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CAPÍTULO 11

VIDROS

11.1 DEFINIÇÃO
Nem líquido, nem sólido cristalino → sólido amorfo.

Líquido super resfriado
- Curva 1: cristalização "normal"
- Curva 2: vitrificação → a cristalização é evitada; a solidificação é
caracterizada por uma aumento de viscosidade.
→ Sólido cristalino: ordem a curto e a longo alcance
Vidro: ordem a curto alcance só
→ Exemplos de materiais amorfos:
- Óxidos: SiO2, B2O3, P2O5, etc.
- Polímeros: PVC, polietileno, poliestireno
- Alguns metais: Depende da velocidade de resfriamento.
- Ao ar → silicatos (vidros industriais);
- Banhos líquidos → água, nitrogênio, líquido;

- Hipertêmpera → metais ( 106 °C/s).


→ Vidros p/ construção: vidros de óxidos

Mistura de óxidos → composição média
- vidro ordinário 70% SiO2, 15% Na2O, 10% CaO
- vidro cristal 53% SiO2, 10% K2O, 35% PbO
- Pyrex 80% SiO2, 12% B2O3, 4% NaO, 2% CaO, 2 % Al2O3
→ Podem ser obtidos:
- Planos → chapas planas, curvas, perfiladas ou onduladas;
- Ocos → copos, garrafas, etc.;
- Reforçados → temperados, laminados, aramados: ↑ resistência;
- Coloridos, termorefletores, translúcidos;
- Impressos, fantasia;
- Em fibras (Ex: lã de vidro);
- Para aplicações especiais: ótica, laser, fibras óticas, espelhos, vidro cerâmico, etc.
→ Mau condutor de calor e eletricidade
→ Alta resistência química, exceto em presença de ácido fluorídrico.

11.2 VIDRO PLANO


11.2.1 - Produção:
→ Por estiramento:
- Processo Foucault
- Processo Libbey-Owens
- Processo Pittsburg
→ Vidro polido (cristal): vidro plano, transparente com faces polidas sem distorção de
visão.
- Processo antigo: Obtido por estriamento com estágios adicionais de retífica e
polimento. → perdas : 20 %

- Processo float: A faixa de vidro flutua num banho de estanho fundido ⇒ perfeita
planimetria das faces.

Comparado com o vidro estirado, o cristal (float):


- não possui ondulações superficiais;
- tem menor percentagem de defeito;
- não produz distorções de imagens.

11.2.2 - Tipos e propriedades:


→ Vidros comuns ou estirados
Vidros float: de qualidade superior
→ Vidros incolores e coloridos
→ Vidros de segurança

Indicado para as áreas de maior risco de acidentes (B5662):


- Portas de vidro;
- Laterais de vidro que possam ser confundidas com portas;
- Janelas baixas (até 80 cm do assoalho);
- Sacadas;
- Envidraçamento nos banheiros e piscinas;
- Clarabóias e envidraçamento em grandes alturas.

→ NB 226(NBR 7199) estabelece a obrigatoriedade de uso de vidros de


segurança nos seguintes casos:
- Balaustradas, parapeitos e sacadas;
- Vidraças não verticais sobre passagens;
- Clarabóias e telhados;
- Vitrines;
- Vidraças que dão para o exterior, sem proteção adequada, até 0,1m de piso, no
caso de pavimentos térreos e 0,9m de piso, para os demais pavimentos.

→ Propriedades físicas do vidro comum ou recozido e do vidro temperado


- Módulo de elasticidade ≅ 75 GPa
- Tensão de ruptura à flexão
* Vidro recozido ≅ 40 MPa
* Vidro temperado ≅ 180 MPa
- Coeficiente de Poisson ≅ 0,22
- Peso especifico ≅ 2,5 g/cm3
- Dureza: entre 6 e 7 ( escala de Mohs) → Duros
- Índice de refração ≅ 1,52

- Coeficiente de dilatação linear entre 20 e 220 oC: α ≅ 9.10-6 oC-1


- Coeficiente de condutibilidade térmica a 20 °C:
k ≅ 0,8 a 1 kcal/m.h.°C
- Tensão admissível à flexão:
* Vidro recozido: σ = 13 MPa
* Vidro temperado: σ = 60 MPa
→ Cálculo da espessura das chapas de vidro (NB-226): Fórmula simplificada de
Herzogenath para chapas retangulares, apoiadas nos quatro lados:

a.b
e= . Pc / 2σ (item 9.1 da NB-226)
(a 2 + b 2 )

e : espessura da chapa em cm;


a e b: dimensões dos lados da chapa em cm;
Pc: pressão de cálculo em MPa = f ( pressão do vento, peso próprio) conforme item
7.1.3 da NB-226;
σ: tensão admíssivel em MPa conforme item 8.3 da NB-226.

