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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFAFIBE

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO DO TRABALHO
ART.8°, I E II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

MICHEL DA COSTA

BEBEDOURO - SP
2016

como requisito para obtenção de nota na matéria de Direito do Trabalho II. Dr. I E II. do curso de Direito. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 Trabalho apresentado ao Centro Universitário Unifafibe. Orientador: Prof.8°. Daniel Guedes Pinto Data de entrega: 03/06/2016 BEBEDOURO .SP 2016 .1 MICHEL DA COSTA PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO DO TRABALHO ART.

conceituando e diferenciando cada espécie. liberdade. verificando o cabimento e a aplicabilidade no Direito Coletivo.2 RESUMO O presente trabalho possui o intuito de analisar alguns dos Princípios Constitucionais do Direito do Trabalho. Direito do Trabalho. . Palavras-Chave: Princípios Constitucionais. Sindicato. não intervenção.

.....................................................................................11 REFERÊNCIAS...................................... Princípio da Liberdade Sindical......................11 ........................................ ARTIGO 8°..................................4 1...................................................... DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.....................................3 SUMÁRIO RESUMO.....................................................................................................................................4 1................................................................................................................................9 CONCLUSÃO................................... DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL...........9 2.............................................. Princípio da Unicidade Sindical.......................................................................4 2............................ ARTIGO 8°........2 SUMÁRIO.......................................1..................................................................................1.. INCISO I..... INCISO II......3 INTRODUÇÃO...

As normas de proteção ao trabalho e aos direitos fundamentais dos trabalhadores estão positivadas há bastante tempo. Os direitos trabalhistas são direitos sociais que fazem parte de um grupo maior chamado direitos fundamentais. a eficácia da mesma é tímida. afinal. a ação o meio . inferindo na produção de outras normas ou estabelecendo princípios que deverão nortear o exercício de direitos e a competência de outros órgãos. No entanto. Enfrentamos o problema da eficácia e da aplicabilidade de determinadas normas jurídicas que protegem o trabalhador. um conceito quando a expressão destina-se a responder que é liberdade sindical.jurídico. Princípio da Liberdade Sindical Liberdade sindical é expressão que tem mais de uma acepção. ARTIGO 8°. perspectiva que se desdobra em liberdade como direito de organização e liberdade como direito de atuação. É necessária a atuação do Estado para que estes direitos se desenvolvam e tenham o conhecimento normativo. Estes garantem a dignidade e cidadania. incorporados nos valores da justiça social. somos um Estado Democrático de Direito. portanto. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1. indivisíveis. ambos complementando-se.1. podendo ser situado o brasileiro no segundo grupo. 1. relativa ou sem liberdade sindical.4 INTRODUÇÃO A importância da discussão sobre a eficácia constitucional repercute. É método de conhecimento do direito sindical quando é ponto de partida para a classificação dos sistemas. Liberdade sindical é. sendo direitos prioritários no âmbito sócio . também. caso em que esses sistemas podem ser classificados como de liberdade sindical plena. com maior intensidade. INCISO I. sendo. quando envolve um ordenamento jurídico que aceita a constituição como sobre norma. caso se pretenda qualificar um sistema como de plena liberdade sindical. comparadas as características de cada ordenamento interno nacional com as garantias que o princípio da liberdade sindical oferece.

