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AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA

AUDITORIA

(Maria Lucia Fattorelli Carneiro)

A luta pela AUDITORIA DA DÍVIDA visa abrir a caixa preta da DÍVIDA e levantar
toda a verdade sobre o processo de endividamento brasileiro. Precisamos saber que
dívida é essa, que tanto afeta a nossa vida e que tem servido de tapete para propostas
ainda mais ofensivas à nossa já aviltada soberania, como a ALCA, que representa sério
risco de aprofundamento e agravamento dos processos de espoliação, dependência,
submissão e a proposta de renegociação de dívida apresentada pelo FMI, que será a
institucionalização do fim da soberania.

Proposta de renegociação

Embalada pela crise argentina, a diretora do FMI – Anne Krueger - se declarou,
em

novembro/2001,

preocupada

com

“as

crises

dos

mercados

financeiros

emergentes”. Por isso, apresentou ao mundo uma proposta que institui mecanismo
formal de reestruturação da dívida soberana dos países, a partir de uma nova
arquitetura financeira internacional, com a argumentação de que “a proposta ajudará
os países a evitar o colapso econômico, estimulará os fluxos de capital privado e
eliminará as operações de socorro multimilionárias do Fundo”.

Seu modelo é a instituição de um tribunal de insolvência, do qual participariam
os credores e devedores, e teria força de lei em sentido universal, ou seja, seria
superior às leis dos países; superior mesmo, à Constituição Federal de cada país! A
proposta do Fundo abarca tanto a dívida externa quanto a interna, e visa “reconstruir a
confiança dos investidores”, restaurando o crescimento dos países ao colocar, em
primeiro lugar, as políticas corretivas de ajuste fiscal (que são inversas as adotadas

pela maior potência mundial e demais países ricos), o fortalecimento do setor
financeiro e regimes mais flexíveis de câmbio.

A partir de 17 de abril último, essa proposta passou a ser comentada
publicamente também por Horst Köhler, diretor do FMI. Ele explicou que “os credores
poderiam decidir por uma maioria qualificada, sobre os termos da reestruturação” e
está defendendo a proposta de Krueger que “indica que os credores privados deveriam
fiscalizar a política econômica dos países devedores, garantindo assim que o
compromisso de pagamento acertado na reestruturação fosse honrado”.

A proposta de renegociação está avançando rapidamente entre os mandatários
do planeta, uma vez que já foi incluída, pelo G7, em seu plano para combater crises
financeiras dos “emergentes”, discutido na reunião de abril de 2002.

Não podemos deixar de temer que isso possa gerar situações absurdas, como
por exemplo, quando tribunais americanos deram ganho de causa a credores que
processaram países por terem alterado cláusulas de renegociação de dívidas e, em
2000, um juiz norte-americano determinou o seqüestro de bens do patrimônio estatal
do Peru (sedes de embaixada e aeronaves) como indenização por títulos vencidos.
Hoje, a Constituição Federal do Brasil impede tais práticas, mas o mecanismo proposto
pelo FMI poderá ter força legal superior, institucionalizando, dessa forma, o fim da
soberania dos países endividados,inclusive o Brasil.

Proposta Alternativa

Em contraponto a esse modelo autoritário e desrespeitoso proposto pelo FMI, que
institucionalizará o fim da soberania dos países endividados, representantes da
Campanha Jubileu de diversos países reuniram-se em Guayaquil, no Equador, nos dias
9 a 12 de março, a fim de discutir uma proposta alternativa a esse mecanismo

Ilhas Maurício. As negociações das dívidas têm sido. impõe as regras e não assume qualquer culpa ou responsabilidade pelos danos que tem causado. é preciso discutir a criação de um Código Financeiro Internacional. Áustria. Austrália. Por isso. é parte do time mais forte. Argentina. mas vários países estão igualmente arrebentados. Filipinas. Inglaterra. . que regulamente as relações e dê maior equilíbrio e justiça às negociações internacionais. os países devem iniciar um processo de monitoramento. discutindo estas propostas de renegociação e tentando avançar na construção de uma alternativa. audiências públicas e auditorias da dívida. historicamente. FMI. Os exemplos mais recentes são Argentina e Uruguai. Nigéria. Espanha e Canadá – discutiram a alternativa de realização de um processo de arbitragem justo e transparente. A proposta se fundamenta na defesa dos direitos humanos e dos direitos fundamentais dos povos. que têm sido violentamente desrespeitados pelos governos que circunscrevem suas ações aos interesses de pequenos grupos. A proposta de Guayaquil busca uma reorganização da forma de negociação e prevê o estabelecimento de um tribunal de dívida independente. Honduras. em conjunto com outros companheiros da América Latina: Beverly Keene (Argentina). Os dezoito países representados em Guayaquil – Equador. Colômbia. Peru. não fixo. para que se tenha pleno conhecimento da natureza do endividamento – qual parte é legítima e qual é ilegítima. desequilibradas. Para se chegar a esse mecanismo. Ghana. Alberto Acosta (Equador) e Oscar Ugarteche (Peru) estarão prestigiando-nos com sua presença nessa discussão que ocorre em momento estratégico. Mali. Alemanha. Bolívia. O juiz.unilateral profundamente parcializado com o qual são tratados os países em desenvolvimento. No próximo dia 30 de agosto estaremos reunidos novamente em Belo Horizonte. Brasil.

