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Série Gênesis – Passos tortos pelo caminho reto – Mensagem 8

Série Gênesis – Passos tortos pelo Caminho reto – Mensagem 8a

A torre do orgulho.
(Texto: Gn 11:1~9)

1. Introdução.

Existe um ditado que diz: "a união faz a força". Parece que os antigos levaram muito a
sério esse ditado. Passaram-se muito tempo e muitas gerações após o final do dilúvio.
Sem, Cam e Jafé, filhos de Noé tiveram os seus descendentes e a população mundial
começou a aumentar novamente. Do monte Ararate, onde a arca parou, a população
mundial foi se aumentando. Eles decidiram rumar em direção do Oriente, ou do Oriente
conforme a NVI e estabeleceram-se na Mesopotâmia. Eles se reúnem para construir
uma grande torre. Objetivo era manter a unidade das pessoas e também fazer o seu
nome famoso por toda a terra.

O grande ponto que o texto quer chegar é a tentativa dos homens de se exaltarem para
alem de Deus. O diabo tentara a mesma coisa e agora eram os homens que haviam sido
salvos do primeiro juízo mundial. Decorridos algum tempo depois de Noé, mais uma
vez os homens se esqueceram de Deus e passaram a buscar tão somente os seus
interesses, porque o homem sem Deus transforma-se em um eterno egoísta.

Todos nós temos dificuldade em lidar com pessoas arrogantes e orgulhosas. Porém,
muitas vezes nos esquecemos que, como seres humanos, caímos no mesmo erro.
Quando menos percebemos, estamos fazendo tudo para o nosso prazer, para a nossa
fama, em busca dos meus objetivos. Basta tirar os olhos de Deus, que passamos a olhar
apenas para nós. Quando isso acontece, passamos a não ter mais limites.

A história da torre de Babel é a história de como o homem cai na ilusão de que pode ser
mais do que ele realmente é, desafiando o seu Criador. Também é o relato de como
Deus intervém na história para salvar o homem da destruição.

O orgulho mata e destrói. A arrogância é um veneno mortal.

O bloco de Gn 1~11 é uma introdução diante daquilo que virá a partir de Abraão. É o
pano de fundo e a explicação do por quê Deus escolhe uma pessoa, uma nação, e com
ela faz um pacto e uma aliança. A história do homem que começou com desobediência,
passando por um julgamento mundial e culminando na apoteose da demonstração do
orgulho humano são o pano de fundo para a história da salvação que Deus estava
traçando na história. Com o final do capítulo 11, temos o final da história primeva.

2. O texto (Gn 11:1~9)


1
No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar.
2
Saindo os homens dob Oriente, encontraram uma planície em Sinear e ali se
fixaram.
3
Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam
tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa. 4 Depois disseram: “Vamos

a
Pregado no MEP dia 07 de março de 2010.
b
11.2 Ou para o Oriente

Paulo Sung Ho Won – www.sunghojd.blogspot.com


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Série Gênesis – Passos tortos pelo caminho reto – Mensagem 8

construir uma cidade, com uma torre que alcance os céusc. Assim nosso nome será
famoso e não seremos espalhados pela face da terra”.
5
O SENHOR desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam
construindo. 6 E disse o SENHOR: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e
começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. 7
Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais
uns aos outros”.
8
Assim o SENHOR os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a
cidade. Por isso foi chamada Babeld, porque ali o SENHOR confundiu a língua de
9

todo o mundo. Dali o SENHOR os espalhou por toda a terra.

3. Exposição do texto.

1. Quando a união não é para o bem.

“No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar.” (v. 1).

Esse texto é cronologicamente anterior ao capítulo 10 que fala sobre a origem dos povos.
Nessa época, todos eram um só povo, com apenas uma maneira de falar. Todos eram
descendentes de Noé e sua família. Depois de passados muito tempo, essas pessoas se
estabeleceram em uma planície na região de Sinear, no oriente, cf. V.2.

Surgiu uma grande idéia entre eles: deveriam erguer uma grande torre a fim de que eles
não se dispersassem e que o nome deles fosse famoso sobre toda a terra. Para isso,
começaram construir uma torre feita de tijolos bem queimados e piche como argamassa.
Vendo o uso de tijolos de barro e piche ao invés de pedras, podemos chegar à conclusão
de que eles se estabeleceram na região da Mesopotânia, no crescente fértil, como
indicam algumas escavações arqueológicas modernase.

Nem toda união é boa. Nem toda reunião produz bons frutos. A virtude da união não
está na união em si, mas sim, na motivação da união. Qual o objetivo da nossa união?
Qual é a missão da nossa comunidade? Se nos reunimos apenas para o nosso interesse
mesquinho, de nada valerá o nosso esforço em nos juntarmos. Certamente esse tipo de
união não terá uma vida longa.

