva as moléculas no líquido que os abriga. indo infectar outras. Vejamos um resumo do que nos ensina Luc Montagner. Enzimas específicas produzem milhares de cópias do ADN. a varíola etc. por desnecessário. um dos maiores virologistas do mundo. nem crescem. que saem das células. Para poder sobreviver no exterior da célula. Tradução de Maria Luiza Borges – Jorge Zahar Editor – 995). Foi assim que se demonstrou a origem viral de doenças que afetam plantas. Diz ele: “No fim do século XIX. que retêm as bactérias. que conseguiu identificar o vírus da AIDS (Vírus e Homens. que são invisíveis ao microscópio e passam através dos filtros de porcelana. o vírus começa a se reproduzir.” Continua Montagner: “Os vírus são seres vivos? Não exatamente. e outras responsáveis por doenças animais e humanas. permanecendo indefinidamente. como o mosaico do tabaco. Vamos dizer que têm vida porque plasmaram figuras? Quanto aos vírus. Ele é centenas de milhares de vezes mais curto que aquele que contém o programa genético da célula.” Penetrando célula. nem morrem.

sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais. . infiltradas no movimento espírita. Compreendem os animais e as plantas. O átomo. formados de matéria. formados somente de matéria. de maneira tão peremptória. Dizem. reproduzindo-se às custas do material destas. sem vitalidade. que lhes dá a vida: nascem. mas a alma não pode habitar um corpo sem vida orgânica”. que o princípio espiritual não habita o mineral. A CODIFICAÇÃO E OS NEGOCODIFICADORES – Kardec. Kardec escreve que “os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima. o ar etc. explica: “Podemos fazer a seguinte distinção: 1º) os seres inanimados. 3º) os seres animados pensantes. que em tudo há a manifestação divina. porque só conseguem viver dentro de células. o ar. os minerais. por exemplo.” Apesar de Kardec e Delanne ensinarem. Na resposta à questão 136-a. 2º) os seres animados não pensantes. a água. por este não lhe oferecer as condições de utilização ou de agitabilidade… ideias orientais. IV. em O Livro dos Espíritos. Primeiro. não e não. cap. livro I. o princípio espiritual não pode habitar um mineral. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios. Não. formados de matéria e dotados de vitalidade. que tudo no Universo tem vida. dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar”. a molécula. comentando a questão 71. reproduzem-se e morrem. crescem. desde o átomo até as estrelas. a água. através de um princípio espiritual. a partir da questão 60. Portanto. nem inteligência: são os corpos brutos. os Espíritos disseram que “a vida orgânica pode animar um corpo sem alma. estão simplesmente sujeitos às leis físicas. vêm lançando a confusão neste terreno. Como introdução ao estudo do Princípio Vital. os biologistas e infectologistas ficaram na dúvida se poderiam ou não considerar os vírus como seres vivos. que impregna toda a matéria. mas desprovidos de inteligência. Segundo porque não têm as demais características dos seres vivos.102 Estudando esses fatos. Principio Vital.

pensadores do mais alto gabarito estão querendo fazer uma simbiose entre ideias desses religiosos místicos em êxtase com a física quântica. Mineral não tem vida. em negrito nosso). o assunto já é complexo demais. Haverá. como a que faz os átomos de cloro buscarem uma combinação com os de sódio. A matéria. Não queiramos inovar. em terreno tão escorregadio. que dizem isto. não vamos complicar mais ainda. JORNAL ESPÍRITA. que regem o Universo do átomo às estrelas. mas inteiramente destoantes dos ensinos da Codificação. grifo em itálico do original. Nessa combinação não há amor ou afinidade psíquica. em A Bioenergia no Campo do Espírito. como se tivessem uma alma ou espírito próprio. como dizem os sonhadores. como ensina Kardec. ou sal de cozinha. Ary Lex é clara: não. diz Carlos de Brito Imbassahy. então. o princípio .1. é apenas substância usada pelos Espíritos para sua trajetória no mundo terreno." "7o. SETEMBRO DE 1999 – EM DEBATE" (Site O Portal do Espírito. qualquer coisa de espiritual. Não evolui. formando o cloreto de sódio. Por exemplo. Também nas afinidades químicas. Tais pensadores lembra a atuação de um “agente estruturador externo ao Universo material.103 não às leis do Espírito. Infelizmente. Não queiramos ver nas leis de tração. não tem individualidade ou personalidade. para que se forme a mais elementar das subpartículas atômicas”. mas simplesmente afinidade química. A posição do Dr. dando origem ao átomo. item 2. não abriga nenhum princípio espiritual. dois dirigentes da estruturação material. que experiências no acelerador do LEP mostravam “que algo comandava as ações dessas partículas. nas suas meditações nos píncaros do Himalaia. Mas não são só os orientais. evidentemente distinto do que se considera alma animal”. Essas são elucubrações teóricas de mentes cultas e avançadas. um que agiria nos átomos e outro nos seres vivos? Não.

A animalidade humana revela apenas a deficiência do progresso espiritual e da vitória do espírito no ser em desenvolvimento. pensava o seguinte: Alguns etnólogos e mitólogos. revela em toda parte e em todos os tempos a sua unidade espiritual. não passam do plano especulativo. O espírito humano. Essa unidade não provém da forma corporal. Porque as espécies superiores. 2005. particularmente das superiores. p. A diferenciação das espécies. animal e humano. grifo nosso). mas da consciência. . 4. tanto nos reinos mineral. isso se trata tão somente de “ideias orientais. chegaram a aceitar a possibilidade de traços e características animais em raças humanas. As potencialidades do ser. sofrem naturalmente atrasos acidentais. que se despe das heranças da ganga das metamorfoses para se fixar no plano superior da vida. (PIRES. torna-se pregnante nas suas características psíquicas. infiltradas no movimento espírita”. vegetal. que é a essência do homem e a única ficha de sua identidade evolutiva.104 inteligente não passa pelo reino mineral.4 – José Herculano Pires José Herculano Pires. suficientemente definido no processo evolutivo como desta ou daquela espécie. O homem não se define pela sua aparência corporal. dando aos observadores desprovidos de dados de observações de pesquisas mais completas a impressão de resíduos das espécies superadas. A unidade do espírito humano é perfeita e invariável em todas as raças do passado e do presente. como André Lang e Max Freedom Long. revelam sempre a supremacia espiritual da espécie. Essas suposições. de origem evidentemente totêmicas. 43-44. onde as marcas da animalidade ancestral podem aparecer de maneira generalizada e não específica. citados por Ernesto Bozzano. o “melhor metro que mediu Kardec”. […].

e ali se entrança com as fibras vegetais para. Quando o espírito estrutura a matéria para se manifestar na Criação. servindo-se da seiva como de um combustível sutil. mais a alma. planta ou animal. 2005. florir em expressões de sonho e beleza na primavera. uma outra de suas obras. na sua escalada evolutiva. que não deriva da matéria. Nosso corpo possui as características desses três reinos.105 […] A alma é a subjetividade que se oculta no corpo. p. Vejamos em Mediunidade: vida e comunicação. Herculano Pires afirma: Essa colocação dos problemas mediúnicos sugere um conceito da mediunidade que nos leva às próprias raízes do Espiritismo. Vivemos como um ser espiritual e não como pedra. Hegel distinguiu o reino vegetal como um sistema de pura e permanente doação. (PIRES. 56-57. da Criação do Cosmos. como a orquídea nas ramagens de uma árvore. Conceituação da mediunidade e análise geral dos seus problemas atuais. certamente confundiríamos puras parasitas com as flores genésicas da árvore que se definirão em frutos. que acrescenta a essas heranças a produção epifenomênica da nossa estrutura ôntica. isso nos parece não ter ocorrido. O momento do fiat. é um ato mediúnico. mas do espírito. ter passado pelo reino mineral. Se não conhecêssemos o processo parasitário. grifo nosso). Herdamos do mineral a estabilidade aparentemente fixa e resistente de nossas estruturas ósseas. Herculano Pires aceita a possibilidade do princípio inteligente. . embora em uma de suas falas. dos vegetais a sensibilidade perceptiva e dos animais e motilidade vibrante que supera de muito a lenta movimentação dos tropismos. a da segunda transcrição. A Mediunidade nos aparece como o fundamento de toda a realidade. Segundo o que pudemos entender.

existem misturas das características anteriores com as posteriores. 94. caracteriza-se por condições próprias. entre o reino animal e o reino hominal. . (PIRES. definida num dos reinos da Natureza. onde a mediunidade se define em sua plenitude. O Inteligível. 1987. A responsabilidade do Homem. a vida é uma permanente manifestação mediúnica do espírito que. Ele é o produto multimilenar da evolução universal e carrega em sua mediunidade individual o pesado dever de contribuir para que a Humanidade realize o seu destino cósmico. Só nas zonas intermediárias. A matéria se torna o médium do espírito. Mantém-se na sua opinião original de que o princípio inteligente passa pelo reino mineral. Cada fase da evolução. Os vírus se situam na encruzilhada dos reinos mineral. da Criatura Humana. as investigações científicas descobriram a geração espontânea dos vírus nas estruturas cristalinas. No reino mineral. como uma espécie de ensaio para os desenvolvimentos futuros. que é o espírito. grifo em itálico do original. expressão mais elevada do Médium. o princípio inteligente do Universo. que marcam a passagem de uma fase para a outra. 15-16. A compreensão deste problema é indispensável para que os médiuns aprendam a zelar pelas suas faculdades. p. Assim. Por exemplo: entre o reino vegetal e o reino animal. grifo nosso). dá a sua mensagem inteligente através das infinitas formas da Natureza. em negrito nosso). p. até o reino hominal. desde os reinos mineral. 1987. adquire dimensões cósmicas. como resultantes do desenvolvimento de potencialidades dos reinos anteriores. se projeta e se manifesta no plano sensível ou material. A teoria da evolução se confirma na pesquisa científica por dados evidentes e significativos. por ela. vegetal e animal. vegetal e animal. (PIRES. há a zona dos vegetais carnívoros. a zona dos antropoides. dividido do vegetal por espécies indefinidas em que se destacam os vegetaisminerais.106 constrói o elemento intermediário entre ele e a realidade sensível ou material.

