FACULDADE LATINO AMERICANA DE TEOLOGIA INTEGRAL CURSO DE TEOLOGIA

“Livre Arbítrio e Espiritualidade” Uma Perspectiva da Missão Integral na Origem e Queda do Homem

Messias Júnior

Faculdade Latino-Americana de teologia Integral ARUJÁ 2007

MESSIAS DE CASTRO E SILVA JÚNIOR

“Livre Arbítrio e Espiritualidade” Uma Perspectiva da Missão Integral na Origem e Queda do Homem

Monografia apresentada à diretoria do curso de graduação da Faculdade Latino Americana como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Teologia, sob a orientação do Prof.º Milton.

Faculdade Latino-Americana de teologia Integral ARUJÁ 2007

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“Livre Arbítrio e Espiritualidade” Uma Perspectiva da Missão Integral na Origem e Queda do Homem

Messias de Castro e Silva Júnior

Aprovada em ____/____/_____.

BANCA EXAMINADORA _________________________________________________ Milton Paulo da Silva (orientador) Mestre em Teologia Faculdade Teológica de São Paulo

CONCEITO FINAL: _____________________

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Agradeço ao professor e orientador Milton, pelo apoio e encorajamento contínuos na pesquisa, aos demais Mestres da casa, pelos conhecimentos transmitidos, e à Diretoria Do curso de graduação da Faculdade Latino Americana pelo apoio institucional e pelas facilidades oferecidas.

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"As vezes o nosso senso de justiça não é nada mais do que um orgulho ferido"

Israel Sifoleli

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 09 CAPÍTULO I - LIVRE ARBÍTRIO E SUA DEFINIÇÃO ............................................... 11 1.1 Etimológica ............................................................................................ 11 1.2 Teológica ................................................................................................ 11 CAPÍTULO II - O LIVRE-ARBÍTRIO E A ORIGEM HUMANA ................................... 14 2.1 Na Dádiva da Criação............................................................................... 14 2.2 Na Unidade do Saber e do Fazer ............................................................ 15 2.3 Na Liberdade de Livre Escolha a Partir de uma Ética Estabelecida ......... 16 CAPÍTULO III - O LIVRE-ARBÍTRIO NO ROMPIMENTO DA ORIGEM HUMANA .. 18 3.1. No Conhecimento do Bem e do Mal ........................................................ 18 3.2. Na Cisão entre o Saber e o Fazer .......................................................... 19 3.3. Na Pretensão Humana de ser a Própria Origem do Saber ..................... 21 CAPÍTULO IV - O EXERCÍCIO DO LIVRE-ARBÍTRIO NA MISSÃO INTEGRAL ..... 25 4.1. À luz da Bíblia ......................................................................................... 25 4.2. Na perspectiva da Igreja como Comunidade da Fé ................................ 28 CAPÍTULO V - O LIVRE-ARBÍTRIO NA MISSÃO INTEGRAL E O SEU EXERCÍCIO ÉTICO E RELACIONAL COM O MUNDO ................................................................. 32 5.1. A partir do homem .................................................................................. 32 5.2. A partir de Cristo ..................................................................................... 33 5.3. A partir de Uma Plataforma Moral ........................................................... 34 5.4. A partir da Autonegação e Regeneração ................................................. 37 CONCLUSÃO ........................................................................................................... 41 REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA ............................................................................... 48

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RESUMO Esta monografia digressiona sobre o livre-arbítrio e a espiritualidade humana, sob o foco da missão integral na origem e queda do homem no pecado. Define inicialmente o termo livre-arbítrio de forma mais técnica, abordando desde a sua terminologia na sua raiz etimológica. Como também na sua origem teológica confrontada com a Bíblia. Sua abordagem tem como pano de fundo a espiritualidade do homem a partir da sua origem. Para isto é desenvolvido uma linha de raciocínio a partir do termo livre-arbítrio relacionado à origem humana, seguindo uma seqüência lógica na dádiva da criação, na unidade do saber e do fazer, e na Liberdade de Livre Escolha a Partir de uma Ética Estabelecida. Finalmente sob o foco da missão integral se estabelece uma forma de exercício ético do livre-arbítrio, tendo Jesus e a ética de Seu Evangelho como a centralidade deste exercício na missão integral; contudo, a luz da Bíblia e na perspectiva da Igreja como comunidade da fé. Por fim, seguindo todo o contexto deste trabalho busca-se chegar um ponto de equilíbrio que vise enxergar um tipo de espiritualidade autêntica, nãodicotomizada, mas plena através do livre-arbítrio na missão integral e o seu exercício ético e relacional com o mundo. Porém, sendo confrontado com alguns princípios a partir do homem, de Cristo, de uma plataforma moral, e de uma autonegação e regeneração.

Palavras-chave: Livre-arbítrio a partir da origem, espiritualidade, ética, missão integral, Jesus.

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Introdução
Durante anos venho observando tanto dentro como fora da Igreja um tipo de interpretação (do imaginário popular) que defende o livre-arbítrio como presente de Deus ao homem. Conseguintemente muitos dicotomizam a espiritualidade humana, tratando-a como a parte das realidades do mundo. E ao estudar num seminário teológico, percebi esta mesma tendência; só que numa perspectiva mais acadêmica em torno do homem e Deus; logo trazendo esta perspectiva para um campo de embates teológicos entre se o homem tem ou não tem livre-arbítrio. No entanto, depois de quatro anos de curso continuei observando que os debates e embates teológicos sempre se concentraram em torno do pensamento dos teólogos Jacob Arminius e João Calvino. Um defendendo que o homem pode decidir seu destino, e o outro defendendo a completa soberania de Deus sobre o destino humano. Surge daí uma linha imaginária que divide o ponto de vista arminiano e calvinista: Qual o que está mais certo? Qual o que está mais errado? Eis a questão. Partindo desses pressupostos, porém fugindo desta discussão quase sem fim, decidi empreender algumas pesquisas fundamentando-as, sobretudo a partir da Bíblia e em conjunto com teólogos e filósofos1, na busca de um ponto de vista que propriamente não seja nenhum, nem outro. Mas que seja um ponto de partida para uma construção equilibrada de um pensamento teológico numa perspectiva integralizada da espiritualidade humana em conexão com sua origem. Ou seja: Buscando estabelecer um equilíbrio teológico a partir de Cristo como base da missão integral no desenvolvimento relacional e conseqüente proclamação de Seu Evangelho ao mundo através do próprio homem conectado a sua origem.
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Este trabalho tem como marco teórico os pensamentos teológicos e filosóficos de Dietrich Bonhoefer, Agostinho, George W. Forell e H. Richard Niebuhr.

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Entretanto, isto suscita algumas indagações em torno de nossa atual realidade: Como desenvolvermos uma espiritualidade plena a despeito de uma humanidade em pecado e em desordem moral? Como exercermos a missão integral em meio à realidade do mundo, porém em santidade; sem, contudo, precisarmos de nos isolar do mundo secular? O homem tem de fato um livre-arbítrio? Deus deu este livre-arbítrio a ele? Como exercitar o livre-arbítrio na missão integral? É buscando respostas a estas e outras perguntas, mas sem nenhuma pretensão de esgotar o assunto, que este trabalho objetiva somar forças num propósito em comum entre os cristãos, líderes e pastores; na busca de uma construção teológica que vise estabelecer uma cristologia autêntica através de um prisma ético consistente dentro de um arbítrio perfeito. Neste contexto está a Igreja de Cristo como comunidade da fé, que na condição de representante do Seu corpo no mundo, carrega o verdadeiro sentido da espiritualidade e seu exercício; embasado numa nova ética arbitral. Esta ética traz um novo sentido para o livre-arbítrio e a espiritualidade do homem; que na perspectiva da missão integral, autentica toda a sua práxis através do Evangelho de Cristo. Portanto com base nestas proposições, este trabalho tem como proposta inicial apenas começar de forma sintética a construção e o desenvolvimento de um ponto de equilíbrio teológico do termo ―livre-arbítrio‖ e a espiritualidade no contexto da missão integral iniciada por Jesus, dando uma possibilidade ao homem de voltar a sua origem. Por conseguinte a isto desenvolver uma verdadeira espiritualidade que seja sadia e contextualizada com a Igreja, promovendo um envolvimento ético dela e dos seus obreiros com as realidades do mundo atual apesar de corrompido.