444 cidades brasileiras. quando foram coletados 6. em abril de 2001. uma “Auditoria Cidadã da Dívida”. iniciamos. A pergunta era: “O Brasil deve continuar pagando a Dívida Externa sem realizar uma Auditoria Pública dessa dívida. Respaldados no voto desses cidadãos que querem ver cumprida nossa Constituição Federal. como prevê a Constituição Federal de 1988?”. Mais de 95% dos cidadãos que participaram do Plebiscito responderam que NÃO.329 votos em 3. que consiste no resgate de documentos. Como chegaremos a esse ponto? Como conseguiremos essa clareza? Acredito que somente através de uma auditoria profunda e abrangente. diz respeito a dívida brasileira. graças ao trabalho intenso de voluntários. chegaremos à verdade. A nós. levantamento de .030. Luta pela Auditoria da Dívida A Auditoria da Dívida Externa está prevista na Constituição Federal promulgada no ano de 1988. realização de estudos. Esse dispositivo inspirou uma das perguntas do grande Plebiscito que a Campanha Jubileu Sul promoveu no ano 2000. da qual consta dispositivo que determina a realização de “exame analítico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento externo brasileiro" (Artigo 26 das Disposições Transitórias).A essência dessa proposta alternativa é a transparência do endividamento de cada país.

7 bilhões de dólares no montante de nossa dívida externa pode. para comprovar que é preciso realizar uma auditoria séria nessa dívida. O agradável e surpreendente anúncio de redução de 32. de US$30 bilhões. - A outra metade. se reveste da forma de investimento direto. pressionar a realização da auditoria oficial. se referia a dívidas que já haviam sido pagas. depois de muito bem remunerado como empréstimo. garante altos lucros e vai embora quando quer. estar ocultando outro meio de propiciar mais garantias e crescentes ganhos ao capital internacional que. que tanto tem sacrificado a sociedade brasileira. no mínimo.7 bilhões de dólares!!! Esse fato serviu. pasmem.7 bilhões de dólares A luta pela auditoria da dívida ganhou impulso a partir de setembro de 2001. decorrente de reclassificação de empréstimos como investimento direto. Os argumentos apresentados pelo BC foram os seguintes: - A metade do “erro” seria.dados. quando o próprio Banco Central anunciou um “erro” em nossa Dívida Externa no montante de 32. sem que o Banco Central soubesse!!! Essa demonstração de total falta de controle é seríssima e reforça a necessidade de uma auditoria séria e profunda. Precisamos exigir mais transparência. na iminência de algum risco. Esse “erro” tem valor superior ao festejado acordo da semana passada com o FMI. prevista em nossa Constituição. especialmente. “Erro” de 32. mas visa. . na verdade.

irá exercer controle sobre as contas CC-5. Segundo artigo de Walter Molano publicado na Folha de SP de 11/08/2002. 25% superiores ao valor destinado às linhas de crédito para exportações pelo BID. só para honrar compromissos com o próprio FMI em 2003. Por que só no último mês do governo FHC?.. o FMI ofereceu apenas 6 bilhões em dinheiro novo.. no mês de julho/2002...25 bilhões. esses recentes empréstimos significam um acréscimo à dívida externa correspondente a 37 BILHÕES DE DÓLARES. condicionados à aprovação da operação pela diretoria do BID.85 bilhões de dólares.Momento atual: Empréstimo FMI – US$ 30 bilhões (SOCORRO) Empréstimo BID – US$ 1 bi (criar novas linhas de crédito para as exportações) Empréstimo BM – US$ 2 bi + 4bi (SOCORRO) Na reta final do governo FHC.. o que irá permitir a identificação do responsável. a Receita Federal anuncia que. E qual a destinação desses recursos? Apenas 1 bi – uma migalha. Por outro lado.. serão gastos 10.12. se comparado ao volume total de recursos – serão destinados a créditos às exportações. O resto do pacote foi simplesmente uma .. mediante a exigência de CPF. Só a saída de recursos através das famigeradas CC-5. a partir de 01.. uma a uma. foi de US$1. somente agora. que será desembolsado ainda em 2002 e permitirá que FHC chegue ao final de seu mandato sem sofrer o embaraço de uma moratória ou de um colapso econômico. Cumpre ressaltar que.2002.

A proposta é vencedora para: - o Tesouro dos EUA. porque minimiza o uso do dinheiro dos “encanadores e carpinteiros” que vai parar na Suíça. facilitando cada vez mais as atividades especulativas. ainda entregou nosso patrimônio público – lá se foram nossas estatais estratégicas e lucrativas – e vem desmontando o Estado (cortando verbas orçamentárias. que chega ao final de seu governo sem grandes embaraços. mas não falam da manipulação embutida nas taxas de câmbio flutuantes. .autorização para que a equipe econômica que está saindo do poder esgote a maior parte dos ativos líquidos brasileiros. É evidente que o socorro prestado pelo FMI ao país é apenas para garantir seus próprios interesses e dos demais credores. Como ainda podem argumentar que a política de FHC foi ideal? Ideal para quem? Para o povo brasileiro é que não! É como pegar dinheiro com agiota.. No caso do FMI. podem até alegar que as taxas de juros não são tão elevadas assim. servindo apenas para comprometer o próximo presidente a esse modelo de política econômica dependente e subserviente que. - FHC. além de deixar uma herança maligna. Esse dinheiro nem virá para o Brasil. - Bancos de investimentos porque permite que liquidem suas posições de curto prazo e realizem “hedge” para as demais. representada pela dívida financeira monstruosa e pelo agravamento da dívida social. - o Departamento de Comércio porque permite o avanço das negociações da ALCA.. - o Departamento de Estado que causou a impressão de que os Estados Unidos estão dispostos a apoiar seus aliados latino-americanos. inclusive das Forças Armadas) e desregulamentando todos os controles sobre o mercado. não significará melhoria nas condições de vida da população ou da própria economia nacional.

