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C7

Critérios de projeto que visam a durabilidade

Para evitar envelhecimento prematuro e satisfazer as exigências de durabilidade segundo

a ABNT NBR 6118:2014, devem ser observados os seguintes critérios no conjunto de pro- jetos relativos à obra:

a)

prever drenagem eficiente;

b)

evitar formas arquitetônicas e estruturais inadequadas;

c)

garantir concreto de qualidade apropriada, particularmente nas regiões superfi- ciais dos elementos estruturais;

d)

garantir cobrimentos de concreto apropriados para proteção às armaduras;

e)

detalhar adequadamente as armaduras;

f)

controlar a fissuração das peças;

g)

prever espessuras de sacrifício ou revestimento protetores em regiões sob condi- ções de exposição ambiental muito agressivas;

h)

definir um plano de inspeção e manutenção preventiva.

O CEB 1 e diversos pesquisadores 1,2,3 defendem que as limitações definidas por estas regras podem levar a uma maior robustez frente à degradação ambiental, e reconhecem que não é

a forma ideal de lidar com a questão da durabilidade, visto que ataca o problema de forma

indireta. Assim, consideram que deve haver uma primeira e adequada definição de classes de agressividade ambiental contrapostas com classes de resistência de concretos, mas re- comendam não classificar os concretos apenas por resistência à compressão e relação água/

1 COMITE EURO-INTERNATIONAL DU BETON. Bulletin d’information n. 238: New Approach to Durability Design. An example for carbonation induced corrosion. Lausanne: CEB, 1997. 138 p.

2 HELENE, Paulo. Vida Útil das Estruturas de Concreto. In: IV Congresso Ibero Americano de Patologia das Construções e VI Congresso de Controle da Qualidade CON PAT-97, 1997, Porto Alegre. IV Congresso Ibero Americano de Patologia das Construções e VI Congresso de Controle da Qualidade CON PAT-97, 1997. v. 1. p. 1-30.

3 SALINAS, F. M.; ESCOBEDO, C. J. M. La durabilidade en las estructuras de concreto reforzado desde la perspectiva de la norma española para estructuras de concreto. Concreto y Cemento. Investigación y desarollo, Ciudad de México, v. 4, n. 1, p. 63-86, jul.dez. 2012. Semestral.

4 ANDRADE, C.; MARTÍNEZ, R.; SANJUÁN, M. A. Propuesta de modificación de los critérios de durabilida- de del hormigón en el Eurocódigo 2. Hormigón y Acero, Barcelona, v. 65, n. 272, p.133-140, abr.-jun. 2014. Trimestral.

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cimento, mas também por indicadores efetivos de durabilidade, como, por exemplo, coefi- ciente de carbonatação ou de cloretos, resistência à expansão por reações álcali-agregado (AAR), resistência à sulfatos, etc., utilizando ensaios e modelos matemáticos representati- vos de cada fenômeno.

Certamente esse alvo, assim como uma consideração probabilística da evolução dos fenô- menos de deterioração, é preferível e mais adequado que considerações e modelos determi- nistas. Por outro lado, considerar durabilidade por índices e critérios de desempenho e de modo probabilista ainda pode ser considerado um sonhado objetivo a atingir a médio e lon- go prazo. Existem poucos estudos, pesquisas e propostas, infelizmente ainda insuficientes e longe de serem aprovadas por consenso. Faltam ensaios padronizados, faltam critérios

e limites, assim como pesquisas de campo, até porque as estruturas de concreto são muito recentes e as primeiras estão chegando agora aos cem anos de idade.

Portanto, o conhecimento atual ainda é reduzido no campo do desempenho e da probabi-

lidade, e a prática centenária de introduzir a durabilidade através de medidas indiretas

e deterministas ainda é o caminho comodista adotado por todas as normas de concreto

praticadas no mundo. Em geral, são especificados resistência à compressão, relação a/c, espessura de cobrimento à armadura e, em alguns casos, tipo de cimento e adições, como parâmetros a serem obedecidos para obter a vida útil de projeto (VUP) desejada.

Esses valores deterministas e indiretos, constantes da ABNT NBR 6118:2014, estão re- feridos, indiretamente e por “experiências anteriores”, a uma vida útil de projeto VUP de 50anos e, portanto, para alcançar VUPs acima de 50anos (63anos e 75anos, como especifi- cado na ABNT NBR 15575:2013), as exigências devem ser superiores aos valores especifi- cados na ABNT NBR 6118:2014.

