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Instituto Superior de Gestão de Negócios QUALIDADE E EXCELÊNCIA DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO II NOME: TELMA MOREIRA

Instituto Superior de Gestão de Negócios

QUALIDADE E EXCELÊNCIA

DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO II NOME: TELMA MOREIRA

Semestre/2015

Cod. Docente: Dr. Dionísio Marrengula

2º avaliação/2º

Classificação: ________

  • 1. ESPECIES DE REGULAMENTO ADMINISTRATIVO No que concerne as espécies de regulamentos administrativos, são aferidas segundo critérios distintos ou seja, ou seja De acordo com 4 critérios fundamentais podemos apurar diferentes espécies de regulamentos, sendo esses critérios definidos da seguinte maneira: Primeiramente avalia-se a ligação existente entre o regulamento e a lei; o segundo critério prende-se com o objecto desse regulamento; em terceiro lugar, apura-se o âmbito da sua aplicação; por fim, estuda-se a projecção da sua eficácia.

    • a) A sua relação com a lei: regulamentos complementares/execução (aqueles que desenvolvem ou aprofundam a disciplina jurídica constante de uma lei, completando- a e viabilizando a sua aplicação aos casos concretos – são regulamentos secundum legem, sendo portanto ilegais se colidirem com a disciplina fixada na lei, de que não podem ser senão o aprofundamento) e regulamentos independentes/autónomos (aqueles regulamentos que os órgãos administrativos elaboram no exercício da sua competência, para assegurar a realização das suas atribuições especificas, sem cuidar de desenvolver ou completar nenhuma lei em especial);

    • b) Objecto: regulamentos de organização – procedem à distribuição das funções pelos vários departamentos e unidades de uma pessoa colectiva pública, bem como à repartição de tarefas pelos diversos agentes que aí trabalham; regulamentos de funcionamento – são aqueles que disciplinam a vida quotidiana dos serviços públicos. Os regulamentos que procedem em particular à fixação das regras de expediente denominam-se regulamentos procedimentais; regulamentos de polícia são aqueles que impõem limitações à liberdade individual com vista a evitar que, em consequência da conduta perigosa dos indivíduos, se produzam danos sociais;

    • c) Âmbito da sua aplicação: regulamentos gerais – destinam-se a vigorar em todo o território continental; regulamentos locais – aqueles que tem o seu domínio de

aplicação limitado a uma dada circunstância territorial; regulamentos institucionais – os que se emanam de institutos públicos ou associações públicas, para terem aplicação apenas às pessoas que se encontram sob a sua jurisdição;

d) Projecção da sua eficácia: regulamentos internos – os que produzem os seus efeitos jurídicos unicamente no interior da esfera jurídica da pessoa colectiva de que emanam; regulamentos externos – produzem efeitos jurídicos em relação a outros sujeitos de direito diferentes, isto é, em relação a outras pessoas colectivas públicas ou em relação a particulares.

  • 2. DISTINÇÃO ENTRE REGULAMENTO E LEI Há vários critérios de distinção entre lei e regulamento. Um primeiro critério assenta na diferença entre princípios e pormenores – à lei caberia a formulação dos princípios, ao regulamento a disciplina dos pormenores. Um segundo critério baseia-se na identidade material entre a lei e regulamento, defendendo por isso que a distinção só pode ser feita no plano formal e orgânico. Ou seja, tanto a lei como o regulamento são materialmente normas jurídicas; a diferença vem da diferente posição hierárquica dos órgãos de onde emanam e, consequentemente, do diferente valor formal de uma outra. O terceiro critério, reconhece haver algumas afinidades no plano material entre o regulamento e a lei, considera possível distingui-los porque o regulamento falta a novidade que é característica da lei. Os regulamentos complementares ou de execução são, caracteristicamente, normas secundárias que completam ou desenvolvem leis anteriores, sem as quais não podem ser elaborados; e os regulamentos independentes ou autónomos, embora não se destinam a regulamentar determinada lei em especial, são feitos para a “boa execução das lei”, isto é, “visam a dinamização da ordem legislativa”. As diferenças entre a Lei e regulamento resume-se da seguinte forma:

À lei cabe a fixação dos princípios de um certo regime jurídico;

Ideia de novidade, conteria previsões normativas novas;

As leis aprovadas pelo Governo revestem a forma de decretos--leis e são editadas ao

abrigo do art. 181° da CRM. A lei só pode ver a sua validade aferida pela CRP.