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CAPÍTULO I – LIVRE ARBÍTRIO E SUA DEFINIÇÃO

1.1 Etimológica Etimologicamente o termo livre-arbítrio é definido de forma genérica em nossa língua vernácula como: ―possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa

determinante‖ 2. Pode também em outra interpretação ser definido como: ―Possibilidade de exercer um poder sem outro motivo que não a existência mesma desse poder; liberdade de indiferença‖ 3 . Quanto ao significado da palavra arbítrio4 desconectado do termo em si analisado acima, leva praticamente à mesma conotação etimológica. Apenas derivando algumas outras palavras; como por exemplo: árbitro ou juiz, arbitragem, etc. 1.2 Teológica Apesar de o termo ter vindo à tona ou criado grande projeção no século V através da controvérsia pelagiana5, onde se discutiu uma série de questões ligadas à natureza humana relacionado ao pecado e a graça; na realidade esta discussão concentrou-se inicialmente em dois indivíduos: Agostinho de Hipona e Pelágio6.

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Dicionário Houaiss da língua portuguesa Novo Dicionário Aurélio: [Refere-se o livre-arbítrio principalmente às ações e à vontade humana, e pretende significar que o homem é dotado do poder de, em determinadas circunstâncias, agir sem motivos ou finalidades diferentes da própria ação.] [Sin., p. us.: livre-alvedrio. Cf. indeterminismo. Pl.: livres-arbítrios.] 4 De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa existem várias acepções derivadas da palavra arbítrio como: m.q. arbitragem ('julgamento'); domínio ou poder absoluto; sentença de juiz ou árbitro; parecer. 5 Relativo ao monge Inglês Pelágio, que introduziu a chamada posteriormente de doutrina de convicção dos pelagianos, segundo a qual o homem era totalmente responsável por sua própria salvação e que minimizava o papel da graça divina (vide Dicionário Houaiss). 6 McGrath, Alister, E., 1953, p.506

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Entretanto, o termo ―livre-arbítrio‖ não é propriamente bíblico. Foi traduzido do termo latino liberum arbitrium7 e é originário do estoicismo8. A introdução do termo na igreja ocidental iniciou-se a partir do século II pelo teólogo Tertuliano9. Mais tarde, já no século V, Agostinho passou a defender algumas idéias relacionadas ao livre-arbítrio que teologicamente podem se resumir de acordo com o Dr. McGrath da seguinte forma:
[...] primeiro, ele afirma a existência da inerente liberdade humana: não fazemos as coisas por obrigação, mas por uma questão de liberdade; segundo, ele declara que o livre arbítrio foi debilitado e enfraquecido – mas não totalmente eliminado ou destruído – pelo pecado. Para que o livre arbítrio seja restaurado e recuperado, é necessária a atuação da graça de Deus. O livre arbítrio existe; entretanto, ele se encontra debilitado pelo pecado. (McGrath, Alister, 1953, p. 507)

Estas idéias, no entanto, encontraram fortes resistências entres alguns teólogos e pensadores da época, dentre eles o já citado Pelágio. Segundo o seu ponto de vista sobre o livre-arbítrio, Deus tinha criado a humanidade e sabia precisamente o que ela era capaz de fazer. Portanto, todos os mandamentos dados por Deus podem e devem ser obedecidos10. Passou também a declarar de forma inflexível que ―uma vez que a perfeição é possível para a humanidade, ela é obrigatória‖ 11. Destarte, o termo livre-arbítrio após isto tem motivado durante séculos discussões e embates teológicos desencadeados por vários teólogos. Culminando aproximadamente no período dos anos 1560-1609 com Jakob Arminius destacando-

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McGrath, Alister, E., 1953., p.507 Doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264a.C.), e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se caracteriza por uma ética em que a imperturbalidade, a estirpação das paixões e a aceitação resignada do destino, são as marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade [O estoicismo exerceu profunda influência na ética cristã.] (vide Dicionário Houaiss). 9 McGrath, Alister, E., 1953, p.507 10 Ibid., p. 508 11 Ibid., p. 508
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se com uma posição semi-pelagiana, defendendo o livre-arbítrio do homem. Já Calvino, totalmente anti-Pelágio, defendendo a completa soberania de Deus. No entanto, sob o prisma teológico, de lá para cá o termo livre-arbítrio em si nunca foi completamente definido ou conciliado; entre as duas linhas teológicas de pensamento que atualmente tornaram-se conhecidas como: ―arminianismo e calvinismo‖.

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CAPÍTULO II – O LIVRE-ARBÍTRIO E A ORIGEM HUMANA 2.1 Na dádiva da criação O ser humano em sua origem foi dotado como imagem e semelhança12 de Deus. O Criador o colocou como sua representação magna no planeta terra. ―O homem não é (e não se tornou) apenas uma imagem, mas uma imagem de semelhança. Ele não é apenas representativo, mas representação‖13. Sendo assim, ―é o representante visível, corpóreo, do Deus invisível, incorpóreo‖14. Não obstante, a estas nuances que retratam a singular importância do homem em face de todo o restante da criação, isso o destaca como imagem de Deus – a inexorável originalidade humana. Ou seja: foi facultado na criação do homem, viver exclusivamente de sua origem em Deus. A partir disto podemos afirmar categoricamente que Deus o Criador e Senhor do homem, proporcionou ao mesmo viver da origem Divina. Isto por si só já representa e expressa a Dádiva de Deus ao homem. Dotando-o na sua criação como imagem e semelhança do próprio Criador; e para tanto o criou como um ser perfeito e único capaz de se relacionar com seu criador em completa harmonia. Tornando-o assim exclusivo e superior em meio a toda criação com privilégios únicos e incomparáveis diante dos demais seres vivos. No entanto, apesar de gozar de uma singularidade especial perante a criação, o ser humano em si não era necessário para Deus ser o que é diante de tudo que foi criado. Deste modo, a Bíblia diz que a humanidade foi criada com a

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Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do AT (1998, p. 316), ao verificar ―a relação entre tselem (―imagem, q.v.) e demût (―semelhança‖) constata-se que em nenhuma outra passagem do AT esses dois substantivos são paralelos ou relacionados um ao outro.[...]‖. Porém são feitas pelo menos cinco sugestões – dentre elas a terceira diz: ― Não se deve procurar estabelecer nenhuma distinção entre essas duas palavras. Elas são totalmente intercambiáveis.[...]‖‖ Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, Harris, R., Laird, 1998, p. 317 (grifo meu) Ibid., p. 317

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principal finalidade de glorificar o seu Criador15. E sendo assim, por não haver necessidade do homem existir por si só, logo o mesmo existe exclusivamente pela dádiva da criação16. 2.2 Na unidade do saber e do fazer Antes da queda humana, existia entre o saber e o fazer do homem uma unidade. Este era um ponto de convergência entre a criatura e seu criador. Neste ponto não existia o conhecimento do bem e do mal na perspectiva humana, porém, toda a origem do saber humano estava plenamente conectada em seu criador. Por conseguinte, o livre-arbítrio neste contexto resume-se na plena ciência do homem a partir da origem Divina. Isto é: Deus como seu Criador é a sua contínua fonte de conhecimento. Deste modo, o sentido do livre-arbítrio em si não está subserviente a criatura humana, mas inteiramente subordinada a Deus como seu Criador. Assim, a vontade Soberana de Deus aqui não é obedecida por imposição como se fosse um sistema de regras pré-fixadas17. Mas é cada vez mais nova nas diferentes situações do dia-a-dia, redundando em uma plena comunhão e perfeição entre saber e o fazer humano. Ao referir-se a isto, Dietrich Bonhoefer coloca a seguinte assertiva:
“O ser humano, em sua origem, só sabe de uma coisa: Deus. A outra pessoa, as coisas, a si mesmo ele só conhece na unidade de seu saber de Deus. Conhece tudo só em Deus e Deus em tudo.” (Dietrich Bonhoeffer, 1949, p. 15)

Portanto, sob o prisma exclusivamente humano e dentro do contexto anterior a queda, neste sentido, originalmente o homem não possui livre-arbítrio. O
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Salmos 96.9 (Versão Revista e Atualizada) - Adorai o SENHOR na beleza da sua santidade; tremeidiante dele, todas as terras. 16 Tiago 1.17 (Versão Revista e Atualizada) - Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. 17 Bonhoeffer, Dietrich, 1949, p.26

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conhecimento do bem e do mal está ausente, pois por tudo conhecer na unidade de seu saber em Deus, o coloca num nível pleno de livre ação e em perfeita sincronia entre seu estado volitivo e cognoscitivo nele mesmo, a partir de seu Criador, sendo o único e o próprio livre-arbítrio em essência. . 2.3 Na liberdade de livre escolha a partir de uma ética estabelecida O homem foi criado como um ser livre — capaz de pensar, agir e administrar o restante da criação como fiel mordomo e em atitude plena de adoração ao seu Criador. Contudo, com responsabilidade diante dos parâmetros da justiça de Deus. Isto ficou claro quando o homem recebeu de seu Criador a seguinte ordem: ―... Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá‖ 18. De forma intrínseca esta ordem delega responsabilidade no exercício da liberdade humana, frente aos limites Soberanos de Deus estabelecidos pela sua justiça representada na obediência ou não de sua palavra. Por conseguinte a isto, é dada ao homem a liberdade de escolha entre continuar conhecendo seus desígnios e decisões diretamente a partir da plenitude de seu Criador, ou conhecer suas escolhas numa perspectiva autocrática e ―auto-suficiente‖. De tal modo, o livre-arbítrio caracteriza-se no arcabouço da criação como um das propriedades relacionadas inexoravelmente à imagem de Deus no homem. Isto é: Deu-lhe a capacidade de escolher de forma inteligível19, livre e própria;

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Gênesis 2.16,17 (NVI) O primeiro teste e sinal de inteligência que Deus deu ao homem: Gn 2.19,20 (Versão NVI) - Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o SENHOR Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens.

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capacidade esta decorrente da Imagem de Deus20. Todavia, o arbítrio em si neste contexto é exercido numa perspectiva exclusiva e essencialmente Divina; onde entre o ser e o fazer se encontra a unidade perfeita, cuja prerrogativa de arbitrar pertence a Deus, resultando em uma ação contínua, reta e sincronizada da vida humana; que faz do homem uma criatura plena21 diante de seu Criador.

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Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã Vol.II, p.311: ―Com a imago (Dei) os reformadores protestantes tinham compreendido especialmente o estado original da pureza do homem, de conformidade com Gn 1 e 2, onde Adão é retratado como quem foi feito para a comunhão racional, moral e espiritual com seu Criador‖.(grifo meu) O tempo no qual o homem assim ouvia e respondia a Deus é uma época pré-histórica, o status integritatis, ―o estado de integridade‖ dos teólogos. (George W. Forell,1955, p.53)

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CAPÍTULO III - O LIVRE-ARBÍTRIO NO ROMPIMENTO DA ORIGEM HUMANA 3.1 No conhecimento do bem e do mal Nasce aqui o ponto conflituoso com a origem humana. Quando o homem se depara com o limite do padrão ético de obediência estabelecido por seu Criador 22. E qual é esse limite? – Seu ato decisório quanto a obedecer ou não a ordem Divina. Ao deparar-se com uma espécie de situação de confronto nunca antes vivida, e que nela envolveria uma decisão ética, o homem se ver na fronteira rescisória entre ele e seu Criador. A saber, a mulher23 e o homem24 (raça humana), são tentados e seduzidos pela serpente (satanás) a obterem a prerrogativa Divina do arbítrio, através do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal: ―Disse a serpente à mulher: ―Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus , serão conhecedores do bem e do mal ‖‖ 25. A partir deste ponto na decisão humana de desobedecer ao seu Criador, nasce o desejo de independência e autonomia, que insuflada pela serpente se insurgiu contra Deus na cobiça de conquistar a noção do bem e do mal. Isto é: Ambicionaram obter a prerrogativa Divina do livre-arbítrio ao se sublevarem contra Deus numa condição cognoscitiva própria, caracterizando uma discrepância com sua condição de criatura. Por conseguinte, a espécie passou a exercer desde então

Gn 2.16,17 (NVI) - E o SENHOR Deus ordenou ao homem: ―Coma livremente de qualquer árvore do jardim,mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá‖. 23 No original:hva ‗ishshah, significando mulher,esposa,fêmea; (procedente da raiz da palavra vwna ‗enowsh, que significa homem mortal, pessoa, humanidade). (Extraído do Léxico Strong, Português-hebraico) 24 No original: vya ‗iysh, significando homem,marido,macho (em contraste com mulher, fêmea) ou Mda ‗adam aw-dawm’, significando homem, humanidade (designação da espécie humana). (Extraído do Léxico Strong, Português-hebraico) 25 Gênesis 3.4,5 (NVI)
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um padrão de domínio a partir desse conhecimento ―adquirido‖; porém, sem nexo com sua origem. Após o homem desobedecer à ordem de Deus e consumar o ato do pecado em si ao provar do fruto proibido; de fato alcançou o conhecimento do bem e do mal no ―livre-arbítrio‖. Entretanto, de forma cindida e usurpada de seu Criador; não adquirida ou ganha justamente. Assim sendo, o livre-arbítrio baseado agora no conhecimento do bem e do mal, passa a ter uma perspectiva não mais a partir de sua unidade original com Deus. Mas autocrática embasada num padrão ético próprio e individualista; constituindo sua própria moral do bem e do mal, conseqüentemente tornando o homem soberbo e prepotente. Fazendo nascer uma arrogância peculiar a natureza humana, tipificando a separação de sua origem. 3.2 Na cisão entre o saber e o fazer Nos tempos em que Jesus viveu aqui na terra os fariseus representavam bem o que é o ser humano cindido de sua origem. Esta cisão é uma barreira entre o saber puro, vindo de uma fonte inesgotável de sabedoria e o fazer baseado numa ciência plena de seu estado voluntário de obediência ao seu Criador na sua condição original. Pelo prisma dos fariseus por sua vez, não diferentes do que é um típico ser humano cindido de seu Criador, cada momento na vida se torna uma situação de conflito em que se deve escolher entre o bem e o mal
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. No caso do fariseu seu aio

era torah, isto é, as leis de Moisés representavam para ele seu único referencial religioso entre o bem e o mal. Esta característica propicia ao homem na figura do

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Bonhoeffer, Dietrich, 1949, p.20 e 21

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fariseu uma condição subvertida de um juiz autômato, rigoroso tanto de si mesmo quanto do próximo. Destarte, na busca de uma verdade o homem tenta se encontrar entre o saber, que cindido, torna-se não saber, e o fazer que redunda por conseguinte, em afastar-se cada vez mais de sua origem. Ou seja: exercendo o livre-arbítrio por si mesmo, o homem se afasta da verdade contida unicamente em seu Criador, e se aproxima naturalmente do mal. Pois o pecado intrínseco no seu ser impede a harmonia original entre a livre ação humana e sua voluntariedade em obedecer a Deus. Isto se constitui uma ambigüidade entre o saber e o fazer. Como diria o comentarista da vida e obra de Agostinho sobre o exercício do livre-arbítrio neste contexto:
De todas essas faculdades, a mais importante é a verdade, intervindo em todos os atos do espírito e constituindo o centro da personalidade humana. A vontade seria essencialmente criadora e livre, e nela tem raízes a possibilidade de o homem afastar-se de Deus. Tal afastamento significa porém, distanciar-se do ser e caminhar para o não ser, isto é, aproximar-se do mal. Reside aqui a essência do pecado, que de maneira alguma é necessário e cujo único responsável seria o próprio livre-arbítrio da vontade humana. (Vida e obra, p. XVII)

De tal modo, o livre-arbítrio humano neste contexto não está ligado a Deus e nem muito menos veio dEle para a humanidade. Muito pelo contrário, está inteiramente ligado ao homem que ao usurpar uma prerrogativa Divina preferiu ser o árbitro de si mesmo, e conseqüentemente do mundo a sua volta. 3.3 Na pretensão humana de ser a própria origem do saber O primeiro casal (Adão e Eva) responsável pela humanidade neles investida, ao optarem tornarem-se como Deus - conhecedores do bem e do mal - tornaram em subversão o arbítrio Divino, como já foi abordado neste trabalho; visto que estes

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romperam com seu Criador ao desejarem obter o mesmo nível de conhecimento do bem e do mal. No entanto, em condições falíveis e limitadas de uma criatura, que absolutamente preferiu confiar em seu tentador, no caso a serpente, (que, diga-se de passagem, não passava também de uma criatura27); e revoltar-se contra seu supremo-Criador por livre e espontânea vontade. O que se constituiu num ato irresponsável de insurgência, configurando-se desde então numa rebelião da criatura contra seu Criador. Deste modo, o homem busca presunçosamente ser a origem do próprio saber projetando nele o ―Eu-mestre‖. Ou seja: O senhor das ações humanas agora passa a ser sua própria consciência, a sede da razão, que exerce o arbítrio de acordo com um padrão ético a partir de uma moral auto-estabelecida diante de seu agora autoconhecimento usurpado da origem28. Neste sentido, o arbítrio em si parte do princípio de que a sabedoria humana é o seu grande referencial ético. Embasado nisso, a humanidade peca continuamente contra a sua própria origem em seu Criador, aumentando cada vez mais o orgulho que rompeu e afastou a relação do homem com Deus. Esta realidade é profundamente enfatizada pelo Apóstolo Paulo em sua primeira carta escrevendo a Igreja em Corinto, no capítulo 1 e versículos 20 e 21, quando diz: “Então, o que poderão dizer os sábios e os instruídos? O que vão dizer os grandes oradores deste mundo? Deus tem mostrado que a sabedoria deste mundo é loucura. Pois Deus, na sua sabedoria, não deixou que os seres humanos o conhecessem por meio da sabedoria deles...”.29