atuam em certos fenômenos. Julgas que não há aí um fim providencial e que essa transformação da superfície do globo não seja necessária à harmonia geral? Entretanto. Pois bem. quando suas inteligências já houverem alcançado um certo desenvolvimento. provendo às suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus. Depois. do mesmo modo.1 – Dos Espíritos envolvidos na Codificação? Parece-nos estranho isso. executam. ou por efeito de instintivo ou irrefletido impulso? “Uns sim. Primeiramente. são animais de ínfima ordem que executam essas obras. É assim que tudo serve. fazem emergir do mar ilhas e arquipélagos. poderão dirigir as do mundo moral. usando do livre-arbítrio. algumas possibilidades temos para apresentar. mas vários companheiros tomam de uma das questões de O Livro dos Espíritos. para dela afirmarem que a evolução do princípio inteligente se inicia no reino mineral. de que inconscientemente se constituem os agentes. Vejamo-la: 540. ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. antes que tenham plena consciência de seus atos e estejam no gozo pleno do livrearbítrio.107 5. Mais tarde. Considera essas miríades de animais que. que tudo se encadeia na Natureza. pouco a pouco. outros não. 5. Os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da Natureza operam com conhecimento de causa. desde o . os Espíritos mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto. Enquanto se ensaiam para a vida. De onde teria vindo essa ideia? Não logramos êxito em nossa tentativa visando precisar a origem dessa ideia. Estabeleçamos uma comparação. porém.

O trecho da frase “desde o átomo até o arcanjo. alguns companheiros são levados a ter opiniões equivocadas. o princípio inteligente. Não entraremos no mérito se a tradução foi . Alguns ubaldistas modernos já citam essa tradução tendenciosa de Guillon para fundamentar o ulbaldismo e suas teses como compatíveis com o Espiritismo. grifo nosso). e passou a ser o próprio átomo . Da obra O primado de Kardec: metodologia espírita e cisma rustenista. De mais a mais. 9 – Tradutor. dou dualista. no n. assim. p. para acomodar o texto à noção monista substancial da queda angélica. de P. 66. e não “pelo átomo”.] (ALEIXO. Admirável lei de harmonia. Se digo que o arcanjo começou por SER átomo. 540 de O Livro dos Espíritos. grifo em itálico do original. por que traduzir “par l'átome” como “por ser átomo”? [“começou PELO átomo”. sou monista substancialista. 2011. percebemos que. que o espírito condensado pela queda. Ora! Se digo que o arcanjo começou PELO átomo. transcrevemos do “Cap. que lamentamos muito ter acontecido em nosso meio. e creio que o arcanjo. encontramos algo. do qual G. Então. do prof. O arcanjo. Sérgio Fernandes Aleixo (1970. 2007a.108 átomo primitivo até o arcanjo. princípio inteligente. Ribeiro foi tradutor e adepto entusiasta. p. em negrito nosso). que também começou por ser átomo”. é espírito. que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!” (KARDEC. congelou-se no evento da queda. e o átomo é matéria. o seguinte: 4 – Registrou que o arcanjo começou “por ser átomo”. a própria matéria mais não seria.). traidor”. 309. e não “começo por SER átomo”. Ubaldi. por simples problema de tradução. que também começou por ser átomo.

assim como não se pode afirmar que os seres vivos sejam inorgânicos. que. Vejamos as considerações de Durval Ciamponi sobre a possibilidade do princípio inteligente ter iniciado o seu processo evolutivo no mineral. e isto não significa que exista vida orgânica na pedra ou no cristão. assim como não há espírito no cristal. p. 2014. Achamos bem razoável a opinião do médico veterinário Rodrigo Cavalcanti de Azambuja (1976. assim como a matéria-prima para a vida orgânica se encontra dispersa no mundo inorgânico. uma metáfora para nos explicar a questão. variando apenas em suas combinações e proporções. constam o termo correto. apesar da constituição básica ser a mesma. Se usarmos o mesmo raciocínio para a frase “o arcanjo. mas. . Cumpre-nos também informar que a tradução de Salvador Gentille (?-?) e a de Herculano Pires. 1987 e PIRES. cristais e gases. “começou pelo átomo” (GENTILE.). diz o seguinte: Os corpos materiais dos seres vivos não possuem nenhum elemento químico diferente dos que existem nos materiais inorgânicos. em Animais e Espiritismo. não se pode afirmar que há vida orgânica em rochas. (AZAMBUJA. 1995). conceitos e palavras para absorver a inteira verdade a respeito do tema? Talvez o que a espiritualidade quis dizer é que esta individualização do princípio inteligente ocorra a todo momento em diversos locais da criação. podemos pensar que a frase é uma licença poética.109 proposital ou não. nas quais ele toca a questão 540: […] preferimos ficar com a ideia mais simples. que também começou pelo átomo” em O Livro dos Espíritos. 106. dentro da nossa pobreza de entendimento. grifo nosso). ou seja.

Igualmente. do corpo material mais simples para início da peregrinação evolutiva da alma. Em todo O Livro dos Espíritos e em toda a Codificação se fala que o princípio inteligente está associado ao princípio material. que “a matéria inerte. deixa entrever que o princípio inteligente é distinto do princípio material. isto é. de “átomo”. tudo se encadeia na natureza desde a mônada primitiva até o arcanjo. princípio material. pois ele mesmo começou pela mônada. Se assim é. não possui mais do que uma força mecânica”. como criação divina na sua forma mais simples e ignorante possível (LE. 115). 25). no sentido de “indivisível”. isto não quer dizer que em todo “átomo primitivo”. exista um princípio espiritual. que constitui o reino mineral. 585. Embora a união entre ambos seja necessária para a manifestação da alma. onde os Espíritos afirmam: “encarados sob o aspecto material. somente porque o arcanjo dele começou. deixa claro seu pensamento a respeito da existência de “massa” material distinta da inteligente de onde provieram os espíritos. LE. Esta diferença aparece bem definida no LE. qualquer que seja o grau de evolução em que se encontra. ao questionar a ideia panteísta ou não do Espiritismo. material e espiritual. No item 83. em toda a Codificação. Preferimos. 540. se completaria: É assim que tudo serve. e também que o princípio vital é o elemento . a resposta do LE. por dedução lógica. tem-se. 540.110 com os Espíritos. nos itens 60 a 70 fica clara a distinção entre o que é princípio espiritual e os reinos formados pelo princípio material: reino orgânico e reino inorgânico. quando afirmam que espírito e matéria são distintos (LE. são apenas as duas faces de um mesmo ser. Ao se tomar ao pé da letra a ideia do item 540 de que a todo átomo primitivo está associado um princípio espiritual. entender que os Espíritos estejam falando no LE. pois. É a ideia da “mônada”. Kardec conclui. seja em relação ao corpo (res extensa). depois. não há senão seres orgânicos e seres inorgânicos”. Kardec. seja em relação ao espírito (res cogitans). que não há reino inorgânico e que os dois princípios.

revestidos de um invólucro invisível e imponderável”. a água. e sim da matéria primitiva. amorfa. constituindo. as duas faces do princípio pensante”. Na questão 585 repetem a mesma informação. Em O Livro dos Espíritos.111 intermediário entre o espírito e a matéria (LE. 135a. Cap. “Todos os Espíritos. É bom lembrar que esta permanente ligação do espírito à matéria é racionalmente lógica. Evolução Anímica. não se movimenta e não se alimenta em nenhuma situação. A ciência diz que no reino inorgânico não há vida. qualquer que seja o grau de seu progresso. Mas não se fala aqui da matéria bruta. no conjunto. pois. Não há. Uma pedra é um objeto inanimado e sem vida. não responde a estímulos. portanto. O máximo que se pode admitir. mas não diz que o princípio material está sempre associado ao espiritual. fluídica. onde existe apenas a força de atração entre seus elementos constitutivos. se diz que “inorgânicos são os seres que não possuem vitalidade nem movimentos próprios. são. inerte. quando diz “alma e perispírito formam um todo indivisível. Reino Inorgânico e Reino Orgânico O principal problema do homem é saber onde termina o reino inorgânico. 257). certamente associada ao princípio espiritual no momento da criação. sentido defendido por muitos espíritas. . as partes ativa e passiva. e começa o reino orgânico. questões ligadas ao princípio vital. diz a mesma coisa. quando se referem à expressão de Léon Denis. semelhante com a expressão de Denis. de que a “alma dorme na pedra”. Na introdução do livro. item “Seres Orgânicos e Inorgânicos”. 135. onde há vida ou matéria animalizada capaz de permitir sua “manipulação” por um princípio espiritual. de acordo com o que diz a ciência. o ar etc. como aceitar a ideia de que a vida começa no reino mineral. é a citação de Delanne. I. urdido pelo pensamento Divino e sustentado pelas forças de atração. sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais. inicialmente por instinto e depois por sua inteligência. 65.”. não se reproduz.

admitindo. entre os quais elabora lentamente a obra de sua individualidade. dos filhos da vida. . sem tocar na questão da tradução equivocada. no mundo espiritual. durante o período criador”. da matéria animada. 2001. no item 18. como consequência. Ciamponi chegou à mesma conclusão do Prof. p. que a primeira vivência da criatura espiritual se deu no reino inorgânico ou mineral. desta lição de Galileu. Há diferentes interpretações no que está escrito no item 18 e no item 19. no item 18. de A Gênese. fala do surgimento da vida na matéria.112 formando para ele seu corpo primitivo de ação. VI. mas nem sempre o princípio material está associado ao espiritual. dando nascimento à vida dos seres. Galileu. do protoplasma primitivo. quando soa a hora da aparição. seu primeiro perispírito ou corpo mental. Sérgio Aleixo bem relação ao que se deve entender da expressão “começou pelo átomo” na questão 540. como concluir. isto é. a não ser o do sétimo parágrafo que é nosso). Igualmente não se pode dizer que a vida começa no reino mineral com base no item 18 do cap. Galileu fala da criação do espírito que não chega à iluminação senão depois de haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores. isto é. grifo do original. pois. Não há. Repetimos: o princípio inteligente criado está sempre associado à matéria. que as moléculas do mineral têm certa soma do princípio vital. (CIAMPONI. orgânica. 67-70. somente porque ali está escrito que o fluido universal penetra todos os corpos. Consequentemente poderemos ter corpo material sem um princípio inteligente. à medida que se manifestam as condições de existência sucessiva dos seres. ao passo que no item 19 refere-se à criação do princípio inteligente. Galileu diz. No item 19. Embora. as “gerações espontâneas sobre cada mundo.

