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RGAOT’13 RECURSOS GEOLÓGICOS, AMBIENTE E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO LIVRO DE actas UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E
RGAOT’13 RECURSOS GEOLÓGICOS, AMBIENTE E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO LIVRO DE actas UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E

RGAOT’13

RECURSOS GEOLÓGICOS, AMBIENTE E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO

LIVRO

DE

actas

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Vila Real, 24 a 26 de outubro de 2013

DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Vila Real, 24 a 26 de outubro de 2013 VII SEMINÁRIO
DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Vila Real, 24 a 26 de outubro de 2013 VII SEMINÁRIO

VII

SEMINÁRIO

DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Vila Real, 24 a 26 de outubro de 2013 VII SEMINÁRIO
DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Vila Real, 24 a 26 de outubro de 2013 VII SEMINÁRIO
DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Vila Real, 24 a 26 de outubro de 2013 VII SEMINÁRIO
U AD
U AD

DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA

VII SEMINÁRIO RECURSOS GEOLÓGICOS, AMBIENTE E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO

Livro de Actas

Ficha Técnica

Edição

Departamento de Geologia Escola de Ciências da Vida e do Ambiente Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Quinta de Prados Apartado 1013 5001-801 Vila Real Portugal

Título

Livro de Actas do VII Seminário Recursos Geológicos, Ambiente e Ordenamento do Território

Editores

Pacheco FAL, Coke CJM, Lourenço JMM, Costa MRM, Vaz NMOCM

ISBN: 978-989-704-153-2

Os trabalhos editados no presente volume devem ser citados como no exemplo seguinte:

Velho, J. & Ferreira, A. 2013. Avaliação do potencial cerâmico das argilas da Sub-bacia de Aguada de Cima (Anadia). In Pacheco, F.A.L., Coke, C.J.M., Lourenço, J.M.M., Costa, M.R.M. & Vaz, N.M.O.C.M. (Edts). Livro de Actas do VII Seminário Recursos Geológicos, Ambiente e Ordenamento do Território, pp. 17-24. ISBN: 978-989-704-153-2.

ÍNDICE Ensaios de Meteorização Artif icial em Granitos Polidos Gonçalves, Bruno M.M. & Sousa, Luís
ÍNDICE Ensaios de Meteorização Artif icial em Granitos Polidos Gonçalves, Bruno M.M. & Sousa, Luís
ÍNDICE Ensaios de Meteorização Artif icial em Granitos Polidos Gonçalves, Bruno M.M. & Sousa, Luís

ÍNDICE

Ensaios de Meteorização Artificial em Granitos Polidos Gonçalves, Bruno M.M. & Sousa, Luís

3

Elementos Terras Raras e Isótopos de Oxigénio no Estudo dos Escarnitos Ferríferos de Alvito, Sul de Portugal Gomes, Elsa M. C. & Silva, Maria Manuela G. Vinha

11

Avaliação do Potencial Cerâmico das Argilas da Sub-bacia de Aguada de Cima (Anadia) Velho, J. & Ferreira,

17

Aplicação de um Equipamento Portátil de Fluorescência de Raios-X na Determinação de Alguns Elementos Maiores em Minério de Ferro Urbano, Emílio Evo Magro Corrêa & Brandão, Paulo Roberto Gomes

25

Impacto de Alterações Climáticas na Hidrologia da Bacia do Rio Beça Santos, R.M.B; Sanches Fernandes, L.F.; Moura, J.P.; Pereira, M.G. & Pacheco, F.A.L

35

Impacto do Conflito de Usos do Solo na Qualidade das Águas Subterrâneas da Bacia Hidrográfica do

Rio Sordo Valle Junior, Renato F.; Varandas, Simone G. P.; Sanches Fernandes, Luís F. & Pacheco, Fernando A.

L.

41

Evolução do Consumo de Petróleo a Nível Mundial: do Aparente Pico de Produção à Realidade dos Factos Velho,

51

Potencial Gerador de Hidrocarbonetos dos Argilitos Carbonosos do Karoo Inferior (Pérmico) da Bacia de Moatize – Minjova, Província de Tete, Moçambique Fernandes, Paulo; Rodrigues, Bruno; Jorge, Raul C.G.S. & Marques, João

63

Impactes Ambientais Associados aos Resíduos de Construção e Demolição Monteiro, Hugo; Dias, António Guerner; Paschoalin Filho, João Alexandre & Côrtes, Pedro Luiz

71

Potencial de Lixiviação de Compostos Orgânicos a Partir de Resíduos da Exploração de Carvão em Autocombustão (Escombreira de S. Pedro da Cova) Marques, Fernando; Silva, Joana; Ribeiro, Joana; Neto, Cândida; Sant’Ovaia, Helena; Marques, Jorge Espinha & Flores, Deolinda

77

Prospecção Biogeoquímica Utilizando Macrófitas Aquáticas na Ribeira da Celavisa (Góis) Morais, I. & Pratas, J

83

Uso de Biomonitores na Detecção de Anomalias de U nas Águas Subterrâneas das Áreas de Rebolia, Relves e Tapéus (Condeixa-a-Nova e Soure, Portugal Central) Campos, J.; Pratas, J. & Azevedo, J. M

91

Monitorização da Radiação Gama em Pedreiras de Granitos Ornamentais (Vila Pouca de Aguiar e Mondim de Basto). Martins, L.; Gomes, E.; Sousa, L.; Pereira, A. & Neves, L

99

iii

Análise da Suscetibilidad e à Inundação do Rio Tejo Entre Belver e Vila Nova da
Análise da Suscetibilidad e à Inundação do Rio Tejo Entre Belver e Vila Nova da
Análise da Suscetibilidad e à Inundação do Rio Tejo Entre Belver e Vila Nova da

Análise da Suscetibilidade à Inundação do Rio Tejo Entre Belver e Vila Nova da Barquinha Belo, João; Lourenço, Martinho; Rosina, Pierluigi & Cavaleiro, Victor

105

Locais de Interesse Geológico e Geomorfológico na Serra da Lousã, Centro de Portugal Henriques, Daniela; Tavares, Alexandre Oliveira & Gomes, Elsa M. C

115

A

Inventariação do Património Geológico do Território Montemuro e Gralheira na Fundamentação do

Alargamento do Geoparque Arouca – Estado da Arte

 

Rocha, Daniela; Sá, Artur & Brilha, José

123

Metodologia Para a Avaliação do Índice de Potencial Natural de Percursos Pedestres Sousa, Luís M.O.; Alencoão, Ana M.P. & Gomes, Maria E.P

129

Os Materiais Pétreos da “Casa Romana” (Cristelos – Lousada). Origem e Implicações no Ordenamento do Território Novais, Hugo; Lemos, Paulo; Leite, Joana & Nunes, Manuel

135

Mobilidade Sustentável – Rede de Aldeias Vinhateiras do Douro Bessa, Isabel M. D.; Santos, Carla S. A.; Gouveia, Hernâni S. S.; Lourenço, José M. M.; Gomes, Luís M. F. & Aranha, José T. M

145

Contribuição Para a Avaliação das Reservas do Granito Amarelo Real Sousa, Luís M.O. & Lourenço, José M.M

155

Crescimento Sustentável de Base Territorial – Para um Novo Paradigma Oosterbeek, Luiz

161

Contribuição de um Sistema WebSIG Open Source na Gestão e Ordenamento Florestal Gomes, P.; Lourenço, J.; Moura, J. & Starnini,

163

A

Exploração de Águas Subterrâneas: Um Caso de Educação Ambiental Centrado na Aprendizagem

Baseada na Resolução de Problemas com Recurso à Modelação Análoga

 

Ferreira, Cândida; Alencoão, Ana & Vasconcelos, Clara

171

Ensino de Recursos Hídricos com Jogos Didáticos Henriques, Esmeralda & Costa, Maria do Rosário

175

iv

COMUNICAÇÕES
COMUNICAÇÕES
COMUNICAÇÕES

COMUNICAÇÕES

Ensaios de meteorização artifi cial em granitos polidos Artificial weathering tests in polished granites Bruno
Ensaios de meteorização artifi cial em granitos polidos Artificial weathering tests in polished granites Bruno

Ensaios de meteorização artificial em granitos polidos Artificial weathering tests in polished granites

Bruno M.M. Gonçalves 1 ; Luís M.O. Sousa 2

1 Departamento de Geologia, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

bgonca18@gmail.com

2 Departamento de Geologia, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Centro de Geociências da UC lsousa@utad.pt

Resumo Neste estudo realizaram-se ensaios de meteorização artificial para avaliar a durabilidade de granitos ornamentais. Foram utilizadas amostras polidas de três granitos ornamentais, com as designações comerciais de Amarelo Real, Branco Micaela e Pedras Salgadas. Os ensaios de meteorização realizados foram a Solar Box, o nevoeiro salino e o ambiente ácido, e as alterações no polimento foram avaliadas através da determinação da cor, da rugosidade e do brilho. Os ensaios realizados modificaram a superfície dos granitos, em especial a cor e a rugosidade. O granito Amarelo Real, aquele com inferiores características físico-mecânicas, foi o que apresentou modificações mais significativas no decorrer dos ensaios. O ensaio de nevoeiro salino revelou-se como o ensaio que mais afetou as características de superfície dos granitos polidos estudados.

