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RePro ANO 41 ¢ 256 e JUNHO e 2016 "4 INCLUI VERSKO ELETRONICA DA REVISTA A FUNDAMENTACAO SUBSTANCIAL DAS DECISOES JUDICIAIS NO MARCO DO Novo Cépieo DE Processo CiviL THE SUBSTANTIAL JUSTIFICATION OF JUDICIAL DECISIONS AS A RESULT OF THE NEW BRAZIAN Civit Proceoure Cope A.exanore Meto Franco BaHiA Doutor € Mestre em Direito pela UFMG. Professor Adjunto na UFOP e IBMEC-BH. Advogado. alexprocesso@ gmail com Févio Quinauo Peoron Doutor e Mestre em Direito pele UFMG, Professor Adjunto na PUC-Minas € no IBMEC (MG) de Direito Anen 00 Dinero: Processual; Constitucional Resumo: 0 presente artigo tem por objetivo dis- cutir uma compreensio constitucionalmente & democraticamente adequada do dever (constitu- cionalflegal) de Sundamentagéo dos provimentos jurisdicionais trazida pelo NCPC. Adotando a perspectiva do modelo constitucional de proces- 0, identifica-se que o dever de fundamentacdo pelos Grados jurisdicionais estéligado @ uma lei- tura procedimental do principio do contraditério {como comparticipag3o dos Sujeitos processus) em substituigdo a leituras ja ultrapassadas prin- cipio como paridade de armas ou bilateralidade de audiéncia, Além do mais, as exigéncias nor mativas, trazidas com 0 Estado Democratico de Direito, impéem ao Judicidrio 2 superagao da discricionariedade judicial, bem como a possibili- dade do julaador decir com base em clementos solitérios (como sua cansciéncia). Processual Civil. Advogado. fiaviopedron@tcpadvogados.advbr 22.07.2018 03.2015 Assinact: This article aims to discuss an understanding _constitutionelly and democratically appropriate of the obligation (constitutionaiiegal] justification of jurisdictional provisioned from the NCPC. ‘Adopting the perspective of constitutional design process, its possible to see that the obligation to ‘ive reasons that the courts have is connected to a procedural reading of the contradictory principle (as co-participation of process subjects) in replacement of outdated readings about that principle as parity weapons or bilateral hearing, Moreover, normative requirements, brought 10 the constitutional state, impose to the judiciary to overcome the judicial discretion, and the possibility of the judge decide based on lonely clements (such as your consciousness). Bisa Nevande Melo Franco; Pan, dvi Quiraud, A fundamentagao substan 1d6 novo Cédigo de Processo Cul Revista de Processa. vol. 256, ana 41. 9. 35+ das decsbes judas no marco ‘So Pauo: Ed. RI, jn. 2016. 36 Resta ne Proctsso 2016 © RePro 256 Pauavnas-chAve: Fundamentapio - NCPC ~ Prin- Kerworos: Justification ~ NCPC - Procedural ‘lpios processuais ~ Contraditario, principles - Contradictory, deragées finals - 6. Referencias bibliogréficas 1. Introougdo 1. TATL 489. Sto elementos essenciais da sentenca 1~0 relatorio, que conterd os nomes das partes. a ‘identificacao do caso, com a suma do pedido e da contestacdo, e o registro das Principais ocorréncias havidas no anda- mento do processo; 2s tundamentos, em que o juie analisard as questées de fato e de direito; I~ 0 dispositive, em que o juiz resolverd as questoes Principais que as partes Ihe submeterem, via, sentenca ou acordio, que: Tse limitar a indicagdo, a reproducao om & Pardfrase de ato normativo, sem explica sus relacdo com a causa ow a questdo decidida; 1L- empregar conceitos juridicos indeterminados, sem explicar 0 motivo conereto d sua incidéncia no caso; TI invocar motivos que se prestariam a Justificar qualquer outra decisio; IV ~ ndo enfrentar todos os argumentos deduzidos no Processo capazes de, em t infirmar a conclusao adotada pelo julgador: N= se limitar a invocar precedente ou enuinciado de stimula, sem identificar se fundamentos determinantes nem demonstrar que © caso sob julgamento se aju aqueles fundamentos; Vii dcizar de seguir enunciado de simula, jutispradéncia ou precedente invoca: Pela parte, sem demonstrar a existéncia de distincao no care em julgamento ou Superacao do entendimento, TeorIA Geral 00 Processo 37 tas vezes ao sacrificio das exigéncias dos principios processuais constitu- ais (notadamente o contraditério” e a isonomia). Duas das grandes contribuicées que 0 NCPC traz certamente so, primei- ente, sua preocupacéo com uma base constitucional solida, colocando a rma processual brasileira inserida no modelo constitucional de processo, ¢ ja vem estabelecido na Europa apés o final da 2.* Guerra, mas que entre apenas alca tal condicao com a Constituicao de 1988.* A segunda, decorrente da primeira, esta em que, uma vez constitucionali- a norma processual, hé uma grande preocupacdo no NCPC com os prin- ios, de modo que 0 Codigo se vale de um conjunto principiolégico forte? 0 €, 0s prinefpios, concentrados fundamentalmente nos 15 primeiros artigos esar de também os encontrarmos presentes ao longo da norma) funcionam 10 mais como 0s antigos “principios gerais do direito” da Lei de Introducao Direito Brasileiro (LINDB), mas sao verdadeiras normas e, como tal, de ob- ancia obrigatoria em toda a aplicaciio do processo civil brasileiro.® Se antes tal obrigatoriedade ja era verdade, decorrendo da Constituicao, sgora isso fica mais claro e mais denso com disposigées especificas para 0 pro- § 2° No caso de colisdo entre normas, o juiz deve justificar 0 objeto os critérios gerais da ponderacao efetuada, enunciando as razbes que autorizam a interferéncia na norma afastada e as premissas faticas que fundamentam a conclusio. §3.° A decisio judicial deve ser interpretada a partir da conjugacdo de todos os seus elementos ¢ em conformidade com o prinefpio da boa-fé.” THEODORO JR., Humberto; NUNES, Dierle José Coelho. © principio do contra- ditorio, Revista da Faculdade de Direito de Sul de Minas. n. 28. p. 177-206. jan.-jun. 2009. Disponivel em: [www.ldsm.edu. br/Reviste/Volume28/Vol28_10.pdf]. Acesso em: 15.08.2013. Como se pode ver em: ANDOLINA, Italo; VIGNERA, Giuseppe. I modello costitu- zionale del processo civile italiano. Torino: Giappichelli, 1990; e COMOGLIO, Lui- gi Paolo. Garanzie costituzionale e “giusto processo” (modelli a confronto). RePro 90/95-150, Sao Paulo: Ed. RT, abr.jun. 1998. Cf, ¢.g., MACHADO, Felipe Daniel Amorim; CATTONI DE OLIVEIRA, Marcelo An- drade (coord.). Constituicdo e processo: a contribuicao do processo para o constituciona- lismo brasileiro. Belo Horizonte: Del Rey, 2009. THEODORO JR., Humberto; NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre; PEDRON, Flavio. Novo CPC: fundamentos e sistematizacdo. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. em especial o Cap. 1. STRECK, Lenio L. “Nao sei (...) mas as coisas sempre foram assim por aqui”. Consul- tor Juridico. Coluna Senso Incomum. 19.09.2013. Dispontvel em: [www.conjur.com.br/ 2013-set-19/senso-incomum-nao-sei-coisas-sempre-foram-assim-aqui#_{tnrefl_7676] Baa, Alexandre Melo Franco; Posox, Flévio Quinaud. A Fundamentagdo substancal das decisbesjudicials no marca ‘do novo Cédigo de Processo Cuil, Revista de Frocessa vol. 256. ano 1. p. 35-64, Séo Paulo: 6. RT, jun. 2016. 38 Revista oe Processo 2016 © RePro 256 cesso civil patrio. Nesse sentido muito feliz a forma como foram colocados NCPC: logo na abertura do Codigo, na Parte Geral, o Capitulo 1 (do Titul Unico, do Livro 1) dispde que as normas ali constantes formam “[as] no fundamentais do processo civil”: sao normas (e nado apenas mecanismos colmatacao de lacunas) e séo fundamentais — ow seja, qualquer aplicacao restante deve ser erigida sobre essa base, sob pena de tal edificio estar fora que passa a ser, agora sem qualquer duivida, a base do proceso, Entre tais normas esto algumas que nos interessam muito de perto pa falarmos sobre fundamentacdo das decis6es. Ora, se o que nos interessa aqui falarmos sobre as novidades trazidas no NCPC acerca do modo como juizes Tribunais tem de fundamentar suas decisdes ~ e tomando-se que uma “fun mentacao substancial” € a busca por uma decisto correta’ -, temos, entio, Primeiramente buscar os fundamentos para a melhor compreensao do no objeto principal que é 0 art, 489. Trataremos, entao (t6picos 2 ¢ 3) ace destes fundamentos para depois (t6pico 4) falarmos sobre a fundamenta substancial das decisées judiciais, 2. Dos FUNDAMENTOS PARA UMA DECISAO CORRETA Entre os artigos postos no inicio do Cédigo, podemos selecionar tres din mente relacionados questo da fundamentacdo das decisoes, Os arts. 9.