que chegaremos ao final da era FHC “zerados” e vulneráveis como nunca. sem terra - Analfabetismo (absoluto + funcional ) alcançando 1/3 da população adulta. arrocho . de US$ 260 bilhões) - Parte significativa da dívida interna (mais de 1/3) atrelada ao câmbio - Reserva próxima de zero - Dólar em alta - Retorno da inflação - Pobreza – 53 milhões de brasileiros - Desemprego – 12 milhões de trabalhadores - Famintos – 28 milhões (Jean Ziegler . do enxugamento generalizado dos gastos públicos. CAMBIAL E SOCIAL: - Dívida monstruosa (Interna. apesar da entrega do nosso patrimônio.ONU) - Sem teto. os latifúndios e as grandes fortunas.A “generosa” concessão. Durante os 8 anos de FHC. MONETÁRIA. na verdade. É o cúmulo da IRRESPONSABILIDADE FISCAL. maior do mundo. apenas três países da paupérrima África subsaariana ostentam índice de Gini mais vergonhoso que o nosso) - A concentração de renda é ainda mais agravada por uma política econômica injusta e um sistema tributário que onera principalmente o trabalho e que não tributa o capital. - Concentração de renda (é a 4a. inserida no recente acordo para que o Brasil possa reduzir suas reservas até o limite de 5 bilhões de dólares significa. perto de R$ 800 bilhões e Externa. a dívida externa cresceu absurdamente. o que obrigará o próximo presidente a se ajoelhar diante do Fundo ou iniciar o governo como inadimplente.

por que não. combinados com uma política de juros estratosféricos. políticas econômicas suicidas. Queriam saber o que pensávamos sobre o acordo de 1998. SUPERIOR À DOS ESTADOS UNIDOS. Enfim. O pior é que esse modelo gera um círculo vicioso. superpotência hegemônica. os Estados Unidos. que jamais implantariam em território americano. No dia 05 de agosto último. com enorme sacrifício da sociedade – cerca de R$ 200 bilhões anuais em média – está indo diretamente para o bolso da banca financeira nacional e internacional. o modelo se exauriu. tiveram uma reunião com 2 representantes do instituto de pesquisa do FMI.salarial dos servidores públicos e agravamento do quadro social. impõe a países praticamente falidos. Eles nos disseram que já haviam falado com órgãos oficiais. Brasil(?). E SUPERIOR À DE MUITOS PAÍSES EUROPEUS. temos batido sucessivos recordes de arrecadação. Por outro lado. em Recife. Portanto. A MAIOR DENTRE TODOS OS PAÍSES AMÉRICA LATINA. Os ajustes impostos pelo FMI se traduzem em políticas econômicas perversas e recessivas: obrigam o enxugamento cada vez mais cruel dos gastos orçamentários. Dinheiro que é subtraído das empresas e famílias. condenando o País ao atraso e a miséria. ONDE FOI PARAR TANTO DINHEIRO??? Só uma auditoria séria e profunda apurará. empresários e instituições financeiras e que seria um erro não falar com os movimentos sociais. pois a metade de todos os tributos e contribuições arrecadados anualmente pela Receita Federal nesses últimos quatro anos. mas ao invés de comemorarmos esses recordes deveríamos ter vergonha. que deixa de gerar crescimento econômico. empregos e riqueza e que acaba nas mãos de especuladores. pois . vários representantes de entidades que participaram do seminário “Estratégias Alternativas de Financiamento para o Desenvolvimento do Brasil”. Tudo para garantir a produção de um superávit primário em níveis cada vez mais elevados. como a Argentina. Moçambique e. mas que são consideradas pelo FMI e o Banco Mundial como essenciais para a rolagem das dívidas desses países. Shinji Takagi e Kevin Barnes. Salta aos olhos que é absolutamente impossível para a sociedade brasileira resistir a um aumento de carga tributária conjugado com mais cortes em gastos sociais. porque países muito mais ricos que o Brasil não suportariam enxugamento de gastos nessa ordem e nem taxas de juros tão elevadas. A carga tributária na era FHC subiu de 27 para 35% do PIB. Digo cruel. levando a um agravamento do quadro social.