Palavras-chave: granito; cor; brilho; rugosidade; polimento; meteorização

Abstract To evaluate the durability of ornamental granites several artificial weathering tests were performed in polished samples. Three polished ornamental granites were used: Amarelo Real, Branco Micaela and Pedras Salgadas. The weathering tests used were Solar Box, salt spray and SO 2 exposure test. The changes in samples were evaluated by color, brightness and roughness differences. The tests changed the granite surface, especially color and roughness. Amarelo Real granite, with lower physical-mechanical properties, showed the most significant changes during the weathering tests. Salt spray test caused the highest changes in the surface characteristics of polished granites studied.

Key-words: granite, color, gloss, roughness, polishing, weathering

Introdução

A durabilidade de uma rocha é definida como a sua

resistência à ação dos agentes de meteorização. No

caso de rochas ornamentais refere-se à capacidade de manter a sua aparência original, forma, propriedades mecânicas e estética, ao longo do

tempo. No momento em que as rochas são colocadas num edifício, no interior ou exterior, na fachada ou no pavimento, incluindo aquelas muito resistentes como o granito, sofrem danos quando a ação da água, sais, poluição ou produtos de limpeza é muito longa, ou seja, uma vez expostas a atmosferas poluídas entram em processo de alteração acelerada (Simão et al., 2010).

A cristalização de sais é reconhecida como uma das

principais causas da deterioração de materiais. Um dos mecanismos propostos para a meteorização através de sais é a pressão de cristalização. Este tipo de pressão é gerado pela tensão superficial dos

cristais de sal presentes nos poros. O excesso de pressão verificada nos poros está relacionado com o aumento da solubilidade de um cristal dentro de um poro, denominando-se este fenómeno de supersaturação (Rijniers, 2004).

O nevoeiro salino representa um poderoso agente de

meteorização que tem sido utilizado para atuar eficazmente em rochas de qualquer composição. Os primeiros sinais de alteração surgem na superfície da

rocha, mesmo em rochas silicatadas, verificando-se que as alterações são mais notórias à medida que o sal continua a atuar. Nas rochas com baixa porosidade o efeito será menor do que em rochas porosas, mas isso não significa que não ocorre

meteorização (Arnold e Zehnder, 1985; Alonso et al., 2008). Este tipo de ensaio compreende mecanismos como a cristalização de sais e deposição de sal na superfície da rocha, a penetração da solução salina nos poros da rocha e ainda a expansão desses sais causando o aumento dos espaços na rocha, seguido da remoção dos sais solúveis e minerais secundários (Silva et al., 2009).

O cloreto de sódio é um sal muito comum e muito

utilizado neste tipo de ensaios uma vez que causa grandes danos à rocha, pois aumenta de volume quando precipita (Grossi e Esbert, 1993; Doehne, 2002; Benavente et al., 2007).

O ensaio de nevoeiro salino/cristalização de sais

utiliza-se para avaliar os danos provocados pelos sais solúveis que penetram na rocha, quando estes cristalizam nos seus espaços vazios (poros ou fissuras) (Alonso et al., 2008). Na última década tem-se assistido a um crescente interesse científico relativamente aos efeitos da cristalização de sais em diferentes materiais pelo facto deste fenómeno de alteração ter consequências estéticas, culturais, arquitetónicas e económicas no património

3

edificado. Constata-se que edifícios e monumentos históricos, construídos em zonas costeiras, mostram sinais de
edificado. Constata-se que edifícios e monumentos históricos, construídos em zonas costeiras, mostram sinais de

edificado. Constata-se que edifícios e monumentos históricos, construídos em zonas costeiras, mostram sinais de degradação, por vezes avançada, o que tem chamado a atenção de investigadores e técnicos envolvidos nos problemas de manutenção, conservação e restauro dessas construções. Regista-se também um aumento da investigação nesta área na tentativa de esclarecer o efeito de crescimento dos sais na alteração e degradação de diferentes tipos de materiais de construção referindo-se, por exemplo, trabalhos com rochas ornamentais (Benavente et al., 2007). De acordo com Vásquez (2010), as rochas utilizadas em fachadas e pavimentos estão expostas a fenómenos de insolação e, portanto, a mudanças de temperatura durante longos períodos de tempo. A insolação como agente de meteorização, através de tensões geradas dentro de um bloco rochoso por diferenças de temperatura durante o aquecimento e arrefecimento, tem sido amplamente discutido há mais de um século (Gómez-Heras et al., 2008). Além dos ciclos térmicos, a ação da radiação solar manifesta-se na degradação da coloração inicial, sobretudo pelo escurecimento dos minerais mais claros.

A radiação solar induz variações mais rápidas da

temperatura superficial da rocha do que no seu interior. Este facto está mais relacionado com a composição mineralógica da rocha do que com o tamanho dos poros e/ou densidade de poros. Isto implica que as variações rápidas de temperatura podem levar a expansões contínuas e à contração dos minerais da rocha. Estes factos indiciam uma fadiga da rocha o que pode acelerar o processo de meteorização (Zhu et al., 2003).

A presença de minerais, ou zonas de minerais dentro de rochas, com diferentes propriedades térmicas relacionadas com a absorção de radiação e/ou a transferência de calor pode criar superfícies complexas e distribuições de temperatura que poderá influenciar os padrões de fratura da rocha.

A relação existente entre as diferentes propriedades

térmicas e as respostas de diferentes rochas ao aquecimento proveniente da radiação solar, têm sido amplamente estudadas tanto em trabalhos de campo como em trabalhos laboratoriais (Gómez-Heras et

al., 2008). Embora o dióxido de enxofre (SO 2 ) não seja o principal contaminante dos combustíveis atuais (Grossi e Brimblecombe, 2008), as rochas podem

estar expostas a ambientes ricos neste composto. O

SO 2 é um agente de deterioração que afeta as rochas

causando danos principalmente estéticos (formação

de crostas e mudanças na cor da rocha) e também

físicos através da criação de tensões e da rutura da

superfície produzida pelo crescimento de crostas no interior da rocha e pelas reações químicas que ocorrem na superfície (Amorosso e Fassina, 1983;

Camuffo et al., 1983, Rodríguez-Navarro e Sebastião, 1996; Torfs e Van Grieken, 1997; Smith et al., 2003). Na prática, os efeitos químicos do ataque ácido originam a degradação progressiva das

propriedades dos materiais rochosos. Este processo começa com a deterioração da superfície exposta sob

a forma de empolamentos, descamação e

arrancamento de minerais, com a progressiva deterioração do exterior para o interior da rocha, verificando-se um aumento progressivo da porosidade (Frascá e Yamamoto, 2006). Neste estudo, foram realizados ensaios de meteorização artificial procurando assim determinar a durabilidade de granitos ornamentais com acabamento superficial polido. Assim, selecionaram- se três granitos explorados no norte de Portugal, os quais foram sujeitos à ação do nevoeiro salino, da radiação solar e do dióxido de enxofre.

Material e Métodos Para a realização deste estudo, selecionaram-se três variedades de granito de tonalidades claras: Granito Cinzento Claro de Pedras Salgadas, Granito Branco Micaela e Granito Amarelo Real (Tabela 1). Os dois primeiros granitos apresentam tonalidades acinzentadas, e o terceiro apresenta tons mais amarelados (Figura 1). Os provetes, com dimensões

de 100mm100mm20mm, e com acabamento

superficial polido, foram obtidos numa unidade transformadora de pedra natural. Para melhor avaliar os efeitos dos ensaios nos referidos provetes, procedeu-se à avaliação da cor, rugosidade e brilho. A cor de cada provete foi determinada através de 40 medições com o colorímetro X-Rite 360, com geometria 45/0, utilizando o iluminante D65 e a abertura de 8 mm, por ser a mais utilizada em estudos semelhantes (Grossi et al., 2007), e foi expressa no sistema CIE- L * a * b * . Para avaliar/quantificar a rugosidade superficial dos granitos, recorreu-se ao medidor de rugosidade Mitutoyo SJ-201, tendo-se realizado seis perfis de medição, cada um com 12,5 mm de comprimento, em cada um dos provetes. Os resultados são expressos em R a (média aritmética do perfil) e R t (amplitude máxima da rugosidade) (Alonso et al., 2008). O brilho foi quantificado com o brilhómetro Novo- Gloss Trio (Rhopoint Instruments), usando as geometrias de 20º, 60º e 85º, efectuando-se 15 medições em cada provete. Para a realização dos ensaios de meteorização artificial, utilizou-se a câmara de nevoeiro salino, a câmara de ambiente ácido e a Solar Box cujas características se apresentam na tabela 2 e figura 2.