°¢ 10,% como regra geral, protbem o juiz de proferir decisio ue antes seja dada oportunidade de manifestacao das partes? mesmo qua CATTONI DE OLIVEIRA, Marcelo Andrade; QUINAUD PEDRON, Flavio Bar! © que € uma decisao judicial fundamentada? Reflexes para uma perspectiva mocrtica do exercicio da jurisdic20 no contexto da reforma do proceso civil. BARROS, Flaviane de Magalhaes; BOLZAN DE MORAIS, José Luis (org.). Refe do processo civil: perspectivas constitucionais. 1. ed. Belo Horizonte: Forum, 2 vol. 1, p. 119-149, ouvida, ey Art 10. O juiz ndo pode decidir, em grau algum de jurisdicéo, com base em fu mento a respeito do qual nao se tenha dado as partes oportunidade de se manif ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de oficio.” 9. As excegdes so, quanto ao art. 9.°, as tutelas de urgencia e de emergencia: pela natureza das mesmas, poderd o juiz proferir decisao sem prévia manilesta parte prejudicada, ficando diferido 0 contradit6rio logo (na sequéncia) ou ev irresignacao (via recurso). entagio substantial das decisis judiais no 56. ano 41, p 35-64, SG0 Paulo: Ed, jn, 20 Alexandre Melo Franco; Psion, Révio Quinaud. A funds do nove Cédiga de Processo Civil. evista de Pracessa vel Teoria Geral DO Processo 39 gistrado esteja legalmente autorizado a decidir ex officio (art. 10), ou, nos os do art. 9.°, quando aquele for decidir contra uma das partes, deve pri- 0 ouvir a mesma. Os dois dispositivos sao complementares ¢ se aplicam 0 para decisoes definitivas quanto interlocutérias, em qualquer grau de asdicao e tipo de procedimento e mesmo nos casos em que norma de ordem ica autorize o juiz a se manifestar a despeito da inércia da outra parte. Por iplo, no caso de extin¢ao sem resolucao do mérito (art. 485 do NCPC), riz deve “conceder a parte oportunidade para, se possivel, corrigir o vicio” 317 do NCPC), 0 que nada mais é que decorréncia do principio do art. » Ou no caso de juntada de documento aos autos, mesmo sendo matéria de em publica, nao pode se seguir decisio sem que antes seja dada oportuni- ie de conhecimento e manifestacao das partes, como recentemente decidiu JMG: “Ademais, ainda que se trate de matéria de ordem puiblica, veda-se seu co- cimento de oficio, sem qualquer prévio debate entre as partes acerca do a, sob pena de violacao do principio do contraditério. Nesse sentido é sinamento doutrinério: ‘(...) 0 contraditério constitui verdadeira garantia de surpresa que impoe ao juiz o dever de provocar o debate acerca de todas as estes, inclusive as de conhecimento oficioso, impedindo que em “solitaria ipoténcia” aplique normas ou embase a decisio sobre fatos completamente stranhos a dialética defensiva de uma ou de ambas as partes’. (NUNES, Dier- ; BAHIA, Alexandre; CAMARA, Bernardo; SOARES, Carlos Henrique. Curso direito processual civil: fundamentacao e aplicacdo. Belo Horizonte: Forum, 2011. p. 83)”.° Tais previsGes nao s4o novidade noutros ordenamentos, como 0 que ocorre na Franca (art. 16 do CPC), em Portugal (art. 3.°, 3, do NCPC) e na Italia (art. 101 do CPC) e, de fato, tardaram a chegar a nds, pois que sao decorréncia do principio constitucional do respeito ao contraditério (como a vedacdo da sur- presd), como falaremos adiante. Ora, como se pode falar em correta fundamentagao de uma sentenga/acor- dao se o Srgao nao ouviu ambas as partes?” 10. BRASIL. TJMG, ApCiv 1.0024.11.333043-5/001, 5.7 Cam. Civ., j. 26.06.2014, rel. Des. Luis Gambogi. 11. E, percebam, na diccao do art. 9.° o juiz apenas est obrigado a ouvir previamente a parte “contra a qual” a decisao sera proferida, nem se chega a exigir que cle ouca previamente a parte que seria “beneficiada” pela decisdo, ja que Ihe faltaria interesse processual para se opor, inclusive por se tratar de questéo de ordem publica Baus, Alexandre Melo Franco; Pikcn, Flivio Quinaud. A fundamentasao substancial das decides judiGais no marco do novo Cadigo de Processo Cl Revista de Processa vol. 256. ano 41.p. 35-64. Sao Paulo: Ed. RT, jun. 2016. 40 Revista DE Proceso 2016 © RePro 256 No Cédigo de Processo Ciy juizes e Tribunais sempre puderam, 10, mas também a economia processual, relegava-se : © caso para outro grau a que, caso tivesse sido dor 0 equivoco de percepeao a que este estaria a incorrer, O j Pode, percebendo haver uma nulidade absoluta, decidir co antes ouvi-la, bem como, caso encontre alguma “ foi tratada por nenhuma das partes, deve primei fundamento para que, apds sua manifestacdo, faz sentido ou nao. juiz/Tribunal nao ntra a parte sem razdo de decidir” que nao 0 “participd-las” daquele ele possa perceber se aquilo » No marco do Estado Democratico de Direito," pres- creve como direito fundamental o contraditério e a ampla defesa “com os melos ¢ recursos a ela inerentes” (art. 5.°, LV, da CF/1988), nao deveria ha- Ver duvida sobre a necessidade do Judiciatio apenas proferir decisdes apés ouvir as partes; alids, mesmo a ideia de “materia apreciavel de oficio” aind: para debate com as partes e posterior decisio tacao a impressao inicial do magistrado € o re: Partes ~ ou ndo, caso, a partir destas manife. so inicial, ~ € esta levando em conside- sultado das manifestacdes d: stacdes, ele reveja sua impre: Claro ja deveria estar, desde pelo met inerentes” ao contraditério estao nao aj © contraprovar”, mas, também e fun Presa e de influéncia, da bilaterali nos 1988, que nos “meios e recurs 12. CURI, Ivan Guetios, NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre. Proceso constitucio Comemporaneo. Boletim da Faculdade de Direito ~ Universidade de Coimbra. vol. P. 343-374. 2009; BAHIA, Alexandre. A interpretaca 0 Quinaud. A fundarnentagzo substancial das deGSbes judas 70 7x rsta de Precessa vol 25, ano 41. p. 35-64 So Paulo: Ed BT ne Bes, Alexandre Melo Franco; Peavy Fi ornovo Codigo de Frocesso Civil Re Teoria Geral 00 PROcEsSO 41 armas’ (esta tiltima agora positivada no art. 7.° do NCPC),“* 0 que leva a iacao do NCPC com o principio da comparticipacdo” entre juiz e partes (e sus adyogados).!° Uma sentenca apenas estaré adequadamente fundamentada se partir de tais, :postos ¢ qualquer interpretacao reducionista do contraditorio que lhe retire amplitude e centralidade que 0 mesmo tem de ter violada a Constituicao. “Em relacdo as partes, o contraditorio aglomera um feixe de direitos dele lecorrentes, entre eles: (a) direito a uma cientificacao regular durante todo procedimento, ou seja, uma citacdo adequada do ato introdutivo da de- anda ¢ a intimagao de cada evento processual posterior que Ihe permita o exercicio efetivo da defesa no curso do procedimento; (b) o direito & prova, possibilitando-Ihe sua obtencao toda vez que esta for relevante; (c) em de- ‘corréncia do anterior, o direito de assistir pessoalmente a assungao da prova e de se contrapor as alegacdes de fato ou as atividades probatérias da parte ‘contraria ou, mesmo, oficiosas do julgador; e (d) o direito de ser ouvido e julgado por um juiz imune a ciéncia privada (private informazioni), que deci- daa causa unicamente com base em provas ¢ elementos adquiridos no debate ‘contraditério”."” 13. NUNES, Dierle. Processo jurisdicional democratico: uma andlise critica das reformas processuais. Curitiba: Jurua, 2008; THEODORO JR., Humberto; NUNES, Dierle. Uma dimensao que urge reconhecer ao contradit6rio no direito brasileiro: sua aplicacao como garantia de influéncia e no surpresa. Revista de Processo. vol. 16. p. 107-141. Sao Paulo: Ed. RT, 2009; CATTONI DE OLIVEIRA, Marcelo Andrade. Interpretacao. juridica, processo e tutela jurisdicional sob o paradigma do estado democratico de direito. Revista da Faculdade Mineira de Direito. vol. 4. n. 7-8. p. 106-117. Belo Hori- zonte, 1.