um termo aplicado às reencarnações da alma humana. Algumas vezes. refere-se a uma espécie especial de renascimento. assumindo forma humana. assim como a maior parte dos seus seguidores ocidentais.): TRANSMIGRAÇÃO Essa palavra vem do latim. avançando para o reino vegetal. a começar pelo reino mineral. “migrar”. Podemos também confirmar em Bruce Edward Goldberg (1948. para o homem. esse vocábulo alude à alegada fornada do homem através de todas as formas de existência. Outras vezes. no oriente. p. Transmigração é a passagem da alma humana do reino mineral para os animais inferiores e. Pessoalmente não aceito a . então tomando corpo de animais irracionais. trans. e não meramente humano. supostamente. e migrare. grifo nosso). 1985f. finalmente. Essa palavra com frequência é empregada como sinônimo de reencarnação. finalmente. (CHAMPLIN e BENTES.113 5.). e. “cruzar”. todavia. a partir do que a alma humana experimentaria existências demoníacas e divinas.2 – De culturas que aceitam a transmigração da alma? Vejamos a definição de transmigração dada pelos enciclopedistas Russell Norman Champlim (1933. em que.) e João Marques Bentes (1932. que informa que. 608-609. Mesmo aqueles que aceitam a transmigração acham que é impossível voltar à forma do animal inferior uma vez chegada à forma humana. se acreditava como início da evolução anímica o reino mineral: A doutrina de transmigração se insere no pensamento cármico oriental. Muitos filósofos orientais rejeitam esta doutrina. a alma humana pode encarnar-se em um corpo animal.

ex-colunista do jornal Toronto Star. vem o despertar da consciência autorreflexiva. 1993. A cada vegetal com o um animal querido. Ela nos dá o poder de escolher entre o certo e o errado e a capacidade de intuir o Divino. 31. 112). s/d. o vegetal. nem pela maioria dos filósofos orientais. o orgânico ou animal. em animais inferiores e. Na tradição Tibetana. p. 102. desperta em cada planta. não a aceito e nunca tive provas para sustentar tal teoria. . por último. O escritor Tom Harpur (1929. De acordo com estas crenças orientais. grifo nosso). Logo. finalmente. ex-pastor anglicano e professor de Grego e Novo Testamento. depois. Esta transmigração de minerais à forma humana não é aceita. no meio do quarto estágio ou “vigília” – o estágio humano –. Por conseguinte. p. (GOLDBERG. Move-se em cada animal. 1993. grifo nosso). 2010. atualmente. como vimos. (HARPUR. Em certas escolas hindus e budistas da filosofia oriental se menciona a transmigração. depois em plantas. p.). Eu.000 regressões e progressões que dirigi pessoalmente. p. devemos tratar cada pedra como se fora um vegetal. grifo nosso). que existem quatro estágios em nosso desenvolvimento e na evolução em geral. (RUSSO. 234. jamais se revelou qualquer existência não humana. Cada animal como um ser humano e todo ser humano como a um anjo. então. pessoalmente. depois. (GOLDBERT. pensa em cada homem e ama em cada anjo.114 transmigração. habita a forma humana. Primeiro vem o estágio mineral. informa-nos: […] Os filósofos antigos sabiam. nossa alma primeiro se encarna em minerais. encontramos algo bem parecido: Um Deus-Átomo dorme em cada pedra. e em nenhuma das 25.

Gustave Geley (1868-1924). que remonta a milhares de anos. infelizmente. grifo nosso). grifo nosso). tem sua versão poética da evolução: “A alma dorme na pedra. […]. 2005. num processo dialético hegeliano. que o espírito se apresenta no Cosmos como um elemento fundamental de toda a realidade conhecida. o espírito e a matéria. lançou a teoria do pampsiquismo.3 – Da teoria do pampsiquismo proposta por Geley? Apresentamos essa teoria do Dr. E o ensinamento hinduísta. por último. p. A psique. que “a pedra se converte em planta. mas. 2000. em Deus”. Tentamos encontrar essa obra de Geley. agita-se no animal e desperta no homem”. sonha na planta. no antigo Egito.115 E. que é citada no texto. obra básica do Espiritismo. Herculano Pires relata: Gustave Geley. ainda não foi traduzida para o . […] (PIRES. em O Livro dos Espíritos. conforme o prof. conhecidos e desconhecidos. Mas Kardec. o animal em homem. em Espírito. 277.) de que Hermes Trismegisto já ensinava. O Universo inteiro se constitui de dois elementos fundamentais. segundo a qual todas as coisas e seres encerram em si mesmos um dínamo-psiquismo inconsciente que se desenvolve na temporalidade. 5. p. constituiria assim a essência dinâmica de todas as coisas. Do minério à humanidade se processaria incessantemente o desenvolvimento psíquico universal. o Espírito. apresentamos a informação de Zalmino Zimmermann (?. 41. explicara. todas as coisas e todos os seres. ou alma. (ZIMMERNANN. muito antes de Geley. a planta em animal. de cuja interação resultam. em seu livro Do Inconsciente ao Consciente.

embora possa haver formas de vidas ativas e altamente inteligentes. localizamos uma outra de sua autoria. A definição de pampsiquismo. usualmente incluindo a ideia de algum nível de inteligência. Embora. que foi categórico em afirmar que os corpos inorgânicos não têm vida. teologia e filosofia. comungava dessa ideia. E de átomos é que todas as coisas se compõem. “alma”. grifo nosso). referenciada por Herculano Pires. 37. não há tal coisa como matéria inanimada. ao que nos parece. com altas expressões de inteligência. O vocábulo indica que todas as coisas são possuidoras de alma. de algum elemento imaterial. não tenhamos encontrado a obra de Gustave Geley. conforme a Enciclopédia de Bíblia. Pelo que aqui consta. Bentes citam: Giordano Bruno (1548-1600). então não é preciso qualquer grande salto de fé para crer-se que a matéria viva poderia ter progredido até formas mais elevadas de vida. Particularmente acreditamos que o pampsiquismo não se coaduna com o pensamento de Kardec. que acreditavam no pampsiquismo. 1995. p. (CHAMPLIN e BENTES. mas estaria vivo o próprio humilde átomo.116 português. Entre vários filósofos. Champlin e J. M. foi Leibniz quem notabilizou essa doutrina. e psuché. […] De acordo com esse ponto de vista. Tomasso Campenella (1568-1639). que julgamos oportuno . Segundo o Dicionário Houaiss. Herculano Pires. como dito. Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716). é: Essa palavra vem do grego pan. Alguns estudiosos têm exposto essa ideia como necessária a qualquer teoria da evolução. Se a matéria é viva. ainda que dormente. os autores Russell N. “tudo”.

Uma não pode se verificar sem a outra. no animal. para Geley. está submetido à evolução progressiva e contínua. sua crença no pampsiquismo. vegetal ou animal. pois tudo nos leva a crer que não há matéria sem inteligência. Não conseguimos entendê-lo quando diz que “na molécula . grifo em itálico do original. no homem.117 citá-la aqui. consciente e livre. Vê-se que. nem o puro espiritualismo. 2º – O Universo. limitando-se a expor os factos e os pontos bem estabelecidos: Esses pontos são os seguintes: 1º – No estado atual dos nossos conhecimentos. no sentido de totalidade. uma vez considerado em partes isoladas. não podemos admitir o puro materialismo. Na base da evolução. toda matéria tem inteligência. Esta dupla evolução é homogênea. no espírito desencarnado. em negrito nosso). a alma é um princípio vivente. mesmo de grande elevação. no universo. mercê de tempo. da qual transcrevemos: Ciência perfeitamente maleável e susceptível de aperfeiçoamento. em tudo quanto existe. numa palavra. repelindo as deduções distantes e as observações apressadas e duvidosas. que só conserva da sua associação com a matéria o mínimo de aspecto orgânico estritamente necessário à manutenção da sua individualidade. tendo em conta que há evolução para o princípio material e evolução para o princípio psíquico. que associa e mantém as moléculas minerais em forma definida. na planta. portanto. 32. Na molécula mineral. nem inteligência sem matéria. Trata-se da obra Resumo da Doutrina Espírita. será poderosa. considerado no seu conjunto. 2009. (GELEY. p. só deve avançar passo a passo. No período maduro da evolução. confirma-se. É a chamada força difusa. inteligência que. a matéria e a inteligência estão unidas em proporções diversas. a Alma é simples elemento de vida.