11.3 VIDRO COLORIDOS (TERMOABSORVENTES) E TERMOREFLETORES


→ Objetivo: estético e diminuição do consumo de energia numa construção.
Reduzem a energia transmitida pelo sol (Reflete a radiação solar antes de entrar na
habitação e absorve a radiação solar no corpo do vidro com a maior parte reirradiada
para a parte externa da construção).
→ Vidros termoabsorventes: produzidos pela introdução de óxidos metálicos que
vão absorver seletivamente os comprimentos de onda da luz solar dando a coloração.

Ex: Ni2+ transmite no vermelho
Cu2+ transmite no azul
→ Vidros termorefletores: produzidos aplicando-se na superfície uma camada de
metal ou óxido metálico, suficientemente fina para ser transparente.
→ Observações:
- Vidros fotossensíveis

Vidro + AgCl na forma de pequenos cristais
AgCl + hν → Ago + Cl

Ago absorve a luz e torna o vidro cinza


Assim que a fonte de luz desaparece Ago e Clo se recombinam em AgCl (incolor).
- Vidros eletrocromáticos: vidros revestidos por uma camada de óxido cuja
transparência pode ser controlada com a aplicação de impulsos elétricos.

→ Composição do espectro solar:


- Energia ultravioleta (UV): 2% da energia solar

< 400 nm: alta energia

Queimaduras
Descoloração de tapetes, cortinas, móveis, etc.

- Luz visível: 45% da energia solar, 400 < λ nm < 700

- Energia infravermelha (IV): 53% da energia solar,


700 < λ nm < 3000
→ UV, visível e IV quando absorvidas são convertidas em calor

Energia solar: 100 % energia térmica
45 % energia luminosa

→ Construção energeticamente adequada: Reduzir o consumo de energia.


- Absorver calor do sol para elevar a temperatura interior nos climas frios;
- Bloquear calor do sol para reduzir a temperatura interior nos climas quentes;
- Mas, deixando passar o máximo possível de energia luminosa natural.

Escolha do vidro adequada minimizará o consumo de energia elétrica para iluminação
e refrigeração ou aquecimento.

→ Quando os raios solares atingem uma vidraça, eles podem ser:


- Refletidos = f ( ângulo de incidência do sol, refletividade do vidro);
- Transmitidos diretamente através do vidro;
- Absorvidos pelo corpo de vidro e posteriormente, reirradiados para o interior ou o
exterior da habitação.
⇒ Vidro polido bronze com superfície refletante é mais eficiente que vidro verde e
incolor.
→ Transmissão da luz natural:
- Ambiente mais agradável
- Redução das despesas em iluminação artificial

Vidros coloridos e termorefletores: diminuem a quantidade de calor solar e diminuem
a transmissão de luz natural.

Aumento de consumo de iluminação artificial

* Locais quentes: vidro termoabsorvente
→ deixa passar menor quantidade de calor
- ↓ investimento na aquisição de ar condicionado e o consumo de energia
elétrica correspondente;
- ↑ do consumo de energia elétrica para iluminação artificial e maior
investimento inicial nos vidros.

* Locais frios: vidros incolores

→ Tensões térmicas nos vidros


- A área do vidro direitamente exposta à radiação solar absorve o calor, esquenta e
expande.
- As bordas do vidro protegidas da radiação solar, se mantêm mais frias que a parte
central não protegida.

Aparecimento de tensões diferenciais que se ultrapassem a resistência à tração do
vidro ⇒ fraturas térmicas.
- Valor das tensões térmicas depende:
* da diferença de temperatura entre as áreas quentes e frias do vidro;
* da distribuição do gradiente de temperatura através do vidro;
* da coloração do vidro;
* do local de exposição;
* da presença de trincas nas bordas ( maior é a espessura e tamanho das chapas de
vidro, maior será a probabilidade de existência de trincas nas bordas).
- Combinação arriscada: vidros escuros de grandes dimensões e grossa espessura.