°-2.° sem. 2001; MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. O Proje- to do CPC ~ Critica ¢ propostas. Sao Paulo: Ed. RT, 2010. p. 48. “art. 7°. E assegurada as partes paridade de tratamento em rela¢do ao exercicio de dircitos ¢ faculdades processuais, aos meios de defesa, a0s Onus, aos deveres e a apli- cacao de sancoes processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditério.” ‘THEODORO JR., Humberto; NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre; PEDRON, Flavio. Nove CPC... cit.. ver em especial o Cap. 2. Cf. NUNES, Dierle José Coelho. Processo jurisdicional democratico... cit., p. 212 e ss.; PICARDI, Nicola. Il principio del contraddittorio. Rivista di Diritto Processuale. ‘n.3. p. 677. Milano: Cedam, jul.-set. 1988; BENDER, Rolf; STRECKER, Christoph. Access to justice in the Federal Republic of Germany. In: CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryan. Access to justice — a world survey. Milano: Giuffre, 1978. vol. 1, livro IL 17. NUNES, Dierle. Processo jurisdicional democratico... cit., p. 230. ~ Bax Aleandre Melo Franco; Paso, Ravio Quiraud. A fundamentagio substancial das decistes jucises no marco do novo Citigo de Processo Chil Revista de Processa. vol 256. ano 41. p. 35-4. Sao Paulo: Ed A, jun. 2016. 42 Revista DE Processo 2016 © RePro 256 O art. 11," por sua vez, reproduz 0 que ja diz o inc. IX, do art. 93, da CF/1988 exige que “todos os julgamentos sejam publicos e fundamentadas todas as decisoes”. Ha que se compreender a fundamentagao a partir da ideia de contraditério, isto é, nao se trata de mera “motivacao”” da decisao na qual 0 magistrado apenas registra o que o moveu a decidir, mas que esta seja o resulta- do direto do enfrentamento pelo magistrado de todas as razGes, teses e provas trazidas por ambas as partes, como falaremos ao tratarmos especificamente do art. 489. Por ora € importante destacar que a doutrina tradicional sempre considerou que a sentenca nao fundamentada (ou mal fundamentada, 0 que é o mesmo que a auséncia de fundamentacao) € absolutamente nula, enquanto se the falta dispositivo é ato juridicamente inexistente.” Sem embargo, dada a sistematica do NCPC, hora de pensarmos se, na verdade, se pode considerar como existente no mundo do direito um ato no qual Ihe falta um dado essencial para que se configure como ato juridico. Uma sentenca sem fundamentacao catece de existencia da mesma forma que seria se Ihe faltasse o dispositivo. Bi FUNDAMENTACAO VINCULADA AO CASO NUM SISTEMA PRINCIPIOLOGICO Para que possamos compreender a ligacdio entre os principios acima expos- tos € 0 disposto no art. 489 (abaixo), € preciso termos claro o atual paradigma de compreensao do Direito no qual nos encontramos ¢ que 0 NCPC busca tefletir. Primeiramente, na atual quadra, como ja adiantado, principios deixa- ram de ser meios de solucdo de lacunas ¢ passaram a ser reconhecidos como’ normas juridicas. Presume-se, por vezes, erroneamente, que os profissionais J4 saibam lidar com essa “concepeao principiolégica do direito” 2 mas se te percebido que isso nao é correto. 18. “Ant. 11, Todos os julgamentos dos érgios do Poder Judictario serao publicos, e fu damentadas todas as decisdes, sob pena de nulidade. 19. THEODORO JR., Humberto; NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre; PEDRON, Flavi Novo CPC... cit; ver também: CATTONI DE OLIVEIRA, Marcelo Andrade: QUINAU PEDRON, Flavio. O que € uma decisao judicial fundamentada?... cit., p.119-152, 20. CE, por todos, THEODORO JR., Humberto. Curso de direito processual civil. 54. Rio de Janeiro: Forense, 2013. vol. 1, p. 542-543. 21. DWORKIN, Ronald. 0 império do dircito. Sao Paulo: Martins Fontes, 1999. p, 253-2 © Franco; Pou, Révio Quinaue. A fundamentacEo substancial das decisbes [udiiais no marco 0 novo Cacigo de Processo Chil. Revista de Frocessa vol. 256, ano 41. p.35-64. Sao Paulo: Ed, jun, 2076, Teoria Gerat po Processo 43 mauita confusao no uso de principios em direito em geral — e particu- te no dia a dia de advogados, juizes, promotores, estudantes e demais lores do direito.” Houve uma época em que 0 Judiciario deixaria de certas quest6es sob o argumento de que as mesmas tratavam de questdes ow ainda de “matérias interna corporis”. sa época reinava uma concepcao fechada do direito como sistema exclu- ‘de regras ~ se isso ainda esta presente em extratos inferiores do Judiciario, > j4 algum tempo mudou de orientacao. Essa mudanca foi lenta, mas wa. Com a consolidacao do novo paradigma constitucional — em razio mstituicao de 1988 -, o STF abraca, para parte de suas decisdes, novos tes de compreensao do direito e da Constituicao, pasando a compre- -los como um sistema de (regras e) principios.*» A descoberta da forca tiva dos principios juridicos € uma das principais transformacdes que 0 ito contemporaneo ir receber. rata-se de uma mudanca paradigmatica profunda. Desde Gadamer, sa- 0s que nenhum texto (norma, stimula, precedente) pode regular a sua ria aplicacdo, ji que, aplicacdo, compreensao e interpretacao sao mo- tos co-originarios;™ assim, esse texto apenas pode fazer sentido imerso aplicacao.” Outrossim, se estamos consiruindo um sistema de precedentes devemos clara, mais do que nunca, a necessidade de que tal conjunto seja coerente, BAHIA, Alexandre. Fundamentos de teoria da Constituicao: a dinamica constitucio- nal no Estado Democratico de Direito brasileiro. In: FIGUEIREDO, Eduardo Hen- Tique Lopes et al. (org,). Constitucionalismo e Democracia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. p. 101-126 DWORKIN, Ronald. Op. cit.; CRUZ, Alvaro Ricardo Souza. Hermeneutica juridica e(m) debate ~ O constitucionalismo brasileiro entre a teoria do discurso e a ontologia existencial, Belo Horizonte: Forum, 2007; PEDRON, Flavio Quinaud. Mutacdo cons- titucional e crise do positivismo juridico. Belo Horizonte: Arraes, 2012; BAHIA, Ale- xandre, Recursos extraordindrios no STF e no ST] ~ Conflito entre interesses publico ¢ privado, Curitiba: Jurud, 2009. p. 106 e ss. GADAMER, Hans-Georg, Verdade ¢ metodo: tracos fundamentais de uma hermenéutica filosofica. 3. ed. Petropolis: Vozes, 1999. p. 459-460. . Idem, p. 485 ess. . NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre; PEDRON, Flavio, Precedentes no Novo CPC possivel uma decisao correta? Justificando, 08.07.2015. Disponivel em: [httpy/justifi- cando.com/2015/07/08/precedentes-no-novo-cpc-e-possivel-uma-decisao-correta-/]. Acesso em: 13.07.2015 ‘Bas, Aland Melo Franco; Peon, Flavio Ouiraud. A fundamentagio substancal das decsbes judas no marco 6 novo Cédigo de Processo Civil Revstade Processo. vol 256, an 41. p. 35-64, So Paulo: Ed. AT, jun, 2016, 44 Revista DE PRocesso 2016 © RePro 256 que tenha integridade.” Um ordenamento que se justifica a partir de princt- ios depende de uma interpretacao construtiva, logo, qualquer “decision que verse sobre principios va mas alla de una interpretacion del texto de la ley y ha menester por tanto, de una justificacion extema”. Do que se concluir que 4 compreensao do carater construtivo da interpretacao/aplicacao do Direito (que Dworkin chama de “romance em cadeia)” ¢ uma necessidade para todo Profissional do Direito nos dias atuais. E preciso compreender que, trabalhando com principios, torna-se cada vez mais comum a situacao na qual sao apresentados a0 magistrado varios principios igualmente validos e prima facie aplicaveis ao caso, e ele deve optar (racionalmente) por aquele que é 0 adequado.” Ele apenas podera 27. O recurso a integridade reaparece aqui, pois exige que os juizes, na medida do pos- stvel, “tratem nosso atual sistema de normas publicas como se este expressasse € respeitasse um conjunto coerente de principios e, com esse fim, que interpretem: ¢ssas normas de modo a descobrir normas implicitas entre e sob as normas explici- tas" (DWORKIN, Ronald. Op. cit,, p. 261). O juiz deve chegar a uma decisto valida na medida em que compensa a indeterminacao do Diteito apoiando sua decisao na Teconstrugto que faz da ordem juridica, de modo que o Direito vigente possa ser Justificado a partir de uma série ordenada de principios. Esta tarefa, que cabe a todo Juiz (de qualquer instancia), implica que ele deve decidir um caso concreto tendo €m mira “o Direito em conjunto” (por meio dos principios), o que nada mais é do que sua obrigacao prévia perante a Constituicao (ef. HABERMAS, Jiirgen. Facticidad ¥ validez: sobre el derecho y el estado democrattico de derecho en términos de teoria del discurso. Madrid: Trotta, 1998, Pp. 286). 