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Índice

Índice .............................................................................................................................................1
Resumo...........................................................................................................................................2
I. INTRODUÇÃO...........................................................................................................................2
Tipos de espectroscopia..............................................................................................................2
Métodos espectroscópicos..........................................................................................................3
II. OBJECTIVOS ...........................................................................................................................4
2.1. Objectivo Geral..................................................................................................................4
2.2.Objectivos Específicos........................................................................................................4
2.3.Problema do Tema..............................................................................................................4
III. Espectroscopia Raman..............................................................................................................4
Fundamento do método..............................................................................................................4
Descrição do Efeito Raman........................................................................................................5
Generalidades.............................................................................................................................7
Ruídos na espectroscopia Raman.............................................................................................10
IV. INSTRUMENTAÇÃO............................................................................................................11
V. Detectores.................................................................................................................................13
VI. Análise espectral.....................................................................................................................14
VII. Análise quantitativa...............................................................................................................15
VIII. Vantagens da espectrscopia Raman.....................................................................................16
IX. Desvantagens da espectroscopia Raman................................................................................16
X. Aplicações da espectroscopia Raman......................................................................................17
10.1. Espécies inorgânicas........................................................................................................18
10.2. Espécies orgânicas ..........................................................................................................18
XI. CONCLUSÃO........................................................................................................................18
XII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................18
Espectroscopia Raman Física Educacional

Resumo
A Espectroscopia Raman é uma técnica fotónica de alta resolução que proporciona em poucos
segundos a informação química e estrutural de quase qualquer material e composto orgânico ou
inorgânico, permitindo assim a sua identificação.
A análise mediante Espectroscopia Raman basea-se no exame da luz espalhada por um material
ao incidir sobre um alvo. Nesse processo uma pequena porção da luz é espalhada
inelasticamente, experimentando ligeiras mudanças de frequências que são característicos do
material analisado e independentes da frequência da luz incidente.
Trata-se de uma técnica de análise que se realiza directamente sobre o material a analisar sem
precisar de nenhum tipo de preparação experimental e que não leva a nenhuma alteração da
superfície sobre a qual se realiza a análise, i. e., não é destrutiva.
A Espectroscopia Raman tem várias aplicações entre as quais na Indústria Petroquímica, na
Biomedicina, na Indústria Alimentar, no meio ambiente, na identificação de certos materiais,
etc..

I. INTRODUÇÃO
Em Química e Física o termo Espectroscopia é a designação para toda a técnica de
levantamento de dados físico-químicos através da transmissão, absorção ou reflexão da energia
radiante incidente em uma amostra.
O resultado gráfico de uma técnica espectroscópica qualquer é chamado espectro. Sua
impressão gráfica pode ser chamada espectrograma ou, por comodidade, simplesmente
espectro. A espectroscopia é o método utilizado para a análise de elementos simples, da
estrutura química de compostos inorgânicos ou grupos funcionais de uma substância orgânica
utilizando radiação electromagnética. O exame pode ser destrutivo ou não destrutivo; os exames
mais interessantes são os que não destroem a amostra, e dos quais resultem dados precisos.

Tipos de espectroscopia
São três os principais tipos pelos quais a radiação interage com a amostra e é analisada:
 Espectroscopia de absorção – Correlaciona a quantidade de energia absorvida em
função do comprimento de onda da radiação incidente;

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 Espectroscopia de emissão – Analisa a quantidade de energia emitida por uma amostra


contra o comprimento de onda da radiação absorvida. Consiste fundamentalmente na
reemissão de energia previamente absorvida pela amostra;
 Espectroscopia de espalhamento (ou dispersão) – Determina a quantidade de energia
espalhada em função dos parâmetros como o comprimento de onda, ângulo de
incidência e o ângulo de polarização da radiação incidente.

Métodos espectroscópicos
Existem diversos métodos de análises espectroscópicas, tanto molecular quanto atómica. Para
cada um deles os instrumentos de medida sofrem variações. Tais métodos são:
 Espectroscopia de microondas;
 Espectroscopia de infravermelhos;
 Espectroscopia Raman;

 Espectroscopia no visível;
 Espectroscopia ultravioleta;
 Espectroscopia de fluorescência ou fluorometria;
 Espectroscopia de raios-X;
 Espectroscopia de plasma ICP;
 Espectroscopia fotoacústica;
 Espectroscopia de absorção atómica;
 Espectroscopia de absorção molecular;
 Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear;
 Espectroscopia de ressonância magnética electrónica;
 Espectroscopia de Mössbauer;
 Espectroscopia de Mössubahh.
Neste trabalho vamos fazer uma abordagem sobre a espectroscopia ramam destacando os seus
métodos, características, a instrumentação usada bem como a sua aplicação nos diversos
âmbitos da Ciência e Tecnologia.