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House, R, Paul, 1998, p.80 e 81 O conhecimento do bem e do mal: ―... Agora o homem se tornou como um de nós, pois conhece o bem e o mal.‖ (Gn. 3.22 NTLH) Versão RA

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Esta referida sabedoria é bem tipificada na época de Paulo (em meados de 70 d.C), pela cultura grega. Os gregos, através de seus grandes pensadores de destaque, como Zenão de Cício, Aristóteles, Platão, Cícero, e tantos outros grandes filósofos, ícones da erudição cultural grega30, simbolizaram e sinalizaram de forma emblemática o arquétipo da sabedoria humana. E o Apóstolo Paulo neste contexto refere-se a esta realidade, isto é, o sentido da sabedoria do mundo, quando escreve (I Cor. 1.20), é bem concreto: é a filosofia grega (na época) erigida em sistema31; a qual tem influenciado gerações depois de Cristo pelos anos seqüentes da humanidade. O teólogo e exegeta Lucien Cerfaux, é bem categórico ao descrever esta realidade como ―o fracasso da sabedoria‖
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. Ao analisar este contexto de Paulo

tendo como base a cultura grega em Corinto, faz o seguinte comentário exegético:
“...o plano de Deus consiste em provar a incapacidade da sabedoria humana, recorrendo, enfim, à loucura da pregação. Paulo pensa da mesma maneira a respeito da Lei; ela provou a incapacidade de produzir a justiça, a fim de que recorrêssemos a fé. Há, portanto, no plano divino, um fracasso da sabedoria ou, melhor, da filosofia. O fracasso consiste em que o próprio Deus lhe havia dado uma finalidade, a de chegar pela contemplação do mundo ao conhecimento da divindade. Por que e como a sabedoria não atingiu a sua finalidade?” (Cerfaux, Lucien, 2003, p. 205)

A pergunta de Cerfaux é uma deixa bastante sugestiva para a concepção deste tópico: ―Por que e como a sabedoria não atingiu a sua finalidade?‖ – A resposta pode ser lógica diante deste trabalho: Porque o homem buscou ser o próprio
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A cultura grega começou a expandir-se pelo mundo, principalmente pelo ocidente após meados de 300 a.C pelo rei da Macedônia, Alexandre, o grande; através de suas magníficas conquistas territoriais. Destacando-se pela conquista do império persa e conseqüente projeção e expansão em escala mundial do pensamento grego. (Enciclopédia Encarta) Cerfaux, Lucien, 2003, p. 205 Ibid, p. 205

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conhecedor do bem e do mal e elevar-se ao nível de seu Criador. Por conseguinte, este foi enganado pela vaidade de seu raciocínio e seu coração privado de inteligência cobriu-se de trevas; dizendo-se sábio, tornou-se louco33. Ou seja: entre a teoria do saber e a práxis do comportamento humano, que resulta no fazer, existe uma cisão ética com sua origem que compromete e limita o exercício pleno do livrearbítrio. Saber este que originalmente conduzia o homem ao conhecimento de Deus; mas agora numa perspectiva pós-queda, ao contrário disso o conduziu a um conhecimento apenas filosófico de si mesmo que o impeliu à idolatria e à imoralidade34. Esta cisão impõe ao homem uma escravidão de sua própria vontade, isto é, o rompimento de sua origem o ―condenou a ser livre‖
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. Isto tendo em vista que sua

liberdade agora é desconectada da original, que antes por ser inteiramente ligada em Deus, por isso plena, era harmônica entre o saber e o fazer. Entretanto, no rompimento de sua origem, a partir da cisão entre o saber e o fazer, esta liberdade passou a ter base no arbítrio puramente humano, cindido e, portanto limitado em seu estado deficiente de criatura; que em estado de usurpação busca sua própria liberdade em detrimento a original; que não era limitada a partir da criatura, mas do Criador. Partindo desta premissa, no rompimento com sua origem, a liberdade do ser humano passa a ser sua escravidão36. A respeito disto o teólogo George W. Forell diz o seguinte com relação ao homem e sua vida como decisão:
“... Ele pode realmente ser livre para tomar muitas decisões importantes a respeito de sua vida. Pode opinar na escolha de seu trabalho, seu cônjuge, seus amigos ou do tipo de vida que deseja
33 34 35 36

Ibid, p. 206 Cerfaux, Lucien, 2003, p.207 Forell, W., George, 2002, p.19 Ibid, p.19

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levar. Mas existe uma escolha que ele não pode fazer: não pode deixar de escolher. Não pode fugir da liberdade. Está fadado a ser livre. Quer goste, quer não, quer acredite, quer não, ele tem que viver tomando decisões constantes e inevitáveis‖. (Forell, W., George, 2002, p.19

Fatalmente isto desemboca no livre-arbítrio humano, que na condição ambígua entre o saber e o fazer embasa todas as suas decisões éticas. Contudo, mesmo estando livre para arbitrar, paradoxalmente o homem é escravo de sua própria liberdade. Pois por ela ser usurpada de sua origem, é limitada e condicionada ao saber humano que serve como única base referencial para o arbítrio em todas as situações decisórias da vida. Portanto, nesse sentido o homem arbitra apenas pela presunção de seu pretenso saber, que cindido do fazer perde completamente o elo de convergência com sua origem em seu Criador.

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CAPÍTULO IV - O EXERCÍCIO DO LIVRE-ARBÍTRIO NA MISSÃO INTEGRAL 4.1 À luz da Bíblia Para falarmos desta missão à luz da Bíblia antes de citarmos propriamente textos bíblicos, devemos nos reportar inexoravelmente a sua centralidade: Jesus Cristo. Não obstante a esta realidade, por um viés empírico podemos dizer que Ele é o axioma da Missão Integral. Ou seja: Jesus não preencheu apenas um requisito abstrato na humanidade. Mas embora sendo Deus, também se fez humildemente homem – um homem integral; a encarnação Divina37 do verdadeiro amor. Tudo por Sua missão de redimir a humanidade que havia perdido sua essência existencial; por conseqüência trazendo-a de volta nEle a sua originalidade. Isto tudo porque o homem rompeu com sua própria existência em sua origem em Deus; que por um prisma ontológico, comprometeu não apenas o seu físico ou sua mente, mas todo o seu ser pelo pecado. Neste sentido, ao reportarmos a ruptura do homem com Deus neste trabalho, podemos apontar a seguinte assertiva: ―quando vem a queda, a queda não vem na carne; a queda não vem no corpo; a queda vem no ser‖38. Este ser envolvia toda a estrutura verdadeiramente humana, que exercia o arbítrio a partir de Deus – sua fonte perfeita do saber ético e arbitral. Porém, ao usurpar este arbítrio, o ser estruturalmente humano provoca sua própria queda; que por conseqüência desabou sobre si mesmo com o peso do pecado. A partir desta queda como já mencionado neste trabalho, quebra-se a unidade entre a criação e o Criador e conseqüentemente gera assim um hiato entre o homem e sua verdadeira humanidade; perdendo-se completamente em sua ―liberdade de arbítrio‖. É aí que nasce a missão integral como sendo o próprio Deus
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Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte—morte de cruz. (Filipenses 2.6-8, Versão NTLH) Palestra sobre o cristianismo e a sexualidade por Robson Cavalcanti

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encarnado39; por conseguinte sendo Cristo, o centro da existência humana40. Tornando-se Ele a restauração do estado original do homem com sua unidade a partir de seu Criador; e isto inclui o estado volitivo humano na unidade do próprio arbítrio em Deus 41. E esta unidade é Cristo. Destarte, nasce a partir dEle uma nova perspectiva de existência: o Seu Evangelho - que caracteriza a essência da integralidade humana no ser. Onde o dilema do arbítrio humano diante da exigência do cumprimento da Lei e a impossibilidade de cumpri-la é superado por Ele ao cumprir a mesma no lugar do homem42. Entrementes, embora tendo em vista que a centralidade de Cristo no homem e na história incide através do Evangelho como realização das promessas de Deus, que perfazem todo conteúdo bíblico-histórico; contudo, a despeito dEle ser o centro, é concomitantemente um paradoxo. Isto é, enquanto esta realidade é oculta aos olhos do homem natural cindido pelo pecado, é em contrapartida enxergada pelos olhos da fé, mirando-a na cruz. É nela que o destino humano se realiza 43. Por isto é paradoxal ao mundo, visto que nela Cristo morreu e ressuscitou gerando por outro lado a comunidade da fé, que por Ele e nEle ela é também o centro da história.