Esse movimento – sufismo – data do século VIII e se desenvolveu sobretudo na Pérsia. . no animal. Gabilan apresenta esse poema de Rûmi. E mais tarde.) na sua obra Entre o Pecado e a Evolução. (GABILAN. animal. no homem. Como pode ser isto segredo para ti? Finalmente. representa a parte interior e mística do Islã. era sufista.”. […]. vegetal ou animal” e ao reafirmar já não mais parte do mineral mas do vegetal: “na planta. que acredita que o espírito humano é uma emanação do divino e que toda a aventura do homem é um só esforço desse espírito para se reintegrar a Deus. Primeiro foste mineral. para que escapasses. no qual cita o mineral como ponto de partida da evolução do ser: Desde que chegaste ao mundo só ser. nascido no século XIII (1207): Quanto ao estilo e escola. p. te tornaste planta. uma escada foi posta diante de ti. assim. 2002. Com conhecimento. ou seja. nessa segunda afirmativa deixa de fora o mineral. 5.118 mineral. da qual transcrevemos o seguinte trecho em que fala de Maulâna Djalal ad-Din Rûmi. fostes feito homem. Depois.4 – Da escola sufista? Quem nos fornece essa informação é o escritor Francisco Aranda Gabilan (?. Contempla teu corpo – um punhado de pó – Vê quão perfeito se tornou! Quando tiveres cumprido tua jornada. 20). Decerto hás de regressar como anjo. razão e fé.

na sua composição entram todos os princípios. acompanha paternalmente as fases de cada progresso e atrai a si tudo o que haja atingido a perfeição. E tua estação há de ser o céu (GABILAN.5 – Da “Revelação da Revelação”? Essa é a designação que o autor Jean-Baptiste Roustaing (1805-1879). da qual transcrevemos: A vida universal está assim. que somente a vontade de Deus anima. grifo nosso). em germens eternos. p. conformemente as necessidades da harmonia universal. as transformações que os hão de . deu à sua obra intitulada Os quatro Evangelhos. Essa multidão de princípios latentes aguarda. Deus preside ao começo de todas as coisas. de todas as criaturas no estado material ou no estado fluídico. segundo as leis naturais. no estado cataléptico. O problema reside tem tomar uma forma poética de dizer uma coisa como se fosse uma realidade. Tais princípios sofrem passivamente. em o meio e sob a influência dos ambientes destinados a fazê-los desabrochar. que o Soberano Mestre lhes dê destino e os aproprie ao fim a que devam servir. 2002. de ordem espiritual. de todos os remos. 5.119 Depois disso. constitutivos dos diversos reinos que os séculos terão de elaborar. as necessidades de todos os mundos. por toda a natureza. O princípio inteligente se desenvolve ao mesmo tempo que a matéria e com ela progride. Ao serem formados os mundos primitivos. passando da inércia a vida. imutáveis e eternas por ele mesmo estabelecidas. material e fluídica. através das eternidades e sob a vigilância dos Espíritos prepostos. 21. graças a essa quinta-essência dos fluidos. terás terminado de vez com a terra.

Quanto mais inconsciente é o Espírito no estado de formação. tratando-se da vida de uma coisa inerte. vencido esse período preparatório. nem ação. se deste modo nos podemos exprimir. tanto mais direta e incessante é a ação desses Espíritos. que todos têm uma função a desempenhar. vegetal. independentes e responsáveis pelos seus atos. tem existência. pois que o dizemos aqui para não mais o repetirmos: em qualquer dos reinos. na Natureza. Espírito em formação. Esta palavra – inteligência – pode causar surpresa. nesse estado. mineral. princípio de inteligência. a pedra. Ora. Ela é. Galgam assim o fastígio da inteligência. ao estado intermédio da encarnação animal e do estado espiritual consciente. sendo consequentemente animado por uma inteligência relativa. servindo-nos dos únicos recursos que oferece a linguagem humana apropriada às vossas inteligências limitadas. se mantém inconsciente de seu ser. isto é.120 desenvolver. atraindo e reunindo os elementos dos fluidos apropriados. com efeito. nada é sem o concurso dos Espíritos do Senhor. porquanto tudo morre. dirigida e fiscalizada pelos Espíritos prepostos. No estado então de simples essência de vida. absolutamente inconsciente de seu ser. ela constrói o mineral. a essência espiritual. chegam ao estado de criaturas possuidoras do livre arbítrio. A essência espiritual. Chegam dessa maneira. Em sua origem. da ciência e da grandeza. com inteligência capaz de raciocínio. aquilo que morre traz em si o princípio de vida. animal e humano. uma vigilância a exercer. Anima o mineral. Tudo. ao período preparatório do estado de Espírito formado. Depois. passando sucessivamente pelos reinos mineral. Não há Espíritos prepostos à . o minério. em tal caso. Certamente. não há nem pensamento. eis tudo. por meio de uma ação magnética atraente. vegetal e animal e pelas formas e espécies intermediárias que se sucedem entre cada dois desses reinos. Guardai bem na memória. passa primeiro pelo reino mineral. numa progressão contínua.

embora o Espírito já se tenha retirado dele? Não se observam. […] (os parágrafos omitidos. A vigilância eles a exercem sobre as massas. Ela forma um conjunto que se personifica. quando há divisão na massa em consequência da extração. O corpo humano. com o princípio que anima certas plantas. por cissiparidade. como sucede com o princípio que anima o pólipo. desempenhando as funções que lhes são assinadas. ser do reino animal ou do reino humano. Dizemos – materializações. a frescura dos tons e a rijeza da haste. que ainda não vos é permitido nem possível compreender. entre os vegetais. A essência espiritual sofre. serão mencionados mais à frente). de um determinado ser do reino animal. que no mineral reside. e atinge desse modo a individualidade. casos de longa duração material? Certas plantas não conservam as aparências da vida. que participam do mineral e do vegetal. ou do reino humano. não conserva coesas todas as suas partes materiais. A essência espiritual. sucessivas materializações. de um determinado vegetal. por não podermos dizer – encarnações para estrear-se como ser. sejam pedra. segundo leis naturais e imutáveis que ainda não podeis compreender. planta. têm que concorrer para a harmonia universal.121 formação de um determinado mineral. se multiplica ao infinito. por conseguinte. muito tempo depois de separadas do solo que as alimentava e. Os Espíritos têm uma ação geral e conforme às leis naturais e imutáveis. Os corpos mortos. que se divide. Cada espécie de matéria tem suas propriedades relativas. em certas condições. necessárias a prepará-la para passar pelas formas intermédias. no reino mineral. . do princípio latente da inteligência que nelas residia? Tudo na Natureza se mantém e se encadeia e tudo se faz em proveito e utilidade do Espírito que se tornou consciente de seu ser. não é uma individualidade. não se assemelha ao pólipo que.

que se ligam entre si numa progressão contínua. p. São elos preciosos que tudo ligam. Espírito em estado de formação. por uma progressão contínua. preparado para sofrer no vegetal a prova. da pedra e da planta. por não conseguir desvendá-los com seus olhos de toupeira. Observai como tudo se encadeia na imensa Natureza que o Senhor vos faz descortinar. substância tão sutil que dela.formação primitiva e rudimentar pela quinta-essência dos fluidos. tão grande. dotada de livre . p. outras. originariamente. (ROUSTAING. por nenhuma expressão. à condição de homem. São elos preciosos que tudo ligam. que tudo mantêm e pelos quais atravessa o Espírito no estado de formação. umas participando do mineral e do vegetal. 289-293. 1999. quinta-essência que a vontade de Deus anima para lhe dar o ser e que constitui a essência espiritual (princípio de inteligência) destinada a tornar-se. Espírito formado. isto é. livre e responsável. mediante um desenvolvimento gradual e contínuo. ascende da condição de essência espiritual originária à de Espírito formado. podem as vossas inteligências limitadas fazer ideia. sob a influência da dupla ação magnética que operou a vida e a morte nas fases de existências já percorridas. da sensação. enfim. a essência espiritual. o Espírito. o ponto de partida para todos os Espíritos: . que a inteligência humana é incapaz de apreendê-la e cujos mistérios se recusa a admitir. 1984. e de se haver. da planta e do animal. 303. outras do vegetal e do animal. Espírito. à vida consciente. que a espera. em negrito nosso). que ligam entre si todas as espécies. grifo em itálico do original. a fim de que o homem possa mais facilmente compreender a unidade dessa criação tão grande.122 Depois de haver passado por essas formas e espécies intermediárias. que prendem as coisas umas às outras. em negrito nosso). Um único é. inteligência independente. do animal e do homem. grifo em itálico do original. Passando sucessivamente por todos os reinos e por aquelas espécies intermediárias. Observai como em todos os reinos há espécies intermediárias. (ROUSTAING. passa ao reino vegetal.

Tratou. característica do livre pensador. que a prepara e conduz às raias da consciência da vida. ou melhor. leve em conta as considerações que Kardec fez sobre ela na Revista Espírita 1866 (p. em negrito nosso). independente e responsável. Colocamos essas transcrições do primeiro volume da obra de Roustaing. Desse modo. p. O desenvolvimento intelectual que a levará aos limites do período preparatório que precede o recebimento do livre arbítrio. depois nas espécies intermediárias que. grifo em itálico do original. numa contínua marcha progressiva. em lugar de proceder por graduação. Em seguida vem a encarnação no reino animal. Consequente com o nosso princípio. de suas faculdades e de seus atos. Segue-se a encarnação. e das quais. (ROUSTAING. pedimos ao leitor que. quis alcançar o objetivo de um golpe. da vida moral. se opera o seu desenvolvimento. participam do animal e do homem. do ponto de vista do invólucro material.123 arbítrio. 322. que consiste em regular a nossa caminhada sobre . a comaterialização dessa essência espiritual mediante a sua união íntima com a matéria inerte. das quais transcrevemos o seguinte trecho: O autor dessa nova obra acreditou dever seguir um outro caminho. 1999. 190-192). depois no reino vegetal e nas espécies intermediárias que participam do vegetal e do animal. por certas questões que não julgamos oportuno abordar ainda. para aceitá-las ou não. sempre em progressão contínua. a consciência da vida ativa exterior. assim como aos Espíritos que os comentaram. consequentemente lhe deixamos a responsabilidade. primeiramente no reino mineral e nas espécies intermediárias que participam do mineral e do vegetal. da vida de relação. porque as encontramos em nossa pesquisa. consciente de sua vontade. adquirindo assim aquela essência (Espírito em estado de formação). porém.