28. HABERMAS, Jurgen. Op. cit., p. 326. 29. DWORKIN, Ronald. Op. cit., p. 287 e ss; CATTONI DE OLIV IRA, Marcelo A. Dworkin: de que maneira o direito se assemelha a literatura? Revista da Faculdade de Diveito da UEMG. n. 54. p. 91-118. jan.-jun. 2009, Dispontvel em: [www.direito. uimg-br/revista/index. php/revista/article/viewFile/235/216] 30. Umportante, marcar uma das diferencas existentes entre as posicdes tedricas de nald Dworkin e Robert Alexy quanto & possibilidade da aplicacao gradual (Fracione: da) de princfpios diante de um caso conereto. Dworkin chama tal postura de decisov conciliat6rias e as repudia, por entender que ha apenas uma falsa (ilusoria) ideia que prineipios podem ser aplicados gradualmente, na verdade ao se proceder com: quer Alexy, mascaramos o fato de que um principio sempre esta sendo aplicado e ov- {to nao. Portanto, Dworkin nao perde de vista o fato de que as normas (de qualqu espécie, inclusive os principios) sio aplicadas por uma légica binaria, cabendo ai magistrado identificar por um raciocinio de adequacao (do ingles, fit) 0 princip! unicamente adequado (correto) ao caso. Para tanto ver: PEDRON, Flavio Quinaud. Possivel uma resposta correta para casos controversos? Uma andlise da interpretac: de Robert Alexy da Tese Dworkiana. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 3 Bein, Alexandre Melo Franco; Pzvay, Flavio Quinaud. A fundamentagdo substancel das decisSes judais no marco Somnavo Ctdigo de Processo Civ. Revista de Pocessa vol. 256 ano 41, p. 35-64. SGo Paulo: Ed A, jun. 2016, Teoria Gerat 00 Processo 45 fazer isso com o auxilio das partes na reconstrucdo das particularidades do caso! Dessa forma, a questdo da fundamentacao das decisées judiciais remete-nos ao problema de como conciliar o fato de que 0 Direito estabiliza expectativas de comportamento (facticidade), mas a autonomia publica reclama que proces- so de produgao daquelas normas seja efetuado de forma legitima (validade). = A decisao judicial ndo pode ser produto de pura decisao, mas deve reclamar Para si a pretensao de corre¢do. Jé que o Direito pretende legitimidade, nao basta o factum da decisto judicial, ¢ necessério que esta seja consistente, isto €, conforme 0 Direito Positivo (justificagdo interna) e racionalmente aceitavel, isto é, fundamentada (justificacdo externa). E a dimensao pragmatica (livre Jogo ¢ intercambio dos argumentos) que proporcionard os elementos para uma decisao correta.* Percebemos, entdo, que as normas processuais agora, mais do que nunca, assumem um Ingar central, pois que devem criar um ambiente que possibilite © contradit6rio." A resposta judicial “correta” ndo se relaciona diretamente com 0 contetido da decisdo, mas com a observancia da regularidade procedi- mental que levou a mesma: (0 que garante a legitimidade das decisoes so antes garantias processuais atribuidas as partes e que sto, principalmente, a do contraditorio ¢ a da ampla defesa, além da necessidade de fundamentagao das decisées. A construgao par- Ucipada da decisao judicial, garantida num nivel institucional, e o direito de Regido, vol. 40. n. 70. p. 35-56. jul.-dez. 2004, Disponivel em: [www:tr3 jus. br/esco- ludownloadievista/rev_70_UV/Flavio_Pedron pal. 31. GUNTHER, Klaus. Uma concepcio normativa de coeréncia para uma teoria discursiva da argumentac2o juridica. Cadernos de Filosofia Alema. n. 6. p. 85-102, 2000, 32. PEDRON, Flavio Quinaud. A teoria discursiva do direito e da democracia de Jurgen Habermas. Jus Navigandi. ano 19. n. 3935, ‘Teresina, 10 abr. 2014. Dispontvel em: {hutp:/fjus.com.br/artigos/27387]. Acesso em: 13.07.2015, 33. Cf. HABERMAS, Jurgen. Op. cit., p. 267; mais a frente o autor complementa: “[p] or un lado, el discurso juridico no puede moverse autérquicamente en un universo herméticamente cerrado del derecho vigemte, sino que ha de mantenetse abierto « argumentos de otra procedencia, en particular, alas razones pragmticas, éticas y morales hechas valer en el proceso de produccion de normas y, por ende, agavilladas en la propia pretension de legitimidad de las normas juridicas. Por otro, la correceion 6 rectitud de las decisiones juridicas se mide en iima instancia por el cumplimiento de condiciones comunicativas de la argumentacion, que posibilitan la imparcialidad en la formacién de un juicio” (HABERMAS, Jurgen. Op. cit., p. 302) 34. Idem, p. 307, Sse Alrandte Meo Franco; Peo, Flo Quinau,Afurdamentagaosubslancal ds decsles judas no marco ono Cicigo de Processo Ci: Revista de Processa vol 256 ano 4. p. 35-64, So FaulsES AY an DOTS 46 Revista pe Processo 2016 © RePao 256 saber sobre quais bases foram tomadas as d: atuacao do juiz, mas também do Ministéri artes e dos seus advogados”. lecisdes dependem nao somente io Ptiblico e fundamentalmente di “se o ambiente para a producdo de uma decisio judicial correta ¢ consistente. Essa compreensio principiologica do Direito tem reflexos profundos sob oJudicidrio ¢ a forma como o mesmo decide. Ha muito jé nao é mais possivel se sustentar 0 dogma da subsuncdo, supondo-se que a solucao de um caso ad. viria da contraposicao entre fatos e (algunas) que pudessem fundamentar a decisao por completo Tal questao, apesar de ja sedimentada no STF/STJ, entendimentos em contrério, razao pela qual 35. CATTONI DE OLIVEIRA, Marcelo A. Direit mentos, 2002. p. 78-79, 36. Como, e.g., parece crer Edilson Nobre Jr “A utili gurar a concretizacao do ideal de certeza d dadas as particularidades dos litigios, (NOBRE JR., Edilson P.O diteito proc: S0es dos Tribunais Superiores, RePro 1 to constitucional. Belo Horizonte: Manda 'zacdo dos precedentes implica asse o dizeito, de maneira que se pode anteve qual 2 solugto a ser adotada pelo Judiciario’ essual brasileiro e o efeito vinculante das deci: 05/85. Sao Paulo: Ed. RT, jan.-mar. 2002) Bava sande Melo Fane 6 novo Cédigo de re Paasox, Flévio Quinaud. A fundamentagdo substancial das decsbesjudidais no marco Ci Revista de Frocesso. vol 256. ao 41, p. 35-64, Sao Paulo: Ea RT. jun 2016 ‘TeoRIA Geral po Process "@ questo e definiu que as exigéncias constitucionais de contraditério defesa, bem como da fundamentacao das decisdes, nao eram suficientes se superar 0 entendimento majoritario: estao de ordem. Agravo de Instrumento. Conversao em recurso extra: rio (art. 544, §8 3.° e 4.°, do CPC). 2. Alegacao de ofensa aos incs. XXXV do art. 5.°.¢ ao inc. IX do art. 93 da CF/1988, Inocorréncia, 3. O art. 93, CF/1988 exige que o acordao ou decisao sejam fundamentados, ainda sucintamente, sem determinar, contudo, 0 exame pormenorizado de cada das alegacées ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da de- - +. Questo de ordem acolhida para reconhecer a reperctssao geral, rea- ajurisprudencia do Tribunal, negar provimento ao recurso e au torizar a 20 dos procedimentos relacionados a repercussao geral” 2” proprio STE no entanto, possui algumas decisoes em sentido contrario. emos uma também relatada pelo Min. Gilmar Mendes dois anos antes ima citada, mas em sentido oposto. No RE 434.059" o Ministro, apés si¢ao do caso, inicia seu voto afirmando que “hé muito vem a doutrina titucional enfatizando que o direito de defesa nao se resume a simples di- de manifestacao no processo”. Entdo, apos citar alguns autores brasileiros icos, parte para a doutrina alema, da qual vem alguns dos canones sobre 0 tradit6rio acima expostos: “Apreciando o chamado Anspruch auf rechiliches Gehar (pretensto a tutela idica) (...), assinala a Corte Constitucional que essa pretensao envolve nao © direito de manifestacao ¢ o direito de informacao sobre o objeto do pro- , mas também o direito de ver os seus argumentos contemplados pelo 61 incumbido de julgar (...). Daf afirmar-se, correntemente, que a pretensao tela juridica, que corresponde exatamente & garantia consagrada no art. ~ LY, da Constituicao, contém os seguintes direitos: I — direito de informa. (..; I~ direito de manifestacao (...), possibilidade de manifestar-se (...) re os elementos faticos e juridicos constantes do processo (...): III — direito ver seus argumentos considerados (...), que exige do julgador capacidade 37. BRASIL. STE Agin 791292 QO-RG, Pleno, rel. Min. Gilmar Mendes, DJe 13.08.2010. Vale anotar 0 voto vencido do Min. Marco Aurélio que discordou do entendimento da maioria. 68. Trabalhado também por: OMMATI, José Emilio Medauar. A fundamentacao das de- cisdes jurisdicionais no Projeto do Novo Codigo de Processo Civil. In: FREIRE, Ale- xandre; DANTAS, Bruno; NUNES, Dierle; DIDIER JR., Fredie et al. Novas tendéncias do proceso civil: estudos sobre 0 Projeto do Novo Cédigo de Processo Civil. Salvador: JusPodivm, 2014. vol. 3. Bas, Alexandre Melo Franco; Peto, Fav Quiraue, A fundamentagao substancil das dedsbesjucicis no marco do nova Cédigo de Processo Chil. Revistade Proceso. vo. 256. ano 4p. 35-64, So Paulo: Ed Aun. 2076 47 48 Revista bE Proceso 2016 © RePro 256 de apreensao ¢ isencao de animo (...) para contemplar as raz0es apresenta- das (...). Sobre 0 direito de ver os seus argumentos contemplados pelo érgao Julgador, que corresponde, obviamente, ao dever do juiz de a eles conferir atencao, pode-se afirmar que envolve nao s6 o dever de tomar conhecimento, como também o de considerar, séria e detidamente, as razdes apresentadas (sublinhado no original)”. Dessa forma, apesar da brilhante decisto acima, o entendimento do STF sobre o qual ha, inclusive, repercussao geral, € no outro sentido, acompanhado pelo STJ e TST.” Eim boa hora, entao, vem 0 NCPC impor toda uma reformulacao da juris- prudencia assentada sobre 0 tema. O art. 489, caput e incisos, nao traz novi- dades em face do Codigo de Processo Civil de 1973 (tratam dos elementos das sentencas: relatorio, fundamentacao e dispositivo). No entanto, € nos paragrafos que se encontram mudancas radicais que, como dito no inicio, devem ser lidas a partir dos principios processuais constitucionais colocados no inicio do NCPC. O81. estipula, contrario sensu, os requisitos para se considerar fundamen- tada uma deciséo judicial. O que fica evidente aqui é que, se 0 juiz/Tribunal considerar a sério 0 contraditorio (como exposto acima), sua decisao facilmen- te ndo incorrera em nenhum dos problemas elencados, pois que a maior parte dos mesmos se refere justamente a violacao do dever de consideracao das teses trazidas pelas partes (seja para assentir ou nao). O que o § 1.° faz é tentar co- locar por terra assertivas quanto ao “livre convencimento” e, particularmente, que o magistrado nao ¢ obrigado a responder a todos os argumentos deduzidos pela parte. Sobre essa tiltima ja tratamos, sobre a primeira, vale dizer que, no atual paradigma de Estado Democratico de Direito, ‘ja nao faz mais sentido a ideia de “livre convencimento motivado”, que poderia levar a consequéncia perigosa do 6rgio julgador decidir “conforme a sua consciéncia”.! 39. BRASIL. STE, RE 434059, Pleno, rel. Min. Gilmar Mendes, DJe 12.09.2008. 40. Por exemplo, no STJ: BRASIL STJ, EDel RMS 31798, 1.* T., rel. Min. ‘Tgio Kukina, De 19.12.2013; no TST: BRASIL. TST, EDcl AgInRR 35340-33.2005.5.06.0003, 3." T., rel. Min. Rosa Weber, DEJT 17.10.2008. 41. Sobre isso, Lenio Streck aponta: “Por que, depois de uma intensa luta pela de- mocracia ¢ pelos direitos fundamentais (...) deve(ria)mos continuar a delegar aa Juiz a apreciacao discriciondria nos casos de regras (...) que contenham vaguezas € ambiguidades e nas hipoteses dos assim denominados hard cases? Volta-se, sempre. ao lugar do comeco (...). Discricionariedades, arbitrariedades, inquisitorialidades, Positivismo juridico: tudo esta entrelacado” (STRECK, Lenio L. O que ¢ isto - De- Bara, Alexandre Melo Franco; Peay, Fdvio Quingud. A fundamentaslo substancial das decisGesjudidals no marco o novo Codigo de Processo Civ. Revista de Processa vol. 258. ano 41.p. 25-64, Sao Paulo: Ed. A, jun. 2018 ‘Teoria Gerat po Processo 49 incs. I a III se referem justamente aquela “decisao que nao decide o mas que, tomando-o apenas como um “tema”, despe-o de suas particu- ies (das nuances do evento traduzidas em provas e alegacées), ¢ a partir cria uma tese genética.” inc. I trata das decisdes que apenas “indicam, reproduzem ou parafra- ” normas, mas no mostram como a lei, geral ¢ abstrata, se aplica ao caso cifico. Visa combater a pratica viciada trazida com o positivismo juridico e a norma prescinde de interpretacao (ou in claris cessat interpretatio). ‘O inc. Il trata de uma realidade recorrente nos dias de hoje que é a presen- dos chamados “conceitos juridicos indeterminados” - muito presentes no g0 Civil de 2002, como dignidade da pessoa humana, boa-fé objetiva, a 0 social do contrato, a funcio social da propriedade® — e que, se no fo- utilizados de forma constitucionalmente correta, podem representar uma rrizacdo em branco para que o Orgao julgador possa decidir “qualquer coi- cido conforme minha consciéncia? Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. p. 56). E, noutro texto: “[o] sistema normativo patrio utiliza o principio do livre conven- cimento motivado do juiz, o que significa dizer que 0 magistrado nao fica preso ao formalismo da lei nem adstrito ao laudo pericial produzido nos autos, devendo 0 julgador analisar 0 caso concreto, levando em conta sua livre conviccio pessoal” (STRECK, Lenio. © Novo CPC, os precedentes e a decisio juridica: os ganhos da adocdo do integracionismo dworkiniano. In: FREIRE, Alexandre et al. (org.). Novas tendéncias do processo civil: estudos sobre 0 Projeto do Novo Codigo de Proceso Civil Salvador: JusPodivm, 2014. vol. 4). O autor ainda chama a atencao para o fato de que forma retiradas do Novo CPC expresses classicas do processo civil brasileiro: © texto original ainda trazia, em varios trechos, expressdes como “o juiz apreciara livremente”, que foram, praticamente, todas retiradas (STRECK, Lenio. © Novo CPC... cit). . Como ja temos defendido ha algum tempo, o Tribunal nao decide “teses”, mas casos, e isso nao ¢ diferente quando se trata da formagdo de um precedente, que, alias, nada mais € do que a resolucao de um caso. Cf, BAHIA, Alexandre Melo Franco. Recursos extraoniindrios no STF e no ST]... cit. p. 175 € 310); e: BAHIA, Alexandre Melo Fran- €o. Os recursos extraordinarios e a co-originalidade dos interesses puiblico ¢ privado no interior do processo: reformas, crises ¢ desafios a jurisdicao desde uma compreen- sio procedimental do estado democratico de direito. In: CATTONI DE OLIVEIRA, Marcelo Andrade de; MACHADO, Felipe Daniel Amorim (coord.). Constituicdo ¢ processo: a contribuicdo do processo no constitucionalismo democratico brasileiro. Belo Horizonte: Del Rey, 2009. p. 366-369. FACHIN, Luiz Edson, Teoria critica do direito civil. A lug do novo Codigo Civil Brast- leiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. Em sentido critico, autores alemaes como Neumann (Estado Democratico e Estado autoritario. Sao Paulo: Zahar, 1969) jé teciam duras criticas a essa estratégia legislativa e a ampliacao da discricionariedade judicial. nv, Alexandre Melo Franco; Pisa, Flavio Quinaud_A TundomentagSo substercal das decsbesudiiis no marco do nove Cédigo de Processo Ci: Revista de Processo. vol. 256. ano i. p. 35-64, Sfo Pauo: Ed RT, un. 2016. 