11.4 VIDROS IMPRESSOS


→ Fabricação: O vidro (mesma composição química que o vidro comum ou float)
sai do forno e passa através dois rolos, um dos quais possui um desenho gravado
em sua superfície → Texturização.
→ Principais tipos e acabamentos
→ Aplicação: quando se deseja obter luminosidade sem comprometer a privacidade
(Paneis decorativos, janelas, portas, divisórias, fachadas, boxes de banheiros).

11.5 VIDROS DE SEGURANÇA


→ Objetivo:
- Maior resistência (flexão, choques)
- Quando fracturado: produzir fragmentos menos susceptíveis de causar
ferimentos graves que o vidro comum recozido (cortes).
→ Mercado: indústria automobilística e construção civil.
→ NB-226: uso obrigatório.
→ Tipos: temperado, laminado, aramado.

11.5.1 Vidros temperados


a) Principio
→ Fenômenos de dilatação térmica podem criar tensões mecânicas
→ Para um corpo homogéneo e isotropo, a dilatação livre não produz tensões, mas se
o corpo é impedido alongar-se ⇒ Tensões.
→ Tensão de compressão (σ) é proporcional ao módulo de elasticidade (E) e a
deformação de origem térmica.
Alongamento = ∆l/l = α∆T = σ/E

α : coeficiente de dilatação térmica


b) Têmpera térmica
→ Principio: Aquecer o objeto já moldado na sua forma definitiva até uma
emperatura próxima da temperatura de amolecimento e, na saída do forno resfriar
rapidamente sua superfície. A superfície (a pele) se torna rapidamente dura enquanto
o interior da peça (o coração) permanece ainda viscoso. A contração inicial da pele
provoca uma fluência do coração ainda mole ⇒ anulação das tensões.

Quando o coração atinge uma temperatura suficientemente baixa para que as
relaxações das tensões não sejam mais possíveis, cria-se um gradiente de temperatura
entre interior e exterior.

Quando o objeto chega à temperatura ambiente, o coração mais quente deve
contrair-se mais do que a pele.

Aparição de tensões de compressão na pele (camadas externas)
Aparição de tensões de expansão no coração (camadas internas)
→ Ruptura do vidro recozido: Ocorre um defeito na superfície que provoca uma
concentração de tensões seguida de uma propagação deste defeito.

Processo de ruptura frágil

Vidro temperado: superfície em compressão ⇒ Resistência muito maior.

Qualquer carga aplicada, antes de tracionar as camadas externas, deverá,


primeiramente, neutralizar as tensões de compressão induzidas.
→ Resistência vidro recozido ≅ 40 MPa
Tensão de compressão de um vidro temperado ≅ 100 Mpa;
Resistência vidro temperado ≅ 140 Mpa;
Ruptura do vidro temperado: Vidro temperado: sistema em equilíbrio mecânico

Qualquer fissura ou falha que atinja a zona de extensão (tração) em qualquer lugar do
objeto, resultará na destruição total do conjunto (chapa). Quebra em pequenos
fragmentos sem arestas cortantes e lascas pontiagudas, menos susceptíveis de causar
ferimentos.

→ Desvantagens:
- Peças não podem ser cortadas: dimensionamento e furações prévios;
- Espessura do objeto não pode ser inferior a 3 mm;
- Sob determinados ângulos de observação, podem ser vistas as diferentes zonas de
tensão da peça;
- Marcas devidas ao processo: pinças de sustentação (fornos verticais), ondulações
(rolos dos fornos horizontais).
→ Empenamento admissível:
1) Recomendações de folgas para instalações em caixilhos;
2) Recomendações de folgas em instalações autoportantes.
→ Dimensões máximas recomendadas
→ Acabamento
- Impressos, coloridos
- Opaco → polimento superficial (jatos de areia ou ácido fluorídrico) ⇒ ↓
resistência.
- Bordas

c) Têmpera química: Modificação da natureza química da superfície do vidro (Troca


iônica).
→ Processo: Imersão da peça num banho de sais fundidos com íons de potássio
(KNO3) com temperatura suficientemente alta para que o vidro perca íons de sódio
para o banho de sal, e este perca íons de potássio para o vidro, mas não tão alta para
evitar a fluência do interior que provocaria a relaxação das tensões ⇒ T < Tv.