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II. OBJECTIVOS

2.1. Objectivo Geral


• Estudo da Espectroscopia Raman.

2.2.Objectivos Específicos
• Descrever os fundamentos da Espectroscopia Raman;
• Descrever a instrumentação necessária para esta técnica, região de frequência e as
equações a ela ligadas;
• Explicar os metódos de análise, interpretação e aplicações da Espectroscopia Raman..

2.3.Problema do Tema
• O que é espectroscopia Raman e quais são as suas aplicações?

III. Espectroscopia Raman

Fundamento do método
Quando uma estrutura poliatómica é iluminada por um raio laser (radiação monocromática do
espectro visível), observam-se vários fenómenos: a reflexão, absorção, transmissão e dispersão
de fotões. Distinguem-se a dispersão elástica de fotões (dispersão Rayleigh) e a inelástica
(dispersão Raman).
No processo da dispersão elástica, os fotões espalhados têm a mesma energia que os fotões
incidentes.
No caso da dispersão inelástica, os fotões espalhados têm uma energia à mais devido às trocas de
energia com os fotões incidentes e os níveis quantificados de energia da estrutura poliatómica.
Este mecanismo ocorre como resultado da acção dos fotões incidentes que têm uma energia (
hυο ), mais alta que a energia do estado vibracional da estrutura poliatómica. Neste caso o

material irradiado obtém temporariamente um nível energético inestável e depois volta a um dos
estados permitidos, emitindo um fotão de energia mais alta que dos fotões iniciais.

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A dispersão elástica do processo dominante mostra que a dispersão Raman só afecta uma porção
de cerca de 10 −3 de todos os fotões espalhados. A diferença de energia entre os fotões incidentes
espalhados é uma característica especial para qualquer material, tanto cristalino como amorfo.
Na espectroscopia Raman esta diferença se representa abitualmente na escala de comprimentos
de onda, em cm −1 .

Descrição do Efeito Raman


O efeito Raman foi descoberto em 1928, pelo físico indiano Chandrasekhara Venkata Raman
(.......), mais conhecido por Raman, professor de Física da Universidade de Calcutá desde 1915,
que lhe valeu o prémio nobel de Física em 1930. Este Cientista deu nome ao fenómeno
inelástico por ele descoberto que consiste na dispersão da luz, permitindo assim o estudo das
rotações e vibrações moleculares.
A análise mediante a espetroscopia de Raman se basea em fazer incidir um fluxo de luz
monocromática de frequência ν0 sobre uma amostra cujas características moleculares se desejam
determinar e examinar a luz dispersada por esta amostra. A maior parte da luz dispersada
apresenta a mesma frequência que a luz incidente pelo que uma fracção muito pequena
aprasenta uma mudança de frequência como resultado da interacção da luz com a matéria. Se a
luz mantiver a mesma frequência ν0 que a luz incidente temos a dispersão Rayleigh e não
importa nenhuma informação sobre a composição da amostra analisada. A luz espalhada que
apresenta frequências distintas a da radiação incidente é que propociona informação sobre a
composição molecular da amostra é o que se conhece como dispersão Raman. As novas
frequências, + νr e – νr , são as frequências Raman, características da natureza química e do
estado físico da amostra e independentes da radiação incidente.
Este fenómeno é conhecido por efeito Raman.
As variações de frequência observada na dispersão Raman são equivalentes às variações de
energia. Os iões e átomos ligados quimicamente para formar moléculas e redes cristalinas estão
sujeitos a constantes movimentos de vibração e rotação; estas oscilações se realizam a
frequências bem determinadas em função das massas das partículas que intervêm e do
comportamento dinâmico das ligações existentes. A cada um dos movimentos vibracionais e
rotacionais da molécula corresponderá um valor bem determinado da energia molecular.