7.1 Simbologia específica desta seção

De forma a simplificar a compreensão e, portanto, a aplicação dos conceitos esta- belecidos nesta Seção, os símbolos mais utilizados, ou que poderiam gerar dúvi- das, encontram-se a seguir definidos. A simbologia apresentada nesta seção segue a mesma orientação estabelecida na Seção 4. Dessa forma, os símbolos subscritos têm o mesmo significado que os apresentados em 4.3.

C 7.1

c

c

min

nom

UR

- cobrimento mínimo - cobrimento nominal (cobrimento mínimo acrescido da tolerância de execução) - umidade relativa do ar

∆c - tolerância de execução para o cobrimento

Embora a especificação do cobrimento seja cuidadosamente verificada e controlada, a experiência demonstra que desvios significativos ainda podem ocorrer antes mesmo da concretagem. Às vezes, as cargas durante a concretagem podem ser muito altas em

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contraste com a rigidez das armaduras, ou pode ocorrer de os espaçadores terem sido colocados de maneira insuficiente ou incorreta.

O conceito de ∆c é definido como tolerância de execução, o que em probabilida-

de corresponderia a um valor muito pouco provável, como, por exemplo, o cor- respondente a uma fração de 0,5% de uma curva normal de Gauss, ou seja:

c nom = c min + ∆c = c min + 2,575*s c , no qual o desvio padrão esperado da variabilidade da espessura de cobrimento das armaduras não deveria superar 4mm.

Normalmente, na literatura específica 5 e nas obras, esse valor é da ordem de

s c = 6mm a 8mm, o que corresponde a um nível de confiança de cerca de 85% (coeficien-

te de 1,429), muito inferior aos 99% idealizados com o coeficiente de 2,575.

7.2 Drenagem

7.2.1 Deve ser evitada a presença ou acumulação de água proveniente de chuva

ou decorrente de água de limpeza e lavagem, sobre as superfícies das estruturas de concreto.

7.2.2 As superfícies expostas horizontais, como coberturas, pátios, garagens, esta-

cionamentos e outras, devem ser convenientemente drenadas, com a disposição de ralos e condutores.

7.2.3 Todas as juntas de movimento ou de dilatação, em superfícies sujeitas à ação

de água, devem ser convenientemente seladas, de forma a tornarem-se estanques à passagem (percolação) de água.

7.2.4 Todos os topos de platibandas e paredes devem ser protegidos. Todos os

beirais devem ter pingadeiras e os encontros em diferentes níveis devem ser pro- tegidos por rufos.

C 7.2

A água potável, ácida, alcalina ou contaminada é considerada o maior agente agres- sivo às estruturas de concreto; e ciclos de molhagem e secagem costumam acelerar

os processos deletérios. Portanto, manter o concreto úmido é uma das condições mais

desfavoráveis à durabilidade. Por essa razão, um projeto correto (arquitetônico e estrutural) deve criar boas condi- ções de drenagem, evitando acúmulo de água sobre a estrutura e direcionando os líqui- dos para tubulações de drenagem adequadas, além de prever o selamento adequado de juntas, a hidrofugação e a impermeabilização de superfícies de concreto estrutural e principalmente a estanqueidade.

A seguir são recomendados alguns detalhes simples que prolongam a durabilidade das estruturas de concreto armado. As Figuras C 7.1 a C 7.3 ilustram a importância de levar em consideração e evitar ou reduzir o efeito deletério da água nas estruturas de concreto nos projetos arquitetônicos e estruturais.

5 ODD, E. G. Durability Design of Concrete Structures in Severe Environments. 2. ed. Boca Raton: CRC Press Taylor & Francis Group, 2014.

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C7 41 Figura C 7.1 - Efeito da geometria dos peitoris em fluxos de água: (a)

Figura C 7.1 - Efeito da geometria dos peitoris em fluxos de água: (a) o fluxo é defletido para fora da fachada, (b) a água é concentrada nas laterais do peitoril. (THOMAZ, 1990 6 )

concentrada nas laterais do peitoril. (THOMAZ, 1990 6 ) (a) (b) (c) Figura C 7.2 -

(a)

(b)

(c)

Figura C 7.2 - Efeito da geometria dos ressaltos na expulsão dos fluxos de água em superfícies de estruturas: (a) errado, sem efeito (b) e (c) expulsam os fluxos de água (UEMOTO, 2005 7 ).