até mesmo. além de outros níveis. da Organização Internacional do Trabalho — OIT. ao declarar que os trabalhadores deverão gozar de adequada proteção contra todo ato de discriminação tendente a diminuir a liberdade sindical em seu emprego. como o regional. portanto. completa esse quadro. também. aquela na dimensão internacional. também. e o relacional. um princípio de autonomia coletiva que deve presidir os sistemas jurídicos pluralistas. a liberdade individual. sem discriminações injustificáveis. abrangendo a liberdade de organização dos trabalhadores na empresa ou na unidade produtiva. liberdade sindical expressa os níveis por meio dos quais se concretiza a liberdade coletiva. o municipal. significa mais que liberdade de organizar sindicatos para a defesa dos interesses coletivos mas. como o direito de sindicalização daqueles que preenchem determinados requisitos adequados. liberdade sindical é o livre exercício dos direitos sindicais. respeitando-o como manifestação dos grupos sociais. . Como se viu. sem interferências maiores na sua atividade enquanto em conformidade com o interesse comum. o empregador e. à liberdade interna de auto-organização sindical que leva à autonomia da sua administração mediante definição dos órgãos internos do sindicato. o direito de atuação dos sindicatos e o direito de filiação ou desfiliação de um sindicato. que é a dos grupos formalizados ou informalizados. esta. eleição livre dos seus dirigentes e liberdade de redigir os estatutos que regerão a vida da organização. e a Convenção n. o de categorias. no sentido de ser uma liberdade exercida perante o Estado. Vai mais além o significado de liberdade sindical. Quer dizer também a liberdade conferida a cada pessoa de ingressar num sindicato ou dele sair. 98. do mesmo órgão. Na dimensão conceitual. Nesse caso é um direito subjetivo individual que deve ser garantido pela ordem jurídica. expressando-se. Nesse caso. comunitária ou nacional. com o que um sistema restritivo da ampla autonomia coletiva dos particulares não pode ser enquadrado entre os modelos de plena liberdade sindical. Como se vê. quatro garantias básicas caracterizam a liberdade sindical: o direito de fundar sindicatos. liberdade sindical significa também a posição do Estado perante o sindicalismo.5 de implementação da liberdade de organização e condição para a sua efetividade. que é das pessoas e o seu direito de filiar-se ou desfiliar-se de um sindicato. No sentido da Convenção n. Refere-se. o direito de administrar sindicatos. outras entidades sindicais. tanto quanto um sistema limitativo da macro ou da micro-organização. 87.

não podendo ser inferior à área de um Município”. esta. será descontada em folha. para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva. não foram legalizadas pela Constituição Federal de 1988. na mesma base territorial. Dispõe que “a assembleia geral fixará a contribuição que. Veda a “criação de mais de uma organização sindical. por sua vez. a eleição. o que colidiria com a limitação territorial acima referida. vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical”. quando no período contemporâneo as atribuições do sindicato. em sistema no qual pela lei constitucional é confederativo.6 A Constituição Federal de 1988 (art. diante da crise de representatividade. herdado da Consolidação das Leis do Trabalho. em qualquer grau. o conduzem a uma atuação que excede a prática funcional da simples defesa dos interesses da categoria. nas empresas com mais de 200 empregados. a autonomia dos sindicatos perante o Estado. As centrais sindicais. que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados. Não permite sindicato por unidade produtiva ou empresa ao declarar que a base mínima territorial do sindicato é a de um município. Permite. 11). Atribui ao sindicato “a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. de um representante (art. em se tratando de categoria profissional. fundada nos princípios do corporativismo. Mas é contraditória ao manter o princípio da unicidade sindical ou da proibição de mais de um sindicato de igual categoria na mesma base territorial. Assegura a liberdade sindical individual e considera “obrigatória à participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho”. inclusive em questões judiciais ou administrativas”. do desemprego e da necessidade de uma participação mais efetiva nos problemas sociais e econômicos. ou se não é sindical. situando-se acima das confederações. bem como a participação destes e dos empregadores nos colegiados dos órgãos públicos de discussão e deliberação de assuntos de interesse profissional ou previdenciário (art. a ser fixada pela assembleia. assegurando. assim. 8º) declara que “a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicatos. pelos trabalhadores. . porém não define se essa representação é sindical. mantendo a contribuição sindical devida por todo membro da categoria ao sindicato e criando uma segunda contribuição. Dá a garantia da estabilidade ao dirigente sindical. ressalvado o registro no órgão competente. de igual extensão. representativa de categoria profissional ou econômica. 10). independentemente da contribuição prevista em lei”.

