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2010

Controvérsia sobre o novo


Acordo ortográfico

Carlos Santana
STC7 - Cencal
01-01-2010
Controvérsias Públicas

Acordo ortográfico

Desde 1 de Janeiro de 2009, no Brasil, e de 1 de Janeiro de 2010, em Portugal,


encontra-se em vigor o novo Acordo Ortográfico.

Do ponto de vista da sociedade este novo acordo ortográfico que foi assinado
em 1990, entre os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa),
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe
e mais recentemente Timor-Leste, é sobretudo uma oportunidade para todos os falan-
tes da língua portuguesa reflectirem sobre a importância da unificação, melhorarem os
seus conhecimentos sobre a língua e valorizarem o património cultural que ela repre-
senta.

Além disto, defendem os que estão a favor. O acordo facilitará o intercâmbio


cultural entre os países envolvidos, o que fortalecerá segundo eles a língua perante o
mundo, contribuindo com a melhoria das suas relações artísticas, culturais e políticas.

Deve-se referir que ao longo dos tempos já houve outros acordos ortográficos;

A ortografia da língua portuguesa é regida por um conjunto de normas que são


oficializadas através de acordos ortográficos.

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Desde o início do século XX quer em Portugal, quer no Brasil, surgiu a intenção
de estabelecer um modelo de ortografia que pudesse ser usado como referência nas
publicações oficiais e no ensino em ambos os países, iniciando-se assim um longo pro-
cesso de tentativas de convergência das duas ortografias.

No ano de 1943, realiza-se em Lisboa um encontro entre os dois países, com o


objectivo de uniformizar os vocabulários já publicados, o da Academia das Ciências de
Lisboa, de 1940, e o da Academia Brasileira de Letras, de 1943. Deste encontro resul-
tou o Acordo Ortográfico de 1945, que, no entanto, apenas se tornou vigente em Por-
tugal, não tendo sido ratificado pelo Brasil.

Em 1986, foi feita, no Brasil, uma nova tentativa de uniformização mas não se
chegou a consenso.

Anos mais tarde, fruto de um longo trabalho desenvolvido por ambas as Aca-
demias, os representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram o Acordo Ortográfico da Lín-
gua Portuguesa de 1990, ao qual, em 2004, adere Timor-Leste.

Em suma, vigora no Brasil desde o dia 01 de Janeiro de 2009 o novo formulário


ortográfico, em Portugal desde o passado dia 01 de Janeiro 2010, e nos restantes paí-
ses da CPLP o Acordo Ortográfico de 1945.

As novas regras restringem-se à ortografia da língua escrita, não alterando


quaisquer aspectos da língua falada ou da estrutura sintáctica da frase. Apesar de não
eliminar todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua por-
tuguesa como idioma oficial, o objectivo do acordo é criar uma ortografia unificada
para todos os países envolvidos no processo.

As alterações serão efectuadas de forma gradual, e passarão a ser obrigatórias


a partir de 2012.

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A ministra da Cultura portuguesa anunciou que em Janeiro de 2010 foi dada
ordem para que a impressão do Diário da República passe a ser efectuada segundo o
novo Acordo Ortográfico.

Do ponto de vista da tecnologia;

As tecnologias que existem actualmente tem tido um papel muito importante


neste novo acordo ortográfico, desde a sua divulgação, quer através de programas de
televisão, quer na internet em jornais online, blogues, e outras páginas este acordo
tem sido amplamente divulgado, e hoje o povo dos vários países evolvidos, têm muito
mais informação disponível sobre este assunto.

Subsistem, ainda, muitas dúvidas sobre a aplicação prática do novo acordo


ortográfico e é aqui que as novas tecnologias podem e tem tido um papel muito
importante.

Algumas das ferramentas mais úteis são proporcionadas pela Priberam, espe-
cialista no desenvolvimento de software para o tratamento computacional da língua
portuguesa, de ferramentas de informação jurídica e de tecnologia para motores de
pesquisa.

Entre os seus produtos figuram o bem conhecido FLiP, a bases de dados jurídica
LegiX e também o novo corrector Aurélio, disponibilizado no Brasil.

Enquanto a aplicação efectiva do acordo não entra em prática, a maior enciclo-


pédia on-line já começou a adoptar as novas regras. Todos os textos introduzidos a
partir de agora na Wikipédia já podem seguir as novas directrizes da língua portugue-
sa.