7.3 Formas arquitetônicas e estruturais

7.3.1 Disposições arquitetônicas ou construtivas que possam reduzir a durabilida-

de da estrutura devem ser evitadas.

7.3.2 Deve ser previsto em projeto o acesso para inspeção e manutenção de partes

da estrutura com vida útil inferior ao todo, como aparelhos de apoio, caixões, insertos, impermeabilizações e outros. Devem ser previstas aberturas para dre- nagem e ventilação em elementos estruturais onde há possibilidade de acúmulo de água.

6 THOMAZ, E. Patologias. In: ABCI. Associação Brasileira de Construção Industrializada. Manual Técnico de Alvenaria. São Paulo: Projeto/PW, 1990. p.97-117.

7 UEMOTO, K. L. Projeto, execução e inspeção de pinturas. 1. ed. São Paulo: O Nome da Rosa Editora Ltda, 2005. v. 1. 101p.

42 ABNT NBR 6118:2014 Comentários e Exemplos de Aplicação

C 7.3

Os projetos arquitetônico e estrutural podem contemplar detalhes (prevendo ou não beirais, cornijas, chapins e pingadeiras, por exemplo) que podem influenciar na conser- vação das estruturas de concreto, aumentando ou reduzindo sua durabilidade, como expõem as Figuras C 7.3 e C 7.4 (BRITEZ, 2010 8 ).

expõem as Figuras C 7.3 e C 7.4 (BRITEZ, 2010 8 ). Figura C 7.3 -

Figura C 7.3 - Edifício Martinelli/SP, com mais de 90 anos de vida útil: arquitetura planejada com beirais e cornijas.

de vida útil: arquitetura planejada com beirais e cornijas. Figura C 7.4 - Edifício Vilanova Artigas,

Figura C 7.4 - Edifício Vilanova Artigas, com cerca de 45 anos de vida útil em dia de chuva:

ausência de chapim prejudica a durabilidade de empena em concreto.

7.4 Qualidade do concreto de cobrimento

7.4.1 Atendidas as demais condições estabelecidas nesta seção, a durabilidade das estruturas é altamente dependente das características do concreto e da espes- sura e qualidade do concreto do cobrimento da armadura.

8 BRITEZ, Carlos. Dosagem e controle do concreto sob o enfoque da vida útil. 2010. Trabalho apresen- tado ao Workshop ABECE Melhoria Continua em Projeto, Execução e Manutenção de Estruturas – Concrete Show South America 2010. São Paulo, 2010.

 

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C

7.4.1

 
 

A qualidade potencial do concreto depende preponderantemente da relação água/ci- mento e do grau de hidratação, dependendo em menor importância do tipo de cimento, adições, cura, adensamento, etc. Relação a/c e grau de hidratação estão entre os prin- cipais parâmetros que regem as propriedades de absorção capilar de água, de perme- abilidade por gradiente de pressão de água ou de gases, de difusividade de água ou de gases, de migração de íons, assim como todas as propriedades mecânicas, tais como módulo de elasticidade, resistência à compressão, à tração, fluência, relaxação, abra- são e outras. Assim, a ABNT NBR 6118:2014 estabelece:

7.4.2 Ensaios comprobatórios de desempenho da durabilidade da estrutura frente ao tipo e classe de agressividade prevista em projeto devem estabelecer os parâmetros mínimos a serem atendidos. Na falta destes e devido à existência de uma forte corres- pondência entre a relação água/cimento, a resistência à compressão do concreto e suadurabilidade,permite-sequesejamadotadososrequisitosmínimosexpressosna Tabela 7.1.

Tabela 7.1 Correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto.

 

Classe de agressividade (tabela 6.1)

 
 

Concreto

Tipo

I

II

III

IV

Relação água/cimento

CA

≤ 0,65

≤ 0,60

≤ 0,55

≤ 0,45

em massa

CP

≤ 0,60

≤ 0,55

≤ 0,50

≤ 0,45

Classe de concreto (NBR 8953)

CA

≥ C20

≥ C25

≥ C30

≥ C40

CP

≥ C25

≥ C30

≥ C35

≥ C40

NOTAS:

1)

2)

3)

O concreto empregado na execução das estruturas deve cumprir com os requisitos estabelecidos na ABNT NBR 12655. CA corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto armado. CP corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto protendido.