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“A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos a revelação da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai.‖ (João 1.14, Versão NTLH) 40 Filho, Veslasques, Prócoro, 1976, p.30 41 ―Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;‖ (Mateus 6.10,11; Versão RA) ―Pela segunda vez Jesus foi e orou, dizendo: — Meu Pai, se este cálice de sofrimento não pode ser afastado de mim sem que eu o beba, então que seja feita a tua vontade.‖ (Mateus 26.42) A palavra VONTADE no contexto destes dois textos acima tem o mesmo sentido em comum no grego: yelhma thelema. Significando o que se deseja ou o que se tem determinado que será, e ainda: feito do propósito de Deus em abençoar a humanidade através de Cristo.(Léxico Strong) 42 Filho, Veslasques, Prócoro, 1976, p.30 43 Ibid, p. 31

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Jesus está presente no meio dela, sendo esta de igual modo a presença de Jesus no mundo como a representatividade de Seu corpo44. Posto isto, podemos dizer em suma que a missão integral à luz da Bíblia redunda de uma lacuna aberta pelo próprio homem na sua decisão em desobedecer ao limite ético estabelecido por Deus. Esta lacuna por conseqüência do pecado (como já tratado neste trabalho) abriu um vácuo na criação como um todo, que após isto passou a carecer desesperadamente de se reencontrar na sua origem – Cristo. Isto tem uma resposta: toda a criação depende diretamente de seu Criador para nEle subsistir. O Apóstolo Paulo é enfático quanto a este assunto ao escrever sua carta aos Colossenses, capítulo 1, versículos 16 e 17 quando diz: “...pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste”.45 Em sua origem a criação tinha o objetivo único de proclamar a glória de Deus46. No entanto, O homem como responsável em cuidar dela vacilou em não cumprir aos mandamentos de seu Criador. Com isto, pela conseqüência do seu pecado a deixou muda e escravizada. Ao sofrer a perda de sua liberdade, ela espera a sua libertação através da redenção47. Em Jesus esta redenção já está completa48. Contudo, ao homem ficou facultativo em parte mediante e sob condição da sua fé no sacrifício redentor de Cristo, que propiciou nEle a reconciliação humana com Seu

44 45

Ibid, p. 31 Versão RA 46 “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.‖ (Salmos 19.1, Versão RA) 47 Filho, Veslasques, Prócoro, 1976, p.31 48 “... sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,...‖ (Romanos 3.24, Versão RA)

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Criador49. Não obstante, mesmo nesta condição do homem (justificado pela fé)50, todo o restante da criação ainda espera em termos escatológicos a sua plenitude completar-se na consumação dos séculos51. Por enquanto a ordem da criação reflete a mente e a solicitude do Criador que sustenta aquilo que Ele tem feito
52

;

provendo a seqüência das estações, semeadura e colheita53. Esta providencia Divina é evidente nos governos políticos e no controle da sociedade humana. Que apesar de caída, desfruta de certa medida de harmonia doméstica, política e internacional54. Isto é o que é chamado teologicamente de graça comum, pois os benefícios e provisões citados acima são em comum a toda raça humana. Se não fosse a mão limitadora de Deus através desta sua graça, este mundo já teria se degenerado, há muito tempo, num caos de auto-destruição na iniqüidade, em que a ordem social e a vida comunitária teria sido uma impossibilidade55. Entretanto, esta graça não regenera o homem a sua origem; nem tão pouco o habilita a cumprir a missão integral. A única capaz disso é a Graça especial, a qual trataremos a respeito mais adiante. 4.2 Na perspectiva da Igreja como comunidade da fé Neste contexto, a Igreja como comunidade da fé (pós-morte e ressurreição de Cristo) é a portadora da pregação do que vem a ser a Palavra de Deus. Esta Palavra não é filosófica, e nem muito menos teórica no que diz respeito ao anúncio

49 50 51

“... Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o
ministério da reconciliação,...‖ (II Coríntios 5.18; Versão RA)

“... visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo
viverá por fé.‖ (Romanos 1.17; Versão RA

“... na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a

liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.‖ (Romanos 8.21,22; Versão RA) 52 Elwell, A., Walter, 1990, Vol. II, p. 216 53 “... Porque ele faz com que o sol brilhe sobre os bons e sobre os maus e dá chuvas tanto para os que fazem o bem como para os que fazem o mal.‖ (Mateus 5.45; Versão NTLH) 54 Elwell, A., Walter, 1990, Vol. II, p. 217 55 Ibid, p. 217

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do Evangelho. Mas, sobretudo é tabernaculada, isto é, é encarnada no sentido de ser evidenciada por seus membros, redundando em ações e atitudes coerentes com as de Jesus e todo Seu legado humano. Ou seja: esta Igreja como comunidade da fé e representante legítima do ―Verbo encarnado‖ aqui no mundo, é religada a sua origem, e exerce a responsabilidade de continuar cumprindo a missão integral iniciada por Ele. Entretanto, após abordarmos esta missão a partir de Cristo, convém nos reportamos ao que vem significar essencialmente a missão Integral na perspectiva da Sua Igreja como comunidade da fé. Mas para abordarmos em síntese a essência desta missão devemos destacar pelo menos três fatores preliminares: 1- Devemos fazer algumas observações sobre a origem humana na perspectiva relacional dela com seu Criador e o restante da criação. No princípio o jardim do Éden era o lugar onde Deus passeava e falava com Adão; ali havia comunhão plena do Criador e a criação (natureza) através do homem como o mordomo dela. Contudo, se faz necessário percebermos um detalhe quanto a sua formação. Esse detalhe parece corroborar para esta plena inter-relação. Ele está basicamente ligado a este contexto através da aprovação de Deus em Sua Soberania ao formar o homem da argila (pó da terra)56. 2- A formação do homem a partir do pó da terra parece nos dá um grande indicativo do grau de importância que Deus deu ao relacionamento humano direto com a natureza. Sua essência é, portanto ligada a terra. É dela que ele foi formado e é dela que ele obtém seu corpo57. Deste

56
57

Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. (Gênesis 2.7; Versão RA) Filho, Veslasques, Prócoro, 1976, p.31

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modo, o homem não é a imagem de Deus apesar de seu corpo, mas por causa dele58. 3- O corpo humano é uma espécie de ―veículo‖ do ser no qual se relaciona com o mundo e as demais criaturas. É com esta disposição inata do homem de se relacionar, que o mesmo reflete a imagem de Deus; visto que o Criador compartilhou graciosamente este seu atributo relacional que envolve desde a inteligência ao estado volitivo humano. Isto proporcionou na sua origem uma relação plena de interdependência entre ambos e o mundo com sua natureza. Estes três fatores básicos pressupõem a integralidade humana em sua origem antes de sua queda, que envolve todo o seu ser e seu habitat natural – a terra. A comunidade da fé, isto é, a Igreja de Cristo tem a missão como seu corpo presente e atuante na terra, de reverter através dela o impacto que o pecado do homem causou em todos os níveis de sua integralidade: sejam eles no próprio ser humano, na natureza e na inter-relação entre ambos. Com o pecado esta interrelação foi adulterada; por conseqüência os valores antes relacionais e harmônicos entre si foram invertidos. Desde então o homem tornou-se refém da natureza sujeitando-se às leis que a regem; fazendo ele mesmo perder seu potencial original para o exercício pleno de sua liberdade a partir de Deus para com os outros59. Porém, Jesus deu uma nova alternativa para a reversão deste impacto. Após ter resgatado nEle a integralidade da humanidade caída do homem em sua Redenção sobre o pecado, incumbiu a Sua Igreja como além de seu corpo, comunidade da fé e

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Ibid, p. 31 Ibid, p. 32

31

representante de Seu Evangelho, a também ser ―o sal e a luz do mundo‖

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. Isto

implica em uma Igreja santa, no sentido de que ao mesmo tempo em que está em ruptura com o mundo, se engaja com a sua realidade; seja na esfera social, cultural, política ou ecológica. Apesar deste engajamento da Igreja com a realidade do mundo ambos não se confundem, mas continuam distintos e separados. Entretanto, a Igreja, ainda que comunidade dos santos é, também, comunidade de pecadores 61. Lá não está uma comunidade no sentido ideal com uma assembléia daqueles que deixaram de pecar, mas como o lugar onde o perdão dos pecados é anunciado62. Porém, este perdão anunciado pressupõe arrependimento, isto é, a Graça Divina é apresentada nesta comunidade com o seu devido valor; que custou muito caro – custou o sacrifício vicário de Cristo. E isto pressupõe também responsabilidades éticas desta comunidade diante da realidade do mundo. Por isso não pode haver confusão entre os dois, pois é a partir da Igreja que a Palavra de Deus é anunciada ao mundo, proclamando que a terra inteira pertence a Deus.63 Portanto, esta é a sinopse da essência da missão integral na perspectiva da comunidade da fé. Onde a mesma visa essencialmente refletir através dela este axioma: a saber – a práxis do Evangelho de Cristo como única maneira de resgatar o homem de volta a sua origem. Todavia, esta práxis não poderá ser exercitada com eficácia fora desta comunidade da fé (posto que ela seja a presença do corpo de Cristo), e nem muito menos por entender apenas de modo filosófico e teológico este axioma. Pois o livre-arbítrio condicionou o homem numa situação oposta diametralmente a esta realidade axiomática na qual nos referimos.
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―Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.‖ (Mateus 5.13,14; Versão NTLH) Filho, Veslasques, Prócoro, 1976, p.37 Ibid, p.37 Ibid, p.36

