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Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de História
Introdução à História (2016/1) – Turma A
Professor: Fernando Nicolazzi
Estudante: Giovane Dutra Zuanazzi
Atividade I
Por que estudar o passado?
As relações entre passado, presente e futuro geraram, ao longo da história, uma série de indagações
que circundam inclusive a própria compreensão do que é o tempo e de como nos relacionamos com
ele. A busca pelos “motivos de estudar o passado” é, provavelmente, uma das mais populares,
antigas e importantes destas questões. Não à toa, é possível afirmar que a própria história, como
“narração dos fatos correntes”, nasce oferecendo uma resposta a esta busca. A compreensão de
história expressa pelo grego Heródoto (484 a.c. – 425 a.c.) poderia, por si só, responder essa
pergunta. Para ele, era preciso registrar (e consequentemente estudar) o passado para que as
gerações atuais e futuras obtivessem conhecimento das lições e das grandes realizações dos homens,
evitando que o tempo as apague.
Porém, a partir de uma metáfora utilizada por Jörn Rüsen (1938 – ) podemos problematizar a
resposta que seria possível “extrair” de Heródoto. Rüsen, no livro “Razão Histórica”, compara o
passado a uma floresta, que deve ser adentrada pela humanidade em busca de compreender o que é
e o que não é “ainda presente”, entender o que “ainda mexe ou deixa de mexer” conosco. Contudo,
adverte o historiador alemão, é preciso ter em mente que a própria expedição realizada em meio as
árvores do passado é guiada por um impulso do presente – é em função do presente e do futuro que
se realizam buscas no passado. Assim, com esta reflexão, podemos chegar a outra questão
indispensável para o estudo do passado: o fato de que é impossível fazê-lo de forma “neutra”.
Afinal, se podemos afirmar que o estudo é sempre fruto de um ímpeto do tempo presente, por
conseguinte, ele trará consigo elementos de estudos, ideias e convicções políticas do próprio
presente; isto é, qualquer pessoa que se propor a estudar o passado será também fruto de seu tempo
histórico, não podendo portar-se de maneira neutra em relação à investigação e à compreensão do
passado, já que sua própria existência em determinado período não permite que esta seja
“imparcial”.
Sendo assim, devemos observar, na ampla gama de respostas e perguntas realizadas sobre o passado
e seu estudo, em qual momento histórico estão localizadas e quais motivos as instigam, pois destes
marcos derivará a importância do estudo do passado. Agindo dessa forma,uma série de importantes
novas perguntas se gerará, em especial para quem se propõe a entender o passado e seus
desdobramentos como um processo altamente dinâmico. Poderíamos realizar uma série de
perguntas diferentes, que podem gerar respostas diferentes. Afinal, quais aspectos do passado
devem ser estudados? São “as lições e as grandes realizações dos homens” que devem receber
destaque? Se sim, quem definirá que lições e que realizações são estas? Quais devem ser os
métodos e os instrumentos para isso? Estudar o passado garantirá que as gerações atuais e futuras
tenham conhecimento do que realmente aconteceu? Quais são os impulsos, no presente, que
orientam a busca feita no passado? Quais são as intenções de futuro que buscam justificativa ou
embasamento nesta ou naquela “viagem pela floresta”? Essas são apenas algumas perguntas que
deixam nítida a complexidade deste tema, que envolve um sem-fim de discussões e enfrentamentos
políticos e que devem ser enxergadas dentro desta complexidade.