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C.R. BOXER Capitulo V ALUTA GLOBAL COM OS HOLANDESES (1600-1663) ‘Willem Bosnam, ator de uma descrigioeissica da Guiné no fim 4o seulo XVM, bservou que o papel dos descobridores econguistado- res portugueses no mundo colonial fio de slangarem cs park espa- tarem a cage que foi depois aanads por outos, endo os Holandeses ‘os principals beneficiados. sta cinca observagao conn muito de ‘era, pois quando os Holandess passaram 3 oensiva na sua Gotra tos Oitenta Anos pela independéncia conta a Espanha, no fim do ‘culo XVI, fo conta as possessdescloniais portuguesas mais do que ‘conta as espanholas que os sous alagues mus pesados © mais pe "Sxents se diigram. Uma ver que as possesses ibéicasestvarn spuhadas por todo o mundo, a uta subsequente fi tava em quatro ‘continents em sete mares ¢ esta lta seisentsta merece muito mais ‘er chamada a Primeira Gera Mundial do que o Holocausto de 1914- 8,2 que geramente se ati esa hona duvidosa. Come & evi ‘ent, as aisas provocadas pelo confito sbero-olandés foram em ‘muito menor escala mis populago mundial era muito menor ness altura ea uta indubtaelmente mundial. A baal travou-se no 96 tos campos da Flandres edo mar do Nore, mas também em reps tenon como oe do Anan, nro de Ang a de ‘Timor a cosa do Chile. As presasineinfam oerav-da-lndia eno “oscaa das Molucas; a cancla de Cello; & pimenta do Malabar, @ rata do Mexico, Peru eJapio; o our da Guiné e de Monomotapa © [ricardo Brasil eos exravos negro da Mica Ocidemtal. Quando os Tembramos de qe as popalages rerpectivas dos dos pequenos pases GIMPERIO MARITIMO PORTUGUES A LUTA GLOBAL COM O8 HOLANDESES (1600-1683) funxdamentalmenteem questo, oreino de Portugal ea Repiblica Neer Jandesa Unida, no excediam provavelmente mais do que um milo e Imeio, e quando recordamos. que estavam tmbas profundarente ‘ores na Europa, a magnitude ea extensio dos esforgos que ie- fam no podem derar de provocar a nossa admiragio. Alem dso, eta Tota globe! envolveu mutas vezes terceiras partes, come, por exer, Ingleses, Dinamarqueses,Congoeses, eras, Inonésios, Cambojanos fe Japaneses, em varios locas ¢ datas. Finalmente, havia um forte confit religioso na questo, na medida em que os Portaguese ca Tos romans e os Holandesescalvinstas se considravam campedes das respectivas {6s e,consequentemente,consideravam que tavavam ‘atalhas de Devs contra os Ses inmigos. Para os adeptos da er- ‘deirareligto erst reformaday, tal coma foi defini no sfnodo de DDoreemn 1618-1619, jgreja de Roma era va grande prostiuta da Babi [niae © papa um verdadero Anticrso, Os Potuguess, prs lao, «stavam completamente convencios de que salvagao x6 sepia ober pela crenga nas doutrinas da Igeja catlica romana definidas no one de Trento, que se realizara no século XVI. «Os Holandeses sto apenas bons aritheiros e.paraalém disso, s6 sto bons para serem Gueimedos como heretics. desesperadose. eseeveu um cronista ortguds que expimia as conviees de muitos dos seus compatitotas fm 1624 1 stague magico dos Holandeses 20 Impéri Colonil Portugués foi ostensivamente motivado pela unito das Coreas portuguesa © spanholana pessoa de Filipe If de Espana, conta cujo Govern, pos Piss Baixon, se inhum revotado os Holandeses em 1568. Dez anos mas tarde, a derotae a morte do rei D. Sebastio, que no dexara descendéncia, no campo de Alceee Quibi, em Marocos (4 de Agosto {e 1578,deixou a Coroa ao timo monarca da Casa de Avis, 0id0s0€ ‘dente cardeal D. Henrique. Este more em Janeiro de 1580 e, uns ‘meses mais tarde, Filipe, cua mie era uma princesa portuguesa, fez ‘eras as pretense a0 tno vago com ajuda dos veteranos do gue de Alba das alas de prtas mexicanas, numa combina Judiiosa que the permitiy gubarse do Seu domini: «Herdei-o,com- rei, conguise-o» («Yo lo heredé, yo lo compré, yo lo conguisté). ‘As Coroas de Espana e de Portugal coninuaram unidas nos