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Quando os fotões do fluxo de luz incidente, com energia hν0 (h é constante de Planck) muito
maior a da diferença de energia entre dois niveis vibracionais (ou rotacionais) da molécula
chocam com ela, a maior parte atravessam-na, pelo que uma pequena fracção é espalhada (da
ordem de 1 fotão dispersado por cada 1011 incidentes). Esta dispersão pode ser interpretada
como o seguinte processo:
o fotão incidente faz com que a molecula transite para um nível de energia vibracional (ou
rotacional) superior não permitido, o qual abandona rapidamente para passar a um dos níveis
de energia permitidos emitindo um fotão; a frequência a qual é emitido este fotão depende da
transição energetica realizada pela molécula.
Distinguem-se os seguintes casos:
 Se o resultado da interacção fotão – molécula é espalhado na mesma frequência que
o fotão incidente, diz-se que o choque é elástico já que nem o fotão nem a molécula
sofrem variações no seu estado energético; a molécula volta ao mesmo nível de
energia que tinha antes do choque e o fotão espalhado tem a mesma frequência ν0 que
na dispersão Rayleigh;

 Se o resultado da interacção fotão-molécula é um fotão espalhado a uma frequência


diferente da incidente, diz-se que o choque é inelastico (existe uma transferência de
energia entre a molécula e o fotão); neste caso podem ocorrer os seguintes
fenómenos:

 e o fotão espalhado tem uma frequência menor da incidente, produz-se uma


transferência de energia do fotão à molécula que depois de saltar a um estado de
energia não permitido, volta a um permitido maior ao que tinha inicialmente; o
fotão é espalhado com frequência (ν0 - νr ) e produz-se a dispersão Raman-
Stokes:

 Se o fotão espalhado tiver uma frequência maior que a incidente, produz-se uma
transfêrencia da energia da molécula ao fotão; isto significa que a molécula
antes do choque se encotrava no seu estado vibracional fundamental e não em

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um estado de maior energia e depois do choque passa a este estado; o fotão é


espalhado com energia (ν0 +νr ) e produz-se a dispersão Raman anti-Stokes.

Cada material tera um conjunto de valores νr característicos da sua estrutura


poliatómica e da natureza das ligações químicas que a formam.

O número de onda normalizado é uma grandeza proporcional a frêquencia e inversamente


proporcional ao comprimente de onda que se expressa em cm-1
ν 1
υ= = [ cm-1]
c λ
espectro raman esta formado por uma banda principal ou Rayleigh e das series de banda
secundarias correspondentes as bandas Raman Stokes e anti-Stokes, situadas simetricamente em
ambos lados da banda Rayleigh.

É importante ressaltar que o espalhamento das frequências Raman respectivas à frequência


incidente ν0 é indenpendente desta última.

Desde a sua descoberta em 1828 o efeito Raman tem sido um método importante para elucidar a
estrutura molecular, para localizar vários grupos funcionais ou ligações químicas nas moléculas
e para análises quantitativas de misturas complexas, particularmente componentes maiores.
Embora os espectros vibracionais Raman estejam relacionados com absorção de espectros
infravermelhos, o espectro Raman chega de maneira diferente embora de modo que
frequentemente providencie informação complementar.
Vibrações que são activas na dispersão Raman podem ser inactivas no infravermelho, e vice-
versa. A única característica de dispersão Raman é que
“cada linha tem uma polarização característica, e a informação da polarização dá uma
informação adicional acerca da estrutura molecular”.

Generalidades
O momento de dipolo, como se sabe, é o produto da carga do dipolo e da distância. Por outro
lado, para que a vibração seja activa no efeito Raman a maneira de polarização da molécula
deve mudar durante a vibração. A polarizabilidade é valor do momento de dipolo induzido

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dividido pela intensidade do campo que causa este momento. Em outras palavras a nuvem
electrónica da molécula deve estar prontamente deformada num extremo da vibração do que no
outro extremo. Este é estritamente um efeito quântico.
De acordo com a teoria clássica a polarizaçao P, expressa como o momento de dipolo por
unidade de volume é dado por:

P = αE (1)

Onde: E é a intensidade do vector campo eléctrico que actua na molécula e α a susceptibilidade


eléctrica, é a constante de proporcionalidade.

