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Interpretação de Textos Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20

Interpretação de Textos

Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20

O conteúdo de interpretação de textos costuma ser muito incidente em provas de concurso. Para cada base textual, cerca de 4 ou 5 questões desse assunto são cobradas. Nem sempre o candidato entende o que deve responder, ou mesmo o texto que acabou de ler. Isso é o que torna essa parte tão importante: a dificuldade que a maioria do povo tem para interpretar textos.

Fundamentalmente, o problema se centra no hábito de leitura, que poucos têm. Como não praticam a leitura, as pessoas dificilmente reconhecem uma tipologia textual, uma inferência ou uma analogia. Pensando nisso, vamos dividir o conteúdo em partes menores e, de modo sucinto, solucionar os problemas de interpretação.

Tipologia Textual

Todo texto é concebido para ser veiculado em determinado espaço, tempo e suporte de divulgação.
Todo texto é concebido para ser veiculado em determinado espaço, tempo e
suporte de divulgação. Isso quer dizer que há características próprias que fazem os
textos serem agrupados em tipos, daí a noção de tipologia. Há muita discussão
acadêmica a respeito de quais sejam as tipologias e suas características; aqui, no
entanto, vamos nos limitar a entender os princípios básicos de análise dessas
estruturas.
Primeiramente, é necessário observar o critério de predominância. Isso quer dizer
que vamos analisar um texto por aquilo que ele mais apresenta: se apresenta fatos,
se apresenta ações, se apresenta opiniões, cada item permite classificar as tipologias
em:
Narração: tipo de texto que está centrado nas ações de personagens.

Descrição: tipo de texto que está focado em apresentar características de algo ou de alguém.

Dissertação: tipo de texto que se preocupa em apresentar conceitos e opiniões sobre determinado fato ou assunto.

Charge: texto que mistura linguagem verbal (escrita) e não verbal (desenhada), a fim de estabelecer algum tipo de crítica ou opinião a respeito de algo definido no espaço e no tempo.

Texto instrucional: texto que apresenta instruções sobre como fazer algo. Exemplos são receitas, manuais ou guias.

Dentre as tipologias mais cobradas, destacam-se:

Texto Narrativo Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20 • Foco nas ações : portanto,

Texto Narrativo

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Foco nas ações: portanto, preste atenção ao emprego dos verbos. Usualmente, os verbos são empregados no pretérito perfeito do indicativo.

Personagens: são os indivíduos que praticam as ações da narração. Uma dica interessante é atentar para suas características e o comportamento que demonstram.

Espaço: é o local em que as ações ocorrem. Se houver mais de um lugar, chamamos de espaço aberto; se houver ação em apenas um lugar, chamamos de espaço fechado.

Tempo: pode ser bem marcado (cronológico); não marcado e desregrado (psicológico); ou não marcado, mas linear (tempo da narrativa).

Ação: o que motiva a narração. Praticamente é o papel de cada personagem.

• Narrador: voz que narra as ações. Pode ser personagem (protagonista ou coadjuvante) ou ainda
• Narrador: voz que narra as ações. Pode ser personagem (protagonista ou
coadjuvante) ou ainda estar fora da estória narrada.
Texto Descritivo
• Foco nas características: portanto, abundam os adjetivos e os verbos de
ligação.
• Descrição objetiva: é realizada sem transparecer sentimentos, principalmente
com adjetivos caracterizadores.
• Descrição subjetiva: é realizada transparecendo sentimentos, principalmente
com adjetivos qualificadores.

Texto Dissertativo

O texto é dito dissertativo, quando carreia opiniões, argumentos, teses e pontos de vista. Há duas orientações fundamentais para classifica-lo.

Dissertativo-expositivo: é o tipo de texto que não busca persuadir o leitor, apenas informar ou explicar algo. Esse tipo de texto é muito comum em reportagens ou notícias de jornal.

Dissertativo-argumentativo: é o tipo de texto que levanta uma tese a respeito de algo e tenta convencer o leitor dessa tese, ou seja, busca a persuasão de quem lê. Para isso, o texto dissertativo argumentativo possui uma estratégia argumentativa, que costuma ser alvo dos questionamentos da banca.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20 Leitura e Interpretação de Textos Muito da interpretação

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Leitura e Interpretação de Textos

Muito da interpretação de textos está relacionado com a capacidade de reconhecer os assuntos do texto e as estratégias de desenvolvimento de uma base textual. Para que isso seja possível, convém tomar três providências:

Eliminação dos vícios de leitura: para concentrar-se melhor na leitura.

Organização: para entender o que se pode extrair da leitura.

Conhecimento da tradição da banca: para optar pelas respostas que seguem o padrão comum da banca examinadora.

Vícios de leitura

Movimento: consiste em não conseguir estudar, ler, escrever etc. sem ficar arrumando algum subterfúgio para distrair-se. Comer, beber, ouvir música, ficar no sofá, brincar com o cachorro são coisas que devem ser evitadas no momento de estudar.

