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A Caminhada Espiritual Uma Alegoria Zen - Capturando o Touro

por Bruno Weyting Calabria

A Caminhada Espiritual - Uma Alegoria Zen - Capturando o Touro

por Bruno Weyting Calabria - Psicoterapeuta - brunocalabria@hotmail.com

Prosseguindo na suite de artigos sobre as dez etapas da iniciação espiritual, belíssimamente descritos na famosa alegoria Zen intitulada "Apascentando o Touro", na versão contida na obra "O Zen e a Oaska" do Mestre Joaquim José de Andrade Neto, segue a descrição dos passos IV a VI. Impossível não ter a alma transportada para outras dimensões, após a leitura deste texto. Devido a limitações técnicas, reproduzo os quadros IV a VI, sem as ilustrações.

O HOMEM E O TOURO NA CAMINHADA ZEN

CAPTURANDO O TOURO

Como agarrar algo que nos oferece perigo? Como nos aproximar do mais terrível inimigo? Ele corcoveia e tenta escapar por todos os meios, procurando esquivar-se dos freios. A vontade de dominá-lo é tamanha e tão grande a necessidade de conhecê-lo que me livro do medo e torno- me caçador daquele de quem devo ser amo e senhor.

A captura do touro simboliza o início de um dos mais importantes processos na vida de um

homem: o da aquisição do domínio sobre a mente. Tornar-se amo do touro representa a decisão do discípulo de tornar-se um vigilante de sua mente. Essa decisão é tomada quando ele

descobre que nela reside a causa de todo o seu sofrimento. A partir de então, começa a despertar, começa a compreender a supremacia do espírito sobre ela.

AMANSANDO O TOURO

Colocado no touro o laço forte para que do caminho não se desvie, o destino favorece-me com um sol que guia meus passos, encontrando, afinal o Norte, para onde devo me dirigir, mas de meu domínio ele procura escapar, para grutas escuras fugir, ameaçando em abismos profundos se lançar!

O amansamento do touro corresponde ao processo de dominação da mente propriamente dito, e representa o perene desafio que o discípulo terá pela frente, as lutas que precisará travar consigo mesmo em seu cotidiano. É o marco da Iniciação espiritual, o sinal da presença da luz na vida do iniciado. Mas este, ao mesmo tempo em que se sente beneficiado pela descoberta, uma das mais importantes e úteis de sua vida, percebe que estar ciente dos perigos que a mente representa não é suficiente: é preciso mantê-la constantemente sob controle, pois somente assim será possível desmanchar os ardis que ela lhe arma no intuito de desviá-lo do caminho.

MONTADO NO TOURO: RETORNANDO PARA CASA

Finalmente, após uma longa trajetória observando do touro a atuação aprendendo com derrotas e vitórias e domando-o como a um feroz leão, monto-o afinal, ao som de doce melodia que minha flauta produz na forma de canção. E assim, atravessando a cercania, volto para casa, conhecedor de sua direção.

O touro, que o discípulo procurava fora de si, está, na verdade, dentro dele. Tendo aprendido a dominá-lo, ou seja, tendo aprendido a controlar "a fera" interior através da melodia que emana da presença de espírito, o homem volta então para casa, agora já libertado do jugo da mente e das paixões mundanas. Livre e sereno, seu ser emite sons que têm, sobre seu estado mental, o efeito de um verdadeiro aboio. É através desses sons que o discípulo pacifica o touro, isto é, que ele serena a própria mente. O ato de "montar" a mente legitima a condição do espírito de amo e senhor. Somente quando o touro está devidamente domado é que o homem consegue montá-lo e voltar para casa. Assim também, a essência humana só é atingida - e a iluminação alcançada - quando a mente se encontra sob o comando do espírito.

Originalmente publicado AQUI: