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Momentos decisivos no início do novo ano

No fim do mês de fevereiro encerraremos a cam- panha nacional UFOs: Liberdade de Informação Já. Em algumas semanas, o dossiê contendo o Mani- festo da Ufologia Brasileira [ao lado] e o abaixo-assi- nado da campanha será entregue ao presidente Luís Inácio Lula da Silva e a seu gabinete civil e militar. Será um momento histórico para a Ufologia Brasilei- ra, que se organizou, defendeu a proposta e mostrou que está coesa em torno de um ideal comum. Cerca de 20 mil pessoas já assinaram o manifesto que pede liberdade de informação sobre os UFOs. Se você ain- da não o fez, há tempo. Não perca a chance de colo- car seu nome na história de nossa Ufologia. Conhecer a ação de autoridades em relação ao Fenômeno UFO é um direito legítimo e inaliená- vel de cada cidadão brasileiro. Se nosso governo pesquisaoassunto, temos quesaber comoequais são seus resultados. Através do movimento UFOs:

Liberdade de Informação Já estamos mostrando nossa capacidade de organização ao Governo. A comunidadeufológicanacional estásuficientemente amadurecida para requerer a abertura dos arquivos secretos de nossas Forças Armadas quanto às ma- nifestações ufológicas que há mais de 50 anos acon- tecem e são por elas registradas. Esse fato está exaustivamente provado em mais de 400 páginas de documentos oficiais já obtidos por vias indiretas do Governo Brasileiro e disponibilizados no site da REVISTA UFO [www.ufo.com.br]. Ufologia Brasileira nunca mais será a mesma após este movimento. Ela emerge desta campanha fortalecida,maismaduraeexperiente,mostrandosua capacidade de ação em conjunto, com ufólogos das mais diversas linhas de pensamento falando a mes- ma língua: a da liberdade de informações e respon- sabilidade no tratamento do Fenômeno UFO.

A Comunidade Ufológica Brasileira, representada por ufólogos individuais e grupos de pesquisas, investigadores, es- tudiosos e simpatizantes da Ufologia, que firmamo presente abaixo-assinado, reú- ne-se atravésdestedocumento, sobcoor-

denação da REVISTA UFO, para se dirigir às autoridades brasileiras, neste ato repre-

sentadaspeloexcelentíssimosenhorpre-

sidente da República e pelo ilustríssimo senhor comandante da Aeronáutica, para apresentar os seguintes fatos:

1. É de conhecimento geral que o Fe-

nômeno UFO, manifestado através de constantes visitas de veículos espaciais ao planeta Terra, é genuíno, real e con- sistente, e assim vem sendo confirma- do independentemente por ufólogos ci- vis e autoridades militares de todo o

mundo, há mais de 50 anos.

2. O fenômeno já teve sua origem

suficientemente identificada como sen- do alheia aos limites de nosso plane- ta, os veículos espaciais que nos visi- tam de forma tão insistente são origi- nários de outras civilizações, provavel- mente mais avançadas tecnologica- mente que a nossa, e coexistem co- nosco no universo, ainda que não co- nheçamos seus mundos de origem.

3. Tais civilizações encontram-se

num visível e inquestionável processo de contínua aproximação à Terra e de nossa sociedade planetária e, assim

MANIFE

UFOLOGIA

Versão ampliada a

agindo em suas manobras e atividades, na grande maioria das vezes não demonstram hostilidade para conosco.

4. É notório que as visitas de tais civiliza-

ções não-terrestres ao nosso planeta têm aumentadogradativamentenosúltimosanos, segundo comprovam as estatísticas nacionais e internacionais, tanto em quantidade quan- to em profundidade e intensidade, represen- tando algo que requer legítima atenção.

5. Em virtude do que se apresenta, é ur-

gente que se estabeleça um programa oficial de conhecimento, informação, pesquisa e respectiva divulgação pública do assunto, de forma a esclarecer à população brasileira a

respeito da inegável e cada vez mais cres- cente presença extraterrestre na Terra.

Assim, considerando atitudes assumidas publicamente em vários momentos da história, por países que já reconheceram a gravidade do problema, como Chile, Bélgica, Espanha, Uru-

guai eChina, respeitosamenterecomendamos que o Ministério da Aeronáutica da República

Federativa do Brasil, ou algum de seus organis-

mos,apartirdesteinstante,formuleumapolíti-

Todos os ufólogos, pesquisadores, leitores eentusiastas daUfologiapodemparticip

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Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

:: www.ufo.com.br www.ufo.com.br :: :: Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106 Janeiro 2005 –

STO DA BRASILEIRA

pós o I UFO Minas

ca apropriada para se discutir o assunto nos ambientes, formatoseníveisconsideradosne- cessários. A Comunidade Ufológica Brasileira, neste ato representada pelos estudiosos na-

cionais abaixo-assinados, com total apoio da Co- munidade Ufológica Mundial, deseja oferecer

voluntariamenteseusconhecimentos,seuses-

forços e sua dedicação para que tal proposta venha a se tornar realidade e que tenhamos o reconhecimento imediato do Fenômeno UFO. Comomarcoinicial desseprocesso, equesim- bolizaria uma ação positiva por parte de nossas autoridades, a Comunidade Ufológica Brasilei- ra respeitosamente solicita que o referido Mi-

nistério abra seus arquivos referentes a pelo menos três episódios específicos e marcantes da presença de objetos voadores não identifi- cados em nosso Território:

(a) A Operação Prato, conduzida pelo I Comando Aéreo Regional (COMAR), de Be- lém (PA), entre setembro e dezembro de 1977, que resultou em volumoso compên- dio que documenta com mais de 500 foto- grafias e inúmeros filmes a movimentação de UFOs sobre a Região Amazônica, da for- ma como foi confirmado pelo coronel Uyran- gê Bolívar Soares de Hollanda Lima.

(b) A maciça onda ufológica ocorri-

da em maio de 1986, sobre os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, entre outros, em que mais de 20 objetos vo- adores não identificados foram obser- vados, radarizados e perseguidos por caças a jato da Força Aérea Brasileira (FAB), segundo afirmou o próprio minis- tro da Aeronáutica na época, brigadei- ro Octávio Moreira Lima.

(c) OCasoVarginha, ocorridonaque-

la cidade mineira em 20 de janeiro de 1996, durante o qual integrantes do Exército brasileiro, através da Escola de Sargentos das Armas (ESA), e membros da corporação local do Corpo de Bom- beiros capturaram pelo menos dois se- res de origem não-terrestre, segundo farta documentação já obtida pelos ufó- logos e depoimentos comprobatórios oferecidos espontaneamente por inte- grantes do próprio Exército, que toma- ram parte nas manobras de captura, tra- tamento e remoção das criaturas.

Absolutamente conscientes de que nossas autoridades civis e militares ja- mais descuidaram da situação, que tem sido monitorada com zelo e atenção ao longo das últimas décadas, sempre no interesse da segurança nacional, julga- mos que a tomada da providência aci- ma referida solidificará o início de uma próspera e proveitosa parceria.

Comissão Brasileira de Ufólogos

Exemplos a serem seguidos

na América do Sul

Em nosso continente a pesquisa científica e oficial do Fenômeno UFO já é uma realidade há décadas. No Uruguai, há nada menos que 25 anos, está estabelecida uma entidade oficial de

pesquisas ufológicas alojada dentro da Força Aé- rea do país. Há mais de 8 anos o Chile, em exem- plo idêntico, possui uma organização aberta e mista de pesquisas ufológicas sediada em sua Diretoria Geral de Aviação Civil. Esses países são

exemplos pioneiros na América Latina em admitir

às suas populações que o Fenômeno UFO é coi-

sa séria, importante, que precisa e está sendo por eles investigado. Além dessas nações, Fran- ça, Espanha, Bélgica, Rússia, China e, mais re- centemente, o México admitem abertamente a existência de outras civilizações no universo – in- clusive que diversas delas estão há tempos nos visitando e observando nossos passos. Não podemos ignorar a experiência dos vizi- nhos e devemos seguir seu exemplo. O Brasil, que tem maior Território, maior desenvolvimento econômico e maior população da América do Sul, pode vir a liderar as outras nações na forma como

trata a manifestação ufológica. Isso não é utopia

e depende apenas da boa vontade política de

nossas autoridades e do incentivo que pode ser dadopelaComunidade Ufológica Brasileira, atra- vés do movimento UFOs: Liberdade de Infor- mação Já. Por isso, os ufólogos do país, atra-

vés da REVISTA UFO, conduzem esse movimen-

to com seriedade e determinação, e requerem

que o Governo Federal se alinhe com as na-

ções acima citadas, especialmente as de nos-

so continente, estabelecendo um projeto aberto

de investigação ufológica e permitindo que dele tomem parte os pesquisadores civis.

ar dacampanha. VejacomonotextoenositedaRevistaUFO: www.ufo.com.br

VejacomonotextoenositedaRevistaUFO: www.ufo.com.br Edição Edição 106 106 – – Ano Ano 21 21 – –

Edição Edição 106 106 – – Ano Ano 21 21 – – Janeiro Janeiro 2005 2005

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A BUSCA DO RECONHECIMENTO

Todos os entusiastas e interessados por Ufologia, diretos ou indiretos, assim como pesquisadores, estudiosos, autores e conferencistas, de qualquer linha de pensamen- to, ligados a qualquer grupo ufológico ou não filiados a nenhum, residindo em qualquer parte do Brasil ou do exterior, de qualquer idade, religião e ideologia, podem participar da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já e ajudá-la a crescer. Basta que reconheçam como legítimos os termos expressos no Manifesto da Ufologia Brasileira, que agora contém, além do requerimento oficial para liberação dos arquivos da Opera- ção Prato e da Noite Oficial dos UFOs no Brasil, uma solicitação formal para que o

Governo admita e revele na íntegra o Caso Varginha, de 20 de janeiro de 1996. Para participar do movimento, o interessado deve firmar o abaixo-assinado publicado no site da REVISTA UFO [www.ufo.com.br] ou o da página ao lado (um ou outro). Um convite especial é feito aos leitores e assinantes da publicação, que conhecem sua serieda- de e obstinação para com a verdade, em duas décadas de história, agora expressas na campanha que a revista veicula. Entretanto, mais do que simplesmente firmar o abaixo-assinado, pedimos uma participação mais efetiva dos leitores e assinantes de UFO, engajando-se diretamente na divulgação deste movimento.

Campanha UFOs: Liberdade de Informação Já

Endereço: Caixa Postal 2182 — 79008-970 — Campo Grande (MS) Fax: (67) 341-0245 — Site: www.ufo.com.br — E-mail: campanha@ufo.com.br

ABRACE DE VERDADE ESSA CAMPANHA

Você pode se engajar na campanha UFOs: Liberdade de Informação Já adqui- rindo os bonés e camisetas oficiais. As camisetas estão disponíveis nos tamanhos P, M, G, GG e EG e custam R$ 28,00 (branca) e R$ 30,00 (preta). Os bonés têm tamanho único e custam R$ 32,00 (branco) e R$ 34,00 (amarelo-ouro e preto). Os preços incluem remessa postal. Para fazer seu pedido, mande carta, fax ou

e-mail ao Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV) e faça pagamento através de cheque nominal ou vale postal. Também aceitamos Visa e Mastercard, cujos números, datas de validade e códigos de segurança devem ser informados no pedido. Endereço para pedidos: Caixa Postal 2182, 79008-970 Campo Grande (MS), Fax (67) 341-0245, E-mail: shopping@ufo.com.br.

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Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

Janeiro 2005 Ano 21 Edição 106

21 – Edição 106 J a n e i r o 2 0 0 5 –

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Destaque este formulário ou xerografe

Ficha para recolhimento de assinaturas para a campanha nacional

UFOs: LIBERDADE DE INFORMAÇÃO JÁ 2005

Petição ao Governo Federal para liberação de documentos sobre Ufologia relativos à manifestação do Fenômeno UFO em nosso país, e à tomada de medidas que permitam aos ufólogos civis brasileiros participarem de suas atividades oficiais na área

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CEP: Cidade: Estado: Profissão: E-mail: 2 0 0 5 Edição 106 – Ano 21 – Janeiro

2005

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro

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Ponto de Encontro

O Papel do Ombudsman

A respeito de seu ótimo arti- go Ufologia: Buraco Negro do Incognoscível, de UFO 104, acre- dito que o motivo pelo qual a Ufologia não tem crédito peran- te a comunidade científica é o mesmo que a faz atrair tantos místicos, ou seja, o fato dela li- dar com fenômenos incompreen- síveis. Eles só deixarão de ser assim no futuro, com o avanço da ciência e da tecnologia. En- quanto isso não acontece, muita gente continuará a se aventurar em pesquisas sem o uso de mé- todos científicos e haverá espa- ço para manifestação religiosa em torno deste tema, pois os deu- ses e divindades sempre estarão além do “horizonte de eventos” do conhecimento atual.

Elio Battista Porcelli, por e-mail

Quero parabenizar a Revis- ta Ufo por ter em seus quadros a figura do ombudsman, caracte- rística de publicações avançadas e modernas, zelosas de sua repu- tação e da qualidade do que pu- blicam. Em particular, noto nas crônicas do ombudsman Carlos Alberto Reis, que leio com regu- laridade, uma clareza muito gran- de de idéias, o que beneficia as atividades da revista.

Joana Célia A. Almeida, São Paulo (SP)

Simplesmente fenomenal a matéria de Carlos Alberto Reis, Ufologia: Buraco Negro do In- cognoscível. É impressionante como o ombudsman da REVIS- TA UFO consegue expressar-se de uma forma tão clara, passando a todos a verdadeira mensagem dos perigosos caminhos que a Ufologia vem trilhando. Assim como Reis, percebo – e com cer- teza muitos leitores também – que a Ufologia atual, justamen- te pela falta de um objeto de es- tudo, vem se guiando somente por hipóteses e teorias, a maioria

8 :: www.ufo.com.br ::

hipóteses e teorias, a maioria 8 :: www.ufo.com.br :: Apesar de tão grande e fa- buloso,

Apesar de tão grande e fa- buloso, muito pouca coisa se fala sobre UFOs no continente afri- cano. Ao longo de seus mais de 20 anos, a REVISTA UFO publicou apenas alguns textos sobre o as- sunto, quase que ignorando a rica casuística daquelas terras. Acabei de vir de Angola e conhe- ço muitos países africanos, e posso testemunhar que temos lá um manancial fabuloso e ainda quase inexplorado de casos ufo- lógicos de observações e conta- tos. Mas eles são pouco conhecidos porque, além de não haver muitos ufólogos na África, as ocorrências com naves se dão em lugares selvagens e praticamente inacessíveis. Por essa razão, é de se valorizar o trabalho do consultor Pablo Villarrubia Mauso, por levantar a casuística africana no texto UFOs Sobre a África. O artigo é uma rica e inédita fonte de informações.

ELÓDIO MOURÃO G. CEGARA, Recife (PE)

infundada e sem crédito algum. Teorias devem existir, é claro, mas desde que tenham como base informações sólidas e ve- rídicas, e não apenas conclusões precipitadas distorcendo os fa- tos e apressando uma solução que sequer conhecemos.

comprador dos vídeos da referida coleção, que agora estão sendo re- lançados em DVD, e apenas me pergunto porque a REVISTA UFO demorou tanto para tomar a deci- são de converter seus excelentes documentários. De qualquer for- ma, antes tarde do que nunca.

Felipe Agnello,

Júlio César Almendres, Sorocaba (SP)

Maringá (PR)

DVDs da Revista UFO

Finalmente nossa querida UFO entrou para era digital e lançou seus DVDs. Admira- dor de tudo que a E QUIPE UFO produz, já adquiri os meus e achei sua qualidade

Simplesmente sensacionais os novos lançamentos da fase digital da VIDEOTECA UFO. Fui assíduo

Adquiri com algum receio os DVDs da trilogia Evidências Incon- testáveis, através do site da REVISTA UFO. Primeiro porque raramente faço compras pela internet e temo extravios ou mesmo golpes. E segundo porque imaginava que as imagens de UFOs anunciadas seriam um apanhado de filmes desfocados e sem qualida- de, velhos e descoloridos, que não dessem uma dimensão exata da natureza dos fenômenos, para aceitá-los como não-terrestres. Pois tive a grata surpresa de me enganar nos dois casos. Não somente fiquei muito satisfeito com o atendimento recebido após minha compra, com os produ- tos chegando rápida e seguramente ao meu endereço, como também com a qualidade das imagens dos DVDs. Fiquei abismado em saber que existe um acervo des- sa natureza, com mais de 400 minutos de filmes de UFOs em condições tão fantásticas.

IRACY COELHO D. CAMPOS, Sapiranga (RS)

muito boa. Realmente, vocês não estavam exagerando nos anúncios da trilogia Evidên- cias Incontestáveis quando disseram que os produtos teri- am qualidade compatível com material importado. Compro sempre DVDs nos Estados Unidos e vi que o material da revista não perde em nada para o que recebo de lá.

Milton Hermano Tomé, Uberaba (MG)

Mal recebi os DVDs re- cém lançados pela REVISTA

UFO e passei todas as 7 horas

e quase 20 minutos da dura-

ção da trilogia Evidências In- contestáveis na frente da tevê. Conforme avançavam as im- pressionantes imagens de UFOs em todo o mundo, em filmagens tão claras e bonitas, uma pequena multidão de pa- rentes e vizinhos foi se ache- gando. Quando vimos, passa- va das 04h00 da madrugada Fiquei muito feliz em poder mostrar a todos, em cores, por- que acredito acirradamente no Fenômeno UFO.

David Campos Puttini, por e-mail

Já abri um espaço de

grande destaque na estante de minha sala de estar para recheá-lo com os DVDs ufo- lógicos que a REVISTA UFO vai lançar daqui pra frente. Os primeiros três já estão lá

e chamam a atenção de todo mundo que me visita.

Décio Procov Stanislav, Cascavel (PR)

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106
Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106
Leitores se Manifestam Gostaria de parabenizá-los pela ousadia de levarem à fren- te este projeto

Leitores se Manifestam

Gostaria de parabenizá-los pela ousadia de levarem à fren-

te este projeto fantástico que é

a busca do novo, da procura por

respostas aos segredos do uni- verso. Somente pessoas com grande inteligência e senso de localização é que levariam adi- ante uma iniciativa tão inova- dora quanto esta.

Nielton Silva Azevedo, por e-mail

Compro a REVISTA UFO

já faz algum tempo e noto que

sua parte gráfica está melho-

rando cada vez mais, mas os

textos estão piorando muito.

A edição 103 estava de pés-

sima qualidade. Uma revista

como a UFO não pode lançar uma edição assim.

Ilton Leandro S. Júnior, Curitiba (PR)

Liberdade de Informação

No atual estágio evolutivo

da humanidade, há pessoas que

não somente acreditam que es- tamos sendo visitados e moni- torados por seres de outras es- feras, como para elas estes são eventos normais e corriqueiros. Portanto, não apresentam mo- tivo algum para questionamen- tos nem reações de espanto, medo ou dúvida. Qualquer pes-

soa com mente aberta consegue vislumbrar o cenário à sua vol-

ta e, com um pouco de bom

senso, concordará com estas colocações. Mas, infelizmente,

a corrida desenfreada atrás de

bens materiais, status e poder muitas vezes não deixa as pes- soas voltarem seus olhos para

o alto e verem que cada estrela

que brilha acima de nós é um sol, e que cada um deles certa-

mente possui um sistema pla- netário à sua volta, similar ao nosso, com planetas girando ao redor e aumentando as chances

de existir vida inteligente. Fren-

te a tudo isso, vamos torcer para

que a EQUIPE UFO tenha êxito

na campanha UFOs: Liberda-

de de Informação Já, para que

de uma vez por todas a popula-

ção seja informada a respeito

deste assunto fascinante.

Hélio Antonio Seidel, Araranguá (SC)

Acho válida a campanha feita pela REVISTA UFO para a divulgação dos incidentes en- volvendo UFOs, porém creio que os esforços serão em vão.

