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R EABILITAÇÃO DE E DIFÍCIOS PARA T URISMO R URAL ESTUDO DE CASOS DE SUCESSO

REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS PARA TURISMO RURAL

ESTUDO DE CASOS DE SUCESSO

NUNO MIGUEL FONSECA MARTINS

Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de

MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES CIVIS

Orientador: Professor Doutor José Manuel Marques Amorim de Araújo Faria

JULHO DE 2010

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2009/2010

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Tel. +351-22-508 1901

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Editado por

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Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2009/2010 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2010.

As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respectivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir.

Este documento foi produzido a partir de versão electrónica fornecida pelo respectivo Autor.

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

Aos meus pais

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. Albert Einstein

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

AGRADECIMENTOS

O meu primeiro agradecimento vai para o Professor Engenheiro Amorim Faria por ter disponibilizado

este tema, que tanto me agrada, e por me ter ajudado a definir as linhas orientadoras da dissertação.

O segundo agradecimento vai para os meus pais, que suportaram nas despesas dos meus estudos, e

agora, no final, o meu roteiro pelas aldeias.

O terceiro agradecimento vai para os meus amigos que me ajudaram a escolher as aldeias e que me

acompanharam nas viagens, algumas bem compridas, com especial ênfase para a Dóris e para o

Nelson que me ajudaram mais do que lhes seria exigido.

O último agradecimento vai para os professores e colegas de curso que me acompanharam e me

marcaram.

A todos, muito obrigado, por fazerem parte do meu percurso.

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

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RESUMO

As áreas rurais, no interior do país, têm vindo a perder habitantes e a população está cada vez mais envelhecida. Estas regiões não garantem oportunidades de emprego e rendimentos atractivos para a população activa, que emigra para as cidades. A agricultura, principal actividade do meio rural, não é atractiva para os jovens e remunera mal os seus trabalhadores.

O turismo surge, então, como um sector de elevado potencial para estimular o desenvolvimento das

áreas rurais. Na era da globalização e da homogeneização da oferta, o meio rural e as aldeias históricas

podem surgir como um elemento diferenciador que oferece o contacto com a natureza, a qualidade ambiental, as paisagens únicas, as aldeias e vilas belas, únicas e históricas.

No entanto, as qualidades e potencialidades que o meio rural possuiu estão ameaçadas pelo abandono e desprezo a que foi votado, pelas novas construções que não respeitam e desvirtuam as aldeias, pelo abandono das casas populares e pela falta de ordenamento do território.

As aldeias devem ser alvo de investimentos, as casas e o espaço público devem ser reabilitados, e desta forma oferecer melhor qualidade de vida às populações, salvaguardar o nosso património arquitectónico, construtivo, histórico e cultural, potenciar o turismo, criar oportunidades de emprego e proporcional um desenvolvimento sustentado das áreas rurais.

Estudaram-se as intervenções em três aldeias, diferentes na localização, na arquitectura, nos materiais construtivos utilizados, no modelo de exploração, mas que em comum partilharam o respeito pela arquitectura vernacular e a perfeita integração na natureza.

O

estudo de caso é exemplo de uma aldeia com uma localização privilegiada e com grande potencial

de

desenvolvimento turístico mas que se encontra quase deserta e as suas casas em ruína.

PALAVRAS-CHAVE: área rural, aldeia, casa popular, reabilitação, turismo

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

ABSTRACT

Rural areas within the country have been losing most of their population, which is aging rapidly. These regions are incapable of assuring employment opportunities or high incomes to the younger citizens, who then migrate into the cities. Agriculture, the main source of income in country areas, pays its workers poorly and has been unable to attract young people.

Tourism emerges as a sector with great potential to stimulate the development of rural areas. In the era of globalization and homogenization of the offer, the countryside and historic villages may arise as a differentiator that provides contact with nature, environmental quality, unique landscapes and beautiful, unique and historical villages and towns.

However, the qualities and capabilities of the rural areas are threatened by abandonment and neglect, by new buildings that pervert the villages, by the abandonment of traditional houses and by lack of planning.

Villages should be the subject of investment. Houses and public space should be rehabilitated, to provide better quality of life for the people, to preserve our architectural, constructive, historical and cultural heritage, to boost tourism, to create employment opportunities and to provide for the sustainable development of rural areas.

Rehabilitation interventions were studied in three different villages, which are distinct in location, architecture, materials and management, but share the respect for vernacular architecture and seamless integration in nature.

The case study is an example of a village which has a prime location and great potential for touristic development, but is almost deserted and in ruins.

KEYWORDS: rural area, village, traditional architecture, rehabilitation, tourism

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Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

ÍNDICE GERAL

AGRADECIMENTOS

i

 

RESUMO

iii

ABSTRACT

v

1

INTRODUÇÃO

5

1.1 ÂMBITO E OBJECTIVOS

5

1.2 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO

6

2

O MEIO RURAL

7

2.1 INTRODUÇÃO

7

2.2 DESENVOLVIMENTO RURAL

9

2.2.1

OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS

9

2.2.1.1 Turismo

11

2.2.1.2 Agricultura

13

2.2.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

14

2.2.3 PLANEAMENTO URBANO

15

3

REABILITAÇÃO DE CONSTRUÇÕES RURAIS

19

3.1 INTRODUÇÃO

19

3.2 AS CONSTRUÇÕES RURAIS

21

3.3 ABORDAGEM À REABILITAÇÃO

27

4

EXEMPLOS DE REFERÊNCIA

33

4.1

ALDEIA DE PEDRALVA

34

4.1.1 ENQUADRAMENTO

34

4.1.2 INTERVENÇÃO:

35

4.2

ALDEIA DA QUINTANDONA

49

4.2.1

ENQUADRAMENTO

49

4.3

CASAS DO CÔRO, MARIALVA

58

4.3.1 ENQUADRAMENTO:

58

4.3.2 INTERVENÇÃO

61

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

5

ESTUDO

DE

CASO

NA

PERSPECTIVA

DE

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

71

5.1 ENQUADRAMENTO

 

71

5.2 PROPOSTA

76

CONCLUSÕES

89

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

91

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 2.1 - Regiões Rurais em Portugal pelo método da OCDE. [5]

9

Figura 2.2 - As dimensões do turismo sustentável. [13]

11

Figura 2.3 - Recursos turísticos do Douro. [2]

12

Figura 2.4 – Edifício dissonante em volume e nos materiais utilizados na aldeia da Quintandona

15

Figura 2.5 - Edifício dissonante em volume e nos materiais utilizados na aldeia de Marialva

16

Figura 2.6 – Espaço público reabilitado na aldeia de Pedralva

18

Figura 3.1 – Esquema de povoações localizadas em planícies. [11]

20

Figura 3.2 – Esquema de povoações de montanha. [11]

20

Figura 3.3 – Esquema de povoações em cristas montanhosas. [11]

21

Figura 3.4 – Exemplo da casa popular do Norte, a casa-torre, na aldeia de

23

Figura 3.5 – Telhado em lousa na aldeia do

24

Figura 3.6 - Exemplo da casa popular do Sul, a casa térrea na aldeia de Pedralva

25

Figura 3.7 – Chaminés típicas da casa popular do Sul, aldeia de Pedralva

26

Figura 3.8 - Chaminé típica da casa popular do Sul, aldeia de

26

Figura 3.9 – Edifício novo de complemento à casa rural procurando a integração na paisagem e o

respeito pela pré-existência na aldeia de

Figura 3.10 – Edifício novo procurando integrar-se na paisagem, construído com materiais locais e

com linhas contemporâneas na aldeia de

Figura 3.11 – Pormenor de parede de pedra com isolamento e revestimento a gesso-cartonado, pelo

28

28

interior

29

Figura 3.12 – Pormenor do telhado com subtelha

30

Figura 4.1 Imagem de satélite de Portugal continental e localização das aldeias estudadas. [Google

Maps]

33

Figura 4.2 – Imagem de satélite da aldeia de Pedralva. [Google Maps]

35

Figura 4.3 - Aldeia de Pedralva. [Facebook]

35

Figura 4.4 – Um dos últimos edifícios em ruínas, na aldeia de Pedralva. Só restam as paredes

estruturais. O telhado está destruído, não tem portas nem janelas e as paredes encontram-se

praticamente despidas de reboco

36

Figura 4.5 – Casas restauradas. São visíveis as redes, eléctrica e telefónica, aéreas. Já foram

implantadas as redes subterrâneas que vão permitir a retirada de todos os cabos

Figura 4.6 – Uma das poucas casas que se encontrava habitada. Alguns dos moradores sentiram-se

36

incentivados a pintar as casas à medida que as casas do empreendimento foram ficando concluídas

37

Figura 4.7 – Olhando os telhados verifica-se que não foram usadas telhas novas no lado

37

Figura 4.8 – Novo sistema de iluminação pública ao lado do sistema antigo, bem como a rede eléctrica

e telefónica aérea que passará a enterrada

38

Figura 4.9 – Espaço verde remodelado e o novo pavimento

39

Figura 4.10 – Casa em reabilitação onde foi mantida a estrutura de madeira

39

Figura 4.11 – Aspecto interior da estrutura de madeira após reabilitação do edifício. A principal

intervenção passou pela

Figura 4.12 – Construção de uma casa alheia ao empreendimento. Estruturalmente, a casa é uma estrutura porticada em betão armado vulgar, não sendo usados os métodos de construção tradicionais.

39

 

40

Figura 4.13 – A outra frente da casa da figura

40

Figura 4.14 – Aproveitamento de uma porta antiga como cabeceira de cama

41

Figura 4.15 – Aquecedor eléctrico aplicado nas casas com aspecto

41

Figura 4.16 – Pátio de uma das casas

42

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Figura 4.17 – Fachada principal de uma das casas

Figura 4.18 – Janela de madeira, nova com vidro simples. Uma vez que as janelas são novas seria

42

recomendável a opção pelo vidro duplo. A janela tem uma portada interior para protecção

43

Figura 4.19 – Fachada traseira de uma das

43

Figura 4.20 – Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Tonel. [ Facebook]

44

Figura 4.21 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Beliche. [ Facebook]

44

Figura 4.22 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Castelejo.[ Facebook]

44

Figura 4.23 - Fotos de antes e depois da intervenção da Mercearia. [ Facebook]

45

Figura 4.24 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa dos Rebolinhos. [ Facebook]

45

Figura 4.25 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa da Bordeira. [ Facebook]

45

Figura 4.26 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa da Ponta Ruiva. [ Facebook]

46

Figura 4.27 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa da Ingrina. [ Facebook]

46

Figura 4.28 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Telheiro. [ Facebook]

46

Figura 4.29 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Mirouço. [ Facebook]

47

Figura 4.30 - Fotos de antes e depois da intervenção das casas do Castelejo, da Cordoama, da Ingrina e

Zavial. [ Facebook]

47

Figura 4.31 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Zavial. [ Facebook]

47

Figura 4.32 - Fotos de antes e depois da intervenção. [ Facebook]

48

Figura 4.33 – Quarto de uma das casas do empreendimento. [ Facebook]

48

Figura 4.34 - Imagem de satélite da aldeia de Quintandona. A aldeia encontra-se à esquerda da estrada

nacional. [Bing Maps]

Figura 4.35 - Imagem de satélite onde se vê a localização da aldeia de Quintandona em relação a às

principais cidades que a rodeiam. [Google Maps]

Figura 4.36 – Capela e edifícios adjacentes restaurados. Quem vem da estrada nacional, a praça que se

50

situa em frente a esta capela é uma espécie de hall de entrada na parte

Figura 4.37 – Exemplar raro, na aldeia, de casa em granito. Construção de um aumento com os

49

49

materiais locais - xisto e lousa

50

Figura 4.38 – Pequeno

51

Figura 4.39 – Casa reabilitada. A maioria das casas da aldeia foi construída com este tipo de

51

Figura 4.40 – Casa construída maioritariamente com xisto e granito à volta das

52

Figura 4.41 – Tanque principal

52

Figura 4.42 – As casas são na maioria de dois pisos. O candeeiro faz parte da nova rede de iluminação

implantada. As redes eléctrica e telefónica são enterradas

53

Figura 4.43 – Casas características

53

Figura 4.44 – Arrecadação, telhado em telha cerâmica e lousa

54

Figura 4.45 – Centro cultural – Casa do Xiné. Apresenta linhas contemporâneas e procura-se integrar,

usando os materiais locais. O volume maior ainda não está

54

Figura 4.46 – Arrecadações construídas com materiais inapropriados descaracterizam a aldeia

55

Figura 4.47 – Construção perto dos edifícios antigos. Volumetria e materiais inapropriados tornam

este edifício dissonante

Figura 4.48 – Edifício dissonante relativamente distante das casas históricas mas que descaracteriza a

55

55

Figura 4.49 – Edifício em construção revestido com materiais locais e de arquitectura simples mas de

grande volumetria

56

Figura 4.50 – Casa em construção de linhas contemporâneas procurando a integração na aldeia

56

Figura 4.51 – Pormenor de janela da casa da figura 4.51

57

Figura 4.52 – Instalação eléctrica camuflada pelo uso de revestimento em pedra e o caixote do lixo

57

Figura 4.53 - Imagem de satélite da vila de Marialva. A norte está a parte alta da vila, onde se encontra

o castelo e as Casas do Côro. [Bing Maps]

58

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Figura 4.54 – Casa do Côro, o primeiro edifício do empreendimento. A janela de grandes dimensões

rasgada numa casa tradicional é uma das imagens de marca do

59

Figura 4.55 – Piscina junto às casas reabilitadas com o castelo ao fundo. [ Facebook]

59

Figura 4.56 – Casa onde se encontra o jacuzzi e a sauna. A janela de grandes dimensões é uma

alteração ao aspecto original que permite que os hóspedes observem o horizonte

Figura 4.57 – Camas ao ar livre, no ponto mais alto da aldeia (800m) permitem uma vista panorâmica

60

sobre a região. [ Facebook]

61

Figura 4.58 – Casas reabilitadas para o empreendimento. São visíveis as clarabóias para dar mais luz ao interior. Todo o espaço público está cuidado, como se pode ver pelos pequenos jardins, pelas

62

Figura 4.59 – Casa de dois pisos reabilitada. Mantém o seu aspecto tradicional com a excepção das

janelas, de linhas modernas, e dos perfis metálicos na zona da escapada, como reforço do telhado, e da

guarda da

Figura 4.60 – Casa reabilitada. Numa das fachadas, a madeira substituiu a pedra da construção original. Esta fachada permite fazer a transição entre as casas tradicionais e a casa nova (à esquerda).

62

árvores junto às casas e pela calçada

63

Figura 4.61 – Pormenor de uma janela para um pátio interior. Opção pela utilização de um perfil

metálico como

Figura 4.62 – Em todas as reabilitações foi usada a telha caleira. Na imagem percepciona-se a subtelha

64

Figura 4.63 – Casa do jacuzzi e sauna. No canto inferior direito da foto, vê-se um holofote. Parte da

63

iluminação no empreendimento está colocada no

64

Figura 4.64 – Casa reabilitada e casa construída de raiz, ambas pertencentes ao

65

Figura 4.65 – Casas reabilitadas, mantendo o seu aspecto

65

Figura 4.66 – Terraço do restaurante. Edifício construído de

66

Figura 4.67 – Pátio de uma das casas do

66

Figura 4.68 – Posto de turismo integrado na muralha

67

Figura 4.69 – Casa construída de raiz, tentando integrar-se na aldeia, e atrás a casa onde uma das

67

Figura 4.70 – Interior da Casa do Côro. O aparelho de pedra ficou aparente. A janela de grandes

fachadas foi substituída por madeira. [ Facebook]

dimensões permite um maior contacto visual com a aldeia. [ Facebook]

68

Figura 4.71 – Estrutura metálica ficou à vista tal como a pedra das paredes. [ Facebook]

68

Figura 4.72 – O empreendimento das Casas do Côro com o castelo de Marialva de fundo. [ Facebook]

69

Figura 5.1 – Imagem de satélite onde se vê a localização da aldeia de Ribeirinha em relação a Vila

Pouca de Aguiar. [Google Maps]

Figura 5.2 – Imagem de satélite da aldeia da Ribeirinha. O acesso faz-se pela estrada a sul da aldeia

71

(M1164)

72

Figura 5.3 – Estrada de acesso à aldeia. No horizonte temos a paisagem privilegiada da

72

Figura 5.4 – Aldeia de Ribeirinha. Encontra-se implantada numa encosta. A parte mais antiga é a

superior

Figura 5.5 – Parte mais alta e antiga da aldeia. Ao centro vê-se uma casa que quebra com a

73

arquitectura tradicional

73

Figura 5.6 – Arruamento principal da aldeia. A maioria das casas está em ruína e

74

Figura 5.7 – Uma das capelas da aldeia. A torre possui um relógio de sol

75

Figura 5.8 – Capela recentemente restaurada. Era de domínio privado tendo sido adquirida

recentemente pela

75

Figura 5.9 – Cascata

76

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Figura 5.10 – Casa de granito abandonada. Construída com blocos de granito de dimensões

consideráveis e aparelhadas

77

Figura 5.11 – Arruamento principal. As casas também se encontram abandonadas

78

Figura 5.12 – Casa abandonada, contruída em alvenaria seca

78

Figura 5.13 – Casa abandonada. O piso de andar tem fachada e uma varanda em

79

Figura 5.14 – Casas abandonadas. As paredes espessas proporcionam um aceitável conforto térmico.

 

79

Figura 5.15 – A casa à direita é habitada, junto a uma em

79

Figura 5.16 – Casas degradadas mas ainda

80

Figura 5.17 – Casas devolutas, na entrada e parte mais alta da

80

Figura 5.18 – Antiga escola

80

Figura 5.19 – Casa degradada. O arruamento é em terra batida. No piso superior está o alpendre, uma

solução comum às casas da aldeia

Figura 5.20 – Casa abandonada. Paredes em alvenaria seca de granito com pedras de pequena

81

dimensão

81

Figura 5.21 – Casa abandonada. Estão a ser feitos acrescentos em alvenaria de tijolo

82

Figura 5.22 – Casa habitada. O reboco, que saiu mostra um aparelho

82

Figura 5.23 – Casa habitada. Arquitectura típica das casas da

82

Figura 5.24 – Casa abandonada

83

Figura 5.25 – Casa elementar,

83

Figura 5.26 – Ao fundo, a casa azul contrasta na paisagem pela cor, não ajudando ao seu

 

83

Figura 5.27 – Interior de uma casa abandonada. Interior é rebocado e caiado

84

Figura 5.28 – Uma burra, que ainda é usada como meio de transporte. Atrás está uma casa cujos

materiais usados para construir o piso superior não se

84

Figura 5.29 – A casa à direita é um corpo dissonante na aldeia. É o edifício mais

85

Figura 5.30 – Uso de chapas para resolver as infiltrações

85

Figura 5.31 – A aldeia está perfeitamente integrada na encosta da montanha mas os materiais de

revestimento indevidos destroem essa harmonia

85

Figura 5.32 – Arrecadação revestida a argamassa sem qualquer

86

Figura 5.33 – Vaca a entrar para piso térreo de uma casa. Só restam duas e pertencem ao mesmo dono.

 

86

Figura 5.34 – Pormenor da porta de uma casa

87

Figura 5.35 – Parte alta da aldeia e ao fundo a paisagem montanhosa que é possível observar das

87

casas

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1.1 ÂMBITO E OBJECTIVOS

1

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objectivo primeiro o estudo de casos de reabilitação de edifícios em meio rural para turismo. Do grande universo de edifícios que abarca este tema, foi considerado como objecto de estudo a casa popular rural situada em aldeias tradicionais. Efectivamente, a grande beleza e o verdadeiro significado desta casa não está no individual mas sim no colectivo, no “todo” em que se insere – a aldeia.

O estudo tem incidência no território continental. Apesar da diversidade de regiões, de paisagens e de

culturas, optou-se por fazer uma pesquisa que abrangesse todo o território.

Na caracterização da casa popular, esta foi dividida em dois grupos: a casa popular do Norte e a casa popular do Sul. No entanto, a escolha das aldeias para estudo teve por base os materiais construtivos que se considera ser um aspecto mais relevante que a forma. Na observação de uma aldeia revelam-se mais importantes as cores e os materiais e a sua integração no meio muito mais do que a forma individual de cada uma das casas. Desta forma, foram escolhidas três aldeias construídas com três materiais diferentes: granito, xisto e taipa.

A casa popular e as aldeias em que se inserem representam um legado histórico e cultural que importa

conservar não só pela sua importância enquanto património mas também pelo seu elevado potencial turístico, como fonte de desenvolvimento das áreas rurais. As aldeias são reflexo do modo de vida das gerações passadas, e as suas casas não respondem aos padrões de qualidade exigíveis actualmente. Pretende-se, por isso, perceber de que forma se deve intervir de modo a encontrar o ponto de equilíbrio entre a conservação da arquitectura tradicional e a necessidade de modificar e acrescentar às aldeias, de modo a responder às necessidades e anseios actuais das populações.

O estudo contempla casos, que podem ser considerados de referência uma vez que as intervenções, à

excepção da aldeia de Quintandona, se concentraram em aldeias quase desertas e com as suas casas em ruína. Não só foram recuperadas as casas, que adquiriram a sua arquitectura tradicional como se dotaram as aldeias das infra-estruturas essenciais para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes e para o desenvolvimento do turismo.

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1.2 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO

A dissertação está dividida, fundamentalmente, em três partes. A primeira, compreendida pelo segundo capítulo, faz o diagnóstico ao meio rural e aborda as linhas orientadoras para o desenvolvimento rural, no que diz respeito a infra-estruturas e à gestão do território.

Feita a análise ao estado do meio rural, na segunda parte – o terceiro capítulo – é feita a caracterização

da casa popular nas suas variantes e modo como se deve abordar a reabilitação.

A terceira parte – os capítulos quatro e cinco - debruça-se sobre o estudo da reabilitação de aldeias

englobando as intervenções nos edifícios, no espaço público, bem como os serviços disponibilizados.

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2.1 INTRODUÇÃO

2

O MEIO RURAL

“ (…) Passo por uma ETAR (…) que começou a ser feita num local, depois verificou-se que havia um erro de localização e construção e mudou-se para outro. (…) A mesma ETAR, que devia funcionar há muito, não está a funcionar e os esgotos correm a céu aberto perante a indiferença generalizada (…). Terrenos que estão nos planos como sendo do domínio agrícola, povoam-se de barracões e casas de habitação e veraneio.

(…) Ao lado caem aos bocados, casas, adegas, lagares, currais (…) com as suas cantarias de pedra, as suas portas de arco (…).

(…) A ordem é o caos, porque se percebe que quem quer fazer alguma coisa faz, independentemente de outro direitos e de outros valores e do futuro das terras.

(…) [“os melhoramentos” e o “progresso económico”] são possíveis sem esta destruição da qualidade de vida, da vista da paisagem, do equilíbrio natural (…). Quantas pedreiras neste país foram recuperadas como é suposto? (…) Isto é péssimo negócio para todos, mesmo que seja vantajoso a curto prazo para alguns”. [1]

A transcrição anterior exemplifica o desprezo generalizado a que foi votado o mundo rural, o que levou à degradação e destruição de património construtivo, arquitectónico, cultural, paisagístico e ambiental. Esse sentimento começa, tendencialmente, a ser invertido e há actualmente a percepção de um maior respeito e consciencialização dos benefícios que podem ser alcançados a partir de uma maior atenção pela ruralidade.

Nos últimos 30 a 40 anos, o nosso país sofreu alterações profundas, que marcaram uma nova geografia regional e local. De um país profundamente rural, disseminado por centenas de aldeias e vilas, passamos a um país tendencialmente urbano, de pequenas e médias cidades, destacando-se as duas grandes metrópoles e as suas envolventes, a par do processo de litoralização materializado por um contínuo urbano de Viana do Castelo a Setúbal.

As aldeias e pequenas vilas, principalmente do interior, foram perdendo capacidade de fixar a população não conseguindo competir com as cidades em oportunidades. A desertificação humana no mundo rural do interior tem-se vindo a acentuar a par do progressivo envelhecimento dos seus habitantes, levando ao desaparecimento de pequenas aldeias em especial nas áreas de montanha interior.

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

Segundo a Lei de Bases da Política de Ordenamento do Território e Urbanismo (LBOTU) a desertificação (humana), as oportunidades de emprego, a edificação dispersa, e as paisagens são os quatro grandes problemas relacionados com os espaços rurais. [2]

A desertificação constitui um problema complexo e com múltiplas dimensões, causas e efeitos, que

afecta extensas áreas do Mundo. Relacionada com problemas de carência hídrica mas também com dimensão humana, ligada a processos de dinâmica recessiva das populações que podem conduzir ao despovoamento e abandono progressivo de certas regiões. Estima-se que 11% do território continental pode vir a sofrer problemas de desertificação e que cerca de 60% apresenta um nível intermédio de ocupações. O solo constitui um recurso essencial e não renovável, sujeito a diversos riscos e formas de degradação. A desertificação consiste num deles, a par ou cumulativamente com outros como a erosão, a salinização e a degradação. [3]

Os modos de vida tradicionais alteraram-se, sendo resultado disso o declínio de muitas actividades económicas, nomeadamente o abandono dos campos e da floresta. O desemprego entre a população é o grande impulsionador da emigração, poucos são os empregos fora da agricultura e os jovens vêem esta actividade como algo a evitar. O nível de vida não é o melhor e carece de certos serviços e infra- estruturas: os deficientes acessos, a falta de equipamentos e de serviços, a falta de informação e a própria estrutura económica.

Os aspectos que tradicionalmente caracterizavam o mundo rural alteraram-se. Hoje em dia a sua função não é necessariamente a produção de alimentos e a sua actividade predominante pode não ser a agrícola. O conceito de espaço rural é complexo, multidimensional e não redutível ao tipo de actividade dominante, à densidade populacional ou à estrutura do povoamento. O conceito tem evoluído, e pode ser caracterizado, genericamente, como uma área que, para além da actividade agrícola, demonstra um potencial de funções complementares ligadas ao meio ambiente, ao turístico e à função residencial. [2]

Surgem então novas oportunidades para as áreas rurais tais como a valorização dos produtos característicos a nível local, a aposta nas energias renováveis, o turismo em espaço rural, a indústria e

os

serviços.

O

objecto de estudo desta dissertação é, efectivamente, “a aldeia”, um meio pequeno, urbano que se

encontra inserido no território rural. Este organiza-se em pequenos aglomerados espaçados entre si,

sendo que, a estrutura de cada aldeia ou vila pode diferir, conforme se encontre numa zona de vale ou

de encosta, do tipo de solo e pela agricultura praticada.

Segundo a OCDE existem três tipos de áreas rurais:

Áreas rurais economicamente integradas, muitas vezes localizadas perto de centros urbanos normalmente com rendimento superior à média rural e com um crescimento económico e geográfico elevado;

Áreas rurais intermédias que são relativamente afastadas dos centros urbanos mas com boas infra-estruturas de acesso;

Áreas rurais remotas com uma população residente dispersa e distante dos centros urbanos. Estas áreas caracterizam-se por uma densidade populacional baixa, uma população envelhecida, poucas infra-estruturas e serviços, um baixo rendimento e uma fraca integração com o resto da economia.

Cada uma destas diferentes tipologias de zonas rurais apresenta estrangulamentos mas também potencialidades que urge analisar enquanto contributo para uma política de desenvolvimento rural.

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 2.1 - Regiões Rurais em

Figura 2.1 - Regiões Rurais em Portugal pelo método da OCDE. [5]

2.2 DESENVOLVIMENTO RURAL

2.2.1 OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS

Uma estratégia para desenvolvimento rural passa, primeiramente, pela resolução dos vários problemas e por procurar novas formas de promover as suas potencialidades.

Os cinco objectivos estratégicos identificados pelo Programa de Acção Nacional de combate à Desertificação são:

Conservação do solo e da água;

Fixação de população activa nos meios rurais;

Recuperação das áreas afectadas;

Sensibilização da população para a problemática da desertificação;

Consideração da luta contra a desertificação nas politicas gerais e sectoriais.

O combate contra a desertificação e pela promoção de um desenvolvimento regional contínuo e integrado deve ser travado, em 1º lugar, no plano do desenvolvimento regional. [3]

O maior desafio que as zonas rurais enfrentam actualmente é o de encontrar e promover formas apropriadas de desenvolvimento económico que permitam melhorar a vitalidade social e económica, à medida que estas se ajustam às diferentes exigências nelas exercidas pela sociedade e pelo mercado. O desenvolvimento económico numa região depende claramente da capacidade individual das pessoas para aproveitar as oportunidades existentes (formação, confiança, capacidade de investimento). Depende, também, dos recursos naturais (estado de conservação, degradação, estabilidade climática,

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disponibilidade, etc.) e por fim, dos equipamentos e das infra-estruturas (saúde, acessos rodoviários, etc.). [5]

Questões como promover a protecção do ambiente e a florestação ou captar investimento para a agricultura são essenciais para o desenvolvimento do meio rural. Tal como a valorização dos recursos naturais e culturais potenciando os recursos da paisagem e do património cultural, nomeadamente os produtos locais e o Turismo de Aldeia.

As estratégias a aplicar na promoção do desenvolvimento e na resolução dos problemas do meio rural

necessitam de uma abordagem sistémica e devem dar prioridade à iniciativa empresarial e ao emprego,

a projectos reprodutivos com capacidade de integração e à procura de novas funções para as áreas sem

agricultura rentável. Devem ter em conta os problemas específicos dos territórios rurais, em especial

os das áreas mais vulneráveis e ameaçadas de despovoamento e que inclua instrumentos de apoio: ao

aumento da competitividade dos sectores agrícola e florestal; à gestão sustentável dos espaços rurais e dos recursos naturais; à diversidade da economia e do emprego; à qualidade de vida nas zonas rurais.

[2]

Uma das grandes barreiras ao desenvolvimento resulta, muitas das vezes, das imposições legais ao início da actividade. Estas vão desde os regulamentos de higiene e segurança no trabalho, aos impostos e à burocracia. Estas condicionantes levam os habitantes a explorar de forma semi- clandestina os recursos naturais, impedindo-os de colocar os seus produtos nos mercados locais (por exemplo: mel, queijo, ovos, hortícolas, frutas). [6]

A qualificação dos cidadãos, o crescimento sustentado através da competitividade dos territórios e das

empresas, a garantia da coesão social, a promoção de um melhor ordenamento do território e a sua qualificação ambiental e reduzir assimetrias regionais são as formas de dinamizar e desenvolver as aldeias e de aumentar a qualidade de vida das populações. As pequenas e médias cidades são, na

verdade, os potenciais pólos de desenvolvimento com benefícios para a área rural circundante. No entanto impõe-se a criação de equipamentos como forma de apoio às zonas rurais, cuja implementação, junto das aldeias, permite o acesso a um conjunto de serviços que de outra forma só poderiam beneficiar deslocando-se à cidade mais próxima, por vezes relativamente remota.

De entre os equipamentos essenciais destacam-se dois: o Centro de Convergência e o Centro Múlti- Serviços. O Centro de Convergência é um pequeno equipamento que permite estabelecer uma ponte entre a cidade e o campo cuja principal função é a de informar as populações, disponibilizando um conjunto de serviços, tais como, acesso gratuito à Internet e uso de computadores, biblioteca, actividades lúdico-pedagógicas para as crianças, cursos de formação e programas periódicos de cinema. O Centro Múlti-Serviços em Áreas de Baixa Densidade, por sua vez, é um instrumento de prestação de serviços em áreas de baixa densidade. É um espaço que concentra diversas componentes funcionais nas áreas da saúde, agricultura, desenvolvimento rural, trabalho e solidariedade social,

educação cultura, ambiente e ordenamento e apoio municipal. Permite uma maior proximidade a serviços essenciais para a população sem custos demasiados elevados devido à partilha de instalações

e de recursos humanos. Este instrumento, está já no terreno, num projecto-piloto em Terras de Basto, tendo sido criado através da colaboração de cinco Ministérios. [7]

A opção por um ou outro equipamento depende de muitos factores, mas genericamente, o primeiro

será o mais disseminado e terá uma maior proximidade às aldeias. O segundo, por exigir mais recursos, terá de ser mais ponderado e a sua localização deverá servir um conjunto mais alargado de aldeias e vilas. No entanto, mais importante do que o número de pessoas que vai servir é a distância e

o tempo de viagem a que dista.

Dos programas de apoio ao desenvolvimento regional, destaca-se o Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos (PROVAR) que tem como objectivo promover acções, de forma

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integrada, com vista à valorização económica dos recursos endógenos das regiões, contribuindo para uma maior competitividade de base económica visando, para a criação de emprego e de forma mais geral, a sustentabilidade económica e social das regiões envolvidas. Este instrumento visa apoiar projectos-âncora de natureza económica e/ou tecnológica e integrar-se num sistema de incentivos cuja aplicação possa privilegiar centros de excelência. [3]

2.2.1.1 Turismo

O turismo é encarado como um sector de elevado potencial para estimular o desenvolvimento das

áreas rurais, cujas características específicas (paisagísticas, ambientais e sócio-culturais) são cada vez mais valorizadas. As perspectivas, em termos de fluxo de turistas, são promissoras. A tendência para

as férias de curta duração tem provocado um acréscimo de estadas em destinos rurais.

A uniformização e descaracterização dos destinos turísticos provocados pelo processo de globalização

tende a valorizar aquilo que nas regiões há de diferente, único, intransferível. A globalização constitui,

portanto, uma oportunidade. O espaço rural deve posicionar-se como um espaço de qualidade, tirando a máximo proveito dos atributos de que é detentor através, por exemplo, do turismo no espaço rural (TER) que se insere no designado turismo dos três “L” – Lore, Landscape and Leisure (Tradições, Paisagens e Lazer) - que tende a fazer frente ao massificado turismo dos três “S” – Sun, Sea and Sand (Sol, Mar e Praia).

Em Portugal, o turismo no espaço rural (TER) foi consagrado legalmente em 1984 (D.L. nº251/84 de 25 de Julho). Actualmente compreende os serviços de hospedagem prestados nas modalidades de turismo de habitação, turismo rural, agro-turismo, turismo de aldeia, casas de campo, hotéis rurais, parques de campismo rurais, bem como as actividades de animação ou diversão que se destinem à ocupação dos tempos livres dos turistas e contribuam para a divulgação da região.

No entanto, se esta actividade económica pode proporcionar um maior valor acrescentado a espaços com património natural e sociocultural, também pode colocá-los em perigo. É nesta linha de preocupação que surge o denominado “turismo sustentável”. Esta forma de turismo tenta responder às necessidades actuais dos turistas, indústria e comunidades visitadas, sem pôr em causa a capacidade de satisfação das necessidades das gerações futuras. Como refere Swarbrooke (1999), o turismo tem impactos ambientes, económicos e sociais, pelo que o turismo sustentável pretende maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos. [8]

maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos. [8] Figura 2.2 - As dimensões do turismo

Figura 2.2 - As dimensões do turismo sustentável. [13]

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A promoção do turismo deve ser feita a nível regional de forma a permitir o reforço da organização,

complementaridade e integração da oferta turística. A pequena dimensão das unidades turísticas instaladas e a inexistência de articulações entre elas, tem sido uma das principais razões da dificuldade de criação de novas estruturas de animação e de uma organização consistente de novos produtos e serviços turísticos, designadamente circuitos turísticos organizados, turismo activo, visitas a parques e

percursos e interpretação da natureza.

É imprescindível a resolução das dificuldades na aprovação de projectos e é necessário, também,

encontrar metodologias simplificadas ajustadas aos instrumentos de planeamento e ordenamento que, protegendo os interesses públicos, permitam definir com rapidez as condições de concretização dos empreendimentos. [9]

A par do ordenamento do território deve ocorrer um ordenamento turístico em paralelo. Este pode ser

feito a nível do concelho e deve abordar áreas como a promoção e marketing do concelho, o desenvolvimento de infra-estruturas de apoio ao turismo, apoio de projectos de TER, melhoria da sinalização turística, melhoria das vias de acesso aos pontos de maior interesse, apoio a projectos de

valorização turística, conservação do património histórico e arqueológico, valorização das artes tradicionais (cestaria, tanoaria, bordados), apoio a festivais, feiras e a elaboração de informação para

os turistas (mapas, folhetos com vários itinerários). [8]

Por uma questão de racionalização de recursos, devem ser definidos os pólos turísticos com maior potencial de desenvolvimento e que produzam efeitos positivos sobre as áreas rurais e as pequenas e médias cidades do interior. Para tal, devem-se reforçar as medidas de apoio directo a projectos com claro impacto na valorização turística dessas áreas, tanto pelo seu potencial de crescimento como pelo efeito benéfico sobre a região circundante. A título exemplificativo, podemos citar como exemplos com elevado potencial, a região do Vale do Douro e a zona da grande barragem do Alqueva (figura

2.3).

do Vale do Douro e a zona da grande barragem do Alqueva (figura 2.3). Figura 2.3

Figura 2.3 - Recursos turísticos do Douro. [2]

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Decorrente dos recursos turísticos existentes nessas regiões, devem ser identificados os produtos turísticos prioritários que poderão ser, nomeadamente, o turismo histórico-cultural (Touring), o turismo de natureza e a gastronomia e vinhos (Enoturismo).

A oferta de alojamento hoteleiro nas regiões do interior é, ainda, pouco significativa. Neste sentido

importa desenvolver um aumento da oferta de alojamento assente em padrões de qualidade e

sustentabilidade.

Fazendo uma análise SWOT generalizada às regiões rurais de Portugal continental temos como pontos fortes: a paisagem única, um vasto património histórico-cultural e arqueológico, um importante e contínuo Património Natural e Paisagístico - o Parque Natural do Douro Internacional, Parque do Alvão, Parque Natural do Sudoeste Alentejano, o Grande Lago do Alqueva - uma oferta turística diversificada (turismo rural, vinhos e gastronomia, cruzeiros, cultura, comboios históricos, etc.)

Os novos padrões de consumo e motivações, privilegiando destinos que ofereçam experiências diversificadas e com elevado grau de autenticidade e qualidade ambiental é, sem dúvida, uma grande oportunidade.

Os pontos fracos das regiões rurais são a população envelhecida e com baixos níveis de escolaridade, más acessibilidades, má sinalização turística, a incapacidade de fixação de visitantes (baixas taxas de ocupação e permanência média), a insuficiente oferta de alojamento de qualidade e a falta de recursos humanos qualificados no sector.

Tem como ameaças, a perda de competitividade relativamente a outros destinos (regiões concorrenciais, com a mesma tipologia de oferta), o envelhecimento populacional e o contínuo processo de desertificação, a persistência dos principais problemas de condicionamento ao nível das infra-estruturas (acessibilidades), de ordenamento paisagístico e de qualidade ambiental, a perda de oportunidades na atracção de promotores e de investimento (resultante de um lento e complexo processo de aprovação de projectos), verificando-se que a necessidade de actuação em rede e em escala não é compatível com a fraqueza da concertação estratégica regional e com a pulverização de actuações dispersas.

A valorização do património rural, padrão tradicional da paisagem e dos núcleos populacionais em

meio rural, é fundamental para a prossecução de uma estratégia de desenvolvimento turístico sustentável. A oferta turística tem de crescer assente em elevados padrões de qualidade e sustentabilidade onde a matriz “aldeias” (associadas à oferta de TER) deverá constituir um elemento central da estratégia do turismo. [9]

2.2.1.2 Agricultura

As principais actividades das zonas rurais estão ainda ligadas à agricultura e à pastorícia, embora na grande maioria sejam essencialmente de subsistência. Apesar de o turismo ser a via para um maior desenvolvimento das aldeias, tal não é extensível a todas para além de ser uma actividade tendencialmente sazonal. É indispensável que, a par das actividades não agrícolas, geradoras de emprego se desenvolva e modernize a agricultura local.

Com a nova Política Agrícola comum (PAC), a União Europeia tem desenvolvido uma série de iniciativas tendo como prioridade encontrar meios de estimular a multifuncionalidade das zonas rurais.

A PAC preconiza a indissociabilidade entre o futuro da agricultura, do mundo rural e da sociedade

como um todo. Entre os investimentos prioritários surgem o apoio ao pequeno agricultor, no desenvolvimento de agricultura biológica, o apoio à florestação e a certificação de produtos originais e qualidade comprovada. [10]

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2.2.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A

preservação do ambiente é hoje em dia uma preocupação generalizada da nossa sociedade.

O

desenvolvimento sustentável é fundamentalmente uma forma de uso responsável dos recursos de

modo a não comprometer as gerações futuras. Isso implica deixar a mesma qualidade e quantidade de recursos naturais, de que dispomos, para as próximas gerações. Os recursos naturais que devemos conservar são, para além das matérias-primas existentes na natureza, as espécies de fauna e flora, o solo e a preservação das suas características naturais.

O conceito de sustentabilidade deve ser abordado não só à escala de uma aldeia ou de uma cidade mas

também à escala regional sendo a região a considerar o aglomerado urbano ou aglomerados urbanos e todo o seu espaço rural circundante. A sua delimitação deve ser estudada caso a caso devido à multiplicidade de situações existentes, sendo sempre uma consideração de carácter subjectivo.

A análise do equilíbrio e sustentabilidade de uma região deve ser pensada de forma sistémica devendo

ser integradas as questões da economia, da ecologia e da coesão social.

Uma cidade não consegue ser por si só sustentável. A expressão “cidades sustentáveis”, tema muito em voga, não é mais que um sinónimo de cidade eficiente (envolvendo, entre outros aspectos, uma menor produção de resíduos e um menor consumo de energia). As cidades não são sustentáveis porque exploram os recursos de outras regiões, embora, as regiões que as contêm possam e devam ser sustentáveis. Qualquer cidade depende da sua região envolvente ou de outras regiões que suprimam as suas necessidades. A cidade não produz as quantidades que consome de alimento, água e energia. Por outro lado exporta resíduos urbanos e industriais, águas residuais e poluentes atmosféricos. No entanto, exporta também conhecimentos, serviços e transformação sobre os produtos com o consequente valor acrescentado.

Se a sustentabilidade depende do nível de exploração e regeneração dos recursos naturais, então a sustentabilidade da cidade depende da ou das regiões que a fornecem de matérias-primas, energia, água e alimento. Por esta razão não faz sentido equacionar a sustentabilidade de uma cidade mas sim a sustentabilidade de uma região.

Sendo a produção de bens feita a um nível regional, a energia gasta no seu transporte é menor. Simultaneamente a proximidade possibilita uma gestão mais cuidada e responsável dos recursos naturais o que promove a responsabilização das populações sobre os impactos ambientais e sobre a gestão dos seus recursos naturais. O típico efeito nimby – not in my back yard (não no meu quintal) - é sentido, por exemplo, quando se pretende construir um aterro sanitário.

As grandes cidades resultam do êxodo rural, motivado pela falta de oportunidades nestas regiões que é causa, essencialmente, de políticas que levam à sucessiva especialização das produções agrícolas para redução de custos, promovendo as exportações entre regiões e a centralização de custos. O crescimento das cidades, e consequentemente o aumento da necessidade de recursos, não é acompanhado pela capacidade que a região que a envolve tem de satisfazer as necessidades básicas dos seus habitantes. [7]

A Comissão Europeia, através do documento intitulado “Esquema de Desenvolvimento do Espaço

Comunitário” (EDEC) de 1999, defende o desenvolvimento policêntrico das cidades de uma forma equilibrada e o reforço da parceria entre os espaços urbanos e rurais. Num sistema urbano deste tipo,

as cidades de pequena e média dimensão e as suas interligações constituem nós e redes de união importantes na estrutura territorial, sobretudo para as zonas rurais.

Tal orientação traduz a necessidade de uma visão integrada que engloba a cidade e o campo como uma unidade territorial funcional, caracterizada por inter-relações e inter-dependências múltiplas. Neste

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sentido, as cidades podem ser vistas como um potencial foco de iniciativas de desenvolvimento, com benefícios que se espera venha a ter na área rural circundante. [6]

No entanto vemo-nos confrontados com a estagnação das vilas, sede de concelho, das regiões mais interiores, e a sua incapacidade de fixar população e de criar novas dinâmicas de desenvolvimento, a par da perda progressiva de serviços numa perspectiva economicista do Estado. Estes centros não são suficientemente “urbanos” para satisfazer todas as necessidades da população. [10]

A evidência empírica tem sugerido que as pequenas cidades são motores de desenvolvimento das

zonas rurais, particularmente as mais remotas. (Courtney e Errington, 2000). As pequenas e médias cidades têm um papel determinante na integração das funções socioeconómicas do meio rural que as envolve. Adicionalmente actuam como entreposto entre o mundo rural e as áreas metropolitanas

próximas. Como tal, urge a necessidade de uma maior atenção sobre elas para que seja possível um desenvolvimento mais coerente e homogéneo do território nacional. [6]

A sustentabilidade é condição essencial ao desenvolvimento turístico, em termos ambientais, da

“paisagem cultural evolutiva e viva”, e de uma dinâmica económica e social mobilizadora, exigindo

um equilíbrio entre o activo do território e a sua capacidade de acolhimento, que assegure a preservação do património natural, cultural e ambiental. [9]

2.2.3 PLANEAMENTO URBANO

Apesar de as aldeias apresentarem um decréscimo populacional, o mesmo não se verifica ao nível da construção, como testemunha o aumento do número de segundas habitações. Com a progressiva melhoria da qualidade de vida da população em geral, as aldeias que se esvaziaram com alguma rapidez nas décadas anteriores, passaram a encher-se durante os meses de Verão. O rápido crescimento das aldeias não é, no entanto, acompanhado por um correcto planeamento, não sendo prestada qualquer atenção ao modo como o seu desenvolvimento se processa criando-se muitas vezes zonas sem qualidade e sem qualquer ligação ao pré-existente. [11]

Os emigrantes mantêm uma forte ligação à sua terra de origem e, apesar de não regressarem de forma

definitiva, logo que financeiramente possível constroem uma casa de férias, muitas das vezes com características do país onde agora residem. Não só os materiais e as tipologias são diferentes, como também a inserção no próprio espaço.

diferentes, como também a inserção no próprio espaço. Figura 2.4 – Edifício dissonante em volume e

Figura 2.4 – Edifício dissonante em volume e nos materiais utilizados na aldeia da Quintandona.