50 Revista pé Proceso 2016 © RePao 256 sa” a partir de argumentos (nao ditos) de religido, moral, preconceitos etc, ¢ tentar blindar sua decisao com a invocacao de um conceito genérico que po- deria servir, em tese, para outros dispositivos, quando nao, para dispositivos Justamente em sentido contrario. Por isso que a sentenca/acordao tem de estar em ligacdo direta nas especificidades do caso. O ine. III fala de forma mais geral do que jé foi tratado nos dois anteriores, JA que invocar “motivos que se prestariam a justicar qualquer outra decisio” pode ser feito por meio da indicacao genérica de norma ou de conceitos jurt- dicos indeterminados (ou da indicacao genérica de simula e precedente, de que trataremos adiante). Mas o NCPC quer insistir na exigencia de que casos concretos sejam decididos com base em decisdes e fundamentos concretos. Ora, se as partes gastam tempo ¢ recursos préprios e do Judicidrio para expor suas razOes e fazer suas provas, uma decisao cujos fundamentos sejam apenas a Teproduco automatica de outras tantas — ou que poderia ser reproduzida as centenas ~, de fato, nao se esta provendo jurisdicdo, mas apenas dando uma falsa impressao de acesso a justica. No Estado Democratico de Direito, 0 acesso a jurisdicao tem de ser qualitativo e nao apenas formal." O inc. IV retoma o que ja falavamos acima a respeito do art. 9.° ¢, princi- palmente, do art. 10, isto é, nao se considera fundamentada a deci enfrentar todos os argumentos deduzidos no proceso”. Como jé dissemos, isso representa um grande giro na forma como os Tribunais lidam com a ques- Yo. Perceba-se, no entanto, que a parte final do inciso poderia abrir uma porta Para que 0 Orgao julgador nao tenha, de fato, de responder a todas as teses, uma vez que ali consta: “Nao enfrentar todos os argumentos deduzidos no pro_ cesso capazes de, em tese, infirmar a conclusdo adotada pelo julgador”, Alguém: poderia dizer que nao enfrentou determinado argumento da parte porque este nao teria o condao de contrariar a conclusao a que afinal se chegou. Contudo, como também ja defendido aqui, este dispositivo tem de ser lido a partir do conjunto normativo-principiolégico do Cédigo, razao pela qual o magistrado, se entender ser 0 caso, deverd também mostrar que sua compreensio resiste a qualquer outro argumento constante dos autos. A ndo ser assim, entao todas essas disposicdes aqui comentadas restariam sem sentido. Nesse sentido Misa- bel Derzi e Thomas Bustamente: ‘44. Ver NUNES, Dierle; TEIXEIRA, Ludmila, Acesso a Justica qualitativo. Brasilia: Gaze Juridica, 2013; e também PEDRON, Flavio Quinaud. Reflexdes sobre o “acesso a ju sa” qualitativo no Estado Democratico de Direito, In: THEODORO JR., Humbert CALMON, Petronio, NUNES, Dierle. Processo e Constituicao: os dilemas do proces constitucional e dos princtpios processuais constitucionais. Rio de Janeiro: GZ, 2010, Bass Alerandre Meio Franco; Peaax, Flévio Quinaud. A fundamentagBo substancal das decisiesjudicals no marco {do novo Cig de Processo Civ: Revisto de Process. vol. 256. ano 4. p. 35-64. Sao Paulo: Ed, jun 2016. Teoria GERAL Do PRocesso 51 “0 inciso IV (...) evoca um discurso de aplicacao sobre o precedente judi- , fazendo com que os juizes, necessariamente, tenham de tomar em conta las as circunstancias especificas do caso concreto, e todas as razdes dadas las partes para a interpretacao ou reinterpretacao do precedente, bem como, ajustamento a novos dados empiricos e normativos que eventualmente nao ham sido considerados anteriormente”.*” Os ines. V e VI se complementam: ambos tratam da nova tendéncia brasi- de valorizacao de stimulas e precedentes,* inclusive porque o NCPC con- ‘um Capitulo apenas para tratar dos “Precedentes” (arts. 520-522). No art. 9, um inciso (V) fala sobre a mencao genérica e abstrata de sumulas e prece- ntes € 0 outro (VI) justamente da falta de uso dos mesmos (quando houver forem adequados ao caso), a despeito da iniciativa da parte em aponté-lo. No Ameiro caso, a hipotese se assemelha a do inc. Ia respeito do uso também trato de normas, é dizer, tanto num caso como noutro, 0 que se tem so es/Tribunais que nao enfrentam o caso, mas apenas subtraem do mesmo o “tema” e buscam em normas, precedentes e/ou simulas alguma mencao a 1esma temiatica, para, entéo, “decidirem” a causa.” No segundo caso, temos 5. DERZI, Misabel de Abreu Machado; BUSTAMANTE, Thomas. © efeito vinculante € 0 princtpio da motivacao das decisdes judiciais: em que sentido pode haver prece- dentes vinculantes no direito brasileiro? In: FREIRE, Alexandre et al. (org,). Novas tendéncias do processo civil: estudos sobre o projeto de Novo Codigo de Processo Civil. Salvador: JusPodivm, 2013. p. 360. Vale a pena conferir os dois volumes da coletanea Direito jurisprudencial: ARRUDA ALVIM WAMBIER, Teresa (coord.). Direito jurisprudencial. Sao Paulo: Ed. RT, 2012; e: MENDES, Aluisio G. de Castro et al. (coord.). Direito jurisprudencial. Sao Paulo: Ed. RT, 2014. vol. 2. Ver também: NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre. Formagio € aplicacao do direito jurisprudencial: alguns dilemas. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. vol. 79. p. 118-144, 2013; THEODORO JR., Humberto; NUNES, Dierle; BAHIA Alexandre. A brief discussion of the politicization of the judiciary and the view of its application in Brazilian law. Verfassung und Recht in Ubersee. vol. 3. p. 381- 408. 2011. Disponivel em: [A brief discussion of the politicization of the judiciary and the view of tis application in Brazilian law]; BAHIA, Alexandre; NUNES, Dierle. Tendencias de padronizacao deciséria no PLS n. 166/2010: o Brasil entre o civil law € 0 common law e os problemas na utilizag4o do “marco zero interpretativo”. In: BARROS, Flaviane de Magalhaes; BOLZAN, José L. de Morais (coord.). Reforma do processo civil: perspectivas constitucionais. Belo Horizonte: Forum, 2010. p. 75-95. 47. Michel Rosenfeld mostra como 08 sujeitos processuais nos EUA trabalham com pre- cedentes em uma relacdo de aproximagao ou de distanciamento entre casos: a depen- der do grau de abstracao (distanciamento) que se coloca entre dois casos — 0 presente ¢ o(s) representado(s) num precedente/stimula) ~ que se compara, elementos parti- Basin, Alexandre Melo Franco; Pros, Fdvio Quinaus. A fundamertacdo substancial das decisdesjudiiais na marco «do novo Codigo de Processo Civil Revista de Processo. vol, 256, ano 41. . 35-64, Sdo Paulo: Ed. RT, un. 2016 52 Revista DE Processo 2016 & REPRO 256 Pols se as normas sao gerais e abstratas sao decorrentes diretos ~ e 36 fazem se ntido assim — dos casos que hes deram origem.* Nao é constitucionalmente adequado (seja aqui no Brasil, seja em aa (pa ee eee culares de cada um deles podem ficar “borrados” em tazéo do distanciamento, faze: d FLD, Bg casos Pouce sitilares possam parecer praticamente idéntices (ROSEN: FELD, Michel. 4 identidade do sujeito constitucional, Belo Horizonte: Mandamentos, 2003). Ver também RAMIRES, Mauricio, Critica ¢ aplicacao de precedentes no direit. brasileiro. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. P. 140. 48. Valea pena a transcrigao dos precisos comentérios a respeito de Misabel Derzi e Th mas Bustamante: “[o] inciso ¥, por * outro lado, reforca essa obrigacdo, exigindo que aplicacao do precedente —¢ diz. apenas a auctoritas, mas também a ratio, la, integridade e racionalidade do siste Fo mame tipo de procedimento intelectual e onus argumentative para a diferencia, do precedente. Na realidade, distinguishing e extenseo Por analogia constituem facetas do mesmo processo hermenéutico, diferencia den apenas pelo result 'ma juridico. O inciso VI, por seu turno, e. Bau, Alexandre Melo Franco; Paaoy Fivio Ouinaud A fundementasio Substantial das decsbesjuicals ro marca 0 novo Codigo de Processo Chi Revstade Pracessa Vl T6e ech, 35-64. So Paulo: Ea. RT, jun 2016 Teoria GeRat 00 Processo 53 quer pais de common law que se vale de precedentes)® querer aplicd-los -Thes 0 sentido nos casos originais. * mo tempo, uma vez que ha indicacao da parte a respeito de prece- te/stimula que poderia ser prima facie aplicavel, tem 0 6rgao julgador o 1s de mostrar, se entende que o mesmo nao é adequado ao caso, que ha es- ‘ficidades (fazendo, entao, um distinguishing) ou que o precedente/stimula superados (overruling), 0 que impede seu uso. Dados, entdo, os exigentes parametros do § 1.