O governo dos Estados Unidos

controla todas as informações

a respeito dos UFOs e não per-

mitirá que os fatos cheguem ao público. Se o Governo Brasi-

leiro liberasse dados sobre os muitos eventos ufológicos que ocorrem em nosso país, que são camuflados por ele e pe- los norte-americanos, haveria represálias por parte dos Es- tados Unidos. Seriam sanções de ordem econômica e políti- ca, ameaçando o Brasil. Por isso não vejo perspectivas po- sitivas para o sucesso desse

empreendimento, mas valem

a iniciativa e a intenção desta publicação para que um as- sunto tão polêmico possa ser compartilhado por toda a po- pulação deste país.

Cláudio Bestetti Costa, por e-mail

UFO105

A REVISTA UFO fechou 2004 com chave de ouro. Os tex- tos da edição 105 estavam sim-

plesmente excelentes, com des- taque para mais uma brilhante

matéria do co-editor Marco An- tonio Petit, Ufologia, Espiritua-

lidadeeReencarnação. Também apreciei muito a entrevista com Joshua Shapiro. E de pensar que

o Brasil é um dos grandes pro-

dutores de crânios de cristal

Priscilla Ocampos Shimaru, Brasília (DF)

de cristal Priscilla Ocampos Shimaru, Brasília (DF) Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005 Como

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

Como apreciador de ficção

científica e Ufologia, sempre achei que a revista era falha em não associar essas áreas. Afi- nal, a ficção ajuda – e muito – a compreender os fatos reais ligados à presença extraterres- tre em nosso planeta. No entan- to, qual não foi minha surpresa ao encontrar o texto sobre a série The 4400 em UFO 105. O artigo Hollywood Expõe as Abduções só pecou numa coi- sa: foi muito curto. Sugiro que a REVISTA UFO explore mais o talento do consultor Renato

Azevedo e publique matérias sobre os inúmeros filmes e se-

riados de ficção científica que surgem a cada mês na tevê.

Bernardo Luís Limoncelli, Campinas (SP)

É notório o fato de que UFOs eram regularmente vistos duran- te os tempos bíblicos, assim como ETs conviviam com nos- sos antepassados de maneira bem mais aberta de como ocorre hoje. A interação de nossa raça com outras, que vinham à Terra e seus seres eram confundidos com di- vindades, deverá um dia ser ad- mitida e melhor explicada pelas autoridades religiosas mundiais. Enquanto isso não acontece, va- mos aprendendo mais sobre es- ses aspectos de nossa história com textos como Aliens nas Sa- gradas Escrituras, do bispo dom Fernando Pugliesi. Parabéns ao autor por sua clareza e coragem em levantar esses fatos.

Elaine V. Mathias, por e-mail

Planos para o ano que começa Em 2005 nossas atividades serão intensificadas de diversas formas.
Planos para o ano que começa
Em 2005 nossas atividades
serão intensificadas de diversas
formas. A UFO ESPECIAL, que vol-
tou a circular em março passado
as únicas boas novas. Também
faremos lançamentos regulares
de produtos de duas séries já
consagradas: as coleções BIBLI-
comperiodicidadebimestral,des-
OTECA e VIDEOTECA UFO. A primei-
de janeiro deste novo ano passa
aser mensal,comconteúdocada
vez mais aprofundado dentro da
temática ufológica. A série dará
apoio à tradicional UFO, veiculan-
do textos mais extensos e mate-
rial específico sobre os mais va-
rados aspectos da Ufologia. Até
abril próximo teremos outra novi-
dade para os leitores: a volta de
nossa também querida UFO DO-
CUMENTO, quetevesuacirculação
encerrada prematuramente há
quase 10 anos. Esta série será
trimestral, mas conterá farto ma-
terialdocumentalsobreapresen-
ça alienígena na Terra.
Estas notícias são sinal de
que teremos muito trabalho em
2005, quando completamos 21
anos de existência. Mas não são
ra será reativada ainda no pri-
meiro semestre, com a produ-
ção de novos títulos de autores
selecionados. Em cerca de oito
anos, a biblioteca teve 14 lan-
çamentos – quase dois por ano.
Nossos consultores já estão
com seus trabalhos em anda-
mento para breve publicação. Da
mesma forma, a videoteca, que
conta com 34 títulos lançados
em 12 anos de atividades, está
sendo convertida para formato
digital e receberá adições de no-
víssimos documentários recém
produzidos nos Estados Unidos,
Japão, Europa e Austrália. Com
todas essas atividades, certa-
mente faremos de 2005 um
dos anos mais profícuos para
a Ufologia Brasileira.

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Diálogo Aberto

Maharaja Chandramukha Swami

A vida alienígena na visão védica

Entrevista concedida a João Oliveira

V ibhishana chegou com o carro aéreo, que pa- recia uma montanha, e

disse: ‘Entrai a bordo, ele está aqui’. Quando todos se acha- vam a bordo, o imenso carro alçou vôo com o estalar de fo- gos de artifício e cataratas. Em seguida, silenciosamente, quando já subira a uma boa al- tura, virou-se para o norte, des- crevendo ampla curva ascen- dente”. Essa curiosa descrição de uma viagem num disco vo- ador poderia se encaixar perfei- tamente em centenas de rela- tos modernos de experiências de seres humanos com ETs. No entanto, esse é um trecho da obra épica hindu Ramayana, que tem mais 8 mil anos. Ele é apenas um exemplo de como a humanidade terrestre tem con- vivido com seres de outros pon- tos do universo ao longo de sua existência. E entre os povos da Terra que têm mais consciên- cia disso está, justamente, o hindu, cujas tradições religio- sas e históricas descrevem os UFOs como vimanas. No Brasil, uma das maio- res autoridades em hinduísmo é o maharaja Chandramukha Swami, profundo estudioso da cultura védica que repre- senta em sua religião – a Vaishnava , que a maioria das pessoas identifica como Hare Krishna praticamente o mesmo que um bispo repre- senta para a Igreja Católica. Chandramukha Swami atua na comunidade Vrajabhumi, situada no município de Te- resópolis, na região das serras cariocas, estando instalada

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João Oliveira
João Oliveira

O Ramayana é

repleto de referências

a UFOs, como ‘

e

de

Brahma ele recebeu o imenso carro aéreo, que era movido pelo pensamento e capaz de

voar com cavalos ou sem eles, do tamanho de uma cidadezinha e coberto de flores’

CHANDRAMUKHA SWAMI

tipos de caminhos espirituais que cada um tem a capacidade de seguir. Existe uma divisão muito grande de opções religio- sas para que uma pessoa vá gra- dativamente se elevando, até chegar no nível de perfeição que é o amor a Deus, a prática mais elevada. Existem três caminhos:

Karma, Jnana e Bhakti.

UFO Poderia nos descrever como são es- ses caminhos?

CHANDRAMUKHA

Karma é o caminho da mo- tivação material, mas tam- bém religiosa, no qual a pessoa se aproxima de Deus ou de seus agentes – os semideuses – em troca de benefícios materiais. Na Índia você encontra adoração a Kali, Shiva e a Ganesha em diferentes templos, praticada por adoradores que já têm com tais entidades uma relação e aceitam sua autoridade superior. Eles passam a ter um intercâmbio e recebem deles opulências materiais.

É depois disso – e muitas vezes

esse processo pode durar várias vidas – que a pessoa chega ao segundo estágio, Jnana. Nesse ponto a pessoa já não está mais interessada em benefícios ma- teriais, grosseiros, mas sim em conhecimento espiritual, que é justamente a Jnana. Existem outros caminhos para se che- gar lá, com austeridade, peni- tências, meditação e sacrifíci-

os. A fase final é Bhakti, tam- bém conhecida como Prema ou o amor a Deus. Neste pon- to a pessoa tem um caminho ligado diretamente à adoração

a Deus, quando a renúncia e o

desapego às coisas grosseiras, se tornam algo natural.

num vale onde os adep- tos e simpatizantes da fi- losofia Vaishnava podem participar de cerimônias, palestras, cultos e ritos em meio a uma paisagem pa- radisíaca. Ele recebeu nos- so enviado, o consultor João Oliveira, para uma longa entrevista, em que fala abertamente de obje- tos voadores não identifi- cados e seres extraterres- tres. “O maharaja é uma pessoa de grande cultura e sabedoria, e ainda assim simples e acolhedora. Ele

temprofundos ensinamen- tos sobre nosso relacionamento com ETs no passado”, relatou Oliveira, que também é comu- nicólogo, publicitário e gradu- ando de psicologia em Cam- pos dos Goitacazes (RJ). Va- mos à entrevista.

UFO Maharaja, o que é o hinduísmo e como ele fun- ciona no Brasil?

CHANDRAMUKHA — O ter-

mo hinduísmo não é encontra- do na literatura védica, por ser mais recente. A história nos con- ta que existia um rio chamado Sindhu, que dividia a antiga Pér- sia da Índia, e os persas que ten- tavam pronunciar seu nome, quando não conseguiam, fala- vam hindu. Por isso, começaram a chamar os povos do lado de lá daquele rio de hindus. Hoje em dia, o que se chama de hinduís- mo é um complexo religioso, pois a literatura védica é muito profunda e reconhece diferentes níveis de consciência dos seres humanos – além de diferentes

UFO E como esse pro- cesso se reflete no movimen- to Hare Krishna?

CHANDRAMUKHA — Bem,

são várias as formas e os pro- cessos disponíveis, e todas elas misturadas passam a ser chama- das de hinduísmo. Já o movi-

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

e todas elas misturadas passam a ser chama- das de hinduísmo. Já o movi- Janeiro 2005

British Heritage

British Heritage mento Hare Krishna está ligado a este último caminho, Bhakti, a parte da devoção

mento Hare Krishna está ligado

a este último caminho, Bhakti,

a parte da devoção amorosa a

Deus, numa visão politeísta. Existem na cultura védica os semideuses, como os Devas, que são agentes de Deus com funções específicas. Também temos Surya (o deus do Sol), Indra (da chuva) e Vayo (do ven- to), e assim por diante. São to- dos agentes de Deus.

UFO Como podemos saber quando buscar a Deus ou a um semideus?

CHANDRAMUKHA — Mesmo

que uma pessoa tenha desejos materiais a serem satisfeitos – e isso é normal – ela pode tentar atingi-los buscando a Deus. Por exemplo, uma criança, na me- dida em que se desenvolve e cresce, começa a pedir coisas para o pai, que vai achar o fato interessante e até apreciar, pois isso faz parte do avanço natural da criança. Porém, chegará um momento em que a criança cres- ce a tal ponto que não tem mais que pedir, e sim servir. Ela de- senvolverá com o pai uma ami-

zade e depois ela o servirá. Exis- te um estágio em que você é motivado materialmente a inver- ter sua posição, quando Deus passa a ser um servo e as pesso- as vão à igreja com uma lista de coisas que gostariam que Ele lhes desse. Há muitas religiões que colocam as coisas justamen-

te assim, sendo Deus meramente

como um supridor de seus de- sejos. Mas na verdade, como crianças, se formos filhos mais maduros e evoluídos, vamos também nos preocupar com o pai e ver o que ele precisa. E ele quer que tenhamos esse relaci- onamento de amor, para que também possamos ajudá-lo a distribuir esse conhecimento espiritual e alertar outros filhos. Essa é a nossa função.

UFO Na literatura védi- ca existem casos de observações de objetos voadores não iden-

tificados, assim como é fre-

qüentemente citada a existên-

cia de outros planetas e cria- turas vivendo neles. Fale-nos um pouco sobre isso.

CHANDRAMUKHA — No

conceito da cosmologia védica, nosso universo material, embo- ra muito grande, é limitado. Te- mos uma divisão entre planetas

superiores, que são chamados de celestiais, os intermediários – dos quais a Terra faz parte –, e os inferiores, chamados de in- fernais. Nos planetas superiores vivem os Devas, que são seres muitos qualificados e têm nível de consciência superior. Nos in- feriores existem os Asuras, se- res que agem sob influência de uma natureza demoníaca, nefas- ta. E nos intermediários, como

o nosso planeta, há um meio-ter-

mo, uma paixão material. As- sim, embaixo há a ignorância, acima está a bondade e aqui pre- domina a paixão.

ela é um lugar positivo, agradá- vel e cheio de recursos naturais. Em outras eras – hoje estamos na era Kali, que começou há 5 mil anos – os semideuses e os humanos viviam numa grande comunhão e havia um intercâm- bio de visitas entre seus mun- dos. Naquelas épocas, os huma- nos eram mais qualificados, de- tinham poderes místicos e via- javam através de naves chama- das vimanas, que não eram grosseiras, mas feitas de ele- mentos sutis. Mana significa mente e a palavra vimana quer dizer “nave de elemento refina- do e sutil, quase mental”.

UFO A humanidade terrestre convivia com ou- tras civilizações?

CHANDRAMUKHA — Sim, os

seres humanos tinham acesso aos planetas celestiais quando executavam atividades piedo- sas, que chamamos Punya ou Sukrti. Quando acumulavam tais qualidades, eles eram pre- miados com visitas aos mundos superiores. Por sua vez, os se- mideuses também visitavam a Terra para poder não somente

transmitirem conhecimento e uma tecnologia espiritual, mas

também para se associarem com os sábios de nosso mundo, da mesma forma que, em planetas

inferiores, outros seres faziam visitas exploratórias – é a práti- ca dual do explorar ou servir, ou se faz uma coisa ou outra. Os que vivem em planetas inferio- res querem explorar, e os que vivem nos superiores querem servir. Essa realidade sempre existiu. Por exemplo, quando Krishna veio à Terra, há 5 mil anos, a situação era exatamen- te essa. Em nosso planeta ha- via, naquela época, uma dei- dade chamada Bhumi, muito pesarosa. Os reis que governa- vam a Terra eram demoníacos

e faziam de tudo para destruir seus recursos, quando então Bhumi se aproximou de um

dos seres mais elevados da hiera rquia celeste – Brahma –

e, juntamente com outros semi-

deuses, orou e pediu ajuda.

UFO E o que aconteceu a partir daí, então?

CHANDRAMUKHA — Brah-

ma ouviu as preces de Bhumi e conduziu seu pedido a Deus, Vishnu, que tomou providênci-

as. Segundo as traduções védi- cas, Vishnu teria mandado uma mensagem à

Terra, de que viria até aqui para dar prote- ção aos seus habitantes. Disse também que todos os semideuses deveriam nas- cer em nosso

planeta para ajudá-lo na mis- são de proteger seus habitantes

bem-intencio-

nados e remo-

ver os elemen- tos perturbadores. Remover sig- nificava matar tais elementos, só que, como a alma é eterna, eles apenas abandonariam seus cor- pos terrenos e seriam transferi-

UFO Como a Terra se si- tua ante os planetas superiores e os inferiores?

CHANDRAMUKHA — Os pla-

netas ditos intermediários, como

a Terra, são sempre visados pe-

los Devas e pelos Asuras. Todos

a desejam, as- sim como ou- tros mundos

intermediári-

os, e há uma forte competi-

ção. A litera- tura védica, que remonta há milhões de anos, traz mui- tas histórias sobre tal dis-

puta. Os Pura- nas, escribas que contam as histórias mais

antigas da tra- dição védica, deixam claro que essa luta entre os demoníacos Asuras e os Devas sempre acon- teceu – e ambos sempre tenta- ram conquistar a Terra, porque

– e ambos sempre tenta- ram conquistar a Terra, porque Escultura hindu de mais de 6

Escultura hindu de mais de 6 mil anos, mostrando o povo e dig- nidades da época observando a chegada de uma carruagem espacial, uma vimana

observando a chegada de uma carruagem espacial, uma vimana Edição 106 – Ano 21 – Janeiro

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

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Diálogo Aberto

dos para planetas infernais. Essa batalha entre o bem e o mal ocor- reu com a ajuda dos semideu- ses, que vieram à Terra e parti- ciparam desse processo. Existe um diálogo muito famoso no Baghavad Gità, que descreve o que teria acontecido alguns mi- nutos antes desse conflito devas- tador, que acabou sendo chama- do de Batalha de Kuruksetra.

UFO Foram utilizadas naves espaciais nesta batalha?

CHANDRAMUKHA — Sim.

Eram armas as quais nós não tí- nhamos acesso e mesmo hoje não podemos entender, artefa- tos com poderes completamen- te sobrenaturais. Por exemplo, a Bramastra, que significa arma espiritual, era na verdade um dispositivo lançado contra as pessoas, com grande poder de destruição. Muitos semideuses participaram do conflito.

UFO Essa batalha é re- latada nas escrituras védicas. Mas também está lá que os se- mideuses chegavam à Terra em naves espaciais?

CHANDRAMUKHA — Sim.

Para nós, que estudamos os Pu- ranas e o Srimad Baghavatam, esse é um assunto completa- mente aceito e não nos surpre- ende. Para quem conhece as tra- dições védicas, a vinda de na- ves com semideuses ao nosso planeta é assunto quase banal. Assim como nós temos nossos veículos e os usamos para visi- tar alguém, seres superiores que faziam o mesmo no passado – ainda fazem. Eles têm seus veí- culos, só que não são iguais aos nossos, pois não possuem a mes- ma tecnologia limitada que pos- suímos na Terra. Seus veículos são muito superiores, até porque as distâncias que eles precisam percorrer são muito maiores. Há centenas de histórias relatadas na literatura nas quais se descre- ve como os sábios que viviam noutros planetas se valiam de seus veículos para nos visitar.

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UFO — Interessante. Não há também uma história nas tradições hindus em que um se-
UFO — Interessante. Não
há também uma história nas
tradições hindus em que um se-
mideus viria voando em sua
nave e, passando sobre uma
casa, teria visto um cidadão
com sua esposa e resolvera
roubar-lhe a mulher?
UFO — O senhor
quer dizer que além
de veículos as Garu-
das são seres vivos
com consciência?
CHANDRAMUKHA —
CHANDRAMUKHA — Sim,
existe um relato assim. Há até
histórias mais curiosas, como
aquela que descreve que um ser
caiu de sua nave porque ficou
contemplando uma mulher ter-
rena. Isso está nos livros hindus
de milhares de anos de idade.
Sim, com consciên-
cia completa. Essas
naves são uma espé-
cie de seres vivos
que transportam os
semideuses.
UFO — O que é Garuda?
CHANDRAMUKHA — Garuda
é uma palavra feminina. É o
transportador de Vishnu, que
tem a aparência de uma águia,
rosto de águia e corpo de ser hu-
mano. Garuda é também consi-
derada um Deva ou ser divino.
Assim como Brahma é transpor-
tado por um cisne e Shiva por
um touro, todos os semideuses
têm um veículo. Alguns dizem
que são naves, outros têm a ten-
dência de projetar sua experiên-
cia ao formato desses transpor-
tadores, vendo-os como aviões
ou pássaros. Mas o fato é que
são seres que têm uma consci-
ência pessoal, porque inclusi-
ve nas escrituras védicas eles
conversam entre si e dão até
instruções espirituais.
UFO — No de-
correr dos últimos 5
mil anos de história
ainda é possível que
tenha havido a ma-
nifestação destes ob-
jetos de transporte
em nosso planeta ?
CHANDRAMUKHA —
“ As vimanas eram
reluzentes e poderosas,
mas acercar-lhes
significava grande
perigo. O prudente era
esperar autorização de
seus vistosos
proprietários. Muitos de
nós eram levados por
eles para conhecer as
belezas celestiais ”
— RAMAYANA
Certamente. O pro-
blema é que hoje o
mundo está muito
conturbado e as pes-
soas são muito igno-
rantes. Por isso, as
naves têm que se ca-
muflar em suas ações na Terra,
pois pode lhes acontecer de tudo
se não o fizerem. E também,
esse não é um momento tão im-
portante para os semideuses. Es-
tamos num “subperíodo” que te-
ria começado há 10 mil anos,
muito positivo e auspicioso do
ponto de vista espiritual, embo-
ra também seja o final de uma
era muito complicada. Este é um
momento em que o divino e o
demoníaco estão muito presen-
tes e já começam a aparecer com
mais regularidade. Quem sabe
daqui a algum tempo, quando a
natureza divina se manifestar,
sua presença vai ser mais senti-
da. Até porque, nesse estágio te-
remos uma compreensão me-
lhor de nossa condição e sabe-
remos lidar com ela. Mas tam-
bém haverá na Terra a presença
de seres mal-intencionados.
Nosso guru Prabhupada nos fala
que muitos viriam de dentro da
Terra e não seriam evoluídos,
muito pelo contrário. E outros
viriam de planetas superiores.