Desde que a intensidade do vector campo eléctrico do campo electromagnético varie com o
tempo t de modo senosoidal, temos a seguinte relação:

E = E 0 cos 2πvt (2)

Pelo que a equação (1) se transforma para:

P = αE 0 cos 2πvt (3)

A susceptibilidade eléctrica α consiste de duas partes: αo, a polarizibilidade quando os átomos


da molécula estão na posição de equilíbrio, e um segundo termo que é a soma das
particularidades da molécula devido a vários movimentos vibracionais e rotacionais.
Cada termo desta segunda parte varia com a frequência associada com a rotação da vibração
particular. De modo que:

 δα 
α = α 0 + ∑ n rn cos 2πvt (4)
 δr 

Onde: αn é a susceptibilidade associada com o n-enésimo modo vibracional ou rotacional e rn é


a redistribuição máxima dos átomos envolvidos.

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Combinando equações (3) e (4) resulta:

 δα 
P = E 0α 0 cos 2πvt + E 0 ∑ n rn cos 2πv n t cos 2πvt (5)
 δr 

 δα 
P = E 0α 0 cos 2πvt + E 0 ∑ n rn { cos 2π (v − v n )t + cos 2π (v + v n )t } (6)
 δr 

O primeiro termo tem a frequência da radiação incidente e é a dispersão de Rayleigh. O


segundo termo representa o Stockes (ν - νn) e anti-Stockes (ν + νn) das bandas Raman.

Muitas das colisões dos fotões incidentes com as moléculas da amostra são elásticas
(dispersão Rayleigh). De acordo com o primeiro termo na equação (6), o campo eléctrico
produzido pela molécula polarizada oscila na mesma frequência com a passagem da onda
electromagnética de modo que a molécula actua como uma fonte reemitindo radiação dessa
frequência em todas direcções.

A radiação incidente não eleva a molécula a qualquer nível particular; nem tanto, a molécula é
considerada estar num estado excitado virtual. Com a passagem da onda electromagnética, a
molécula polarizada cessa de oscilar e volta ao seu nível superficial original num tempo muito
curto ( aproximadamente t = 10-12 s).

Uma pequena porção de moléculas excitadas podem levar a mudanças na susceptibilidade


durante uma ou mais vibrações, de acordo com o segundo termo de equação (6) esta é a base
para o efeito Raman. Geralmente a radiação incidente νo, é absorvida pela molécula no estado
vibracional mais baixo. Se a molécula reemite pelo retorno não para o estado vibracional
original, mas para um estado vibracional excitado, νv, do estado electrónico superficial, a
radiação emitida é de baixa energia, isto é, frequência (νo – νv) mais baixa que a radiação
incidente.

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A diferença na frequência é igual a frequência natural de vibração do estado fundamental da


molécula. Tais linhas levantadas ou degeneradas (linhas de Stockes), são normalmente
observadas no espectro Raman, correspondendo a vibrações diferentes na molécula. Esta
vibração produz um espectro vibracional ricamente detalhado da molécula.

Ruídos na espectroscopia Raman


Um dos problemas inerentes à obtencão de qualquer sinal é o ruído presente durante as
medições. Na obtenção de espectros Raman os ruídos mais frequentes podem ser classificados
em cinco grupos diferentes:
1. Ruído shot;
2. Ruído gerado pela amostra;
3. Ruído gerado pela instrumentação;
4. Ruído computacional; e
5. Ruído gerado por fontes externas.
O ruído shot é resultado da natureza aleatória da luz. A sua intensidade é igual à raíz quadrada
do número de fotões detectados.
O ruído gerado pela amostra inclui emissões ópticas indesejadas e geradas pela própria
amostra, como é o caso da fluorescência, fenómeno que ocorre quando um fotão é absorvido ao
incidir sobre uma molécula. Este tipo de ruído também é originado pele mudança de intensidade
Raman devido à mudanças na amostra, não relacionadas com a concentração. A heterogeneidade
da amostra também contribui no surgimento deste ruído.
O ruído gerado pela instrumentação depende do aparelho experimental usado. Este ruído não
inclui os ruídos introduzidos pelo detector como é o caso do ruído térmico e o ruído de leitura.
O ruído computacional refere-se ao ruído introduzido no processo de digitalização do sinal de
digitalização de saída do detector.
O ruído gerado por fontes externas é o ruído gerado externamente ao equipamento Raman ou
a amostra que está sendo analisada. Geralmente é causado por alguma fonte de luz externa que
contamina o sinal em algum ponto do equipamento de medição/registo. A luz solar é portadora
dos raios cósmicos, daí que este ruído é integrado neste grupo.