C

7.4.2

 

Adicionalmente, a ABNT NBR 12655:2015 Concreto de cimento Portland. Prepa- ro, controle, recebimento e aceitação – Procedimento acrescenta à Tabela 7.1 da ABNT NBR 6118:2014 uma linha relativa ao consumo mínimo de cimento. A ABNT NBR 12655:2015, na falta de ensaios comprobatórios do desempenho em du- rabilidade, estabelece para as classes de agressividade I, II, III e IV, os consumos mínimos de 260, 280, 320, 360kg de cimento por m 3 , seja ele armado ou protendido. Ressalta-se, entretanto, que a qualidade efetiva do concreto na obra deve ser assegu- rada por corretos procedimentos de mistura, transporte, lançamento, adensamento, cura, desmoldagem e retirada do escoramento, dentre outros. Embora um concreto de resistência mais alta, seja, em princípio e sob certas circunstâncias, potencialmente

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mais durável do que um concreto de resistência mais baixa (de mesmos materiais) 9,10 ,

a resistência à compressão não é, por si só, uma medida suficiente da durabilidade do

concreto, pois esta depende principalmente das camadas superficiais do concreto da estrutura. Nessas camadas o adensamento, a cura e os demais procedimentos de exe- cução, têm efeito muito importante nas propriedades de difusividade, permeabilidade

e absorção capilar de água e gases. Apesar disso, foi decidido na norma fazer referência às classes de resistência do concreto por ser esta a propriedade mais consagrada nos

projetos estruturais.

7.4.3 Os requisitos das Tabelas 7.1 e 7.2 são válidos para concretos executados com cimento Portland que atenda, conforme seu tipo e classe, às especificações das ABNT NBR 5732, ABNT NBR 5733, ABNT NBR 5735, ABNT NBR 5736, ABNT NBR 5737, ABNT NBR 11578, ABNT NBR 12989 ou ABNT NBR 13116, com consumos mínimos de cimento por metro cúbico de concreto de acordo com a ABNT NBR 12655.

C

7.4.3

Convém dar preferência a certos tipos de cimento Portland mais adequados a resistir

à

agressividade ambiental, em função da natureza dessa agressividade. Do ponto de

vista da maior resistência à lixiviação e para minimizar o risco de reações álcali-agre- gado, são preferíveis os cimentos com adições tipo CP III e CP IV, com adições; para reduzir a taxa de carbonatação, são preferíveis os cimentos tipo CP I e CP V e; para reduzir a penetração de cloretos, são preferíveis os cimentos com adições tipo CP III e CP IV, com adições de metacaulim e sílica ativa.

 

7.4.4 Não é permitido o uso de aditivos à base de cloreto em estruturas de concreto, devendo ser obedecidos os limites estabelecidos na ABNT NBR 12655.

C

7.4.4

A ABNT NBR 12655:2015 não contempla o uso de adições não normalizadas no con- creto, devendo estes insumos cumprir com os requisitos da ABNT NBR 11768:2011 Aditivos químicos para concreto de cimento Portland. Requisitos.

7.4.6 Atenção especial deve ser dedicada à proteção contra corrosão das ancora- gens das armaduras ativas.

C 7.4.6

O ideal para proteção durável contra a corrosão das ancoragens das armaduras ativas

parece ser o emprego de grautes de base cimento modificado com polímeros.

7.4.7 Para o cobrimento deve ser observado o prescrito em 7.4.7.1 a 7.4.7.7. 7.4.7.1 Para atender aos requisitos estabelecidos nesta Norma, o cobrimento mí-

9 AMERICAN CONCRETE INSTITUTE. Building Code Requirements for Reinforced Concrete: reported by ACI Committee 318. In: ACI Manual of Concrete Practice. Detroit, 1992. V. 3. 10 AMERICAN CONCRETE INSTITUTE. Guide to Durable Concrete: reported by ACI Committee 201. ACI Materials Journal, v. 88, n. 5, p. 544-582, Sep./Oct. 1991.

C7

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nimo da armadura é o menor valor que deve ser respeitado ao longo de todo o elemento considerado. Isto constitui um critério de aceitação.