Representação artística das vimanas, poderosos meios de transporte de vários tamanhos, constantemente observados na Índia, há mais de 5 mil anos

UFO Outra questão in- trigante sobre os seres que vi- sitaram a Terra no passado, descrita em certas fontes bibli- ográficas, diz respeito ao tem- po. Parece que o tempo para esses seres não tinha o mesmo sentido que tem para nós. É como se os nossos últimos 5 mil anos pudessem ter sido apenas algumas horas para eles.

CHANDRAMUKHA — É ver-

dade. E há outro exemplo des- se fenômeno, que se dá quan- do uma pessoa entra em coma. Ela pode ficar nesse estado por muito tempo, mas o que acon- tece é que, quando isso ocor- re, seu Karma não está defini- do. Ela pode permanecer as- sim, sem definição, porque a dimensão em que sua consci- ência está é outra. Da mesma forma, o tempo nos planetas celestiais é muito mais longo do que nos intermediários, como o nosso, assim como o dos planetas infernais também é diferente. Há insetos que vi-

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

assim como o dos planetas infernais também é diferente. Há insetos que vi- Janeiro 2005 –
vem apenas algumas horas aqui na Terra e sua sensação é de uma vida inteira.

vem apenas algumas horas aqui na Terra e sua sensação é de uma vida inteira.

UFO Quantos universos existem de acordo com a lite- ratura védica?

CHANDRAMUKHA — Uma

infinidade, qualquer coisa sem número. Não é possível con- tar. E, incontáveis, eles saem dos poros de Vishnu, o Deus. Quando ele exala ar, os univer- sos se manifestam. Quando ele inspira, eles são aniquilados. Só que a duração disso é in- concebível para nós.

UFO O senhor diria que a literatura védica e a física quântica estão muito próximas?

CHANDRAMUKHA — A física

quântica é um aspecto da filoso- fia védica. Um aspecto chama- do Sankya, ligado à ciência vé- dica. Quando nosso mestre espi- ritual Prabhupada esteve aqui na Terra, entre nós, ele escreveu um livro muito interessante, A Vida

Vem da Vida, no qual trata minuciosamen- da ciência tradicional. Como isso é possível? te
Vem da Vida, no qual
trata minuciosamen-
da ciência tradicional. Como
isso é possível?
te
de ciência – que na-
CHANDRAMUKHA — Sim,
quela época era mui-
to materialista. Mas
de 30 anos para cá
isso mudou muito e
porque essa é uma realidade e
tudo que é real você encontra
nos Vedas. Assim como você
pode se tornar um iogue, man-
a
ciência já está bas-
tante espiritualizada.
Lógico, há sempre
uma linha cética em
seu meio, mas ela
está se abrindo.
Quando houver uma
combinação da ciên-
cia material com o
processo crescente de
obter conhecimento
empírico – descen-
ter seu corpo aqui e viajar para
outros planetas em espírito,
sem naves. Isso é possível atra-
vés do Yoga, embora não re-
comendável, por estar a situa-
ção externa desfavorável para
tal prática. Porém, em outras
eras os iogues se valiam de
poderes místicos, viajavam a
diferentes planetas, voltavam
e seus corpos estavam onde os
haviam deixado, tranqüilos.
dente da literatura vé-
dica –, e a comprova-
ção de certas realida-
des, teremos um mo-
mento especial em
nossa história. Essa
ponte entre Ocidente
UFO — O senhor disse que
podemos ser visitados por se-
res superiores e inferiores,
mas existe alguma forma de
sabermos como reconhecê-los
a distância?
e
Oriente, cada dia
CHANDRAMUKHA — O pro-
mais forte, é o que há
de mais importante
para nós. É o que realmente está
criando uma revolução.
UFO — O senhor diria que
a literatura védica é algo mais
subjetivo e introspectivo ou
mais físico e científico. Os li-
vros védicos podem ser consi-
derados científicos?
CHANDRAMUKHA — Exis-
blema é que eles se disfarçam
[Risos], pois querem se passar
por divinos. Essa é uma carac-
terística que todos os seres nes-
te mundo material têm – pelo
menos os humanos e os inferi-
ores. Os superiores não têm
esse problema. Por isso não po-
demos ficar só presos a concei-
tos e devemos buscar um co-
nhecimento referencial. Se
você tem o conhecimento vé-
tem inúmeros livros védicos,
sobre todos os assuntos. Há os
que são bem objetivos e cientí-
ficos, pés-no-chão mesmo e até
com uma visão material práti-
ca e pragmática das coisas. E
há os que têm um aspecto com-
pletamente sutil e refinado, que
tratam de espiritualidade pura.
Lembre-se, Veda significa co-
nhecimento, e sabemos que
há todo tipo de conhecimen-
to na literatura hindu – políti-
ca, direito, cosmologia, astro-
nomia, astrologia etc.
UFO — Mas a literatura
védica fala de universos in-
terdimensionais muito antes
“ Os meios de
transporte mais comuns
eram o cavalo e os carros
puxados por cavalos. Mas
havia tambémcarros
aéreos de vários
tamanhos, como o
Pushpaka Vimana, que
era grande como uma
cidade e dirigido coma
força da mente ”
— RAMAYANA
James Neff
dirigido coma força da mente ” — RAMAYANA James Neff Edição 106 – Ano 21 –

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

dico, tem o entendimento da

verdade. Então, se um ser apa- rece a sua frente, o fato dele vir de outros planetas não impor- ta. Se ele está agindo de acor- do com o conhecimento védi- co, isso sim é que importa – e nesse caso ele é bem-vindo. Agora, é interessante que você tenha acesso ao Baghavad Gità, que é uma forma de con- tato direto com Deus. Você não precisa ter contato com outros seres intermediários. Vishnu veio à Terra há 5 mil anos e deixou todos os seus ensina- mentos num livro, e este li- vro não é diferente dele. O contato com essa literatura é

o contato direto com o Ser

mais elevado do mundo espi- ritual, que nem é dos plane- tas cel estiais, mas mais além. Esse contato direto podemos ter através do Baghavad Gità.

UFO Então não há duvi- das quanto à existência de vida em outros planetas, de acordo com a literatura hindu. Mas quem sou eu e quem é o senhor, de acordo com tais tradições?

CHANDRAMUKHA — Você é

uma alma infinitesimal. Você não é fulano, você está fulano. Você esteve outras coisas antes e po- derá estar novas coisas nas pró- ximas vidas. Mas vive dentro de seu corpo, um Jivatma ou alma infinitesimal. Deus é Paramatma,

a alma infinita. O que significa

isso? Significa que você está den- tro só deste corpo, não está den- tro do meu corpo nem dentro do corpo de ninguém mais, e cada um de nós tem essa característi- ca, que é estar limitado ao seu cor- po e ter sua consciência limitada à sua atual condição.

po e ter sua consciência limitada à sua atual condição. O maharaja Chandramukha Swa- mi pode

O maharaja Chandramukha Swa- mi pode ser contatado através do autor da entrevista, João Olivei- ra, pelo endereço: Caixa Postal 114.334, 28001-070 Campos dos Goitacazes (RJ). E-mail: joao.olivei- ra@ufo.com.br.

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Joaquim Fernandes

especial para a Revista UFO, de Porto, Portugal

A interiorizaçãoeaimpregnação das famosas aparições maria- nas de Fátima, em 1917, no te- cido mítico-cultural português

são geralmente entendidas no contexto da tradição religiosa do catolicismo po- pular, abastecida por sedimentos arcai- cos de cultos. Ao longo dos seus quase 90 anos de história, a difusão dos fenô- menos de Fátima floresceu na socieda- de portuguesa, sem discussões nem al- ternativas, e estabeleceu-se nos estrei- tos limites dicotômicos da aceitação ou da recusa. Como sabemos, sistemas de

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crença geram mecanismos de autode- fesa, fortificando-se na impossibilidade de sua averiguação lógica e determi- nando o modo como percebemos e re- construímos a “realidade”, de acordo com condições sensoriais e culturais e em moldes e limites que se vão reco- nhecendo e identificando. Recentemente, acentuou-se a curi- osidade e o interesse nas aparições ma- rianas, por parte de investigadores de ciências físicas, humanas e sociais, cau- sando uma reflexão em torno de ques- tões decorrentes dos episódios de 1917. Essa convergência concreta e desapai- xonada na abordagem de fenômenos reputados como extraordinários, na al- çada do “miraculoso”, não pretende colidir com o objeto religioso e devo- cional conferido pelo sistema de cren- ças relativos aos eventos da Cova da Iria, do início do século passado. Seja como for, essa iniciativa em realizar novas pesquisas dos fatos, por parte da

Janeiro Janeiro 2005 2005 Ano Ano 21 21 Edição Edição 106 106

dos fatos, por parte da Janeiro Janeiro 2005 2005 – – Ano Ano 21 21 –

Fotos cortesia Luís Eduardo Oliveira

Fotos cortesia Luís Eduardo Oliveira Edição Edição 106 106 – – Ano Ano 21 21 –

Edição Edição 106 106 Ano Ano 21 21 Janeiro Janeiro 2005 2005

comunidade científica nacional e inter- nacional, acabou por desmentir a ale- gada impossibilidade de se enquadrar e de analisar objetivamente os fenôme- nos deduzidos a partir dos testemunhos do que aconteceu em Fátima. A investigação científica dos acon- tecimentos tem o objetivo de indagar sua natureza em profundidade, sem os limi- tes definidos pelos eternos territórios próprios dos poderes religiosos. Sobre- tudo, tem importância significativa ao superara clássica dicotomia entre cren- ça e descrença, fé e razão, quando se desenham sinais renovadores de cren- ças religiosas. A investigação também não se intimidou com supostos conheci- mentos elitistas, marcados por um “cien- tificismo positivista”, argumento sem- pre invocado a quem não interessa a exposição e confrontação de novos da- dos e perspectivas que a marcha do tem- po torna viáveis. A integração de novas formas de realidade nas searas do co-

nhecimento e da curiosidade humana, em sua vocação natural, vai desmentin- do sucessivas impossibilidades.

RELEITURA DE FATOS RELIGIOSOS Tendo

como ponto de partida uma análise não- conformista dos fenômenos religiosos chamadosmarianos,proporcionadapor obras históricas publicadas a partir da década de 80, e amparados por exames

realistas dos acervos originais dos fatos,

esteautoreahistoriadoraFinad’Arma-

da lograram fazer e podem hoje apre- sentar uma releitura dos fatos de Fáti- ma, tidos como religiosos. Fina já pu- blicara, em 1980, a obra O Que se Pas- sou em Fátima em 1917 [Livraria Ber- trand], onde questionava a natureza di- vina ou miraculosa dos fatos registra- dos pela igreja. E esse autor fizera o mesmo pouco depois, em 1982, publi- cando o livro Intervenção Extraterrestre em Fátima As Aparições e o Fenóme- no OVNI [Livraria Bertrand], também

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Fatima News

Pontificcianum
Pontificcianum

tos Não Identificados], de R. C. Niemtzov, veiculado na revista UPIAR Research in

Progress, de 1984. Outro fator determinan-

te para o sucesso da investigação foi a bus-

ca de um eventual padrão na distribuição das pessoas que testemunharam o chama- do “Milagre do Sol”, uma parte específica dos fenômenos marianos de Fátima, ocor- rido em 13 de outubro de 1917.

Pudemos conferir, tanto por localização direta quanto por extrapolação indireta, que

a maioria das testemunhas se encontrava

numa faixa com cerca de 70 m de largura na área da Cova da Iria, ligeiramente orienta- da no sentido norte-sul. Todas as pessoas que deram testemunhos dos fatos e que alegaram ter sentido efeitos físicos e fisi- ológicos durante a manifestação do tal Milagre do Sol – nos cerca de 10 minutos em que um objeto voador não identificado se aproximou da multidão – estavam conti- das nesta área específica de terreno. Durante a manifestação do fenômeno, as sensações descritas foram desde um calor súbito e intenso à secagem imediata e inex- plicada das roupas das testemunhas e do solo

– alagado pela chuva intensa –, e efeitos fisi- ológicos instantâneos, que muitos descreve- ram como “curas milagrosas”. Todas essas reações se deram imediatamente após a apa- rente descida do artefato luminoso sobre a

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

luminoso sobre a Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106 Virgem Maria: identidade e origeminvestigadas

Virgem Maria: identidade e origeminvestigadas

1917, fala de uma

muito bri-

lhante que trazia nas mãos uma bola lumino- sa e virava as costas aos videntes quando partia”. Uma bola lu- minosa? Suas caracte- rísticas e efeitos, como se vê neste texto, são muito interessantes.

senhora

mostrando que uma outra explicação havia para os fatos registrados na Cova da Iria. É com a legitimidade desses antecedentes, entre outros, que partimos para uma releitura da fenomeno- logia das aparições marianas de Fátima. Ao fazê-lo, gradualmente verificamos que nossas hipóteses e suposições iam ga- nhando fôlego e angariando companhias de peso das mais variadas origens, do ponto de vista da participação científica, com desta- que para o continuado e produtivo diálogo a distância que desde cedo se estabeleceu com professor Auguste Meessen, físico teórico da Universidade de Louvaine, Bélgica, e cor- respondente da REVISTA UFO em seu país. Este investigador, apesar de sua condição de católico indefectível, abraçou o notá- vel sentimento de “não se sentir aprisio- nado num dogmatismo qualquer e crer que o nosso dever será sempre o de pro- curar a verdade”, para conduzir as inves- tigações junto desse autor e de Fina. Nossas fontes de informação são consti- tuídas pelos interrogatórios originais dos três videntes de Fátima, além de depoimentos em primeira mão sobre os fatos, datados e sele- cionados em função da sua riqueza informa- tiva. Com esta base documental – cerca de uma centena de testemunhos – constituímos um suporte informativo que apresenta um retrato representativo e historicamente veri- ficável dos acontecimentos de 1917, naque- le ermo lugar do interior de Portugal.

SUPOSTO MILAGRE Por sua riqueza in- trínseca, esta documentação foi alvo de uma

investigação sistemática e minuciosa, com- parada com as características de observações próximas de fenômenos aéreos não identifi- cados – tais como o

Fenômeno UFO – e com quadros sintomá- ticos de comunicação e contatos registrados no decurso dos últimos 50 anos. Uma das peças investigativas mais cu- riosas e intrigantes que temos em mãos é a des- crição original de Lú- cia, uma das pastori- nhas que teve contato com o suposto milagre, quando, no documento Inquérito Paroquial, de

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SER LUMINOSO

Uma reavaliação das descrições dos fatos, dadas pelos videntes do suposto milagre, nos permite lançar hi- póteses sobre o méto- do de locomoção da tal senhora luminosa, seu aparecimento no topo da azinheira [Árvore

de médio porte típica do norte de Portugal] e sua retirada do am- biente, após o contato. Sabemos pelos tes-

temunhos que tais processos se deram atra- vés da manifestação gradual de um feixe luminoso e cônico, de forma retrátil e pro- cedente do alto, originário de uma suposta nuvem dotada de um movimento peculiar – que se deslocava contra o vento – e que envolvia a figura feminina. Na literatura disponível, existem exemplos diversos de como esse tipo de feixe luminoso se mani- festa próximo a UFOs, sendo por alguns autores designados de “luz sólida”. Entre os estudos consultados sobre tal curioso fenômeno estão os textos A Comparative Analysis of 62 Solid Light Beam Cases [Análise Comparati- va de Casos de Luz Sólidas de 62], de au- toria de Jan Heering e publicado no periódi- co UFO Phenomena, em 1977; e Physiolo- gical and Radiation Effects from Intense Luminous Unidenti-

fied Objects [Efeitos Fisiológicos e Radio- ativos da Intensa Lu- minosidade de Obje-

e Radio- ativos da Intensa Lu- minosidade de Obje- Lúcia, uma das videntes da aparição ma-

Lúcia, uma das videntes da aparição ma- riana de Fátima, ao lado do Papa. Desde o fato, ela ficou totalmente reclusa num convento e isolada do mundo

British Museum
British Museum

multidão ali reunida. O triplo efeito descrito parece sugerir a hipótese de uma manifesta- ção de grande amplitude energética, proce- dente de uma fonte externa às testemunhas e ligada ao tal objeto. Seus movimentos anô- malos, que supostamente imitavam o Sol – daí sua denominação – foram simultâneos aos de efeitos físicos descritos. E ambos cor- roboram a natureza extraordinária dos fatos, em detrimento de diferentes modelos expli- cativos que advogam uma natureza alucina- tória para os acontecimentos.

COMUNICAÇÃO TELEPÁTICA Com estas

premissas em mãos, estamos em condições de promover a necessária e objetiva reava- liação dos fatos, que permitem transcender a característica sociológica e antropológica da religiosidade popular na interpretação dos eventos da Cova de Iria. Entre os já aludidos elementos materiais documentados, é impor- tante mencionar um conjunto de referências produzidas pelos pequenos videntes e sim- ples testemunhas circunstanciais das apari- ções de Fátima, como a audição de um tipo de ruído emitido pelo fenômeno e descrito nos documentos da época como um “zumbi- do de abelha no interior de um cântaro que se produzia sempre que a senhora falava com os videntes, sem mover os lábios”. A capaci- dade da senhora luminosa de expressar-se e

A capaci- dade da senhora luminosa de expressar-se e Edição 106 – Ano 21 – Janeiro

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

Duas obras polêmicas de artistas italianos do século XV, ambas chamadas Anunciação. Na página anterior, a pintura de Filippo Lippi, que mostra um personagem direcionando um raio de luz à Virgem. A outra imagem, de Carlo Crivelli, mostra de maneira mais clara de onde parte o raio de luz: de um objeto voador suspenso no ar

ser compreendida pelas testemunhas de sua aparição sobre a azi- nheira sem mover os lá- bios é algo quase sem- pre atribuído às comu- nicações entre humanos e tripulantes de UFOs, ocorridas de maneira te- lepática entre as partes. Até pouco tempo atrás, tal analogia não teria outra utilidade se não a de servir de pito- resco detalhe, próprio do folclore da região da Serra de Aire, onde os fatos se deram. As des- crições dos fatos, hoje bases para muitas con- testações de sua inter- pretação religiosa, fo- ram dadas através de

testemunhos mais ou menos ingênuos, feitos por crentes que con- viveram com os episódios ao redor da pe- quena azinheira. Só que o fenômeno do zumbido, repetido inúmeras vezes em ob- servações próximas de

UFOs e em cenários cul- turais distintos, poderia representar um indício razoável de que algo não-convencional se passou em 1917. A au- dição de tal ruído pode- ria somar-se às seqüelas colaterais de uma outra “fonte”, esta responsável pelas demais evidências físicas descobertas nos eventos de Fátima. A primeira associação de fatos que nos surge é uma manifestação de ra- diação eletromagnética, no espectro das micro-

ondas, cujos efeitos fí- sicos e biológicos vêm sendo estabeleci- dos e aferidos desde a década de 50 por equipes científicas em laboratórios fran- ceses, canadenses e norte-americanos. Este indício – por muitos anos diluído nas expressões emocionais dos religiosos pre-

sentes em Fátima – é o ponto de partida para

a elaboração de uma hipótese que justifica o triplo e simultâneo processo fenomenológi- co ocorrido no ápice do Milagre do Sol, e explica seus efeitos de calor intenso, seca- gem da roupa e do solo, além das reações fisiológicas. Essa relação fundamental de causa-efeito havia sido inicialmente aventa- da pelo físico nuclear norte-americano Ja- mes McCampbell, que, sabendo de nossas investigações, reforçou a validade da hipó- tese nas suas deduções acerca dos efeitos produzidos por uma fonte eletromagnética (EM) daquela grandeza em seres vivos e no ambiente. McCampbell publicou seus estu- dos a respeito da reação a efeitos EM de UFOs em humanos na obra Ufology [Jay- mac Company, 1973].

VIVÊNCIAS EXCEPCIONAIS Ainda que

sujeita a uma futura reavaliação, a hipóte- se da radiação EM ofereceria a possibili- dade – fundamental no ponto de vista da escassez de hipóteses – de ter servido de “canal” de comunicação entre a tal senho- ra luminosa e a vidente Lúcia, tal como sustentam as experiências já referidas. De fato, desde McCampbell, experiências la- boratoriais levaram a indícios não despre- zíveis de que o modelo

agora exposto é válido, se considerarmos como fato que as testemunhas de Fátima registraram sensações auditivas como o tal zumbido de abelhas. Entre os supor- tes adicionais a estas conclusões, estão ainda experiências conduzi- das pelo Canadian Ins- titute of Electrical and Electronic Engineers, particu larmente pelos pesquisadores James C. Linn, Sergio Sales Cu- nha, Joseph Battocletti e Anthony Sances, na

obtenção do que é co- nhecido por microwave auditive pheno- menon ou MAP [Fenômenos auditivos re- lacionados a microondas]. O conceito de MAP poderia, inclusive, ajudar-nos a discernir o tipo de comunica- ção envolvido nas aparições de 1917, além de outras vivências excepcionais de caráter

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Um fator determinante para o sucesso da investigação foi a busca de um padrão na distribuição das pessoas que testemunharam o chamado “Milagre do Sol”, uma parte específica dos fenômenos marianos de Fátima, ocorrido em 13 de outubro de 1917

Ésquilo

Giusto Faroni
Giusto Faroni
munho de Carolina, armazenado nos arqui- vos originais depositados no Santuário de Fátima, foi uma
munho de Carolina, armazenado nos arqui-
vos originais depositados no Santuário de
Fátima, foi uma das mais importantes eta-
pas de nossas investigações. A quase des-
conhecida – mas significativa testemunha
– descreveu-nos pessoalmente ter recebido
uma espécie de “ordem” no interior de sua
Joaquim Fernandes
É bem conhecida a devoção do culto ma-
riano no mundo católico, uma crença que re-
sulta da longa sedimentação de remotas refe-
rências ligadas aos cultos matriciais femininos
da deusa terra, dominantes nas culturas me-
diterrâneas. A longa solidificação dessas influ-
ências nas variantes da religiosidade popular,
ao longo de milênios, conduziu à forte convic-
ção de que as experiências religiosas implica-
das nas chamadas “aparições marianas” seri-
am totalmente alheias a qualquer tipo de in-
terpelação científica, sobretudo por parte das
disciplinas mais físicas, entre as quais a psico-
fisiologia, a medicina, a psicologia clínica e
correlatas. Se, em 1917, em
Fátima, no ignorante e rural
interior português, as precá-
rias condições e impotênci-
as do conhecimento cientí-
fico da época acabaram por
A obra do pesquisador
JoaquimFernandes, Fátima
e Ciência, resultado da
investigação multidisciplinar
do recente Projeto Marian,
coordenado pelo Centro
Transdisciplinar de Estudos
da Consciência (CTEC)

não-religioso, ambos os casos marcados por al-

terações de estado de consciência das testemu- nhas. Seja em sua matriz religiosa – como o exemplo de Fátima e ou- tros ao redor do mundo

– ou no âmbito laico, os experimentos de conta-

to com entidades não-

terrestres são caracteri- zados pela recepção de algum tipo de mensa- gem por parte dos con-

tactados, não raro con- siderados especiais ou “eleitos”, que aca- bam tornando-se recipientes e zeladores da

mesma. O psiquiatra da Universidade de Harvard John Mack, falecido há poucos meses, estudou detidamente os casos não-

religiosos de contatismo do ponto de vista

da psicoterapia, tendo publicado os resul-

tados na obra Abduções [Educare Brasil, 1997]. Mais recentemente, o próprio Mack ampliou seu estudo e publicou novas con- clusões em Passport to the Cosmos: Hu- man Transformation and Alien Encounters [Passaporte para o Cosmos: Transforma- ção Humana e Encontros Alienígenas, Crown Publishers, 1999].

A ciência pode ser usada

como instrumento de in-

terpretação de fatos tidos exclusivamente como re- ligiosos, através de áre- as como a neuroteologia

e a neurobiologia

cabeça, quando obser- vou um “anjo de cabelo louro” com pequena es- tatura nas imediações da azinheira, que acom- panhava a descida da tal

senhora luminosa. Essas ordens eram repetitivas em sua formulação à Carolina: “Vem cá e reza três Ave-Marias. Vem cá e reza três Ave-Marias”. A este cada vez mais sugestivo quadro de referências são acrescidas ainda novas des- cobertas científicas, que nos foram pessoal- mente transmitidas por Jean Pierre Petit, as-

Há lugar na ciência para as aparições marianas e experiências religiosas?

ANJO DE CABELO LOURO Sobre as expe-

riências canadenses descritas, é importante registrar que elas determinaram a reverbera-

ção de ruídos no interior do crânio dos sujei-

tos testados, a partir de curtas descargas de

radiação de microondas. O grau de percep-

ção obtido em tais testes consistiu numa com- binação de sons audíveis quando as cabeças dos sujeitos foram colocadas em linha reta com uma antena cônica, dentro de um com- partimento apropriado e estático. Os estudos mostraram que os indivíduos que se subme- teram ao processo ouviram um zumbido no interior de suas cabeças – especialmente quando expostos a uma radiação de micro- ondas entre 200 e 3.000 MHz e com uma potência média de 0,4

a 2 mW/cm 2 , para uma densida-

de de nível abaixo dos 300 mW/

cm 2 . As freqüências moduladas

variaram entre 200 e 400 Hz.

Como regra geral, os sons eram percebidos especialmente na parte do occipital da cabeça dos sujeitos testados. Sobre essa sensação auditi- va, cabe lembrar o depoimento

da quarta vidente de Fátima, Ca-

rolina Carreira, ignorada por muitos anos pelos registros oficiais dos fenômenos de 1917. A descoberta do teste-

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remeter para o mundo da fé todo um potencial con-

junto de fenômenos físicos e psicológicos, já mais recentemente foi possível reverter essa lógica de abdi-

caçãograçasàinquiriçãomédicadesencadeadaapre-

texto das aparições marianas de Medjugorje, antiga Iugoslávia, no início da década de 80. A longa resistência das atitudes mentais desti- lou a idéia – ainda majoritária na opinião dos cató- licos marianos – de que as facetas extraordinárias das tais aparições marianas estariam perfeitamen- te limitadas ao domínio confessional, impedidas de serem investigadas racionalmente. É curioso que essa idéia de impossibilidade ou interdição de uma investigação por parte de várias modalidades cien- tíficas procedeu tanto de vozes pseudo-racionais e agnósticas, como de fiéis e prosélitos da leitura fun- damentalista das visões marianas. Em vez disso, recebemos estimulantes incentivos por parte de se- tores da intelectualidade católica, independentes da hierarquia da igreja de Roma.

PROJETO MARIAN Para investigar cientifica- mente os fenômenos marianos foi criado o Projeto Marian, sigla de Multicultural Apparitions Research International Academic Network ou Rede Acadêmi- ca Internacional e Multicultural de Pesquisa das Apa- rições. E é importante esclarecer, no entanto, que não existe por parte desse autor nem dos investi- gadores do fenômeno qualquer animosidade quan-

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

desse autor nem dos investi- gadores do fenômeno qualquer animosidade quan- Janeiro 2005 – Ano 21

Enrique Diaz

trofísico do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), de Paris, e diretor ad- junto do Centro de Cálculo da Universidade de Provénce. Petit nos descreveu experiên- cias realizadas em 1979, em Toulouse, onde se confirmou a recepção por via não-auditi- va desse tipo de sensação, ao se expor um sujeito a uma emissão modulada de freqüên- cia EM. Assim, as situações descritas nos au- torizam inevitáveis comparações: algo idên- tico foi verificado no laboratório francês e na Cova da Iria, em Fátima, 1917. Ainda que não tratemos aqui da eventual intencionali- dade ou autoria dos sinais emitidos, é lícito admitir uma natureza idêntica nos processos. Qualquer que seja o agente implícito em sua realização, é fácil reconhecer que as sensa- ções auditivas dos videntes implicam na exis- tência de uma fonte radiante ou “energética” nas imediações dos fatos, externa e não sub- jetiva, que de algum modo serviu de “canal” para um tipo de comunicação não-verbal entre a entidade luminosa e Lúcia dos San-

to ao modo como as grandes instituições religiosas tentaram subjugar, no passado, territórios que per- tenciam, em exclusivo, à ciência. A avaliação que fazemos no contexto do Projeto Marian pretende ir além dessa dicotomia artificial. Não se rejeita o lu- gar da fé nem a importância da espiritualidade na vivência integral dos seres humanos. Infelizmente, esta última é uma dimensão pouco visível no atual comércio em que se transformaram as graças e os milagres, na troca de benesses materiais imediatas que fazem lei nos santuários marianos de todo o mundo. Quem se sente em condições, hoje, de ditar o que é matéria de fé, excluindo-o de outras in- terpelações, esquece que o trovão e o relâmpago já foram considerados manifestações de divindades rai- vosas com o comportamento humano. Assim, na abor- dagem dessas modalidades incomuns da experiência humana, o que nos importa é o real comportamento do ser humano frente aos seus próprios limites e à experimentação global, psicofísica e espiritual daqui- lo que é inefável e misterioso. Importa, isso sim, é não subestimar uma regra que tem dado provas de sua eficácia no decurso dos milênios da existência do ser humano – o progresso da ciência, de que a respectiva história é testemunha. Por isso, estamos hoje em condições de propor novas perspectivas de entendimento das aparições marianas que vão além do escopo tradicional das ciências humanas e sociais, ou seja, às abordagens da antropologia física, religiosa, cultural e da sociolo- gia, cujos estatutos de intervenção têm sido tolera- dos nas tímidas incursões a esse rico legado das “ex- periências humanas extraordinárias” – como são as do foro da religião popular, entre as quais se contam os episódios clássicos de Fátima, de 1917. E sabe- mos que são tímidas e limitadas as investigações leva- das a cabo pelos institutos católicos, a quem caberia boa parte das responsabilidades nesta matéria. Uma

caberia boa parte das responsabilidades nesta matéria. Uma Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

tos. Estes são fatos, como também são os es- tágios experimentais atingidos na investiga- ção científica e laboratorial na área do cha- mado controle da mente, amplamente des- crito na literatura disponível – ainda que nem toda informação sobre a matéria tenha sido integralmente divulgada.

EXPERIÊNCIAS APARICIONAIS O pesqui-

sador português Raul Berenguel elenca um histórico de pesquisas nesse âmbito, reali- zadas em ambiente militar e de defesa, tan- to nos Estados Unidos quanto na extinta União Soviética. Como se vê, a discussão das hipóteses e modelos explicativos que possam confirmar as relações de causa/efei- to de ordem física, aqui considerados, é po- tencializada pelo crescente reconhecimen- to do trabalho de cientistas em diversas no- vas áreas da exploração científica. O biólogo suíço Claude Rifat, conside- rando as modalidades de “experiências apa- ricionais”, sugere que devemos estar atentos

ao papel que o locus coeruleus – importante região do cérebro dos mamíferos – desempe- nha na eclosão dessas situações ditas irreais.

Rifat se refere ainda à hipótese de os raios X de uma fonte luminosa – como a tal senhora

– interferirem no normal funcionamento da-

quela região cerebral. Daí surgem as altera- ções e diferentes leituras, além de possíveis imagens induzidas e adaptadas em função dos conteúdos culturais dos sujeitos, esti- mulando a obtenção de mensagens especí- ficas entendidas pelos protagonistas desses singulares acontecimentos, que estilhaçam

a nossa subjetiva “normalidade”. Em A Theoretical Frame Working for the Problem on Non-Contact Between an Advanced Extraterrestrial Civilization and Mankind [Uma Hipótese Teórica de Tra- balho sobre o Problema do Não-Contato en- tre Avançadas Civilizações Extraterrestres e a Humanidade], publicado no periódico UFO Phenomena, em 1978, Rifat explica detalhadamente o funcionamento de sua te-

ou outra tentativa de análise detalhada tem-se de- frontado com o compromisso de caráter religioso e confessional, que é a interpretação católica oficial dos eventos ocorridos na Cova da Iria, em Fátima. Daí de- correm as dificuldades de se isolar todo o vasto acervo relativo às aparições marianas portuguesas do come- ço do século passado.

PROGRESSO DA CIÊNCIA A antologia Fátima

e a Ciência – Investigação Multidisciplinar das Experi- ências Religiosas [Editora Ésquilo, 2003] resultou da reunião de propostas de investigação multidiscipli- nar decorrentes do Projeto Marian, coordenada pelo Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTEC), alojado na Universidade Fernando Pessoa, em Porto, Portugal. À sua frente estão este autor, além de Fernando Fernandes e Raul Berenguel, que assinam como organizadores da obra, uma vez que ela conta com a participação de inúmeros estudio- sos de várias nacionalidades e especialidades. O Projeto Marian, de caráter internacional, tem o objetivo de obter mais e cada vez melhores resul- tados que possam ser usados no aperfeiçoar do ser humano e seu entendimento do desconhecido. Apesar de todos os obstáculos para se chegar lá, movidos por intolerâncias de todos os tipos, os integrantes do projeto estão certos de que a antologia Fátima e a

Ciência ajudará a introduzir uma ter- ceira via para compreensão das aparições marianas e manifesta- ções visionárias em geral. A obra reúne 15 textos de investigadores que fazem uma análise das expe- riências humanas extraordinárias, como as populares viagens astrais (OBE), partindo do quadro feno- menológico de Fátima. Entre os

autores estão o matemático franco-americano Jacques Vallée e o professor belga Auguste Meessen, físico teórico da Universidade Católi- ca de Louvaine. Meessen é conhecido por sua investigação dos pressupostos neurofisiológi- cos da visão implicados no chamado “milagre solar”, de 13 de outubro de 1917, em Fátima. Fátima e a Ciência é a primeira abordagem do gênero que inclui interessantes análises do ponto de vista da sociologia, história, antropolo- gia, biologia e medicina, que resultou do Projeto Marian. Os colaboradores da obra foram convi- dados a partilhar suas teses e hipóteses sobre essas questões, e o fizeram de um modo es- pontâneo, com o objetivo de aprender uns com os outros. Quem sabe os leitores façam parte desta partilha. Os interessados podem consul- tar e adquirir a obra através do site da Ésquilo Editora: www.esquilo.com/esquilo.html.

A devoção à Virgem Maria é um reflexo do trabalho da Igreja em transformar o fato de Fátima em motivo religioso

Maria é um reflexo do trabalho da Igreja em transformar o fato de Fátima em motivo

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Prefeitura de Fátima
Prefeitura de Fátima

Imenso vitrô do Santuário de Fátima, em Portu- gal, onde está representado o chamado “Mila- gre do Sol”, de 1917. Pesquisadores sabem, hoje, que nada se passou com o astro na época, mas que um UFO foi avistado sobre a região

ambos fazem a apresentação de sua sur- preendente descoberta – que se revela al- tamente significativa na interpretação dos fatos alusivos ao citado Milagre do Sol, de 13 de outubro de 1917. Mas, infelizmente, nem tudo é acessí- vel ou linear quando se trata de criar mo- delos e hipóteses de trabalho com base em depoimentos subjetivos, como os de forte apelo emocional prestados pelas testemu-

oria e dá exemplos dos mecanis- mos que envolvem o locus coeru- leus, sugerindo que ele é o impor- tante centro anatômico do cérebro que teria envolvimento direto com os aspectos mais bizarros do Fe- nômeno UFO. Noutras palavras, o cientista crê que o ser humano tem um ponto nevrálgico em sua ana- tomia que é especialmente sensí- vel ao contato com UFOs, desem- penhando vários papéis. Do mesmo modo, é interes- sante observar o desenvolvimen- to de um novo mecanismo de aná- lise desses fenômenos, inspirado nos recentes avanços das neuro- ciências e que pretende abordar de um modo original as relações en- tre o cérebro humano e os efeitos de experiências de caráter religi- oso e transcendental. Com tais ex- perimentos, a novíssima área da neuroteologia começa a se afirmar por dar valiosas contribuições ao entendimento de várias funções orgânicas que antes eram compre- endidas apenas no âmbito emoci- onal. À frente dessas novidades estão os trabalhos pioneiros do psiquiatra Eugene d’Aquili e do neurologista Andrew Newberg, investigadores da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos. Suas análises têm se concentrado no comportamento das funções cere- brais e do fluxo sanguíneo do cé- rebro durante a prática de medita- ção de budistas tibetanos.

nhas do fenômeno de Fátima. Ain- da mais quando são deficiente- mente colhidos e muito impreci- sos, afetados por um universo de constrangimentos como os que so- freram os depoentes naqueles tem- pos. Contudo, uma análise míni- ma dos fatos, com base em noções de coerência e objetividade, já apre- senta interessantes resultados. O grande problema metodológico da investigação das aparições maria- nas de Fátima – entre outras – em meio a fenômenos evanescentes, incontroláveis e dificilmente re- produzíveis, é lograr determinar, com a melhor consistência pos- sível, sua coerência interna, ates- tada por um razoável número de observações independentes. Em quadros complexos, como os do chamado “domínio do sobrena- tural”, é muito importante consi- derar três variáveis: a confiabili- dade das informações pessoais prestadas, o número de casos si- milares em registro documental e a análise científica dos efeitos fí- sicos que estão em jogo. A seqüência dos aspectos físi- cos desses acontecimentos, even- tualmente modeláveis por investi- gações futuras, não pode ser des- cartada ou minimizada. Do mes- mo modo, a exploração dessas re- lações, ao nível da neurologia e lin- güística, poderá vir a revelar-se uma via aberta para a análise da formação das supostas mensagens captadas e transmitidas pelos cha- mados contactados, antigos e atu- ais, religiosos ou leigos, em dife- rentes espaços e tempos culturais. Destacam-se, em especial, as im- plicações da neuroteologia ou neurobiologia da religião na inter- pretação de fatos antes religiosos

ou mesmo ufológicos, agora mais próximos de uma compreensão. O futuro dessas ciências nos promete estimulantes descobertas sobre aqueles fatos conside- rados atualmente como inexplicáveis, que estão à margem do conhecimento e dos sis- temas de crenças humanos.

CÍRCULOS INGLESES Há ainda

novos e consideráveis indícios que reforçam uma eventual pista em torno das interferências do efeito EM nos seres humanos, recente- mente obtidos nos chamados cír- culos nas plantações ou círculos

ingleses, por uma equipe chefia- da pelo biofísico norte-americano, C. Le- vengood, do BLT Research Team. Investi- gando as zonas do interior dos agroglífos, foi possível observar em laboratório que as alterações fisiológicas dos vegetais – se- cagem, desidratação, atrofiamento etc – eram idênticas às produzidas por uma emissão de radiação eletromagnética de microondas e que correspondem a diferen- tes níveis de absorção da citada radiação pelas plantas. Levengood publicou junto a Nancy Talbot, na revista Physiologia Plan- tarum, de 1999, o artigo Dispersion of Energies in Worldwide Crop Formations [Dispersão de Energias em Círculos de Plantações ao Redor do Mundo], no qual

20 :: www.ufo.com.br ::

ao Redor do Mundo] , no qual 2 0 :: www.ufo.com.br :: Joaquim Fernandes é historiador

Joaquim Fernandes é historiador da ciência e di- rigente do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTEC) da Universidade Fernando Pes- soa, um dos autores de Fátima e a Ciência – Inves- tigação Multidisciplinar das Experiências Religiosas e correspondente da REVISTA UFO em seu país. Seu endereço é: Praça 9 de Abril 349, 4249-004, Por- to, Portugal. E-mail: jfernan@ufp.pt.