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Tabela 1 – Granitos utilizados neste estudo. Nome comercial Origem Descrição macroscópica Amarelo Real (AR)
Tabela 1 – Granitos utilizados neste estudo. Nome comercial Origem Descrição macroscópica Amarelo Real (AR)

Tabela 1 – Granitos utilizados neste estudo.

Nome comercial

Origem

Descrição macroscópica

Amarelo Real (AR)

Vila Pouca de Aguiar

Duas micas, grão médio, homogéneo

Pedras Salgadas (PS)

Vila Pouca de Aguiar

Biotítico, grão médio, ligeira tendência porfiróide

Branco Micaela (BM)

Aguiar da Beira

Duas micas, grão fino a médio, homogéneo

da Beira Duas micas, grão fino a médio, homogéneo Figura 1 – Características macroscópicas e microscópias
da Beira Duas micas, grão fino a médio, homogéneo Figura 1 – Características macroscópicas e microscópias
da Beira Duas micas, grão fino a médio, homogéneo Figura 1 – Características macroscópicas e microscópias
da Beira Duas micas, grão fino a médio, homogéneo Figura 1 – Características macroscópicas e microscópias
da Beira Duas micas, grão fino a médio, homogéneo Figura 1 – Características macroscópicas e microscópias
da Beira Duas micas, grão fino a médio, homogéneo Figura 1 – Características macroscópicas e microscópias

Figura 1 – Características macroscópicas e microscópias dos granitos estudados (de cima para baixo: Pedras Salgadas, Branco Micaela e Amarelo Real; escala: 5 cm de comprimento; ampliação: 4X com nicóis cruzados; QZ – quartzo; BI – biotite; MO – moscovite; PG - plagioclase).

Tabela 2 – Principais características dos equipamentos utilizados nos ensaios de meteorização artificial.

Equipamento

Características Técnicas

Câmara de nevoeiro salino

Pulveriza os provetes com uma solução salina durante um determinado período de tempo com uma determinada temperatura. Foi utilizada para avaliar a influência da cristalização de sais nos provetes (foi utilizada em conjunto com uma estufa).

Câmara de ambiente ácido

Cria um ambiente ácido durante um período de tempo pré-estabelecido e com uma determinada temperatura e humidade. Este equipamento simula a influência dos ambientes ácidos sobre as rochas.

Solar Box

Simula a radiação solar, fazendo variar a intensidade de radiação e a temperatura. Permite avaliar a resistência dos materiais à radiação solar.

No ensaio da Solar Box não foi utilizada nenhuma norma específica, pois as normas existentes (ISO 11341 e ISO 17398) são para outro tipo de materiais (cores e sinalização de segurança; tintas e vernizes). Já no ensaio de ambiente ácido, foi adaptada a norma UNE–EN 13919:2003. Este ensaio foi realizado em ambiente húmido com adição de uma

concentração de SO 2 de 0,67% , obtendo-se um pH de aproximadamente 2. Para a realização do ensaio de nevoeiro utilizou-se a norma UNE–EN 14147:2004, com adaptações no que diz respeito aos tempos de duração das etapas de pulverização e secagem. Na tabela 3 apresentam-se as condições experimentais dos ensaios realizados.

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Figura 2 – Equipamentos utilizados nos ensaios de meteorização artificial (A – câmara de ambiente
Figura 2 – Equipamentos utilizados nos ensaios de meteorização artificial (A – câmara de ambiente
Figura 2 – Equipamentos utilizados nos ensaios de meteorização artificial (A – câmara de ambiente

Figura 2 – Equipamentos utilizados nos ensaios de meteorização artificial (A – câmara de ambiente ácido; B – câmara de nevoeiro salino; C e D – Solar Box).

Tabela 3 – Características dos ensaios de durabilidade realizados.

Ensaio

Condições experimentais

Solar Box

Intensidade de radiação: 1000 W/m 2 ; BST: 60 C; Filtro: Outdoor; Duração: 33 dias.

Ambiente ácido

Ciclo: 8 horas em ambiente ácido (SO 2 ) à temperatura de 40 C + 16 horas de ventilação; Duração: 31 ciclos.

Nevoeiro salino

Ciclo: 8 horas sob o efeito do spray de cloreto de sódio a uma temperatura de 35 C + 16 horas na estufa a 35 C; Duração: 36 ciclos.

O número de provetes de cada granito foi de 4 nos ensaios de Nevoeiro Salino e de Ambiente Ácido, enquanto no ensaio de Solar Box foram utilizados 3 provetes do granito Amarelo Real e dois dos outros granitos (BM e PS). Ao longo dos ensaios foram efetuadas avaliações de cor, brilho e rugosidade nos provetes, mantendo o mesmo número de medições atrás referido (cor - 40; brilho - 15; rugosidade - 6). Em cada ensaio, realizaram-se diferentes números de avaliações para determinar a cor, o brilho e a rugosidade. Assim, no ensaio de Solar Box foram efetuadas 4 avaliações para parâmetro cor e brilho enquanto nos ensaios de nevoeiro salino e ambiente ácido, foram efetuadas três avaliações para avaliar a cor e duas avaliações para o brilho. As avaliações realizadas são

designadas por M1 (primeira avaliação/padrão), M2, M3 e M4 correspondendo a diferentes tempos de ensaio, conforme se pode verificar na tabela 4. A avaliação da cor nas várias medições foi efetuada através da aplicação da fórmula

E*ab=(L* 2 +a* 2 +b* 2 ) 1/2 , considerando como padrões os valores de L*, a* e b* obtidos na primeira avaliação.

O significado estatístico das mudanças de cor e

brilho em cada provete foi avaliado através do teste

não-paramétrico Mann-Whitney, recorrendo ao programa STATISTICA v.9., mas para não sobrecarregar o texto apresentam-se os valores médios dos provetes ensaiados.

Tabela 4 – Duração dos ensaios de durabilidade realizados e intervalos de avaliação entre as medições.

 

Solar Box

Nevoeiro Salino

Ambiente Ácido

M1 M2

M2 M3

M3 M4

M1 M2

M2 M3

M1 M2

7 dias

15 dias

11 dias

13 ciclos

23 ciclos

31 ciclos

Resultados e discussão Após a recolha dos dados, procedeu-se a uma análise dos parâmetros avaliados (cor, brilho e rugosidade) obtidos nos provetes. Para facilitar a análise far-se-á referência aos diferentes ensaios bem como aos respetivos resultados.

Solar Box Após o ensaio de meteorização artificial na Solar Box, verifica-se que os provetes não apresentam variações estatisticamente significativas nos parâmetros de cor (L*, a* e b*). Os valores de L* ao

6

longo dos ensaios de durabilidade vai aumentando, apresentando cada provete uma tonalidade mais clara no final do que no início. No granito AR verifica-se que tanto o parâmetro a* como o b*

aumentam ligeiramente, conferindo aos provetes uma tonalidade mais avermelhada e amarelada, respetivamente. Através da análise da tabela 5, onde

se representam os valores médios e os desvios-

padrão, é possível constatar que, em todos os granitos, as variações de cor são mais notórias entre a M1 e a M2 e entre a M1 e a M4. Os valores de E não são muito elevados, oscilando entre 0,13 e 2,38,

abaixo do limiar de det eção pelo olho humano, que corresponde a 3 unidades CIE
abaixo do limiar de det eção pelo olho humano, que corresponde a 3 unidades CIE

abaixo do limiar de deteção pelo olho humano, que corresponde a 3 unidades CIE (Sousa e Gonçalves,

2011).