°, continuamos. © § 2.° trata aplicagto da regra da proporcionalidade,* agora positivado em nosso orde- ento, mas que jé vem avancando nos Tribunais ha mais de uma década. desse procedimento. Os incisos V e VI exigem unicamente, portanto, que esse pro- cedimento cumpra 0 dever de motivacdo das decisoes judiciais e obedeca a todas as constricdes que esta impée sobre a argumentacao juridica. O inciso VI adota ainda, expressamente, o principio da inercia na aplicacao de precedentes, que havia sido de- fendido por Perelman e Alexy em suas teorias da argumentacio juridica. Como ja se teve oportunidade de explicar em outra ocasiao, ‘o carater evolutivo do direito repele as cristalizagbes ¢ a estagnacdo. Entre os movimentos de continuidade e de evolucao, € verdade, existe continua tensfo, a que Alexy chamou de universalidade e de prin- cipio da inércia (Tragheitsptincip). O principio da inércia exige que o afastamento do precedente encontre justificacao racional: ‘quem quer que deseje se afastar de um precedente detém o nus da argumentacdo” (DERZI, Misabel de Abreu Machado; BUSTAMANTE, Thomas. Op. cit., p. 360-361; itélico no original). 1 Sobre o mecanismo de funcionamento dos precedentes em paises de common law, ver: LADEIRA, Aline Hadad; BAHIA, Alexandre. O precedente judicial em paralelo as sumulas vinculantes: pelas (re)introducao da faticidade do mundo jurfdico. RePro 234/275-301. Sao Paulo: Ed. RT, ago. 2014; BAHIA, Alexandre. As stimulas vinculan- tes e a nova escola da exegese. RePro 206/359-379. Sao Paulo: Ed. RT, abr. 2012. . Cf, NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre, “Jurisprudéncia instavel” e seus riscos: a aposta nos precedentes vs. uma compreensio constitucionalmente adequada do seu uso no Brasil. In: MENDES, Aluisio G. de Castro et al. (coord.). Direito jurispru- dencial. Sao Paulo: Ed. RT, 2014. vol. 2; BAHIA, Alexandre; SILVA, Diogo Bacha e. ‘Transcendentalizagdo dos precedentes no novo CPC: equivocos acerca do efeito vin- culante, In; FUX, Luiz et al. (org,). Novas tendéncias do direito processual, Salvador: JusPodivm, 2014. vol. 4. . Como esta previsto no art. 521, § 5.°, do NCPC. Cf: THEODORO JR., Humber- to; NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre. Public interest litigation and co-participa- tive judicial enforcement of public policies. Civil Procedure Review. vol. 5. p. 20-58. 2014. Dispontvel em: [wwwcivilprocedurereview.com/busca/baixa_arquivo.php?i- d-028:embedded=true} 92. Para tanto, ver: SILVA, Virgilio Afonso da. A constitucionalizacao do direito: os direitos fundamentais nas relacdes entre particulares, Sao Paulo: Malheiros, 2005. Teoria & Baus, Aleandre Melo Franeo; Pag, Févo Quinaud, A fundamentario substancial das decisesjudiciais no marco «do now Cédigo de Processo Ci: Revisto de Processa. vol. 256. ano 4. p. 35-64, Séo Paulo: Ed RT, jun. 2016. 54 Revista DE Proceso 2016 @ RePro 256 Concordamos com Virgilio Afonso da Silva de que mesmo tendo se popul rizada a expresstio “principio da proporcionalidade” no Brasil, é equivocada nomenclatura e nao pode ser compativel com a logica da teoria de Robert Al ou mesmo da doutrina alema. Falar em um “principio” da proporcionalida como metodologia de controle da racionalidade na aplicacéo de principi (seja selecionando o principio de maior peso, seja aplicando parcialmente do! principios), acabaria por admitir que a propria légica de aplicacao nao fos: seguida de modo rigoroso, j4 que por ser também um principio, poderia s gradualmente aplicada. Contudo, se isso acontecesse, teriamos a total per de suposta racionalidade que o proprio método deveria garantir, tornando. simplesmente imprestavel. Outro ponto também merece uma adverténcia. No Brasil fala-se por vez da proporcionalidade (surgido na Europa) como sindnimo da razoabilid (desenvolvido a partir da doutrina do substantive due process americano Assim, Slerca mostra a origem diversa e os possiveis pontos de contato. Contudo, concordamos com Afonso da Silva de que ha uma confusao fun mental na doutrina constitucional brasileira, muito motivada por uma to preocupacao com o rigor terminoldgico e com a origem historica dos m mos conceitos.* A controvérsia pode ser percebida ainda pela forma multifacetaria como proporcionalidade conceituada, pois, como afirma Luis Roberto Barroso: “Se diluiu em um conjunto de proposicdes que ndo o libertam de uma dim: do excessivamente subjetiva. E razodvel 0 que seja conforme a razao, supon equilibrio, moderacao e harmonia [Bielsa]; 0 que nao seja arbitrario ou ca choso [como em Nebbia vs. New York]; 0 que corresponda ao senso com [Linares Quintana], aos valores vigentes em dado momento ow lugar [Poun: Ha autores, mesmo, que recorrem ao direito natural como fundamento pa aplicacdo da regra da razoabilidade [Bidart Campos]” (grifos nossos).” Direito Publico; e SILVA, Virgilio Afonso da. O proporcional ¢ o razodvel. RT 798. Paulo: Ed. RT, abr. 2002. 53, SLERCA, Eduardo. Os principios da razoabilidade ¢ da proporcionalidade. Rio de neiro: Lumen Juris, 2002. Ver também: TOLEDO, Claudia. Direitos fundamen sociais ~ Entre ponderacao e subsuncao. In: TOLEDO, Claudia (org.). Direitos soc em debate. Rio de Janeiro: FGV, Elsevier, 2013. p. 81-91. 54. SILVA, Virgilio Afonso da. © proporcional e o razoavel... cit 55. BARROSO, Luis Roberto. Os principios da razoabilidade e da proporcionalidade! direito constitucional. Revista do Ministério Publico do Rio de Janeiro. n. 4. p. 165. de Janeiro: Ministério Publico do Estado do Rio de Janeiro, 1996. ‘Buy, Atrandre Melo Franco; Pee, Flavio Qunaud. A fundamentagio slbstandal das decades |uaicais no ro dornovo Céigo de Processo Civ. Revista de Processo vol 256. ano 41, p. 35-64 So Paulo: Ed RT. jun 2016, Teoria Gera po Proceso. 55 ‘a jurisprudéncia, por seu turno, pode-se afirmar a existéncia de uma ten- ia cada vez mais firme no sentido da aplicacao da regra da proporciona- ie, a partir de uma compreensio axiologizante da Constituicao. Segundo ir Mendes, a regra da proporcionalidade pode ser encontrada na historia rudencial do STE O precedente mais antigo seria o voto do Min. Orozim- ‘onato no RE 18.331, julgado em 1953: ‘O poder de taxar nao pode chegar & desmedida do poder de destruir, uma que aquele somente pode ser exercido dentro dos limites que 0 tornem spativel com a liberdade de trabalho, comércio e da indtistria e com o direi- propriedade. E um poder cujo exercicio nao deve ir até 0 abuso, 0 exces- ‘© desvio, sendo aplicavel, ainda aqui, a doutrina fecunda do détournement voir. Nao ha que se estranhar a invocacao dessa doutrina ao proposito inconstitucionalidade, quando os julgados tém proclamado que o conflito a norma comum e o preceito da Lei Maior pode se acender nao somente siderando a letra do texto, como também, e principalmente, o espirito do \sitivo invocado”.* Contudo, é preciso notar que, além de algumas (poucas) decisdes isoladas, rincipais antecedentes da regra da proporcionalidade (e da ponderacao de res) na jurisprudéncia do STF estao centralizados em votos do Min. Morei- ives (vejam-se as Representac6es de Inconstitucionalidade 1054 e 1077).