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De todos os ruídos que podemos encontrar num espectro, os mais habituais são o ruído shot, o
ruído cósmico e a fluorescência. A aplicação da espectroscopia Raman na identificação de
pigmentos, está baseada na localização da posição das bandas Raman para diferenciar um
pigmento do outro.

IV. INSTRUMENTAÇÃO
Um esquema do equipamento para o estudo de espectros Raman consiste num laser que gera um
fluxo de luz que incide sobre a amostra. Um dispositivo óptico recolhe a luz reflectida e os
fotões espalhados de Rayleigh e Raman. A radiação é decomposta num monocromador,
analisada por um fotomultiplicador e registada por um dispositivo de gravação.

1 – fluxo de luz laser incidente;


2 -amostra;
3 - monitor;
4 - monocromador;
5 - fotomultiplicador;
6 - amplificador;
7 - registador.
A função primária dum espectrómetro Raman é uma clara rejeição da intensa dispersão
Rayleigh e detecção das fracas componentes Raman. Um computador acrescenta
significativamente a potência e polivalência do espectrómetro. Numa fonte monocromática
intensa, a sensibilidade de detecção, e alta intensidade da luz com relação a força espalhada

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deve ser construída num espectrómetro Raman um monocromador de grade holográfico que este
duplominimiza a radiação espalhada de comprimento de onda de excitação do laser não trocado.
Os modelos ópticos visuais são usados no processo e todo o espectro é coberto por uma grade
simples.

Figura 1. Esquema óptico de laser de espectroscopia Raman

O laser do espectrómetro Raman, mostrado na figura 1 consiste de duas unidades básicas: a


unidade de excitação do laser e a unidade do espectrómetro f/6.7. O feixe do laser entra da parte
traseira do espectrómetro para dentro da unidade auto-registrador de depolarização e depois de
passar por esta unidade, ilumina a amostra. A dispersão Raman recolhida no ângulo de 90 o para
o feixe excitado laser, é focalizado na fenda de entrada na fenda de entrada de 0,5m de distância
focal.. O analisador de polarização é colocado entre a lente e a polarização forçada ou difícil
quando a polarização do espectro Raman é medida. Estes sinais são mostrados graficamente
como uma função de comprimento de onda ou frequência.

Figura 2. Instrumento de espectroscopia Raman de Laser

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O instrumento de Jobin- Yvon (figura 2) combina o extremo de entrada do sistema triplo do


monocromador. O monocromador f/8 é esboçado para reduzir a radiação espalhada pelo uso de
duas grades holográficas côncavas de aberração corrigida com 2000 entalhes/mm. Ambas as
grades estão no mesmo eixo, assim o erro da trajectória é zero.
A radiação espalhada da amostra é condicionada pelo grande orifício das lentes da objectiva
que focaliza a radiação para a entrada directa horizontal da fenda, fenda 1 do primeiro
monocromador. A grade côncava. G1, difracta o feixe e focaliza o comprimento de onda
selecionado para a saída da fenda, fenda 2. A radiação quase manocromática que existe do
primeiro monocromador por meio da fenda 2, é agora focalizado para a entrada da fenda, fenda
3 do segundo manocromador pelos espelhos, m1 através de m5. Estes espelhos não estão nas
cavidades do monocromador e funcionam na radiação monocromática, portanto contribuem para
a dispersão da radiação. A radiação que entra na fenda 3 é então difractada e focalizada para a
saída da fenda, fenda 4 do segundo monocromador pela grade côncava, G2. Todas as 4 fendas
são individualmente controladas pelo motor oscilante. Este permite completar a polivalência
com o computador de modo a obter espectros tanto com largura de banda constante ou num
intervalo de comprimentos de onda constante.

