Você está na página 1de 1

Patativa do Assar O Poeta da roa

Sou fio das mata, cant da mo grosa


Trabaio na roa, de inverno e de estio
A minha chupana tapada de barro
S fumo cigarro de paia de mio.
Sou poeta das brenha, no fao o pap
De argum menestr, ou errante cant
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, percura de am.
No tenho sabena, pois nunca estudei,
Apenas eu seio o meu nome assin.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre no pode estud.
Meu verso rastero, singelo e sem graa,
No entra na praa, no rico salo,
Meu verso s entra no campo da roa e dos eito
E s vezes, recordando feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

O falar maranhense: http://silviatereza.com.br/ma-rapaz-perolas-do-dicionariomaranhes/

Co chupando manga: expresso para denotar a feira ou malvadeza de


algum
Escatitar: esculhambar, avacalhar, desmoralizar, esculachar
Fuleiragem: sacanagem, falta de considerao
Hen-heim (= eim): forma usual tpica de afirmar algo, equivale ao exatamente
Migu ou miguelagem: mentira, conversa fiada, co, desdobro
Na pedra: estar encalhado (sem ningum)
Nigrinha: mulher safada, sacana, pilantra
M rapaz!: (Mas rapaz!). Usado quando se ouve algo sem sentido (sandice), ou
tambm, equivale a claro (que sim/no)! ou como no! Quando h pergunta sobre
algo
Morreu fofo (= morreu Maria Pre): Equivalente misso cumprida; trabalho
concludo, finalizado
guasss!: equivalente a nossa, poxa