* O pressuposto do citado paragrafo é uma doutrina que vem, pois, ganhando co no Brasil ja ha alguns anos. Parte da premissa segundo a qual principios licos entram em conilito real devendo 0 érgao julgador, diante de um caso eto, se valer de técnicas que Ihe auxiliem a otimizar o uso de um princi- minimizar/alastar 0 outro. O conflito entre principios, segundo tal teoria, ivaleria a um conflito entre valores: MENDES, Gilmar Ferreira. Direitos fudamentais ¢ controle de constitucionalidade: es- tudos de direito constitucional. Sao Paulo: Celso Bastos Editor, 1998. p. 69 e ss. BRASIL. STE RE 18.331, Revista Forense, 145/164. Na Representacao (Rp.) 1054, afirma ele que na Alemanha, € “pacifico o entendimen- to de que limitagdo decorrente de prote¢o econdmica contra concorréncia indeseja- da por parte dos colegas de profissio viola tal liberdade, ja havendo decidido a Corte Constitucional germanica que a protecao contra essa concorrencia ¢ ‘um motivo que .) nunca pode justificar uma usurpacao ao direito de livre escolha de profissi0” (RTJ 110/969, grifos nossos). Na Rp 1077, em que se questionava a constitucionali- dade de taxa judiciaria, afirmou o Min. Moreira Alves: “Nao pode taxa dessa natureza ultrapassar uma equivaléncia razodvel entre o custo real dos servigos € 0 montante a que pode ser compelido o contribuinte a pagar” (RTJ 112/59, sem italico no original). ‘Bun, Aksandre Melo Franco; Picsox, Raivio Quinaud. A fundamentagao substancial das deisdesjudiciais no marco do nove Cadigo de Processo Cui Revista de Processo vol. 256. ano 41. p. 35-64. Sao Paulo: Ed. RT jun. 2016, 56 Revista 0€ Proceso 2016 © RePro 256 z “Por una parte, de la misma manera que de principios y de una ponderacién de principios, puede también hablarse de tina colision de valores y de una ponderacion de valores; Por otra, el cumpli- lento gradual de los principios tiene su equivalente en lx realizacion gradual de los valores. Por ello, enunciados del Tribunal Constitucional Federal sobre n ser formulados en enunciados sobre pri sobre principios 0 maximas en enunciad de contenido” ” puede hablarse de una colision Segundo Alexy, pelo fato de Constituicoes modemnas como a da Alemanha © a do Brasil possuirem um grande elenco de “direitos fundamentais”, estes que fazer quando isso ocorre? “[Llos principios son normas que ordenan medida posible, en relacion cambio, las reglas son noi mas que exigen un cumplimiento pleno y, medida, pueden siempre s er solo 0 cumplidas o incumplidas”.© Assim, enquanto os principios sao « ao se faz em graus, em funcéo até de exemplo), as regras, ao contrario, sem, € feita A base do “tudo ou nada”), Havendlo conflito entre duas regras, a solugdo da contrariedade sera feita pe- los tradicionais meios de solucdo das antinomias: regra superior derroga inferior pane pusterior derroga a anterior eregra especial derroga a geral. Mas ne cacy Principios a situacao € diferente. Como mandados de otimizacdo, 4 medida do posstvel no caso concreto que vai para resolver os confflitos. O fato de dois nao exclui qualquer deles: mandados de otimizacao”, cuja aplica- Taz0¢s extrajuridicas (economicas, por pre tem de ser cumpridas (sua aplicagao 99. ALEXY, Robert. Teoria de las derechos fundamentales. Madrid Centro de Estudios Mticos y Constitucionales, 2001. p. 138-139, 00. ALEXY, Robert. Derecho y p14, 61. Idem, p. 16. raz0n préctica. Mexico: Distribuciones Fontamara, 1 Seis ecard Mo Franco; Pawo, Po Qulnaud A fundamen sib 0 novo Codiga de Processo Ci evista de Processa vol 256 afo at ser Teoria Gera 00 Processo 57 Para que se possa produzir uma decisao a, defende-se a necessidade da valoracdo “La cuestion es, donde y debe ser determinada |: Robert. Teoria de la ai Bumtentacion juridica: la teorta del discurso racional como teoria de la fundamentacisn Juridica. Madrid: Centro de Estudios Constitucionales, Cf. ALEXY, Robert, SO, Luis R; BARCE} ‘Baus, Alexandre Melo Franco; Peta, Flavio Ouineud. A fundamentatosubstancial das decades judas no marco o novo Cédigo de Processo Civil Revistade Processa,vor se 1041, p. 35-64 Sd0 Paulo: Ed. I, un 2016, 58 Revista DE Proceso 2016 © RePao 256 tue aquele primeiro direito deveria sempre , “a lesa a0 direito de Aliagao ¢ total e permanente (..), enquanto a lesa ao direlte liberdade para Constranger 0 suposto pai a coleta de material € minima cre: na mesma época, o Min, Sepulveda Pertence, tambem com Proporcionalidade, defendia justamente 0 oposto cer 0 direito do pai de se recusar a0 exame.** NCPC, vale dizer, por tiltimo, que 0 que 0 § 2.° exi fundamentacao Seja especifica, isto é, que fique claro na decisao como, em que Paramettos, sob quais critérios etc. o magistrado “preferiu” um principio a ou- {ro~ claro, sempre pressupondo que tal “preferéncia” apenas sera valida se for tina Tesposta as teses e argumentos trazidos pelas partes ¢ as especificidades do ige, mais uma vez, € que a Por fim, 0 § 3.° chama a atencao daquele a dos que tomarem a mesma para uso em futuros casos, que uma decisao judi- cial € um todo formado Por relatorio, fundamentos e dispositivo, nos quais se encontram tanto ratio decidendi quanto obiter dictum. dizer, partindo-se da exigencia legal de boa-fé (boa-fé objetiva, mencionads no art. 5.°, nas disposi- decisao para, mprimento da quem a decisio se destina Ses Principiol6gicas do NCPC), ndo se pode tomar parte de uma Por txemplo, pretender o cumprimento forcado, sendo que o eu mesma ainda esta pendente de condicao, 66. SLERCA, Eduardo. Op, cit., p. 128. 67. BRASIL. STE HC 76060, 1." T, rel, '#o hoje esta superada ja que o ST) caminhou para outra se, obrigado a fazer exame contra sua vontade: contudo, a c- Paternidade (Sumula 301) Bat Alone Meo Franco; Poo, Pao QuinaudAfurdarentago SiarGal {novo Cécigo de Processo Civ: Revista de Pracessa, vol 36, 3 decsbesjudiciais na marco ‘800 41. p. 35-64, S20 Paulo: Ed. R, jun, 2016, ‘Teoria Geral 00 Processo . CONSIDERACOES FINAIS Ao longo do texto procuramos mostrar o grande avanco trazido pelo NCPC anto a necessidade de uma fundamentacao substancial as decisdes judiciais, mprindo (ou ampliando) o comando constitucional contido no art. 93, IX. {40 apenas isso, mas 0 NCPC também inova ao dispor um Capitulo apenas ra tratar dos principios que regerao a interpretacdo/aplicacéo das normas, o ue denota a conformacao da legislacao processual aos ditames da constitucio- izacao do Direito ditada pela Constituicao de 1988 ¢ por uma compreensao ‘pés-positivista de direito que entende que este nao é formado (somente) por ‘regras, mas (também) por principios. O NCPC, ao mesmo tempo, coloca grandes desafios para todos os que lida- +40 com o processo daqui para frente. As altfssimas exigéncias postas quanto ao contraditério e, em consequéncia, quanto fundamentacao das decisoes, demandam um novo olhar nao apenas dos magistrados, mas de todos os sujei- tos do processo, uma vez que dependera de todos (comparticipacao) a quali- dade e corregao dos provimentos. A énfase do art. 489 para que o magistrado vincule diretamente as normas, suimulas e precedentes que usar (ou que nao usar) as particularidades do caso — e que esse processo de construcdo da decisao apareca na mesma e nao apenas © resultado —, bem como o comando para que 0 provimento seja o resultado das teses, argumentos e provas trazidos pelas partes, sendo-The vedado deixar de conhecer de qualquer daqueles sem justificativa sao diretivas novas para a maior parte dos operadores do direito no Pais e demandarao tempo ¢ trabalho da academia (¢ dos profissionais) em rever conceitos ¢ paradigmas assentados. Da mesma forma, algo que ja vinha sendo feito sem parametros normativos, a “ponderacdo de principios”, agora encontra limites, sendo tais, mais uma vez, a necessidade de explicitacao pelo julgador do proceso que o fez “prefe- rir” um a outro principio, o que também apenas pode ser feito, na dinamica do NCPC, de forma comparticipativa e “sem surpresas”, como, de resto, ele exige para quaisquer tipos de decisao. 6. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ALEXY, Robert. Derecho y razon practica. México: Distribuciones Fontamara, 1993, . Teoria de la argumentacién juridica: la teorta del discurso racional como teorta de la fundamentacién juridica. Madrid: Centro de Estudios Constitu- cionales, 1989. ~~ Bas Alecandre Melo Franco; Pismo, Flavio Quinaud. A fundamentagSo substancial das decisis judas no marco do novo Cidiga de Processo Civil Revista de Processa vol. 256, ano 41. p. 35-64. Sao Paulo: Ed. FT jun. 2016. 59 60 Revista De Proceso 2016 © RePao 256 Teoria de tos derechos fundamentales. 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