Devido ao período de transição em que as grafias serão usadas em simultâneo,


o utilizador das ferramentas da Priberam terá a opção de escolher se pretendem
escrever segundo o novo acordo ou não.

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Desde o dia 1 de Janeiro de 2010, a norma passa a ser preferencial, ou seja
todas as páginas oficiais da Wikipédia em Língua Portuguesa passam a ser escritas de
acordo com o novo acordo ortográfico de 1990.

Uma coisa é certa, as novas tecnologias serão fundamentais para uma rápida e
eficaz implementação deste acordo, algo que não tinha acontecido no passado.

Ciência;

Como sabemos o tema do novo acordo ortográfico tem gerado muita contro-
vérsia principalmente na sociedade Portuguesa mas também na Brasileira, inúmeros
debates têm sido feitos, muitas opiniões dadas e parece que ninguém consegue chegar
a um consenso.

Foi elaborada, pelos portugueses, uma petição contra o novo acordo ortográfi-
co, que registou uma boa adesão, segundo os últimos dados disponíveis já existiam
mais de 110140 assinaturas em 23 de Abril de 2009. As assinaturas foram entregues ao
Ex.ª o Senhor Presidente da Assembleia da República.

Eis os pontos de vista de quem está a favor deste acordo:

Uniformizar a Língua Portuguesa.


Aproximar os povos.
Dar um maior reconhecimento à Língua Portuguesa.
Simplificar a língua.

«Para que possamos todos trabalhar em conjunto, o acordo é fundamental.


Como podemos trabalhar, se um diz ‘actual’ e o outro ‘atual’?» Celso Amorim, Ministro
das Relações Exteriores do Brasil, em Lisboa, 2/11/2007.

O reitor da Universidade Lusófona do Porto (ULP), Fernando Santos Neves,


defende que “Portugal não perde a honra ao ratificar o Acordo Ortográfico” e “quem
insiste em contestá-lo, está com o síndroma salazarista.” Fernando Santos Neves, Rei-
tor da ULP, em 4/6/2008.

E de quem está contra;

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“O Acordo Ortográfico é um acto colonial do Brasil sobre Portugal com regras
que não são recíprocas”, afirmou à Lusa o escritor e jornalista português Miguel Sousa
Tavares, continuando "Acho um projecto idiota, e pode ser prejudicial em muitos paí-
ses. Querem unificar o português em todo o mundo falante de língua portuguesa. Não
vai ser em Portugal nem no Brasil porque temos 500 anos de trabalho e a nossa língua
efectiva, mas em Angola apenas dez por cento fala bem português, e o resto não fala".

Vasco Graça Moura diz “Tudo isto é uma chuchadeira. Um país que preza ver-
dadeiramente a sua cultura e a sua língua devia sentir e exprimir a mais profunda das
vergonhas pelo que está a acontecer”, no Diário de Notícias em 04.03.2009.

«O Acordo é uma penumbra que vai cair sobre a língua portuguesa.»


Paulo Gonçalves, Porto Editora, no Público.

«Nenhum órgão de soberania tem poderes para instituir sobre a língua portu-
guesa. A língua é um legado de séculos, uma obra de Cultura. Digo um rotundo não ao
acordo ortográfico.», Vitorino Magalhães Godinho, entrevista ao Expresso de
10/5/2008.
«Há acordos assináveis, sem grandes problemas e há outros que são de não
assinar. O acordo recentemente assinado tem pontos que merecem séria contestação
e é, frequentemente... uma simples consagração de desacordos.» Direcção Geral do
Ensino Básico e Secundário, Parecer sobre o Acordo Ortográfico, 1991.

Do meu ponto de vista, e respondendo aos pontos de vista de quem está a


favor argumento:

Uniformizar a Língua Portuguesa. Como todos sabemos, os Brasileiros, bem


como os Africanos de Língua oficial portuguesa, apresentam na sua forma de falar e
escrever algumas diferenças e peculiaridades em relação a nós, Portugueses. Convém,
quanto a mim salientar, que a diferença entre as variantes da língua, não se resume à
ortografia. Como exemplos? O uso do gerúndio, o uso de palavras diferentes (todos se
lembram do anúncio pimbolim é matraquilhos!). Portanto, a Língua Portuguesa não vai
ficar igual em todo o lado. As variantes continuarão a existir. Aliás, quando falam que
determinada nova regra é facultativa consoante as pronúncia, não estamos a uniformi-
zar nada, estamos simplesmente a dizer que uma coisa escrita tanto assim como assa-

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do, está correcta. Isto não é uniformizar, é desregrar. É dizer que com tanta coisa
“facultativa” vamos deixar de saber o que está certo ou errado. Bem basta vermos por
ai tanta atrocidade à nossa língua, com erros ortográficos. Assim deixamos de saber o
que é erro ou não… ou melhor, nada é erro, portanto temos de nos preocupar menos
ainda em escrever correctamente. Será que isto é uniformizar a língua, em prol de um
bem comum? A mim parece que não.