Relativamente ao brilho, verifica-se que para o ângulo de 20o granito BM apresenta variações significativas entre a M1 e a M2. Quanto aos ângulos de 60e de 85, a maioria dos provetes apresenta variações significativas, entre as medições M2/M3 e M3/M4. Estas variações podem estar relacionadas com a intensidade da radiação utilizada o que pode ter levado à degradação de resíduos do polimento na superfície dos provetes a qual tem expressão na quantidade de luz refletida, verificando-se uma diminuição do brilho das amostras. No entanto, a análise dos valores médios obtidos com a geometria 60mostra pequenas variações. Deve referir-se que esta geometria é a mais utilizada para avaliar o polimento em rochas, por isso podemos afirmar que não ocorreu uma degradação do brilho dos granitos ensaiados.

Nevoeiro salino

O ensaio de nevoeiro salino é um ensaio que afeta de

forma muito notória a superfície dos provetes utilizados nos ensaios. Através da análise da tabela 6

é possível verificar que para todos os granitos a

variação de cor mais significativa verifica-se da M1 para a M2. Quanto ao brilho, e de uma forma geral, verifica-se em todos os granitos estudados uma diminuição com o decorrer do ensaio. Estes resultados eram expectáveis porque, com a precipitação de sais nas fissuras e poros do granito, ocorrem perdas de fragmentos de minerais. A libertação destes pequenos fragmentos diminui

substancialmente a reflexão da luz incidente na superfície dos provetes e também se manifesta no notável aumento da rugosidade, confirmado pelo aumento em todos os parâmetros medidos (R a e R t ) (Tabela 6). As variações são muito significativas para todos os granitos estudados, embora cada mineral se comporte de um modo diferente face à meteorização. A análise mais detalhada à lupa binocular permite concluir que os feldspatos potássicos são os minerais que apresentam mudanças menos significativas. A modificação do plano estrutural das micas (biotite e moscovite) faz com que a rugosidade aumente de uma forma considerável. Nos minerais de quartzo é possível observar arrancamentos, sobretudo no contacto com os outros minerais, que afetam consideravelmente a rugosidade da superfície. A heterogeneidade da rugosidade pode ser comprovada através da análise dos perfis de rugosidade, de que se apresenta na figura 3 um exemplo. Estudos realizados por López-Arce et al. (2010) indicam que neste tipo de ensaio as fissuras são principalmente geradas e desenvolvidas ao longo do plano de clivagem das biotites, que posteriormente se expandem e circundam os minerais de quartzo e de feldspato. As fissuras radiais também foram observadas nos feldspatos potássicos. Isto sugere que a abertura dos planos de clivagem da biotite durante o ensaio de cristalização de sais possa gerar forças de tensão dentro da estrutura dos minerais, resultando no desenvolvimento de fissuras transversais.

Tabela 5 – Valores das características de superfície (cor e brilho) dos granitos utilizados no ensaio da Solar Box (a negrito apresenta-se a média e a itálico o desvio padrão; os números superiores à linha representam o nº de provetes com variações significativas).

 

Amarelo Real

   

Pedras Salgadas

   

Branco Micaela

 
 

M1

M2

M3

M4

 

M1

M2

M3

M4

 

M1

M2

M3

M4

L*

64,89

67,28 0

68,13 0

68,00 0

L*

64,74

66,73 0

68,43 0

68,69 0

L*

64,66

66,93 1

68,38 1

67,67 0

0,95

2,64

0,73

2,52

1,13

1,24

1,34

2,23

0,55

1,15

0,57

0,23

a*

2,29

2,24 0

2,32 0

2,32 0

a*

-0,35

-0,49 0

-0,45 0

-0,50 0

a*

-0,30

-0,47 1

-0,49 1

-0,51 0

0,16

0,46

0,19

0,19

0,11

0,09

0,09

0,10

0,04

0,02

0,03

0,04

b*

10,57

10,65 0

10,68 0

10,73 0

b*

2,21

1,98 0

2,05 0

2,03 0

b*

1,56

1,25 0

1,19 0

1,15 0

0,50

0,87

0,42

0,46

0,54

0,49

0,57

0,60

0,26

0,28

0,37

0,17

E

-

2,39

0,85

0,13

E

-

2,01

1,70

0,26

E

-

2,29

1,46

0,71

20

37,27

36,84 0

36,43 0

36,98 0

20

41,15

39,49 0

39,46 0

39,53 0

20

50,61

48,03 2

48,60 0

47,58 0

3,19

2,70

1,87

2,26

14,00

13,00

12,78

13,63

3,66

2,95

3,25

3,20

60

50,99

50,45 0

50,40 0

50,28 0

60

58,31

57,46 2

58,07 0

56,87 1

60

67,58

66,23 1

67,19 1

65,63 2

2,59

2,00

1,54

1,29

11,92

10,96

10,57

11,69

2,85

2,46

2,66

2,52

85

69,46

68,69 1

69,10 0

65,73 1

85

90,44

89,79 2

92,71 2

86,88 2

85

89,38

88,71 0

91,25 2

85,27 2

3,60

2,56

1,80

1,38

3,95

3,36

2,68

3,43

1,20

1,26

1,44

0,51

 

7

Tabela 6 – Valores das características de superfície (c or, brilho e rugosidade) dos granitos
Tabela 6 – Valores das características de superfície (c or, brilho e rugosidade) dos granitos

Tabela 6 – Valores das características de superfície (cor, brilho e rugosidade) dos granitos utilizados no ensaio de Nevoeiro Salino (a negrito apresenta-se a média e a itálico o desvio padrão; os números superiores à linha representam o nº de provetes com variações significativas).

 

Amarelo Real

   

Pedras Salgadas

   

Branco Micaela

 
 

M1

M2

M3

 

M1

M2

M3

 

M1

M2

M3

L*

64,37

67,02 0

66,76 0

L*

66,79

65,56 0

65,41 1

L*

66,21

68,10 2

68,41 0

2,52

1,30

1,17

1,84

1,94

1,04

0,69

0,33

0,69

a*

2,27

1,88 0

2,01 0

a*

-0,38

-0,34 0

-0,39 0

a*

-0,24

-0,23 0

-0,22 0

0,25

0,21

0,23

0,08

0,05

0,03

0,07

0,04

0,07

b*

10,76

10,25 0

10,65 0

b*

2,15

1,96 0

2,01 0

b*

1,83

1,90 0

1,95 0

0,32

0,58

0,50

0,49

0,39

0,35

0,24

0,11

0,14

E

-

2,72

0,49

E

-

1,25

0,17

E

-

1,89

0,32

20

37,08

32,55 4

27,18 4

20

49,43

43,24 4

34,99 3

20

41,84

38,4 0

37,0 1

1,52

2,31

2,13

0,55

0,70

10,20

10,78

10,36

0,84

60

50,70

44,86 4

38,80 4

60

65,77

59,74 4

49,65 4

60

57,29

53,58 4

53,24 4

1,50

2,57

2,89

0,44

0,95

10,53

10,05

9,97

0,44

85

69,11

58,49 4

48,98 4

85

87,88

76,40 4

72,71 4

85

86,96

78,68 4

67,13 3

2,04

4,30

4,68

0,58

0,57

8,78

6,67

6,25

0,80

R

 

3,01

3,55 0

7,25 2

R

 

0,53

0,78 1

1,81 3

R

 

0,65

1,22 1

3,21 2

a

0,84

1,50

1,77

a

0,22

0,28

0,65

a

0,04

0,37

0,79

R

 

60,94

56,71 0

121,35 2

R

 

15,89

26,11 1

50,50 1

R

 

17,89

28,67 1

69,04 2

t

14,49

19,58

14,60

t

8,62

5,23

23,54

t

4,39

6,73

6,21

t 8,62 5,23 23,54 t 4,39 6,73 6,21 Figura 3 – Exemplo do perfil de rugosidade

Figura 3 – Exemplo do perfil de rugosidade do granito Amarelo Real. Note-se a presença de zonas mais “aplanadas” (zona verde; corresponde a quartzo e feldspatos) em contraste com outras de maior irregularidade (zona laranja; corresponde ao contacto entre quartzo ou feldspato e biotite).

Ambiente ácido Analisando os dados da tabela 7, verifica-se que para a cor, o granito AR é o que apresenta variações mais significativas, com valores de E superiores a 5. Apesar dos outros granitos (PS e BM) terem valores superiores a 2, pode considerar-se que as variações ainda não têm significado prático. Quanto ao brilho, e de uma forma geral, no granito AR verifica-se para todos os ângulos de medição um aumento. Já os outros granitos (BM e PS) o brilho diminui ligeiramente ao longo do ensaio. Quando a superfície das amostras se encontra coberta de cristais observa-se que o brilho é menor do que na

rocha polida (Vásquez, 2010). A medição do brilho sobre os cristais formados produz uma dispersão do feixe luminoso e consequentemente uma menor refletância. Uma vez que se lavaram as amostras antes de cada medição, a superfície de rocha volta a estar lisa e desta forma deve refletir os disparos de luz provenientes do brilhómetro com o mesmo ângulo de incidência, mostrando um valor de brilho maior do que quando se efetua a medição com os cristais (eflorescências). Assim, as diferenças que existem em relação aos valores iniciais são devidas ao efeito do SO 2 durante o ensaio.