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

é: Praça 9 de Abril 349, 4249-004, Por- to, Portugal. E-mail: jfernan@ufp.pt. Janeiro 2005 – Ano
Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005 :: www.ufo.com.br :: 2 1

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

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Carlos Alberto Reis

ombudsman

Wirz quando o assunto era Dino Kraspedon, um misto de aborrecimento, insatisfação e prenúncio de uma explosão de raiva – fato raríssimo nele. Segundo ele, o absurdo das declarações do alegado contatado era tal que, se fosse verdade tudo aquilo, ele, Wirz, nun- ca mais sairia a campo para pesquisar coisa alguma. Havia certamente mais detalhes – que não eram do meu conhecimento – que contribuíam para aquele estado de inconfor- mismo. A conclusão de Wirz não era isolada. Se bem me lembro, outros pesquisadores que acompanharam as investigações partilhavam da mesma opinião. O médico Max Berezov- sky e o professor Rubens Junqueira Villela, além do professor Flávio Pereira, muito pro- vavelmente viveram de perto este caso e dari- am uma contribuição significativa se pudes- sem se manifestar a respeito.

TRINÔMIO CONFUSO Independente des- ses fatos – ou de complementá-los –, a figu- ra do senhor Dino Kraspedon sempre susci- tou muitas dúvidas, a começar pelo nome, que seria um pseudônimo de Aladino Félix ou ainda, de Sábado Dinotos. Um trinômio

confuso que dificultava saber quem era quem. Um quarto nome envolvia o senhor Oswal- do Pedrosa, suposto autor do livro Contato com os Discos Voadores [Instituto Dino Kraspedon, ano 1992]. De acordo com os referidos documentos que me chegaram às mãos, e alguns que já eram do conhecimen- to da REVISTA UFO, Oswaldo Pedrosa se apropriou indevidamente da autoria daquela obra, sofrendo uma ação ordinária contra perdas e danos. Esse processo tem o número 70.198.007.434-1 e circulou na 3ª Vara Cível da Comarca de Uberaba (MG), tendo sido instaurado em 22 de agosto de 2000.

Portanto, o leitor Rodrigo Perretti, que informou através de carta publicada pela edi- ção 94 da REVISTA UFO, de dezembro de 2003, ter conhecido Dino Kraspedon, fica sabendo agora que o encontro foi, na verda- de, com o “falso” Dino – o Oswaldo Pedro- sa – que incorporou aquele personagem e andou se apresentando em vários congres- sos, sempre com muito alarde por parte dos organizadores, que acreditavam estar diante de um autêntico contatado em um caso de indiscutível veracidade. Não sabiam da far- sa e do imbróglio que envol-

via este personagem. Em agosto de 1995, uma matéria publicada na revista Istoé rea- cendeu o caso, contribuindo para alimentar a crença na his- tória rocambolesca desse fal- so contatado, e gerando ainda mais confusão ao informar que Dino Kraspedon – Os- waldo Pedrosa – havia sido preso pelo então Ministério da Guerra, acusado de terroris- mo, nos idos dos anos 60. Um erro jornalístico im- perdoável, como veremos adi- ante. Falou-se muito também

sobre uma condecoração que lhe teria sido dada pela Academia de Ciênci- as da então União Soviética. Conversa fia- da. O que houve foi uma carta de agradeci- mento pela tradução do livro, dizendo que as informações “técnicas” ali contidas seriam

A lgumas edições atrás, a seção Es- paço do Ombudsman comentou o “caso” Dino Kraspedon, em função de um leitor que se manifestou so- bre aquele acontecimento. Como

ele teve a sua merecida – embora curta – ré-

plica, caso contrário o silêncio do ombuds-

man poderia significar omissão ou conivên- cia, a partir daí criou-se uma discussão a qual não tínhamos o menor interesse em alimen- tar. Em função daquela resposta, outro leitor partiu em defesa do protagonista do caso, e ambos fizeram insinuações desagradáveis so- bre este autor no tratamento do caso. Entre- tanto, como surgiu um fato novo, e é nosso dever não faltar com a verdade, até onde a história é conhecida, vamos então colocar as coisas em seus devidos lugares para esclare- cer o meu ponto de vista e trazer à luz alguns elementos não inteiramente conhecidos, para pôr um ponto final neste caso. Para minha surpresa, recebi um pequeno

dossiê contendo, além de uma carta explicativa, cópias xe- rográficas de reportagens, um livro, documentos jurídicos e outros materiais, porque o remetente deve ter acompa- nhado os acontecimentos daquela época, e informa ter sido amigo pessoal de Dino Kraspedon, falecido no iní- cio dos anos 90. Junte-se a isso meu arqui- vo pessoal, a experiência de 30 anos de pesquisa, lembran- ças de longas conversas com

o falecido professor Guilher-

me Willi Wirz, um dos expo-

entes da Ufologia Brasileira nas décadas de 60 e 70, pesquisador deste e de muitos ou- tros casos. Temos aí um ponto de partida. Até onde minha memória não me trai, ainda

é bastante nítida a expressão do professor

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Oswaldo Pedrosa
Oswaldo Pedrosa
José Eduardo C. Maia
José Eduardo C. Maia

Dois livros conhecidos sobre Dino Kraspedon:

Contato com Discos Voadores, escrito por ele mesmo e pivô da polêmica, e Dino Kraspedon, Quem é Esse Homem, do ufólogo José Eduar- do C. Maia e de Suely Braz Costa

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

Quem é Esse Homem, do ufólogo José Eduar- do C. Maia e de Suely Braz Costa

analisadas pela comunidade científica. Até

o pesquisador inglês Gordon Creighton

veio em defesa de Kraspedon, achando que ele estava sendo perseguido pelo governo por revelar a verdade sobre os discos voa- dores. Em resumo, esse personagem farsan-

te caiu de pára-quedas no episódio e con-

tribuiu de maneira significativa para for-

talecer negativamente o lado messiânico da Ufologia. Fim do primeiro ato.

DESTINOS DA HUMANIDADE Uma repor-

tagem publicada pelo jornal paulista Diário da Noite, datado de 16 de junho de 1966, noticia uma intimação sofrida por Aladino Félix por parte do Serviço de Ordem Políti-

ca

e Social (posteriormente DOPS) a respei-

to

de uma tradução feita por ele das Centú-

rias de Nostradamus, documento esse que, segundo aquele órgão, seria atentatório ao regime político da época. De acordo com a versão do depoente, a tradução estaria fiel à versão original, e traria importantes revela- ções sobre a queda do senhor Adhemar de Barros, a subida ao poder do senhor Laudo Natel e ainda, comentários sobre o governo do presidente Castello Branco. Nostrada- mus devia estar muito preocupado – 500 anos antes – com os rumos de uma nação que mal havia nascido e que poderiam mudar os destinos da humanidade. Entretanto, Aladino Félix teve mais parti- cipação em atos anti-governo do que se supu- nha. O livro Combate nas Trevas –A Esquer- da Brasileira: Das Ilusões Perdidas à Luta Armada [Editora Ática, 1987], de Jacob Go- render, revela um fato interessante: “Também em São Paulo, um bando de soldados e sar- gentos da Força Pública, liderados por Ala- dino Félix, vulgo Sábado Dinotos – mescla de guru místico e marginal – promoveu 12 explosões de bombas e um assalto a banco”. E continua: “Preso e torturado pelo DEIC, Aladino Félix denunciou à Justiça Criminal que agiu por orientação do gene- ral Jayme Portella, chefe da Casa Militar da Presidência da República”. Em outra obra, 1968 – A Paixão de Uma Utopia [Edi- tora Espaço & Tempo, 1988], de Daniel

Uma Utopia [Edi- tora Espaço & Tempo, 1988] , de Daniel Edição 106 – Ano 21

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

Aarão Reis Filho e Pedro Moraes, a his- tória se repete, con- tada de outra forma:

“Em 01 de setem- bro, apolíciapaulis- ta prendeu um cida- dão chamado Sába- do Dinotos, também

conhecidoporAladi-

no Félix. O homem confessou exercer a chefia de um grupo de graduados da Força Pública que havia cometido dezenas de atenta- dos e assaltos em São Paulo”. E continua a obra: “Acusou o ge- neral José Paulo Trajano como man- danteeenvolveunas acusações o general Freitas, do Departa- mento de Polícia Federal, subordina- do direto da Casa Militar da Presi- dência da Repúbli-

ca, chefiada pelo general Jayme Portella, também secretá- rio geral do Conselho de Segurança. Dias depois, por uma distração dos carcereiros, o presumido chefe do grupo terrorista sim- plesmente sumiu da cadeia ”

Arquivo UFO
Arquivo UFO

Oswaldo Pedrosa, ainda “no papel” de Dino Kras- pedon, em 1994, durante um congresso de Ufo- logia. Já estava debilitado, quase cego e com dificuldade de movimentos. Depois dessa fase, perante um juiz, declararia sua mentira

da repórter, Gisele Vitória, ter envolvido erroneamente o nome de Oswaldo Pedro- sa naqueles acontecimentos políticos, muito embora sejam compreensíveis as razões do seu erro. Diante disso, conclu- ímos que Aladino Félix e Sábado Dino- tos eram, de fato, a mesma pessoa. Resta saber qual a ligação entre Aladino, Sába- do e o famigerado senhor Dino Kraspe- don. Cai o pano do segundo ato. Com a documentação recebida, o círculo se fe-

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ATENTADOS POLÍTICOS Gentilmente,

o colega e pesquisador Claudeir Covo, co-

editor de UFO, nos forneceu ainda cópias de outras reportagens da época, 1968, re- latando atividades que incluíam atenta- dos ao presidente Costa e Silva e ao go- vernador Abreu Sodré, a outras autorida-

des civis e militares de vários estados, e

a ele próprio, Aladino, como “queima de

arquivo”. A falha jornalística da revista Istoé, mencionada acima, se deve ao fato

Arquivo UFO
Arquivo UFO

plorados em todas as suas nuances, esmiu- çados até as últimas conseqüências. Foi o que ele e outros pesquisadores fizeram, com competência e responsabilidade. O recado atravessou o século, pois continuam acon- tecendo casos de contatados recebendo su- postas mensagens interestelares, e não há ninguém que se mostre preocupado em ve- rificar a verdadeira procedência dos fatos, aceitando tudo com um assustador, perigo- so e irresponsável primarismo. Essa é uma das facetas mais estúpidas que o Fenômeno

UFOUFOUFOUFOUFO se manifesta

A REVISTA UFO vem se pautando, desde o princípio, por divulgar democraticamente todos os assuntos relacionados ao Fenômeno UFO, seja pelos seus aspectos positivos, seja pelos negativos. O preceito que norteia esta linha

editorial é, mais que um direito do leitor, a ne- cessidade que ele tem de manter-se bem in- formado, para que possa formar um juízo de valor consonante com suas convicções.

Entretanto,tudooqueépublicadonãorepre-

senta, necessariamente, a opinião do editor, co- editores, membros do Conselho Editorial ou corpo de redatores, e é por isso que erros e acertos ca- minham lado a lado, mais estes que os primeiros. Se acertar é um dever, errar é um direito. E, diante dos fatos apresentados pelo seu ombudsman, concernentes ao caso Dino Kraspedon, que não deixamdúvidas quanto à sua natureza fraudulen- ta, a REVISTA UFO, por respeito ao leitor, em defesa da verdade e pela ética que a fundamenta, reco- nhece que, no passado, cometeu equívocos no tratamento dado ao episódio, embora algumas das particularidades reveladas pela matéria não fos- sem de seu conhecimento. Fica assim demonstrada, mais uma vez, a

seriedade e o compromisso da EQUIPE UFO com a Sociedade brasileira, em especial a comunidade ufológica, e assim será sempre que as circuns- tâncias convocarem a manifestação da revista.

cha e esclarece o misté- rio. Primeiro, no memo- rial do Ministério Públi- co, segundo processo nú- mero 116.799, datado de 21 de novembro de 1997, tendo como acusado o se- nhor Oswaldo Oliveira

Pedrosa, por ter infringi- do o parágrafo 4º do arti- go 184 do Código Penal . “Realizada a instrução criminal, o referido acu- sado, no interrogatório

da folha 54, confessou

descaradamente o delito, isto é, confessou que escre- veu e editou o livro Conta-

to com Discos Voadores, violando assim o direito autoral do verdadeiro proprietá- rio da aludida obra, senhor Aladino Fé-

lix, pseudônimo Dino Kraspedon”.

As redatoras da Revista UFO entrevistamOswaldoPedrosa durante evento de Ufologia. Ele afirmara ter o reconheci- mento da Academia de Ciên- cias da ex-URSS, ainda se passandoporDinoKraspedon

UFO apresenta, manifes- tando-se dentro de um con- texto frágil, manipulador, patético, acintoso à inteli- gência e ao bom senso. Pior que isso, só a ati- tude intempestiva e cari- cata de determinados seg-

mentos que afirmam, de forma indiscutível, que as “naves que nos visitam são definitivamente extraterrestres e seus ocupantes, alienígenas mais evolu- ídos tecnológica e espiritualmente”. Se tudo é assim tão simples, para que conti- nuar pesquisando? Qual o sentido de exis- tir Ufologia se as respostas aos mais in- sondáveis mistérios já foram dadas? Qual a razão da REVISTA UFO existir, por exem- plo? Por que perder tempo pressionando governos, autoridades, cientistas, órgãos de pesquisa, a NASA, a Aeronáutica etc, se o mistério pode ser revelado simplesmente lendo uma ou duas dessas obras?

Conforme consta dos autos do proces- so mencionado, na audiência de concilia-

ção, página 01, a informação não deixa dú- vidas: “As partes compuseram à vista de que, independentemente de qualquer ou-

fato do processo, o senhor Aladino Fé-

detém os registros da obra para fins de

edição e que passaram à família pelo es- pólio que ora é o autor. Diante de tal, os requeridos se abstém de doravante utilizar o pseudônimo Dino Kraspedon em qualquer ”

obra literária Estes são os fatos docu-

mentais sobre o personagem central da dis- cussão. Como se pode deduzir, Aladino Félix e Sábado Dinotos eram a mesma pes- soa e, por desdobramento, também Dino Kraspedon. Este e Oswaldo Pedrosa eram pessoas de reputação duvidosa, e por essa razão, qualquer situação que envolva seus nomes levanta plena e justificada desconfi- ança. Aceitar como autêntica a história far- sesca dos alegados contatos de Dino Kras- pedon é declarar-se ingênuo e de visão es- treita para a realidade dos fatos. Fim da peça. Fecham-se as cortinas.

tro

lix

AO ALCANCE DAS MÃOS Está tudo aí, ao alcance das mãos, diante dos nossos olhos. Basta folhear algo como Contato com Dis- cos Voadores, já citado, ou Eu Viajei num Disco Voador [Instituto do Paranormal de Cataguases, 1995], do também suposto con- tatado Chico Monteiro, ou ainda Transco- municação via Rádio com ETs [Edição par- ticular, 2000 ], de Denizard Souza, e tudo estará resolvido. Só não venham dizer de- pois que não foram avisados Peço licença ao escritor Ivan Ângelo para usar um trecho de uma crônica sua, fazendo alguns acréscimos – entre parênteses – para melhor ilustrar nosso pensamento: “É preci- so sabedoria para ajudar os ignorantes (e compreender os inteligentes), calma para impedir os exaltados (e para não se exaltar também), disposição para enfrentar os cre- tinos (e cuidado para não se tornar um de- les), visão para encorajar (ou desencora- jar) os visionários, paciência para aturar os gênios (e cautela para não se julgar um) e força para meter o braço”.

para não se julgar um) e força para meter o braço”. Carlos Alberto Reis é designer

Carlos Alberto Reis é designer gráfico, om- budsman da REVISTA UFO e autor de Os Portais do Santuário [Veja na área de Suprimentos de Ufologia dessa edição]. Seu e-mail é: car- los_albertoreis@hotmail.com.

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106 Ú LTIMAS C ONSEQÜÊNCIAS — Como já re-

ÚLTIMAS CONSEQÜÊNCIAS Como já re-

feri, os leitores que escreveram protestando contra a reabertura do caso sugeriram que este autor estava usando de artimanhas para “desviar a atenção do público para assun- tos de maior gravidade”, ou que estaria “existindo pressões de fora para se encer- rar de vez a questão”, conforme alguns e- mails recebidos. E ainda, que poderia estar a serviço de “manobras de descrédito enceta- das contra este nosso estimado companhei- ro”. Aí estão os melhores exemplos de inge- nuidade e estreiteza de visão. O professor Wirz já alertava, em mea- dos dos anos 70, que casos dessa natureza exigiam muito cuidado, precisavam ser ex-

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Rick Stan

Guillermo Giménez

de Buenos Aires, Argentina

D entro da casuística ufológica argentina há numerosos incidentes que monopolizaram a atenção não só em nível nacional mas também internacional, pelas ca- racterísticas de seus fatos. Um deles é, sem dúvida, o Caso Vidal, que teria ocorrido na província de Bue-

nos Aires, em maio de 1968, quando uma família de sobrenome Vidal viajava de automóvel pela Estrada Nacional 02, indo de Chascomús para Maipú, e teria perdido a consciência ao entrar em uma espessa faixa de névoa. A história dá conta ainda de que eles despertaram, 48 horas após desaparecidos, nas proximida- des da cidade do México, na América do Norte. O incidente ganhou a atenção de todo o mundo e, semanas depois, um manto de silêncio cobriu os fatos. Nem jornalistas nem

um manto de silêncio cobriu os fatos. Nem jornalistas nem Edição 106 – Ano 21 –

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

investigadores puderam ter contato com os protagonistas diretos, pois uma cortina de silêncio caiu sobre o caso e ninguém se atrevia a falar qualquer coisa. Apenas conjec- turas e suposições rodeariam o incidente. O Caso Vidal seria considerado um dos mais espetaculares incidentes argentinos de teletransporte, termo usado na Ufolo- gia para se referir a situações em que pessoas ou objetos – nes- te caso o veículo, junto com seus ocupantes–, são transladados em curto tempo, por meios desconhecidos, de um lugar para outro. Tal fenômeno viola por completo as barreiras de espa- ço-tempo e constitui um mistério para a Ufologia. No Caso Vidal, teria havido teletransporte da Argentina, na América do Sul, para o México, 6.400 km de distância.

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25 25

Argentina Turística

Numerosos periódicos argentinos re- percutiram a notícia. O diário de Buenos Aires La Razón publicou a informação sob

o

título O Que é Isso? Os demais também

o

fizeram com algum estardalhaço, como

o

La Nación, que apenas não mencionou o

detalhe da estranha névoa, e o La Maña- na, único jornal a informar a presença de um UFO no caso. Outros periódicos abor- daram o incidente com mais ou menos de- talhamento. O destacado ufólogo argenti- no Oscar A. Gallindéz, que investigou a suposta abdução, relatou o episódio na re- vista inglesa Flying Saucer Review, de se- tembro de 1968, sob o título Teleportation from Chascomús to Mexico [Teletranspor- te de Chascomús ao México]. No come- ço de maio de 1968, o doutor Geraldo Vi- dal, conhecido advogado argentino, deci- diu assistir a uma reunião familiar em companhia de sua esposa, a senhora Raffo, que deveria acontecer na cidade de Chas- comús, a menos de 120 km de Buenos Aires. Saíram da reunião pouco antes da meia-noite e decidiram ir de automóvel até Maipú, localidade a uns 150 km ao sul de Chascomús, pois tinham ali amigos e pa- rentes”, relatou Gallindéz.