7.4.7.2 Para garantir o cobrimento mínimo (c mín ), o projeto e a execução devem

considerar o cobrimento nominal (c nom ), que é o cobrimento mínimo acrescido da tolerância de execução (∆c). Assim, as dimensões das armaduras e os espaçado- res devem respeitar os cobrimentos nominais, estabelecidos na Tabela 7.2, para ∆c =10mm.

C

7.4.7.2

Tem-se observado em obras, mesmo naquelas com adequado controle da qualidade, que a variabilidade da espessura de cobrimento, medida através do desvio padrão, tem apresentado valores da ordem de 6mm a 8mm, o que conduziria a nível de confiança da ordem de apenas 85%. Portanto a exigência de +10mm, pode ser considerada relevante e não deveria ser alterada no caso de estruturas moldadas in loco. No caso de estrutu- ras pré-moldadas essa redução é permitida conforme ABNT NBR 9062:2006 “Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado”.

7.4.7.3 Nas obras correntes, o valor de ∆c deve ser maior ou igual a 10mm.

7.4.7.4 Quando houver um controle adequado de qualidade e limites rígidos de

tolerância da variabilidade das medidas durante a execução, pode ser adotado o valor ∆c = 5mm, mas a exigência de controle rigoroso deve ser explicitada nos desenhos de projeto. Permite-se, então, a redução dos cobrimentos nominais, pres- critos na Tabela 7.2, em 5mm.

C

7.4.7.4

Em elementos estruturais tipo viga, pilares e lajes, construídos em fábricas de pré-

moldados, há efetiva possibilidade de maior rigor no controle das espessuras de co-

brimento. A título de exemplo, no caso de estruturas moldadas in loco, reduzir de 5

mm o cobrimento pode significar 15anos ou mais de redução da vida útil do elemento

estrutural. Por exemplo: c nom = 30 mm para classe II. Pelo modelo matemático clássico

= 30 mm para classe II. Pelo modelo matemático clássico da evolução da difusão de CO

da evolução da difusão de CO 2 por carbonatação, c = k* t , portanto, para t = 50 anos, k=4,24mm/ ano . Ao fixar c nom em 25 mm, obtém-se apenas t = 35 anos, ou seja, a vida

útil de projeto (VUP) ficaria reduzida de 15 anos.

a vida útil de projeto (VUP) ficaria reduzida de 15 anos. 7.4.7.5 Os cobrimentos nominais e

7.4.7.5 Os cobrimentos nominais e mínimos estão sempre referidos à superfície da

armadura externa, em geral à face externa do estribo. O cobrimento nominal de uma determinada barra deve sempre ser:

a) c nom f barra;

b) c nom f feixe = f n = f n;

c) c nom ≥ 0,5 f bainha.

7.4.7.6 A dimensão máxima característica do agregado graúdo utilizado no con-

creto não pode superar em 20 % a espessura nominal do cobrimento, ou seja:

d máx 1,2 c nom

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ABNT NBR 6118:2014 Comentários e Exemplos de Aplicação

Tabela 7.2 Correspondência entre a classe de agressividade ambiental e o cobrimento nominal para ∆c = 10mm.

Classe de agressividade ambiental (Tabela 6.1)

Tipo de

estrutura

Componente ou elemento

I

II

III

IV c

 

Cobrimento nominal mm

Concreto

Laje b

20

25

35

45

armado

Viga/Pilar

25

30

40

50

Elementos estruturais em contato com o solo d

30

40

50

Concreto

Laje

25

30

40

50

protendido a

Viga/Pilar

30

35

45

55

a Cobrimento nominal da bainha ou dos fios, cabos e cordoalhas. O cobrimento da armadura passiva deve respeitar os cobrimentos para concreto armado.

b Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de contrapiso, com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de revestimento e acabamento, como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, pisos asfálticos e outros, as exigências desta Tabela podem ser substituídas pelas de 7.4.7.5, respeitado um cobrimento nominal ≥ 15mm.

c Nas superfícies expostas a ambientes agressivos, como reservatórios, estações de tratamento de água e esgoto, condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em ambientes química e intensamente agressivos, devem ser atendidos os cobrimentos da classe de agressividade IV.

d No trecho dos pilares em contato com o solo junto aos elementos de fundação, a armadura deve ter cobri- mento nominal ≥ 45mm.

Para concretos de classe de resistência superior ao mínimo exigido, os cobrimentos definidos na Tabela 7.2 podem ser reduzidos em até 5mm. 7.4.7.7 No caso de elementos estruturais pré-fabricados, os valores relativos ao cobri- mento das armaduras (Tabela 7.2) devem seguir o disposto na ABNT NBR 9062.

C 7.4.7

É importante destacar que, para concretos de classe de resistência e relação água/

cimento correspondentes a uma classe de agressividade superior ao mínimo exigido, os cobrimentos definidos na Tabela 7.2 podem ser reduzidos em até 5 mm. Esta redução não pode ser considerada de forma cumulativa à redução definida em 7.4.7.4.

A qualidade efetiva do concreto superficial de cobrimento e proteção à armadura de-

pende também da adequabilidade da fôrma, do produto desmoldante e, preponderan- temente, da cura dessas superfícies. Em especial devem ser curadas as superfícies expostas precocemente, devido à desmoldagem, tais como fundos de lajes, laterais e fundos de vigas e faces de pilares e paredes. Uma diretriz geral, encontrada na litera- tura técnica diz que a durabilidade da estrutura de concreto é determinada por quatro fatores identificados como regra dos 4C’s:

a) composição, dosagem ou traço do concreto;

b) compactação ou adensamento;

c) cura;

d) cobrimento das armaduras.

C7

47

Portanto, a vida útil desejada para a estrutura pode ser alcançada através de uma combinação adequada e inteligente dos principais dois fatores intervenientes que são qualidade do concreto e espessura de cobrimento. Ao empregar um concreto de melhor qualidade, é possível reduzir o cobrimento mantendo a mesma vida útil de projeto, e vice-versa. Admitindo que o adensamento e a cura serão e deverão ser bem executados em quaisquer circunstâncias, fica um certo grau de liberdade entre a escolha da resis- tência (qualidade) do concreto e a espessura do cobrimento.

Esse conceito pode ser exemplificado na Figura C 7.5, onde está apresentado um ábaco correspondente a uma estrutura sujeita a um ambiente agressivo no qual predomina

a ação do gás carbônico, ou seja, um fenômeno preponderante de carbonatação 11 . Como

se pode observar qualitativamente, uma mesma vida útil pode ser alcançada por dife- rentes pares cobrimentos / resistência de concreto.

O ábaco indicado na Figura C 7.5 é apenas conceitual e qualitativo, correlacionando vida útil de projeto com espessura de cobrimento das armaduras e com a qualidade do concreto (C10 a C50), em função do ambiente (neste caso, zona urbana e industrial).

função do ambiente (neste caso, zona urbana e industrial). Figura C 7.5 - Correlações conceituais e

Figura C 7.5 - Correlações conceituais e qualitativas da carbonatação em faces externas dos componentes estruturais de concreto expostos à intempérie (HELENE, 1993).

O mesmo raciocínio pode ser aplicado para uma situação de extrema agressividade, ou

seja, para a zona de respingos de maré, como expõe o ábaco indicado na Figura C 7.6, tam-

bém apenas conceitual e qualitativo. Como se pode constatar, em condições de extrema agressividade, sempre qualitativamente, somente os concretos de 45MPa e 50MPa com cobrimentos mínimos de 9cm e 5cm, respectivamente, poderiam alcançar 50 anos de vida útil de projeto (VUP).

11 HELENE, P. R. L. Durabilidade das Estruturas de Concreto Armado. Anais do III Simpósio EPUSP sobre Estruturas de Concreto, PEF / EPUSP, São Paulo, 1 a 3 dez. 1993. p. 37.

48 ABNT NBR 6118:2014 Comentários e Exemplos de Aplicação

48 ABNT NBR 6118:2014 Comentários e Exemplos de Aplicação Figura C 7.6 - Correlações conceituais da

Figura C 7.6 - Correlações conceituais da difusão de cloretos em faces externas de componen- tes estruturais de concreto expostos à zona de respingos de maré (HELENE, 1993).