8

Tabela 7 – Valores das características de superfície (c or, brilho e rugosidade) dos granitos
Tabela 7 – Valores das características de superfície (c or, brilho e rugosidade) dos granitos

Tabela 7 – Valores das características de superfície (cor, brilho e rugosidade) dos granitos utilizados no ensaio de ambiente ácido (a negrito apresenta-se a média e a itálico o desvio padrão; os números superiores à linha representam o nº de provetes com variações significativas).

 

Amarelo Real

 

Pedras Salgadas

 

Branco Micaela

 

M1

M2

 

M1

M2

 

M1

M2

L*

67,21

62,73 3

L*

64,42

62,67 0

L*

66,82

65,12 1

1,49

1,62

1,41

1,43

0,67

1,05

a*

2,07

2,16 0

a*

-0,32

-0,70 4

a*

-0,25

-0,45 4

0,34

0,45

0,12

0,03

0,05

0,10

b*

10,49

12,82 4

b*

2,13

4,19 4

b*

2,00

3,43 4

0,56

0,61

0,33

0,37

0,07

0,18

E

-

5,05

E

-

2,73

E

-

2,23

20

37,65

40,43 2

20

42,26

33,94 4

20

48,65

41,49 4

1,03

1,86

7,68

5,41

2,13

2,34

60

50,70

53,53 3

60

58,54

51,62 4

60

62,60

56,95 4

0,96

1,24

6,64

4,52

2,83

1,99

85

66,38

71,10 4

85

84,22

84,33 2

85

79,72

86,23 3

0,84

0,93

3,25

4,92

3,62

0,80

R

 

3,36

2,72 1

R

 

0,45

0,90 3

R

 

0,74

0,88 0

a

0,88

1,27

a

0,16

0,53

a

0,12

0,13

R

 

73,16

59,95 0

R

 

11,19

26,74 2

R

 

19,24

23,53 0

t

21,41

24,98

t

2,74

13,98

t

3,74

5,12

Relativamente à rugosidade, no granito AR verifica- se uma ligeira diminuição de R a e R t da M1 para a M2, enquanto nos granitos PS e BM se verifica o oposto. Como o granito AR é mais poroso que os outros granitos estudados, a precipitação de sais nas fissuras poderá ter permitido uma diminuição da sua rugosidade, e assim justificar o aumento do brilho. Este facto, considerado anómalo relativamente ao esperado, deverá ser avaliado em estudos posteriores.

Conclusão Os ensaios de meteorização artificial tiveram como objetivo avaliar os processos de deterioração das rochas ornamentais quando aplicadas em ambientes com características climáticas extremas. Os ensaios efetuados permitiram uma visão global em relação à resposta que as rochas apresentarão quando expostas aos principais agentes físicos e químicos que as degradam. Os ensaios de meteorização acelerada realizados nos granitos selecionados permitiram concluir que o ensaio de nevoeiro salino é o que provoca mais alterações na superfície dos provetes. Verifica-se um aumento significativo na rugosidade com consequência no respetivo brilho. Quanto ao ensaio da Solar Box, as variações mais significativas são ao nível da cor, não se verificando variações relevantes quanto ao brilho. O ensaio de ambiente ácido permite concluir que o granito Amarelo Real é o que apresenta variações mais significativas enquanto nos outros granitos (Pedras Salgadas e Branco Micaela) as variações não são estatisticamente significativas.

9

Quanto ao brilho, e de uma forma geral, o granito Amarelo Real é aquele com variações mais notórias, enquanto os outros granitos mostram diminuições

ligeiras. Relativamente à rugosidade, verifica-se que

o granito Amarelo Real apresenta maiores variações

de rugosidade, tanto de R a como de R t .

A comparação dos resultados obtidos em ambiente

natural (Gonçalves, 2010) e em ambiente artificial permitem concluir que os ensaios de meteorização

acelerada são mais violentos e provocam alterações mais notórias nas características de superfície dos provetes utilizados.

O granito mais meteorizado, Amarelo Real, é o mais

suscetível à ação dos agentes meteóricos, quer pela

elevada porosidade que apresenta quer pela menor coesão dos seus minerais.

O número de provetes (4) utilizados em cada ensaio

talvez não tenha sido o suficiente para avaliar as características das superfícies. Em trabalhos futuros, devem utilizar-se mais provetes e realizar mais do que um ensaio de forma a averiguar se os resultados são semelhantes em todos os ensaios realizados.

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Elementos terras raras e isótopos de oxigénio no estudo dos escarnitos ferríferos de Alvito, sul
Elementos terras raras e isótopos de oxigénio no estudo dos escarnitos ferríferos de Alvito, sul

Elementos terras raras e isótopos de oxigénio no estudo dos escarnitos ferríferos de Alvito, sul de Portugal

Rare Earth Elements and oxygen isotope to study the Alvito iron skarn deposit, southern Portugal

Elsa M. C. Gomes e Maria Manuela G. Vinha Silva

Centro de Geociências da Universidade de Coimbra, Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra

egomes@dct.uc.pt e mmvsilva@dct.uc.pt

Resumo Os escarnitos ferríferos de Alvito, sul de Portugal, ocorrem no contacto com os dioritos do Complexo Ígneo de Beja (BIC), que intruíram, no Carbónico Inferior, rochas metacarbonatadas siliciosas, atribuídas ao Câmbrico Inferior. Os litótipos estudados incluem endoscarnitos com piroxena + plagioclase, exoscarnitos com piroxena e exoscarnitos com piroxena + granada vesuvianite. A análise petrográfica sugere três estádios para explicar a evolução da composição mineralógica:

metamórfico, prógrado e retrógrado. Novos dados de elementos de terras raras e de isótopos de oxigénio de granada, clinopiroxena, anfíbola e magnetite são apresentados e discutidos. Os perfis de terras raras indicam uma relação genética dos endoscarnitos com os dioritos. Os valores de 18 O incluem-se no intervalo de valores para a água magmática com mistura limitada de fluidos meteóricos. Concluiu-se que a mineralização está geneticamente relacionada com os dioritos do BIC.

Palavras-chave: Alvito, escarnito ferrífero; mineralogia, terras raras, isótopos de oxigénio,

Abstract The Alvito iron skarn deposit, in the south of Portugal, occurs at the contact of the Beja Igneous Complex diorites, emplaced in the Lower Cambrian siliceous metacarbonate rocks during Lower Carboniferous times. The studied lithotypes include pyroxene+plagioclase endoskarns, pyroxene exoskarns, and pyroxene+garnetvesuvianite exoskarns. The petrographic analysis suggests three stages to explain the evolution of the mineral composition: metamorphic, prograde and retrograde stages. New data on the REE and 18 O values of skarn minerals, garnet, clinopyroxene, amphibole and magnetite, are presented and discussed. The REE patterns indicate a genetic relationship between diorites and endoskarns. 18 O values are essentially in the range of magmatic water pointing out to a limited involvement of meteoric fluids. The main conclusion is that the iron skarns of Alvito are associated with the emplacement of the Beja Igneous Complex.

