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Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano | MDU-UFPE Disciplina: Teoria da Formação do Urbano |

Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano | MDU-UFPE Disciplina: Teoria da Formação do Urbano | 2015.01

A produção do espaço urbano e o abastecimento alimentar na cidade

Natália Lacerda Cunha

Este trabalho tem por objetivo apresentar uma síntese das reflexões realizadas ao longo da disciplina Teoria da Formação do Urbano, ministrada pelas professoras Lúcia Leitão e Norma Lacerda, durante o primeiro semestre letivo de 2015, no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco (MDU-UFPE), com um olhar específico a partir dos sistemas urbanos de abastecimento alimentar, tema central do projeto de pesquisa de mestrado da autora. Dentre o conteúdo apresentado na disciplina, foram elegidas, para a elaboração do que segue, as abordagens econômica e sociológica da produção do espaço urbano, sobre as quais lecionou especificamente a professora Norma Lacerda.

Primeiramente abordaremos aspectos introdutórios da relação entre as questões alimentar e urbana, esclarecendo alguns conceitos e noções. Em seguida, são apresentadas reflexões que surgem em torno do tema a partir da bibliografia estudada na disciplina, assim como de discussões em aula.

A questão alimentar e a cidade

A relação entre o alimento e o espaço urbano pode não parecer óbvia a princípio. Entretanto, o abastecimento alimentar se coloca como uma preocupação central desde a formação das primeiras cidades. Sem o desenvolvimento da agricultura e de um sistema de abastecimento e distribuição de alimentos estável e em escala suficiente não se poderiam formar assentamentos humanos permanentes e adensados; mais além, não seria possível a destinação do solo à diversidade de usos e ocupações que caracterizam o espaço urbano (STEEL, 2013). O alimento, necessidade mais vital do ser humano, é, portanto, tão primordial para as aglomerações humanas como a moradia. Contudo, a questão da habitação sempre ocupou lugar central no processo de desenvolvimento urbano, muitas vezes vista como o fim próprio da constituição da cidade enquanto tal. A comida, por outro lado, foi colocada num lugar de condição para o desenvolvimento, e não como parte dele.

Hoje, 4 bilhões de pessoas vivem em áreas urbanas no mundo e se alimentam por meio de uma complicada cadeia por que passa o alimento, desde produção, importação, manipulação, venda, até

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a cozinha, a mesa e o descarte. As cidades são os grandes centros consumidores de recursos do mundo. Assim, atender à demanda urbana por comida é o motivo para o desenvolvimento de um complexo sistema de abastecimento e distribuição de alimentos. Ao mesmo tempo, a capacidade de alcance desse sistema (em termos geográficos) e a sua eficiência possibilita condições elementares para o crescimento físico e demográfico das cidades. Trata-se, pois, de uma relação de mão dupla.

Quando se trata de desenvolvimento urbano, a interligação se amplia se resgatarmos alguns conceitos. De um lado, retomando o debate apresentado por Boisier (2000), não se pode confundir desenvolvimento com o simples acúmulo de objetos materiais e sua dimensão monetária. O termo tem sido conceituado de maneira cada mais intangível e, seguindo essa tendência, o autor sugere entendê-lo como o feito de “cambiar y mejorar situaciones y procesos”, ou ainda “aumentar el bienestar de las personas” (p. 41).

Por outro lado, o alimento em si pode e deve ser considerado mais do que simples “combustível" que permite manter os seres humanos vivos e “funcionando”; ele contribui diretamente para determinar a situação de bem-estar das pessoas. Para compreender a importância da alimentação nos processos de desenvolvimento em sua dimensão intangível, é útil introduzir o conceito de segurança alimentar.

A definição de segurança alimentar e nutricional (SAN) adotada no Brasil e reconhecida pelos formuladores e implementadores de políticas públicas é apresentada como:

a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis (CONSEA, 2004, p.

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Além de considerar o alimento como um direito, essa formulação abarca aspectos de disponibilidade do alimento, equidade social, quantidade calórica, qualidade nutricional, segurança (de não estar exposta a problemas de saúde a partir do alimento consumido), respeito aos hábitos alimentares (de cada lugar, família, indivíduo) e sustentabilidade. Dessa forma, o conceito de SAN

1 Segundo Maluf (2006), a definição brasileira engloba e ultrapassa a erradicação da fome e da desnutrição, manifestações mais graves da insegurança alimentar, e "se diferencia não apenas por destacar a dimensão nutricional, mas também por reunir numa única noção os aspectos da disponibilidade (food security) e da segurança dos alimentos (food safety)”

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desvenda a concepção de alimento como um bem público, resgatando seu valor não-econômico (por exemplo, nutricional, cultural, ambiental) que foi negligenciado pela cadeia de produção industrial e comercialização (POL, 2015); elemento essencial, portanto, no processo de desenvolvimento.

Retornando para a relação com a cidade, de acordo com a FAO (2001), são quatro as consequências mais gerais do crescimento urbano sobre a segurança alimentar na cidade:

1. A demanda por solo para habitação, indústria e infraestrutura compete com a produção agrícola dentro e no arredores da cidade, havendo uma tendência a perder terras agrícolas produtivas;

2. Quantidades cada vez maiores de comida que entram e são distribuídas na área urbana significam um aumento na circulação de caminhões de carga, contribuindo, assim, para congestionamentos e poluição do ar. Estimativas feitas pela organização para cidades específicas mostram, num intervalo de uma década, um aumento provável de caminhões na ordem de dezenas ou centenas de milhares, um quantitativo nada desprezível. Maior demanda por alimentos traduz-se também em maior pressão sobre a infraestrutura de distribuição existente, como armazéns, feiras e mercados, em sua maioria operando já de forma sobrecarregada, ineficiente, pouco higiênica e ambientalmente insustentável.

3. A cultura urbana possui reflexos nos hábitos de consumo alimentar. Consumidores urbanos arcam com um custo 30% maior pela comida comparado ao ambiente rural, dedicam menos tempo à cozinha e demandam mais praticidade e, portanto, mais alimentos processados e refeições prontas, levantando questões acerca dos impactos na saúde. Favorece-se também a proliferação dos supermercados.

4. Processos de segregação socioespacial urbana frequentemente dificultam o acesso ao alimento em áreas carentes de saneamento, vias, eletricidade, mercados, etc. A falta de abastecimento de água, por exemplo, compromete a segurança do alimento; a ausência de refrigerador (por falta de eletricidade) acarreta custos extras de tempo e transporte de comida diariamente, entre outros casos.

O resultado agregado seria o aumento dos custos do sistema de abastecimento de alimentos e maiores dificuldades de acesso pela população urbana.

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Sistema de abastecimento alimentar e regulação urbana

Desde as primeiras civilizações até os tempos pré-industriais, o abastecimento de alimentos era a tarefa mais complexa e imprescindível para a sobrevivência das cidades, sendo portanto uma das prioridades de qualquer governo e uma das atividades de gestão que mais consumia recursos. É o caso da cidade de Uruk, fundada pelos Sumérios em 3500 a.C. e considerada uma das primeiras cidades erguidas, onde há os registros mais antigos de um órgão administrativo e regulador “dedicado quase inteiramente à gestão das hinterlândias agrícolas”; "e muitos especialistas acreditam que foi a complexidade dessa tarefa que levou os sumérios a inventar a escrita” (STEEL, 2013, tradução nossa).

Até meados do século XIX quase todas as grandes cidades possuíam instrumentos normativos de controle sobre a cadeia de abastecimento para evitar poder de monopólio, impedindo que qualquer um tivesse participação de mercado larga demais ou controle de mais de um estágio na cadeia produtiva. Zoneamentos reservavam áreas para produção e determinava o que deveria ser cultivado em cada parte, dependendo da distância dos centros e dos tipos de transporte necessário para levar o produto ao mercado. As rotas de abastecimento, por sua vez, contribuíam para dar forma às cidades, aos acessos externos e ao sistema viário interno (STEEL, 2013).

A introdução da ferrovia e de tecnologias para conservar o alimento libertou a cidade de constrangimentos geográficos e tornou acessível um estoque de terra agriculturável muito maior, liberando as franjas urbanas para expansão urbana. O sistema alimentício se transforma, com a evolução de elementos como um sistema de transporte de cargas mais eficiente, a produção agroindustrial em larga escala e a indústria de alimentos processados, entre outros. Na medida em que o setor se torna cada vez global, as regulações urbanas desaparecem.

Mais tarde, o modelo de crescimento urbano extensivo, típicos dos anos 1960 e 1970, baseado no deslocamento contínuo das margens da área urbana e no movimento centro-periferia constitui-se de uma contínua supressão dos espaços antes destinados à produção de alimentos localizados na cidade ou no perímetro urbano. A suburbanização do período fordista estava atrelada ao consumo de bens duráveis e ao uso do automóvel (ABRAMO, 1995). É também nesse período que surgem os primeiros supermercados. São indicativos de que tal modo de regulação urbana - instituições que permitem a reprodução e a expansão da espacialidade urbana - e estrutura urbana - base sobre a qual

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se organiza o espaço -, como conceitua Abramo, são possibilitados também pela existência de um complexo sistema de abastecimento alimentar. Este, por sua vez, ao mesmo tempo em que é condição para esse modelo urbano, é impulsionado e conformado por ele.

No Brasil, a migração campo-cidade durante as décadas de 1970 e 1980, decorrente das novas relações de produção no campo e da industrialização da cidade, gerou um contingente populacional que não podia ser absorvido pelo mercado de trabalho formal. Ao chegar na cidade, tampouco encontram espaços naturais disponíveis para exercerem sua antiga atividade. O resultado é o

aumento exponencial da pobreza urbana, isto é, da parcela da população em maior risco de insegurança alimentar, seja pela falta de acesso à infra-estrutura, seja pela dependência da compra

de alimentos e da destinação da maior parte da renda familiar para isso.

Paralelamente, a produção de alimentos torna-se cada vez mais concentrada em poucas empresas e em modelos industriais baseados no uso intensivo de agrotóxicos e transgênicos, com consequências sociais, ambientais e de saúde coletiva.

Como discutido na disciplina, o paradigma de explicação da dinâmica urbana da época, com forte influência marxista, ressaltava uma crise urbana decorrente da incapacidade da organização social

capitalista em assegurar os meios de consumo coletivo necessários à reprodução da força de trabalho (por priorizar o que dá retorno maior e mais rápido). Pode-se estender essa análise para a alimentação (como meio de reprodução da força de trabalho) e a produção agrícola de menor escala (como atividade de menor rendimento). A corrida por aumentar a renda fundiária ocupando o solo

de

forma mais lucrativa ajuda a explicar o papel secundário da questão alimentar, a subvalorização

da

produção agrícola e apropriação dos espaços de produção de alimento para expansão do mercado

imobiliário.

A partir dos anos 2000, com a retomada da produção imobiliária pública e intensificação da

produção imobiliária privada, novamente se intensifica a expansão urbana e pressão sobre as franjas urbanas. Dessa vez já se tem mais indícios de um contexto de crise alimentar e do modelo de abastecimento das cidades, com suas consequências sociais e ambientais. Entretanto, a questão continua a não ocupar lugar relevante no planejamento e na gestão urbana e a consequência é a

expulsão de agricultores e pescadores das áreas próximas às grandes cidades, o distanciamento

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entre produtor e consumidor, o encarecimento do produto final e maior exploração dos produtores primários.

Este contexto está inserido no que Castells (1999) caracteriza como sociedade em rede e espaço de fluxos, em que “a economia global/informacional é organizada em torno de centros de controle e comando capazes de coordenar, inovar e gerenciar as atividades interligadas das redes de empresas” e “todos podem ser reduzidos à geração de conhecimento e a fluxos da informação” (409).

Não é coincidência que Steel (2013), narra um mesmo tempo histórico que Castells (1999), focando no crescente desinteresse e investimento público na produção agrícola. Para o autor, "a cidade global é um processo por meio do qual os centros produtivos e de consumo de serviços avançados e suas sociedades auxiliares locais estão conectados em uma rede global, embora menos conectados com suas hinterlândias, com base em fluxos de informação” (p. 470). Enquanto Londres se consolidava como cidade global numa sociedade em rede, segundo o processo descrito por Calstells, o Estado britânico cortou subsídios aos agricultores e o interesse no espaço rural passou quase unicamente para turismo e lazer da elite econômica. Para Harvey (apud Miranda, 2008) esse mesmo processo pode ser entendido como a resistência dicotomia entre o rural e o urbano por meio de imagens, que são reapropriadas pelo capital visando a formação de novos valores de uso e de troca.

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Steel complementa a análise afirmando que “como somos uma civilização centrada nas cidades, é pouco surpreendente que herdamos uma visão unilateral da relação rural-urbano”. O afastamento dos espaços de produção de alimentos converge com tudo isso e, segundo a autora, isso se torna tão distante do dia-a-dia dos habitantes da cidade, que não se as consequências em escala global dos nosso hábitos alimentares passam despercebidas, enquanto escolhemos os produtos nas prateleiras dos supermercados.

Os serviços avançados também tem permeado de forma intensa a própria cadeia de produção e comercialização de alimentos. Descritos por Castells, serviços avançados são aqueles que geram conhecimento e fluxos de informação, como finanças, seguros, propaganda, marketing, consultoria, P&D, inovação. Um exemplo claro, como mostra Steel, é a evolução do setor de logística terceirizada, na distribuição de alimentos, que basicamente gerencia informação para garantir a

2 HARVEY, David. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1989.

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disponibilidade permanente dos produtos nas prateleiras dos supermercados, uma tarefa difícil pela complexidade natural do produto (o alimento) em relação a estocagem e transporte. O setor, em rápido crescimento principalmente desde a década de 2000 e impulsionado pela tecnologia da informação, tem introduzido novos serviços como: planejamento, previsão e reposição colaborativa; identificação por rádio-frequência (incorporação de chips nas embalagens que permitirão monitorar

o alimento desde as fontes até os domicílios; e os já usuais cartões de crédito e programas de

fidelidade associados às redes de supermercados que constituem primordialmente um valioso banco

de informações.

Castells elabora o conceito de fluxos para caracterizar o novo espaço social na contemporaneidade.

Fluxos são “sequências intencionais, repetitivas e programáveis de intercâmbio e interação entre posições fisicamente desarticuladas, mantidas por atores sociais nas estruturas econômica, política e simbólica da sociedade” (Castells, 1999). Qual o lugar do alimento, um produto tão intrinsicamente associado ao seu espaço físico de produção e distribuição, no espaço de fluxos? Seria a alimentação

a limitação que faz recordar o homem da sua condição animal, por um lado, e uma atividade

econômica lucrativa desigual, por outro? Estaria a agroindústria e a logística de alimentos transformando o espaço da agricultura em espaços de fluxo? Quais seriam as consequências disso? São questões para reflexão.

Em oposição ao espaço de fluxos, Castells apresenta seu contraponto: o espaço de lugares. Lugar seria "um local cuja forma, função e significado são independentes dentro das fronteiras da contiguidade física” (p.512). Enquanto meio originário de ligação entre campo e cidade, o alimento permeia a relação com os espaços físicos desde a produção até o consumo. Diante do agronegócio e da globalização que homogeneíza a alimentação dos espaços e retira parte do significado do espaço como espaço de lugares, o resgate de uma produção alimentar sustentável é uma possibilidade para “que se construam pontes culturais, políticas e físicas entres esses dois espaços” (p. 518)- o de fluxos e o de lugares. O alimento passa por essas três dimensões: culturais, políticas e físicas.

Considerações finais

De forma geral, a literatura sobre sistemas alimentares possuem uma tendência a não abordar o papel da urbanização e, ao mesmo tempo, a produção acadêmica sobre urbanização não enfatiza a

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importância do acesso à alimentação (SMITH, 1998). Partindo da bibliografia estudada na disciplina, pode-se apontar, de fato, a ausência da questão alimentar ao tratar da formação do urbano. Isso não exclui, entretanto, a contribuição das reflexões dos textos para se pensar também a dinâmica que rege o sistema de abastecimento e distribuição de alimentos na cidade.

Assim como nos estudos acadêmicos, também na elaboração de políticas públicas é pouco visível a convergência entre segurança alimentar e desenvolvimento urbano. Entre respostas e ações requeridas para enfrentar a crise alimentar, a FAO recomenda, por exemplo, “integrar alimentos e agricultura como parte do planejamento do uso do solo territorial e urbano, levando em consideração a necessidade de fortalecer os vínculos rural-urbanos” (FAO, 2015, p.6). Sugestões semelhantes provêm do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) no Brasil, que estimula os movimentos que lutam por reforma urbana a assimilar a defesa de espaços agroecológicos nos centros urbanos ou próximos a eles e de feiras agroecológicas e cozinhas comunitárias enquanto equipamentos públicos (AMORIM, 2015). Há, ainda, alguns exemplos embrionários de inserção da segurança alimentar como pauta de política urbana, como o zoneamento territorial voltado à produção de alimento.

O aprimoramento das estratégias de enfrentamento das duas questões (segurança alimentar e desenvolvimento urbano) de forma conjunta parece portanto de extrema importância e o preenchimento de lacunas de conhecimento é essencial para isso. Há muito o que se perguntar e se pesquisar na relação entre os dois temas: quais são os impactos das transformações territoriais urbanas na condição de segurança alimentar na cidade, por um lado, e, por outro, de que forma o processo de planejamento e gestão urbana consideram o acesso ao alimento em seus instrumentos e projetos, são questões a serem aprofundadas e aplicadas aos contextos locais.

Referências Bibliográficas

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AMORIM, E. Segurança alimentar é elo entre lutas do campo e da cidade. Articulação do Semiárido Brasileiro – ASA, Recife, 29 jul. 2015. Disponível em: <http://www.asabrasil.org.br/ Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=9144>. Acesso em: 01 ago. 2015.

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BOISIER, S. "El desarollo territorial a partir de la construction de capital sinergético". Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, nº 2. São Paulo: ANPUR, 2000.

CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. Volume 1.

[CONSEA] Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Princípios e diretrizes de uma política nacional de segurança alimentar e nutricional. Brasília: CONSEA, 2004.

[FAO] Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Studying Food Supply and Distribution Systems to Cities in Developing Countries and Countries in Transition - Methodological and Operational Guide. Roma: FAO, 2001.

MALUF, R. S. Segurança alimentar e nutricional e fome no Brasil - 10 anos da Cúpula Mundial da Alimentação. Rio de Janeiro: Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional – CERESAN, 2006.

MIRANDA, L. I. Planejamento e Produção do espaço em áreas de Transição rural- urbana: o caso da Região Metropolitana do Recife. Tese de Doutorado, Recife: UFPE, 2008.

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SMITH, D. W. Urban Food Systems and the Poor in Developing Countries. The Geographical Journal, The Royal Geographical Society, Londres, 1998.

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