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

A arquitectura vernacular foi, e ainda é, largamente ignorada, quer nas novas construções, quer na preservação das já existentes. Observam-se exemplos de arquitectura popular em ruínas ou com alterações profundas que as tornam quase irreconhecíveis. É frequente observar-se, entre grupos de casas de arquitectura popular, edifícios dissonantes, quer pelas suas dimensões, quer pelos materiais aplicados que, em oposição aos usados tradicionalmente, quebraram a relação harmoniosa com a envolvente.

quebraram a relação harmoniosa com a envolvente. Figura 2.5 - Edifício dissonante em volume e nos

Figura 2.5 - Edifício dissonante em volume e nos materiais utilizados na aldeia de Marialva.

As aldeias que podiam beneficiar economicamente do seu aspecto pitoresco, característico e único como atracção turística, estão progressivamente a prejudicar o seu futuro com a destruição irreversível de grande parte da sua herança e identidade colectivas, num mundo que é cada vez mais global e homogéneo.

As construções são normalmente feitas ao gosto dos proprietários dos terrenos, por vezes, sem qualquer auxílio a nível urbanístico e até arquitectónico por parte de um técnico ou entidade competentes. O uso de materiais e modificações nos edifícios levam não só à descaracterização destes como à descaracterização dos lugares.

Com a generalização do uso do automóvel foram criados novos acessos às aldeias. Tal despoletou um acrescido interesse para a construção de novas casas, nestes novos acessos, abandonando o centro da aldeia e consequentemente, esbatendo a vontade de recuperar as casas antigas. A maioria do edificado encontra-se devoluto sendo, no entanto, esse edificado, o que apresenta maior interesse arquitectónico pois inclui, muitas vezes, bons exemplos de arquitectura popular. [13]

As construções mais recentes apesar de se localizarem sobretudo nas áreas mais periféricas da aldeia, podem ser encontradas também na zona mais antiga. Estas construções, habitualmente, não respeitam os materiais e tipologias tradicionais, tornando-se dissonantes e levando à descaracterização do lugar, que poderia fazer uso da sua tradição arquitectónica para se “promover”, nomeadamente através do turismo. Muitas das novas construções são de génese ilegal, talvez devido aos impedimentos

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burocráticos que os emigrantes encontram, uma vez que permanecendo apenas durante o período de férias, dispõem de pouco tempo.

Existe actualmente algum desprezo pela aldeia tradicional. A aldeia com as suas casas de pedra deu lugar aos loteamentos em banda e às grandes vivendas de betão. Existe unicamente a preocupação de cumprir os requisitos mínimos para a aprovação de projecto de loteamento. As áreas de cedências são cumpridas por obrigação sem no entanto serem pensadas verdadeiramente como um espaço de estar. O desenho urbano acaba por se tornar uma mera formalidade resumida a uma esquadria de ruas paralelas e perpendiculares, sem que aja um esforço para criar espaços de qualidade. O espaço como entidade funcional, parte essencial da construção de um lugar urbano, foi esquecido, sendo agora o único objectivo o de dar acesso aos lotes através de uma rua ficando a grande maioria do espaço sobrante remetido para o domínio privado.

O modo de vida das populações também mudou: houve uma massificação de cafés, bares e

restaurantes assumindo, estes, um papel de extrema relevância como locais de encontro e lazer, remetendo para segundo plano o espaço público. Este deixou de ser uma prioridade no planeamento, urbano o que levou à diminuição da sua qualidade.

Um espaço público pode ter leituras diferentes que lhe conferem significados distintos que, por sua vez, se relacionam com a memória colectiva da população. O espaço público é constituído por vários elementos: a vegetação, o mobiliário urbano, os serviços e instalações, os elementos de informação, a iluminação, passagens e passadiços, entre outros, e a presença de qualquer um deles pode tornar um lugar mais ou menos agradável, mais ou menos significativo, dependendo da sua adequação ao local onde se insere, quer em qualidade, quer em quantidade. A presença de edifícios dissonantes, ou de mobiliário urbano insuficiente ou de fraca qualidade, tal como o que resulta de um inadequado desenho e dimensionamento do espaço, levaram à decadência destes lugares.

Esta perda de identidade arrasta com ela um conjunto de factores que, pela sua singularidade em relação às grandes urbes, poderiam cativar potenciais interessados. Os baixos índices de poluição, espaços verdes, contacto com a natureza e um ritmo de vida mais calmo são algumas das mais-valias para atrair quem não vive aqui. A população que habita a cidade, quando se desloca a uma aldeia, procura um espaço com características diferentes do local onde vive. Deste modo, moldar as aldeias à semelhança das cidades é um erro grave que põe em causa a sobrevivência da própria aldeia.

É obviamente essencial o processo de modernização das infra-estruturas, dos espaços públicos e das habitações. É preciso dotar os lugares das condições indispensáveis para o usufruto e para a melhoria

da qualidade de vida da população, para não incorrer no erro de criarmos “aldeias-museu”, onde a

vivencia do espaço é impedida por limitações à mudança. No entanto, o processo de modernização em curso deve respeitar a tradição do lugar, de modo a não o descaracterizar.

É necessário encontrar um desenho do espaço público que faça a ponte entre o lugar com um significado e uma história próprias e as novas necessidades e modos de vida, nomeadamente a necessidade de locais de estacionamento e de espaços para crianças e jovens, reclamados, principalmente, no Verão, bem como de locais onde os mais velhos possam passar o seu tempo. São espaços que devem ser pensados e tidos em conta.

Daí a importância de instrumentos como o ordenamento do território, que deve assegurar que as edificações, isoladas ou em conjunto, se integram na paisagem, contribuindo para a valorização da envolvente. Os planos de âmbito nacional e regional devem ser complementados por adequados Planos de Pormenor (PP) sujeitos a uma permanente revisão e actualização.

Reabilitação de Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso

Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 2.6 – Espaço público reabilitado

Figura 2.6 – Espaço público reabilitado na aldeia de Pedralva.

Os espaços rurais apresentam graves problemas de ordenamento de território: o abandono; as baixas

densidades; novas procuras residenciais desligadas da actividade agrícola; novos modelos habitacionais; descaracterização e degradação das aldeias (abandono e ruínas no centro e construções

dispersas na envolvente); formas desadequadas de uso do espaço.

O correcto ordenamento do território visa assegurar a defesa e valorização do património cultural e natural e salvaguardar e valorizar as potencialidades do espaço rural, contendo a desertificação e incentivando a criação de oportunidades de emprego. [2]

A necessidade de legislar sobre certos aspectos relacionados com a expansão das aldeias é

fundamental para que sejam protegidos os espaços públicos e as construções de carácter tradicional.

São necessários planos de pormenor e outros instrumentos que possam actuar a várias escalas, permitindo um controlo mais eficiente por parte da administração local. Torna-se imperativo que exista mais informação e menor burocratização.

O correcto crescimento físico de uma aldeia pode influenciar positivamente o seu crescimento

populacional e consequente desenvolvimento económico, particularmente em iniciativas ligadas ao turismo de qualidade, associadas às características particulares de cada aldeia, e que permitam também

reforçar a sua identidade.

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3

REABILITAÇÃO DE CONSTRUÇÕES RURAIS

3.1 INTRODUÇÃO

A casa popular rural é o elemento mais significativo e importante da paisagem trabalhada pelo homem

- é o produto das relações do Homem com a Natureza -, quer pela grande diversidade de tipologias quer pela maneira como se conseguiram adaptar e responder a condicionalismos de várias ordens – geográficos, económicos e históricos. “Um tipo de habitação resulta, as mais das vezes, de uma longa evolução; ele resume a experiencia de gerações de gentes da terra; ele forma, na realidade (…) uma ferramenta adaptada ao trabalho do homem do campo; este transmite-a tal como os seus antepassados a conceberam e realizaram”. [12] Segundo certos autores, a casa rural serve não só para a habitação mas também como instrumento de trabalho agrícola adaptado ao tipo de exploração da terra.

A casa popular difere, de região para região, na forma e nos pormenores decorativos. Esta diversidade

de tipos deve-se à acção de múltiplos factores que se combinam e interagem das mais diversas formas

e hierarquias: pelos diferentes materiais disponíveis localmente, pelas particularidades geológicas e

climatéricas, pelas diferenças culturais e sociais. Sem dúvida que a presença ou ausência de determinados materiais, o clima e o tipo de agricultura praticado são factores determinantes das características da casa popular regional, embora, a tradição seja sempre o factor mais significativo.

De uma forma muito generalista, podemos dividir Portugal Continental em duas regiões, de áreas sensivelmente iguais mas muito distintas nos mais variados aspectos: o Norte, muito montanhoso e de litoral plano e o Sul, região de planícies desérticas e hostis. Esta divisão geral não é fiel à grande diversidade geográfico-cultural que marca o país, resultante da presença do oceano, das montanhas, dos planaltos e planícies, da faixa litoral, das diferentes vegetações e climas e das diversas heranças culturais deixadas pelos povos que passaram por Portugal mas permite enquadrar a casa rural popular no contexto do país e incluí-la nesta divisão: a casa-torre, de rés-do-chão e andar, a Norte e a casa térrea, a Sul. No capítulo seguinte esta divisão será explicada e aprofundada. [14]

Pela importância histórica e pelo dever de preservar uma tão rica herança cultural e paisagística, a reabilitação da casa popular é fundamental sendo também um contributo para a melhoria da qualidade de vida das populações rurais.

Para o estudo da casa popular é importante definir os diferentes tipos de casas mas, não menos importante, é preciso também perceber as diferentes formas como se organizam as povoações em que inserem.

Segundo Ernesto Oliveira e Fernando Galhano, existem três tipos de povoações:

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a) As povoações localizadas em planícies: localizadas em lugares de relevo pouco exigente, possibilitando uma área de ocupação mais vasta; permite um maior afastamento entre as casas reflexo nas ruas mais largas e espaços públicos de maiores dimensões (largos e praças);

b) As povoações de montanhas: a estrutura da aldeia é mais condicionada pelo relevo mais acentuado e um clima mais agreste; Consequentemente, as casas estão mais próximas umas das outras de modo a protegerem-se melhor do clima; As ruas e espaços públicos possuem menores dimensões e são mais irregulares para melhor se ajustarem ao relevo;

c) As populações localizadas em cristas montanhosas: caracterizam-se por possuir uma rua principal que segue a direcção do talvegue principal; é aí que se localizam a maioria das casas e os principais espaços públicos; Desta, saem ruas de menor importância, tendencialmente perpendiculares à via principal. [11]

tendencialmente perpendiculares à via principal. [11] Figura 3.1 – Esquema de povoações localizadas em

Figura 3.1 – Esquema de povoações localizadas em planícies. [11]

3.1 – Esquema de povoações localizadas em planícies. [11] Figura 3.2 – Esquema de povoações de

Figura 3.2 – Esquema de povoações de montanha. [11]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 3.3 – Esquema de povoações

Figura 3.3 – Esquema de povoações em cristas montanhosas. [11]

Genericamente, a organização dos povoados é do tipo concentrado, ou seja, as edificações encontram- se implantadas de forma relativamente coesa. Os espaços públicos de estar (largos e praças) resumem- se ao adro da Igreja. Desde a Idade Média que as construções de cariz religioso surgem como catalisador para a formação de um povoado, e a praça que surge em seu torno serve, para além de exaltar a sua importância de lugar de encontro e convívio da população. Em tempos, era o local onde se realizava o mercado periódico para a venda de produtos agrícolas e de gado.

Existem, também, os espaços semi-públicos (pátios): têm um carácter público, uma vez que não pertencem a nenhuma identidade privada mas estão limitados às pessoas que habitam as casas que circunscrevem o pátio. A sua forma em U cria um ambiente intimista. [11]

Certas povoações pertencem a um arco temporal de vários séculos, formaram-se e evoluíram a partir de aglomerados romanos e são o resultado de um processo lento de evolução, traduzindo o esforço de desenvolvimento de cada época. As suas construções feitas de materiais idênticos, de cércea baixa, sujeitaram-se às imposições do terreno, dotando estas povoações de uma imagem singular. Representam um importante legado do nosso passado e da memória colectiva da população rural. [15]

Este legado cultural, em toda a sua dimensão, é um importante recurso a colocar ao serviço do desenvolvimento regional. O mundo rural tem mostrado pouca capacidade para atrair investimento em sectores como o terciário, pela localização periférica relativamente aos centros urbanos e pela falta de infra-estruturas. O turismo tem vindo, no entanto, a assumir-se como um eixo estratégico e de grande importância na base económica destas regiões, devendo basear-se no respectivo património arquitectónico, cultural e ambiental.

3.2 AS CONSTRUÇÕES RURAIS

Antes de pensarmos no modo de intervir nas aldeias – demolições, restauro, reabilitação, manutenção

– é necessário perceber os elementos característicos de cada tipo de casa, os elementos diferenciadores

e únicos e os espaços onde se inserem, de maneira a que as intervenções nos edifícios existentes e os futuros edifícios a construir, e mesmo os planos de pormenor e similares não descaracterizem a paisagem.

Vários autores que estudaram a casa popular rural fizeram a sua classificação. Na opinião de Demangeon as habitações devem ser definidas segundo o seu plano interior, isto é, na relação entre a função habitação e a função agrícola e não segundo os materiais utilizados na sua construção ou as suas formas exteriores. A tipologia da casa rural é muito influenciada pelo tipo de agricultura

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praticada, decorrente do meio geográfico em que se insere. Desta forma consegue-se uma classificação muito mais significante do que na consideração dos materiais construtivos. Certos pormenores construtivos e arquitectónicos contribuem para a autenticidade de uma aldeia mas são aspectos que evoluem e se alteram pelo que o autor defende por isso que a “verdadeira originalidade (…) reside no plano, na repartição dos diferentes locais, nessa ordem interna que se faz reinar”. [12]

O autor estabeleceu uma classificação base dividindo-as em dois grupos distintos: a casa-bloco, onde

todas as funções (habitação, abrigo de gado e arrecadações) se situam no mesmo edifício, e casa-pátio,

em que cada um destes sectores possui um edifício próprio e independente, que se dispõem em torno

de um pátio central, podendo este ser aberto ou fechado.

Sob o ponto de vista da sua estrutura arquitectónica fundamental, a casa popular, pode ser de dois pisos ou térrea. A casa de dois pisos, – a casa-torre -, caracteristicamente, reserva o piso térreo para gado e arrumações e o andar para habitação. Ela é a casa popular rural do Norte, nomeadamente, das regiões de Entre-Douro-e-Minho, Trás-os-Montes, Beira Transmontana, Beira Alta e Beira Baixa. Segundo a classificação de Demangeon é a casa-bloco.A casa térrea, mais característica da região sul, destina-se exclusivamente para a habitação. Para além do edifício principal, possui também, a maioria das vezes, dependências para o gado e arrumações, palheiros e lojas, que se organizam à volta de um espaço central, a designada casa—pátio, segundo Demangeon.

A classificação adoptada para a tese terá por base a estrutura arquitectónica, e divide a casa popular

em dois grupos: a casa do Norte – casa de dois pisos – e a casa do Sul – a casa térrea. Em cada grupo, existem inúmeras versões e variantes da casa popular: a casa térrea e a casa de andar; a casa-bloco e a casa-pátio, abertos ou fechado; em pedra – granito, xisto, lousa ou calcário – ou em materiais leves – taipa, adobo, tijolo ou madeira -; cobertura de palha ou em telha, de uma, duas, três ou quatro águas; casas isoladas ou em áreas de povoamento concentrado. Cada factor, seja natural ou cultural, ajuda a compreender a razão de determinado elemento arquitectónico, sendo, no entanto, de evitar uma linha única de razão, igual para todos os casos. A título de exemplo, a casa-pátio é característica do Alentejo, certamente, por ser uma região plana e onde não se colocam problemas de espaço,

contrariamente às regiões montanhosas a norte onde tipicamente se encontra a casa-torre, que engloba todas as dependência debaixo do mesmo tecto.