TELETRANSPORTE INUSITADO Ainda se-

gundo o ufólogo, os Vidal tomaram a Es- trada Nacional 02. À sua frente seguia, noutro carro, um casal amigo que também tinha família em Maipú. Este outro casal, cujos nomes não se conhece, chegou a Maipú sem o menor incidente. Mas o mes- mo não ocorreu assim com os Vidal, cujo atraso começou a preocupar quem os es- perava. Então, os amigos que chegaram antes ao destino decidiram regressar pela mesma estrada para ver se os encontrava, sem sucesso. Não se achou o menor traço do carro ou de seus ocupantes. 48 horas depois do suposto desapare- cimento, uma chamada telefônica teria sido recebida na residência de uma certa famí- lia Rapallini, em Maipú, procedente do consulado argentino na cidade do Méxi- co. No telefonema, Geraldo Vidal infor- mara seus amigos que ele e a mulher esta- vam bem, que se encontravam de malas prontas para voltar à Argentina e fornecen- do-lhes a hora exata de sua chegada ao Ae- roporto Internacional de Ezeiza, em Bue- nos Aires. Segundo a versão mais comum desse caso, quando chegou à cidade, o ca- sal Vidal era aguardado por amigos e fa- miliares, e Raffo Vidal foi levada direta- mente do aeroporto para uma clínica pri- vada, pois se achava em estado de choque. Foi nesse instante que o homem teria con- tado a seus familiares o estranhíssimo acontecimento que haviam protagonizado. Disse ele que, quando se achavam já nas

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Arquivo UFO
Arquivo UFO

Todo mundo naquela época conhecia alguémque assegurava ter conversado com os protagonistas do caso, os Vidal. Mas quando se tentava buscar dados mais sólidos sobre o suposto episódio, nada se conseguia

ALEJANDRO AGOSTINELLI

proximidades de Chascomús, na noite de seu desapareci- mento, uma densa névoa materializou- se de repente à frente do veículo e que a partir daquele instan- te ambos não sabiam o que lhes tinha acon- tecido, pois eram in- capazes de entender o que ocorreu durante as 48 horas seguintes. Quando recobraram a consciência, teriam então avaliado o que ocorria ao seu redor. Só nesse momen- to viram que já era dia e que seu carro, com eles no interior, se achava estaciona- do numa estrada des- conhecida. Os Vidal não tinham qualquer arranhão, mas ambos sentiam dores na

nuca e tinham uma sensação de ter dormido durante muitas horas Estupefatos, saíram do carro e ob- servaram que a pintura da carroceria pare- cia ter sofrido os efeitos de um maçarico, embora o motor funcionasse perfeitamen- te. Puseram o automóvel em marcha e avançaram pela estrada desconhecida, que atravessava uma paisagem que não era nem um pouco familiar. Perguntaram a diversas pessoas que encontraram pelo caminho so- bre sua localização e todos lhes respondi- am a mesma coisa: no México! Os relógios dos Vidal tinham para- do, mas com a ajuda de um calendário puderam estabelecer que se achavam au- sentes da Argentina há pelo menos dois dias. Em pouco tempo, mantendo conta- to com autoridades locais, ambos foram levados à cidade do México, onde per- guntaram o endereço do consulado argen- tino e para lá se dirigiram. Ali relataram sua incrível aventura e o cônsul de seu país, don Rafael López Pellegrini, estu- pefato, decidiu então ligar para o tabe- lião Martin Rapallini, em Maipú.

Unidos para estudos. Os norte-americanos teriam ficado tão gra- tos com a atenção dos Vidal que decidiram presenteá-los com um veículo novo da mesma marca e mo- delo, que seria envi- ado diretamente para Buenos Aires. Neste ponto da história, novamente uma cortina de silên- cio cobriria o caso, o que era confirmado pelo mesmo Gallin- déz. Ele teria infor- mado que ninguém se atrevia a falar so- bre o ocorrido, por mais que se insistis- se, mas que era ne- cessário buscar a ver- dade sobre o inciden- te. Naqueles dias, a imprensa argentina continuava publican-

do informes sobre o episódio e o diário La Razón confirmara que a família Vidal havia se comunicado do consulado argentino no México com uma família de sobrenome Rapallini, resi- dente em Maipú. Fazendo-se uma busca no município por pessoas com esse sobre- nome, chegou-se ao tabelião Martin Ra- pallini, que seria amigo ou familiar dos Vidal. Para acrescentar mais mistério à tra-

familiar dos Vidal. Para acrescentar mais mistério à tra- F AMOSA V ERSÃO DA F RAUDE

FAMOSA VERSÃO DA FRAUDE Em se-

guida, don Pellegrini pediu-lhes que man- tivessem total silêncio sobre o caso, para dar tempo às autoridades de efetuarem uma investigação de todas as circunstâncias do estranhíssimo incidente. O automóvel do doutor Vidal era um Peugeot modelo 403, que, ainda segundo a versão mais famosa desse caso, teria sido enviado aos Estados

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

ainda segundo a versão mais famosa desse caso, teria sido enviado aos Estados Janeiro 2005 –
ma, alguns periódicos depois afirmari- am que Vidal não seria o legítimo so- brenome dos
ma, alguns periódicos depois afirmari-
am que Vidal não seria o legítimo so-
brenome dos protagonistas do caso, mas
sim um pseudônimo para proteger os ver-
dadeiros envolvidos. Outros jornais, ci-
osos de sua responsabilidade, tentaram
entrevistar Rapallini, mas o tabelião de-
clarou desconhecer totalmente o assun-
to ou os envolvidos com ele.
Curiosamente, a negativa do rapaz, que
se tornaria insistente, funcionou ao con-
trário do que se previa e acabou por ser
um elemento confirmador do suposto in-
cidente. Os que defendiam o caso alega-
ram que Rapallini tinha recebido ordens
de não falar coisa alguma – e quanto mais
ele negasse saber dos fatos, mais essa teo-
ria ganhava peso. Apenas algumas sema-
nas depois surgiria uma testemunha favo-
rável à tese do teletransporte: um jovem
de apelido Mateyko, que seria familiar dos
Vidal. Ele compareceu a um programa de
rádio de grande sucesso na época Sábados
Circulares de Mancera, conduzido pelo
jornalista Pipo Mancera, falando do fato.
Segundo algumas fontes, como o pró-
prio Gallindéz, também se aventava que a
senhora Vidal, supostamente de nome
Raffo, havia sido internada com problemas
nervosos causados pelos fatos acontecidos,
num hospital local. Esse detalhe, ainda que
nunca confirmado, ganhou corpo e chamou
atenção de ufólogos e autores pelo mun-
do afora. Até o francês Patrice Gaston,
em sua obra Desapariciones Misterio-
sas [Editorial Plaza & Janes, 1975] de-
talhou o fato. “Mas, então, o que fize-
a
ram conosco durante aqueles dias? Em
mãos de quais criaturas estivemos?”, te-
riam sido as palavras da senhora Vidal,
narradas por Gaston em sua obra. En-
quanto isso, outros autores detalhavam
o
falecimento da senhora Raffo em 1969,
supostamente de câncer, mais precisa-
mente de leucemia – produto dos aconte-
cimentos vividos. Como se vê, o fantásti-
co caso continuava somando mistérios.
TUDO MENTIRA — Foram necessários 28
anos para que a verdade sobre o famoso
Caso Vidal fosse finalmente descoberta –
e
36 anos para se divulgar tal verdade à
comunidade ufológica internacional. Pe-
las fantásticas características do incidente
e
por terem sido tantos os impedimentos
para se acessar os verdadeiros protagonis-
tas envolvidos, o caso se converteu num
clássico da Ufologia mundial. Autores de
todo o mundo o toma-
riam como exemplo
de um espetacular
caso ufológico. E isso
acabaria por estimu-
lar o surgimento de
numerosos outros re-
latos de teletranspor-
te, acontecendo no
mundo inteiro.
Tanta coisa foi es-
crita em jornais e,
posteriormente, em li-
vros sobre o assunto –
assim como apresen-
tado em conferências
e programas de tevê –
,
que até os céticos também o comenta-
vam vibrantemente. Peter Rogerson era um
deles. No artigo Recovering the Forgot-
ten Records [Relembrando Fatos Esque-
cidos], publicado na revista Magonia de
setembro de 1994, Rogerson informaria
que na cidade de Buenos Aires lhe con-
firmaram que o caso tinha sido uma gran-
de mentira para ocultar – e assim justifi-
car – os dias de desaparecimento da se-
A Estrada Nacional 02, no trecho entre as ci-
dades de Chascomús e Maipú, ao sul de Bue-
nos Aires, onde teria havido o desapareci-
mento do casal Vidal e seu teletransporte até
uma estrada isolada do México. Os argenti-
nos teriam sido levados com seu veículo, um
Peugeot 403 branco, como este acima
Joseph Strauss
um Peugeot 403 branco, como este acima Joseph Strauss Edição 106 – Ano 21 – Janeiro

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

nhora Vidal, enquanto na verdade ela teria estado internada em um hospital psiquiá- trico. Essa seria uma versão falsa de ex- plicação, cunhada sobre um caso por si só ilegítimo. Como ela, várias outras ver- sões surgiriam, algumas adicionando de- talhes para tornarem o Caso Vidal mais impactante, e outras, baseadas em infor- mações falsas, desmentiam a ocorrência de forma ainda mais descabida. Mas a verdade cedo ou tarde viria à tona. O jornalista e investigador argenti- no Alejandro Agostinelli investigou deti- damente o Caso Vidal e confirmou que tudo foi armado para promover um filme de ficção científica daquela época. Agos- tinelli, em seu trabalho Coches Volado- res: Fraudes, Rumores y Ciencia Ficción [Objetos Voadores: Fraudes, Boatos e Ficção Científica] , desenvolvido junto a Luiz R. Gonzáles e publicado na revista Cuadernos de Ufologia de abril de 1997, diz que entrevistou o cineasta Aníbal Uset, em 1996, e que ele teria reconheci- do a fraude. O jornalista ouviu de Uset que ele próprio inventou a notícia do Caso Vidal com a ajuda do gerente de espetá- culos Tito Jacobson e outros amigos, com intuito de promoverem o filme que es- treou dois meses depois do alegado inci- dente, chamado Che UFO. Do filme participaram os atores Marce- la López Rey, Jorge Sobral, Perla Carón, Juan Carlos Altavista, Javier Portales, Érika Wall- ner, entre outros, atuando sob direção de Uset. Che UFO foi um fracasso total e acabou sen- do destruído pela crítica da época. O filme passou praticamente despercebido do pú- blico e só teve reconhecimento anos de- pois, quando algumas pessoas o converte- ram numa espécie de marco da ficção ci- entífica argentina. O filme retrata um can- tor de tangos que em plena noite de Bue- nos Aires, enquanto passeava, é recolhido para bordo de um UFO com seu Peugeot 403, tal como o Caso Vidal. Ele teria sido abordado na rua por uma linda loira e, logo após muita conversa e uma cena de amor, conduziria o veículo na direção de uma potente luz proveniente de um disco voador, que o detém e o adormece.

MORENA EXTRATERRESTRE A loira, as-

sustada, sai do carro e é despida por algu- ma força estranha emanada do UFO. O fil- me continua mostrando o motorista condu- zindo o veículo, porém já de dia e com uma morena ao lado, supostamente extraterres- tre, por uma estrada nos arredores de Ma- dri, Espanha. Che UFO apresenta ainda ou- tras cenas e casos de teletransporte em Lon- dres, acabando no Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, quando seu intérprete é atraído para um avião, suposta-

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mente um UFO camuflado e cheio de lin- das aeromoças. Uma história realmente fan-

tástica, mais até do que aquela que se in- ventou para promovê-la! Uset também re- velou ao jornalista Agostinelli que a supos- ta testemunha do Caso Vidal que havia se apresentado no programa Sábados Circu- lares de Mancera tinha sido ninguém mais, ninguém menos que seu ajudante pessoal, um ator secundário do filme, Juan Alberto Mateyko, hoje famoso animador de televi- são. Mas o diretor declarou-se alarmado com

a forma como a história do

Caso Vidal havia assumido notoriedade e que o efeito

“bola de neve” que o envol- veu foi uma das razões que

o levaram a se calar e não

revelar a verdade. “Veio tanta gente con- tar-me o que tinha conhe-

cido com o tal casal Vidal que comecei a acreditar na história, imaginando que a mentira que inventei coin- cidia com algo que havia

se passado realmente”, de-

clarou. A Uset não interes- sa remexer o passado e

voltar a esse assunto, e foi muito difícil conseguir seu testemunho, segundo in- formou Agostinelli. “Toda

a história foi criada por

Jacobson e Uset durante uma viagem entre Monte- vidéu e Buenos Aires”, de- clara o jornalista. Enfim, o que se sabe é que se pas- saram quase 40 anos da- queles fatos e hoje a ver- dade vem à tona: tudo foi

uma grande farsa! Mas é importante se destacar o mecanismo des- sa mentira e como ela ganhou vida pró- pria. Apesar de ter sido um clássico da Ufologia mundial, hoje o famoso Caso Vi- dal passará para a história como uma triste

lembrança, onde a mentira reinou desde

o início, tramada por jornalistas que pre- tenderam dar fama a um filme trash de ficção científica argentino.

dedicado a crenças extraordinárias. Ele voltou a admitir que o caso era intrigante e popular, quase convincente, quando co- meçou a se interessar pelo tema UFO, em meados dos anos 70. “Qualquer um co- nhecia alguém que assegurava ter conver- sado com os protagonistas do fato, os Vi- dal. Mas quando se tentava buscar dados mais sólidos sobre o suposto episódio, nada se conseguia”, disse Agostinelli, que ainda descreveu o caso como um emara- nhado infinito de notícias vagas.

mília com o misterioso casal do tal tele- transporte ao México. Quando o tabelião Martín Rapallini afirmava desconhecer todo o assunto, os diários La Razón e La Capital, meios que alimentaram a fraude, reproduziram seu desmentido com um es- tudado ar de c eticismo, fazendo-o escorre- gar nas entrelinhas de modo que, ao negar

tudo, em realidade ele estava reforçando o Caso Vidal. Segundo se argumentava nos meios jornalísticos da época, “havia uma es- treita proibição de continuar difundindo o caso”. Foi o periódico La

Capital, de Mar Del Plata, o diário que batizou de Vi- dal o até então anônimo ca- sal teletransportado.

UFO Photo Archives
UFO Photo Archives

A Argentina rivaliza com o Chile e o Brasil, na América do Sul, como tendo maior quan- tidade de casos ufológicos. O Brasil, no en- tanto, ocupa a primeira posição, embora, no país vizinho, algumas observações registra- das sejam de grande significado

O mecanismo de criação e propagação da lenda viria à tona junto da verdade so- bre ela. “Até então, não só ignorávamos tudo sobre as características e o processo de transmissão de um boato, quanto o ali- mentávamos ativa e inocentemente”, dis- se Agostinelli. Ele afirma também que foi estimulado a investigar o caso pelo tam- bém ufólogo argentino Alex Chionetti, que em 1980 viajou a Maipú para entrevistar integrantes da família Rapallini – que, para a imprensa, eram os únicos protagonistas indiretos e localizáveis do caso. Nunca se soube como nem quem relacionou essa fa-

PSEUDÔNIMO O sobre-

nome poderia ter se origi- nado de Coronel Vidal, uma localidade próxima ao ce- nário dos presumidos acon- tecimentos. Foi dito na oca- sião que aquele era um pseudônimo para proteger os envolvidos da voracida- de da imprensa, já que o “doutor Vidal era um pres- tigiado profissional”. “Foi justamente este anonimato inviolável que garantia a inverificabilidade do caso, essencial para que se tor- nasse uma lenda urbana”, comentou Agostinelli. Assim, pelo que se apu- rou desse incidente já se pode assegurar, com folga- da margem de certeza, dada pelo esforço de muitos es- tudiosos do tema e pela pas-

sagem do tempo, que ja- mais houve evidência alguma da existên- cia de um casal que tivesse protagonizado uma aventura com essas características, nesse lugar e naquela época. Também está confirmado que dois meses depois do su- posto teletransporte estreou Che UFO, um filme com ingredientes baseados no caso, cuja produção tinha começado muito an- tes que se lançasse a público a “notícia” da viagem dos Vidal. “Havia a desconfi- ança de que o caso tinha sido uma farsa, até 1996, quando localizei Uset e come- çamos a nos reunir. Entre o segundo e ter- ceiro encontro, quando tínhamos conquis- tado confiança mútua, ele começou a de- senrolar sua versão sobre como os fatos ocorreram. O testemunho de Uset foi cru- cial”, complementou Agostinelli. Mas ainda que Uset não tivesse coo- perado com as investigações, o paralelis- mo entre o conteúdo do filme – o teletrans-

MECANISMO DE FORMAÇÃO Apesar dis-

so, a busca da compreensão de todos os meandros de sua engendração continua, pois a riqueza da lenda que se criou em torno do Caso Vidal merece melhor escla- recimento. Ele tinha sido tão espetacular e tanto se escreveu a seu respeito, que eu queria saber ainda mais sobre o mesmo. E assim, em janeiro de 2004, entrei novamen- te em contato com Agostinelli, hoje editor do site Portal Hispano [www.dios.com.ar],

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Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

editor do site Portal Hispano [www.dios.com.ar] , 2 8 :: www.ufo.com.br :: Janeiro 2005 – Ano
Steve Neil
Steve Neil

caso tinha sido “uma fraude para justi- ficar a ausência da senhora Vidal, en- quanto estava internada em um hospital psiquiátrico”. Essa foi outra lenda ur- bana criada com base no Caso Vidal, por si só um mito. “Mas o que talvez mais me surpreendeu tenha sido um comentá- rio que Uset me fez de passagem. Quan- do se deu conta da magnitude da histó- ria, o diretor disse que chegou a consi- derar que o caso tinha mesmo aconteci- do”, disse Agostinelli. “A confusão en- tre mentira e realidade era tão grande que cheguei a pensar que nossa história coincidia com algo que tinha se passa- do realmente”, disse-lhe Uset.

UM PONTO FINAL Esse é um caso que ajuda a compreender como se arquitetam algumas histórias ufológicas e muitas ou- tras mitologias modernas. Se até o pró- prio criador da fraude é capaz de acredi-

porte para um país distante de um au- tomóvel que vai por uma estrada so- litária, que tanto no caso Vidal como na película fora um Peugeot 403 branco – e a estrutura do relato for- necido pelos meios de comunicação indica claramente que a relação en- tre a “notícia” e o filme, que estreou pouco depois, era óbvia.

Na maioria das vezes, abduzidos são devolvidos aos mesmos locais onde foram capturados. Mas há casos em que são deixados pelos raptores a cen- tenas de quilômetros, numa circunstân- cia chamada teletransporte

tar nela, isso quer dizer que o misté- rio é capaz de sobreviver a qualquer refutação. Por isso, aparentemente, os mitos parecem invencíveis. Hoje o Caso Vidal, que teria ocorrido em maio de 1968, está esclarecido. Sa- bemos que a história é outra sobre este episódio supostamente ufológi- co, que tanta atenção chamou do mundo inteiro, e a verdade surpre- enderá a comunidade ufológica mundial. Tudo isso demonstra como é importante levar a cabo “reinves- tigações” e “releituras” de inciden-

tes envolvendo a presença alieníge- na na Terra – mesmo nos casos conside- rados clássicos da Ufologia. Devemos todos estar abertos às possi- bilidades, ser flexíveis e conduzir novas investigações, desprendendo-nos de con- ceitos inquestionáveis e reformulando, sempre que possível, nossos próprios con- ceitos, se assim for necessário. Ver a outra realidade, por mais obscura que seja, e ir depurando os casos são condutas saudá- veis e imprescindíveis. Tudo isto conta a favor da verdadeira Ufologia, que deve ser separada da mentira e da malícia.