os recursos só são liberados se atingidas as referidas metas. às nossas custas. das mesmas medidas? É evidente que estão querendo se isentar da responsabilidade nas conseqüências desastrosas que assolaram todos os países que as aplicaram. como todos sabemos. O caso mais emblemático é o da nossa vizinha Argentina. Sugerimos que. Falamos também do estrago causado à nossa economia pelo fato do FMI classificar investimento como despesa para fins de cálculo do superavit primário. são previamente negociadas.. o país se viu em grandes dificuldades. monitoradas a cada 3 meses pelos técnicos que aqui vêem nos inspecionar.. nem os Estados Unidos nem o FMI ditaram ou impuseram coisa alguma. bastavam prestar atenção ao que acontece com TODOS os países que se submetem a acordos semelhantes. quando de repente deu tudo errado. Na visão dos precitados representantes. Quanta ironia! Se não foi o FMI que impôs as medidas de ajuste estrutural. que trouxe enormes prejuízos à nossa economia e à sociedade. o que demonstra que nos receitam um remédio que jamais tomariam.estavam preocupados com críticas que estavam recebendo. Ouviram bastante. Falamos da imposição de políticas de ajuste inversas às adotadas nos países que comandam o FMI. .. atrelados a políticas de ajuste estrutural: as conseqüências são sempre danosas para a macroeconomia. levandonos ao apagão. Da mesma forma. critério que impediu fossem feitos os investimentos necessários no setor de energia elétrica. que seguiu criteriosamente o receituário do FMI e durante alguns anos recebeu elogios. provenientes de grupos da Europa e Japão. O FMI não estava aqui.. o FMI e o governo americano viraram-lhe as costas. A reação foi à altura. sendo que cada item é acertado de acordo com as exigências do Fundo e a mesma não é assinada até que tudo esteja devidamente acertado. Todas as intenções foram redigidas na Carta de 98 pelo governo brasileiro e adotadas pelo mesmo.. por todos os países que a ele recorreram. como explicar a adoção... se queriam saber o que pensamos do acordo de 98 e seus reflexos.. Mencionamos as metas e exigências estabelecidas na referida carta de 1998 que.

há poucos dias. que garantam o crescimento econômico e o PLENO emprego? - Se acreditam que o FMI tem sido “bom” para os países que “ajuda”. serviria de instrumento de identificação dos verdadeiros donos do dinheiro sujo. os brasileiros de “ corruptos que enviam seus dinheiros para paraísos fiscais”. pois o FMI não é fiel aos objetivos para os quais foi criado. não se referindo uma vez sequer aos direitos e interesses dos povos. que evidenciariam se ajudaram ou lucraram com as “ajudas” prestadas. além de render recursos que poderiam ser destinados ao combate à miséria. mas visa APENAS a garantia dos credores. Concluímos dizendo que as políticas ditadas pelo FMI têm gerado crescente miséria e desigualdade social no mundo inteiro. que avaliar somente o acordo de 1998 era insuficiente e que é urgente a inversão das prioridades: a garantia da dignidade de países e povos deveria vir em primeiro lugar. Poderia ajudar a comprovar se o secretário do Tesouro Americano tinha razão quando acusou. A proposta de renegociação apresentada por Anne Krueger é prova disso: só se preocupa com a garantia e com os interesses dos investidores. .Acusamos o modelo de atuação do Fundo de estar provocando miséria e morte. mas como um instrumento à serviço da pessoa humana. precisamos verificar os números. Não se preocupa com os povos dos países endividados. que não se pode pensar na economia como um fim em si. por que não providenciam uma boa prestação de contas. o pagamento das dívidas financeiras é secundário. Não cuida da “saúde” econômica de seus membros. Precisamos defender o país e reorientar a economia para atendermos às necessidades da maioria. - Por que o FMI não exige a implementação de medidas saudáveis. semelhantes às aplicadas pelos países que comandam o Fundo (taxas de juros reduzidas. discriminando claramente quanto colocaram em cada país e quanto retiraram? Não adianta ficarmos discutindo. Apelamos para a questão moral e ética da sua atuação. proteção comercial e fortalecimento do Estado). Questionamos: - Por que o FMI não apóia a instituição de uma taxa sobre as transações financeiras internacionais (Taxa Tobin)? Essa taxa. Um dos representantes do Fundo nos disse que já existem programas que cuidam das questões sociais e só queriam ouvir comentários sobre o acordo de 1998.

Após compartilhar esse momento que tivemos junto aos representantes do Instituto de pesquisa do FMI. dizendo que tudo que estávamos tratando se referia ao acordo de 1998. dentre os quais gostaria de destacar os do Comitê de Bruxelas que aborda recursos jurídicos previstos no Direito Internacional. que podem ser invocados como justificativa ao não-pagamento de dívidas.. nos casos em que estas comprometem a VIDA. pergunto: o que fazer diante de tamanha injustiça? Recursos jurídicos A imensa injustiça que tem permitido que o fluxo de capital dos países pobres para os ricos tenha aumentado nas últimas décadas.Reagimos. tem suscitado estudos interessantes. . Dívida Odiosa: Eric Toussaint defende que “As dívidas dos Estados contraídas contra os interesses das populações locais são juridicamente ilegítimas”. Foi evidente a tentativa de convencer-nos de sua visão. em função dos processos de endividamento a que esses povos foram submetidos (transfusão de sangue às avessas). Que era preciso conectar os estragos sociais às medidas econômicas adotadas por imposição do Fundo. de que não têm qualquer responsabilidade.. como a “Dívida Odiosa” e a “Força Maior”.