V. Detectores
A detecção fotográfica tem dado um caminho quase completo para a detecção fotoeléctrica. A
escolha da resposta do fototubo depende do tipo de linha laser usado. O fotocátodo trialkali têm
cerca de 7% de efeciência quântica em 632.8nm e cai em eficiência para toda1000cm-1. As
trocas Raman de 3700cm-1 requerem resposta em aproximadamente 826.6nm para o laser He-
Ne. A extensa sensibilidade vermelha do cátodo multialkali e o fotocátodo de arsenito de gálio
tem muito mais alta eficiência quântica na porção vermelha do espectro fora de 900nm. Pelo
contrário os tubos fotomultiplicadores estão perto dos seus picos de sensibilidade no 488.0nm,
uma das linhas de emissão do laser Ar-Kr. Obviamente, a selecção do laser e da escolha do
detector estão interligados.

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VI. Análise espectral


Em espectroscopia Raman as vibrações que originam em bandas relativamente não polares com
cargas simetricamente distribuidas são simétricas por natureza e produzem grandes mudanças de
polarizabilidade. Vibrações das bandas de –C=C-, -C≡C-, -C≡N, -C=S, -C-S-, -S-S-, -N=N- e –
S-H são imediatamente observadas. As linhas Raman são mais características do que as bandas
de absorção no infravermelho das vibrações esqueletais de cadeias e anéis de hidrocarbonetos
saturados e insaturados.
A posição de extensão de vibração de anéis simétricos de compostos cíclicos é caracterítica do
tipo e dimensão do anel presente no composto. Os compostos aromáticos têm espectros
particularmente fortes. Todos têm uma forte deformação do anel em 1600±30cm-1 compostos
monosubstituídos, tem uma intensa extensão de vibração de anéis simétricos em cerca de
100cm-1, uma forte curvatura de vibração plana de hidrogénio a cerca de 1025cm-1, uma fraca
depolarização e uma curva de vibração plana à cerca de 615cm-1 (figura 3). Meta e 1,3,5
trisubstutuido composto tem somente a linha em 1000cm-1. Orto-substuído composto tem uma
linha em 1037 cm-1, e para-substituido composto tem uma fraca linha em 640cm-1.

Figura 3. Espectro de Raman


Espectros Raman para outras amostras, estão representados abaixo

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Figura 4. Espectros Raman de H2S sólido (a) e CO2 sólido (b) gravados em inclusões fluidas a
temperatura -180 °C.
(Dubessy et al., 1989)

Figura 5. Espectros Raman de gases O2 e H2 registrados na fase de vapor.


(Dubessy et al., 1989)

VII. Análise quantitativa


A determinação da potência radiante absoluta das bandas Raman é mesmo mais difícil do que
das bandas de absorção do Infravermelho (IV). Por esta razão, a potência duma linha Raman é
geralmente medida em termos de uma linha de referência arbitrariamente escolhida.

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Para análises quantitativas a potência Raman é directamente propocional ao número das


moléculas espalhadas e deste modo ao coeficiente de espalhamento. Para misturas nas quais
todas as componentes têm o mesmo tipo de moléculas, há uma prorpoção directa entre o
coeficiente de espalhamento e a fracção de volume do composto presente. Para misturas de tipos
diferentes, a espectroscopia Raman troca a variação entre as várias componentes e a banda geral
é registada numa posição característica destes tipos de ligações. A área sobre o pico registado é
usada como medida da potência de espalhamento.

VIII. Vantagens da espectrscopia Raman


A espectroscopia Raman tem uma distinta vantagem na detecção de vibrações de frequências
baixas; o limite mais baixo é ditado pela natureza da amostra. Com os gases, a informação pode
ser tirada dentro de ε = 2cm −1 da linha de excitação. Em casos menos favoráveis, dentro de

ε = 20 − 50cm −1 é mais típico. Isto corresponde a uma região afastada do IV, onde as medições
são difíceis. Muitas vibrações importantes nas ligações de metal com compostos inorgânicos e
organometálicos caem na região de baixas frequências como resultado de maiores massas dos
átomos do metal.
A técnica Raman provou ser particularmente válida no estudo de cristais simples (singulares)
onde a radiação IV tem grandes limitações na dimensão e geometria da amostra. Em adição, a
informação da polarização obtida dos espectros Raman permite uma classificação fundamental e
modos cruzados detalhados em várias classes de simetria. Embora a espectroscopia Raman
nunca irá competir com a de difracção dos raio-X como ferramenta para análises estruturais
quantitativas, é a técnica mais preferida quando a informação quantitativa é suficiente porque é
mais rápida e menos dispendiosa.