Em relação ao regulamento:

Cabe estabelecer o detalhe de tais princípios; Encarregar-se-ia dos aspetos visando facilitar a aplicação da lei, sem inovar; Os regulamentos independentes do Governo revestem a forma de decretos, regulamentares e são editados ao abrigo do art. 204° da CRM.; O regulamento tem também de respeitar a lei.

3.

DISTINÇAO ENTRE REGULAMENTO E ACTO ADMINISTRATIVO

Tanto o regulamento como o acto administrativo são comandos jurídicos unilaterais emitidos por um órgão da Administração no exercício de um poder público de autoridade: mas o regulamento, como norma jurídica que é, é uma regra geral e abstracta, ao passo que o acto administrativo, como acto jurídico que é, é uma decisão individual e concreta.

O regulamento apresenta um carácter normativo. Em matéria de interpretação, integração de lacunas e validade, aplicar-se-ão, subsidiariamente os princípios e regras relativos às leis. Enquanto o acto administrativo é individual e concreto. E em relação a matéria de interpretação, integração de lacunas e validade, aplicar-se-ão, subsidiariamente os princípios e regras relativos aos negócios jurídicos.

Há a considerar três dificuldades principais:

  • - Comando relativo a um órgão singular: é norma, e não acto, se dispuser em função das características da categoria abstracta e não da pessoa concreta que exerce a função; será acto no caso contrário;

  • - Comando relativo a um grupo restrito de pessoas, todas determinadas ou

determináveis: é norma, e não acto, desde que disponha por meio de categorias abstractas, tais como “promoção”, “funcionários”, etc. será acto se contiver a lista normativa dos indivíduos abrangidos, devidamente identificados;

  • - Comando geral dirigido a uma pluralidade indeterminada de pessoas, mas para ter aplicação imediata numa única situação concreta.

  • 4. LIMITES DO PODER REGULAMENTAR É uma das formas pelas quais se expressa a função normativa do Poder Executivo. Pode ser definido como o que cabe ao chefe do Poder Executivo, dos Estados e dos Municípios, de editar normas complementares à lei, para fiel execução, entre elas destacamos Os limites do poder regulamentar são desde logo aqueles

que decorrem do seu

posicionamento na hierarquia das Fontes de Direito:

Os Princípios Gerais de Direito; A Constituição; Princípios Gerais do Direito Administrativo; A lei; Reserva de competência legislativa da Assembleia da República (art 179 CRM) nas matérias que integram esta o Governo somente pode aprovar regulamentos de execução; Disciplina jurídica constante dos regulamentos editados por órgãos que hierarquicamente se situem num plano superior ao do órgão que editou o regulamento considerado (art. 278º CRM); Não podem ter eficácia retroactiva. A esta limitação podem escapar os regulamentos aos quais a lei haja concedido à Administração a faculdade de dispor retroactivamente.

O poder regulamentar está sujeito a limites de competência e de forma. Sendo a lei que determina a competência dos órgãos, é evidente que sofrerá de incompetência um regulamento editado por um órgão que não disponha de poderes para tal.

  • 5. VIGÊNCIA DOS REGULAMENTOS Os regulamentos publicados no “Boletim da República” entram em vigor nos termos das leis e podem cessar a sua vigência por caducidade, pela revogação ou ainda pela anulação contenciosa ou pela declaração da sua ilegalidade, mais importa falar de momento da sua vigência por caducidade, revogação e anulação contenciosa.

Caducidade: são casos de em que o regulamento caduca, isto é, cessa automaticamente a sua vigência, por ocorrerem determinados factos que ope legis produzem esses efeitos jurídico. Os principais casos de caducidade são:

  • a) Se o regulamento for feito para vigorar durante certo período, decorrido esse período o regulamento caduca;

  • b) O regulamento caduca se forem transferidas as atribuições de pessoa colectiva para outra autoridade administrativa, ou se cessar a competência regulamentar do órgão que fez o regulamento;

  • c) O regulamento caduca se for revogada a lei que ele veio executar, caso esta não seja substituída por outra.

Revogação: o regulamento também deixa de vigorar noutro tipo de casos, em que um acto voluntário dos poderes públicos impõe a cessação dos efeitos do regulamento. São eles:

  • a) Revogação, expressa ou tácita, operada por outro regulamento, de grau hierárquico e forma idênticos;

  • b) Revogação, expressa ou tácita, por regulamento de autoridade hierarquicamente superior de autoridade ou de forma legal mais solene;

  • c) Revogação, expressa ou tácita, por lei.

Anulação contenciosa: os regulamentos deixam de vigorar, total ou parcialmente, sempre que um Tribunal para tanto competente declare, no todo ou em parte.