A casa popular rural em Portugal, nos seus diversos tipos e variantes impostos pelas particularidades

locais de várias ordens, tem como característica comum uma simplicidade arquitectónica e por regra apresentam uma planta rectangular simples. Numa divisão muito abrangente, a casa-torre, de dois pisos funcionalmente distintos, paredes de alvenaria de pedra, grande parte das vezes, sem reboco, interior e exteriormente, de aspecto rude, é a casa do Norte. Por outro lado, a casa térrea, feita de materiais leves, só para habitação, de paredes rebocadas e caiadas, interior e exteriormente é a casa do

Sul. [14]

A casa popular do Norte – a casa-torre - apresenta algumas variantes conforme a região. Na zona

serrana, onde as principais actividades são a agricultura e a pastorícia, o povoamento é muito concentrado, e as casas agrupam-se num bloco muito compacto, quase que misturadas umas com as outras. A casa serrana, é a típica casa do norte, mas mais pequena. De planta rectangular, o aparelho tosco de pedra solta à vista e sem reboco, interior e exteriormente. Observa-se um aparelho mais cuidado das padieiras, ombreiras e cunhais. Apresenta poucas aberturas e elementos decorativos. Tem dois pisos funcionalmente distintos – o piso térreo para guardar o gado e o andar para habitação -, a varanda e a escada exterior. Apresentam feições rudes e toscas, e guarda-ventos para proteger do vento e a cobertura, de colmo ou telha caleira, é frequentemente de quatro águas.

Aproveitam, sempre que possível, o declive do terreno de modo a dispensar a escada. Esta, quando existe, é exterior e de pedra, e fica junto à fachada principal. No cimo da escada forma-se uma espécie

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de varanda, onde se localiza a entrada da casa. Por vezes esta é coberta criando-se, assim, um alpendre. A cobertura de colmo, frequentemente utilizada, foi sendo substituída pela telha caleira e mais recentemente pela telha Marselha.

Interiormente, o aparelho de pedra descuidado fica à vista, as casas são escuras e raras são as divisões, que, quando existem, são de madeira. Não possuem chaminé. É frequente ver casas encostadas a afloramentos rochosos, quando não mesmo, usam estes como parede. [14]

rochosos, quando não mesmo, usam estes como parede. [14] Figura 3.4 – Exemplo da casa popular

Figura 3.4 – Exemplo da casa popular do Norte, a casa-torre, na aldeia de Marialva.

A zona transmontana delimitada entre o Gerês e o Marão, correspondente à parte norte do distrito de Bragança, região de maior altitude, a Terra Fria Transmontana, é uma região planáltica e montanhosa, rasgada por vales abruptos e rios estreitos. O clima do tipo continental é muito exigente, proporcionando Invernos gelados e chuvosos e Verões excessivamente quentes, secando os rios e fontes – a Ibéria Seca. Esta região é pobre em vegetação e árvores. A principal actividade é a pastoril, sendo que o gado grosso tem lugar nas zonas húmidas - os lameiros - e o gado miúdo, explorado em grande escala, nos montes e restante território.

As povoações, muito concentradas e remotas, foram surgindo, ao longo dos tempos, à volta das nascentes de água e em sítios altos, por razões de defesa. As casas estão muito juntas e têm uma feição rude e escura. A pedra predominante é o xisto. A casa popular transmontana inclui-se, também, na categoria da casa do Norte. Tem um aspecto rude, aparelho de pedra solta, - xisto ou granito - sem qualquer reboco, interior e exteriormente, com poucas aberturas, o telhado é coberto de lousa ou colmo. Apresenta também rés-do-chão e andar de pisos funcionalmente distintos. Tem a escada e a varanda exteriores. Nesta variante transmontana, a varanda é sempre coberta pelo telhado. [14]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 3.5 – Telhado em lousa

Figura 3.5 – Telhado em lousa na aldeia do Bobal.

Na Terra Quente Transmontana, mais a sul, junto ao vale do rio Douro e seus afluentes, de clima mais suave, a casa popular apresenta as mesmas características da casa do Norte, sendo o xisto a pedra predominante. Nesta região as casas são rebocadas e caiadas, mais frequentemente. O piso térreo é um aparelho de pedra e o andar é em tabique, normalmente em ressalto sobre a parede de pedra do rés-do- chão. O tabique, a maioria das vezes é caiado de branco. Os telhados são de duas ou quatro águas, sendo também caiados. Tratando-se de uma região com grande relevo é frequente observarem-se casas muito altas, ficando o piso superior ao nível do rés-do-chão, nas traseiras.

Por fim, na zona interior das Beiras, a casa popular rural típica da região partilha as características da casa nortenha. É usado como material construtivo o granito e o xisto.

A casa do sul, a casa térrea, apresenta características muito distintas da casa do Norte na forma, nos

materiais de construção e nas funções. Contrariamente à do Norte, a casa do Sul é feita de materiais leves como a taipa. Nas regiões do Sul, onde abundam terrenos argilosos e a pedra é rara, as construções são feitas de tijolo e taipa, calcários e mármores. O tijolo, combinado com a taipa, dá maior liberdade de formas relativamente à pedra. É frequente verem-se arcos e abóbadas estruturais e as características chaminés, de formas ricas e variadas. Além da plasticidade que oferecem à construção, estes materiais argilosos apresentam boas propriedades isoladoras térmicas.

A casa popular do Sul é sempre rebocada e caiada, interior e exteriormente, normalmente a branco e a

cores vivas em certos elementos. Possui, tal como no Norte uma planta rectangular e é de um só piso. Tal deve-se, principalmente, à natureza dos materiais construtivos, que não apresentam resistência suficiente para permitir a construção de edifícios elevados. Mas, também, porque no Sul a casa se destina exclusivamente à habitação. As dependências de lavoura ficam em edifícios independentes. O chão é em terra batida ou coberto com lajes, tijolos ou ladrilhos. Possui poucas janelas e de reduzidas dimensões. Frequentemente têm frisos ornamentais. [14]

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Tal como a casa do Norte, ela apresenta derivações regionais. Na região alentejana, constutuída por uma planície coberta de campos de cereal e pousio e por montados de sobreiros e azinheiras as povoações estão muito distantes, umas das outras e dispõem-se em aglomerados brancos que se realçam na paisagem. Pontualmente, aparece um monte alentejano, e os seus edifícios agrícolas.

um monte alentejano, e os seus edifícios agrícolas. Figura 3.6 - Exemplo da casa popular do

Figura 3.6 - Exemplo da casa popular do Sul, a casa térrea na aldeia de Pedralva.

O Alentejo é composto por grandes propriedades e as aldeias surgem entre estas. As aldeias

alentejanas são grandes, de arruamentos regulares, e as suas casas brancas são geralmente de habitação. Os seus habitantes trabalham para as grandes propriedades e é lá que se localizam as dependências agrícolas.

O monte alentejano, compreende as habitações e arrecadações para o gado e produtos agrícolas,

dispostos em edifícios independentes, implantados num vasto território. A casa-pátio aberto é um exemplo de casa popular que se pode encontrar nesses montes. Esta disposição espacial reflecte a prática de cultura extensiva em grande escala e onde não se colocam problemas relativos à falta de espaço.

Na região do Alentejo é frequente encontrarem-se casas onde a fachada frontal só tem a porta, não possuindo janelas. A chaminé é o elemento mais característico e o principal ornamento da casa.

Na região do Algarve, as casas têm uma maior decoração e são mais cuidadas, pois são também rebocadas e caiadas, sendo as caiações mais frequentes que no Alentejo. Têm faixas azuis nas faixas e rodapés, platibandas, cornijas e chaminés muito ornamentadas. Os elementos mais característicos da

casa popular do Algarve são a chaminé, a açoteia e a platibanda escondendo, esta, a maioria das vezes,

o telhado. O tipo de casa que mais frequentemente se encontra é a casa onde a laje de tecto do piso

térreo é de betão, mais recentemente, formando uma varanda ou açoteia na parte frontal da casa e atrás

o pavimento do piso superior. A fachada é decorada com platibandas, cunhais e molduras pintadas de

cores vivas. A açoteia substitui o telhado e serve de lugar a secagem de alimentos e como logradouro.

A escada de acesso ao piso superior parte, normalmente, da cozinha e é abrigada no piso superior.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 3.7 – Chaminés típicas da

Figura 3.7 – Chaminés típicas da casa popular do Sul, aldeia de Pedralva.

típicas da casa popular do Sul, aldeia de Pedralva. Figura 3.8 - Chaminé típica da casa

Figura 3.8 - Chaminé típica da casa popular do Sul, aldeia de Pedralva.

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Feita a caracterização, muito geral da casa popular em Portugal continental, é chegada a hora de referir um tipo de casa popular que se encontra em todo o país e em grande número: a designada casa elementar. Esta é uma casa térrea, simples e pequena, só tem um compartimento e é sobretudo a casa

de famílias das classes pobres das zonas rurais, em especial nas regiões serranas. [14]

Grande parte das habitações rurais não reúne as condições de conforto necessárias para responder aos padrões de qualidade actuais. Principalmente, no Norte, as casas são muito frias e difíceis de aquecer pela falta de isolamento térmico, não possuem chaminé, para extracção de gases e fumos e têm deficientes instalações eléctricas e problemas de humidade provocados por infiltrações de água pelo telhado e por humidade ascensional.

Muitas das casas não possuem saneamento básico, não têm água quente nem casa de banho, e os compartimentos são de reduzidas dimensões. Grande parte das casas estão degradadas, o que se deve à

falta de obras de manutenção que não foram sendo realizadas por serem casas desabitadas ou por falta

de recursos económicas das famílias.

O espaço público também se encontra degradado, na maioria das vezes. [11]

A escolha dos materiais para a construção das casas era condicionada pela disponibilidade local.

Construía-se com pedra – xisto ou granito – ou na falta dela, com materiais leves – adobe, taipa, tijolo

ou madeira. Actualmente, com a facilidade de transportes e com o aparecimento de novos materiais, a

disponibilidade local deixou de ser relevante. Tal tem levado a que certas intervenções realizadas nas casas as tenham descaracterizado, por não haver um cuidado adequado na escolha dos materiais e revestimentos. [14]

3.3 ABORDAGEM À REABILITAÇÃO

A casa popular, para além de grande parte se encontrar abandonada e em avançado estado de

degradação, apresenta um muito grande défice de instalações e muitas condicionantes. Com as intervenções pretende-se habilitar as casas de modo a responder às exigências funcionais actuais, sem

desvirtuar a arquitectura tradicional das habitações.

As intervenções possíveis no edificado são: demolição, correcção de dissonâncias, alteração, reconstrução, restauro e reabilitação. Qualquer que ela seja, no caso de ser uma casa habitada, deve fazer-se sem recorrer ao realojamento, quando possível.

Aquando da intervenção nos espaços rurais há vários factores a ter em atenção: as formas e dimensões dos espaços devem respeitar a tradição da aldeia; manter os materiais tradicionais usados na aldeia; os novos equipamentos devem estar inseridos na malha urbana; não permitir que se construam aldeias de ruas indiferenciadas, mas antes criar pequenos espaços com qualidade; a forma de lotear pode e deve variar; nas novas construções, mesmo que afastadas do núcleo, deve ser criado algum tipo de relação com o pré existente. A existência de certas particularidades nas aldeias reforça a ideia de que cada uma delas possui algo único que deve funcionar como uma mais-valia na sua requalificação. [13]

Antes de se iniciar um processo de intervenção a uma casa numa aldeia é necessário haver um programa. De acordo com o âmbito da dissertação, será abordada a reabilitação da casa popular rural para uso turístico. Qualquer que seja o caso, há seis exigências funcionais essenciais que devem ser tidas em conta: resistência mecânica e estabilidade; segurança contra incêndio; higiene, saúde e ambiente; segurança na utilização; isolamento acústico; isolamento térmico e eficiência energética.

Existem vários problemas que devem ser resolvidos, tanto a nível do espaço público como de cada casa. No campo das infra-estruturas públicas é indispensável haver redes de abastecimento de água potável e de águas residuais e pluviais, rede eléctrica e de telefone, devendo, estas duas últimas serem

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enterradas também. Ainda no espaço público, não devem ser esquecidos a iluminação, os arruamentos, os espaços de estar e o estacionamento.

Quanto às casas, a maioria delas são de pequena dimensão e não respondem às necessidades de uma família actual. Para resolver o problema, podem ser construídos aumentos ou a utilização de mais de uma casa complementada, por exemplo, com a construção de corpos que permitam a ligação destas. No caso de um empreendimento turístico, cada casa pode ter apenas uma função – quarto, recepção, cozinha (funcionando em rede) e desta forma resolver a falta de espaço.

em rede) e desta forma resolver a falta de espaço. Figura 3.9 – Edifício novo de

Figura 3.9 – Edifício novo de complemento à casa rural procurando a integração na paisagem e o respeito pela pré-existência na aldeia de Quintandona.

Qualquer que seja a opção, os novos corpos devem integrar-se na paisagem, devem usar materiais que não desvirtuem a aldeia, e não devem assumir o protagonismo da paisagem, isto é, para quem olha para a aldeia, o que mais chama a atenção devem ser os edifícios de arquitectura popular existentes e não os edifícios mais modernos. A arquitectura destes novos, embora respeitando a pré-existência, deve ter uma imagem contemporânea. É importante que se perceba que são de uma época diferente, de modo a não desvirtuar o legado que nos foi deixado confundindo-se com construções recentes.

nos foi deixado confundindo-se com construções recentes. Figura 3.10 – Edifício novo procurando integrar-se na

Figura 3.10 – Edifício novo procurando integrar-se na paisagem, construído com materiais locais e com linhas contemporâneas na aldeia de Covas.

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Quanto à casa propriamente dita, pelas diferentes tipologias e materiais usados serão abordadas a casa popular do Norte e do Sul separadamente.

A casa do Norte, tem normalmente uma estrutura de alvenaria de pedra resistente que apresenta muitos problemas, desde logo quando é de alvenaria seca, isto é, não leva qualquer argamassa, pela falta de isolamento que proporciona, pela necessidade de grande aquecimento e também pela incapacidade de ser estanque ao ar, podendo também apresentar alguns problemas de estabilidade. Os problemas de isolamento térmico põem-se também, quando o aparelho leva argamassa, se a parede não for suficientemente espessa. A estes, juntam-se a humidade ascensional na base das paredes. Estas casas, não sendo rebocadas interiormente, colocam também problemas de higiene e salubridade, agravados pelas poucas aberturas e as reduzidas dimensões dos compartimentos.

As coberturas também são pontos críticos, registando-se muitas vezes infiltrações.

As soluções para intervenção devem ser pensadas caso a caso, mas de um modo geral, as grandes intervenções podem passar por, a nível das paredes de alvenaria, caso seja de alvenaria seca, introduzir isolamento térmico pelo interior e o acabamento ser feito com placas de gesso cartonado. Em vez das placas de gesso cartonado, pode optar-se pela construção de uma segunda parede em tijolo ou em pedra, para manter a aparência idêntica à inicial. No entanto, habitualmente, estas casas de alvenaria seca pertenciam a famílias pobres, e como tal, a casa é de muito reduzidas dimensões, logo, a opção pela construção de uma segunda parede pelo interior pode não ser viável.

de uma segunda parede pelo interior pode não ser viável. Legenda: 1 – Ligadores 2 –

Legenda:

1 – Ligadores

2 – Parede de alvenaria de pedra

3 – Placa de gesso- cartonado

4 – Isolamento térmico

Figura 3.11 – Pormenor da parede de pedra com isolamento e revestimento a gesso-cartonado, pelo interior.