→ Efeito da troca de íons:

- Raio de um íon potássio ( K+) ≅ 1,33 Å

- Raio de um íon sódio (Na+ ) ≅ 0,95 Å



K+ expande as camadas superficiais do vidro e como a temperatura não permite o
alívio das tensões pela deformação do vidro.

Criação de: - Tensões de compressão na superfície
- Tensões de tração no interior
→ Vantagens: (comparação coma têmpera térmica)
- Peças com espessura até 1 mm;
- Tensão de compressão na superfície maior : até 500 Mpa;
- Quase isenta de distorções e deformações das peças (T °C menor).
→ Desvantagens:
- Não aplicável para os vidros soda-cal (difusão de íons muito lenta, não
suficientemente viscosos para reter as tensões induzidas na temperatura requerida para
a troca iônica).
→ Aplicado para vidros à base de silicatos compostos de alumínio e sódio, e
sódio e zircônio ( mais caros)
- Espessura da camada em compressão fraca: alguns décimos de mm
- Fratura com fragmentos maiores e cortantes devido ao baixo valor das tensões
de tração no interior

11.5.2 Vidros laminados


→ Definição: Duas ou mais lâminas de vidro fortemente interligadas, sob calor e
pressão, por uma ou mais camadas de uma resina muito resistente e flexível (Ex.:
polivinil butiral: PVB).
→ Processo de fabricação: Colagem sob alta pressão com temperatura e umidade
controladas.
→ Mais usado:
- Duas lâminas de vidro float de 3 mm;
- Uma película de PVB de 0,38 ou 0,76 mm.
→ Propriedades:
- Em caso de quebra, os fragmentos ficarão presos ao PVB, minimizando o risco de
laceração ou queda dos vidros;
- Filtros eficientes de UV;
- Melhoram o desempenho acústico de um envidraçamento principalmente nas
altas frequências (1000-2000 Hz: ruídos de tráfego e aviões).

→ Tipos e aplicações:
- Laminados simples: duas lâminas de vidro e uma película de PVB. Indicados
para locais onde se queira evitar o risco de queda de lascas de vidro, lacerações ou
penetração de objetos; Redução da carga térmica que penetra no ambiente e
principalmente os UV que descoloram quadros, cortinas, etc. (Automóveis, fachadas
de edifícios, paredes divisórias, parapeitos, vitrines, etc.).
- Laminados múltiplos: três ou mais lâminas de vidro e duas ou mais películas de
PVB. Recomendados em caso de severas exigências de segurança (Pára-brisas e
janelas de carros blindados, vidros para locomotivas e aeronaves, etc.).

- Tipos de vidros laminados e principais características:


→ NB-226: envidraçamento

11.5.3 Vidros Aramados


→ Processo: Fazer passar o vidro em fusão, juntamente com uma malha metálica
através de um par de rolos, de tal modo que a malha fique posicionada no centro
do vidro.
→ Espessuras e dimensões das chapas de vidro: (malha metálica quadrada 12,7
mm)
→ Aplicações:
- Resistência ao fogo ( antichama);
- Quebra: não estilhaça e os fragmentos mantêm-se presos à tela metálica
→ NB-226: envidraçamento

11.6 ARMAZENAMENTO
→ Em pilhas, apoiados em um material que não danifique as bordas (madeira,
borracha)
- Número máximo de chapas por pilha
- Chapas devem ser separadas por papel ácido: evitar a corrosão do vidro devido
à agua presa entre as chapas segundo:
1) SiONa + H2O → SiOH + NaOH

2) Si-O-Si + OH- → SiOH + O-Si


Ataque superficial que prejudica a qualidade ótica do vidro
→ As pilhas devem ser cobertas de forma não estanque, permitindo ventilação, mas
evitando infiltração de poeira entre as chapas.

11.7 FIBRAS DE VIDRO


→ Lã de vidro;
- Fabricação: processo TEL;
- Isolante acústico;
- Isolante térmico.

→ Fibras
- Fabricação;
- Reforços com outros materiais de construção ( poliéster, argamassas).