FRAUDE JORNALÍSTICA Há sufici-

ente evidência para se afirmar que um dos casos que contribuíram para ori- ginar a onda ufológica que teve lu- gar na Argentina, em 1968, foi uma fraude jornalística para promover um filme. E que, graças à precisa construção do relato e à predisposi- ção cultural que havia nessa época para aceitá-lo, ela cresceu em cre- dibilidade e conseguiu instalar-se no

imaginário social, convertendo-se no que agora se conhece como lenda ur- bana, um mito que ganhou vida própria. O ponto mais persuasivo da lenda fez com que ela escapasse das mãos dos seus cri- adores, crescendo sem parar. Ainda hoje, na Argentina, se acredita amplamente no incidente. Essas conclusões nos dizem algo sobre como se constroem mitos na Ufologia. Mesmo os ufólogos que brilha- vam na época deram o caso como verda- deiro, sem que ninguém jamais tivesse en- trevistado os Vidal. Publicaram-se artigos em revistas como a Flying Saucer Review inglesa ou Lumières Dans La Nuit fran- cesa. Escreveram-se livros e o relato foi citado mil e uma vezes em conferências, progra mas de rádio e televisão. Na outra ponta do espectro da lenda, claro, também apareceram os céticos de plantão, como o citado Rogerson. Ele, ale- gando ter conhecimento do paradeiro de um informante anônimo, escreveu que o

do paradeiro de um informante anônimo, escreveu que o Guillermo Giménez é analista de sistemas e

Guillermo Giménez é analista de sistemas e pro- fessor. Trabalha atualmente numa companhia ar- gentina de energia elétrica em Necochea e é con- sultor da REVISTA UFO. Seu endereço é: Av. 74, nú- mero 3347, Necochea, Buenos Aires, 7630 Ar- gentina. E-mail: gdgneco@yahoo.com. Este texto foi traduzido por Neide Tangary, da EQUIPE UFO.

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traduzido por Neide Tangary, da E QUIPE U FO . Publicidade Edição 106 – Ano 21
traduzido por Neide Tangary, da E QUIPE U FO . Publicidade Edição 106 – Ano 21

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

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Alexandre Calandra

e Equipe GPU

S ão Tomé das Letras, cidade mi- neira situada a 35 km de Três Corações e 55 km de Varginha, é um dos mais notórios epicen-

tros da atividade ufológica no Brasil. O local é repleto de histórias contadas por

moradores e turistas, que se confundem com lendas e uma boa dose de misticis- mo. O Grupo de Pesquisas Ufológicas (GPU), de Americana (SP), realizou in- vestigações de campo em vários pontos do município, além de outras atividades relacionadas à Ufologia, e coletou uma vasta quantidade de relatos ufológicos, confirmando a fama da cidade e estimu- lando o lançamento de teorias que expli- quem uma eventual preferência de ETs por aquela bela região mineira.

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São Tomé foi edificada em uma ele- vação situada na borda da Serra da Man-
São Tomé foi edificada em uma ele-
vação situada na borda da Serra da Man-
tiqueira. O local conhecido como Cru-
zeiro é o ponto mais alto da cidade, com
1.444 m de altitude. O município tem 368
km 2 e faz fronteira com as cidades de Três
Corações, Luminária, Cruzília, Baepen-
di e Conceição do Rio Verde. Seu clima é
tropical de altitude – com verões ame-
nos, úmidoseinvernossecos.Atempera-
tura média durante o ano varia entre 14
e 26 graus. Cercando a elevação onde está
a cidade encontra-se um belo vale verde.
Estima-se que cerca de 6 mil pessoas vi-
vam no município. Conforme sua histó-
ria oficial, tudo começou com os bandei-
rantes paulistas expulsando os índios ca-
taguases, habitantes primitivos da re-
gião sul de Minas Gerais.
Aorigem de São Tomé das Letras está
ligada à construção de uma capela em
1770, por iniciativa do padre Francisco
Alves. Em torno dessa construção, erigi-
da ao lado da Gruta São Tomé, desen-
volveu-se um arraial, e assim foram sur-
gindo seus primeiros habitantes. Em
1785, o português João Francisco Jun-

queira mandou construir outra igreja no lugar da capela, a atual matriz. João foi sepultado nela em 1819, e mais tarde seu filho, Gabriel Francisco Junqueira, o Barão de Alfenas. Em 1837, São Tomé estava subordinada à Vila de São João Del Rei. Mas pouco depois o arraial foi desmembrado de Carrancas, sendo ele- vado a distrito. Em 1840 foi transferido para Baependi, em 1841 para Lavras, e em 1842 novamente para Baependi.

CIDADE DAS PEDRAS O município

foi criado tempos depois, no ano de 1962.

A mineração é a principal atividade da

região, empregando boa parte da popu-

lação de São Tomé e das cidades vizinhas.

A grande quantidade de quartzito exis-

tente naquelas terras fez com que o mi-

nério ficasse conhecido como Pedra São

ToméeomunicípiocomoCidadedasPe-

dras. O quartzito é exportado para a

Europa e Japão, e concorre com o már- more e o granito. É usado em tampas,

bancadas,muros,fachadas,passeios,de-

coração interna etc. Além de ser uma pedra de muita beleza, é antitérmica e

Janeiro Janeiro 2005 2005 Ano Ano 21 21 Edição Edição 106 106

beleza, é antitérmica e Janeiro Janeiro 2005 2005 – – Ano Ano 21 21 – –

Fotos cortesia Ubirajara Franco Rodrigues

antiderrapante. Infelizmente, sua extra- ção tem saído cara para a natureza, pois em mais de 40 anos de mineração desor- denada e sem fiscalização as elevações da região tiveram sua aparência alterada com enormes manchas brancas. No ano de 1996, pesquisadores mi- neiros iniciaram um projeto de conscien- tização dos mineradores e adequação ambiental da atividade de extração da Pedra São Tomé. Segundo a Cooperati- va dos Extratores de Pedra do Patrimô- nio de São Tomé das Letras (Coopedra), seus 87 cooperados seguem, rigorosa- mente, o novo modelo de extração do quartzito. Eles perceberamque isso pro- longa a vida útil das pedreiras, aumenta a produtividade e diversifica o mercado. O nome São Tomé das Letras origi- nou-se de um estranho caso, acontecido pelos idos de 1700 naquela localidade. João Antão, escravo da Fazenda Campo Alegre, de propriedade do Capitão João Francisco Junqueira, não suportando mais os maus tratos fugiu, abrigando-se na gruta que hoje leva o nome de São Tomé. Ali viveu um bom tempo da caça,

leva o nome de São Tomé. Ali viveu um bom tempo da caça, Edição Edição 106

Edição Edição 106 106 Ano Ano 21 21 Janeiro Janeiro 2005 2005

pesca,frutassilvestreseraízes,abundan-

tes na época pela região. Um certo dia chegou a ele um senhor de boa aparên-

cia e trajando roupas de cor clara. En- tão João lhe contou o motivo de estar re- fugiado. Em seguida, o misterioso senhor escreveu um bilhete e o entregou, afir- mando que se levasse essa mensagem ao seuamoeleseriaperdoado.Antãoseguiu

o conselho e, quando o bilhete foi entre- gue, João Francisco se surpreendeu com

a bela caligrafia e boa ortografia. Ouvindoahistóriasobrequemeonde

a mensagemhavia sido escrita, o capitão

ficou intrigado e, então, formou uma co-

mitiva ordenando que Antão os guiasse até aquele lugar. Quando chegaram na gruta não viram ninguém, apenas uma pequena imagem em madeira do após- toloSãoToménumcanto.Ocapitão,por ser de profunda religiosidade, levou a

estatueta para sua casa. Mas daí um fe-

nômenosobrenaturalsucedeu:aimagem

sumiu, reaparecendo na Gruta São Tomé. E isso se repetiu por várias vezes.

João Francisco, crendo estar diante de um milagre, mandou erguer uma igreja

Alguns pontos turísticos de São Tomé:

uma pirâmide de vidro, uma casa de pedra à beira de um abismo e a Igreja do Rosário, construída sem argamassa. Na foto de fundo, uma visão panorâmica do município, tendo ao centro a Igreja Matriz

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Alexandre Calandra

Alexandre Calandra Daí, o trio escondeu-se ali perto e ob- servou quando Chico colocava lenha na

Daí, o trio escondeu-se ali perto e ob- servou quando Chico colocava lenha na fo- gueira, quase debaixo da gruta. Depois, vi- ram o mesmo pôr o conteúdo da garrafinha na lamparina e, com um pedaço de pau reti- rado da fogueira, atiçar fogo no pavio. Aguardando o resultado, testemunharam, estupefatos, a lamparina acender normal- mente. Viram, ainda, que Chico estava de joelhos proferindo umas palavras estranhas, num tom parecido com um lamento. Existem outros casos enigmáticos sobre Chico Taquara. Contam que ele tinha poderes paranormais, como se transformar numa moita de ramos, árvore ou cupinzeiro, quando per-

cebia que era perseguido por alguém intenci- onado em lhe perturbar. Alguns acham que ele não era nada de especial, simplesmente um homem de bom coração com problemas mentais, que vivia como um andarilho. Sua misteriosa história e desaparecimento

dão margem a muitas teorias sobre a sua origem e o seu paradeiro. Esotéri- cos afirmam que ele era um ser intra- terrestre com uma missão na Terra. Eles garantem ainda que na gruta onde Chi- co morava existe um portal para um mundo intraterreno. E que Chico não ficava sempre ali, e sim uma imagem holográfica de sua pessoa para que ele pudesse atravessar o portal e se ausen- tar sem suspeitas. Quando ele sumiu, em 1926, alegam que voltou para o seu verdadeiro mundo, uma vez que sua missão aqui havia terminado.

O GPU realizou muitas entrevistas em São Tomé das Letras, oportunidade que pôde se inteirar da rica e importante casuística local. Não há dúvidas de que seres extrater- restres com suas naves têm realizado opera- ções por ali. Nosso primeiro entrevistado foi

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

entrevistado foi Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106 ao lado da gruta. Em um

ao lado da gruta. Em um paredão dessa gruta encontram-se inscrições em tons avermelha-

dos, semelhantes a letras, feitas possivelmen-

te pelos índios cataguases. Essas letras e o es-

tranho caso de João Antão foram os responsá-

veis pelo batismo do município como São

Tomé das Letras. Muitos acreditam que aque-

le senhor vestido de branco visto pelo escravo

era o próprio apóstolo São Tomé.

los pés. Naquele local ermo, longe da cidade, seu esposo não viu outra saída senão rezar. Enquanto orava lembrou de Chico e, então, pegou seu cavalo e correu até a gruta onde ele morava. Ali chegando, Chico estava na entra- da da gruta e lhe disse para voltar que já esta- va indo, dando entender que sabia o que se passava. Meio contrariado com a recepção, o fazendeiro retornou levando cerca de uma hora e meia para chegar em sua propriedade. Ao avistar sua casa estranhou, pois como saía grande quantidade de fumaça da chami- né do fogão, pensou quem poderia estar utili- zando-o, se ali só havia a esposa acamada. Imaginou que talvez fosse o seu filho mais velho, que, apesar de trabalhar numa roça dis- tante e só chegar ao anoitecer, naquele dia poderia ter regressado mais cedo. Quando entrou em casa o homem viu, com espanto, sua esposa em pé à beira do fogão esquen- tando um tacho com água. No quarto, obser- vou um recém-nascido que choramingando esfregava os pezinhos. “Louvado seja Deus!”, exclamou ele. “Chamei Chico Ta- quara sem necessidade”, completou. E sua mulher, alegre, lhe disse: “Como? Pois não faz dez minutos que Chico saiu daqui!”

SER INTRATERRESTRE A terceira histó- ria estranha envolvendo esse incrível per- sonagem ocorreu com um antigo proprie- tário de uma venda de secos e molhados em São Tomé, mais dois amigos seus. Chi- co ia sempre a essa venda buscar querose- ne para a sua lamparina. Numa ocasião, aquele trio resolveu pregar uma peça nele. Quando Chico chegou ao estabelecimen- to, de tardinha, o comerciante pegou sua garrafinha e, ao invés de querosene, en- cheu-a de água. Então, combinou com seus dois amigos de seguirem Chico para ver como ele ia sair dessa. Seu gado pastava nas imediações da Gruta do Leão.

CIDADE DIMENSIONAL Chico Taquara é

um outro personagem lendário da mística ci- dade. Filho de José Gonçalves de Góes e Maria Junqueira de Jesus, seu nome era Francisco de Góes Gonçalves. Nasceu no ano de 1840,

num lugar chamado Cainana, e desapareceu em 1926. Sua história está cheia de mistérios, desde o nascimento. Conta-se que quando Maria estava gestante, ela se refugiou em uma caverna após ter uma discussão muito séria com José. Ali foi acolhida por seres lumino- sos que a levaram para uma “cidade dimen- sional”, onde fizeram o seu parto e lhe deram roupas novas. Então, Maria retornou para a fazenda, mas sem o filho. Quando José a viu, estranhou sua boa aparência, as roupas novas, além da fantástica história sobre os seres lu- minosos e a tal cidade. Ele reclamou do sumi- ço do filho que, conforme a mãe, havia ficado aos cuidados daqueles seres. 25 anos depois Chico Taquara apareceu de súbito na proprie- dade de seus pais e, sem falar quem era, aju- dou-os na colheita de milho. José morreu sem saber que Chico era seu filho. Chico Taquara ficou conhecido pelas cu- ras milagrosas que operava e outros eventos sobrenaturais que o cercavam. Sua aparên- cia, segundo contam os antigos, era de um homem alto, branco, de barba e cabelos com- pridos – com argolas de ferro penduradas nas pontas. Chico conversava com os animais e, quando batia as mãos nos ombros, ou pal- mas, os passarinhos pousavam em seus om- bros ou em sua cabeça. Ele andava pelo

povoado com cerca de cinco vacas e

cinco bezerros mestiços e, antes de en- trar em algum estabelecimento, risca- va um círculo, de onde os animais não saiam. Era acompanhado por abelhas

e outros insetos, pois costumava un-

tar seus cabelos com cera e mel. Sua casa, dizem, era uma gruta situada próxima à cidade. Cheio de virtudes, realizou muitas proezas. Certa feita um fazendeiro em São Tomé teve uma de suas vacas picada por uma cascavel. Daí, sem recursos,

recorreu a Chico. O homem benzeu a

vaca e dois dias depois ela estava cura- da. Outro caso é o de Ana, esposa de um fa- zendeiro, quando estava para ter seu terceiro filho. Entrando já no quarto dia em trabalho de parto, bateu o desespero na família quando constataram que a criança estaria nascendo pe-

32 :: www.ufo.com.br ::

criança estaria nascendo pe- 3 2 :: www.ufo.com.br :: Júlio César Souza Mendes, residente em São

Júlio César Souza Mendes, residente em São Tomé, teve vários encontros com objetos voa- dores não identificados. Ele informa que a inci- dência ufológica é intensa na cidade, com mui- ta gente relatando contatos de vários graus

O Centro de Exposição Ufológica de São Tomé das Letras, onde o público pode conhecer
O Centro de Exposição Ufológica de São Tomé
das Letras, onde o público pode conhecer de-
talhes da incidência ufológica da região e as-
sistir a vídeos sobre o tema. Abaixo, fachada
do templo da Eubiose, que tem no município
grande atividade investigativa e cultural
um efeito como aquele do filme Contatos
Imediatos do 3º grau. “Era estranho, pois ela
parecia estar rolando. De repente surgiu uma
luz lá embaixo no vale, sobre uma estradinha
de terra que vai de São Tomé para as cacho-
eiras da Eubiose, do Flávio etc. Pensei que
fosse um caminhão, mas a luz saiu da estrada
e
começou a sobrevoar a mata”. Aquilo foi
deslizando sobre a
encosta da eleva-
ção onde se en-
contra a cidade,
ganhando altura
até chegar nas pro-
ximidades da Pe-
dra da Bruxa.
Quando o UFO
contornava a beira
da elevação, a uns
20 m de distância
de mim, o rapaz
pôde ver que aqui-
lo era um engenho
com a forma de
dois pratos sobre-
postos, separados
Arquivo UFO
Ubirajara F. Rodrigues

por um cinturão translúcido. Acima dele havia um domo, tam- bém translúcido. “É interessante como o UFO se deslocava, deslizando lentamente no ar, meio inclinado. Quando o objeto chegou mais perto, meu coração bateu acelerado. Observei que dentro do domo havia um ser de aparência humana, moreno, de cabelos pretos curtos e batidos. Estava em pé e apre- sentava uma feição serena. Vestia um maca- cão justo ao corpo, de cor prata fosco”. Da posição em que estava, só podia enxergar o ser da cintura para cima. Na parte inferior do UFO havia uma protuberância arredondada, que projetava uma luz intermitente nas co- res violeta e alaranjada. Do domo da nave provinha um som baixo, parecido com o de um transformador. O rapaz notou, também, que a superfície do engenho era feita de algo como um papel alumínio liso.

DEDO NO DISPARADOR O UFO se apro-

ximou da ruazinha existente ao lado da Pedra da Bruxa e, em seguida, parou. “Naquele mo- mento, como eu portava uma câmera Kodak 735, de foco fixo, pensei em fazer um flagran-

te da nave. Mas, quando coloquei o dedo no

disparador, subitamente o tripulante do UFO se virou em minha direção e disse-me telepa-

ticamente: ‘Feliz daquele que não viu mas crê’”. Naquele momento Mendes se sentiu

o comerciante Ail-

ton Donizete Perei- ra. Em 1994, de madrugada, ele es- tava nas proximi- dades da Igreja do Rosário, quando viu um UFO cru- zar os céus do mu- nicípio. “O objeto

movia-seretilinea-

mente no sentido de Baependi, em silêncio. Era bem maior que uma estrela e apresenta-

va cor amarelada”, relatou Ailton ao GPU. No centro da cidade conversamos com Fa- há, que mora em uma comunidade situada no

município. Ela descreveu várias experiências físicas e psíquicas com os UFOs e seres di- mensionais. “Na semana passada mesmo, eu

vi uma nave sobre a comunidade. Foi uma

experiência física. Eles procuram as pessoas

segundoumacompatibilidadeespiritual.Vêm

de diversos planetas e dimensões”, relatou Fa-

há. No Espaço Cultural São Tomé entrevista-

mos Júlio César Souza Mendes, de 37 anos, residente há um ano na cidade. Ele morava em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, e já freqüentava São Tomé há 15 anos. Atual-

mente realiza atividades no Espaço Cultural e também na parte de turismo. Júlio teve diver- sas experiências ufológicas, algumas inclusi- ve de grau elevado, como a que se segue: “No dia 21 de junho de 1991, às 06h00, eu estava

no Cruzeiro. Passei a noite ali, observando o

céu. A incidência ufológica estava intensa e até aquela hora eu já tinha avistado algumas sondas cruzando a cidade. Era uma madru- gada fria, perto de 3 graus negativos”. Ele conta que aguardava o nascer do Sol para bater umas fotos, quando viu no céu, vinda da direção leste, uma grande nuvem que fazia

céu, vinda da direção leste, uma grande nuvem que fazia Edição 106 – Ano 21 –

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

mal, muito envergonhado, e não teve coragem de bater a foto. Segundos após, a intensidade

e intermitência da luz na parte inferior do UFO

aumentou, além do som que provinha do domo e, então, abriu-se um portal no céu. A intermi- tência foi aumentando, até que o UFO virou uma energia e entrou no portal velozmente. Daí tudo desapareceu, e ele não viu mais nada de estranho naquela data. Júlio narrou um outro avistamento mar- cante que fez em São Tomé, no carnaval an- tecipado de 1992: “Numa certa hora da noi- te, a energia caiu repentinamente. Um es- tranho nevoeiro, vindo da direção de Três Corações, começou a tomar a cidade. En- tão, observei que, camuflado nele, havia um imenso objeto cilíndrico que movia-se lenta

e silenciosamente. Apresentava um fundo

metálico, de cor acinzentada. Não havia lu- zes no objeto. Voava à baixa altura, retili-

neamente, em direção à Pedra da Bruxa. Acho que aquilo era uma nave-mãe”.