da Constituição que a liberdade coletiva não está plenamente garantida. exceto militares (arts. os grupos sociais não podem constituir. desde a data de sua inscrição eleitoral até um ano após o término do correspondente mandato (art. incumbe ao Ministério do Trabalho proceder ao registro das entidades sindicais e zelar pela observância do princípio da unicidade. na mesma base territorial. CF/88). salvo nas categorias inorganizadas em sindicato (CLT. na mesma base territorial em que já sejam representados por sindicato anteriormente constituído. em qualquer grau. não podendo ser inferior à área de um Município”. representativa de categoria profissional ou econômica. os casos – mais delicados – de dissociação (art. Esta garantia conta. VI.8°. portanto. Como qualquer princípio. § 5º). não afetando. Logo. O principio da liberdade associativa e sindical propugna pela franca prerrogativa de criação e desenvolvimento das entidades sindicais. . II. que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados. que estipule garantias mínimas à estruturação e atuação dos sindicatos. Esse rigor tem sido. para instituir novo sindicato. 571 da CLT). livremente. porém. O controle da unicidade sindical cabe ao Ministério do Trabalho. e 42. pois “é vedada a criação de mais de uma organização sindical. A principal delas é a vedação à dispensa sem justa causa do dirigente sindical. A CLT atribui legitimação para negociar aos sindicatos em sua base territorial. Algumas dessas garantias já estão normatizadas no Brasil. Ou seja. desde que respeitada a base territorial mínima de um município”. Podemos inferir do artigo 8°. a presente diretriz também determina ao ordenamento jurídico que confira consistência ao conteúdo e objetivo normativos que enuncia. no Brasil. 611). sob pena de não poderem cumprir seu papel de real expressão da vontade coletiva dos respectivos trabalhadores. tem reiterado que “a criação de novo sindicato por desmembramento de sindicato preexistente não viola o princípio da unicidade sindical. na qualidade de comando jurídico instigador. novo sindicato que os represente.7 Admite a sindicalização dos servidores públicos. não obstante exija o registro no Cadastro Nacional das Entidades Sindicais para que o sindicato adquira personalidade sindical. A permissão para que se reduza a base territorial alcança apenas as hipóteses de desmembramento. pois o Supremo Tribunal Federal. não a prevendo para entidades sindicais de grau superior. para que se tornem efetivos sujeitos do Direito Coletivo do Trabalho. art. atenuado. 37. em que empresas e respectivos trabalhadores estão concentrados em torno de atividades similares ou conexas e um de seus segmentos resolve descolar-se desse conjunto amorfo. VIII. conforme elucida a Súmula 677 do Supremo Tribunal Federal: Até que lei venha a dispor a respeito.

Estatuto dos Trabalhadores da I tá lia .8 inclusive. a reintegração obreira em contextos de afastamento. 300.Lei n. por exemplo). 87. CLT. mediante a qual se pode determinar. conforme Lei n. funcionamento e administração. Serão particularmente identificados a atos ele ingerência.27011996). Diversas dessas relevantes garantias essenciais estão expressamente consignadas em textos normativos construídos ao longo de décadas pela Organização Internacional do Trabalho (Convenções nas. quer diretamente quer por meio de seus agentes ou membros. 543. 141 e 151. classicamente. Conexa a presente garantia existe a intransferibilidade do dirigente sindical para fora da base territorial de seu sindicato (art. têm sido inseridas. Além disso. X. vigorante no Brasil desde a década de 1950. (que trata do "direito de sindicalização e de negociação coletiva"). medidas destinadas a provocar a criação de organizações de trabalhadores dominadas por um empregador ou uma organização de empregadores. liminarmente. 9. de 1970). termos do presente artigo. 135. OIT. nos. 659. em experiências democráticas consolidadas no mundo ocidental (ilustrativamente. As organizações de trabalhadores e de emprega d o res deverão gozar de proteção adequada contra quaisquer atos de ingerência de umas e outras. 2. estipula critérios para tais garantias sindicais: "Art. ou a manter organizações de trabalhadores por outros meios . CL T). 98. com medida judicial eficaz do Juiz do Trabalho. ''" A Convenção 98. em sua formação. suspensão ou dispensa pelo empregador (art. 2º·1. por exemplo.. 11.