Dentro desta nova conceituação, após a classificação da agressividade do ambiente,

o passo a tomar deve ser o de escolher uma vida útil de projeto e, a partir dela, com liberdade, combinar inteligentemente o cobrimento de concreto das armaduras com

a qualidade (resistência) desse concreto, semelhantemente à visão proposta dos pes-

quisadores mencionados em C 7 e também ao modelo recomendado pela BS 8500- 1:2006 Concrete – Complementary British Standard to BS EN 206-1. Part 1: Method of specifying and guidance for the specifier.

7.5 Detalhamento das armaduras

7.5.1 As barras devem ser dispostas dentro do componente ou elemento estrutural,

de modo a permitir e facilitar a boa qualidade das operações de lançamento e adensamento do concreto.

7.5.2 Para garantir um bom adensamento, é necessário prever no detalhamento da

disposição das armaduras espaço suficiente para entrada da agulha do vibrador.

C 7.5

O congestionamento de barras dificulta a moldagem, propicia a segregação dos compo- nentes do concreto e impede um bom adensamento ao dificultar a entrada do vibrador, comprometendo a compacidade final do concreto endurecido 12 . Isso aponta para a ne- cessidade de uma maior preocupação com as questões executivas, além das questões de projeto, sendo conveniente considerar a possibilidade do emprego de concretos au- toadensáveis.

12 FUSCO, P.B. Técnica de armar as estruturas de concreto. São Paulo, Ed. Pini, 2000, 382p.

C7

49

7.6 Controle da fissuração

7.6.1 O risco e a evolução da corrosão do aço na região das fissuras de flexão trans-

versais à armadura principal dependem essencialmente da qualidade e da espes- sura do concreto de cobrimento da armadura. Aberturas características limites de fissuras na superfície do concreto, dadas em 13.4.2, em componentes ou ele- mentos de concreto armado, são satisfatórias para as exigências de durabilidade.

7.6.2 Devido à sua maior sensibilidade à corrosão sob tensão, o controle de fissuras

na superfície do concreto na região das armaduras ativas deve obedecer ao disposto em 13.4.2.

C 7.6

A fissuração, dentro de certos limites estabelecidos pela ABNT NBR 6118:2014, é na-

tural e aceitável no concreto armado. É preciso, no entanto, compatibilizar o grau de fissuração dos concretos com aspectos de funcionalidade da estrutura, durabilidade, deformabilidade, estanqueidade, estética e conforto do usuário adequados às condições de utilização previstos originalmente para a estrutura 13 .

A fissuração devida à atuação de cargas é a única passível de ser controlada através

do cálculo estrutural. Segundo o texto da ABNT NBR 6118:2014, a abertura máxima característica w k das fissuras, desde que não exceda valores da ordem de 0,3mm a 0,4mm, em elementos e componentes estruturais submetidos e projetados em confor- midade com as demais exigências da ABNT NBR 6118:2014 (ver Tabela 13.4), não têm importância significativa na evolução da corrosão das armaduras passivas.

Como para as armaduras ativas existe a possibilidade de corrosão sob tensão, o limite da abertura de fissuras é mais restrito, de 0,2mm. Observe-se que em certas estrutu- ras como reservatórios de água, estações de tratamento de águas e de esgoto, varandas

e balcões em balanço, permitir aberturas de fissuras elevadas, ainda que dentro dos

limites da ABNT NBR 6118:2014, pode ser inadequado e conduzir a problemas pato- lógicos precoces. Essas estruturas, assim como tirantes estruturais, requerem exigên- cias específicas e muito mais rigorosas de fissuração que o prescrito na norma ABNT NBR 6118:2014.

Também nos componentes e elementos estruturais sob classes de agressividade muito forte (IV), a limitação de abertura de fissuras em valores menores que 0,3mm além de necessária, requer outras medidas para prevenir a deterioração precoce da estrutura como um todo.

É importante esclarecer que a abertura da fissura é controlada na superfície do con-

creto, sendo que o correto seria controlar essa abertura na superfície da armadura. Desta forma essa abertura ficaria dependente da espessura de cobrimento e também da qualidade do concreto desse cobrimento 14 .

13 DAL MOLIN, Denise Carpena Coitinho. Fissuras em estruturas de concreto armado: análise das ma- nifestações típicas e levantamento de casos ocorridos no Estado do Rio Grande do Sul. 1988. 238 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Es- cola de Engenharia. Porto Alegre, 1988.