que a crise da dívida externa do . endossado pelo FMI. pois não haviam servido aos interesses do país. Cuba não teve voz no capítulo”. mas sim. da qual participava o juiz Taft. de autoria do Senador Fernando Henrique Cardoso. A comissão de negociação dos Estados Unidos recusou essa dívida. qualificando-a de “peso imposto ao povo cubano sem acordo”. e esta lhes pediu que assumisse a dívida cubana com a Coroa Espanhola. as economias dos seus membros. (Fonte: A Bolsa ou a Vida. no Senado Federal. da Costa Rica. A comissão argumentou que “a dívida foi criada pelo governo da Espanha para atender a seus próprios interesses e por seus próprios agentes. e. comprova que boa parte da dívida brasileira atendeu a outros interesses que não o do povo brasileiro: “O possível confronto entre os países produtores-exportadores e os países consumidores de petróleo foi evitado pelo endividamento dos países em processo foi concediam os desenvolvimento. declarou que os empréstimos concedidos por um banco britânico estabelecido no Canadá ao presidente Tinoco. Torna-se evidente. eram nulos. cujo objetivo era analisar a moratória decretada por Funaro. ao interesse pessoal de um governo não democrático. uma corte de arbitragem internacional. Acrescentou que “os credores aceitaram o risco de seus investimentos”. Mais tarde. depois de uma guerra contra a Espanha. países pelos em bancos desenvolvimento internacionais. na década de 1920. encorajado pelos governos dos países credores. desta perspectiva. que acompanhava a avaliava. anualmente. O relatório. presidente da Corte Suprema dos Estados Unidos. através da reciclagem dos petrodólares”.(página 6) “O engajamento possibilitado. de Eric Toussaint) O grupo de estudos da “Auditoria Cidadã” resgatou Relatório da Comissão formada em 1987. conforme estabelecia o direito internacional. nesse que empréstimos.Essa noção vem do fim do século XIX quando os Estados Unidos tomaram o controle de Cuba. dos obviamente. que deram apoio político à estratégia de crescimento econômico com financiamento externo.

apenas para se constituir reservas. As políticas de ajuste impostas pelo FMI aliadas ao controle internacional dos preços dos produtos primários exportados por esses países os levaram a um empobrecimento alarmante e à degradação social. O endividamento brutal. em cumplicidade com os bancos e organismos internacionais. que contrariam os interesses da sociedade. Os ditadores Bokasa e Idi Amin também são tristes exemplos. que seguiram à risca os ditames do FMI durante anos. o câmbio fixo e a abertura econômica indiscriminada foram medidas adotadas para satisfazer outros interesses que não . levou o país ao caos econômico e social. Menem e Cavallo. sucedidos por Alfonsín. Na Argentina. o processo de endividamento financiou o armamento de países. trata-se de dívida infame. A proliferação de doenças está colocando a população em risco: primeiro foi Ebola e depois a AIDS. Há vários outros exemplos de dívida constituída por elites locais.Terceiro Mundo envolve a co-responsabilidade dos devedores e dos credores. que foram utilizados contra a própria população (em Ruanda houve o genocídio das etnias tutsi e hutu). A miséria é TOTAL e a dívida ainda sangra os parcos recursos desses países.” (página 6) É evidente que os interesses em jogo nesse período do endividamento brasileiro não eram os do nosso povo. portanto. odiosa. a subserviência e cumplicidade de ditadores. segundo o próprio Direito Internacional. merecendo destaque fatos ocorridos no continente africano e na Argentina: Em vários países da África Subsaariana. a privatização em massa.

os do povo argentino. Bank of America. enfrentando desemprego. e serviu aos interesses das instituições financeiras e elites corruptas que transferiram suas riquezas para o exterior. A regra denominada pela locução latina “rebus sic stantibus”. provou-se que o endividamento foi ponto de apoio fundamental à ditadura que prendeu. Chase Manhattan Bank. decidir se deve ou não pagar suas dívidas. Na transição do regime. apenas enquanto subsistem as mesmas condições . quando foi firmado um contrato pode justificar o seu não cumprimento. Nesse julgamento. A caracterização da dívida Argentina como ODIOSA ficou evidente no julgamento ocorrido em 2000 do processo iniciado pelo jornalista Olmos Alejandro no ano de 1982. estabelecidas no pacto. estabelece que as cláusulas contratuais são válidas. legitimamente. especialmente para paraísos fiscais. que significa precisamente “o mesmo estado de coisas”. First National Bank of Boston. princípio do direito internacional que reconhece que uma mudança nas condições econômicas vigentes. que justifica anulação de pacto feito sob boa fé. Deutsche Bank. Força Maior: O Direito Internacional prevê situações nas quais um Estado pode. ilegal e infame. É a repudiada “Cláusula Contratual Incerta”. Um dos exemplos é o argumento da “FORÇA MAIOR”. de acordo com suas necessidades e capacidades. destacando-se as dívidas dos próprios agentes financeiros que figuravam também como credores: City Bank. que agora amarga as conseqüências. Como diz Eric Toussaint: “Sem comentários”. dívidas privadas foram tornadas públicas.. fome e com mais da metade da população vivendo na miséria. o Estado foi se enfraquecendo e a população empobrecendo-se. torturou e matou arbitrariamente milhares de cidadãos.. Esta é a dívida odiosa. Enquanto isso. ainda no tempo ditatorial.