O cuidado que devemos ter em nos reunir está aí. Quando nos reunimos em nome de
algo que não é bom, essa união pode gerar um grande problema, uma grande catástrofe.
A união pode fazer a força, mas se essa força é boa ou má, somente a motivação dela
revelará. No caso da narrativa de Gn 11, o povo se juntou para exaltar a si próprio,
esquecendo completamente que havia alguém que deveria ser exaltado, Deus.

2. A torre do orgulho.

Não era um simples torre que eles queriam construir. Diziam eles: “Vamos construir
uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não

c
11.4 Heb. . Os antigos zigurates, templos ao alto de estruturas como de torre eram erigidos na antiga Babilônia,
pois se achava que os deuses habitavam os céus.
d
11.9 Isto é, Babilônia.
e
Cf. Nota da bíblia de estudo NVI.

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seremos espalhados pela face da terra” (v. 4). Provavelmente a torre que eles
construiram seguiam o molde dos antigos zigurates babilônicos, ou seja, uma torre
piramidal, de base quadrada em cujo topo havia uma templo em homenagem aos deuses
que se acreditavam morar lá em cima nos céus. Porém, o interessante é que essa torre
não foi feita em homenagem de nenhuma divindade, mas sim, em honra a si próprios,
honrando a fama do homem.

“Numa visão puramente humana, construir uma torre que chegue aos céus parece um
projeto arrojado, mas na visão de Genesis, aquilo era um sacrilégio. Isso porque os
céus eram entendidos como a casa de Deus. Subir até lá significaria querer ser como
Ele.”f

Todos se uniram nessa tarefa de tornar seus nomes ainda mais grande e famosos, e a
torre começou a tomar forma e subir. O homem sempre tem esse instinto de grandeza.
Quando estamos longe de Deus, a qualquer custo, tentamos fazer o nosso nome grande,
tentamos ser importantes e relevantes, muitas vezes para o nosso próprio ego. Era
justamente o que estava acontecendo. O orgulho daquelas pessoas fez com que
construíssem uma torre que simbolizava a sua grandeza e poder. Eles esqueceram de
Deus, Criador e sustentador de todas as coisas para gozarem de seu poder e fama.

A torre sempre simbolizou poder. Era justamente o poder que os homens queriam
demonstrar. Ao fazer essa torre, os homens queriam chegar no topo dos céus, onde
habitava Deus para desafiá-lo e pôr-se em igualdade com Ele. Repare que foi quase o
mesmo erro cometido por Satanás. Quando alguém desafia a grandeza de Deus, esse
alguém, seja quem ele for, sempre será atingido por Deus tendo todos os seus planos
frustrados.

“Temer o SENHOR é odiar o mal;


odeio o orgulho e a arrogância,
o mau comportamento
e o falar perverso. ” (PV 8:13)

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda." (Pv 16:8).

“A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra.” (Pv.


29:23)

Arrogância, soberba, e orgulho são as primeiras marcas de que estamos longe da


presença de Deus. Quando achamos uma pessoa orgulhosa ou arrogante, isso quer dizer
que a pessoa faz um juízo de si exageradamente bom. A soberba é a declaração pública
de que para nós Deus não existe ou não é relevante: “Por causa do seu orgulho, o ímpio
não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus.” (Sl 10:4). A torre que os
homens estavam construindo era do tamanho de sua vontade de ser grande!

No nosso coração temos erigido torres de Babel. Toda vez que colocamos nós à frente
de Deus, levantamos uma grande torre que demonstra o tamanho de nosso ego. A mais
cruel batalha de todas é a que travamos dentro de nós a fim de chegarmos ao ponto de
falarmos como João Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30).

f
WBC, pg 239.

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3. Quando Deus gera desunião.

“O SENHOR desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo.” (v.
5). Deus resolver passear e ver o que os homens estavam fazendo. Ele desceu para ver a
cidade e a torre que estavam construindo para si. Note que Deus nunca fica alheio ao
que o homem faz. Muitas pessoas dizem que Deus está muito distante e muito acima de
nós para intervir em qualquer ato nosso. Mas o que o texto nos diz é que Deus está
muito interessado naquilo que fazemos. Ele age diretamente na nossa história.

O interessante é que alem da torre, os homens construíram uma cidade. O conceito de


cidade no Antigo Testamento está muito relacionado com auto-suficiência. O que é uma
cidade? Era um lugar murado em que todos os seus moradores encontravam proteção e
sobrevivência em meio a toda a natureza. Nesse contexto, a cidade carrega um
significado de separação de Deus e da sua criação. Os homens queriam ser tão auto-
suficientes que se fecharam em torno de uma cidade. Isso foi mais uma prova da
arrogância em que o homem estava se pondo diante de Deus.