• Apoio: o vício do apoio é péssimo para a leitura, pois diminui a velocidade
Apoio: o vício do apoio é péssimo para a leitura, pois diminui a velocidade e a
capacidade de aprofundamento do leitor. Usar dedo, régua, papel ou qualquer
coisa para “escorar” as linhas significa que você está com sérios problemas de
concentração.
Garoto da borboleta: se você possui os vícios anteriores, certamente é um
“garoto da borboleta”. Isso quer dizer que você se distrai por qualquer coisa e
que o mínimo ruído é suficiente para acabar com o seu fluxo de leitura. Já deve
ter acontecido: terminou de ler uma página e se perguntou: “que foi mesmo
que eu li”. Pois é, você só conseguirá se curar se começar a se dedicar para
obter o melhor de uma leitura mais aprofundada.
Organização leitora:
Posto: trata-se da informação que se obtém pela leitura inicial.

Pressuposto: trata-se da informação acessada por meio do que não está escrito.

Subentendido: trata-se da conclusão a que pressuposto.

Veja o exemplo abaixo:

se chega

ao

unir posto

e

Cientistas dizem que pode haver vida extraterreste em algum lugar do espaço.

Dicas de Organização de Leitura

1. Ler mais de uma vez o texto: para ter certeza do tema e de como o autor trabalha com o assunto.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20 2. Atentar para a relação entre os parágrafos

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2. Atentar para a relação entre os parágrafos: analisar se há conexão entre eles e como ela é feita. Se há explicação, contradição, exemplificação etc.

3. Entender o comando da questão: ler com atenção o que se pede para responder adequadamente.

4. Destacar as palavras de alerta: palavras como “sempre”, “nunca”, “exclusivamente”, “somente” podem mudar toda a circunstância da questão, portanto elas devem ser destacadas e analisadas.

5. Limitar a interpretação: cuidado para não interpretar mais do que o texto permite. Antes de afirmar ou negar algo, deve-se buscar o texto como base.

6. Buscar o tema central dos textos: é muito comum que haja questões a respeito do tema do texto. Para captá-lo de maneira mais objetiva, atente para os primeiros parágrafos que estão escritos.

7. Buscar a ancoragem das inferências: uma inferência é uma conclusão sobre algo lido ou
7. Buscar a ancoragem das inferências: uma inferência é uma conclusão
sobre algo lido ou visto. Para que seja possível inferir algo, deve haver um
elemento (âncora) que legitime a interpretação proposta pelo examinador.
Agora é hora de pôr a mão na massa e fazer alguns exercícios!
Exercícios
Aprendo porque amo
Recordo a Adélia Prado: “Não quero faca nem
queijo; quero é fome”. Se estou com fome e gosto de
queijo, eu como queijo
Mas e se eu não gostar de

queijo? Procuro outra coisa de que goste: banana,

pão com manteiga, chocolate

de figura se minha namorada for mineira, gostar

de queijo e for da opinião que gostar de queijo é uma

questão de caráter. Aí, por amor à minha namorada,

eu trato de aprender a gostar de queijo.

Lembro-me do filme “Assédio”, de Bernardo Bertolucci.

Mas as coisas mudam

A história se passa numa cidade do norte da

Itália ou da Suíça. Um pianista vivia sozinho numa

casa imensa que havia recebido como herança. Ele

não conseguia cuidar da casa sozinho nem tinha dinheiro

para pagar uma faxineira. Aí ele propôs uma

Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20 troca: ofereceu moradia para quem se dispusesse a

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troca: ofereceu moradia para quem se dispusesse a

fazer os serviços de limpeza.

Apresentou-se uma jovem negra, recém-vinda

da África, estudante de medicina. Linda! A jovem fazia

medicina ocidental com a cabeça, mas o seu coração

estava na música da sua terra, os atabaques,

o ritmo, a dança. Enquanto varria e limpava, sofria

ouvindo o pianista tocando uma música horrível:

Bach, Brahms, Debussy

se apaixonou por ela. Mas ela não quis saber de namoro.

Achou que se tratava de assédio sexual e despachou

o pianista falando sobre o horror da música

Aconteceu que o pianista

que ele tocava. O pobre pianista, humilhado, recolheu-se à sua desilusão, mas uma grande transformação
que ele tocava.
O pobre pianista, humilhado, recolheu-se à sua
desilusão, mas uma grande transformação aconteceu:
ele começou a frequentar os lugares onde se
tocava música africana. Até que aquela música diferente
entrou no seu corpo e deslizou para os seus dedos.
De repente, a jovem de vassoura na mão come-
çou a ouvir uma música diferente, música que mexia
com o seu corpo e suas memórias
E foi assim que
se iniciou uma estória de amor atravessado: ele, por
causa do seu amor pela jovem, aprendendo a amar
uma música de que nunca gostara, e a jovem, por

causa do seu amor pela música africana, aprendendo

a amar o pianista que não amara. Sabedoria da psicanálise:

frequentemente, a gente aprende a gostar

de queijo por meio do amor pela namorada que gosta

de queijo

Isso me remete a uma inesquecível experiência

infantil. Eu estava no primeiro ano do grupo. A professora

era a dona Clotilde. Ela fazia o seguinte: sentava-se

numa cadeira bem no meio da sala, num lugar

onde todos a viam acho que fazia de propósito, por

maldade , desabotoava a blusa até o estômago,

Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20 enfiava a mão dentro dela e puxava para

Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20

enfiava a mão dentro dela e puxava para fora um seio

lindo, liso, branco, aquele mamilo atrevido

meninos, de boca aberta

que cinco segundos, porque ela logo pegava o nenezinho

e o punha para mamar. E lá ficávamos nós,

sentindo coisas estranhas que não entendíamos: o

corpo sabe coisas que a cabeça não sabe.