e as condições são de total imprevisibilidade. realizada unilateralmente pelos Estados Unidos no início da década de 80. relacionados às fraudes de balanços nos EUA? A insegurança nos termos das negociações financeiras internacionais é enorme. o Uruguai teve uma diminuição de 40% nas suas exportações no primeiro trimestre do ano. uma em cada 4 famílias tem pelo menos um membro que abandonou o país. obrigando o país a recorrer aos empréstimos do FMI.5% em 2000.O argumento da “Força Maior” pode ser invocado quando um país se encontra na impossibilidade de respeitar uma obrigação internacional. ferindo as normas do direito internacional. que permitiram a brutal elevação das taxas de juros. O desemprego. Com que autoridade estas agências definem nosso nível de risco. fazendo com que o país. alterando-se completamente as condições pactuadas. que não provocou. a mesma crise econômica experimentada pelo Brasil e pela Argentina se manifestou também no Uruguai. o governo uruguaio adotou o “corralito”. que.5% em sua economia. Hoje.4% em 2001. Esse fato levou os países que se encontravam altamente endividados a crises econômicas e à moratória. . contidas nos contratos externos. já que elas estão sendo fortemente questionadas e até mesmo processadas por seus recentes atos ilícitos. exatamente pelo fato de estar submetido a um constrangimento exterior. no Uruguai. Isso aprofundou a recessão uruguaia (que já dura 4 anos). que já estava em 13. Uruguai Recentemente. Com a queda na atividade econômica dos 2 primeiros países. aumentou para 15.6% em 2000. tal como na Argentina. que já teve seu PIB decrescido em 1. que precisamos resgatar. O maior exemplo disso foram as taxas de juros flutuantes. A redução das exportações também diminuiu o nível das reservas cambiais uruguaias. experimentasse em 2001 uma diminuição de 2. bloqueou os depósitos bancários da população e desencadeou uma onda de protestos populares e de saques a supermercados. Para evitar a fuga de capitais. Atualmente. as taxas de câmbio flutuantes e a manipulação do “risco-país” por agências internacionais exercem o mesmo papel manipulador das antigas taxas de juros flutuantes.

A China. seus títulos estão muito bem cotados e o risco-país está baixíssimo. desemprego.. Rússia A Rússia não acatou as imposições de ajuste estrutural do FMI. Malásia e Vietnã. pelo direito dos países de declararem uma moratória do pagamento de suas dívidas externas: “O país atacado poderia então decidir por uma moratória do serviço de sua dívida. por exemplo. o que tem garantido melhoria das condições de vida da população.. Posição da ONU: Fundamentos Jurídicos Contra Ataques Especulativos Às Moedas Nacionais Dos Países Endividados A UNCTAD se pronunciou. também alcança níveis de crescimento econômico de 8 a 10% ao ano. a abertura comercial e financeira apenas trouxeram a recessão. demonstra o fracasso do receituário neoliberal: as privatizações. que agora estão completamente submissos aos ditames do Fundo. fome. Seus índices de crescimento econômico são da ordem de 8% ao ano. a fim de dissuadir aos predadores e dispor de um balão de oxigênio que lhe permita implementar um . em setembro de 1998. É interessante ressaltar que a adoção dessas medidas não a isolou do comércio internacional nem do mercado de títulos. Outros exemplos de países que se deram muito bem ao desafiarem o receituário imposto pelo FMI foram China.Essa ocorrência de crises econômicas semelhantes em todos os países que adotaram políticas recomendadas pelo FMI. apesar da moratória. ao contrário. miséria e o aumento das dívidas externas dos países. decretou moratória de sua dívida e conseguiu superar uma de suas piores crises.

.plano de reestruturação de sua dívida. A decisão de impor uma moratória poderia ser tomada unilateralmente pelo país sujeito a um ataque contra sua moeda.... .” Os ataques que sofremos atualmente se revestem de manipulações cambiais e “risco-país”. O artigo VIII dos Estatutos do FMI poderia fornecer a base jurídica necessária à declaração de uma moratória do serviço da dívida...

Entendemos que. abatendo o valor da dívida ou até sendo devolvidas. há que se questionar o poder dessas agências internacionais de risco. Mesmo depois de sofrer violento ataque terrorista e após repetidos anúncios de fraudes contábeis nos balanços das maiores corporações norte-americanas. VERDADEIROS ESCÂNDALOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS. se comparada à nossa condição de excelente pagador.Risco-país Um dos trabalhos que o grupo de estudos da “Auditoria Cidadã” está se dedicando é o cálculo do ônus representado pelas taxas de risco impostas ao Brasil ao longo dos anos. Por outro lado. nossa maior vulnerabilidade está exatamente nas elevadíssimas taxas de juros. como declarou nosso presidente viajante. bem como as regras para tais “cálculos”. conforme o gráfico abaixo. foi INDEVIDO e essas parcelas devem ser consideradas como pagamento antecipado do principal. ao longo das últimas décadas. quando se encontrava na Rússia. . que causaram enormes prejuízos. Na verdade. que tanto tem nos prejudicado. impostas pelo “mercado”. A maior potência econômica do mundo é também o país mais endividado e seu risco é considerado ZERO. se o risco atribuído pelas “agências internacionais” não se efetivou. A posição em que classificam o Brasil é ridícula. o risco-USA continua zero! Há muita inconsistência nesse parâmetro do risco-país. o que pagamos a título de risco. e que temos sido os melhores e mais generosos remuneradores de capital do planeta.