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CAPÍTULO V - O LIVRE-ARBÍTRIO NA MISSÃO INTEGRAL E O SEU EXERCÍCIO ÉTICO E RELACIONAL COM O MUNDO 5.1 A partir do homem Esta perspectiva nos faz reportar ao que já foi tratado neste trabalho quanto à unidade entre o saber e o fazer. Onde a cisão entre estes dois parâmetros provocou um tipo de ―livre-arbítrio‖ numa perspectiva corrompida à luz do que é apenas cognoscível; limitado na condição caída do homem, e por isto sem a mínima possibilidade de volta a sua origem. Isto consiste em que ele se tornou um árbitro de e a partir de si mesmo em todas as circunstâncias que envolva sua existência. Não obstante, ao que aparentava ser isto uma conquista em forma de livre-arbítrio, como que a ter uma significância de liberdade humana, é paradoxalmente contrastado com sua escravidão. Visto que o homem passou de livre a escravo de sua própria liberdade; pois usurpou o que era apenas prerrogativa soberana de Deus. Ou seja: O único com o direito legítimo de legislar como conhecedor absoluto do bem e do mal sobre todos os aspectos de Sua criação é Javé – o Soberano, Supremo e Onipotente Criador do Universo. O homem como ser criado jamais alcançaria tal magnitude; tão pouco deveria nem cogitar tamanha atitude sórdida de tentar usurpar o nível de conhecimento inalcançável de seu Criador. Deste modo, o exercício do livre-arbítrio a partir do homem e a missão integral sob o ponto de vista ético do referencial teórico deste trabalho, tornam-se incongruentes. Pois dentro deste contexto para desenvolver a missão integral efetivamente é imprescindível o exercício do livre-arbítrio a partir da origem. E como ela foi perdida, Cristo a recupera nEle; não mais a partir do primeiro homem. Pois o pecado intrínseco a ele o impede de se relacionar imediatamente com o mundo e

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toda a criação, tendo em vista que seu arbítrio usurpado conspira continuamente contra a sua origem em seu Criador. 5.2 A partir de Cristo É nEle que toda a Graça Divina converge e onde se encontra a verdadeira liberdade de arbítrio64. Ou seja: Ele como sendo o axioma da missão integral só pode ser compreendido, amado e exercitado pelo homem uma vez o mesmo estando nEle como está registrado no Evangelho dEle segundo escreveu João 15.4,5: “permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. 65 Neste texto encontra-se a base de convergência da unidade do saber e do fazer humano. Cristo dá a ilustração do ramo e da videira; que se o ramo não estiver unido a ela não poderá produzir fruto de si mesmo, pois depende totalmente da videira. Dando uma clara evidência de que o homem por si só não se sustenta, isto é, sem está ligado de volta a unidade do saber e do fazer que se encontra agora em Cristo, não há de fato possibilidade alguma para um pleno exercício do livre-arbítrio. É em Cristo como último homem que se encontra o verdadeiro ser humano recriado e restaurado ao seu estado original; por isto agora somente nEle o homem pode entender sua realidade com clareza. Ele é quem dá o verdadeiro conhecimento de Deus, do próximo e da realidade66. Entrementes, numa perspectiva fora desta

unidade o exercício do livre-arbítrio na missão integral não passará de uma mera
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65 66

“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.‖ (II Corintios 3.17; (Versão RA) Versão RA Filho, Veslasques, Prócoro, 1976, p.33

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tentativa humana de justificar a si mesmo. Sua base será sempre a partir de uma ética construída para favorecer a sua necessidade de realização pessoal em detrimento ao próximo. Isto se configura num homem arrogante e presunçoso; a margem da verdadeira espiritualidade proposta por Jesus em seu Evangelho. Embasando, portanto seu livre-arbítrio em sua própria plataforma moral, e, diga-se de passagem, caída e anti-relacional. 5.3 A partir de uma plataforma moral Tomando exemplo por uma ótica filosófica contemporânea, podemos observar sinteticamente no arcabouço humano pelo menos três tipos de bases éticas sobre as quais esta plataforma moral está construída: a hedonista, a naturista e a relativista. A hedonista centraliza como critério ético supremo o prazer. Sua conceituação básica consiste em que o bem é identificado como aquilo que dá prazer, e o mal como aquilo que causa dor
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. Na verdade seu foco divide-

se entre individualista e universalista; o que alguns filósofos definem como também utilitarista68. Porém, acabam convergindo na busca pelo objetivo primordial de no fim trazer felicidade para si mesmo. Isto inclui o fato de fazer certas coisas boas ou ruins para os outros, consciente de que não faz isso apenas para tornar os outros felizes, mas para que corresponda ao seu critério ético que ao fazer certas coisas para os outros lhe trará felicidade. Por conseqüência, o prazer da realização pessoal e, sobretudo individualista

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Forell, W., George, 2002, p.26 ―Teoria desenvolvida na filosofia liberal inglesa, esp. em Bentham (1748-1832) e Stuart Mill (18061873), que considera a boa ação ou a boa regra de conduta caracterizáveis pela utilidade e pelo prazer que podem proporcionar a um indivíduo e, em extensão, à coletividade, na suposição de uma complementaridade entre a satisfação pessoal e coletiva‖. (Dicionário Houaiss)

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será por cumprir o seu o objetivo final. Seu foco, portanto não são os outros, mas o prazer de realizar coisas a partir de si mesmo. A naturista propõe um padrão ético de prazer a partir da natureza. Onde o homem é considerado um produto dela mesma, e que alguns talvez a chamem de desenvolvimento supremo do processo evolutivo69. Nesse processo, além de produzir todas as espécies de vida, segundo os naturalistas, também nos fornece o padrão para avaliar toda a ação. Ou seja: O propósito da natureza é que o apto sobreviva. Logo tudo que venha a contribuir para que este apto sobreviva é bom, e tudo o que venha a dificultar sua sobrevivência e ajudar o inapto a sobreviver é mau 70. Isto incide, por exemplo, no desprezo aos fracos e dementes, pois os mesmos por seleção natural são inaptos a sobrevivência; já que a própria natureza por sua seleção não os deseja preservar. Nesse sentido as pessoas doentes só deveriam receber ajuda médica e serem tratadas visando uma recuperação se estas trouxessem algum tipo de vantagem para a sociedade, do contrário deveriam ser destruídas para não intervir no processo evolutivo natural 71. Como também pelo prisma naturalista é considerado natural que certas raças estejam situadas em nível evolutivo baixo, isto é, existem raças senhores e raças escravos; dando uma idéia de que algumas são inferiores por não terem alcançado ainda o nível evolutivo de outras. Ou são consideradas mutações inaptas, becos sem saída da evolução72. Em suma, de acordo com a ética naturalista o mais forte se alimenta do mais fraco; que, por

69 70 71 72

Forell, W., George, 2002, p.29 Ibid, p. 29 Ibid, p. 30 Ibid, p. 30

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conseguinte, este pode ser, portanto um padrão natural de comportamento humano. Já a relativista tem como princípio ético uma não-ética, ou seja, parte-se do princípio de que existe a dificuldade de estabelecer um critério ou padrão ético inteligível que seja aceitável para todos73. Por causa desta dificuldade em se encontrar um padrão definido é inútil segundo os relativistas, tentar encontrar ou descobrir um padrão ético para o comportamento humano. Na realidade o conceito doutrinário da ética relativista em si teve como origem na escola sofista, que teve como seu fundador o filósofo Protágoras (480-410 a.C, aproximadamente)74. Ele sustentou a tese de que não existe verdade absoluta. O homem interpreta a seu modo e a seu interesse os dados da sensação75. Daí a famosa expressão dos sofistas: ―o homem é a medida de todas as coisas‖. Em outras palavras de acordo com Battista Mondin: ―não há uma lei moral absoluta, mas somente leis convencionais. Nesta dimensão empírica do conhecimento humano, o prazer se coloca como única meta para o homem‖ 76. Estes dentre outros, são em síntese exemplos de sistemas filosóficos que formam os três pilares éticos que perfazem o arquétipo da plataforma moral do homem. Logo, o conhecimento do homem natural é basicamente construído em cima desses valores éticos que constituem a epistemologia da moral humana. Destarte, a base para o exercício do livre-arbítrio humano se encontra inicialmente a partir desses pilares éticos. É neles que estão embasadas as leis morais que o homem arbitra sua própria conduta. Através destas bases éticas nota-