Aproximar os povos. Em seguimento do ponto anterior, tudo isto do acordo


tem servido para dizer que esta é uma forma de nos aproximar dos outros povos que
falam o Português. Não haveria outras provas de “não racismo” que pudessem ser
dadas, ao invés do “vamos deturpar a nossa própria língua, para que não digam que
somos racistas?”. É que sinceramente, o argumento do racismo não tem absolutamen-
te nada a ver com isto. É legitimo que o povo Brasileiro, tanto como o Africano,
tenham adaptado a língua que usam (o Português), às suas raízes e cultura. Acho que
todos nós reconhecemos que há diferenças (e quanto a mim significativas), mas tam-
bém todos reconhecemos que não é por elas que nos deixamos de entender uns com
os outros. A língua é a mesma, mas são variantes diferentes. Não estamos a deturpar a
cultura, tanto a nossa, como a deles, ao tentar fazer alterações que não levam a nada?

Dar um maior reconhecimento à Língua Portuguesa. Mas vai ser mais reconhe-
cida porque deixamos de usar os c’s e os p’s e outros que tais? Vão existir várias
variantes, como existiam antes. Vamos todos falar português, como falávamos antes.
Não percebo o propósito, a mim parece-me uma utopia, que estas alterações façam
com que a língua seja mais ou menos reconhecida do que é agora.

Simplificar a língua. Sim, isto é usado como argumento! “Como há muitos anal-
fabetos, assim seria mais fácil para aprenderem”. Tal como é óbvio isto não serve para
simplificar nada. As pessoas aprendem da forma que lhes for ensinado, estas altera-
ções não são de forma alguma facilitadoras da aquisição da linguagem. Não será preci-
samente o contrário, até? Às duas por três, com as alterações, as pessoas até deixam
de saber “afinal, qual é a forma correcta de escrever isto e aquilo?”. Com tanta coisa
“facultativa” a resposta deve ser: é como vos apetecer. Então, diminuímos os erros,
porque diminuímos as regras. Isto não será estupidificar as pessoas?

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Então se os grandes argumentos para este acordo são estes, quanto a mim, são
grandes falácias, que se tiverem algum verdadeiro objectivo, este será puramente polí-
tico.

Conclusão:
Não pode haver uma conclusão sobre algo que ainda não está concluído. A única cer-
teza é que o acordo está aí e com ordens para ser aplicado, pelo menos a princípio,
todo o cidadão que tem o português como a sua língua oficial, tem a obrigação legal
de se adaptar. Contudo, há uma grande diferença entre a obrigação legal e o que vai
acontecer na realidade no dia-a-dia das pessoas.

Opiniões contra e favoráveis, existem aos montes, basta perguntar a cada um o que
acha disto. Os jovens poderão adaptar-se com mais facilidade, mas alguns continuarão
sem saber escrever seja qual for a ortografia adoptada; algumas pessoas recusar-se-ão
a voltar às aulas e a aplicar estas novas regras; escritores há que rejeitarão a moderni-
dade e outros nem sequer irão precisar de revisores para as suas obras.

A única certeza com que fico, é que vários erros foram cometidos na elaboração deste
acordo, não é perfeito, como nada o é, só o tempo poderá vir a dar razão a uns ou a
outros.

Webgrafia
http://emdefesadalinguaportuguesa.blogspot.com/

http://www.publico.clix.pt/Cultura/miguel-sousa-tavares-acordo-ortografico-e-acto-

colonial-do-brasil_1401621

http://tv1.rtp.pt/noticias/?article=165192&visual=3&layout=10

http://orto.no.sapo.pt/c00.htm

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult510u322182.shtml

http://emdefesadalinguaportuguesa.blogspot.com/search/label/100%20000%20assina

turas

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