constituem uma clara e inescrupulosa tentativa de interferência no processo de escolha democrática. Recentemente. houve uma articulação entre 14 países da América Latina. que exige que cada país se apresente sozinho. contrárias às políticas que prega através do FMI. o que hoje é proibido pelo FMI. mas inversa à aplicada pela maior potência mundial. aumento dos gastos públicos e investimentos internos). quando foi apurado que apenas 40% dos contratos encontravam-se documentados. só votavam os romanos. . os jornais publicaram falas do megaespeculador George Soros. gostaria de mencionar alguns dos trabalhos desenvolvidos pelo grupo de estudos da “Auditoria Cidadã”. os brasileiros não votam”. cuja economia. não havia contabilidade regular e nem controle das remessas ao Exterior. Trabalhos da Auditoria Cidadã Para concluir. quando em recessão. depreciando ainda mais os títulos brasileiros.Essa política de vultosas taxas de juros é uma política suicida. Precisamos reconstruir essa articulação. imposta pelo FMI. além dos já mencionados sobre o risco-país. inaceitável sob todos os aspectos. realização de estudos sobre o “erro” anunciado pelo Bacen e sobre a proposta de renegociação das dívidas: - Resgate de documentos: Auditoria de 1931 por Osvaldo Aranha. que explicitou esta grave ofensa à soberania política da nação brasileira: “Na Roma antiga. No capitalismo global moderno só votam os americanos. diante do crescimento de candidato da esquerda em pesquisas eleitorais. cresce em cima de políticas que o governo adota (redução de juros. Os últimos movimentos das agências internacionais de risco. Naquela época.

em todos os documentos históricos do Brasil. a grosseria dos credores. ..arrocho salarial direto dos trabalhadores no setor público e indireto de toda força de trabalho. porque renúncia de soberania talvez nós tenhamos tido renúncias iguais. no contexto da negociação.não passa de uma encenação da inequívoca demonstração da falta de governo no País.. aliás. aqui está o ponto mais espantoso dos Acordos. sobre ferir os brios nacionais. Este fato. Este me parece um dos fatos mais graves. para mim histórico. ou a pusilanimidade dos negociadores brasileiros.. sem brios poupados. faz deste documento talvez o mais triste da História política do País. etc ... mas uma renúncia declarada à soberania do País é a primeira vez que consta de uma documento. de o Brasil renunciar explicitamente a alegar a sua soberania. inerme e inerte.” (Senador Severo Gomes) - Análise do Orçamento JANEIRO A JUNHO DE 2002 . acomodação aos interesses dos grandes bancos internacionais. De notar. Esta cláusula retrata um Brasil de joelhos. submissão da política econômica às regras e monitoramento do FMI. imolado à irresponsabilidade dos que negociaram em seu nome e à cupidez de seus credores.. nada que se parecesse com esse documento. admitindo uma cláusula que. de que somos contemporâneos. Nunca encontrei .” (página 159) Relatório Comissão de 1989 (Severo Gomes e Luiz Salomão) “Sem qualquer sombra de dúvida. é fundamentalmente inútil.Relatório FHC em 1987 A conclusão de FHC foi categórica: “A situação que ora vivemos .

48 .584.78 Agricultura 8.561.279 36.GOVERNO FEDERAL RELATÓRIO RESUMIDO DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DEMONSTRATIVO DA EXECUÇÃO DAS DESPESAS POR FUNÇÃO/SUBFUNÇÃO ORÇAMENTOS FISCAL E DA SEGURIDADE SOCIAL Orçamento Previsto (R$ mil) (itens selecionados) (Dotação Anual) Realizado (R$ mil) Liquidado até Junho (%) (Valores Liquidados) Segurança Pública 2.158 47.295 224.974 5.023 298.952 42.885.832 19.013.736 1.008.88 Assistência Social 6.687 18.05 Ciência e Tecnologia 2.67 Educação 14.25 Cultura 358.536 519.099 0 0 Saneamento 248.239 18.576.75 Urbanismo 795.710.14 Sub-total 65.727.12 Habitação 226.164.47 Serviço da Dívida Interna 83.811 10.021 25.810 2.42 Saúde 25.681 67.520 21.936 38.684.430.212.571 32.209 8.329 39.984 0 0 Gestão Ambiental 2.246.063.035 616.19 Organização Agrária 1.536 951 0.465 29.786.327.

4.stn. bem como o montante destinado a cada caso. Junho de 2002. desde o ano de 1946 – Planilha contendo 815 resoluções.gov.br - Resoluções do Senado Federal Resoluções que aprovaram empréstimos de endividamento junto ao exterior.73 111.125 47. Se foram atingidos os objetivos dos referidos projetos/ Em que fase os mesmos se encontram.647. pág 10. Solicitamos a disponibilização de cópia do contrato de empréstimo externo. informando nomes dos beneficiários.81 Fonte: Relatório resumido da execução orçamentária do Governo Federal e outros demonstrativos.fazenda. 3. 2. Detalhamento completo sobre os projetos nos quais foram empregados os recursos. de forma a tornar transparente e clara a aplicação dos recursos externos que motivaram o empréstimo.Total 27.Serviço da Dívida Externa Serviço da Dívida .796 7. Oficiamos também as companhias de energia elétrica e o que perguntávamos nesses ofícios era: 1. Disponível no site: www. Expedimos 59 ofícios para governadores e presidentes dos Tribunais de Contas dos Estados envolvidos com os empréstimos selecionados. Se o empréstimo mencionado na resolução do Senado se efetivou. Selecionamos os temas POBREZA/MISÉRIA e ENERGIA ELÉTRICA.962.105 42. .720.947 28.297.