Key-words: Alvito; iron skarns; mineralogy; Earth Rare Elements; oxygen isotopes

Introdução Os “skarns” são litologias hospedeiras de mineralizações metalíferas importantes, podendo a sua classificação ser baseada no metal dominante:

Fe, Au, W, Cu, Zn-Pb, Mo e Sn (Einaudi et al., 1981; Meinert, 1993). Outros critérios de classificação incluem a natureza do protólito e a sua composição química. No primeiro caso, identificam- -se os endoscarnitos quando o protólito é magmático, e os exoscarnitos, se o protólito é sedimentar ou metasedimentar. Relativamente à composição, os escarnitos designam-se por cálcicos ou magnesianos se resultam de rochas carbonatadas, ou metacarbonatadas, predominantemente cálcicas ou magnesianas, respetivamente. A maioria dos escarnitos, mineralizados ou não, é o resultado de processos metassomáticos devido à intrusão de rochas magmáticas em encaixante de natureza carbonatada. Todavia, nem sempre é possível observar uma relação direta com rochas magmáticas. Depósitos de escarnitos do tipo “stratabound” são

também comuns. Podem, igualmente, ocorrer ao longo de falhas ou zonas de cisalhamento maiores. Os escarnitos ferríferos constituem, por vezes, grandes depósitos que se formam, fundamentalmente, contíguos a plutonitos pouco evoluídos, no contacto com rochas carbonatadas, em ambiente de arco vulcânico. Os escarnitos são caracterizados por associações minerais com várias fases que resultam dos processos metassomáticos envolvidos na sua formação. Tipicamente, as fases minerais cristalizam em diferentes estádios de escarnitização e mineralização. Um estádio inicial prógrado, caracterizado pela granada e piroxena, e um estádio retrógrado, com anfíbola, epídoto, clorite, explicam o essencial da paragénese destes litótipos. Na região de Alvito, distrito de Beja, Alentejo, ocorrem escarnitos com magnetite que parecem estar relacionados com a instalação do Complexo Ígneo de Beja (CIB) em rochas metacarbonatadas atribuídas ao Paleozoico inferior. Dos inúmeros trabalhos publicados sobre a geologia desta região

11

destacamos: Silva (1960), Carvalhosa (1972), Pinto & Andrade (1985) e Gomes & Fonseca (2006). Pretende-se
destacamos: Silva (1960), Carvalhosa (1972), Pinto & Andrade (1985) e Gomes & Fonseca (2006). Pretende-se

destacamos: Silva (1960), Carvalhosa (1972), Pinto

& Andrade (1985) e Gomes & Fonseca (2006).

Pretende-se com este trabalho:

- Caracterizar, do ponto de vista da mineralogia e da

geoquímica das terras raras, os escarnitos ferríferos

da região de Alvito;

- Caracterizar os minerais dos escarnitos com base

nos valores de 18 O;

- Discutir as condições de formação dos escarnitos.

Enquadramento geológico

A região de estudo localiza-se na Zona de Ossa

Morena (ZOM). A cartografia geológica da região (fig. 1) permite reconhecer as seguintes unidades

geológicas:

- Metassedimentos da Série Negra de Águas de

Peixe (Carvalhosa, 1972), do Proterozoico superior;

- Gnaisses félsicos (Carvalhosa, 1985; Fonseca,

1995) que afloram no núcleo da antiforma Alvito- Viana do Alentejo;

- Rochas metacarbonatadas siliciosas (Gomes, 2000)

atribuídas ao Paleozoico inferior (Carvalhosa, 1972);

- Rochas calcossilicatadas (Pinto & Andrade, 1985);

- Nível sílico-ferruginoso (Oliveira, 1984; Carvalho-

sa et al., 1987);

- Dioritos e quartzo-dioritos do CIB (Andrade et al.,

1992; Pin et al., 2008). Considera-se que esta região terá sido afetada por um evento tectonometamórfico de alta pressão, contemporâneo da 1ª fase hercínica D1 (Fonseca et al., 1999; Gomes & Fonseca, 2006), e por um evento metamórfico/metassomático relacionado com a instalação dos dioritos e quartzodioritos do CIB, no Carbónico inferior (Gomes, 2000; Pin et al., 2008). O metamorfismo de contacto imposto pelos dioritos revela-se nas litologias metacarbonatadas e calcossilicatadas que ocorrem na vizinhança dos

limites com o corpo intrusivo, que, na maior parte dos casos, estão tectonicamente retocados. A auréola

de contacto é constituída por mármores calcíticos,

mármores calcíticos-dolomíticos, mármores forsteríticos, rochas calcossilicatadas não diferenciadas e escarnitos. Os escarnitos afloram no seio dos mármores calcíticos mas, essencialmente, no contacto com os dioritos e com os gnaisses (fig. 1). A datação pelo método K-Ar das flogopites dos mármores aponta para uma idade do metamorfismo térmico de 327- 332 Ma (Gomes & Fonseca, 2006).

Mineralizações de ferro ocorrem associadas aos escarnitos cálcicos, sendo descritas como bolsadas e filões de magnetite maciça no seio de escarnitos, predominantemente piroxénicos, dispostos paralelamente ao contacto com o diorito (Fernandes

& Campos, 1943).

ao contacto com o diorito (Fernandes & Campos, 1943). Fig.1 – Carta geológica da região de

Fig.1 – Carta geológica da região de Alvito (Gomes, 2000). Legenda: 1- Cobertura sedimentar; 2- Horizonte silicioso; 3- Mármore calcítico (MC), mármore dolomítico (MD), rochas calcossilicatadas (RC); 4- Ganisses (Gn), escarnitos bimetassomáticos (Escr); 5- Xistos e quartzitos negros da Série Negra; 6- Dioritos; 7- Falha definida (a), provável (b), desligamento (c), cavalgamento (d); 8- Povoação.

Mineralogia Dioritos Os dioritos são mesocratas e possuem textura heterogranular subédrica de grão médio, pontualmente grosseiro. São constituídos por plagioclase (An 33 - An 57 ), anfíbola cálcica, com composição de edenite, ferro-edenite e magnésio- horneblenda, clinopiroxena (Vo 45 Hd 30 Di 25 – Vo 48 Di 37 Hd 15 ), ortopiroxena (Fs 54 En 44 Vo 2 ), biotite, quartzo, esfena, zircão, apatite, ilmenite e magnetite. Cumingtonite, grunerite, actinolite, clorite, feldspato potássico, epídoto, prenite e calcite são minerais secundários. O diorito pode desenvolver uma fácies marginal leucocrata com uma mineralogia distinta, incluindo: feldspato potássico abundante, plagioclase, anfíbola, biotite, quartzo, apatite, esfena, epídoto e magnetite. O feldspato potássico parece evoluir a partir da plagioclase, existindo evidências de substituição total ou parcial. Endoscarnito Os endoscarnitos são rochas, quase sempre foliadas, de grão médio a fino e coloração verde clara. A composição mineralógica é relativamente uniforme, predominando a plagioclase (An 49-56 ) e a clinopiroxena (Vo 49 Di 33 Hd 28 - Vo 49 Hd 34 Di 17 ) como minerais essenciais. Como minerais acessórios incluem: granada (Ad 76 Gr 22 Esp 2 - Ad 69 Gr 29 Esp 2 ), quartzo, epídoto, alanite, esfena, apatite e magnetite. Exoscarnito Os exoscarnitos cálcicos desenvolvem uma fácies de cor verde escura, com piroxena maciça e grão médio, de preferência no limite com o diorito, e uma fácies grosseira com granada castanha dominante. Granada, com composição grossulária-andradite, e

12

clinopiroxena diópsido-hedembergite são as fases das amostras com metaborato de Li e tetraborato de principais
clinopiroxena diópsido-hedembergite são as fases das amostras com metaborato de Li e tetraborato de principais

clinopiroxena diópsido-hedembergite são as fases

das

amostras com metaborato de Li e tetraborato de

principais destes litótipos, podendo ocorrer também

Li

e posterior fusão num forno de indução. O

vesuvianite e plagioclase. Anfíbola (hastingsite,

material obtido foi colocado numa solução de 5 %

ferro-horneblenda e ferro-pargasite), clorite

de

ácido nítrico, contendo um padrão interno,

(brunsvigite), quartzo, epídoto, ilvaíte, calcite e fluorite são minerais tardios. Cristais de

misturando-se durante cerca de 30 minutos até obter a dissolução completa.

clinopiroxena zonados com núcleos incolores de

A

precisão deste método é superior a 5 %, sendo o

diópsido e bordos verdes de hedembergite ou relíquias de clinopiroxena incolor no seio de

limite de deteção variável de acordo com o elemento analisado: 0.005 ppm para Eu e Tm, 0,002 ppm para

anfíbola retrógrada parecem ser testemunhos de um

Lu,

0,05 ppm para La, Ce e Nd e 0,01 ppm para Pr,

estádio essencialmente térmico. As duas gerações de

Sm, Gd, Tb, Dy, Ho, Er e Yb.

clinopiroxena têm composição de, respetivamente,

As

análises isotópicas de oxigénio foram realizadas

Vo 50 Di 38 Hd 12 a Vo 50 Di 45 Hd 5 e Vo 50 Hd 27 Di 26 a

em

4 concentrados de minerais, no Departamento de

Vo 48 Hd 48 Di 4 .

