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O CONTRIBUTO DAS TIC PARA A EDUCAÇÃO

“Uma escola à margem da


comunidade

não faz nenhum sentido e é uma


aberração

condenada a desaparecer”

João Pedro da
Ponte

Pessoalmente partilho da ideia deste autor, no sentido em que uma


escola mais rica em recursos humanos e materiais, se precisa. A escola de
hoje só fará sentido se for capaz de desenvolver projectos próprios e
diversificados, evidentemente, com a ajuda imprescindível das novas
tecnologias da informação e da comunicação.

Na verdade, as TIC trazem um contributo importante para o processo


educativo, no que toca ao acesso à informação e como instrumento de
transformação, que, por sua vez, gera nova informação (textos, imagens,
sons, documentos multimédia, etc.). Constituem-se como um meio de
comunicação à distância permitindo o trabalho colaborativo (envio de
mensagens, documentos, vídeos, etc.), possibilitando novas formas de
interacção social.

A minha experiência pessoal de vinte e oito anos de serviço no Pré-


Escolar, permite-me reflectir sobre a importância das TIC no
desenvolvimento das crianças com idades compreendidas entre os três e os
seis anos de idade. Assim, quanto ao desenvolvimento da linguagem, os
jogos de computador potenciam um discurso mais complexo e fluente,
enquanto que alguns programas mais abertos que encorajam a exploração
e a fantasia, estimulam a criança a usar a linguagem para descrever as suas
produções e emoções. Por outro lado, a interacção com os computadores
desenvolve a comunicação verbal e a colaboração entre as crianças,
proporcionando situações de conflito sócio-afectivo propiciadoras de
aprendizagem. Também as TIC se revelam eficazes na linguagem escrita,
através da utilização de processadores de texto que proporcionam à criança
oportunidades de construírem conhecimentos relativos à representação
simbólica e ao desenvolvimento da literacia. Os livros interactivos
contribuem para o desenvolvimento do vocabulário, sintaxe e
reconhecimento de palavras. A consciência fonológica pode ser trabalhada
através de programas interactivos com forte componente áudio. Contudo, o
papel das TIC no desenvolvimento da linguagem assume extrema
importância no sentido em que resolve problemas reais (avisos, receitas,
listas de compras, ou outras, etc.), tornando-se altamente motivador e
estimulador para a descoberta da comunicação escrita.

No que concerne ao desenvolvimento do pensamento matemático, os


computadores estimulam a emergência de alguns conceitos:
reconhecimento de formas, contagem, classificação, aumentando as
possibilidades de desenvolvimento de competências neste domínio. O
desenvolvimento do pensamento geométrico e espacial através de
conceitos de simetria, padrões, entre outros, permite à criança que opera
num computador, interiorizar novos processos e novas ferramentas
mentais, que lhe permitem resolver problemas, estimulando o pensamento
criativo, logo, o conhecimento metacognitivo.

Quanto à área do conhecimento do mundo, a Internet apresenta-se


como um veículo divulgador do que se passa na sala de actividades e no
meio mais próximo, mas também como acesso a pessoas e imagens, bem
como a informações mais longínquas que possibilitam às crianças as
respostas rápidas à sua insaciável curiosidade. A publicação de trabalhos
em papel ou online, a utilização de câmaras digitais, a participação em
blogues ou sites, permite a comunicação com outras pessoas,
representando e partilhando experiências. Desta forma, estimulam-se as
capacidades comunicativas, desenvolve-se a apetência pela escrita,
permitindo que a criança descubra e conheça, contribuindo para uma
melhor compreensão do mundo, tão multicultural como é o nosso. Assim, as
crianças aprenderão a ter comportamentos transculturais positivos, no
sentido de serem futuros cidadãos de uma sociedade que se quer mais justa
e tolerante, conscientes da riqueza da diversidade

Esta minha reflexão não se adequa, contudo, à realidade da


generalidade dos Jardins de Infância. Em muitos deles, os computadores,
quando existem, são o chamado “lixo informático”, extremamente lentos e
desmotivadores. A Internet não está instalada e as impressoras, ou não
existem, ou não são mantidas a funcionar por falta de verbas. Porém, não
quero fazer passar uma visão de desânimo. Existem muitos educadores que
desenvolvem atitudes positivas numa perspectiva de abertura à mudança,
adaptando-se às TIC, quase sempre pelos seus próprios meios, colocando os
seus equipamentos informáticos ao serviço das suas crianças e famílias. Por
outro lado, procuram adquirir competências fundamentais no uso das TIC,
envolvendo-se em projectos de auto formação.

As TIC como uma linguagem de comunicação, constituem um


instrumento de trabalho imprescindível no mundo de hoje, que é necessário
conhecer e dominar. São tecnologias versáteis e poderosas que se adequam
a variados fins, merecendo, por isso, uma atitude crítica por parte dos
utilizadores. Constituem ainda um suporte de desenvolvimento humano na
dimensão pessoal, social, cultural, lúdica, cívica e profissional. Por todas
estas razões poderão ajudar a garantir e a estimular o protagonismo do
professor, tanto na escola como na sociedade.
Em meu entender, torna-se imperioso formar os educadores e
premente dotar os Jardins de Infância com as novas tecnologias da
informação e comunicação. Essa responsabilidade cabe, não só ao estado
mas, também, à sociedade em geral, uma vez que, como se regista no início
desta reflexão, a escola não pode viver dissociada da comunidade. E, como
preconizam as Orientações Curriculares (1997,17) “A educação pré-escolar
é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo
da vida”.