Os demais ofícios encaminhados não mereceram resposta. O Tribunal de Contas de Roraima nos informou que é o Tribunal de Contas da União o órgão competente para controle e acompanhamento das contratações de operações de crédito. III. nos informou que “a operação de crédito está resguardada pelo sigilo bancário. uma vez que é a República Federativa do Brasil que exerce o papel de garantidor/avalista nos referidos contratos. A Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE – informou que “as operações financeiras mencionadas nas Resoluções do Senado Federal não foram efetivadas por esta Companhia”. O Presidente do Tribunal de Contas do Mato Grosso do Sul nos informou que “nada foi encontrado naquele Tribunal do Contas que tratasse do assunto em questão”. O Presidente do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul. IV. Sr. até o momento.Recebemos 16 respostas: I. as respostas recebidas constituem uma boa amostra da necessidade de se auditar essa dívida.595/64” II. V. Hélio Saul Mileski. na forma da Lei 4. O Presidente do Tribunal de Contas de Pernambuco informou que “esta Corte de Contas não dispõe das informações solicitadas naquele expediente”. Na nossa avaliação. .

Não tem correspondência com a melhoria das condições de vida da população ou com os investimentos feitos no país. Conclusão A nossa dívida é absurda.506 9.439 9. eventos diversos.- Processo de conscientização: Elaboração de materiais didáticos (cartilhas e panfletos) e palestras em escolas.826 .832 17.087 1989 115. Se compararmos o que já foi pago. espoliação e mutilação constante. Evolução da Dívida Externa – Valores em US$ bilhões ANO DÍVIDA EXTERNA TOTAL PAGAMENTOS EFETUADOS Juros Amortizações 1988 113. entidades. ilegítima e ilegal.633 14. não compreendemos como ainda devemos tanto. Foi montada como uma forma de dominação. por isso defendemos uma auditoria completa desse processo que tem levado o país ao mais dramático quadro de injustiças sociais.549 1990 123.748 8.511 9.

948 33.701 1998 243.737 SOMA Fonte: Conjuntura Econômica.056 15. fev e jun 2000 (pág XXVI e XXVII) e Banco Central A FOME.978 1994 148. Nada mudará se continuar prevalecendo a ganância e a corrupção.572 1993 145.391 28. O progresso tecnológico alcançado pela humanidade não está sendo competente o bastante para resolver o problema da fome e da miséria do mundo: 19 mil crianças morrem. Não se pode falar em ÉTICA enquanto seres humanos são excluídos da possibilidade de vida digna.210 256.256 8.726 8. que atinge 1/3 da população brasileira.621 7.163 11. no mundo.1991 123. .949 7.280 9. por dia. devido ao custo financeiro da dívida.411 1995 159.905 115.827 1992 135.253 8. é sintoma de falta de ÉTICA.998 10.271 1997 199.295 6.935 9.158 11.840 14.338 50.910 8.168 51.023 1996 179.587 1999 241.

Convoco todos aqueles que amam este País a abraçarem essa luta pela auditoria. da TRANSPARÊNCIA do acesso à VERDADE.. de forma que todos usufruam das riquezas e tenham vida digna. naturais e econômicas são incompatíveis com esse quadro de degradação social que estamos assistindo. Nossas riquezas humanas... ao SOCIAL. .. No Brasil. em favor do povo brasileiro.Postura ÉTICA é a da AUDITORIA. Isso decorre da falta de ÉTICA desse modelo perverso que se baseia na competição e no lucro e só busca a satisfação do mercado e não das necessidades humanas. O que está em jogo é a nossa verdadeira independência. os recursos sangrados pela dívida estão fazendo muita falta no combate à miséria e à violência assustadora. Somos um país potencialmente rico – em todos os sentidos. até hoje não conquistada. Abrir essa caixa preta será um ato de respeito para com os que estão morrendo ou se encontram condenados à marginalidade social em função dessa dívida. nada. culturais. reforma agrária. geração de empregos. os direitos humanos têm sido historicamente desrespeitados. estão atingindo a dignidade do nosso povo. Além dessa grave ofensa à nossa soberania. Precisamos trabalhar para que esse potencial se concretize. segurança. Ao CAPITAL tudo. estão impedindo os investimentos necessários em saúde. pois somos prisioneiros e reféns dessa dívida que nos massacra. Precisamos romper com esse processo continuado de espoliação URGENTEMENTE. educação.

fico com as palavras do mestre Albert Jacquard: A tarefa mais urgente não é a de submeter os despossuídos ao apetite dos abastados. dos movimentos sociais que lutam na base da sociedade.. Depois.. em substituição à “lógica da morte” que domina a ação do capital. freqüentemente ao preço de duras lutas. a de estender estas garantias a todos os habitantes da Terra.Precisamos colocar a satisfação das necessidades sociais no posto de comando. como fazem atualmente o Banco Mundial e o FMI. 1996 . Acredito que essa tarefa é nossa. por alguns. E quem pode colocar em prática as medidas necessárias para atingir os objetivos prioritários da humanidade? As instituições financeiras? Os organismos multilaterais? O G7? As multinacionais? Será que são confiáveis?. Albert Jacquard. Para concluir. mas a de preservar de modo duradouro as garantias sociais ou ecológicas obtidas.