Relativamente

gerações: a primeira é anédrica e isotrópica e tem composição variável de Ad 52-78 , a segunda é euédrica a subédrica com zonamento oscilatório concêntrico e em setores, com composição Ad 38-81 , e a terceira é

uma granada birrefringente que preenche veios juntamente com anfíbola (hastingsite), cuja composição varia no intervalo Ad 40-54 . Nas granadas com zonamento composicional concêntrico registam-se diferenças composicionais entre as lamelas isotrópicas e birrefringentes, sendo as primeiras mais ricas na componente andradite, relativamente às segundas. Na tabela 1 apresenta-se um esquema simplificado da evolução da composição mineralógica destes litótipos. Consideram-se três estádios de formação para os escarnitos de Alvito que designamos por estádio metamórfico, representado pelos núcleos de diópsido, estádio prógrado e estádio retrógrado.

à granada, distinguem-se três

Tab.1 – Paragénese dos exoscarnitos cálcicos de Alvito.

Tab.1 – Paragénese dos exoscarnitos cálcicos de Alvito. Geoquímica Métodos analíticos As terras raras das

Geoquímica Métodos analíticos As terras raras das amostras selecionadas foram analisadas no Laboratório Actlabs, no Canadá, por Inductively Coupled Plasma Mass Spectrometer (ICP/MS), com um equipamento Perkin Elmer Sciex ELAN 6000. O método utilizado envolve a mistura

13

Ciências da Terra da Universidade de Western Ontario, Canadá. A separação e purificação das amostras foram realizadas por separador magnético,

líquidos densos e seleção manual à lupa binocular. A extração de oxigénio foi realizada de acordo com o procedimento convencional utilizando o trifluoreto

de cloro como reagente. Posteriormente, é feita a

purificação para análise por espectrometria de massa

de ionização térmica, para determinação das razões 18 O/ 16 O. Os dados são apresentados na notação relativamente ao padrão Vienna Standard Mean Ocean Water (V-SMOW). A precisão do método é

de ±0,2 ‰.

Terras raras Na tabela 2 apresentam-se dados relativos aos elementos terras raras dos litótipos estudados. Os

perfis de terras raras, normalizadas para condrito (Taylor & McLennan, 1985), de 4 amostras de diorito, 3 de endoscarnito e 4 de exoscarnito estão representados na figura 2. Os valores máximo e mínimo para a concentração total de terras raras são, respetivamente, 324,29 ppm, para um exoscarnito com granada e piroxena, e 50,97 ppm, para um diorito.

Os litótipos com concentrações mais elevadas de

terras raras são os endoscarnitos e os exoscarnitos

com granada e piroxena (tabela 2, fig. 2). Os perfis

de

terras raras são enriquecidos em terras raras leves

e

têm declive suave para a direita. A relação

(La/Lu) N varia de 2,69, nos dioritos, a 20,03, no exoscarnito com granada, piroxena e vesuvianite. Estudos de geoquímica de elementos traço na

granada e na vesuvianite de escarnitos indicam que

as granadas mais ricas em andradite e a vesuvianite

concentram preferencialmente as terras raras leves

(Gaspar et al., 2008; Fukuyama et al., 2012). O perfil com menor declive é de uma amostra de diorito com anomalia positiva de Eu (Eu/Eu*=1,11).

A maioria das amostras apresenta anomalias

negativas moderadas. As anomalias negativas de Eu mais acentuadas observam-se nos endoscarnitos e exoscarnitos piroxénicos (tabela 1).

Os exoscarnitos com granada e piroxena mostram

anomalias de Eu positivas moderadas. Anomalias positivas de Eu são também observadas em grandites

e vesuvianites, segundo Gaspar et al. (2008) e Fukuyama et al. (2012), respetivamente. Os perfis
e vesuvianites, segundo Gaspar et al. (2008) e Fukuyama et al. (2012), respetivamente. Os perfis

e vesuvianites, segundo Gaspar et al. (2008) e

Fukuyama et al. (2012), respetivamente. Os perfis de terras raras dos endoscarnitos são subparalelos aos dos dioritos, embora se reconheça alguma sobreposição relativamente às terras raras pesadas e enriquecimento em terras raras leves. Os perfis dos endoscarnitos e exoscarnitos piroxénicos são semelhantes e parecem ser essencialmente controlados pela abundância da clinopiroxena. Os perfis dos exoscarnitos refletem o enriquecimento em terras raras devido à presença de minerais que concentram estes elementos, como a granada, a vesuvianite e, no caso da amostra com maior concentração de terras raras, a alanite.

Tab.2 – Informação relativa aos elementos terras raras nos litótipos estudados.

     

Exoscarnito

Exoscarnito

Diorito

Endoscarnito

px

grn+px(±ves)

Terras

50,96-123,76

155,54-179,06

50,97-61,91

170,31-324,29

Raras

(La/Sm) N

1,90-2,23

1,87-2,80

2,27-2,61

2,09-8,03

(La/Lu) N

2,69-3,49

3,29-7,67

3,63-6,01

7,60-20,03

Eu/Eu*

0,59-0,74 /

0,51-0,57

0,45-0,64

1,02-1,10

1,11

0,59-0,74 / 0,51-0,57 0,45-0,64 1,02-1,10 1,11 Fig.2 – Perfis de terras raras, normalizadas para

Fig.2 – Perfis de terras raras, normalizadas para condrito, dos dioritos, endoscarnitos e exoscarnitos. Abreviaturas: px – piroxena, grn – granada, ves - vesuvianite.

Isótopos de oxigénio

A composição isotópica de oxigénio foi determinada

na granada, piroxena, anfíbola e magnetite em três

amostras de exoscarnito cálcico. Os valores de 18 O são, em geral, elevados, variando de 12,10 ‰ a 7,66 ‰, e decrescem de acordo com a seguinte ordem:

granada I (12,10 ‰) -> piroxena (9,11 ‰) -> anfíbola (8,55 ‰) -> magnetite (7,66 ‰) -> granada

II (7,27 ‰) (fig. 3). Genericamente, podem incluir-

-se no intervalo de valores para os fluidos magmáticos contudo, os dois concentrados de granada analisados apresentam valores diferentes, sugerindo que uma das granadas terá cristalizado numa fase tardia, indicando mistura com fluidos

meteóricos. A granada com valor mais elevado de 18 O corresponde à geração isotrópica que considerámos ter-se formado no estádio prógrado, enquanto a granada com valor mais baixo é equivalente da granada zonada que atribuímos ao estádio retrógrado (tabela 1). O valor de 18 O para a magnetite sugere, também, alguma mistura de água meteórica na génese da mineralização.

mistura de água meteórica na génese da mineralização. – exoscarnitos cálcicos. Fig.3 Valores de  1

exoscarnitos cálcicos.

Fig.3

Valores

de

18 O

dos

minerais

dos

Conclusões De acordo com os objetivos indicados na introdução, os novos dados apresentados neste trabalho, referentes à geoquímica de terras raras, de amostras representativas dos escarnitos ferríferos de Alvito, e aos valores de 18 O de minerais destes escarnitos, permitem propor as seguintes conclusões:

- Os perfis de terras raras, normalizadas para

condrito, sugerem uma relação genética dos endoscarnitos com os dioritos. - Os fluidos hidrotermais mineralizantes são essencialmente de origem magmática, havendo alguma mistura com fluidos meteóricos.

- Os resultados das análises isotópicas estão de

acordo com as relações texturais entre as fases minerais dos exoscarnitos que permitiram traçar a evolução da composição mineralógica nestes litótipos. - A mineralização está geneticamente relacionada

com a intrusão dos dioritos do Complexo Ígneo de Beja.

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A valiaçã o do poten cial cerâ mico das argilas d a Sub-b acia de
A valiaçã o do poten cial cerâ mico das argilas d a Sub-b acia de
A valiaçã o do poten cial cerâ mico das argilas d a Sub-b acia de

Avaliação do poten cial cerâ mico das argilas d a Sub-b acia de A guada de Cima (A nadia)

Ceram ic potenti al evaluat ion of cla ys from

Agu ada de Ci ma Sub B asin (An adia)

Dep artamento de

J. Velho e A. Ferr eira

Geociências, U niversidade de Aveiro, 3810-1 46 Aveiro, Por tugal

javelho@ua.p t

Resumo A Sub-ba cia de Aguada de Cima, Ana dia, correspon de a uma antig a depressão te ctónica, de dire ecção NS que

preenchid a por sediment os com caract erísticas miner alógicas e tec nológicas diver sas e constitui

argilas pa ra a cerâmica.

a caracterizaç ão das diferent es argilas, sua identificação

mineralóg ica e avaliação do seu potenci al para cerâmic a. Finalmente, com vista à val orização das ar gilas propõe-s e que sejam formados três tipos de lot es, o “vermelh o”, o “branco” e o “refractário ”.

um centro ex tractivo de

geológica e

se encontra

O objectivo d este trabalho é

Palavras-c have: Aguada; Argilas; Propr iedades; Cerâm ica; Lotes.