392) é o mesmo que se comunicou a Roustaing? Além dessas manifestações encontramos na Revista Espírita 1861. têm necessidade da sanção do controle universal. explicados em espírito e verdade pelos Evangelistas com a assistência dos Apóstolos e de Moisés”. 190-191. Convém. Por que motivo então. porquanto. não daremos. p. (KARDEC. De nossa parte ainda questionamos o subtítulo “Revelação das Revelações”. o registro da ata da sessão geral de 14 de dezembro de 1860. e que. é “os quatro evangelhos. uma em O Evangelho Segundo o Espiritismo (KARDEC.. não há lógica alguma os Espíritos passarem duas revelações simultâneas. até nova ordem. p. o que nos afigura pouco provável. nem aprovação. 2007c. com uma sobrepujando a outra. da Sociedade Espírita de Paris. p. às suas teorias. em todos os casos. que segundo Roustaing. 2007a. nem desaprovação. 1993f. como sendo uma forma dele dizer que sua obra está acima da revelação Espírita. 63) e em duas mensagens. deixando ao tempo o cuidado de sancioná-las ou de contradizê-las. pois. 5). na qual se tem notícia de que “A Senhorita J. opiniões que podem ser justas ou falsas. não passaram já a segunda? Será que o “João Evangelista” que aparece entre as assinaturas em O Livro dos Espíritos (KARDEC. considerar essas explicações como opiniões pessoais aos Espíritos que as formularam. p. teve várias comunicações de João Evangelista” (KARDEC. e até mais ampla confirmação não poderiam ser consideradas como partes integrantes da Doutrina Espírita.124 o desenvolvimento da opinião. 167) e a outra em A Gênese (KARDEC. Será que o . 1993i. p.2007e. grifo nosso).

de uma forma. inusitada. com base em vários estudiosos bíblicos. sob a influência e inspiração dos Espíritos do Senhor […]. se for o mesmo que se manifestou nas duas revelações? Um ponto fatal contra a obra de Roustaing é que ele considera os evangelistas como sendo médiuns inspirados.net/viewdownload/7-assuntos-biblicos/405-os-nomesdos-titulos-dos-evangelhos-designam-seus-autores. S. retomemos: 6 NETO SOBRINHO. por exemplo. . versão 8. nos quais ele tentar resolver o problema do mineral não se enquadrar no ciclo “nascer. 199. que os nomes constantes dos títulos dos Evangelhos – Mateus. inspirados. 84). Lucas e João – não designam os seus autores 6. Ora. Comprovamos o pensamento de Roustaing com estes dois trechos: […] o apóstolo Mateus.paulosnetos. os parágrafos omitidos de uma citação anterior da obra de Roustaing. […]. atualmente. P. discípulo do apóstolo Paulo. quanto Pedro eram “homens iletrados e incultos” (At 4. reproduzir-se e morrer”. p. o seu autor informa que tanto ele. e o apóstolo João. agora.13). em Atos dos Apóstolos. a nosso ver. abr/2015. Marcos. Os evangelistas eram. crescer. p. sem o saberem. 1999. Marcos. Os nomes dos títulos dos Evangelhos designam seus autores?. discípulo do apóstolo Pedro. Ressalte-se que no caso de João. médiuns historiadores (ROUSTAING. Transcreveremos. Lucas.125 espírito João Evangelista estava sofrendo de transtorno psicótico. disponível na Internet pelo link: http://www. se sabe. (ROUSTAING. que se haviam encarnado em missão para esse propósito. já tinham escrito os Evangelhos. 127).

A essência espiritual. depois que dele se retirou a essência espiritual que foi necessária à sua formação. só vem a somar no que pensamos a respeito de não existir princípio inteligente no reino mineral. que residia nas paredes do mineral. por séculos muitas vezes. e é transportada para outro ponto. 1999. retira-se daí por uma ação magnética. O corpo do mineral. A pedra tirada da pedreira. 1999. perdem a vida natural. p. grifo nosso) . o minério extraído da mina. desde o ser microscópico até o homem. para a vida e a harmonia universais (ROUSTAING. uma função. que tendem e servem para o desenvolvimento de cada espécie. 291. encontramos: Tudo o que é. essa tentativa de explicação de Roustaing demonstra isso. nos reinos mineral e vegetal. 5. para nós. são utilizados pela humanidade. (ROUSTAING. vivem e morrem. . dirigida e fiscalizada pelos Espíritos prepostos. seus despojos. p. de acordo com o que suas necessidades lhe impõem. 304. que nos informa sobre um poema de Adelino na obra Antologia dos Imortais. no reino animal e no reino humano. do mesmo modo que a planta separada do solo. Não vos admireis de que a coesão subsista no mineral. vive e morre.126 O mineral morre quando é arrancado do meio em que o colocara o autor da natureza.6 – Do espírito Adelino da Fontoura? Recorremos mais uma vez a Gabilan. Um pouco mais à frente. O que está aqui dito. todos os seres que. tudo e todos têm um emprego. uma utilidade. pela psicografia de Francisco Cândido Xavier (1910-2002). deixando de existir. grifo nosso).

p. 1984. aí se acha em processo. 33). Pondo mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas. homem que sou. da série André Luiz. pousei. para.. (XAVIER. (GABILAN. Guardei por muito tempo a expressão dos gorilas.7 – Da coleção “André Luiz” pela psicografia de Francisco Cândido Xavier? Vários autores citam dos livros No Mundo Maior e Evolução em Dois Mundos. que reside no cristal a rolar na corrente do rio.. . e no instinto da fera Achei a inteligência e avancei passo a passo. em longa e ansiosa espera. A lutar e chorar. respectivamente. 1987b. Devorando amplidões. libertatório. compreendê-las!. 2002. […]. eu era Infusório do mar em montões de sargaço. pois. 22. 5.. Por séculos fui planta em movimento escasso.. (XAVIER. Partícula. esboçando a estrutura esquelética. grifo nosso). Agora. vibrando entre as forças do Espaço. p. o princípio espiritual atingiu espongiários e celenterados da era paleozoica. Vivo de corpo em corpo a forjar destino Que me leve a transportar o clarão das estrelas!. pelo Foro Divino. 45) Das cristalizações atômicas e dos minerais. então. p. Depois fui animal. os seguintes trechos: A crisálida de consciência. Encarcerado. aqui também se trata de um poema. Vale a mesma consideração do item anterior. Sofri no inverno rude e amei na primavera.. das algas e dos vegetais […]. das bactérias e das amebas. dos vírus e do protoplasma.127 intitulado “Jornada”: Fui átomo.

128 Vale a pena ver. destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. lambendo os filhinhos recém-natos. os seus filhos. a fêmea do tigre. Não há favoritismo no Templo Universal do Eterno. é fruto igualmente do processo evolutivo. após o sepulcro. O Eterno Pai estabeleceu como lei universal que seja a perfeição obra de cooperativismo entre Ele e nós. organiza a faculdade da palavra. O prestimoso mentor argumentou. guinchando. os textos mencionados: 1) No mundo maior Interrompi o estudo comparativo. e todas as forças da Criação aperfeiçoam-se no Infinito. nessas duas obras. Não somos criações milagrosas. que reside no cristal a rolar na corrente do rio. sorridente: – Depois da morte física. Aqui aprendemos que o organismo perispirítico que nos condiciona em matéria mais leve e mais plástica. e devemos aperfeiçoarnos integralmente. a aprimorálo. Deus criou o mundo. o que há de mais surpreendente para nós é o reencontro da vida. aprende rudimentos do amor. Em verdade. e fixei Calderaro em silenciosa interrogativa. Somos criação do Autor Divino. Os seres que habitam o Universo ressumbrarão suor por muito tempo. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos. estão conquistando a memória. sem que me acudisse ânimo suficiente para trazer qualquer comentário aos seus elevados conceitos. A crisálida de consciência. o símio. as árvores que por vezes se aprumam centenas de anos. Assim também a individualidade. indicou-me a medula espinhal e continuou: – Creio ociosa qualquer alusão aos trabalhos . de experiência em experiência. aí se acha em processo liberatório. mas nós nos conservamos ainda longe da obra completa. conquistando valores. O mentor silenciou por instantes. de milênio a milênio. a suportar os golpes do Inverno e acalentadas pelas carícias da Primavera. Logo após. depois de acurada perquirição.

de modo a encetar as experiências primeiras. atencioso: – Na verdade. Como um cristal. 45-46. incrustando-os nas paredes de nossas casas. comparadas aos milênios vividos por nós. (XAVIER. Voltemos aos ascendentes em evolução. que possivelmente esteja nele. experimentamos a vida e por ela fomos experimentados. na jornada progressiva. As páginas da sabedoria hinduísta são escritos de ontem. grifo nosso). não há nisso mistério algum. na tépida água do mar. p. arrastando-se para emergir do fundo escuro e lodoso das águas. no verme. através dos organismos celulares. Desde a ameba. Para adquirir movimento e músculos. 1984. Em seguida. aprendendo e selecionando invariavelmente. antes de ensaiar os alicerces do aparelho nervoso. fez longa viagem na esponja. como a dar-me tempo para refletir. Experimentou longo tempo. que rola no leito de um rio. até o homem. no batráquio. “morre” para que a crisálida. Interrompeu-se o Assistente por alguns segundos. ao sol . e a Boa-Nova de Jesus-Cristo é matéria de hoje. na medusa. Em milhares de anos. continuou. vimos lutando. passando a dominar células autônomas. faculdades e raciocínios. milhares de anos. a crisálida ficaria ali presa indefinidamente? Devemos proteger os cristais como estamos querendo fazer em relação aos seres vivos dos outros reinos da natureza? Esses são alguns quesitos que poderíamos fazer ao nobre assistente de André Luiz. na organização primordial dos músculos. impondo-lhes o espírito de obediência e de coletividade. O princípio espiritual acolheu-se no seio tépido das águas. que se mantinham e se multiplicavam por cissiparidade.129 primordiais do nosso longo drama de vida evolutiva. passe para o estágio evolutivo seguinte? Quando nós usamos esses cristais.