ressalvado o registro no órgão competente. para fins de negociação e efeitos das normas coletivas respectivas. em um mesmo município. .9 2. Em outras palavras. observando o seguinte: Art. 8º. vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical. uma associação profissional. INCISO II. representando filiados. I. o sindicato devia ser. valerá. e estabelece um critério geográfico como limite. pelo qual a lei impõe o monopólio sindical (sindicato único). O que é vedado é o contrário. I da CF – a lei não poderá exigir autorização do Estado par a fundação de sindicato. não pode existir. Princípio da Unicidade Sindical No Brasil vigora o sistema da unicidade sindical. a categoria pode livremente decidir sobre a base territorial do sindicato. o direito de agir como sindicato. Na hipótese de serem diferentes as bases territoriais do sindicato da categoria profissional e do sindicato da categoria econômica. que somente adquiria a investidura sindical – vale dizer. Esta imposição se dá em relação a uma mesma categoria profissional (ou. ainda. Em áreas superiores à de um município. A Constituição em vigor não exige mais essa temporada como associação profissional e aboliu a necessidade de reconhecimento pelo Ministério do Trabalho para que se aperfeiçoe a investidura sindical. um sindicato de abrangência nacional.1. ARTIGO 8°. ou não. enaltecendo ser livre a associação profissional ou sindical. Nada impede que um sindicato cuja base territorial compreenda diversos municípios seja desmembrado em dois ou mais sindicatos com bases territoriais menores. inclusive. desde que nenhum deles tenha base inferior à área de um município. que é a área de um município. mais de um sindicato representativo da mesma categoria profissional ou econômica. a base territorial do menor deles. Mesmo depois de se transformar em sindicato. pois regula a matéria em seu artigo 8°. antes. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 2. pelo Ministério do Trabalho. Até ser editada a Constituição de 1988. É claro que pode existir sindicato que abranja área superior à do município. diferenciada). sendo possível que exista. a entidade sindical que agia em desacordo com a política oficial de governo podia sofrer intervenção do Estado. que integrassem a categoria – quando lhe era outorgada a Carta de Reconhecimento.

a que órgão competente estaria o constituinte a referir-se? Seria o cartório de registro de pessoas jurídicas. subordinado apenas à verificação de pressupostos legais. reclamando a representação de empregados ou empregadores naquela base territorial. embora a ressaltar. que controla o registro de estatutos das sociedades civis? Ou seria o Ministério do Trabalho.10 Nota-se que a Carta de Reconhecimento não pode mais ser outorgada. . o Ministério do Trabalho nada decide (salvo quanto a regras de procedimento relativas ao encaminhamento da impugnação). como já decidiu o Supremo Tribunal Federal. na mesma base territorial? Após polemizarem os tribunais e tratadistas. aguardando que o Poder Judiciário. é. e não de autorização ou de reconhecimento discricionários”. dirima o conflito. cujo controle ainda lhe cabe. que sempre possuiu o controle da unicidade. de 17 de julho de 1997. formando-se o sindicato mediante o “registro no órgão competente”. como o fez no intróito da Instrução Normativa n. um “ato vinculado. Quando o requerimento de registro é publicado do Diário Oficial da União e alguma entidade sindical o impugna. por alguns anos. impedindo que novas entidades sindicais surjam para representar uma dada categoria. o Ministério do Trabalho editou sucessivas instruções normativas em que assumia a responsabilidade pelo Cadastro Nacional das Entidades Sindicais. Mas. por provocação das partes interessadas. que o registro sindical. a respeito desse questionamento. 1.

11 CONCLUSÃO Diante desta breve exposição sobre os Princípios Constitucionais do Direito do Trabalho. mas não no esgotamento do mesmo. que acaba sendo um pilar para a sedimentação de um aprendizado nesta área. a qual é tão corriqueira nos nossos dias assim como também em suas problemáticas. Segue. . com essas considerações finais. localizados no artigo 8°. o estímulo à continuidade dos estudos sobre este tema. espero ter abordado de maneira bem clara a respectiva matéria. de modo que a intenção principal do trabalho residiu na reflexão acerca do assunto. portanto. O presente trabalho envolveu um tema relevante para a ciência jurídica e para o cotidiano de toda a sociedade em geral. da CF/88. I e II. pois seria praticamente impossível pela brevidade do ato acadêmico.

2014. rev. São Paulo: MÉTODO.+8%C2%BA+DA+CONSTITUI %C3%87%C3%83O+FEDERAL. ª ed. Ricardo. Acesso em: 29/05/2016. Princípio da Liberdade Sindical.jusbrasil.br/jurisprudencia/busca?q=PRINC %C3%8DPIO+DA+LIBERDADE+SINDICAL+-+ART. Direito do trabalho esquematizado – 4..com.12 REFERÊNCIAS RESENDE. atual e ampl – Rio de Janeiro: Forense. em . JUS BRASIL. Disponível http://www.