73 74 75 76

Forell, W., George, 2002, p.32 Mondin, Batista, 2004, p.194 Ibid, p. 194 Ibid, p. 194

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se também o quanto o homem está distante de seu verdadeiro sentido original. Ele perdeu o seu referencial ético pleno e absoluto na cisão de sua origem em Deus. Por isto busca livre-arbitrar sem, contudo, conseguir um resultado plausível que preencha todos os requisitos éticos de sua origem, pois não tem mais nenhuma capacidade moral arbitrada a partir de seu Criador. Esta é a realidade do homem fora de sua unidade em Cristo: ―... sem mim nada podeis fazer‖. 77 5.4 A partir da autonegação e regeneração Por outro lado, os parâmetros éticos acima abordados podem mascarar um tipo de exercício do livre-arbítrio que parece dá certo em todo o contexto da missão integral, mas está fora de sua essência, pois tem por base ética seu próprio conhecimento. Um exemplo prático disto é a expressão de uma religiosidade em forma de cristianismo. Onde pessoas se dizem professarem uma fé cristã, centralizando seus esforços em projetos sociais, evangelísticos e litúrgicos através da expressão de louvores em forma de cânticos e sermões bem elaborados em seus respectivos templos religiosos. Entretanto, todo este exercício pode está centrado na ética da auto-realização, conforme já foi abordado na ética hedonista; cujo foco neste aspecto não é os outros e nem o fato de ser Cristo sua verdade última, mas o prazer de realizar a religiosidade a partir de si mesmo. Este tipo de pessoa ama a ação pela a ação e o social pelo social, mas não quer viver a essência do Evangelho de Cristo, pois Ele confronta sua ética de auto-realização. Este confronto consiste em que para viver a práxis do Evangelho de Jesus Cristo é necessário negar-se a si mesmo, como nas palavras do próprio Jesus registradas em Marcos 8.24: ―... Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me‖.78

77 78

João 15.5 (Versão RA) Versão RA

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A missão integral a luz de Cristo implica em autonegação, isto é, o conhecimento humano antes pautado e arbitrado com base em sua própria moral é renunciado; e este autoconhecimento é revertido em um novo conhecimento: a partir da origem em Jesus. É aí onde o homem reencontra seu ponto de convergência com sua integralidade. Sendo este ponto a sua regeneração em Cristo. A partir disto, o exercício do livre-arbítrio na missão integral poderá ser cumprido eficazmente tendo como base a regeneração do homem em Cristo. Isto só ocorrerá mediante o que é chamado teologicamente de milagre da Graça especial, quando ao contrário da graça comum que é dada universalmente, a graça especial é outorgada somente àqueles que Deus elege à vida eterna, mediante a fé em Cristo 79. A partir daí o homem passa pelo novo nascimento em Jesus, sendo justificado pela fé. Isto fica claro na resposta de Jesus ao fariseu Nicodemos registrado em João 3.3-7: “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.”80 Conseguintemente a partir do novo nascimento o livre-arbítrio passa a ter uma perspectiva restaurada na sua origem em Cristo. Ou seja: o homem passa a

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Elwell, A., Walter, 1990, Vol. II, p. 217 Versão RA

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usufruir através de Jesus a liberdade de arbítrio na perspectiva original, onde Deus como seu Criador passa a ser novamente sua contínua fonte de conhecimento 81. Partindo desta premissa, o homem nascido de novo passa a ter uma comunhão com Cristo que o capacita a exercer uma relação ética e coerente com o mundo. Significa dizer que este homem vive agora como discípulo de Cristo na plenitude da realidade do mundo, a partir da realidade Divina. O seu arbítrio em sua existência no mundo está ligado agora à realidade de Deus, e é por está inserido nesta realidade que este novo homem como discípulo de Cristo possui uma existência verdadeira e integral82. Esta relação do novo homem com o mundo deve-se somente por um fator preponderante: o mundo foi reconciliado com Deus em Cristo. Existe, portanto, uma aliança entre Deus e o mundo83. O Apóstolo Paulo deixa isso claro quando diz em sua segunda carta aos coríntios 5.18,19: “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.”84 O texto de sua carta esclarece que pela encarnação do verbo, a realidade Divina entrou na realidade humana, dando-lhe assim sua plena significação85. Conseqüentemente, Jesus torna-se o centro empírico da estrutura humana, responsabilizando-se por sua realidade diante de Deus. A partir daí, por conseguinte, o novo homem como discípulo de Cristo no mundo, passa a
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“Eu, a Sabedoria, habito com a prudência e disponho de conhecimentos e de conselhos. Meu é o

conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza.‖ (Provérbios 8.12,14; Versão RA) 82 Filho, Veslasques, Prócoro, 1976, p.38 83 Ibid, p. 38 84 Versão RA 85 Ibid, p. 38

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representá-lo em sua responsabilidade diante de sua restauração a origem ética e relacional com seu Criador. Ou seja: passa a viver a práxis do desenvolvimento de seu livre-arbítrio a partir de sua origem em Cristo. Este capacita o homem a cumprir uma autêntica missão integral através de um pleno exercício ético e relacional com o mundo; que é produzido da realização da vontade de Deus na realidade humana.

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Conclusão O estudo dedicado a este trabalho leva a uma confirmação de que para desenvolvermos uma espiritualidade plena a despeito de uma humanidade em pecado e em desordem moral, faz-se necessário e imprescindível voltarmos ao arbítrio original. Sem este arbítrio a partir de Cristo não teremos como exercermos a missão integral em meio à realidade do mundo, com santidade. Mas o que significaria voltamos ao arbítrio original em nossa realidade? Significa estarmos completamente debaixo da autoridade Soberana de Deus em Jesus. Todavia, isto nos gera um o novo desafio: cumprirmos o papel de discípulo de Cristo – sendo assim como Ele: um servo sofredor86 na proclamação do Evangelho do Reino diante de homens cindidos de sua origem. Não obstante ao fato de exercermos o livre-arbítrio a partir da origem em Cristo, isto não nos exime de algumas implicações. A primeira delas é a necessidade de levar a sério a realidade do mundo. A segunda, para se levar a sério esta realidade é fundamental uma vida responsável. Entretanto, para se ter uma real noção do que significa o verdadeiro sentido de uma vida responsável diante deste mundo, é necessário estarmos regenerados em Cristo Jesus. É dessa regeneração que passamos a possuir a noção de como agir responsavelmente a partir de uma ética restabelecida – A ética do Reino de Deus firmada através do domínio da responsabilidade de Cristo num mundo reconciliado por Ele. Esta proposição parece está bastante coerente com as chamadas ―bem-aventuranças‖, que inclui o papel e a característica do discípulo como servo sofredor numa sociedade cindida da origem. Esta clara evidência ficou registrada em Mateus 5.1-13, através do famoso sermão do monte onde Jesus praticamente sintetizou a ética do Reino: “Felizes
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Na perspectiva de Isaías 42.1: “O SENHOR Deus diz: ―Aqui está o meu servo, a quem eu fortaleço, o meu escolhido, que dá muita alegria ao meu coração. Pus nele o meu Espírito, e ele anunciará a minha vontade a todos os povos.‖ (versão NTLH)

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(bem-aventurados) as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas. Felizes as pessoas que choram, pois Deus as consolará. Felizes as pessoas humildes, pois receberão o que Deus tem prometido. Felizes as pessoas que têm fome e sede de fazer a vontade de Deus, pois ele as deixará completamente satisfeitas. Felizes as pessoas que têm misericórdia dos outros, pois Deus terá misericórdia delas. Felizes as pessoas que têm o coração puro, pois elas verão a Deus. Felizes as pessoas que trabalham pela paz, pois Deus as tratará como seus filhos. Felizes as pessoas que sofrem perseguições por fazerem a vontade de Deus, pois o Reino do Céu é delas. Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês. Porque foi assim mesmo que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês. Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam.” 87 Esta ética credencia a verdadeira espiritualidade humana através de uma nova base em Cristo. Nela o livre-arbítrio agora encontra a sua real e original liberdade88. Dela emana a responsabilidade de cumprirmos e obedecermos todos os valores e princípios éticos do Reino em meio à realidade do mundo 89. Esta responsabilidade mediante a estes valores e princípios éticos se resume num novo conceito de vida: Cristo liberta a consciência do discípulo da escravidão da Lei, capacitando-o a servir ao próximo. Ou seja: Com Cristo, não teremos temor de