sesenta anos seguines, um periodo que os patriots portuguese compara Subseguentemente 20 cativelro dos judeus na Babiléna. © imperio ‘oli ibrico, que durou de S80 a 1640, que se estendia de Macau, ‘na Chin, a Polos, 0 Pe, foi assim o primero impeéio mundial onde (So munca se puna, ‘A ocupagi da Coro portuguesa por Filipe nfo encontrou mais do «ue uma resistencia fantoche em 1540 excepeuando nail Tere, ‘de os Espanhdistiveram de orgaizar uma grande invasio. A maioia ‘da nobreza portuguese doalto lero eram a favor da unio. A massa do povo e muito do baixo clero opunham-se tacturamente el, mas {xtvam desorganizados, desanimados sem chefe depois do dessre ‘de Alcier Quit. que mais tarde mutilou a economia Jo pais pela necessidade de pagar os resgates de milhares de eatves capturados pelos Mouros. No entano, 0 sentimento nacional portagués era bas- fant forte e 0 prdpio Filipe foi bastante prdnte pare ascgurar Qu fem 1581, na assemblea das Cortes que sancionou lgalmente a sua ‘ecupagio Ja Cora, 0s dois impérios eolonais deviam permanecer fntdades separadamenteadministada. A unio destas duas Coroas ‘cas era uma uniso pessoal, come ado Reino Unig da Esoocia eda Inglaterra nas pesos Jos monareas Stuart desde a adesto de Jaime VI (e') a0 Acto da Unido no reinado dt runha Ana. O rei Filipe I de Espana eT de Portugal jurou perservar as les ea lingua portuguesa, consulta os conselheiros portuguese em todos sassuntos respitanes 8 Portugal c Bs posesses portuguesss © nomear apenas funcionisios portugueses para estas possesses, Os Espana estavam expres mente proibidos de comerciarouextabelecer-se no Imperio Portes, ‘cos Portuguese de comerciar de elabelecer-se no span ‘OsPoruguesesqueixaram-se posteriormente de que unio dasa CCoroa com ade Castela era a tica raz pela qual os seus dominios tulramarinoseram atacados pelos Holandesese, em menor escala, pelos Ingleses, no principio do século XVI Estas queluas, se bem que bas tant natura, do eram exactamene juts. Jno meio do século XVI (0s Inglesstinham contestado a pretensio portuguesa 20 monopdto do omércio da Guinée noha divida de que os dois poderes marimos Protestants teriam, de qualquer modo entrado em confito com Ports sl pr causa da pretenso dete dim de se 0 Unico seahor dos mares Sorente do cabo da Boa Esperanys. No enanto,€ um facto que foram ‘os esfargos fits por Flip I pra sufcar a revolts dos Pages Baixos © ‘os seus embargosesporsdics so comércio holands com a Peninsula © © Império que contribuiram para envolver os Portugueses em hostiidades com os poderes marfimos setenionss antes Jo que Poderia ter aconecdo, se as coisas no se tivessem pasado assim. ‘Além disso, uma ver que os Holandeses decidiram fazer a gue ‘ltramarinae ataear os seus inimigosibéricos nas posessdes colonials ‘ve Thes formeciam or recursos econdmicos em vez de lure ne ‘andres ecm Ida, Portugal, enguanto membro mais aco da unito as suas Coroas, sofreu invitavelmente mais do que Cascla com os ‘tagues do podee martimo holandés que Ihe era superior. A goer ,o que india bastante clare mente que era una das causa (recompensss) pinipas da guerra, se ‘bem que © dium theologicum ene eavinstas eatlieos romanos , queixavase de que os bantos da Zambia do litoral Imogambicanoss6-comerciavam com os Portuguese, que mann flguns padres nas costa marinas, que ispram um temor respeitoso {0s mbecis dos nativos econseguem a suas presas de leant eo 0uro {co de bagatelas». Foram os missioniiosjesufas que se encon- teavam na corte de Peguim os grandes responsives pelo fracasso de todos or esforgos dos Holandeses para esabelecerem um comércio ofcilmemte reconhecido com a China, se bem que a autoidades provincias de Kwangtung e de Fuquiém esivessem, na generalidade, a favor da aceitagao dos harbars de eabelo vermelho», depois do iniio i dinastia Manchu, em 1648. “A estreita eooperagin ene a Cruz € a Coro, ve foi uma das