lembrar e sentir. chegou à terra firme. ficamos com a impressão de que o assistente de André Luiz já não mais fala nada do reino mineral. que progredia através de organismos . aqui e ali. conquistou a inteligência. p. Quantos séculos consumiu. desde o obscuro momento da criação. em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana. onde conseguiu elaborar o próprio alimento. o esclarecido companheiro sorriu e continuou: – Por mais esforços que envidemos por simplificar a exposição deste delicado tema. impedindo-me o minucioso exame do assunto. André. Afastou-se do leito oceânico. O cérebro é o órgão sagrado de manifestação da mente. caminha sem detença para frente. escolher. (XAVIER. 5759. inúmeros milênios decorreram sobre nós. ajudado pela interferência indireta das Inteligências superiores? Impossível responder. grifo nosso). ergueu-se do solo. alimentar-se. depois de longos milênios. da sensação para o instinto.130 meridiano. revestindo formas monstruosas. evolucionando sem parar. Viajou do simples impulso para a irritabilidade . 1984. Calderaro fixou em mim significativo olhar e perguntou: – Compreendeste suficientemente? Ante o assombro das ideias novas que me fustigavam a imaginação. até conquistar a região mais alta. por enquanto. Nessa penosa romagem. abandonando esferas inferiores. porém. a fim de escalar as superiores. através de milênios. moveu-se em direção à lama das margens. debateu-se no charco. experimentou na floresta copioso material de formas representativas. Nesse trecho da obra. Quero dizer. que o princípio espiritual. o retrospecto que a respeito fazemos sempre causa perplexidade. em todas as épocas. do instinto para a razão. da irritabilidade para a sensação. durante os quais aprendeu a procriar. atingiu a superfície das águas protetoras. aprimorando-se. contemplou os céus e. Estamos. Sugou o seio farto da Terra.

que. Evidenciam-se.. verte o princípio inteligente. com eles. vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos.131 celulares.. que operavam no orbe nascituro. sob a ação do calor interno e do frio exterior. lavrando os minerais na construção do solo. Séculos de atividade silenciosa perpassam. . por centros microscópicos de força positiva. plasmando. sucessivos. as bactérias rudimentares. formado por nucleoproteínas e globulinas. sob o impulso dos Gênios Construtores. oferecendo clima adequado aos princípios inteligentes ou mônadas fundamentais. que se responsabilizariam pelas eclosões do reino vegetal em seu início. 2) Evolução em dois mundos A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e. pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores. em suas primeiras manifestações. invadido por gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva. estimulando a divisão cariocinética. Trabalhadas. desde então. pela reprodução assexuada. Dessa geleia cósmica. Milênios e milênios chegam e passam. o princípio inteligente nutre-se agora na clorofila. no transcurso de milênios.. fazem parte dos seres vivos. as células primevas. como se sabe. FORMAÇÃO DAS ALGAS — Sustentado pelos recursos da vida que na bactéria e na célula se constituem do líquido protoplásmico. as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído. que revela um átomo de magnésio em cada molécula. permutando-os entre si. surge o campo primacial da existência. cujas espécies se perderam nos alicerces profundos da evolução. NASCIMENTO DO REINO VEGETAL — Aparecem os vírus e. dividindo-se por raças e grupos numerosos. que se destacam da substância viva.

quase invisíveis. a que nos referimos. de exosqueleto quitinoso. em vagarosa movimentação no berço da Humanidade. O tempo age sem pressa. nas mutações da forma que atende ao progresso incessante da Criação Divina. e aparecem as algas nadadoras. mas plantas superevolvidas nos domínios da sensação e do instinto embrionário. cujo sangue diferenciado acusa um átomo de cobre em sua estrutura molecular. das algas e dos vegetais do período pré-câmbrico aos fetos e às . como filtros de evolução primária dos princípios inteligentes em constante expansão. guardando o magnésio da clorofila como atestado da espécie. dotadas de extrema motilidade e sensibilidade. no reino dos animais superiores. em seguida. com novo núcleo a salientar-se. mantendo a edificação das formas do porvir. e mantendo-se à custa de resíduos minerais. surpreendê-la. inaugurando a reprodução sexuada e estabelecendo vigorosos embates nos quais a morte comparece. Todavia. no decurso das eras. em cujo sangue — condensação das forças que alimentam o veículo da inteligência no império da alma — detém a hemoglobina por pigmento básico. Das cristalizações atômicas e dos minerais. para. provocando metamorfoses contínuas. circulando no corpo das águas. nos domínios dos artrópodos. guindada à condição de crisálida da consciência. vestidas em membranas celulósicas. Sucedendo-as. demonstrando o parentesco inalienável das individuações do espírito. na esfera de luta. emergem as algas verdes de feição pluricelular. que perdurarão. DOS ARTRÓPODOS AOS DROMATÉRIOS E ANFÍTRIOS — Mais tarde. das bactérias e das amebas. como formas monocelulares em que a mônada já evoluída se ergue a estágio superior. em dinamismo profundo. por ordem.132 precedendo a constituição do sangue de que se alimentará no reino animal. dos vírus e do protoplasma. com as suas caudas flexuosas. são plantas ainda e que até hoje persistem na Terra. assinalamos o ingresso da mônada.

observamos que. de forma em forma. nos reinos menores o ser inferior serve à espécie a que se ajusta. adquire entre os dromatérios e anfitérios os rudimentos das reações psicológicas superiores. arquegonossauros e labirintodontes para culminar nos grandes lacertinos e nas aves estranhas. o fruto das próprias conquistas. o princípio espiritual atingiu espongiários e celenterados da era paleozoica. durante milênios. tanto quanto o instinto precede a atividade refletida. (XAVIER. protegendo-lhe a existência. grifo nosso). chegando à época supracretácea para entrar na classe dos primeiros mamíferos. amparando-o com todos os valores por ela assimilados.133 licopodiáceas. maquinalmente. confiando-lhe. procedentes dos répteis teromorfos. qual vaso vivo. nas linhas da Civilização. incorporando as conquistas do instinto e da inteligência. que é base da inteligência nos depósitos do conhecimento adquirido por recapitulação e transmissão incessantes. no impositivo do aperfeiçoamento constante. a inteligência é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade. 31-34. e a espécie labora em benefício dele. e a sociedade opera em favor do indivíduo que a compõe. Avançando pelos equinodermos e crustáceos. o sistema vascular e o sistema nervoso. o reflexo precede o instinto. a fim de que a ascensão da vida não sofra qualquer solução de continuidade. sob os signos da cultura. descendentes dos pterossáurios. AUTOMATISMO E HERANÇA — Assim como na coletividade humana o indivíduo trabalha para a comunidade a que pertence. até configurar-se no . Viajando sempre. aos trilobites e cistídeos aos cefalópodes. foraminíferos e radiolários dos terrenos silurianos. no jurássico superior. 1987b. entregando-lhe o produto das próprias aquisições. caminhou na direção dos ganoides e teleósteos. esboçando a estrutura esquelética. no círculo humano. na retaguarda do transformismo. Se. entre os quais ensaiou. nos milhares de milênios em que o princípio espiritual atravessa lentamente os círculos elementares da Natureza. p.

na organização de qualquer veículo humano. demonstrando que além da ciência que estuda a gênese das formas. toda a atividade nervosa em vida psíquica. (XAVIER. orientadas pelos Instrutores Divinos. 38-39. não podemos esquecer a função preponderante do automatismo e da herança na formação da individualidade responsável. em princípio. por falta de conhecimento. grifo nosso). desde o casulo ferruginoso do leptótrix. porém. vemos a crisálida de consciência construindo as suas faculdades de organização. através da retração e expansão da energia nas ocorrências do nascimento e morte da forma. a evolução tilogenética de todo o reino animal. como ser pensante. em torno de apreciações e conclusões que a ciência do mundo tem repetido à saciedade. em qualquer estudo acerca do corpo espiritual. GENEALOGIA DO ESPÍRITO – […] Em verdade. que não nos permite. o princípio inteligente gastou. p. mais ou menos quinze milhões de séculos. (XAVIER. acrescentaremos simplesmente que as leis da reprodução animal. para não cairmos nas recapitulações incessantes. desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra. da sensação no vegetal e do instinto no animal. p. transformando. pois. pareceu-nos . 1987b. a fim de que pudesse. grifo nosso). para compreendermos a inexequibilidade de qualquer separação entre a Fisiologia e a Psicologia. delinear o seu pensamento com segurança. em trânsito para a maturação sublimada no campo angélico. sensibilidade e inteligência. lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos. recapitulam ainda hoje. 52-53. embora em fase embrionária da razão. Com a Supervisão Celeste. Muito técnicas essas considerações de André Luiz.134 indivíduo humano. porquanto ao longo da atração no mineral. gradativamente. Desse modo. 1987b. na fase embriogênica. há também uma genealogia do espírito.

atraídas uma para as outras. e que as primeiras sensações do sexo apareceram com algas marinhas providas não só de células masculinas e femininas que nadam. Com relação ao tato vejamos o que consta em A caminho da Luz. entretanto. p. na sua passagem pelas células nucleares em seus impulsos ameboides. E para complicar mais ainda. 40-41. via de consequências. os minerais que são classificados como tais. ditado pelo Espírito Emmanuel. 1987b. muitas delas armadas de pelos viscosos destilando sucos digestivos. 53. para ele. lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos. o ponto inicial já não é mais o reino mineral. grifo nosso). pela . pelo último parágrafo. que podemos definir como região secundária de simpatias genésicas. se for esse o caso. que o olfato começou nos animais aquáticos de expressão mais simples. A referência às células nucleares. mas também de um esboço de epiderme sensível. desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra. que o gosto surgiu nas plantas. […] Com a Supervisão Celeste. como ser pensante. vemos duas outras falas nas quais essa visão nos parece existir: É assim que o tato nasceu no princípio inteligente. nos remete à ideia de que se fala de seres vivos. então os seres inorgânicos estariam de fora. embora em fase embrionária da razão. grifo nosso). 1987b. que a visão principiou pela sensibilidade do plasma nos flagelados monocelulares expostos ao clarão solar. por excitações do ambiente em que evolviam. tem-se a impressão de que. mais ou menos quinze milhões de séculos. (XAVIER. vírus e bactérias.135 que aponta o reino mineral como sendo o início da evolução da mônada. a fim de que pudesse. (XAVIER. p. o princípio inteligente gastou.