IX. Desvantagens da espectroscopia Raman


A desvantagem primária da espectroscopia Raman é o fundo fluorescente que acompanha a
intensa irradiação do laser de muitos materiais biológicos. Pode-se mesmo observar espectros
Raman sobrepostos no fundo da fluorescência. A contribuição do ruído da emissão de
fluorescência degrada a razão sinal-ruido dos espectros Raman. Embora o problema possa ser
resolvido por amostras cuidadosamente preparadas, na espectroscopia de tempo-resolvido, ou

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espectroscopia Raman anti-Stokes coerentes (CASR) haverá sempre experiências que mantém
problemas a resolver.

X. Aplicações da espectroscopia Raman


A espectroscopia Raman tem sido aplicada para análises quantitativas e qualitativas de sistemas
inorgânicos, orgânicos e biológicos. Algumas aplicações mais correntes baseiam-se em:
• Caracterização de precipitados em farmacêutica;
• Caracterização do carbono por nanotubos;
• Identificação de partículas pequenas de cerca de 1µm de dimensão;
• Identificação de defeitos na produção de LCDs;
• Identificação de partículas embebidas;
• Análise de defeitos nos semicondutores;
• Medição da cristalinidade no silício;
• Caracterização de defeitos e contaminação no fabrico de papel.
A seguir faz-se uma descrição de algumas aplicações mais frequentes:
1. Indústria petroquímica – para o controlo de qualidade em polímeros e emulsões. Usa-
se também para solucionar problemas de desactivação de catalisadores ou a sua
contaminação;
2. Aplicações biomédicas – estudo de proteínas e algumas estruturas no seu estado físico
natural. Também se usa para a determinação de colesterol, lípidos, imoglobina,
oligossacáridos e outras moléculas biologicamente activas;
3. Indústria alimentar – para determinar a presença de macrocomponentes tais como
proteínas, lípidos, carbohidratos e água;
4. Meio ambiente – análise de compostos orgânicos e inorgânicos em solos e águas e
determinação da sua contaminação com metais complexos, fenóis, ácidos poliorgânicos
e hidrocarbonetos;
5. Análise de polímeros – Estudo e caracterização da cristalinidade em polímeros.

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10.1. Espécies inorgânicas


Estudos da espectroscopia Raman são fontes potencialmente úteis de informação concernente a
composição, estrutura e estabilidade de coordenação dos compostos; determinação de prováveis
estruturas de espécies.

10.2. Espécies orgânicas


Os espectros Raman têm regiões que são úteis para detecção de grupos funcionais e de
impressões digitais que permitem a identificação de compostos específicos; aparece como
ferramenta para diagnosticar com excelência a estimulação de dimensões de anéis em parafinas.

XI. CONCLUSÃO
A espectroscopia Raman é uma técnica muito utilizada no estudo da estrutura de sistemas
moleculares. À nível molecular a radiação pode interagir com a matéria por processos de
absorção ou de espalhamento. O espalhamento pode ser elástico ou inelástico.
O espalhamento elástico de fotões pela matéria é chamado de espalhamento Rayleigh, enquanto
que o espalhamento inelástico relatado pela primeira vez em 1928 pelo físico indiano
Chandrasekhara Vankata Raman, é chamado de espalhamento Raman. No espalhamento
inelástico de luz, a componente de campo eléctrico do fotão espalhado perturba a nuvem
electrónica da molécula e pode ser entendido como um processo de excitação do sistema para
um estado “virtual” de energia.
Os ruídos característicos na detecção de espectros Raman são o ruído shot, o ruído cósmico e de
Fluorescência.
A espectroscopia Raman tem uma larga aplicação em diversos campos da Ciência e Tecnologia,
destacando-se principalmente na Indústria Petroquímica, na Biomedicina, na Indústria
Alimentar, no Meio Ambiente, na Análise de Polímeros, etc..

XII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. HOBART H. Willard, LYNE A. Settle Jr, “Instrumental Methods of Analysis”,(1988)


Wards worth Editora, 7aEdicão.

Maputo, Novembro de 2007 18


Espectroscopia Raman Física Educacional

2. http://www.uned.es/criatamine/mineral/metodos/raman.htm;
3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Espectroscopia.

Maputo, Novembro de 2007 19