No caso da parede ser de alvenaria de juntas argamassadas e ter uma espessura significativa, o que proporciona um isolamento térmico aceitável, a opção pela não colocação de isolamento térmico pode ser recomendável. Interiormente a pedra pode ficar à vista ou ser revestida a argamassa.

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Para a eliminação da humidade ascensional deve recorrer-se a uma das várias metodologias conhecidas que podem passar pela colocação de corte hídrico na base, a criação de um canal de arejamento da base das paredes, pelo exterior, ou por soluções de abaixamento do nível freático.

Ao reabilitar a casa do Norte, para fins turísticos, não faz tanto sentido manter a distinção funcional entre pisos, pelo que os dois pisos devem, no final da intervenção, responder aos padrões de qualidade actuais de conforto e a todas as exigências funcionais essenciais.

Devem ser instaladas as redes de abastecimento de água potável e águas residuais e a rede eléctrica e telefónica. Relativamente à cobertura, a estrutura de suporte, quando se encontra em bom estado, deve ser mantida, devendo ser sujeita a acções de conservação. Sobre a estrutura de suporte da cobertura deve ser colocado isolamento térmico, em seguida a subtelha e por fim a telha. O tipo de telha a usar depende da tradição do local devendo, no entanto, dar-se preferência à telha caleira e à lousa. No caso de se optar pela lousa, como é de cor escura, deve ser criada uma estrutura adicional sobre o isolamento térmico de forma a criar uma caixa-de-ar. A opção pelo telhado de colmo só poderá ser feita se este tiver uma função exclusivamente estética, havendo necessidade de uma cobertura inferior. A opção pela subtelha poderá ser suficiente.

inferior. A opção pela subtelha poderá ser suficiente. 1 – Estrutura de madeira 2 – Revestimento

1 – Estrutura de madeira

2 – Revestimento de madeira

3 – Barreira pára-vapor

4 – Isolamento térmico

5 – Subtelha (impermeabilização)

6 – Telha cerâmica

Figura 3.12 – Pormenor do telhado com subtelha. [17]

Quando às aberturas existentes – janelas e portas – estas devem cumprir as exigências funcionais de estanquidade ao ar, isolamento acústico e térmico, e resistência contra a intrusão. Para tal, as janelas originais podem ser mantidas e, no caso de não cumprirem todas as exigências, pode-se recorrer a uma segunda janela ou portada, pelo interior.

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A casa do Sul, deve cumprir as mesmas exigências funcionais que a do Norte. Ela partilha de parte dos problemas da casa nortenha, com destaque para o défice de instalações e as infiltrações pela cobertura. Relativamente à cobertura o procedimento e os materiais intermédios são os mesmos.

Estes locais têm sido descaracterizados, com materiais de construção e decoração das casas que não se coadunam com os elementos tradicionais da paisagem. [8] No momento da intervenção, qualquer material ou acrescento dissonante deve ser removido ou demolido, respectivamente.

Uma forma de educar e sensibilizar a população para a recuperação do edificado passa pela criação de um caderno de encargos resumindo as técnicas construtivas mais aconselhadas na recuperação do edificado das aldeias. [13]

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Os exemplos – as aldeias da Quintandona, de Marialva (Casas do Côro), e de Pedralva – foram escolhidos por serem aldeias cujas habitações rurais foram recuperadas de forma integrada e porque tiveram o papel de, não só, salvaguardar o património mas também o de melhorar a qualidade de vida de núcleos que se encontravam degradados e abandonados. Os três exemplos abrangem as diferenças arquitectónicas e construtivas exploradas em função do material construtivo usado – granito, xisto e adobe – na estrutura das casas.

Estas aldeias possuem um valor cultural, histórico, arquitectónico e construtivo que deve ser preservado e que deve assumir o papel principal perante os novos edifícios.

As três intervenções analisadas respeitam os modos de construção tradicionais, apoiando-se no uso das técnicas modernas, tentando preservar a imagem e o ambiente local.

4

EXEMPLOS DE REFERÊNCIA

a imagem e o ambiente local. 4 EXEMPLOS DE REFERÊNCIA Figura 4.1 Imagem de satélite de

Figura 4.1 Imagem de satélite de Portugal continental e localização das aldeias estudadas. [Google Maps]

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4.1 ALDEIA DE PEDRALVA

4.1.1 ENQUADRAMENTO

O primeiro caso de estudo é um dos projectos de reabilitação mais emblemáticos em Portugal. A

aldeia da Pedralva, localizada em Vila do Bispo, Algarve beneficia de uma localização privilegiada.

Encontra-se entre o Parque Natural do Sudoeste Alentejano com mais de 120 km2 de áreas verdes e a Costa Vicentina.

A aldeia que em tempos teve mais de 100 habitantes encontrava-se agora desertificada e já só tinha 7

moradores. As casas estavam em ruínas e desabitadas. Dos 7 residentes, parte era natural da terra e o resto eram imigrantes. O único negócio existente era uma pizzaria, que se mantém e que é famosa no roteiro gastronómico algarvio.

A inversão no processo de degradação começou quando um empresário, que pretendia comprar uma

casa de férias num sítio calmo e próximo do mar, encontrou a aldeia e percebeu o seu potencial como produto turístico. Juntou-se a 3 amigos para criarem a empresa Surf Hotels que tinha como fim a

reconstrução da aldeia e a oferta de um produto turístico de qualidade.

A primeira parte do processo passou pela aquisição de 31 casas, a antiga escola primária e uma

mercearia e demorou cerca de 2 anos. Os edifícios tinham mais de 200 proprietários, de várias nacionalidades: portugueses, alemães e ingleses. Foi necessário um grande investimento que se foi acentuando à medida que as casas iam sendo compradas. O título de exemplo, a primeira casa custou 15 mil euros e a última, 100 mil.

Terminada a fase de aquisição das casas, começaram as obras de reabilitação. O objectivo era que as casas mantivessem o aspecto mais próximo do original. Nesta fase foram investidos mais de quatro milhões de euros, tendo a câmara contribuído com um milhão de euros, assumindo os encargos de requalificação do espaço público. Estima-se que o impacto económico do projecto Aldeia da Pedralva

na

região seja na ordem dos 2,5 milhões de euros de despesa turística na região por ano. Este projecto

apareceu em várias publicações internacionais, entre elas, a National Geographic Traveler, The

Observer e Sunday Times.

O

empreendimento da Aldeia da Pedralva criou dez empregos directos e trinta indirectos e posiciona-

se

como turismo de aldeia activo. O sucesso deste projecto não está só na boa localização da aldeia –

em pleno parque natural e dispondo de 3 campos de golfe e 25 praias a menos de 20 minutos – mas também nas diversas actividades que disponibiliza aos clientes: aulas de surf, BTT, passeios pedestres, golfe, passeios de burro, observação de aves, pesca em alto mar, horta e roteiros gastronómicos e culturais.

A aldeia dispõe, também, de um restaurante, uma mercearia Gourmet, um espaço para empresas,

equipado com meios audiovisuais e de um Apple Training Center que disponibiliza cursos e

workshops na antiga escola primária.

Para além do cuidado de manter o aspecto original das casas e da aldeia, os responsáveis do empreendimento procuram um equilíbrio de relações entre o turismo e os moradores locais. Não é seu objectivo criar um aldeamento turístico mas sim a reconstrução da aldeia. E realçam a importância de a aldeia ter uma vida para além da parte turística. Cerca de 20 casas pertencem a outros proprietários.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.2 – Imagem de satélite

Figura 4.2 – Imagem de satélite da aldeia de Pedralva. [Google Maps]

– Imagem de satélite da aldeia de Pedralva. [Google Maps] Figura 4.3 - Aldeia de Pedralva.

Figura 4.3 - Aldeia de Pedralva. [Facebook]

4.1.2 INTERVENÇÃO:

Antes da intervenção de reabilitação da aldeia as casas estavam, na sua maioria, abandonadas e em ruína. Tinham infiltrações pelo telhado e as portas e janelas estavam em muito mau estado de conservação. Não tinham saneamento e as redes de abastecimento de água e eléctrica estavam degradadas. O espaço público estava, também, em mau estado. Os arruamentos eram de terra batida, não havia espaços de estar de qualidade e a iluminação pública era muito fraca.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.4 – Um dos últimos

Figura 4.4 – Um dos últimos edifícios em ruínas, na aldeia de Pedralva. Só restam as paredes estruturais. O telhado está destruído, não tem portas nem janelas e as paredes encontram-se praticamente despidas de reboco.

A Câmara, percebendo a importância deste projecto, mostrou-se sempre cooperante e responsabilizou- se pelo espaço público. As intervenções a seu cargo compreenderam a modelação do terreno e criação de espaços verdes, a pavimentação dos arruamentos com pedra, a introdução de mobiliário urbano e sinalização, a implementação das redes de águas pluviais, residuais e de abastecimento de água e a renovação da rede eléctrica e telefónica, passando a ser subterrâneas.

rede eléctrica e telefónica, passando a ser subterrâneas. Figura 4.5 – Casas restauradas. São visíveis as

Figura 4.5 – Casas restauradas. São visíveis as redes, eléctrica e telefónica, aéreas. Já foram implantadas as redes subterrâneas que vão permitir a retirada de todos os cabos aéreos.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.6 – Uma das poucas

Figura 4.6 – Uma das poucas casas que se encontrava habitada. Alguns dos moradores sentiram-se incentivados a pintar as casas à medida que as casas do empreendimento foram ficando concluídas.

que as casas do empreendimento foram ficando concluídas. Figura 4.7 – Olhando os telhados verifica-se que

Figura 4.7 – Olhando os telhados verifica-se que não foram usadas telhas novas no lado visível.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.8 – Novo sistema de

Figura 4.8 – Novo sistema de iluminação pública ao lado do sistema antigo, bem como a rede eléctrica e telefónica aérea que passará a enterrada brevemente.

Nas intervenções às casas, as soluções adoptadas passaram sempre pela manutenção dos materiais existentes e, quando isso não foi possível estruturalmente, recorreu-se a estruturas de betão armado e tijolo. No telhado, a estrutura de madeira original foi aproveitada, quando se encontrava em bom estado de conservação, e foi pintada a cores vivas. Exteriormente, o telhado recebeu isolamento térmico, subtelha e por fim telha caleira. As telhas recuperadas não foram suficientes para a reconstrução dos telhados pelo que se teve de procurar na região telhas usadas, a fim de manter o aspecto rústico dos telhados. Por uma questão de racionalização, as telhas inferiores foram novas e as superiores, que ficam à vista, foram as antigas.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.9 – Espaço verde remodelado

Figura 4.9 – Espaço verde remodelado e o novo pavimento.

Estruturalmente, as casas são de paredes resistentes em adobe e foram mantidas a maior parte delas. Mas sempre que foi necessária a reconstrução de uma parede, recorreu-se a uma estrutura de betão armado e bloco cerâmico. Algumas das casas apresentavam um pé-direito muito alto e, de forma a maximizar o espaço, construiu-se uma laje de piso aligeirada.

o espaço, construiu-se uma laje de piso aligeirada. Figura 4.10 – Casa em reabilitação onde foi

Figura 4.10 – Casa em reabilitação onde foi mantida a estrutura de madeira original.

onde foi mantida a estrutura de madeira original. Figura 4.11 – Aspecto interior da estrutura de

Figura 4.11 – Aspecto interior da estrutura de madeira após reabilitação do edifício. A principal intervenção passou pela pintura.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.12 – Construção de uma

Figura 4.12 – Construção de uma casa alheia ao empreendimento. Estruturalmente, a casa é uma estrutura porticada em betão armado vulgar, não sendo usados os métodos de construção tradicionais.

não sendo usados os métodos de construção tradicionais. Figura 4.13 – A outra frente da casa

Figura 4.13 – A outra frente da casa da figura 4.12.

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Quanto aos acabamentos, todas as paredes foram rebocadas e pintadas, interior e exteriormente, e os pavimentos foram revestidos com azulejo hidráulico. A tinta escolhida é permeável ao ar para que não tenha um comportamento muito diferente de uma caiação. A decoração foi pensada para ser o mais simples possível e todo o mobiliário vem do aproveitamento do que existia. Não existem casas iguais.

do aproveitamento do que existia. Não existem casas iguais. Figura 4.14 – Aproveitamento de uma porta

Figura 4.14 – Aproveitamento de uma porta antiga como cabeceira de cama.

Aproveitamento de uma porta antiga como cabeceira de cama. Figura 4.15 – Aquecedor eléctrico aplicado nas

Figura 4.15 – Aquecedor eléctrico aplicado nas casas com aspecto rústico.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.16 – Pátio de uma

Figura 4.16 – Pátio de uma das casas.

Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.16 – Pátio de uma das casas. Figura 4.17 –

Figura 4.17 – Fachada principal de uma das casas.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.18 – Janela de madeira,

Figura 4.18 – Janela de madeira, nova com vidro simples. Uma vez que as janelas são novas seria recomendável a opção pelo vidro duplo. A janela tem uma portada interior para protecção solar.

duplo. A janela tem uma portada interior para protecção solar. Figura 4.19 – Fachada traseira de

Figura 4.19 – Fachada traseira de uma das casas.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.20 – Fotos de antes
Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.20 – Fotos de antes

Figura 4.20 – Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Tonel. [ Facebook]

e depois da intervenção da Casa do Tonel. [ Facebook] Figura 4.21 - Fotos de antes

Figura 4.21 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Beliche. [ Facebook]

e depois da intervenção da Casa do Beliche. [ Facebook] Figura 4.22 - Fotos de antes

Figura 4.22 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Castelejo.[ Facebook]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.23 - Fotos de antes

Figura 4.23 - Fotos de antes e depois da intervenção da Mercearia. [ Facebook]

de antes e depois da intervenção da Mercearia. [ Facebook] Figura 4.24 - Fotos de antes

Figura 4.24 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa dos Rebolinhos. [ Facebook]

depois da intervenção da Casa dos Rebolinhos. [ Facebook] Figura 4.25 - Fotos de antes e

Figura 4.25 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa da Bordeira. [ Facebook]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.26 - Fotos de antes

Figura 4.26 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa da Ponta Ruiva. [ Facebook]

depois da intervenção da Casa da Ponta Ruiva. [ Facebook] Figura 4.27 - Fotos de antes

Figura 4.27 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa da Ingrina. [ Facebook]

e depois da intervenção da Casa da Ingrina. [ Facebook] Figura 4.28 - Fotos de antes

Figura 4.28 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Telheiro. [ Facebook]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.29 - Fotos de antes

Figura 4.29 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Mirouço. [ Facebook]

e depois da intervenção da Casa do Mirouço. [ Facebook] Figura 4.30 - Fotos de antes

Figura 4.30 - Fotos de antes e depois da intervenção das casas do Castelejo, da Cordoama, da Ingrina e Zavial. [ Facebook]

do Castelejo, da Cordoama, da Ingrina e Zavial. [ Facebook] Figura 4.31 - Fotos de antes

Figura 4.31 - Fotos de antes e depois da intervenção da Casa do Zavial. [ Facebook]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.32 - Fotos de antes

Figura 4.32 - Fotos de antes e depois da intervenção. [ Facebook]

4.32 - Fotos de antes e depois da intervenção. [ Facebook] Figura 4.33 – Quarto de

Figura 4.33 – Quarto de uma das casas do empreendimento. [ Facebook]

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4.2 ALDEIA DA QUINTANDONA

4.2.1 ENQUADRAMENTO

A aldeia de Quintandona, pertencente à freguesia de Lagares e concelho de Penafiel, é uma pequena

aldeia com cerca de 64 habitantes. É um dos casos de estudo escolhidos, não pelo fulgor turístico, uma

vez que são muito poucas as casas usadas para fins turísticos mas sim pelo facto de praticamente todas

as casas e o próprio espaço público estar em óptimo estado de conservação e preservarem os traços

típicos da aldeia. Tal estado de conservação deve-se ao empenho e colaboração da Junta de Freguesia

de Lagares, da Câmara Municipal de Penafiel e dos seus habitantes através do projecto ADER- SOUSA, no âmbito do programa AGRIS.