A GRANDE VELOCIDADE Outra experiên-

cia que Júlio relatou diz respeito a uma possí- vel abdução: “Em 1994, estava na Pedra do Leão, lá pelas 05h30, quando fui tomado por um sono pesado. Então adormeci. Durante o sono, tive a visão de uns seres de corpo volu- moso, pele rosada fina, altura de 90 cm, com uma bata de cores que variavam entre o mar- rom claro e o roxo”. Os seres tinham uma grande cabeça redonda, sendo que os olhos, a boca e o nariz eram simples riscos. A teste- munha percebeu que eles estavam mexendo com ela. Depois de uns 40 minutos, aproxi- madamente, acordou vendo que o Sol já ha- via nascido. Sentiu um incômodo na orelha direita, parecendo que estava surdo, e procu- rou um otorrinolaringologista para fazer uma lavagem. “Quando o especialista realizava

o seu trabalho, escutei algo bater na bande-

ja. Parecia um objeto cilíndrico com 1 cm de comprimento, dividido em três segmentos iguais. No segmento do centro havia algo como um filamento. Ao ver este objeto, o otor- rino saiu correndo com a bandeja”. O GPU prosseguiu com as investigações,

desta vez conversando com o casal Francisca

e Moisés, do Rio de Janeiro. Eles sempre visi-

tam São Tomé. No dia 06 de setembro de 1999 os dois estavam na Pedra da Bruxa, acompa- nhados de cerca de 12 pessoas. Era uma noite de céu limpo, com lua cheia. Por volta das 21h00 viram surgir uma nave com o formato de um charuto, vinda da direção de Cruzília. Esta “desovou” naves esféricas menores, que ficaram bailando no ar. A nave-mãe, por sua vez, projetava luzes de cores branca, laranja e azul, em direção a São Tomé. De repente, as naves menores voltaram à nave-mãe, e ela dis- parou em grande velocidade, desaparecendo. O último entrevistado foi o senhor Car- los Alberto Cata Preta, que tem uma pousa-

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Alexandre Calandra
Alexandre Calandra

de São Paulo. Na noite de 22 de fevereiro realizamos a vigília de número 500 do Gru- po de Pesquisas Ufológicas (GPU) no Cru- zeiro, com a presença do amigo Paulo. Ape- sar de não percebermos nada de estranho, valeu pelo momento histórico do GPU. Nos- sas conclusões sobre a atividade ufológica em São Tomé, conforme as pesquisas que realizamos, é de que o município viveu um bom período de incidência na década de 80, havendo então uma queda de 50% nas dé- cadas subseqüentes. A baixa nos casos não representa a ausência dos extraterrestres na região, uma vez que ainda hoje muitos even- tos sobrenaturais e avistamentos ufológicos são reportados. Alguns místicos locais acre- ditam que o principal motivo da presença dos UFOs em São Tomé seja um imenso cristal existente no subsolo da cidade. Ele funcionaria como um capacitor, que rece- be, acumula e irradia energia cósmica. Os seres por trás dos UFOs, na opinião desses pesquisadores, teriam este capacitor como um ponto de referência na Terra, além de se servirem dele para abastecer suas na- ves e abrir portais dimensionais. Os esoté-

da em São Tomé. Ele con- tou que na segunda quin- zena de 1998, por volta das 20h00, viu surgir no céu 12 pontos de luz se misturan- do com as estrelas. As lu- zes baixaram de altitude formando um risco hori- zontal. Depois desceram mais um pouco fazendo um triângulo. Então, foram variando nas formações, entre o risco horizontal e o triângulo. Finalmente, for- maram um cubo que ficou girando no céu. As luzes eram de cores azul, verde,

amarela e vermelha. Não emitiam nenhum som, nem piscavam. De repente, veio um nevoeiro e encobriu o fe- nômeno. Quando a nuvem passou, as luzes já tinham desaparecido. Durante a estada em São Tomé o GPU visitou e entrevistou ufólogos locais, em es- pecial Oriental Luis Noronha, o Tatá, que descreveu algumas experiências e pesqui- sas suas realizadas pela região. Ele é pio- neiro no assunto no município e vive em São Tomé há mais de 30 anos, período em que teve a oportunidade de observar muitos fenômenos ufológicos. Esses ca- sos estão expostos em livros de sua auto- ria, onde ele discorre também sobre seus estudos das inscrições rupestres da região, um contato imediato com um ser extrater- restre, além de uma abdução acontecida em sua infância. Tatá conhece São Tomé em detalhes e sabe de muitos pontos fre- qüentemente visitados pelos UFOs.

A Pedra da Bruxa, um dos prin- cipais pontos turísticos de São Tomé, considerada as- sombradapor muitosmorado- res, que evitam se aproximar

ricos crêem que na região de São Tomé existam vári- os mundos intraterrenos, e que suas entradas seriam muito bem guardadas e ca- mufladas. Uma das carac- terísticas da região que le- variam à tal conclusão são as numerosas inscrições rupestres de São Tomé. Tratam-se de signos abstra-

tos que se assemelham a si- nais morfológicos, pintados em vermelho. Embora muitos atribuam os desenhos aos ETs, é possível que os seus autores tenham sido os índios cataguases. Fora as inscri- ções, há estruturas rochosas por todos os lados, algumas de aparência curiosa que os místicos alegam terem sido esculpidas por seres interplanetários. Mas, segundo os cientistas, nada mais são do que forma- ções de quartzito metamórfico do período pré-cambriano – superior a 600 milhões de anos – desgastadas pelo vento e pela chu- va. Enfim, sem dúvida alguma, São Tomé é uma viagem que vale a pena a todo inte- ressado por Ufologia. O clima ufológico está no ar, por todos os lados daquele belo lu- gar, e são boas as chances de se obter um avistamento. É ver pra crer!

boas as chances de se obter um avistamento. É ver pra crer! Alexandre Calandra é presidente

Alexandre Calandra é presidente do Grupo de Pesquisas Ufológicas (GPU), editor do boletim UFO Informe e consultor da REVISTA UFO. Seu en- dereço é: Rua dos Pinheiros 476, Fundos, Jar- dim São Paulo, 13465-000 Americana (SP). E- mail: alexandre.calandra@ufo.com.br.

INSCRIÇÕES RUPESTRES Na maioria de

nossas caminhadas pelas trilhas de São Tomé fomos acompanhados pelo ufólogo Paulo Aníbal G. Mesquita, do grupo Exo-X,

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Paulo Aníbal G. Mesquita, do grupo Exo-X , Publicidade 3 4 :: www.ufo.com.br :: Janeiro 2005

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Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

Aníbal G. Mesquita, do grupo Exo-X , Publicidade 3 4 :: www.ufo.com.br :: Janeiro 2005 –

Gilbert Williams

Laura Maria Elias

Parece paradoxal fazer esta pergunta dentro da comunidade ufológica, que vem há quase 60 anos insistindo que alieníge- nas nos visitam e esperando o tão famoso e comentado dia do contato final, que na verdade deveria se chamar contato inicial, já que será o primeiro oficialmente reco- nhecido e registrado pela mídia. No entan- to, cabe aqui um olhar mais atento a esta questão.Serárealmentequeavontadeque esse contato ocorra é unânime? Claro que muitas pessoas querem que isso se dê e vêm gastando tempo e dinheiro em pes- quisas que aos olhos de outros podem pa- recer inúteis, indo contra a opinião de ami- gos e familiares e até mesmo tendo pro-

a opinião de ami- gos e familiares e até mesmo tendo pro- Edição 106 – Ano

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

Edição 106 – Ano 21 – Janeiro 2005

blemas profissionais decorrentes de seu posi- cionamento em relação ao assunto. Porém a pergunta persiste. Será que realmente todos nós queremos este contato? A partir do momento em que governos e universidades passem a fazer suas pesquisas

e estudos desse povo que nos contata, o que

restará aos ufólogos? O que acontecerá quan- do o objeto estudado se confirmar, porém fugir

ao alcance das mãos? É certo que muitas cren- ças desabarão, que certezas virarão fumaça e

quemuitagentequeusaaUfologiacomomeio

de explorar as pessoas e tirar delas dinheiro e

saúde vai se dar mal, ao menos temporaria- mente. Temporariamente porque quem é de- sonesto sempre arruma uma maneira de lesar

o próximo. Contudo, ou talvez apesar de tudo,

seráquerealmentequeremos essecontatodi- reto e inegável? E o que dizer das muitas pes- soas que fazem da Ufologia uma muleta, algo

que as distrai de seus próprios problemas pessoais? E as muitas pessoas que assu- mem a atitude de donos da verdade e sa- bedores de tudo, que afirmam que tudo sabem e conhecem? E as outras muitas pessoas que fazem da Ufologia um palco para um constante desfile de egos, dis- putando um lugar sob os holofotes para se sentirem importantes? Quem são essas pessoas que se ali- mentam da dúvida? Quem não quer que o contato aconteça? Faça a pergunta a você mesmo e ouça a sua resposta.

Laura Maria Elias é economista, estudiosa da interpretação sociológica da Ufologia e con- sultora da REVISTA UFO. Seu endereço é: Rua Manaus 102, 09195-000 Santo André (SP). E-mail: laura.elias@ufo.com.br.

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Busca de Respostas

Afinal, os ETs são bons ou maus?

Muito se tem discutido em Ufologia sobre a índole dos extra- terrestres, se são bons ou maus. Mas afinal, o que é ser bom e o que é ser mau? Muitos filósofos tentaram conceituar estes elemen- tos e chegaram a um consenso, ou

teoria majoritária, de que o bem e

o mal são critérios valorativos, de- pendendo de cada um. Ou, como disse Krishnamurti, “tudo depen- de do observador e do objeto ob- servado”. Então, o que pode ser bom para uns definitivamente não

é para outros. Por exemplo, para

um masoquista, é muito bom ser abduzido contra a vontade, espeta- do por agulhas e amarrado junto à uma mesa, recebendo implantes em seu corpo. Ou ter um filho re- movido da barriga e ser levado embora para algum lugar do es- paço, ou ainda ser traumatizado pelo resto da vida – dentre outros dados resultantes do estudo das abduções. Para outras pessoas, estes são males irremediáveis. Mas também há casos de cura no contexto ufológico, nos quais os abduzidos que sofrem de do- enças terminais receberam solu- ção definitiva. Mas isso é bom ou mau? Foi produzido de maneira propositada ou como um “aciden- te”? Portanto, como se vê, deve-

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mos ir além do conceito de bonda- de e de maldade para entendermos

a ótica das abduções e procurarmos

outros elementos elucidativos para resolver a questão. Devemos con- fiar em nossas análises e nos base- armos em estudos do fenômeno, usando critérios lógicos, analíticos e, se for o caso, intuitivos para des- vendarmos este imenso emaranha- do que é a abdução.

André Luiz de Albuquerque, por e-mail

Surgimento da vida no universo

Há muito tempo o ser huma- no vem se nutrindo de especula- ções que invariavelmente deixam

a desejar, no tocante à criação do

universo e do surgimento da vida na Terra, sobre todos os aspectos – inclusive sobre outros pontos des- te mesmo universo, que ain-

da guardam muitos segredos para os habitantes da Terra. Com isso estamos até certo ponto estagnados, vendo cada dia mais extraterrestres invadirem nosso espaço aé- reo, sem qualquer restrição. Falta-nos consciência e conhecimento sobre eles, o que nos deixa atônitos, aba- lados moral e fisicamente. A falta de um maior entendi- mento da realidade que a hu-

manidade enfrenta se dá em fun- ção da política de acobertamento

dos governos quanto ao Fenôme- no UFO, também praticada por al- guns cientistas e pesquisadores, que sabem da verdade sobre nossa re- lação com aliens, mas não a divul- gam. Com ressalvas, mesmo os mais renomados cientistas diver- gem em suas afirmações em rela- ção à nossa origem, de onde vie- mos e qual a finalidade da nossa presença no planeta Terra. Isso acarreta perguntas sem respostas, ou respostas meramente vagas, sen- do que nosso objetivo de preenchi- mento do âmago de nossas ideali- zações futuras acaba prejudicado. A partir de um melhor enten- dimento da nossa relação com ou-

tros seres do universo e de sua obs- cura participação em nosso passa- do, poderemos iniciar a construção de um entendimento sólido, que vai

dominar o futuro em todos os cam- pos da sabedoria humana. Quem sabe um dia, assim, assimilaremos a tecnologia que hoje os extrater- restres possuem.

Murilo Morais Maciel, Belo Horizonte (MG)

ReflexõessobreCosmoseUFOs

Nosso planeta, segundo estu- dos recentes, tem uma idade apro-

ximada de 4,5 bilhões de anos, as- sim como a maioria dos planetas do Sistema Solar. O Sol, que abri- ga esse sistema, é uma das 200 bi- lhões de estrelas que fazem parte de nossa galáxia, a Via Láctea, e teria uma idade aproximada de 4,7 bilhões de anos. A título de ilustra- ção, citamos que observações re- centes indicam que, até onde nos- sos aparelhos podem alcançar – aproximadamente 15 bi-

lhões de anos-luz –, haveria no Cosmos cerca de 200 bi- lhões de galáxias. A Via Láctea teria se formado há 14 bilhões de anos, é do tipo espiral e tem 100 mil anos-luz de diâme- tro por 90 anos-luz de es- pessura. O Sol situa-se num dos braços mais ex- ternos desta espiral, próxi- mo à borda da mesma, e está distante cerca de 26

Steven MacAllister
Steven MacAllister
da mesma, e está distante cerca de 26 Steven MacAllister 3 6 :: www.ufo.com.br :: Janeiro

36 :: www.ufo.com.br ::

Janeiro 2005 – Ano 21 – Edição 106

e está distante cerca de 26 Steven MacAllister 3 6 :: www.ufo.com.br :: Janeiro 2005 –
anos-luz do centro da galáxia. Existem dúvidas, mas estima-se que o número de estrelas que

anos-luz do centro da galáxia. Existem dúvidas, mas estima-se que o número de estrelas que po- dem possuir planetas ao redor es- taria em torno de 1% desse total. Assim, aplicando-se essa porcen- tagem ao número de estrelas de nossa galáxia, encontramos 2 bi- lhões delas com planetas que as orbitariam. Finalmente, conside- rando-se que nem todas teriam planetas com condições que permitam o desenvolvimento da vida, e estimando-se que cer- ca de 10% deles tenham essas características, ainda assim en- contraríamos o número de 100 milhões de estrelas com plane- tas em condições de desenvol- ver vida superior. Nossos cientistas já consegui- ram detectar diversos planetas ou corpos orbitando estrelas mais ou menos próximas de nós. Mas não existe, por enquanto, um estudo que informe a idade dos planetas pertencentes a outros sistemas es- telares de nossa galáxia. No en- tanto, por correlação lógica, po- demos estimar que poderão exis- tir dezenas de milhões de plane- tas mais velhos que a Terra, numa faixa que poderá ser de alguns anos até milhões de anos – em escala cósmica esses valores po- dem perfeitamente ser considera- dos. A Terra, sabemos hoje, de- morou 4,5 bilhões de anos para resfriar-se e desenvolver vida, como a conhecemos. Há contro- vérsias sobre a origem e idade do homem, mas consideremos como sendo de um milhão de anos. Ora, faz apenas 90 anos que o homem elevou-se no céu, num aparelho mais pesado que o ar. Hoje, pas- sado esse tempo, já fomos à Lua, enviamos sondas a Marte, Júpiter e aos confins do Sistema Solar! Agora, vamos conjecturar um pouco. Suponhamos que 50% dos planetas que têm condições ideais de desenvolver vida pos- sam ter se formado há milhares – ou talvez milhões de anos – antes do nosso. Nesse caso, da- ria para se conceber o grau de de- senvolvimento tecnológico des-

sas civilizações. Com essas con- tas, vemos a probabilidade da existência de civilizações plane- tárias mais desenvolvidas que a nossa, mas podemos também en- tender a probabilidade dessas ci- vilizações viajarem até nós, le- vando-se em consideração o tem- po despendido nessas viagens. Deixando de lado as incertezas metafísicas de viagens através de portais de tempo-espaço ou ata- lhos em buracos negros etc, va- mos analisar apenas as viagens físicas através do espaço que nos separa desses planetas. Considerando-se o grau de desenvolvimento dessas civili- zações, não é difícil imaginar velocidades de deslocamento compatíveis com a velocidade da luz ou mesmo acima dela. E tomando-se por base as estrelas mais próximas da Terra, encon- tramos 50 cujas distâncias estão entre 4 e 16 anos-luz. Se esten- dermos um pouco mais essa es- fera imaginária do espaço para, digamos, 30 anos-luz, encontra- ríamos umas 300 estrelas ou mais. Aplicando-se esse dado ao percentual de estrelas com pla- netas aptos à vida, teríamos um número significativo de plane- tas com vida inteligente e capa- citados a fazerem viagens inte- restelares até o Sistema Solar. Assim, quando vemos a imensa variedade de UFOs re- latados pela imprensa e por ob- servadores diretos, ficamos um tanto perplexos. Afinal, será que é assim tão grande o número dos pontos de origem desses aparelhos? Provavel- mente, sim. Assim como deve- rá ser igualmente grande o nú- mero de planetas habitados no universo. É preciso não se esque- cer que há ainda a possibilidade da existência de planetas ou sa- télites no Sistema Solar com as citadas condições essenciais à vida, o que vem a aumentar ain- da mais o número de nossos vi- sitantes desconhecidos.

Francisco A. Pereira, por e-mail

Compromisso com os leitores Em razão da correspon- dência acumulada e do res- trito espaço
Compromisso com os leitores
Em razão da correspon-
dência acumulada e do res-
trito espaço dedicado a ela,
estou em débito com vários
leitores, pelo que me
prontifico a saldar este com-
promisso na presente edi-
ção. Ao leitor Roberto de A.
Mendes, de Cachoeira Pau-
lista (SP), peço que entre em
contato com este colunista
através do e-mail acima,
para agilizarmos nossa cor-
respondência. A leitora Ma-
ria Aparecida, de Ponta Gros-
sa (PR), expressou sua “in-
digestão” ao ler a matéria
sobre Marte em UFO 104,
Novos Enigmas Investigados
no Planeta Vermelho. Na sua
opinião, além de compro-
meter a seriedade da revis-
ta, que deveria ter mais cri-
tério para publicação, a ma-
téria “ultrapassou os limites
do bom senso”. Mesma opi-
nião têm os leitores Evan-
dro Tavares, de Porto Ale-
gre (RS) e Felipe San Tiago,
de Barbacena (MG).
Outra leitora, Solange
G. Berdenelli, de Lençóis
Paulista (SP), quer saber a
opinião deste colunista so-
bre as séries de tevê Taken,
The 4400 e Arquivo-x, e ou-
tros filmes do gênero. De for-
ma geral, Solange, vejo es-
tes filmes apenas como en-
tretenimento, baseados no
que a história ufológica já es-
creveu sobre o assunto, re-
vestidos da linguagem cine-
matográfica e com o inevitá-
vel e compreensível apelo
ficcionista comercial. Há
quem os leve ao pé da letra,
acreditando que os diretores,
autores ou produtores “sa-
bem das coisas” e procuram
retransmitir esse “conheci-
mento” através de sua arte.
Não vejo desta forma e,
pelo que entendi, você tam-
bém não. É evidente que os
seriados despertam o interes-
se do público na medida em
que mostram cidadãos co-
muns se tornando persona-
gens centrais de aconteci-
mentos que transformam
suas vidas. A série The 4400,
por exemplo, mostra abduzi-
dos retornando depois de
anos com poderes extra-sen-
soriais, e isso acaba virando
um prato cheio para as mais
alucinantes teorias na vida
real. Sobre isso não há ne-
nhum dado comprobatório.
Ao Márcio Montenegro, de
Recife (PE), agradeço as pa-
lavras de apoio ao nosso tra-
balho, extensivas à Equipe de
Redação. Esteja certo do es-
forço de todos para atender
às suas expectativas e dos
leitores em geral.
Se na edição passada
tecemos elogios a vários de-
partamentos da REVISTA UFO,
desta vez há uma reclama-
ção – já encaminhada ao
setor competente – proce-
dente do assinante José
Mauro Júnior, de Curitiba
(PR), sobre o não-recebi-
mento de vários exemplares
com irritante freqüência.
Acreditamos que seja um
caso isolado e que o proble-
ma será resolvido o mais rá-
pido possível, porque a cre-
dibilidade da revista não se
limita apenas ao que ela pu-
blica, mas também – e prin-
cipalmente – à forma como
trata seus leitores.
e prin- cipalmente – à forma como trata seus leitores. Edição 106 – Ano 21 –

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