14 CARMONA FILHO, Antonio; HELENE, Paulo. Fissuração das peças de concreto armado e corrosão das armaduras. In: Anais do Seminário Nacional de Corrosão na Construção Civil, 2, Rio de Janeiro, set. 1986. Rio de Janeiro, ABRACO, 1986. p. 172-195.

50 ABNT NBR 6118:2014 Comentários e Exemplos de Aplicação

7.7 Medidas especiais

Em condições de exposição adversas, devem ser tomadas medidas especiais de proteção e conservação do tipo: aplicação de revestimentos hidrofugantes e pintu- ras impermeabilizantes sobre as superfícies do concreto, revestimentos de arga- massas, de cerâmicas ou outros sobre a superfície do concreto, galvanização da armadura, proteção catódica da armadura e outros.

C 7.7

Em princípio, podem ser utilizadas as seguintes medidas protetoras especiais 15 :

a)

uso de aditivos inibidores de corrosão, adicionados ao concreto fresco, que dimi- nuem a velocidade de corrosão. É importante destacar deve ser verificada sua compatibilidade com a mistura;

b)

prevenção ou proteção catódica das armaduras, através da aplicação permanen- te de corrente elétrica contínua de baixa intensidade entre as armaduras do concreto e um ânodo externo, mantida periódica e sistematicamente;

c)

proteção superficial das armaduras com revestimentos de zinco a quente, tipo galvanizados. Estima-se que a vida útil da estrutura que utiliza o aço galva- nizado como armadura é de 4 a 5 vezes superior à vida útil de uma estrutura que utiliza armadura sem revestimento, sob as mesmas condições de exposição, cobrimento, concreto;

d)

proteção superficial da armadura com revestimentos de base epóxi, que formam uma barreira física entre a superfície da armadura e os agentes corrosivos pre- sentes no concreto, além de apresentarem elevada resistência elétrica, impedin- do que o fluxo de elétrons possa contribuir para a corrosão eletroquímica. Cuida- dos especiais devem ser tomados no manuseio das barras para não comprometer a proteção superficial;

e)

proteção da superfície de concreto com revestimentos orgânicos (como, por exem- plo, tintas à base de resina epóxi, acrílica, poliuretana, vinílica, tintas asfálticas e betume), renovados periodicamente de 3 a 5 anos, com o intuito de inibir a penetração dos agentes corrosivos;

f)

uso de armaduras especiais em aço inox ou armaduras poliméricas reforçadas com fibras.

Na tradição brasileira, tem sido aceito considerar que um revestimento da superfície da estrutura de concreto com chapisco, emboço e reboco de argamassa de cimento:- cal:areia, com acabamento de pintura renovada periodicamente ou outro acabamento, tais como pastilha, cerâmica, e outros, desde que submetidos a uma manutenção pe- riódica, atuaria como uma barreira extra e protetora da armadura contra a corrosão.

Com esse raciocínio, era permitido reduzir a espessura de cobrimento de 5mm. Ao lado de obras com resultado positivo, há uma série de outros exemplos catastróficos, princi- palmente quando isso foi considerado motivo para relaxar a qualidade da execução, ou

15 HELENE, Paulo. Quais as Alternativas para Reparar Estruturas de Concreto com Problemas de Corrosão de Armaduras? Buenos Aires, AIE. Ingeniería Estructural, v.7, p.36-44. 1999.

C7

51

quando as cerâmicas e pastilhas em revestimentos de fachadas e pisos foram lavados com ácido muriático (ácido clorídrico comercial), que é altamente agressivo às armadu- ras. Portanto, em concordância com as demais normas internacionais sobre o assunto, apesar de viável em casos específicos, não é recomendável reduzir automaticamente os cobrimentos mínimos ou a qualidade do concreto de cobrimento.

7.8 Inspeção e manutenção preventiva

7.8.1 O conjunto de projetos relativos a uma obra deve orientar-se sob uma estra-

tégia explícita que facilite procedimentos de inspeção e manutenção preventiva da construção.

7.8.2 O manual de utilização, inspeção e manutenção deve ser produzido conforme

25.3.

C 7.8

Neste item, a ABNT NBR 6118:2014 ressalta a necessidade de prever, tanto em proje- to como no manual de utilização, inspeção e manutenção do usuário, os procedimentos de manutenção preventiva necessários para que a estrutura alcance a vida útil de projeto (VUP), como já explicitado em C 6.