“E disse o SENHOR: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a


construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. Venham, desçamos
e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros” (v.
6,7). Deus viu que os homens haviam se juntado, pela facilidade da unidade da língua e
dos costumes, para fazerem algo que aos olhos de Deus pareceu mal. Deus sabia que a
maldade no coração do homem estava se intensificando a tal ponto, que mais uma vez,
se Ele não interviesse, o homem não teria mais limites para a sua pecaminosidade.

Sem a intervenção de Deus em nossas vidas, viramos animais insaciáveis por causa do
pecado e da maldade que habita em nossos corações. Existem pessoas que dizem que
Deus não quer nada conosco. Eu digo que Deus está interessado em estar conosco e agir
em nossa vida. Ele é o Senhor da história no sentido de intervir como e quando Ele
achar necessário. Bendito seja Deus, porque Ele não nos deixa desamparados, nem
mesmo em nosso momentos de pecado. Mesmo o seu juízo vem para nos ensinar a
andar em seus caminhos.

4. A torre da confusão.

“Assim o SENHOR os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade.”
(v. 8). Foi o próprio Deus que separou todo mundo. Às vezes Deus gera a separação e a
divisão. Quando a união gera maldade, a divisão é algo que Deus promove a fim de
evitar-se coisas piores. Foi exatamente isso que Deus fez. O Senhor usou a língua, um
fator de união, para separar todos. Se antes todos falavam em uma só linguagem, agora,
Deus dispersou as línguas, de maneira que aqueles que falavam uma linguagem igual
iam se juntando e cada um seguia o seu caminho se estabelecendo em diferentes lugares.

Aquele lugar ganhou um nome que ecoaria por toda a história do povo de Deus: Babel,
ou seja, Babilônia: “Por isso foi chamada Babelg, porque ali o SENHOR confundiu a
língua de todo o mundo. Dali o SENHOR os espalhou por toda a terra.” (v. 9). Babel
significa no acádio “pórtico dos deuses”, mas no hebraico lbb tem o sentido de

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11.9 Isto é, Babilônia.

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“confusão”, “mistura”. A unidade se transformou em divisão e diversidade. Dizem que


a melhor maneira de enfraquecer o inimigo é dividi-lo. Essa foi a maneira usada por
Deus para quebrar naquele momento um plano maligno do homem de auto-exaltação.

Deus confundiu o coreto dos homens. Todos saíram da torre literalmente como “baratas
tontas”, sem saber para onde ir e o rumo a tomar. Se antes eles achavam que eles
estavam totalmente preparados para tudo, capazes de tomar o lugar de Deus, o Senhor
lhes provou mais uma vez que eles eram criaturas tão frágeis que bastou um sopro de
Deus para tudo o que eles haviam planejado desmoronasse completamente.

O feitiço virou-se contra o feiticeiro. Os homens queriam união e foram dispersos por
sobre a terra. Os homens queriam fama e foram enfraquecidos. Os homens queriam uma
só língua que exaltasse seus feitos mas Deus dispersou todas as línguas, formando as
nações e tribos daquela época. Nenhum plano tendo como objetivo a auto-exaltação, em
detrimento de Deus, será bem sucedido!

Conclusão: Devemos destruir a nossa torre de Babel.

Que arrogância esse pessoal demonstrou diante de Deus em tentar ser como Ele fazendo
uma torre? Será que eles não sabiam que nunca poderiam se quer alcançar os pés de
Deus com isso? É justo perguntarmos isso se não nos identificarmos em nada da nossa
vida com a atitudes que essas pessoas tomaram naquela época.

Todos nós temos, em nosso coração, uma torre de Babel. Uma torre que é símbolo da
nossa arrogância e do nosso orgulho. Quando não damos ouvimos a alguém, quando
fazemos tudo do nosso jeito, quando deixamos Deus fora de nossos projetos pessoais,
quando Deus é apenas o último a ser lembrado em momentos difíceis... em todos esses
momentos da vida, levantamos, tijolo por tijolo, a grande torre do nosso orgulho.

“A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra.” (Pv


29:23)

“Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino
dos céus.” (Mt 18:4)

“E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será


exaltado.” (Mt 23:12)

“Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns
aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá
graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que,
a seu tempo, vos exalte.” (1Pe 5:5,6)

Que possamos orara assim:

“Senhor,

Tu sabes o quanto sou orgulhoso e arrogante.

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Peço que venhas e confunda o céu coração.


Peço que venhas e quebres o meu orgulho, que dividas a minha arrogância,
Para que fraco possa olhar para ti,
Para que quebrantado possa me lembrar da tua graça.
Para que possa contemplar a Tua grandeza,
E novamente poder dizer: Convém que o Senhor cresça e que eu diminua...
Por Cristo Jesus nosso Senhor, eu oro. Amem!

Que Deus nos ajude!

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