A procura de terrenos para novas construções tem aumentado pelo que o grande desafio será a perfeita

integração das futuras construções.

A grande actividade cultural da aldeia é a Festa do Caldo de Quintandona. Esta tem lugar todos os

anos no mês de Setembro e junta a arte e a gastronomia. Para além das iguarias, os visitantes podem

assistir a espectáculos de música e teatro de rua e participar em jogos tradicionais.

música e teatro de rua e participar em jogos tradicionais. Figura 4.34 - Imagem de satélite

Figura 4.34 - Imagem de satélite da aldeia de Quintandona. A aldeia encontra-se à esquerda da estrada nacional. [Bing Maps]

encontra-se à esquerda da estrada nacional. [Bing Maps] Figura 4.35 - Imagem de satélite onde se

Figura 4.35 - Imagem de satélite onde se vê a localização da aldeia de Quintandona em relação a às principais cidades que a rodeiam. [Google Maps]

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A aldeia desenvolve-se numa planície e como tal foi crescendo dispersa. As casas foram construídas

juntos aos arruamentos. O resto do espaço livre é preenchido por campos agrícolas e por floresta.

O núcleo mais denso é composto pelas casas mais recentes que já não possuem a arquitectura típica da

aldeia. Esse núcleo encontra-se um pouco a sul, não se misturando com as casas tradicionais, como se

pode ver na imagem seguinte (figura 4.34).

A aldeia tem um potencial turístico ainda por desenvolver. Além da beleza da aldeia, do ar puro e da

tranquilidade a aldeia beneficia da proximidade a Penafiel e à área metropolitana do Porto.

da proximidade a Penafiel e à área metropolitana do Porto. Figura 4.36 – Capela e edifícios

Figura 4.36 – Capela e edifícios adjacentes restaurados. Quem vem da estrada nacional, a praça que se situa em frente a esta capela é uma espécie de hall de entrada na parte antiga.

capela é uma espécie de hall de entrada na parte antiga. Figura 4.37 – Exemplar raro,

Figura 4.37 – Exemplar raro, na aldeia, de casa em granito. Construção de um aumento com os materiais locais - xisto e lousa.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.38 – Pequeno tanque. Figura

Figura 4.38 – Pequeno tanque.

Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.38 – Pequeno tanque. Figura 4.39 – Casa reabilitada. A

Figura 4.39 – Casa reabilitada. A maioria das casas da aldeia foi construída com este tipo de pedra.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.40 – Casa construída maioritariamente

Figura 4.40 – Casa construída maioritariamente com xisto e granito à volta das janelas.

4.40 – Casa construída maioritariamente com xisto e granito à volta das janelas. Figura 4.41 –

Figura 4.41 – Tanque principal.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.42 – As casas são

Figura 4.42 – As casas são na maioria de dois pisos. O candeeiro faz parte da nova rede de iluminação implantada. As redes eléctrica e telefónica são enterradas.

de iluminação implantada. As redes eléctrica e telefónica são enterradas. Figura 4.43 – Casas características. 53

Figura 4.43 – Casas características.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.44 – Arrecadação, telhado em

Figura 4.44 – Arrecadação, telhado em telha cerâmica e lousa.

4.44 – Arrecadação, telhado em telha cerâmica e lousa. Figura 4.45 – Centro cultural – Casa

Figura 4.45 – Centro cultural – Casa do Xiné. Apresenta linhas contemporâneas e procura-se integrar, usando os materiais locais. O volume maior ainda não está revestido.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.46 – Arrecadações construídas com

Figura 4.46 – Arrecadações construídas com materiais inapropriados descaracterizam a aldeia.

com materiais inapropriados descaracterizam a aldeia. Figura 4.47 – Construção perto dos edifícios antigos.

Figura 4.47 – Construção perto dos edifícios antigos. Volumetria e materiais inapropriados tornam este edifício dissonante.

e materiais inapropriados tornam este edifício dissonante. Figura 4.48 – Edifício dissonante relativamente distante

Figura 4.48 – Edifício dissonante relativamente distante das casas históricas mas que descaracteriza a paisagem.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.49 – Edifício em construção

Figura 4.49 – Edifício em construção revestido com materiais locais e de arquitectura simples mas de grande volumetria.

locais e de arquitectura simples mas de grande volumetria. Figura 4.50 – Casa em construção de

Figura 4.50 – Casa em construção de linhas contemporâneas procurando a integração na aldeia.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.51 – Pormenor de janela

Figura 4.51 – Pormenor de janela da casa da figura 4.51.

Figura 4.51 – Pormenor de janela da casa da figura 4.51. Figura 4.52 – Instalação eléctrica

Figura 4.52 – Instalação eléctrica camuflada pelo uso de revestimento em pedra e o caixote do lixo.

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4.3 CASAS DO CÔRO, MARIALVA

4.3.1 ENQUADRAMENTO:

As Casas do Côro são um empreendimento turístico localizado na vila de Marialva, no concelho de Mêda, e distrito da Guarda, na região entre a Beira e o Douro. Marialva é constituída por três núcleos:

a Cidadela no interior do Castelo, o Burgo, nas imediações do Castelo, e a Devesa, situada a sul e que

se estende pela planície e assenta sobre a antiga cidade romana.

Os vestígios de povoações nesta região remontam ao paleolítico, tendo a vila assumido um papel

estratégico na manutenção das fronteiras nacionais. Marialva está classificada como uma das aldeias históricas de Portugal. Envolta num património natural rico e ainda pouco adulterado pelo Homem, os pontos de interesse são muitos, de onde se destacam o Parque Arqueológico do Vale do Côa, Monumento Nacional desde 1997 e Património da Humanidade desde 1998, situado a 20 km. O Castelo e as Igrejas de São Tiago e de São Pedro são alguns exemplos de monumentos que despertam interesse bem como as históricas aldeias que a circundam: Almeida, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo

e Linhares.

Almeida, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo e Linhares. Figura 4.53 - Imagem de satélite da vila de

Figura 4.53 - Imagem de satélite da vila de Marialva. A norte está a parte alta da vila, onde se encontra o castelo e as Casas do Côro. [Bing Maps]

O património habitacional encontra-se, em parte, muito degradado e abandonado, em especial, na zona

do burgo. Muitas das casas encontram-se sem telhado e as paredes de pedra derrubadas. Foi exactamente na zona junto ao castelo que o empresário Paulo Romão decidiu que iria investir. Começou pela aquisição de uma casa e os terrenos circundantes de modo a salvaguardar espaço para uma eventual expansão.

A casa inicial, designada Casa do Côro, oferece 5 quartos e uma suite, sala de jantar e sala de estar.

Posteriormente, o núcleo foi alargado contando agora com 8 casas, a Loja do Côro - com venda de produtos regionais - e o Casão do Lago – o restaurante.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.54 – Casa do Côro,

Figura 4.54 – Casa do Côro, o primeiro edifício do empreendimento. A janela de grandes dimensões rasgada numa casa tradicional é uma das imagens de marca do empreendimento.

Actualmente dispõe de 21 quartos e 3 suites, sauna, jacuzzi, piscina exterior e uma zona de estar na zona mais alta da vila. Estão já projectadas as obras que permitirão reabilitar mais casas, aumentando a oferta para 30 quartos, e a construção de um spa.

a oferta para 30 quartos, e a construção de um spa. Figura 4.55 – Piscina junto

Figura 4.55 – Piscina junto às casas reabilitadas com o castelo ao fundo. [ Facebook]

Todas as casas estão equipadas com lareira, cozinha, aquecimento central e ar condicionado e todos os quartos têm casa de banho privativa e são todos diferentes entre si. O projecto foi realizado pelo

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arquitecto Pedro Brígida que, para além da reabilitação das casas, projectou também a construção de edifícios novos. A decoração ficou a cargo dos proprietários Carmen e Paulo Romão.

O empreendimento Casas do Côro, para além de ser responsável pela reabilitação de algumas casas tradicionais e do espaço envolvente, animou economicamente a região tendo taxas de ocupação elevadas todo o ano. Emprega alguns habitantes da vila e parte dos produtos hortícolas utilizados são cultivados localmente.

produtos hortícolas utilizados são cultivados localmente. Figura 4.56 – Casa onde se encontra o jacuzzi e

Figura 4.56 – Casa onde se encontra o jacuzzi e a sauna. A janela de grandes dimensões é uma alteração ao aspecto original que permite que os hóspedes observem o horizonte.

Para além de proporcionar um serviço de alta qualidade, o empreendimento oferece inúmeras actividades aos clientes, nomeadamente: piscina exterior de água aquecida e com sistema de natação contra a corrente e com vista para o castelo; jacuzzi, com vista panorâmica para a região; sauna; percursos pedonais; BTT; desportos náuticos; cruzeiros no Douro; passeios de balão; prova de vinhos do Porto; feiras tradicionais; fins-de-semana temáticos (vindimas e apanha da azeitona). Por se encontrar a aproximadamente 800 metros de altitude permite uma visão panorâmica da região em qualquer ponto do empreendimento.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.57 – Camas ao ar

Figura 4.57 – Camas ao ar livre, no ponto mais alto da aldeia (800m) permitem uma vista panorâmica sobre a região. [ Facebook]

Disponibiliza também múltiplos serviços, tais como serviço de quartos, espaço para reuniões/banquetes, centro de negócios, baby-sitting, posto de turismo, bar, parque de estacionamento e uma loja, a Loja do Côro, que vende produtos da região, entre eles, compotas e doces, amêndoas, mel, vinagres aromáticos, vinho e azeite.

4.3.2 INTERVENÇÃO

As casas são na sua maioria térreas e em granito. As intervenções respeitaram a arquitectura e formas tradicionais. A grande originalidade do projecto está na decoração e modelação de todo o espaço público, como a construção da piscina exterior entre as casas, os muros e rampas, e as estruturas de apoio. Na Casa do Côro e na casa onde está a sauna e o jacuzzi foram rasgadas janelas de grandes dimensões para tirar partido da altitude e proporcionar vistas excepcionais sobre a região, no conforto interior, para além de aumentar a luminosidade interior.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.58 – Casas reabilitadas para

Figura 4.58 – Casas reabilitadas para o empreendimento. São visíveis as clarabóias para dar mais luz ao interior. Todo o espaço público está cuidado, como se pode ver pelos pequenos jardins, pelas árvores junto às casas e pela calçada.

jardins, pelas árvores junto às casas e pela calçada. Figura 4.59 – Casa de dois pisos

Figura 4.59 – Casa de dois pisos reabilitada. Mantém o seu aspecto tradicional com a excepção das janelas, de linhas modernas, e dos perfis metálicos na zona da escapada, como reforço do telhado, e da guarda da varanda.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.60 – Casa reabilitada. Numa

Figura 4.60 – Casa reabilitada. Numa das fachadas, a madeira substituiu a pedra da construção original. Esta fachada permite fazer a transição entre as casas tradicionais e a casa nova (à esquerda).

A maioria das casas intervencionadas foi revestida por dentro com isolamento térmico e acabamento em madeira.

No Casão do Largo, espaço destinado a refeições e eventos, a pedra ficou à vista, interior e exteriormente, o chão foi revestido a xisto e a estrutura que sustenta o telhado foi construída em aço, e ficou à vista.

o telhado foi construída em aço, e ficou à vista. Figura 4.61 – Pormenor de uma

Figura 4.61 – Pormenor de uma janela para um pátio interior. Opção pela utilização de um perfil metálico como padieira.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.62 – Em todas as

Figura 4.62 – Em todas as reabilitações foi usada a telha caleira. Na imagem percepciona-se a subtelha metálica.

caleira. Na imagem percepciona-se a subtelha metálica. Figura 4.63 – Casa do jacuzzi e sauna. No

Figura 4.63 – Casa do jacuzzi e sauna. No canto inferior direito da foto, vê-se um holofote. Parte da iluminação no empreendimento está colocada no chão.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.64 – Casa reabilitada e

Figura 4.64 – Casa reabilitada e casa construída de raiz, ambas pertencentes ao empreendimento.

construída de raiz, ambas pertencentes ao empreendimento. Figura 4.65 – Casas reabilitadas, mantendo o seu aspecto

Figura 4.65 – Casas reabilitadas, mantendo o seu aspecto original.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.66 – Terraço do restaurante.

Figura 4.66 – Terraço do restaurante. Edifício construído de raiz.

– Terraço do restaurante. Edifício construído de raiz. Figura 4.67 – Pátio de uma das casas

Figura 4.67 – Pátio de uma das casas do empreendimento.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.68 – Posto de turismo

Figura 4.68 – Posto de turismo integrado na muralha.

Figura 4.68 – Posto de turismo integrado na muralha. Figura 4.69 – Casa construída de raiz,

Figura 4.69 – Casa construída de raiz, tentando integrar-se na aldeia, e atrás a casa onde uma das fachadas foi substituída por madeira. [ Facebook]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.70 – Interior da Casa

Figura 4.70 – Interior da Casa do Côro. O aparelho de pedra ficou aparente. A janela de grandes dimensões permite um maior contacto visual com a aldeia. [ Facebook]

permite um maior contacto visual com a aldeia. [ Facebook] Figura 4.71 – Estrutura metálica ficou

Figura 4.71 – Estrutura metálica ficou à vista tal como a pedra das paredes. [ Facebook]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 4.72 – O empreendimento das

Figura 4.72 – O empreendimento das Casas do Côro com o castelo de Marialva de fundo. [ Facebook]

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5

ESTUDO DE CASO NA PERSPECTIVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

5.1 ENQUADRAMENTO

A aldeia da Ribeirinha foi a aldeia escolhida, por ter uma localização privilegiada. Encontra-se numa região montanhosa que oferece uma paisagem linda: a sua implantação numa encosta permite observar o horizonte. A paisagem e a localização, numa região pouco tocada pelo Homem, são os seus grandes trunfos.

A aldeia da Ribeirinha é uma pequena aldeia localizada a pouco mais de 10km de Vila Pouca de Aguiar. As suas casas de pedra (granito) de dois pisos, na maioria dos casos, encontram-se quase todas abandonadas. A aldeia só tem sete habitantes permanentes, quase todos idosos.

só tem sete habitantes permanentes, quase todos idosos. Figura 5.1 – Imagem de satélite onde se

Figura 5.1 – Imagem de satélite onde se vê a localização da aldeia de Ribeirinha em relação a Vila Pouca de Aguiar. [Google Maps]

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.2 – Imagem de satélite

Figura 5.2 – Imagem de satélite da aldeia da Ribeirinha. O acesso faz-se pela estrada a sul da aldeia (M1164).

[Google Maps]

faz-se pela estrada a sul da aldeia (M1164). [Google Maps] Figura 5.3 – Estrada de acesso

Figura 5.3 – Estrada de acesso à aldeia. No horizonte temos a paisagem privilegiada da aldeia.

As casas são, geralmente, de dois pisos, funcionalmente distintos. Algumas delas apresentam a fachada principal do primeiro piso em madeira, saliente em relação ao primeiro piso, e uma varanda (figuras 5.13 e 5.15). A escada típica da casa popular do Norte quase não existe e, quando a tem, aparece nas traseiras. Geralmente, aproveitam o declive do terreno, de modo a dispensá-la. O telhado é quase sempre a duas águas.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.4 – Aldeia de Ribeirinha.