Os primeiros habitantes da Terra. de que a reencarnação significa recomeço nos processos de evolução ou de retificação. A impressão que nos fica é que para Emmanuel a origem do processo se incia em seres primordiais. que discorrendo sobre os primeiros habitantes da Terra. amorfa e viscosa. era o celeiro sagrado das sementes da vida. . onde encontram o oxigênio necessário ao entretenimento da vida. grifo nosso). (XAVIER. as amebas e todas as organizações unicelulares. em função de aperfeiçoamento dos organismos superiores. que deu origem a todos os outros. isoladas e livres. e. no plano material. antes das grandes vegetações. 3) Missionários da Luz – Não se esqueça. estão entre os orgânicos. que se multiplicam prodigiosamente na temperatura tépida dos oceanos. em breve a condensação da massa dava origem ao surgimento do núcleo. esses seres rudimentares somente revelam um sentido – o do tato. 1987a. cobria a crosta solidificada do planeta. afirma: Dizíamos que uma camada de matéria gelatinosa envolvera o orbe terreno em seus mais íntimos contornos. André.136 psicografia de Chico Xavier. elemento que a terra firme não possuía ainda em proporções de manter a existência animal. sem forma definida. são as células albuminoides. Essa matéria. se essa matéria. esses seres primordiais se movem ao longo das águas. certamente. iniciando-se as primeiras manifestações dos seres vivos. 26-27. Com o escoar incessante do tempo. O protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo terrestre. que. Lembre-se de que os organismos mais perfeitos da nossa Casa Planetária procedem inicialmente da ameba. p.

o princípio espiritual arrola aquisições que o desenvolvem. Joanna de Ângelis. ao regressar à esfera mais densa. que. repetindo em curso rápido as etapas vencidas ou lições adquiridas. contido no molde perispirítico do ser que toma os fluidos da carne. todos os períodos de transição ou estações de progresso que a criatura já transpôs na jornada incessante do aperfeiçoamento. não se trata de um mineral. Logo depois da forma microscópica da ameba. não vimos outra coisa senão que o processo evolutivo do corpo tenha se iniciado na ameba.).137 Ora. grifo nosso). certamente. 234. O que opera a diferenciação da forma é o valor evolutivo. 5. p. Por isso mesmo. é indispensável recapitular todas as experiências vividas no longo drama de nosso aperfeiçoamento. na condição de humanidade. em seu desenvolvimento embrionário. favorecendo-o na infinita conquista do porvir. estacionando na posição em que devemos prosseguir no aprendizado. pois. o futuro corpo de um homem não pode ser distinto da formação do réptil ou do pássaro . a mentora do médium Divaldo Pereira Franco (1927. afirma: Conduzindo em si mesmo uma anterioridade que se perde nos primevos dos tempos. ainda que seja por dias e horas breves. dentro da qual nos encontramos. um ser unicelular. agora. como acontece a Segismundo. surgirão no processo fetal de Segismundo os sinais da era aquática de nossa evolução e. 1986. Assim. (XAVIER. recomeço significa “recapitulação” ou “volta ao princípio”. assim por diante. .8 – De Joanna de Ângelis (espírito)? Em No limiar do infinito. Dessa fala do instrutor Alexandre a André Luiz de que os organismos mais perfeitos procedem inicialmente da ameba.

p. e avançando para a conquista da intuição que se dá no período angélico. grifo nosso). lentamente exteriorizam-se-lhe as energias de aglutinação molecular. morrer. p. 229. em o qual pensa e ama.138 Dormindo no reino mineral. 2005. 115. na busca de melhor estrutura e mais perfeita harmonia. o argumento que utilizamos para “resistir” que o princípio inteligente tenha passado pelo reino . (FRANCO. desabrochando as faculdades da inteligência. evoluindo para o hominal. da consciência na fase humana. em sucessivas experiências. Exatamente. ampliando as possibilidades no despertar do vegetal. O que se segue transcrevemos do livro Conflitos Existenciais. quando cresce em recursos de sensibilidade. 2005. transita para o vegetal onde sonha e transmigra para o animal. ditado por Joana de Ângelis. nos quais desabrocham os recursos divinos que se lhe encontram em germe. a fim de que ocorram alterações. pela psicografia de Divaldo P. a fim de liberar os instintos no trânsito animal. capítulo 10 – Violência. grifo nosso). o princípio espiritual adquire experiências. 119-120. encontramos: É necessário que haja a morte orgânica. que as formas se aprimoram através dos milhões de anos. nessa mesma obra. aperfeiçoamentos. emoções e conhecimento através do trânsito pelos diferentes reinos da Natureza. Tem sido por meio do processo nascer. (FRANCO. viver. (FRANCO. p. grifo nosso). no qual sente. agasalhando o princípio espiritual que as vem modelando. da razão. 2001. Mais à frente. Dormindo no mineral. a caminho da angelitude em cuja posição fui a felicidade. Franco: No processo antropossociopisicológico da evolução.

j. .m.139 mineral. morrer. Diante disso.. viver. que as formas se aprimoram” Joanna de Ângelis entra em conflito com o que ela mesmo disse sobre o princípio inteligente dormir no mineral. achamos que ao falar que o “processo nascer. s.

Temos. pelo menos por enquanto. são dirigidas algumas perguntas a São Luís a respeito dessa comunicação. datado de 23. na Sociedade Espírita de Paris.1859.12. estaríamos. no meio Espírita. Há algo interessante que é necessário mencionarmos. mais para defender essa posição. embora não tenha sido informado o reino anterior. a confirmação dos Espíritos elementais. De uma de suas respostas destacamos este trecho: “o Espírito elementar. conforme citação de Charles Trufy. Quanto à questão de ter passado pelo reino animal. 2000a. Causeries Spirities constante da obra Da Bíblia aos nossos dias. mencionada pelo seu amigo. Na Revista Espírita 1860. que na série evolutiva antecede ao reino animal. que mais ressalta o ponto inicial como sendo o reino vegetal. Entretanto. levando-se em conta as opiniões do Codificador. p. podemos ainda trazer a opinião pessoal do próprio Codificador. 94). de Mário . mês de março. supomo-lo ser o vegetal. há um ditado espontâneo intitulado “O gênio das flores”. portanto. dirige a ação fluídica na criação do vegetal” (KARDEC.140 6. Uma semana depois. Conclusão Pelo que se pode ver. autor do livro “Psychologie Transformiste-Evolution de l’Intelligence”. antes de passar para a série animal. não há ainda. para nós é pacífica. uma posição nítida em relação ao assunto. o Capitão Bourgués. Fora tudo que já apresentamos.

porém. (MELO. grifo nosso). Certamente. Dar-se-á. tivemos a alegria de ter o mestre alguns dias conosco. e nos falou do progresso que devia fazer o espírito para chegar à perfeição. sobretudo. insistimos em lembrar esse fato. que todo movimento que nos fere os sentidos e a que damos o nome de matéria seja dirigido pela mente? Onde começa o seu reino? Haverá mente numa pedra? Dizem os nossos físicos que uma pedra está em contínuo movimento. era líder espírita. Ele nos recomendou. Em sua palestra ele não nos escondeu nossa origem animal. conforme vimos e. e pesquisador. 95. porém. ele só afirma a nossa origem animal. e que encontraríamos no Livro dos Espíritos os elementos para tudo conhecer e tudo abraçar. por estarem nela os electrons e os prótons em rápida e regular vibração. Curiosa é a explicação de James Arthur Findlay (18831964). de aprofundar todos os ramos da Ciência. o pensamento de Kardec passa a aceitar mais para o final de sua vida. uma revista britânica. Quanto à questão do reino vegetal. que transcrevemos de sua obra No limiar do etéreo: Movimento revela mente. conferencista. 1954. a não ser que tomemos a declaração acima como inverídica. tratar-se-á de uma mente da mais . que foi presidente da Psychic News. nos veio visitar em Provins. Se contém mente ou é por esta influenciada. por várias vezes. conhecido como orador. assegurando-nos que nos elevaríamos por ela. p.141 Cavalcanti de Melo (?-?): Quando Kardec fez sua viagem espírita em 1862. onde nos encontrávamos acampados. que se Kardec fosse da opinião que o princípio inteligente passara pelo reino mineral teria dito isso.

p. do qual transcrevemos: O princípio inteligente não pode agir diretamente sobre a matéria. Não podemos. tornando seu esboço perispiritual maleável. caro leitor. Assim. formas e linhas precisas. produz relva de que se alimenta a vaca. O início de nosso estudo sobre o perispírito começa neste ponto. a não ser se revestindo de outro tipo de matéria semicondensada que possibilite o intercâmbio de informações e sensações de um para o outro. onde o princípio inteligente aliando-se aos cristais demora-se por séculos. no entanto. por efeito das chuvas e das geadas. que sustenta corpos governados pela mente. transformando-a em leite. fôramos.142 imperfeitas e mínima forma.). se avançáramos essa graciosa afirmação. admitindo provisoriamente que onde há crescimento e desenvolvimento também há mente. podemos ver mente em todos os graus de desenvolvimento. mas. imprudentes. 2002. ser dogmáticos em afirmar onde há mente. pois. de qualquer forma. quando olhamos em torno de nós. o que constitui uma pedra pode tornar-se habitação de uma mente. grifo nosso). Temos ainda mais uma opinião bem interessante que é a do companheiro Luiz Gonzaga Pinheiro (?. Certamente. quando. tais como os . embora sintamos em terreno firme. pois. (FINDLEY. ou onde não há mente. gravando no mesmo. é mais uma explicação que estamos disponibilizando a você. Quanto aos corpos brutais. desde a do mais humilde fundo até a que guiou a mão de escreve a maior tragédia de quantas já o homem compôs: Rei Lear. forçando a matéria a obedecer a uma geometria definida. 63-64. a pedra se muda em terra. Pareceu-nos um caminho um tanto quanto tortuoso a ligação que Findlay faz da mente numa pedra. autor do livro Perispírito e suas modelações.