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Versão NTLH ―Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres.‖ (Gálatas 5.1; Versão NTLH) 89 “Porém vocês, irmãos, foram chamados para serem livres. Mas não deixem que essa liberdade se torne uma desculpa para permitir que a natureza humana domine vocês. Pelo contrário, que o amor faça com que vocês sirvam uns aos outros.‖ (Gálatas 5.13; Versão NTLH)
88

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participar da realidade humana e, conseqüentemente, da vida do próximo. É só assim que nos tornamos responsável, como Cristo90. Isto só se tornou possível porque a Lei que antes escravizava a consciência do discípulo resumiu-se na ética do Reino por meio da origem humana recuperada em Jesus. A saber: A plenitude do amor ao próximo. A respeito disso o Apóstolo Paulo escreveu em sua carta aos Gálatas 5.14 dizendo: ―Pois a lei inteira se resume em um mandamento só: ―Ame os outros como você ama a você mesmo‖‖ (Versão NTLH). Neste texto além de está implícito a nossa responsabilidade como discípulos no aspecto relacional com a realidade humana, está implícito também o exercício da espiritualidade humana através do amor. É nele que está contida a centralidade ética do livre-arbítrio - e esta centralidade é Jesus. Sem Ele não existirá em nós altruísmo, nem muito menos compreensão da realidade do mundo. Existirá apenas uma caricatura do que foi perdido na origem, inclinada para outra centralidade: o próprio homem e sua presunção de ―possuir‖ um livre-arbítrio. Posto isto, faz-se necessário, portanto, vivermos, se envolvermos e atuarmos nas diversas realidades deste mundo, porém centrados na unidade da santidade em Cristo. Entretanto, isto tem sérias abrangências a partir de nossas realidades. Uma delas é o foco de nossa mensagem e de que forma ela está sendo transmitida ao mundo. Pois a santidade na perspectiva da origem em Cristo não é está simplesmente isolado a margem das multifacetárias realidades seculares, mas sendo o contraponto e a antítese da concepção do homem separado de sua origem, isto é, exercendo uma ética regenerada em Cristo; e por conseguinte a isto, através

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Filho, Veslasques, Prócoro, 1976, p.39

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de nossas atitudes refletirmos o caráter dEle como proclamação de Seu Evangelho. É neste sentido que como discípulos de Cristo somos o sal e a luz do mundo91. Assim sendo, devemos exercer esta responsabilidade em santidade 92. Entretanto, sem confundirmos uma espiritualidade plena a partir da origem em Cristo com outra pseudo-espiritualidade mascarada de evangelho ou cristianismo; mas, no entanto, embasada no arbítrio puramente humano na sua não-ética divina. Em outras palavras: Um evangelho baseado em discursos hipócritas que não cumpre o seu sentido original, pois este tipo de evangelho não passa de uma prática religiosa a partir do próprio homem. Conquanto este embasar discursivamente Jesus em suas práticas religiosas, no fim tem um único objetivo: gerar um prazer de culto a si mesmo – usando sua própria liberdade de arbítrio desconectado da origem. Isto retrata apenas um tipo de cristianização que de fato não tem por base a ética do arbítrio a partir de Cristo, mas se embasa apenas na epistemologia da moral humana; de onde se estabelece um tipo de espiritualidade que embora tendo uma aparência estética de cristianismo, se centraliza somente no livre-arbítrio humano, portanto tornando-se numa pretensa espiritualidade cindida da origem. Deste modo, para desenvolvermos uma autêntica espiritualidade a partir de uma responsabilidade ética em santidade, ou seja, ligados a origem, não basta necessariamente cumprirmos uma tradição, doutrina ou linha aparentemente teológica, que sendo essencialmente humana, centraliza-se em legalismos que visam satisfazer somente aos rigores de nosso próprio tribunal arbitral; seja para se marginalizar nos templos de instituições religiosas diante das realidades do mundo

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―Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.‖ (Mateus 5.13-16; versão NTLH) Bonhoeffer, Dietrich, 2005, p.125

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ou conformando-se ao seu sistema não-ético e anticristo. Mesmo sob argumentos e manifestações aparentemente bíblicas e plausíveis a comunidade da fé; isto não passará de ideologias e tentativas arrogantes de se beneficiar da Graça que há em Jesus. Senão, vejamos o quanto isto parece nos remeter ao que Ele mesmo disse em seu Evangelho segundo escreveu Mateus 7.21,22: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Naquele dia muitos hão de dizer-me: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”. 93 Logo, mesmo a despeito de um mundo corrompido em suas realidades, seja na esfera social, política, econômica ou cultural; para desenvolvermos e exercermos uma responsabilidade com santidade em meio às mazelas desta sociedade devemos ter uma atitude vicária 94, onde acima de discursos e engendrações cúlticas alienadas do mundo, devemos fazer a vontade de Deus em meio a esta sociedade. Ou seja: Isto só será uma práxis em e através de nós, se estivermos ligados espiritualmente a origem em Cristo Jesus e conseqüentemente, a partir dEle exerceremos uma autêntica liberdade de arbítrio; e assim como Ele, com discernimento cumpriremos a missão integral na qual Ele nos incumbiu. Do contrário não adiantará alegarmos o que fizemos em nome dEle apenas pelo ―nosso‖ livre-arbítrio; só nos restará ouvi-lo naquele dia claramente: “...
Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.”

Portanto, ainda que tenhamos intenções nobres quanto a desenvolvermos uma missão integral, no sentido de atuarmos nas esferas sociais em

empreendimentos contra a pobreza; ou mesmo culturais, políticas e econômicas; na

93 94

Versão Tradução Brasileira Jones, Stanley, 1949, p. 185

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tentativa de transformarmos estas estruturas através das pessoas; se não tivermos a base ética da origem em Cristo, isto é, se todos estes esforços não forem centralizados no amor, tudo será em vão. Estaremos vivendo não um evangelho que liberta pela ação regeneradora de Cristo, mas um ―evangelho‖ libertacionista com sua base ética no arbítrio humano. E esta ética o Apóstolo Paulo esclareceu quando escreveu sua 1ª carta aos coríntios 13.1-3: “Ainda que eu fale as línguas dos

homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.”95 Assim sendo, toda a ética do Reino consiste na volta do homem a sua origem: Jesus – a encarnação do amor. Este é o novo ponto de convergência depois da queda do homem - na unidade do saber e o fazer. Contudo, muito embora termos o acesso a esta nova vida, ainda estamos sob constante luta contra a nossa própria natureza pecaminosa, que nos imbui a usarmos constantemente o ―nosso‖ livrearbítrio (usurpado) para tentar nos fazer voltar contra a nossa origem. Isto é, quando usamos o arbítrio a partir de nós mesmos exaltamos a racionalidade do irracional; pois o pecado de nossa arrogância natural torna toda a nossa moralidade em imoralidade diante da Ética contida no Evangelho de Cristo. A saber: Nela se encontra todo o conteúdo original do arbítrio de Deus manifestada através do amor, do perdão e da humildade de um servo sofredor transbordados a nós por meio de seu sacrifício vicário.

95

Versão RA

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A autêntica missão integral contida originalmente em Cristo, portanto só poderá ser desenvolvida através de nós, se estivermos centrados e regenerados nEle. É deste modo que como partícula de seu corpo através de Sua Igreja, exerceremos um novo conceito em livre-arbítrio, construindo uma espiritualidade a partir de uma origem ética contida nEle e para Ele. Assim, faremos toda a diferença em meio às realidades mundanas, não ―satanizando-as‖ ou nos conformando a elas, no sentido de nos moldarmos aos padrões corrompidos de uma sociedade decaída; mas transformando-as pela renovação do nosso entendimento96. É nesta perspectiva bíblica da missão integral que de fato faremos a vontade de Deus a partir da mente de Cristo como o próprio Apóstolo Paulo escreveu em I Coríntios 12.15-16: “A pessoa que tem o Espírito Santo pode julgar o valor de todas as coisas, porém ela mesma não pode ser julgada por ninguém. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Quem pode conhecer a mente do Senhor? Quem é capaz de lhe dar conselhos?”Mas nós pensamos como Cristo pensa.” 97 Aqui está a síntese do livre-arbítrio em sua origem. Exercemos um julgamento não a partir de nós mesmos como autocratas; o que é esta a característica principal do pecado humano. Mas agora regenerados exercemos uma autêntica liberdade de arbítrio em Cristo, porque pensamos como Ele, isto é, temos a mente dEle. Só desta maneira desenvolveremos uma autêntica espiritualidade para enfrentarmos as realidades do mundo em que vivemos.

96

“... e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa
mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.‖ (Romanos 12.2; Versão Tradução Brasileira)
Versão NTLH

97

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