Figura 5.4 – Aldeia de Ribeirinha. Encontra-se implantada numa encosta. A parte mais antiga é a superior (à direita).

encosta. A parte mais antiga é a superior (à direita). Figura 5.5 – Parte mais alta

Figura 5.5 – Parte mais alta e antiga da aldeia. Ao centro vê-se uma casa que quebra com a arquitectura tradicional.

As casas estão na sua maioria em ruínas e, mesmo as habitadas, encontram-se degradadas. Têm chapas no lugar das telhas, que foram desaparecendo, arrecadações feitas em blocos de cimento sem

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acabamento, portões de chapa e janelas de ferro. O estado em que se encontram mostra as dificuldades financeiras das pessoas que aqui habitam e o desprezo dos que emigraram e possuem aqui casas. No entanto, talvez pela proximidade a Vila Pouca de Aguiar, as construções mostram que as famílias do passado não eram muito pobres: as casas são geralmente de dimensões generosas, são poucas as que foram construídas com alvenaria seca, apresentando, as restantes, paredes espessas, de blocos de grandes dimensões e aparelhados na face exterior. Existem duas capelas, uma que até pouco tempo era privada.

Existem duas capelas, uma que até pouco tempo era privada. Figura 5.6 – Arruamento principal da

Figura 5.6 – Arruamento principal da aldeia. A maioria das casas está em ruína e abandonadas.

A aldeia foi recentemente alvo de algum investimento público que se concentrou no saneamento da aldeia integrado num projecto de despoluição do rio Tinhela, bem como na compra de uma capela e seu restauro (figura 5.8).

Acredito que estamos perante uma aldeia com grande potencial de desenvolvimento turístico. Os bons acessos à aldeia, a paisagem, o ar puro e a tranquilidade aliados a uma aldeia bem integrada na paisagem, de casas em pedra reabilitadas e que ofereçam todo o conforto, espaços de lazer e a oferta de um conjunto diversificado de actividades, entre os quais, desportos radicais, passeios pedestres, observação da natureza, etc., poderão ser os ingredientes para o sucesso turístico da aldeia.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.7 – Uma das capelas

Figura 5.7 – Uma das capelas da aldeia. A torre possui um relógio de sol.

das capelas da aldeia. A torre possui um relógio de sol. Figura 5.8 – Capela recentemente

Figura 5.8 – Capela recentemente restaurada. Era de domínio privado tendo sido adquirida recentemente pela autarquia.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso 5.2 P ROPOSTA Figura 5.9 –

5.2 PROPOSTA

Figura 5.9 – Cascata.

Os acessos à aldeia são bons. Depois de se sair da estrada nacional, a estrada é em asfalto e em bom estado, embora estreita, e a parte final é em pedra, recentemente repavimentada. Quanto ao espaço público, está abandonado, parte dos arruamentos são de terra batida, não há escoamento das águas pluviais, a vegetação cresce indiscriminadamente por todo o lado, a iluminação pública é má e não há espaços de estar nem mobiliário urbano.

A intervenção de reabilitação da aldeia deverá abranger as infra-estruturas:

Instalar de uma rede de escoamento de águas pluviais, da rede eléctrica e telefónica que

deverá ser subterrânea e o sistema de iluminação pública; Tratamento do espaço público: pavimentação, arranjo urbanístico dos largos e praças,

modelação do terreno e arranjo dos espaços verdes circundantes; Criação de novos espaços: largos e praças, miradouro e estacionamento;

Colocação de mobiliário urbano;

Valorização do património construído: restauro da capela e do edificado.

Quanto às casas, devem ser demolidas as que não se integram na paisagem e as que se encontram num avançado estado de ruína. As restantes devem ser reabilitadas, tanto as abandonadas como as habitadas. As intervenções devem respeitar a arquitectura fundamental mas devem sofrer as modificações necessárias de modo a poderem responder aos padrões de qualidade actuais, nomeadamente, novas janelas e portas, a conversão funcional do piso térreo e a construção de aumentos, entre outros aspectos específicos de cada intervenção. As possibilidades de intervenção são ilimitadas, devendo no entanto ser pensadas casa a casa, por uma equipa de técnicos competentes e multidisciplinar.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.10 – Casa de granito

Figura 5.10 – Casa de granito abandonada. Construída com blocos de granito de dimensões consideráveis e aparelhadas.

Nas casas habitadas, as intervenções necessárias são a recuperação das fachadas e das coberturas. É importante que as intervenções se façam preferencialmente sem que seja necessário retirar os seus moradores.

Estruturalmente, deve ser avaliada a segurança das casas e proceder ao seu reforço, caso seja necessário. A nível de instalações deverão ser instaladas redes de abastecimento de água e saneamento, eléctrica e telefónica. Dependendo da casa e da função, as paredes poderão ser revestidas interiormente e poderá ser necessário colocar isolamento térmico. Os edifícios novos deverão ter uma arquitectura simples e contemporânea e ter uma volumetria e materiais apropriados que consigam uma boa integração na aldeia.

As paredes exteriores, em pedra, devem ficar à vista sempre que estas apresentem condições. Para tal, devem ser removidos os rebocos de revestimento e as juntas devem ser preenchidas com argamassa de cal hidráulica. Quando as paredes estão muito degradadas, a opção pode passar pela reconstrução ou pelo revestimento com reboco de cal hidráulica.

Os telhados devem ser em telha caleira, em alternativa a outros tipos de telha dissonante como a telha Marselha. É recomendavel a utilização de subtelha, para uma maior segurança contra as infiltrações.

Todas as caixilharias dissonantes (alumínio e ferro, portadas metálicas e estores de plástico exteriores) devem ser substituídas por caixilharias e portadas de madeira. [16]

Para além de uma intervenção que dê à aldeia um aspecto atractivo e que recupere a sua tradição, com um toque de modernidade, é necessário criar uma oferta de serviços de qualidade – alojamentos, posto de turismo, actividades culturais, desportivas, entre outras - para que se crie uma dinâmica de desenvolvimento sustentada e de longo prazo. Na região existem muitas mais aldeias com interesse e com potencial turístico. A aldeia da Ribeirinha pode ser um exemplo e um impulsionador para o desenvolvimento de outras aldeias e da região.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.11 – Arruamento principal. As

Figura 5.11 – Arruamento principal. As casas também se encontram abandonadas

Na casa à esquerda da figura anterior (figura 5.11) são visíveis os dois pisos funcionalmente distintos. A nível exterior, as intervenções fundamentais são a limpeza das pedras, o preenchimento dos espaços e fissuras, a colocação de novas janelas e portas e um novo telhado.

a colocação de novas janelas e portas e um novo telhado. Figura 5.12 – Casa abandonada,

Figura 5.12 – Casa abandonada, contruída em alvenaria seca.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.13 – Casa abandonada. O

Figura 5.13 – Casa abandonada. O piso de andar tem fachada e uma varanda em madeira.

O piso de andar tem fachada e uma varanda em madeira. Figura 5.14 – Casas abandonadas.

Figura 5.14 – Casas abandonadas. As paredes espessas proporcionam um aceitável conforto térmico.

espessas proporcionam um aceitável conforto térmico. Figura 5.15 – A casa à direita é habitada, junto

Figura 5.15 – A casa à direita é habitada, junto a uma em ruínas.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.16 – Casas degradadas mas

Figura 5.16 – Casas degradadas mas ainda habitadas.

Figura 5.16 – Casas degradadas mas ainda habitadas. Figura 5.17 – Casas devolutas, na entrada e

Figura 5.17 – Casas devolutas, na entrada e parte mais alta da aldeia.

Figura 5.17 – Casas devolutas, na entrada e parte mais alta da aldeia. Figura 5.18 –

Figura 5.18 – Antiga escola primária.

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A antiga escola encontra-se no ponto mais alto da aldeia. Pela sua localização e arquitectura, é um activo importante da aldeia e, apesar de não ser uma casa tradicional, a sua arquitectura é marca de uma época.

casa tradicional, a sua arquitectura é marca de uma época. Figura 5.19 – Casa degradada. O

Figura 5.19 – Casa degradada. O arruamento é em terra batida. No piso superior está o alpendre, uma solução comum às casas da aldeia.

está o alpendre, uma solução comum às casas da aldeia. Figura 5.20 – Casa abandonada. Paredes

Figura 5.20 – Casa abandonada. Paredes em alvenaria seca de granito com pedras de pequena dimensão.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.21 – Casa abandonada. Estão

Figura 5.21 – Casa abandonada. Estão a ser feitos acrescentos em alvenaria de tijolo.

Estão a ser feitos acrescentos em alvenaria de tijolo. Figura 5.22 – Casa habitada. O reboco,

Figura 5.22 – Casa habitada. O reboco, que saiu mostra um aparelho cuidado.

habitada. O reboco, que saiu mostra um aparelho cuidado. Figura 5.23 – Casa habitada. Arquitectura típica

Figura 5.23 – Casa habitada. Arquitectura típica das casas da aldeia.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.24 – Casa abandonada. Figura

Figura 5.24 – Casa abandonada.

Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.24 – Casa abandonada. Figura 5.25 – Casa elementar, abandonada.

Figura 5.25 – Casa elementar, abandonada.

Casa abandonada. Figura 5.25 – Casa elementar, abandonada. Figura 5.26 – Ao fundo, a casa azul

Figura 5.26 – Ao fundo, a casa azul contrasta na paisagem pela cor, não ajudando ao seu enquadramento.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.27 – Interior de uma

Figura 5.27 – Interior de uma casa abandonada. Interior é rebocado e caiado.

de uma casa abandonada. Interior é rebocado e caiado. Figura 5.28 – Uma burra, que ainda

Figura 5.28 – Uma burra, que ainda é usada como meio de transporte. Atrás está uma casa cujos materiais usados para construir o piso superior não se adequam.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.29 – A casa à

Figura 5.29 – A casa à direita é um corpo dissonante na aldeia. É o edifício mais recente.

um corpo dissonante na aldeia. É o edifício mais recente. Figura 5.30 – Uso de chapas

Figura 5.30 – Uso de chapas para resolver as infiltrações.

5.30 – Uso de chapas para resolver as infiltrações. Figura 5.31 – A aldeia está perfeitamente

Figura 5.31 – A aldeia está perfeitamente integrada na encosta da montanha mas os materiais de revestimento indevidos destroem essa harmonia.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.32 – Arrecadação revestida a

Figura 5.32 – Arrecadação revestida a argamassa sem qualquer acabamento.

Arrecadação revestida a argamassa sem qualquer acabamento. Figura 5.33 – Vaca a entrar para piso térreo

Figura 5.33 – Vaca a entrar para piso térreo de uma casa. Só restam duas e pertencem ao mesmo dono.

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Edifícios para Turismo Rural – Estudo de Casos de Sucesso Figura 5.34 – Pormenor da porta

Figura 5.34 – Pormenor da porta de uma casa abandonada.

Figura 5.34 – Pormenor da porta de uma casa abandonada. Figura 5.35 – Parte alta da

Figura 5.35 – Parte alta da aldeia e ao fundo a paisagem montanhosa que é possível observar das casas.

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6

CONCLUSÕES

As áreas rurais têm vindo a sofrer um processo de desertificação, resultante especialmente da diminuição da população activa, e do seu progressivo envelhecimento. A agricultura é em geral pouco especializada e portanto remunera mal os seus trabalhadores. A par deste declínio, as pequenas e médias cidades, que deveriam ser pólos dinamizadores das regiões rurais circundantes não têm capacidade para criar empregos e não oferecem serviços nem possuem as infra-estruturas necessárias capazes de concorrer com as grandes cidades do litoral.

Actualmente, a tendência para a valorização do ambiente e dos locais únicos e com características intransmissíveis, abre uma janela de oportunidades para as áreas rurais, nomeadamente, para as suas aldeias históricas e pitorescas e as suas casas tradicionais.

O turismo surge, então, como um sector com muito potencial para o desenvolvimento económico do

meio rural. Para tal é preciso recuperar as aldeias e vilas do país, garantir uma correcta gestão e planeamento do território e travar a destruição e o desprezo a que foi votado o mundo rural. Áreas como o alojamento, os serviços, a valorização de produtos regionais, a agricultura biológica devem ser

exploradas no sentido da criação de emprego e da fixação de pessoas.

A casa popular portuguesa, térrea ou de dois andares, (em granito, xisto ou taipa, rebocada e caiada ou

com o tosco à vista, com telhado de telha caleira de uma, duas, três ou quatro águas, no cume de uma montanha ou numa planície) é fruto de muitas evoluções construtivas e arquitectónicas que passaram de geração em geração. A sua forma e decoração foram condicionadas por múltiplos factores que vão desde o clima à agricultura praticada, ou por razões culturais. É um património importante e que importa conservar. No entanto, é uma casa de outros tempos e que não responde às necessidades actuais. Precisa, portanto, de infra-estruturas, de mais espaço, de isolamentos, ou seja, em suma, de ser reabilitada para níveis modernos de conforto na utilização. A reabilitação destas casas deve também ter em atenção a sua arquitectura tradicional e a sua integração no espaço de modo a não as descaracterizar.

As aldeias estudadas mostram que investir na sua reabilitação é um bom investimento, desde que se aposte na qualidade e na disponibilização de serviços complementares. Os empreendimentos estudados permitiram a reabilitação de casas que na sua maioria, estavam abandonadas e em ruínas e criaram empregos (tanto directos como indirectos) em sectores que se encontram a montante e a jusante da actividade principal, como o artesanato e as empresas de serviços. As taxas de ocupação elevadas e ao longo de todo o ano mostram que o turismo em espaço rural é um segmento a ser levado a sério.

O caso da aldeia de Ribeirinha, apresentado no capítulo 5, pretende ilustrar que é urgente integrar o

Planeamento do Território, a intervenção pública autárquica e os interesses individuais de cada

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proprietário com uma intervenção estratégica empresarial de médio/ longo prazo por empresários da área imobiliária que vejam este nicho de mercado como uma área importante de desenvolvimento futuro.

A intervenção na aldeia algarvia de Pedralva representa um excelente exemplo de cooperação integrada desse tipo. A aldeia de Ribeirinha representa uma situação com elevado potencial que depende de uma visão semelhante por parte da Câmara de Vila Pouca de Aguiar e que já foi prejudicada por intervenções recentes que cortaram com a imagem tradicional.

É urgente assim criar instrumentos adicionais de ordenamento, nomeadamente de aldeias e vilas com elevado potencial turístico de valorização.

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[5] Diniz, F., Poeta, A., António, P., Silva, C. O papel das pequenas e médias cidades no desenvolvimento rural. Apresentação

[6] Diniz, F., Poeta, A., António, P., Silva. O papel das pequenas e médias cidades no contexto do modelo de desenvolvimento rural. Departamento de Economia e Sociologia da Universidade de Trás- os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real

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Ficheiros%2011ano/AS%20NOVAS%20OPORTUNIDADES%20PARA%20O%20MUNDO%20RU

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[11] Figueiredo, E. O Espaço Público das Aldeias da Beira Transmontana: que requalificação?. Dissertação de Mestrado, Universidade Lusófona, Porto, 2004

[12] Demangeon, A. Problèmes de Geographie Humaine. Paris, 1942

[13] Silva, S. I Jornadas Ibéricas de Aldeias Abandonadas - Aldeias com Futuro: Mosteiro da Ribeira, um caso de estudo

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[15] Calheiros, M. Arquitecturas Rurais e critérios de intervenção. Uma experiencia no Vale do Lima (2003-2006). Dissertação de Mestrado em Arquitectura.

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http://www.quintandona.com/quintandona/Aldeia.html

http://casasdocoro.arteh-hotels.com/hoteis_conteudo.php?idioma=1&idUnidade=26.

http://www.marialva.pt/.