Abstract Aguada d e Cima Sub-ba sin, Anadia (ce ntre of Portuga l), is an old te ctonic depressi on, with a NS d irection, and i s now filled

very importan t extractive

with sedi ments with dive rse technologi cal and miner alogical chara cteristics and i s nowadays a

centre of clays for cera mics. The mai n goal of this

geology a nd mineralogy and evaluatio n of their poten tial applicatio n for ceramics . Finally, with the main goal to valorise

them, thre e blends formu lations are pro posed, “red”,

Key-word s: Aguada; Cla ys; Properties; Ceramic; Blen ds.

research is th e characterizat ion of these d ifferent clays,

white” and “r efractory”.

in terms of

Introduç ão

A Sub-b acia de Agua da de Cima e ncontra-se loc ali-

zada no

distrito de A veiro, na zon a centro de

Por-

tugal e é partilhada pe los Concelho s de Águeda

e de

Anadia

(figura 1). É

limitada

a

Oeste pelo

rio

Cértima

de direcção

aproximada

N-S, a Este

pela

Meseta I bérica onde uma not ória variação Norte pe la Ribeira do

de Boial vo de direcçõ es aproximad amente WN W e

Cadaval e a Sul pela Rib eira

das vertente s, a

a sua fronteir a é definida por

do declive

ENE, res pectivamente . Inserida na Bacia Lusitân ica,

a

Bacia

de Aguada

faz parte de

um conjunto

de

bacias d esenvolvidas

no seio da

depressão

que

acompan ha a transiçã o da platafor ma litoral par a o

(Dinis, 20 04).

do

um import ante

E-

(Grade e Mo ura,

depressão e em discordâ ncia

sobre

depositaram -se

materiais de idade mai s recente.

Há mais

num imp ortante centr o produtor de materiais de na-

tureza ar gilosa para a i ndústria de c erâmica nacio nal.

Do ponto

sido os tr abalhos publ icados nos úl timos anos co mo os de Bar ra et al. (200 3) e de Dinis ( 2004).

de vista me ramente geol ógico vários têm

que esta sub -bacia se tor nou

W e 15

fosso sub -meridiano c om 6 km de largura média

Cértima (Dinis, 2004 ) representa

Esta dep ressão, deno minada com o Depressão

Maciço Hespérico a ntemesozóico

km de compr imento N-S

Mesozóicos

1977; 19 80-81). Nesta

os

sedimentos

de 30 anos

Mesozóicos 1977; 19 80-81). Nesta o s sedimentos de 30 anos 17 F i ba cia

17

Fi

ba cia de Aguad a de Cima.

g.1 – Localiz ação geográf ica da regiã o da Sub-

O mapa geológico da região encontra-se represen- tado na figura 2 onde estão representadas para
O mapa geológico da região encontra-se represen- tado na figura 2 onde estão representadas para
O mapa geológico da região encontra-se represen- tado na figura 2 onde estão representadas para

O mapa geológico da região encontra-se represen-

tado na figura 2 onde estão representadas para além dos limites dos membros, algumas estruturas que interferem na sua distribuição espacial e alguns ali- nhamentos que são evidentes no campo ou por interpretação de fotografia aérea. Ferreira e Velho

(2006a) definiram e descreveram a estratigrafia

tendo identificado um membro-base, essencialmente arenoso e três membros com interesse económico para cerâmica a que se sobrepõe um quarto.

O membro mais importante é o do Barro Negro, que

ocorre na parte W da Sub-bacia, a cotas superiores a

50 m e apresenta cerca de 6 m de espessura máxima. Para SW apresenta espessura inferior, por vezes len- ticular, mantendo a carga em matéria orgânica e au- mentando o teor em areia fina no nível argiloso. É constituído na base por uma sequência de arenitos brancos de grão médio a que se segue uma camada

de argilito cinzento, caulinítico. Segue-se um siltito

cinzento que por diminuição gradual da fracção arenosa dá lugar a uma camada de argila negra

argilosa, que coincide com o topo deste membro.

A seguir ocorre o Membro de Vale Salgueiro que se

sobrepõe ao Membro dos Arenitos Basais na região

E da Sub-bacia e ao membro do Barro Negro a W.

Encontra-se a cotas superiores a 55 m e apresenta

uma espessura média de 10 m. É constituído por vá- rios níveis de argilas vermelhas, por vezes cinzentas, com óxidos de ferro. O início deste membro é assi- nalado pela ocorrência de uma argila cinzenta com frequentes manchas subverticais avermelhadas por vezes arroxeadas. Devido às variações horizontais, algumas camadas que compõem este membro po- dem conter maior quantidade de matéria orgânica o que, por vezes, lhes confere uma cor negra. Supe- riormente, ocorre em continuidade os sedimentos pertencentes ao Membro que se sobrepõe e onde este

já foi erodido ocorrem, em discordância angular, se-

dimentos cascalhentos pertencentes à Formação Plistocénica. De E para W ocorrem algumas varia- ções nas suas características litológicas: aumento do teor em matéria orgânica em algumas camadas, aumento da fracção argilosa em detrimento da fracção arenosa e diminuição da presença de óxidos.

O membro da Ciranda ocorre a cotas superiores a 75

m, com cerca de 20 m de espessura. O primeiro ní-

vel é constituído por um conglomerado, vermelho acastanhado de grão médio a muito grosseiro, com calhaus de quartzo, quartzito e, por vezes, de xisto, subarredondados. Apresenta estratificação planar e serve de aquífero aberto. Seguem-se várias camadas

de argilitos amarelados a avermelhados menos argi-

losos que os do membro anterior e com mais níveis lenticulares imaturos. A sequência termina com a deposição de um argilito amarelo. Este membro re- presenta o último membro da Formação de Aguada. Finalmente, acima dos quatro membros descritos atrás e sobre uma superfície de descontinuidade, en- contram-se os depósitos de idade definida como

Plistocénica designados por Formação da Gandra que não têm interesse económico (Ferreira e Velho,

2008b).

não têm interesse económico (Ferreira e Velho, 2008b). Fig.2 – Mapa geológico da Sub-bacia de Aguada

Fig.2 – Mapa geológico da Sub-bacia de Aguada de Cima (Ferreira e Velho, 2006a).

Materiais e métodos

O trabalho consistiu na caracterização de quatro

perfis (A, C, D e E) representativos do depósito e na

colheita de amostras dos níveis mais importantes para a exploração e cuja descrição se encontram re- feridas em Ferreira (2005) (figuras 2 e 3). Estas a- mostras foram sujeitas a vários ensaios com o objec- tivo de as caracterizar para a indústria da cerâmica. Os ensaios consistiram na determinação dos parâ- metros granulométricos, nas análises química (Fluorescência de raio X e espectrofotometria de chama) e mineralógica (Difracção de raio X), na avaliação da plasticidade e no estudo tecnológico e

na realização de ensaios de cozedura. A descrição e condições de operacionalidade dos ensaios encontram-se descritas em Ferreira (2005).

Resultados e discussão 1. Análise granulométrica Na tabela 1 encontram-se indicados os parâmetros granulométricos das argilas. Quanto ao perfil A, as amostras A06 a A10 contêm menor percentagem de partículas inferiores a 2 m, sendo materiais mais grosseiros que os das amostras A01 a A05. O membro do Vale Salgueiro é relativamente fino, apesar das diferenças entre os diversos níveis, em média, em cada amostra, 52% das partículas possuem dimensões de diâmetro esférico equivalente inferiores a 2 m. Quanto ao Membro do Barro Negro o destaque vai para a amostra D05 por ser a mais argilosa do perfil com quase 80% de fracção inferior a 2 m que contrasta com a amostra D03 que apresenta grande percentagem de elementos grosseiros.

18

Fig.3 – C ortes estratig r áficos estud a dos. Tab.1 – Dados de distr
Fig.3 – C ortes estratig r áficos estud a dos. Tab.1 – Dados de distr
Fig.3 – C ortes estratig r áficos estud a dos. Tab.1 – Dados de distr
Fig.3 – C ortes estratig r áficos estud a dos. Tab.1 – Dados de distr

Fig.3 – C ortes estratig ráficos estuda dos.

Tab.1 –

Dados de distr ibuição granu lométrica (% )

 

Amostra

 

<2

2-20

>20

>

63

m

m

m

m

Membro

A10

4

3,2

41,2

15,5

7

,4

da

A09

4

2,1

44,9

13,0

5

,8