Terminada a aula, os meninos faziam fila junto

à dona Clotilde, pedindo para carregar sua pasta.

Quem recebia a pasta era um felizardo, invejado.

Como diz o velho ditado, “quem não tem seio carrega

E nós,

Mas isso durava não mais

pasta”

Mas tem mais: o pai da dona Clotilde

era dono de um botequim onde se vendia um doce chamado “mata-fome”, de que nunca
era dono de um botequim onde se vendia um doce
chamado “mata-fome”, de que nunca gostei. Mas eu
comprava um mata-fome e ia para casa comendo o
mata-fome bem devagarzinho
Poeticamente, trata-se
de uma metonímia: o “mata-fome” era o seio
da dona Clotilde
Ridendo dicere severum: rindo, dizer as coisas
sérias
Pois rindo estou dizendo que frequentemente
se aprende uma coisa de que não se gosta por se
gostar da pessoa que a ensina. E isso porque — lição
da psicanálise e da poesia — o amor faz a magia
de ligar coisas separadas, até mesmo contraditórias.

Pois a gente não guarda e agrada uma coisa que

pertenceu à pessoa amada? Mas a “coisa” não é a

pessoa amada! “É sim!”, dizem poesia, psicanálise e

magia: a “coisa” ficou contagiada com a aura da pessoa

amada.

[ ]

A dona Clotilde nos dá a lição de pedagogia:

quem deseja o seio, mas não pode prová-lo, realiza

o seu amor poeticamente, por metonímia: carrega a

pasta e come “mata-fome”

ALVES, R. O desejo de ensinar e a arte de aprender. São

Paulo: Fundação Educar, 2007. p. 30. Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20 1 -

Paulo: Fundação Educar, 2007. p. 30.

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1 - (CESGRANRIO) Por meio da leitura integral do texto, é possível inferir que o gosto pelo conhecimento

(A)

é inerente a todos os indivíduos.

(B)

se constitui num processo de afetividade.

(C)

tem o desinteresse por consequência.

(D)

se vincula ao desejo efêmero de ensinar.

(E)

se forma a partir da autonomia do sujeito.

Resposta: B

Justificativa:

Ridendo dicere severum: rindo, dizer as coisas

sérias Pois rindo estou dizendo que frequentemente se aprende uma coisa de que não se
sérias
Pois rindo estou dizendo que frequentemente
se aprende uma coisa de que não se gosta por se
gostar da pessoa que a ensina. E isso porque — lição
da psicanálise e da poesia — o amor faz a magia
de ligar coisas separadas, até mesmo contraditórias.
Pois a gente não guarda e agrada uma coisa que
pertenceu à pessoa amada? Mas a “coisa” não é a
pessoa amada! “É sim!”, dizem poesia, psicanálise e
magia: a “coisa” ficou contagiada com a aura da pessoa
amada.

Notícia de Jornal

(Fernando Sabino)

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem

socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante

de fome.

Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

2 - (IBFC) No primeiro parágrafo da crônica, há uma espécie de resumo do fato narrado, que depois, ao longo dos demais, será ampliado, com a revelação de circunstâncias mais específicas sobre a morte do homem. Sendo assim, em

72 horas, para finalmente

morrer

Língua Portuguesa Interpretação de Texto Aula 20 linhas gerais, podemos inferir que, entre o primeiro

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linhas gerais, podemos inferir que, entre o primeiro parágrafo do texto e os demais, há uma relação que poderia ser sintetizada como:

a) Hipótese Confirmação

b) Fato Causa

c) Condição Fato

d) Síntese Conclusão

e) Consequência Conclusão

Resposta: B

A disseminação do vírus H1N1, causador da gripe

denominada Influenza A, ocorre, principalmente, por meio das

gotículas expelidas na tosse e nos espirros, do contato com as

4 mãos e os objetos manipulados pelos doentes e do contato com material gastrointestinal. O
4 mãos e os objetos manipulados pelos doentes e do contato com
material gastrointestinal. O período de incubação vai de dois a
sete dias, mas a maioria dos pacientes pode espalhar o vírus
7 desde o primeiro dia de contaminação, antes mesmo do
surgimento dos sintomas, e até aproximadamente sete dias após
seu desaparecimento. Adverte-se, pois, que as precauções com
10 secreções respiratórias são de importância decisiva, motivo
pelo qual são recomendados cuidados especiais com a higiene
e o isolamento domiciliar ou hospitalar, segundo a gravidade
13 de cada caso.

3 - (CESPE) Esse texto é predominantemente dissertativo.

Resposta: certo.