143
minerais (rochas, Ferro, Zinco, Ouro, dentre
outros) abstenho-me de comentários, mesmo
porque não encontro pouca lógica na união do
princípio inteligente na matéria bruta, onde ele
ficaria apático sem nenhuma aprendizagem. Na
condição de prisioneiro em matéria bruta ele
permaneceria
adormecido,
estático,
sem
registros, a não ser que esteja desenvolvendo
uma afinidade de ordem química.
A dificuldade em se admitir o princípio
inteligente adormecido na matéria bruta
deve-se as transformações que ela sofre, às
vezes, irreversíveis. Alguém poderá sustentar
que o princípio inteligente encontra-se inerte na
matéria. Mas em que tipos de materiais? O Ferro é
trabalhado pelo fogo e serve às necessidades
humanas. De outra feita sofre oxidação e é
consumido pela ferrugem. A rocha é desgastada
pelas intempéries e virá pó. Outro tanto vai para
as construções de estradas e residências. O Ouro
é transformado em joias para adornar a vaidade e
fomentar a cobiça, ou fica preso em cofres fortes.
O Zinco atende as necessidades da construção
civil. Poder-se-ia dizer que nesses materiais o
princípio inteligente estaria adormecido: E o que
ocorreria com ele, caso habitasse esses materiais,
quando os mesmos sofrem transformações
irreversíveis tais como a queima da madeira? Uma
lei não pode ser estabelecida em cima de
incertezas. Ou o princípio inteligente encontra-se
adormecido nos minerais ou não. Apelando para o
senso prático, perguntamos: por que estaria, para
nada aprender ou em nada contribuir?
Onde a matéria bruta inicia um princípio de
organização formal (não falo de átomos e
moléculas) obedecendo a formas geométricas em
sua divisão, é que iniciaremos o nosso estudo,
colocando aí a união dos dois princípios, material
e inteligente, gênese da mais admirável de todas
as sagas do universo, a busca da autonomia
espiritual. (PINHEIRO, p. 36-37, grifo nosso).

Deixamos

propositalmente

para

o

final,

para

demonstrar que, embora aceitando que o princípio inteligente
tenha estagiado no reino mineral, Pinheiro, diferentemente de

144

muitos autores espíritas, delimita-o apenas nos cristais.
Provavelmente outros estudiosos espíritas também tenham
essa mesma opinião.
Uma coisa tem que ficar clara, para todos nós, é sobre
isto que Kardec disse, que, aqui, fazemos questão de repetir:
“O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do
Espiritismo; não faz senão lhe colocar as bases e os pontos
fundamentais, que devem se desenvolver sucessivamente
pelo estudo e pela observação”. (KARDEC, 1993i, p. 223),
portanto, o assunto poderá estar ainda em aberto para uma
posterior decisão. Quem sabe se já não estamos a caminho
dela?…
Físicos quânticos afirmam que o elétron que
viaja, sem um caminho visível, entre as órbitas do
átomo, em seus saltos quânticos, apresenta um
“comportamento”. A uma partícula elementar que
apresenta comportamento se entende que essa
partícula, mesmo de forma simples e rudimentar,
se apresenta “inteligente”.
Essa
forma
de
inteligência
é
ainda
desconhecida, tanto que explicá-la pela ciência
acadêmica é tarefa ainda impossível. Porém, é
possível inferir pelos postulados da Doutrina
Espírita, que há inteligência na matéria,
possibilitando a sua relação com o “princípio
inteligente”. (AUNI, 2011, p. 182-184, grifo
nosso).

Certamente que a aceitação dessa hipótese levantada
por Adams Auni (?- ) vai demorar, entretanto, mais dia, menos
dia a verdade virá à tona, vencendo todos os obstáculos que
lhe surgem pela frente. Aí vale o adágio popular: “quem
sobreviver verá”.

145

Ao finalizar queremos transcrever três respostas do
texto

“Dimensões

da

Evolução”,

no

qual

contém

as

explicações do espírito Pedro a várias perguntas que lhe
fizeram os membros do IEEP – Instituto Espírita de Ensino e
Pesquisa,

do

NEPE

Núcleo

Estudos

e

Pesquisa

de

Espiritismo( ), da cidade de Divinópolis, MG, em reunião
7

realizada a 01.12.2013:
P. 2) O amigo Paulo Neto nos envia uma
pergunta que eu resumo assim: Aonde se
inicia o princípio inteligente? A inteligência
se iniciou no reino mineral ou vegetal?
R. 2) A resposta é sim e não ou se preferirem,
depende. Na verdade, essa pergunta não vai ser
respondida hoje, agora e aqui, porque ela se
refere à origem do espírito. E essa origem é
enigmática,
inclusive
para
a
realidade
consciencial em que eu me encontro.
Não temos a resposta definitiva para esta
questão.
Porém acredito que algumas reflexões vão
ajudar ao companheiro Paulo Neto e a vocês
entenderem melhor a questão.
Há uma dubiedade de conceitos que sempre é
prejudicial para o esclarecimento de questões. A
dubiedade se refere ao uso de uma palavra para
duas coisas diferentes.
Kardec criou a palavra Espiritismo para
diferenciar do Espiritualismo, porque percebeu
que a palavra espiritualismo não seria suficiente
para descrever o “espiritualismo específico” que
ele estava codificando.
Como aquela doutrina era específica, ele
entendeu que ela deveria ter uma denominação
diferenciada, embora o Espiritismo seja também
espiritualismo, mas não o contrário.
E a dubiedade da palavra “alma”, Kardec
solucionou fazendo um estudo sobre suas
diferenciações: alma vital, alma efeito da matéria
7

Endereço na WEB: http://www.geec.org.br/base/index.php/ieep/nepenucleo-de-estudos-e-pesquisas-de-espiritismo

Este Espírito. Este tem atributos que são essenciais. perfectibilidade. Ele resolveu o problema para o conceito de “alma”. isto é. no Livro dos Espíritos. com rudimentos destas características. aquilo que é ponderável e o Espírito que é imponderável. por exemplo. O Espírito em essência não é material. é espírito princípio imaterial do Universo. Não posso dizer que o Espírito que possui individualidade. Tem-se Espírito com “E” maiúsculo. porque este Espírito. individualidade e da perfectibilidade que implica numa imortalidade. Então espírito. Estes são os constituintes do Universo: material aquele que possui massa. Existe mais um atributo que é a imaterialidade. que é o princípio inteligente individualizado do Universo. que gera a gravidade. os químicos estudam este princípio imaterial e nomeiam suas manifestações de leis físicas e químicas. pensamento. logo ocupa um lugar no espaço. existe no reino mineral. sobre os princípios do Universo. incorpóreo. O espírito com “e” minúscula é o princípio imaterial do Universo. Em algum momento do reino animal. não têm massa e não ocupa lugar no espaço. Quando Kardec.146 e alma como princípio inteligente. talvez no reino vegetal e mais propriamente no reino animal. com “E” maiúsculo. mas essa dificuldade permaneceu a respeito a palavra “espírito”. com todas estas características seria encontrado do reino animal adiante. se fosse não seria Espírito. Porque a matéria em si não existiria da forma que a pe dela não existisse o princípio imaterial que a ordena. é que ele vai adquirir individualidade e com ela a . vamos encontrá-lo. senão não seria Espírito: inteligência. porém existe. Os físicos. com letra “e” minúscula. com certeza existe no reino mineral. percepção. nas suas pesquisas pergunta. pensamento. no início da introdução do Livro dos Espíritos. que é aquilo que dá ordem a matéria conhecida. os Espíritos superiores explicam que existe um princípio material e um espiritual. percepção.

Porém a característica de imaterialidade. 4: O Espírito surge com o pensamento contínuo? R. percepção. Agradecemos aos companheiros do NEPE e ao espírito Pedro pela boa vontade e disposição em separar um tempo na reunião para considerar o nosso questionamento. (PEDRO. princípio imaterial do Universo. que são atributos do Espírito. Seria como se eu dissesse: eu fui o primeiro ano do segundo grau. porque as características de individualidade. P.147 perfectibilidade e imortalidade. Mesmo no ser rudimentar onde predomina o instinto existe o pensamento. pois o “eu” não existia ainda. Estava lá em princípio. 4: O princípio inteligente com “e” minúsculo é universal e está sempre presente. Eu não estou dizendo que o atributo pensamento é sempre contínuo. Todo Espírito é espírito. antes não. 4-6. O sentido do ser não existia antes da individualidade. somente fará sentido após a construção das condições para que a individualidade se desenvolva num futuro. é individual. pertence aos dois princípios: ao Espírito. pois os animais têm flashes de pensamentos. 3: Não existe individualidade nestes reinos. São duas coisas diferentes que têm o mesmo nome. P. mas não era “eu”. O princípio com “E” maiúsculo é no animal. pensamento. princípio inteligente universal e ao espírito. . mas não o contrário. O enigma da questão da origem do Espírito com “E” maiúsculo é que se perde neste processo. Não posso afirmar: eu fui uma pedra ou um vegetal. com “E” maiúsculo só começam no reino animal que tem rudimentos de pensamento. 3: Não existe individualidade no reino mineral e vegetal? R. grifo do original). 2013. Aqui há o enigma: aonde nós podemos chamar de inteligência individualizada? A individualidade nos reinos mineral e vegetal não faz sentido. p. Ser é diferente. perfectibilidade.

PR. São Paulo: Mythos Editora. 56-61 (versão reduzida). s/d. – revista digital O Consolador nº 233.148 Paulo da Silva Neto Sobrinho set/2006. (A versão original. . Este texto foi publicado: – revista Espiritismo & Ciência nº 46. nov/2013. – revista Espiritismo & Ciência Especial nº 66. São Paulo: Mythos Editora. (versão 20 – revisado set/2015). out/2011 – parte 1 e nº 234. bem reduzida). p. 29-32).parte 2 e final. nov/2011-. Londrina. p.

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